09/11/2009 - 15:06h Querem calar os defensores de Lula
Dia sim, outro também, articulistas e jornalistas dos mais diversos jornais e revistas investem contra Lula, o PT, o governo federal. As vezes com razão, muitas por partidarismo e não poucas destilam veneno, preconceito e ataques descabidos e pessoais.
Uma tal de Danuza (“Lula se deslumbrou com ele mesmo, mas não aprendeu que, como presidente, não pode dizer “o Obama me disse”, ou “falei no telefone com o Sarkozy”; ficaria mais condizente com seu cargo dizer “o presidente Obama”, ou “o presidente Sarkozy”. O Itamaraty não podia ensinar essas coisas? E não acredito que jamais o presidente Obama ou o presidente Sarkozy dissessem um descalabro desses.” *), uma tal de Barbara (**), um tal de Reinaldo e por aí vai.
Liberdade de imprensa é isso. Ou melhor, é isso também.
Mas os mesmos são intolerantes com qualquer questionamento aos seus ataques. Não aceitam o contraditório e quando questionados nos fundamentos das suas críticas, invocam um suposto “patrulhamento” ou intolerância.
Parece que o conceito de liberdade da imprensa é só o direito deles atacarem Lula e se alguém discordar, pretendem serem “patrulhados”. Justamente eles que tem espaço garantidos nos jornais e revistas regularmente para publicar o que passe pela cabeça.
Recentemente Caetano proferiu publicamente uma opinião injusta e preconceituosa sobre o Lula. Direito dele de expressar essa opinião, direito meu de considerá-la injusta e preconceituosa. Direito do Estadão de dar destaque na primeira página para o ataque de Caetano. Dever do Estadão de reproduzir depois declarações dos que criticam Caetano e defendem Lula (o que o jornal fez).
Aí vem um tal de Sérgio Malbergier, jornalista da Folha Online, é proclama: Patrulharam Caetano, de novo.
Direito dele de gritar o que quiser, mas quanta intolerância com os que não aceitam suas posições.
Porque não toleram os que divergem com eles? Porque invocar censura, patrulhamento, quando permanentemente e com total liberdade emitem seus juízos mais diversos.
Malbergier, continue destilando suas posições anti-Lula. É seu direito e defenderei sempre esse direito seu se alguém vier a querer proibi-lo de emitir suas opiniões contra Lula.
Mesmo que o conteúdo de sua prosa, na minha opinião e no igual direito inalienável que me assiste de emitir-la, seja de um vácuo lamentável de idéias.
Segundo Malbergier “No, digamos, subperonismo que nos encontramos, são raros os políticos que questionam Lula e seus 70%. Os artistas, então, viciados em Petrobras, Eletrobrás, isenções fiscais e vales culturais, ou se calam ou bajulam.”
Porque os que não concordam com você estariam agindo por suborno (”isenções e vales culturais”)? Você consideraria como, alguém dizer que você ataca Lula e grita alto sua oposição, porque pagam um salário para você agir assim . Invocará o patrulhamento? Ou, mais prosaicamente, dirá que não respeitam sua opinião e procuram desconsiderá-lo com calúnias?
Contrariamente a sua afirmação, todos os dias, durante sete anos, todos os jornais, reproduziram questionamentos, críticas, ataques dos mais diversos políticos, sem contar a dos próprios jornalistas que com essas críticas concordaram e concordam.
Mesmo assim, obrigado a constatar o apoio de 70% ao presidente Lula, você tenta desconsiderar essa significativa parcela da população brasileira, “comprada” (”isenções”, vales culturais ou Bolsa-família, certo?) para bajular ou calar.
Mas se, no lugar de calar, sua prosa for contestada, os bajuladores silenciosos viram patrulhas intolerantes. É o já famoso “autoritarismo popular”, que agora dá para entender melhor. É quem não concorda com vocês, mas eleito pelo voto direto do povo, governa e emite opiniões contra as suas.
Custa aceitar que uma argumentação tão pobre e intolerante, seja reproduzidas sob o título de Pensata, mas quem sou eu para julgar o que a Folha considera conveniente.
Pode continuar a ecoar sua oposição que ninguém impedirá seu direito. Mas deverá aceitar que eu, e outros contestem seus “argumentos”. Os seus, os de Caetano, da Danuza e demais. Pelo menos enquanto a democracia e a liberdade continuar a imperar neste país.
Não ficaremos calados e iremos opor nossos argumentos e nossas idéias, a seus ataques e preconceitos. A democracia ganhará pela preservação do contraditório, por isso vocês não ficaram falando sozinhos e deverão se acostumar a ouvir os que com vocês divergem.
Luis Favre
* A frase é do artigo de Danuza Leão desta semana na Folha. O que ela diria se Lula tivesse falado ao primeiro ministro de Austrália, na frente das câmaras de TV, enquanto apertava a mão de Obama “Esse é o cara”? Ou será que não tem nenhuma Danuza nos EUA para dizer para esse Obama que não se diz de Lula “esse é o cara” e sim “o Presidente Lula é a excelência mais popular do momento no planeta.”
** Em 1998, Barbara Gancia escrevia na Folha de São Paulo:
“Tire as crianças da sala, que eu vou contar uma piada suja. Diz que no meio de uma conversa entre o Lula e o Vicentinho, alguém soltou um pum. Qual o nome do filme? Você não sabe? Ora, “O que É Isso, Companheiro?”. (FSP 25 de março 1998).
Em dezembro do mesmo ano, na mesma Folha, Barbara ponderava:
“Sibilante
E o Luiz Inácio Lula da Silva, hein, que vai passar seis meses estudando em Harvard? Só espero que, antes de embarcar para os Estados Unidos, ele aprenda a dizer Cambridge, Massachusetts, sem cuspir em meio mundo.” (FSP 11/12/1998).


