17/01/2009 - 15:36h Ônibus com slogan ateu são proibidos de circular na Itália

Órgão diz que anúncio fere regras da propaganda; Igreja diz que ‘bom senso venceu’.

http://www.freethinker.co.uk/wp-content/uploads/2008/07/atheistbus.jpg
ônibus em Londres proclama: “provavelmente deus não exista, então pare de se preocupar é toque sua vida”. Propaganda semelhante em Barcelona e outras cidades.

De Milão para a BBC Brasil – Agencia Estado

A associação italiana União dos Ateus e Agnósticos Racionalistas (UAAR) foi proibida de divulgar uma campanha publicitária nos ônibus de Gênova.

A concessionária de publicidade nos meios de transporte públicos IgpDecaux considerou que o slogan “Má notícia: Deus não existe; Boa notícia, você não precisa dele” é provocatório e não se enquadraria no código de ética da propaganda italiana.

“Não esperávamos a proibição da campanha, mas levávamos em conta o risco que corríamos. O contrato já estava pronto para ser assinado”, disse à BBC Brasil Giorgio Villella, organizador dos eventos da UAAR e ex-secretário nacional da associação.

A IgpDecaux, com sede em Milão, argumentou que segundo os códigos 10 e 46 de autodisciplina regulamentar, a publicidade não deve ser ofensiva e as campanhas não devem lesar o interesse de ninguém.

“Se irão apresentar outro slogan poderemos examinar. Não se trata de seguir ou não as indicações da Igreja”, afirmou Fabrizio DuChene, administrador-delegado da empresa ao jornal La Repubblica.

A UAAR promete lutar contra a proibição de veicular a mensagem de que Deus não existe.

“Vamos pedir que à prefeitura de Genova revogue o contrato com a IgpDecaux. A prefeita da cidade, que é laica, tinha se declarado favorável à campanha, realçando o direito de liberdade de expressão. E iremos até a Corte de Justiça Européia se for necessário”, disse Villella.

Bom senso

Membros da cúria comentaram o cancelamento da campanha. Para o Monsenhor Marco Granara, reitor do Santuário de Nossa Senhora della Guardia, “venceu o bom senso”.

“Todos os problemas deste tipo, o ateísmo, a homossexualidade não devem ser enfrentados com batalhas, mas sempre através do espaço para o diálogo”, disse ele ao jornal La Repubblica.

Durante a fase de discussão sobre a campanha alguns motoristas cristãos da empresa de transporte público de Gênova ameaçaram não conduzir ônibus que carregassem a propaganda ateísta.

A veiculação da campanha custaria cerca de 8 mil euros (cerca de R$ 23 mil). Dois ônibus circulariam a partir do dia 4 de fevereiro durante quatro semanas.

A iniciativa é semelhante à que está sendo realizada em Londres, Washington e Barcelona. Na Austrália, a proposta também foi vetada.

Apesar da proibição, a UAAR, que existe há 22 anos, disse ter atingido o objetivo de “atrair visibilidade para a associação”.

Segundo Villella, a associação de 3 mil sócios recebeu em poucos dias mais de 500 novas inscrições.

Ainda segundo ele, a UAAR já recebeu mais de 13 mil euros em doações, que vão ser usados na “batalha judicial para dar voz a quem não acredita em Deus”.

22/11/2008 - 13:09h Vicky Cristina Barcelona provoca euforia

O melhor filme de todos os tempos

Reprodução

Maria Elena (Penélope Cruz), Juan Antonio (Javier Bardem) e Cristina (Scarlett Johansson) em cena

Maria Elena (Penélope Cruz), Juan Antonio (Javier Bardem) e Cristina (Scarlett Johansson) em cena

Marcelo Carneiro da Cunha – Terra Magazine

De São Paulo

Estimados milhares de leitores. Acabo de sair do melhor filme de todos os tempos dessa semana, e ele se chama Vicky Cristina Barcelona, do meu, do nosso Woody Allen.

Woody Allen não dá bola para a crítica, não foi receber o Oscar quando ganhou, e parece mais interessado em investigar a natureza do amor, esse incompreendido. Ele tem investigado ao longo de décadas, ao longo de Diane Keaton, Murial Hemingway, Mia Farrow, e ultimamente Scarlett Johansson. As mulheres de Woody Allen falam muito e dizem algo, e nós, distinto público, devemos prestar atenção ao que dizem, pois ali estão boa parte da nossa incompreensão com relação ao amor, às mulheres, aos bons filmes.

Nesse filme falam a histérica Vicky, a romântica = confusa Cristina, e a maravilhosa Penélope Cruz, no papel de Barcelona, imagino. Falam muito, buscam muito e… se encontram. O que encontram, isso não parece fazer muita diferença. O que dizemos importa mais do que o resto, parece dizer nosso lacaniano Woody Allen do século 21.

Woody já fez de tudo. Foi de Groucho Marx no começo de carreira, definiu o amor no clássico Annie Hall, mostrou como se faz cinema com C maiúsculo, em Zelig, e, depois de ter provado que podia fazer o que bem entendesse, se colocou, como Monet, a pintar o mesmo jardim para sempre, estudando as nuances mais do que as cores, as sombras mais do que as formas, motivo pelo qual seus filmes mais recentes vinham parecendo ser apenas mais do mesmo, sempre bom, ou ótimo, e o mesmo.

Vicky Cristina Barcelona é diferente.

Com ele, Woody sai de Londres e pega uma insolação na Catalunha. Se permite uma dieta mediterrânea de vinhos, azeites e guitarra espanhola e nos brinda com cores que há algum tempo não víamos, desde o último filme do Almodóvar, mais precisamente. As pessoas saem da sala de cinema falando nisso, no Almodóvar que baixou no Woody, mas não sei não.

Olhando com atenção, são muitos os ecos desse filme. De Jules e Jim, do Truffaut (na narração e na bicicleta, no triângulo e no prazer que move alguns dos personagens menos americanos da história), de Eric Rohmer, de Fitzgerald, mas, mais do que tudo, para mim, de Salinger. Woody faz uma opção preferencial pelos ricos e suas esquisitices e ausência de preocupações com o tamanho da conta no restaurante e no que fazer com as outras contas, que inevitavelmente nós, seres comuns, temos que pagar.

Woody não tem medo de clichês, acho que se diverte com eles. Com a americana se embalando com o sonho europeu, com a americana com medo de germes, com o amante latino clássico, com a espanhola fora de qualquer controle e irresistível, em sua luz e movimento. Não tem medo de colocar como trilha um pastiche do que quer que seja, mas que funciona. Brinca a sério, e nessa brincadeira, faz grande cinema. Sorte a nossa.

O amor não parece ter solução, a não ser algo que tenha a ver com tiros, que felizmente não matem. A possibilidade de tragédia pode estar presente, mas não se confirma. O amor é uma tragédia que não se realiza, parece nos dizer Woody. De resto, o filme nos diverte com a patetice americana, de quem tomou leite demais na infância e ficou desse jeito, com a falta de ânimo dessa nossa época e dessas mulheres que a ocupam.

O filme desliza, mais do que anda, e fala muito, sem necessariamente afirmar algo. Saímos dele como saímos de todo o grande filme, sentindo que aconteceu algo, sem que saibamos o que exatamente ocorreu naquela sala.

Saímos dele sem saber ao certo o que fazer, mas sabendo muito bem a quem desejar, e nisso está o que o filme finalmente nos diz: que a cor é melhor do que a segurança, que sabor é essencial, que podemos errar à vontade, desde que em uma busca que não seja apenas a de estabilidade no emprego. Vale a pena errar, nos diz Woody, com a certeza de quem costuma acertar. E isso, meus amigos leitores, é tão raro que nos leva ao cinema. A ele então, todos, e bom tiro.

Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem “O Branco”, premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos “Simples” e o romance “O Nosso Juiz”, pela editora Record. Acaba de escrever o romance “Depois do Sexo”, que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances “Insônia” e “Antes que o Mundo Acabe”.

Fale com Marcelo Carneiro da Cunha: marceloccunha@terra.com.br

13/11/2008 - 18:31h ”Sou frívolo e fissurado por mulher”

http://www.browserd.com/wp-content/uploads/2008/02/scarlett-e-penelope-vicky-cristina-barcelona.jpg
Em entrevista realizada em Barcelona, ele declara que beleza é fundamental

Beppe Severgnini* – O Estado de São Paulo

 

woody_allen2.jpg

No início desta entrevista, feita em um hotel à beira-mar em Barcelona, Woody Allen parecia cansado e retraído mesmo falando sobre mulheres, o objeto de sua frivolidade assumida. Disse coisas como: “Não tenho interesse pela vida real.” Ou: “Só falo dos meus filmes para ajudar os produtores.” Mas se animou quando a conversa derivou para a política. “Sim, gosto de política. Não como artista, mas como cidadão”, declarou, dias antes da eleição de Obama.

Podemos falar sobre seu novo filme, Vicky Cristina Barcelona?

Só falo dos filmes que faço para ajudar os produtores… Mas se dependesse só de mim, eu não falaria nada. Você realiza um filme e, se ele for bom, as pessoas vão vê-lo. Não seria preciso falar dele. Mas se ele não for bom, por mais que eu fale…

Noto que alguns críticos disseram que o filme é voyeurista. Concorda?

Voyeurista? Bem, somente no sentido de que um filme é uma coisa visual. Vicky Christina Barcelona não é nada voyeurista. Tive à minha disposição um elenco principal sexualmente carismático e poderia até ter explorado essa situação para voyeurismo, com grande respaldo artístico. Mas eu fui muito, muito comedido.

O sr. diria que, com o avanço da idade, está ficando mais fascinado pela beleza feminina?

Sempre fui! Mesmo quando criancinha, eu sempre fui fissurado por mulheres. Você sabe, eu sou muito frívolo. E um de meus traços frívolos é uma obsessão pela beleza. Durante a guerra, eu podia admirar como Rita Hayworth era magnífica… E nunca deixava de admirar a beleza nas garotas de minhas salas de aula. Isso é um traço frívolo, porque exclui todos os aspectos mais valiosos e sensíveis das mulheres que não são belas.

O sr. se interessa pelas vidas amorosas de seus atores?

Não, não tenho nenhum interesse pela vida real. Isto é, eles são ótimas pessoas, mas nunca ?socializo? com meus atores. Conheço Scarlett Johansson há anos, mas jamais almocei ou jantei com ela. Se ela estivesse bem aqui em pessoa, você pensaria: “Oh, ela é muito bonita”, mas quando você a fotografa, ela se torna mais ainda. Agora, Penelope Cruz na tela é incrivelmente bela, mas quando você a encontra em pessoa, ela é ainda mais bela. Quando encontrei Penelope pela primeira vez – eu a tinha visto em Volver e achei que ela era muito linda – não conseguia acreditar o quanto ela era linda. Era uma coisa meio sobrenatural, como se ela tivesse vindo de Marte ou Júpiter.

Seus filmes recentes – Match Point, Scoop – o Grande Furo e agora este – são muito agradáveis. Mas como muitos outros, sinto falta do velho Woody Allen. Você parece ter outra coisa em mente agora. Será justo dizer que o velho Woody Allen das gargalhadas acabou?

Sim, mas acho que deixei isso há muitos anos. Fiz uma certa quantidade de filmes cômicos no começo, depois comecei a fazer filmes diferentes, mais sérios. Crimes e Pecados e Hanna e Suas Irmãs se saíram muito melhor que Bananas, Um Assaltante bem Trapalhão e Tudo Que Você sempre Quis Saber sobre Sexo, mas Tinha Medo de Perguntar.”

Por falar em Bananas, já pensou em fazer outro filme político?

Sim, pensei. Mas meu problema de sempre são os orçamentos. Eu trabalho com orçamentos pequenos, e fazer um filme político nos Estados Unidos, onde eu teria que fazê-lo, custaria muito mais dinheiro do que eu seria capaz de captar.

Acha que poderia fazer um filme que tivesse ampla aceitação em todo o território dos EUA? Ou Woody Allen é ligado demais a Nova York?

Nas cidades grandes e nas cidades universitárias, eu tenho boa aceitação. Mas a maioria do país não é isso. A maioria do país é o que chamamos de Estados vermelhos: Estados-Bíblia, Estados republicanos, Estados armas. E há pessoas nesses Estados que gostam de meus filmes, mas não a maioria. Não que elas não gostem de cinema; meus filmes nem sequer estariam em seu radar.

Não acha que Sarah Palin (que foi colega de chapa do candidato presidencial republicano John McCain) daria uma personagem fantástica para um filme de Woody Allen?

Oh, ela é divertida. Mas já foi bem explorada nas sátiras da televisão. Ela foi uma escolha estúpida, nada que mostrasse muito respeito pelos Estados Unidos. Serviu apenas para dar uma pequena ajuda momentânea à campanha, pelas tiradas divertidas. Mas acho que os americanos, por mais ridículos que tenham sido nas eleições anteriores, aprenderam alguma coisa.

Você gosta de política? Nós estávamos falando de cinema e você parecia cansado. Agora parece mais…

… mais animado?

Isso. Mais interessado.

Sim, gosto de política. Não estou interessado em política como artista, mas como cidadão. Como sabe, eu voto. Contribuo com dinheiro. Fico feliz de fazer campanha por alguém.

Al Gore teria sido bom presidente?

Sim, acho que ele teria sido um bom presidente. Acho que é um homem inteligente e foi um mau candidato. Ele não teve carisma, não teve energia para concorrer, ele não conseguia focar. Mas daria um presidente muito bom porque é uma pessoa decente e é favor de uma agenda democrática, liberal

Se pudesse voltar no tempo, gostaria de se tornar um grande tocador de clarineta, um ícone dos esportes, um grande escritor ou George W. Bush? Qual seria a sua escolha?

Um grande músico,pois a música supera tudo. É emocional e todo mundo adora música.

* Esta entrevista foi publicada originalmente no jornal The New York Times. Tradução de Celso Mauro Paciornik

http://www.reelmovienews.com/images/gallery/vicky-cristina-barcelona-movie-poster.png
http://glamurama.uol.com.br/imagem/midias/1/15076.jpg
Vicky Cristina Barcelona

08/11/2008 - 16:01h Vicky Cristina Barcelona e nós

Vicky Cristina Barcelona – Woody Allen

Woody Allen tem a capacidade de provocar uma permanente interrogação em nós: como teríamos agido nas mesmas circunstâncias às quais se confrontam cada um dos seus personagens. Talvez porque o cineasta mostra a ambivalência de sentimentos e situações, as contradições dos personagens e a da própria realidade. Ou porque dá forma a seus e, ou, nossos fantasmas? Ou simplesmente porque nos confronta com nossas próprias existências?

Seus últimos filmes são dos melhores da sua carreira, na minha opinião. Em “Vicky Cristina Barcelona” é servido por ótimos atores, Scarlett Johansson, Penelope Cruz e Javier Bardem. Em verdade, aos três devemos acrescentar Barcelona e Gaudi. O filme vai fazer sucesso aqui, como está fazendo na França (onde Woody sempre faz sucesso).

Vida, frustração, paixão, sexualidade, beleza, arrebato, liberdade, introspecção, sexo, arte, aspirações, desejos e sociedade. Está tudo no filme e os caminhos aparecem diversos.

Is up to you, nos diz um Woody, aparentemente liberado de sua mãe. LF

31/03/2008 - 11:48h “No quiero hacer el edificio más bonito, sino el lugar más hermoso”

jean_nouvel.jpg

Autor de edificios emblemáticos como la Fundación Cartier de París o la Torre Agbar de Barcelona, el arquitecto francés ha ganado el considerado Nobel de la Arquitectura por su “búsqueda continua”

ANATXU ZABALBEASCOA – Madrid – El País

Va a perder su aire de maldito. Jean Nouvel (Fumel, Francia, 1945) ha ganado el Premio Pritzker. Famoso desde que firmara un edificio junto al Sena, que abre y cierra sus ventanas como los objetivos de las cámaras fotográficas (el Instituto del Mundo Árabe, 1989) ha recorrido un largo camino inventando tipologías, como las viviendas Nemausus en Nimes, o construyendo iconos como la Torre Agbar de Barcelona o la exquisita Fundación Cartier de París. Una trayectoria tan insaciable a la hora de experimentar le ha reportado, naturalmente, proyectos más y menos acertados. Pero llama la atención que en plena expansión americana (tras el Teatro Guthrie en Minneapolis levanta la Tour Verre junto al MOMA) le haya llegado un premio al que parecía que iba a ser eterno candidato. Al otro lado del teléfono, un satisfecho Nouvel resta importancia a esa coincidencia. “No es EE UU, es mi edad. Cuando un arquitecto con ideas cumple 60 años, llega su edad de oro”. Desde ese momento dulce, se muestra incapaz de decidir qué edificio le ha dado el premio. “El jurado ha dicho que valoraba mi actitud: la búsqueda continua. Y yo me siento retratado. No soy capaz de destacar un edificio”, declara. Cuenta que un edificio es como una ciudad. “No sabría decir si es mejor Venecia, París o Nueva York. De las ciudades me gustan sus diferencias, como de las personas. Las hay con defectos, claro, pero si te gustan, te gustan en conjunto. Mi trabajo es como una familia, y una familia no es perfecta”.

Museu do Louvre em Abu Dabi

jean_nouvelmuseo_louvre_abu_dabi.jpg

Ha firmado casi 200 proyectos y sigue evolucionando porque, insiste, su único estilo es su actitud. “Cada proyecto es una aventura. Nunca sé si haré algo blanco o negro. Y esa incertidumbre me gusta”, asegura. Sin embargo, acostumbrados a sus negros metálicos, es difícil creer que vaya a pasarse al blanco… “Pues en el Museo Branly de París, he usado mucho el color”, bromea. “Claro que he hecho edificios sin color, como la Fundación Cartier, pero allí juegan los reflejos que ceden el protagonismo al contexto”. Lo que busca Nouvel investigando con sus edificios es “encontrar la pieza que le falta al puzzle. Mis edificios no quieren ser los más bonitos, quieren contribuir a formar el lugar más hermoso”. Lo llama la “política de la situación”: los vecinos son importantes. “Se debe aprender a convivir con ellos, aunque molesten. La arquitectura tiene que ser respetuosa con el contexto”.

Es el Pritzker número 30 y en 30 años de carrera ha dado muchos tumbos. La búsqueda no ha sido sólo profesional; personalmente, también ha sido un hombre revuelto: ha cambiado de socios, de estudio, de organización, y hasta de pareja tres veces. “Mi trabajo, por su naturaleza investigadora, está sujeto al cambio. Soy ambicioso, lo reconozco, pero uno debe serlo cuando construye. Un arquitecto debe trabajar a gusto. Y si me gustan las situaciones inesperadas debo aceptar los cambios que ofrece, o fuerza, la vida”.

Parque Central Diagonal Mar em Barcelona

jean_nouvelparque_central_diagonal_mar_barcelona.jpg

Si estuviera en sus manos conceder el Pritzker, apunta que se lo daría al minimalista suizo Peter Zumthor. Y, entre los premiados, cree que Frank Gehry fue el que más lo merecía. No sabe si Sarkozy se convertirá en el próximo Mitterrand. Pero cuenta que reunió a 12 arquitectos para contarles que quería a la arquitectura en el centro de su mandato. Y ya ha organizado un concurso de ideas para ordenar los suburbios del Gran París. “La clave es si considerará la arquitectura una cuestión política. Eso, más que las obras ostentosas, puede cambiar la ciudad y la vida de las personas. Veremos”. No responde a preguntas políticas. Dice estar a la izquierda, pero cree que la política se hace también diseñando.

En 2012 concluirá el Louvre de Abu Dabi. Construye en tres continentes. Ya era una estrella antes del premio. ¿Qué será después? “Siempre digo que es importante que mis edificios sean más famosos que yo. Si soy famoso no debe ser por ser calvo, sino porque he construido edificios que interesan a la gente y hacen preguntas. Quiero seguir investigando”.

16/11/2007 - 16:21h Uma pintura: Nocturno de Miró

16/11/2007 - 16:17h Uma obra: Sagrada Família de Gaudi

16/11/2007 - 16:08h Um lugar: Barrio Gótico de Barcelona