30/09/2009 - 10:35h Insegurança pública: “Gestão” Kassab desmonta GCM e moradores temem os assaltos

Luisa Alcalde – JT e O Estado SP

luisa.alcalde@grupoestado.com.br

Moradores temem os assaltos

Moradores e comerciantes da Vila Nova Iorque, na zona leste, estão irritados com a Prefeitura. Há uma semana a base comunitária da Guarda-Civil Metropolitana (GCM), que existia há nove anos na Praça Eulália de Carvalho, está sendo desmontada. A comunidade diz não ter recebido nenhuma explicação para o fechamento e nem o que a Prefeitura pretende fazer com a estrutura.

Segundo a dona de uma banca de jornais e revistas instalada ao lado da antiga base da GCM, Maria Conceição da Fonseca, de 72 anos, foi a comunidade que colocou os vidros e mobiliou a base, nove anos atrás. “Ninguém sequer nos ouviu. Simplesmente tiraram os guardas daí”. Ela acrescenta que antes da base, o comércio era sempre assaltado.

“Minha lotérica chegou a ser assaltada duas vezes em um mesmo dia”, conta Júlia Mourão Pozzani, 57. “Me renderam com silenciador, metralhadora”, lembra.

Reginaldo Teixeira, 47 anos, dono de um depósito de material de construção diz que os problemas já começaram. “Um vendedor de gás foi rendido na semana passada em frente ao meu comércio com arma na cabeça”.

Os moradores também reclamam do vandalismo e pichações no entorno da base.

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Prefeitura fecha 23 bases da GCM

Sindicato diz que em 4 anos 56% das bases comunitárias foram desativadas na capital

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) fechou 56% das bases comunitárias na capital em quatro anos. Segundo o Sindicato dos Guardas Municipais da Cidade de São Paulo (Sindguardas), das 41 existentes quatro anos atrás, 18 funcionam hoje.

Oito foram fechadas nos últimos meses. E mais duas, há uma semana, uma na Praça São João Vecenzotto, no Jardim Aricanduva, e outra na Praça Eulália de Carvalho, na Vila Nova Iorque, ambas na zona leste. Moradores e comerciantes criticam os fechamentos das bases

Segundo a Prefeitura, serão desativadas as bases onde os índices de violência urbana foram reduzidos. A secretaria afirma que as desativadas serão substituídas por bases móveis por serem mais versáteis e por permitirem a localização dos GCMs onde os problemas exigirem. E algumas das bases fechadas serão assumidas pela Polícia Militar. Caso da base da Chácara Klabin, na zona sul.

O efetivo das bases extintas deve ficar na mesma região, nas bases móveis ou trabalhando. “Essa gestão está, pouco a pouco, desmontando a GCM. Primeiro foi o canil, depois as armas e agora as bases”, diz Carlos Augusto Souza e Silva, presidente da entidade.

“A Prefeitura quer que a gente cuide apenas de prédio, estátua e entulho”, critica um GCM, que trabalhava em uma das bases fechadas, que não quis se identificar. Segundo ele, a ausência do efetivo da base comunitária extinta já reflete no aumento da criminalidade e do vandalismo no entorno dos bairros onde elas ficavam.

Esse mesmo relato é contado por comerciantes e frequentadores da Praça São João Vecenzotto, no Jardim Aricanduva.

A base da GCM que foi fechada funcionava no local há oito anos. “Domingo roubaram uma adega próxima daqui e uma senhora na calçada perto da drogaria. No sábado, a praça já estava cheia de noias (usuários de drogas)”, afirma Reginaldo Aguiar, de 32 anos, caixa de uma lanchonete que fica na esquina da praça com a Avenida Rio das Pedras.

O dono do bazar Estrela da Manhã, Adriano Uechi, de 35 anos, faz coro. “Ficou muito ruim sem a GCM. Agora tememos assaltos, que eram frequentes”, afirma o comerciante. Aposentados que jogavam tranca ontem na praça disseram ter ouvido boatos de que a antiga base comunitária da GCM será transformada em uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Se for isso mesmo, não será ruim”, disse José Davantel Filho, de 73 anos.

Como a população acolheu as primeiras bases comunitárias da GCM

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14/07/2009 - 13:18h O resultado de Kassab com a GCM é lamentável, constata editorial do AGORA

EDITORIAL AGORA

http://psolpinheiros.files.wordpress.com/2009/04/kassab.jpgSituação precária

As bases da GCM (Guarda Civil Metropolitana) deveriam servir de segurança para as regiões onde atuam, mas mal têm condições de dar um mínimo de segurança a quem trabalha nelas.

O Vigilante Agora mostrou ontem a situação em 15 bases nas regiões leste e sul e no centro da cidade. O resultado é lamentável. A prefeitura não fornece nem papel higiênico, e os GCMs têm que se virar para fazer vaquinhas e levar produtos de limpeza. E ainda têm que fazer a faxina.

Móveis e eletrodomésticos vêm de doações das comunidades. Alguns prédios estão detonados, com infiltrações e rachaduras. Mas o mais grave é que apenas 6 dessas 15 unidades têm vidros à prova de balas.

A lista de problemas ainda conta com a falta de carros nas bases. Se alguém precisa da GCM ou há ocorrências, os guardas têm que ligar para a central. Se o lance é telefonar, a base, ainda mais nessas condições precárias, perde um pouco do sentido.

A prefeitura e o Comando Geral da GCM afirmaram que está sendo feito um estudo sobre as bases. Qualquer que seja a conclusão, é preciso consertar a situação o quanto antes. Sem oferecer aos guardas condições mínimas de trabalho, como cobrar deles que deem segurança para a população?

13/07/2009 - 16:02h Nas bases da GCM, falta até papel higiênico

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Aline Mazzo e Guilherme Russo do Agora

As bases comunitárias da Guarda Civil Metropolitana, que deveriam ser uma segurança para bairros mais afastados e regiões populosas da capital, não oferecem condições mínimas de trabalho.

A situação é bem parecida nas 15 bases visitadas pelo Vigilante Agora, sendo 13 fixas e duas móveis. As instalações, mantidas pelo governo Gilberto Kassab (DEM), não garantem a integridade física dos guardas e têm problemas de infraestrutura, como rachadura e infiltração. Também não há espaços para alimentação e higiene e faltam equipamentos, como rádio e telefone.

Um dos piores lugares é a unidade São João Viccenzoto, em Aricanduva (zona leste de SP). A base fica embaixo de uma caixa-d’água. O prédio tem infiltrações e rachaduras, o piso está desgastado, assim como as paredes. Os móveis estão em péssimo estado.

Homens e mulheres dividem o mesmo banheiro minúsculo. Os vidros não são blindados nem escurecidos, e o mato ao lado da base dificulta a visão.

Móveis e eletrodomésticos são, em geral, doados pela comunidade ou comprados com a vaquinha feita pelos guardas. As cozinhas estão cheias de geladeiras, fogões e micro-ondas velhos e enferrujados.

Papel higiênico e material de limpeza não são dados pela prefeitura, dizem os guardas. “Além de fazer a faxina, também temos de trazer os produtos”, disse uma GCM, que pediu para não ser identificada. Na base do largo Sagrado Coração de Jesus, na Santa Cecília (centro), o botijão de gás é doado por uma paróquia. “Vivemos de sobras. Até folha de sulfite temos de pedir nas escolas onde fazemos ronda.”

As bases também não têm carro para chamados. Se alguém pede ajuda ou há ocorrência, os GCMs precisam avisar o comando, que enviará o veículo. “Me sinto uma garota de informações aqui. Não posso dar assistência porque não tenho como sair daqui”, disse uma guarda da zona leste.

Só seis unidades têm vidros à prova de balas, sendo que duas delas têm marcas de tiros, o que praticamente inutiliza a proteção.

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