21/07/2008 - 12:58h Olimpíadas com arte

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Conhecido como 798, este é o bairro de Pequim que reúne o maior número de artistas, estúdios e galerias e parece praticamente imune à rígida censura do país

Cláudia Trevisan - O Estado de São Paulo


A meteórica ascensão econômica da China se replica no mundo das artes plásticas, no qual a produção contemporânea do país bate sucessivos recordes de preços no mercado internacional. O bairro que reúne o maior número de estúdios e galerias de Pequim se transforma em um dos principais pontos turísticos da cidade, depois da Grande Muralha e da Cidade Proibida.

Conhecido como 798, o distrito artístico da capital chinesa é um enorme território livre de criação - ou pelo menos mais livre que seu entorno, submetido à estrita censura chinesa. O local era um parque industrial construído nos anos 50 com ajuda de arquitetos da ex-Alemanha Oriental, que conceberam os edifícios no melhor estilo Bauhaus, simples e funcionais.

Várias fábricas identificadas por números se dedicaram durante anos à produção de equipamentos eletrônicos para as Forças Armadas. Desativadas nos anos 90, muitas delas começaram a ser ocupadas por artistas no fim da década, o que transformou a região em uma versão chinesa do SoHo nova-iorquino.

A que tinha o número 798 foi recriada como um dos primeiros locais de exposição e acabou emprestando seu nome a todo o distrito. Em suas paredes, ainda estão os slogans da Revolução Cultural (1966-1976), que pediam longa vida ao comandante Mao Tsé-tung (1893-1976), escritos em ideogramas vermelhos.

As galerias seguiram os artistas e atrás deles foram restaurantes, bares, livrarias e lojas. No ano passado, o distrito 798 recebeu 1,5 milhão de visitantes, número três vezes maior do que em 2005. Livre das amarras ideológicas do passado, a arte contemporânea chinesa floresceu a partir de meados dos anos 80, pelas mãos de artistas que nasceram ou cresceram durante a Revolução Cultural, o movimento que levou ao extremo a idéia de que a criação deveria estar submetida aos interesses da construção do socialismo.

A arte contemporânea chinesa começou a ganhar o mundo na década atual, com exibições na Europa e nos Estados Unidos e colecionadores dispostos a pagar preços cada vez mais altos por seus trabalhos.

O caso mais emblemático da ascensão meteórica dos chineses no mercado internacional é a obra Execução, de Yue Minjun, de 46 anos. Inspirado no massacre de estudantes na Praça Tiananmen, em 1989, o quadro foi pintado em 1995 e vendido em seguida por US$ 5 mil ao marchand de Hong Kong Manfred Schoeni. No ano seguinte, o investidor Trevor Simon desembolsou US$ 32 mil pela pintura, com a condição de não exibi-la em público durante dez anos em razão de seu tema ‘’sensível”. Em outubro de 2007, Execução foi arrematada por US$ 5,9 milhões em um leilão da Sotheby’’s de Londres, tornando-se a mais cara obra contemporânea chinesa vendida até então.

O recorde logo foi quebrado por Zeng Fenzhi, de 44 anos, e seu quadro Série Máscaras,1996, nº 6, vendido em maio de 2008 por US$ 9,7 milhões, o mais alto preço já pago por uma obra de arte contemporânea asiática.

A cifra foi o triplo da estimativa inicial de US$ 3,2 milhões feita pela Christie’’s, responsável pelo leilão. O quadro mostra oito jovens de braços dados, com máscaras sorridentes e os lenços vermelhos no pescoço, típicos da Revolução Cultural.

Os artistas chineses que nasceram na década de 60 tentam captar o turbilhão de mudanças no qual o país mergulhou nos últimos 30 anos e refleti-lo de diferentes maneiras em suas criações. Muitos deles sofreram influência decisiva do massacre de estudantes na Praça Tiananmen, em 1989, que enterrou as aspirações por mudanças democráticas e mais liberdade alimentadas desde o início daquela década.

O resultado foi o movimento ”Realismo Cínico”, do qual fazem parte Yue Minjun e Fang Lijun, outro artista que usa figuras carecas em suas pinturas. A escola é marcada pela ironia, o desencanto e o fim do idealismo dos primeiros anos do processo de reforma e abertura da China, iniciado por Deng Xiaoping em 1978.

A memória do passado socialista está presente nos quadros de Zhang Xiaogang, que realiza séries inspiradas na estética de fotografias de família do início do século passado, mas com a maioria dos personagens vestidos com o guarda-roupa que imperou durante o maoísmo.

”Os retratos familiares mudos de Zhang Xiaogang parecem ter capturado a verdadeira essência do drama histórico, ou mesmo trauma, da construção de uma sociedade contemporânea próspera a partir das brasas de uma revolução”, diz o catálogo da Sotheby’’s sobre sua obra.

O impacto das transformações econômicas na vida de milhares de chineses é refletido nas criações de Liu Xiaodong, pintor figurativista, autor de uma longa série sobre a construção da gigantesca hidrelétrica de Três Gargantas, que inundou um trecho de 600 km de extensão e 1,1 km de largura e forçou a realocação de pelo menos 1,4 milhão de pessoas. Xiaodong estabeleceu um novo nível de preço para a arte contemporânea chinesa em 2006, quando sua obra Pessoas Recentemente Deslocadas foi vendida por US$ 2,7 milhões.

ESTRELAS CHINESAS

AI WEIWEI
Ano de nascimento: 1959

Misto de artista e agitador cultural, Ai Weiwei já realizou trabalhos de design, arquitetura, escultura, instalações, performances e foi consultor da dupla Jacques Herzog e Pierre de Meuron, arquitetos responsáveis pelo desenho do Estádio Olímpico de Pequim, batizado de Ninho de Pássaros. Ai Weiwei é diretor do China Art Archives and Warehouse, galeria voltada para a arte conceitual e experimental

ZENG FENZHI
Ano de nascimento: 1964

Bateu o recorde de preço de arte contemporânea asiática depois que seu quadro Série Máscaras, 1996, nº 6 foi arrematado por US$ 9,7 milhões em maio deste ano. A série ”máscaras” é seu mais célebre trabalho e mostra personagens dos anos 90 usando máscaras com olhos bem abertos e expressões ensaiadas e artificiais

YUE MINJUN
Ano de nascimento: 1962

Sua marca registrada são auto-retratos sorridentes (foto acima)que aparecem em todos os seus trabalhos, sejam pinturas ou esculturas. Inspirado pelo massacre de estudantes na Praça Tinanmen, em 1989, seu quadro Execução foi vendido por US$ 5,9 milhões em outubro de 2007, o mais alto preço pago por uma obra contemporânea chinesa até então. Yue integra o movimento Realismo Cínico, que surgiu depois do massacre na Praça Tiananmen, em 1989

ZHANG XIAOGANG
Ano de nascimento: 1958

Inspirados no estilo de fotos de família do início do século passado, seus quadros mostram figuras tristes e silenciosas, que evocam com suas roupas ‘’socialistas” a memória do período maoísta que a China começou a abandonar em 1978 em favor do crescimento econômico. Zhang é um dos artistas chineses preferidos pelas galerias internacionais

FANG LIJUN
Ano de nascimento: 1963

Um dos líderes do movimento Realismo Cínico, que surgiu com o sentimento de desencanto provocado pelo massacre de estudantes na Praça Tiananmen, em 1989. Seus personagens costumam ser homens carecas, com expressões ambíguas, apresentados sobre paisagens infinitas

LIU XIAODONG
Ano de nascimento: 1963

Pintor figurativista que se destacou com uma série sobre o custo humano e ambiental da hidrelétrica de Três Gargantas, que forçou a realocação de pelo menos 1,4 milhão de pessoas. Seu quadro Pessoas Recentemente Deslocadas foi vendido por US$ 2,7 milhões em 2006 e estabeleceu um novo patamar de preço para a arte contemporânea chinesa

Melhor da produção contemporânea, fora das quadras

Durante os jogos olímpicos, estão programadas exposições, performances, instalações e arte digital

Cláudia Trevisan, Pequim


Os estrangeiros que forem a Pequim para os Jogos Olímpicos terão a chance de ver a mais completa mostra de arte contemporânea chinesa já realizada em todo o mundo. Apenas no distrito 798, 27 galerias vão realizar 103 exibições no período próximo ao das competições, que começam dia 8 e terminam dia 24 de agosto.

A mostra mais representativa foi organizada pela Ullens Center for Contemporary Art (Ucca), começou no sábado e segue até 12 de outubro. Fundada no mês de novembro de 2007, a galeria reúne a coleção de arte contemporânea chinesa que o casal belga Guy e Myriam Ullens começou a construir em meados dos anos 80 e é o maior centro de exposições do 798, com uma área de 8 m². A exibição da Ucca reúne 92 trabalhos de 60 artistas e inclui performances, instalações e arte digital.

O interesse do casal surgiu quando ninguém fora da China prestava atenção à produção artística do país. Ao longo de duas décadas, eles reuniram cerca de 1.700 obras, que representam os trabalhos de diferentes gerações de artistas, em vários momentos de suas carreiras.

Desde março, a Ucca é dirigida pelo francês Jérôme Sans, co-fundador e ex-diretor do museu de arte contemporânea Palais de Tokyo, em Paris. “As exibições têm o melhor da arte contemporânea chinesa e os visitantes podem ver os artistas de milhões de dólares, mas também os talentos emergentes”, observa Robert Bernell, dono da livraria e editora Timezone8, especializada em livros de arte e criador do site www.chinese-art.com.

O 798 é o mais badalado endereço da arte contemporânea de Pequim, mas está longe de ser o único. A pioneira nessa área foi a galeria Red Gate, fundada em 1991 pelo australiano Brian Wallace em uma antiga torre de observação que integrava a Muralha de Pequim - quase toda destruída depois da Revolução Comunista de 1949. No ano passado, a Red Gate emprestou seu prestígio ao distrito 798 e abriu uma filial no local.

Na medida em que os aluguéis começaram a subir no antigo distrito industrial, alguns artistas se mudaram para uma área a cinco quilômetros de distância, chamada Caochangdi. O primeiro endereço do local foi a China Art Archives and Warehouse, dedicada à arte experimental e conceitual.

A galeria é dirigida por Ai Wewei, um dos mais importantes artistas chineses, com talento para design, arquitetura, performances, instalações e escultura. Filho do poeta Ai Qing, enviado para o campo durante a Revolução Cultural, Ai trabalhou como consultor dos arquitetos Jacques Herzog e Pierre de Meuron na concepção do Ninho de Pássaros, o Estádio Olímpico de Pequim que sediará as principais competições dos Jogos de agosto.

14/04/2008 - 14:32h Louco por arte II

B.M.C é um maníaco da arte e no seu blog nos apresenta suas predileções, seus desafetos e suas descobertas. Tudo acompanhado com um texto claro, original e consistente. Nos já o acompanhamos na primeira visita ao museu Beaubourg em Paris. Aqui vai a segunda parte. Os textos estão em francês, não as pinturas. Desfrutem. LF

Pierre Klossowski
Paris, 1905 - Paris, 2001
Milady et d’Artagnan 1986
Crayons de couleur sur papier marouflé sur toile

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09/04/2008 - 13:55h Louco por arte

B.M.C é um maníaco da arte e no seu blog nos apresenta suas predileções, seus desafetos e suas descobertas. Tudo acompanhado com um texto claro, original e consistente. Aqui ele faz uma visita ao museu Beaubourg em Paris. Em francês os textos, não as pinturas. Desfrutem. LF

Excellent peintre, excellente peinture, rien à dire de plus.

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Alfred Courmes - Bormes-les-Mimosas (Var), 1898 - Paris, 1993 Saint Sébastien -

Huile sur toile marouflée sur isorel - 1934 - 165 x 59 cm


En 1934, c’était gonflé un sujet pareil !

Je connais de lui un grand tableau rond représentant une boîte de camembert sur laquelle figure un homme nu. Dans le genre, c’est pas mal non plus.

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08/09/2007 - 23:48h L’art abstrait de Wassily Kandinsky

http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/kandinsky/kandinsky.comp-8.jpg

Bien étrange trajectoire que celle de Wassily Kandinsky (1866-1944) : après des travaux ethnographiques sur les coutumes de contrées éloignées du territoire russe, après quelques hésitations sur une carrière de juriste, il choisit la peinture.

Il a alors trente ans et quitte sa Russie natale pour Munich, vivier intellectuel et artistique. D’une peinture influencée par l’impressionnisme, il passe aux couleurs pures, violentes, sans rapport avec le réel. En 1910, il réalise sa première oeuvre abstraite, en même temps qu’il se consacre aux essais théoriques, au théâtre, à la poésie et à la danse.

Au fil des années, sa peinture est marquée par des compositions élaborées et géométriques, où l’invention le dispute à la fantaisie.

Personnage multiple, Kandinsky rêve d’un art total. Après la Grande Guerre, il enseigne au Bauhaus, nouvel institut d’art de Weimar, qui vise à rétablir l’harmonie entre toutes les disciplines artisanales et artistiques. En 1934, il est contraint par le pouvoir hitlérien de quitter l’Allemagne. Paris sera son ultime lieu de séjour. En pleine guerre mondiale, le vieil homme ancrera délibérément son oeuvre dans un optimisme toujours coloré, conciliant la spontanéité et l’analyse rationnelle.

Wassily Kandinsky est un peintre russe et un penseur de l’art, il est né à Moscou le 4 décembre 1866, il termine sa vie à Neuilly-sur-Seine le 13 décembre 1944.

Wassily Kandinsky est le créateur de l’art abstrait. Il a peint sa première aquarelle abstraite Sans titre en 1910. D’après Michel Henry (philosophe), « Kandinsky appelle abstrait le contenu que la peinture doit exprimer, soit cette vie invisible que nous sommes. »

Né dans une famille cossue et cultivée, il commence par étudier le droit avant de abandonner tardivement à sa carrière universitaire pour entrer à l’Académie des Beaux-arts de Munich en 1896, après sa découverte de l’Impressionnisme – le tableau de Monet, Les Meules, est exposé à Moscou en 1895 ; il y reste quatre ans.

Ses premiers tableaux sont d’essence naturaliste, cependant ses différents voyages dans toute l’Europe et un séjour à Paris en 1906-1907 lui font découvrir d’autres itinéraires à travers Cézanne, Matisse et Picasso. Ses créations s’organisent alors en Impressions (dépendant de la réalité extérieure), en Improvisations et en Compositions (des Improvisations plus élaborées, s’appuyant comme celles-ci sur des images venues de l’inconscient). Composition VII, en 1913, est l’œuvre la plus importante de cette période.

En 1911, il fonde avec Franz Marc et des expressionnistes allemands Der Blaue Reiter (le Cavalier bleu), ils publieront un an plus tard l’Almanach du Cavalier bleu qui comprend en particulier un article de Kandinsky sur la question de la forme dans lequel il énonce que ” la forme est l’expression extérieure du contenu intérieur ” et qu’une forme n’est a priori pas meilleure qu’une autre.

La même année, il édite Du spirituel dans l’art (traduit en français en 1949), premier traité théorique sur l’abstraction qui lui permet de se faire connaître et de répandre ses idées.

Ce rayonnement sera complété par son activité de professeur au Vkhutemas de Moscou de 1918 à 1921, puis au Bauhaus de Weimar à partir de 1922 et de Dessau à partir de 1925 ; il rassemble les principes qu’il enseigne dans Point, ligne, plan en 1926. La théorie cependant est chez Kandinsky distincte de sa pratique qui suit son évolution propre : ce sont les textes autobiographiques (Regards sur le passé – Rückblicke, 1913) qui permettent l’approche la plus fine de cette dernière.