27/10/2009 - 12:38h Sérgio Rosa diz que poder na Vale é compartilhado

Gestão empresarial: Segundo presidente da Previ, condução da companhia é equilibrada com demais sócios



Leo Pinheiro/Valor
Foto Destaque
Sérgio Rosa, presidente da Previ e do conselho da Vale, defende investimentos da mineradora no setor siderúrgico. “Temos de olhar o consumo 10, 20 anos à frente”

Cristiano Romero, do Rio – VALOR

Maior acionista da Vale, a Previ, a fundação de previdência dos funcionários do Banco do Brasil (BB) quer, a exemplo do governo, que a empresa invista na produção de aço no Brasil. Nesta entrevista ao Valor, o presidente da Previ, Sérgio Rosa, rompeu o silêncio a que vinha se impondo desde o início da polêmica envolvendo o presidente Lula e o principal executivo da Vale, Roger Agnelli.

“Dizer que hoje estamos com sobreoferta de aço no mundo não significa muito”, disse Rosa, rejeitando o argumento, utilizado inclusive pelo empresário Jorge Gerdau, de que existe excesso do produto no mundo. “Não se pode decidir investimento em aço com base no consumo de hoje.”

O dirigente do maior fundo de pensão do país, com patrimônio de R$ 130 bilhões, contou que muitos empresários usam os fundos de pensão para alavancar negócios sobre os quais, depois, as fundações não têm ingerência. Rosa, que também preside o conselho de administração da Vale, assegurou que, no caso da mineradora, há um “compartilhamento” de poder entre a Previ e o Bradesco. O governo Lula, informou, não interfere nos investimentos do fundo. “O nível de autonomia é muito grande.”

Presidente da Previ há quase sete anos – seu segundo mandato termina no próximo ano -, Rosa revelou que, ao contrário de outros fundos, o do BB apostou no risco e saiu vitorioso. Em dez anos, a rentabilidade acumulada atingiu 750%, face a 400% da taxa Selic.

Valor: Faz sentido a Vale controlar negócios na siderurgia?

Sérgio Rosa: A Vale tem investimentos em siderurgia. Há uma estratégia nessa área. Não é uma área que passe à margem dos planos estratégicos da empresa.

Valor: Qual é a lógica desse investimento?

Rosa: Ela não vende minério se ninguém quiser produzir aço.

Valor: Há excesso de oferta no mercado mundial. Não é um equívoco investir em aço no momento?

Rosa: Não se pode decidir investimento em aço com base no consumo de hoje. Todo investimento tem um período de maturação de três, quatro anos. É preciso olhar para 10, 20 anos à frente. Dizer que hoje estamos com sobreoferta de aço não significa muito para quem vai tomar decisões de investimento olhando pra frente.

Valor: Por que isso pode ser um bom negócio?

Rosa: Se acreditarmos que o Brasil vai ter uma indústria de petróleo forte, demandando investimentos em plataformas e navios, gastos pesados em infraestrutura, vamos precisar de aço. A perspectiva do consumo de aço de hoje não é a mesma dos próximos anos.

Valor: A Previ está sobreaplicada na Vale. Vai vender um pedaço?

Rosa: Não estamos negociando nada. Temos prazo para fazer isso. Se interpretarmos a regulamentação de forma mais estrita, temos até 2014 para executar nosso plano de enquadramento. Originalmente, o prazo era 2012. Existe uma brecha na regulamentação para entender que, se esse desenquadramento for igual ou menor ao superávit que o plano (de benefícios) tem, podemos carregá-lo por mais tempo. Esta é uma interpretação que ainda não está clara, não sabemos se é assim que a Secretaria de Previdência Complementar (SPC) vai entender, mas é algo para examinarmos. Independentemente disso, quanto mais a Vale cresce, mais ela fica proporcionalmente grande no nosso portfólio. No tempo, a tendência será diminuir a nossa participação, mas temos condições de examinar uma boa oportunidade para nós e para a empresa, até porque não imaginamos vender toda a nossa parte.

Valor: O que fez a Previ, em meados dos anos 90, optar por investir em renda variável, numa hora em que a renda fixa era extremamente atraente por causa dos juros altos?

Rosa: Eu não estava aqui quando o portfólio foi montado. A maior parte dos investimentos ocorreu em função das privatizações, mas acho que houve uma combinação sui generis.

Valor: Que combinação?

Rosa: De um lado, havia os representantes do BB e do governo buscando contribuir para o processo de privatização, orientando o fundo a integrar os consórcios. Por outro lado, havia representantes dos participantes dentro da Previ com uma visão nacionalista, desenvolvimentista, dizendo: ‘já que vai privatizar, vamos entrar. Somos investidores de longo prazo, então, vamos ajudar essas empresas a não caírem na mão de qualquer um’. Não houve um grande plano de investimento.

Valor: E hoje, o governo decide os investimentos da Previ?

Rosa: Não. O nível de autonomia é muito grande. Obviamente, estamos sempre atentos a interpretar as políticas de governo, uma vez que elas influenciam o ambiente econômico. Fazemos isso como qualquer investidor. Temos tido um diálogo muito constante com o governo. Até em coisas que não andaram muito, como as parcerias público-privadas.

Valor: Recentemente, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou os fundos a aplicarem até 10% do patrimônio no exterior. A Previ planeja fazer isso?

Rosa: Vamos estudar ao longo de 2010. Ter liberdade para aplicar é muito bom porque os fundos competem no mercado e precisam se igualar ao máximo com os outros atores. A contrapartida da liberdade é muita prestação de contas e responsabilidade pelo que o fundo faz. Há uma coisa muito pesada sobre fundos de pensão. Às vezes, o fundo tem um resultado positivo em 99% do que faz, mas perde em 1% e, por isso, sofre muitas críticas.

Valor: Essa cobrança não decorre do fato de o Tesouro ser o garantidor dos fundos ligados a empresas estatais?

Rosa: Ele não é.

Valor: Se a Previ quebrar, o Tesouro não tem que cobrir os prejuízos?

Rosa: Não. Essa é uma compreensão errada. No caso do plano de benefício definido (o Plano 1 da Previ), há o compromisso da patrocinadora, o BB, para equacionar os déficits.

Valor: Se o BB tiver que fazer isso, a conta não acaba batendo no Tesouro?

Rosa: Esse raciocínio não é tão direto. Se o BB tem lucro, vai tirar isso (um eventual prejuízo do fundo) dele, dos acionistas e do Tesouro, que é o acionista majoritário do banco. É do jogo. Mesmo assim, a conta é repartida meio a meio com os participantes do fundo. Há, portanto, um limite desse esforço do Tesouro caso o fundo quebre, e nós estamos longe disso, não só a Previ como quase todos os fundos. Essa incompreensão sobre o que são os fundos vem do passado.

Valor: De quando?

Rosa: Até 1996, tivemos algumas CPIs de fundos, e isso foi reeditado em 2005 (durante a crise de mensalão). A CPI de 1996 fez um retrato muito negativo dos fundos. Na CPI de 2005, o relatório foi quase um atestado de bons serviços, um ‘nada-consta’ para nós. Mas existe um preconceito contra os gestores dos fundos. Isso é ruim. Por isso, há essa tese de que é preciso colocar muita trava na ação dos fundos. E há a memória de que os fundos fazem investimentos orientados politicamente e não pela rentabilidade e o mercado. Temos trabalhado muito para tentar mudar essa cultura, sabendo que ela não muda de uma hora para outra.

Valor: Os fundos são usados para alavancar empresários, que depois mandam nas empresas?

Rosa: Há empresários que querem mandar no corpo inteiro. Para não pagar por isso, eles compram uma perna. A outra perna eles querem usar os fundos de pensão para comprar, mas mandam no corpo inteiro.

Valor: Na Vale, a Previ é a maior acionista, mas não é o Bradesco quem manda?

Rosa: Não é assim. Temos ali uma condução muito mais equilibrada com os outros sócios, um compartilhamento.

Valor: No governo, é dito que os fundos estão numa posição desigual com os sócios privados?

Rosa: No caso da Previ, não é assim.

Valor: Quanto a Previ perdeu na crise?

Rosa: Aproximadamente R$ 20 bilhões.

Valor: O fato de o fundo estar sobreaplicado na Vale não acarretou uma perda maior, uma vez que as empresas exportadoras estão sofrendo mais?

Rosa: Perdemos menos por causa do critério de avaliação da Vale, o critério econômico. A Vale subiu muito no primeiro semestre de 2008 e depois caiu, mas a nossa avaliação era do fim de 2007, então, quando a reavaliamos no fim de 2008, já não pegamos esse sobe-e-desce das ações. Quando comparamos o balanço de 2008 com o de 2007, ela ficou estável. Dos R$ 20 bilhões que perdemos em toda a carteira, estamos próximos de recuperar tudo. A bolsa fechou 2007 próxima dos 63 mil pontos. Já voltou a esse patamar.

Valor: Com a queda da taxa Selic a um dígito, o que muda na vida dos fundos de pensão?

Rosa: A Previ já tem um portfólio bastante diversificado. Historicamente, migramos para aplicações fora da faixa da Selic, tanto que nossa rentabilidade nos últimos anos tem sido muito superior à média da Selic. Temos hoje mais de 60% dos recursos aplicados em renda variável, 3% em imóveis e cerca de 30% indexados à Selic.

Valor: A Selic responde por quanto da rentabilidade dos seus ativos?

Rosa: A Selic é praticamente o nosso piso de rentabilidade. Em dez anos, a Previ teve uma rentabilidade de aproximadamente 750%, enquanto a Selic no mesmo prazo acumulou 400%. Isso mostra que o investimento em renda variável tem puxado bem para cima a nossa rentabilidade. Isso não é verdade para a maioria dos fundos de pensão.

Valor: Por quê?

Rosa: Ao contrário da Previ, a maioria dos fundos tem no máximo 10% dos ativos aplicados em renda variável. Foi uma decisão estratégica da Previ tomada lá atrás. Muitos fundos de pensão estão associados ainda à ideia da renda fixa.

Valor: Por que eles são mais conservadores?

Rosa: Em parte, por causa da memória de rentabilidade alta da renda fixa, que não desaparece de uma hora para outra. Ainda ontem, havia títulos do Tesouro de longo prazo pagando juros de 13% ao ano. Quando o fundo não tem uma boa estrutura para gerir o risco de ativos mais alternativos, um título de 12 anos a 13% ao ano ainda é uma zona de conforto muito grande. Falta também um pouco de incentivo para buscar essa rentabilidade adicional em nome do participante do fundo.

Valor: De que forma?

Rosa: A resolução 3.792, do CMN, trouxe uma abertura para cada fundo adotar políticas próprias de controle de risco. Até então, a gente tinha que prestar contas de risco à SPC com base na tal ‘divergência não planejada’.

Valor: Como funcionava essa regra?

Rosa: Mês a mês, o fundo tinha que analisar o desempenho da sua carteira frente ao seu índice atuarial ou a um indexador escolhido do mercado. Quando o fundo escolhia um investimento que tinha um grau de volatilidade maior no curto prazo, embora no longo prazo ele pudesse dar resultados muito superiores, com a medida de risco amparada na ‘divergência não planejada’, calculada mensalmente, o fundo parecia estar numa situação de alto risco. Todo mês o resultado fugia do índice atuarial ou do índice de mercado escolhido.

Valor: O que mudou?

Rosa: Com a 3.792, passamos a pensar medidas de risco mais apropriadas dos investimentos. Se os fundos de pensão migrarem para essas novas medidas, isso pode melhorar a compreensão geral do que é uma alocação de longo prazo. Esta é a grande vantagem de um fundo de pensão. Diferentemente da maior parte da indústria financeira, que tem que olhar o curto prazo e a liquidez quase diária, com cotistas entrando e saindo o tempo todo, o fundo de pensão tem uma estabilidade para o investimento muito maior.

Valor: A aposta no risco é o melhor caminho?

Rosa: Uma estatística da bolsa americana, válida para as bolsas dos países mais desenvolvidos e que provavelmente vai começar a valer para o Brasil, mostra que, quando se calculam períodos de aplicação de 30 anos, em nenhum período, em qualquer parte do tempo, o investimento em bolsa perde para renda fixa. Há, portanto, um prêmio pela alocação de longo prazo em ativos considerados de maior risco e que são mais voláteis no curto prazo.

Valor: Não é arriscado investir o dinheiro das aposentadorias de milhares de pessoas do fundo em renda variável?

Rosa: Um livro antigo de Peter Drucker (filósofo e economista, de origem austríaca, considerado o pai da gestão moderna) diz que um fundo de pensão faz 10 investimentos: sete não vão dar certo, dois vão mais ou menos se pagar e apenas um vai pagar a conta de todos. O problema é que você tem que explicar isso e, às vezes, não consegue. Mas Drucker fala que isso é essencial para a economia. Se você não fizer isso, não criará nada novo.

Valor: A meta atuarial da Previ hoje é 5,75% ao ano, além da variação do INPC. Com a queda dos juros, vai ser necessário alterá-la?

Rosa: Nossa expectativa é que a rentabilidade seja superior a isso ao longo do tempo. Se mudarmos, será por uma questão de conservadorismo, prudência, algo permitido pelo superávit que temos hoje. Se tivéssemos que fazer essa mudança e ela fosse onerar os participantes, talvez, pudéssemos adiar isso porque efetivamente temos superávit e uma perspectiva de superávit superior à meta. Só neste ano, estamos com rendimento no Plano 1 (o dos aposentados com benefício definido) de 18%. No Plano 2 (em que a contribuição é definida), a taxa atuarial tem uma importância menor, portanto, temos um pouco mais de liberdade para discutir isso.

Valor: O governo está impondo uma mudança de meta?

Rosa: O governo vem tratando disso não como uma imposição, mas como uma diretriz. Vem apenas comentando o fato, sobretudo com os fundos que estão muito ancorados em renda fixa, mostrando que, se a estratégia de alocação continuar sendo essa, provavelmente os fundos vão ter que lidar com isso. É preciso criar uma cultura própria de investimento de fundo de pensão. A Previ criou uma história. Mais recentemente, a Petrus (fundação dos funcionários da Petrobras) e a Funcef (da Caixa Econômica Federal) passaram a ter uma história um pouco mais parecida, mas isso não gerou um pensamento hegemônico em termos de estratégia de investimento. Essas histórias ainda são vistas como algo isolado, que deu certo, mas que não pode ser replicado. É preciso criar uma cultura própria de investimento de longo prazo, inexistente no país. O Brasil não tem um Warren Buffett. Os Estados Unidos, por exemplo, têm uma indústria de fundos de pensão desde os anos 50.

Valor: O contencioso com Daniel Dantas chegou ao fim?

Rosa: Acho que sim. De vez em quando, ainda surgem alguns desdobramentos no âmbito judicial. Há ainda investigação no TCU sobre o contrato de ‘put’ que fizemos com o Citibank em 2005. Tem ainda a operação Satiagraha, em que somos testemunhas. Temos uma sociedade com ele numa pequena empresa, a Sanepar, no Paraná. Havia ali um problema de contratação muito inadequada, que dificultava o controle dos serviços contratados pela Previ (junto ao grupo Opportunity).

Valor: Isso ocorreu por incompetência da então diretoria da Previ ou por dirigismo político do governo (em 1998)?

Rosa: Houve uma imperícia, uma certa falta de acautelamento em definir as premissas concretas, a governança do próprio fundo (o CVC). Aquele era um fundo que tinha que ter governança. Hoje, temos um comitê de investimento na Previ que revisa as propostas que o gestor traz. Há uma condição de prestação de contas e até a possibilidade de substituir o gestor a partir de uma série de cláusulas. A gente aprende. Embora eu não tenha provas, acho também que houve uma certa influência (política) para que essa associação (com o Opportunity) fosse feita num padrão que não era muito rigoroso. Não tenho evidentemente elementos para dizer isso categoricamente, mas é essa a avaliação.

08/10/2009 - 10:29h BB amplia limite de consignado em R$ 4 bilhões. A medida vai beneficiar aposentados e servidores

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA – O Estado SP

O Banco do Brasil aumentou em R$ 4 bilhões o limite pré-aprovado para o crédito consignado de 2 milhões de clientes. A medida vai beneficiar aposentados que recebem pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e servidores do Ministério do Planejamento – entidades que assinaram convênio com o banco. Em nota, o BB informa que a ampliação dos valores é resultado de um processo que teve “refinamento das metodologias de análise de crédito”. Medidas semelhantes já foram anunciadas para micro e pequenas empresas e outras linhas de financiamento para pessoas físicas.

Alinhado com a política do governo de ampliar empréstimos para manter a economia aquecida, o BB refez cálculos e observou que um grupo de clientes tinha possibilidade de tomar mais crédito. São correntistas com bom histórico e baixo perfil de risco e, por isso, ganharam o limite extra.

O vice-presidente de Crédito, Controladoria e Risco Global do BB, Ricardo Flores, destaca que a medida é feita automaticamente, sem que os funcionários tenham de analisar caso a caso. “Nosso objetivo é expandir a carteira de crédito com qualidade e eficiência, buscando a automatização de processos que desonerem a rede de atendimento e possam liberar os funcionários das agências para a realização de negócios”, disse o executivo, em nota.

Atualmente, o BB tem R$ 20 bilhões em empréstimos com desconto em folha de pagamento, principalmente com aposentados e servidores públicos. A instituição é líder no segmento, com 32,6% de todo o consignado. Esse tipo de operação já representa 36% de todos os empréstimos para as pessoas físicas no banco federal.

Desde maio, essa é a quarta vez no ano que o Banco do Brasil eleva o crédito pré-aprovado para os clientes. Nas ocasiões anteriores, o valor havia sido ampliado, no total, em R$ 61,3 bilhões. Aumentar os limites, porém, não significa que o financiamento será tomado rapidamente pelos clientes. De maio até o início de setembro, o banco só emprestou efetivamente 8,7% do novo limite oferecido aos correntistas.

A investida do BB no crédito consignado tenta abocanhar parte do segmento de crédito que apresentou a melhor reação após o tombo provocado pela crise. Em agosto, bancos emprestaram R$ 6 bilhões em crédito consignado. O valor é 115% maior que o de dezembro de 2008. Nessa mesma base de comparação, o crédito pessoal cresceu 46% e o cartão de crédito avançou 14%.

Além disso, a preferência dada pelo banco federal aos aposentados e servidores públicos é explicada porque esse segmento concentra 86,8% de todos os empréstimos com desconto em folha. A iniciativa privada, portanto, respondeu apenas por 13,2% das operações. Em agosto, brasileiros deviam R$ 67 bilhões aos bancos apenas no consignado.

28/09/2009 - 11:32h Imóvel popular lidera vendas em feira de SP

Muitos fazem parte do Minha Casa, Minha Vida

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Paulo Justus, JORNAL DA TARDE – O Estado SP

Mais de R$ 300 milhões foram concedidos em financiamento nos quatro dias do Salão Imobiliário São Paulo, encerrado ontem. O evento atraiu 60 mil pessoas ao Parque de Exposições do Anhembi, na capital paulista. “Mostramos que se consolidou um processo de retomada da atividade econômica”, diz Eduardo Sanovicz, organizador do evento.

A presença de imóveis populares foi a principal diferença em relação à última edição do evento. Das 100 mil habitações postas à venda, 48% se enquadravam no programa Minha Casa, Minha Vida, que facilita a compra de imóveis novos de até R$ 130 mil na capital paulista.

O novo perfil de renda se refletiu nos financiamentos concedidos pela Caixa. Até a tarde de ontem, o banco contratou R$ 145 milhões, para 1.114 pessoas. Desse total, R$ 83 milhões (813 contratos) foram para imóveis do Minha Casa, Minha Vida.

A Brookfield Incorporações montou um estande apenas para esses produtos. “Vendemos todas as 180 unidades que tínhamos disponíveis para o Minha Casa, Minha Vida”, diz Fernando Rodrigues, diretor de vendas da Fernandez Mera, braço comercial da Brookfield.

Mas as habitações de médio e alto padrões também tiveram um bom desempenho. “A demanda por financiamentos até R$ 500 mil surpreendeu”, diz o gerente de divisão da Nossa Caixa, Alcestes Rebêlo Junior. O banco concedeu R$ 53 milhões em financiamentos e superou em 90% o volume do ano passado. Já o Banco do Brasil, no mesmo estande, financiou R$ 60 milhões, o dobro de 2008. “Concedemos crédito para vários perfis de renda”, diz Sergio Augusto Kurovski, gerente de financiamentos do banco.

Praticamente todos os números do salão superaram os resultados do ano passado. Em 2008, o evento teve 50 mil visitantes e 35 mil imóveis à venda. A única redução foi a área ocupada pelos estandes, que foi 30% menor nesse ano. “Isso se justifica pelas fusões que o setor imobiliário passou e pelo menor número de lançamentos após a crise”, diz Sanovicz.

Para Leila Ferreira, gerente de parcerias da administradora de consórcios Embracon, a falta de opções para a classe média ajudou nas vendas. “Vendemos o dobro do ano passado. Foram 200 cartas de crédito, num total de R$ 15 milhões.”

02/09/2009 - 13:51h BB eleva em R$ 36,7 bilhões a oferta de crédito pré-aprovado

É a terceira vez neste ano que o Banco do Brasil aumenta o limite de empréstimo a clientes

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Fernando Nakagawa, BRASÍLIA – O Estado SP

Pela terceira vez no ano, o Banco do Brasil anunciou ontem ampliação dos limites de empréstimo para clientes. Dessa vez, o crédito pré-aprovado de mais de 1,5 milhão de correntistas foi elevado em R$ 36,7 bilhões. A medida vai beneficiar principalmente pessoas físicas e pequenas e microempresas. Aumentar limites, porém, não significa que o financiamento será tomado rapidamente. Desde maio, quando a instituição começou a ampliar o valor disponível, o BB só emprestou 8,7% do novo limite oferecido.

Alinhado com a política do governo de ampliar empréstimos para manter a economia aquecida, o BB refez cálculos e observou que um grupo de clientes tinha a possibilidade de tomar mais crédito. São correntistas com bom histórico e baixo perfil de risco, diz o vice-presidente de Crédito, Controladoria e Risco Global do BB, Ricardo Flores. Diante da avaliação, o banco decidiu ampliar limites para aproveitar “boas oportunidades de mercado”, como a recuperação da produção industrial e aumento da confiança do consumidor. “Antes que outros concorrentes façam esse mesmo movimento”, disse Flores.

Dos novos recursos oferecidos, R$ 17,8 bilhões serão destinados às pessoas físicas. A maior parcela desse valor, de R$ 12,7 bilhões, será oferecida como limite pré-aprovado para a compra de material de construção com pagamento em até 60 meses. O restante vai aumentar limite no cartão de crédito e financiamento em loja.

Para as micro e pequenas empresas, foram destinados R$ 13,9 bilhões para investimento, como compra de máquinas e veículos. Boa parte desse dinheiro que vai beneficiar 240 mil clientes é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o BB é apenas o intermediário da operação. Também foram ampliados os limites no setor rural para o financiamento do estoque da safrinha e, para 4 mil prefeituras, foi elevada a oferta de recursos para financiar a infraestrutura viária e transporte escolar.

Antes, o BB já havia ampliado o limite de crédito dos clientes em R$ 24,6 bilhões em duas ocasiões desde maio.

Apesar de as famílias e empresas terem acesso a mais empréstimos, os financiamentos ocorrem gradualmente. Desses recursos, apenas R$ 1,4 bilhão foi tomado por pessoas físicas, principalmente em empréstimos consignados. Nas empresas, novos créditos somaram R$ 750 milhões. Do total, apenas 8,73% do limite extra foram transformados em operações financeiras.

Entre as pessoas físicas que já usaram parte desse novo limite, a inadimplência está em apenas 0,21%, segundo Flores. O número foi usado pelo vice-presidente do BB para reafirmar a avaliação de que a estratégia foi bem sucedida porque foi possível ampliar o volume de operações sem agregar grande inadimplência à carteira.

17/08/2009 - 11:43h BB negocia sociedade bilionária

Banco deve reunir seguradoras em duas divisões, em parcerias com a espanhola Mapfre e a americana Principal

 

Adriana Fernandes, BRASÍLIA – O Estado SP

 


Embalado pelo retorno à liderança do ranking das maiores instituições financeiras do País, o Banco do Brasil (BB) vai agora acelerar a reestruturação das suas operações de seguro. O modelo atual é baseado em cinco empresas, com uma intricada participação de sócios, que tem atrapalhado a expansão do banco no setor de seguridade, que promete ser agora a “bola da vez” do mercado, pois está cada vez mais limitada a expansão dos negócios bancários via crescimento do crédito.

O BB contratou o banco de investimentos UBS Pactual para estudar o modelo e apresentar uma proposta de reforma ao conselho diretor do banco. O UBS abriu negociações com os três principais parceiros do BB em seguros: a espanhola Mapfre, a americana Principal e a brasileira SulAmérica.

Depois de seis meses de negociação, segundo fontes do comando do BB, a opção com mais chances de ser fechada,até o momento, é a criação de duas divisões: uma com a Principal (concentrada na área de previdência) e outra com a Mapfre (nos outros nichos, como automóveis e apólices de vida). A operação deve envolver dinheiro novo, com as duas empresas pagando ao BB para ter exclusividade ao acesso à sua gigantesca rede de agências bancárias.

Também foi estudada uma integração do BB com a SulAmérica (parceira do BB nas áreas de seguro veículo e saúde). Nesse arranjo, o BB compraria a participação do banco holandês ING na seguradora e formaria uma empresa com o sócio brasileiro.

Na área de seguros, o BB tem participação na Brasil Saúde, BrasilCap, Aliança do Brasil, BrasilPrev e Brasil Veículos. Uma racionalização do negócio é apontada como essencial agora para consolidar a posição de liderança do banco, reconquistada do Itaú Unibanco. O maior rival é o Bradesco, líder no setor de seguros no Brasil. Santander e Itaú Unibanco também estão se movimentando. “Queremos é dar mais eficiência aos resultados”, disse uma fonte do BB. “Não podemos perder tempo”, acrescentou. Se a associação com a Principal e a Mapfre for confirmada, o BB deve se tornar o maior grupo segurador do País.

A compra da Nossa Caixa, no fim de 2008, tornou a reestruturação da área de seguros do BB urgente. A Nossa Caixa tem outros sócios na área. O maior problema é o com o Mapfre que tem acordo de exclusividade. Apesar de ter comprado o controle da Nossa Caixa, o BB não pode usar os produtos de suas seguradoras BrasilPrev (previdência) e Aliança do Brasil (apólice de vida) nas agências do banco paulista. O Mapfre tem acordo até o ano de 2025. Se não fizer um acordo com os espanhóis, o BB vai ter que desembolsar dinheiro para terminar o contrato de exclusividade.

A compra da Aliança Brasil, em setembro de 2008, marcou o início da reestruturação. O BB comprou a fatia da Companhia de Participações Aliança da Bahia na Aliança do Brasil, que atua nos ramos de seguros de vida e patrimonial, e ficou com 100% do seu capital total.

O presidente do BB, Aldemir Bendine, em entrevista, na semana passada, já antecipou que a reestruturação pode resultar em aumento de capital entre 40% e 50% .

A Caixa Econômica Federal, que tem a Caixa Seguros, também está fazendo movimentos no setor de seguros, informou uma fonte do banco. Uma das opções é se associar a alguma seguradora ou outro banco. A fonte explicou que o negócio é urgente porque a Medida Provisória (MP) 459, que criou o programa Minha Casa, Minha Vida, acaba com a venda casada de seguro habitacional com financiamento imobiliário. A regra vale para bancos públicos e privados. “O interesse é de associar a uma empresa de seguro”, disse um dirigente da Caixa.

O BB NAS SEGURADORAS

49,99 % da BRASIL CAP

49,99% da BRASILPREV

70% da BRASIL VEÍCULOS

49,92% da BRASIL SAÚDE

100% da ALIANÇA DO BRASIL

15/08/2009 - 11:28h Para Meirelles, banco privado seguirá estatal e cortará juros

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Presidente do BC não vê sinais de taxas “insustentáveis” nos bancos públicos

Dirigente do Banco Central prevê normalização do crédito no país, com o arrefecimento da crise e a estabilização da economia

TONI SCIARRETTA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que os bancos privados terão de seguir as instituições públicas e reduzir as taxas de juros cobradas dos consumidores, se quiserem recuperar mercado no crédito. Na véspera, o ministro Guido Mantega havia afirmado que os bancos privados iriam “comer poeira” se não fizerem isso.
Para Meirelles, não há sinais de que as instituições públicas estejam trabalhando com taxas de juros “insustentáveis”, como afirmou o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal. “Isso refletiria claramente nos resultados [financeiros]. Existem mecanismos prudenciais de ajuste através dos sistemas de alocação de capital pelo volume, risco de crédito e constituição de provisões. Não temos avaliação [de problemas]“.
Meirelles afirmou que os bancos estatais tiveram um papel importante de estimular a economia, enquanto houve um movimento mundial de contração no crédito, aperto de liquidez e aumento de “spreads” (diferença entre o juro captado e o repassado ao consumidor).
“Eles [bancos públicos] estavam sendo beneficiados por mais depósitos devido à busca por segurança. Então, puderam exercer um papel, com segurança, na expansão do crédito e na queda gradual dos “spreads”. Com isso, ganharam mercado. É natural agora que o setor privado procure recuperar isso, voltando a competir com taxas e também com “spreads”.”
Segundo Meirelles, os bancos privados nunca tiveram dificuldade para competir com as instituições públicas no crédito no Brasil. “Isso aconteceu neste período. À medida que ocorra uma normalização, acredito que o setor privado deverá voltar não só a emprestar como captar, praticar custos competitivos e disputar fatias de mercado como sempre ocorreu nas últimas décadas”, disse.
A carteira de crédito dos bancos públicos cresceu 10,9% de janeiro a junho, segundo o Banco Central. No período, os bancos privados tiveram expansão de apenas 1,4% e as instituições estrangeiras, queda de 1,9% no saldo de empréstimos.
Para Meirelles, há sinais claros de recuperação no mercado de crédito, que ganha novo impulso por conta de um movimento conjuntural que vem com a saída da crise. O presidente do BC afirma que vê um segundo movimento, de caráter estrutural, que é consequência da estabilização da economia e que possibilitou ao país ter juros hoje de 8,75%.

15/08/2009 - 10:49h Empréstimo em banco público cresce 29,7%

Segundo estudo do Inepad, crédito em banco privado cresceu apenas 7,51% de agosto de 2008 a junho de 2009

GUSTAVO PORTO – O Estado SP

O volume mensal de crédito concedido pelos bancos públicos cresceu 29,7% entre agosto de 2008 e junho de 2009 no País, variação porcentual quase quatro vezes superior ao aumento de 7,51% do crédito liberado pelos bancos privados no período. Os dados constam no levantamento do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad), feito a partir de dados do Banco Central (BC) e obtido pela Agência Estado.

Em agosto do ano passado, mês anterior ao agravamento da crise mundial, os bancos públicos liberaram R$ 380,32 milhões em crédito, volume que cresceu em todos os meses seguintes, até atingir R$ 493,42 milhões em junho deste ano. Já o crédito concedido pelos bancos privados passou de R$ 729,7 milhões para R$ 784,83 milhões ao mês no período.

Ao contrário dos bancos públicos, a oferta dos privados recuou por dois meses seguidos, entre dezembro do ano passado e fevereiro de 2009. Já o volume total de crédito saltou 15,13%, de R$ 1,11 bilhão durante agosto no ano passado, para R$ 1,278 bilhão em junho deste ano.

Segundo o professor titular da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e coordenador do Inepad, Alberto Borges Matias, as ações tomadas pelo governo após a crise foram refletidas no levantamento e, curiosamente, contrariaram o padrão do mercado de crédito no País. “As ações do governo na crise seguiram o ritmo verificado apenas anteriormente do mercado internacional, com taxas baixas de juros e volume alto de crédito”, disse Matias.

INADIMPLÊNCIA

Para o economista, os bancos privados não aumentaram o crédito no mesmo ritmo pelo temor de inadimplência e “por não terem o mesmo fator de empreendimento que o governo teve durante a crise”, disse. “Com isso, vão perder mercado”, completou. E os dados apurados junto ao BC ratificam que a participação dos bancos privados no total de crédito oferecido no País caiu de 65,75%, em agosto de 2008, para 61,4%, em junho deste no. Já a fatia dos bancos públicos cresceu de 34,25% para 38,6% no período.

Matias avalia ainda que o temor em relação a inadimplência não é justificativa para que os bancos privados restrinjam o crédito. O levantamento do Inepad aponta que o porcentual dos que não honraram compromissos acima de 90 dias saiu de 5,3% em agosto do ano passado para 6,7% em junho deste ano, que por sua vez mostra estabilidade em relação a maio. “Além de não explodir como o esperado e de crescer pouco durante a crise, a inadimplência deu sinais que pode ter parado de aumentar, com os números iguais de maio e junho”, avaliou.

QUALIDADE

O Inepad analisou ainda a qualidade da dívida medida pela classificação de risco (rating) do total das operações de crédito no Brasil no período e concluiu que houve praticamente uma estabilidade. Apesar de haver uma redução de 24,58% para 20,27% nas dívidas classificadas como “AA”, as dívidas de rating “A” cresceram de 40,21% para 43,04% do total. Essas dívidas são dos credores completamente adimplentes, ou seja, sem nenhum dia de atraso.

O instituto avalia ainda que, de maneira geral, o movimento aponta uma pequena queda na qualidade de dívidas de crédito no País. O estudo conclui que mesmo em meio à crise e à volatilidade dos mercados globais, o Brasil sustentou o crédito.

15/08/2009 - 10:38h Bancos públicos retomam fatia na oferta de crédito

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FABRICIO VIEIRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Os bancos públicos têm ampliado sua participação no total do crédito oferecido no país, conquistando importante fatia que há pouco tempo estava nas mãos das instituições privadas.
A participação dos bancos públicos no bolo total do crédito ofertado subiu de 34,5% em junho de 2008 para 38,6% no mesmo mês deste ano.
Enquanto a crise econômica levou os bancos privados a diminuir a oferta de crédito desde o último trimestre de 2008, os públicos, liderados pelo Banco do Brasil, ampliaram sua atuação no mercado.
A carteira das instituições financeiras ligadas ao governo aumentou 33,8% em 12 meses. Já a carteira dos bancos privados registrou elevação de apenas 12,3% no mesmo período.
Os dados foram levantados pelo Inepad (Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração), a partir de números computados pelo Banco Central.
“Diante do aperto feito pelos bancos privados na concessão de empréstimos após a crise, o governo empurrou o Banco do Brasil e a Caixa para fomentar o crédito. Quando há situações de risco e incertezas, como as vividas após setembro do ano passado, se o governo não operar, não há funcionamento adequado do sistema”, afirma Alberto Borges Matias, coordenador do Inepad.
Até o primeiro semestre de 2000, o setor público respondia por mais de 50% do mercado de crédito do país. Mas as privatizações e a contínua expansão do setor privado levou a participação do segmento público no total oferecido a recuar para 34% do total no fim de 2007, ficando em um de seus mais baixos níveis históricos.
“Os grandes bancos privados reclamaram e agora vão ter de correr atrás para recuperar espaço de novo”, afirmou Matias.

13/08/2009 - 09:39h Ação agressiva no crédito devolve a liderança ao BB

Capa Folha de S.Paulo - Edição São Paulo

Expansão na crise leva o Banco do Brasil a passar o Itaú no ranking dos bancos

Fazenda se queixa de declarações do presidente do Itaú sobre expansão dos bancos públicos na crise; lucro do BB cresce 43%

GUILHERME BARROS COLUNISTA DA FOLHA

Nove meses após ter perdido a liderança para o Itaú Unibanco, o Banco do Brasil retomou o posto de maior banco em ativos do Brasil e da América Latina.
Segundo o balanço do segundo trimestre do ano, divulgado na madrugada de hoje, os ativos do Banco do Brasil chegaram a R$ 598,8 bilhões, ante R$ 596,4 bilhões do Itaú Unibanco.
O Banco do Brasil salta da 10ª para a 7ª posição no ranking dos maiores bancos da América Latina e dos EUA, segundo a consultoria Economática. O Bank of America se mantém na liderança, seguido por JPMorgan Chase e Citigroup. O Itaú Unibanco cai de 7º para 8º.
O BB lucrou R$ 4,014 bilhões no primeiro semestre, alta de 0,55% ante o mesmo período do ano passado. No segundo trimestre, o lucro foi de R$ 2,348 bilhões (+43%).
Segundo a Folha apurou, a atuação agressiva do BB na concessão de crédito durante a crise foi fundamental para a instituição ter recuperado a liderança do ranking bancário, objetivo cobrado por Lula após a perda do posto. Enquanto os bancos privados foram mais cautelosos após o congelamento global do crédito, o BB acelerou a liberação de empréstimos para evitar um contágio maior da crise.
Os números do primeiro semestre divulgados pelos bancos privados mostram claramente essa desaceleração na concessão do crédito. No ano passado, o crédito se expandiu no país a um ritmo de cerca de 30%. Em junho, caiu pela metade em relação ao mesmo mês do ano passado.
Segundo dados da consultoria Austin Rating, com base nos balanços do segundo trimestre de dez bancos privados, o crédito cresceu em média 16,1% em relação a junho de 2008. O Itaú Unibanco, por exemplo, registrou expansão de 15,7% do crédito, e o Bradesco, de 20%. Já em relação a dezembro, o volume dos empréstimos dos bancos privados praticamente não se alterou ou até caiu.
Além da forte aceleração do crédito, os números do BB relativos ao primeiro semestre mostram redução do “spread” (diferença entre os juros pagos pelos bancos ao captar recursos no mercado e a taxa cobrada dos clientes). A equipe econômica pretende usar esses dados para aumentar a pressão sobre os bancos privados para que baixem o “spread”.
Segundo a Folha apurou, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teria ficado incomodado com declarações do presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setúbal, de que a redução do “spread” nos bancos públicos não seria sustentável.
O debate promete ser acirrado nos próximos dias. Segundo Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, a grande questão é saber se essa atuação agressiva do Banco do Brasil deteriorou ou não a qualidade da sua carteira de crédito, o que só o tempo vai dizer.
De qualquer forma, Rodrigues afirma que a atuação dos bancos públicos, tanto do Banco do Brasil como da Caixa Econômica Federal, foi extremamente importante para a recuperação do crédito no país.
“Os bancos públicos foram fundamentais para a irrigação do crédito na economia”, diz Rodrigues.
O crédito é o principal item na constituição dos ativos dos bancos. Enquanto o ativo do Banco do Brasil tem crescido em ritmo bastante forte na crise, o do Itaú Unibanco fez o caminho inverso. De acordo com a Economática, o ativo do Itaú Unibanco caiu de R$ 633 bilhões em dezembro para R$ 596,4 bilhões em junho.

25/07/2009 - 09:07h Bancos médios superam a crise, mas concentração bancária deve aumentar

Captação e empréstimos já estão praticamente no nível de 2008

 

Renato Andrade e Fernando Nakagawa – O Estado SP

 


Os sinais de recuperação da economia já podem ser sentidos num dos segmentos que mais sofreram com a crise de crédito global que travou as operações de financiamento no fim do ano passado. Os bancos de pequeno e médio portes conseguiram recuperar boa parte das fontes de recursos e voltaram a emprestar praticamente o mesmo volume de dinheiro que giravam antes do agravamento da crise, em setembro, quando o banco de investimentos Lehman Brothers quebrou.

Em março, o saldo das operações de crédito ainda estava 6,5% abaixo do registrado antes da crise. Segundo dados do Banco Central (BC), o resultado melhorou em maio e ficou apenas 0,6% abaixo do desempenho de setembro de 2008. “Não há mais nenhum problema de liquidez e foi resolvido o problema de credibilidade no setor”, analisa Renato Martins Oliva, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que representas as instituições pequenas e médias.

O congelamento do crédito produziu grandes efeitos sobre os bancos de menor porte. Para evitar consequências danosas ao segmento, que tem forte participação no financiamento de pequenas empresas e em operações como crédito consignado, o BC adotou uma série de medidas para garantir a retomada das captações – como a redução dos depósitos compulsórios, que liberou R$ 100 bilhões para o caixa dos bancos.

Mas a redenção ocorreu mesmo em abril, com a criação do Depósito a Prazo com Garantia Especial (DPGE). O instrumento dá garantia de até R$ 20 milhões aos investidores que aplicarem recursos nessas instituições. Isso deu segurança para que grandes aplicadores voltassem a pôr dinheiro nesses bancos, opção de investimento que havia sido completamente excluída no auge da crise.

Desde então, foram captados R$ 9,5 bilhões com a garantia especial. “Esses recursos conseguiram encerrar a questão de falta de funding (captação) nos bancos médios, principalmente porque os grandes investidores voltaram”, diz o diretor-geral do Fundo Garantidor do Crédito (FGC), Antonio Carlos Bueno, instituição que dá a garantia a esses depósitos.

SPREAD

Para Rubens Sardenberg, economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), as medidas tomadas pelo BC no ano passado permitiram, num primeiro momento, a recomposição de caixa dessas instituições. Na sequência, os bancos voltaram a emprestar.

Nessa retomada, o empréstimo consignado e o financiamento de veículos foram os primeiros beneficiados. Dados do BC mostram que a média diária de concessão de crédito consignado ficou em R$ 286 milhões em maio, valor 121% maior que o de dezembro. No caso dos carros, a média de novas operações somou R$ 212 milhões em maio, um salto de 58,4%. No mesmo período, a média das operações para pessoas físicas cresceu 16,3%.

O desafio que se impõe agora aos bancos é a demanda ainda fraca, diz Sardenberg. “De maneira geral, não temos mais problema de oferta, mas a demanda ainda é fraca”, disse.

Para o economista, essa realidade forçará o aumento da competição entre os bancos, o que poderá resultar em reduções nas taxas de juros cobradas nas operações e até dos spreads bancários, a diferença entre a taxa de captação de recursos do banco e a cobrada do cliente.

O espaço para redução dessas taxas é claro, mas a queda sempre foi muito mais lenta do que o desejado pelos consumidores e pelo próprio governo, que tem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, como um dos porta-vozes das constantes reclamações sobre os spreads.

Depois de atingir o nível de 30,7 pontos porcentuais em dezembro, o spread médio do sistema financeiro nacional diminuiu lentamente ao longo dos primeiros cinco meses do ano, atingindo 28,1 pontos em maio, de acordo com os dados mais recentes do BC. No caso do juro médio nas operações com recursos livres, a taxa passou de 43,3% ao ano para 37,9% no mesmo período.

Crise acelera tendência de fusões e aquisições de bancos pequenos

A recuperação da capacidade dos bancos menores de tomar recursos e oferecer empréstimos não deve frear o processo de fusões e aquisições dessas instituições, avalia uma fonte do setor. “O mundo não vai voltar a ser exatamente como era antes da crise”, disse a fonte, que pediu para não ser identificada. “O que teremos, eventualmente, é um movimento de fusões e aquisições.”

O fato mais marcante do processo de consolidação do setor bancário brasileiro ocorreu no fim de 2008, quando Itaú e Unibanco se uniram, criando o maior banco da América Latina em ativos. “Deveremos ver dois movimentos: a fusão de bancos pequenos e médios e também a incorporação dessas instituições por bancos maiores.”

A consolidação do setor não é uma hipótese descartada pelo presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Martins Oliva, entidade que representa os bancos de menor porte. O assunto, entretanto, assusta. “O ideal é termos uma grande quantidade de agentes econômicos para garantir a competição. Por esse aspecto, a consolidação preocupa”, diz.

Ele dá como exemplo a união entre Itaú e Unibanco. “Se uma empresa tinha crédito de R$ 100 em cada instituição, a fusão não fez com que esse cliente mantivesse R$ 200 em crédito. Ao contrário, ele passou a poder usar apenas um dos dois limites.”

Oliva admite, porém, que essa consolidação passa por decisões estratégicas de cada instituição e, caso isso ocorra, existem benefícios, como um sistema mais forte e com maior capacidade de emprestar.

Os bancos públicos, que têm sido pressionados pelo governo a aumentar o crédito, têm colaborado para essa consolidação. Desde 2008, o Banco do Brasil já adquiriu metade do Banco Votorantim, especializado em crédito para veículos e médias empresas, e incorporou a Nossa Caixa e o Banco do Estado de Santa Catarina. Além disso, comprou R$ 3,5 bilhões em créditos de bancos menores durante a crise.

Agora, há expectativa de que a Caixa Econômica Federal se associe a um banco médio para entrar em nichos que ainda não explora, como o das financeiras. Durante a crise, a Caixa adquiriu R$ 2 bilhões em carteiras de crédito de outras instituições.

O próprio Banco Central (BC) considera possível um novo ciclo de consolidação do sistema financeiro. Em seu último Relatório de Estabilidade Financeira, o BC avalia que as aquisições ocorridas no segmento de bancos de grande porte “prenunciam” esse novo ciclo. O processo já estaria se refletindo nos níveis de concentração do sistema, de acordo com cálculo feito pelo BC.

Na avaliação da autoridade monetária, as aquisições não ocorrerão apenas do lado das grandes instituições. Alguns bancos médios devem buscar o fortalecimento de suas operações por meio de aquisições, o que daria escopo para concorrerem com as instituições de grande porte.

21/07/2009 - 10:19h Lula defende expansão do BB para outros países

Presidente cobrou que o banco facilite o comércio exterior brasileiro

Fernando Nakagawa – O Estado SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que o Banco do Brasil seja uma multinacional financeira. Em reunião ontem com o conselho diretor da instituição, Lula pediu que o banco tenha presença expressiva nos principais parceiros comerciais do Brasil e citou América Latina, China e África. Elogiou a recente ação do BB que aumentou a oferta de crédito e adquiriu outras instituições. Ele pediu ainda que a diretoria continue com essa estratégia para ajudar na reação da economia.

A uma plateia lotada com dezenas de executivos do BB de todo o País, Lula cobrou que o banco seja um instrumento para facilitar o comércio exterior brasileiro. Deu como exemplo a China. No país asiático, que desbancou os EUA como maior parceiro comercial do Brasil, o BB tem só um escritório de representação. Para Lula, é preciso ampliar as frentes de atuação naquele mercado com a instalação de agências.

O mesmo se aplica à Venezuela e Uruguai. “Não queremos apenas um Banco do Brasil, mas um banco do nosso continente, com a alma brasileira, mas com a forma latino-americana. Por que só os bancos estrangeiros podem ser grandes e a gente não?”, provocou.

A cobrança de Lula deve acelerar os planos de internacionalização do banco. Hoje, o BB trabalha para transformar escritórios que mantém no México, Uruguai e Venezuela em agências. Nos três casos, a transformação deve acontecer ainda este ano. Na China, a abertura de uma agência é mais difícil.

Lula elogiou a aquisição de outras instituições financeiras, como o Banco Votorantim, que permitiu a entrada em um nicho ainda inexplorado: o financiamento de carros. Agora, a nova frente é o crédito imobiliário. “Só a Caixa Econômica não vai dar conta do que vai acontecer nos próximos anos. Vamos ser sócios, o BB e a Caixa, porque senão não acompanharemos o crescimento (do mercado).”

Para Lula, se o BB não atua em segmento importante, o caminho é adquirir a concorrência. “Vamos comprar a expertise”, sugeriu. Ao deixar o encontro, o presidente do BB, Aldemir Bendine, disse que continua atento. “Mas, no momento, não vemos nenhuma boa oportunidade.”

Lula aproveitou para criticar as privatizações no setor ocorridas na década passada.

“Bancos tão importantes foram praticamente doados, como o Banespa que foi vendido a preço de nada. Jogou-se em cima dos bancos a irresponsabilidade dos governantes que gerenciavam ou, muitas vezes, usavam esses bancos para fazer caixa 2.” Em novembro de 2000, o espanhol Santander pagou R$ 7 bilhões pelo banco paulista, com ágio de 281% sobre o preço mínimo.

Em linha com as indicações do presidente da República, Bendine anunciou que o BB vai começar a operar um Fundo Garantidor de Operações de crédito em agosto. O fundo vai funcionar como um seguro, com o objetivo de reduzir juros para pequenas e médias empresas. Nos novos empréstimos, clientes pagam uma taxa que será revertida ao fundo. Em caso de inadimplência, os recursos serão usados para pagar a dívida Inicialmente, o fundo opera com R$ 650 milhões, sendo R$ 500 milhões do Tesouro e R$ 150 milhões do próprio BB.

Durante a reunião, Lula foi presenteado com um crachá de funcionário do BB. Ao agradecer, perguntou à plateia quais executivos presentes ingressaram como office boys no banco. Vários levantaram a mão.

“Se eu soubesse, não seria torneiro mecânico, seria office boy do BB. Inclusive, estou com vontade até de tomar um crédito consignado”, disse, tirando gargalhadas da plateia.

Instituições como o Banespa foram “praticamente doadas, vendidas a troco de nada”, diz presidente

Lula afirma que caixa dois quebrou bancos públicos

Instituições como o Banespa foram “praticamente doadas, vendidas a troco de nada”, diz presidente

SIMONE IGLESIAS – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Ao discursar ontem em encontro do Conselho Diretor do Banco do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva culpou a irresponsabilidade gerencial pela venda de bancos públicos. Sem citar nomes, afirmou que alguns políticos usaram essas instituições para fazer caixa dois em campanhas e deu o exemplo do Banespa.
“Talvez [se sinta] arrependimento no Brasil porque bancos importantes como o Banespa foram praticamente doados, vendidos a troco de nada. Jogou-se em cima dos bancos a irresponsabilidade dos governantes que gerenciavam esses bancos ou que muitas vezes usavam esses bancos para fazer os caixas dois da vida em época de campanha eleitoral. Por isso que todos os bancos públicos estavam quebrados.”
Apontado como um dos responsáveis pela quebra do Banespa, o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia é hoje um dos maiores aliados dentro do PMDB do governador José Serra (PSDB), pré-candidato a presidente em 2010. Quércia sempre negou responsabilidade pela crise do banco.
O Banespa foi vendido para o Santander por R$ 7 bilhões em 2000, seis anos depois de sofrer intervenção do Banco Central. Sua venda foi cercada de suspeitas, a ponto de levar à criação de uma CPI na Câmara dos Deputados, em 2001. A comissão indiciou diretores e funcionários do Banco Central pela manipulação contábil do balanço de 1994 com “motivação exclusivamente política”.
Em 2007, 20 ex-gestores do Banespa foram condenados à prisão pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região sob acusação de gestão temerária no Banespa nos anos 90.
Lula criticou as tentativas de privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal e disse que só agora o país tem a dimensão da importância da manutenção de bancos estatais fortes. Afirmou que parte dos problemas enfrentados pelo presidente norte-americano, Barack Obama, dá-se pelo fato de não ter um banco público.
“Tenho participado de G14, G20 e sei a diferença de presidentes que têm bancos públicos e os que não têm e que se deixaram levar pelas teorias da década de 90 de que o mercado resolveria os problemas.”

Choque de gestão
Lula criticou ainda o chamado “choque de gestão”, marca de governos tucanos. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), é um dos que assumiram em 2003 propondo e, depois, colocando em prática o mecanismo.
“Costumam dizer que o Estado é um mau gerente, que empresa pública está mal administrada e falam que precisa de choque de gestão. Choque de gestão no Brasil é mandar gente embora, é reduzir o custo da folha de pagamento”, disse o presidente.

18/05/2009 - 10:44h “Conservadorismo” afetou lucro do BB


Entrevista: Presidente do banco diz que perda na rentabilidade decorre de “exagero” na restrição ao crédito


Ruy Baron / Valor

O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine: “Sempre acreditei que o principal componente do resultado é a intermediação financeira”

 Alex Ribeiro, de Brasília – VALOR

O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, afirma que a queda do lucro da instituição no primeiro trimestre é resultado de exagero na restrição de crédito e nas provisões para devedores duvidosos. “Veio um cenário de conservadorismo, consequência da crise”, afirma Bendine, em entrevista ao Valor. “Essa equação não ficou bem equilibrada.”

O lucro do BB no primeiro trimestre foi de R$ 1,655 bilhão, 12,9% menor que o mesmo período de 2008. Bendine pondera que essa cautela era natural, dado o ambiente de incerteza provocado pela crise financeira internacional. Mas diz que, a partir de maio, percebe-se a convergência da inadimplência a patamares mais próximo da normalidade, o que vai permitir que o banco amplie mais o crédito e recomponha a rentabilidade.

Bendine foi nomeado presidente do BB em abril porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava insatisfeito com a resistência do antigo titular do cargo, Antonio Francisco de Lima Neto, em reduzir spreads e ampliar o crédito em meio a um cenário econômico incerto.

A indicação de Bendine foi, no princípio, mal recebida pelo mercado financeiro, que receava ingerências políticas no BB. “Não tenho nem tive nenhum tipo de vinculação ou filiação partidária”, afirma Bendini, na entrevista. A seguir, os principais trechos.

Valor: A sua nomeação para a presidência do BB foi mal recebida pelo mercado. As ações do banco chegaram a cair 11%, embora tenham se recuperado. A que o sr. atribui essa repercussão?

Aldemir Bendine: Discordo que tenha sido mal recebida. Talvez tenha sido mal interpretada num primeiro momento. Nos dois primeiros dias, dada uma série de interpretações, que considero errôneas, houve queda nos preços das ações. A partir do terceiro dia, depois de eu ter feito uma conferência com os analistas de mercado, as ações têm se mantido em constante alta.

Valor: O mercado se preocupava com uma eventual politização do BB. O sr. tem vinculação com o PT?

Bendine: Nenhuma. Sou um funcionário com 30 anos de casa. Tenho uma carreira dentro do banco, com passagem nas mais importantes áreas. Subi os degraus naturalmente. Não tenho nem tive nenhum tipo de vinculação ou filiação partidária, nem agora nem ao longo de minha trajetória. É natural esse tipo de interpretação quando é feita a substituição no comando de uma empresa em que aproximadamente 70% do capital é do governo, em que o decreto de nomeação é do presidente da República. Mas não tenho vinculo partidário.

Valor: Outra preocupação é se o sr. vai se vincular mais aos interesses do governo do que aos dos acionistas, que esperam resultados.

Bendine: O que houve, na verdade, foi uma coincidência de visão e de postura. Sempre acreditei, ao longo de minha história no banco, que o principal componente do resultado é a intermediação financeira. O BB sempre foi um grande especialista em crédito. Para mim, a estratégia natural do banco é a alavancagem do crédito. Isso coincidiu com algumas interpretações (dentro do governo) de que o banco não vinha atuando de forma decisiva no crédito.

Valor: Haverá um compromisso formal de gestão com o governo?

Bendine: Não, não terá. De fato, assumi um compromisso com o ministro (da Fazenda, Guido Mantega), um compromisso moral de conduzir o banco para uma ação mais decisiva, mais pragmática.

Valor: Seria para reduzir os juros e o spread dos empréstimos?

Bendine: Não. Reduzir os juros e o spread é algo que já está dado, que faz parte de um processo econômico, das condições de mercado. Não é um processo exclusivo do BB e não se faz de forma artificial. Mas, ao aproveitar a nossa competitividade, que já existe, porque por tradição o BB pratica as menores taxas de juros do mercado, ao atuar de forma mais agressiva, vamos conquistar espaço, conquistar clientes. O movimento natural de defesa da concorrência é procurar se manter atrativo para manter os seus clientes. Então pode ser que, naturalmente, leve para uma redução do spread mais acelerada.

Valor: Ao mesmo tempo em que o sr. assumiu um compromisso com o governo de destravar o crédito, também assumiu com o acionista minoritário o compromisso de manter a rentabilidade. Como conciliar esses dois objetivos aparentemente conflitantes?

Bendine: Não acho conflitantes, acho convergentes. Quando você tem uma condição de queda do spread dada ao longo do tempo, a única forma para compensar a sua rentabilidade na intermediação financeira é com o aumento do volume de negócios. Há ainda espaço para crescer em áreas onde o banco não tem um volume compatível com o seu tamanho. Temos áreas novas para explorar e trazer resultado, notadamente no financiamento de veículos, financiamento imobiliário, cartões de crédito e, principalmente, seguridade.

Valor: Mas a redução da rentabilidade é um fato concreto. O resultado recorrente passou das casa dos 25% em 2008 para 19% em 2009, o que é o limite inferior da meta para o ano, definida entre 19% e 22%. Haveria espaço para continuar reduzindo o spread?

Bendine: A redução do spread foi dada, aconteceu, mas numa velocidade e num volume superior ao crescimento da carteira de crédito. A carteira de crédito não cresceu na mesma proporção.

Valor: Por quê?

Bendine: Veio um cenário de conservadorismo, consequência da crise. Essa equação não ficou bem equilibrada. A queda de spread não foi proporcional ao crescimento de crédito.

Valor: A restrição do crédito foi uma decisão gerencial equivocada?

Bendine: Era uma tendência natural, dada a crise, quando você tinha um ambiente de incerteza. Considerando que temos para frente um cenário macroeconômico com clareza um pouco maior, em que a gente enxerga que o país não está em uma situação tão agravada como se imaginava no início da crise, a gente vê uma possibilidade de evolução do crédito em uma velocidade muito maior do que a do primeiro trimestre. Notadamente, a partir de maio.

Valor: O resultado também foi afetado pelas provisões. O que houve?

Bendine: Talvez a gente não conseguiu, e isso vale para todo o mercado, e o BB especificamente, lidar com algumas questões que tiveram um impacto muito maior. Teve um leve descolamento da inadimplência, em função de um cenário de incerteza na economia, teve que trabalhar com um cenário de maior provisionamento.

Valor: Mas o que aconteceu com as provisões? A avaliação se mostrou equivocada?

Bendine: Foi um pouco de insegurança do ponto de vista do consumidor, em relação cenário de manutenção de emprego e renda. Mas o BB tradicionalmente tem a menor taxa de inadimplência do mercado e isso foi mantido. Inclusive esse descolamento (alta da taxa de inadimplência) no BB foi menor do que no mercado. O que a gente percebe é que voltou a um patamar mais próximo de normalidade.

Valor: O nível de provisionamento se mostrou exagerado para o cenário que houve mais tarde?

Bendine: Talvez um pouco.

Valor: Isso também teria afetado o resultado?

Bendine: Afetou, na medida em que você faz um provisionamento maior em relação a isso.

Valor: Como avançar no crédito sem abrir mão da segurança na avaliação de risco?

Bendine: Nossa técnica bancária e nossas regras na concessão de crédito estão mantidas e são rígidas. O que a gente vê como oportunidade não é alavancar crédito com empresas que já são tradicionalmente clientes. A gente vê espaço para buscar novos clientes que talvez não estejam tendo um atendimento que eles imaginam necessário para suas atividades.

Valor: O BB entrou no programa do governo “Minha Casa, Minha Vida”, que tem uma ênfase em baixa renda. Isso significa que o BB vai operar no segmento com menor margem sem ainda ter adquirido larga experiência no crédito imobiliário. Não seria uma estratégia perigosa?

Bendine: A gente entrou no crédito imobiliário já no ano passado e vem buscando esse aprendizado. Ao aderir ao programa “Minha Casa, Minha Vida”, não significa que estamos abrindo mão de atuar no segmento de maior renda. Essa política permanece. Naquela faixa de menor renda, não estamos entrando de forma decisiva porque essa é uma exclusividade da Caixa Econômica Federal. Estamos trabalhando no segmento acima de três salários mínimos. Nesse programa há uma oportunidade ímpar para financiar o produtor, a construção, o que é uma bela margem de negócio.

Valor: Outro programa de interesse do governo que o Banco do Brasil entrou é o financiamento de eletrodomésticos da linha branca. Mas é justamente esse segmento, nas estatísticas do Banco Central, que tem apresentado o maior aumento da inadimplência. Os riscos não seriam excessivos?

Bendine: Os bancos atuam normalmente em duas arenas no financiamento direto ao consumidor. Uma é o crédito a clientes do próprio banco, que têm um histórico, um relacionamento anterior. O outro é o financiamento do cliente não correntista, através de uma parceria com uma rede varejista, por exemplo. O histórico, o conhecimento desse cliente, o relacionamento, é um pouco menor do que aquele que é um cliente tradicional seu. No caso específico desse programa no BB, a gente criou uma linha voltada para o nosso correntista. Por isso que nós tivemos condições de colocar uma taxa bastante agressiva, acreditando numa demanda maior que vai existir em função da recente decisão do governo de reduzir o IPI para a linha branca.

Valor: No caso do cliente do BB, a inadimplência é menor?

Bendine: No dados do BC você não consegue separar isso. É natural que a inadimplência entre os não correntistas seja maior do que entre os clientes em que há um relacionamento anterior.

Valor: A compra de metade do Banco Votorantim devolveu a liderança do mercado ao BB, que foi perdida para o Itaú Unibanco?

Bendine: Deve-se tomar cuidado com esse tipo de afirmação. O Votorantim ainda não foi incorporado nos nossos ativos, até porque depende da aprovação do BC. Nas incorporações de bancos, como as recentes operações envolvendo bancos privados, ocorre uma sinergia negativa de ativos. Há uma sinergia positiva nos resultados, tarifas, receitas de serviços, mas nos ativos a sinergia é negativa.

Valor: Como assim?

Bendine: Ela ocorre, por exemplo, na exposição de crédito que os dois bancos têm com uma mesma empresa. O banco A, que é o controlador, já tem esse nível de exposição com a empresa. E verifica-se que o banco B também tem sua própria exposição a essa empresa. Ao trazer essas duas exposições à analise de risco de uma única instituição, a tendência é diminuir o grau de exposição. Então você tem uma tendência de ter uma redução nos ativos.

Valor: Há algum horizonte para o BB retomar a liderança?

Bendine: São duas variáveis: o crescimento orgânico (ampliar as operações do próprio banco) e o inorgânico (fusões e aquisições). O concorrente pode, a qualquer tempo, adquirir uma empresa. Essa é uma variável não controlável. Considerando só o crescimento orgânico, até o próximo ano o BB retoma a liderança.

Valor: O sr. tem repetido que a área de seguridade pode contribuir mais para o resultado do banco. Esta definida a estratégia?

Bendine: Por uma questão de acordo de confidencialidade assinado com parceiros ou interessados, não posso me alongar nessa questão. O que eu posso adiantar é que temos um modelo estabelecido no segmento de seguridade bastante diferente da concorrência, até por algumas características de um banco de sociedade de economia mista. O banco vinha com esse modelo há 15 anos e algumas alterações ocorreram nesse mercado. Por exemplo, a gente trabalha segmentado aqui no banco o ramo de vida do ramo de previdência, coisa que o mercado há muito tempo mostrou ser mais eficiente trabalhar isso no mesmo “business”. O banco tinha “n”, empresas que não estavam debaixo de uma “holding”. Então não havia ganhos de sinergia, havia “n” plataformas em cada uma das empresas.

Valor: O BB vai seguir sozinho na seguridade ou vai continuar com parceiros privados?

Bendine: Não posso falar. Tenho um acordo de confidencialidade e posso ferir compromissos com os meus parceiros se fizer comentários sobre isso.

Valor: As negociações para aquisição do BRB foram suspensas?

Bendine: Não tenho nenhum comunicado formal do governo do Distrito Federal ou do próprio BRB de que as negociações foram interrompidas. Soube de algumas declarações (que indicam a desistência do negócio), mas não tive ainda a oportunidade de estar com o governador. A gente tem uma agenda próxima marcada. Dada a troca de comando no BB e outros fatores extraordinários, talvez tenha tido alguma interrupção no cronograma, mas eu estou confiante que o cronograma siga o ritmo normal.

Valor: E no caso do Banestes?

Bendine: Esta dentro do cronograma, na fase de avaliação pelos dois lados. Ainda não estão concluídas

Valor: No fim do ano passado, o índice de Basiléia do BB caiu bastante, em virtude das aquisições. Esse pode ser um limite para ampliar o volume de crédito?

Bendine: Claro que, dado essas aquisições recentes, que reduzem o índice de Basiléia, isso vem se apertando. Mas a gente tem ainda uma folga que nos permite uma grande alavancagem em 2009. Mas a gente vai ter sim a preocupação de começar uma discussão sobre o patrimônio, sobre a estrutura de capital do banco para que a gente não fique refém de uma impossibilidade de maior alavancagem no próximo ano.

Valor: Quais são as alternativas?

Bendine: Pode ser aumento de capital, retenção de dividendos, divida subordinada e outros instrumentos. No devido momento, a gente vai conversar com o Tesouro Nacional e com a Fazenda para ver a melhor alternativa.

Valor: O BB tinha, antes da crise, um programa de internacionalização, que incluía atuar no varejo nos Estados Unidos. Esse projeto está mantido?

Bendine: Não só está mantido, como estamos fazendo uma revisitação sobre novas oportunidades, dado esse cenário que a gente vivenciou a partir de setembro. Não nos esqueçamos que ele tem também um lado voltado para a presença do brasileiro lá fora. Ainda temos um número expressivo de brasileiros no mercado americano, por volta de 1,5 milhão de pessoas. Então alí tem um nicho importante de alavancagem de negócios.

Valor: E a Visanet?

Bendine: Fizemos um pedido de registro na CVM, e é o máximo que eu posso falar porque estamos em um processo de oferta.

Valor: Vai ter alguma troca na presidência da Nossa Caixa?

Bendine: Eu desconheço.

27/04/2009 - 10:16h Imóveis: Linhas para pessoas físicas crescem 40% em um ano, o dobro de outras modalidades

Crédito à habitação tem ritmo forte

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Fernando Travaglini, de São Paulo – VALOR

O crédito imobiliário é umas das linhas que mais crescem entre as pessoas físicas. Em termos anuais, a expansão é de 40,2%, quase o dobro dos 20,9% de avanço registrado nas modalidades para o consumo entre março deste ano e o mesmo mês do ano anterior, de acordo com dados do Banco Central.

Por outro lado, a redução no ritmo de novos lançamentos por parte das incorporadoras resultou em uma queda de quase 40% nas concessões mensais para essas companhias nos últimos meses do ano. Em janeiro e fevereiro, essa desaceleração da atividade das empresas de construção civil se acentuou e a demanda, que atingiu R$ 2,2 bilhões em agosto do ano passado, foi a pouco mais de R$ 700 milhões em fevereiro, recuo de 68%.

As características da construção civil explicam esse comportamento. A decisão de compra de um imóvel demora entre seis e oito meses. Mesmo a crise que se apresentava não fez com que a maior parte dos consumidores desistisse da compra já programada. “Estamos mantendo um volume bom no mercado de usados”, disse Luiz Antonio França, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Por conta disso, a demanda dos mutuários teve desempenho positivo mesmo no auge das turbulências, mas pode influenciar negativamente nos próximos meses. Entre novembro e dezembro, o volume de concessões mensais dentro do sistema financeiro da habitação se manteve acima de R$ 1,2 bilhão para aquisição de unidades novas e usadas, praticamente no mesmo patamar dos meses anteriores ao aperto de crédito.

O ritmo se manteve, mas boa parte dessa estabilidade se deve ao apetite da Caixa Econômica Federal. Segundo dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), a participação dos bancos privados, que chegou a oscilar entre 10% e 15% do total das vendas na capital paulista, caiu para 5% em janeiro e recuou para 2,8% em fevereiro. Enquanto isso, a Caixa continuou respondendo por quase 30% do mercado – as vendas à vista atingiram mais de 60%.

Apesar das incertezas do cenário econômico, os bancos mostram certo otimismo com o mercado. Antônio Barbosa, diretor do HSBC, espera um crescimento entre 25% e 30% da sua carteira de crédito imobiliário neste ano, pulando de R$ 450 milhões para R$ 600 milhões. Para o mercado com um todo, no entanto, por conta da menor demanda das incorporadoras, pode haver um volume menor. Em 2008, foram concedidos R$ 30 bilhões para quase 300 mil unidades.

Já José Roberto Machado Filho, diretor executivo do Grupo Santander Brasil, dos bancos Santander e Real, espera que a instituição repita neste ano o desempenho de 2008. “Se o mercado crescer, vamos crescer mais do que o mercado. Mas se repetirmos o volume de concessão já será um bom desempenho”, disse em recente entrevista. O Bradesco , outro grande do setor, espera fazer R$ 5 bilhões no ano, pouco abaixo dos R$ 6 bilhões do ano passado.

Parte do otimismo se deve ao volume de imóveis programados para ser entregue neste ano, além da venda de usados. O volume de financiamento para imóveis novos, que contam com o repasse das incorporadoras para os bancos para quitar o financiamento da obra, vem mantendo o ritmo na casa dos R$ 350 milhões por mês desde junho do ano passado e já representa quase um terço de todo o recurso liberado para as pessoas físicas.

Já no caso das incorporadoras, a crise acentuou as dificuldades que muitas empresas enfrentavam para dar conta das ousadas previsões de lançamento. Assim, a saída foi reduzir o ritmo e investir apenas em projetos com maior certeza de retorno, para os quais havia oferta de crédito. “Os bancos procuram bons projetos, que se paguem, ou seja, que tenham boa velocidade de venda no lançamento”.

Na visão dos bancos, esse ajuste veio em boa hora e já surgem sinais de aumento da oferta em determinados nichos. “Houve uma queda dos lançamentos, mas já começamos a ver uma reação interessante”, avalia França, que também é diretor do Itaú Unibanco.

Na cidade de São Paulo, um bom termômetro para o mercado, França cita que houve nove lançamentos em janeiro, com valor geral de vendas (faturamento total estimado do empreendimento) de R$ 229 milhões. Em fevereiro foram outros 31 em fevereiro, agora com valor de R$ 238 milhões. “Houve aumento de lançamentos, com um bom posicionamento em faixas de renda mais baixa”, completou.

Apesar de ter havido migração para faixas de renda mais baixa, os bancos ainda se mostram reticentes quanto ao financiamento de unidades dentro do pacote habitacional do governo. Boa parte da demanda deve vir das classes com renda entre um e três salários mínimos e, nesse nicho, a Caixa Econômica Federal deve ser o principal agente. Executivos de grandes bancos privados dizem que ainda não está claro como será feito o repasse dos subsídios e nem como serão administradas as garantias dadas para o crédito. “Se não tiver uma garantia confortável fica ainda mais difícil”, disse o diretor de um grande banco. “Mas se for bem feito e melhor discutido, temos interesse em participar”, completou.

26/04/2009 - 11:08h Ação estatal evitou pânico no Brasil

VINICIUS TORRES FREIRE – FOLHA SP

Subsídio ao consumo, crédito de bancos estatais, ajudas do BNDES e dinheiros vários do BC evitaram colapso recessivo

O BRASIL teria mergulhado em parafuso recessivo não fosse a parte mais certeira da intervenção estatal -sim, do governo Lula. Os bancos públicos sustentam 80% do aumento do crédito desde outubro. Sem subsídio ao consumo, por meio de corte de impostos, teria havido colapso maior no emprego industrial. O pânico que se alastrava em dezembro, com o colapso das vendas e do emprego nas montadoras, foi contido. Mesmo com o investimento público a passo de cágado.
Sem os dólares do Banco Central e garantias de empréstimos para bancos menores, haveria crise também na banca nacional (perigo que, “nas internas”, se admite agora, passado o susto). Teria sido maior a asfixia de empresas endividadas no exterior e das metidas em aventuras cambiais.
Mais controverso, via BNDES o governo socorreu alguns grandes grupos empresariais; via salário mínimo e INSS, transfere renda para pobres, mais propensos a consumir.
Mas a ação responsável da banca estatal tem limite; o gasto público está no limite da responsabilidade. Divertido: a crítica da banca à lassidão fiscal baixou bem de tom. Quando falta pão, o governo tem razão?
Dados de março indicaram despiora relativa. O crédito saiu do pântano em que viveu de novembro a fevereiro, mas cresce em ritmo bem inferior ao dos meses de 2008 anteriores à crise, mesmo descontada a parte insustentável dessa balada.
O emprego ainda cai em relação a 2008, mas em ritmo menor (dados do IBGE, vide gráfico). Mas o IBGE cobre apenas seis metrópoles. Não conta agruras do Centro-Oeste e do Sul dos frigoríficos, por exemplo; de Minas, Rio e Pará de minérios e siderurgia; do interior paulista exportador de aviões e da abalada indústria metal-mecânica, de calçados etc. No caso do trabalho formal, dados nacionais, março ficou num modesto azul; mas em março de 2008 foram criados 171 mil empregos a mais.
O desemprego industrial ainda vai contagiar serviços e comércio. O estímulo fiscal à indústria não deve ajudar tanto daqui por diante. Em março, a indústria deve ter crescido de 1,5% a 2% ante fevereiro, mas recuado 8,5% ante março de 2008. Nesse passo, no final de 2009 a indústria terá crescido nada sobre 2008. A queda do valor das exportações industriais está em 30% (até meados de abril; e em 18% para o total das exportações). O comércio mundial deve cair de 9% a 11%.
A primavera dos mercados desponta, alardeia a banca global. Mas o FMI previa em novembro crescimento de 1,7% para o mundo; em abril, vê queda de 1,3% (a “Economist Intelligence Unit”, EIU, prevê baixa de 3%). O crescimento do Brasil foi revisto para baixo: -1,5% (EIU) e -1,3% (FMI). Os brasileiros mais sensatos acreditam em PIB estagnado; no governo, alta de 1% a 2%. São divergências brutais. Mas não há dúvida sobre o seguinte: não é hora de reduzir o ritmo de queda de juros.

vinit@uol.com.br

24/04/2009 - 11:34h Viaje mais!

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Caixa faz convênio com agências para financiar viagens em 24 meses

Linha de crédito para o turismo popular, com limite de R$ 10 mil, será lançada na segunda-feira, em São Paulo

Isabel Sobral – O Estado SP

A Caixa Econômica Federal (CEF) vai levar a estratégia de ampliar o crédito por meio de parcerias com lojas de varejo para o setor de viagens. O ministro do Turismo, Luiz Barreto, e a diretoria da Caixa vão lançar, na segunda-feira, uma linha de financiamentos de pacotes de viagens nacionais.

Os empréstimos poderão ser feitos pelos clientes diretamente nos balcões das agências de viagens, com pouca burocracia, no momento do fechamento do pacote.

A cerimônia de assinatura do convênio está sendo preparada para ocorrer em São Paulo e devem ser convidados representantes do setor, como a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) e a Associação Brasileira de Operadoras de Turismo (Brastoa).

Essa será a segunda linha da Caixa diretamente para o varejo, já que, desde o fim de 2008, começou a financiar a compra de eletrodomésticos – como os produtos da chamada linha branca – estando presente dentro do ponto de venda por meio das parcerias com as lojas das redes de varejo.

Para aproveitar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos produtos da linha branca, que vai vigorar nos próximos três meses, a Caixa ampliou para 90 dias o prazo de pagamento da primeira parcela do financiamento, isto é, a carência.

Com a estratégia de ampliar presença nos pontos de venda dos produtos, o governo, por meio da Caixa, tenta estimular a concorrência bancária e a consequente redução de juros e spreads (diferença entre as taxas de juros da captação e as dos empréstimos finais).

Tanto para aquisição de eletrodomésticos quanto para a compra de pacotes de viagens, a Caixa limita em até R$ 10 mil o valor dos empréstimos. O prazo máximo de pagamento é de 24 meses e os juros variam de acordo com o perfil de renda de cada região do País. A quitação dos empréstimos pode ser feita por meio de boletos bancários ou débito em conta corrente.

No fim de março, o Banco do Brasil (BB) também anunciou a revitalização de uma linha semelhante, só que destinada a financiar a compra de materiais de construção, colaborando para as ações do governo federal de estímulo da construção civil. O BB ampliou de 60 para 180 dias o prazo de carência para o pagamento da primeira parcela de um crédito que deve ser tomado diretamente nas lojas varejistas que vendem os produtos.

No caso do BB, há a exigência de que os consumidores sejam também clientes do banco, pois o pagamento só é feito por meio de débito na conta corrente e, por isso, é considerado “um bom negócio” pela instituição, já que pode ajudar a ampliar a sua base de clientes.

11/04/2009 - 10:03h Enfrentando a crise: ordem é acelerar gastos nas estatais

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Lu Aiko Otta, BRASÍLIA – O Estado SP

Empenhado em evitar que o ano de 2009 termine com uma taxa negativa de variação do Produto Interno Bruto (PIB), o governo vem pressionando as empresas estatais a acelerar seus gastos. Nos primeiros dois meses deste ano, as estatais investiram R$ 8,8 bilhões, segundo balanço publicado pelo Ministério do Planejamento. É um aumento de 49% sobre os R$ 5,9 bilhões gastos em igual período de 2008.

“Isso reflete a pressão do governo em direção aos investimentos e também é decorrente do esforço das estatais”, disse ao Estado o diretor do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (Dest), Murilo Barella. Ele explicou que o governo vem cobrando sistematicamente das empresas estatais que realizem os projetos propostos. A aceleração dos investimentos, explicou, vem ocorrendo desde meados do ano passado.

“As estatais estão capitalizadas, o que abre espaço para investimentos”, disse Barella. Ele acrescentou que, dessa forma, as empresas têm contribuído para evitar a queda da atividade econômica. “O papel anticíclico das empresas estatais está mundialmente reforçado”, disse.

Ele observou que, em reunião recente, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) debateu a participação dos governos no sistema financeiro. O que para alguns países é uma novidade é algo que já ocorre no País. “O Estado mostra seu momento de eficiência no Brasil.” Na sua avaliação, a atuação anticíclica das estatais ajuda também a valorizar as outras empresas brasileiras.

O empenho com que o governo vem utilizando as estatais para executar suas diretrizes políticas, porém, tem gerado controvérsia. As ações do Banco do Brasil caíram por dois dias seguidos depois que o governo anunciou a troca de comando da instituição, levantando suspeitas de uso político.

No relatório do Ministério do Planejamento, a Petrobrás é destacada como a mais veloz. No primeiro bimestre, ela já investiu 51,2% do previsto nos projetos para ampliar a oferta de petróleo e gás natural, 16% do dinheiro reservado para projetos em refino e 7,4% do orçamento para o projeto chamado “Brasil com Todo Gás”.

No outro extremo, as companhias de docas da Bahia, do Ceará, do Pará, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte tiveram parte de seu orçamento cancelado. Os recursos foram transferidos para a Secretaria Especial de Portos, que ficou encarregado de tocar as obras, a maior parte de dragagem.

Para ganhar mais fôlego financeiro, o governo aproveitou recursos não gastos dos orçamentos de investimentos das estatais de anos anteriores e concentrou-os em 2009. Nessa manobra, o montante disponível para este ano foi reforçado em R$ 73,4 milhões. No total, as 68 estatais federais podem investir este ano R$ 79,3 bilhões. Desse montante, 78,2% são recursos gerados pelas próprias empresas.

10/04/2009 - 13:52h “Minha Casa, Minha Vida” é também para a classe média

Desconto na casa da classe média é ampliado

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Juliana Colombo do Agora

casa_propria3.jpgO governo ampliou o desconto no financiamento da casa própria feito com a grana do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) –a linha de crédito FGTS–, aumentou a faixa de renda de quem tem esse direito e reduziu os juros cobrados pelo crédito.

As medidas já foram publicadas no “Diário Oficial” da União e deverão começar a valer na segunda-feira.

Hoje, só pode ter acesso ao subsídio quem ganha de três a cinco salários mínimos (R$ 1.395 a R$ 2.325). A partir de segunda, o desconto irá para quem ganha de três a seis mínimos (R$ 2.790). O desconto, que hoje é de até R$ 14 mil, irá mudar para até R$ 23 mil.

Os juros de quem ganha de três a cinco mínimos, por sua, vez, irão diminuir de 7,16% ao ano, mais TR (Taxa Referencial), para 5%, mais TR. Já quem ganha de cinco a seis mínimos será de 6%, mais TR.

Quem tem conta no fundo há mais de três anos ainda terá desconto de 0,5 ponto percentual nos juros–ou seja, a taxa pode chegar a 4,5%.

Pacotão

Na prática, isso significa que houve extensão de alguns pontos do programa “Minha casa, minha vida” para todos os bancos que oferecem linhas de crédito com grana do FGTS. As medidas deveriam começar a valer na segunda-feira, data em que começará o programa do governo. No entanto, apenas a Caixa Econômica Federal poderá iniciar, nessa data, as novas linhas, porque os outros bancos terão de adaptar seus sistemas.

Além da Caixa, Real, Santander, Nossa Caixa e Itaú têm autorização para oferecer essa linha de financiamento.

Esses bancos têm ajuda do governo para liberar o crédito para casas nas regiões metropolitanas e para imóveis usados em cidades de 50 a 100 mil habitantes. A ampliação, no caso de algumas regiões metropolitanas, chega a até R$ 23 mil –mesmo valor de desconto dado pelo “Minha casa, minha vida”.

“A diferença é que valerá para imóveis fora do programa, ou seja, também para imóveis usados, beneficiando a classe média”, diz Celso Petrucci, do Conselho Curador do FGTS, que decide como os recursos do fundo são aplicados.

De acordo com Petrucci, os descontos funcionarão assim: quanto maior for a cidade, maior será o bônus. O tipo de imóvel também vai entrar na conta. Por exemplo, as famílias que ganham seis salários mínimos, e moram em regiões metropolitanas como São Paulo, só poderão financiar imóveis novos, com subsídio máximo de R$ 23 mil. Assim, uma casa de R$ 130 mil em São Paulo poderá custar, na prática, R$ 107 mil.

Já as famílias que ganham em torno de cinco salários mínimos, na mesma região, só poderão financiar imóveis usados, com desconto máximo de R$ 6.000.

10/04/2009 - 10:05h CVM sobre o BB: ”Ainda não há o que analisar”

Adriana Chiarini – O Estado SP

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não vai analisar, por enquanto se há ingerência indevida do governo no BB. Por e-mail, a autarquia informou que só poderá avaliar o caso “quando formalmente adotado” o contrato de gestão entre o governo e a companhia.

A CVM observou ainda que a Lei 6.404, de 1976, diz em seu artigo 238 que em companhias de economia mista, ou seja, com participação estatal, como é o BB, o acionista controlador, que é o governo, ”poderá orientar as atividades da companhia de modo a atender ao interesse público que justificou sua criação”.

Sobre o fato de um jornal ter sido informado e noticiado sobre a mudança de presidente da instituição financeira antes da informação oficial da troca, a Comissão escreveu que “continuará analisando”.

“A CVM sempre acompanha e analisa as informações e notícias relativas às companhias abertas e adota as medidas devidas quando necessário. No caso específico, a companhia divulgou comunicado ao mercado sobre o assunto. Não obstante esse fato, a CVM continuará analisando o caso para verificar se todas as condutas exigidas na legislação foram cumpridas”, diz o texto. O comunicado a mercado mencionado foi divulgado pelo Banco do Brasil na quarta-feira, após a publicação da informação em ‘O Globo’.

10/04/2009 - 09:45h A política e o Banco do Brasil

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Celso Ming, O Estado SP

celso.ming@grupoestado.com.br

A demissão do presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto, apenas por ele não ter cumprido a contento a determinação do acionista majoritário (o Tesouro Nacional) de derrubar os juros e o spread, encerra um punhado de equívocos. (Spread é a diferença entre o que o banco paga e o que cobra pelos recursos com que trabalha.)

O primeiro desses equívocos está em imaginar que, se o Banco do Brasil passar a praticar juros e spread substancialmente mais baixos, levará o mercado automaticamente a operar também a juros e spreads mais baixos. O Banco do Brasil não tem toda essa força. É, de fato, um bancão com boa densidade financeira, mas não detém mais do que 17,1% do mercado interno de crédito.

O segundo equívoco é o de imaginar que basta querer para poder. Juros e spreads altos são velhos de guerra no Brasil. Estão lá em cima por muitas razões bem conhecidas e outras menos conhecidas. Não vai ser apenas um ato de vontade política que será capaz de endireitar um pepino torto de nascença.

A derrubada do spread implica outras providências: queda do empréstimo compulsório a que estão submetidos os bancos, redução de impostos e taxas, compressão dos custos operacionais das instituições financeiras e baixa da inadimplência. (Veja no gráfico a composição do spread.) Ainda que a nova direção determine uma redução artificial dos juros e do spread, dia virá em que o Banco do Brasil não conseguirá mais enfrentar a parada sozinho.

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Um grande número de observadores argumentou que, por ser sociedade de economia mista, o Banco do Brasil teria de se ater ferreamente a uma administração técnica e que seus critérios de governança não poderiam estar submetidos a uma política de governo.

Mas um banco oficial tem, sim, certas funções políticas. Uma delas é mesmo a de ajudar o governo na quebra do oligopólio bancário existente no Brasil. É mais ou menos a função de uma empresa estatal de transporte público (caso da antiga CMTC em São Paulo), que tem por obrigação atuar de forma a facilitar o bom funcionamento das concessionárias privadas.

O erro aí não está em impedir que um banco público tenha uma governança racional. Está em deixar que seus resultados e seu balanço patrimonial se deteriorem por estar executando uma política que, em princípio, provoca prejuízos à instituição. As autoridades podem entender que o Banco do Brasil deva distribuir créditos subsidiados ou a juros favorecidos porque essa prática pode ser essencial para o cumprimento de determinado objetivo de governo. Mas, nesse caso, não podem deixar que a hemorragia leve o banco ao colapso; têm de prover a instituição com os recursos públicos previstos em orçamento em volume tal que “indenizem” o banco pelos custos ou pela perda de rentabilidade que decorram dessa política.

Falta examinar a reação da oposição à determinação do governo de substituir o presidente do Banco do Brasil. Foi um vexame atroz. Tão logo se espalhou a informação, saiu a atacar o governo por indícios de corrupção e desvios de recursos sem que, em nenhum momento, isso tenha sido a razão principal, ou mesmo algo significativo no episódio. Enfim, essa é a qualidade da oposição que temos por aqui.

Leia a integra da coluna de Celso Ming no jornal O Estado SP

09/04/2009 - 10:43h “Spread” bancários: transparência é um clamor nacional

Clique no artigo do jornal O Globo para ampliar

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09/04/2009 - 10:25h A mudança na presidência do BB não impacta a classificação de risco de crédito da instituição financeira, no entender das três principais agências de rating: a Standard & Poor’s, a Fitch Ratings e a Moody’s Investors Services.

Gustavo Lourenção / Valor

Milena Zaniboni, analista da Standard & Poor’s: De acordo com a analista, o banco vem mantendo as melhores práticas de governança corporativa, é transparente e participa do Novo Mercado, “de forma a preservar o valor aos acionistas”

 

Ratings são mantidos apesar da mudança no BB

Cristiane Perini Lucchesi e Altamiro Silva Júnior, de São Paulo – VALOR

A mudança na presidência do Banco do Brasil não impacta a classificação de risco de crédito da instituição financeira, no entender dos analistas das três principais agências de rating: a Standard & Poor’s, a Fitch Ratings e a Moody’s Investors Services.

“Uma coisa é o discurso do governo e outra coisa é a prática”, afirma Milena Zaniboni, analista da Standard & Poor’s. Segundo ela, mesmo em meio à crise atual, o BB vem adotando posturas semelhantes aos demais bancos comerciais privados. Ela não vê razão para isso mudar agora. De acordo com a analista, o banco vem mantendo as melhores práticas de governança corporativa, é transparente e participa do Novo Mercado, “de forma a preservar o valor aos acionistas”.

Segundo Milena, “o BB é estratégico para o governo e ele socorreria o banco caso fosse necessário, embora eu não acredito que esse venha a ser o caso”. Ela prefere “esperar para ver” os números do banco antes de realizar qualquer tipo de mudança. O rating do BB pela Standard & Poor’s é “BBB-”, a primeira nota do grau de investimento e o mesmo do que o do governo federal.

“O Tesouro não vai querer estragar seu pote de ouro”, concorda Ceres Lisboa, analista da Moody’s Investors Services. Ela lembra que o BB tem contribuído de forma determinante a encher o cofre do Tesouro Nacional, seu principal acionista. No último trimestre do ano passado, por exemplo, a remuneração total do BB aos acionistas, considerando-se os juros sobre capital próprio e dividendos, foi de R$ 1,178 bilhão, equivalente a 40% do lucro.

“O risco de uma ingerência política que desalinhasse o BB seria grande demais para o Tesouro, ainda mais em um momento como o atual”, acredita. Ela vê, no entanto, o risco de maior pressão do governo sobre a direção do banco e de deterioração na sua qualidade de gestão. “O desafio para o governo é como usar as instituições financeiras federais para melhorar a distribuição e o preço do crédito sem no entanto piorar a qualidade dos seus ativos”, afirma. Pela Moody’s, o BB tem nota “A1″ em moeda local, a melhor possível, e “Baa3″ em moeda estrangeira, a primeiro do grau de investimento. O Tesouro Nacional tem notas mais baixas: “Ba1″ em moeda local e estrangeira, o último degrau do investimento especulativo.

Também a Fitch Ratings “vai monitorar de perto os próximos passos do banco, principalmente a concessão de novos empréstimos”, nas palavras de seu diretor-executivo no Brasil, Rafael Guedes. Segundo ele, mais do que olhar o comportamento da carteira total, será a nova safra de crédito que pode indicar mudanças na atuação do banco. “Qualquer mudança que não tenha orientação comercial não será bem-vista”, afirma.

O cenário atual, no qual a qualidade dos ativos dos bancos vem piorando, não é dos mais propícios para interferências que possam comprometer os resultados, acredita ele. “Lucro é absolutamente importante neste momento, dá robustez para enfrentar momentos de maior risco.”

É importante também comparar as práticas do BB com a de seus seus competidores, como Bradesco e Itaú, diz Guedes. Essa análise pode mostrar se o banco público vem praticando juros muito mais baixos ou emprestando volumes muito maiores, fatores que podem indicar interferência na gestão. “Mais do que tudo, o que vai contar são os números.” Por conta de um histórico melhor de resultados que o BB, que começou a melhorar seus números a partir de 2000, Itaú e Bradesco têm, pela Fitch, nota um nível acima da do BB, tanto em moeda externa como local.

Walter Machado de Barros, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP), avalia que a intenção do governo é usar o BB para fazer política monetária, baixando juros e expandindo o crédito. “Isso é função do Banco Central”. Para Barros, para forçar uma redução do spread, o governo deveria fazer outras ações, como reduzir impostos cobrados dos bancos.

09/04/2009 - 09:56h Sob nova direção, BB continua a prática de boa governança e de profissionalismo

A maneira em que a substituição do presidente do Banco do Brasil tornou-se pública provavelmente explique a queda no preço das ações do banco, mas rapidamente elas voltarão a uma situação normal. É ao menos o que explica o relatório elaborado pelo Bank of America Merill Lynch e penso que esteja certo.

Os jornais repercutiram temores de “ingerência política” no banco. Estes “temores” não se manifestaram, porém, quando o governador José Serra pediu para o Banco do Brasil comprar Nossa Caixa e ele poder ganhar recursos para melhor alavancar sua ambição presidencial. É quase cômico ver agora a oposição proclamar: “não é bom para o país que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, os dois principais bancos públicos brasileiros, realizem negócios sem licitação com instituições financeiras, empresas do ramo de seguro, previdência e capitalização, como vem acontecendo” (Nota do PSDB, DEM, PPS sobre a troca no BB). Porque não cobraram “licitação” para a venda da Nossa Caixa pelo governador Serra?

Uma parte dos que expressam esses “temores” está entre os que regularmente exigem a ingerência política do presidente Lula para obrigar o Banco Central a abaixar a taxa Selic a um ritmo mais brusco. Recentemente o presidente do PSDB, Sérgio Guerra e o próprio aspirante ao planalto, José Serra, questionaram a própria autonomia operacional do Banco Central. Outros pediram a demissão sumária de Henrique Meirelles. Ninguém falou em ingerência política.

Em fim, quando as autoridades americanas dizem que não hesitarão a intervir e até estatizar os próprios bancos privados, para assegurar o saneamento do setor e evitar uma recessão ainda maior, ninguém viu nada de mais visto os problemas a resolver por lá.

Outro aspecto da troca de comando no BB parece concernir o “spread” praticados pelos bancos, objeto de debate nacional, pois a medida em que a queda da taxa de juros se acelera é o peso desse “spread” que contribui a secar o crédito e a diminuir a liquidez para as empresas. A gritaria -amplamente justificada- contra tamanhas taxas, parecia generalizada. Bastou a mídia apurar que o descontentamento também atingia os bancos públicos e que o governo federal não ficaria passivo perante esta exigência razoável, para os que mais vociferavam falem agora em “ingerência política”.

O Banco do Brasil teve em 2008 um dos maiores lucros do setor bancário (R$8,8 bilhões). Em dezembro, dois meses após a crise internacional bater com força no Brasil, o BB aumentou seus juros enquanto o BC abaixava os seus. Precisamente quando a gritaria contra o BC e os bancos era ensurdecedora e a necessidade de liquidez das empresas era angustiante.

Na capa do jornal VALOR está afirmado: “Na origem da substituição de Antônio Francisco Lima Neto por Aldemir Bendine, até então vic-presidente de Novos Negócios do BB, esteve a resistência do ex-presidente em reduzir os juros nos empréstimos do banco para não comprometer os resultados da instituição.”

Sejamos lógicos, se reduzir o “spread” que os bancos cobram nos empréstimos fosse comprometer seus resultados, então esses “spread” não são escorchantes ou abusivos. Eles estariam na taxa normal, para evitar comprometer os resultados dessas instituições. A FEBRABAN ficará feliz de contar com o apoio entusiasta dos que até pouco diziam ser uma verdadeira pratica de usura as taxas praticadas pelos bancos.

Se ao contrário, a resistência dos bancos em abaixar suas taxas para preservar seus lucros cada vez maiores graças a pouca concorrência no setor e aos juros praticados, deve ser refreada; abaixar os juros dos bancos públicos constitui uma alavanca essencial para introduzir a libre concorrência e o libre mercado no sistema bancário brasileiro.

Mas o Banco do Brasil converteu-se quase no principal álibi dos bancos privados, que alegavam com razão que se o próprio banco administrado pelo governo federal aumenta seu “spread” é porque qualquer redução seria contrária a realidade do mercado. Com a queda da taxa Selic, hoje com o menor juro real dos últimos 20 anos, o álibi dos banqueiros dificilmente se sustenta.

O presidente Lula deu provas sobradas de seu pouco apego a práticas dirigistas e intervencionistas. Seu compromisso com o povo brasileiro é garantia do respeito aos contratos, a boa governança das instituições para-públicas e da autonomia operacional do Banco Central, chave da estabilidade do sistema financeiro brasileiro.

A troca de comando no BB não muda absolutamente nada a estes compromissos fundamentais e permitirá seguramente que o país continue enfrentando os efeitos da crise externa com a força que o mundo inteiro reconhece. Um Brasil no rumo certo.

Luis Favre

05/03/2009 - 10:02h Imóvel para baixa renda terá prestações de R$ 15 a R$ 20 Espécie de “Bolsa-Habitação”, programa dará subsídio para mutuários pobres

Compra de imóvel será subsidiada

Pacote do governo prevê prestações mensais de R$ 15 a R$ 20 para famílias que ganham até 3 salários mínimos

Vera Rosa – O Estado SP

moradia.jpgO governo vai subsidiar quase integralmente a compra da casa própria para mutuários de baixa renda. O programa habitacional que será lançado neste mês pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê prestações mensais simbólicas, de R$ 15 a R$ 20, para famílias que ganham até três mínimos (R$ 1.395) por mês. Não é só: para facilitar a vida dos mais pobres e evitar o acúmulo do aluguel com as prestações, o comprador só começará a pagar quando estiver morando no imóvel.

Direcionado aos menos favorecidos, o plano tem perfil de “Bolsa-Habitação”: a ideia do governo Lula é baratear a construção e estimular a compra da casa própria. Embora o programa seja destinado a famílias que recebem até dez mínimos (R$ 4.650), os subsídios de quase 100% atingirão apenas os mais carentes, que ganham até R$ 1.395 por mês. Cálculos da equipe econômica indicam que 85% do déficit habitacional, de 7 milhões de moradias, está concentrado nessa faixa, a maioria em grandes cidades.

Governadores que conversaram com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disseram ao Estado que os subsídios para o pacote serão tão volumosos quanto os recursos do governo no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O plano também permite ao mutuário comprar o imóvel sem desembolsar um tostão de entrada. Além disso, ele poderá escolher entre duas alternativas: a Tabela Price, com prestações fixas, e o Sistema de Amortização Constante (SAC), com parcelas decrescentes.

O esforço do Planalto, agora, é para que governadores e prefeitos participem do programa, abrindo mão de receitas como Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O pacote usará cadastros de Estados e municípios e o crédito será concedido pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. O governo espera que bancos privados também concedam o empréstimo.

Foi Lula quem exigiu uma prestação simbólica para a camada mais carente da população. Em conversas reservadas, ele disse que não se trata de distribuir moradias de graça, mas, sim, financiar o desenvolvimento. Motivo: Lula acredita que o investimento no setor habitacional ajuda a combater os efeitos perversos da crise, tem impacto no emprego, aquece o mercado e faz a economia girar.

TRANSFERÊNCIA

A meta do Planalto é construir 1 milhão de casas populares, 500 mil neste ano e outros 500 mil em 2010. Lula, porém, foi aconselhado a não assumir o número, já que, embora o dinheiro seja do Orçamento da União, o programa será tocado nos Estados e municípios . Mesmo assim, a equipe econômica não vai transferir recursos para companhias de habitação estaduais, como reivindicaram alguns governadores. Detalhe: hoje, as empresas constroem cerca de 50 mil casas por ano.

Ao se reunir na terça-feira com os governadores José Serra (São Paulo), Aécio Neves (Minas), Sérgio Cabral (Rio) e Roberto Requião (Paraná), Dilma afirmou que o programa será sustentado pelo tripé “subsídio, Fundo Garantidor e seguro de vida”. Simulações indicam que mutuários que ganham até R$ 1.395 poderão ficar até três anos pagando apenas a fração mínima das prestações – cerca de 5% -, desde que comprovem falta de condições. O valor integral das prestações suspensas irá para o fim do contrato. Durante o período de suspensão, as prestações serão cobertas pelo Fundo Garantidor.

O desemprego é um dos motivos que podem ser alegados para suspender o pagamento das prestações. Caixa e BB vão permitir que, de seis em seis meses, o mutuário faça uma declaração justificando a impossibilidade de quitar o débito no período.

Alvo de inúmeras críticas por causa do alto custo, o seguro do financiamento – que cobre morte ou invalidez de quem toma o empréstimo, além de danos ao imóvel – também ficará mais barato ou será abolido, dependendo do salário do trabalhador. Atualmente, varia conforme a idade e chega a representar até 40% da prestação.

17/12/2008 - 11:21h Petistas obstruem venda da Nossa Caixa

César Felício, de São Paulo – VALOR

A Assembléia Legislativa deverá votar hoje o projeto de lei que permite a absorção da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. A base de sustentação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), foi surpreendida pela disposição do PT de criar obstáculos para a aprovação da proposta, já que contava que o partido não iria se opor a um projeto do interesse de uma instituição financeira federal.

Coordenador da ação do partido contra o projeto, o deputado estadual Rui Falcão (PT) impediu a votação em plenário ainda ontem ao apresentar uma emenda convocando um referendo popular para tornar definitiva a incorporação do banco popular paulista. A votação foi transferida para hoje, já que o regimento interno obriga a publicação no Diário Oficial de todas as emendas.

Foi uma forma de ganhar tempo para que o Tribunal de Justiça examine um mandado de seguro com pedido liminar para que a tramitação do projeto seja interrompida. Ao impetrar o mandado ontem, Falcão alegou que a incorporação teria que ser feita por emenda constitucional, já que a Constituição do Estado cita nominalmente o banco como agente financeiro do tesouro estadual.

“O PT havia decidido não obstruir. Parece que mudou de idéia. Vou propor que as reuniões do colégio de líderes comecem a ser gravadas e registradas em atas”, ironizou o líder governista na Casa, deputado Barros Munhoz (PSDB). “Nunca existiu acordo”, rebateu Falcão.

O deputado petista levantou razões políticas para o partido se opor ao projeto. “O governador se desfaz do banco, engorda seu caixa de campanha e transfere todo o desgaste possível do fechamento de agências para o Banco do Brasil e para o governo federal. Meu dever é lutar até as últimas consequências para que este crime não se consuma”, afirmou, ao expor sua posição para deputados em reunião conjunta das comissões. Segundo Falcão, o Banco do Brasil não é um braço do governo federal, mas “uma sociedade anônima de direito privado”.

Apesar da resistência petista, somente a ação judicial poderá impedir a aprovação da proposta do governo Serra, que conta com o apoio de 71 dos 94 deputados estaduais. A aprovação na Assembléia Legislativa é o último passo legal para que o banco estadual seja absorvido pelo Banco do Brasil, em uma transação que proporcionará R$ 5,3 bilhões para que Serra possa tentar cumprir sua meta estadual de investimentos.

14/12/2008 - 09:15h O fator político do crédito

Celso Ming – O Estado SP

celso_ming.jpgO presidente Lula descobriu o crédito como instrumento de ação política.

E entendeu também o contrário disso. Entendeu que o estancamento e o aumento de custo do crédito podem sabotar politicamente um governo.

Financiamento farto e barato aumenta o consumo, num momento em que as classes médias crescem no País. Isso é bom para todos: para o trabalhador, que melhora seu padrão de vida; para as empresas, que aumentam seu faturamento; e para o mercado de trabalho, que garante mais emprego.

Quanto mais farto e barato o crédito, mais fácil fica garantir apoio político. O trabalhador que troca de TV e paga suas prestações sente que melhorou de vida e, assim, fica mais disposto a apoiar o Lula-lá. Quando o crédito emperra, a vida fica mais difícil e o principal candidato a culpado é o governo. “Todas as medidas que acabamos de tomar são para facilitar o crédito”, avisou o presidente.

O governo entendeu que não há apenas a crise. A atuação dos bancos está sabotando o crédito enquanto funciona como correia de transmissão de apoio político. Em algumas semanas, sem que os juros básicos e o custo de captação tivessem aumentado, graças ao regime de oligopólio de que desfrutam, os bancos aumentaram seu rendimento nas operações de crédito. (O Confira mostra o que já vinha acontecendo.)

Mais do que isso, Lula percebeu que os dois maiores bancos de varejo diretamente sob controle do governo federal, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, fazem seu jogo sem olhar para o que pede o governo. Em vez de acionarem sua capacidade de manobra (cobrem 40% do crédito no País) para baixar o custo dos tomadores de crédito, trabalham em direção oposta. Estão entre os que mais cobram pelas tarifas e pelo crédito.

O mercado de crédito ainda é nanico no Brasil. Equivale a apenas 40% do PIB, quase uma insignificância diante da proporção atingida em outros países. Nos Estados Unidos, é de 284%; na Coréia do Sul, 98%; e no Chile, 67%.

Esse segmento atrofiou aqui nos anos 80, quando o rombo do governo passou a ser coberto não mais com emissão de moeda, mas com aumento da dívida pública. Foi quando o Tesouro avançou sobre o crédito e não deixou quase nada para o setor privado.

A partir de 2003, a dívida pública foi controlada e agora está abaixo de 40% do PIB. Foi o que abriu espaço para a ampliação do crédito ao setor privado. Lula teve o mérito de estimular o crédito consignado (cujos encargos são pagos diretamente do salário e da aposentadoria) e de empurrar o financiamento habitacional.

Mas talvez não tenha percebido que essa expansão não pode ser aproveitada plenamente como vantagem política se antes não for atacada a questão de fundo, que é a encrenca fiscal. Como ficou dito, só a partir do momento em que a dívida pública foi enquadrada é que se abriu espaço para o crescimento do crédito.

Não foi apenas o crédito interno que cresceu. O fortalecimento dos fundamentos da economia melhorou, também, o externo. E foi esse segmento que, nas últimas semanas, foi travado pela crise, o que fez grandes empresas recorrerem ao crédito interno. A partir daí, os bancos se sentiram à vontade para cobrar da arraia miúda o quanto queriam. E o jogo ficou politicamente inaceitável.