08/11/2009 - 12:23h Brasil se antecipa e desfaz política anticíclica

Alberto Tamer* – O Estado SP

Afinal, retira-se ou não a política de incentivos à economia para sair da recessão? Esse é um dilema dos países ricos. Do Brasil, não. Nós já estamos desfazendo as medidas anticíclicas em ordem, com redução de juros e impostos. Eles voltam aos poucos, de forma gradual e seletiva, sem afetar a demanda e aumentando a arrecadação. Mas a pergunta, quase acadêmica, voltou no cenário mundial, este fim de semana, com a reunião dos ministros das Finanças do G-20, na Escócia.

Barack Obama e Ben Bernanke dizem que não. O Banco Central Europeu diz que sim. Chega de ajuda ao sistema financeiro a partir do próximo ano, afirmou o seu presidente Jean-Claude Trichet, na quinta-feira. E só não aumentou os juros por pressão dos governos, principalmente da França. O juro permanece em 1%, com sinais de alta. O BCE tem medo da inflação que não é inflação, mas deflação. Menos 0,3% em setembro.

Nos EUA, o desemprego de 10,2% se antecipa às previsões. Não era para acontecer agora, mas no início do ano. Janeiro ou fevereiro. Preocupa, mas era esperado, pois a economia, que havia dado um salto no último trimestre, continua frágil. Ainda não se sustenta.

O governo estava preparado. No mesmo dia em que se anunciou esse índice, Obama estendeu os benefícios federais aos desempregados, que se acumulam aos estaduais, e prorrogou medidas de estímulo ao setor imobiliário. A Casa Branca informou também que novas medidas anticíclicas estão sendo estudadas e poderão ser anunciadas em breve.

Um dia antes, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), também veio a público para informar que não muda a política monetária, vai manter ainda por algum tempo o juro básico em torno de 0,25%, praticamente negativo em termos reais. Vai continuar ativo na compra de títulos do Tesouro e imobiliários. Ou seja, mais dólares vão entrar no mercado.

Para Obama e Bernanke, a economia só reage com mais estímulos. Tudo o mais, déficit, dívida, fica para depois

Na Europa, nada muda, apesar de o desemprego já estar em 9,7%, e a inflação crescendo. Não seria grave se ela não tivesse o mesmo que os EUA no Produto Interno Bruto (PIB) mundial. US$ 14 trilhões.

Quem está certo, os americanos ou os europeus? Trichet ou Bernanke?

É isso que estava na pauta da reunião dos ministros do G-20, encerrada ontem. Foi a terceira do ano ? um balanço com resultados previsíveis. A conclusão é que vão continuar estimulando a economia, mas cada um do seu modo. Só que isso não funciona porque alguns querem agir mais, outros menos. E a economia mundial vai continuar se arrastando ainda por muitos e muitos meses.

RETOMADA NÃO CONVENCE

Eles deveriam ouvir quem não foi ouvido no passado, e acertou ao prever a recessão: Nouriel Roubini, da Universidade de Nova York. Para ele, a retomada é ainda incerta e não se mantém porque está sendo sustentada pelos estímulos fiscais e monetários, gastos dos governos e pela política de juros baixos. Quanto dura? Roubini arrisca. Quando muito, não mais de seis meses. É mais ou menos o prazo para que os estímulos do governo não se transformem em déficits insuportáveis. Em determinado momento, o setor privado, as empresas, terão de substituir o governo. Há ainda muitos desequilíbrios. O mercado financeiro está se recuperando mais rapidamente que a atividade econômica. Sinal, o desemprego continua aumentando. E permanece a pergunta. Quando o governo deve começar a sair? Roubini não responde, mas insinua que o setor privado ainda não está preparado. E cabe aos governos dos países desenvolvidos continuar a tarefa de prepará-los. Só devem tentar administrar melhor seus déficits. E antecipar-se a bolhas previsíveis.

QUEM ESTÁ CERTO?

Acho que nós. Estamos indo devagarzinho nas duas frentes, fiscal e monetária. Sem a ousadia dos dias que antecederam a crise e se enfrentou, com êxito, a recessão. Agora, não há pressa. O governo está começando a remover as medidas anticíclicas de forma gradual. Na área tributária, com o restabelecimento do IPI no setor automobilístico, o mais afetado pela crise. Nessa área, grande empregadora de mão de obra, evitou-se o pior. Mas esse imposto está sendo restabelecido gradualmente para que empresas e compradores se adaptem à nova realidade. E a realidade é uma economia na qual o crédito volta, o desemprego recua e o rendimento das famílias aumenta. No final da linha, isso vai representar maior arrecadação.

O mesmo está sendo feito ainda com mais cuidado na linha branca por causa do seu componente social.

Na área monetária, lembra Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o Banco Central mantém sua posição, também com medidas graduais, sem precipitações. Reduziu o juro básico para 8,75% e o mantém nesse nível.

Não temos pressa porque nos apressamos antes, aproveitando um terreno já preparado no governo anterior e neste. A inflação caiu de 12,5% em 2002 para 4,3% neste ano.

O juro nominal em 2002 era de 19,1%, teve de ser aumentado para 23,3% no ano seguinte para conter a inflação e agora está em 8,7%.

Sabedoria? Não. Apenas soubemos aproveitar esse cenário, que nós mesmos preparamos, para nos sobrepormos aos outros, que afundaram na recessão.

*Email: at@attglobal.net

20/10/2009 - 09:58h Dívida de países ricos infla com a crise

Dívida pública média dos países da OCDE vai atingir 100% do PIB

(A relação Dívida/PIB é aproximadamente de 40% no Brasil. LF)


Andrei Netto, CORRESPONDENTE, PARIS – O Estado SP


A explosão do déficit fiscal dos 30 países mais industrializados, membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), vai impulsionar a dívida pública média a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. O cálculo atualizado foi feito a pedido do Estado e confirma previsões negativas sobre o estado das finanças públicas das nações desenvolvidas. Segundo a revista The Economist, só nos sete países mais ricos, o G-7, a conta já supera os US$ 35 trilhões.

O desequilíbrio orçamentário é o efeito mais retardado da crise, e ameaça a estabilidade de todas as grandes potências: Estados Unidos, França, Reino Unido, Itália, Japão e, em menor escala, Canadá. O hiperendividamento – um problema que o Brasil conheceu de perto nos anos 70, 80 e 90 – é consequência direta do aumento brutal do déficit público médio nos últimos dois anos. Em 2007, a cifra atingia 1,5% do PIB dos 30 países; em 2009, chega a 8%. “O déficit explodiu no mundo com a crise, que reduziu a arrecadação e exigiu mais gastos públicos, em especial pela adoção dos pacotes de estímulo à economia”, disse Jean-Luc Schneider, diretor adjunto do Departamento de Economia da OCDE.

A relação média entre a dívida pública e o PIB é mais grave no Japão, onde estaria na casa dos 200%, nos Estados Unidos, em cerca de 100%, e na União Europeia, próximo a 90%. E a perspectiva não é de redução, mas de crescimento de 30% entre 2007 e 2017. Nesses dez anos, a dívida crescerá de 63% para 103% nos EUA, passará de 47% a 125% no Reino Unido e de 70% a 99% na França. Levantamento do banco Barclays Capital nas contas públicas da zona do euro indica situação de calamidade em países como a Grécia – onde a dívida irá de 95% em 2007 para 149% em 2015. Na Irlanda, saltará de 25% a 144%.

Apesar dos números, a preocupação de organismos como a OCDE é reforçar a confiança na capacidade de pagamento de cada país. “É preciso ressaltar que ninguém ainda está à beira da crise de confiança”, diz Schneider, citando a credibilidade do Japão, mesmo com o buraco em suas contas. “Enquanto o mercado acreditar que estes governos são capazes de cortar seus déficits, eles estarão solventes.”

O mais grave, porém, não é a conjuntura econômica adversa que impulsionou o déficit e a relação dívida/PIB, mas a trajetória do endividamento nesses mesmos países, que já aumentava antes da crise financeira e dos planos de relançamento.

Nos últimos 20 anos, houve aumento constante da dívida pública, pela falta de rigor nas políticas orçamentárias e a importância dada ao crédito para fomentar o crescimento de economias como a americana. Em 1987, a dívida pública média na zona da OCDE era de 59%, e chegava a 75% em 2007.

Esse panorama fez o diretor do Departamento de Assuntos Orçamentários do Fundo Monetário Internacional (FMI), Carlo Cottarelli, definir a situação como “sem precedentes em tempos de paz”. O esforço para reequilibrar as finanças públicas, calcula Cottarelli, exigirá que países com déficit orçamentário na casa de 3,5% revertam o desempenho, com excedentes de 4,5%. Mesmo com esse esforço, eles levarão 20 anos para reduzir a dívida a cerca de 60% do PIB.

Como o Brasil, a Europa conhece exemplos da dificuldade em controlar o endividamento público. Em seu último relatório mensal, o Banco Central Europeu (BCE) lembra que a Holanda precisou de 13 anos para reduzir sua relação dívida/PIB de 78,5% para 46% – investindo todos os anos 2,7% de sua riqueza -, enquanto a Finlândia levou 14 anos para diminuir 24% do total devido. O exemplo mais bem-sucedido na Europa é o da Irlanda, que reduziu a dívida em 69% em 12 anos. Mas precisou crescer 7% ao ano, o que lhe valeu o apelido de “tigre celta”.

CENÁRIO SOMBRIO

US$ 35 trilhões
é a previsão da revista “The Economist” de quanto estaria hoje o
déficit fiscal nos sete países mais ricos do mundo

200% é a estimativa
da relação média entre a dívida pública e o PIB no Japão, onde a situação é mais grave. Nos EUA, essa relação estaria em 100% e na UE, estaria próxima de 90%

30% é quanto
se estima seja o aumento dessa relação entre 2007 e 2017.
Nesses 10 anos, a dívida crescerá de 63% para 103% nos Estados UNidos; passará de 47% a 125% no Reino Unido; e de 70% a 99% na França

20/08/2009 - 11:44h Bancos centrais temem deflação crônica

Na Alemanha, produtos têm hoje o mesmo valor de maio de 2007

http://img.timeinc.net/time/daily/2009/0901/deflation_0116.jpg

Gustavo Chacra – O Estado SP

Os bancos centrais de países desenvolvidos começam a enfrentar o risco de a deflação se intensificar nos próximos meses, com recordes sendo anunciados nos Estados Unidos e na Europa. Na sua maior queda em seis décadas, o índice de preços ao consumidor da Alemanha despencou 7,8% em julho em relação ao mesmo mês no ano passado. Na variação mensal, a diminuição foi de 1,5%.

Segundo o Escritório Federal de Estatísticas, os produtos alemães têm hoje o mesmo valor de maio de 2007. Os preços para o consumidor na Alemanha registraram a sua primeira baixa desde a reunificação do país, em 1990, ao caírem 0,5%. A redução é dois décimos menor do que a média da zona do euro.

Do outro lado do Atlântico, o índice de preços ao consumidor americano também atingiu o seu menor nível desde 1950, ao se reduzirem 2,1% em julho, quando comparado ao mesmo mês no ano passado – em relação a junho, a inflação se manteve estável -, de acordo com dados do Departamento do Trabalho divulgados na semana passada. Assim como na Alemanha, os piores números vieram do setor produtivo, com uma redução de 6,8% nos preços desde julho de 2008, e 0,9% em junho .

A deflação tem como principal causa a redução nos preços da área energética, especialmente do barril do petróleo – apesar da elevação de ontem, que não está embutida no índice -, ao longo do último ano. Na Alemanha, a deflação anual é de 3,6% quando não se leva em conta os preços deste setor.

O Fed (banco central dos EUA) indicou que não existe risco de inflação por enquanto, o que eliminaria a necessidade de elevar os juros, evitando uma possível estagflação (inflação e recessão simultaneamente). O problema, segundo dizem alguns economistas, é que, com a deflação, há pouca margem de manobra para o Fed. Os juros já estão próximos de zero e o risco seria de um círculo vicioso como no Japão dos anos 1990.

A saída seria o aumento da demanda para o fim da deflação. Por enquanto, os sinais não indicam que isso venha ocorrendo. Ao contrário, o índice de confiança dos consumidores está em queda nos Estados Unidos por três motivos – elevado desemprego (9,4%), endividamento e maior propensão a poupar em vez de consumir.

12/05/2009 - 09:46h BCs estão otimistas com Brasil

Presidentes fizeram na Suíça o encontro mais ”otimista em um ano”

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Andrei Netto – O Estado SP

Os países emergentes, com China e Brasil à frente, foram os destaques da reunião bimestral dos presidentes de bancos centrais, encerrada ontem, na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS), em Basileia, na Suíça. O encontro, descrito como “o mais otimista em um ano”, sobre o futuro do crescimento mundial, foi marcado pelos elogios aos dois países, que já teriam superado o “ponto de inflexão” da crise econômica.

As constatações foram feitas por diferentes autoridades monetárias que participaram das reuniões de domingo e ontem e confirmadas pelo presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles. Para os banqueiros, o estado da economia mundial ainda inspira cuidados, mas os chamados “sinais antecipados” – indicadores econômicos parciais – da China e do Brasil despertaram o clima positivo nas análises.

O primeiro a ressaltar que a economia global pode estar iniciando o período pós-crise foi Jean-Claude Trichet, presidente do BC Europeu (BCE). Falando na condição de presidente do comitê de autoridades monetárias do BIS, ele afirmou que há um consenso de que a crise começa a ser revertida.

“No que se refere ao crescimento, estamos próximos do ponto de inflexão”, disse, referindo-se à queda do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre de 2008 e no primeiro trimestre deste ano. “Em alguns casos, já se vê a retomada; em outros, a queda continua, mas em ritmo mais lento.”

Indagado sobre a situação de países emergentes, como China e Brasil, Trichet argumentou que, como de praxe, não comentaria a situação específica de nenhum país, mas a seguir afirmou: “Eu diria, sobre o conjunto das economias emergentes, que algumas estão muito perto do ponto de inflexão e outras já estão além do ponto de inflexão”. Ele lembrou ainda que esses países já haviam provado a grande capacidade de resistir à crise.

O presidente do BC saudita, Mohammed al-Khaser, confirmou que os elogios feitos aos países emergentes no BIS se referiam à China, ao Brasil, à Índia e ao seu próprio país. “Esses são os países emergentes que já começaram a inverter a curva do crescimento do PIB”, afirmou al-Khaser. “Foi a reunião mais otimista em um ano.”

MEIRELLES CONCORDA

Henrique Meirelles confirmou a avaliação positiva das autoridades monetárias sobre Brasil e China, mas ressaltou que o momento ainda é de incertezas. “Não há dúvidas de que há sinais de que as economias dos países industrializados começam a desacelerar as quedas e o ponto de inflexão pode estar chegando”, disse, resumindo o teor das discussões no BIS. “Brasil e China são considerados os grandes sinais de que o mundo pode estar se aproximando da inflexão.”

Meirelles não quis mencionar os sinais da tendência de aquecimento da economia brasileira, mas acabou citando o consumo de energia e a venda de veículos. “O que foi enfatizado (aqui) é que o Brasil dá sinais antecipados, na margem (desempenho de um mês ante o mês anterior), mas ainda não são dados consolidados.”

Quatro medidas adotadas por Brasília após o início da crise teriam sido avaliadas positivamente pelas autoridades monetárias: empréstimos de reservas para empresas privadas, que totalizam até aqui US$ 23 bilhões; liberação de depósitos compulsórios para pequenos e médios bancos; redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis; e a injeção de US$ 33 bilhões pelo BC no mercado de derivativos (contratos de swap). “Esses foram casos de sucesso analisados pelos presidentes de BCs”, disse Meirelles.

18/03/2009 - 11:40h Krugman vê um ‘colapso coordenado’

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Bloomberg – VALOR

O Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman disse que o mundo atravessa um “colapso mundial coordenado”, cuja aparência “é pior na Europa e no Japão” do que nos Estados Unidos.

“O que começou como uma recessão relativamente branda” nos EUA “se tornou uma queda vertical”, disse Krugman em evento realizado em Bruxelas. “Esta é uma crise que está afetando gravemente a indústria de transformação.”

Krugman, que defendeu o aumento dos incentivos fiscais, disse que os instrumentos convencionais dos BCs não são suficientes para revitalizar o crescimento da economia. O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, e o do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), Ben S. Bernanke, “não conseguem empregar suas ferramentas convencionais para enfrentar o colapso” econômico, disse o economista, da Universidade de Princeton.

Para o BCE, “toda a base intelectual do euro repousa na hipótese de que a política monetária pode, por si só, dar conta do recado”, disse Krugman. “O BCE ainda não cortou tudo o que podia (em termos de juros), mas ficarei surpreso se não acabar fazendo isso.”

“Trichet ainda está dizendo que não há risco de deflação na Europa, afirmação que, na minha opinião, expressa um estranho excesso de autoconfiança”, disse Krugman.

“Os Estados Unidos não estão fazendo o suficiente para combater a crise e a Europa está fazendo um pouco menos da metade do realizado pelos Estados Unidos”, disse Krugman. “Corremos um grave perigo.”

17/03/2009 - 13:41h Europa: um continente à deriva

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Paul Krugman, The New York Times*

Estou preocupado com a Europa. Na verdade, estou preocupado com o mundo todo – não existem refúgios a salvo dessa tormenta econômica global. Mas a situação da Europa preocupa-me mais do que a dos Estados Unidos.

Não vou repetir a velha queixa americana de que, na Europa, os impostos são muito altos e os benefícios muito generosos. Os enormes programas de bem-estar social não são a causa da atual crise. São um fator atenuante.

O perigo claro e presente vem de uma direção diferente: é o fracasso do continente em responder eficazmente à crise financeira. A Europa carece de uma política fiscal e monetária. Enfrenta uma crise no mínimo tão severa quanto os EUA, porém está fazendo muito menos.

No aspecto fiscal, a comparação com os EUA é assombrosa.

Para muitos economistas, eu inclusive, o plano de estímulo do governo Obama era muito tímido diante da gravidade da crise. Mas as medidas adotadas pelos EUA fazem parecer insignificante qualquer coisa que os europeus estejam fazendo.

A diferença em termos de política monetária é igualmente assombrosa. O Banco Central Europeu (BCE) tem se mostrado muito menos dinâmico do que o Federal Reserve; tem demorado para cortar as taxas de juros (elevou em julho do ano passado) e evitou adotar medidas vigorosas para desbloquear os mercados de crédito.

A única coisa que pesa em favor da Europa é exatamente aquilo pelo qual é mais criticada: o porte e a generosidade dos seus programas de bem-estar social, que atuam como amortecedor do impacto dessa retração econômica.

E isso não é pouco. O auxílio-desemprego e a assistência à saúde garantida asseguram que, pelo menos até agora, não se veja na Europa o sofrimento humano tão nítido como nos EUA. Esses programas também vão ajudar a sustentar os gastos nessa crise. Contudo, esses “estabilizadores automáticos” não são substituto de uma ação positiva.

Por que a Europa não está conseguindo enfrentar a crise? Em parte por causa de uma liderança medíocre. As autoridades dos bancos europeus, que se omitiram quanto à profundidade da crise, ainda parecem estranhamente complacentes. E para ouvir alguma coisa nos EUA que seja comparável aos ataques ignorantes do ministro das Finanças da Alemanha, você deve ouvir os republicanos.

Mas há um problema mais profundo: a integração monetária e econômica da Europa avançou muito mais do que as suas instituições políticas. As economias de muitas nações estão tão estreitamente ligadas quanto as economias de muitos Estados, nos EUA, – e a maior parte da Europa compartilha uma moeda comum. Mas, ao contrário dos EUA, a Europa não tem instituições que cubram todo o continente, necessárias para lidar com uma crise com essa envergadura.

Essa é uma importante razão da ausência de uma uma ação fiscal. Não existe nenhum governo em posição de assumir a responsabilidade pela economia europeia como um todo. Em vez disso, o que há são governos nacionais, cada um relutando em acumular enormes dívidas para financiar um plano de estímulo que poderia levar muitos, senão a maior parte, dos seus benefícios para os eleitores em outros países.

Você poderia pensar então que a política monetária é mais convincente. Afinal, apesar de não existir um governo europeu, há um BCE. Mas ele não é como o Fed, que pode se permitir correr riscos porque tem o suporte de um governo nacional unitário.

Em outras palavras, a Europa vem se revelando estruturalmente fraca num período de crise. A maior dúvida é o que vai ocorrer com aquelas economias europeias que prosperaram tanto na fase do dinheiro fácil dos últimos anos, particularmente a Espanha.

Durante grande parte da década passada, a Espanha foi a Flórida da Europa, com uma economia animada por um enorme boom especulativo imobiliário. Como na Flórida, esse boom transformou-se em um fiasco. A Espanha agora precisa encontrar novas fontes de renda e emprego.

No passado, o país teria procurado ser competitivo desvalorizando sua moeda. Mas agora a sua moeda é o Euro – e o único meio de avançar parece ser pelo doloroso processo de corte de salários. O que seria difícil nos melhores tempos, mas será incrivelmente doloroso se, como parece provável, a economia europeia como um todo entrar numa depressão e se encaminhar para uma deflação nos próximos anos.

Isso significa que a Europa errou ao se tornar tão estreitamente integrada? E, especialmente, que a criação do Euro foi um equívoco? Talvez.

Mas a Europa ainda pode mostrar para os céticos que eles estão errados, se os seus políticos começarem a mostrar mais liderança.

Mostrarão?

*Paul Krugman é articulista

15/03/2009 - 10:58h “Obama es demasiado prudente”

ENTREVISTA: Paul Krugman Premio Nobel de Economía 2008

Krugman

A. GONZÁLEZ / M. Á. NOCEDA – Sevilla – El País

Máximo exponente de los neokeynesianos, Krugman cree que el nuevo Gobierno de EE UU rema en la buena dirección pero está siendo más que cauto. El fin de la crisis no aparece en sus pronósticos como algo cercano.

Pese a la generosa dotación del premio Nobel, Paul Krugman (Nueva York, 1953) no abandona su aspecto de profesor universitario, enfundado en un traje con deportivas negras y una mochila al hombro. Ha venido a Sevilla invitado por la Confederación de Empresarios de Andalucía (CEA). Hace acto de presencia en el minuto exacto de la cita, tímido y abrumado por los elogios. Todo eso desaparece en cuanto se enreda en temas económicos.

Pregunta. ¿Cuándo se dio cuenta de que habíamos vuelto a la economía de la depresión, como usted la denomina?

Respuesta. A principios de 2008 estaba bastante claro que nos habíamos topado con los límites de la política convencional. Después de la caída de Lehman, en septiembre, ya resultó obvio.

P. ¿Cuándo terminará?

R. Los precedentes no son buenos. La depresión japonesa terminó con un boom de sus exportaciones a China pero esta vez la crisis afecta a todo el mundo a la vez así que ésa no es una opción. Y la Gran Depresión terminó con la II Guerra Mundial. Hay un final natural a largo plazo, pero llevará mucho, mucho tiempo.

P. ¿Son realmente eficaces las medidas adoptadas?

R. Hasta cierto punto estamos cambiando deuda privada por deuda pública y tratamos de compensar el conservadurismo de los consumidores con un aumento del gasto público. Así salimos de la Gran Depresión. Es cierto que China pretende salir de la crisis con un aumento de las exportaciones y que eso puede ser la base de otra crisis. Pero creo que es tremendamente importante sostener la demanda, aunque no sea la solución definitiva. De lo contrario, corremos un riesgo serio de quedar atrapados en una trampa muy profunda.

P. ¿Debería coordinarse esa respuesta en el G-20 o en otros foros?

R. Lo ideal es que el G-20 saliera de las reuniones de este fin de semana con un acuerdo para coordinar las políticas fiscales aunque desgraciadamente eso no va a pasar. Lo más crucial es que los europeos pacten entre ellos las bases de la expansión fiscal porque la dependencia es mucho mayor entre los socios de la UE que respecto a EE UU. En todo caso, necesitamos un acuerdo del G-20 para coordinar las políticas fiscales y también un plan de rescate para los países emergentes con problemas. Aquí probablemente tendría un papel decisivo el FMI, que debería proporcionar recursos suficientes a Hungría y al resto de los países bálticos.

P. ¿Habría que reforzar la cooperación entre EE UU y la UE?

R. Sin duda, hay mucha dependencia entre ambos. Todos estamos preocupados por el déficit pero un esfuerzo coordinado puede reducir la aportación extra que debe hacer cada uno y aumentar los beneficios. El plan de estímulo fiscal de EE UU ayuda a la economía europea, en buena medida. Por ejemplo, muchas de las ayudas destinadas a AIG acabaron en manos de bancos europeos que eran los que les habían comprado los seguros contra impagos de deuda (credit default swaps). Ahora muchos se preguntan por qué el contribuyente de EE UU tiene que rescatar bancos europeos.

P. ¿Y los bancos centrales?

R. Ahí los efectos no están tan claros. Hasta cierto punto, la resistencia del BCE a utilizar todo el margen en los tipos de interés está beneficiando a EE UU, con un dólar más barato que impulsa las exportaciones, así que a nosotros claramente nos interesa la política de Trichet.

P. ¿Conoce al presidente Zapatero o va a reunirse con él?

R. No le conozco. Sé que interviene en el acto en el que tengo que participar

en Madrid, pero no sé si habrá oportunidad de encontrarnos. Lo que sí he hecho ha sido repasar a fondo la situación de España.

P. ¿Y sus conclusiones?

R. Que España es como California o Florida. Las dos han vivido un boom de la construcción, han recibido grandes flujos de capital extranjero y, cuando ha estallado la burbuja inmobiliaria, la situación se ha vuelto muy difícil. Ahora tienen problemas de ajuste similares: el déficit es preocupante y la rebaja del rating ha sido inevitable, aunque peor para California.

P. ¿Y qué se debería hacer?

R. Va a ser duro. Lo que realmente asusta de la situación española es que no está nada claro cuál es la estrategia de ajuste por su pertenencia a la UE. Todo lo que puede hacer es mitigar los efectos de la crisis. Si España no fuera parte del euro, la devaluación ayudaría, pero esa opción ya no existe; la política fiscal es muy limitada para los países de la UE; también es limitada la capacidad de actuar sobre el sistema financiero aunque los bancos españoles han demostrado estar relativamente en buena forma; se pueden adoptar medidas para limitar el impacto de la crisis sobre los parados. Pero en buena medida a España sólo le queda esperar a que se produzca una recuperación europea.

P. ¿No debería jugar China un papel más destacado?

R. Sí, siempre que China también dé señales de cooperación. De momento sólo pretenden salir de la recesión con una moneda devaluada que impulse sus exportaciones y la política de la Reserva Federal no tiene como objetivo que los chinos estén contentos. Además, hay una cierta amenaza de que se puedan llevar el dinero que tienen en dólares, pero lo cierto es que si debes 100 dólares a alguien tienes un problema pero si lo que debes es un billón, como a los chinos, el problema lo tiene China, no tú.

P. ¿Puede el mismo sistema financiero que nos ha llevado al caos ser el que marque las directrices de futuro?

R. Nos enfrentamos a un gran test que debemos resolver y es la reconstrucción del sistema financiero. Solíamos tener un sistema más sencillo, con los bancos actuando como intermediarios y luego todo derivó en un sistema de enormes instituciones financieras, complejas y poco reguladas. Claramente eso ha fracasado. Probablemente debamos mirar hacia un modelo más simple y más al viejo estilo. Muchos cambios se producirán de forma natural. Dudo que la gente vuelva a confiar en estos planes financieros complejos y complicados, que en buena medida ya han quebrado: unos 400.000 millones de dólares del sistema financiero han desaparecido. Pero también se necesita más regulación de la que tenemos y eso va a ser duro.

P. La crisis se ha llevado por delante a muchos banqueros pero a ningún regulador.

R. En EE UU, muchos supervisores han sido forzados a dimitir de una forma u otra. Tampoco está claro que incluso haciendo su trabajo bien esto no hubiera pasado. Pero es cierto que ni siquiera intentaron hacerlo.

P. ¿Se refiere a Greenspan?

R. No, aunque es un poco triste ver cómo intenta defender su legado. Pero no hablaba de él.

P. ¿Podemos enfrentarnos, como en los años treinta, a una serie de devaluaciones competitivas?

R. Esas devaluaciones ayudaron, no fueron dañinas para la economía mundial, pero era un mundo distinto que se regía por el patrón oro. Lo que me preocupa es si ahora las devaluaciones sustituyen a otro tipo de medidas. Si China, por ejemplo, lo hace para salir de la crisis, eso sí es un problema.

P. ¿Cómo valora los primeros meses del gobierno de Obama?

R. El cambio a mejor es enorme, son políticas inteligentes y honestas y sólo eso ya dibuja un mundo completamente diferente al que había. El problema es que el gobierno Obama está siendo demasiado cauto, incluso siendo más audaz de lo habitual, está siendo demasiado prudente

dada la dimensión de la crisis. El plan de estímulo tenía que haber sido, al menos, un 30% mayor y no quieren adoptar ninguna medida dramática sobre los bancos. Las prioridades fijadas en el presupuesto son excelentes, pero aunque reman en la dirección correcta no están remando lo suficiente.

P. Pero sí hay ámbitos, como la sanidad y las políticas de gasto, en los que Obama está aplicando reformas profundas…

R. Hay una frase que se atribuye a su jefe de gabinete, Rahm Emmanuel, que dice: “Nunca se debe desaprovechar una crisis”. Eso define muy bien su espíritu -yo he hecho mía la frase [risas]-. Reagan aprovechó la crisis del 87 para cambiar todo, ¿por qué no vamos a poder dar la vuelta a algunas cosas?

P. ¿Incluyen esos cambios la nacionalización de la banca?

R. En eso, ni siquiera parece que tengan un plan , hablan de la cooperación pública y privada pero de forma difusa y a veces suena más como un regalo al sector. Lo que creo que va a pasar, aunque llevará tiempo, es una solución a la sueca . Eso llevará a garantizar los depósitos bancarios y a nacionalizar temporalmente Citigroup y posiblemente también Bank of America.

P. ¿A eso se refería el secretario del Tesoro cuando dijo que el capitalismo ya será diferente?

R. Éste es uno de esos momentos en los que toda una filosofía ha sido desacreditada. Los que defendían que la avaricia era buena y que los mercados debían autoregularse sufren ahora la catástrofe. Son los mismos que decían que si se subían los impuestos a los ricos pasarían cosas terribles. Pues Clinton subió los impuestos a las rentas más altas y la economía funcionó muy bien durante ocho años, mientras que Bush los bajó y mira lo que ha pasado. Creo que ese cambio se va a imponer.

P. ¿Amenaza la crisis la reelección de Obama?

R. Obama se parece a Roosevelt, que no resolvió la Depresión pero al que se veía que tomaba medidas para intentar salir de la crisis y eso le dio la victoria electoral. Muchos expertos en política de mi Universidad aseguran que los electores tienen una memoria muy frágil, que sólo se preocupan por lo que pasa en los últimos seis meses así que Obama tiene margen para mejorar cosas antes de la reelección.

11/03/2009 - 08:43h Para FMI, mundo entrou em ‘grande recessão’

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Associated Press – VALOR

A economia mundial entrou numa “grande recessão” e terá uma retração este ano. A afirmação foi feita pelo presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn.

Em uma entrevista gravada que foi ao ar ontem pelo canal de TV francês France 24, Kahn disse que os dados econômicos têm piorado desde janeiro, quando o fundo apresentou sua previsão de crescimento mundial de 0,5% para este ano.

“Desde então as notícias não têm sido boas”, disse. “Eu penso que agora podemos dizer que entramos em uma grande recessão”. Kahn não fez uma previsão específica sobre qual seria, na avaliação do FMI, o ritmo de retração da economia este ano. “Essa recessão pode durar um longo tempo”, afirmou ele na entrevista. Segundo Kahn, se as medidas esperadas pelo fundo forem de fato implementadas, 2010 poderá ser o ano da retomada do crescimento.

No domingo o Banco Mundial disse que a economia global vai encolher pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial e que por conta da crise financeira os países pobres e em desenvolvimento terão mais dificuldade para obter crédito.

A previsão do banco é que o fluxo de comércio caia em 2009 para seu nível mais baixo em 80 anos. Nos países mais pobres, os efeitos da crise devem durar mais tempo. Como os países ricos estão buscando mais financiamentos, os países em desenvolvimento estão tendo dificuldades cada vez maiores para obter crédito.

Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) previu uma queda 2,2% a 3,2% no Produto Interno Bruto (PIB) este ano nos 16 países que têm o euro como moeda. A economia da zona do euro encolheu 1,5% no quarto trimestre de 2008 – a maior retração já registrada. A redução foi puxada pela diminuição da demanda mundial por produtos importados, atingindo em cheio as economias desenvolvidas da região que são fortemente exportadoras.

19/11/2008 - 09:46h Crise faz países ricos darem sinais de deflação

Agências internacionais – VALOR

A crise financeira internacional ameaça criar deflação nos países ricos e aprofundar os efeitos da desaceleração econômica. Analistas prevêem deflação no ano que vem e países como EUA e Reino Unido já registram retração ou desaceleração nos preços, aumentando os temores do mercado e forçando cortes de juros.

John Herrmann, presidente da Herrmann Forecasting, de Nova Jersey, disse que “a retração generalizada dos preços nos EUA mostra que a inflação foi contida, e que a deflação está se instaurando”. “Isso dá munição ao Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) para continuar cortando os juros”, concluiu.

Matthew Sharratt, economista do Bank of America de Londres, disse que a inflação ao consumidor no Reino Unido “é agora água passada”. “Ela vai cair para bem menos do que a meta [do Banco da Inglaterra] no ano que vem. Isso abre bastante o caminho para que as taxas de juros passem por uma redução profunda em dezembro.”

O presidente do Banco da Inglaterra [BC britânico], Mervyn King, disse na semana passada que a economia britânica deve estar em recessão e que as autoridades da área monetária vão reduzir o custo do dinheiro o necessário para combater a deflação. O banco prevê que a inflação do país vai desacelerar para menos que o limite inferior fixado pelo governo, de 1%, se o BC não reduzir a taxa referencial de juros a partir de seu nível atual de 3%.

Nos EUA, os preços pagos pelos produtores americanos tiveram em outubro sua maior queda de todos os tempos, num momento em que a economia mundial, que perde fôlego, fez com que a demanda por commodities estancasse. A queda de 2,8%, superior à prevista, seguiu-se à retração de 0,4% verificada em setembro, disse o Departamento do Trabalho.

O núcleo do índice, que exclui elementos como alimentos e combustíveis, subiu 0,4%, o que indica que as quedas dos custos das matérias-primas ainda não chegaram aos outros produtos.

Segundo a mediana de 76 prognósticos captados pela Bloomberg News, os preços no atacado dos EUA cairiam 1,9% em outubro. O acompanhamento do Índice dos Preços ao Produtor pelo Departamento do Trabalho dos EUA remonta a 1947.

A inflação ao consumidor do Reino Unido desacelerou em outubro mais do que o previsto pelos economistas – a maior desaceleração de pelo menos 11 anos. Os preços ao consumidor subiram 4,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, comparativamente à alta de 5,2% registrada em setembro, disse o Departamento de Estatística Nacional em Londres. A mediana das projeções captadas em sondagem junto a 27 economistas foi de 4,8%. A taxa agora ultrapassou pelo 13º mês a meta de 2% fixada pelo BC.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, disse ontem que “ainda” não observa tendências de deflação na zona euro. Trichet destacou que os planos de relançamento adotados serão bons “nos países onde há margem de manobra”.

Ele disse que o BCE “reduzirá as taxas de juros se for preciso”.

Anteontem, o Comissário Europeu dos Assuntos Monetários, Joaquín Almunia, havia alertado para o risco de uma possível deflação como consequência da crise econômica internacional.

30/10/2008 - 09:45h Bancos centrais ao redor do mundo intensificam combate à recessão

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Jon Hilsenrath, Joellen Perry e Takeshi Takeuchi, The Wall Street Journal – VALOR

Mundo afora, bancos centrais abriram uma nova frente no combate ao enfraquecimento da economia. Autoridades nos Estados Unidos, China e Noruega anunciaram cortes de juros e em vários outros países isso deve acontecer nos próximos dias.

O Federal Reserve já está há dois anos cortando juros. O banco central americano tem sido mais agressivo do que qualquer outro e ontem baixou sua taxa de referência em meio ponto porcentual, para 1% ao ano. O Fed também deu sinais de que novos cortes são possíveis, ao observar que ” riscos de redução do crescimento persistem”.

Pela primeira vez em meses, o Fed não mencionou a inflação alta como uma preocupação, observando apenas que “espera que a inflação modere nos próximos trimestres a níveis consistentes com a estabilidade de preços”.

Com o corte de ontem, a taxa americana está num nível atingido pela última vez em 2003, bem depois que a recessão de 2001 acabou. Na época, crescimento fraco e temores de deflação, ou queda generalizada de preços, preocupavam as autoridades monetárias.

Como a economia americana continua deteriorando, juros mais baixos e outras ações do Fed e outras autoridades dos EUA parecem uma forte possibilidade. Se eles caírem ainda mais agora, poderiam chegar a níveis que não se viam desde os anos 50. A questão é se as baixas taxas oficiais têm o efeito de estímulo que as autoridades desejam.

Juros mais baixos costumam ser uma ferramenta poderosa para estimular a economia, porque reduzem o custo do crédito para empresas e consumidores e isso lhes dá um incentivo para iniciar projetos ou gastar dinheiro. Juros baixos também reduzem o custo de fundos para bancos, o que teoricamente os deixaria mais dispostos a conceder crédito.

Mas isso talvez não aconteça desta vez. A crise de crédito criou uma onda de aversão ao risco no sistema financeiro mundial, o que deixou muitos bancos sem disposição de emprestar mesmo tendo acesso a fundos mais baratos. Em vários mercados, os padrões para crédito se apertaram e, embora o juro de referência tenha caído, outras taxas de financiamento têm demorado a responder.

O rendimento dos títulos de dívida de grau especulativo está mais de 16 pontos porcentuais acima dos de papéis do Tesouro americano, o mais alto nível em décadas, segundo dados da Merrill Lynch. “O mercado de dívida de alto risco está parecendo uma bomba-relógio”, diz Martin Fridson, da Fridson Investment Advisors. “Mesmo na melhor das circunstâncias há um atraso entre o estímulo fiscal ou monetário (e o impacto) na economia. Quando os bancos estão tão surrados e resistentes a emprestar, é provável que seja ainda menos eficaz do que o normal.”

O amplo impacto econômico da crise de crédito deu às autoridades monetárias internacionais um maior sentimento de urgência.

Também ontem, o banco central da China cortou juros pela terceira vez em seis semanas, em meio à deterioração do panorama econômico para sua economia dependente de exportações. Autoridades japonesas deram sinais de que podem cortar os juros amanhã. E o banco central norueguês cortou sua taxa referencial pela segunda vez em duas semanas.

O Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra, que baixaram suas táxas básicas em meio ponto porcentual no início do mês, numa operação coordenada com o Fed, devem ser os próximos a anunciar cortes expressivos, na semana que vem.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu manter a taxa básica em 13,75% ontem. Os juros no Brasil vinham numa tendência de alta em razão do recente surto inflacionário, mas desde a reunião anterior da autoridade monetária sinais de redução do crescimento ganharam mais proeminência.

O Japão, onde nem um juro de zero por cento conseguiu ressuscitar a economia alguns anos atrás, é um exemplo estudado cuidadosamente por Ben Bernanke, o presidente do Fed. Ainda assim, numa reunião marcada para amanhã, o comitê de política monetária do Banco do Japão vai considerar cortar sua taxa básica de 0,5% para 0,25%, segundo uma autoridade familiarizada com a situação.

A possibilidade de um corte de juros surpreendeu participantes do mercado financeiro. Há apenas uma semana, diretores do Banco do Japão praticamente descartavam afrouxar a política no curto prazo, dizendo que os juros já estavam baixos o bastante para sustentar a economia. A mudança de posição demonstra como as autoridades monetárias japonesas ficaram mais preocupadas com o enfraquecimento da economia devido à deterioração do mercado financeiro na última semana.

Dados divulgados ontem sugerem que o enfraquecimento de economias estrangeiras está pesando sobre o Japão. A produção industrial japonesa teve sua maior queda em quase quatro anos no período julho-setembro, caindo 1,2% no trimestre.

Mundialmente, a maré de cortes de juros mudou dramaticamente em poucas semanas. No início do semestre, os bancos centrais estavam preocupados com a alta do petróleo. Especialmente em mercados emergentes, onde parecia que a inflação estava ficando mais enraizada, muitos bancos centrais ainda pretendiam aumentar juros, até que a crise de crédito piorou, em setembro.

Agora, embora uns poucos bancos centrais tenham aumentado juros para segurar suas moedas em queda, muitas taxas importantes para a política monetária tendem a cair ao redor do mundo.

Economistas do J.P. Morgan Chase estimam que, em média, as metas de bancos centrais para juros estavam em 3,4% ao redor do mundo no fim da semana passada. Até o fim do ano, o J.P. Morgan espera que elas caiam para 2,8% e então continuem a cair no ano que vem, para 2,3%.

Ontem, o banco central da Noruega cortou sua taxa básica de 5,25% para 4,75% e deu sinais de novos cortes à frente. A decisão seguiu-se a um corte surpresa de meio ponto em 15 de outubro, o primeiro do Norges Bank desde março de 2004. Semana passada, o banco central da Suíça também cortou sua taxa básica de 4,25% para 3,75% e previu uma queda para 3,25% até março.

Algumas autoridades monetárias do BCE temem que a zona do euro, uma economia de US$ 12,2 trilhões, menor apenas que a dos EUA, possa ter um longo período de crescimento magro e só comece a se recuperar em fins do ano que vem. O presidente do banco, Jean-Claude Trichet, disse segunda-feira que um corte na reunião do banco em 6 de novembro era uma “possibilidade”, consolidando expectativas do mercado de um corte de meio ponto porcentual, para 3,25%.

“É uma reviravolta impressionante”, diz Erik Nielsen, economista da Goldman Sachs em Londres. “Eles perceberam que inflação não é mais um problema, e agora estão querendo salvar o mundo.”

Taxas ao redor da Europa estão mais altas do que nos EUA, o que dá aos bancos centrais europeus mais espaço para cortes do que o Fed tem.

Alguns economistas temem que o Fed possa se ver na mesma posição do Japão do início desta década, com taxas perto de zero e uma economia ainda afundando.

(Colaborou Andrew Batson)

12/10/2008 - 14:31h Segundo AFP, a cúpula dos países do Euro vai garantir o financiamento de todos os bancos até dezembro 2009

Le sommet de l’Eurogroupe s’est ouvert à Paris

AFP/GERARD CERLES

Le Monde

Le sommet extraordinaire de l’Eurogroupe, réunissant les dirigeants des quinze Etats appartenant à la zone euro, a débuté dimanche 12 octobre à l’Elysée, avec un but partagé par l’ensemble des participants : trouver une solution au niveau européen pour rétablir la confiance sur des marchés déboussolés par la crise bancaire. Le président de la Commission européenne, Jose Manuel Barroso, qui participe également à cette réunion, a estimé qu’”un niveau de coordination sans précédent” était désormais nécessaire “pour faire face à une crise sans précédent”. “Nous devons montrer aux citoyens européens et aux marchés la capacité et la détermination de l’Europe à agir de concert”, a-t-il déclaré après s’être entretenu avec le président français Nicolas Sarkozy et le premier ministre britannique Gordon Brown avant le début du sommet.

Selon un projet de déclaration commune que s’est procuré l’AFP peu après le début de la réunion, les quinze pays membres de la zone euro se disent prêts à apporter provisoirement leur garantie aux opérations de refinancement des banques et à éviter toute faillite, en ayant recours à leur recapitalisation si cela est nécessaire, jusqu’au 31 décembre 2009. Toujours selon le document obtenu par l’AFP, les garanties pour le refinancement des banques proposées par les gouvernements européens pourraient prendre la forme d’assurances ou de “dispositions similaires”. L’agence Reuters, qui s’est procuré un document énumérant les propositions de la présidence française de l’UE, rapporte que d’autres mesures susceptibles d’être adoptées sont la garantie des dettes bancaires à moyen terme, y compris pour les particuliers et une octroi de liquidités aux entreprises financière et non financières par la BCE tant que la crise se poursuit.

M. Sarkozy, qui doit exposer les conclusions du sommet dans un discours, dimanche en début de soirée, a souhaité “un plan ambitieux, coordonné, qui apporte des solutions”. “Ce que j’attends, c’est que l’Europe parle d’une seule voix”, a-t-il résumé. La chancelière allemande Angela Merkel a quant à elle annoncé que la réunion de dimanche lancera “un signal capital pour les marchés et un signal très important pour la force de la zone euro”. Selon la ministre des finances française Christine Lagarde, l’Eurogroupe devrait “mettre du muscle” sur le squelette du plan en cinq points adopté, vendredi, par le G7. Ce plan avait ensuite été approuvé par les 185 pays membres du Fonds monétaire international (FMI) .

LONDRES MILITE POUR SON “APPROCHE”

M. Brown, qui ne participera pas à la réunion, son pays n’étant pas membre de la zone euro, a déclaré dans la presse britannique qu’il tenterait néanmoins de persuader “les autres pays européens d’adopter l’approche globale que nous avons prise en Grande-Bretagne”. Londres devrait annoncer officiellement, lundi, un plan de sauvetage d’un montant total de 500 milliards de livres (636 milliards d’euros), qui passerait par la prise de contrôle majoritaire de deux grandes banques très affaiblies, RBS et HBOS, ainsi que l’entrée au capital d’autres banques pour un montant de 50 milliards de livres (63,6 milliards d’euros).

“Cette réunion a pour but de décider d’une action coordonnée commune pour la zone euro, pour que dans les prochains jours chaque pays puisse mettre en place des mesures qui stabilisent les marchés financiers”, a résumé Mme Merkel à son arrivée à l’Elysée. Car si tous les yeux sont tournés vers la réunion de Paris, au vu de la réouverture des marchés financier mondiaux, chaque pays prépare déjà son propre plan de sauvetage au niveau national.

Outre la Grande-Bretagne, l’Allemagne devrait annoncer le sien lundi. En France, un conseil des ministres extraordinaire a été convoqué lundi pour que des mesures soient prises en urgence. Au Portugal, le gouvernement a déjà apporté une garantie de 20 milliards d’euros aux “opérations de financement” des banques et en Norvège, l’Etat et la Banque centrale ont émis 350 milliards de couronnes (41 milliards d’euros) d’obligations pour accroître les liquidités.

07/10/2008 - 09:12h Contágio pode quebrar a zona do euro

Angela Merkel, primeiro-ministro da Alemanha
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Larry Elliott * – O Estado de São Paulo

De certo modo, quando o ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, disse no mês passado que o aperto do crédito era um problema americano, houve a sensação de que ele estava desafiando o destino. Quanto tempo levaria para que o contágio que limpou Wall Street e a City de Londres também fizesse uma ou duas vítimas no setor bancário da zona do euro? Bom, as palavras presunçosas de Steinbrueck mal saíram da sua boca, e recebemos a resposta. Belgas e holandeses tiveram de resgatar o banco Fortis; os irlandeses trataram de estender uma garantia geral para os seus depósitos, com medo de que pelo menos um, e provavelmente dois de seus grandes bancos estivessem perto de capotar.

A reflexão de Steinbrueck sobre a possibilidade de os Estados Unidos estarem perdendo seu status de potência hegemônica da economia mundial foi interrompida pela necessidade de buscar a aprovação de Bruxelas para a malfadada operação de resgate do grupo HRE alemão, de 35 bilhões de euros. E no final de semana os líderes dos quatro grandes países da Europa – Alemanha, França, Itália e Grã-Bretanha – convocaram uma reunião de cúpula global de emergência para o próximo mês. Uma lição para os ministros das Finanças: procurem não irritar os deuses.

O crescimento da França no terceiro trimestre baixou de 0,7%, no terceiro trimestre do ano passado, para 0,4% em cada um dos dois trimestres seguintes, depois tornou-se negativo em 0,3% no segundo trimestre deste ano. Christine Lagarde, a ministra das Finanças, prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) sofrerá nova contração no terceiro trimestre. O que equivale tecnicamente a uma recessão: dois trimestres consecutivos de resultados em queda.

A Itália teve um desempenho ainda pior. O PIB caiu tanto no quarto trimestre de 2007 quanto no segundo deste ano, empurrando a taxa de crescimento anual já anêmica para zero. Na França, é 1,1% e na Grã-Bretanha, 1,4%. A Alemanha obteve o melhor desempenho das quatro principais economias da Europa, mas também está reduzindo o crescimento, porque a demanda de suas exportações foi afetada pela crise global. A produção alemã caiu 0,5% no segundo trimestre, empurrando sua taxa anual de crescimento para 1,7%.

Em comparação, a expansão anual dos Estados Unidos é de 2,2%, embora seu forte desempenho no segundo trimestre se devesse a um corte único dos impostos de US$ 150 bilhões, e agora a economia pareça estar baixando seu ritmo ainda mais rapidamente. Há evidências de que em todo o mundo desenvolvido está havendo uma redução do ritmo, e isto ocorre nos países que seguem tanto o modelo da Europa continental quanto o anglo-saxônico: nos países em que surgiram bolhas no mercado da habitação, e nos que não houve bolha; nos países que adotaram o euro assim como nos que não o adotaram. A Espanha, por exemplo, está na união monetária, mas na sexta-feira anunciou uma ampla queda de 7% da produção industrial e apresenta um aumento acentuado do desemprego.

Três pesquisas realizadas na semana passada entre gerentes de compras na Grã-Bretanha – nos setores da manufatura, serviços e construção – advertiram que há uma recessão. A primeira reunião do gabinete da guerra econômica de Gordon Brown, realizada ontem, havia muito o que discutir.

O quadro é variado no que se refere a Islândia, Noruega e Suíça, que não fazem parte da União Européia. A Islândia está numa situação calamitosa, a confiança em seu sistema bancário em frangalhos e a economia já em marcha a ré acelerada. A Noruega, graças à alta do preço do petróleo, cresce a 3,3%, 1 ponto porcentual acima da Suíça.

Não é fácil enxergar através dessa névoa estatística, mas é possível tirar algumas conclusões. A primeira delas é que nenhum país do mundo desenvolvido ficará imune à crise. A segunda é que os seus efeitos para a “economia real” demoraram para se fazer sentir, mas agora estão se intensificando.

A este respeito, as medidas – ou a falta de medidas – do Banco Central Europeu são curiosas. Ao contrário do Federal Reserve (Fed, banco central americano) ou do Banco da Inglaterra, o BCE decidiu que o aumento da inflação, este ano, causado pelo aumento dos preços do petróleo e dos alimentos , merece a elevação das taxas de juros.

Agora, a inflação está caindo e, a julgar pelos comentários de Jean-Claude Trichet, seu presidente, o BCE pretende abrandar sua estratégia até o início de 2009, quando haverá abundantes evidências de que Europa, Japão e Estados Unidos estão em recessão, e isto terá um efeito enorme para a Grã-Bretanha, onde 50% das exportações vão para o restante da Europa. Entre os presidentes dos bancos centrais. talvez Mervyn King seja o que mais se aproxima dele.

Queimar lentamente Uma terceira conclusão é que o efeito do enfraquecimento lento do sistema bancário europeu provavelmente tem mais a ver com as diferenças nos sistemas contábeis do que com a maneira como é administrado. Como Steinbrueck sabe muito bem, os bancos alemães imitaram seus equivalentes britânicos e americanos no cassino subprime e fizeram as mesmas apostas questionáveis em derivativos arriscados. O que aconteceu foi que demorou mais tempo para os prejuízos aparecerem.

Uma quarta observação – novamente bastante óbvia – é que a zona do euro continua um híbrido. É uma união monetária, mas não uma união política, e portanto, países como a Irlanda tiveram de se arranjar sozinhos na operação de resgate dos bancos em dificuldades. Há uma nítida distinção entre os Estados Unidos, onde o governo tem peso financeiro em todos os 50 Estados, e a União Européia.

Convocar uma cúpula global não é a mesma coisa que fazer algo concreto, e Angela Merkel deixou claro que a Alemanha não ajudará bancos malandros de outros países da União Européia. O Banco Europeu de Investimentos decidiu liberar uma ajuda de emergência de 12 bilhões de libras esterlinas (US$ 2 bilhões) para as pequenas empresas, mas dada a dimensão e a escala da crise da União Européia, a quantia é insignificante.

No longo prazo, as uniões monetárias não sobrevivem sem uma união política, e portanto a quinta conclusão é que há pressões tanto para uma integração maior quanto para a desintegração. A crise poderá fortalecer os que argumentam que as medidas corretivas são intrinsecamente instáveis e continuarão assim até que haja uma união fiscal e monetária. Por outro lado, a crescente ameaça de recessão poderá levar alguns países a questionarem se valerá realmente a pena continuar numa união monetária.

Charles Goodheart, da School of Economics de Londres, observou na semana passada que nos últimos anos houve variações extremas na competitividade, nos custos da mão-de-obra e nas balanças comerciais em toda a zona do euro. As preocupações do BCE com a inflação só poderão ser corrigidas pelos países que registram grandes déficits da conta corrente, como a Espanha, ou que sofrem de uma profunda falta de competitividade, como a Itália, crescendo mais lentamente e reduzindo o padrão de vida. Evidentemente, estas não serão medidas populares.

Goodheart conclui que, se tivessem de decidir agora, alguns membros da união monetária votariam contra seu ingresso.

Optar não aderir é muito diferente de decidir sair, e haveria consideráveis conseqüências para um país que voltasse a adotar sua moeda nacional em lugar do euro. Goodheart aponta para o risco de que a união monetária possa quebrar-se em 10% a 20%, o que é pouco, mas certamente não deixa de ser significativo.

*Larry Elliott é editor de Economia do jornal britânico ‘The Guardian’

03/10/2008 - 11:01h A crise cruzou o Atlântico e já se infiltrou na Europa

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Gilles Lapouge* – O Estado de São Paulo

A crise financeira mudou de natureza. Oito dias atrás apenas, era uma crise polida, respeitosa. Devastava os Estados Unidos, mas não entrava na Europa. Por duas razões: primeiro porque Wall Street é um ninho de loucos, irresponsáveis e egoístas. Depois, os bancos europeus são maravilhas, verdadeiras relojoarias suíças, sólidos, eternos. Esses tempos misericordiosos acabaram. A crise, insensível a discursos e fronteiras, se infiltrou na Europa. Bancos começaram a cair.

Os governos ficaram surpresos. Taparam os buracos, mas isso não bastou. Vários bancos grandes cambaleiam. Aí a Europa despertou. Sua sorte é que o presidente em exercício da União Européia (UE) é o presidente francês Nicolas Sarkozy, famoso por seu “olho de águia”. E, de fato, anteontem Sarkozy se pôs em campanha, com grande estardalhaço, dizendo que o capitalismo precisava ser “reinventado”. Convocou para sábado, em Paris, seus parceiros europeus do G-8 (Alemanha, Inglaterra e Itália), além da Comissão de Bruxelas e do Banco Central Europeu (BCE).

Infelizmente, em vez de felicitarem Sarkozy, os outros europeus acharam que ele estava fazendo demais. ” Mais um show de Sarkozy! As palavras não servem de nada. Precisamos de atos”, resmungaram. Sarkozy, muito espantado, quis mostrar que a reunião de sábado não seria um simples show. Ele havia costurado um plano arrasador contra a crise. De noite, um despacho da agência Reuters revelava o plano: criação de um “fundo federal” de 300 bilhões para ajudar os bancos enfermos.

Esse despacho saiu às 18h 27. Sete minutos depois, o ministro alemão das Finanças, Peer Steinbrück, dava sua breve resposta: “Não!” E o plano francês entrava pelo ralo.

A França, apoiada pela Bélgica, a Holanda e o BCE, queria que a crise fosse tratada com um “fundo europeu centralizado”. Esse sistema desagrada os alemães, favoráveis à “desconcentração dos poderes” na Europa. A Alemanha sempre foi contrária ao conceito francês de “governo econômico europeu”, e mais contrária ainda a um “orçamento europeu”.

Essas rixas entre os Estados europeus são muito graves, não só no âmbito financeiro como no político. É a construção européia, e, principalmente, sua mais bela conquista, a moeda comum que estão em risco. Há dez anos, quando o euro foi lançado, algumas vozes importantes disseram que ele estava condenado ao fracasso.

Por quê? Porque a carroça da moeda única tinha sido colocada à frente dos bois das instituições comuns. No entanto, o euro foi um sucesso. Ele rivalizava com o dólar e era gerido brilhantemente pelo BCE. Mas, no primeiro solavanco sério, a Europa se atrapalha. Agora que os bancos europeus se aproximam do abismo, a França e a Alemanha se desentendem e bloqueiam qualquer solução à altura do perigo.

Alguns dias atrás, os europeus zombavam dos americanos, incapazes de adotar o Plano Paulson. Hoje, a situação se inverte. O Plano Paulson está em marcha e a impotência, a cizânia, cruzaram o Atlântico.

A disputa entre Paris e Berlim é inquietante. A explosão da UE em vários clãs antagônicos é simbólica de suas fraquezas. Para além do salvamento dos bancos, é a própria construção européia que está à prova.

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

30/09/2008 - 14:10h Est-ce la fin du capitalisme financier de type anglo-saxon ? Six économistes répondent

Six économistes pensent que la crise économique est majeure mais tous n'en concluent pas qu'un renforcement de la régulation financière soit une nécessité.
AP/Richard Drew – Six économistes pensent que la crise économique est majeure mais tous n’en concluent pas qu’un renforcement de la régulation financière soit une nécessité.

par Claire Gatinois et Yves Mamou – Le Monde

Daniel Cohen, professeur à l’Ecole normale supérieure

Toute la finance de marché doit être remise à plat. L’attention des régulateurs, depuis la crise de 1929, avait essentiellement porté sur les banques commerciales. La panique des déposants ayant été le principal vecteur de la crise financière des années 1930, la régulation s’est concentrée sur les banques de dépôt. Et cela a plutôt bien fonctionné. On n’observe aucune crise majeure du système bancaire américain après guerre.

L’un des buts principaux de la finance de marché a été de sortir de l’habitat réglementaire imposé aux banques. Les règles classiques imposent aux banques de détenir un dollar de capital environ pour 12 dollars de crédit. La finance de marché a permis à ses acteurs d’accorder 32 dollars de crédit pour un dollar de capital ! Les banques d’investissements, les hedge funds, les compagnies d’assurances ont profité des mailles de la régulation pour accroître le volant de leurs opérations. Les banques commerciales ont, de leur côté, créé des “véhicules” logés hors bilan pour s’affranchir (légalement) de la réglementation. Le résultat, on le connaît maintenant. Les 700 milliards de dollars que le gouvernement américain veut injecter dans le système en est le prix.

Tout le travail des prochaines années consistera à élaborer des règles qui remettront le dentifrice du capitalisme financier dans son tube. Il faudra imposer des règles prudentielles nouvelles à l’ensemble des acteurs, réguler la titrisation des créances, surveiller les agences de notations, réviser les normes comptables… Cette remise à plat concernera tous les pays. Un rôle “en or” pour le FMI…

Nicolas Baverez, économiste-historien

L’expression “capitalisme financier de type anglo-saxon” laisse entendre que seuls les Etats-Unis, la Grande-Bretagne et l’Irlande seraient en crise. En réalité, le choc ébranle le capitalisme mondialisé, dont la finance était la pointe avancée. Les pays qui épargnent et exportent comme la Chine, l’Allemagne ou le Japon sont touchés : l’excédent chinois diminue déjà, tandis que Chine, Russie ou Brésil volent au secours de leurs banques.

Nous assistons à une déflation par la dette comme en 1929 : l’éclatement d’une bulle de crédit mène à une contraction violente des patrimoines et des revenus, de l’activité et de l’emploi.

Deux grandes leçons se dégagent de la déflation des années 1930 : enrayer la cascade des faillites bancaires ; privilégier des solutions coopératives au plan international pour éviter la spirale des barrières protectionnistes et des dévaluations compétitives.

Aujourd’hui, le sauvetage des banques est engagé, mais sur une base nationale. La coopération internationale est inexistante, à commencer par le dialogue entre la Fed et la BCE. Ces politiques du “chacun pour soi” impliquent un coup d’arrêt à la mondialisation, à l’intégration des marchés et à l’ouverture des sociétés.

Le capitalisme sortira profondément transformé de cette crise : priorité à la sécurité sur le risque, avec une diminution de la croissance potentielle ; rééquilibrage entre l’Etat et le marché ; retour en grâce de l’industrie au détriment de la finance ; changement du modèle économique des banques avec une concentration des acteurs et un recentrage sur la banque commerciale ; déclin relatif des pays développés – notamment des Etats-Unis – et accélération du passage à un système économique multipolaire et hétérogène.

Nouriel Roubini, professeur d’économie à l’université de New York, président de Roubini Global Economics Monitor

La crise est le résultat des excès du libéralisme et du “laisser-faire” de ces dix dernières années. Les régulateurs ont cru aux vertus du marché libre et de l’autorégulation. Leur jugement était inapproprié. La leçon est claire : nous avons besoin d’une meilleure régulation. Aujourd’hui, le paradoxe est que, pour résoudre ces excès, l’Etat américain vire dans l’excès inverse. Il injecte tantôt 200 milliards de dollars pour nationaliser Freddie Mac et Fannie Mae, les deux géants du refinancement hypothécaire, tantôt 85 milliards pour recapitaliser l’assureur AIG. Les “USA” deviennent l’”URSSA”, l’Union des républiques socialistes soviétiques d’Amérique. Le gouvernement prend dans la précipitation des décisions lourdes de conséquences. On a le sentiment d’être dans une république bananière ! On passe ainsi d’un extrême à l’autre. La bonne voie est au milieu, avec une régulation plus stricte qui n’empêche pas l’innovation. On y arrivera sans doute après quelque temps.

Le “Far West” sauvage (de la finance) appartient-il au passé ? Il faut être prudent. D’ici à quelques années, on aura peut-être tout oublié. On a vécu beaucoup de crises : celle des années 1980, la récession des années 1990, l’éclatement de la bulle Internet en 2001. A chaque fois, une bulle se reforme avec de l’argent facile et des régulateurs qui s’endorment. Nous verrons !


Dominique Plihon, universitaire, président du conseil scientifique d’Attac

La crise actuelle signe la faillite d’un capitalisme financier de spéculation et de prédation préjudiciable à la société. Les pays d’Europe qui se sont le mieux coulés dans les règles de ce capitalisme financier – l’Irlande et l’Espagne – sont ceux qui souffrent le plus.

Les banques centrales et les autorités de tutelle ont laissé faire. Jean-Claude Trichet, président de la BCE, ne pouvait ignorer les achats massifs des banques sur des titres risqués sur des marchés de gré à gré opaques et non régulés.

Ce capitalisme-là va devoir être réformé en profondeur. De nouvelles règles vont devoir être instaurées. Nous, altermondialistes, réclamons depuis longtemps un encadrement des acteurs financiers. Puisque le mouvement de nationalisation des banques est lancé, pourquoi ne pas constituer des pôles publics de développement, pays par pays, pour financer des projets qui étayent une croissance à long terme ? Rien n’empêche non plus une coordination au sein de l’Union européenne.

On peut objecter que les nationalisations bancaires du début des années 1980 ont été un échec, mais la faute en revient aux gouvernements qui ont imposé aux banques les mêmes règles de rentabilité que le secteur privé.


Pascal Salin, professeur à l’université Paris-Dauphine

Le capitalisme financier n’est pas seulement anglo-saxon. Il est universel et a de beaux jours devant lui, tout simplement parce qu’il n’est pas une création arbitraire, comme pouvait l’être un système de type soviétique. Ce capitalisme-là est l’expression d’innombrables processus spontanés créés pour répondre aux besoins des êtres humains. Il remplit deux fonctions fondamentales : orienter les ressources d’épargne vers les activités où elles obtiennent la plus forte rentabilité et prendre en charge les risques de la manière la plus efficace. Certes, le capitalisme financier ne peut pas remplir ces fonctions de manière parfaite, parce que l’information ne peut jamais être parfaite. Mais il les remplit mieux que n’importe quel autre système imaginable.

Les difficultés actuelles ne sont en rien une manifestation de la faillite de ce système. En effet, la crise financière est essentiellement une crise de l’interventionnisme étatique. Elle résulte en particulier de l’extraordinaire instabilité de la politique monétaire américaine au début du XXIe siècle, politique monétaire qui n’est évidemment pas contrôlée par le marché, mais décidée arbitrairement par des autorités publiques.

Pour que ce capitalisme financier prenne fin, il faudrait ou bien que tout le système financier soit étatisé – ce qui est exclu – ou qu’il explose parce qu’il constituerait un système incohérent, ce qui n’est pas le cas. Sur le long terme, la crise actuelle apparaîtra comme un simple accident de parcours qui aura peut-être permis de liquider les entreprises financières les plus mal gérées et d’inciter les autres à mieux évaluer les risques. La plus grande menace vient du renforcement probable des réglementations.

Pierre-Alain Muet, économiste et député PS du Rhône

Il est essentiel de réintégrer, dans le champ de la réglementation et du contrôle, les activités de crédit effectuées par des organismes non bancaires, car ce sont ces fonds spéculatifs non régulés qui sont à l’origine des crises financières récentes.

Il faut imposer une obligation de transparence sur les produits financiers et sur le niveau des fonds spéculatifs détenus par les banques.

Il faut enfin, comme c’était le cas autrefois, séparer les activités de banques de marché de celles des banques commerciales.

La titrisation, c’est-à-dire la possibilité laissée à un créancier de se défaire de la totalité de sa créance, entraîne une forme d’irresponsabilité. Les fonds spéculatifs ont prêté sans tenir compte du risque sachant qu’ils arriveraient à se défausser de ce risque sur un tiers. Pour éviter cette dissémination du risque, il faut, d’une part, appliquer les règles définies dans les accords de Bâle II de la Banque des règlements internationaux en réintégrant la titrisation dans le bilan des banques et, surtout, obliger le premier créancier a conservé pour lui-même 30 % à 40 % du risque sur le prêt initial. Tout organisme autorisé à prêter serait ainsi obligé d’évaluer son risque comme un banquier doit le faire.

En bref, il faut revenir en partie à une économie d’intermédiation et sortir d’une économie de marché financier ou les effets de levier sont trop importants.

Les agences de notations ont certes une responsabilité, mais la régulation et le contrôle relèvent aussi de l’Etat vers qui tout le monde se tourne quand ca va mal. Le contrôle des organismes de marché, c’est le retour de l’Etat.

02/07/2008 - 08:53h De 18 países, só Brasil e Canadá estão dentro da meta de inflação

O jornal O Globo teve o mérito de destacar que o Brasil é quem melhor resiste a pressão inflacionária internacional. Mesmo assim, percebam o “por enquanto” na manchete e o “ainda” no lide. O alerta de Delfim mostra que pouco importa para alguns se a inflação atinge o bolso dos mais pobres (fizeram um barulho pelo aumento do Bolsa-família em 8%). Esses até torcem para que a inflação derrube a estabilidade e os objetivos da meta determinada pelo Banco central e pelo governo federal. Mas os fatos são os fatos. A seguir o artigo do jornal O Globo. LF

http://www.aguiareal.com.br/496/dragao_inflacao.jpg

Dentro da meta. Por enquanto

De 18 países, só Brasil e Canadá ainda estão dentro da margem de erro para inflação

Fabiana Ribeiro e Aguinaldo Novo – O GLOBO

RIO e SÃO PAULO A inflação mundial coloca em xeque os sistemas de metas fixados pelos governos.
Num levantamento com 18 países, pela consultoria Tendências, apenas Brasil e Canadá não ultrapassaram as metas de inflação estabelecidas para o ano. Mas isso, alertam alguns economistas, por enquanto. O Brasil acumula nos últimos 12 meses terminados em maio variação de 5,6%, para uma meta de 4,5% com tolerância de dois pontos percentuais.
Ou seja: pode, já em junho, exceder esses limites.
Especialistas, contudo, não são unânimes na hora de apontar soluções para a questão.

— A cada mês, algum país sai da zona do conforto. Ao longo do ano, Brasil e Canadá também. Ainda assim, a política de metas funciona e vai depender das ações dos bancos centrais de elevar as taxas de juros — disse Marcela Prada, economista da Tendências.

Conter a inflação é o maior desafio dos bancos centrais do mundo hoje. O Banco Central Europeu (BCE) deve subir juros amanhã para combater a alta dos preços. Em 15 dos 27 países da União Européia, o índice subiu 4%, nos últimos 12 meses até junho — contra meta de 2%.

— Soluções individuais não ajudam. Juntos, os países devem subir juros para frear o crescimento, o que faria os preços das commodities ceder, acomodando a inflação — disse Roberto Padovani, estrategista de investimentos para a América Latina do WestLB do Brasil.

Na avaliação de Jason Vieira, economista da UpTrend, elevar a taxa de juros não resolveria o problema do mundo. Para ele, a medida adia a valorização do dólar e alimenta ainda mais a inflação. Somente é eficaz em países em que a inflação é provocada pela demanda (pressão de consumo) — caso da Alemanha, citou ele.

— O aperto monetário detém o crescimento econômico. É preciso atuar na causa e não na doença. Então, incentivo de políticas mais sustentáveis na agricultura, medidas de desoneração para o setor seriam um dos caminhos. A inflação atual coloca em xeque todos os paradigmas clássicos de macro e microeconomia do sistema monetário.

Inflação gera pobreza mundial

O economista da FGV Paulo Picchetti afirma que, mesmo sem ter deixado de sofrer os efeitos das altas dos preços, o Brasil vem sendo citado como grande exemplo de boa condução de política monetária, porque se antecipou aos demais países no processo de elevação dos juros. Para ele, no entanto, ainda é pouco.

— Estamos vivendo uma crise de oferta (de produtos), e não se combate isso apenas com política monetária. É preciso haver também uma redução da demanda agregada, principalmente dos gastos correntes do governo. Sem uma combinação correta de política monetária e fiscal não enfrentaremos essa questão — disse ele, acrescentando que, sem juros altos e corte de gastos, a indexação pode voltar.

A inflação traz mais do que aumento do custo de vida. Especialistas dizem que o novo patamar dos preços pode ampliar a pobreza.

— Parte da demanda por commodities traduz o aumento da demanda por comida. O desenho atual não comporta aumento no consumo de alimentos. Infelizmente, para o mundo continuar crescendo, muita gente precisa passar fome — arremata Vieira.

24/09/2007 - 00:07h O cinismo da direita francesa

A direita governa França desde 2002. Sarkozy, o atual presidente francês, foi ministro durante esses cinco anos, incluso ministro de finanças.

Hoje ele é seu governo pretendem descobrir que o Estado francês se encontra em grandes dificuldades, com déficit público crescente e fora das exigências da União Européia na matéria.

É o que se chama cinismo e cara de pau. O presidente do Banco Central Europeu está obrigado a constatar o obvio e Sarkozy finge que o problema não é deles, da política que a direita implementou durante estes cinco anos.

Leia a notícia reproduzida pela Folha online

Finanças públicas francesas estão “em grandes dificuldades”, admite Trichet

da France Presse
da Efe

As finanças públicas francesas estão “em grandes dificuldades”, disse neste domingo o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, à rádio Europe 1.

“Batemos os finlandeses, os dinamarqueses” em termos de gasto público, enquanto “há oito anos estavam todos na nossa frente”, salientou Trichet, que é francês.

A situação das finanças públicas do país presidido por Nicolas Sarkozy –que esta semana voltou a criticar a política monetária do BCE– “é evidentemente um grande peso para a economia européia”, advertiu Trichet.

Na semana passada, o primeiro-ministro francês, François Fillon, declarou que estava à frente de um Estado “quebrado no plano financeiro [...], com 15 anos de déficit crônico [...] e que jamais votou um orçamento público equilibrado em 25 anos”.

Trichet declarou neste domingo que Fillon “tem razão em dizer isto”.

O presidente do BCE também afirmou que em alguns países europeus há um “fenômeno imobiliário” suficientemente grande para que possa ser notado, mas não do mesmo tipo que causou a crise dos créditos hipotecários nos Estados Unidos.

Perguntado pela emissora de rádio sobre os riscos do mercado imobiliário espanhol, Trichet disse que, na posição de presidente do BCE, deve pensar nos 14 países da moeda única européia e tomar decisões para todos eles.

O presidente do BCE admitiu ainda desajustes nas taxas de câmbio entre as principais divisas mundiais, mas ressaltou que em um sistema flutuante essas questões não se resolvem facilmente.

“É um problema que não se soluciona com um toque de varinha mágica”, afirmou Trichet em resposta às críticas recebidas, principalmente da França, pelo nível elevado do euro frente a outras moedas.

10/09/2007 - 20:00h Crise ameniza e indústria mantém planos para fim do ano

Reuters/Brasil Online

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) – A crise dos mercados financeiros assustou empresários brasileiros, mas não chegou a frear investimentos nem a reverter a tendência de crescimento esperada para a segunda metade do ano.

Executivos e representantes de entidades da iniciativa privada ouvidos pela Reuters acreditam que a demanda interna será suficiente para sustentar o ritmo de atividades nos próximos meses, período mais importante do ano para a indústria e o setor de varejo.

“Pelas reuniões que estamos tendo, percebemos que o crescimento do setor será igual ou maior que o do primeiro semestre”, afirmou Luiz Aubert, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Ele estima crescimento de 13 por cento para o setor neste ano.

Em meados de agosto, no pico das turbulências vividas pelos mercados por conta da crise no segmento de crédito imobiliário de alto risco norte-americano, algumas entidades empresariais no país notaram um clima de cautela entre os empresários.

Com a situação agora mais estabilizada, esses mesmos executivos resolveram manter as apostas para o restante do ano.

“No fim, não sentimos nenhuma mudança de comportamento em relação à crise. Não houve nenhum impacto direto na economia”, disse Luciana Pellegrino, diretora-executiva da Associação Brasileira de Embalagens (Abre).

Essa sensação de que o pior passou e de que a indústria segue o ritmo traçado, é compartilhada por Paulo Francini, diretor de economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Quando você ingressa em uma turbulência, fica sem saber quanto tempo vai durar, qual a intensidade. A dúvida é quase sempre imobilizante… Agora já estamos bem melhor”, disse. “As coisas se acalmaram, os mercados estão operando normalmente, interna e externamente. Tem-se uma sensação de alívio”, acrescentou.

2008 TRAZ DÚVIDAS

A preocupação que tomou conta de alguns empresários não chegou a alterar o espírito de outros. O setor automotivo é um exemplo de como a crise nos mercados internacionais passou, por enquanto, longe do Brasil.

Em agosto, as montadoras do país bateram novos recordes, tanto na produção quanto na venda de veículos -e por trás dos números mais uma vez estava o aquecido mercado doméstico.

“A crise não afetou o lado real da economia”, afirmou Jackson Schneider, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), ao divulgar dados sobre o desempenho do setor.

Mas o clima de tranquilidade não se repete no cenário de longo prazo. Os empresários, como boa parte dos analistas do mercado de capitais, ainda têm dúvidas sobre a extensão da crise, e não querem se comprometer com projeções que exijam mais fôlego.

Para José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do brasil (AEB), decisões de maior fôlego ainda podem ser adiadas.

“A crise é um fato. Os reflexos ainda não apareceram. Tanto o Fed (Federal Reserve) como o BCE (Banco Central Europeu) colocaram muito recurso (nos mercados), e isso aparentemente está segurando a crise”, afirmou. “A gente vê claramente que não existe uma certeza de que tudo passou.”

Segundo os executivos, se uma nova onda de turbulências impactar os mercados, os efeitos no país poderão ser sentidos no ano que vem.

“Se você me perguntar como é que vai ser 2008, aí não sei”, afirmou Aubert, da Abimaq.

16/08/2007 - 11:18h La banca europea pierde casi el 10% del valor en Bolsa por la crisis de las hipotecas

El País (España)

Estados Unidos fue el origen del terremoto financiero que ha desatado la llamada crisis de las subprima, los préstamos concedidos a clientes de dudoso historial crediticio. Pero la onda sísmica ha alcanzado de pleno a la banca europea. Las 15 mayores entidades europeas han perdido más de 100.000 millones de euros, el 9,4% de su valor bursátil, desde el inicio hace un mes de la tormenta financiera, cuyo pistoletazo de salida dio el banco de inversión Bear Stearns al anunciar la pérdida total de valor de dos fondos de alto riesgo.

Las entidades más afectadas han sido las que estaban directamente expuestas porque contaban con fondos respaldados por hipotecas subprima. El castigo ha sido especialmente serio para el suizo UBS, los franceses BNP Paribas y Société Générale, y el británico Barclays. Los dos grandes bancos españoles, BBVA y Santander, que han negado por activa y por pasiva ninguna implicación en las subprima, han sido de los menos castigados, con caídas del 7% y del 5%, respectivamente.

UBS fue uno de los primeros en pagar los platos rotos. El banco anunció el cierre de su filial de fondos de alto riesgo Dillon Read Capital Management y relevó a su máximo ejecutivo. Su cotización ha caído en un mes un 15,8%. La de BNP Paribas ha retrocedido un 14%, tras el anuncio de que congelaba tres fondos con títulos adosados a créditos inmobiliarios.

Barclays, salpicado por la insolvencia de los fondos de Bear Stearns, ha caído un 13%, y Deutsche Bank, que admitió que su fondo Dws Abs Fund había perdido un 30% de su valor desde principios de agosto, cae un 13,5%.

El nerviosismo entre los responsables de los grandes bancos es tal que ayer mismo Société Générale, que ha caído un 15,8% desde el inicio de la crisis, desmintió que tuviera inversiones en productos relacionados con las subprima.

No obstante, los descensos bursátiles también han significado buenas noticias para los bancos inmersos en adquisiciones. Como el Santander, que en consorcio con Royal Bank of Scotland y Fortis, ha comprado 40,7 millones de acciones de ABN Amro a un precio inferior en un 14% al que ofrece el consorcio en su OPA por el banco holandés. Santander y sus socios anunciaron ayer que no reducirán su oferta a pesar de que ABN acordó el pago de un dividendo de 58 céntimos por acción y a pesar de que la oferta de su competidor Barclays es ahora menos atractiva por la pérdida de valor en Bolsa. La entidad británica ofrece una parte en acciones propias, mientras que la del consorcio es toda en líquido.

También aprovechando la crisis, el banco islandés Kaupthing Bank anunció ayer la compra por 3.000 millones de euros del banco de inversión holandés NIBC Holding, afectado por la crisis del mercado crediticio estadounidense.

El temor a que la crisis se ahonde está muy presente en la mente de los inversores, alentados por nuevas señales de alarma. Como la que protagonizó ayer el fondo Kohlberg Kravis Roberts (KKR). Su filial KKR Financial Holding reconoció unas pérdidas de 40 millones de dólares (30 millones de euros) por las hipotecas basura, y advirtió que puede perder el equivalente a otros 150 millones de euros más.

No obstante, la principal preocupación es que los bancos centrales siguen inyectando dinero para suplir el papel que deberían cumplir las entidades privadas pero que prefieren nadar y guardar la ropa aún a costa de poner en jaque el sistema. Ayer, la Reserva Federal de Estados Unidos realizó una nueva inyección de 7.000 millones de dólares (5.190 millones de euros). El banco central estadounidense ha puesto ya a disposición del mercado a un total de 71.000 millones de dólares (50.000 millones de euros).

El Banco Central Europeo y el japonés se tomaron ayer un respiro, aunque el Gobierno nipón se vio obligado a lanzar un mensaje de tranquilidad por boca del primer ministro, Shinzo Abe.

Falta le hace esos mensajes de sosiego ante la jornada negra que vivieron las Bolsas asiáticas, todas ellas con pérdidas superiores al 2%, aunque mercados como el de Yakarta cayeron un 6,4%. El selectivo Nikkei de la Bolsa de Tokio está en su peor nivel desde el 8 de diciembre, y muchos valores registran mínimos de varios meses, sobre todo bancos como Sumitomo y Mitsubishi UFJ, o gigantes exportadores como Toyota o Sony. El moderado repunte de ayer de Wall Street puede calmar las aguas.

15/08/2007 - 19:32h Rating agencies hit by subprime probe

By Tobias Buck in Brussels

Financial Times

The European Commission is to investigate credit ratings agencies amid growing dismay over their slow response to the subprime mortgage crisis.

Officials in Brussels and many other critics, believe the ratings agencies failed to act quickly enough to warn investors about the risks of investing in securities backed by US subprime mortgages – the sector whose troubles triggered the recent global market volatility.

Banks first warned about a potential crisis in subprime last year. But it was only this spring that S&P and Moody’s started downgrading the ratings of mortgage-backed securities on a significant scale.

“If the rating agencies believe this is going to be business as usual, they are very wrong,” one Commission official said.

“The securitised subprime mortgage market would not have grown to the extent that it did without the favourable ratings given by some agencies. This was one of the roots of the problem.” Charlie McCreevy, the EU internal market commissioner, met senior S&P executives last month and expressed his concern about developments in the subprime mortgage sector and the apparently slow reaction of some agencies. Mr McCreevy has invited European securities regulators to meet in September to discuss ratings agencies and the problems that have surfaced with regard to rating structured products.

The ratings agencies have changed parts of their methodologies in response to the rapid rise in subprime mortgage payment problems. But they say downgrades and other actions follow once evidence has accumulated that mortgages or other assets are underperforming rather than on a speculative basis.

They also emphasise that ratings address default risk rather than valuation risk, and are only one of the tools at investors’ disposal.

The agencies have previously defended themselves from legal action by maintaining that their ratings are simply opinions, covered in the US by constitutional free speech protections.

The Commission is not committed to any course of action and is likely to await the outcome of a review of the International Organization of Securities Commissions’ code of conduct for ratings agencies, expected by April, before considering new regulation at the EU level.

The Commission adopted a policy paper last year that dismissed the need for new EU regulation on ratings agencies.

However, the paper did warn that “the position of credit rating agencies must not be compromised by the relationships which they have with issuers”, highlighting the fact that agencies are paid by the issuers, not the users, of their ratings. Another worry relates to the fact that credit ratings agencies also offer consultancy and other supplemental services to issuers, potentially creating conflicts of interest. In the US, the Securities and Exchange Commission introduced new rules in June requiring credit ratings agencies to register with the markets regulator and give it audited financial statements, credit analysts’ qualifications and procedures for preventing misuse of information.

The French watchdog has also cited potential conflicts.

Additional reporting by Richard Beales in New York, Jeremy Grant in Washington and Paul J Davies in London

13/08/2007 - 10:36h O Brasil e a crise no mercado subprime

Agosto é mês de cachorro louco! Na manhã do dia 9 de agosto, o Banco Central Europeu, o Federal Reserve e o Banco do Canadá anunciaram a criação de linhas de liquidez para truncar a contração do crédito bancário iniciada com a crise de inadimplência no mercado de hipotecas subprime.

O mapa com a cronologia e a propagação das perdas com hipotecas subprime foi elaborado pelo Financial Times (”Winners and Losers of the Current Subprime and Credit Market Turmoil”). Antes de 25 de junho havia apenas um perdedor na Califórnia e outro na Europa Ocidental. Em 6 de agosto já haviam 30 perdedores nos Estados Unidos e Canadá, 18 na Europa Ocidental, dois na Ásia e 3 na Austrália, com tendência a crescer. Estes fundos alavancavam suas posições com financiamentos bancários. Diante do tamanho desconhecido das perdas, os bancos cortaram o crédito não somente aos fundos, mas também às empresas produtivas, e para evitar um risco sistêmico e a maior contração na produção as autoridades foram compelidas a injetar liquidez. Aquele não era um problema “pequeno e localizado”, nem restrito aos Estados Unidos. Era sim um problema de grandes proporções, que também atingia fortemente a Europa, e era capaz de se propagar afetando, através do crédito bancário, a atividade econômica mundial.

A última crise financeira de grandes proporções ocorreu em 1998, com o colapso do LTCM (Long Term Capital Management). Seus contornos já eram claros em agosto daquele ano, mas ela apenas foi “solucionada” em setembro, quando os banqueiros financiadores do LTCM foram trancados em uma sala, somente sendo libertados após assumirem totalmente os prejuízos. Sua dimensão financeira e dispersão geográfica foram menores do que na presente crise e, no entanto, poucos meses após sua eclosão, ocorreram o default da Rússia e o ataque especulativo que tirou o Brasil do regime de câmbio fixo. Será que a atual crise pode provocar algo semelhante?

Embora haja semelhanças entre estas duas crises, como a existência de fundos alavancados no seu epicentro, há importantes diferenças. O colapso do LTCM não foi a causa dos problemas russo e brasileiro, que reside nos fundamentos destas duas economias, e no máximo acelerou a sua ocorrência. A Rússia tinha déficits públicos altos uma dívida pública não sustentável, financiada em grande parte por estrangeiros. O Brasil tinha grande desequilíbrio fiscal, um câmbio fixo e sobrevalorizado e uma dívida externa muito alta e crescente. No mercado financeiro internacional, os fundos carregavam posições alavancadas em títulos de mercados emergentes e, diante das chamadas de margem provocadas pela queda de preços dos papéis russos, vendiam títulos de todos os demais mercados emergentes, inclusive do Brasil, provocando uma contração nos fluxos de capitais, o que tornava não sustentável o déficit brasileiro nas contas correntes. Se o Brasil elevasse (como elevou) a taxa de juros para compensar os investidores do crescimento do risco-Brasil, provocaria o aumento da relação dívida/PIB, que já crescera com a depreciação cambial. O aumento da relação dívida/PIB provocava o aumento do risco-Brasil, reduzindo ainda mais os ingressos de capitais, fechando-se o círculo. A alavancagem excessiva dos fundos foi um ingrediente na propagação dessa crise, mas ela não teria ocorrido caso a nossa dívida pública fosse pequena, houvesse credibilidade no compromisso com o equilíbrio fiscal, o câmbio não estivesse sobrevalorizado e a dívida externa não tivesse atingido níveis excessivos.

Ao contrário das crises financeiras, os efeitos de episódios como o atual serão sentidos a médio prazo e não pegarão ninguém de surpresa

Hoje a situação é outra e o melhor exemplo da diferença é o Banco Central do Brasil comprar dólares no mercado à vista na tarde do mesmo dia 9 de agosto em que vários Bancos Centrais funcionaram como emprestadores de última instância. O Brasil tem superávits fiscais primários, eliminou a componente dolarizada da dívida interna, externamente não é mais um devedor, e sim credor, tem um superávit nas contas correntes e reservas mais de seis vezes superiores às amortizações da dívida externa em um ano. Dessa forma, uma parada brusca de fluxos de capitais não pode afetar sensivelmente a taxa cambial. Embora o aumento da aversão ao risco eleve os prêmios de risco dos títulos brasileiros públicos e privados, e perturbe muito os planos de investimentos privados, essa elevação é pequena. A economia brasileira não está totalmente livre dos efeitos desta crise, mas através dos fluxos de capitais estes efeitos são muito menores do que eram em 1998.

Entretanto, o canal de contágio através dos fluxos de capitais não é o único. O Brasil tem sustentado superávits nas contas correntes ao lado da contínua valorização do câmbio real, porque os preços internacionais de commodities vêm provocando uma elevação semelhante dos preços médios em dólares das exportações brasileiras. A trajetória destes preços, por outro lado, deve-se à combinação de elevada liquidez e forte crescimento mundiais. Mas a euforia geradora do desequilíbrio no mercado de subprime é, em grande parte, uma conseqüência da liquidez mundial, que vem aumentando as pressões inflacionárias e provocou a reação de praticamente todos os bancos centrais, elevando as taxas de juros. Fora deste ciclo de elevação estão apenas os Estados Unidos que, no entanto, ainda não deram qualquer indicação de que o ciclo de afrouxamento poderá se iniciar. O mais provável é que, ainda que seja mínima a probabilidade de uma aterrisagem turbulenta, com a presente crise aumentou ainda mais probabilidade, que já era alta, de que ocorra uma desaceleração do crescimento mundial.

Os reflexos deste cenário sobre a economia brasileira estão longe de serem desastrosos. Porém, seus prováveis reflexos sobre o lado real da economia mundial criam um quadro menos favorável à economia brasileira. Ao contrário das crises financeiras, que caem como raios sobre as economias, os efeitos de episódios como o atual serão sentidos a médio prazo e não pegarão ninguém de surpresa. Todos sabemos quais são os males que impedem hoje o maior crescimento do Brasil, e estes fatores serão colocados a nu pela situação internacional menos favorável.

Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti são economistas e escrevem no jornal Valor mensalmente às segundas.

12/08/2007 - 13:04h Uma nova versão da corrida aos bancos

Floyd Norris *

O Estado de São Paulo (para assinantes)

Há poucas gerações, os poupadores respondiam a pânicos financeiros com corridas aos bancos e até instituições saudáveis podiam ruir se não levantassem dinheiro suficiente e a tempo. Por muito tempo, aquilo tudo pareceu seguramente relegado ao passado. Mas agora as corridas estão de volta – e desta vez os alvos não são os bancos, mas os títulos que os substituíram como os principais fornecedores de crédito no novo sistema financeiro.

‘O atual sistema de finanças alavancadas e suas estruturas relacionadas podem estar criticamente comprometidos’, disse William H. Gross, diretor de Investimentos da companhia de fundos mútuos Pimco. ‘Nada no sistema permite o hedging do risco de liquidez, esse é o problema no momento.’

Esse problema tem atormentado os Estados Unidos em intervalos regulares. O Pânico de 1907 só foi superado quando o banqueiro J. P. Morgan convenceu os bancos a se unir e deter a série de colapsos emprestando dinheiro a instituições ameaçadas. Isso levou à criação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) quando o Congresso rejeitou a idéia de que a saúde financeira do país dependia da riqueza e da sensatez de um só cidadão.

Então a Grande Depressão, com uma onda de colapsos bancários, levou à criação do seguro para depósitos. Com isso, os poupadores se convenceram de que não precisavam se preocupar com a saúde de seu banco e, assim, as corridas aos bancos desapareceram.

Mas uma nova arquitetura financeira surgiu na última década – apoiada mais em títulos do que em bancos como intermediários. Com o valor desses títulos agora contestado – e sem um equivalente do seguro para depósitos -, algumas pessoas que financiaram os títulos querem tirar o dinheiro, fato que criou o equivalente de uma corrida aos bancos no século 21.

Quem precisa enfrentar a corrida são as instituições criadas para lidar com os problemas do velho sistema – especialmente os bancos centrais, como o Fed e o Banco Central Europeu (BCE). No entanto, em contraste com seu íntimo envolvimento com o sistema bancário, essas instituições têm pouco controle regulatório sobre os títulos com problemas e talvez nem saibam quem os detém.

No coração do novo sistema está a decisão de deixar que os empréstimos sejam financiados diretamente pelos investidores e não indiretamente pelos depositantes bancários. Os investidores – dos fundos hedge aos indivíduos ricos – confiaram no arranjo porque a maioria dos títulos foi abençoada como muito segura pelas agências de classificação de risco, como a Moody’s e a Standard & Poor’s.

Os títulos de classificação alta pagam juros relativamente baixos, mas, até agora, houve muitas pessoas dispostas a possuí-los ou emprestar dinheiro para quem os possuísse. Mas não há razão para possuí-los se houver dúvida sobre a segurança, assim como não havia razão para manter depósitos num banco que enfrentava uma corrida em meio a rumores sobre sua segurança.

Um resultado foi o congelamento dos mercados para muitos títulos, que, como se vê agora, eram críticos para o livre fluxo do crédito. O problema chamou a atenção quando dois fundos hedge operados pela Bear Stearns entraram em colapso e um terceiro da mesma firma teve de suspender resgates porque investidores tentavam sair, apesar de não haver indícios de problemas.

‘O terceiro anúncio da Bear Stearns sobre fundos foi a chave’, disse Robert Barbera, economista-chefe da ITG. ‘É preciso acreditar que, nos complexos de fundos hedge e mútuos, ganha força uma decisão que diz: quero ter alguns títulos do Tesouro como apoio se houver resgates.’

A base do sistema foi a crença de que títulos apoiados pelo crédito ruim podiam ser seguros, contanto que houvesse outros títulos que sofressem as primeiras perdas resultantes de inadimplência em grupos de hipotecas subprime ou de empréstimos a companhias altamente alavancadas.

Nenhum dos títulos de classificação alta deixou de fazer os pagamentos de juros no prazo, mas isso não é suficiente para despertar o desejo de comprá-los. As agências de classificação rebaixaram alguns títulos e estão endurecendo seus critérios para novas classificações.

Na semana passada, investidores de mercados de ações tentaram se assegurar de que nada estava realmente errado e estoques financeiros se recuperaram após fortes quedas. Analistas argumentaram que os lucros permaneciam fortes, assim como o crescimento econômico mundial. Na terça-feira, o Fed não quis baixar a taxa dos fed funds, afirmando que ‘a economia parece propensa a continuar a se expandir num ritmo moderado nos próximos trimestres, apoiada pelo crescimento do emprego e da renda e por uma economia global robusta’.

Mas essa perspectiva confortadora não ajudou os mercados de crédito a se recuperar nem convenceu ninguém a comprar os títulos – pelo menos não pelos preços esperados. Ninguém quer vender os títulos a preços baixos e em muitos casos as pessoas tomaram empréstimos usando-os como garantia. Assim, os mercados secaram.

Na quinta-feira, o BNP Paribas, um grande banco francês, disse que não poderia mais calcular o valor de três de seus fundos de investimento, cujos ativos haviam sido investidos em títulos de classificação alta, apoiados por hipotecas duvidosas. ‘A total evaporação da liquidez em certos segmentos do mercado de securitização dos EUA’, disse o banco, ‘tornou impossível calcular o valor justo de certos ativos, independentemente da qualidade ou classificação de risco.’

O problema é agravado pelo fato de os títulos questionáveis serem bastante disseminados e às vezes terem sido reorganizados para formar a base de outros títulos. Bancos e fundos europeus possuem papéis ligados a hipotecas subprime e não está claro quem mais possui ou como os investidores reagirão.

Bancos preocupados com a própria liquidez decidiram, na semana passada, aumentar as reservas, o que podem fazer tomando empréstimos de outros bancos. Empréstimos com essas taxas subiram com a demanda maior. Tanto a taxa dos fed funds quanto a Taxa Interbancária do Mercado de Londres tiveram forte alta na quinta.

O Fed, que conduz a política monetária manejando a taxa dos Fed Funds, foi obrigado a injetar dinheiro no sistema para baixar a taxa até o nível desejado. E o BCE emprestou US$ 130 bilhões a bancos europeus.

Se o pânico corrente é apenas medo irracional, então essas injeções de caixa poderão permitir que o novo sistema financeiro supere o mau tempo. Dinheiro pode ser emprestado aos detentores de títulos de recebimento duvidoso, eliminando a necessidade de vendê-los. À medida que se revelarem bons, empréstimos poderão ser saldados e todos ficarão felizes.

Por outro lado, se muitos desses títulos se mostrarem tão ruins quanto agora se teme, alguns desses empréstimos não serão bons e poderá haver mais falências financeiras.

Na quinta-feira, os preços das ações caíram na Europa e se mantiveram em queda nos EUA em meio a especulações sobre quais outros donos dos títulos em dificuldade poderiam surgir. Mas os preços das ações americanas continuam acima dos níveis para os quais caíram em fevereiro, após queda súbita no mercado chinês, e muitos investidores acham que tudo funcionará de maneira aceitável.

Os bancos centrais, embora fundamentais para lidar com a perda de fé no novo sistema financeiro, perderam influência. Os empréstimos poderiam ser arranjados por instituições não bancárias, não sujeitas a reguladores, e os reguladores estavam hesitando em impor regras que não se aplicariam a todos os emprestadores.

Os emprestadores venderam títulos para financiar hipotecas que permitiram que as pessoas tomassem empréstimos com taxas temporariamente menores que as projetadas pelo Fed. Isso retardou o impacto das tentativas do Fed de elevar os juros em 2005 e 2006.

‘Isso é importante porque significa que a queda no mercado imobiliário provavelmente vai prosseguir’, disse Barbera. Se a economia americana continuar se enfraquecendo, o Fed poderá ser obrigado a reduzir as taxas de juros antes do esperado, mesmo que essa medida ameace o valor do dólar.

Os preços no mercado futuro de Fed Funds mostram que há apenas algumas semanas os investidores achavam que não haveria nenhum desafogo do Fed este ano. Agora parecem acreditar que uma medida dessas é altamente provável e alguns a esperam já em setembro.

Mas a influência do Fed é limitada quando os emprestadores se tornam avessos ao risco. ‘O ímpeto de baixar taxas de juros pode não ajudar, se não lhe permitirem tomar empréstimos, em primeiro lugar’, disse Kingman Penniman, presidente da KDP Investment Advisors. O Fed não foi criado para lidar com o novo sistema financeiro, mas essa é sua única opção.

* Floyd Norris escreve para The New York Times

09/08/2007 - 15:23h El BCE inyecta una suma récord al flujo monetario debido a la crisis hipotecaria en EE UU

La operación asciende a 94.800 millones, muy por encima de los 69.300 que inyectó tras el 11-S

EL PAIS.com – Madrid -

El Banco Central Europeo (BCE) ha inyectado hoy una suma récord de 94.800 millones de euros al flujo monetario de la zona euro para aliviar las tensiones sobre el mercado monetario ligadas a la crisis del crédito hipotecario de riesgo, según ha indicado una portavoz.

Este importe es el mayor inyectado por el BCE al flujo monetario desde los ataques del 11 de septiembre de 2001 en Estados Unidos. En aquella ocasión, la entidad inyectó 69.300 millones de euros.

El organismo presidido por Jean Claude Trichet había señalado en su boletín mensual que vigilaría cualquier señal de turbulencia en los mercados, en una velada referencia a los problemas que atraviesa el sector de créditos hipotecarios de riesgo en Estados Unidos (subprime).

El BCE también ha abierto hoy la puerta a una nueva subida de tipos en septiembre al manifestar que es necesaria una “extrema vigilancia” para evitar que se materialicen los riesgos al alza para la estabilidad de precios. “Dado el favorable entorno económico de la zona del euro, la orientación de la política monetaria del BCE es aún acomodaticia”, ha apuntado el banco en su boletín mensual.

El consenso del mercado espera que el BCE aplique una subida de tipos en septiembre, hasta el 4,25%, tras haberlos mantenido la pasada semana en el 4% actual.

El BCE ha subrayado que la subida reciente de los precios del petróleo “constituye un recordatorio oportuno de los posibles riesgos para la estabilidad de precios que se derivan del comportamiento de los precios de las materias primas”, aunque no obstante, estos riesgos obedecen principalmente a “factores internos”.

La institución ha señalado como uno de estos riesgos a un aumento de los costes salariales derivado al sólido crecimiento del empleo y a “la intensidad de la utilización de los recursos de la zona euro”.