16/10/2009 - 20:41h O erotismo antropomórfico

L’érotisme anthropomorphe

Agnès Giard – Les 400 culs

Voici enfin rééditée Omaha, danseuse féline, une bande dessinée peuplée uniquement de chattes strip-teaseuses et de matous bien membrés, qui tombent amoureux, posent dans des magazines pornos et parfois se mettent à déprimer. C’est dur d’être une bête de sexe.

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En 1896, H.G. Wells publie L’Ile du docteur Moreau, l’histoire d’un savant fou qui modifie des animaux sauvages et les transforme en créatures presqu’humaines, capables de penser, de marcher, de parler… et d’aimer. Avec sa zoophilie latente, le roman fait scandale. D’autres auteurs s’engagent alors dans la brèche. Dans La Femme changée en renard David Garnett, jeune Anglais bisexuel et provocateur, raconte l’histoire d’une femme-renarde qui fait découvrir à son mari les mystères de la sauvagerie. Quelques années plus tard, Abraham Merrit écrit La Femme-Renard, un roman de science fiction sulfureux qui ouvre la voie à toutes sortes de récits fantastiques peuplés de catwomen et d’hommes-panthères à la sexualité débridée… Omaha danseuse féline s’inscrit en droite ligne de ces récits qui accordent aux animaux un statut comparable à celui d’êtres humains: comme nous, ils sont capables d’avoir des sentiments. Et des envies.

On appelle ces animaux des furries : animaux anthropomorphes, c’est-à-dire dotés de caractéristiques humaines. Exemple historique: en 1928, Walt Disney invente une souris qui marche sur ses pattes arrières, qui porte des chaussures et fait la cour à sa dulcinée, une dénommée “Minnie”. Mickey lance la mode des furries. Très vite, ça dérape. Élevés en compagnie de peluches duveteuses, des générations d’adolescents font sur leurs jouets d’enfance une véritable fixation. En grandissant, loin d’abandonner leurs nounours, ils les déguisent: bas résille et cockrings. Les nostalgiques auto-batisés “furverts” (pervers de la fourrure) ou encore “furryphiles” (amis de furries) entretiennent avec les animaux de leurs rêves un rapport quasi-sexuel. Ce sont des fou(rrure)-furieux, qui forment à travers le monde une vaste communauté communiant dans l’amour des “plushies”, les peluches, et des “kitties”, les minous de dessins animés. Leur communauté se nomme elle-même “furry fandom”.

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Première caractéristique: leurs fantasmes s’inspirent directement des gentils héros niais, des lapins gnangnans, des écureuils affectueux ou des adooorables poneys aux grands yeux miroitants… Sur Internet, c’est la folie. Allant toujours plus loin dans la perversité, les furverts rivalisent de dessins cochons: leurs femmes-fennec et leur hommes-chevaux s’exhibent en bas résille et porte-jarretelles, le sexe moulé dans des tenues cuir et les fesses bien offertes à de violentes pénétrations anales ou vaginales… Gay ou straight, toujours hardcore, SM-fetish ou “vanille”, mais toujours sans tabous, leurs images détournent les icônes enfantines et dynamitent le côté mièvre des dessins animés. Un vrai jeu de massacre. Les furverts sont des terroristes. Ils fantasment sur d’innocentes créatures, métamorphosées en “bêtes de sexe”. Ils reprennent Pikachu à la sauce porno. Ils kidnappent Mickey pour le violer en gang bang. Ils s’amusent même à se masturber dans des peluches (sur le site Real Hamster, qui parodie le célèbre Real Doll) ou à copuler dans des poupées gonflables en forme de Bambi! D’autres encore s’achètent des déguisements en fourrure: sous le nom de “fursuiters”, ces fétichistes du nounours s’habillent en étalons déviant ou en lapins scabreux pour faire l’amour…

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“Je suis votre ourson” (I am your teddy bear), chantait Elvis Presley dans les années 50. C’était mignon. Dans les années 90, les Furverts reprennent en choeur “I want to be your dog”. C’est nettement plus sexuel. En bande dessinée, la plus célèbre des séries furries s’appelle Fritz the cat. Contestataire et sexuellement incorrect, Fritz le chat baise des “poules” (au propre comme au figuré) dans des baignoires de coke. Reprenant la tradition égyptienne des dieux zoomorphes, Bilal dessine dans la trilogie Nicopol d’étranges accouplements. Au Japon, Masamune Shirow invente dans Appleseed des mutantes en fourrure programmées pour le sexe… Tank Girl, icône des punkettes, s’éclate dans des décors à la Mad Max: son mec est un kangourou. C’est dire s’il a une grosse queue. Dans Omaha danseuse féline, on retrouve la même explosive énergie défoulatoire à l’oeuvre: c’est une histoire d’amour post-libération sexuelle, écrite et dessinée par un couple (le dessinateur Reed Waller et sa compagne scénariste Kate Worley). Une saga de 1000 pages interrompue tragiquement par la mort de Kate, et qui raconte – sur 20 ans – la vie inachevée d’une… chatte gourmande et tendre.

A ne pas rater : le graphiste japonais TwoTom dessine des hommes-lapins sado-masos qui échangent des gode-carottes dans des décors de conte de fée. Ses oeuvres sont exposées du mardi 13 au dimanche 18 octobre à la librairie OFR : 20 rue Du petit Thouars, 75003 Paris. Tél. : 01 42 45 72 88. Vernissage demain, mardi 13 oct, à partir de 18h30. L’exposition s’appelle : “Cinq illustratrices japonaises et un garçon nippon”.

Omaha, danseuse féline, de Reed Waller et Kate Worley, éd. Tabou.

24/08/2009 - 20:23h Crepax – Masoch e a A Vênus de Peles

Guido Crepax foi o primeiro grande mestre dos quadrinhos eróticos. Era formado em arquitetura, mas nunca exerceu a profissão, tendo-se dedicado, ainda estudante, às artes gráficas publicitárias e à ilustração.
Em 1965 escreveu e desenhou a sua primeira história em quadrinhos, com a personagem Valentina,a bela fotógrafa cosmopolita criada à imagem e semelhança da atriz Louise Brooks, de quem Crepax era fã. Além de Valentina, outras obras suas se destacaram: baseado em histórias do Marquês de Sade fez Justine; em Arsan, fez Emanuelle; em Pauline Reage, História de O e em Sacher-Masoch, A Vênus das Peles. Isso entre muitas outras.
Adorava jazz, fez então uma homenagem para Charlie Parker em O Homem do Harlem. Não bastando tudo isso, fez adaptações para os clássicos Frankenstein, O Médico e o Monstro e Drácula.
Foi autor de outras heroínas: Bianca, Anita, Giulietta, Belinda e Francesca. No campo das artes plásticas propriamente ditas, Crepax assinou uma centena de obras, entre litografias e serigrafias.Faleceu em 2003.

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Sacher-Masoch, Um aristocrata sui generis

Masoch era de ascendência nobre. A cidade em que nasceu levava o nome de seu bisavô e o seu próprio: Léopold. Seu pai era a maior autoridade da região. Um Conselheiro com o título de cavalheiro. Algo como um prefeito e um delegado reunidos num único poder. Masoch herdou do pai a inclinação pelos prazeres do sexo? Bem, o certo é que ele foi uma figura poderosa para Masoch. Homem que amava o luxo, a caça, e não tinha pruridos em exaltar o próprio sucesso.

No século 19 a Áustria pertencia ao Império Austro-Húngaro, e os nobres falavam francês, que era considerada a língua culta. Masoch alfabetizou-se em francês e alemão. Estudou filosofia e ciências naturais. Aspirava e conseguiu tornar-se um romancista de primeira linha. Tinha um projeto literário extremamente ambicioso. Pretendia, num conjunto de 20 volumes intitulados O Legado de Caim, fazer uma síntese da condição humana em seus aspectos literários, naturais e filosóficos. Mas os homens têm a memória curta para a arte e aguçada para as perversões. Masoch retratou em seus romances suas próprias inclinações, e isso o condenou.

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Um criado para seu prazer

Em 1869, Masoch, então com 33 anos, conheceu Fanny de Pistor Bogdanoff, bela mulher, nobre como ele, e que acima de tudo o amava. Leopold lhe propõe um pacto redigido como contrato: durante seis meses ele será seu criado. Ela poderá fazer com ele o que bem entender. A única ressalva é que permita que ele continue a escrever seus romances durante três horas por dia.

O contrato era para Masoch uma forma de reinventar as relações entre homem e mulher. Havia algo de Fausto também na idéia. Um pacto onde o prazer é obtido à custa do sofrimento. Fanny estranha a proposta, mas por amor aceita. O casal empreende uma viagem pela Itália. Passeiam extasiados pelos belos e antigos cenários de Nápoles. Masoch vestido e comportando-se como um criado polonês, que acompanhasse a princesa.

Ele tinha uma fantasia. Deveriam encontrar um amante para ela, jovem e belo, que a possuísse. Eles o chamariam o Grego. Finalmente, ela pediria ao amante que chicoteasse seu criado, que se comportara mal. A primeira parte do plano deu certo. Fanny realmente conseguiu uma amante. Era uma ator chamado Salvini. Mas o rapaz se recusou a surrar Masoch. Este suplicou, beijando-lhe os pés, que o castigasse. Sem sucesso. Em seu livro A Vênus de Peles, a cena aparece inteira, e na literatura o amante não hesita em malhar o criado. O gozo é atingido.

Em seu livro, Présentation de Sacher – Masoch, o filósofo Gilles Deleuze faz o seguinte comentário: “O contrato masoquista não expressa somente a necessidade do consentimento da vítima, mas também o dom de persuasão, o esforço pedagógico e jurídico pelo qual a vítima educa seu carrasco.”

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De encontro ao seu desejo

Com A Vênus de Peles, Masoch tornou-se um escritor conhecido. A fama trouxe uma enxurrada de assédios, alguns sinceros, outros oportunistas. Um desses viria a marcar a vida do escritor. Trata-se do encontro com Wanda.

Abandonada pelo pai e vivendo em péssimas condições com a mãe, que lavava roupa para o exército, Wanda conheceu Madame Frischauer, que julgava ter razões para se vingar de Masoch. Seu filho, um jornalista corrupto, fora denunciado por Leopold. Madame Frischauer leu o livro de Masoch e percebeu sua fraqueza por mulheres dominadoras.

Obrigou Wanda, que era sua empregada, a ler o livro também. Convenceu a jovem de que Masoch a adotaria se ela encarnasse os desejos perversos dele. Fez mais. Escreveu uma carta a Masoch oferecendo seus préstimos e seu amor. Wanda assinou a missiva. Masoch engoliu a isca e respondeu assim: “Se eu tivesse a sorte de encontrar uma mulher que pudesse encarnar essa Vênus das peles, essa mulher eu amaria, eu a adoraria até a loucura, eu poderia me tornar seu escravo, mesmo que ela fosse apenas uma arrumadeira, porque só espero da mulher beleza e amor”

Wanda, a Dominadora

Quando Wanda, que em verdade chamava-se Aurora Rümelin, e foi rebatizada como Alice por Masoch percebe que ele estava fisgado, passa a sonhar com o casamento. A segurança de estar ao lado de um nobre era por demais tentadora. Havia um impedimento. Wanda usava em seus encontros uma máscara, e se dizia casada para mais inflamar o desejo de Masoch.

Ela aprendera em seus livros que o ciúme é afrodisíaco. Os encontros com uma dama comprometida tinham sabor especial para Leopold. Wanda dispõe-se a abandonar o suposto marido. Masoch era ainda noivo de Jenny. Decide-se por abandoná-la em favor de Alice/Wanda. Esse é apenas o início de seu aviltamento. Quando Wanda percebe que ele está plenamente dominado retoma a idéia do contrato.

Envia para Masoch uma carta com o seguinte trecho: “Se me ama como diz, deve assinar o texto anexo, acrescentado-lhe algumas palavras para confirmar que aceita todas as minhas condições e que dá sua palavra de honra de ser meu escravo até o último suspiro. Prove que tem coragem de se tornar meu marido, meu amante, e… meu cão.” Leopold aceita, com a condição de que ela tire a máscara.

Ele descreve assim o primeiro encontro amoroso dos dois: “Wanda: dispa-se.
Eu: tiro o casaco, quer me amarrar os pés, quer fazê-lo ela própria, amarra-me os pés e as mãos, me chicoteia; inclina-se para mim, pergunta se gosto daquilo. Volúpia. Depois aproxima seus lábios dos meus. Como quero beijá-la, ela se afasta, quer que eu lhe suplique, depois chicoteia com tanta força que mal posso suportar.”

Caso limite entre um romancista e seus personagens. Ele criou Wanda e aceita agora se tornar o escravo de sua própria criatura.

O apaziguamento.

Wanda, moça pobre que ascendeu à burguesia com o casamento, logo se tornou uma enfadonha dona-de-casa. Tiveram três filhos, sendo que o primeiro foi vítima do surto de cólera que se abateu sobre a Europa em 1873. Viveram juntos ainda durante 13 anos, quando tiveram o segundo e o terceiro filho, Alexandre e Demétrius. A separação de Wanda só veio em 1883 com a morte do filho Demetrius e o encontro com Hulda Meister, que seria sua segunda esposa.

Hulda era uma burguesa tradicional, mas amava Leopold. Deu segurança emocional a ele. Foi o apaziguamento. Masoch teve várias outras amantes, nas quais perseguiu seu ideal feminino, ou seja, mulheres fortes, autoritárias, que lhe infligiam os castigos esperados. Com Hulda teve mais 3 filhos.

Sacher – Masoch morreu em 5 de março de 1895, aos 59 anos. Seu corpo foi levado para Heildelberg e cremado, conforme sua vontade. Deixou mais de 30 romances, ensaios e contos publicados. Sua fama como amante singular ultrapassou seu gênio como escritor. Fonte Sexo e literatura

 Mais sobre A Vênus de Peles

por Caio Arias 

A primeira publicação de “Venus in Furs” data de 1870.  Após este livro em específico, Leopold Von Sacher-Masoch ganhou notoriedade e sua obra, a meu ver, começa a aparecer como “imoral”, principalmente quando, após alguns anos, o masoquismo – derivado de seu nome – entrou para o léxico psicanalítico. O romance, dizendo de forma simplista, descreve a obsessão sexual de Severin von Kusiemski, um nobre europeu com desejo de “ser escravo de uma mulher”.

 (A capa é de Gustav Klimt)

Venus in Furs deu origem a mais frutos que talvez até mesmo Sacher-Masoch pudesse crer.

A primeira versão de Venus in Furs ilustrada data de 1921, com ilustrações de Fritz Bucholz. É interessante perceber o caráter animalesco da retratador por ele.

A música do grupo Velvet Underground, de mesmo título, descrevia situações clássicas de relações sexuais que uniam dor e prazer. Sem uma mudança de acorde sequer, a faixa era ponteada pelo agudo, marcando assim, o tempo da música como um aparelho de tortura.

“Shiny, shiny, shiny boots of leather
Whiplash girlchild in the dark
Comes in bells, your servant, don’t forsake him
Strike, dear mistress, and cure his heart
Downy sins of streetlight fancies
Chase the costumes she shall wear
Ermine furs adorn the imperious
Severin, Severin awaits you there
I am tired, I am weary
I could sleep for a thousand years
A thousand dreams that would awake me
Different colors made of tears
Kiss the boot of shiny, shiny leather
Shiny leather in the dark
Tongue of thongs, the belt that does await you
Strike, dear mistress, and cure his heart
Severin, Severin, speak so slightly
Severin, down on your bended knee
Taste the whip, in love not given lightly
Taste the whip, now plead for me
I am tired, I am weary
I could sleep for a thousand years
A thousand dreams that would awake me
Different colors made of tears
Shiny, shiny, shiny boots of leather
Whiplash girlchild in the dark
Severin, your servant comes in bells, please don’t forsake him
Strike, dear mistress, and cure his heart”

Vênus de peles

Brilhantes, brilhantes, brilhantes botas de couro
Garotinha açoitada na escuridão
Vem ao sinal, seu servo, não o abandone
Golpeie, cara senhora, e cure o coração dele
Pecados felpudos das fantasias à luz do poste
Cace as roupas que ela irá vestir
Coberta de peles a dominadora
Severin, Severin o aguarda lá
Estou cansado, entediado
Poderia dormir por mil anos
Mil sonhos que poderiam me acordar
Diferentes cores feitas de lágrimas
Beije as botas de couro, couro brilhante
Couro brilhante na escuridão
Língua de tiras de couro, a correia que o espera
Golpeie, cara senhora, e cure o coração dele
Severin, Severin, fala tão parcamente
Severin, caia de joelhos
Sinta o gosto do chicote, do amor não dado superficialmente
Sinta o gosto do chicote, agora implore pra mim
Estou cansado, entediado
Poderia dormir por mil anos
Mil sonhos que poderiam me acordar
Diferentes cores feitas de lágrimas
Brilhantes, brilhantes, brilhantes botas de couro
Garotinha açoitada na escuridão
Severin, seu servo vem ao sinal, por favor não o abandone
Golpeie, cara senhora, e cure o coração dele

 

Surge Guido Crepax, criador das personagens Valentina e Anita. Foi um dos artistas que mais contribuiu para a revolução das histórias em quadrinhos dos anos 60 e 70. Criador de uma linguagem própria, o delírio, o erotismo, a liberação em oposição ao comportamento reprimido das décadas anteriores estavam claros nas criações de Crepax e com uma estética impecável trouxe novamente à vida Venus in Furs.

 Venus in Furs (Guido Crepax)

O fato é que parece haver uma força renovadora, um respiro, um refúgio que leva artistas a buscarem, das mais variadas formas, a publicação de Sacher-Masoch que, muito além de um simples conto de luxúria e “perversão” sexual ou um fantasma da decadência Vitoriana, é um apaixonado e poderoso retrato de um homem que luta para esclarecer e instruir o seu próprio mundo no domínio de seu próprio desejo.

“(…) mas de repente, ela me empurra com o pé, ergue-se e puxa uma campainha. Imediatamente três esbeltas negras talhadas no ébano apareceram, vestidas de cetim vermelho e cada uma com uma corda na mão. Compreendo agora minha situação e tento me levantar, mas Wanda, de pé, com seu belo e frio rosto de sobrancelhas escuras e olhos zombeteiros virados para mim, se impõe como senhora dominadora. Ela faz um gesto e, antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, as três negras jogam-me no chão e amarram minhas mãos e pernas, depois os braços atrás das costas, como um homem pronto para ser executado, de forma que mal posso me mexer (…)”

 

04/02/2009 - 17:01h Manara: “O erotismo é para mim uma religião”

Entretien

Milo Manara : “Pour moi, l’érotisme est une religion”

 

 

 

 

L’auteur italien du best-seller de la BD érotique “Le Déclic” raconte les femmes, Hugo Pratt, le pouvoir de la séduction…

Milo Manara au Lutétia, à Paris, fin janvier (Emilie Masson)

C’est dans le hall de l’Hotel Lutetia que j’ai rencontré le maître de l’érotisme. Du velours rouge pour les fauteuils et les rideaux, des paravents en fer forgé, le décors est planté pour cet amoureux du baroque et de la sensualité.

Contrairement à ses personnages, Milo Manara est discret, pudique. Difficile d’accrocher le regard du créateur de l’inénarrable “Déclic”! Cet artiste qui a donné corps aux fantasmes de tant d’hommes, mais aussi de femmes, plonge son regard bleu pâle vers l’intérieur, là où se trouve la source inépuisable de son imagination mais aussi de ses souvenirs.

De passage à Paris pour la promotion du troisième tome de “Borgia (les flammes du bûcher)” (Drugstore ed.) avant de se rendre au Festival d’Angoulême pour les Rencontres internationales de la bande dessinée, le maître raconte, les femmes, Hugo Pratt et le pouvoir de l’érotisme…

Qu’est ce qui vous a donné envie de dessiner Lucrèce Borgia?

C’est le scénario que m’a proposé Alexandro Jodorowsky. Il est passionné par cette période de l’histoire. Rodrigo Borgia c’est le Pape Alexandre VI qui a été élu en 1492, c’est à dire la même année que la découverte de l’Amérique, mais surtout, l’année de départ de l’ère moderne. La fin du Moyen Age.

Borgia était entouré par des personnages comme Machiavel, c’est donc aussi la naissance d’une nouvelle forme de politique. De l’immoralité au sein même de la politique.

Moi aussi c’est une époque qui me fascine, mais c’est surtout pour l’image. C’est l’époque des peintres les plus importants de l’histoire de l’art. Il y avait Botticelli, Michel Ange… Pour moi c’était enthousiasmant à dessiner!

D’une certaine manière, la politique de cette époque, ses rapports avec la religion aussi, présente certaines similitudes avec notre époque…

Surtout en ce qui concerne la loi a deux vitesses. Une pour les puissants et une pour les autres. Une morale aussi pour les puissants et une pour les autres. On s’aperçoit que la vie des puissants d’aujourd’hui, c’est exactement ça.

Borgia dit à Lucrèce “le sort de Rome est entre tes mains” et elle lui répond: “Le sort de Rome est plutôt entre mes cuisses”! C’est finalement ça votre regard sur la femme: non pas une femme objet, mais une femme qui détient un pouvoir?

On voit cela tous les jours. L’utilisation commerciale du corps de la femme est la preuve de son pouvoir d’attraction. La publicité a compris cela et elle utilise la séduction comme une force de vente, alors que pour moi, la séduction est un véritable pouvoir.

Il y a une sacralité dans la séduction et dans l’érotisme. Une sacralité presque religieuse! Pour moi, l’érotisme est une religion! Ce n’est pas un hasard si, dans la Grèce antique, Eros était un dieu!

Quelles femmes dessinez-vous?

Surtout les femmes que je vois dans la rue. Mais l’imagination y est également pour beaucoup. Quand j’étais jeune et que je voyais une femme de dos, je voulais tout suite voir son visage. Aujourd’hui je préfère l’imaginer, la rêver… Pour moi le visage c’est le plus important dans la séduction féminine. Il y a des mannequins magnifiques qui ne me font aucun effet, parce qu’il n’y a rien dans leur regard.

Gullivera, de Manara

Qu’est ce qui a déclenché le début de votre aventure de dessinateur?

Ma mère était une institutrice de la vieille école, très sévère, elle avait interdit la bande dessinée à la maison. Du coup j’ai découvert la BD très tard, à 20 ans! J’ai lu “Barbarella” de Forest et j’ai immédiatement compris que c’était ma vocation.

Quel rôle a joué Hugo Pratt dans votre vie?

Ah! Fondamental! Fondamental! Quand je l’ai rencontré, une amitié est née presque tout de suite. Comme il était vénitien, il n’avait pas de permis de conduire, alors quand il avait besoin d’aller quelque part c’est toujours moi qui l’emmenais avec ma voiture. Du Sud de l’Italie au Nord de la France ou en Espagne, nous avons beaucoup voyagé ensemble. Une totale complicité est née. Que ce soit pour la bande dessinée ou pour les femmes!

Pratt était passionné par les femmes, il en a d’ailleurs eu beaucoup! Contrairement à moi qui ne fait que rêver! C’est donc très naturellement que nous avons décidé de travailler ensemble. Il avait des scénarios qu’il voulait dessiner lui-même, mais il s’est rendu compte qu’il n’avait pas le temps de tout faire.

Il m’a donc proposé le premier scénario (”Un été Indien”, Casterman 1993) puis le deuxième (”El Gaucho”, Casterman 1995). Nous avions l’intention de continuer, mais en 1995 il est mort. Nous avions presque vingt ans d’écart, mais il fut pour moi comme un père ou un frère.

Est-ce que vous-vous attendiez à un tel succès quand vous avez fait “Le Déclic”?

Absolument pas! Le directeur du magazine Playmen m’a invité à Rome pour dessiner trois pages à la fin de chaque numéro. Et quand je me suis rendu dans cette rédaction, j’ai vu un journaliste très laid… Et avec lui il y avait deux femmes vraiment fabuleuses qui étaient clairement amoureuses de lui! Alors je me suis dit qu’il devait avoir un secret…

En rentrant chez moi, je me suis mis à imaginer une histoire. Je me disais que cet homme devait avoir une boite magique avec laquelle il arrivait à maîtriser le cerveau des femmes. C’était d’ailleurs l’époque où sont apparues les premières télécommandes. Moi j’en avais une pour le portail de mon terrain. Alors quand je suis arrivé chez moi et que j’ai touché ma télécommande, tout s’est combiné dans ma tête!

Existe-il une femme idéale?

Oui et non ! En BD, la belle c’est toujours la même. Alors je ne sais pas si c’est la femme idéale, ou simplement la femme la plus facile à dessiner. C’est leur caractère qui fait la différence. La beauté des femmes dessinées est magnifiée par l’histoire. C’est ça, qui fait le “déclic” de l’érotisme.

Borgia (3) Les flammes du bûcher scénario: Alexandro Jodorowsky; dessin: Milo Manara (ed. Drugstore)

A lire aussi sur Rue89
“Love Story”, manuel d’éducation des plaisirs sexuels au lit
Sextape, naissance d’une BD, le blog de Thomas Cadène

Ailleurs sur le Web
Le site de Casterman consacré à Manara

23/10/2007 - 20:05h Gibi + Fotos

bd+fotografia

Le photographe, 1º volume, Au Coeur de l´Afghanistan

No Ípsilon desta semana Alexandra Lucas Coelho conta-nos como nasceu Le Photographe, uma obra estranha e fascinante, meio caminho entre banda desenhada e fotografia com o Afeganistão como pano de fundo. O cunjunto de 3 livros foi premiado no último festival de Angoulême. Didier Lefèvre (1957-2007) é o homem da máquina fotográfica que acompanha uma missão dos Médicos Sem Fronteiras para lá de Feyzabad. Emmanuel Guilbert escreveu e desenhou. Fréderic Lemercier paginou e coloriu. Vale a pena ler o texto da Alexandra. Aguça a vontade de ver e ler esta viagem ao país dos homens de olhos pintados.

O site de Le Photographe, onde se podem folhear algumas páginas, está aqui.
O texto do Ípsilon está aqui.

Le photographe, 3º volume, Retour Solitaire