31/08/2009 - 18:41h Beijo

Indicado por Valentina para Michelle

Virgínia Schall

sua boca
uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica
de línguas
púrpuras

Poetas de Manguinhos, Editora Fiocruz, 1997 – Rio de Janeiro – Brasil.

04/08/2009 - 19:14h O beijo

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Katy Bailey

15/02/2009 - 18:54h O beijo

O beijo, escultura de Auguste Rodin

O Beijo, de Rodin

Da metamorfose do rochedo
Monstro de terra e de mar
Áspero, sólido, horrendo
Liberta-se aos poucos
Uma forma de arte… e de amar

Os músculos apenas se descobrem
Na denúncia da pulsação esquecida
Das mil energias que percorrem
A pedra viva.

Na lisura da pedra suada murmuram discretas veias
De dois corpos em concha
Onde o tempo construiu suas imortais teias
De brilho e de cotão

Pelo torso tímido ela se enleia como Hera
Que o quer seu
E o seu gesto de jovem primavera
Guarda em si o fogo da paixão

Na brisa subtil desta ternura
Esquecida de si mesma ela se dá
E da rocha de uma teimosia dura
Os pés voam e ganham o ar.

O seu seio erguido se alonga no abraço
E roça dele o peito pujante e vigoroso
E este toque sentido
Desperta um desejo ardente e ansioso.

O amante, mais contido no seu movimento
Pousa a sua mão grande e viril
Na carne rija e sem tempo
Da sua ninfa de cinzel e vento.

E na coxa que a luz revela… firmeza
E a sombra arredonda,
Há a secreta beleza
De um segredo profundo… no escuro.

Os olhos fechados no pudor do sentimento
O tremor quente dos lábios nas órbitas nocturnas.
A urgência do desfloramento
Na avidez das ternas garras, tenra luz.

Numa penumbra sem rostos
Dois corpos, um só ensejo
Um homem, um mulher
Um só gesto, um eterno beijo.

Ana Tarouca, 2001.

15/02/2009 - 18:11h Beijo reduz o estresse e estimula fidelidade no homem

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Deborah Kerr e Burt Lancaster na famosa cena do casal se beijando na praia em “A Um Passo Da Eternidade”?

Beijar reduz a oxitocina, o hormônio do afeto, nas mulheres, mas aumenta a quantia nos homens

Associated Press – O Estado SP

CHICAGO, EUA – Bem a tempo para o dia e São Valentim, o Dia dos Namorados nos Estados Unidos, celebrado neste sábado, 14, um painel de cientistas examinou o mistério do que ocorre quando os lábios se encontram. Beijar, ao que parece, libera substâncias que reduzem os hormônios do estresse em ambos os sexos estimulam a formação de laços emocionais nos homens, mas nem tanto nas mulheres.

Substâncias da saliva podem ainda oferecer uma forma de avaliar a qualidade do parceiro, disse a neurocientista Wendy Hill, durante reunião da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS).

Em um experimento, explicou ela, pares de estudantes universitários heterossexuais beijaram-se por 15 minutos ouvindo música. Eles experimentaram mudanças significativas nos níveis da oxitocina, que afeta a formação de ligações afetivas, e de cortisol, que está associado ao estresse. Os níveis das substâncias na saliva foram auferidos antes e depois do beijo.

Ambos os sexos tiveram redução no cortisol, um sinal de queda no estresse. Os homens experimentaram ainda um aumento da oxitocina – sinal de elevação da disposição para formar laços – mas a substância caiu entre as mulheres. “Isso foi uma surpresa”, disse Wendy.

Ela falou numa sessão da AAAS sobre a Ciência do Beijo, ao lado de Helen Fisher, e de Donald Latenier.

Helen destacou que mais de 90% das sociedades humanas praticam o beijo que, para ela, tem três componentes: impulso sexual, amor romântico e apego.

O impulso sexual leva as pessoas a avaliar diversos parceiros, o amor romântico leva-as a focalizar em um indivíduo, e o apego permite que o casal se tolere o bastante para criar uma criança. Homens tendem a pensar no beijo como uma prévia da cópula, disse ela, destacando que o sexo masculino prefere os beijos “desleixados”, que permitem a transferência de substâncias, incluindo o hormônio sexual testosterona, para a mulher.

Lateiner, um estudante da Antiguidade clássica, observou que o beijo aparece pouco na arte grega e romana, embora fosse praticado nessas sociedades, mesmo com o risco de transmissão de doenças que acompanhava o gesto na época. Ele também disse que era possível cometer gafes ao beijar a pessoa errada, ou beijar na hora errada.

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O beijo, de Rodin