19/10/2009 - 14:51h Marketing eleitoral
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- Luis Favre
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Ben Self, que participou de palestra em São Paulo, teria sido contratado para assessorar João Santana
Werther Santana/AE – Para Ben Self, carisma não é fundamental para o sucesso de um candidato na web
SÃO PAULO - Uma das estrelas da campanha que elegeu Barack Obama presidente dos Estados Unidos em 2008, o estrategista americano Ben Self se esquivou nesta quinta-feira, 15, de todas as perguntas sobre uma possível participação sua na campanha eleitoral brasileira do ano que vem. “Não vou confirmar e nem negar rumores sobre nossos clientes. Deixo eles se pronunciarem, se for do interesse deles”, disse Bem, que abriu o seminário “Efeito Obama” em um luxuoso hotel de São Paulo.
Nas últimas semanas, rumores de que Ben deve participar da campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, circularam na imprensa. Ele não seria, no entanto, contratado pelo PT, como afirmou
recentemente o presidente do partido, Ricardo Berzoini, mas pelo marqueteiro João Santana, que deve assessorar a candidata do PT nas eleições do ano que vem.
Apesar de evasivo sobre os rumores, pressionado sobre as características dos pré-candidatos brasileiros, que não teriam o mesmo apelo de Obama, Ben disse acreditar que o carisma não é fundamental para que um candidato seja bem sucedido na web.
A avaliação vai de encontro com a argumentação de um dos organizadores do evento, o reitor da Escola de Gerenciamento Político da George Washington University, Christopher Arterton, que em recente entrevista ao estadao.com.br disse que o carisma de Obama foi um dos fatores que definiu o resultado de sua campanha.
E-mail é o caminho
Mais relaxado quando o assunto não era a sucessão de Lula, Ben, que é fundador da Blue State Digital, usou sua palestra para descrever a experiência durante a campanha de Obama, e, mais especificamente, como a tecnologia disponível pode ser aplicada para engajar um maior número de pessoas na campanha. Apesar de toda revolução da chamada web 2.0 – ou a internet altamente interativa, onde não há distinção entre emissores e receptores –, Ben destaca a importância do e-mail como ferramenta de comunicação com os eleitores.
“Há duas formas de fazer campanha. A primeira é tentar fazer a mídia tradicional falar de você. A outra, mobilizar as pessoas para que elas façam algo por você”, explicou Ben. Assim, o e-mail seria um dos meios mais adequados para o aprofundamento da relação com o eleitor, uma vez que permite um contato direto e garante uma das regras fundamentais da campanha online: o engajamento. Nesse sentido, o e-mail se sobrepõe às outras tecnologias devido à velocidade com que ele se propaga.
O estrategista afirma ainda que uma das técnicas utilizadas para dar relevância à campanha é a criação de “pontos focais” – questões polêmicas que despertem a discussão entre os eleitores, gerando relevância para a campanha. “É preciso aproveitar os bons momentos, e não apenas cumprir a agenda tradicional da campanha”, concluiu Ben.

Ben Self
RIO – O homem que liderou a estratégia revolucionária de Internet de Barack Obama durante a campanha presidencial do ano passado acredita que métodos semelhantes podem transformar a política no Brasil e ajudar a eleger a primeira presidente mulher no país.
A empresa de Ben Self, Blue State Digital, foi contratada como consultora para uma estratégia online da campanha da ministra Dilma Rousseff, que provavelmente será a candidata do PT na eleição presidencial de 2010.
Como chefe da campanha digital de Obama, Self foi essencial na criação de uma enorme base de apoio que ajudou a levar Obama à Casa Branca e levantar 500 milhões de dólares para a campanha online do democrata, número recorde de doações.
“Engajamento político desse nível nos Estados Unidos também é algo novo”, disse à Reuters em entrevista por telefone, de Washington. “Não há porque esse tipo de engajamento político não ser aplicado em outros países”.
Self, que visitou Brasília este mês para encontro com Dilma, afirmou que sua companhia está trabalhando com uma parceira local para ajudar o PT a planejar a campanha, e que deve ter um papel maior quando a campanha começar de fato.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, parece precisar da mágica de Obama.
Dilma, que não tem o carisma do popular presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está bem atrás do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), nas pesquisas de opinião, e parece faltar uma mensagem estimulante, como os gritos por mudança da campanha “change” de Obama que inspiraram seus eleitores.
Self não quis comentar as qualidades de Dilma como candidata, mas disse acreditar que a Internet, atualmente, é pouco usada como ferramenta de campanha no Brasil, e que ela poderia ser usada de forma eficiente para ajudar a campanha da ministra.
Seu envolvimento segue o debate nacional travado no Congresso sobre o uso da Internet em campanhas, com deputados estudando mudanças nas lei eleitorais para restringi-lo.
Lula, que tem que chancelar qualquer proposta de lei aprovada pelo Congresso, tem apoiado publicamente o uso irrestrito da Internet em campanhas eleitorais.
CRESCE O ACESSO À INTERNET
Embora milhões de brasileiros ainda não possuam acesso direto à Internet, este acesso vem crescendo bastante nos últimos anos, com o bom crescimento econômico do governo Lula ajudando milhões a saírem da pobreza para a nova classe média.
“Claramente, há uma grande parcela da população no Brasil que têm acesso à Internet –de 60 a 70 milhões, dependendo da pesquisa”, disse Self. “É um grande grupo de pessoas do qual tirar adeptos”.
Entre os obstáculos enfrentados por esse plano de arrecadação pela Internet no Brasil está o parco uso de cartões de crédito e a corrupção, que continua forte na política e pode impedir doações.
Assim como nos EUA, a estratégia no Brasil provavelmente buscará voluntários com entusiasmo e acesso à Internet, que serão encorajados a estimular o boca-a-boca em seus bairros e convencer eleitores a votarem em Dilma.
“Os detalhes ainda devem mudar em relação à arrecadação, à organização. Mas a base do plano é criar um relacionamento bem sucedido a longo prazo entre a população e os candidatos do partido”, disse Self.
Durante a campanha norte-americana, por exemplo, eleitores de Obama podiam baixar listas de pessoas em seus bairros que seriam alvos potenciais para votos e doações.
“Talvez isso funcione no Brasil e talvez não funcione, mas é o tipo de ideia, como pegar um apoiador da Internet e transformá-lo em ação política”, disse.

Julia Duailibi – O Estado SP
Inspirados pela experiência da campanha presidencial americana de 2008, os partidos políticos que disputarão a corrida de 2010 começaram a olhar para a internet com mais atenção. Marqueteiros ligados tanto ao PSDB como ao PT estão de olho na Blue State Digital (BSD), empresa americana que criou a estratégia na rede para a campanha de Barack Obama a presidente dos Estados Unidos.
Ben Self, um americano de Kentucky, de 32 anos, é um dos jovens rostos por trás da bem-sucedida, e excessivamente elogiada, campanha online que ajudou a levar Obama à vitória. Fundador da BSD, ele ajudou a formatar a estratégia que arrecadou nada menos que US$ 500 milhões via internet. Foram obtidas cerca 6,5 milhões de doações online – uma média de US$ 80 por doação -, o que criou um novo paradigma sobre financiamento de campanha nos EUA e no mundo.
Uma das sacadas da BSD foi pulverizar as doações por várias páginas de relacionamento na internet, que tinham em comum o apoio à campanha de Obama. As pessoas entravam na rede, doavam, articulavam eventos pró-campanha e ainda participavam de grupos de discussão sobre a arrecadação. Milhões de dólares foram doados em questão de dias. “Nós descobrimos que as pessoas adoram fazer esse tipo de conexão, mesmo que elas não se conheçam. E elas voltam para doar 3, 4, 5 dólares”, afirmou Self, em entrevista concedida ao Estado de seu escritório nos EUA.
A empresa que Self mantém com outros três sócios, e a colaboração na equipe de Obama de outros nomes, como Chris Hughes, fundador do Facebook, lançou uma nova forma de fazer e financiar campanhas. “Acho que qualquer candidato que vire as costas para isso (internet) está perdendo uma oportunidade-chave e uma grande vantagem.” Para ele, a rede não é um local de persuasão, mas de articulação. “É muito difícil ganhar a eleição ?twittando?. Você precisa motivar as pessoas, isso ajuda a ganhar eleição. Isso significa falar com os eleitores, amigos, doar dinheiro”, disse, em referência ao microblog de relacionamentos, que virou mania entre políticos brasileiros.
Ex-diretor de tecnologia do Partido Democrata, Self esteve em maio no Brasil. Ele se recusa a comentar qualquer negociação com partidos brasileiros. Eis a entrevista.
Como a Blue State Digital começou a trabalhar para Obama?
A BSD foi fundada em 2004, durante a campanha de Howard Dean (democrata que disputou as primárias daquele ano) para a Presidência. Desde 2004, trabalhamos para vários candidatos, partidos políticos e organizações sem fins lucrativos. Ficamos conhecidos pelo trabalho que fizemos para vários candidatos nos Estados Unidos e também pelo nosso trabalho para o Partido Democrata. Eles continuam sendo nossos clientes.
Então, quando a campanha de Obama começou, em 2007, nós éramos os mais qualificados, sob certo aspecto, para dar a eles a tecnologia de que precisavam. Eles nos ligaram, dez dias, eu acho, antes de anunciarem que iriam concorrer e disseram: “Ei, nós queremos fazer uma campanha de um jeito diferente e queremos usar as suas ferramentas e a sua tecnologia”.
O que vocês fizeram para o Partido Democrata?
Nós tivemos um grande papel no trabalho para Howard Dean. Ao gerenciarmos a estratégia de internet e de tecnologia, demos as nossas ferramentas e a nossa tecnologia ao partido. Eu estava intimamente envolvido porque era diretor de tecnologia lá. Então temos trabalhado muito próximos aos democratas desde 2005.
A internet foi determinante para a vitória de Barack Obama?
Não diria que a internet pode fazer ou derrubar o candidato. Obviamente, é muito importante e traz muitas vantagens, mas não foi só a internet que fez o senador Obama presidente, foi uma série de fatores conjuntos.
Mas a internet foi a grande novidade da campanha, com a arrecadação online recorde.
É difícil apontar para qualquer fator e dizer: isso fez a diferença. Havia tantas coisas maravilhosas sobre o nosso candidato, que qualquer uma poderia ser apontada como a que fez a diferença. No entanto, acho que a grande diferença na forma como a campanha de Obama usou a internet, em relação ao que os outros fizeram no passado, é que ela entendeu como usar a rede para ajudar a conectar voluntários dando a eles ações, que realmente fizeram a diferença na campanha. Então essa foi a grande mudança.
Essa percepção de que a internet faria a diferença já estava presente desde o começo da campanha?
Estava bem clara para todo mundo, no começo da campanha, a importância da internet. Todo mundo já sabia que seria uma peça-chave na campanha.
O político que não apostar na internet já está em desvantagem?
Sempre haverá candidatos que se recusarão a abraçar a novas tecnologias. Essa é uma ferramenta importante para falar com eleitores e também para motivá-los. A campanha do Obama nos ensinou que existe uma grande vantagem em ter um relacionamento dinâmico e uma estratégia online. Então, acho que qualquer candidato que vire as costas para isso está perdendo uma oportunidade-chave e uma grande vantagem.
Mesmo em países, como o Brasil, em que a internet é menos acessível que nos Estados Unidos?
É claro que a penetração em algum nível é necessária. É um investimento de tempo.
Qual ferramenta indispensável que uma campanha online deve ter?
Um website dinâmico e interessante que traga pessoas para a campanha e permita que elas façam parte dela. E tem de ter um mailing poderoso, que contenha milhares, milhões de pessoas nele. É provavelmente a peça mais importante de qualquer campanha online. É mais importante, de certa forma, que um bom website.
E os sites de relacionamento?
Depende de como se usa e de qual sua estratégia geral. Há um papel para eles, mas não são mais importantes que o website, nem que o e-mail, de jeito nenhum. É uma ferramenta, mas é muito difícil ganhar a eleição “twittando”. Você precisa motivar as pessoas, isso ajuda a ganhar eleição. Isso significa falar com os eleitores, amigos, doar dinheiro. Se você tem um website que fala de você e no qual os seus apoiadores opinam, mas que não motiva seus eleitores para nenhuma ação, você não vai a lugar nenhum.
Qual o custo de uma estrutura dessas para uma campanha eleitoral?
A gente não anuncia quanto cada um dos nossos clientes paga. Mas, claro, a gente trabalha para clientes grandes e pequenos. Alguns grandes, como a campanha do Obama, e os menores, que são as organizações sem fins lucrativos. Temos uma série de ferramentas que nós autorizamos os clientes a usar. Clientes que não podem bancar os custos se beneficiam do longo caminho que a gente já traçou.
Como vocês criaram a ferramenta de arrecadação pela internet?
É só um exemplo de como a gente pegou uma ideia tradicional de arrecadação de fundos e a usou. Há uma técnica de arrecadação de fundos muito comum nos Estados Unidos. Aqui, nós a chamamos de match e geralmente é usada como mala direta. Esses pedidos funcionam assim: “Se você der um dólar, há um outro doador que nos dará três dólares. Então, doe agora”. A gente olhou para isso e pensou: as pessoas não acreditam nisso. Então vamos mudar essa ideia e vamos fazer ela incrivelmente transparente. O grassroots match faz isso.
Como funciona?
Você manda um e-mail para sua base de arrecadação, pessoas que te doaram antes, e diz: “Ei, vamos falar com todas as pessoas que são nossos apoiadores, mas que nunca doaram antes. Vamos dizer: ?Nós temos 10 mil pessoas que darão 10 dólares, se você der 10 dólares hoje. E assim que você der os seus 10 dólares, a gente vai te conectar a uma dessas pessoas e você vai trocar impressões sobre a doação?.” Nós descobrimos que as pessoas adoram fazer esse tipo de conexão, mesmo que elas não se conheçam. E elas voltam para doar 3, 4, 5 dólares. A campanha arrecadou muito dinheiro com pequenas doações. Então, focar nisso, foi uma parte importante da campanha.
O eleitor da internet tem um perfil específico?
Não, na verdade, a gente descobriu que os perfis mais ativos usando os sites eram de pessoas que a gente não esperaria. Um dos enganos mais comuns que você costuma ouvir é que a internet é usada para convencer, persuadir as pessoas. Realmente tem, sim, alguma porcentagem de pessoas que vai ao site para aprender mais sobre o candidato. Mas ela serve, principalmente, para aumentar o entusiasmo e a paixão dos apoiadores e pedir a eles para fazer coisas, usá-los para falar com as famílias e os amigos para, aí sim, convencê-los e fazê-los mudar de ideia.
O senhor acha que a internet, ao dar transparência às doações, pode coibir casos de corrupção?
Eu acho que ser capaz de financiar uma campanha política ou partido político (pela internet) é genial. É muito mais importante ter várias pessoas por aí espalhadas, apoiando um determinado candidato e se engajando na democracia. Isso deve ser encorajado. As doações pela internet são um jeito de fazer isso. Permitem que mais gente, e de forma mais fácil, se envolva com as doações. Toda vez que puder diminuir barreiras e aumentar participação em democracia é uma boa coisa.
Aqui no Brasil estamos discutindo regulação de campanhas na rede. O sr. é a favor de regular a internet?
É muito difícil falar sobre isso, sem saber detalhes da situação.
Os partidos brasileiros estão cortejando o sr. Já fechou com alguém?
Não comentamos nada sobre isso. Me desculpe.
Quem é:
Ben Self
É ex-diretor de tecnologia do Partido Democrata dos Estados Unidos e sócio-fundador da agência Blue State Digital
Coordenou a campanha online de Barack Obama.
Ajudou a formatar a estratégia de arrecadação de doações para a campanha de Obama pela internet