20/10/2009 - 11:21h Resistência a Ciro só será superada com intervenção de Lula

http://www.sertao24horas.com.br/cute/data/upimages/ciro-e-lula.jpghttp://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/psb-aumenta-exposicao-de-ciro-gomes-de-olho-na-presidencia/image_preview

Maria Inês Nassif, de São Paulo – VALOR

O PT paulista tem a tradição da divisão – mas mantém um padrão de, no fim, submeter as disputas internas ao projeto nacional do partido. O projeto de 2006 é eleger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia principal é a de fazer do presidente Lula não apenas o grande eleitor dessas eleições mas, mais do que isso, um eleitor muito qualificado. O PT nacional – que é basicamente paulista – assumiu que, num processo eleitoral com essas características, Lula é a palavra final nas decisões de alianças estaduais. O empenho pessoal de Lula, entendem os petistas que articulam próximos ao presidente, será maior ou menor a depender do seu poder de decisão sobre as políticas estaduais.

Os grupos partidários resistem ao projeto de retirar o candidato do PSB, deputado Ciro Gomes (CE), da disputa para a Presidência, acenando para ele com a candidatura ao governo de São Paulo. Mas existe o consenso de que o partido se submeterá a isso, se Lula assim o quiser.

“Se Lula decidir, Ciro vai ser o candidato” – esta é a premissa das conversas com integrantes do PT paulista. As críticas ao deputado, no entanto, são profusas, inclusive pela sua insistência em dizer que “o PSB não é sublegenda do PT”, quando todo o processo de escolha de candidatos do PT de São Paulo praticamente está paralisado esperando a decisão de sua candidatura ao governo.

Manter disponível para Ciro a possibilidade de ser candidato ao governo paulista, em vez de ser candidato a presidente, foi uma decisão de Lula, para a qual ele chamou o aval do presidente nacional do PT, o deputado Ricardo Berzoini (SP), “Ciro, você transfere o título eleitoral para São Paulo e depois a gente conversa – não é, Berzoini?” Foi com essa conversa aparentemente casual que o presidente Lula colocou Ciro no cenário eleitoral paulista, pouco antes de 2 de outubro, fim do prazo de domicílio eleitoral e filiação partidária para quem quer disputar as eleições do próximo ano.

Era uma reunião pequena, mas tinha os elementos que Lula precisava para manter aberta a possibilidade de Ciro se candidatar ao governo do Estado de São Paulo: de um lado, o próprio Ciro; de outro, Berzoini, capaz de dar aparência partidária à sua articulação. A proposta embutiu o compromisso de que terá ao seu lado o PT, se quiser ser candidato ao governo de São Paulo – o partido está amarrado a ele.

“Berzoini acabou avalizando a proposta porque foi colocado numa situação desconfortável”, afirma um petista de São Paulo que foi um dos responsáveis pela reação pública do PT à opção Ciro – a apresentação de seis pré-candidatos do partido ao governo, no dia 6: o o senador Eduardo Suplicy, a ex-ministra e ex-prefeita Marta Suplicy, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, os deputados federais Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci, e o ministro da Educação, Fernando Haddad. Ainda assim, a demonstração pública de contrariedade com o desembarque de Ciro em São Paulo escondeu o único elemento de unidade de todos os grupos internos do PT do Estado: a concordância de que é de Lula a palavra final.

A única declaração pública de contrariedade ao estilo Ciro de chegar a São Paulo foi de Marta. “Ele chegou atacando o meu partido”, justificou-se a ex-prefeita, que também manifestou publicamente o seu apoio à candidatura do ex-ministro Antonio Palocci ao governo. “Palocci tem o perfil do eleitor paulista”, disse. Mesmo ela também faz a ressalva de que se submeterá à decisão de Lula no caso paulista.

Para um dos paulistas que articula nacionalmente a decisão de Lula, mais vale uma aliança na mão do que um governo voando, mesmo num Estado como São Paulo. Para os petistas que atuam localmente, embora Lula tenha perdido em 2006 nos dois turnos das eleições paulistas e o PSDB mantenha a hegemonia da disputa estadual, as chances de o partido vencer no Estado são menores ainda sem o empenho pessoal do presidente na campanha paulista. “Se ele bancar a eleição, está bom para nós”, diz um parlamentar petista.

A disputa pelo Senado é um elemento importante. O recuo do líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), quando, em plena crise no Senado, deixou a liderança, é atribuído à pressão de Lula – que teria deixado claro ao senador que não faria nenhum empenho por sua candidatura à reeleição se ele expusesse o governo com sua renúncia ao cargo. O senador também contrariou parcelas importantes do partido regional quando expressou uma grande oposição à candidatura de Ciro Gomes ao governo internamente, e saiu da reunião dizendo, para jornalistas, que estava de acordo com a ideia.

Marta Suplicy é candidata ao Senado. E a segunda vaga está sendo negociada com o PCdoB no Estado. Se a eleição para o governo paulista mostrar-se muito difícil e Ciro resolver mesmo ser candidato a presidente, Mercadante pode ser empurrado para a disputa ao Palácio dos Bandeirantes para desocupar a sua vaga.

09/08/2009 - 12:33h Caravana do PT com Dilma na capital paulista

caravana_capital1.jpg

caravana_capitala.jpg

caravana_capital2.jpg

caravana_capitalb.jpg

caravana_capital3.jpg

caravana_capital.jpg

30/07/2009 - 10:48h PT teme desgaste em 2010 e contém racha interno

Congresso: Reprimenda de Berzoini anima PMDB a retribuir evitando investigações contra Petrobras na CPI

Leo Pinheiro / Valor RJ Foto Destaque
Foto Destaque
Mercadante: senador ameaçou ir à imprensa para rebater declarações do presidente do PT mas foi contido

 

Yan Boechat e Cristiane Agostine, de São Paulo e Brasília – VALOR

Dirigentes petistas contiveram os ânimos do senador Aloizio Mercadante (SP) que, chamado de infantil, precipitado e ansioso pelo presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini, em reportagem no Valor, estava disposto a revidar, aumentando o racha interno do partido sobre o licenciamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Lideranças do partido em São Paulo, base eleitoral dos dois parlamentares, ligaram para Mercadante e Berzoini pedindo que as divergências não continuassem a ser expostas na imprensa. Os líderes temem os efeitos dessa disputa sobre a eleição da bancada petista ao Senado, uma das prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010.

Interlocutores foram escalados para apagar o incêndio que ameaçava se espalhar por outras esferas do PT. “Tivemos uma conversa de 40 minutos. Na primeira meia hora quase não falei, só ouvi reclamações furiosas e ameaças de responder às críticas no mesmo tom”, afirma um parlamentar do partido em contato com o senador, que passou o dia em seu sítio no interior de São Paulo preparando os detalhes do casamento de seu filho, que acontece no início de agosto.

Após o contato com diversos dirigentes do partido Mercadante teria aceitado não ampliar, ao menos publicamente, a crise que teve início na sexta-feira e atingiu seu ponto alto ontem. A colegas petistas, o senador prometeu que não daria declarações à imprensa, mas teria exigido que uma reunião da bancada no Senado com a Executiva Nacional do PT fosse agendada para breve. Além de não se pronunciar oficialmente, o senador também deixou de publicar pequenas notas sobre o assunto na comunidade virtual Twitter

Nem todos atuaram como bombeiros. Em seu blog, o ex-deputado José Dirceu engrossou o coro ao lado de Berzoini na censura a Mercadante. Para o ex-deputado, “é claro que o pedido é do líder e não da bancada petista”, e que “o PT não assinará representação” contra Sarney. Dirceu, que atuará na articulação da campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência, negocia alianças estaduais com o PMDB e deve voltar à direção do partido com a eleição interna do PT, no fim do ano.

O líder do PT do Senado foi procurado nos últimos três dias para comentar as divergências internas do partido, mas não quis se manifestar. Segundo sua assessoria, Mercadante se pronunciará depois da reunião da bancada, na próxima semana, mas reiterou que o teor da nota divulgada pelo petista segue o que foi debatido, aprovado e defendido pela bancada no início do mês.

Berzoini, por sua vez, teria concordado em manter o silêncio sobre o caso. O presidente do partido também foi procurado por lideranças pedindo que não ampliasse, ainda mais, o desconforto criado por suas declarações. De acordo com dirigentes do partido, ambos haviam concordado em conversar por telefone ainda ontem em busca de um caminho para que as divergências fossem resolvidas internamente.

Apesar de as críticas duras do presidente do PT a um senador paulista com ampla história no partido terem causado mal estar na cúpula da sigla, Aloizio Mercadante sai mais enfraquecido do que Berzoini nesse embate. O entendimento de dirigentes petistas é de que a nota divulgada na sexta-feira por Mercadante foi precipitada e atendia a interesses quase que exclusivos do senador. “É óbvio que foi um movimento ligado às preocupações eleitorais dele, não pensando no partido”, afirma um dirigente paulista. “A governabilidade tem um preço e ele não poderia ter tomado uma posição política como essa sem consultar as lideranças”. Aloizio Mercadante será candidato à reeleição no Senado em 2010.

A reprimenda de Berzoini foi suficiente para levar o PMDB a contabilizar apoio petista e traçar estratégia para esvaziar o início dos trabalhos da CPI da Petrobras a partir da próxima semana. Aliados de Sarney analisam que o aceno da cúpula petista e do presidente Lula é suficiente, a princípio, para que o PMDB impeça o aprofundamento das investigações sobre a estatal.

A base governista tem oito dos onze integrantes da comissão e o PMDB é o partido com mais senadores na CPI, três parlamentares. As investigações sobre a Petrobras começarão no mesmo período em que o Conselho de Ética – também com controle do PMDB- analisará representações e denúncias contra Sarney. Pemedebistas contam com o apoio do PT e do governo para dar sustentação política ao presidente do Senado. Com a manutenção desse respaldo, aliados de Sarney evitariam uma nova crise na Casa, esvaziando a CPI da Petrobras. “Para o governo, interessa tirar o foco da Petrobras”, comentou Wellington Salgado (PMDB-MG). “E o PT já mostrou que está do nosso lado. É natural essa posição da bancada, mas o partido está com a gente.”

Ontem mais uma representação foi protocolada para análise do Conselho de Ética contra o presidente do Senado. O P-SOL entregou sua segunda representação, acusando-o de quebra de quebra de decoro parlamentar. O partido questiona a omissão à Justiça Eleitoral de uma propriedade de R$ 4 milhões, o desvio de R$ 500 mil da Fundação Sarney e o fato de o senador ter afirmado que não teria responsabilidade sobre a Fundação. O PSDB já protocolou três representações e o líder tucano, Arthur Virgílio (AM), anunciou que entregará duas outras denúncias contra Sarney, assinada também pelo senador Cristovam Barque (PDT-DF).

08/05/2009 - 19:38h PT congela pré-candidaturas a governos estaduais para não prejudicar alianças pró-Dilma

estrelita.gif

GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

O Diretório Nacional do PT decidiu nesta sexta-feira restringir os movimentos pré-eleitorais do partido nos Estados para evitar prejuízos à candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto. A cúpula petista proibiu o lançamento de pré-candidaturas aos governos estaduais até fevereiro de 2010 –quando será realizado congresso nacional do PT para oficializar o nome de Dilma como candidata do partido.

Resolução editada pelo Diretório Nacional do PT afirma que a “tática [do partido] será orientada para a vitória presidencial, submetendo a ela todos os processos estaduais”. Na prática, a decisão do diretório impede a realização de prévias ou outros movimentos nos Estados.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse que só vão estar autorizadas pré-candidaturas nos Estados onde houver consenso com os demais partidos da base aliada governista. “Nós só autorizaremos processos estaduais de escolha pelo voto, ou seja, prévias, encontros, qualquer processo onde haja votação, a partir do congresso nacional do PT. Por enquanto, iniciativas de articulação política estão autorizadas, mas se tiver mais do que uma candidatura que não tiver consenso, tem que ser obviamente deflagrado o processo após o congresso nacional do partido”, disse.

O documento também prevê que todas as decisões do partido nos Estados sejam submetidas à Executiva Nacional do PT –que vai dar a palavra final sobre alianças. O partido teme que eventuais coligações firmadas com partidos, como o PMDB, possam trazer prejuízos à candidatura de Dilma.

“A prioridade nossa é nacional, estamos abertos a discutir os processos em todos os Estados”, disse Berzoini. Segundo o presidente do PT, o partido “não quer um ambiente de insatisfação, mas o diretório nacional ter a capacidade de preservar o processo nacionalmente” na disputa pela presidência da República.

“O PT não vai ceder de mais ou de menos. O PT quer ganhar a eleição, crescer nos Estados. Não é só aliança com o PMDB, queremos fazer com o PSB, com o PC do B, com o PR, com o PP, com todos os partidos. Não é problema do PMDB. Mas a nossa preocupação não é criar situações para uniões com partidos aliados.”

Tarso

O ministro Tarso Genro (Justiça), por exemplo, já havia sinalizado a disposição de se lançar candidato ao governo do Rio Grande do Sul –embora o PMDB no Estado também esteja disposto a lançar José Fogaça na disputa.

O PT estadual há havia agendado a realização de prévias em agosto para a definição do candidato da legenda no Rio Grande do Sul, mas Berzoini disse que elas ficam automaticamente canceladas após a resolução do partido.

“Obviamente, o diretório do PT do Rio Grande do Sul terá que se reunir para adaptar sua estratégia a essa resolução. Não estão autorizados [a realizar prévias]“, afirmou.

O deputado Geraldo Magela (PT-DF), que pretende disputar o governo do Distrito Federal, disse que a ordem foi clara para que cada Estado esteja subordinado ao comando da legenda. “Eu submeto os meus desejos, sonhos e angústias ao projeto de ganhar as eleições presidenciais. Acho que isso deveria ser uma posição de todos, inclusive do ministro da Justiça”, afirmou Magela.

27/03/2009 - 14:46h PT pressiona Lula a liberar Carvalho

http://2.bp.blogspot.com/_fwT8XThRCGU/SGzZwi21YBI/AAAAAAAACuM/evDQ_iIVPkg/s320/gilbertocarvalho1_85.jpg

Raymundo Costa, de Brasília – VALOR

A menos que o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, seja o candidato à presidência do PT, o partido se divide e passará por uma dura disputa, até novembro, que pode até afetar a relação da sigla com a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

Esse é o recado que a tendência Construindo um Novo Brasil (CNB) – ex-Campo Majoritário – enviou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à própria Dilma. A ministra, aliás, jantou com a executiva nacional do PT na noite de terça-feira, em sua casa, em Brasília. Lula não quer liberar Carvalho.

Na avaliação do CNB, o chefe de gabinete de Lula é hoje o único nome capaz de unir as demais tendências. “A Mensagem”, corrente liderada pelo ministro Tarso Genro, pode compor, se o nome for Carvalho. O mesmo poderia ocorrer com a Articulação de Esquerda de Pedro Pomar, que, em princípio, terá candidato próprio ao cargo.

Além do presidente Ricardo Berzoini (SP), 75% da Comissão Executiva Nacional deve ser renovada em novembro – o estatuto do PT limita a dois os mandatos de seus dirigentes. O prazo para o registro das chapas e da tese está próximo: julho de 2009. A eleição é em novembro. Em março de 2010 um congresso discutirá e aprovará a tese.

Em síntese, o recado enviado Palácio do Planalto diz o seguinte: se não for Gilberto Carvalho o candidato, não haverá unanimidade – ou algo próximo disso, o que só pode ser proporcionado com a candidatura do chefe de gabinete de Lula.

Neste caso, o partido se envolverá numa grande disputa, que vai deixar o PT fragilizado para enfrentar a conjuntura do ano que vem, em particular na relação com Dilma, diferente da relação que foi com o Lula.

A relação do PT com Dilma é diferente da relação do PT com o Lula, segundo avaliações do CNB e, na realidade, é consensual no partido. A lógica por trás da candidatura amplamente majoritária é “quanto mais unido o PT estiver, mais força o partido terá junto a Dilma”.

“Nós entraríamos, assim, em 2010, com uma unidade muito grande para interferir e ajudar a Dilma, inclusive na relação com os aliados”, analisou ao Valor um integrante do CNB.

As opções ao nome de Gilberto Carvalho, no CNB, são o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral), o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que presidiu o PT na crise dos “aloprados”, em 2006, e o ex-governador do Acre Jorge Viana.

Nenhum dos três, segundo avaliações internas, estaria em condições de impedir uma grande divisão em relação às eleições de novembro. Outro nome que pode surgir é o do atual secretário-geral José Eduardo Cardozo. Integrantes do CNB também raciocinam com a hipótese de que Lula pode viabilizar o nome do ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra.

O presidente da República, até agora, se esquivou das investidas do CNB. Reservadamente, já teria confidenciado a interlocutores que Carvalho ficará no cargo para fazer a transição do atual para o futuro governo de Dilma, caso a ministra seja eleita.

PT e Palácio do Planalto, na prática, já disputam poder num futuro e hipotético governo Dilma. O PT majoritário, por exemplo, defende a volta do ex-ministro Antonio Palocci ao governo, se o Supremo Tribunal Federal recusar a abertura de processo contra o deputado, acusado da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Para esses petistas, Palocci deveria ocupar o lugar da ministra Dilma, caso o julgamento do Supremo demore e mesmo que ele não saia candidato ao governo de São Paulo, como deseja Lula. Seria o PT no governo Dilma. A volta de Palocci ao governo, se ele se sair bem no STF, também é defendida por Carvalho.

A maioria dos auxiliares de Lula no Palácio do Planalto, no entanto, é contrária à volta de Palocci ao ministério, por causa do potencial que dispõe de contaminar a candidatura de Dilma a presidente da República. Esse grupo acha que ele nem deveria ser candidato em São Paulo.

Outro argumento do CNB em defesa de uma chapa de unidade à presidência do PT é que isso, se for alcançado, passa um comando para as seções estaduais do partido, que também estão conflagradas. Internamente ou em relação aos aliados do atual governo Lula da Silva.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, não é certo que Tarso Genro seja candidato sem disputa interna: o prefeito de São Leopoldo Ar Vanazzi e o deputado Pepe Vargas estão na disputa. Há inclusive setores que defende uma aliança com o atual prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, que é do PMDB, o adversário tradicional dos petistas no Sul.

Em Minas Gerais, está em curso uma disputa, que pode ser vital para a candidatura Dilma, entre o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e o ex-prefeito da capital, Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

O ideal que o PT persegue em Minas é ter candidato próprio ao governo numa aliança com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, que é do PMDB e está em primeiro lugar nas pesquisas, e o vice-presidente José Alencar (PR). Esse seria o palanque perfeito para Dilma, mas, por enquanto, difícil de viabilizar.

Em São Paulo, se Palocci não for candidato, a disputa aponta para o ministro da Educação, Fernando Haddad, contra o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.

No Rio de Janeiro o imperativo petista é o apoio à reeleição do governador Sérgio Cabral, tendo no mesmo palanque o senador Francisco Dornelles (PP) e o PDT do ministro Carlos Lupi. Mas a candidatura de Lindberg Farias, ex-presidente da UNE e prefeito reeleito de Nova Iguaçu, tem potencial para entusiasmar o partido.

07/03/2009 - 17:16h Palocci vai a evento do PT, mas não fala em candidatura

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/foto/0,,18921844-EX,00.jpg
Palocci seria o candidato indicado de Lula para disputar o governo do estado de São Paulo (Foto: G1) 

CELIA FROUFE – Agencia Estado

SÃO PAULO – O deputado federal e ex-ministro Antonio Palocci se esquivou da imprensa paulista hoje em evento realizado pelo PT em São Paulo, no dia em que o jornal O Estado de S. Paulo traz a informação de que ele seria o candidato preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar o governo paulista. Mesmo assim, Palocci foi a figura de destaque do evento, que foi organizado, entre outros motivos, para dar apoio oficial à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência da República nas eleições de 2010.

Previsto para discursar sobre a crise econômica, às 11 horas, durante o seminário “Um Novo Rumo para o PT”, organizado na Câmara Municipal de São Paulo pelo grupo homônimo, uma corrente dentro do partido, Palocci chegou ao local pouco antes do meio-dia. A imprensa, que circulava tranquilamente pelos corredores da Câmara, passou a ser orientada a desobstruir a porta do evento. Houve, inclusive, a tentativa de evitar que alguns jornalistas abordassem o ex-ministro enquanto este seguia até o palco. Nenhum contato acabou por ser feito. Depois de discursar, Palocci saiu por trás do palco, local sem acesso a jornalistas.

No seminário, o ex-ministro fez uma análise da crise financeira internacional e os seus efeitos no País. E só no final do discurso é que falou, de maneira geral, sobre as eleições de 2010. Palocci afirmou que o debate do pleito de 2010 será um dos mais importantes da história do País porque o governo Lula, segundo ele, mudou os paradigmas brasileiros. “O desafio para o Brasil não é mais a estabilidade. A crise mostrou que isso é coisa do passado e devemos recusar, portanto, um debate rebaixado”, defendeu.

Crise

“Não se trata apenas de um esfriamento. É o fim de um grande ciclo de crescimento econômico, que pode durar um período importante”, constatou Palocci no seminário. Para ele, há uma diferença significativa, no entanto, entre a ação do governo hoje e no passado no enfrentamento de crises. Palocci salientou que a estabilidade econômica atual é fruto do esforço de diferentes governos, mas que o novo projeto para o País é algo que está relacionado diretamente ao governo Lula.

Um episódio lembrado pelo ex-ministro da Fazenda foi a necessidade de aumento dos juros, em 2003, para se combater a inflação. Quando a equipe econômica levou a circunstância ao presidente ele teria aceitado a proposta, de acordo com Palocci, mas desde que a equipe econômica encontrasse uma maneira de a população pagar um juro menor. “Assim nasceu o crédito consignado”, lembrou Palocci. Até então, segundo o ex-ministro, o povo tinha como hábito apenas receber frases de efeito e que acabavam por não surtir melhora em sua qualidade de vida. “Tentaram convencer o povo de que não adiantava repartir o bolo sem que ele crescesse antes”, criticou. “O País chegou ao absurdo de passar por uma fase de maior crescimento econômico com pior divisão de renda.”

Palocci salientou ainda que as empresas brasileiras que passam por mais dificuldade hoje são as que têm o mercado externo como negócio e defendeu o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como uma forma de enfrentamento da crise. “Estamos no caminho certo”, considerou. Sobre o mundo, ele se mostrou preocupado em relação à deterioração das expectativas para o crescimento da Europa, Estados Unidos e Japão. “As más notícias ainda não acabaram. Ainda teremos um ano de dificuldades.”

Berzoini e Marta em seminário do PT
Nilton Fukuda/AE –
Berzoini e Marta em seminário do PT

 

Marta diz apoiar Palocci, mas não descarta candidatura

CÉLIA FROUFE – Agencia Estado

SÃO PAULO – A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) manifestou hoje seu total apoio a uma eventual candidatura do ex-ministro da Fazenda e deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) ao governo do Estado de São Paulo, nas eleições gerais de 2010. Caso haja qualquer impedimento dessa candidatura, no entanto, Marta disse que poderá estudar várias possibilidades e não descartou a hipótese de ela mesmo concorrer ao cargo. As considerações da ex-prefeita foram feitas a jornalistas durante o seminário “Um Novo Rumo para o PT”, organizado na Câmara Municipal de São Paulo, hoje, por essa corrente petista.

A ex-prefeita não considera que o assunto, neste momento, possa trazer constrangimento a outros potenciais candidatos. O tema veio à tona hoje com a informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem preferência pelo nome de Palocci para a cabeça de chapa da legenda nas eleições ao governo paulista, publicada hoje com exclusividade pelo jornal O Estado de S.Paulo. “Não estou constrangida porque também sou uma das que acham que o Palocci seria um bom candidato. Existe um certo consenso do PT entre os nomes que poderiam ser candidatos mais fortes e o Palocci, neste momento, parece ser o nome mais interessante para todos nós”, alegou.

No seminário promovido pelo PT paulista, Marta foi questionada sobre a possibilidade de abrir mão de concorrer ao cargo, em prol do ex-ministro da Fazenda. “Eu não disse isso (que não vai sair candidata pelo PT). Eu disse que apoio a candidatura de Palocci. Se o Palocci não for candidato, aí vamos ver. Na (candidatura) do Palocci, eu estou junto. Se ele não for candidato, vou pensar. Não é que eu vá ser candidata, mas vou avaliar a questão”, argumentou.

Para Marta, Palocci seria um bom nome do PT nessa disputa porque ele tem muita experiência, é uma pessoa muito querida dentro do partido e possui condições de fazer uma campanha muito boa como candidato. Sobre a possibilidade de a candidatura de Palocci não ser confirmada, em função de processos que ainda estão sendo julgados na Justiça envolvendo o ex-ministro, Marta defendeu que esta não é a hora de “botar a carroça na frente dos bois”. E avaliou: “No momento, ele tem que superar esses problemas para ser candidato. Isso na avaliação do Lula e da nossa também. Se for superado, eu o apoio. Se os problemas não forem superados, está tudo em aberto.”

Indagada sobre se o seu futuro político dependeria da definição de Palocci, Marta tergiversou: “Sim e não”. E disse que ela terá de pensar um pouco mais sobre o assunto, pois considera que ainda é cedo para tomar qualquer decisão. E evitou comentar uma possível dobradinha com Palocci na chapa para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes, como vice-governadora. “Está muito longe qualquer consideração. Ainda tem muitos ‘’se”. Vamos esperar um pouco”, sugeriu.

Segundo Marta, há momentos de agir e há momentos de aguardar. “Este é um momento para mim de aguardar”, frisou. A ex-prefeita, que já esteve à frente da pasta do Turismo, também disse não acreditar na possibilidade de voltar a integrar o quadro de ministros. “Não creio que o presidente esteja com intenção de mudar ministérios neste momento, tão pertinho da eleição de 2010″, afirmou.

Nome de Palocci é só uma possibilidade, diz Mercadante

CÉLIA FROUFE - Agencia Estado

SÃO PAULO - O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ponderou, hoje, que o nome do ex-ministro Antonio Palocci foi mencionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas como uma possibilidade e não como fato fechado para disputar a vaga ao governo do Estado de São Paulo nas eleições de 2010. “O presidente não disse que (Palocci) deve ser (candidato), mas que pode ser”, minimizou o petista, ao comentar a manchete de hoje do jornal O Estado de S.Paulo, antes de participar do seminário “Um Novo Rumo para o PT”, na capital.

O nome de Mercadante também é um dos que aparecem nas discussões à sucessão do governador José Serra.

De acordo com o jornal, o presidente teria mandado um recado para suas bases indicando a preferência por Palocci na disputa ao Palácio dos Bandeirantes. “Se ele tivesse definido o nome, não o comunicaria para mim. Ele chamaria o partido e diria: minha definição é essa”, argumentou Mercadante. E continuou: “Não será pela imprensa que a militância (do PT) saberá quem será o candidato”, disse o senador, depois, em discurso, no seminário, para uma plateia formada por aproximadamente 200 pessoas.Mercadante explicou que o presidente Lula tem um “carinho, um respeito, uma confiança” muito grandes por Palocci. “O presidente, como eu, acha que o ministro Palocci pode ser seu candidato para o governo de São Paulo”, afirmou, enumerando o que seriam as qualidades do ex-ministro: experiência, competência e história partidária para pleitear esse cargo. “O presidente jamais tomaria uma decisão como essa sem ouvir amplamente as lideranças do partido. Portanto, no momento em que ele achar oportuno, vai considerar as lideranças do partido e vai encaminhar esse processo.”

O senador petista explicou que o assunto surgiu entre ele e o presidente apenas porque os dois estão sempre conversando sobre as questões relativas a São Paulo. “E um dos nomes que o PT tem e que poderá disputar o governo paulista é o ministro Palocci”, disse. Ele afirmou que o partido ainda não abriu o processo formal de escolha do candidato.

Apesar de ter minimizado o fato de ter sido a pessoa para quem o presidente expôs sua preferência, Mercadante fez questão de mencionar que tem total sintonia com Lula: “Não conheço nenhum momento importante da história de 27 anos do PT que a opinião dele (Lula) fosse contrária à minha”. E mencionou outros virtuais nomes para disputar o governo paulista: a ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, e o prefeito de Osasco, Emídio de Souza. Questionado se também não seria um nome forte para essa disputa, já que concorreu ao cargo nas eleições passadas, Mercadante explicou que está à disposição do partido para “desde distribuir panfletos até ser candidato”. Porém, emendou: “Sou candidato ao Senado Federal. Todos sabem disso e o presidente também. Minha posição neste momento é essa, mas meu nome está à disposição do partido para qualquer tarefa.”

Sobre o envolvimento de Palocci em episódios que estão sendo analisados pela Justiça, Mercadante se mostrou confiante. “Não temos certeza de nada porque a Justiça é absolutamente soberana, mas temos confiança de que a decisão da Justiça será favorável a Palocci.” Para 2010, ele voltou a dizer que a ministra Dilma Rousseff é “a cara do governo”. “Não só por estar na chefia da Casa Civil, mas por articular o PAC, que é o programa mais estratégico neste momento”, argumentou.

15/02/2009 - 11:44h Todos juntos: PT paulista demonstra unidade com Dilma

Ricardo Galhardo, Flávio Freire e Adauri Antunes Barbosa – O Globo; Marciele Brum – Agência RBS

SÃO PAULO – Em uma ponta do piano que decora a sala de estar de Marta Suplicy estava o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), visto como desafeto da ex-prefeita; na outra ponta, o deputado José Mentor (PT-SP), aliado de Marta absolvido no caso do mensalão. A cena dos dois deputados – rivais na disputa interna do PT – tocando piano a quatro mãos no jantar em homenagem à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sexta-feira à noite, é usada pelos participantes do encontro para explicar o clima de união do PT paulista em torno da virtual candidata à Presidência. (Para você, Dilma está em campanha?)

- O PT de São Paulo entendeu direitinho o recado do presidente Lula. Se havia alguma resistência de paulistas a Dilma, acabou ontem (sexta) – disse um dos participantes, pedindo sigilo.

O PT de São Paulo entendeu direitinho o recado do presidente Lula. Se havia alguma resistência de paulistas a Dilma, acabou


Dos mais de sessenta convidados, apenas o deputado José Genoino (PT-SP), que comemorava os 90 anos do pai no Ceará, não compareceu. As bancadas municipal, estadual e federal do PT paulista, prefeitos da região metropolitana e dirigentes partidários de diversas tendências se reuniram para beijar a mão de Dilma. (Leia mais: PPS se propõe a apoiar qualquer candidato do PSDB)

Marta e os presidentes nacional, estadual e municipal do PT paulista, Ricardo Berzoini, Edinho Silva e José Américo, deixaram o jantar com a incumbência de elaborar uma agenda para alavancar a campanha de Dilma no estado mais populoso do país.

- Uma agenda política, nos fins de semana, desvinculada do trabalho – detalhou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), um dos participantes.

Casa de Marta é palco de sorrisos entre rivais

A ordem – que partiu do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva – era dar uma demonstração de unidade, abrir as portas do PT paulista – principal núcleo de poder do partido – a Dilma e dirimir dúvidas sobre possíveis resistências à sua candidatura à Presidência em 2010.

Coube a Marta Suplicy apresentar Dilma – mineira com carreira construída entre Porto Alegre e Brasília – ao PT paulista.

Marta abriu a noite exaltando a união do partido em um curto discurso ao lado da lareira. Dilma falou em seguida, destacando a necessidade de dar continuidade aos programas de Lula.

- Só uma candidatura do PT pode garantir esta continuidade – afirmou a ministra chefe da Casa Civil.

A própria Dilma Rousseff admitiu, antes do jantar, que precisa submeter ao partido a sua candidatura, mas deixou clara a intenção de disputar, dizendo que o Brasil já está maduro o suficiente para ter uma mulher presidente, e que ‘ainda’ não é candidata.

Outra demonstração de unidade foi a presença dos principais pré-candidatos do partido ao governo paulista: Arlindo Chinaglia, Antonio Palocci e a própria Marta.

Estou gordo, vou ocupar muito espaço


Nomes que correm por fora, como o prefeito de Osasco, Emídio Souza (apadrinhado por João Paulo Cunha), Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy, também compareceram.

O marido de Marta, Luís Favre, fez as vezes de fotógrafo. Dilma, paciente, posou ao lado das bancadas, com prefeitos e dirigentes. Na hora da foto com a numerosa bancada federal, surgiu uma indicação de que Palocci largou na frente na disputa pela candidatura petista ao governo do estado.

Atendendo a pedidos gerais, o ex-ministro da Fazenda sentou-se no centro do sofá, entre Dilma e Marta. Palocci, que depende de uma absolvição no processo sobre a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa – ainda tentou se esquivar:

- Estou gordo, vou ocupar muito espaço – argumentou.

Chinaglia sentou-se à esquerda de Marta. Atrás ficaram os mensaleiros João Paulo e Mentor.

Dirceu, tido como contrário a Dilma, não apareceA ausência mais comentada foi a do ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, tido como um dos principais lideres da resistência paulista ao nome de Dilma como candidata a presidente.

Dilma informou que viajará toda sexta-feira, com o presidente Lula, para fiscalizar o andamento de projetos. Sobre a decisão do DEM de denunciá-la ao Tribunal Superior Eleitoral por campanha eleitoral antecipada, ela disse que a oposição está incomodada com os investimentos do governo:

- Por que o presidente chegou a dizer que cortará o meu batom e não cortará uma obra do PAC? É porque saímos com investimentos pesados agora. Essa crise vai passar, e o Brasil estará em melhores condições – disse a ministra, que cumprimentou operários, pôs um capacete e acionou uma máquina.

O discurso de Dilma nesta sexta foi semelhante ao que fez durante o Fórum Social Mundial. Dilma tem intensificado nos últimos dias os compromissos públicos, que garantem maior visibilidade a ela, seja na festa do PT , seja em inaugurações ao lado de Lula , seja no Encontro Nacional de Prefeitos.

Nesta sexta, em Recife, Lula também reagiu à oposição. Segundo ele, a acusação de campanha antecipada é ‘absurda’ e ‘pequena’, e a ministra vai continuar viajando para inaugurar obras do PAC.

12/02/2009 - 10:35h De volta à cena o ex-Campo Majoritário

estrela_sobe.jpg

Maria Inês Nassif – VALOR

O ex-Campo Majoritário do PT paulista está se articulando rapidamente em torno da candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República e de um único nome na disputa para o governo de São Paulo em 2010. Com isso, procura retomar a hegemonia na estrutura nacional do partido e o poder de barganha que tinha no passado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A tentativa do ex-Campo Majoritário, agora distribuído em mais de uma tendência, é para que essa articulação recomponha o equilíbrio de poder interno do PT que deu a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. A partir de 1998, e até 2002, prevaleceu um pacto de convivência entre um líder carismático conhecido nacionalmente e uma estrutura burocrática que era forte e capilarizada. Lula usava da estrutura para disputar eleições e sua popularidade contribuia para o crescimento da legenda. Recompor agora com Lula significa proporcionar à Dilma o uso de uma máquina partidária grande – e muito organizada no Estado mais rico da Federação – e capitalizar a excepcional popularidade de Lula. De quebra, a tendência pode ganhar mais densidade num futuro governo Dilma, se ela vencer as eleições.

Foram os integrantes do ex-grupo chamados por Lula no Palácio do Planalto, no começo do ano, e encarregados de transitar internamente o nome da ministra Dilma Rousseff como candidata à sua sucessão, em 2010. Os ex-prefeitos Marta Suplicy (SP) e Fernando Pimentel (MG) e o deputado João Paulo (SP) foram os encarregados da tarefa. Os paulistas articularam-se rapidamente. Venceram a resistência de José Dirceu. O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, já deu uma declaração pública em favor da ministra – com a ressalva implícita de que a candidatura tem que obrigatoriamente passar pelo partido. Amanhã, haverá uma reunião de Dilma com os petistas paulistas, na casa da ex-prefeita. Simultaneamente, fecharam um acordo entre os três postulantes ao governo – Marta Suplicy, o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia e o ex-ministro Antonio Palocci – e vão se entender em torno de um único candidato. Isso levará um grupo grande e coeso para a candidatura de Dilma e fortalecerá a sua posição no Diretório Nacional.

No período que antecedeu ao escândalo do mensalão, o Campo Majoritário paulista era hegemônico, tanto na tendência como no partido. Enfraqueceu-se devido ao envolvimento de vários de seus integrantes no escândalo do mensalão, em 2005, e dividiu-se. O grupo perdeu posições no partido – apesar da eleição para a presidência nacional do deputado Ricardo Berzoini – e no governo, com a queda dos dois ministros mais poderosos do primeiro mandato de Lula: José Dirceu, da Casa Civil, e Antonio Palocci, da Fazenda. São Paulo perdeu espaço para outros líderes que cresceram na contramão das agruras sofridas principalmente por líderes que irradiavam do Estado a sua influência para o resto do país. O presidente Lula distanciou-se da legenda e garantiu uma reeleição quase que apenas contando com a sua popularidade. É certo, usou a estrutura partidária, mas sem estabelecer uma relação orgânica com o seu partido.

Dilma, no pontapé inicial de sua candidatura, conta com a popularidade de Lula, mas não conseguirá se viabilizar sem uma relação estreita com o PT, que continua grande e capilarizado mesmo depois de passar pelos revezes de 2005. Vai definir suas relações com o PT pelas mãos do ex-Campo Majoritário. O grupo que tenta se reunificar conta com a sua experiência de articulação interna, que lhe dá rapidez, e com a concordância tácita das outras tendências de que a candidatura deve ser a da ministra. Segundo um dos petistas envolvidos na articulação, para qualquer dos grupos é vantajoso que o partido capitalize a popularidade de Lula. Como é importante que o partido continue sendo governo, onde todos estão representados na estrutura ministerial.

Ao que parece, o ex-Campo retoma suas articulações com a força que tinha antes. Mostra-se capaz de passar como um trator por interesses que contrariem a sua estratégia. A vitória de dois peemedebistas para a presidência da Câmara e do Senado passa por uma articulação já em andamento para negociar, com cada diretório regional do PMDB, a aliança com Dilma. Na Câmara, o grupo lutou até o último minuto para conseguir a vitória do deputado Cândido Vaccarezza (SP) como líder. O outro candidato, Paulo Teixeira (SP), era aliado do ministro da Justiça, Tarso Genro (RS), que vê a sua postulação à Presidência da República reduzir-se a pó.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

E-mail maria.inesnassif@valor.com.br

22/01/2009 - 14:38h Lula sofre pressão de Dilma e setores do PT para levar Fernando Pimentel para o ministério

http://www.estadao.com.br/fotos/fernando-pimentel-grande.jpg

O Globo

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem recebido pressão de setores do PT e até mesmo da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para trazer ao Palácio do Planalto um dos políticos mais próximos da ministra: o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT). Ele passou a ser cogitado para assumir o cargo de ministro-chefe do Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), órgão que hoje é vinculado à pasta das Relações Institucionais, comandada pelo ministro José Múcio Monteiro. Mas há também pressão contrária à manobra.

No cargo, Pimentel passaria a ser um dos principais articuladores da candidatura de Dilma para a sucessão de 2010. O ex-prefeito esteve duas vezes com Lula entre a noite de terça-feira e a manhã de quarta. O presidente disse a Pimentel que quer aproveitá-lo no governo, mas falta decidir onde. Essa definição só acontecerá depois da eleição para as presidências da Câmara e do Senado.

A maior resistência é do grupo liderado pelos ministros mineiros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretário Geral). Além de ter contrariado esses petistas ao fazer uma aliança com o governador tucano Aécio Neves na eleição municipal, Pimentel articula para disputar o governo mineiro, posto também cobiçado por Patrus. Também haveria resistência do próprio ministro José Múcio, que em conversas reservadas avalia que sua pasta poderia ficar esvaziada caso seja deslocado o CDES.

” O presidente Lula quer chamar para conversas ex-prefeitos do PT para saber qual papel político eles terão nesses dois anos “

Os defensores da nomeação de Pimentel acreditam que ele poderia desenvolver uma dupla função. Como economista, poderia coordenar a ação de governo junto a empresários e trabalhadores para encontrar soluções para diminuir os reflexos da crise financeira internacional no Brasil. Com bom trânsito entre os ministros da área econômica, principalmente Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento), Pimentel ajudaria na área que hoje mais preocupa Lula.

Outra função de Pimentel seria política. Amigo pessoal da ministra Dilma desde que militaram juntos em movimentos contra a ditadura militar, no início dos anos 1970, Pimentel trabalharia a candidatura presidencial da chefe da Casa Civil não só no PT, mas também entre os partidos aliados.

Lula também quer uma maior aproximação com dois ex-prefeitos petistas: João Paulo, de Recife, e Marta Suplicy, de São Paulo. Os dois também estiveram com Lula na noite de terça-feira, em uma reunião que não constava da agenda oficial do presidente. João Paulo deve voltar a ver Lula nesta quinta. O pernambucano já se dispôs a ajudar o governo com os prefeitos – ele é presidente da Frente Nacional de Prefeitos – e ajudar Dilma.

Segundo fontes do governo, Marta não tem chance de voltar a ter um emprego no primeiro escalão do governo, mas Lula considera importante ter a ex-prefeita próxima do Planalto. Além disso, a avaliação palaciana é de que Marta é o nome mais forte do PT em São Paulo e é preciso revitalizar sua liderança no maior colégio eleitoral do país. A mesma avaliação é feita em relação ao ex-prefeito de Recife, o nome cotado do PT para disputar o governo de Pernambuco ou um cargo de senador.

- O presidente Lula quer chamar para conversas ex-prefeitos do PT para saber qual papel político eles terão nesses dois anos – explicou o presidente do PT, deputa do Ricardo Berzoini (SP).

16/01/2009 - 23:10h Petistas divulgam carta sobre nota do partido em relação ao Oriente Médio

 estrela_pt.jpghttp://www1.whdh.com/images/news_articles/389x205/061014_israel_palestine.jpg

16 de janeiro de 2009

Ao companheiro Ricardo Berzoini,
Presidente Nacional do PT,

Nós aqui subscritos, na qualidade de militantes do PT profundamente consternados com a tragédia que vem se desenrolando no Oriente Médio e com o número crescente de vítimas, inclusive de crianças, gostaríamos de manifestar publicamente desacordo com o teor da nota do Partido sobre o conflito, divulgada a 4 de janeiro corrente.

Em nossa visão, a nota posiciona equivocadamente o PT em relação a um conflito de notável complexidade, devido, em síntese, aos seguintes pontos:
i. ignora a posição histórica do Partido, que sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos;
ii. banaliza e distorce o fenômeno histórico do nazismo;
iii. não registra a necessária condenação ao terrorismo;
iv. não afirma o reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas;
v. não se coaduna com a posição equilibrada assumida pelo governo brasileiro sobre a questão; e
vi. queima, ao invés de construir, pontes para o entendimento.

Estamos convictos de que o Brasil, conforme propõe o Governo Lula e com base na convivência exemplar das duas comunidades em sua sociedade, pode contribuir para o engajamento das partes na busca de uma paz duradoura, baseada na coexistência pacífica de um Estado Palestino viável e próspero e de um Estado de Israel definitivamente seguro.

Nosso partido pode desempenhar um papel importante no aprofundamento do debate e na defesa, junto às partes e à sociedade brasileira, do caminho do cessar-fogo imediato e do desbloqueio da entrada de ajuda humanitária.

Assinam*:

Alberto Kleiman
Alexandre Padilha
Alfredo Schechtman
Aloizio Mercadante
Ana Copat Mindrisz
Carlos Minc Baumfeld
Clara Ant
Denise Rosa Lobato
Diogo de Sant’Ana
Edna Cassimiro
Esther Bemerguy de Albuquerque
Fernando Haddad
Fernando Kleiman
Itajaí Oliveira de Albuquerque
Ivo Bucaresky
Ivone de Santana
Jaques Wagner
José Genoino
Luciano Pereira da Silva
Marcelo Behar
Marcelo Zero
Marcos Damasceno
Maria Luíza Falcão
Marta Suplicy
Mauricio Mindrisz
Nadia Somekh
Paul Israel Singer
Paulo Moura
Paulo Vannuchi
Pedro Vieira Abramovay
Rômulo Paes de Sousa
Sergio Gusmão Suchodolski
Suzanne Serruya
Tarso Genro
Thiago Melamed de Menezes
Vitor Sarno
……………………………………….

*até o momento

09/01/2009 - 12:46h Gotas

Mais ou menos grana?

A nomeação de Rodrigo Garcia é noticiada de maneira diferente na Folha e no Estadão. Veja os dois artigos reproduzidos aqui no blog (Kassab reforça sua turma; Ex-sócio de prefeito é “promovido” de secretaria). No Estado SP, Rodrigo Garcia tem pasta reforçada mas perde verba; na Folha SP ele sai de uma pasta sem orçamento para mais dinheiro e poder na máquina. A Folha informa que Rodrigo Garcia foi sócio de Gilberto Kassab, omitido pelo Estadão. Já este último informa sobre o cargo atribuído ao tesoureiro da campanha de Kassab, Flávio Chuery, que coordenará a pasta de Garcia.

A importância desta promoção, completada com a de Miguel Bucalem na nova Secretaria de Desenvolvimento Urbano, aparecerá sem dúvida nos grandes assuntos empresariais da cidade: revisão do Plano Diretor, Habite-se, alvarás, mobília urbana que reintroduzira a publicidade nas ruas da cidade etc.

 

 

Sexismo

http://tribunadonorte.com.br/fotos/29454.jpgEstão de parabéns a Embratur e o Ministério de Turismo (foto Luiz Barretos, ministro da pasta) em requerer da justiça a retirada de um folheto sexista que procura promover o turismo no Rio de Janeiro apelando parte das brasileiras como “máquina de sexo bunduda”.

A publicação “Rio For Partiers” (Rio para festeiros) trata as mulheres como objetos sexuais e as divide em categorias segundo a dificuldade ou facilidades em leva-las para a cama. Segundo a Embratur, o guia “viola a dignidade humana e expõe o povo brasileiro a situação vexatória”. A publicação, vendida pela internet, é editada em inglês pela Solcat Publishing Editora e está em sua 7ª edição.

 

 

Folha médio orientada

uri_avneri.jpgA Folha aproveitou os equívocos da nota assinada por Ricardo Berzoini e Valter Pomar, acusando os israelenses de “prática típica do Exército nazista”, para procurar no governo de Israel alguém que desqualifique a disposição do governo brasileiro em contribuir para a mediação do conflito.

Depois de pedir a opinião do Ministro de Assuntos Sociais de Israel, procurado pela Folha na cidade israelense de Ashkelon, sobre a nota do PT (que o entrevistado aparentemente desconhecia até encontrar o repórter da Folha), o jornalista pede para o ministro considerar se seria “relevante” a oferta de mediação do governo do Brasil. Como o ministro considera positiva a iniciativa brasileira, o jornalista volta à carga para saber se a nota do PT não descredencia o Brasil como mediador.

Apesar dos seus esforços, a Folha não consegue transformar a nota dos dois dirigentes petistas em atrito diplomático entre o governo brasileiro e o governo de Israel. Ainda bem.

O desatino da comparação feita pelos petistas não é um monopólio, como bem mostra Marcos Guterman no artigo A Hitler o que é de Hitler. Uri Avneri, o conhecido pacifista israelense, fez comparação semelhante (na foto) durante passeata em Tel-Aviv dizendo que os pilotos israelenses agem como os pilotos nazistas (Israelenses e palestinos manifestam pela paz). Minha concordância com Marcos Guterman não me impede considerar a tentativa da Folha um desserviço à informação e uma tentativa torpe de tentar fabricar incidentes.

 

 

Drummond

A língua girava no céu da boca

A língua girava no céu da boca. Girava! Eram duas bocas, no céu único. O sexo desprendera-se de sua fundação, errante imprimia-se nos seus traços de cobre. Eu, ela, elaeu. Os dois nos movíamos possuídos, trespassados, eleu. A posse não resultava de ação e doação, nem nos somava. Consumia-nos em piscina de aniquilamento. Soltos, fálus e vulva no espaço cristalino, vulva e fálus em fogo, em núpcia, emancipados de nós. A custo nossos corpos, içados do gelatinoso jazigo, se restituíram à consciência. O sexo reintegrou-se. A vida repontou: a vida menor.

Carlos Drummond de Andrade

 

 

 

Amor — pois que é palavra essencial

 

Amor — pois que é palavra essencial

comece esta canção e tudo a envolva.

Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,

Reúna alma e desejo, membro e vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?

Quem não sente no corpo a alma a expandir-se

até desabrochar em puro grito

de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,

Fundido, dissolvido, volta à origem

http://www.s-y-s.cn/text/ewebeditor/UploadFile/200687194325578.jpgDos seres, que Platão viu contemplados:

é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?

Onde termina o quarto e chega aos astros?

Que força em nossos flancos nos transporta

a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,

já tudo se transforma, num relâmpago.

Em pequenino ponto desse corpo,

a fonte, o fogo, o mel se concentram.

Vai a penetração rompendo nuvens

e devassando sóis tão fulgurantes

que nunca a vista humana os suportara

mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte

que, além de nós, além da própria vida,

como ativa abstração que se faz carne,

a idéia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,

menos que isto, sons, arquejos, ais,

um só espasmo em nós atinge o clímax:

é quando o amor morre de amor, divino.

PhotoQuantas vezes morremos um no outro,

no úmido subterrâneo da vagina,

nessa morte mais suave do que o sono:

a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,

estendidos na cama, qual estátuas

vestidas de suor, agradecendo

o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

Carlos Drummond de Andrade

Fotos Jean-Loup Sieff

Fonte portal Germina


 

Gotas, por Luis Favre

09/12/2008 - 09:40h O bagaço da laranja

A colunista Dora Kramer, na sua coluna de hoje no Estadão, crítica com virulência os dirigentes do “campo majoritário” do PT. O motivo: atribuir a crise econômica internacional ao neoliberalismo e dizer que os defensores do neoliberalismo no Brasil eram e são o PSDB.

Ela considera isto tenebroso e amoral. Não vejo porque e nada na sua argumentação demonstra que isto não corresponda com a verdade.

Na sua argumentação ela atribui ao PT a idéia que lidar com a crise no Brasil não é responsabilidade do governo, o que ninguém do PT afirmou. Se o Brasil está muito melhor preparado para os efeitos da crise gerada pelo liberalismo no mercado financeiro é bem graças ao governo Lula.

Paradoxalmente, os argumentos de Dora Kramer servem para questionar… o PSDB.

Segundo a jornalista a intenção do PT teria o seguinte resultado: “anula-se o desgaste de dois mandatos, a desmoralização resultante dos escândalos, a banalização das más companhias, a degeneração fisiológica, a perda da bandeira da ética em algum lugar no meio desse caminho e volta-se a preconizar ao eleitorado a ‘mudança’.” Mas isto é precisamente o que o PSDB procura fazer: esquecer os dois mandatos de FHC e a política implementada de privatizações e desemprego; a desmoralização dos escândalos de compra de votos para a reeleição, do mensalão mineiro, Sivam etc. e fundamentalmente a política neoliberal e de subordinação aos ditados do FMI e agora passam “a preconizar ao eleitorado a ‘mudança’.”

Já o PT pode reivindicar os dois mandatos que apesar dos desgastes permitem a Lula um 70% de ótimo e bom. Emprego, crescimento econômico, diminuição da desigualdade, nada para ser anulado.

Paradoxalmente, os tucanos é que estão em contradição, junto com Dora Kramer. Se como pretendem o tempo todo, a situação do Brasil é boa graças à política implementada por eles e que teria sido simplesmente continuada por Lula, porque mudar? O bom é obra deles e o impacto da crise externa no Brasil seria culpa de Lula? Ué, mas não é que ele só está dando continuidade aos tucanos, então seria a política econômica deles a culpada?

O paradoxo é que com este tipo de raciocínio acabam convergindo os que no PT atacam a política econômica do governo federal, Dora Kramer e Serra: todos questionando um dos principais pilares do êxito de Lula, a política econômica. LF

lula_caricatura2.jpgserra_caricatura21.jpghttp://albertoartes.googlepages.com/FHC.jpg


A seguir o artigo de Dora Kramer

Difícil vai ser o PT convencer alguém com neurônios em estado razoável de conservação. Noves fora esse detalhe, é perfeita a estratégia do partido de transferir a culpa da crise econômica para o PSDB: se os tucanos importaram o modelo e ele desmorona, é preciso eleger uma pessoa comprometida com a mudança.

Seria apenas elementar o silogismo não fosse tosca e, sobretudo, cínica a tentativa do PT de ficar no poder mediante a reinvenção de um discurso de crítica aos fiadores originais da política econômica adotada pelo partido em dois períodos consecutivos frente à Presidência da República.

Isso depois de se negar a dividir com os autores os bons resultados obtidos ao longo de seis anos, de se apropriar do fim da inflação, da estabilidade da moeda e de todos os fundamentos, cuja adoção anterior permitiu ao governo Luiz Inácio da Silva desfrutar dos efeitos da bonança internacional e amealhar respeitável patrimônio de 70% de popularidade.

Tal decisão não é fruto de opiniões isoladas, coisa daquela ala antigamente denominada xiita. Foi anunciada pelo tesoureiro do partido – “É a crise de um modelo do qual o governo FHC e o DEM foram os grandes patrocinadores no Brasil” – e corroborada pelo presidente da agremiação, deputado Ricardo Berzoini.

“Eles (os partido hoje de oposição) avalizaram o movimento neoliberal no Brasil”, disse Berzoini todo convicto de que o ataque pesado à política inaugurada nos anos 90 é a saída ideal para o PT tentar eleger Dilma Rousseff ou quem quer que venha a ser o candidato, ou candidata, oficial à sucessão de Lula.

Pelo que se depreende do debate ocorrido entre dirigentes petistas no último fim de semana no interior de São Paulo, o partido pensa em patrocinar uma volta às origens, a fim de se credenciar ao recomeço; de preferência do zero naquilo que for conveniente.

Por exemplo: anula-se o desgaste de dois mandatos, a desmoralização resultante dos escândalos, a banalização das más companhias, a degeneração fisiológica, a perda da bandeira da ética em algum lugar no meio desse caminho e volta-se a preconizar ao eleitorado a “mudança”.

A motivação para se dar um “boot” na máquina seria um problema, mas eis que a crise econômica surge para dar a solução aparentemente ideal: ao mesmo tempo permite ao PT dar o dito pelo não dito e ainda é uma maneira de atacar o principal candidato, o tucano José Serra, em primeiro lugar nas pesquisas.

O singular é que a nenhum dos dirigentes tenha ocorrido a hipótese de a argumentação soar tenebrosa ao eleitorado, do ponto de vista, senão da coerência (preceito devidamente revogado), pelo menos da amoralidade.

Evidentemente, o PT não espera que no meio da turbulência de conseqüências ainda desconhecidas o “seu” governo vá mudar radicalmente o rumo das coisas. Portanto, no essencial a política segue como está.

Sendo assim, como é que o PT pode pensar que o eleitor vá votar no representante de um governo que faz uma coisa, cujo partido diz que está errada, e promete, se eleito, fazer tudo diferente?

Como espera que alguém acredite que a responsabilidade seja dos dois partidos de oposição que estão há seis anos assistindo à comemoração do desempenho de uma política, sem direito a um mísero ingresso para a festa?

Pois então o governo usa e abusa de uma herança dita “maldita” no início, usufruiu de todos os méritos, subtrai do registro da História a assinatura dos autores e, quando o vento vira, devolve o capital dilapidado e sai ileso dizendo que não tem nada a ver com isso?

Foi isso o que propôs o PT em seu encontro de São Roque. Agora, pode ter havido um mal entendido. Se houve, urge o PT esclarecer as coisas o quanto antes.

Sob pena de fazer fama de mau caráter na praça, de querer crescer à custa de difamação, de não ter aplicado a fórmula correta a tempo de evitar o desastre e, pior, de não ter uma única idéia nova a apresentar ao eleitorado para justificar sua permanência no comando na Nação.

Antes que o leitor lembre a ausência de pensamentos (qualquer um, novos ou velhos) também na oposição, cumpre registrar ser este um fato sobejamente conhecido. Quem se apresentou ao debate com a novidade da estação foi o PT e, com isso, reservou mesa de pista na berlinda.

Mas admitamos que seja isso mesmo, que o PT pretenda reeditar em 2010 o discurso de 2006, atacando os neoliberais, os privatistas, os fiéis seguidores do Banco Central etc.

Ver-se-á frente a frente com um adversário de “top” semelhante. Com a diferença que José Serra discorre a respeito desse conteúdo de uma forma muito mais consistente, concorde-se com ele ou não.

Se o intuito do PT for justamente se preparar para enfrentar o adversário no campo localizado à esquerda, vai precisar de um invólucro melhor do que este da devolução da herança na antiga versão maldita, depois da satisfação obtida ao longo de dois mandatos consecutivos.

03/12/2008 - 08:08h Um pulso firme, de braço amigo

gilberto_carvalho2.jpg
Gilberto Carvalho, do planalto à presidente do PT

Rosângela Bittar – VALOR

A receita já existe há meses e vem sendo transmitida boca a boca, sem formalidades inúteis. Primeiro, tem que ser alguém muito ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, isto é uma necessidade e uma exigência; o escolhido tem que possuir autoridade política e liderança partidária; é preciso ser um quadro com capacidade para conduzir alianças, no plano nacional e nos Estados. Com estas características, o indicado terá que ter força para aproximar o presidente da República e o partido. Assim, ficará viabilizada, sem maiores riscos, a sucessão, e garantidas as conquistas do governo.

Este é o perfil declarado do futuro presidente do PT, definido pelos próprios dirigentes partidários e assessores do presidente, com negociações em estágio avançado. O nome que pode a ele se amoldar, no entanto, não está oficialmente confirmado, embora seja unânime a conclusão de que só há um: Gilberto Carvalho, chefe do gabinete do presidente da República.

Numa ala do partido, informa-se que Lula vetou a saída de Gilberto alegando que ele está muito bem no Palácio e é melhor procurarem outro candidato. É verdade, disse mesmo. Outras opiniões abalizadas, porém, avaliam que o presidente sabe que não há outro nome e está vendendo caro o passe de seu mais próximo auxiliar. Vender caro significa que quer unanimidade e facilidade para o trabalho de quem vai presidir o partido na sucessão presidencial. E, mais perto da eleição, para não haver desgastes desnecessários desde hoje, vai ceder.

O sucessor indicado por Lula até este momento, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, tem que ser preparada interna e externamente. Dilma existe menos no PT do que nacionalmente, onde as pesquisas já lhe dão de 8 a 10% de conhecimento e apoio. Será do presidente do PT, a partir de determinado momento do processo, a tarefa de aproximá-la mais do partido, sobretudo das bases, que Lula comanda apenas com o discurso mas esta é uma habilidade que ninguém mais consegue reproduzir. Ao mesmo tempo em que prepara o candidato, o dirigente petista terá a função de organizar o partido, fortalecê-lo para não perder tudo o que considera haver conquistado nos dois mandatos presidenciais.

Neste aspecto a crise econômica atual é considerada um fator importante na definição de rumos. Acredita os petistas que se o governo conseguir gerir bem a crise, não deixar que tenha impactos sobre três pilares que considera características de suas gestões – emprego, baixa inflação e distribuição de renda – manterá retraídos os problemas maiores. Se houver, porém, influência da crise e o PT começar a ter medo de perder a eleição, desesperar-se com a proximidade da desocupação da máquina, o futuro será cada vez mais uma incógnita.

O novo presidente terá que ser capaz, também, de não deixar o processo de eleição direta, mesmo com uma base que Lula ainda consegue comandar, transformar-se numa guerra interna a estraçalhar a coesão do partido, que o presidente considera fundamental para ter êxito na disputa.

Isto não significa que estão proibidas as prévias para escolha do candidato à sucessão, sempre um fator de tensão. Mas as expectativas têm que estar sob o controle de Lula. Assim, o nome do momento é Dilma, que o presidente do PT terá que fazer passar sem traumas pelas instâncias do partido. Se, em outro momento mais à frente, for o de Antonio Palocci, por exemplo, – que pode ser deslocado do quadro de candidatos ao governo de São Paulo caso a crise econômica se agrave – o presidente do PT, sendo muito ligado a Lula, terá papel fundamental na mudança para o nome de quem pode levar o Brasil ao porto seguro.

Há, ainda, a nunca esquecida hipótese de ter o PT que transformar o trabalho em torno de um sucessor para, objetivamente, tornar viável o terceiro mandato para o próprio Lula.

Em diferentes alas partidárias colhe-se a opinião de que Gilberto Carvalho é mesmo a opção certa para qualquer destas tarefas. Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente em assuntos de política externa, assumiu a presidência do PT na crise do dossiê armado pelo partido contra adversários políticos, foi considerado independente demais, cheio de idéias próprias, costurou pessoalmente o acordo com o PMDB que resultou na eleição de Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara, e voltou ao governo queimado entre os petistas.

O atual presidente, Ricardo Berzoini, não teria a menor condição para permanecer no cargo, já não é tão próximo a Lula e não lidera o partido, muito menos detém as condições necessárias para negociar alianças.

Na Presidência da República, gozando da confiança de Lula e com boa base no PT, há o secretário geral Luiz Dulci, que criou para si, porém, arestas em alas partidárias inteiras a partir das últimas eleições municipais. Tal como ocorreu com o petista Tarso Genro, ministro da Justiça, que já se incompatibilizara antes mesmo das últimas eleições. O atual secretário geral do partido, José Eduardo Cardozo, citado entre os presidenciáveis do partido, ainda é visto como alguém não totalmente absorvido internamente, depois de ter, nas avaliações internas, feito um discurso para o público externo nas crises éticas atravessadas pelo partido.

Nos últimos meses, têm aparecido com maior nitidez os movimentos do ex-ministro e ex-presidente do PT, José Dirceu, para voltar à cena partidária. Artífice das candidaturas Lula e das alianças partidárias que sustentaram os dois mandatos petistas na Presidência da República, Dirceu não tem perdido uma só oportunidade para se manifestar, por meios legalmente ainda à sua disposição, hoje, sobre todos os assuntos nacionais e partidários. Pode conseguir, até o processo de eleições diretas, resgatar seu espaço, mas ainda não conseguiu.

Um eleição sem José Dirceu e sem Lula é um desafio imenso para o PT, que tem a responsabilidade de apresentar seu projeto renovado. Não pode ser menos do que acredita estar fazendo, nem pode apresentar-se com resquícios oposicionistas que ainda o acompanharam nas últimas campanhas eleitorais.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

30/11/2008 - 11:57h A oposição e a reforma tributária

RICARDO BERZOINI e MAURÍCIO RANDS


Os oposicionistas precisam explicar por que insistem em retardar os benefícios que advirão da nova reforma

http://blog.sindpd.org.br/up/s/si/blog.sindpd.org.br/img/REFORMA.jpg

OS PARTIDOS de oposição no Brasil têm feito campanha defendendo a reforma tributária. O governo Lula enviou em 2003 uma primeira PEC com o objetivo de racionalizar nosso sistema tributário. A proposta acabou sendo desidratada, sobretudo porque os governadores roeram a corda. O debate continuou e, no segundo mandato, o Executivo encaminhou ao Congresso a PEC 233, incorporando a reflexão feita com Estados, municípios e entidades da sociedade civil.

A Comissão Especial da Câmara, tendo como presidente o deputado Palocci e como relator o deputado Mabel, intensificou o debate e aprovou um substitutivo que agora pode ir ao voto do plenário. A proposta cria o IVA federal, incorporando Cofins, PIS/Pasep e CSLL. Unifica o ICMS em uma só alíquota, mantendo 2% com o Estado de origem, acabando com a guerra fiscal e convalidando os incentivos fiscais concedidos até este ano. Para compensar os Estados menos desenvolvidos pela perda do poder de atrair investimentos via incentivos, a proposta reorganiza o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional.

Para que nenhum Estado perca com a reforma, cria-se um Fundo de Equalização de Receitas. O substitutivo reduz o prazo de compensação dos créditos tributários, desonera a folha de pagamentos -reduzindo de 20% para 6% a contribuição patronal ao INSS-, e acaba com os 2,5% do salário-educação. Elimina a “carga tributária invisível”, unificando tributos, simplificando procedimentos, inclusive ampliando a nota fiscal eletrônica e, portanto, tornando mais simples e barata a administração tributária, cria o Código de Defesa do Contribuinte e prevê alíquotas reduzidas para biocombustíveis a fim de incentivar uma boa política energética ambiental.

No geral, o projeto visa racionalizar e simplificar nosso sistema tributário, ampliando a base imponível. Com isso, pode-se aumentar a formalização da economia brasileira. Que todos paguem os tributos, para que todos paguem menos. A lógica é a da neutralidade dos efeitos para que nenhum ente federado saia perdendo e todos se beneficiem de um sistema mais racional, em um jogo que não é de soma zero.

Embora a reforma esteja sendo discutida em detalhes há anos, os partidos de oposição insistem em obstruir a pauta da Câmara. Alegam que ainda pretendem sugerir alterações. Imaginam “uma elevação da carga tributária”, sem jamais indicar como ela se daria. Apresentam-se como instrumentos daqueles que, vendendo a dificuldade ou a discordância, almejam obter vantagem de última hora. E continuam sem apresentar alternativa global factível. Chegam a invocar as incertezas da crise para propor mais um adiamento.

Esquecem que a própria PEC já prevê uma transição de 2 a 10 anos para sua implantação. O PT e os partidos aliados estão prontos para votar o texto e abertos a negociar aperfeiçoamentos no plenário. Não concordam é com o adiamento de uma reforma que trará benefícios para o país e para cada setor econômico. Por que retardar a desoneração da folha das empresas e as vantagens advindas para aumentar a competitividade e a oferta de empregos? Por que adiar os benefícios da unificação e simplificação de tributos? Por que atrasar os benefícios ambientais?

Os partidos de oposição precisam explicar ao povo brasileiro por que insistem em retardar os benefícios que advirão do novo modelo tributário. Para que, da oposição, não se pense que a incoerência de se opor a uma reforma que retoricamente defende deve-se ao temor de que o governo Lula consiga brindar o país com mais uma realização estratégica para o seu desenvolvimento.

RICARDO BERZOINI , deputado federal (SP), é presidente nacional do PT.

MAURICIO RANDS , deputado federal (PE), é líder do PT na Câmara.

22/11/2008 - 09:15h Lula critica posição do PT sobre Nossa Caixa

Presidente afirma que ‘não pode agir com mesquinharia quando se trata dos interesses do país e de São Paulo’

Ricardo Galhardo e Juliana Rangel – O Globo

SÃO PAULO e RIO. Em uma crítica à posição da bancada do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, que ameaça votar contra a venda da Nossa Caixa para o Banco do Brasil (BB), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não pode agir com mesquinharia. Segundo Lula, o PT, ao usar o argumento de que o dinheiro reforçaria a candidatura do governador José Serra (PSDB) à Presidência em 2010, errou por politizar uma questão comercial.

— O Banco do Brasil não tomou uma posição política ou ideológica. O Banco do Brasil fez um negócio que interessava a ele, à Nossa Caixa, e quem ganha com isso é o Brasil. Vamos ter um banco público mais sólido, mais competitivo, com muito mais agências e dinheiro para podermos irrigar o crédito do Brasil. O que querem mais do que isso? — reclamou.
Lula revelou que o PT usou o argumento eleitoral para tentar barrar o negócio: — O argumento é que eu estaria dando R$ 6 bilhões para o governador Serra, que é um suposto candidato em 2010. Ora, um presidente da República não pode agir com mesquinharia quando se trata dos interesses do país e do povo de São Paulo.
Lula também refutou os temores do Sindicato dos Bancários de São Paulo (de onde saíram os ex-ministros Luiz Gushiken e Ricardo Berzoini, hoje presidente do PT) de que os trabalhadores serão prejudicados: — Não conheço nenhum bancário brasileiro que não quisesse trocar o banco em que trabalha pelo Banco do Brasil.
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, também afirmou ontem que as críticas de petistas à operação não procedem: — Acho que isso é uma visão um pouco ultrapassada. Não acho que esse tipo de política, eu diria assim mesquinha, tem espaço em um Brasil moderno — afirmou. — O que é o atraso? O atraso é o seguinte: venha com um pires na mão me pedir e, se você for simpático a mim eu te dou o recurso; se você não for, não dou. O governo Lula se caracteriza pelo respeito aos entes federados e às populações.

Ações da Nossa Caixa podem subir mais ainda

De olho em uma fatia dos R$ 5,4 bilhões — ou R$ 70,63 por ação controladora — que o BB vai pagar pela Nossa Caixa, investidores correram ontem para comprar ações do banco paulista, que dispararam 22,8%, para R$ 63, a maior alta da Bolsa de São Paulo, que recuou 6,45%. Já os papéis do BB caíram 14,34%.
No início de 2009, o BB comprará os 25% dos papéis da Nossa Caixa ainda em circulação, pelo valor pago aos controladores.
Investidores viram aí uma boa oportunidade: na quarta-feira, antes do anúncio da operação, as ações fecharam a R$ 51,30. No ano, a valorização dos papéis chega a 177,36%, frente à queda de 51,08% da Bolsa. Considerando o fechamento de ontem, o potencial de ganho é de 12,1%.

— O BB vai fazer o pagamento em 18 parcelas, e ainda não se sabe como será feito o tag along (direito ao prêmio pago pelo controle) dos minoritários — diz Eduardo Roche, gerente de análises do Modal Asset, que acredita que o pagamento aos minoritários possa ser feito de uma só vez.

29/10/2008 - 09:20h “A direita tem um enraizamento muito forte na cidade”, diz Gilberto Carvalho em entrevista ao Valor

“Kassab teve a competência de exibir bem os repasses de Lula”, diz Carvalho

César Felício, VALOR

Para Gilberto Carvalho, chefe de gabinete pessoal de Lula,
Marta mantém-se forte:
“Politicamente, passei a admirá-la mais”

Foto Lula Marques/Folha Imagem
gilberto_carvalho.jpg
Chefe de gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho sempre foi um dos dirigentes petistas mais próximos do presidente. Este mês, afastou-se de Brasília por dez dias para participar da reta final da campanha de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo, no segundo turno. O gesto foi interpretado por aliados e adversários da ex-ministra como um sinal de que Carvalho está escalado pelo próprio presidente para concorrer à presidência nacional do PT em novembro do próximo ano, assumindo assim a coordenação das alianças do partido para 2010. E, pela sua identificação com Lula, entraria na disputa com uma gama de apoios muito maior do que a corrente do antigo Campo Majoritário, desde 2005 denominado “Construindo um Novo Brasil”.

Carvalho não afasta a possibilidade de concorrer, mas frisa em entrevista por telefone ao Valorque as articulações pelo seu nome não partem do Palácio do Planalto. O chefe de gabinete pessoal de Lula lembra que transita dentro do partido uma proposta para que o mandato da atual Executiva nacional, chefiada pelo deputado Ricardo Berzoini (SP), seja prorrogado até 2011.

Natural de Londrina, Carvalho foi seminarista na juventude e teve no Paraná a sua única experiência eleitoral, ao concorrer sem sucesso à Câmara dos Deputados em 1986. Do time de primeiro escalão escolhido pelo presidente da República em 2003, para gravitar em torno de seu gabinete, Carvalho é o único que se mantém no Planalto.

A seguir, a entrevista ao Valor:

Valor: O senhor é citado por diversas alas do PT como um nome que poderia ser quase consensual para assumir a presidência do partido em 2009. Pode haver, pela 1ª vez, uma escolha sem disputa?

Gilberto Carvalho: Fui consultado por um grupo de deputados sobre a possibilidade de ser candidato. Tenho um compromisso com o presidente da República até o final de 2010. Esta história de presidir o partido surgiu agora e eu teria que deixar o governo, o que não está na minha perspectiva. Preciso falar com aquele rapaz que me paga o salário. Preciso levar o assunto ao presidente. Não vou postular a vaga, não é meu projeto. Agora, sou um filho do PT e não posso me furtar a contribuir com o partido.

Valor: Mas o nome do senhor seria uma forma de evitar disputas?


Carvalho:
Seria arrogância de minha parte colocar que só aceitaria ser candidato se unisse o partido, isto é muito pretensioso. No PT nunca existiu unanimidade, o que é uma virtude do partido.

Valor: Alguns colocam que a adesão a seu nome decorre de o senhor ser o dirigente mais identificado com o presidente. Confere?

Carvalho: Ser próximo do presidente, como de fato sou, não é uma condição importante para ser presidente do PT, não credencia só por si. Pelo contrário: o eleito, quem quer que seja, tem que exercer uma autonomia em relação ao governo para representar o pensamento médio dentro do partido. E neste sentido entra às vezes em contradição com o presidente da República. O PT tem que ser a consciência crítica do governo. Presidir o PT neste sentido é honra enorme e dificuldade extraordinária.

Valor: Como o senhor avalia a derrota da candidata Marta Suplicy em São Paulo?

Carvalho: Atendi a uma demanda da coordenação de campanha da Marta no segundo turno, em um quadro que já era de muita dificuldade, em função do resultado no primeiro turno. Tirei dez dias de férias e o presidente assentiu, mas ninguém esperava que com minha vinda o quadro se revertesse. Todos tínhamos exata consciência da gravidade. O Kassab construiu este resultado com muita antecedência ao processo eleitoral. Deslocaram para ele a estrutura de marketing do José Serra e trabalharam bem os elementos que davam a ele rejeição alta, procurando melhorar a sua avaliação de governo. Ainda por cima houve uma onda de reeleição dos atuais prefeitos em todo o País. Ironicamente, o governo federal ajudou na eleição de Kassab.

Valor: Por que?

Carvalho: Porque o presidente não discriminou São Paulo, repassou muitos recursos e o Kassab teve competência de exibir bem a aplicação destes recursos. O cidadão em todo Brasil não vota por ideologia, vota pelas motivações de seu dia a dia. Mas no caso paulistana houve uma união de forças políticas em torno do prefeito. Eu sempre lembro que em 2006 o Lula perdeu em São Paulo para o Alckmin no primeiro e no segundo turno. A direita tem um enraizamento muito forte na cidade.

Valor: A rejeição à Marta e ao PT não colaborou para o resultado?

Carvalho: Esta rejeição foi construída há muitos anos, e trabalhada agora com habilidade pelos adversários e alguns erros nossos. A imagem negativa da Marta é trabalhada desde a separação dela de Eduardo Suplicy, em 2001. Quando chegou agora eles não precisaram abordar este tema nem subliminarmente, porque não era mais necessário. Mas não deixaram de realizar uma campanha negativa muito agressiva, com os comerciais no rádio sobre a “Dona Marta em Paris”. A campanha deles para aumentar a rejeição de Marta foi muito dura. Por todos estes fatores eu acho que a Marta teve um desempenho muito bom. Politicamente, passei a admirá-la mais.

Valor: O senhor não acha que ela sai enfraquecida no PT, em função das sucessivas derrotas?


Carvalho:
Não. Cada eleição tem uma circunstância. Derrotas sucessivas não acontecem pela mesma razão. A Marta sai bastante forte no PT pela campanha que fez e vamos ver agora qual será o cenário para 2010. É bastante prematuro procurar imaginar qual será o papel que Marta jogará. Mas construir um quadro político e eleitoral não é fácil. Precisamos preservar o patrimônio que já temos.

Valor: É preciso pensar duas vezes antes de lançar nome novo em disputa majoritária?

Carvalho: Sem dúvida alguma. Duas vezes e mais duas. A construção de uma liderança eleitoral é difícil, é complexa.

Valor: O PT sofreu derrota surpreendente em Santo André, depois de ter quase vencido no primeiro turno. Como se explica este resultado?

Carvalho: Por um lado, houve fadiga de material. Com uma interrupção, o PT está no poder na cidade desde 1988. Do outro, evidentemente, as prévias que foram disputadas no ano passado, pelo seu grau de dureza, deixaram marcas. O secretariado do prefeito João Avamileno entregou os cargos. O partido se unificou depois, mas muitos foram para São Bernardo do Campo, trabalhar na eleição de Luiz Marinho. Figuras centrais para o partido na cidade, como Miriam Belchior, ficaram em Brasília. Além disso, o adversário Aidan Ravin (PTB) foi competente em conseguir apoio do governo de São Paulo, por meio do deputado estadual Campos Machado, e deu uma arrancada extraordinária na campanha, passando do terceiro lugar nas pesquisas para a vitória no segundo turno. Agora, é verdade que o Vanderlei Siraque praticamente ganhou no primeiro turno e a derrota deve-se, portanto, a acontecimentos da própria campanha e não a razões de fundo. Esta derrota em Santo André é um aprendizado que precisamos fazer.

28/10/2008 - 14:00h Derrota ameaça hegemonia de grupo martista em São Paulo

berzoini_tatto_mag.jpg
Marco Aurelio Garcia, Jilmar Tatto e Ricardo Berzoini DN do PT

Cristiane Agostine e Raquel Ulhôa, VALOR de São Paulo e Brasília

A derrota de Marta Suplicy na disputa pela Prefeitura de São Paulo em São Paulo levou à divisão os grupos que a apoiaram, o que pode comprometer sua volta ao governo federal e até mesmo sua pré-candidatura ao governo do Estado, em 2010.

O resultado da eleição gerou um rearranjo de forças entre as tendências que controlam os diretórios estadual e municipal do PT, com influência majoritária dos martistas. Grupos não ligados à ex-prefeita apostam na divisão dos apoiadores de Marta para tentar enfraquecê-los. Com a crise interna deflagrada a partir da derrota, os dissidentes articulam um movimento para antecipar a troca da direção partidária, prevista para o fim de 2009. “O grupo da Marta vai se dividir ainda mais depois desta derrota”, comentou um dirigente dissidente do estadual. “Eles já não estão marchando unidos”, comentou. A antecipação da eleição interna, entretanto, é descartada pelas Executivas municipal e estadual do partido.

O grupo de Marta é hegemônico no PT municipal e elegeu 9 dos 11 vereadores. Os martistas também têm forte influência no estadual. As críticas ao comando da campanha de Marta, entretanto, não são poucas nos diretórios de São Paulo e a atuação do coordenador, deputado Carlos Zarattini, gerou divergências até mesmo entre os martistas que o indicaram. “A comunicação com a população de São Paulo foi péssima. Não tivemos problemas só com a classe média, mas também com o eleitorado tradicional do PT”, comentou um dirigente da campanha. “Perdemos em toda a cidade.”

Sem acordo até mesmo entre eles, os aliados da ex-prefeita ainda têm dúvidas sobre o futuro político dela. Dizem que Marta espera um aceno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para voltar ao Planalto, provavelmente no Ministério do Turismo, onde estava antes de disputar a prefeitura. Com poder de pressão diminuído, eles têm dúvidas em relação à vontade de Lula levar novamente Marta ao primeiro escalão do governo.

Petistas de tendências mais distantes de Marta prevêem o enfraquecimento da pré-candidatura da ex-prefeita em 2010. “Ela não está morta politicamente”, contrapõe o vereador Donato, aliado de Marta e dirigente estadual do PT. “É um grande nome para disputar o governo do Estado. Quem tem mais voto é ela e no fim é isso o que pesa”, comentou Donato. “Mas temos de analisar, com profundidade, os problemas do PT. Não conseguimos dialogar com um conjunto amplo da sociedade.”

A preparação do partido para 2010 e a troca da direção partidária no próximo ano estarão na pauta do encontro que a direção do PT de São Paulo fará hoje. A bancada municipal dos vereadores, controlada pelo grupo martista, também se reúne hoje.

No balanço do resultado das eleições no Estado, os petistas analisarão além da derrota em São Paulo, a de Santo André, cidade considerada estratégica no ABC paulista. O PT ganhou em São Bernardo do Campo e é o partido com maior número de prefeituras na região metropolitana do Estado, que concentra mais de 47,8% da população.

Ontem, a Executiva Nacional do PT fez um balanço positivo do desempenho do partido nas eleições municipais, obtendo um crescimento de 35% em relação a 2004 e elegendo 556 prefeitos – segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral -, mas vai trabalhar com “mineirice” para superar arestas com aliados na tentativa de construir uma candidatura conjunta para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E não vai “varrer para debaixo do tapete” os problemas internos que o partido enfrentou.

Em entrevista concedida depois da reunião, ontem, em Brasília, o presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), negou que a pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência da República tenha saído enfraquecida das eleições municipais, que colocaram em xeque a capacidade de Lula transferir votos. Segundo Berzoini, Dilma saiu fortalecida “do ponto de vista partidário, pela disposição militante” de comparecer, após o horário trabalho, em compromissos políticos de candidatos aliados.

“O objetivo da eleição municipal não é enfraquecer ou fortalecer candidato a presidente da República”, disse Berzoini. Ele afirmou que a ministra também cresceu na opinião pública, à medida que se tornou mais conhecida, mas foi cauteloso ao falar dela como candidata. Segundo ele, 2010 está longe e qualquer previsão sobre nomes é mera especulação”.

Berzoini não assumiu culpas nem fez críticas a campanhas. Sobre a derrota de Marta Suplicy em São Paulo, disse que o diretório estadual fará avaliação das razões e que seria “pretensão” do diretório nacional fazer análise de forma superficial. Lembrou, no entanto, que os votos que Marta recebeu correspondem ao “patamar histórico do PT” e que ela enfrentou partidos fortes em São Paulo, que se juntaram no segundo turno contra ela, inclusive o PMDB.

Berzoini mostrou-se especialmente preocupado em recompor a boa relação do PT com o PMDB, que se enfrentaram em Salvador e Porto Alegre. “Vamos trabalhar onde houve embate entre partidos base aliada com muito diálogo, principalmente entre PT e PMDB. Já conversei com o deputado Michel Temer (SP), presidente do PMDB, para termos diálogo permanente, superar problemas. Não vamos esconder que houve divergências e diferenças, mas vamos tratar politicamente”, afirmou Berzoini. A disposição, segundo ele, é “tratar dos problemas sem ânimo de guerra”.

Em Belo Horizonte, o PT saiu dividido, mas Berzoini também minimizou os problemas. Afirmou que “houve críticas de lado a lado” – tanto dos petistas que apoiaram a aliança com o PSDB do governador Aécio Neves, em torno da candidatura de Márcio Lacerda (PSB), quando daqueles que eram contra. Para esses, a presença de Aécio foi muito forte na campanha, disse Berzoini. Já a ala petista ligada ao prefeito Fernando Pimentel (PT), mentor da aliança com o PSDB ao lado de Aécio, criticou as lideranças do partido que torciam para outras candidaturas. “Devemos trabalhar com maturidade, grandeza”, disse o presidente do PT.

Mesmo analisando que é prematuro falar em nomes para a sucessão de Lula, Berzoini disse que o presidente e o PT trabalham para ter candidato e ser a cabeça-de-chapa em uma coligação com os aliados. Mas ele não descartou a candidatura de outro partido da base. “Seria prepotência”, afirmou. Avaliou, no entanto, que é legítimo o PT querer a vaga, pela liderança do presidente Lula.

A executiva recebeu também a proposta de realização de um ciclo de debates sobre a crise financeira e mesas redondas com economistas de diferentes correntes de pensamento. O PT convidará os demais partidos de sustentação do governo, para que tenham melhor compreensão dos problemas e das medidas adotadas para seu combate.

“A oposição está apresentando as alternativas dela. O PT precisa ter uma visão sobre a crise. É uma caixa preta. Ninguém sabe onde vai”, disse o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, vice-presidente do partido.

28/10/2008 - 12:00h Depois da vitória, Pimentel busca reunificar partido em MG

Danilo Jorge, para o Valor, de Belo Horizonte

Um dia depois da conclusão do processo eleitoral em Belo Horizonte, em que o PT saiu dividido devido à polêmica aliança firmada com o PSDB em torno da candidatura de Márcio Lacerda (PSB), o prefeito Fernando Pimentel (PT), um dos principais avalistas da aproximação com os tucanos, deu início à reunificação do partido.

Roosewelt Pinheiro/ABr

Pimentel sobre Patrus: ”
Nosso projeto, que é eleger o sucessor ou a sucessora de Lula,
nos une e vamos estar juntos”

Ontem, Pimentel conversou longamente por telefone com o deputado federal Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT e um dos dirigentes do partido que criticaram a aliança com o PSDB. O prefeito fez também claros acenos de reconciliação aos ministros Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), que se opuseram igualmente à coligação com os tradicionais adversários.

“Houve divergências na condução da aliança e isto está superado”, afirmou Pimentel. Segundo ele, o que irá reunificar o partido é o objetivo comum das lideranças petistas, que é o de fazer o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Patrus é muito amigo meu e não temos projetos pessoais, ambições de cargos. Nosso projeto nacional, que é eleger o sucessor ou a sucessora de Lula, nos une e vamos estar juntos”, disse o prefeito, refutando as perspectivas de confronto entre ele e o ministro, que são cotados para disputar o governo de Minas em 2010.

Pimentel fez questão de frisar que a aliança firmada com os tucanos, tendo à frente o governador Aécio Neves (PSDB), é muito mais um projeto de conteúdo político que eleitoral. “Essa tese da convergência, entre dois partidos opostos, é possível em determinadas circunstâncias, mas não podemos transformar a exceção em regra. Foi possível em BH, o que foi muito raro. Isso se repetir é muito difícil”, disse o prefeito petista.

Para Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, a vitória de Lacerda abre espaço para a ampliação da aliança PT-PSDB-PSB. “O PSB ajudou na construção dessa frente, já que Márcio Lacerda era secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Aécio”, afirmou Campos. “Tivemos uma vitória bonita e madura em BH. Agora, abre-se uma oportunidade para consolidar ainda mais essa parceria”, disse ele, seguindo o discurso já feito por Aécio no domingo, durante a votação. O governador pernambucano não quis, porém, falar sobre como essa aliança ficaria em 2010, ano de eleições estaduais e presidencial. “É muito cedo para ilações sobre 2010. O que foi definido agora é o futuro das cidades. Em experiências anteriores, já vimos que as prefeituras não influenciam tanto o cenário federal.”

Campos considera que o resultado final das eleições foi equilibrado, apesar de o PMDB ter saído com o maior número de prefeituras. “Alguns partidos se fortaleceram aqui, mas perderam importantes cidades acolá. Acho que o resultado foi bom para todos”, explicou.

Lacerda também avalia que as divergências entre as principais lideranças petistas deverão ser superadas em breve. “Certamente o PT, através de sua direção municipal, estadual e nacional, vai buscar recompor os cacos”, disse o futuro prefeito, em entrevista ontem à TV Globo. Ele disse acreditar que os ministros Dulci e Patrus deverão agora, após os embates eleitorais, trabalharem pela reunificação do partido. “São pessoas idealistas e querem o bem de Minas e de BH e certamente vão se associar a um processo de recomposição interna do PT”.

Pimentel e Lacerda se encontram hoje para dar início ao processo de transição. A equipe que será designada para essa tarefa vai ter um papel estratégico, pois ficará encarregada de atuar na composição do futuro secretariado municipal e no redesenho dos instrumentos de planejamento da prefeitura, com vistas a adequá-los à execução das propostas defendidas por Lacerda durante a campanha eleitoral.

“Vamos conversar com todos os nossos apoiadores e lideranças, não só dos partidos mas também de todas as entidades, todas as organizações setoriais que nos apoiaram e ouvir a todos sobre as sugestões sobre composição de governo”, afirmou o futuro prefeito – eleito por uma coligação formada por 12 partidos (PSB, PT, PTB, PP, PR, PV, PMN, PSC, PSL, PTN, PTC, PRP), além dos apoios informais do PSDB e do PPS. Segundo ele, não haverá loteamento de cargos entre essas legendas, mas indicações com critérios técnicos, balizadas nos compromissos políticos constituídos na campanha.(Colaborou Carolina Mandl, do Recife)

27/10/2008 - 09:56h Lula mantém crença em seu potencial de transferência de votos

Cristiano Romero, de Brasília – VALOR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sentiu o gosto da derrota nas eleições municipais. Não conseguiu transferir votos para seus candidatos, como Marta Suplicy (PT) em São Paulo, viu o provável candidato da oposição à sua sucessão, o governador José Serra (PSDB), se fortalecer e, por isso, já tomou uma decisão: vai participar ativamente da disputa de 2010, “subindo em palanque desde o primeiro momento”, segundo palavras de um assessor direto. Lula acredita que, ao contrário do que aconteceu no pleito municipal, conseguirá transferir, na corrida presidencial, popularidade e votos a seu candidato.

Sergio Alberti / Folha Imagem
lula_voto.jpg
Lula no momento do voto em São Bernardo do Campo:
‘Quando o governo federal está bem, ele transfere votos’

Na avaliação do presidente, a transferência de prestígio já começou, na medida em que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, possui hoje cerca de 9% das intenções de voto para 2010. “Ela partiu do zero, sem nunca ter disputado eleição. Seus 9% são 100% Lula”, disse ao Valor um ministro do núcleo do poder em Brasília.

O presidente, afiança esse ministro, atribui o infortúnio de petistas nas eleições municipais a fatores locais e não ao seu desempenho no governo, aprovado por 80% da população. Na disputa presidencial, daqui a dois anos, ele acredita que a história será diferente. Dessa vez, a disputa vai girar em torno do julgamento da sua gestão. Lula, assegura um assessor direto, quer fazer o sucessor de qualquer maneira. “O medo do Lula é chegar ao fim do mandato com os candidatos à sucessão fugindo dele, como aconteceu com Fernando Henrique”, diz um assessor.

Lula reconhece que Serra saiu fortalecido da eleição de ontem, mas “apenas em São Paulo”. “A oposição (o DEM, o PSDB e o PPS) diminuiu de tamanho”, observa um colaborador. O PT, na avaliação do presidente, reforçou a musculatura ao aumentar o número de prefeituras, principalmente, por ter vencido em cidades importantes nas duas maiores regiões metropolitanas do país – de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Apesar disso, Lula acha que é preciso “arregaçar as mangas” para eleger seu sucessor. O presidente já definiu a estratégia política para os dois anos de mandato que lhe restam. Dilma Rousseff continua sendo “a primeira da fila” nas suas preferências para 2010. Segundo um assessor, Lula ainda não tratou diretamente do tema sucessão com a ministra, mas diz que ela tem que se viabilizar para sair candidata. Mesmo sem ter conversado com Lula, Dilma teria captado a mensagem.

A ministra participou ativamente das eleições municipais, ao contrário do presidente. Subiu em palanques e gravou mensagens de apoio a candidatos da base aliada em todo o país. A militância, observa um ministro, é importante para diminuir resistências a seu nome dentro do PT e também em outros partidos da coalizão que apóia o governo. Siglas que historicamente acompanham Lula, como o PSB, têm ressalvas ao nome da ministra.

O PSB tem no deputado Ciro Gomes (CE) um candidato natural, mas assessores do Palácio do Planalto revelam que, se Lula não o fizer candidato em 2010, ele não disputará contra um nome escolhido pelo presidente. Restaria a Ciro, no caso de Dilma sair candidata, ser vice na sua chapa. Lula chegou a planejar a dobradinha Dilma-Ciro, mas nos últimos tempos mudou de idéia. Seu plano, agora, é sacramentar uma aliança com o PMDB já na formação da chapa que vai disputar a sucessão.

O PMDB, julga o presidente, saiu fortalecido das eleições municipais. Além disso, é um partido “crucial” para a governabilidade. O ideal, acredita Lula, é caminhar de braços dados com os pemedebistas desde o início. O presidente se arrepende de não ter incorporado o PMDB à coalizão que sustenta o governo já no início de seu primeiro mandato, em 2003.

O PMDB, por sua vez, não tem hoje, na avaliação de conselheiros de Lula, um nome forte para disputar a Presidência da República. Por essa razão, o presidente deseja convencer a sigla a indicar um nome para vice na chapa de Dilma. Seu predileto é o governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Lula acha que Cabral, por exercer o cargo político mais importante do PMDB, não teria dificuldade para ter o apoio do partido. O problema é que Cabral almeja disputar a reeleição. Além disso, sustentam fontes, não gostaria de concorrer com José Serra, de quem se diz amigo.

Curiosamente, um outro nome que teria crescido na cotação do presidente é o do ministro Geddel Vieira, seu ex-desafeto, hoje considerado um aliado “leal” que, na avaliação do Palácio do Planalto, transita por todo o PMDB e tem diálogo com setores do PT, apesar da disputa acalorada e desgastante que os dois partidos tiveram em Salvador. Outros nomes do PMDB são lembrados, mas com restrições – o do ministro da Defesa, Nelson Jobim, por representar o Rio Grande do Sul, como a ministra Dilma Rousseff; e os dos governadores do Espírito Santo, Paulo Hartung, e do Amazonas, Eduardo Braga, por comandarem Estados pequenos do ponto de vista eleitoral.

A estratégia de Lula para 2010 passa por mudanças no comando de seu partido, o PT. Assim como fez em 1995, quando operou para colocar o então deputado José Dirceu na liderança da sigla, com o propósito de reduzir a influência das correntes à esquerda e ampliar a política de alianças, o presidente quer seu partido unido em torno de Dilma. Ele aposta na ascensão do seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, à direção da legenda, em substituição ao deputado Ricardo Berzoini (SP), o atual presidente.

Assessor devoto de lealdade canina a Lula, Carvalho começou a costurar sua candidatura quando decidiu participar das duas últimas semanas da campanha de Marta Suplicy. O presidente vê nele, um católico fervoroso, a possibilidade de o PT “voltar a dialogar” com a sociedade, uma característica perdida desde a crise do mensalão. “Gilberto Carvalho fala com a sociedade. Berzoini é um dirigente de aparato. Só fala para dentro”, compara um assessor presidencial.

Apesar do desejo do presidente, Lula não considera fácil a eleição no PT. Lembra o caso de outro assessor da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que ele também cogitou ter no comando do PT, mas não obteve sucesso. A dificuldade está na fragmentação do poder entre vários grupos dentro do partido. Com a ajuda que deu à Marta, conseguindo inclusive que um relutante Lula participasse da reta final da campanha, Carvalho ganhou pontos com o grupo do PT paulista liderado pela ex-prefeita.

Em Brasília, o presidente quer governar os dois anos restantes de seu segundo mandato sem sobressaltos. Não pretende fazer mudanças profundas no ministério, apenas “pontuais”. Uma delas para abrigar o deputado Antonio Palocci (PT-SP), caso ele seja inocentado pelo Supremo Tribunal Federal da acusação de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Embora não deva retornar ao comando do Ministério da Fazenda, Palocci, se virar ministro, integrará novamente o núcleo decisório do governo. O ex-ministro, que nunca deixou de ser um conselheiro privilegiado do presidente, tem falado freqüentemente com Lula por causa da crise internacional.

O presidente sabe que a crise afetará o desempenho da economia em 2009 e possivelmente em 2010. Seu plano é manter a inflação sob controle, política que ainda é considerada seu principal capital político, e preservar os investimentos do PAC e os programas sociais. Por causa da crise, cogita manter Henrique Meirelles na presidência do Banco Central além de outubro de 2009, prazo-limite de filiação partidária para quem deseja disputar as eleições de 2010. Deste modo, Meirelles, se desejar, poderá ficar no cargo até março de 2010, prazo definitivo para desincompatibilização. “Não há nada que proíba o presidente do BC de ser filiado a um partido”, sustenta um assessor der Lula.

06/09/2008 - 12:02h Dilma anuncia verba para metrô em programa eleitoral de Marta

marta_dilma_veja2.jpg

“Oposição vai à Justiça contra ajuda eleitoral de Dilma Rousseff ao PT”, é manchete de capa do jornal O Estado de São Paulo. Será que não tem notícia. Os demo-tucanos, segundo o corpo da matéria do Estadão, estudam a possibilidade de questionar na justiça eleitoral o direito da Ministra Dilma de apoiar publicamente Marta e de aparecer no programa eleitoral de Marta dizendo que dinheiro federal não faltará a São Paulo para investir no metrô. De aí?

Uso da máquina é enviar e-mail aos funcionários da prefeitura convidando para inauguração de comite eleitoral de Kassab, como fez um subprefeito, e depois dizer que foi erro. Uso da máquina é enviar e-mail aos subprefeitos, como fez Kassab, pedindo para fazer ações visando influenciar pesquisa Datafolha. Uso da máquina é ir nas escolas como prefeito e fazer nos estabelecimentos públicos campanha eleitoral.

O problema é que os demo-tucanos quiseram utilizar a LDO federal para dizer que a proposta de Marta para investimento no metrô não tem respaldo do governo federal. A proposta de Marta é de contribuir com dinheiro da prefeitura, à altura de R$ 450 milhões por ano, para o investimento estadual no metrô. Pela proposta o governo federal deve aportar soma equivalente e o governo estadual R$ 1 bilhão. O Plano de Mobilidade Urbana será anunciado após o pleito municipal, para evitar acusação de “eleitoralismo” ou “uso da máquina”, como diz a Ministra Dilma Roussef.

No que diz respeito a arrogância tucana, mistura de fanfarronaria, preconceito e machismo, basta lembrar que responsaveis pelo metrô faz 14 anos, dos quais 8 controlando o governo federal, construíram menos de 1 Km por ano. Acumularam uma quantidade gigantesca de questionamentos do Ministério Público e o Tribunal de Contas de Estado (TCE) pelos contratos irregulares nesse setor, muitos deles com a empresa Alstom, investigada pela polícia francesa, suíça e brasileira por propina para o metrô de São Paulo.

Eles sabem tudo sobre o metrô, cuidam tão bem, que o buraco que matou 7 pessoas na linha 4 é responsabilidade, segundo o laudo, da falta de fiscalização… deles!

É querem dar lição.

Luis Favre

Oposição quer que Justiça barre o que considera uso indevido da máquina em favor da candidatura do PT

Ana Paula Scinocca – O Estado de São Paulo

A oposição reagiu ontem indignada à promessa da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, feita no horário eleitoral gratuito da candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, de que o governo federal vai investir no transporte público da capital paulista, o que inclui o metrô. A propaganda de Marta tem destacado que prefeitura e União vão colaborar para a construção de 47,4 quilômetros de novas linhas para o metrô. Para líderes do PSDB e do DEM, a afirmação da ministra evidencia o uso da máquina pública federal em favor da candidatura da ex-prefeita. Os tucanos estudam acionar a Justiça Eleitoral contra Marta.

A declaração de Dilma no horário eleitoral petista foi enfática. “Essa questão do transporte urbano em São Paulo, eu te asseguro que o governo federal não tem só todo interesse, mas como ele compõe o nosso programa. Como nós não trataríamos um dos problemas mais graves?”, argumentou a ministra, pela manhã, no programa de rádio petista. “O item não está no Orçamento, pois os primeiros recursos que nós vamos usar não são do Orçamento Geral da União, e sim financiamentos a serem liberados através dos recursos públicos que nós temos via BNDES e Caixa Econômica Federal. São Paulo pode ficar tranqüila no que depender do governo Lula.” Dilma é a candidata preferencial do Planalto para a sucessão de Lula em 2010.

Líderes da oposição protestaram. “Isso é o uso escancarado da máquina. Só posso imaginar que a ministra Dilma vai desmentir isso”, afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), ao ser informado do contexto e das circunstâncias que levaram Dilma a aparecer fazendo promessas no programa de Marta. O tucano é a favor de que o PSDB acione a Justiça contra o PT. “Vou conversar com o partido em São Paulo para acionarmos a Justiça. Temos de cobrar correção nisso.”

Guerra falou em “desrespeito ao povo de São Paulo”. E prosseguiu: “O povo precisa do investimento, mas utilizar isso dessa maneira é um absurdo. Um claro e escancarado uso da máquina”. Na mesma linha reagiu o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). “Essa gente não tem nenhum pudor. De um governo que faz grampo se pode esperar, infelizmente, de tudo”, disse Rodrigo Maia. Foi uma referência ao grampo supostamente feito pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O governo nega envolvimento.

Ele ressaltou ainda ser mentirosa a promessa de Dilma e cobrou atenção da Justiça Eleitoral para o caso. “Espero que a Justiça Eleitoral, sempre tão atenta a tudo, também esteja atenta para esse caso”, afirmou o presidente do DEM.

“POLÍTICA DE GOVERNO”

Os petistas, por sua vez, contestaram as acusações. O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), negou uso da máquina federal na campanha de Marta. “Se a ministra Dilma falasse ?vote na Marta que o governo vai fazer metrô em São Paulo? poderiam falar em uso da máquina. Mas não foi nada disso o que aconteceu. A ministra falou da política do governo e ela apareceu como apoiadora, que é, da Marta”, defendeu Berzoini.

O coordenador da campanha da ex-prefeita, deputado estadual Carlos Zarattini (SP), fez coro a Berzoini e disse não ver problema algum no fato de Dilma ter aparecido no programa da petista para dizer que o governo aplicará recursos no metrô. “Ela está dando a opinião dela como pessoa. Além disso, ela apenas disse que o dinheiro virá, independentemente de quem for o prefeito.”

As declarações de Dilma vão servir de munição de ataque para os principais adversários de Marta, Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM), segundo o comando das duas campanhas. Ontem mesmo, eles já criticaram a presença de Dilma na eleição paulistana. “Acho um grande equívoco e não acredito que o presidente Lula vá discriminar a cidade de São Paulo se o prefeito não for do PT”, afirmou Kassab.

Alckmin considerou “estranha” a participação de Dilma. “A Caixa e o BNDES fazem financiamento. Isso não é recurso federal para o metrô”, afirmou.

Até aqui distante da campanha, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), um dos principais nomes do partido para a sucessão de 2010, também entrou na polêmica. Ele disse acreditar que Marta tenha se confundido. “Fazer metrô não é como fazer uma linha de ônibus. Eu acho que a Marta Suplicy, às vezes por causa da assessoria dela, está se confundindo. Ela não sabe bem o que significa metrô e está sendo mal assessorada.”

02/06/2008 - 11:34h Petistas articulam frente contra Dilma

Katia Lombardi/Valor
Fernando Pimentel: ao conseguir apoio tácito de Lula, reverteu derrota política no Diretório Nacional do partido, que vetaria aliança em Belo Horizonte

Raymundo Costa – VALOR

http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=271394A ofensiva desencadeada pelo ministro Tarso Genro (Justiça) para a construção de um novo campo hegemônico no PT tem objetivo determinado: impedir a consolidação e que se torne irreversível a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto, com o patrocínio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O veto da Executiva Nacional petista à aliança com o PSDB, na eleição para a prefeitura de Belo Horizonte (MG), é reflexo dessa disputa, na qual está em jogo quem vai conduzir o processo de sucessão de Lula.

Boa parte da cúpula petista julga que o partido deve ter autonomia na escolha do candidato. Mas o presidente não pretende perder o controle do processo e demonstrou força ao levar a direção do PT a ser menos rigorosa em relação à disputa pela prefeitura da capital de Minas Gerais do que na decisão que adotara semana antes.http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/aa/Dilma_Rousseff.jpeg/429px-Dilma_Rousseff.jpeg

Na ocasião, o PT foi taxativo e decidiu “comunicar” a seção mineira que não autorizaria, “em nenhuma hipótese, o PT a participar de qualquer coligação da qual faça parte o PSDB naquela capital”. O tom foi outro na resolução aprovada na última sexta-feira, e em vez de “nenhuma hipótese” o PT resolveu “recomendar” aos mineiros uma nova discussão “afastando a possibilidade de coligação com PSDB e PPS”.

A questão mineira está longe de ser resolvida, mas na segunda-feira passada o Diretório Nacional era majoritariamente favorável ao veto radical da Executiva ao lançamento da candidatura de Márcio Lacerda (PSB) a prefeito de Belo Horizonte numa aliança com o PT – que indicará o candidato a vice – e o PSDB do governador Aécio Neves.

O que aconteceu entre a reunião da Executiva e o encontro Diretório foi a entrada em cena de Lula. E antes disso, uma entrevista do ministro Tarso Genro (Justiça) ao jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre, que deu contornos bem delineados ao que antes não passava de um rumor entre os petistas: mais que insatisfação, havia uma reação articulada entre os potenciais presidenciáveis petistas aos privilégios de Lula à eventual candidatura Dilma.

Aliados de Lula acreditam que até então o presidente não havia se dado conta da extensão da ofensiva do gaúcho. Tarso nominou inclusive alguns dos petistas – cerca de 10 – que estariam empenhados na construção desse novo campo hegemônico. Entre eles dois ministros, Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), e o assessor para Assuntos Internacionais do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia.

L'image “http://www.videversus.com.br/fotos/6979/6979_jaques_wagner.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Entre os governadores, o ministro citou Jaques Wagner, da Bahia. Também não descartou a hipótese dele próprio vir a ser candidato. Sobre Dilma, foi bem claro que, entre as hipóteses possíveis, ela era “uma das”. O manifesto gaúcho levou vários setores do PT a acreditar que estava em formação uma “frente anti-Dilma”. O Valor apurou, no entanto, que há nuances e posições diversas entre os petistas citados.

O discurso de Genro encerra no partido autonomia para decidir sobre a candidatura. Mas Marco Aurélio Garcia, por exemplo, apenas teria dúvidas sobre a oportunidade da escolha – seria ainda cedo – e os métodos de gestão de Dilma Rousseff, mas nenhuma oposição a entrega do comando da sucessão a Lula.

Responsável pelo programa-símbolo do governo Lula, o Bolsa Família, o ministro Patrus Ananias diz que sim, tem debatido questões partidárias, inclusive é parte diretamente interessada na questão de Belo Horizonte, onde preferia uma aliança do PT com o PMDB. Mas definitivamente acha que não é hora de se falar em 2010. Patrus é um dos nomes citados no PT para a sucessão de Lula, para o governo de Minas Gerais, e seu ministério tem boa interação com o de Dilma.

Nesse contexto, Lula decidiu ir a Belo Horizonte no início da semana passada, onde tirou fotos com Lacerda ao lado do governador Aécio Neves e do prefeito Fernando Pimentel, os dois principais articuladores da candidatura. Nesse meio tempo, encontrou com a deputada Maria do Carmo e cobrou “a onda” que o PT estava fazendo. O deputado Ricardo Berzoini, presidente do PT, nega, mas tanto Aécio como Pimentel confirmam que Lula telefonou para o deputado a fim de dizer que apoiava a aliança.

A posição de Lula teve adesões previsíveis, como a de seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, e dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Marinho (Previdência e Assistência Social; mas também algumas inesperadas para os conhecedores dos meandros da política petista. O exemplo mais ilustrativo é o de Marta Suplicy, ministra do Turismo, e assim como Dilma, Genro, Patrus e Jaques uma das opções consideradas no PT.

Se vencer a eleição para prefeito de São Paulo, Marta Suplicy em dois anos pode se candidatar ao governo do Estado ou até mesmo à Presidência da República, segundo avaliação feita no PT. No embate mineiro, Marta teve como aliado o ex-ministro Antonio Palocci, também citado como opção, na hipótese de conseguir se livrar das ações judiciais em que está envolvido até agora. Marta quer o apoio de Lula na eleição de São Paulo, mas o presidente está inclinado a não participar das eleições onde houver mais de um candidato aliado na disputa, caso de São Paulo.

Na véspera da reunião do Diretório Nacional do PT, no dia 30, o embate sobre o candidato e a condução do processo sucessório presidencial ficou m ais claro aos petistas no decorrer do dia. À noite, Pimentel, que estava em Brasília mas no dia seguinte não participaria da reunião do DN, chegou a dizer em alto e bom som, como se estivesse arrebatado: “Eu prefiro perder com o Lula a ganhar contra ele”. Quatro dias antes, o prefeito achava que seria derrotado no DN.

Um grupo de deputados teve ação decisiva na negociação de uma solução em que parecesse que nenhum dos lados perdeu, especialmente José Genoino (SP), Andre Vargas (PR), João Paulo Cunha (SP) e Maurício Rands (PE). A idéia era recuperar um pouco a força da Executiva, que parecia prestes a uma derrota após a entrada de Lula, e reduzir “um pouco o ímpeto do Pimentel”, segundo esse grupo. Mas a avaliação que fica é que a atual Executiva do PT tem pouca condição de enfrentamento. Depois de rosnar, fincou mansa. Resta esperar a solução para Belo Horizonte, onde o próximo passo é do PSB e será de ratificação da aliança com os tucanos.

05/04/2008 - 05:36h Jornal reconhece Lula como defensor da liberdade de informação, incluso para a Radiobrás

A intenção do Estadão não é essa. Mas o artigo sobre o livro de Eugenio Bucci relatando sua experiência à frente da Radiobrás reconhece uma verdade que os jornais durante estes anos todos procuraram ocultar: foi o governo de Lula e o PT que deram independência a Agência estatal, que foi durante anos chapa-branca dos governos.

Não lembro de nenhum artigo do Estadão, nem de nenhum outro jornal, que tenha atacado durante os 8 anos de governo tucano o fato da agencia ser um instrumento de propaganda do governo. Não lembro que tenham feito nenhuma campanha para que fosse outorgada uma real liberdade de informação para Radiobrás durante esses anos todos.

Agora, o artigo do Estadão, indiretamente é verdade, reconhece que Lula garantiu o trabalho para reformar com maior autonomia e independência, a agencia estatal. Que o trabalho do seu diretor, Eugenio Bucci do PT, teve o respaldo não só de Lula, mas do próprio Luiz Gushiken.

O relato das reações deste ou aquele outro ministro sobre o noticiário adverso corrobora que o apego a liberdade de informação do presidente Lula sobe resistir a pressões naturais de pessoas incomodadas pelo noticiário. Todo o dia os responsáveis das redações recebem esse tipo de queixas. Alguns políticos, particularmente um que tem problemas para dormir de noite, são conhecidos por essa prática quase quotidiana e não raramente pedem a cabeça dos jornalistas.

A diferença talvez seja essa: Lula nunca cedeu às pressões, já vários editores e patrões de grandes veículos de comunicação fizeram “limpeza” ideológica por exigência de homens do poder… que não eram do PT.

Luis Favre

A seguir o artigo do jornal O Estado de São Paulo

bucci.jpg

Livro revela pressões de Lula, Dirceu e Berzoini sobre Radiobrás

Eugênio Bucci sofreu bombardeio ao combater governismo na estatal, mas terminou respaldado pelo presidente

Daniel Bramatti – O Estado de São Paulo

No dia 15 de junho de 2004, o então todo-poderoso ministro José Dirceu mandou um bilhete para seu colega Luiz Gushiken para se queixar de que a Radiobrás, empresa de comunicação do governo, havia se transformado em um órgão de “oposição”. Um ano depois, também por escrito, o mesmo Gushiken recebeu de Ricardo Berzoini, então ministro da Previdência, uma reclamação semelhante: na cobertura de uma paralisação de servidores federais, a estatal estaria fazendo “propaganda” de um movimento “puxado pelo PSTU e PFL”.

Em dezembro de 2005, o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou – não pela primeira vez – sua contrariedade com a Agência Brasil, órgão oficial cujas chamadas estariam “piores que as manchetes dos jornais que mais criticam o governo”.

O alvo das pressões era o presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, que desde 2003 se dedicava a uma tarefa tão complexa quanto inusitada: combater, nas entranhas de uma empresa do próprio governo, o chamado jornalismo chapa-branca – governista, de tom bajulatório e promocional – e promover, em vez disso, o apartidarismo e a impessoalidade na produção do noticiário. Para Bucci, a Radiobrás deveria atender não às autoridades, mas aos cidadãos e ao seu direito à informação.

Apoiada por Gushiken, a iniciativa foi bombardeada por outras estrelas da cúpula do PT e por pelo menos um dos especialistas em comunicação do partido, que assessorava o próprio Lula. Era vista, no mínimo, como “ingênua” por petistas que viam a prática de jornalismo crítico como um reforço para o arsenal dos adversários.

Mas Bucci manteve o rumo. Diferentemente de muitos de seus detratores, permaneceu no cargo durante todo o tempo que quis – quatro anos e meio – e indicou o sucessor. Ele relata as resistências que encontrou e os avanços que pôde promover no livro Em Brasília, 19 horas (Editora Record), que chega às livrarias nos próximos dias e tem como subtítulo A guerra entre a chapa-branca e o direito à informação no primeiro governo Lula.

O ex-presidente da Radiobrás afirma que Lula dava apoio ao seu projeto ao manifestar, em repetidas ocasiões, que o que é verdade tem de ser publicado. “Nunca o presidente pediu que a Radiobrás deixasse de dar alguma notícia, nem sugeriu que direcionássemos o noticiário para proteger as autoridades.” Mas o próprio livro mostra que o petista reclamava de notícias verdadeiras que incomodavam o governo.

“Pô, Eugênio, como é que a Radiobrás foi dar aquela declaração do Nilmário? (…) As pessoas vêm reclamar comigo, me perguntam se não tem ninguém lá de confiança que olhe isso.” Foi assim que Lula reagiu, no final de 2003, a uma dessas notícias incômodas.

O presidente se referia a uma entrevista de Nilmário Miranda, então secretário de Direitos Humanos, na qual ele atribuía o aumento do trabalho infantil no início da gestão Lula ao ajuste econômico promovido pelo governo. Publicadas pela Agência Brasil, as declarações logo repercutiram. “Ponderei que, se a Radiobrás tivesse de manter em seus quadros equipes para avaliar a pertinência da fala de ministros, uma sandice ganharia institucionalidade”, relata o autor no livro.

Por ignorar o lobby pela instalação de um “filtro governista” na estatal, Bucci poderia ter caído em desgraça, mas manteve seu prestígio no Planalto. Em setembro de 2004, foi convidado a escrever o discurso que Lula leria em um evento da Associação Nacional de Jornais. Com uma enfática defesa da liberdade de imprensa, o discurso repercutiu positivamente, na avaliação do governo. No dia seguinte, o presidente telefonou a Bucci para agradecer.

No livro, o ex-presidente da Radiobrás dá uma possível explicação para sua sobrevivência, apesar de ter vivido “sob fogo cerrado do governo” – título de um dos capítulos da obra. “Tenho absoluta consciência de que, se me mantive no cargo até 2006, devo isso à constância do presidente, que não cedeu a pressões que tinham por objetivo me destituir e quebrar a coluna vertebral da minha gestão. No fim das contas, não descarto a hipótese de o Café com o presidente, epicentro da ambigüidade em que tive de navegar, ter ajudado na sustentação que acabei por merecer.”

O Café com o presidente é um programa semanal de rádio produzido pela Radiobrás e veiculado em diversas emissoras. Seu conteúdo costuma repercutir em jornais e TVs. Lula é entrevistado no programa, mas a pauta é previamente discutida – só fala o que quer, quando quer.

“O prestígio (junto ao Planalto) gerado pelo Café não decorria dos seus alegados méritos jornalísticos, mas dos seus efeitos propagandísticos. Com isso, ele valorizou a Radiobrás, mas, ao mesmo tempo, contribuiu para que ela fosse vista como parte da máquina de propaganda do governo”, reconhece Bucci no capítulo intitulado O cafezinho da ambigüidade.

Para implantar seu projeto, Bucci não enfrentou apenas pressões políticas. Foi preciso mudar os padrões de apuração e redação de notícias e convencer os funcionários de que sua função não era servir as autoridades – um processo nada simples, já que, “aos olhos da direita e da esquerda, era assim porque sempre tinha sido assim”. Nas palavras de Bucci, o governismo era uma “cultura ancestral tão pesada quanto um continente”. Na semana passada, uma das manchetes no site da Agência Brasil era Líder do PSDB quer explicações de Dilma sobre autoria do dossiê. Ou seja, a agência de notícias do governo chama de dossiê o que o próprio governo nega ser dossiê – sinal de que algo mudou na “cultura ancestral”.

18/03/2008 - 08:06h PT apóia Quércia em 2010 se ele fechar com Marta já

Além de oferecer ao PMDB vaga de vice na chapa, grupo da ministra admite avalizar ex-governador para o Senado; idéia irrita aliados de Mercadante

Vera Rosa e Felipe Werneck – O Estado de São Paulo

querciameiorostoesta.jpeg A cúpula do PT ofereceu um “pacote eleitoral” ao PMDB, com o objetivo de atrair o apoio do partido à candidatura de Marta Suplicy, que deixará o Ministério do Turismo para disputar a Prefeitura de São Paulo. Além de abrir para o PMDB a vaga de vice na chapa de Marta, o grupo da ministra admite avalizar Orestes Quércia para o Senado, em 2010. A proposta apresentada a Quércia, que é presidente do PMDB paulista, provocou reações iradas da ala ligada ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato natural à reeleição.

“Estamos mesmo dispostos a dar a vice ao PMDB e também sou a favor de apoiar Quércia para o Senado, em 2010”, afirmou o presidente do PT paulistano, vereador José Américo Dias. Para rechear o pacote oferecido ao principal parceiro da coalizão no governo Lula, os petistas negociam, ainda, a retirada de candidatos sem expressão eleitoral, em vários municípios, em favor de concorrentes do PMDB.

“Não podemos querer que o PMDB nos apóie em tantos lugares sem contrapartida”, argumentou José Américo. Questionado sobre os protestos do grupo de Mercadante, ele desconversou: “Eu não tenho conhecimento dessa resistência.”

Na prática, o PT negocia com Quércia a segunda vaga ao Senado, já que a primeira será reservada a Mercadante. Em geral, porém, o segundo nome da dobradinha é sempre um político menos conhecido, que não oferece risco ao candidato sobre o qual o partido aposta todas as fichas. Não é o caso de Quércia, que detém a máquina do PMDB em São Paulo.

Embora o ex-governador diga que está “escaldado” e não esconda a desconfiança em relação ao PT, os petistas acreditam no acordo. No atual cenário, o mais cotado para vice na chapa de Marta é o deputado Michel Temer (SP), presidente do PMDB. Em 2004, Marta disputou e perdeu a reeleição como prefeita em chapa puro sangue, composta só pelo PT, que não quis ceder a vice. Agora, porém, o discurso é diferente. “Para nós, a aliança com o PMDB interessa em todo o País”, insistiu o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT.

Em várias conversas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse aos petistas que não adianta o partido disputar apenas para marcar posição. Mais: avisou que não subirá em nenhum palanque nas cidades onde a base aliada estiver dividida em duas ou mais candidaturas.

Mesmo com sua campanha sendo montada, a ministra do Turismo ainda tenta despistar sobre a entrada no páreo. “Amo a minha cidade e sei que posso dar grande contribuição, mas é uma decisão extremamente difícil. Estou muito dividida”, afirmou Marta ontem, no Rio.

BELO HORIZONTE

O casamento com o PMDB em São Paulo e a possibilidade de aliança com os tucanos, em Belo Horizonte (MG), também foram discutidos ontem, em Brasília, na reunião do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT. Ao que tudo indica, o Diretório Nacional da legenda deverá aprovar, na segunda-feira, a parceria com o PSDB na capital mineira, sob o argumento de que a aliança formal é com o PSB.

Articulado pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e pelo governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), o acordo tem como alvo as eleições de 2010. De um lado, Pimentel quer obter apoio dos tucanos para concorrer ao governo de Minas. De outro, Aécio trabalha para conquistar adesões dentro e fora do PSDB na disputa com o governador de São Paulo, José Serra, que, como ele, cobiça a cadeira de Lula.

“Pimentel tomou uma decisão ousada, arriscada, que tem causado muita polêmica no PT”, admitiu Berzoini. “Mas vamos resolver isso.” Além de São Paulo, a cúpula do PT dá como certa, até agora, a candidatura própria às prefeituras do Rio, Porto Alegre, Fortaleza, Recife, Curitiba, Campo Grande e Cuiabá.

17/03/2008 - 14:29h Marta diz estar ‘dividida’ sobre candidatura a prefeita

Ministra do Turismo diz que Lula a deixou ‘à vontade’ para finalizar seu trabalho na pasta

ADRIANA CHIARINI - Agencia Estado


Marta: amo a minha cidade, sei que posso contribuir
Celso Junior
Marta: amo a minha cidade, sei que posso contribuir

RIO - A ministra do Turismo, Marta Suplicy, disse nesta segunda-feira, 17, que está “dividida” entre permanecer no cargo ou se candidatar à Prefeitura de São Paulo. “É uma decisão extremamente difícil. Ainda bem que o presidente me deixou muito à vontade para finalizar o trabalho (no Ministério). Tenho até o dia 5 de junho (para decidir)”, afirmou a ministra em entrevista coletiva após divulgar a pesquisa de conjuntura econômica do turismo, feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Amo a minha cidade. Sei que posso dar grandes contribuições para ela”, disse a ministra.
Ela ressaltou, porém, que os bons resultados do setor de turismo, inclusive mostrados pela pesquisa, a animam a continuar no governo federal. “É um ministério que já está muito bem, o setor gera muito emprego, gera muita renda”, afirmou. A pesquisa mostrou aumento de 14,8% no faturamento das 92 maiores empresas no setor turístico em 2007 e crescimento de 23,5% no quadro de pessoal no mesmo período. A pesquisa indica também perspectivas favoráveis para 2008.

O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, disse no sábado que o anúncio oficial da candidatura de Marta depende apenas de uma decisão pessoal da Ministra do Turismo. “O nome dela já é um consenso. Só falta o anúncio pessoal dela”, disse Berzoini. Ele participou de seminário do PT, na capital paulista, para debater alternativas para as eleições ao governo do Estado, em 2010.

14/03/2008 - 19:00h Lula elogia Marta, mas evita confirmar candidatura

martalula_josecruz-abr.jpg

REUTERS – Agencia Estado

SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que a ministra Marta Suplicy (Turismo) “é uma boa candidata” mas evitou confirmar que ela vai disputar a prefeitura de São Paulo na eleição de outubro.

“Pelo que eu sei, não. Veja, eu não discuto. Eu só tenho o poder de convocar ministro e de tirar ministro. Agora, se o ministro quiser deixar o governo para disputar alguma coisa, é uma decisão unilateral de qualquer ministro”, disse Lula a jornalistas, após visita a um canteiro de obras na cidade de Araraquara, interior de São Paulo.

Na quinta-feira, Lula recebeu Marta em audiência, quando ficou acertado que ela vai deixar o governo para concorrer à prefeitura paulistana. A informação, confirmada por fonte do partido, não foi divulgada oficialmente por Marta.

“Eu não sei o que vai acontecer em São Paulo, o PT tem um tempo ainda para decidir. Mas, certamente, o que todo mundo sabe é que a Marta é uma boa candidata,” afirmou Lula, recomendando que o tema seja tratado com o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini.

( Reportagem de Carmen Munari; Edição de Maria Teresa de Souza)