06/11/2009 - 19:00h Frida Kahlo


Frida, o filme


Frida, clipe com Chavela Vargas

Llorona

Salías del templo un día llorona cuando al pasar yo te vi,
Salías del templo un día llorona cuando al pasar yo te vi,
Hermoso Guipi llevabas llorona que la virgen te creí,
Hermoso Guipi llevabas llorona que la virgen te creí,

Hay de mi llorona, llorona, llorona de un campo lirio
Hay de mi llorona, llorona, de un campo lirio
El que no sabe de amores llorona, no sabe lo que es martirio
El que no sabe de amores llorona, no sabe lo que es martirio

(Música)

No se que tienen las flores llorona, las flores de un campo santo
No se que tienen las flores llorona, las flores de un campo santo
Que cuando las mueve el viento llorona, parece que están llorando
Que cuando las mueve el viento llorona, parece que están llorando

Hay de mi llorona, llorona, llévame al río
Hay de mi llorona, llorona, llévame al río
Tápame con tu reboso llorona, por que me muero de frío
Tápame con tu reboso llorona, por que me muero de frío

(Música)

Dos besos llevo en el alma llorona, que no se apartan de mí
Dos besos llevo en mi alma llorona, que no se apartan de mí
EL último de mi madre llorona y el primero que te di.
EL último de mi madre llorona y el primero que te di

27/10/2009 - 17:16h Paganini também nasceu em 27 de outubro. Bom aniversário, Presidente.

Niccolò Paganini

(Wikipédia)

Niccolò Paganini (Gênova, 27 de outubro 1782 – Nice, 27 de maio 1840) foi um compositor e violinísta italiano que revolucionou a arte de tocar violino, e deixou a sua marca como um dos pilares da moderna técnica de violino. O seu caprice em Lá menor, Op. 1 No. 24 está entre suas composições mais conhecidas, e serve de inspiração para outros proeminentes artistas como Johannes Brahms e Sergei Rachmaninoff.

Quando criança era constantemente obrigado pelo próprio pai a estudar violino muitas horas por dia, sob ameaça de castigos severos. Quando tinha nove anos de idade foi para Parma a fim de estudar com o famoso violinista Alessandro Rolla. Após ter executado o mais recente concerto de Rolla na primeira leitura, entretanto, o velho mestre aconselhou- o a continuar os seus estudos em composição:”Nada tenho a lhe ensinar, meu menino, vá e procure Ferdinando Paër”. Em seus primeiros concertos públicos foi considerado uma criança prodígio. Após libertar-se da custodia do pai-déspota, começou carreira como virtuoso do violino, em toda a Itália. Ficou famoso também pelo seu estilo da vida rebelde, freqüentemente gastando todo seu o dinheiro em jogos e diversões noturnas. Durante os anos 1800-1805 desapareceu completamente da vida pública. Diz a lenda que passou estes anos na prisão.
Embora, no início de sua vida profissional desse os seus concertos apenas na Itália, sua fama como violinista-virtuoso logo espalhou-se por toda Europa.
Só em 1828 saiu da Itália para uma viagem de concertos no estrangeiro. Tocou na Áustria, Alemanha e França entre outros países, sempre com grande sucesso.

É desnecessário dizer que a maioria das obras de Paganini foram escritas para violino. Conquanto diversas obras para violino e orquestra possam fazer parte das suas peças, o violinista somente compôs cinco verdadeiros concertos para violino. O primeiro Concerto pode provavelmente ser datado de 1817. Em todas as apreçiações, cartas e outras fontes contemporâneas aparece o testemunho de como as platéias e os críticos reagiram à execução deste “violinista diabólico”. E mesmo agora – ainda que Paganini tenha morrido[1] há mais de um século e meio – ele ainda aparece como um exemplo clássico da execução “virtuose” do violino.

Os últimos anos da sua vida foram passados em Nice. Apesar de muito rico, ficou doente de tuberculose e não podia falar.

O estilo de vida de Niccolò Paganini e a sua aparência mefistofélica deram origem a historias de que o seu virtuosismo era devido a um pacto com o demônio. É mais provável que ele fosse portador de uma doença, a Síndrome de Marfan, cujos sintômas típicos são os dedos particularmente compridos e magros.

Na história dos intérpretes do violino os pontos de referência mais importantes podem ser encontrados a partir do século dezessete. De uma parte isso é coerente com a origem do que hoje em dia é considerado um “verdadeiro” violino, e de outra com o desenvolvimento da legítima música instrumental na qual a virtuosidade se tornou cada vez mais importante.

Ainda que em séculos anteriores diversos instrumentos de cordas tivessem ficado conhecidos tais como o árabe redab e o violino medieval, o violino com quatro cordas não se transformou em padrão antes de que o estilo barroco viesse a surgir na Itália. Com o novo idioma o estilo do instrumental concertante veio a florescer: embora tivesse havido definitivamente obras instrumentais anteriormente, elas tinham sido baseadas principalmente nos modelos vocais e o verdadeiro estilo virtuoso de execução desenvolveu-se durante o período no qual o pricípio concertante estava se tornando gradualmente mais importante.Os compositores mais importantes para o instrumento no século dezessete e na primeira parte do século dezoito foram italianos, tais como Marini, Corelli, Vivaldi e Tartini. Só gradualmente é que outros países começaram a desempenhar algum papel, por exemplo, com Leopold Mozart (pai de Wolfgang Amadeus) que foi não somente um músico talentoso como também publicou um dos mais influentes métodos para a execução do instrumento.
Niccolò Paganini

Tão esquecido quanto possa estar Viotti em nossos dias, assim também é Nicoló Paganini. Sendo um dos primeiros instrumentistas do romantismo musical. Paganini mostrou a pianistas do quilate de um Franz Liszt a forma de explorar a virtuosidade.

Yehudi Menuhin, no concerto n° 1 de Paganini

16/03/2009 - 16:48h Reportagem do Le Monde: Au Brésil, sur les pas de Lula

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Nordeste (Brésil), envoyé spécial Jean-Pierre Langellier – Le Monde

C’est ici. Un banal arpent de sable où poussent des plants de manioc. Alentour, un ou deux champs de cactus nourrissent les chèvres. Quelques palmiers poussiéreux, sentinelles solitaires, veillent sur les bœufs. Au loin, des nuages sans pluie filent au ras des collines. Un décor de brousse, âpre et parcimonieux. C’est ici que se trouvait la maison de Lula. Une simple baraque de bois et d’argile, au sol de terre battue. Avec, pour tout mobilier, une table, un lit, un banc, trois tabourets et quatre ou cinq hamacs. Un jour, un cobra s’était glissé entre les tuiles du toit, semant la frayeur. Dans cette masure depuis longtemps disparue, Luiz Inacio Lula da Silva, futur président de la République du Brésil, a vécu jusqu’à l’âge de 7 ans. Avec sa mère et six de ses frères et sœurs.

Pour arriver jusque-là, on tourne le dos à Recife, la capitale du Pernambouc. Trois bonnes heures de route, cap à l’ouest. On s’enfonce dans le sertao, l’arrière-pays semi-aride du Nordeste, vaste comme deux fois la France. Puis on quitte la nationale, juste au coin d’une école, à l’entrée de Caetes. A l’époque de Lula, ce gros bourg s’appelait Vargem Comprida. Sur la piste qui court à travers les épineux, un cheval tire une charrette où trônent deux grosses citernes. Avec sa volaille et ses quatre vaches, le vieux Roseno, 87 ans, n’a jamais connu l’aisance. Mais il se souvient de la famille de Lula avec compassion : ” Ils étaient bien pauvres ! “

Pour en savoir plus, il faut aller chez Florencia, dont le mari, Antonio Sergio, est un cousin de Lula. Elle nous ouvre sa porte en souriant. Du fond de la pièce, parviennent des dialogues ponctués par une musique mielleuse : c’est l’heure de la novela ” Femmes passionnées “, le feuilleton télévisé de l’après-midi. Au mur, une photo de Lula et une image de saint Jean-Baptiste. La fille de Florencia, Margareth, nous rejoint. Elle travaille à l’école voisine et vient de rentrer de la ville, à moto. ” Lula est un héros, assure Florencia. Comment aurait-on pu imaginer qu’il deviendrait président ? Mais c’est sa mère qui a souffert le plus. “ Florencia a élevé huit enfants. Exactement comme la mère de Lula, Euridice Ferreira de Mello, surnommée Dona Lindu.

UNE ÉPROUVANTE EXPÉDITION

Lorsque Lula naît le 27 octobre 1945, son père, Aristides, est très loin. Il a déjà migré vers Santos, le grand port de l’Etat de Sao Paulo, où il travaille comme docker. Son fils ne le reverra que cinq ans plus tard. ” Je n’ai pas eu d’enfance “, dira Lula. Il garde peu de bons souvenirs de ces temps de misère où il eut souvent faim. La première fois que sa mère lui sert du riz, c’est comme médicament, pour apaiser un mauvais mal de ventre. De temps à autre, la famille améliore l’ordinaire – haricots noirs et farine de manioc – en mangeant les oiseaux des champs que ses frères aînés chassent au lance-pierre. Sur la seule photo d’époque qu’on connaît de lui, Lula pose, à 3 ans, avec sa sœur Maria. Il porte des vêtements et des chaussures empruntés pour l’occasion.

Le sertao, disent les géographes, est le ” polygone de la sécheresse “. La saison des pluies y manque souvent ses rendez-vous ou les honore trop chichement. Les paysans tiennent bon en cultivant l’espérance à l’aide d’une formule rituelle : ” ça ira mieux demain, si Dieu le veut “ (” Se Deus quiser ! “). Jusqu’au moment où ils s’en vont vers les villes du littoral pour quelques mois, ou très loin du Nordeste, pour la vie.

Un beau jour de décembre 1952, lasse d’attendre la pluie et désireuse de retrouver son mari, Dona Lindu lance à ses enfants : ” Partons ! Quitte à mourir de faim, que ce soit à Sao Paulo ! “ Pour payer le voyage et la nourriture, elle a tout vendu : le lopin de terre, la jument, la montre, les gravures des saints et jusqu’aux photos de famille. Le départ a lieu à Garanhuns, la ville la plus proche, où le petit Luiz Inacio admire, pour la première fois, une bicyclette. Il n’avait jusqu’ici jamais quitté son village. Tout le monde s’entasse, avec une trentaine d’autres passagers, dans un pau de arara, une camionnette ouverte équipée de planches sans dossier en guise de sièges.

Cette éprouvante expédition s’achève treize jours plus tard à Santos, où Dona Lindu découvre que son mari a fondé un second foyer avec une cousine beaucoup plus jeune. Lula n’est pas tendre avec son père, mort indigent en 1978, gros travailleur mais infidèle et tyrannique : ” un puits d’ignorance “, ” un désastre “ qui ” aimait plus ses chiens que ses enfants “. A Dona Lindu, sa ” Mère Courage “, intrépide, généreuse et câline, il voue amour et gratitude infinis : ” Que serais-je devenu si elle ne nous avait pas arrachés à cette misère ? Un bon buveur d’eau-de-vie. Je serais mort depuis longtemps de cirrhose. “

LE SERTAO, ” TERRE EN TRANSE “

Lula est un fils déraciné du Nordeste. Il l’a quitté trop jeune et trop pauvre pour avoir hérité de son histoire et de sa culture. Il n’avait jamais ouvert ces petits livrets de poésie populaire – les folhetos de cordel – que leurs auteurs suspendent à une corde sur les marchés et qui transmettent la mémoire du sertao. Comme des millions d’enfants de migrants des années 1950, partis tenter leur chance vers les grandes villes du Sud, il se souvient surtout des privations et des souffrances subies par sa famille.

Le sertao a acquis ses lettres de noblesse grâce au livre d’Euclides da Cunha (1902) Os Sertoes (Hautes terres), qui relate la guerre menée contre les paysans pauvres de Canudos, révoltés dans un élan messianique et massacrés en 1897. Dans les années 1960, le cinéaste brésilien Glauber Rocha révèle au grand public l’univers de cette ” terre en transe “, rebelle et mystique, assoiffée de pluie et de justice. On retrouve dans ses films, lyriques et baroques, les personnages qui ont nourri les mythes du Nordeste : le coronel, grand propriétaire terrien, le cangaceiro, bandit de grand chemin ou le beato, prédicateur illuminé promis à une mort héroïque.

L’histoire du Pernambouc commence, loin du sertao, au bord de l’Atlantique, du côté d’Olinda puis de Recife, vers 1530. Elle se forge un peu plus tard avec le choix crucial et traumatisant de l’esclavage, dont les stigmates survivront à son abolition tardive par la ” loi dorée ” en 1888. En trois siècles de traite, sous l’empire de la monoculture coloniale – sucre puis café –, trois millions et demi de Noirs, venus de Guinée et d’Angola, arrivent au Brésil avec leurs coutumes, leurs croyances et leurs rythmes, et le transforment en un pays métis. Ils sont alors, selon un adage local, ” les pieds et les mains du Blanc “.

” C’est un passé qui joue sur nos nerfs “, notait Gilberto Freyre (1900-1987). Plus que tout autre, ce grand ethnologue, né à Recife, a étudié les rapports Noirs-Blancs au Brésil, notamment dans son chef-d’œuvre Maîtres et esclaves. Il a vécu un demi-siècle dans une maison patricienne de Recife que l’on visite religieusement entre des allées de livres. Sur son tombeau, au milieu d’un parc fleuri, est inscrite sa triple recette du bonheur : planter des arbres, faire des enfants, écrire des livres.

OLINDA, ” QUEL JOLI ENDROIT ! “

Lorsqu’il a débarqué en ” Nouvelle Lusitanie “ en 1537, au confluent des fleuves Beberibe et Capibaribe, le capitaine Duarte Coelho, dit la légende, s’est exclamé, admiratif : ” Oh ! Linda situaçao ! “ (” Oh ! Quel joli endroit ! “). Olinda était née. Première capitale du Pernambouc, elle s’effacera devant sa voisine Recife, pourvue d’un port naturel. Bien vu, capitaine ! Car avec ses huit collines – paraît-il –, ses rues pavées et ses églises blanches dans un écrin de palmiers, qui ont fait inscrire son centre historique au patrimoine de l’Unesco, Olinda, cinq siècles plus tard, continue de séduire.

Devant le couvent Sao Francisco, Severino se propose comme guide. Il est noir. Il a la quarantaine, un regard et des gestes doux. Il nous conduit vers son tableau préféré, une Cène au trait un peu naïf. L’artiste était africain et n’avait pas le droit de signer son œuvre. A la place de son nom, il a peint un chat. Près de là, Notre-Dame du Rosaire des Hommes Noirs était l’unique église ouverte aux esclaves et aux affranchis. Elle conserve ses statues de saints noirs. Lors du carnaval, on danse sur son parvis aux rythmes traditionnel du frevo ou du maracatu. Dans une rue d’Olinda, une plaque rappelle la ” résistance héroïque “ contre ” les envahisseurs criminels hollandais “, dont l’occupation (1630-1654) commença par l’incendie de la ville. Une seule église en réchappa : Saint-Jean-des-Militaires. A moitié désaffectée, elle a aujourd’hui un locataire permanent : Walter Freitas, peintre aquarelliste, botaniste et animalier. Il travaille et vit sous le clocher depuis treize ans, en compagnie de son chien. Comment a-t-il pu rester là si longtemps sans problème ? ” J’ai demandé à Dieu… et à quelques puissants. “

Véritable bijou baroque, Olinda - l'ancienne capitale du Nordeste brésilien - aime les fêtes. | D.R.
D.R. –
Véritable bijou baroque, Olinda – l’ancienne capitale du Nordeste brésilien – aime les fêtes.

L’AUTRE HÉRAUT DES PAUVRES

Comme la majorité des gens du Nordeste, Severino aime Lula. Du haut d’une colline, on aperçoit au loin Recife, son port et ses tours modernes alignées sur le front de mer. Severino pointe le doigt sur les quartiers populaires d’Olinda, la cité V8 et celle de Rosario, où se détache un lotissement de maisonnettes neuves aux couleurs vives : ” Lula se préoccupe des plus pauvres. Il avait promis ces logements. Il les a inaugurés il y a un mois. “ Et puis, argument suprême : ” Il est le premier président à être entré dans les favelas. “ Severino vénère un autre héraut des pauvres : Dom Helder Camara (1909-1999), ancien archevêque d’Olinda et Recife. Pendant soixante ans, il fut le défenseur des faibles, le pourfendeur des injustices, la voix – forte et chaleureuse – des sans-voix. Figure de proue de la ” théologie de la libération “, mais apôtre de la non-violence, Dom Helder a fondé plus de 200 communautés ecclésiales de base, pour que les plus démunis refusent la résignation et cessent d’être, selon son mot, des ” hommes cactus “. Severino appartient à l’une d’elles depuis son enfance, ce qui l’a sauvé, assure-t-il, des naufrages de la rue.

Adversaire virulent de la dictature militaire (1964-1985), Dom Helder en dénonçait sans relâche les méfaits sur les ondes de Radio-Olinda. Celui que ses ennemis appelaient ” le petit évêque rouge ” repose dans la cathédrale d’Olinda. En regardant Severino se recueillir devant l’austère tombeau de marbre gris gravé d’une colombe, on songe à la célèbre phrase du défunt : ” Quand je donne de la nourriture aux pauvres, on m’appelle un saint. Quand je demande pourquoi ils ont faim, on m’appelle un communiste. “ Lula ne lésine pas pour aider sa terre natale à réduire ses handicaps, au point qu’on le soupçonne parfois de favoritisme. Le Nordeste accuse un net retard en matière d’éducation sur les quatre autres grandes régions du Brésil. Un habitant sur cinq est analphabète, six élèves sur dix quittent l’école à 14 ans ou avant.

RECIFE, ” LE VENT EN POUPE “

Le Nordeste bénéficie donc en priorité du plus grand programme au monde de transfert d’argent au profit des déshérités : la bolsa familia (” bourse famille “). Ce mécanisme fonctionne selon un principe simple. L’Etat verse une aide mensuelle aux familles ” pauvres ” et ” très pauvres “, à condition que leurs enfants, s’ils en ont, soient scolarisés et justifient d’un carnet de vaccination à jour. Le montant de cette allocation varie en fonction des revenus de la famille et du nombre d’enfants à charge. En tout, 46 millions de personnes, appartenant à 12 millions de familles, profitent de la ” bourse famille “, soit un Brésilien sur quatre. Ce remède ponctuel et partiel contre la misère permet aux pauvres du Nordeste de devenir consommateurs. Il élargit surtout l’accès à l’éducation. Le programme échappe à la corruption et au clientélisme, même si quelques petits malins en abusent parfois. Ainsi a-t-on appris récemment que Billy da Silva Rosa, 4 ans, bénéficiaire depuis six mois de la ” bourse famille “, n’était autre qu’un chat, inscrit par un resquilleur. ” Billy ” est devenu le plus célèbre matou du Brésil.
Dans son bureau, au cœur du vieux Recife, Fernando Bezerra Coelho affiche sa satisfaction : ” Le Pernambouc a le vent en poupe. ” Secrétaire au développement économique de l’Etat, il salue l’avènement d’une ” nouvelle ère de prospérité “. Membre du Parti des travailleurs, fondé par Lula, il ajoute volontiers que l’impulsion politique du président y est pour beaucoup. Exemple : Lula a choisi de relancer avec vigueur, au sud de Recife, le complexe portuaire, industriel et pétrolier de Suape. Sa décision, susurre-t-on, ferait des jaloux à Salvador, capitale de l’Etat voisin de Bahia et éternelle rivale de Recife. De manière plus générale, en choyant le Nordeste, Lula rembourse une dette. Il lui redonne un peu de la richesse que plusieurs millions de ses enfants ont, en le quittant, apportée au reste du pays.

La vie de Lula est un roman. Ce sera bientôt un film. Lula, fils du Brésil, de Fabio Barreto, racontera ses trente-cinq premières années. Le scénario s’inspire d’une biographie, plutôt flatteuse, écrite à partir d’entretiens réalisés il y a quinze ans avec le futur président et plusieurs de ses proches. L’actrice Gloria Pires est Dona Lindu. Rui Ricardo Diaz incarne Lula adulte. L’acteur a surtout travaillé sa voix pour obtenir le timbre rauque qui caractérise celle de Lula. Un jeune comédien fera revivre le petit Luiz Inacio, cireur de chaussures le dimanche ou vendeur de tapioca. Le film sortira dans les salles le 1er janvier 2010, au seuil d’une année d’élection présidentielle. Cette saga édifiante devrait procurer une bonne publicité au parti de Lula, même si le chef de l’Etat, après deux mandats, ne peut lui-même se représenter.

SAO BERNARDO, AVEC LES “CAMARADES”

Chaque fois qu’il le peut, Lula quitte Brasilia pour passer le week-end dans son appartement de Sao Bernardo do Campo, dans la grande banlieue sud de Sao Paulo. De sa fenêtre, dans une grande tour blanche, il peut presque contempler les principaux lieux de ses combats syndicaux, à deux pas de la zone industrielle où s’alignent, entre deux rocades, les usines de montage automobile. A l’église Matriz, il organisait des réunions. L’évêque y a dit des messes pour sa libération lorsqu’il était emprisonné au plus fort des grèves de 1980. Au stade de la Vila Euclides, rebaptisé depuis ” stade du 1er-Mai “, il s’adressait, barbe noire et bras levé, à quelques milliers de ” camarades “. Un jour de 1979, il y tient meeting sur une tribune de fortune et sans sono. Ses mots d’ordre, qu’on n’entend qu’au premier rang, sont transmis de bouche en bouche jusqu’au fond du terrain.

Aujourd’hui, l’ancien métallo aime faire vibrer ses auditoires ouvriers du Nordeste en racontant une anecdote personnelle qui se passe en 1960. Il a 15 ans et termine son premier jour d’apprentissage dans une fabrique de vis, avec son bleu de travail presque immaculé. Comment sa mère, qui rêve de le voir devenir tourneur-mécanicien, pourrait-elle croire à son sérieux au vu de son vêtement trop propre ? Alors, il plonge les mains dans un bidon d’huile, les frotte un peu partout sur sa salopette et rentre à la maison plein d’orgueil.

Jean-Pierre Langellier – LE MONDE

21/12/2008 - 09:52h Amores de Puccini

Documentos revelam casos extraconjugais e herdeiros não reconhecidos do compositor de óperas italiano, autor de La Bohème e Tosca, nascido há 150 anos

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Anthony Tommasini, The New York Times – O Estado SP

Quando Giacomo Puccini morreu em 1924 aos 65 anos, deixou como herança uma propriedade estimada em US$ 250 milhões, em valores atuais. Será que algum compositor de música clássica dos dias hoje chegou a reunir, em vida, tamanha fortuna? Desde sua morte, a popularidade de Puccini só cresceu. Encenada 1.200 vezes, La Bohème está no topo da lista de obras mais apresentadas do Metropolitan Opera, que inclui nas suas primeiras 6 posições outras duas obras de Puccini, Tosca e Madama Butterfly. Assim, é curioso que não se tenha feito muito estardalhaço por conta do 150º aniversário do nascimento de Puccini, celebrado este ano. Mas não importa. Puccini domina.

Até agora, neste ano de Puccini, aquilo que mais chamou a atenção para a vida do compositor foi a realização de um filme sobre a sua vida particular, uma dramatização elaborada com base em pesquisas recentes e dirigida pelo cineasta italiano Paolo Benvenuti. Artigos antecipando as descobertas dessas pesquisas foram publicados no The Independent, em Londres, e em outros veículos. Evidentemente, a neta do compositor, Simonetta Puccini, está consternada e reluta em crer na nova versão dos fatos.

O mais alto tribunal civil da Itália há muito confirma as alegações da sra. Puccini (antes chamada de Simonetta Giurumello) de que ela seria a filha de um relacionamento entre a sua mãe e o filho do compositor, Antonio, morto em 1946, tendo deixado viúva, mas nenhum descendente legal. Hoje, a sra. Puccini supervisiona fundação à qual deu início, dedicada à preservação da quinta de Puccini em Torre del Lago.

Puccini orgulhosamente chamava a si mesmo de “vigoroso caçador de aves selvagens, libretos de ópera e mulheres atraentes”. O filme de Benvenuti, Puccini e la Fanciulla, apresenta um fio recém-descoberto na confusa biografia do compositor. O enredo afirma que ele tem outra neta viva, Nadia Manfredi, descendente de um outro filho seu, também chamado Antonio, nascido de um caso com Giulia Manfredi, uma mulher vivaz de origem humilde que administrava um albergue em Torre del Lago e muito popular entre os agricultores locais e caçadores itinerantes. Cartas pessoais e outros documentos mostrados a Benvenuti por Nadia Manfredi em 2007 expõem aquilo que parece ser um caso convincente.

Também estão sendo lançadas novas gravações de suas óperas. Dois notáveis registros de La Bohème foram recentemente lançados em CD, gravados a partir de concertos realizados no ano passado. A edição da Deutsche Grammophon tem a soprano Anna Netrebko como Mimi e o tenor Rolando Villazón como Rodolfo, com regência de Bertrand de Billy. O lançamento da Telarc conta com a performance da Sinfônica de Atlanta, regida por Robert Spano, com a soprano Norah Amsellem e o tenor Marcus Haddock no elenco.

Apesar de Puccini ter demonstrado um incrível instinto para a mistura da música com a dramatização, suas óperas são o produto de um trabalho torturado. Eterno protelador, ele só conseguia compor durante frenéticas madrugadas inteiras, abastecidas por café e cigarros. Na verdade, levando em consideração a astuta sensibilidade de Puccini para o drama musical, é surpreendente perceber como suas idéias iniciais podiam ser mal concebidas.

Ao adaptar as histórias de Murger que acabariam se tornando a ópera La Bohème, por exemplo, ele queria eliminar a briga e a separação entre Mimi e Rodolfo. Numa carta em tom de súplica endereçada ao editor de Puccini, o libretista Luigi Illica expressou sua exasperação. Puccini estava determinado a transformar a trágica história dos jovens amantes pobretões em um pegajoso melodrama. “Eles se apaixonam, eles discutem, a pequena costureira morre”, escreveu ele. “É uma história sentimental, mas não é La Bohème.” Puccini ao final acertava na maioria de suas óperas, mas não antes de despejar uma torrente de abuso sobre seus libretistas, cujo sofrimento era contínuo.

A amplitude dramática e a riqueza lírica da música de Puccini por vezes eclipsam a complexidade da sua linguagem harmônica contemporânea. Admirador de Wagner e Debussy, ele enriqueceu suas trilhas sonoras com acordes cromáticos livres e escalas de tons inteiros. Ele demonstrava muito interesse nas correntes radicais da música moderna, sentia-se intrigado pelos experimentos de Arnold Schoenberg. Percorreu os 100 quilômetros de Torre del Lago até Florença apenas para assistir a uma apresentação de Pierrot Lunaire (1912), experiência que lhe causou profunda impressão.

E quanto às novas fofocas sobre a vida amorosa de Puccini? Como já é bem sabido, seu relacionamento com a esposa, Elvira, foi sensacional desde o início. Puccini a conheceu ainda esposa de um antigo amigo seu dos tempos de escola, em 1884, quando trabalhava como seu professor de piano. Começaram um caso e em questão de dois anos ela deixou o marido. Permitiu-se a Elvira que levasse consigo a filha. Logo ela teve de Puccini o seu único filho, Antonio. Mas com o marido de Elvira ainda vivo, obter um divórcio seria impossível na Itália.

Durante os anos que passou com Elvira, Puccini viveu flertes despudorados com seus “pequenos jardins”, conforme ele chamava as jovens com que se envolvia. Até que, em 1903, o marido de Elvira morreu. As impacientes irmãs de Puccini o fizeram desistir de uma paixão que vivia na época e se casar com Elvira, o que ele finalmente fez em 1904, depois de terem vivido juntos por 17 anos. Com o passar dos anos, Doria Manfredi, uma jovem da região, entrou no lar de Puccini como empregada. Enciumada, a volátil Elvira a atormentava, castigando-a em público e criando um escândalo, apesar dos protestos de Puccini alegando sua inocência. Em janeiro de 1909, a pobre e acuada Doria morreu de uma overdose de pílulas. Apesar de Elvira ter sido condenada por difamação, o pagamento de uma compensação de Puccini para a família Manfredi poupou sua esposa da prisão. Uma autópsia revelou posteriormente que Doria morreu virgem. Assim, neste caso, Puccini era de fato inocente.

Esta parte da história há muito está registrada. Mas novos documentos, revelados pelo filme de Benvenuti, sugerem que apesar de Puccini não ter se envolvido com Doria, ele protagonizou um longo caso com a prima dela, Giulia, que pode ter sido a inspiração para Minnie, a heroína de La Fanciulla del West. O filho que Giulia teve com Puccini era vigia noturno e morreu na miséria aos 65 anos, em 1988, sem jamais saber da sua herança. Sua filha, Nadia Manfredi, foi aos tribunais exigir a realização de testes de DNA para provar que ela é neta de Puccini. Simonetta Puccini opõe-se ao pedido, chamando-o de ataque à vida particular do mestre e da sua família. Até o momento, parece que a legislação italiana apóia a afirmação dela de que o caso já teria prescrevido. O caso continua. Nós, amantes de Puccini, temos que reconhecer que nosso ídolo não sai dessa história com a honra intacta. Ainda assim, esse enredo daria uma excelente ópera de Puccini, se ao menos ele ainda estivesse entre nós para escrevê-la.

17/10/2008 - 12:56h Marqueteiro admite erro de avaliação, mas defende peça

ELEIÇÕES 2008 / SÃO PAULO

João Santana diz que não calculou reações e que Marta desconhecia publicidade

Publicitário diz que intenção era “tocar no desconforto de eleitores kassabistas por não conhecerem bem a biografia do candidato”

RENATA LO PRETE – FOLHA SP

EDITORA DO PAINEL

Na berlinda desde domingo, quando foi ao ar o já célebre comercial com perguntas de natureza pessoal sobre Gilberto Kassab (”É casado? Tem filhos?”), João Santana, responsável pela propaganda de Marta Suplicy, “lamenta profundamente” “não ter previsto a onda que se formou”. Esse é, porém, o único erro que reconhece. A peça, em seu entender, “não transgride os limites da ética e da elegância”.

Na entrevista abaixo, a primeira em que trata do caso, Santana negou, como Marta já fizera, que as questões contivessem insinuação de homossexualidade. E repetiu a candidata do PT ao dizer que ela não viu a peça antes da exibição.

Marqueteiro da reeleição de Lula, Santana, 55, administra a ampla desvantagem de Marta a nove dias da votação final.

FOLHA – Até mesmo petistas e eleitores de Marta consideraram a peça “jogo sujo”, “insinuação maldosa”, “invasão de privacidade” etc. A campanha admite que errou?

JOÃO SANTANA
– O único erro foi não ter previsto a reação que o comercial provocaria em determinados setores. Uma reação causada, na maioria dos casos, por interpretações equivocadas. Tão logo verificamos isso, retiramos o comercial do ar.

FOLHA – A campanha alega que as duas perguntas não guardam relação com o assunto homossexualidade. Não lhe parece difícil fazer com que pessoas com algum discernimento acreditem nisso?

SANTANA
– São duas perguntas que todo mundo é obrigado a responder em várias situações na vida. Havia outras perguntas de natureza familiar (”É de família rica? Pobre?”) que tiveram de ser cortadas por ajuste de tempo. Sei que é difícil acreditar, mas o fato de as duas perguntas terem ficado no final não foi intencional.

FOLHA – Havia, então, uma definição estratégica de expor a vida privada do adversário?

SANTANA – Não havia e não há.
A definição estratégica era tocar no desconforto de eleitores kassabistas por não conhecerem a biografia do candidato. Toda vez que isso era estimulado nos grupos, esse desconforto se traduzia numa dúvida forte. Foi então que criamos uma série de comerciais para provocar reflexão. Não havia intenção de entrar no terreno que acabou gerando toda a polêmica. Tampouco surgiu essa reação nas pesquisas qualitativas.

FOLHA – Não lhe parece que foi subestimado o potencial de rejeição ao comercial por um tipo de público que não é entrevistado nas quális?

SANTANA – Infelizmente sim. Em especial pessoas que já tinham determinados preconceitos, informações mal resolvidas ou envolvimento emocional com a disputa eleitoral.

FOLHA – Marta teve conhecimento prévio do conteúdo do comercial?

JOÃO SANTANA – Não, ela realmente não viu o comercial antes de ir ao ar. Estava acertado, desde o primeiro turno, que eu tinha liberdade para tomar esse tipo de decisão, a depender de problemas de prazo.

FOLHA – O sr. acha que, se Marta tivesse visto, teria se oposto?

SANTANA – É difícil responder a esta pergunta agora. Mas talvez sim, por causa de seu “feeling” de psicóloga e da sensibilidade de pessoa que vive, constantemente, sob questionamento.

FOLHA – Culpar a mídia pela má repercussão não é uma forma de fugir à responsabilidade por uma decisão errada que a campanha tomou?

SANTANA
– Já disse que errei por não ter previsto a onda que se formou. Lamento profundamente. No entanto, não posso deixar de reconhecer que houve exagero e até manipulação.
Ninguém, por exemplo, publicou o texto completo do comercial. Ele não transgride, em nenhum momento, os limites da ética e da elegância. Em pesquisa que fizemos depois -e isso foi confirmado por reportagem da Folha-, a maioria das pessoas disse não ter sentido nenhuma malícia de natureza sexual no comercial. Somente começaram a interpretar isso depois da polêmica instaurada.

FOLHA – Acha relevante saber se o candidato é casado e se tem filhos?

SANTANA – Acho. O eleitor gosta e tem o direito de saber tudo sobre o candidato. Quer saber até para que time ele torce.
Além disso, o que nos interessava ali não era uma ou outra pergunta específica, e sim despertar no eleitor, por meio de uma série de questões, a dúvida sobre tudo o que ele desconhece a respeito de Kassab.

15/10/2008 - 12:36h Vestais

Eu não quero cometer uma injustiça. Para evitar acusar alguém de indignidade, vou precisar da ajuda dos leitores deste blog. Evidentemente dos que queiram me ajudar.

Na nota anterior reproduzi o artigo da Folha de 31 de julho de 2004 com violenta baixaria contra Marta lançada oficialmente pelo site da Direção nacional do PSDB e a calúnia de Goldman, hoje vice-governador, acusando Marta e eu de ladrões do dinheiro da prefeitura. No artigo consta a reação do Senador Suplicy e do deputado Rui Falcão apontando a hipocrisia dos supostos “éticos”, consta também que José Serra diz que não sabia e que não apóia esses ataques.

Hoje jornalistas, colunistas, articulistas, editorialistas, alguns políticos, assim como outras “personalidades” tem publicamente afirmado sua condenação a Marta, ou a sua campanha, ou ao comercial, com adjetivos e altas proclamas éticas de indignação.

Pois bem, eu diz que são todos fariseus e posso estar sendo injusto com alguém. Uma única injustiça, como a sacanagem de Kassab com Monica Valente, não gostaria que ficasse na minha biografia.

Pois bem, a começar pelo candidato Kassab e até o último dos que entrou nesta cruzada contra nós, quero reproduzir aqui neste blog sua declaração, seu artigo, seu comentário, sua carta o que for que foi dito, escrito e publicado em qualquer espaço público, quando Marta e eu fomos tão canalhescamente tratados pelo site da Direção do PSDB e a campanha oficial da então candidatura Serra-Kassab.

Eu quero reproduzir aqui as declarações de hoje sobre a ética e a vida privada, e as declarações semelhantes dos mesmos. Já que a ética e a decência não tem cor ideológica, nem partido, nem jornal, quero mostrar como são coerentes.

Quem quiser ajudar peço para enviar o artigo da Folha de 2004 para cada uns dos que escreveu agora ou fez declarações sobre este assunto da vida privada e solicitem copia do que foi escrito na época. Favor de não esquecer onde foi publicado e a data.

Clovis Rossi, Eliane Cantânhede, Ricardo Noblat, Josias de Souza, Gilberto Dimenstein, os editorialistas da Folha e do Estadão, os políticos, Kassab, os de qualquer partido, todos os que hoje se manifestaram deveriam ser solicitados de reproduzir qual foi a reação deles na época, onde foi publicada para eu poder dizer: eis uma pessoa coerente.

De minha parte, na época, entrei na justiça contra o Deputado federal Alberto Goldman, quem usufruindo do foro privilegiado de deputado conseguiu impedir minha ação judicial, pelo STF, que arquivou meu pedido argumentando que esse foro privilegiado garante a liberdade de expressão do eleito.

Luis Favre

15/10/2008 - 09:08h Como reagiu a mídia e Clovis Rossi em 2004?

Como a mídia reagiu a esta acusação caluniosa, ofensiva, escrota?

O que Clovis Rossi comentou? e Eliane Cantânhede?

O documento oficial dos tucanos (ver artigo da Folha a seguir) não fazia nenhuma pergunta, não insinuava nada. Afirmava em alto e bom som calúnia, grosseria, invasão de vida privada. Qual foi a reação da Folha, fora registrar o fato? Algum tucano tinha jogado sua biografia na sarjeta, por isto?

O Goldman diz em algum lugar que “errou”? O candidato Serra mentiu quando diz que não sabia?

Fariseus e hipócritas de plantão pensam que contra o PT todo pode e fica por isso mesmo?

Acabou essa história dos militantes do PT ajoelhar no milho, enquanto somos insultados, caluniados, atacados na nossa vida privada e procuram atingir nossa honra.

Chega desses tartufos da direita que quando a esquerda é caluniada, olham para outro lado e permanentemente invocam a ética para encobrir as falcatruas dos seus protegidos.

Luis Favre

A seguir artigo da Folha de São Paulo 31 de julho de 2004

ELEIÇÕES 2004/CAMPANHA

Na internet, partido diz que prefeita tem “dois maridos’; PT reage e distribui cópias do documento a jornalistas em evento oficial

PSDB volta a atacar vida pessoal de Marta

CHICO DE GOIS
ANDRÉ NICOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL

O PSDB voltou a atacar a vida pessoal da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), vinte dias depois que deputados do partido fizeram insinuações contra ela e seu marido, Luis Favre.
Anteontem, o site do Diretório Nacional do PSDB divulgou uma nota intitulada “Dona Marta e seus “dois maridos’”, na qual fazia referência à participação do senador e ex-marido de Marta, Eduardo Suplicy, na campanha da prefeita à reeleição.
Ontem, os tucanos tiraram o texto do ar. O PT informou que irá entrar na Justiça com uma ação contra o PSDB. A prefeita afirmou que ainda não sabia se ela, pessoalmente, faria o mesmo. E o senador Eduardo Suplicy classificou de “bobagem” as afirmações feitas pelo PSDB. “Sou senador por São Paulo e a prefeita me convidou para visitar uma obra.”
Ontem à noite, o senador acompanhou a prefeita no lançamento de um comitê de campanha de Marta na Penha, zona leste.
Como divulgado anteontem pela Folha na coluna “Toda Mídia”, do jornalista Nelson de Sá, a nota dizia que “a participação do senador na campanha da ex-mulher é uma das estratégias da direção petista para enfrentar o desgaste sofrido por ela por conta da separação dos dois”.
O texto concluía que “dona Marta tem “dois maridos”. Cá entre nós: que papelzinho ridículo o senador Suplicy se prestou ao sair em “campanha” para mitigar a imagem que a sra. Marta construiu para si mesma”.
Cópias da página do PSDB foram distribuídas para os jornalistas na manhã de ontem por assessores da campanha de Marta durante evento para sancionar lei de criação dos conselhos de representantes de subprefeituras.
A assessoria de imprensa do Diretório Nacional do PSDB informou que “a orientação do partido é para não entrar nesse tipo de debate”. A assessoria admitiu que “foi um erro” a edição da nota e informou que, ao perceber o erro, retirou o texto do ar.
Ontem o candidato a prefeito do PSDB, José Serra, afirmou desconhecer a nota, mas disse não apoiar esse tipo de ataque.
De acordo com o coordenador-geral da campanha petista, deputado estadual Ítalo Cardoso, o departamento jurídico do PT entraria com uma ação na Justiça, mas ainda não estava definido se seria apenas civil ou também criminal.
O candidato a vice de Marta, Rui Falcão, disse, no lançamento de um comitê em Aricanduva, zona leste, que “pela segunda vez, adversários que se dizem detentores da ética e do trabalho agridem o PT e a prefeita”. Falcão disse que “não vamos aceitar provocações, mas também não vamos aceitar nenhum tipo de intimidação”.
Ele se referia às afirmações do deputado federal Alberto Goldman e do deputado estadual Celino Cardoso em um comício no dia 11 de julho. Na ocasião, Goldman disse: “Quero saber cadê o dinheiro. De um deles, a gente sabe onde está: na Suíça. E o da Marta? Vamos perguntar para ela ou para o marido dela onde está o dinheiro de São Paulo”.

16/06/2008 - 18:24h Clássica e um pouco chata

+ Música – Folha de SP

PARA COMBATER DECLÍNIO DO GÊNERO, LIVRO DEFENDE CONCERTOS MENOS RÍGIDOS E A INTERAÇÃO DO SOLISTA COM O PÚBLICO

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TERRY TEACHOUT

Hoje se admite, de modo geral, que a música clássica nos EUA está em situação difícil e até desesperada.
Críticos, comentaristas e administradores perceberam alarmados que as platéias dos concertos estão envelhecendo constantemente e que as pessoas com menos de 50 anos não parecem inclinadas a assistir a espetáculos de música clássica ou a apoiar as entidades que os promovem.
Alguns apresentadores e artistas reagiram tentando modificar a honorável instituição do recital solo, de maneira a torná-lo menos formal e mais contemporâneo.
Por exemplo, hoje os artistas clássicos são aconselhados a falar com o público do palco, a tocar uma combinação de repertório mais amplo e mais recente e até a empregar técnicas modernas de encenação.
Mas, como bem sabe qualquer um que acompanhe os programas da principal sala de concertos dos EUA [o Carnegie Hall], poucos artistas estão seguindo esse conselho.
Com muita freqüência, os intérpretes clássicos continuam a aparecer diante do público vestidos de maneira mais ou menos formal e a tocar programas de duas horas de duração, que consistem em três ou quatro grupos de peças tiradas do repertório padrão e arranjadas em ordem cronológica, sem falar uma palavra em voz alta, exceto para anunciar os bis.

Populismo
O que poucas pessoas que hoje vão a concertos sabem é que houve uma época em que os recitais clássicos eram muito diferentes -menos rígidos, mais improvisados e, principalmente, mais populistas no tom.
Mas, assim como os estilos de tocar dos intérpretes mudaram com a chegada do modernismo, mudou a maneira como se apresentam ao público.
Essas mudanças são o tema de um importante novo livro de Kenneth Hamilton, intitulado “After the Golden Age – Romantic Pianism and Modern Performance” [Depois da Era de Ouro - Piano Romântico e Interpretação Moderna, Oxford University Press, 304 págs., US$ 29,95, R$ 49].
O livro de Hamilton, pianista de concerto e professor na Universidade de Birmingham (Reino Unido), se baseia em extensa pesquisa sobre as práticas de apresentação dos pianistas do século 19 e início do 20, período conhecido pelos colecionadores de discos como a “era de ouro” do piano clássico.
Na virada do século 20, um punhado de instrumentistas clássicos começou a fazer gravações comerciais, e uma ou duas décadas depois a prática havia se tornado comum entre os intérpretes conhecidos.
A execução pianística da era de ouro pouco se assemelhava à maior parte do que se ouve hoje nas salas de concerto.

Notas erradas
As principais diferenças, todas discutidas em detalhe por Hamilton, são: Os pianistas geralmente tratavam a partitura como um guia para a interpretação, mais que um conjunto definitivo de instruções. Muitos deles acrescentavam floreios não-escritos de diversos tipos às peças que tocavam.
Vladimir Horowitz, o último grande pianista clássico que tocou com essa liberdade textual, gravou versões de obras como a “Rapsódia Húngara nº 15″ de Liszt que se afastam da partitura de modo tão drástico que representam verdadeiras composições originais.
Os pianistas dessa era davam maior valor ao brilho e à espontaneidade do que à execução precisa e, conseqüentemente, vários deles tocavam muito mais notas erradas do que seria considerado aceitável pelos críticos e o público de hoje.
Os pianistas do século 19 não apenas tocavam de modo diferente dos de hoje como o estilo de suas apresentações públicas também diferia, e de maneira igualmente significativa.
O recital solo, como Hamilton nos lembra, foi inventado por Franz Liszt em 1840. Antes disso, os pianistas e outros instrumentistas apareciam em concertos de “variedades” que incluíam outros artistas.
Mesmo depois que Liszt foi (nas palavras dele) “ilimitadamente insolente” e começou a tocar programas que o apresentavam com exclusividade, o concerto de variedades continuou vigente. Somente no final do século 19 tornou-se a norma para os pianistas apresentarem-se sós, em vez de com artistas assistentes. Liszt, por exemplo, encorajava seus ouvintes a depositarem sugestões por escrito em uma urna localizada no saguão do teatro, cujo conteúdo ele examinava no palco e escolhia uma ou mais para tocar.

Grandes obras
Foi somente em meados do século 19 que os pianistas de concerto começaram a substituir as improvisações e paráfrases operísticas por obras de grande escala de outros compositores, e muitas vezes apresentavam só alguns movimentos, e não as obras completas.
Mas, mesmo então, a maioria dos pianistas recheava a segunda metade de seus programas com peças mais leves, que hoje provavelmente seriam apresentadas como bis -se tanto.
Para apresentar um repertório tão grande e variado, os pianistas do século 19 freqüentemente não tocavam de memória, mas olhando a partitura, prática que hoje é considerada amadorística.

Piano pop
Quanto às platéias do século 19, elas não se importavam em aplaudir não apenas entre movimentos, mas também para homenagear um trecho especialmente bem tocado no meio de uma peça. Na mesma linha, Liszt freqüentemente cumprimentava seus ouvintes no saguão e conversava com eles entre uma peça e outra.
“Um concerto na época”, diz Hamilton, “realmente era muito mais parecido com uma apresentação moderna de jazz ou de música pop do que a marcha às vezes incrivelmente frígida do repertório padrão que chamamos de recital”.
Escutar as gravações feitas por pianistas nascidos no século 19 é ser marcado por sua extrema individualidade, às vezes chegando ao limite da total excentricidade.
É um sabor musical poderoso -que alguns ouvintes de hoje, talvez não surpreendentemente, acham exagerado. Como escrevi sobre Vladimir de Pachmann: “Esses excessos eram considerados normais no século 19; de fato, foram, em um sentido muito real, a essência do romantismo”.
Esses excessos raramente são encontrados nas salas de concerto do século 21, onde as platéias se sentam em (relativo) silêncio e ouvem programas que consistem principalmente de apresentações de clássicos, as quais, comparadas às gravações de um Vladimir de Pachmann ou um Moriz Rosenthal, são decididamente a favor da sobriedade.
Mas com que objetivo? Hamilton, por exemplo, afirma ter escrito “Depois da Era de Ouro” devido a “uma profunda irritação com a pura rotina e o tédio fúnebre de alguns recitais a que assisti. (…) Quaisquer que fossem as desvantagens dos primeiros concertos românticos, geralmente eram mais informais e pareciam simplesmente muito mais divertidos, tanto para os intérpretes quanto para o público”.
É fácil simpatizar com essa afirmação, que se choca com a ortodoxia crítica que predominou na última metade do século 20. Aqui, por exemplo, o crítico Michael Steinberg discute Vladimir Horowitz: “Ele concebe a interpretação não como a reificação das idéias do compositor, mas como uma atividade essencialmente independente. (…) Horowitz ilustra o fato de que um dom instrumental notável não é garantia de entendimento musical”.
Significativamente, o comentário de Steinberg não foi feito em uma resenha de jornal, mas no artigo sobre Horowitz que escreveu para a edição de 1980 de “The New Grove Dictionary of Music and Musicians” [Novo Dicionário Grove de Música e Músicos, obra de referência em música erudita].
Não é necessário considerar Horowitz um modelo de virtude interpretativa para entender a tese de Hamilton e sentir-se insatisfeito com a freqüente mornidão do “estilo internacional” que veio a dominar a execução clássica depois da Segunda Guerra Mundial. De fato, em uma rebelião parcial e bem-vinda contra a norma prevalente, diversos jovens pianistas, incluindo Marc-André Hamelin e Stephen Hough, hoje tocam um repertório que vai de peças de bis do século 19 a concertos do século 21, de uma maneira que leva em conta tanto a prática de apresentação da era de ouro como o estilo internacional.

Mais diversão
Poderíamos também lucrar ao adotar uma visão mais fria da formalidade social que continua moldando a experiência de assistir a concertos? Mais uma vez, Hamilton pensa que sim. “Um pouco menos de reverência e um pouco mais de diversão não nos fariam mal hoje”, escreve.
Concordo mais uma vez -até certo ponto. Eu não gostaria de viver em um mundo despido da alta seriedade que permitiu a um pianista como Artur Schnabel [1882-1951] dedicar a última parte de sua vida a tocar apenas Mozart, Beethoven e Schubert.
Mas também não gostaria de ver a honorável instituição do concerto clássico transformada em (digamos) contrapartida intelectual dos “reality shows”.
Ao mesmo tempo, porém, eu não gostaria de viver em um mundo musical que consistisse somente em Schnabels. É possível admirar Schnabel e Horowitz, Dinu Lipatti e Rosenthal, Murray Perahia e Glenn Gould.
Os que pensam de outro modo correm o risco de serem vítimas do convencionalismo que anestesia a alma e exaure a vida da arte.


TERRY TEACHOUT é crítico de música da “Commentary”, onde a íntegra deste texto foi publicada, e crítico de teatro do “Wall Street Journal”. Conclui uma biografia de Louis Armstrong. Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves .

21/04/2008 - 09:12h Fernando Lugo, o homem que pode mudar a história do Paraguai