18/05/2009 - 09:16h Ex-ministro propõe agenda para Brasil virar líder mundial

Energia, tecnologia da informação e biotecnologia oferecem mais oportunidades, afirma Reis Velloso

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Folha SP – DA SUCURSAL DO RIO

O Brasil tem potencial para sair da crise como líder mundial em competitividade nas áreas de energia, tecnologia da informação e biotecnologia, diz o economista João Paulo dos Reis Velloso, ministro do Planejamento entre 1969 e 1979, nos governos Médici e Geisel.
A forma como o país deve se mobilizar para não desperdiçar a chance será o tema do 21º Fórum Nacional, organizado pelo Inae (Instituto Nacional de Altos Estudos), dirigido por Reis Velloso, que será realizado de hoje a quinta-feira na sede do BNDES, no Rio.
“Criamos uma agenda com ações imediatas, para reduzir os efeitos da crise, e estratégicas, para o país mudar o modelo de desenvolvimento”, afirma.
A agenda foi criada pelo Inae com 50 executivos de grandes empresas -como Roger Agnel- li, presidente da Vale, e José Sergio Gabrielli, da Petrobras.
Para evitar que as ações caiam no vazio, Reis Velloso prevê a criação de uma aliança entre governo e empresários, para delinear propostas, e de um grupo executivo, com a iniciativa privada, para traçar metas e cobrar ações do governo.
Entre as ações imediatas, são defendidas a ampliação do crédito para sustentar o consumo -e gerar renda- e o corte dos gastos correntes do governo.
Para que o país emerja como potência, a agenda aponta para a construção de uma indústria integrada em volta do pré-sal, com fábricas de máquinas e serviços de infraestrutura. Isso criaria ambiente para o desenvolvimento de tecnologias.
Aliado ao desenvolvimento do pré-sal, a aceleração da construção de hidrelétricas e o contínuo desenvolvimento de bioenergia -em que o álcool é o maior expoente- tornariam o país uma potência energética.

Modificar os embarques
Outro foco é a mudança das exportações. Hoje, mais da metade delas é composta por bens de baixo valor agregado.
“Precisamos identificar os bens de valor agregado que produzimos melhor”, diz.
O Inae vê no país a chance de se firmar como polo de tecnologia da informação e de comunicação, atrás dos EUA e da Índia. O país teria uma indústria, mão de obra e qualificação. A ideia é disputar mercado com a Índia.
Reis Velloso avalia que o país deve dar mais foco à inovação e ao conhecimento e que aproveite a característica “criativa e inovadora” do empresário brasileiro. É o que o Inae chama de “economia criativa”.
“Investimentos respondem por 50% do crescimento dos países. O resto vem desses fatores”, diz Velloso.
A cúpula também pede a criação de incentivos para o setor privado investir em transportes e saneamento.
O documento que reúne as ações foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em fevereiro. “O estudo foi encaminhado para o Luciano Coutinho [presidente do BNDES], que ficou de estudar e propor ações para que o plano caminhe”, diz Reis Velloso.

28/08/2008 - 09:04h Transformação total

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Técnica altera células para tratar diabetes, derrame e infarto

Rob Stein Do Washington Post – O Globo

Cientistas transformaram um tipo de célula adulta diretamente em outro dentro de um animal vivo, num avanço que pode levar à cura de numerosas doenças. Por meio de uma complexa série de experiências em camundongos, pesquisadores da Universidade de Harvard descobriram etapas fundamentais que, quando combinadas, transformam células comuns do pâncreas nas muito mais importantes células produtoras de insulina, necessárias para tratar o diabetes.

O estudo, publicado na edição online da revista “Nature”, levanta a possibilidade de que não só diabéticos, mas também pacientes que sofreram derrames, ataques cardíacos ou outras complicações tenham suas próprias células reprogramadas e sejam curados, sem necessidade de remédios, transplantes ou outras terapias.

— É um tipo de plástica extrema nas células. A meta é criar células para substituir aquelas que são defeituosas ou inexistentes nos pacientes — disse Douglas A. Melton, co-diretor do Instituto de Células-Tronco de Harvard e líder do grupo de pesquisa.

O estudo impressionou os especialistas na chamada engenharia de tecidos, área que envolve o estudo de células-tronco.

— Estou impressionado. Essa pesquisa apresenta um novo paradigma para tratar doenças — disse Robert Lanza, diretor científico da empresa de biotecnologia Advanced Cell Technology (ACT), pioneira na pesquisa de células-tronco.

Opinião parecida tem George Q. Daley, do Hospital Infantil de Boston: — Os resultados preliminares são realmente espetaculares.

Melton e seus colegas, porém, advertiram que serão necessários anos de pesquisa até que sua técnica possa ser usada em seres humanos.

A equipe já começou a fazer experiências com células humanas e espera começar os primeiros estudos com pacientes diabéticos dentro de um ano.

— Em cinco anos podemos estar prontos para iniciar testes em escala maior — afirmou Melton

Vírus para alterar o destino das células

Outros grupos de estudo começaram a usar a mesma tecnologia para alterar tipos diferentes de células.

Um dos alvos é tratar lesões na medula óssea que causam paralisia.

Também há pesquisas com doenças neurodegenerativas, como o mal de Lou Gehrig.

— A idéia de transformar um tipo de neurônio em outro e com isso consertar o sistema nervoso é muito empolgante — salientou Paola Arlotta, do Centro de Medicina Regenerativa do Hospital Geral de Massachusetts.

A pesquisa é o desenvolvimento mais recente do promissor campo da chamada medicina regenerativa, iniciado com o estudo das células-tronco.

No entanto, a pesquisa de células-tronco tem sido atrasada por debates políticos e éticos.

O novo estudo é um desdobramento da tecnologia para produzir “células pluripotentes induzidas” ou IPS (na sigla em inglês), baseada na manipulação genética das células adultas, que são induzidas a se comportar como células embrionárias.

As células IPS podem ser cultivadas e estimuladas a originar certos tipos de tecido do corpo.

O grupo de Harvard conseguiu pular uma etapa, a das IPS, e transformar diretamente uma célula em outra. Para isso, os pesquisadores usaram vírus para levar genes de uma célula a outra. Ao ligar e desligar os genes corretos na hora certa, os cientistas conseguiram fazer com que uma célula assumisse totalmente a função de outra.

Melton frisou, todavia, que as pesquisas com células-tronco embrionárias continuam a ser essenciais.

— As células-tronco embrionárias oferecem uma janela única para compreender doenças humanas — declarou Melton.

20/08/2008 - 19:49h Sangue de laboratório

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Americanos produzem hemácias a partir de células-tronco embrionárias humanas

O Globo

Pela primeira vez, células vermelhas do sangue foram produzidas em laboratório. Cientistas americanos conseguiram desenvolver hemácias de proveta a partir de células-tronco embrionárias humanas. A experiência abre caminho para produzir sangue com facilidade e eliminar a necessidade de doações.
Publicado na revista científica “Blood”, o estudo é o primeiro em que hemácias funcionais são obtidas: as células de laboratório são plenamente capazes de transportar oxigênio.
O trabalho foi realizado por um grupo integrado por cientistas da empresa americana de biotecnologia Advanced Cell Technology (ACT) em parceria com a Clínica Mayo e a Universidade de Illinois.

— Você não teria mais que se preocupar com a falta de sangue para transfusões porque poderia criar quantas precisasse — disse o líder do trabalho, Robert Lanza, diretor científico da ACT.
Lanza tem trabalhos pioneiros em clonagem e células-tronco. Em 2001, o grupo dele produziu os primeiros embriões humanos clonados para a extração de célulastronco embrionárias.
A experiência abre caminho para a produção em massa de hemácias do tipo sangüíneo O negativo, doador universal porque pode ser usado em transfusões para pacientes com qualquer tipo.
Normalmente, esse tipo sangüíneo está em falta — estimase que apenas 8% dos brancos e só 0,3% dos asiáticos o tenham. No entanto, bastariam poucas linhagens de células-tronco embrionárias para desenvolver uma quantidade praticamente ilimitada de hemácias O negativo.
Na experiência, os pesquisadores chegaram a criar 100 bilhões de hemácias.
Outra vantagem é que o sangue de laboratório poderia ajudar a deter a propagação de epidemias. É muito mais fácil garantir que o sangue artificial, obtido de forma controlada, está livre de parasitas, vírus e bactérias.
O grande salto da experiência foi identificar que substâncias fazem as células-tronco embrionárias originarem hemácias. Células-tronco extraídas de embriões de poucos dias podem dar origem a qualquer tipo de tecido humano.
No entanto, o grande mistério é saber como obrigá-las a fazer o tipo de célula almejado.
No estudo da “Blood”, Lanza e seus colegas dizem ter cultivado as células-tronco extraídas de embriões com menos de dez dias num meio de nutriente e fatores de crescimento.
Esses últimos são compostos produzidos pelo próprio organismo humano para estimular as células-tronco a se diferenciar.
Numa primeira fase, os cientistas obtiveram hemangioblastos. Estes são células precursoras das células vermelhas. Os hemangioblastos então foram amadurecidos em laboratório. Um passo crítico foi conseguir que as precursoras das células vermelhas expelissem seu núcleo, pois as hemácias não têm núcleo.

— Muitos especialistas diziam ser impossível.
Por isso, ficamos muito surpresos quando conseguimos — afirmou Lanza à revista britânica científica “New Scientist”.
Testes mostraram que as hemácias artificiais podem transportar oxigênio com eficiência. Porém, mais experiências serão necessárias.

10/08/2008 - 10:51h Virar à esquerda para crescer

*JOSEPH E. STIGLITZ – O Globo

A imagem “http://www.themorningsidepost.com/images/2007/09/27/stiglitz.jpg” contém erros e não pode ser exibida.Tanto a esquerda como a direita dizem defender o crescimento econômico. Então, para os eleitores, trata-se apenas de escolher entre equipes gerenciais alternativas? Quem dera fosse tão fácil. Parte do problema se refere ao papel da sorte. A economia americana, nos anos 90, foi abençoada por baixos preços da energia, alta taxa de inovação e uma China a oferecer cada vez mais produtos de boa qualidade a preços decrescentes, tudo combinando para resultar em inflação baixa e rápido crescimento.

O presidente Clinton e o então presidente do Fed (banco central), Alan Greenspan, merecem pouco crédito por isso — embora, a bem da verdade, tenham evitado políticas que pusessem tudo a perder. Em contraste, os problemas que enfrentamos hoje — altos preços de energia e alimentos e um sistema financeiro a desmoronar — foram, em grande parte, causados por políticas erradas.

Há grandes diferenças entre estratégias de crescimento, o que torna altamente prováveis resultados também diferentes. A primeira se refere à forma em que o crescimento é concebido.

Ele não é apenas a ampliação do Produto Interno Bruto. Precisa ser sustentável: crescimento com degradação ambiental, com consumo baseado em endividamento ou exploração de recursos naturais escassos, sem reinvestimento dos rendimentos, não é sustentável.

O crescimento deve ser inclusivo; pelo menos a maioria dos cidadãos deve ser beneficiada. Truques econômicos não funcionam: um aumento do PIB pode até piorar a situação da maioria dos cidadãos. O crescimento recente dos EUA não foi nem economicamente sustentável nem inclusivo. A maioria dos americanos está pior hoje do que há sete anos.

Mas não há um compromisso entre desigualdade e crescimento.

Os governos podem estimular o crescimento via aumento da inclusão.

O maior recurso de um país é seu povo.

É essencial assegurar que todos possam desenvolver seu potencial, o que requer oportunidades educacionais para todos.

Uma economia moderna requer também assumir riscos.

As pessoas ficam mais propensas a assumir riscos se houver uma boa rede de proteção. Se não houver, elas podem pedir proteção contra a competição estrangeira. Proteção social é mais eficiente que protecionismo.

Fracasso na promoção da solidariedade social pode ter outros custos, entre os quais os necessários para proteger a propriedade privada e manter encarcerados os criminosos.

Estima-se que, dentro de poucos anos, os EUA terão mais gente trabalhando em segurança do que em educação.

Um ano na prisão pode custar mais do que um ano em Harvard. O custo de manter encarcerados 2 milhões de americanos — uma das maiores taxas do mundo — deve ser subtraído do PIB, ao invés de adicionado.

Uma segunda grande diferença entre esquerda e direita diz respeito ao papel do Estado no desenvolvimento.

A esquerda entende ser vital que o Estado proveja infra-estrutura e educação, desenvolva tecnologia e até mesmo atue como empreendedor.

O governo assentou as bases da internet e da moderna revolução da biotecnologia. No século XIX, a pesquisa em universidades que recebiam apoio governamental possibilitou a revolução na agricultura.

O governo levou os avanços a milhões de fazendeiros americanos. Empréstimos para pequenos negócios foram cruciais na criação de novos negócios e também de novas indústrias.

A diferença final pode parecer estranha: a esquerda agora entende o mercado e o papel que ele pode e deve ter na economia. A direita, especialmente nos EUA, não. A nova direita, tipificada pela administração Bush-Cheney, é realmente o velho corporativismo em disfarce novo. Ela acredita num Estado forte, com poderes executivos robustos, usados em defesa de interesses estabelecidos e com pouca atenção aos princípios do mercado. A lista de exemplos é longa e inclui subsídios para grandes fazendeiros, tarifas para proteger a indústria siderúrgica e, mais recentemente, megaoperações de salvamento de Bear Sterns, Fannie Mae e Freddie Mac. Mas a inconsistência entre retórica e realidade vem de longe: o protecionismo cresceu nos anos Reagan, inclusive com a imposição da chamada restrição voluntária das exportações de carros japoneses.

Em contraste, a nova esquerda está tentando fazer o mercado funcionar.

Mercados livres não funcionam adequadamente por si mesmos — uma conclusão corroborada pela atual debacle financeira. Defensores do mercado algumas vezes admitem que eles falham, até desastrosamente, mas alegam que têm a propriedade de se autocorrigirem. Durante a Grande Depressão, argumentos similares foram ouvidos: o governo não tem de fazer coisa alguma porque o mercado restabeleceria o pleno emprego a longo prazo. Mas, como John Maynard Keynes disse, a longo prazo todos estaremos mortos.

O mercado não é autocorretivo num período de tempo relevante. Nenhum governo pode ficar sentado assistindo a um país cair na recessão ou na depressão, mesmo quando causadas por excesso de gula de banqueiros ou por avaliação equivocada do risco pelo mercado financeiro ou por agências de classificação. Mas, se são os governos que vão pagar a conta da economia no hospital, devem fazer de tudo para tornar menos provável a internação.

O mantra da direita sobre desregulamentação dos mercados estava errado, e agora pagamos o preço.

Que, em termos de perda de produção, será alto — talvez mais de US$ 1,5 trilhão apenas nos EUA.

A direita costuma alegar seu parentesco com Adam Smith, mas enquanto Smith reconhecia o poder do mercado, reconhecia também suas limitações.

Mesmo em sua época, empresários descobriram que podiam elevar mais facilmente os lucros conspirando para aumentar preços do que produzindo de forma mais eficiente mercadorias inovativas. Poderosas leis antitruste são necessárias.

É fácil dar uma festa. Por uns momentos, todo mundo pode sentir-se bem. Já promover o crescimento sustentável é muito mais difícil. Hoje, em contraste com a direita, a esquerda tem uma agenda coerente — que não oferece só mais crescimento, mas também justiça social. Para os eleitores, deveria ser uma fácil escolha.

*JOSEPH E. STIGLITZ é economista e foi Prêmio Nobel de Economia em 2001

31/03/2008 - 05:46h A era do trabalho barato na China acabou

Dexter Roberts – VALOR

banner_china.jpgO empresário Tim Hsu começou a fabricar lâmpadas há mais de 20 anos em Taiwan. E como dezenas de milhares de outros donos de fábricas em Taiwan, Hong Kong e Macau, ele posteriormente transferiu suas operações para a região de Guangdong, no delta do Rio da Pérola, no sul da China. Lá ele estabeleceu sua empresa, a Shan Hsing Lighting, num rincão sonolento de arrozais e granjas de patos denominado Dongguan. De lá para cá, a região cresceu e transformou-se na maior base industrial do mundo em uma série de setores, como os de produtos eletrônicos, sapatos, brinquedos, mobiliário e iluminação. A combinação de baixos salários, regulamentação mínima e uma moeda barata era imbatível. Hsu estava tão confiante no futuro de Guangdong como “fábrica do mundo” que investiu US$ 7 milhões em instalações maiores, que começaram a operar neste ano.

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Agora, muitos dos fabricantes chineses – entre eles a Shan Hsing – estão vivendo o tipo de reestruturação que dilacerou o coração dos EUA uma geração atrás. O mercado habitacional americano, que gerou demanda por tudo o que vinha da China – de móveis modulados a louças para banheiros-, despencou. Uma nova lei trabalhista chinesa que entrou em vigor em 1º de janeiro fez subir consideravelmente os custos em um mercado de trabalho já apertado. A disparada nos preços de commodities e energia, assim como o cancelamento, por Pequim, de políticas preferenciais para exportadores, prejudicaram os industriais. A valorização da moeda chinesa já tornou mínimas as margens, levou milhares de fabricantes para a beira da falência e pôs em risco o papel da China como o maior exportador de produtos baratos.

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02/10/2007 - 15:08h Scientists Are Making Brazil’s Savannah Bloom

Lalo de Almeida for The New York Times

Pioneers In the labs and fields of Brazil, Embrapa has become a research leader in tropical agriculture.
In Belem, an instructor taught students how to collect seeds.

By LARRY ROHTER

Published: October 2, 2007 – The New York Times

PLANALTINA, Brazil — Anyone curious to know how Brazil has become what the former secretary of state, Colin L. Powell, calls an “agricultural superpower” — poised to overtake the United States as the world’s leading exporter of foodstuffs — would do well to start here in this busy network of government laboratories.

 


The New York Times

 

The sprawling labs and experimental fields are operated by Embrapa, Brazil’s agricultural and livestock research agency, and have become an obligatory stop for any third world leader visiting Brazil.

Although little known in North America, Embrapa has in three decades become a world research leader in tropical agriculture and is moving aggressively into areas like biotechnology and bio-energy.

“Embrapa is a model, not just for the so-called developing world, but for all countries,” said Mark Cackler, manager and acting director of the Agricultural and Rural Development Department of the World Bank. “A key reason that Brazil has done so well with its agricultural economy is that it has invested heavily and intelligently in front-end agricultural research, and Embrapa has been at the forefront of that effort.”

Embrapa owes much of its reputation to its pioneering work here in the cerrado, the vast savannah that stretches for more than 1,000 miles across central Brazil. Written off as useless for centuries, the region has been transformed in less than a generation into Brazil’s grain belt, thanks to the discovery that soils could be made fertile by dousing them with phosphorus and lime, whose optimum mixture was established by Embrapa scientists.

When the annual World Food Prize was awarded last year to two Brazilians affiliated with Embrapa, the citation called the emergence of the cerrado “one of the greatest achievements of agricultural science in the 20th century.”

Embrapa also championed the main crop for the region by developing more than 40 tropical varieties of soybeans, which had been thought of as only a temperate zone crop.

“When I was working in India and Pakistan and the Near East countries in the 1960s and 1970s, nobody thought these soils were ever going to be productive,” Norman Borlaug, an American agronomist who won the Nobel Peace Prize for work that earned him the title “father of the Green Revolution,” said in a telephone interview from Iowa. “But Embrapa was able to put all the pieces together.”

As a result, Brazil is today the world’s top exporter of soybeans and beef and a fast-rising exporter of cotton, three-quarters of which it produces here in the cerrado. Encouraged by that success, Embrapa scientists have turned their attention to wheat. Brazil now imports most of its wheat from nearby countries with temperate climates.

“We think the potential is enormous,” said Roberto Teixeira Alves, general director of the cerrado research center at Embrapa. “We launched two new varieties of wheat with good yields just last year, and believe there is also a strong possibility of adapting barley to the region.”

Embrapa’s laboratory in Manaus, in the heart of the Amazon, has also been studying ways to make carbon sequestration more efficient. Scientists have been examining what are known as “Amazonian dark earth soils,” small, fertile islands that were built up by pre-Columbian Indian tribes and that have especially high concentrations of phosphorous.

“We don’t know why that should be, but we are trying to understand and reproduce that phenomenon so that we can benefit from it now,” said Wenceslau Teixeira, a soil scientist who is in charge of the effort. “These islands have especially stable levels of carbon, which helps retain nutrients and is thus both quite useful and hard to find in tropical soils.”

And although Brazil’s sugar-based ethanol program is largely focused elsewhere, Embrapa has an agro-energy division that is concentrating on ways to grow diesel fuel. Embrapa scientists have identified some 30 plants that could be used in such programs and are focusing on palm oil.

“Palm oil’s composition is one of the best for production of bio-fuels,” said Maria do Rosario Lobato Rodrigues, the director of the Manaus laboratory, where the research is based. “It has a high capacity to fix carbon, doesn’t require the use of chemical products to produce, and no part of the plant is ever wasted.”

Under Embrapa’s newly broadened definition of agriculture, nothing seems off limits, from a tropical hog that is lower in fat and cholesterol than its American counterpart and has a higher yield of loin and ham, to the extraction of bio-polymers from spiders. At the Embrapa executive dining room in Brasilia, there are even place mats made with varieties of natural cotton fibers, which, because they grow in shades of green and tan, could cut costs of dye stocks for textile manufacturers.

Getting adequate financing is always a problem for any public research institution in Brazil. Two years ago, though, the Brazilian Congress passed a law that allows Embrapa to profit from its research and has widened the agency’s ability to form joint ventures.

 

Lalo de Almeida for The New York Times

A nursery worker tended Cupuacu fruit.

 

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Lalo de Almeida for The New York Times

In Manaus, a chemist analyzed vegetal tissues.

“Being entrepreneurs is new for us, but we need to transform our knowledge into riches,” Silvio Crestana, Embrapa’s director-general and a soil-physics specialist, said in an interview in Brasilia. Beyond royalties, he said, the agency wants to attract venture capital.

Initially, most such agreements were with Brazilian companies. But Embrapa and BASF, the German chemical maker, recently announced a partnership to develop and market a genetically modified, herbicide-resistant soybean that is expected to be on the market by 2012 and will compete with Monsanto’s Roundup Ready brand.

With the support of multilateral lending and development bodies like the World Bank, Embrapa is also trying to raise its profile abroad. Although it has long had exchange programs that have brought scientists from Latin America, Africa and Asia to work at its laboratories, Embrapa only recently opened its first overseas office, in Ghana, headquarters of the Forum for Agricultural Research in Africa.

“This is a good and potentially important move, because there are plenty of places in Africa, such as Zambia, that have savannahs with soil and rain conditions similar to Brazil’s cerrado,” Mr. Borlaug said. “I think that soybeans and corn, together with beef production and improved pasture grasses for grazing, are all things that will be fit to transfer from Brazil.”

Like the Brazilian aircraft manufacturer Embraer, which has found a profitable niche selling commuter jets, Embrapa seems keen to focus on marketing the know-how it has developed in crops and products that are often ignored by research institutions in the industrialized countries of the Northern Hemisphere.

“Brazil has a comparative advantage through its own experience that is very relevant in a tropical context,” Mr. Cackler said. “To take one example, how many American universities are going to put much effort into cassava? It’s just not a priority for them. But tens of millions of people depend every day of their lives on cassava, so we at the World Bank are delighted that Brazil is willing to develop and transfer that technology.”