25/12/2008 - 20:30h Morre Prêmio Nobel de Literatura Harold Pinter

O Prêmio Nobel de Literatura britânico Harold Pinter morreu aos 78 anos, no Reino Unido, nesta quarta-feira (24)

Carl de Souza/AP
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O dramaturgo Harold Pinter, Nobel de Literatura de 2005, morreu aos 78 anos

Harold Pinter morreu de câncer aos 78 anos.

Pinter sofria de câncer no fígado há vários anos. “Era um grande homem e foi um privilégio viver com ele durante 33 anos”, disse sua mulher, Lady Antonia Fraser, ao jornal “The Guardian”.

Laureado com o Nobel em 2005, o prêmio recompensou um autor que, “em suas obras revela o precipício que se esconde sob a conversa fiada diária e força sua entrada no âmbito fechado da opressão”, afirmou o júri da Academia Sueca na ocasião.

“Nascido em 1930 em Londres, Pinter geralmente é considerado o maior expoente do teatro dramático inglês da segunda metade do século 20″, acrescentou a Academia.

Aos nove anos, foi retirado de Londres durante a Segunda Guerra Mundial e só retornou à cidade três anos mais tarde. A experiência dos bombardeios permaneceu indelével em sua memória, como admitiu muitas vezes.

Em 1957 estreou como dramaturgo com “The Room”. Uma de suas primeiras obras “The Birthday Party” (’A festa de aniversário’, 1957), inicialmente um fracasso, com o passar dos anos se tornou uma de suas peças mais encenadas.

Sua posição enquanto clássico moderno está ilustrada pela criação, a partir de seu nome, de um adjetivo que descreve uma forma de atmosfera e de um entorno particular nas peças de teatro: ‘pinteresque’.

Segundo o comunicado da Academia Sueca há três anos, “no cenário típico de Pinter estão seres que se defendem contra intrusões forâneas ou contra os próprios impulsos, entrincheirando-se em uma existência reduzida e controlada”.

“Outro tema principal é o caráter fugitivo e inalcançável do passado”, prosseguia a nota de anúncio do vencedor da Academia.

Desde 1973, Pinter também era conhecido como um fervoroso defensor dos direitos humanos.

Além disso, também escreveu novelas radiofônicas e roteiros para cinema e televisão. Entre seus trabalhos mais conhecidos nesta área estão ‘The Tailor of Panama’ (’O alfaite do Panamá’, 2001),’ The Handmaid’s Tale’ (1990), ‘Accident’ (1967), ‘The French Lieutenant’s Woman’ (’A mulher do tenente francês’,1981) ou ‘Breaking the Code’ (1996). (Fonte France Presse e Folha Online)

Harold Pinter abraçou causas e foi contra invasão do Iraque

PEDRO ALONSO da Efe, em Londres – Folha Online

O célebre dramaturgo britânico e eterno rebelde Harold Pinter, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 2005, morreu em Londres aos 78 anos após uma longa batalha contra o câncer.

A voz de Pinter, um dos escritores do Reino Unido mais influentes da segunda metade do século 20, se apagou para sempre nesta quarta-feira, segundo informou hoje sua segunda mulher, a também escritora Antonia Fraser.

Max Nash/AP
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Dramaturgo inglês Harold Pinter, ganhador do Nobel, morreu nesta quarta-feira

“Ele foi grande”, disse ela em uma breve declaração, na qual ressaltou que foi “um privilégio viver com ele durante 33 anos” e que Pinter “nunca será esquecido”.

A doença já impediu o dramaturgo este mês de ir a sua posse como doutor honoris causa na Central School of Speech and Drama de Londres.

O escritor ganhou vários prêmios, como a Legião de Honra da França, mas destacou-se acima de tudo pela conquista do Prêmio Nobel de Literatura em 2005.

Iraque

“Estou muito comovido. É algo que não esperava”, comentou um Pinter já com a saúde frágil na porta de sua casa em Londres, após saber de sua conquista do Nobel.

Por recomendação médica, Pinter não pôde assistir à cerimônia de entrega do prestigioso prêmio em Estocolmo, mas gravou seu discurso de aceitação, no qual, como vinha fazendo nos últimos anos, dedicou suas críticas políticas mais ácidas à Guerra do Iraque, na qual o Reino Unido foi fiel seguidor dos Estados Unidos.

“A invasão do Iraque foi um ato de bandidos, um ato de flagrante terrorismo de Estado que demonstrou um desprezo absoluto do conceito de normativa internacional”, afirmou Pinter, visivelmente débil e utilizando uma cadeira de rodas.

Sem papas na língua e mais rebelde do que nunca, o dramaturgo aproveitou o Nobel para pedir o processo do presidente dos EUA, George W. Bush, e do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair por crimes de guerra.

Durante sua vida, o autor, que se sentia obrigado a assumir uma posição política como “cidadão do mundo”, abraçou outras causas como o desarmamento nuclear, a defesa de Cuba frente ao embargo americano e a rejeição ao bombardeio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Sérvia em 1999.

Vida de prazer

Filho de um alfaiate judeu imigrante da Europa Oriental, Pinter nasceu em 10 de outubro de 1930 em Hackney, bairro popular do leste de Londres.

O gênio teatral teve um filho, Daniel, fruto de seu casamento com a atriz Vivien Merchant, de quem se divorciou em 1980 para casar-se com Antonia Fraser.

Pouco amigo dos eruditos tendentes ao excesso interpretativo de suas obras, Pinter dizia que sua vida literária era “uma vida de prazer, desafio e entusiasmo”.

Figura única

Após o anúncio da morte do artista, que descrevia a si próprio como “dramaturgo, diretor, ator, poeta e ativista político”, o mundo da cultura britânica chorou sua perda e exaltou seus talentos e méritos profissionais.

“Foi uma figura única no teatro britânico. Dominou a cena teatral desde os anos 50″, afirmou Alan Yentob, diretor da “BBC”.

Na opinião de Tim Walker, crítico do jornal “Sunday Telegraph”, Pinter “forneceu realismo” às artes cênicas mediante obras “com prolongados silêncios, nos quais os personagens nem sempre iam a algum lugar, como na própria vida real”.

Por sua vez, o amigo e autor de uma biografia sobre Pinter, Michael Billington, declarou-se “devastado” pela morte do dramaturgo, a quem descreveu como um “lutador” no terreno artístico e político.

Após publicar em 1957 sua primeira obra, “O Quarto”, Pinter iniciou uma carreira na qual escreveu 29 peças teatrais, mais de 20 roteiros para cinema (entre eles para o diretor americano Joseph Losey), uma infinidade de trabalhos radiofônicos e televisivos, poesia, ensaios, um romance e curtos relatos de ficção.

Entre títulos inesquecíveis de Pinter, pertencente à geração dos Jovens Irados britânicos, destacam-se peças teatrais como “The Birthday Party”, “The Caretaker” e “Old Times”.

Seu estilo peculiar, cheio de silêncios em dramas marcados por uma linguagem ambígua e, às vezes, cômica, mas que gera um ambiente de ameaça e alienação, se cunhou como “pinteresco”, adjetivo admitido pelo dicionário de inglês da Universidade de Oxford.

20/11/2008 - 19:22h Sarkozy plan for another economic conference annoys some diplomats

President Nicolas Sarkozy of France on Wednesday in Paris. (Pool photo by Eric Feferberg)

By Mark Landler – Herald Tribune

Published: November 20, 2008

French officials said the gathering Jan. 8 and 9, for which the former British prime minister, Tony Blair, was to be co-host, would be merely a conference, designed to bring together political leaders and prominent thinkers to discuss issues like globalization and the values of capitalism.

The surfeit of high-level meetings reflects what has become a tense trans-Atlantic contest over the global economy. Much of this is posturing by ambitious leaders, but it also reflects a genuine philosophical debate about how best to fix the fractured global markets.

On one side is Sarkozy, the supercharged French leader, determined to keep the initiative on what many in Europe regard as a long-overdue discussion of the excesses of American-style capitalism.

On the other is Bush, playing out his final weeks in office but unwilling to allow Europeans, especially the French, to dominate the debate on how to overhaul international financial regulations.

Certainly, the two leaders had sharply different interpretations of what happened in Washington. Sarkozy portrayed it as a shift in power, saying, “Europe for the first time expressed its clear determination.” Americans had “never, ever” been willing to negotiate these kinds of regulatory changes, he said.

Bush agreed that the meeting had been productive. But he noted that the leaders had reaffirmed the value of free markets, free trade and the primacy of national regulation – all hallmarks of American capitalism.

The timing of Sarkozy’s January meeting has ruffled feathers, even more than its agenda has, because the Group of 20 industrialized and emerging nations set out a detailed process for tackling regulatory reform. It assigned working groups to develop proposals on 47 issues, to be taken up later by the leaders, possibly in London.

At that meeting, the U.S. president-elect, Barack Obama will have a seat at the table. Obama will not, however, be in office during the Paris meeting, ensuring that the participants discuss the future of capitalism when the world’s leading practitioner of it is still in a transition.

Though the Élysée Palace, Sarkozy’s office, announced the meeting as an international summit meeting, his aides emphasized that it would be an informal gathering not connected to the G-20.

Among those planning to attend are two Nobel Prize-winning economists, Joseph Stiglitz and Amartya Sen. Blair is making contact with world leaders, aides said, adding that it was too soon to say which ones would attend.

“It’s a joint idea of Tony Blair and Nicolas Sarkozy; they have had it on their minds for a while,” said a French official, who, like other officials, spoke on condition of anonymity because he was not authorized to speak publicly.
WASHINGTON: President Nicolas Sarkozy of France left the summit meeting on the financial crisis here last weekend in a triumphal mood, declaring that it had tamed the animal spirits of American capitalism.

Then he went home and announced that he would hold his own summit meeting in a few weeks in Paris – on the same topic.

That has raised hackles in diplomatic circles, not just because the meeting appears to compete with a planned gathering of 20 world leaders next April. Sarkozy’s aggressive statements have put U.S. officials on edge, with some saying that he seems determined to turn the global crisis into a referendum on the ills of untrammeled capitalism.

“Sarkozy claimed he put a bell on the American cat,” said Simon Johnson, a former chief economist of the International Monetary Fund. “He said the U.S. had agreed to a whole range of negotiations on regulations. But he didn’t actually come in and negotiate any of these things.”

Making matters worse, Sarkozy said nothing about his plans to convene a meeting to President George W. Bush or the 18 other leaders while he was in Washington. A senior European diplomat said he found the French proposal “amazing,” while an American official said that would be a charitable description of it.

Sarkozy has had many ideas. He proposed the meeting last weekend, though Bush rejected his idea of holding the talks in New York. American officials said it was Bush’s idea to expand the guest list to 20 countries, rather than the usual gathering of seven or eight.

The common ground between Europe and the United States is greater than these public statements suggest. The United States has shown a willingness to accept regulation of a wide range of institutions and markets, including credit default swaps – a form of bond insurance – and possibly private equity firms and hedge funds, that are not now regulated.

“People may have been surprised by the U.S. willingness to cooperate on issues,” said David McCormick, undersecretary of the Treasury for international affairs.

Although the French favor a strong state role in the economy and are partial to regulatory agencies with cross-border authority, they did not propose such measures at the talks in Washington. That was mainly because Britain and Germany had earlier resisted a supranational regulator.

Katrin Bennhold contributing reporting from Paris.

22/05/2008 - 14:39h Bundas e peitos

KENNETH MAXWELL

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DIZ-SE QUE OS homens brasileiros prestam mais atenção às bundas do que aos peitos. Não é este o caso aqui no Reino Unido. Os peitos vencem as bundas em todas as disputas. E peitos eram assunto em destaque na imprensa durante esta semana.

A Corte de Apelações invalidou a condenação de um homem gay que vinha filmando outros homens secretamente no vestiário de uma piscina. Os juízes declararam que contemplar peitos masculinos era legal, mas o mesmo não se aplicava aos seios femininos, nos termos da legislação de combate aos crimes sexuais adotada em 2003. Apenas o peito feminino, determinou o tribunal, pode ser considerado como uma “parte íntima”. O juiz Hughes determinou que a “intenção do Parlamento era referente ao peito de uma mulher, e não ao peito masculino exposto”.

Curiosamente, as colunas de obituários estavam ao mesmo tempo exibindo fotos de um dos mais famosos peitos masculinos da história do cinema, o de John Phillip Law, que morreu aos 70 anos em Los Angeles. Law é lembrado especialmente como o anjo cego Pygar, em “Barbarella”, a obra-prima kitsch que Roger Vadim dirigiu em 1968. Dino de Laurentiis havia escalado Law, um belo californiano loiro e de físico imponente, como o anjo protetor, alado e seminu, da heroína intergaláctica e sexualmente insaciável interpretada por Jane Fonda.

Tudo isso se justapunha a colunas de fofocas nas quais muita gente batia no peito diante das espalhafatosas memórias de Cherie Blair, mulher do antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair. A sra. Blair é uma advogada poderosa e ambiciosa e, de modo bem parecido ao da senadora Hillary Clinton, subordinou suas ambições às de seu poderoso marido. Agora, chegou a sua vez de brilhar. Entre as revelações da sra. Blair: ela foi para a cama com Tony no primeiro encontro, ainda que estivesse saindo com dois outros homens à mesma época. O filho mais moço do casal foi concebido porque ela considerava que levar camisinhas ao palácio de Balmoral, uma das residências da rainha, na Escócia, não seria uma boa idéia, dada a possibilidade de que os criados abrissem suas malas e ficassem chocados.

E assim por diante. Essa imagem de “bater no peito” é, claro, uma invocação bíblica. Em Jeremias, 9:17, ela invoca mulheres que são pagas para expressar pesar.

Muito apropriado à situação atual da sra. Clinton. Mas, em Isaías, 32:12, “batei no peito” é pretendido como estímulo ao crescimento de vinhas frutíferas, o que parece mais apropriado à sra. Blair, caso suas memórias, como as da sra. Clinton, venham a se tornar um best-seller.


KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna. FOLHA DE SÃO PAULO
Tradução de PAULO MIGLIACCI

26/06/2007 - 09:50h Quem é Gordon Brown?

Por Ian Davidson*
26/06/2007

Por fim, Gordon Brown está assumindo o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido de Tony Blair, alcançando, assim, a ambição de toda a sua vida, como se por direito. Este é seu primeiro problema. Ele não foi eleito por ninguém – nem pelo Partido Trabalhista e nem pelos eleitores britânicos; simplesmente recebeu uma herança que há muito tempo imaginava ser seu direito.

Como, então, Brown adquirirá legitimidade como novo líder do Reino Unido? Uma coisa que está clara é que ele não conquistará legitimação se apenas oferecer mais daquilo que Blair tem nos servido nos últimos dez anos.

O segundo problema de Brown é reflexo do primeiro. Na condição de membro do alto escalão do governo, Brown, ao longo do seu mandato, compartilha a responsabilidade por tudo o que Blair fez. Comentaristas políticos às vezes alegam detectar diferenças importantes nas suas atitudes políticas latentes. Na prática, porém, Brown permaneceu nas sombras, habilmente gerindo a economia, mas se manteve calado e enigmático em torno de temas políticos vitais e aparentemente endossando tudo o que Blair fez.

Se Brown quiser conquistar legitimidade, precisará oferecer algo novo. Entretanto, ele só poderá fazer isso distinguindo-se do legado de Blair de formas claramente perceptíveis e, portanto, bem radicais. Esta será uma proeza difícil de executar.

Possivelmente a questão doméstica isolada mais importante que Brown enfrenta diz respeito à sua posição na balança entre o livre mercado e as exigências de política social.

O governo de Blair fez o Partido Trabalhista percorrer um longo caminho à direita das suas prioridades tradicionais de proteção aos desprivilegiados e, para justificar a mudança, ele mudou o nome do partido para “Novo Partido Trabalhista”.

Sob muitos aspectos, o apoio do governo Blair às políticas de livre mercado acabou se transformando em uma mudança produtiva e perspicaz. A economia do Reino Unido cresceu mais regularmente e mais velozmente do que tem feito por várias gerações, e a receita de impostos gerada por esse crescimento permitiu ao governo canalizar dinheiro para a Educação e para o Serviço Nacional de Saúde. Mas isso foi obtido a um preço, ou melhor, vários preços.

Primeiro, a desigualdade aumentou nos dois extremos da escala de renda. Na parte de baixo, a proporção da população com renda abaixo da linha de pobreza aumentou de 13% no começo do governo Blair para 20% agora. Esta situação é muito mais grave entre minorias étnicas. Além disso, apesar dos esforços do governo, a pobreza infantil também aumentou sob Blair.

Não se sabe se Brown entende que existe diferença entre ser amigo próximo dos EUA e entrar numa guerra ilegal e desastrosa para agradar George W. Bush

No topo, as rendas dos mega-ricos dispararam, com repercussões previsíveis, especialmente no mercado imobiliário. A preocupação pública em torno desta questão foi agravada por afirmações de que os ricos enriquecem mais pagando menos impostos.

Houve uma época em que se acreditava que Brown seria um entusiasta dos valores tradicionais do Partido Trabalhista. Era verdade? É verdade agora? O que ele dirá sobre a desigualdade? Leia mais no jornal Valor (para assinantes)

*Ian Davidson é consultor e colunista do Centro de Política Européia em Bruxelas e ex-colunista do “Financial Times”. Seu livro mais recente é “Voltaire in Exile” (Voltaire no Exílio). © Project Syndicate/Europe´s World, 2007. www.project-syndicate.org

10/05/2007 - 13:56h Tony Blair, un bel espoir balayé par l’Irak et l’argent

ROYAUME-UNI • Alors que le Premier ministre britannique devait annoncer cette semaine la date de son départ, l’heure est au bilan de ses dix années de pouvoir. Pour l’hebdomadaire de gauche New Statesman, il est plus que contrasté.

Tony Blair n’a pas su s’arrêter à temps : il aurait dû partir fin 2003, dès que l’absence d’armes de destruction massive en Irak a été confirmée. De nombreux dirigeants ont été obligés de se retirer pour moins que cela. Tony Blair a préféré s’accrocher. Il a survécu aux rapports Hutton* et Butler**, mais dépouillé du prestige dont il jouissait en Grande-Bretagne et dans le reste du monde.


Ces trois dernières années sont un gâchis, une démonstration de vanité politique. En mai 1997, pour marquer l’accession du New Labour au pouvoir, nous avions écrit : “Tony Blair sera sans doute le meilleur Premier ministre depuis Churchill.” Dans l’euphorie de cette victoire écrasante, tout semblait possible. La gauche radicale avait depuis longtemps intégré l’idée que gouverner consiste à maîtriser l’art du compromis, notamment dans un système électoral faussé par des électeurs indécis.Mais l’une des choses les plus regrettables de l’ère Blair est que notre Premier ministre considère toute personne préoccupée par les libertés civiques, l’Etat de droit, la redistribution des richesses et la pauvreté au mieux comme une gêne, au pire comme un ennemi intérieur.

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