22/05/2008 - 14:39h Bundas e peitos

KENNETH MAXWELL

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DIZ-SE QUE OS homens brasileiros prestam mais atenção às bundas do que aos peitos. Não é este o caso aqui no Reino Unido. Os peitos vencem as bundas em todas as disputas. E peitos eram assunto em destaque na imprensa durante esta semana.

A Corte de Apelações invalidou a condenação de um homem gay que vinha filmando outros homens secretamente no vestiário de uma piscina. Os juízes declararam que contemplar peitos masculinos era legal, mas o mesmo não se aplicava aos seios femininos, nos termos da legislação de combate aos crimes sexuais adotada em 2003. Apenas o peito feminino, determinou o tribunal, pode ser considerado como uma “parte íntima”. O juiz Hughes determinou que a “intenção do Parlamento era referente ao peito de uma mulher, e não ao peito masculino exposto”.

Curiosamente, as colunas de obituários estavam ao mesmo tempo exibindo fotos de um dos mais famosos peitos masculinos da história do cinema, o de John Phillip Law, que morreu aos 70 anos em Los Angeles. Law é lembrado especialmente como o anjo cego Pygar, em “Barbarella”, a obra-prima kitsch que Roger Vadim dirigiu em 1968. Dino de Laurentiis havia escalado Law, um belo californiano loiro e de físico imponente, como o anjo protetor, alado e seminu, da heroína intergaláctica e sexualmente insaciável interpretada por Jane Fonda.

Tudo isso se justapunha a colunas de fofocas nas quais muita gente batia no peito diante das espalhafatosas memórias de Cherie Blair, mulher do antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair. A sra. Blair é uma advogada poderosa e ambiciosa e, de modo bem parecido ao da senadora Hillary Clinton, subordinou suas ambições às de seu poderoso marido. Agora, chegou a sua vez de brilhar. Entre as revelações da sra. Blair: ela foi para a cama com Tony no primeiro encontro, ainda que estivesse saindo com dois outros homens à mesma época. O filho mais moço do casal foi concebido porque ela considerava que levar camisinhas ao palácio de Balmoral, uma das residências da rainha, na Escócia, não seria uma boa idéia, dada a possibilidade de que os criados abrissem suas malas e ficassem chocados.

E assim por diante. Essa imagem de “bater no peito” é, claro, uma invocação bíblica. Em Jeremias, 9:17, ela invoca mulheres que são pagas para expressar pesar.

Muito apropriado à situação atual da sra. Clinton. Mas, em Isaías, 32:12, “batei no peito” é pretendido como estímulo ao crescimento de vinhas frutíferas, o que parece mais apropriado à sra. Blair, caso suas memórias, como as da sra. Clinton, venham a se tornar um best-seller.


KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna. FOLHA DE SÃO PAULO
Tradução de PAULO MIGLIACCI

26/06/2007 - 09:50h Quem é Gordon Brown?

Por Ian Davidson*
26/06/2007

Por fim, Gordon Brown está assumindo o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido de Tony Blair, alcançando, assim, a ambição de toda a sua vida, como se por direito. Este é seu primeiro problema. Ele não foi eleito por ninguém - nem pelo Partido Trabalhista e nem pelos eleitores britânicos; simplesmente recebeu uma herança que há muito tempo imaginava ser seu direito.

Como, então, Brown adquirirá legitimidade como novo líder do Reino Unido? Uma coisa que está clara é que ele não conquistará legitimação se apenas oferecer mais daquilo que Blair tem nos servido nos últimos dez anos.

O segundo problema de Brown é reflexo do primeiro. Na condição de membro do alto escalão do governo, Brown, ao longo do seu mandato, compartilha a responsabilidade por tudo o que Blair fez. Comentaristas políticos às vezes alegam detectar diferenças importantes nas suas atitudes políticas latentes. Na prática, porém, Brown permaneceu nas sombras, habilmente gerindo a economia, mas se manteve calado e enigmático em torno de temas políticos vitais e aparentemente endossando tudo o que Blair fez.

Se Brown quiser conquistar legitimidade, precisará oferecer algo novo. Entretanto, ele só poderá fazer isso distinguindo-se do legado de Blair de formas claramente perceptíveis e, portanto, bem radicais. Esta será uma proeza difícil de executar.

Possivelmente a questão doméstica isolada mais importante que Brown enfrenta diz respeito à sua posição na balança entre o livre mercado e as exigências de política social.

O governo de Blair fez o Partido Trabalhista percorrer um longo caminho à direita das suas prioridades tradicionais de proteção aos desprivilegiados e, para justificar a mudança, ele mudou o nome do partido para “Novo Partido Trabalhista”.

Sob muitos aspectos, o apoio do governo Blair às políticas de livre mercado acabou se transformando em uma mudança produtiva e perspicaz. A economia do Reino Unido cresceu mais regularmente e mais velozmente do que tem feito por várias gerações, e a receita de impostos gerada por esse crescimento permitiu ao governo canalizar dinheiro para a Educação e para o Serviço Nacional de Saúde. Mas isso foi obtido a um preço, ou melhor, vários preços.

Primeiro, a desigualdade aumentou nos dois extremos da escala de renda. Na parte de baixo, a proporção da população com renda abaixo da linha de pobreza aumentou de 13% no começo do governo Blair para 20% agora. Esta situação é muito mais grave entre minorias étnicas. Além disso, apesar dos esforços do governo, a pobreza infantil também aumentou sob Blair.

Não se sabe se Brown entende que existe diferença entre ser amigo próximo dos EUA e entrar numa guerra ilegal e desastrosa para agradar George W. Bush

No topo, as rendas dos mega-ricos dispararam, com repercussões previsíveis, especialmente no mercado imobiliário. A preocupação pública em torno desta questão foi agravada por afirmações de que os ricos enriquecem mais pagando menos impostos.

Houve uma época em que se acreditava que Brown seria um entusiasta dos valores tradicionais do Partido Trabalhista. Era verdade? É verdade agora? O que ele dirá sobre a desigualdade? Leia mais no jornal Valor (para assinantes)

*Ian Davidson é consultor e colunista do Centro de Política Européia em Bruxelas e ex-colunista do “Financial Times”. Seu livro mais recente é “Voltaire in Exile” (Voltaire no Exílio). © Project Syndicate/Europe´s World, 2007. www.project-syndicate.org

10/05/2007 - 13:56h Tony Blair, un bel espoir balayé par l’Irak et l’argent

ROYAUME-UNI • Alors que le Premier ministre britannique devait annoncer cette semaine la date de son départ, l’heure est au bilan de ses dix années de pouvoir. Pour l’hebdomadaire de gauche New Statesman, il est plus que contrasté.

Tony Blair n’a pas su s’arrêter à temps : il aurait dû partir fin 2003, dès que l’absence d’armes de destruction massive en Irak a été confirmée. De nombreux dirigeants ont été obligés de se retirer pour moins que cela. Tony Blair a préféré s’accrocher. Il a survécu aux rapports Hutton* et Butler**, mais dépouillé du prestige dont il jouissait en Grande-Bretagne et dans le reste du monde.


Ces trois dernières années sont un gâchis, une démonstration de vanité politique. En mai 1997, pour marquer l’accession du New Labour au pouvoir, nous avions écrit : “Tony Blair sera sans doute le meilleur Premier ministre depuis Churchill.” Dans l’euphorie de cette victoire écrasante, tout semblait possible. La gauche radicale avait depuis longtemps intégré l’idée que gouverner consiste à maîtriser l’art du compromis, notamment dans un système électoral faussé par des électeurs indécis.Mais l’une des choses les plus regrettables de l’ère Blair est que notre Premier ministre considère toute personne préoccupée par les libertés civiques, l’Etat de droit, la redistribution des richesses et la pauvreté au mieux comme une gêne, au pire comme un ennemi intérieur.

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