19/10/2009 - 20:23h Palocci diz que site de Marta abordará temas ignorados por mídia tradicional

da Folha Online

O site idealizado pela ex-ministra Marta Suplicy entrou no ar por volta das 19h de hoje. É o M Post, inspirado na experiência da norte-americana Arianna Huffington, democrata que ajudou a alavancar a eleição do presidente Barack Obama.
Na estreia, o site traz um depoimento em vídeo do deputado Antonio Palocci (PT-SP). No vídeo, Palocci diz que o site de Marta abordará temas que são ignorados por mídia tradicional.

“Marta sempre esteve à frente do seu tempo.[...] Na política, surpreendeu ao fazer o Congresso discutir os direitos de pessoas do mesmo sexo. [...] Como prefeita, provou sua coragem ao enfrentar a máfiaa do transporte. [...] Agora, na onda da internet, propõe um novo avanço: um espaço digital, interativo, de inforamção e pluralista, de debates ignorados por mídia tradicional”, diz ele.

Também em vídeo, Marta fala do site. “Sem a intenção de competir com outras mídias e pluralista na produção de conteúdo, o M Post será um veículo centrado em notícias, debater e propor reflexões”, diz a petista em vídeo no YouTube.

21/06/2009 - 19:54h Blogs fazem pessoas escreverem mais e pior, diz Saramago

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“Cuido de um post como de um romance”, afirma o escritor português José Saramago

EFE – FOLHA ONLINE

O escritor português José Saramago, que está prestes a publicar um livro com os artigos que escreveu em seu blog, diz acreditar que com o crescimento desse tipo de espaço na internet “está se escrevendo mais, embora pior”. “A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena se preocupar com a qualidade do que se escreve”, disse Saramago em entrevista publicada hoje pelo jornal argentino “Clarín”.

O escritor português reuniu os artigos publicados durante os seis primeiros meses de sua atividade como blogueiro em “Caderno de Saramago”, um livro vetado na Itália por Silvio Berlusconi e que reflete o espírito crítico de seu autor.

“Pessoalmente cuido tanto do texto de um blog como de uma página de romance”, disse o Nobel português, de 86 anos e que apresentará o livro em um encontro com blogueiros aberto a internautas de todo o mundo, no próximo dia 25, em Lisboa.

Quanto a seu blog (http://caderno.josesaramago.org/), o escritor disse que não destina ao espaço “nenhuma ideia em particular”, para depois expressar que “os sismógrafos não escolhem os terremotos, reagem aos que vão ocorrendo, e o blog é isso, um sismógrafo”.

“Aqueles que me leem sabem que podem encontrar-se a cada dia diante de algo totalmente inesperado”, reforçou Saramago, que respondeu às perguntas do diário argentino por e-mail da Espanha, onde mora.

O autor de “O Evangelho segundo Jesus Cristo” também sustentou que não teve de lidar com a situação de criar textos que tivesse medo de publicar, e avaliou que “se o blog é um espaço para a reflexão, não deve surpreender que ilumine aquele que o escreve”.

16/04/2009 - 16:43h Uma longa caminhada à procura da ética

Davilym Dourado / Valor

Costa convida para uma jornada em que o leitor, já exausto com o peso do arcabouço teórico, pode ficar perplexo com o que lhe é dito na reta de chegada

“Ética, Jornalismo e Nova Mídia” – Caio Túlio Costa.

Por Matías M. Molina, para o Valor, de S. Paulo

Jorge Zahar 287 páginas. R$ 39,90

O autor parte do princípio de que a mudança nas comunicações que levou ao surgimento de uma nova mídia, a mídia digital, exige a rediscussão da ética no jornalismo. Como detecta um vácuo na formação do jornalista, “no que toca à ética e à moral na perspectiva da história do conhecimento”, ele se oferece a fornecer um “instrumental teórico” e explorar “um itinerário normativo”, para “se entender funcionalmente a profissão de jornalista”. E convida o leitor “a percorrer o caminho que funda o jornalismo e a comunicação”.

Em sua trajetória profissional Caio Túlio Costa esteve nos dois lados do balcão do setor de comunicação. Foi o primeiro “ombudsman” da “Folha de S. Paulo”, diretor-geral do Universo Online e presidente do Internet Group. Como professor de Ética na Faculdade Cásper Líbero, tem também um pé na Academia. É uma experiência que o credencia, como a poucos, para discutir as questões éticas apresentadas neste livro, cuja origem é a tese de doutorado defendida no ano passado.

O leitor que aceitar o convite de Costa para acompanhá-lo nessa caminhada deve preparar-se para uma jornada longa e árida. Vai enfrentar uma peregrinação ao longo de citações e conceitos abstratos de filosofia, a epistemologia, a lógica e a ética, durante a qual o autor exibe enorme erudição. Ele avisa que sua intenção não é dizer como o jornalismo deve ser praticado, mas analisar como é praticado.

Foram convocados, para discutir a ética no jornalismo, filósofos como Descartes, Spinoza, Sócrates, Epícuro, Montaigne, Kant, Wittgenstein, Adorno. Além de Velázquez, Sófocles, Maquiavel, Balzac, Shakespeare, Janet Malcolm, Karl Kraus, Max Weber. E também Marilena Chauí, Sérgio Paulo Rouanet e Mario Sergio Cortella. E dezenas de outros nomes.

Costa examina temas como a representação do quadro “Las Meninas”, de Velázquez, a mitificação do julgamento de Sócrates e a ambiguidade moral de muitas situações. Mostra como a realidade pode ser enganadora sob o véu das aparências. Ao tratar da objetividade, um assunto continuamente debatido pela imprensa, ele exibe argumentos de vários lados para concluir que não é possível ser objetivo, imparcial ou neutro. O que talvez seja correto. Mas para um jornalista, na vida real, deixando de lado os conceitos abstratos, ainda valem os princípios que o jornal “Le Monde” adotou ao ser fundado: “A objetividade não existe. Mas a honestidade, sim” e “A verdade, custe o custar. Sobretudo se custar”. Talvez não seja possível ao jornalista ser objetivo, mas vale a pena tentar ser isento.

O peregrino, que desde o início da viagem carrega um arcabouço teórico cada vez mais pesado e que nem sempre consegue relacionar com a teoria ou a prática do jornalismo, pode sentir a tentação de desistir no meio da jornada. No final deste recorrido em busca da ética, o andarilho, além de exausto, pode ficar perplexo na reta de chegada. Costa afirma que em nenhum momento a ética se distancia do fazer jornalístico. Mas um exemplo que coloca é controvertido. Escreve que foi questionado num programa televisivo a respeito do comentarista de economia que fazia propaganda de um banco e continuava emitindo análises sobre o sistema financeiro. Não respondeu diretamente, mas indiretamente justificou essa prática. Disse que nos “laptops” dos entrevistadores estava o logotipo do fabricante, que a emissora de TV acolhia publicidade no intervalo dos programas e que não há como fugir da realidade de que todo ou parte do salário dos jornalistas provém dos anúncios. Ele deixou de avaliar, porém, até que ponto esse jornalista estava em condições de, se fosse necessário, contrariar, em suas matérias, os interesses do banco que lhe pagava para falar bem dele nos anúncios. Ou se, ao aceitar fazer diretamente a publicidade, o jornalista não estava, de maneira implícita, passando um atestado de confiança a esse banco. Há, no mínimo, nessa atitude, uma ambiguidade ética difícil de explicar.

O livro contém algumas imprecisões. Afirma, por exemplo, que por ocasião do atentado em várias estações de trem de Madri, o telefone celular foi usado para avisar que a velha mídia veiculava a informação falsa, dada pelo primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, de que o grupo separatista basco ETA era o autor das explosões. Pelo celular, diz Costa, os espanhóis derrubaram uma mentira, o que ajudou a derrotar o candidato favorito de Aznar nas eleições e forçou o governo a retirar as tropas espanholas do Iraque. Na verdade, o atentado se deu numa única estação de trem de Madri, a de Atocha. Os principais veículos a corrigir e difundir a falsidade da informação de Aznar, e aos quais se atribuiu na ocasião a vitória do partido socialista, faziam parte da “mídia velha”: a cadeia de rádio SER, a maior da Espanha, e “El País”, o jornal de maior circulação, que pertencem ao mesmo grupo empresarial. O papel do telefone celular foi importante, mas não decisivo. As tropas não foram retiradas do Iraque por Aznar, mas pelo governo socialista, cumprindo uma promessa da campanha eleitoral.

Enganos como esses são talvez inevitáveis, dada a quantidade de informação que o autor colocou no livro. A caminhada a que ele convida é longa e, com frequência, exaustiva. Mas pode ajudar a olhar por trás das aparências e a rever conceitos.

24/03/2009 - 19:23h Mostrando a língua

Sergio Leo, aquele jornalista latifundiário, soltou a língua no seu sitio.

Após nos fazer sonhar com seu homérico périplo, aconselha um blog para os que desejam aprender ou melhorar idiomas.

Como meu problema principal é minha dificuldade com o português, enquanto alguns de vocês viajam pelo link que Sergio Leo indica, eu aproveito é fico no sitio dele, melhorando assim meu aprendizado da língua de Camões (o que também farei comprando e lendo seu livro Mentiras do Rio. Juro que é verdade, “leo” alors!). LF

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Parlez français!!! Allors!!

Sitio do sergio leo

Por muito tempo, relutei em fazer um curso de francês. lamentava não saber a língua, mas achava que lamentaria ainda mais a perda de tempo caso aprendesse e mal tivesse opportundiade de usar.Tive poucos incidentes pela ignorância. Uma vez em Arles em que pedi o petit dejeuneur quando queria pedir le dessert, e a simpática dona do retaurante caseiro ficou me olhando incrédula, perguntando-se que diabos aquele estrangeiro que acabara de se encher de comida queria dizer, pedindo o café da manhã em vez da sobremesa. Outra vez em que quase briguei com um taxista, porque, ao discutir com ele, em vez de dizer “pardon?” por não ter entendido alguma coisa, eu disse “comment?”, que soa bem mais agressivo. TIve mais um ou outro desentendimento ligeiro.Pior mesmo foi em italiano, em Veneza, ao chegar na estação de trem de uma cidade que a Marta dizia ser Veneza Mestre e eu, muito seguro, garantia não ser nosso ponto final, porque todas as placas à vista diziam claramente ser outro vilarejo, um tal de Uscita.”Saída”, em italiano, era o que estava escrito nas placas.

Depois de uma sucessão de viagens, em que o frances me fez falta, acompanhando o Lula na África, participando de seminário em Bruxelas, correndo para pegar notícia atrás do Pascal Lamy em vários lugares, decidi aprender alguma coisa, pelo menos para quebrar um galhinho lingústico. Tive aulas particulares com mademosielle Sylvie Souvestre, que, aliás, é personagem de um dos contos do meu livro que sai em julho, o Mentiras do Rio (que vergonha, Sergio Leo, nessa idade fazendo auto-merchandising).

Pois a Sylvie, que não tem culpa no péssimo francês que sou capaz de balbuciar, fez um blogue, para quem se interessa em aprender ou melhorar a língua. Vale, no mínimo para ter acesso a coisas boas que acontecem na Internet. E, quem sabem, para puxar uma conversa com a Carla Bruni, se ela der sopa em alguma nova viagem pelo Brasil. Enquanto ela não aponta a porta da uscita, claro.

O blogue da Sylvie é esse AQUI.

23/03/2009 - 08:57h O Eu diário

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Nicholas D. Kristof – The New York Times – O Estado SP

Alguns obituários hoje em dia não estão nos jornais, mas são de jornais. O Seattle Post-Intelligencer é o falecido mais recente, exceto por um remanescente que existirá apenas no ciberespaço. E o público está buscando cada vez mais suas notícias, não nas redes de televisão abertas ou na imprensa escrita, mas garimpando online.

Quando vamos para a internet, cada um de nós se torna seu próprio editor, seu próprio vigia. Nós selecionamos o tipo de notícia e de opiniões que mais nos interessam.

Nicholas Negroponte, do Massachussets Institute of Technology (MIT), chamou esse produto noticioso emergente de The Daily Me (O Eu Diário, em tradução literal). E, se essa é a tendência, que Deus nos proteja de nós mesmos.

É por isso que há excelentes evidências de que nós geralmente não queremos de fato boa informação ? mas, antes, informação que confirme nossos preconceitos. Podemos acreditar intelectualmente no choque de opiniões, mas, na prática, gostamos de nos abrigar no útero reconfortante de uma câmara de eco.

Um estudo clássico enviou mailings a republicanos e democratas oferecendo-lhes vários tipos de pesquisa política, ostensivamente de uma fonte neutra. Ambos os grupos se mostraram mais propensos a receber argumentos inteligentes que corroborassem fortemente suas visões preexistentes.

Houve também um modesto interesse em receber argumentos manifestamente tolos das visões do outro partido (nos sentimos bem quando podemos caricaturar os outros caras como estúpidos). Mas houve pouco interesse para encontrar argumentos sólidos que pudessem minar nossa própria posição.

Essa descoberta geral foi reproduzida repetidamente, como observou o ensaísta e escritor Farhad Manjoo em seu livro sensacional no ano passado: “True Enough: Learning to Live in a Post-Fact Society” (Verdade em termos: aprendendo a viver numa sociedade pós-fato, em tradução livre).

Permitam-me tirar uma coisa do caminho: eu mesmo às vezes sou culpado de uma busca da verdade seletiva na internet. O blog a que recorro para insights sobre o noticiário do Oriente Médio é, com frequência, o do professor Juan Cole, porque ele é inteligente, bem informado e sensato ? em outras palavras, eu frequentemente concordo com ele. Sou menos propenso a ver o blog de Daniel Pipes, outro especialista em Oriente Médio que é inteligente e bem informado ? mas que me parece menos sensato, em parte porque em geral discordo dele.

O efeito do The Daily Me seria nos isolar ainda mais em nossas próprias câmaras políticas hermeticamente fechadas. Um dos livros mais fascinantes do ano passado foi “The Big Sort: Why the Clustering of Like-Minded America is Tearing Us Apart” (A grande seleção: por que o agrupamento dos EUA que pensam igual está nos esfacelando, em tradução livre), de Bill Bishop. Ele argumenta que os americanos estão se segregando cada vez mais em comunidades, clubes e igrejas em que estão rodeados por pessoas que pensam como eles.

Quase metade dos americanos vive hoje em condados que votam esmagadoramente ou em democratas ou em republicanos, diz ele. Nos anos 1960 e 1970, em eleições nacionais igualmente disputadas, somente cerca de um terço vivia em condados com essa característica.

“A nação se torna mais politicamente segregada ? e o benefício que deveria advir de uma diversidade de opiniões é perdido para a correção que é a prerrogativa especial de grupos homogêneos”, escreve Bishop.

Um estudo envolvendo 12 nações revelou que os americanos são os menos propensos a discutir política com pessoas de visões diferentes, e isso foi particularmente verdade para os bem educados. Os alunos que abandonaram o segundo grau tiveram o grupo mais diversificado de colegas de discussão, enquanto os egressos de universidades trataram de se proteger de perspectivas desconfortáveis.

O resultado disso é polarização e intolerância. Cass Sunstein, um professor de Direito de Harvard que agora trabalha para o presidente Barack Obama, realizou uma pesquisa mostrando que quando liberais ou conservadores discutem questões como ação afirmativa ou mudança climática com pessoas que pensam da mesma maneira, suas visões se tornam rapidamente mais homogêneas e mais extremadas do que antes da discussão.

Por exemplo, alguns liberais, em um estudo, inicialmente se preocupavam com a possibilidade de que ações sobre a mudança climática pudessem prejudicar os pobres, enquanto alguns conservadores foram simpáticos a uma ação afirmativa. Mas, após discutirem a questão com pessoas de pensamentos parecidos por apenas 15 minutos, os liberais ficaram mais liberais e os conservadores mais conservadores.

O declínio da mídia noticiosa tradicional acelerará a ascensão de The Daily Me, e nós ficaremos menos irritados com o que lemos e teremos a nossa sabedoria confirmada com mais frequência. O perigo é que essas “notícias” selecionadas por nós mesmos atuam como narcóticos, nos embalando num estupor autoconfiante pelo qual percebemos em pretos e brancos um mundo que tipicamente se desenrola em cinzentos.

Então, qual é a solução? Deduções fiscais para liberais que assistirem a Bill O?Reilly ou conservadores que assistirem a Keith Olbermann? Não, até que Obama nos dê um serviço de saúde universal, não podemos nos arriscar a um forte aumento nos ataques cardíacos.

Então, a única maneira de avançar talvez seja cada um de nós se esforçar para elaborar intelectualmente com parceiros adversários cujas visões deplora. Pense nisso como um exercício mental diário análogo a uma ida à academia; se você não malhar até suar, não conta.

Agora me deem licença que vou ler a página editorial do Wall Street Journal.

*Nicholas D. Kristof é colunista do The New York Times

11/03/2009 - 14:07h O blog com endereço

Ontem o número de leitores do blog superou no dia a marca dos 10.000.

Alguns dos frequentadores deste espaço manifestaram o desejo de poder me enviar e-mail sem passar pelo espaço dos comentários. Um contato mais direto e menos público.

Ao mesmo tempo tenho percebido que algum mal intencionado tem aberto contas e-mail utilizando meu nome ou o nome do blog.

Por isso decidi introduzir um endereço, o único, para os leitores do blog que desejem entrar em contato comigo. LF

blogdofavre@ig.com.br   

10/03/2009 - 20:24h Bat-mulher sai do armário

Detective Comics #854, Pages 2 and 3
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A DC Comics divulgou desenhos com a personagem Bat-Mulher em ação.

 

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Referência a um personagem do período pré-crise, a mulher-morcego tem chamado atenção da mídia pela sua opção sexual. Ela é lésbica e já teve um caso com a policial René Montoya. Alguns sites e fóruns deixaram de lembrar o quanto os quadrinhos eram pouco abertos a esse tipo de abordagem há não muito tempo.Estrela Polar da Marvel demorou anos até assumir sua homossexualidade de vez nos quadrinhos e mesmo na DC Comics os gays eram sempre coadjuvantes e nunca protagonistas de uma história.Aparentemente, a DC Comics tem seguido firme nesse caminho ao retratar outros de seus personagens de etnias diferentes da norte-americana, como é o caso dos novos Besouro Azul (de etnia latina) e Eléktron (de etnia asiática). Nada mais que a obrigação de um meio que nasceu para ser um espelho de seu tempo e não reservatório de idéias conservadoras e ultrapassadas. Vale lembrar que o preconceito se estendeu não apenas a preferências sexuais, mas também de etnia, gênero e religião (que ainda hoje não foi superado, com religiões desenvolvendo seus próprios personagens pela falta de representatividade nos comics).

Blogman já foi o “Batboy”, mas caiu fora no dia de conhecer a batcaverna. Fala sério…

Fonte Melhoresdomundo.net

Una de las viñetas de la nueva entrega de Batwoman

Batwoman sale del armario

La superheroína del cómic renacerá en julio bajo su nueva condición de lesbiana

TONI GARCÍA – Barcelona – El País

Kathy Kane declaró públicamente su homosexualidad en 2006, al conocerse que fue amante de la detective Renee Montoya. La noticia provocó un alud de comentarios (a favor y en contra) y en pocos días más de medio millón de entradas en la Red se ocupaban del tema. No tendría mayor importancia si no fuera porque Kathy Kane es en realidad el álter ego de Batwoman; Renee Montoya trabajaba en la comisaría de Gotham, y todo lo anterior es cierto únicamente en las páginas de sus respectivos cómics.

El lesbianismo de la superheroína llegó a ocupar espacio en periódicos como The New York Times o Washington Post y cadenas televisivas como la NBC o la CNN, e hizo comprender a la veterana editorial DC Comics el potencial que tenía el personaje, y por qué no decirlo, su identidad sexual.

Tres años después, la editorial estadounidense se dispone a resucitar a la chica murciélago otorgándole los galones hasta ahora reservados para las estrellas de la compañía: una serie de 12 números, con presentación de lujo días pasados en el Comic Con de Nueva York (una reu-nión de fans del género que se considera la más importante del mundo después de la de San Diego) y donde la sexualidad de Kane se explotará sin tapujos, lo cual ha provocado el entusiasmo de los grupos que luchan a favor de los homosexuales y la ira de los no menos poderosos lobbies conservadores. Al mando del proyecto, el guionista Greg Rucka, que en su blog http://ruckawriter.livejournal.com desveló recientemente las cinco primeras páginas del proyecto (cuyo primer número verá la luz en julio), en el que ha trabajado casi dos años junto al dibujante JH Williams III y a Dave Stewart, que se ha ocupado de colorear las “explosivas” aventuras de Kane.

Rucka asegura al rotativo británico The Guardian que “Batwoman debería ser juzgada por sus méritos y no por si es lesbiana o pelirroja, eso sólo son elementos de su personaje”. La heroína nació en 1957 pero murió en 1979, y su resurrección (o el anuncio de la misma) coincide con la supuesta muerte de Batman, su homólogo masculino, quien en el último número de su serie regular publicado en Estados Unidos es arrojado al vacío desde un avión, sin traje ni máscara.

Naturalmente, el superhéroe resucitará cuando sea preciso, pero su “desaparición” es una ocasión magnífica para que DC (responsable también de un personaje tan icónico como Superman) otorgue a la némesis femenina de su superhéroe más popular la oportunidad de ser la primera lesbiana declarada en disponer de su propio arco argumental, acompañada del que se prevé que se convierta en uno de los lanzamientos más publicitados de la compañía en los últimos años. En palabras del propio Rucka, “entusiasmado” con el proyecto “creo que la gente se va a caer de la silla cuando lea el primer número”.

do blog Krônicas

Lesbianismo na DC comics: liberal ou reacionário?

Já que estou escrevendo sobre estereótipos e clichês, gostaria de discorrer um pouco sobre o que me parece ser uma onda de personagens femininas lésbicas ou bissexuais na DC comics e no que isso vem me incomodando.
Antes de começar, duas coisas tem de ser esclarecidas:

Primeiro, não tenho nada contra homossexuais masculinos ou femininas. Tenho amigos gays, incluindo o padrinho de minha filha, e amigas lésbicas e bissexuais.
Segundo, leio pouco histórias em quadrinhos atualmente, questões de grana e tempo. Posso estar desatualizado ou avaliando dentro de um universo muito restrito.
Dito isso, vamos lá.

A primeira personagem lésbica que saiu do armário em tempos recentes foi a policial de Gotham City Renée Montoya. Me pegou de surpresa, mas não me incomodou. Já gostava da personagem e continuei gostando. Ela nunca tinha tido namorados masculinos, logo a questão estava aberta. O drama da família que não aceitava a opção sexual dela foi bem conduzido numa história bem legal.
Daí chegamos as novas mulher-gato e batmulher que são lésbicas. A nova bat-mulher é personagem nova, sem passado. A nova mulher-gato era amiga da antiga, mas, como Montoya, sua vida sexual não fôra abordada anteriormente, logo tudo bem. Até aí, tudo legal.

Na nova série do “Sexteto Secreto”, as personagens Escândalo e Nocaute tem um namoro. Escândalo foi apresentada na série, mas Nocaute tinha um histórico de vilã e havia tido um caso com Superboy (Conner Kent), logo se revelou bissexual na série.
Na série “Renegados”, as personagens Grace e Tormenta (filha do Raio Negro) começaram a namorar. A sexualidade de Tormenta não tinha sido abordada antes, mas Grace tinha tido um caso com Roy Harper (Arsenal) e era promíscua.

Agora chegamos ao que me incomodou. Até então estava aplaudindo a DC comics por mostrar personagens interessantes com diferentes opções sexuais. Vamos lá:

Quanto às personagens: Nocaute é uma vilã e Grace era promíscua, o que numa visão conservadora é uma perversão ou falha de caráter. O fato de ambas se revelarem bissexuais não poderia trazer implicitamente um discurso de que a homossexualidade ou a bissexualidade são “coisas de quem tem um desvio de caráter” (vilania e promiscuidade) ?
Além disso, Montoya, Batmulher, Mulher-gato, Grace, Nocaute, Escândalo e Tormenta são mulheres fortes, decididas, guerreiras. A bissexualidade aí não traria implícito que tais traços são “masculinos” logo levam a uma “sexualidade masculina”? Ambos os discurso são reacionários.

Quanto ao universo DC: não tenho visto personagens masculinas se revelarem homossexuais ou bissexuais. Os homens pelo visto continuam no armário, se é que lá estão. Será que isso não quer dizer que as personagens lésbicas na verdade não estão lá em prol da diversidade e sim para agradarem aos leitores homens heterossexuais que ficam excitados com cenas de lesbianismo? As personagens ficam então reduzidas à condição de objetos sexuais. Reacionarismo novamente.
Vejam bem, não há nada de errado em ser objeto de desejo, gosto quando mulheres olham para mim com libido, ser reduzido a isso é que é o problema.

Com exceção da batmulher e da nova mulher-gato que conheço pouco, gosto de todas as personagens acima e não gostaria de vê-las reduzidas a objeto sexual ou portadoras de um discurso reacionário que elas não merecem.

09/03/2009 - 13:30h Seja feliz, menina!, por Miriam Leitão

http://www.96fmarapiraca.com.br/v2/noticias/2357_img_chamada.jpg

Miriam Leitão – Blog do Globo

Anoitece no dia da Mulher e este silêncio do blog não é falta do que dizer. É tristeza. O caso da menina de Recife foi devastador. Não, ninguém ignora quantas meninas são vitimas da violência em suas próprias casas. Os algozes são os pais, padrastos, pessoas que deveriam estar ensinando e protegendo. Os números são muitos, os casos que aparecem na imprensa são frequentes. Mas a menina de Pernambuco doeu mais.

Talvez por ter apenas nove anos, por estar sendo estuprada desde os seis, ou porque a chantagem do padrasto era que mataria a mãe. Ou talvez porque ela é bem pequena, menor do que deveria ser para a sua idade. A menina passou anos vendo a irmã também abusada. Só a mãe das duas nada via. O que acontece que cega as mães?

A menina de Recife lembra o quanto a luta da mulher será longa. Recentemente a Sharia, um código tribal brutalmente contra a mulher, foi restabelecida em todo o Paquistão. Acaba qualquer chance de que não aconteçam casos como a da escritora do livro Desonrada, Mukhtar Mai, que foi condenada a ser estuprada publicamente porque seu irmão de 12 anos teria olhado para uma mulher de casta “superior”. O suplicio de Mukhtar, com estupro público e múltiplo, só não foi mais intenso que sua força de superação. A história dessa paquistanesa choca e emociona, mas a notícia de que a Sharia, que tinha começado a ser suprimida no Paquistão, volta a ser usada em todo o país é um choque. Penso em Mukhtar naquela pequena aldeia onde ela decidiu morar e resistir com uma escola para meninas e meninos.

Normalmente eu gosto de escrever nos dias oito de março, de quanto avançamos, mostrando estatísticas de conquistas, e de quanto falta avançar, mostrando as diferenças salariais, o pequeno percentual de mulheres no poder em qualquer país, as discriminações, mas aí… veio a menina de Recife.

Ela simplesmente me enfraquece. Que números de avanços levantar para compensar essa violência?

Eu penso nela diariamente desde o dia da notícia. Não pela polêmica da Igreja Católica, porque a Igreja não me espanta. Que ela excomungue o médico, as enfermeiras, a mãe pela decisão de interrupção da gravidez e que nada diga sobre o estuprador, não me surpreende. É apenas bizarro! Medieval.

Eu penso na menina de Recife e nos debates que tenho participado nos últimos anos, sempre em março. Nesses debates sempre discordo das mulheres bem sucedidas que dizem que a luta está ganha, que o feminismo é um movimento ultrapassado, ou outros equívocos assim. Eu, feminista, confesso, minha luta e meu espanto diante da incapacidade de ver o óbvio: que cinco mil anos de opressão não se acabam em poucas décadas, que há muito a fazer, a construir, a vigiar, para que haja algum dia respeito igual. Falta tanto para o dia em que poderemos dizer que o feministro está superado!

Mas hoje, na verdade, eu penso apenas no futuro dela: a menina curará suas feridas? Conseguirá entender e processar a violência de que foi vítima? Vai estudar, ter carreira, filhos? Vai conseguir amar um dia? Escapará das teias da reprodução da pobreza? Vai simplesmente reaprender a brincar, como deve fazer uma menina de nove anos?.

Eu podia dizer que ela desperta em mim uma fúria feminista. E é verdade, mas é uma verdade incompleta. Ela desperta em mim o o sonho de protegê-la de algum modo. De embalá-la docemente e contar uma história cheia de aventuras e graça. De cantar para ela uma cantiga de roda, de brincar de pique esconde em volta da casa. De ir com ela ao cinema e comer pipoca sentada no degrau de uma escadaria. Que tal um sorvete para resfrescar o calorão?

Não sei o que é. Mas por alguma razão eu penso insistemente na menina de Recife neste dia da mulher. Penso com o coração. Eu apenas sonho que suas feridas se cicatrizem um dia.

O discurso feminista, com estatísticas e fatos eloquentes, eu o farei outro dia. Hoje eu apenas quero sonhar que a menina de Recife um dia, apesar de tudo, após tanta violência, será feliz.

06/03/2009 - 18:00h Images & Visions, um blog a serviço da arte fotográfica

Fotógrafo retrata mulheres com seios à mostra nas ruas de Nova York

 

  

© Fotos de Jordan Matter. Mulheres com seios a mostra nas ruas de Nova York. EUA.
Cem fotos de mulheres mostrando os seios de todos os tamanhos, formas e idades, em lugares públicos de Nova York. Essa é a obra do fotógrafo nova-iorquino Jordan Matter. Sua coleção intitulada “Uncovered”, acessível na web no endereço http://www.jordanmatter.com/, depois de ser exibida em várias partes do mundo, virou febre na Internet. “Porque exatamente homens podem desfilar por aí sem camisa e as mulheres não? Quando publiquei as primeiras fotos recebi 30.000 visitas em dois dias”, afirma o fotógrafo. As fotografias mostram mulheres na rua, nos mercados, nas pontes, em cenas cotidianas, com modelos voluntárias sempre de topless. Veja mais fotos Aqui

Uma inusitada invasão de campo

© Foto de Ian Bradshaw. “Twickenham Streaker”, 1974.
 
Michael O’Brien, o “Twickenham Streaker”, invadiu o campo completamente nu, durante uma partida de rúgbi entre a Inglaterra e a França em Twickenham, em fevereiro de 1974. Na foto um policial cobre estrategicamente o invasor com o quepe. A autoria da famosa imagem é do fotógrafo independente Ian Bradshaw, que foi eleita a foto do ano pela revista LIFE.

Exposição de Vik Muniz é prorrogada no Rio

 

 

 

© Vick Muniz sobre foto de Richard Avedon. Marilyn Monroe, Nova York, 06 de maio de 1957.
O Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de janeiro prorrogou até o dia 22 de março a exposição “Vik”, com obras do artista plástico e fotógrafo paulistano Vik Muniz, antes prevista para acabar no domingo, dia 08 de março. No dia 23 a exposição segue para o Museu de Arte de São Paulo-MASP. A justificativa é o sucesso de público: em pouco mais de um mês, mais de 26 mil pessoas visitaram a mostra. Foram reunidas 131 fotografias de dimensões variadas de trabalhos realizados por Muniz a partir de diferentes técnicas e materiais inusitados, como geléias, sucatas e papéis picados. Exposição “Vik”, Museu de Arte Moderna – MAM. Horário: das 12h às 18h, de terça a sexta; das 12h às 19h, aos sábados, domingos e feriados. Ingressos: R$ 8 e R$ 4 (meia-entrada). Informações: (21) 2240-4944
Fonte: IG

Milão exibe cem das melhores fotografias de moda publicadas pela revista Vogue

 

 

© Foto de Irving Penn/Vogue. Hat Trick, 2007.
Cem das melhores fotografias de moda publicadas pela edição americana da revista “Vogue” nos últimos 80 anos compõem a exposição que pode ser vista no Palazzo della Regione de Milão, por ocasião da Semana da Moda que acontece na cidade. A exposição “Extreme Beauty” é uma análise fotográfica do papel da beleza na sociedade e da forma como, ao longo destes anos, os padrões e a percepção da beleza se alteraram. Annie Leibovitz, Steven Klein, Irving Penn e Helmut Newton são alguns dos fotógrafos que tem trabalhos expostos. Veja mais fotos Aqui
Fonte: Público/Portugal

04/03/2009 - 15:57h Serra dobra publicidade em ano pré-eleitoral

Entrelinhas

Se fosse o Lula, seria manchete da FSP

A reportagem abaixo, do Terra Magazine, revela que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), dobrou os gastos com publicidade para este ano. O que interessa mesmo para Serra é gastar agora, pois em 2010, se conseguir a legenda tucana para disputar a presidência da República, terá que deixar o Palácio dos Bandeirantes. Além disto, a exposição na mídia precisa acontecer já, pois seu grande trunfo contra o colega mineiro Aécio Neves nas prévias tucanas, se é que a disputa interna de fato ocorra, é a boa taxa obtida nas pesquisas de intenção de voto, que se devem em grande parte ao efeito de “recall” do governador paulista.Claro, faz parte do jogo político este tipo de movimento e os tucanos paulistas darão qualquer desculpa para explicar o aumento dos gastos com publicidade no ano da “maior crise do capitalismo”. Este blog aposta que os jornalões não vão correr atrás da história levandada pelo portal. Se o mesmo movimento tivesse sido feito pelo presidente Lula, porém, a notícia seria manchete da Folha e certamente mereceria vigorosos editoriais contra a “tentativa de solapar a democracia”. É muito mais doce a vida do tucanato…
Blog Entrelinhas de Luiz Antonio Magalhães
Serra dobra publicidade em ano pré-eleitoral
Aloisio Milani

Enquanto PSDB e DEM acusam o governo Lula de organizar um encontro com prefeitos para promover a ministra Dilma Rousseff como presidenciável, o PT parte para o ataque contra os gastos de publicidade do governador José Serra. Um levantamento exclusivo feito pela liderança do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo para Terra Magazine aponta que os gastos quase dobraram entre 2007 e 2008 e devem crescer na mesma proporção no orçamento 2009.

Informações da execução orçamentária do governo estadual registram que gastos com publicidade e propaganda saltaram de R$ 88,3 milhões, em 2007, para R$ 178,7 milhões no ano passado – variação de 102%. Essa análise não leva em conta os dados da publicidade legal. De acordo com o estudo do PT, a previsão orçamentária de 2009 para comunicação social, item que inclui publicidade, é de cerca R$ 313 milhões. O que permite dizer, segundo o partido, que a verba quase dobrará novamente neste ano.

“O crescimento do orçamento de 2008 para 2009 é da ordem de 20% enquanto o crescimento dos gastos com publicidade é da ordem de 90%. Ao mesmo tempo, não há novos investimentos na áreas de ensino técnico e tecnológico, por exemplo”, diz o líder do PT na Assembléia Legislativa, deputado Roberto Felício. “Essa previsão orçamentária de 2009 mostra uma intenção do governo. Teremos que ficar vigilantes para saber se não haverá dentro da administração direta propagandas para fora dos limites de São Paulo”.

Foi, contudo, nos gastos da administração indireta – que inclui estatais e autarquias – que a oposição a Serra partiu para o ataque. O estopim do debate aconteceu com os gastos da empresa paulista de saneamento básico Sabesp, que comprou um pacote de anúncios da transmissão nacional da Rede Globo. O gasto virou motivo de representação na Justiça Eleitoral pela propaganda ter ultrapassado os limites do estado de São Paulo, onde a empresa atua prioritariamente.

“A justificativa apresentada até agora não tem sentido. Eles não estão fazendo uma publicidade que informe os governos dos outros estados ou empresas que a Sabesp é qualificada para prestar um serviço específico de saneamento”, questiona o deputado petista. Estimativas apontam que foram gastos cerca de R$ 7 milhões na veiculação da TV Globo, pelo menos 2,5 vezes mais do que o governo federal gastou no encontro de prefeitos em Brasília, evento identificado como “eleitoreiro” por DEM e PSDB.

Procurada, a assessoria de comunicação do governo de São Paulo ainda não se pronunciou sobre os gastos de publicidade. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro solicitou e recebeu da Rede Globo os valores exatos da compra do espaço publicitário. Os dados da Justiça Eleitoral ficarão à disposição de eventuais questionamentos partidários. Em nota, a Sabesp considera “legítima e legal” a publicidade institucional e o patrocínios dos eventos esportivos veiculados pela Globo.

“É legítimo e legal que a Sabesp invista na construção de sua imagem institucional fora de São Paulo, dado o seu interesse comercial em ampliar seu mercado”, justifica a nota. A resposta da empresa não detalha o valor exato da negociação com a Rede Globo, mas enfatiza que o projeto “Verão Espetacular” só possui cota nacional. “A emissora proporciona um retorno de mídia considerável para divulgação dos seus programas em todo o estado de São Paulo”, reitera a nota.

O caso da Sabesp se refere ao bolo publicitário da administração indireta. O levantamento da liderança do PT na Assembléia Legislativa também indica crescimento dos valores deste tipo de publicidade. A estimativa é que as empresas da administração indireta, somando os novos contratos e aditivos assinados com a Sabesp, Metrô, CDHU e Dersa alcance R$ 133 milhões.

De acordo com o estudo, a variável que aponta o crescimento dos valores é a comparação entre contratos novos e antigos. A Sabesp, por exemplo, tem dois contratos para serviços de comunicação, marketing e publicidade: com as empresas Lew Lara e Nova S/B. Com a redução da vigência dos contratos de um ano para seis meses, o valor previsto para gastos em 12 meses quase dobrou.

Para o líder do PT Roberto Felício, a publicidade da Sabesp em nível nacional foi uma espécie de teste sobre a ação do governo no ano pré-eleitoral. “Acho que foi uma experiência para saber que repercussão teria. Gastaram onde encontraram alguma coisa mais razoável para poder ter um álibi para se defender”, diz. A assessoria da Sabesp considera os valores compatíveis com o crescimento da empresa.

Não resta dúvida que o período de escolha dos presidenciáveis para as eleições 2010 abriu a guerra de acusações entre os partidos sobre o uso da máquina pública.

04/03/2009 - 12:20h Blog policial com críticas a José Serra é tirado do ar pela Justiça

MARINA LANG
colaboração para a Folha Online

A blogosfera policial, que vem aumentando sua popularidade com o surgimento de páginas como Segurança Pública, Cultcoolfreak e Diário de um PM, sofreu uma baixa. O flit-paralisante.blogspot.com saiu do ar.

O “Flit Paralisante” (referência a um antigo inseticida) ficou conhecido por abordar a rotina dos policiais civis no Estado de São Paulo. Em tom de denúncia, seus textos criticam as estruturas internas da corporação e o governador José Serra (PSDB).

“Não sei dizer por que, exatamente, o blog saiu do ar, mas foram em duas ocasiões: a primeira em 30 de outubro [de 2008] e essa de janeiro. A representação, da última vez, trouxe como vítimas o governador José Serra e outros”, diz o autor do blog, o delegado da Polícia Civil em São Vicente (65 km de São Paulo), Roberto Conde Guerra.

Com a derrubada do endereço eletrônico, ocorrida em janeiro, Guerra reativou seu espaço na rede pelo servidor Wordpress, no qual permanece em funcionamento (flitparalisante.wordpress.com).

“Quando apagaram o blog, deram a entender que eu era anônimo. Nunca escrevi escondendo minha identidade. Nada ali afeta a idoneidade do governador”, defende-se.

O blogueiro suspeita que a primeira retirada do ar (30 de outubro) tenha ocorrido pelos “desabafos” sobre o confronto entre polícias e a ação desastrada na morte de Eloá.

Um ofício judicial, ao qual a Folha Online teve acesso, foi enviado à Guerra pelo próprio Google, detentor do domínio blogspot.com. Entretanto, o documento não solicita a retirada do blog do ar –mas pede dados cadastrais do autor e endereços virtuais (IPs) utilizados por ele para a publicação.

O delegado José Mariano de Araújo Filho, da Delegacia de Crimes em Meios Eletrônicos, foi o responsável pelo inquérito contra o Flit Paralisante. Embora o nome do governador José Serra apareça no ofício judicial, Araújo Filho diz que o “governador de São Paulo não é parte”.

Procurado, o Palácio dos Bandeirantes não quis se pronunciar –tampouco o Google, que diz apenas cumprir um pedido da Justiça.


http://2.bp.blogspot.com/_eEOSD1Sb7cc/SQhxQrX95wI/AAAAAAAAKqM/VV_ZT5QwoG4/s400/greve+da+pol%C3%ADcia+civil+-+202C70BA27774B6C95813901B4C2D7CF.jpg
Policiais militares em confronto com tropa civil, em outubro; críticas ao Executivo seriam motivo da retirada do blog

Delegado X delegado

“[A retirada do blog] foi uma medida cautelar, pois se trata de um funcionário público, e o site foi usado como veículo de difusão de calúnia, injúria e difamação”, alega Araújo Filho. A medida cautelar é um ato preventivo, que é deferida pelo juiz quando há a comprovação de lesão de qualquer natureza ou motivo justo. Ela pode ser autorizada pelo juiz sem que a outra parte tome conhecimento. Também é provisória, ou seja, há um prazo para que o autor mova a ação principal.


http://www.estadao.com.br/fotos/serratv292.jpg
Governador José Serra é situado como uma das vítimas em inquérito policial que retirou endereço de blog “Flit Paralisante” do ar

O nome do governador está ali, segundo ele, para “justificar” a medida. “Caso ele se interesse, pode tomar parte na ação principal, pois ele é uma das partes”, diz.

O delegado confirma ainda que houve acusações de maneira genérica e dirigida a promotores e juízes. Serra foi chamado de “nazista”, de acordo com ele. “Não foi possível apagar apenas algumas das postagens porque o encadeamento dos posts e comentários era ofensivo. A internet maximiza isso”, observa Araújo Filho, afirmando que as supostas ofensas não partiram apenas do autor do blog, “mas também dos comentários nas postagens.”

Cicarelli

“Chega a ser amador e hilário. Com a censura, é claro que um blog se transfere para um servidor estrangeiro. De quebra, faz com que as pessoas se interessem mais ainda pelo assunto”, analisa o professor da Fundação Getúlio Vargas e advogado especialista em internet Marcel Leonardi.

Segundo ele, é possível que o governador José Serra saiba, informalmente, a respeito do inquérito. “Mas não dá para afirmar categoricamente que ele esteja envolvido”, afirma Leonardi. “Isso lembra até o caso da [Daniela] Cicarelli [e do bloqueio do YouTube], em que ela afirmou que o namorado era o responsável pelo processo, não ela.”

02/03/2009 - 17:46h O “cadavre exquis” adiado; sugestão do “déjeuner exquis”

Blog Sai-te daqui – LdS

I

Para a deslocação ao Alto-Douro eu tinha preparado uma proposta de “cadavre exquis”, construção favorita dos surrealistas que alguns teimam em traduzir por “cadaver esquisito” mas a que eu preferiria chamar “cadáver requintado” [1]. O nome é tétrico, convenhamos, para um processo de grupo [1a] que de facto se mostra requintado e criativo e de que seriam de esperar resultados surpreendentemente ricos num grupo de 33 pessoas dos mais variados trajectos, como era o nosso. Mas nem o fiz sair da casca, ou seja, por me parecer não existir “mercado”, nem fiz consulta do “querem ou não querem”, nem distribuí sequer a proposta. A primeira razão foram os dois “derbies” futeboleiros, ontem e hoje – geradores de intranquilidade em dragões (estes com razão), panteras, águias e leões (estes dois também, aliviando a escamação dos preocupados anteriores). Outro compreensível causa foi a magnificência esmagadora da paisagem no ir-Rio-Douro-acima, da Régua a Barca de Alva, que implica uma admiração intensa – ainda que entrecortada de almoço – e que não deixa tempo para outros devaneios.
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Douro, já a caminho de Barca de Alva (hoje, 2007.04.29)

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Amanhã teremos o regresso e certamente o “Maria, donde vens? Venho da festa!” tão diferente do “Maria, para onde vais? Vou para a festa!”, pelo que melhor será arrecadar o texto i.e. “meter a viola no saco”, reservando-a para mais oportunas vivências de grupo.
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II

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Mas como seria pena perder o trabalho feito, a ideia aí vai, as regras também (e até oferecendo duas modalidades mais) e, para terminar, a descrição de uma alternativa criativa, aliás já experimentada.
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O princípio: O princípio do “cadáver requintado” baseia-se na continuação estritamente pessoal de um trajecto colectivo em que cada um dos participantes, ignorando o exercício feito pelos intervenientes anteriores, recebe do que imediatamente o antecede apenas os elementos de ligação de entrada para poder construir em segredo o seu próprio exercício e, findo este, só entrega ao participante que se lhe segue os elementos de ligação de saída que resultam do seu próprio exercício. E assim sucessivamente… até que, no fim [2], se apresenta publicamente e com grande gáudio dos intervenientes o resultado global!Nada mais simples: poderão existir “cadavres exquis” em desenhos, em palavras e até em música! Dá-se seguidamente o exemplo de um “cadavre exquis” gráfico, obtido por colagem em 1928 e onde se encontram contributos atribuídos a André Breton, Max Morise, Pierre Naville, Benjamin Péret, Jacques Prévert e Jeannette e Yves Tanguy.
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As regras do caso concreto que eu pretendia levar ao grupo: Trata-se da construção de um “cadáver requintado” por palavras (ou conceitos) com o maior grau de liberdade. Alternativas mais e menos livres são dadas nas notas finais [3 & 5] , mas talvez não seja mau de todo – para grupos não iniciados – começar pela que se segue que é de carácter mediano.
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CADAVRE EXQUIS: REGRAS
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Trata-se de cada um escrever anonima e secretamente uma frase motivada por uma palavra que o parceiro transmite sem conhecer as frases anteriores e prosseguir assim até ao último do grupo. O conjunto no fim é lido em voz alta e todos escutam! [4] .
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COMO FAZER:

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1. O parceiro do lado passa-te um papel enrolado ou dobrado onde estão as frases deixadas pelos parceiros anteriores (NÃO AS PODES LER!) e diz-se EM SEGREDO a PALAVRA que é a última da frase que ele escreveu (e que tu. é claro, NÃO LÊS!).

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2.Fixando-te nessa palavra que recebes, passas a inventar uma FRASE que essa palavra de ligação te inspire. Não é necessário que nessa frase repitas a palavra [5] mas a tua frase deve POR QUALQUER FORMA inspirar-se nela: p.ex. se o teu parceiro te disse SAPATO, na tua frase a palavra SAPATO pode estar ou não presente [5] mas deve exprimir o que SAPATO te trouxe à ideia, seja FERRADURA, CHINELA, PÉ, PATO ou qualquer outra coisa que em forma de associação ou mesmo de oposição te brote expontaneamente dos neurónios em relação ao que te disseram. Gramaticamente a frase também é livre, bem como em extensão (embora não seja aceitável escrever longos testamentos pois que no máximo um alexandrino chega) [5a]. Entendido?

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3.Escreves então a tua frase em segredo e em segredo a deixas até à leitura final, enrolas ou dobras o papel para que ninguém ta leia e passas ao teu vizinho a seguir a quem anuncias também em segredo qual foi a última palavra da tua frase.
4. Ele fará o mesmo e assim sucessivamente até se completar a volta (ou as voltas) e todos escreverem frases. Segue-se a leitura! O resultado final é frequentemente hilariante e, por vezes, surpreendente. Esperemos que sim, também neste caso!”.

III

Uma versão muito cómica e embaraçadora deste processo criativo, noutros cenários, é o “déjeuner exquis” “almoço estranho” (aí já não lhe chamarei requintado pois esta acepção, num almoço, liga-se mais à qualidade das coisas como se anuncia no programa do que amanhã nos espera e já nos faz salivar!). Há que também avisar o local onde se realiza para não serem os convivas escorraçados por doidos varridos à medida que o processo se desenvolve. Para um almoço com aperitivo, sopa, dois pratos (carne e peixe, mesmo que já se não use!), sobremesa (doce e fruta) e café faz-se assim: cada conviva, em “papelinhos” A7 de papel de uma côr que escolhe (e a que chamaremos os “votos”) escreve exactamente as palavras “aperitivo”, “sopa”, “carne”, “peixe”, “doce”, “fruta” e “café” [6] e enrola os papelinhos cuidadosamente, por forma a que se não veja o escrito, e coloca-os num vaso aberto que permita visualizar a cor. Mistura-se tudo bem. Para iniciar o almoço, faz-se a primeira tiragem de votos e cada um come o que lhe sair: A pode iniciar com a sopa, B com a fruta, C com o café, etc. etc. Segue-se a segunda votação e assim sucessivamente até ao fim do almoço.
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Se num grupo de amigos o jogo já é pândego, em “tête à tête” amoroso ou quase e em simulacro de “cabinet particulier” (coisa que também já não existe, mas que teve a sua época!) o processo, mesmo que se mantendo prandial, pode permitir outros toques de criatividade, claro.

O “Déjeuner sur l’herbe” de Claude Monet [7]
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[1] O assunto merece ser tratado seriamente! Veja-se
http://www.cadavre-exquis.net/fr/Accueil/accueil.php?domaineng
ou, para os não francófonos,
http://www.cadavre-exquis.net/eng/Accueil/accueil.php?404eng,
onde se poderão construir “cadavres exquis” assaz divertidos em colaboração internacional segundo as regras referidas em [5a]. Aliás o nome do processo nasce em 1925 da primeira frase obtida deste modo: “Le cadavre exquis boira le vin nouveau” (o cadáver requintado beberá o vinho novo).
[1a] A designação de “jogo surrealista” ou de “um dos jogos dos surrealistas” (porque há mais) é relativamente comum; já a designação de “jogo de salão” levará qualquer surrealista a torcer o nariz.
[2] Este aviso prévio é útil para evitar que qualquer dos participantes possa enveredar por contribuições javardas em ambientes em que esse “grau de liberdade” (que certamente muitos surrealistas genuinos reclamariam) possa parecer deslocado. É uma cedência aos costumes, uma restrição à liberdade do processo, mas é prudente o aviso!
[2a] Cortesia a
http://http//12.172.4.131/images/collection/FullSizes/82583003.jpg
[3]Já se deixou expressa a liberdade que pode existir neste processo. Uma modalidade mais livre será transmitir conceitos em vez de palavras, mesmo que as palavras que traduzam esses conceitos possam (mas não necessariamente) ser prescindidas. Dir-se-á assim ao parceiro a quem se passa: “guerra” para significar o conceito usado no verso que se criou foi esse, mesmo que a palavra “guerra” possa lá figurar ou não (ou, em alternativa, que é mesmo obrigatório que a palavra lá esteja, desde que isso se tenha convencionado).
[4] Um bom “cadavre exquis” começa a ser obtido à volta de 10-15 pessoas. Pode fazer-se com menos (ver nota [5a]) e pode obter-se o número desejado de frases, ou “versos” dando várias voltas à mesa. Aqui, também, é uma questão de escolha.

[5] Uma modalidade mais rígida obriga o parceiro a voltar a usar a palavra que lhe é transmitida embora a palavra que passa ao seguinte possa já ser diferente. Há, de facto, multiplas variantes – mas as regras devem sempre ser combinadas antes para não dar “salada”.

[5a] Pode também acordar-se que cada frase tenha a extensão silábica de um dado verso, criando homogeneidade métrica na composição. A fonte de referência mencionada em [1a] descreve da seguinte forma o processo de génese do primeiro “cadavre exquis” histórico:
Cinco parceiros à volta de uma mesa. Cada um escreve, em segredo e até dissimulando a escrita, um substantivo que deverá ser o sujeito de uma frase. Passa-se essa folha dobrada ao vizinho da direita e recebe-se a folha dobrada do vizinho da esquerda, que a elaborou da mesma forma. Passa-se então ao adjectivo: cada um, na folha que tem à sua frente e sem saber o substantivo que lá está, escreve um adjectivo à sua inteira vontade. Tudo em segredo, claro. Nova passagem de folha dobrada, entre parceiros. Vem então o verbo, que deverá ser transitivo, para que, após nova passagem, se escreva outro substantivo (o complemento directo do meu tempo…) e, após a passagem final, o adjectivo que qualificará esse substantivo. Segue-se a leitura das cinco frases obtidas!“.
[6] Claro que se pode também usar em refeições mais aligeiradas. P.ex. fazer este jogo num “MacDonalds” oferece uma sequência incrivelmente restrita. Mas tudo é possível!
[7] Para quem esperava a homónima obra de Manet (ou de Picasso apud Manet), bastante mais picante (o que tem algum valor na altura em que até a pastilha elástica – seguindo o chocolate – adopta o piri-piri) fica para a próxima! Ciao, por agora!
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01/03/2009 - 16:14h Balanço de fevereiro

http://www.transitionsabroad.com/images/travel_abroad/travel_blogs_and_bloggers.jpg

O mês de fevereiro é um pouco atípico em relação à frequentação do blog. Ferias e carnaval seguramente reduzem o número de leitores, porem fiquei surpreso de constatar que 6 mil pessoas acessaram o blog a cada dia, neste mês.

É para mim particularmente reconfortante, neste momento, saber que meu trabalho e as questões que avivam meu interesse e que estão volcadas neste blog, são compartilhadas por vocês.

Em fevereiro os leitores foram originarios de 144 países, a maioria do Brasil, seguidos de Portugal, França, Estados-Unidos e Espanha.

Aqui no Brasil (pessoas de 262 cidades acompanham o blog), eles são majoritariamente de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Campinas (SP), Curitiba, Recife, Porto Alegre, Goiânia, Fortaleza, Guarulhos (SP), Santo André (SP), Ribeirão Preto (SP), Osasco (SP), Florianópolis e Santos (SP).

As páginas mais visitadas são as que tratam de casa própria, aumento do salário mínimo, aniversário da greve da CSN, a nova ortografia do português, licencia maternidade e aumento das passagens de ônibus e metrô em São Paulo. Os tags mais acessados são Idesp, Inpc, Marta Suplicy, saúde, contos-eróticos e José Serra. Seguramente os vídeos são bastante vistos e ouvidos mas não tenho registro no mês de fevereiro, salvo para Sansão e Dalila.

Tenho aumentado o espaço para contos e poesias, que junto com a seleção de músicas, fotos e a arte em todas suas manifestações desperta na minha opinião cada dia maior interesse dos frequentadores deste blog.

Poucos comentários foram recusados, alguns spam, comentários nazistas, injuriosos, caluniosos ou provocadores. Alguns “trolls” frequentam o blog e alguns leitores gostam de responder as suas provocações. Eu dou boas risadas, pela mistura de indigência intelectual e persistência provocativa que os trolls manifestam nos seus comentários. mas evidentemente não levo a sério e suponho que a maioria dos leitores deste blog reagem como eu.

Não sei se meu português melhorou ou piorou, mas continuo fazendo esforço para corrigir e aprimorar minha escrita. Sei que pode ser muito desagradável para os leitores se deparar com o maltrato da língua que meu escasso conhecimento provoca. Peço desculpas.

Também peço desculpas por não proceder a traduções dos artigos que reproduzo aqui em outros idiomas. Eu faço o blog sozinho e não tenho tempo para fazer tradução dos textos. Os que podem ler esses artigos espero que aproveitem e os outros devem pular e não me xingar, pois não é por snobismo que eles estão na versão original.

Os artigos assinados por mim são da minha responsabilidade, assim como a seleção que apresento das minha leituras. A reprodução delas aqui não significa que concorde parcial ou totalmente com os conteúdos e sim que julgo interessante conhecer essas abordagens feitas por diversos autores e jornalistas.

As criticas, sugestões e opiniões são bem-vindas e ajudam a levar à frente este projeto.

Obrigado

Luis Favre

http://www.innosight.com/blog/uploads/blogshakespearecomic.bmp

17/02/2009 - 12:21h Do Blog de Paulo Henrique Amorim

Blogueiro da Folha emprega baixaria e machismo para atacar candidata do PT

17/fevereiro/2009 9:22
Por que Josias acha que notas são “vadias” e notícias “vagabundas”

Por que Josias acha que notas são “vadias” e notícias “vagabundas”

Imagine uma notícia sobre evento que reúna duas figuras importantes do partido do governo: ambas presidenciáveis e que exercem ou exerceram cargos de ministro de Estado.

Imagine também que as duas personalidades citadas são do sexo feminino; aparecem na foto, que supostamente ilustra esse texto hipotético, à frente de outras três mulheres – aliás, só há mulheres na suposta foto.

E, por fim, suponha que o título a encabeçar o texto em questão seja uma composição na qual se sobressaem as palavras VADIA e VAGABUNDA.

Por mais que a descrição acima pareça um quadro fictício, ela aconteceu de fato.

Foi a forma que o blogueiro Josias de Souza, da Folha (*) Online, encontrou para comentar o jantar que a ex-prefeita de São Paulo e ex-Ministra do Turismo, Marta Suplicy, ofereceu à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), no domingo (15/02).

A fotografia que ilustra o blog traz, em primeiro plano, Marta e Dilma, sob o título “Notas vadias de um domingo de notícias vagabundas” – veja reprodução abaixo.


Em tempo: esse texto é de autoria de Alberto Ramos, um dos editores do Conversa Afiada. O Conversa Afiada agradece ao amigo navegante que chamou a nossa atenção para essa manifestação típica do PiG (**) de São Paulo.

05/02/2009 - 17:35h Prestem atenção aos Trolls

Ficheiro:John Bauer 1915.jpg

Os trolls são criaturas antropomórficas do folclore escandinavo. Poderiam ser tanto como gigantes horrendos – como ogros – ou como pequenas criaturas semelhantes a goblins. Viviam em cavernas ou grutas subterrâneas.

Na literatura nórdica apareceram com várias formas, e uma das mais famosas teria orelhas e nariz enormes. Nesses contos também lhes foram atribuídas várias características, como a transformação em pedra destas criaturas quando expostas a luz solar.

Caracteristicas

Existem diversos termos para como os troll são, sejam criaturas humanóides não muito inteligentes de um tamanho um pouco maior de que um humano entre 1,90 a 2,15 vivem pouco até os 75 anos atigem a idade adulta com 30 anos não vivem em bando e são muito agressivos,são poucos que sabem uma lingua diferente da sua comum o triolla mûn.alguns são um pouco mais estranhos e raros como um troll do subterrâneo eles são menos inteligentes do que seus primos porém são mais fortes e agressivos atigindo entre 2,35 a 3,45.

os trolls foram adaptados a muitas outras culturas e obras, como nas obras de J.R.R. Tolkien e J.K. Rowling.

Até aqui a definição dada pela Wikipedia.

Mas tem também a adaptação do Troll ao mundo dos blogs e da Internet.

Segundo a Wikipedia

Um Troll , na gíria da internet, designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão, provocar e enfurecer as pessoas envolvidas nelas. O termo surgiu na Usenet, derivado da expressão trolling for suckers (lançando a isca para os trouxas), identificado e atribuído ao(s) causador(es) das sistemáticas flamewars.

O comportamento do troll pode ser encarado como um teste de ruptura da etiqueta, uma mais-valia das sociedades civilizadas. Perante as provocações insistentes, as vítimas podem (ou não) perder a conduta civilizada e envolver-se em agressões pessoais.

Um Troll , na gíria da internet, designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão, provocar e enfurecer as pessoas envolvidas nelas…”

Você já sabem como distinguir um Troll, não é?

Ficheiro:Internet Troll velu ill artlibre jnl.jpg

31/01/2009 - 22:16h Balanço

blog_velhas.jpg

Nos meses de dezembro e janeiro teve uma diminuição do número de leitores do blog, provavelmente devido as ferias. Na última semana a média diária voltou ao patamas de 6.500 a 7 mil leitores o que é um bom resultado para o histórico deste espaço.

Os leitores no Brasil neste período estão em 103 cidades. O maior número de leitores são de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Campinas, Porto Alegre, Curitiba, Recife e Fortaleza. mas o blog conta também com alguns leitores em Itajai, Corumba e Registro.

O maior número de comentários concerne as notícias sobre casa própria, leilão da Caixa e também muitos sobre licencia maternidade. Cresceram também os comentários sobre os vídeos e temas culturais em geral. Mesmo assim, provavelmente pela natureza deste blog, os comentários são poucos.

Alguns provocadores continuam a frequentar o espaço, e quando aparecem notas contrárias ao governador de São Paulo reaparecem alguns anônimos insultantes ou hostis a minha pessoa. São raros e evidentemente não são reproduzidos, pois não tem lugar aqui para escória.

As vezes deixo passar alguns comentários dos provocadores para indicar para os leitores que eles existem, que não conseguem argumentar com um mínimo de lógica e demostram má fé escancarada. Essa turma anti-pt não merece maior atenção, na minha opinião. Existem algumas pessoas que divergem e argumentam, discutem e contestam, criticam minhas posturas e o fazem defendendo argumentos e pontos de vista. Um exemplo tem sido o debate sobre a demissão do maestro Neschling da OSESP ou a questão da intervenção de Israel na Faixa de Gaza.

Este blog continuará vedado para comentários xenófobos, racistas, sexistas, antissemitas.

Entrando no seu segundo ano no IG, o blog já recebeu a visita de mais de 1.350.000 leitores desde fevereiro de 2008 até janeiro de 2009. Penso ser um bom auspicio para continuar meu trabalho alimentando este espaço.

Conto com a ajuda de todos para corrigir os erros, melhorar o conteúdo e desculpar minhas mancadas e erros de português.

Obrigado a vocês.

Luis Favre

23/01/2009 - 17:36h John Neschling no olho da rua: a reação na blogosfera

Neschling conta as mágoas

 

O governador Mário Covas era um homem simples. Não bebia (apenas tomava guaraná) e não dava bola pras artes. Mas sabia que ele era um, e o interesse do povo era outro. E foi por isso mesmo que São Paulo experimentou, no seu governo, um salto cultural histórico com inúmeras iniciativas, cujos destaques são o tapão definitivo que seu deu na Pinacoteca e o convite para que John Neschling digirisse a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).

Antes de Neschling, a Osesp era praticamente uma repartição pública em que se tocavam instrumentos. A coisa era muito ruim. Não pela presença do Maestro Eleazar de Carvalho, mas porque o corpo de músicos era simplesmente um braço fubá da Administração Pública. Quase como uma conclusão, os caras eram ruins pra caramba.

Lembro que, ao chegar, Neschling cometeu uma ofensa inominável ao ufanismo tapuia: dedetizou a coisa e chamou músicos de fato bons – estrangeiros, muitos deles órfãos do Leste Europeu pós-Muro -, numa equação entre não gastar os tubos e obter um trabalho de ótima qualidade. O pissoal chiou: afinal de contas, nós brasileiros somos maravilhosos em tudo. E foi Neschling também que exigiu uma casa decente para a orquestra. E teve: a Sala São Paulo.

O maestro, além de ser fodão e exigente, tem toda a pinta de ser vaidoso até. Na minha humilde opinião, tem pouquíssima gente que pode se dar esse luxo, e Neschling é um deles. Na opinião de outros, mais vale uma orquestra meia-boca, mas só de gentchiboa, dessas que dá pra chamar pra feijoada lá em casa. Ponto de vista.

Isso fez que bocas espumassem eternamente pelos corredores e coxias. E certamente foi um dos donos dessas boquinhas crispadas que gravou esse vídeo, em que Neschling desce o pau em Serra.

O episódio, aliado ao fato de, na Virada Cultural de 2005, Neschling ter se recusado a se apresentar com a Orquestra ao ar livre por falta de condições técnicas, formou a fofoca toda para que o maestro anunciasse, em meados deste ano, que cumpriria seu contrato até 2010, e só.

Hoje no Estadão há matéria extensa em que ele conta seu ponto de vista.

Fiquei muito triste com essa coisa toda. Gosto do governo Serra, e do Neschling também. E acho que certos setores da Administração têm de ficar longe, muito longe da mentalidade funcionalística-publística. O maestro foi o único que conseguiu a façanha de levar a Osesp para o país inteiro e para as melhores salas internacionais. Para para isso foi necessária uma boa dose de antipatia e pulso firme.

John Neschling nem precisaria desse excelente trabalho em São Paulo pra ter lugar em qualquer parte do mundo. Já a Osesp, não sei como fica, não…

A crise da música erudita paulista

Blog de Luis Nassif

Comentário

Pelo menos no campo da música erudita, a gestão Serra está procedendo a um desmonte cultural em São Paulo. E conseguiu colocar contra si maioria esmagadora da comunidade da música erudita.

Dia desses conversava com velho colega da Escola de Comunicações e Artes da USP. Quando a Universidade Livre de Música Tom Jobim conseguiu se reestruturar – me disse ele – ficou bem à frente da Escola Municipal de Música. Em seguida, houve uma reação da Escola, estabelecendo-se uma competição virtuosa. Percebia-se isso pelo nível dos alunos que passavam no vestibular da USP.

Quando a OSESP (Orquestra Sinfônica de São Paulo) explodiu, continuou, os alunos passaram a estudar quatro horas diárias, porque havia perspectiva pela frente, de uma orquestra de padrão internacional.

Segundo ele – que está desde os anos 70 no setor – jamais a música erudita de São Paulo experimentou salto igual. Ele endossa muitas das críticas feitas ao maestro Nescheling, de temperamento difícil, personalismo. Mas o fato concreto, me dizia ele, é que colocou a música erudita de São Paulo no mapa do mundo. E não se pensou nisso quando se decidiu por seu afastamento.

O primeiro baque foi a destituição da OSCIP responsável pela Universidade Livre de Música e a divisão da ULM por outras entidades. Agora, a destituição de Neschling.

Gosto do Sayad, fui membro do Conselho da ULM, mas sem ter uma participação mais ativa, pedi demissão quando senti a guerra da Secretaria com a OSCIP, a seu pedido passei dicas e idéias para membros da sua equipe.

Mas tenho a impressão que meteu os pés pelas mãos. Era até compreensível que não se quisesse um vice-rei à frente da OSESP. Mas o voluntarismo de Serra ajudou a acelerar esse desmonte.

Trecho da carta de demissão, assinada por Fernando Henrique Cardoso:

Por LPorto

O que fizeram com o maestro é anti ético, fora o desrespeito com o grande profissional..

Link da entrevista, estopim para a demissão, segundo o presidente do conselho Fernando Henrique. Clique aqui.

É claro que o maestro não deu esta entrevista a toa.

Ele veio responder a esta, que o Presidente do conselho não comentou na carta de demissão. Clique aqui.

 

Blog de Olavo Soares

Uma notícia interessante que saiu hoje foi a demissão de John Neschling do cargo de maestro da Orquestra Sinfônica de São Paulo (Osesp). A história não é relevante apenas pela sua dimensão cultural, e sim por outros aspectos envolvidos.

Neschling é uma unanimidade. Todas as opiniões que se ouve sobre ele batem na mesma tecla: é uma pessoa extremamente competente no que faz, mas ao mesmo tempo é dono de um caráter não dos mais elogiáveis. A grossura com os músicos que comanda é célebre; o maestro, no comando da Osesp, não fazia a menor cerimônia na hora de repreender alguém que estivesse fazendo um trabalho – ainda que só um pouquinho – em desacordo com as ordens do chefe.

Isso ficou bem claro em reportagem que a Piauí publicou no ano passado. O texto é longo e revela o fato de que Neschling é uma personagem que merece, mesmo, um bom espaço. Justamente por essas questões relatadas, sua competência e sua grosseria.

Mas a demissão de agora não se explica unicamente por um, digamos assim, “desvio de comportamento” do regente. A coisa é mais grave. Neschling nunca se entendeu muito bem com José Serra, governador do estado e seu chefe. Do alto de sua arrogância, o maestro não tolerava as ingerências de Serra no seu trabalho. E a coisa só poderia dar em confusão.

Agora Neschling segue o seu caminho. E, o mais importante, espera-se que a Osesp também siga o seu. É inegável que o maestro, em seus mais de 10 anos de trabalho, transformou a cara da orquestra. Tomara que quem o substituirá consiga manter a excelência – e se for um pouquinho menos grosseiro, melhor ainda.

P.S.: falar de música erudita me faz lembrar do trabalho de assessoria que fiz com a Orquestra de Câmera Paulista. Foi uma experiência bem legal. Recomendo a entrevista que fiz com Vera e Tânia, respectivamente viúva e filha de Camargo Guarnieri. Foi divertido.Postado por Olavo Soares.

Le Monde saúda Villa-Lobos e Neschling. É porque eles não conhecem o Serrágio

Blog de Paulo Henrique Amorim

26/dezembro/2008 12:14

Serrágio não consegue conviver com um gênio tropical

. O jornal francês Le Monde – que quando sai com as páginas em branco é melhor do que o PiG (*) – faz comentários entusiasmados sobre Villa-Lobos – “Le génie tropical” – por conta de dois concertos que a Orquestra Sinfônica de São Paulo dará nos dias 30 e 31, sob a regência de John Neschling, ao vivo, na Arte.

. O Monde recomenda o CD da Bis com Neschling e a Osesp com os Choros 2, 3, 10 e 12.

. O Monde compara Villa a Sibelius e Schumann.

. Diz que o Choros # 10 é “bárbaro” e “primitivo” de forma “extraordinária”, embora se perceba a influência da Sagração da Primavera de Stravinsky.

. Sobre Neschling, o Monde diz que ele rege a Osesp e Villa com “excelência”.

. E que Neschling é um “infatigável defensor da música flamboyante e tropical de seu compatriota” (Villa).

. Caro leitor, a partir de 2010, se você quiser assistir a Neschling na direção da Osesp – que Neschling ressuscitou, enquanto Mário Covas e Geraldo Alckmin eram governadores de São Paulo – terá que ir a Paris, provavelmente.

. José Serrágio tanto fez que Neschling pediu o boné e não vai renovar o contrato com a São Paulo.

. A mediocridade de José Serrágio não podia respirar do mesmo oxigênio (poluído) de Neschling (e Villa).

. Tudo começou quando Serrágio (de pedágio, os mais altos do Brasil) era prefeito de São Paulo.

. (O leitor se lembra: ele assinou, na Folha (*), documento em que dizia que ficaria no cargo de prefeito até o fim.)

. Serrágio mandou Neschling levar a Osesp para uma “Virada” cultural.

. Neschling perguntou ao intermediário se, no local (um parque aberto), haveria mictório para 100 músicos.

. O interlocutor disse que não.

. Neschling disse que, sem mictório, a orquestra não poderia tocar.

. O interlocutor ficou de resolver o problema.

. Não resolveu.

. E a Osesp não foi.

. Serrágio ficou uma fera e jurou destruir Neschling.

. Foi o que começou a fazer, assim que rasgou o documento da Folha (*) e foi ser governador de São Paulo (provisoriamente, já que, em 2010, ele assume a Presidência …)

. Tanto fez – disse que Neschling ganhava demais… – que Neschling foi embora.

. É isso, caro leitor.

. Serrágio é a cara de São Paulo.

. Se você mora em São Paulo, compre o CD da BIS e vá à forra…

FHC rompe contrato de Neschling. E diz que é por justa causa

Blog de Paulo Henrique Amorim 22/janeiro/2009 10:00

Entre Toscanini e Furtwangler, FHC e Pedágio vão escolher o maestro de Hitler

Entre Toscanini e Furtwangler, FHC e Pedágio vão escolher o maestro de Hitler

. A colonista (*) da Folha (**) Mônica Bergamo fez uma reportagem irretocável – do ponto de vista do José Pedágio e de FHHC (o que esperar de um colonista (*) da Folha (**)?

. Leia o press release de José Pedágio, governador de (e tudo para) São Paulo

. Pedágio demitiu Neschling por causa de um mictório.

. O resto é uma sequência de arbitrariedades de um Putin que não pode conviver com o talento (diga aí, caro leitor, que talento habita, por exemplo, o secretariado do Pedágio?) e a critica.

. John Neschling é irascível.

. E, na raça, construiu uma obra que ficará gravada na história cultural do Brasil.

. Ele e Mário Covas.

. Pedágio e Fernando Henrique Cardoso não deixarão impressões digitais na história cultural do Brasil.

. FHC, o Farol de Alexandria, rompeu o contrato de Neschling que ia até 2010.

. E disse que foi por justa causa.

. O típico argumento daqueles empresários do Conselho da Osesp, empresários tucanos que estão em busca de emprego (diante das atribulações terminais de suas empresas).

. O argumento do Farol é que Neschling é um desbocado.

. Quando era presidente da República, seu Ministro das Comunicações, Sérgio Motta, disse que o trabalho da antropóloga Ruth Cardoso não passava de masturbação.

. O que o Farol fez?

. Nada.

. Disse que o Serjão, sabe como é, é o temperamento dele.

. Foi o que eu pessoalmente ouvi, numa entrevista coletiva no Hotel Hay Adams, a um quarteirão da Casa Branca, quando FHC visitou Bill Clinton.

. O Farol faz o que Pedágio manda.

. Antes de tomar posse do primeiro Governo, em Miami, no Hotel Fontainebleau, eu, correspondente da Globo, perguntei a ele se Serra seria ministro de seu Governo.

. Nem pensar, ele disse.

. Se o Serra sentar numa cadeira do Ministério ele vai querer mandar no Governo todo.

. E ali na minha frente conversou por telefone com o futuro Ministro, inimigo de Pedágio até hoje, ele, sim, confirmadíssimo, Pedro Malan.

. Serra foi ministro duas vezes: do Planejamento e da Saúde.

. Quem mandou o farol nomear Serra?

. Serjão.

. Serjão une Serra e FHC até a morte – e até Luxemburgo.

. Putin e o Farol não conseguiriam ter Toscanini como diretor da orquestra.

. Toscanini era insuportável.

. Um gênio furibundo.

. O Farol e o Pedágio preferem Furtwangler.

. Aquele que serviu a Hitler com devoção.

12/01/2009 - 15:32h Um blog no meio da zona de conflito

SAMEH A. HABEEB 23 anos, blogueiro e jornalista palestino de Gaza


DIVULGAÇÃO
PERIGO – Por causa do blog, Sameh (acima) recebeu ameaças de morte

Blogando, jovem torna-se olhos dos principais veículos do mundo sobre o lado palestino do bombardeio à Gaza

 

Filipe Serrano – O Estado SP – Caderno Link

 

A voz do jovem palestino e blogueiro Sameh Akram Habeeb, de 23 anos, soava cansada no telefone ao falar com o Link pela segunda vez na última semana enquanto o 13º dia da ofensiva de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza chegava ao fim, na noite de quinta-feira. “Está tudo bem por aqui… Só que os bombardeios ainda não acabaram (suspiro). Você já escreveu meu nome no jornal?”, ele pergunta, curioso, mas sem entusiasmo.

É que, desde o início do cerco a Gaza, há duas semanas, Sameh teve poucas horas de descanso. Ele se dispôs a reportar voluntariamente, pela internet, a situação na Cidade de Gaza, onde vive com seus pais, irmãos e irmãs.

Sua casa está sem eletricidade e, a cada dia, ele percorre quatro quilômetros até um local onde pode recarregar a bateria de seu notebook. Nas horas seguintes, telefona para hospitais, ouve as notícias pelo rádio do seu celular e tira fotografias do caos que tomou a região. Em casa, na região leste da cidade, se conecta à internet usando uma precária conexão discada.

Ela é lenta, mas, desde que a banda larga deixou de funcionar, tem sido a única opção para atualizar seu blog Gaza Strip, the Untold Story (http://gazatoday.blogspot.com) e o álbum virtual de fotografias que mantém no site http://picasaweb.google.com/sameh.habeeb.

No blog, que em português quer dizer Faixa de Gaza, a História Não Contada, Sameh descreve as dificuldades pelas quais os palestinos habitantes de Gaza têm passado nos últimos dias. Falta de água potável, energia, comida, gasolina, gás e assistência média são alguns dos problemas citados na página. Ele também enumera os acontecimentos do dia com uma sobriedade de manchete jornalística: “A casa da família Bawadi, em Jabalia, foi destruída”, dizia uma das atualizações de quinta-feira.

A sobriedade não é à toa. Sameh é formado em Língua Inglesa em 2008, mas também faz trabalhos como jornalista independente. Por isso, a cobertura em seu blog tem um tom objetivo, mesmo que ele, pessoalmente, tenha opiniões contrárias às ações de Israel.

Blogueiros palestinos como Sameh têm feito um papel importante durante a ofensiva israelense porque nenhum jornalista estrangeiro teve permissão de Israel para entrar na Faixa de Gaza até sexta-feira. Israel informou à organização Repórteres Sem-Fronteira que um cinegrafista da BBC entrou acompanhado do Exército. Com informações de pessoas como Sameh, a mídia internacional conseguiu dizer o que ocorria dentro da Faixa de Gaza.

Sameh é um caso especial porque, além de ter experiência como jornalista, deixa todos os seus contatos no blog. “Estou disponível 24 horas para atender jornalistas. Você pode me ligar a qualquer hora em minha casa”, avisa ele no blog.

Sua primeira entrevista para um jornalista estrangeiro foi em março, depois de um ataque na Faixa de Gaza. O palestino foi encontrado por causa do blog, que já publicava desde o início de 2008. Nas últimas duas semanas, porém, ele foi procurado diversas vezes para contar sua experiência como um palestino vivendo em meio aos ataques. “Muitas emissoras me procuraram, como CNN, ABC, CBS, Skynews, e jornais grandes, como USA Today, New York Times, Libération e Le Figaro”, diz.

“Meu telefone toca como o de um escritório cheio. Tenho um celular que fica ocupado toda hora também. Imagino que recebi umas 200 ligações nas últimas duas semanas. Não foram só jornalistas, mas algumas pessoas ligaram para dar apoio, dizer boa sorte e essas coisas”, afirma.

O blogueiro não esconde seu orgulho pessoal de ter recebido tantas ligações do mundo todo. “Tenho uma boa experiência já. Sou um bom fotógrafo, um fotógrafo fantástico. Você viu minhas imagens no site Skynews? Fotos fantásticas”, gaba-se.

A vontade de ajudar e de contar a situação de Gaza trouxe consequências perigosas. Na quinta-feira, Sameh recebeu três ligações anônimas ameaçando-o de morte se não parasse de escrever no blog. Ele diz não ter medo e que apenas não quer que sua família seja machucada. “Vou continuar escrevendo mais e mais. Não vou parar. Sinto que preciso mandar notícias sobre esta guerra”.

Após a declaração, Sameh conta que adora o Brasil e quer visitar o País quando tiver férias. Fica curioso para saber se é o custo de vida aqui é alto e ainda diz que em Gaza há muitos fãs de Ronaldo, o jogador. “Sabia que ele já esteve em Ramallah (cidade palestina próxima a Jerusalém)?”

A conversa é interrompida e ele diz “Look, breaking news (olhe, últimas notícias): um jornalista de Gaza foi morto em sua casa. Era um cinegrafista. Acho que foi atingido por um foguete. Nossa, agora estou com medo.”

10/01/2009 - 16:34h Navegar a vontade

Beto Palaio é um brasileiro que com afinco mergulha na arte em toda sua dimensão. Seu blog vale a pena e dele tirei este texto para nosso deleite. O Blog de Beto, Littera Tour, vale a viagem e os turistas são bem-vindos.


Traveling Lightheaded

(Viajando de cabeça fresca)

By Kristin Fouquet

by Jonathan Postal

                       Photo:  Jonathan Postal

He lit my cigarette even though he didn’t want me to smoke. Buying me drinks all night, he didn’t complain but, he thought I drank too much. It had been four months since we had stopped dating. He still looked good but, he didn’t seem happy. I smiled but, it was a lie. I wondered why it didn’t work out between us.

Ele acendeu meu cigarro mesmo não querendo que eu fume. Ofereceu-me bebidas a noite toda e, embora nunca reclamasse, achava que eu bebia demais. Fazia já quatro meses desde que tínhamos saído pela última vez. Ele ainda me parecia atraente, mas não uma pessoa feliz. Eu ficava sorrindo, mas tudo soava muito falso. E assim eu ficava me perguntando do porque das coisas nunca darem certo entre nós.

“So do you miss New Orleans,” I asked.
He shook his head. “I like Memphis. I think you’d like Memphis.”
I loved New Orleans. I couldn’t imagine ever moving away. “Yeah? Well, I’d like to visit sometime.”
Drinks after midnight in a crowded smoky bar have a way of making half-baked ideas seem like exciting endeavors.
“We could drive there tonight and you could take the train back tomorrow,” he suggested.
“Really?” It sounded like an adventure and I was bored.
Leaving The Abbey, I waved to a friend leaning against a lamppost.
“Where y’all going?” he asked.
“Memphis,” I declared with a small laugh.
It was dark as we headed out of New Orleans.

“Você gosta de Nova Orleans?” Eu perguntei. Ele balançou sua cabeça: “eu gosto mesmo é de Memphis. E acho que você também iria adorar Memphis”.
Mas eu adoro Nova Orleans. Eu nem me imagino estar longe daqui.
“Você acha? Bem, eu gostaria de visitar Memphis algum dia.”
Estar bebendo depois da meia-noite em um bar lotado e cheio de fumaça tem uma aptidão especial para transformar pequenas intenções em algo mais elaborado
“Nós poderíamos ir de carro até Memphis agora à noite e você voltaria de trem amanhã,” Ele sugeriu.
“Você acha?” Aquilo parecia mais com uma aventura, a qual não estava muito interessada.
Saindo do The Abbey eu acenei para um amigo que estava encostado num poste de iluminação. “Aonde você vai?” Ele perguntou. “Para Memphis” Eu disse com um sorriso sem graça.
Estava escuro ainda quando saímos da cidade de Nova Orleans.


Waking up in a car is disconcerting. The morning sun viciously shone on me, awakening my shame. I squinted at the white vinyl upholstery.
“We’re almost there,” he said.
My head pounded. I tried to swallow but, my mouth was dry.
The Victorian house wore its charm despite needing repair. An upright piano stood on the front porch.
Once inside, my anxiety intensified. I had to go to work the next day.
“What time’s the train to New Orleans?”
His tone was casual. “Oh, I forgot, there isn’t one on Sunday.”
I felt like trapped prey. Eyeing the exits, I contemplated escape. How well did I really know him? How could I have been a willing party to my own kidnapping? Is this how serial killers get their victims?
Reacting to my apparent freaked out state, he brought me a Valium and a glass of water.
“Don’t worry,” he said. “I’ll drive you back in a little while, after I take a nap.”
I searched his eyes, hoping for traces of sincerity among his irises.
“Really.” He nodded. Pointing to a closet, he said, “There are some dresses in there that might fit you.” He scratched his head. “I need to go to bed.”
On an empty stomach, the Valium kicked in quickly. Alone in the room, I decided to peek in the closet. There were a few floral cotton dresses but, something else caught my attention. I took out an antique wedding dress; the old lace had browned with age. It was beautiful, tempting me to try it on.
Standing in front of a full length mirror, I stared at myself in the dress. His voice startled me.
“I’m so glad it fits,” he said.

Acordar dentro de um carro é algo estranho. O sol da manhã brilhando sem piedade despertou o meu embaraço. Eu fiquei um tempo desconsolada,com os olhos fixos no alvo vinil do estofamento.
“Nós já estamos quase lá,” ele disse.
Minha cabeça martelava. Eu tentava engolir, mas minha boca estava seca.
Nós chegamos à uma antiga casa vitoriana que, apesar de estar pedindo reparos, mostrava ainda seus encantos. No pátio de entrada um piano vertical estava todo coberto.
Uma vez lá dentro a minha ansiedade se intensificou. Eu só pensava no meu trabalho no dia seguinte:
“Quando sai o trem para Nova Orleans?”
Mas seu tom era despreocupado. “Oh, até esqueci de mencionar, não circulam trens aqui aos domingos.”
Eu passei a ame sentir como uma ave engaiolada. Aflita eu procurava pelas saídas, donde contemplava minha fuga. “O quanto eu o conhecia de verdade? Como é que eu fui colaborar para meu próprio rapto? Seria desta forma que os assassinos seriais arrebatam suas vitimas?”
Reagindo a meu estado aparentemente descontrolado, ele trouxe-me um Valium e um copo d´água. “Não se preocupe,” ele disse. “Eu a levo de volta daqui a pouco, depois que eu tirar uma soneca.”
Eu mirei seus olhos, procurando por traços de sinceridade por trás das íris.
“Confie em mim,” Ele inclinou-se, apontou para um guarda-roupa e disse, “lá tem alguns vestidos que podem caber em você”. Ele não parava de esfregar sua cabeça: “Eu preciso ir para a cama.”
Caindo no meu estômago vazio o Valium agiu rapidamente. Sozinha no quarto, eu decidi espreitar o guarda-roupa. Havia ali alguns vestidos florais de algodão, mas algo chamou mais a minha atenção. Eu retirei de lá um antigo vestido de noiva; onde um velho laço tinha amarelecido com a idade. Era muito bonito e pedia para que eu o experimentasse. Estando de frente para um amplo espelho, eu olhei fixamente para mim mesma, já dentro do vestido.
Súbito, sua voz até me assustou: “eu fico contente que caiba em você,” ele disse.

Back in New Orleans, I came across an old cassette tape that he had given to me a while back but, I hadn’t listened to. I was stunned to hear him singing about driving a girl to Memphis in the morning, lyrics written long before our misadventure.

De volta à Nova Orleans, eu me vi às voltas com uma velha fita cassete que ele havia me dado um pouco antes de sairmos e que não ouvira até então. Estava espantada em vê-lo cantar sobre estar levando uma garota numa certa manhã para Memphis, com uma letra escrita bem antes desta nossa louca aventura ter acontecido.


 

Kristin Fouquet 

 

Kristin Fouquet, a native of New Orleans, was born on

 the day Jimi Hendrix died. Having never mastered the

 electric guitar, she is a writer and fine art

 photographer. Her work has been published both in print

 and online. 

 

Kristin mora em Nova Orleans e nasceu no dia do

 falecimento de Jimi Hendrix. Nunca tocou guitarra, mas

 escreve contos e poemas, faz pinturas e é fotógrafa. Mais

 sobre ela aqui:

 

http://outsiderwriters.ning.com/profile/KristinFouquet

 

http://www.fouquet.cc/kristin/Khome/LeSalon.htm

 


Fonte Littera Tour

by Beto Palaio

 

 

 

Blog:

   

www.litteratour.blogspot.com

 

Page in OUTSIDERWRITERS:

 

http://outsiderwriters.ning.com/profile/BetoPalaio

30/11/2008 - 13:17h Os donos da história

+Sociedade


Três livros lançados no reino unido discutem as vantagens e os limites dos avanços tecnológicos para o futuro do jornalismo Os blogs e a web marcam um retorno ao jornalismo dos séculos 17 e 18

http://sampaioloki.files.wordpress.com/2008/08/jornalismo.jpg

 JOHN LLOYD – FOLHA SP – Caderno Mais

Os últimos 150 anos foram a era do jornalismo heróico, um período em que os jornalistas desenvolveram sua auto-imagem como responsáveis por corrigir os males da sociedade.

O período produziu testemunhas do horror, tais como William Howard Russell, do “The Times”, cujos artigos sobre a Guerra da Criméia ajudaram a destruir um governo e a modernizar o Exército britânico.

Houve jornalistas como o escritor francês Émile Zola, que colocaram sua pena a serviço da indignação, diante das falsas acusações movidas contra o capitão Alfred Dreyfus.

Já o jornalismo de denúncia ao estilo norte-americano gerou talentos como o de Ida Tarbell, que expôs as práticas da Standard Oil no começo do século 20 -período em que era difícil ver mulheres ocupando posições no jornalismo fora das páginas literárias e de moda.

E, dos anos 1960 em diante, uma legião de repórteres investigativos justificou sua existência com a criação de um quadro de profissionais intransigentes que exigiam que os poderosos prestassem contas.

Esses repórteres foram imensamente beneficiados pela fama e pelo status de Ed Murrow, jornalista de rádio e TV da [rede norte-americana] CBS nos anos 1950, e pelos jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward, do “Washington Post”, famosos por suas reportagens sobre o caso Watergate no começo dos anos 1970.

De diferentes maneiras, três livros recentes são produto da transição da era do jornalismo heróico para… O que, exatamente? Por enquanto, o novo modelo não tem nome.

As primeiras indicações são de que o melhor termo seja “era demótica”, devido à explosão de blogs, sites de redes sociais, e-mails e textos que a internet propiciou nos últimos dez anos -e tudo isso com uma intensidade não vista nem mesmo no período epistolar mais intenso da era vitoriana.

Em “SuperMedia” [ed. WileyBlackwell, 216 págs., 14,99, R$ 53], Charlie Beckett considera a nova era sob esses termos. Antecipa o momento em que essa forma de jornalismo cidadão suplantará o modelo convencional e, em suas palavras, “salvará o mundo”.

Em “Can You Trust the Media?” [Você Pode Confiar na Mídia?, Icon Books, 256 págs., 12,99, R$ 46], Adrian Monck, ex-produtor da ITV e da Sky e hoje professor de jornalismo na Universidade Metropolitana de Londres, derruba os mitos da era do jornalismo heróico ao negar esse heroísmo.

E os ensaios da coletânea “UK Confidential” [Reino Unido Confidencial, Instituto Demos, Charlie Edwards e Catherine Fieschi (org.), 184 págs., 10, R$ 36] tratam da moderna suposição de que figuras públicas têm pouco ou nenhum direito a uma vida privada.

Blogs e nostalgia

De certa forma, os blogs e a web marcam um retorno ao jornalismo dos séculos 17 e 18 -um período empreendedor, no qual pessoas que tinham algo a dizer montavam seus negócios e publicavam panfletos e boletins noticiosos.

Também vivemos um período de maior incerteza, o que lembra a era vitoriana, quando os jovens aspirantes a literatos, vestidos com trajes modestos, ganhavam a vida trabalhando arduamente em um mercado formado majoritariamente por free-lancers.

O jornalismo do século 20, até agora, dependia de bases organizacionais: jornais com editorias, treinamento e estrutura de carreira; companhias de televisão que investiam em suas divisões de notícias e atualidades; sindicatos que por algum tempo deram aos jornalistas dos países desenvolvidos proteção ao menos semelhante àquela da qual os operários gráficos um dia desfrutaram.

Nem todos esses fatores desapareceram, mas diversos deles parecem oscilantes.

A paisagem atual está repleta de grandes fábricas de notícias que estão perdendo espaço e mostrando sinais de debilidade. A divisão de notícias da CBS, criada por Murrow, hoje conta com apenas alguns correspondentes estrangeiros, e quase nenhum zelo investigativo. O “Le Monde”, fundado por Hubert Beuve-Méry para restabelecer a honra do jornalismo francês no pós-guerra, está lutando para sobreviver.

O “Daily Express”, no passado uma presença dominante no mercado britânico médio, agora se reduziu a ponto de se tornar parte de um grupo dirigido por um pornógrafo.

O denominador comum a isso é a perda de audiência e de receita sofrida ao longo da última década. Existe, como aponta Charlie Beckett em “SuperMedia”, “pressão mais que suficiente para que temamos pelo futuro do jornalismo”.

Usando um excerto de um discurso proferido em 2007 por Ed Richards, presidente da Ofcom, a organização que fiscaliza a mídia britânica, ele propõe uma questão: “O abandono do consumo de notícias, quer em forma eletrônica convencional ou em forma impressa, parece ser uma tendência secular e em aceleração… Até que ponto isso influencia a existência de uma sociedade civil saudável?”

Trata-se de uma pergunta válida. O jornalismo baseou sua auto-imagem e sua justificativa para existir na crença de que seu trabalho permitia que os membros de sua audiência de massa se tornassem melhores cidadãos. Se o jornalismo desaparecer, o que acontece com a cidadania?

A pergunta que serve de título para o livro de Monck é respondida de maneira abrangente em seu ensaio: não, não se pode confiar na mídia, e aliás nunca se pôde.

Monck não acha que os padrões estejam em decadência, mas sente que a crescente falta de confiança é uma resposta pública racional à imprensa cada vez menos confiável.

“Do ponto de vista comercial”, escreve, “confiança é um ativo sem valor”. Ele zomba da “tocante fé em que, caso as pessoas testemunhem a verdade, agirão pelo bem”, e enfatiza a bagagem emocional, e não racional, que os leitores e espectadores carregam com eles ao avaliar cada questão.

Afeto e exasperação

Se o jornalismo está em crise, alguns dos componentes dessa crise são tão antigos quanto o jornalismo -e indissociáveis dele. Em seu livro, acessível e escrito de maneira vivaz, Monck conclui expressando a certeza de que precisamos do jornalismo, mas ainda assim o encara com uma mistura de afeto e exasperação, como algo de falho que, quando faz o bem, o faz por acidente.

Em contraste, o argumento de Beckett está resumido em seu subtítulo: “Salvando o Jornalismo para Que Ele Possa Salvar o Mundo”.

E o autor parece estar falando sério. Ele eleva o “jornalismo cidadão” -termo que engloba toda forma de comunicação, de blogs a depoimentos amadores sobre desastres ou guerra e sites de jornalismo amador na web- à posição de salvador do jornalismo.

Acima de tudo, Beckett acredita que, “quanto mais os jornalistas se comportarem como cidadãos, mais forte será o jornalismo”. Ele também acredita que o jornalista precisa ter como base a realidade experimentada, e que o jornalismo cidadão extrai sua legitimidade e sua prática dessa realidade.

Beckett defende parte de seus argumentos mencionando o exemplo do “Fort Myers News-Press”, da Flórida, um jornal que pressionou por acesso à lista dos pagamentos de assistência às vítimas do furacão Katrina.

Em seguida, o jornal publicou a lista e convidou seus leitores a informar a Redação em caso de quaisquer anomalias nos pagamentos. As denúncias foram usadas como base para uma série de reportagens.

E, em uma bela passagem sobre o jornalismo africano, cita extensamente blogs bem-informados e raivosos mantidos por africanos, os observadores mais capazes de testemunhar o comportamento criminoso de seus governos corruptos.

Os blogs expressam opiniões que muitas vezes terminam censuradas nos jornais e, especialmente, nas rádios e estações de TV africanas.

Há um porém -ou poréns.

Em primeiro lugar, as tentativas de fazer do jornalismo cidadão uma prática cotidiana não funcionaram bem até o momento.
Em segundo lugar, a maioria do jornalismo político convencional que surgiu na blogosfera não elevou o nível ético.

O mais famoso desses novos jornalistas políticos é Matt Drudge, hoje um homem poderoso na mídia. Ganhou fama inicialmente ao revelar o caso entre Monica Lewinsky e [o então presidente dos EUA] Bill Clinton e continua a explorar esse filão de boatos, acusações e insinuações.
Terceiro, não está realmente claro o que quer dizer “comportar-se como cidadão”, para um jornalista, ou o que seria “se comportar como jornalista”, para um cidadão. Os cidadãos muitas vezes não querem forma nenhuma de jornalismo.

Privacidade

“Reino Unido Confidencial” observa o jornalismo pela lente da tecnologia e age como uma espécie de comentário cético a respeito.
O que essa coletânea muito diversificada demonstra é que o desejo benigno das empresas e do governo de acelerar o acesso a bens e serviços significou, na prática, que o público transferiu, em grande medida sem se incomodar muito, vasto volume de dados pessoais a empresas e ao governo.

Então, não existe maneira de escapar às atuais misérias do jornalismo?

Não de um salto, creio.

Mas, apesar do realismo frio de Monck e dos alertas dos ensaístas do Demos sobre a necessidade de defender a privacidade -e não investigá-la-, Beckett aponta para algo novo que está acontecendo: a capacidade e disposição do público para contribuir na produção de sua narrativa.

Podemos vislumbrar um mundo no qual aqueles que estão ávidos por dizer alguma coisa agora podem fazê-lo, se bem que para audiências muitas vezes restritas.

Quem desejar prestar testemunho sobre horrores e maravilhas pode transmitir suas palavras e imagens. Quem se indigna com suspeitas de delitos empresariais ou governamentais pode encontrar ferramentas que permitem investigar e expor.

Tudo isso resulta em considerável ganho de poder e, se não implica ainda que a prática do jornalismo tal qual o conhecemos esteja destronada -algo que espero jamais aconteça-, ao menos oferece a democrática possibilidade de nos tornarmos, nós todos, heróis.

JOHN LLOYD é autor de “What the Media Do to Our Politics” [O Que a Mídia Faz para Nossa Política] e colaborador do jornal “Financial Times”, onde a íntegra deste texto foi publicada.Tradução de Paulo Migliacci.ONDE ENCOMENDAR – Livros em inglês podem ser encomendados pelo site www.amazon.co.uk

29/11/2008 - 19:13h Retorno

http://datacore.sciflicks.com/back_to_the_future/images/back_to_the_future_large_01.jpg

Problemas de conexão me deixaram fora do ar. Hoje acabou sendo dia de folga no blog. Domingo espero ter tudo normalizado. Hoje vou postar alguma música par vocês desculparem minha ausência.
LF

24/11/2008 - 18:23h Reparação poética

Blog do Além – Carta Capital

A coluna Blogs do Além, criada pelo publicitário Vitor Knijnik e que estreou na edição 500 de CartaCapital, procura imaginar como seriam as páginas pessoais de personalidades do passado.

Chega a vez de um dos mais importantes poetas portugueses inaugurar seu diário virtual. Bem-humorado, Fernando Pessoa se apresenta: “uma espécie de Cristiano Ronaldo da poesia portuguesa, só que sem essa coisa de metrossexual, porque de frescura já basta a poesia”.

No seu primeiro post, intitulado “Reparação Poética”, Pessoa afirma não haver mais espaço para a poesia neste mundo. “Não enquanto existirem advogados e o politicamente correto. Depois de longas batalhas judiciais, o Supremo Tribunal Federal deu ganho de causa a uma associação de poetas que me acusou de difamar os que têm por ofício fazer versos”.

Sobre mim

Reparação poética

Não há mais lugar para a poesia neste mundo. Não enquanto existirem advogados e o politicamente correto. Depois de longas batalhas judiciais, o Supremo Tribunal Federal deu ganho de causa a uma associação de poetas que me acusou de difamar os que têm por ofício fazer versos.
Vocês devem se lembrar do poema que serviu para a acusação:

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Esse episódio vem me causando muito desassossego. Realmente, é desafiador fazer poemas dentro desses novos requisitos sociais. Mas não me resta outra escolha. Até porque a sentença me obrigou a reescrever o primeiro verso, que causou tanta celeuma.

Alguns poetas, no intuito de transmitir certos sentimentos, podem, de certa maneira, simular algum desconforto ou dor que eles realmente não estão sentindo. Às vezes nem é por mal. É inconscientemente, mesmo. Só que essa simulação – repito que isso pode acontecer com alguns poetas, e não com a maioria – pode ser tão perfeita, mas tão perfeita, que esse desconforto ou dor passam a ser sentidos de verdade verdadeira por quem fabricou aqueles sentimentos não fabricáveis. Essa dor, inclusive, se persistir, deve ser examinada por um médico especializado. Pois bem: aquilo que tinha começado como uma dor de mentirinha e que depois virou uma dor de verdade, no fundo dos fundilhos era uma dor que já existia como dor, sendo que em nenhum momento o tal poeta dolorido sequer pensou em provocar dor em mais alguém a não ser nele mesmo. Coitado.

Reconheço que perdeu um pouco da graça, mas ficou mais popular, pode até ser adaptado para uma mini-série da Record.

24/11/2008 - 17:29h IPVA de carros usados vai ficar mais caro

 DE OLHO NOS DEPUTADOS
estaduais de SP


IPVA de carros usados vai ficar mais caro


 

Novos critérios para fixação da base de cálculo do IPVA – Imposto sobre a propriedade de veículos automotores – para veículos com até 20 anos de fabricação estão previstos em projeto de lei (PL 716/2008) enviado pelo governador José Serra à Assembléia Legislativa. Caso os deputados aprovem o projeto, o cálculo do imposto deixará de ser pelo valor venal e passará a ser pelo valor de mercado, o que incorrerá, na grande maioria dos casos, em aumento no valor do imposto a pagar. Cerca de cinco milhões de proprietários em todo o Estado de São Paulo terão que pagar valores mais altos de imposto.

A lei atual impõe que a base de cálculo dos veículos entre 10 e 20 anos de fabricação é de 90% do valor venal do veículo fabricado no ano imediatamente posterior. Com o novo projeto, o governo irá divulgar tabela com o valor de mercado dos veículos com até 20 anos de fabricação, fazendo com que a base de cálculo desses automóveis reflita o seu valor de mercado, o que nem sempre ocorre com o método adotado pela lei atual.

O líder da oposição da Assembléia, deputado Roberto Felício (PT), apresentou emenda ao projeto do governo para que as regras continuem como são hoje. Em sua justificativa, o petista argumenta que o governo do Estado ao modificar a lei vai onerar pelo menos cinco milhões de proprietários de veículos e fazer com que o IPVA paulista permaneça o mais caro do país. “O governo do Estado vem agindo da mesma forma com a substituição tributária, o que demonstra que a preocupação é de somente arrecadar para ampliar o leque de obras tocadas pelo poder executivo”, justifica o líder do PT.

O governo argumenta que “tal modificação reflete o objetivo da busca de maior justiça fiscal, além de prestigiar o princípio da transparência da atividade administrativa, tudo em benefício do contribuinte”.

O novo projeto prevê que o Estado poderá firmar convênios ou contratar serviços de entidades especializadas para a pesquisa dos valores médios de mercado dos veículos usados e que para a determinação da base de cálculo é irrelevante o estado de conservação do carro.

Outras modificações previstas no projeto

As locadoras que tenham os veículos registrados no Estado de São Paulo terão a alíquota do IPVA reduzida em 50%. A proposta de redução, segundo o governo, tem o intuito de regularizar a situação de tais empresas, além de desonerar o exercício da atividade no Estado de São Paulo. Para os demais proprietários as alíquotas serão: 1,5% para veículos de carga (tipo caminhão); 2% para ônibus, microônibus, caminhonetes cabine simples, motocicletas; 3% para veículos que utilizarem exclusivamente álcool, gás natural veicular ou eletricidade; 4% para demais carros de passeio. Os veículos com mais de 20 anos de fabricação são isentos do imposto.

Outra mudança prevista pelo projeto são para os carros registrados e licenciados em outros estados, mas que seus proprietários residam no Estado de São Paulo. O imposto será devido no local do domicílio ou da residência do proprietário. O governo justifica que “a circulação dos veículos automotores não têm limites territoriais e o critério que melhor garante ao contribuinte do IPVA ter para si e para sua comunidade os benefícios da aplicação da receita com a qual contribui é o do domicílio”.

Deputado quer IPVA parcelado em até 10 vezes

O deputado Bruno Covas (PSDB) apresentou emenda ao projeto do governador Serra para alterar a forma de pagamento do IPVA para até 10 parcelas, ao invés do limite máximo atual de apenas três parcelas.

Outras duas emendas apresentadas pelo deputado tucano são: desconto de 2% no IPVA para os veículos que rodar menos de 10 mil quilômetros em um ano e acabar com a isenção do imposto para carros com mais de 20 anos.

No primeiro caso, Bruno Covas justifica que o desconto seria um incentivo ao contribuinte que utiliza menos o veículo, visando uma melhoria no trânsito do Estado de São Paulo e nas condições do ar. No segundo caso, o deputado argumenta que “suprimir a isenção do imposto dada aos veículos com mais de 20 anos é muito importante para a renovação da frota bem como diminuição dos problemas de trânsito, além de fundamental para a redução dos poluentes lançados do ar”.

31/10/2008 - 22:10h Outubro no blog

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Hoje é dia de balanço do blog. Como cada fim de mês dou conta dos resultados e de alguns dos problemas encontrados no funcionamento deste espaço.

Este mês foi relativamente atípico, por causa das eleições municipais. Os comentários foram mais numerosos e alguns provocadores ou agressivos, muitos sem qualquer assomo de argumentação. Salvo os mais repugnantes, deixei passar vários com o único objetivo de mostrar o grau de indigência política de seus autores. Mas o recreio acabou e agora voltamos a critérios mais estritos do que é aqui publicado. Aplicando o princípio que rege o espaço reservados às cartas dos leitores nos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, o espaço para os comentários aqui no blog estará aberto a opinião pública. Os que não se sentirem contemplados com a reprodução das suas mensagens aqui, poderão escrever para ambos jornais que as acolherão, pelo mesmo motivo que foram recusados aqui.

O número de leitores do blog cresceu ainda mais em outubro, talvez pelo interesse eleitoral. Não sei se muitos dos que passaram a freqüentar este espaço por motivo de curiosidade eleitoral, permanecerão depois. Espero que sim.

De 7.700 leitores por dia, passamos neste mês a 9.000. A cada dia essa média de internautas acompanhou as leituras e opiniões aqui publicadas, alguns participando com comentários e com encorajamentos. O dia 6 de outubro foi o de maior leitura no mês, 12.209. Em 11 de outubro foi o de menos leitores, 5.069.

São leitores de 143 países, a maioria do Brasil, seguido de Portugal, Estados-Unidos, França, Argentina, Espanha, México, Inglaterra, Angola e Alemanha, pela ordem.

Do Brasil os leitores estão em 204 cidades: São Paulo, os mais numerosos, seguidos de Rio, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, São Caetano do Sul (SP), Porto Alegre, Recife, Curitiba e Campinas (SP). Os menos numerosos de Lontras, Ji-Paraná, Santana do Livramento e Itajaí.

Como tem sido o critério desde o começo do blog, aqui não se aceitam comentários xenófobos, homofóbicos, antissemitas, racistas, sexistas ou pornográficos.

A maior liberdade para a arte, que aqui se expõe sem censura.

Minhas opiniões estão assinadas, as leituras que reproduzo não implicam acordo com o conteúdo delas, assinadas por seus autores e com indicação da fonte.

Luis Favre

25/10/2008 - 17:27h A dama de vermelho


Blog Cidadania.com

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Foi outra Marta Suplicy que debateu com Gilberto Kassab na Globo na última sexta-feira. Marta voltou a ser Marta. Vestiu vermelho e foi uma guerreira, resgatando o PT dos bons tempos, aquele PT que foi paixão de tantos e que infundia terror nos corações da elite.

Kassab, por sua vez, sentiu-se encurralado. Seu nervosismo saltava da telinha. A candidata do PT travou sua derradeira batalha com ele nesta campanha de uma forma que a fez sair daquele debate muito maior do que entrou.

Não foi por outra razão que até a Folha publicou texto opinativo de um tipo que não costuma publicar, isento. Foi do colunista Nelson de Sá, possivelmente o único colunista daquele jornal que, desde que começou a guerra do veículo com o PT há mais ou menos uns cinco anos, vem conseguindo se manter acima de paixões políticas e partidarismos.

Vejam trechos da avaliação de Nelson de Sá sobre o debate.

Marta adota estratégia de bate-estaca

 

NELSON DE SÁ

COLUNISTA DA FOLHA

 

Se Marta Suplicy se deixou abalar no debate anterior, na Record, ontem foi a vez de Gilberto Kassab. Embora tenha começado com agressividade acima do recomendável, sobretudo para quem tem rejeição tão alta, a ex-prefeita se estabilizou e atravessou o programa com aparente firmeza de argumentos. Com um questionamento constante, bate-estaca, mas que não feria o espectador.

 

(…) Talvez pelo impacto da propaganda com o “vagabundo” [a propaganda eleitoral de Marta transmitiu sexta-feira na tevê cenas em que Kassab agride fisicamente e xinga um munícipe que o questionou], Kassab tremeu.

 

Repetia as frases feitas, “cidade quebrada”, “cidade falida”, “Paris”, mas não soava especialmente atento ao que ele mesmo falava. Deixou que Marta tomasse a iniciativa, no primeiro e depois no correr dos outros três blocos. Nem as questões generalistas tiradas do nada pelo âncora conseguiam conter a ex-prefeita, que seguia deixando marcas no adversário.

 

Depois de não pouca confusão, o documento de despejo repisado por ela deixou nele uma imagem de insensibilidade e até desconhecimento. Sobre educação, “Kassab, você nunca entendeu os CEUs”. Sobre trânsito, “você não fez um corredor de ônibus”. Pior, “quando é que vai começar o pedágio?”. Sentia-se tão à vontade que tentou até “esclarecer” os túneis que ela fez.

 

Não faltaram acenos da ex-prefeita ao eleitorado feminino, aproveitando a desatenção kassabista. Ele falou em creches como tema “delicado”, ela reagiu que “creche é um assunto concreto para a mulher, isso é que você não entende” (…)

 

Enfim, Marta foi Marta – e foi PT. Seu traje escarlate e seu discurso humanista foram esquerda pura. Seu discurso, diferentemente do que tinha sido no decorrer da campanha, voltou-se para quem vota ou deveria votar sempre na esquerda, para os pobres. Foi altiva sem ser arrogante, indignada sem se descontrolar, precisa e minuciosa sem ser maçante.

O nervosismo de Kassab o fez até dizer que ela “esquecia de omitir” alguma coisa. Isso tudo, ao lado do comentário destacado de Nelson de Sá na Folha, não me sugere necessariamente uma virada na eleição, mas talvez uma votação de Marta neste segundo turno que pode se tornar um drama sobretudo para institutos de pesquisa, por mais que um eventual erro grave deles venha a ser censurado no debate pós eleitoral.

De qualquer forma, Marta resgatou a dignidade petista no último debate de uma campanha que, até aqui, eu vinha preferindo esquecer pelas razões que vocês já conhecem.

Minha candidata, enfim, deixou-me orgulhoso nesta campanha. Conseguiu fazer um adversário com enorme vantagem nas pesquisas – e com o apoio incondicional de toda grande mídia – tremer como uma vara verde diante de si. Nada mal para uma campanha desastrosa, da qual a ex-prefeita poderá – eu disse que apenas po-de-rá – sair bem maior do que pensávamos.

Eduardo Guimarães