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	<title>Blog do Favre &#187; blogueiros</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Um blog no meio da zona de conflito</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/01/um-blog-no-meio-da-zona-de-conflito/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/01/um-blog-no-meio-da-zona-de-conflito/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 12 Jan 2009 17:32:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[SAMEH A. HABEEB 23 anos, blogueiro e jornalista palestino de Gaza




DIVULGAÇÃO





PERIGO – Por causa do blog, Sameh (acima) recebeu ameaças de morte


 Blogando, jovem torna-se olhos dos principais veículos do mundo sobre o lado palestino do bombardeio à Gaza
&#160;
Filipe Serrano &#8211; O Estado SP &#8211; Caderno Link
&#160;
A voz do jovem palestino e blogueiro Sameh Akram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="center"><font class="titulo_secao_verde">SAMEH A. HABEEB</font> <font class="text_preto2">23 anos, blogueiro e jornalista palestino de Gaza</font></div>
<p><font class="titulo_conteudo_preto"><br />
</font></p>
<table width="185" align="center" border="0" cellpadding="1" cellspacing="0">
<tr>
<td class="text_menu_preto" align="right"><font size="1"><em>DIVULGAÇÃO</em></font></td>
</tr>
<tr>
<td align="center"><img src="http://img01.link.estadao.com.br/multimidia/publicador/large/00/0001/0148.jpg" border="0" /></td>
</tr>
<tr>
<td class="text_menu_preto"><font size="1"><em>PERIGO – <mc><cw-39>Por causa do blog, Sameh (<cf519>acima</cf519>) <cf518>recebeu ameaças de morte</cf518></cw-39></mc></em></font></td>
</tr>
</table>
<p class="titulo_secao_preto" align="left"><conewlink><ip0><cj1><cp10><cl18.4><cw-40><cf343></cf343> <strong><mc2><cf502>Blogando</cf502>, jovem torna-se olhos dos <cf502>principais veículos do mundo</cf502> sobre o <cf502>lado palestino</cf502> do bombardeio <cf502>à Gaza</cf502></mc2></strong></cw-40></cl18.4></cp10></cj1></ip0></conewlink></p>
<p class="text_verde" align="left">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99" class="text_verde" align="left">Filipe Serrano &#8211; O Estado SP &#8211; Caderno Link</p>
<p class="text_verde" align="left">&nbsp;</p>
<p class="text_preto2" align="left">A voz do jovem palestino e blogueiro Sameh Akram Habeeb, de 23 anos, soava cansada no telefone ao falar com o <cf576>Link </cf576>pela segunda vez na última semana enquanto o 13º dia da ofensiva de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza chegava ao fim, na noite de quinta-feira. “Está tudo bem por aqui&#8230; Só que os bombardeios ainda não acabaram (<cf576>suspiro</cf576>). Você já escreveu meu nome no jornal?”, ele pergunta, curioso, mas sem entusiasmo.</p>
<p>É que, desde o início do cerco a Gaza, há duas semanas, Sameh teve poucas horas de descanso. Ele se dispôs a reportar voluntariamente, pela internet, a situação na Cidade de Gaza, onde vive com seus pais, irmãos e irmãs.</p>
<p>Sua casa está sem eletricidade e, a cada dia, ele percorre quatro quilômetros até um local onde pode recarregar a bateria de seu notebook. Nas horas seguintes, telefona para hospitais, ouve as notícias pelo rádio do seu celular e tira fotografias do caos que tomou a região. Em casa, na região leste da cidade, se conecta à internet usando uma precária conexão discada.</p>
<p>Ela é lenta, mas, desde que a banda larga deixou de funcionar, tem sido a única opção para atualizar seu blog Gaza Strip, the Untold Story (<cf576>http://gazatoday.blogspot.com</cf576>) e o álbum virtual de fotografias que mantém no site <cf576>http://picasaweb.google.com/sameh.habeeb</cf576>.</p>
<p>No blog, que em português quer dizer <cf576>Faixa de Gaza, a História Não Contada</cf576>, Sameh descreve as dificuldades pelas quais os palestinos habitantes de Gaza têm passado nos últimos dias. Falta de água potável, energia, comida, gasolina, gás e assistência média são alguns dos problemas citados na página. Ele também enumera os acontecimentos do dia com uma sobriedade de manchete jornalística: “A casa da família Bawadi, em Jabalia, foi destruída”, dizia uma das atualizações de quinta-feira.</p>
<p>A sobriedade não é à toa. Sameh é formado em Língua Inglesa em 2008, mas também faz trabalhos como jornalista independente. Por isso, a cobertura em seu blog tem um tom objetivo, mesmo que ele, pessoalmente, tenha opiniões contrárias às ações de Israel.</p>
<p>Blogueiros palestinos como Sameh têm feito um papel importante durante a ofensiva israelense porque nenhum jornalista estrangeiro teve permissão de Israel para entrar na Faixa de Gaza até sexta-feira. Israel informou à organização <cf576>Repórteres Sem-Fronteira</cf576> que um cinegrafista da BBC entrou acompanhado do Exército. Com informações de pessoas como Sameh, a mídia internacional conseguiu dizer o que ocorria dentro da Faixa de Gaza.</p>
<p>Sameh é um caso especial porque, além de ter experiência como jornalista, deixa todos os seus contatos no blog. “Estou disponível 24 horas para atender jornalistas. Você pode me ligar a qualquer hora em minha casa”, avisa ele no blog.</p>
<p><cw-8>Sua primeira entrevista para um jornalista estrangeiro foi em março, depois de um ataque na Faixa de Gaza. O palestino foi encontrado por causa do blog, que já publicava desde o início de 2008. Nas últimas duas semanas, porém, ele foi procurado diversas vezes para contar sua experiência como um palestino vivendo em meio aos ataques. “Muitas emissoras me procuraram, como CNN, ABC, CBS, Skynews, e jornais grandes, como <cf576>USA Today</cf576>, <cf576>New York Times</cf576>,<cf576> Libération</cf576> e <cf576>Le Figaro</cf576>”, diz.</cw-8></p>
<p>“Meu telefone toca como o de um escritório cheio. Tenho um celular que fica ocupado toda hora também. Imagino que recebi umas 200 ligações nas últimas duas semanas. Não foram só jornalistas, mas algumas pessoas ligaram para dar apoio, dizer boa sorte e essas coisas”, afirma.</p>
<p>O blogueiro não esconde seu orgulho pessoal de ter recebido tantas ligações do mundo todo. “Tenho uma boa experiência já. Sou um bom fotógrafo, um fotógrafo fantástico. Você viu minhas imagens no site Skynews? Fotos fantásticas”, gaba-se.</p>
<p>A vontade de ajudar e de contar a situação de Gaza trouxe consequências perigosas. Na quinta-feira, Sameh recebeu três ligações anônimas ameaçando-o de morte se não parasse de escrever no blog. Ele diz não ter medo e que apenas não quer que sua família seja machucada. “Vou continuar escrevendo mais e mais. Não vou parar. Sinto que preciso mandar notícias sobre esta guerra”.</p>
<p>Após a declaração, Sameh conta que adora o Brasil e quer visitar o País quando tiver férias. Fica curioso para saber se é o custo de vida aqui é alto e ainda diz que em Gaza há muitos fãs de Ronaldo, o jogador. “Sabia que ele já esteve em Ramallah (<cf576>cidade palestina próxima a Jerusalém</cf576>)?”</p>
<p><cw-22>A conversa é interrompida e ele di</cw-22><cw-19>z “<cf576>Look, breaking news</cf576> (olhe, últimas notícias): um jornalista de Gaza foi morto em sua casa. Era um cinegrafista. Acho que foi atingido por um foguete. Nossa, agora estou com medo.”</cw-19></p>
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		<title>O futuro dos jornais</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Jun 2008 14:43:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[FOLHA SP


  Blog de política mais popular dos EUA, Huffington Post radicaliza a noção de interatividade, mas ainda  depende das reportagens dos grandes diários; para sua fundadora, falar da morte dos jornais é &#8220;ridículo&#8221; 
 ERIC ALTERMAN
O jornal norte-americano está na praça há mais ou menos 300 anos. A folha veemente de Benjamin [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="4"><strong>FOLHA SP</strong></font></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.mediabistro.com/fishbowlLA/original/newspapers.jpg" alt="http://www.mediabistro.com/fishbowlLA/original/newspapers.jpg" /></div>
<p><font size="4"><strong></p>
<p></strong></font>  <strong>Blog de política mais popular dos EUA, Huffington Post radicaliza a noção de interatividade, mas ainda  depende das reportagens dos grandes diários; para sua fundadora, falar da morte dos jornais é &#8220;ridículo&#8221; </strong></p>
<p><strong> ERIC ALTERMAN</strong></p>
<p>O jornal norte-americano está na praça há mais ou menos 300 anos. A folha veemente de Benjamin Harris &#8220;Publick Occurrences, Both Foreign and Domestick&#8221; [Ocorrências Públicas Estrangeiras e Domésticas], só conseguiu tirar um número, em 1690, antes de ser fechada pelas autoridades de Massachusetts.<br />
Harris sugerira uma linha  dura e politicamente incorreta  quanto à remoção dos indígenas e chocara as suscetibilidades locais ao informar que o rei  da França tomava liberdades  com a mulher do príncipe.<br />
Mas foi apenas em 1721,  quando o impressor James  Franklin lançou o &#8220;New England Courant&#8221;, que as colônias britânicas na América do  Norte viram surgir algo semelhante aos jornais de hoje.<br />
Irmão mais velho de Benjamin, Franklin se recusava a  aderir às praticas costumeiras  de direitos autorais e atacava  os poderes estabelecidos na  Nova Inglaterra, logrando assim tanto independência editorial como sucesso comercial.<br />
Preenchia seu jornal com cruzadas (contra tudo, dos piratas ao poder dos pastores puritanos Cotton e Increase Mather), ensaios literários, vinhetas e ruminações filosóficas.<br />
Três séculos depois do &#8220;Courant&#8221;, já não é preciso ter uma  imaginação distópica para cogitar quem terá a honra ambígua de publicar o último jornal  de verdade nos EUA.<br />
Pouca gente acredita que os  jornais, na forma impressa de  hoje, tenham chance de sobreviver. Eles estão perdendo  anunciantes, leitores, valor de  mercado e, em alguns casos, o  próprio senso de missão, num  ritmo que teria sido difícil imaginar meros quatro anos atrás.<br />
Num discurso recente em  Londres, Bill Keller, editor-executivo do &#8220;New York Times&#8221;, declarou: &#8220;Onde quer  que editores e publishers se encontrem, a atmosfera é funérea. Os editores perguntam &#8220;como você está?&#8221; naquele tom  que se usa com um amigo que  acaba de sair de uma desintoxicação ou um divórcio&#8221;.<br />
Seu discurso foi publicado no  site de seu anfitrião, o &#8220;Guardian&#8221;, sob a manchete &#8220;Vivo  ainda&#8221;. Ainda. Mas as tendências de circulação e publicidade, a ascensão da web, que faz o  jornal diário parecer lento e  lerdo, e o advento da Craigslist,  que está extinguindo os classificados, criaram uma sensação  palpável de fim iminente.<br />
Nos últimos três anos, os jornais americanos independentes perderam 42% de seu valor  de mercado, segundo o empresário de mídia Alan Mutter.<br />
Poucas companhias foram  tão punidas em Wall Street  quanto aquelas que ousaram  investir no ramo jornalístico. A  McClatchy Company, a única a  dar um lance pela cadeia  Knight Ridder quando ela foi a  leilão em 2005, perdeu 80% de  seu valor acionário desde que  concluiu a aquisição de US$ 6,5  bilhões. As ações da Lee Enterprises caíram 75% desde que  ela adquiriu a cadeia Pulitzer,  naquele mesmo ano.<br />
As companhias jornalísticas  mais prezadas começaram, de  repente, a parecer um fardo  empresarial. Em vez de competir numa era de transformação,  as famílias que controlavam o  &#8220;Los Angeles Times&#8221; e o &#8220;Wall  Street Journal&#8221; venderam a  maior parte de suas ações.<br />
A New York Times Company  viu suas ações caírem 54% desde 2004, em especial no último  ano; em fevereiro, o Deutsche  Bank recomendou que seus  clientes vendessem ações do  &#8220;New Tork Times&#8221;. A Washington Post Company só evitou o mesmo destino ao se  apresentar como &#8220;empresa de  educação e comunicação&#8221;; seu  braço didático, a Kaplan, agora  responde por pelo menos metade do faturamento total.</p>
<p><span id="more-5654"></span></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.bernarrmacfadden.com/newspapers.gif" alt="http://www.bernarrmacfadden.com/newspapers.gif" /></div>
<p><strong>Máquina de dinheiro</strong><br />
Até pouco tempo atrás, os  jornais estavam acostumados a  operar como monopólios de alta margem de lucro. Por muitas  décadas, publicar o jornal dominante -ou único- de uma  cidade dos EUA de porte médio  equivalia a deter uma licença  para imprimir dinheiro.<br />
Mas na era da internet ainda  não apareceu ninguém com  uma solução para salvar o jornal, nos EUA e no mundo. Os  jornais criaram sites que se beneficiam da alta da publicidade  on-line, mas os valores vindos  dessa fonte não cobrem, nem  de longe, a perda de faturamento com a queda da circulação e  da publicidade impressa.<br />
A maioria dos executivos reagiu ao colapso de seu modelo de  negócios com uma espiral de  cortes orçamentários, sucursais fechadas, fusões, demissões e reduções de formato e  entrelinha. De 1990 para cá, um  quarto dos empregos no ramo  jornalístico desapareceu.<br />
A colunista Molly Ivins  [1944-2007] reclamava, antes  de morrer, da solução dada pelas companhias aos problema:  &#8220;Tornar o produto menor, inútil e desinteressante&#8221;.<br />
Talvez isso ajude a explicar  por que o número decrescente  de americanos que compram e  lêem jornais diários gasta cada  vez menos tempo com eles: a  média é inferior a 15 horas por  mês. E meros 19% dos americanos com idade entre 18 e 34  anos declaram consultar jornais diários. A idade média do  leitor de jornais é de 55 anos -e  a curva aponta para cima.</p>
<p><strong>Artefato de museu?</strong><br />
Em &#8220;The Vanishing Newspaper&#8221; (2004), Philip Meyer arrisca a previsão de que o último  exemplar do último jornal aparecerá na porta de seu leitor em  algum dia de 2043. Talvez não  seja muito delicado lembrar  que essas declarações coincidem com a inauguração, neste  ano, do Newseum [museu de  notícias] de Washington, D.C.,  projeto de US$ 540 milhões.<br />
Mas o fato é que, cada vez  mais, isso que Bill Keller chama  de &#8220;adorável e antiquado feixe  de tinta e celulose&#8221; começa a  parecer um artefato digno de  ser exposto num museu.<br />
Quem vai tomando o lugar,  como se sabe, é a internet, que  está a ponto de ultrapassar os  jornais como fonte de informação política para os leitores  americanos -coisa que já aconteceu entre os jovens e os politicamente engajados. Já em  maio de 2004, os jornais ocupavam o último lugar entre as  fontes de notícia preferidas pelos leitores mais jovens.<br />
Segundo o relatório &#8220;Abandoning the News&#8221; [Abandonando os Jornais], publicado  pela Carnegie Corporation,  39% dos entrevistados com  idade inferior a 35 anos acreditavam que, no futuro, usariam a  internet como fonte de informação. Apenas 8% disseram  que recorreriam a um jornal.<br />
Há um elemento de injustiça  irônica no fato de que o leitor  que navega pela internet em  busca de notícias políticas muitas vezes acaba dando num site  que meramente reúne trabalho  jornalístico proveniente de um  jornal -embora esse fato não  será capaz de salvar os empregos ou aumentar as cotações do  ramo jornalístico.<br />
Um dos aspectos mais significativos na transição dos jornais de papel para o mundo da  informação digital diz respeito  à própria natureza da &#8220;notícia&#8221;.<br />
O jornal norte-americano  (bem como os noticiários noturnos) dirige-se a um público  vasto, de opiniões e valores  conflitantes, fazendo apelo a  um ideal de objetividade.<br />
Muitos jornais, no afã de demonstrar equilíbrio e imparcialidade, não permitem que  seus jornalistas exprimam suas  opiniões em público, participem de passeatas, trabalhem  em campanhas políticas, usem  broches políticos ou colem adesivos em seus carros.<br />
Numa conversa particular,  jornalistas e editores podem  até admitir que a objetividade é  um ideal, mas, como membros  de uma fraternidade suscetível,  poucos dentre eles se permitiriam demonstrar em público o  menor laivo de parcialidade.<br />
Os jornalistas preferem desdenhar a possibilidade de que  suas crenças pessoais possam  interferir em sua capacidade de  cobrir uma história com perfeito equilíbrio.<br />
Nesse meio tempo, a confiança pública nos jornais vem  caindo vertiginosamente.<br />
Um estudo recente da Universidade do Sagrado Coração  revelou que menos de 20% dos  americanos declararam acreditar &#8220;em todo ou quase todo&#8221; o  noticiário jornalístico -número que despencou 27% em apenas cinco anos.<br />
&#8220;Menos de uma em cada cinco pessoas acredita no que lê na  imprensa&#8221;, concluiu o relatório  &#8220;O Estado da Mídia&#8221; de 2007,  publicado pelo Projeto pela Excelência em Jornalismo. &#8220;A  CNN não goza de mais confiança que a Fox, a ABC ou a NBC. O  jornal local não é visto de modo  muito diferente que o &#8220;New  York Times&#8221;.&#8221;</p>
<table width="250">
<tr>
<td>
<hr noshade="noshade" size="2" /> <strong><em>Quase 9  em cada 10 americanos declararam que a mídia tenta, de caso  pensado, influenciar políticas públicas  </em></strong><br />
<hr noshade="noshade" size="2" /></td>
</tr>
</table>
<p>Os americanos que acreditam em discos voadores ou em  alguma teoria da conspiração  em torno do 11 de Setembro são  muito mais numerosos do que  aqueles que acreditam na noção de uma imprensa imparcial, que dirá &#8220;objetiva&#8221;.<br />
Quase 9 em cada 10 americanos declararam ao estudo da  Universidade do Sagrado Coração que a mídia tenta, de caso  pensado, influenciar políticas  públicas.<br />
Não menos alarmante é a rápida transformação que se deu  no entendimento e na demanda do público por &#8220;notícias&#8221;.</p>
<p><strong>Reinvenção</strong><br />
Em abril de 2005, numa palestra diante da Sociedade Americana de Editores de Jornal, dois anos antes da aquisição, por US$ 5 bilhões, da Dow Jones &amp; Co. e do &#8220;Wall Street Journal&#8221;, Rupert Murdoch advertiu os principais editores e publishers do ramo jornalístico: tinham chegado ao fim os dias em que &#8220;as notícias e a informação eram firmemente controladas por uns poucos editores, que decidiam o que podíamos e devíamos saber&#8221;. Ninguém mais aceitaria essa &#8220;figura divina&#8221;, que apresentava as notícias como quem revela o Evangelho. Os consumidores de hoje querem &#8220;notícias no calor da hora, atualizadas constantemente. Querem um ponto de vista, não apenas sobre o que aconteceu, mas também sobre as razões pelas quais aconteceu. Finalmente, querem poder usar essa informação em comunidades mais vastas -querem discutir, debater, questionar e até mesmo encontrar pessoas que pensam o mundo de modo semelhante ou diverso&#8221;.<br />
Um mês depois da palestra de Murdoch, um mestre em computação, Jonah Peretti, e um ex-executivo da AOL, Kenneth Lerer, se juntaram à ubíqua comentadora-candidata-ativista Arianna Huffington para lançar um novo site, que batizaram de Huffington Post.<br />
Concebido inicialmente como alternativa liberal [nos  EUA, sinônimo de esquerda] ao  Drudge Report, o Huffington  Post começou reunindo noticiário e fofoca sobre política, ao  mesmo tempo em que organizava um blog com colunistas  arregimentados no rol preocupantemente vasto de amigos e  conexões de Huffington.<br />
Quase por acaso, os proprietários do Huffington Post descobriram uma fórmula que capitalizava sobre os problemas  do jornalismo impresso na era  da internet, e agora estão convencidos de que estão prontos  para reinventar o jornalismo  norte-americano.<br />
&#8220;Logo vimos que a chave para  a empresa consistia não em  imitar o Drudge&#8221;, rememora  Lerer, &#8220;mas em tirar vantagem  de nossa comunidade. A chave  consistia em pensar sobre o que  estávamos fazendo do ponto de  vista dessa comunidade&#8221;.<br />
No Huffington Post, explica  Peretti, a notícia não é uma coisa que se entrega de cima para  baixo, mas algo que é &#8220;compartilhado entre o produtor e o  consumidor&#8221;.<br />
Fazendo eco a Murdoch, ele  diz que a internet oferece ao  editor uma &#8220;informação imediata&#8221; sobre quais matérias interessam ao leitores, suscitam  comentários, são enviadas a  amigos e geram mais pesquisas  nos sites de busca. Um site de  notícias, segundo Peretti, tem  &#8220;uma vida que seria impossível  à base de papel e tinta&#8221;.<br />
O Huffington tem uma equipe de jornalismo (diminuta,  mas há esperanças de expandi-la no futuro), a maioria das matérias provêm de outras fontes,  impressas, televisivas ou particulares -a câmera ou o celular  de alguém. Os editores criam  links para o que lhes parece ser  a melhor matéria sobre um determinado tópico e lhes dão  uma manchete chamativa e de  viés liberal, seguida de um espaço aberto para comentários  dos leitores.<br />
Ao redor dos artigos noticiosos, encontram-se as postagens  muito veementes de uma hoste  de blogueiros célebres (Nora  Ephron, Larry David) ou nem  tanto -mais de 1.800. Os blogueiros não são remunerados.<br />
O efeito final pode parecer  caótico e confuso, mas, segundo Lerer, &#8220;esse modo de pensar  e apresentar a notícia é tão  transformador quanto foi a  CNN, 30 anos atrás&#8221;.<br />
Arianna Huffington e seus  sócios acreditam que esse modelo aponta para o futuro da indústria jornalística. &#8220;Todo  mundo fala da morte dos jornais, como se fosse um caso encerrado. Eu acho isso ridículo&#8221;,  diz ela. &#8220;A mídia tradicional só  precisa perceber que a palavra  digital não é o inimigo. Na verdade, é a palavra digital que vai  salvar os jornais, contanto que  eles a adotem de verdade.&#8221;</p>
<p><strong>Tese discutível</strong><br />
Parece uma ambição quase  risível, partindo de uma empresa com apenas 46 empregados  em tempo integral, muitos dos  quais mal têm idade para alugar  um carro. Mas, com US$ 11 milhões à sua disposição, o site  chega a arrecadar entre US$ 6  milhões e US$ 10 milhões por  ano. O que mais impressiona os  anunciantes -e deprime os  executivos de jornais- são os  números da expansão do site.<br />
Nos últimos 30 dias, graças,  em parte, às primárias democratas, as visitas saltaram para  mais de 11 milhões, segundo a  empresa. E, segundo as estimativas da Nielsen NetRatings e  da comScore, o Huffington  Post só perde em popularidade  para oito sites de jornais, subindo da 16ª posição que ocupava  em dezembro passado.<br />
Mas a idéia de que o Huffington Post possa competir com  (ou substituir) os melhores jornais tradicionais é discutível  sob outros aspectos ainda. As  fontes de reportagem original  do site são minúsculas. Não há  cobertura constante de esportes ou livros, e a seção de entretenimento é um amontoado de  fofoca virtual sem nenhum trabalho de verificação.<br />
E, por mais que o Huffington  Post tenha conquistado espaço  como lugar em que políticos  progressistas e vultos liberais  de Hollywood publicam seus  sentimentos anti-Bush, muitas  das postagens publicadas não  merecem o esforço de um simples clique com o mouse.<br />
As esquisitices não param  por aí. Enquanto um jornal tende a afiançar o que publica por  conta de um processo editorial  em que jornalistas e editores  devem checar suas fontes antes  de publicar uma matéria, a blogosfera depende de seus leitores -de sua comunidade-  exercerem algum controle de  qualidade.<br />
No Huffington Post, explica  Peretti, os editores &#8220;assinam  embaixo da primeira página&#8221; e  dão o melhor de si para assegurar que apenas blogueiros e  fontes confiáveis sejam postadas ali. Mas a maior parte das  postagens é veiculada antes  que qualquer editor tenha tempo de vê-las. Os editores só intervêm se algum leitor julgar  que uma postagem qualquer é  falsa, difamatória ou ofensiva.<br />
Os processos editoriais do  Huffington Post baseiam-se no  que Peretti chama &#8220;estratégia  &#8220;mullet&#8217;&#8221; (&#8221;negócios na frente,  festa nos fundos&#8221;, como quer  seu site BuzzFeed) (1).<br />
&#8220;A onda é a do conteúdo gerado pelo próprio usuário, mas a  maior parte desse conteúdo  não vale nada&#8221;, diz Peretti.<br />
A &#8220;estratégia &#8220;mullet&#8217;&#8221; convida o usuário a &#8220;discutir e deblaterar nas páginas secundárias,  enquanto editores profissionais cuidam da primeira página. Essa estratégia veio para ficar, porque o melhor meio de  aumentar a visitação é deixar  que os usuários tenham controle, enquanto o melhor meio  de aumentar a publicidade é  manter uma primeira página  limpa e bonita, onde o anunciante pode admirar a marca de  sua empresa&#8221;.<br />
Essa estratégia não é livre de  problemas. Durante a crise do  furacão Katrina, o ativista Randall Robinson postou relatos de  New Orleans segundo os quais  havia &#8220;pessoas comendo cadáveres para sobreviver&#8221;.<br />
Quando Arianna Huffington  ficou sabendo da postagem, entrou em contato com Robinson  e descobriu que ele não tinha  como comprovar suas fantasias. Huffington então pediu  que Robinson postasse um pedido de desculpas. A rapidez  com que a correção foi feita foi  admirável, mas não o suficiente  para impedir que a informação  incorreta fosse repetida em outros lugares.<br />
As tensões entre os líderes da  mídia tradicional e os desafios  da internet foram prenunciados por um dos debates intelectuais mais instrutivos e acalorados nos EUA do século 20.<br />
Entre 1920 e 1925, o jovem  Walter Lippmann publicou  três livros que investigavam a  relação entre democracia e imprensa, entre eles &#8220;Public Opinion&#8221; [Opinião Pública", 1922],  que está na origem da profissão  de relações públicas e do campo acadêmico de estudo da mídia. Lippmann identificou uma  lacuna fundamental entre o  que naturalmente esperamos  da democracia e o que sabemos  sobre as pessoas.<br />
A teoria da democracia supõe  cidadãos bem informados sobre as pautas públicas e sobre  os indivíduos que se candidatam a conduzi-las. E, por mais  que esse fosse o caso entre os  cidadãos brancos e proprietários na Boston de Benjamin  Franklin, a sociedade capitalista contemporânea era grande e  complexa demais, na visão de  Lippmann, para que eventos  decisivos pudessem ser entendidos pelo cidadão comum.<br />
O jornalismo funciona bem,  segundo Lippmann, quando se  trata de &#8220;relatar o resultado de  um jogo ou o sucesso de um vôo  transatlântico ou a morte de  um monarca&#8221;.<br />
Mas, quando a situação se  complica, &#8220;por exemplo, quando se trata do êxito de uma dada  política ou da situação social de  um país estrangeiro, isto é,  quando a resposta não é apenas  um sim ou um não, mas sutil e  dependente de dados confiáveis&#8221;, o jornalismo &#8220;se torna  fonte de todo tipo de confusão,  de mal-entendido ou de simples distorção&#8221;.</p>
<p><strong>Elitista confesso</strong><br />
Lippmann comparava o americano médio -o &#8220;outsider&#8221;, como ele o chamava- a um &#8220;espectador surdo na última fileira&#8221; de um evento esportivo: &#8220;Não sabe o que está acontecendo, por que está acontecendo, o que deveria acontecer&#8221; e vive &#8220;num mundo que não tem como ver, entender ou dirigir&#8221;.<br />
Numa descrição que só pode  soar familiar a quem assiste canais de TV a cabo ou escuta  programas de debate no rádio,  Lippmann julgava que o público &#8220;demora a se excitar e não  tarda em se distrair [...] e só tem  interesse por acontecimentos  dramatizados na forma de um  conflito&#8221;.<br />
Elitista confesso, Lippmann  não via nada de chocante nessas conclusões. Não se espera  do cidadão médio que seja  fluente em física de partículas  ou em pós-estruturalismo; então por que deveria entender a  política do Congresso ou do  Oriente Médio?<br />
Para Lippmann, a melhor solução consistia, essencialmente, em jogar a democracia no lixo. Justificou suas opiniões  afirmando que só os resultados  interessavam.<br />
Mesmo supondo que as pessoas viessem a ser bem informadas a ponto de poderem se  governar sabiamente, &#8220;é mais  que duvidoso que a maioria se  desse a esse trabalho&#8221;.<br />
Em sua primeira abordagem  da questão, em &#8220;Liberty and  the News&#8221; [Liberdade e Notícia, 1920], Lippmann sugeriu  que se elevasse o lugar do jornalismo entre as profissões  mais respeitadas.<br />
Dois anos depois, em &#8220;Opinião Pública&#8221;, concluiu que o  jornalismo jamais poderia resolver o problema com &#8220;meros  30 minutos de ação num dia de  24 horas&#8221;. Numa das fórmulas  mais estranhas de sua longa  carreira, Lippmann propôs que  se constituíssem &#8220;agências de  inteligência&#8221; com livre acesso a  toda informação necessária a  controlar as ações do governo,  sem fazer muito caso de preferências democráticas ou debates públicos.<br />
Lippmann jamais chegou a  explicar qual seria o papel do  público nesse processo.<br />
O filósofo John Dewey considerou &#8220;Opinião Pública&#8221; &#8220;um  dos ataques mais poderosos à  democracia&#8221; e passou bons cinco anos tentando enfrentá-lo.<br />
O resultado, publicado em  1927, foi um livro muito tendencioso, denso e importante,  &#8220;The Public and Its Problems&#8221;  [O Público e Seus Problemas].  Dewey não contestou as afirmações de Lippmann sobre as  falhas do jornalismo ou sobre a  manipulação do público.<br />
Mas Dewey achava que o remédio de Lippmann era pior  que a doença. Para Dewey, a  opinião pública não era apenas  uma soma de opiniões individuais, como numa votação, mas  um foro de discussões.<br />
Para ele, o fundamento da  democracia estava menos na  informação do que na conversação, e membros de uma sociedade democrática precisavam cultivar o que James W.  Carey, estudioso do debate,  chamou de &#8220;hábitos vitais&#8221; da  democracia -a capacidade de  deliberar e debater perspectivas rumo a um consenso.<br />
Dewey criticou também a  confiança de Lippmann em elites baseadas no acesso à informação: &#8220;Uma classe de  especialistas distante dos interesses comuns logo se torna  uma classe com interesses próprios e informação privilegiada. [...] O dono do sapato é  quem sabe onde o sapato aperta, por mais que o sapateiro seja  a pessoa mais indicada para resolver o problema&#8221;.<br />
Lippmann e Dewey dedicaram boa parte de suas vidas a  tratar dos problemas que diagnosticaram: Lippmann como o  tecnocrata arquetípico e Dewey como o profeta da educação democrática. Se é que se  pode falar de um vencedor, o fato é que o futuro foi se aproximando do ideal de Lippmann.</p>
<table width="250">
<tr>
<td>
<hr noshade="noshade" size="2" /> <strong><em>O jornalismo  de verdade, em especial o investigativo, é caro; compilação  e opinião são baratos  </em></strong><br />
<hr noshade="noshade" size="2" /></td>
</tr>
</table>
<p><strong>Interesse público</strong><br />
A história da imprensa americana rumou exatamente para  o tipo de profissionalização que  Lippmann advogava. Nos anos  em que Lippmann escrevia,  muitos jornais continuavam  presos ao modelo partidário  dos séculos 18 e 19 (basta pensar em Thomas Jefferson e Alexander Hamilton duelando por  meio de seus respectivos jornais enquanto serviam no governo de George Washington).<br />
O modelo do século 20, em  que os jornais lutam por ter independência política e tentam  atuar como árbitros em prol do  interesse público estava apenas  nascendo.<br />
À medida que a profissão ganhava sofisticação e respeito,  em parte devido ao exemplo de  Lippmann, os melhores jornalistas, apresentadores e editores foram assumindo lugares  comparáveis socialmente aos  de senadores, ministros e executivos. Ao mesmo tempo, e  conforme o que Dewey previra,  esses mesmos personagens vieram a se identificar mais com  seus assuntos do que com seus  públicos.<br />
Deixando de lado as eleições,  a política veio a se parecer mais  e mais com um negócio para especialistas e um espetáculo para os ignaros -exatamente como Lippmann queria e Dewey  temia. Exceção feita às &#8220;cartas  ao editor&#8221;, o papel do leitor se  tornou puramente passivo.<br />
O primeiro desafio ao modelo de Lippmann veio da direita. Muitos conservadores suspeitavam do esquerdismo da grande mídia, supostamente incapaz de cobrir com imparcialidade assuntos como o movimento pelos direitos civis ou a campanha presidencial de Barry Goldwater.<br />
A reação veio na forma de  &#8220;think tanks&#8221; e veículos de mídia destinados a desafiar e contornar a grande mídia.<br />
A vitória de Ronald Reagan  não dependeu apenas do apelo  pessoal do candidato, mas de  um longo trabalho ideológico  conduzido em revistas como a  &#8220;National Review&#8221;, de William  F. Buckley Jr., e a &#8220;Commentary&#8221;, de Norman Podhoretz,  bem como nas páginas editoriais do &#8220;Wall Street Journal&#8221;,  editadas ao longo de três décadas por Robert Bartley.<br />
A ascensão do que seria conhecido como o contra-establishment conservador pode  ser entendido nos termos de  uma comunidade deweyana  tentando tomar as rédeas da  autoridade democrática das  mãos de uma elite a la Lippmann.<br />
A versão à esquerda dessa comunidade demorou mais tempo a se formar, em parte porque  a esquerda levou mais tempo  para tomar distância da mídia.<br />
Até o fim da década de 70,  boa parte da grande mídia de  fato dava mostras do &#8220;viés de  esquerda&#8221;, que ainda incomoda  os conservadores.</p>
<p><strong>Comunidades</strong><br />
Mas o esforço de recrutar  pessoal do contra-establishment conservador, combinado  ao investimento financeiro da  direita numa rede de &#8220;think  tanks&#8221;, grupos de pressão, revistas, estações de rádio e redes  de TV exerceu sobre a grande  mídia uma espécie de atração  gravitacional rumo à direita,  que acabou criando um contexto simpático a candidatos conservadores com que Goldwater  jamais teria sonhado.<br />
O nascimento da blogosfera  mais à esquerda, com sua capacidade de contornar as grandes  instituições da mídia, representa um retorno do desafio  deweyano a nossa compreensão lippmanniana do que seja  ou não seja &#8220;notícia&#8221; e pode parecer um renascimento da noção de discurso democrático  cultivada pelo filósofo.<br />
A internet constitui uma plataforma que permite a criação  de comunidades -a distribuição é barata, rápida e eficiente.  O velho modelo democrático  supunha uma nação de cidades  ianques povoadas por fazendeiros de boa índole e boa informação. Graças à internet, todos  podemos participar de um debate deweyano sobre presidentes, políticas e propostas. Basta  ter uma conexão decente.</p>
<p><strong>Sem investigação</strong><br />
O Huffington Post conquistou lugar ao sol no verão e no  outono de 2005, quando Arianna Huffington atacou as reportagens de política militar e estrangeira de Judith Miller para  o &#8220;New York Times&#8221;, valendo-se de todo tipo de fontes.<br />
O Huffington Post certamente não foi o primeiro site a se  valer de informações dos leitores para atacar a grande mídia.<br />
Por exemplo, blogueiros conservadores em sites como Little  Green Footballs deleitaram-se  em derrubar Dan Rather depois que este veiculou documentos dúbios, que supostamente provavam o tratamento  especial oferecido a George W.  Bush quando servia a Guarda  Nacional no Texas.<br />
Jornalistas mais tradicionais  tendem a não se impressionar  com o estilo de reportagem  praticados pelos blogs. O jornalismo de verdade, em especial o  investigativo, é caro, não cansam de lembrar; compilação e  opinião são baratos.<br />
E é verdade: não há nenhum  site que gaste o que os melhores  jornais gastam em suas reportagens. Com todos os cortes, o  &#8220;New York Times&#8221; conserva  1.200 pessoas na Redação -50  vezes mais que o Huffington  Post.<br />
O &#8220;Washington Post&#8221; e o  &#8220;Los Angeles Times&#8221; têm 800 e  900 empregados editoriais,  respectivamente. A sucursal do  &#8220;New York Times&#8221; em Bagdá  custa US$ 3 milhões anuais. O  Huffington Post se beneficia  desse investimento, mas não  carrega nenhum dos custos. É  difícil imaginar blogueiros com  a experiência, por exemplo, de  Barton Gellman e Dana Priest,  do &#8220;Post&#8221;, ou de Dexter Filkins  e Alissa Rubin, do &#8220;Times&#8221;.<br />
Em outubro de 2005, numa  conferência em Phoenix, Bill  Keller reclamou dos blogueiros  que apenas &#8220;mastigam e reciclam notícias&#8221;, em contraste  com o &#8220;jornalismo de verificação&#8221; do &#8220;Times&#8221;.<br />
&#8220;Os blogueiros não mastigam  notícias, eles cospem notícias&#8221;,  protestou Arianna Huffington  numa postagem em seu blog.<br />
Como muitos blogueiros de  esquerda, ela se irrita com a  idéia de que a imprensa tradicional é superior à blogosfera  quando se trata de publicar a  verdade mais dolorida.<br />
Nos momentos finais rumo à  Guerra do Iraque, por exemplo,  &#8220;toda a grande imprensa, incluindo o &#8220;Times&#8221;, perdeu todo  o seu verniz de confiabilidade  absoluta, ao mesmo tempo em  que se tornava claro que as novas mídias mereciam confiança  dos leitores e espectadores -na  medida em que se corrigem  com muito mais rapidez que os  velhos veículos&#8221;.<br />
Mas Huffington não tem o  que dizer sobre a relação parasitária que quase todos os sites  mantêm com o jornalismo impresso.<br />
Há um ano, o Huffington  Post fez um gesto na direção de  um trabalho de reportagem  mais original e profissional ao  contratar Thomas Edsall, veterano de 40 anos no &#8220;Washington Post&#8221; e em outros jornais.  Quando recebeu a proposta do  Huffington Post, Edsall sentiu  que o &#8220;Washington Post&#8221; se  deixava mais e mais &#8220;mover pelo medo -da queda da circulação, da perda de anunciantes,  dos lucros em queda, da ameaça da internet, da irrelevância&#8221;.<br />
&#8220;O medo levou o jornal a corromper o trabalho de reportagem.&#8221; Mas exemplos como o de  Edsall ainda são raros.<br />
Assim, por mais que se simpatize com os ataques de Huffington ao &#8220;Times&#8221; e com as críticas de Edsall ao &#8220;Post&#8221;, é impossível não se preocupar com o que será feito das notícias e da democracia quando não houver mais jornais que invistam seus recursos e seu orgulho profissional na tarefa de trazer a nós, mesmo que imperfeitamente, a informação que precisamos ter.<br />
Num episódio recente dos  &#8220;Simpsons&#8221;, uma versão cartunizada do jornalista Dan  Rather abria um debate com  &#8220;Ron Lehar, jornalista do  &#8220;Washington Post&#8217;&#8221;, ao que  Nelson, antípoda de Bart, gritava: &#8220;Haha! A sua mídia está  morrendo!&#8221;.  &#8220;Nelson!&#8221;, advertia Skinner.  &#8220;Mas está mesmo!&#8221;, replicava o rapaz.  Nelson está certo. Os jornais estão morrendo, e o futuro que se anuncia assim é  complicado. Há três anos, Rupert Murdoch advertia: &#8220;Fomos incrivelmente complacentes, esperando que a tal da  revolução digital fosse passar  ao largo&#8221;.<br />
Hoje, todos os jornais sérios estão fazendo o que podem para se adaptar. Alguns,  como o &#8220;Times&#8221; e o &#8220;Post&#8221;,  provavelmente sobreviverão  a esse momento de transformação tecnológica, cortando  pessoal e aumentando sua  presença on-line. Outros vão  tentar nichos locais. Os editores dizem que agora &#8220;sacaram  a coisa&#8221;.<br />
Mas os jornalistas tradicionais, à maneira de Lippmann,  tendem a desdenhar tanto as  críticas dos blogueiros como  também o fermento democrático de que essas críticas  provêm.<br />
Há pouco, o &#8220;Chicago Tribune&#8221; decidiu fechar os canais de comentário on-line  nas matérias de cunho político. Seu editor, Timothy J.  McNulty, queixou-se, não  sem razão, de que os canais de  comentário começavam a parecer &#8220;uma comunidade de  extremistas destemperados&#8221;.<br />
Arianna Huffington, por  sua vez, acredita que os modelos vão acabar por convergir, à medida que os dólares  da publicidade continuem a  migrar para a esfera on-line:  &#8220;O HuffPost vai gerar mais e  mais reportagem original, enquanto o &#8220;Times&#8221; e o &#8220;Post&#8221; vão  continuar a seguir o modelo  de hoje, mas cada vez mais  on-line&#8221;.<br />
Por sua vez, os grandes jornais que sobreviverem não  poderão desdenhar o apoio  do terceiro setor. O Instituto  ProPublica, financiado pelos  bilionários liberais Herb e  Marion Sandler e dirigido pelo ex-editor do &#8220;Wall Street  Journal&#8221; Paul Steiger, quer  propiciar à grande mídia o tipo de jornalismo investigativo que hoje parece em via de  abandono por muitos jornais.<br />
O Centro para a Mídia Independente, liderado por David Bennahum, ex-colaborador da &#8220;Wired&#8221;, há pouco  contratou Jefferson Morley,  do &#8220;Washington Post&#8221;, e Allison Silver, do &#8220;Los Angeles  Times&#8221; e do &#8220;New York Times&#8221;, para dirigir o site &#8220;The  Washington Independent&#8221;.  Mas imaginar que a filantropia poderá preencher todas as  lacunas geradas pelos cortes  de pessoal é puro &#8220;pensamento positivo&#8221;.<br />
Estamos no umbral de um  mundo de notícias caótico e  fraturado, caracterizado por  mais diálogo e menos jornalismo de primeira qualidade.  A transformação dos jornais -de empresas dedicadas  à reportagem objetiva em feixes de comunidades engajadas com suas próprias &#8220;notícias&#8221;- significará a perda de  uma narrativa nacional em  torno de &#8220;fatos&#8221; consensuais.<br />
As notícias irão inevitavelmente adquirir coloração &#8220;azul&#8221; ou &#8220;vermelha&#8221;. Antes de Adolph Ochs assumir o &#8220;New York Times&#8221; e publicar seu famoso mote &#8220;sem medo nem favor&#8221;, a cena americana era dominada por jornais partidários. E a cultura jornalística de muitas nações européias há tempos aceitou a noção de narrativas em competição, com jornais específicos assumindo as visões de cada facção. Talvez não seja por acaso que muitos desses países têm um nível de participação política superior ao dos EUA.<br />
Mas a transformação há de  gerar sérias perdas. Os jornais  ajudaram a definir o sentido  dos EUA para seus cidadãos.<br />
Para escolher uma data ao  acaso, na manhã de 11 de fevereiro eu fui buscar a versão  impressa do &#8220;Times&#8221; na porta  de casa e, além das notícias  que eu poderia encontrar em  qualquer lugar -Obama vencendo Hillary de novo, e  George W. Bush tentando  condenar à morte seis prisioneiros de Guantánamo-, a  primeira página trazia uma  combinação única de artigos  e matérias que, sem uma instituição que as gerasse e publicasse, jamais fariam parte  de nossa consciência coletiva:  uma reportagem de Nairóbi,  por Jeffrey Gettleman, sobre  o impacto da violência étnica  no Quênia na classe média local; uma nota de Doha, por  Tamar Lewin, sobre o avanço  das universidades americanas no Qatar; e, num furo que  o Huffington Post depois viria a reproduzir, uma matéria  de Michael R. Gordon sobre  um estudo da Corporação  Rand que criticava a atuação  de Bush no Iraque.</p>
<p><strong>Comunidade imaginada</strong><br />
A justaposição desses tópicos díspares forma um terreno comum a todos os leitores  do jornal e uma imagem do  mundo que todos habitam.<br />
Em seu livro &#8220;Comunidades Imaginadas&#8221; [recém-lançado no Brasil pela Cia. das  Letras], de 1983, o cientista  político Benedict Anderson  recorda a comparação hegeliana do ritual de leitura do  jornal à prece matutina: &#8220;Cada qual sabe que a mesma cerimônia é repetida simultaneamente por milhares ou  milhões de outros, em cuja  existência confiamos, mas sobre cuja identidade não fazemos a menor idéia&#8221;.<br />
Ao menos em parte, é a &#8220;comunidade imaginada&#8221; do jornal diário que forja as nações  em que vivemos.  Por fim, vale pensar naquelas pessoas, aqui ou longe daqui, que dependem do esforço  jornalístico para escapar de  várias formas de tortura,  opressão e injustiça.<br />
&#8220;As pessoas fazem coisas  terríveis umas com as outras&#8221;, diz o veterano fotógrafo  George Guthrie na peça  &#8220;Night and Day&#8221;, de Tom  Stoppard. &#8220;Mas a coisa piora  quando todo mundo está no  escuro.&#8221; Desde que o &#8220;New  England Courant&#8221; de Franklin começou a circular, o jornal diário fez mais do que  qualquer outro veículo para  produzir a informação de que  a nação tanto precisa para  não &#8220;ficar no escuro&#8221;.<br />
A internet conseguirá lançar a mesma &#8220;luz&#8221; sem os  exércitos de jornalistas e fotógrafos que os jornais tradicionalmente empregaram? É  uma questão que talvez os democratas mais ardentes não  queiram responder.</p>
<hr noshade="noshade" size="1" /><font size="-1"> <strong>Nota</strong><br />
1. &#8220;Mullet&#8221; significa &#8220;tainha&#8221;, &#8220;salmonete&#8221;,  mas também um estilo de corte de cabelo,  curto e comportado na frente, em cima e nos  lados, mas comprido atrás. De onde vem a explicação que está no texto, do próprio autor:  &#8220;Negócio na frente, festa nos fundos&#8221;.</font><font size="-1">   <strong>ERIC ALTERMAN</strong> é jornalista norte-americano, colunista da &#8220;The Nation&#8221; e professor na  Universidade da Cidade de Nova York.  A íntegra deste texto foi publicada originalmente na &#8220;New Yorker&#8221;, em 31/3.  Tradução de Samuel Titan Jr.<br />
</font></p>
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		<title>Ponte da Marta: ombudsman da Folha começou mal</title>
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		<pubDate>Mon, 19 May 2008 10:14:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Reunião com o ombudsman
Escrito por Eduardo Guimarães 


Ver também A memória da Folha sobre a ponte da Marta
A semana começa assaz interessante, por assim dizer. Como relatei na semana que passou, nesta terça-feira tenho uma reunião com Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo, na sede do jornal, às 15:20 hs [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="4"><strong>Reunião com o ombudsman</strong></font></p>
<p><strong>Escrito por Eduardo Guimarães </strong></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/05/ponte-da-marta-ombudsman-da-folha-comecou-mal/5341/" rel="attachment wp-att-5341" title="ponteinaugurada.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/05/ponte-da-marta-ombudsman-da-folha-comecou-mal/5341/" rel="attachment wp-att-5341" title="ponteinaugurada.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/ponteinaugurada.jpg" alt="ponteinaugurada.jpg" /></a></div>
<p align="center"><strong>Ver também <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/05/a-memoria-da-folha-sobre-a-ponte-da-marta/" rel="bookmark" title="Permanent Link: A memória da Folha sobre a ponte da Marta">A memória da Folha sobre a ponte da Marta</a></strong></p>
<p>A semana começa assaz interessante, por assim dizer. Como relatei na semana que passou, nesta terça-feira tenho uma reunião com Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo, na sede do jornal, às 15:20 hs da tarde.</p>
<p>O anúncio dessa reunião gerou umas boas dezenas de comentários, contendo &#8220;perguntas&#8221; que deixarei com o jornalista em questão quando me reunir com ele. Algumas delas, dentre todas as que vocês fizeram, predominaram: afinal, o que é que ele quer comigo? Por que, dentre tantos críticos da Folha, sobretudo blogueiros, fui chamado? E para que fui chamado?</p>
<p>Lins da Silva havia me feito um convite para assistirmos juntos a uma edição do programa Roda Viva veiculada pela TV Cultura pouco antes de ele ser convidado pela Folha para ser seu ombudsman. Naquele programa foi entrevistado o chanceler Celso Amorim. Eu critiquei a condução do programa por Lins da Silva, pois ele não interviu severamente quando os jornalistas do PIG ali presentes mal deixavam o entrevistado exercer seu direito de expressão, sobretudo na condição de entrevistado do programa. O ombudsman diz que não foi assim e quer debater o assunto.</p>
<p>Contudo, como vocês viram no convite que ele me fez e que reproduzi aqui, ele me convidou assinando-se como ombudsman da Folha e para uma reunião na sede do jornal. Ora, é óbvio que aí tem. Sobretudo devido ao fato de que o convidado (eu) é justamente quem tomou a iniciativa de fazer uma representação ao Ministério Público Federal em nome da ONG Movimento dos Sem Mídia, na qual se pede investigação para o que acredito ter sido promoção de alarmismo na questão da febre amarela, uma questão sobejamente conhecida.</p>
<p>São muitos os que têm questionado a Folha e seu novo ombudsman. A virtual demissão do ex-ombudsman Mário Magalhães, que a Folha diz que não demitiu, mas que, a rigor, empurrou para a demissão ao, sob justificativa implausível, retalhar seu trabalho eliminando a publicação de sua crítica interna diária na internet, bem como as primeiras declarações de Lins da Silva, como a de que os blogs não têm importância e de que a mídia perdeu influência, mas não credibilidade, tornarão o debate interessante.</p>
<p>Nesse aspecto, vale a pena ler o que o ombudsman escreveu em sua última coluna dominical, publicada na Folha deste domingo, 18 de maio, e que versa sobre a incoerência do veículo por ocasião da inauguração da &#8220;Ponte Estaiada&#8221;, sobre o rio Pinheiros, em São Paulo, pelo prefeito Gilberto Kassab e pelo governador José Serra. A opinião da Folha mudou radicalmente sobre a obra licitada em 2005 pela prefeita Marta Suplicy, quando, então, foi duramente criticada pelo jornal, mas agora a obra foi coberta de termos edificantes por quem antes a criticava, tendo tais criticas sumido, obviamente devido ao fato de que a administração paulistana deu à ponte o nome do fundador da Folha.</p>
<p>Lins da Silva abordou o assunto em sua última coluna pública. Vejam:</p>
<p>&#8220;<em>Folha de São Paulo, domingo, 18 de maio de 2008</em></p>
<p><em>por Carlos Eduardo Lins da Silva &#8211; ombudsman</em></p>
<p><em><strong>A memória da ponte<br />
</strong><br />
O ombudsman recebeu 23 questionamentos sobre a cobertura da inauguração da ponte Octavio Frias de Oliveira no domingo passado.</em></p>
<p><em>Todas para saber por que o jornal, que três anos antes havia publicado editorial para condenar a obra, agora a noticiava sem nenhuma crítica à construção.<br />
</em></p>
<div align="justify"><em>Nas mensagens, era possível perceber motivações diversas. Havia desde pessoas claramente sinceras no seu desejo de esclarecer o que lhes parecia uma contradição até indisfarçáveis articulações de cunho político-partidário.</em><em>A Folha teria se poupado desse desgaste previsível se tivesse publicado na página que registrou a solenidade uma simples retranca para lembrar sua posição sobre a obra no passado e agora.</em><em>Instada pelo ombudsman, a Secretaria de Redação enviou a seguinte nota: &#8216;A Folha considerou e considera que a obra, dispendiosa, não é prioritária. Essa era a opinião pessoal do próprio sr. Octavio Frias de Oliveira. Hoje, a ponte é uma realidade. Foi completada, aliás, num período em que as finanças da prefeitura melhoraram. Essas considerações não têm relação com o fato de, agora, o poder público homenagear o sr. Frias batizando a ponte com seu nome. Seria descabido que a Folha ou a família Frias rejeitassem uma homenagem a seu líder&#8217;.</em><em>Parece-me uma explicação justificável. Deveria ter constado do noticiário de domingo. Assim como também poderia ter sido lembrado pela reportagem que a ex-prefeita Marta Suplicy, responsável pelo início do projeto, não foi convidada para a inauguração.</em>&#8220;Antes dessas considerações, na primeira parte da coluna de domingo 18 de maio o ombudsman fez a primeira crítica óbvia e inevitável à Folha desde que assumiu. Foi na questão do tratamento que o jornal tem dado ao vazamento de dados da Casa Civil contendo informações sobre os gastos pessoais da família Fernando Henrique Cardoso quando este ocupava o Palácio da Alvorada.</p>
<p>Confiram:</p>
<p>&#8220;<em><strong>Jornal não é corte de Justiça</strong> </em></div>
<div align="justify"><font size="3"><br />
</font><em>Ao se arvorar na condição de tribunal, a Folha incorre em risco de cometer injustiças, confundir o público e perturbar o andamento da Justiça</em><em>IMPRENSA não é tribunal. Quando um veículo de comunicação se arvora nessa condição incorre em risco de cometer injustiças sérias, confundir o público e perturbar o andamento da Justiça.</em></div>
<div align="justify"> <em>A Folha trilhou este perigoso caminho ao longo da semana ao designar José Aparecido Nunes Pires como &#8220;vazador&#8221; ou &#8220;responsável pelo vazamento&#8221; do dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, antes mesmo de ele ter sido indiciado pelo crime de violação de sigilo funcional.<br />
</em></div>
<div align="justify"><font size="3"> </font></div>
<div align="justify"><em>O &#8216;Manual da Redação&#8217; deste jornal é claríssimo, no verbete &#8216;acusações criminais&#8217; (página 155), ao determinar: &#8216;Até que seja condenada em definitivo pela Justiça, a pessoa deve ser tratada como suspeita, acusada, ré ou condenada em determinada instância. Esse procedimento visa evitar prejulgamentos e preservar a imagem de personagens do noticiário&#8217;.<br />
</em></div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify"><em>Essa resolução tem sido quase sempre estritamente cumprida desde a primeira edição do &#8216;Manual&#8217;, há quase 25 anos. No passado, nem réus confessos de homicídio foram chamados de assassinos pelo jornal antes do seu julgamento. Desobedecê-la agora é um precedente temerário.</em></div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify"><em>Ao longo da semana, registrei muitas vezes na crítica interna à Redação meu desassossego com o assunto. Requisitei formalmente à Secretaria de Redação que explicasse as razões do procedimento.<br />
</em></div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify"><em>A resposta foi que o jornal &#8216;tem certeza&#8217; de sua apuração. Para mim, essa justificativa não é aceitável. Decisões sobre culpabilidade de acusados de crimes não se tomam com base em &#8220;certezas&#8221; de indivíduos.</em></div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify"><em>O comportamento do jornal é particularmente incompreensível por ser concomitante com sua posição editorial exemplar no caso da prisão dos acusados pela morte da menina Isabella.<br />
</em></div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify"><em>Em 9 de maio, a Folha definiu assim o que chamou de &#8216;humilhação&#8217; a que foram expostos o pai e a madrasta da garota: &#8216;punição cruel e indelével, impingida antes e a despeito do pronunciamento da única fonte legítima para atribuir culpa neste caso, o Tribunal do Júri.&#8217;<br />
</em></div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify"><em>Se o jornal acusa a Justiça de prejulgamento do casal, o que deve fazer em relação à sua própria atitude de resolver, porque tem &#8216;certeza&#8217; de sua apuração, que José Aparecido Nunes Pires é culpado antes do indiciamento?<br />
</em></div>
<div align="justify"><em>Uma tentativa para compreender essa evidente contradição poderia ser supor que haja diferença qualitativa de tratamento para acusados de crimes &#8216;violentos&#8217; e acusados de crimes &#8216;políticos&#8217;.<br />
</em></div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify"><em>Não creio que essa distinção seja cabível. Ao contrário até: crimes cometidos por motivação política deveriam ser tratados de maneira ainda mais cuidadosa pelo jornalismo, devido aos danos institucionais que podem resultar deles e da maneira como a sociedade lida com eles.<br />
</em></div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify"><em>As relações entre jornalistas e agentes do Ministério Público e da Polícia Federal em casos que envolvem política são extraordinariamente complexas e freqüentemente deletérias. Vazamentos seletivos de informações têm sido feitos por motivações diversas: da busca da notoriedade à promoção de ideologias, partidos ou grupos corporativos com a conseqüência, às vezes, de vidas e reputações arrasadas injustamente.</em>&#8220;</div>
<div align="justify"></div>
<p>Vão-se os anéis, ficam os dedos. Como vocês puderam perceber, para &#8220;absolver&#8221; a Folha da vergonhosa incoerência na questão da ponte Estaiada, o ombudsman faz ao jornal algumas críticas que podem ser melhor relativizadas. O objetivo é aparentar &#8220;isenção&#8221; que o credencie a decretar a &#8220;plausibilidade&#8221; de a Folha criticar duramente a obra ontem e endossá-la hoje.</p>
<p>A contradição é escandalosa. Ontem, a Folha descia o pau na obra; hoje, comparece em peso para prestigiá-la. Não faltou só a Folha esclarecer que antes criticava a obra, faltou também ser coerente com o que o ombudsman diz continuar sendo sua opinião, ou seja, dizer, na reportagem que tratou da inauguração, que a obra é &#8220;cara e desnecessária&#8221;. O momento da inauguração teria sido perfeito para denunciar não só o que o jornal diz que é desnecessário e caro, mas a ultrapassagem expressiva do custo previsto do projeto.</p>
<p>Acompanhei intensamente o trabalho dos três ombudsman anteriores a Lins da Silva. Com o antepenúltimo, Bernardo Ajzemberg, a relação foi além. Em 2002, ele me indicou, junto com mais dois leitores da Folha, para representar o leitorado do jornal nas sabatinas dos presidenciáveis Lula, Serra, Garotinho e Ciro Gomes no teatro Folha. Com Marcelo Beraba, o penúltimo, apesar de não ter estabelecido um contato mais estreito pude me aprofundar bem em seu trabalho. E com Mário Magalhães o contato foi ainda mais superficial, mas todos lhe acompanhamos o trabalho com grande atenção e admiração.</p>
<p>Não adianta muito fazer questionamentos sobre a Folha ao ombudsman. Ele já os recebe às pencas diariamente e sempre poderá usar a estratégia de dizer que enviou a questão à redação e reproduzir alguma sua resposta lacônica. Acho que a concentração de meu esforço deverá se dar na atuação do próprio ombudsman. As contradições de Lins da Silva continuam e pretendo explorá-las.</p>
<p>Aliás, gravarei a entrevista com o ombudsman pondo um gravador entre nós desde o momento em que adentrar sua sala.</p>
<p><font size="4"><strong>Cidadania.com de Eduardo Guimarães </strong></font></p>
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		<title>O caos de São Paulo organizado nos blogs</title>
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		<pubDate>Sun, 18 May 2008 19:13:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Endereços na internet retratam as diferentes faces da metrópole

Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli &#8211; O Estado de São Paulo
  A discussão sobre os novos valores do IPTU vem precedida de um comentário sobre as deliciosas receitas de uma doçaria judaica do Bom Retiro. Logo depois, um post adianta as tendências de um festival de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><font class="sinopse">Endereços na internet retratam as diferentes faces da metrópole</font></strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://xicoriasexicoracoes.files.wordpress.com/2007/11/11a.jpg" alt="http://xicoriasexicoracoes.files.wordpress.com/2007/11/11a.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli &#8211; O Estado de São Paulo</strong></p>
<p><font class="not"> <!-- ### inicio_texto --> A discussão sobre os novos valores do IPTU vem precedida de um comentário sobre as deliciosas receitas de uma doçaria judaica do Bom Retiro. Logo depois, um post adianta as tendências de um festival de música eletrônica marcado para setembro. No meio de assuntos tão diversos, fotos e comentários da quarta edição da Virada Cultural, realizada no mês passado. Na blogosfera paulistana, anônimos ajudam atualmente a ampliar discussões de temas e assuntos com impacto direto na vida dos moradores da capital. A São Paulo do trânsito caótico e da noite vibrante já é retratada em diversos endereços eletrônicos, criados de forma despretensiosa por profissionais liberais, estudantes, associações de bairro e até por estrangeiros radicados por aqui.</font></p>
<p><font class="not">&#8216;Acho que esses blogs estão ajudando a mudar a percepção que as pessoas têm sobre São Paulo&#8217;, diz Leandro Meireles Pinto, criador do Urbanistas.com.br. &#8216;A metrópole está cada vez mais vibrante, é só parar e prestar um pouquinho de atenção. Você acha que conhece São Paulo, mas, na verdade, você só conhece a sua São Paulo. Os blogs que noticiam a cidade fazem com que você veja a cidade pela ótica de outras pessoas. Você pode reclamar de um buraco, do barulho do vizinho, do trânsito, dar dicas legais de restaurantes, baladas&#8230; E aí vira uma comunidade de pessoas interessadas no mesmo assunto: a vida da metrópole.&#8217;</font></p>
<p><font class="not">Há exatos dois anos, Leandro convocou três amigos de faculdade para criar um blog coletivo sobre a cidade. Hoje, são 12 colaboradores no Urbanistas e mais de 2.500 posts publicados. &#8216;É um canal mais rápido e mais democrático para discutir as diferentes facetas de São Paulo&#8217;, diz. &#8216;Quando teve o terremoto em São Paulo, logo postamos fotos e tivemos mais de 120 comentários de internautas. Também é um jeito mais veloz de cobrar as autoridades, quando vemos problemas. Já fizemos até um Diário de um Vazamento, contando como estava a situação de um cano quebrado da Sabesp que jorrava água na rua.&#8217;</font></p>
<p><font class="not">Com média de 6 mil acessos diários, o blog da fotógrafa Ana Carmem Foschini procura lançar imagens de fatos e lugares curiosos da metrópole &#8211; como de uma fábrica de geléias exóticas feitas à base de um purê de maçã sem conservantes ou a imagem de um cozinheiro quase dormindo em um restaurante da Vila Madalena. &#8216;É um jeito diferente e sem compromisso de compartilhar minhas experiências com as outras pessoas&#8217;, diz a criadora do www.anacarmen.com/blog. No portal Limão (www.limao.com.br), do Grupo Estado, pelo menos 300 internautas também discutem nos wikisites dedicados aos bairros questões que vão desde qual é a melhor academia da Vila Mariana até a atuação do Juventus da Mooca.</font></p>
<p><font class="not"><strong>COBRANÇAS</strong></font></p>
<p><font class="not">Os blogs aos poucos se tornaram um poderoso instrumento de discussão para melhorias em bairros tradicionais, como é o caso do Morumbi, na zona sul de São Paulo. Responsável pelo endereço blogdomorumbi.com.br e morador do bairro, o jornalista Joaquim de Carvalho, de 44 anos, diz ter criado o blog a pedido de vizinhos, sem nenhum objetivo financeiro.</font></p>
<p><font class="not">&#8216;E vem dando resultado. Outro dia, coloquei um post dizendo que uma praça estava sem luz. No dia seguinte, a Prefeitura foi lá e colocou uma nova iluminação&#8217;, relata o jornalista, que também fala de amenidades, como comentários sobre a inauguração do primeiro fraldário para cachorros do mundo, no Shopping Cidade Jardim. &#8216;A fralda é feita com manta 100% celulose e gel em flocos. É feita para absorção de xixi, não de fezes. Uma fralda pode ser usada durante seis horas. A idéia é permitir que os donos circulem pelo shopping e possam freqüentar restaurantes e cafés sem se preocuparem se seu cachorro fará xixi em algum lugar indevido&#8217;, diz o comentário do blog.</font></p>
<p><font class="not">Argentino que defende São Paulo como uma das metrópoles mais vibrantes do mundo, Tony Gálvez, radicado há seis anos na cidade, criou o endereço www.blogdesaopaulo. Nele, o estrangeiro coloca as taxas de homicídio de diferentes capitais do País para mostrar aos turistas que São Paulo é menos violenta do que capitais de vocação turística como Recife e Rio. &#8216;Mas este blog não é um livro sagrado&#8217;, avisa o argentino aos usuários, sobre eventuais erros de informação. &#8216;O que eu falo sobre hotéis e restaurantes, por exemplo, é uma opinião pessoal, como consumidor.&#8217;</font></p>
<p><font class="not">Na maior parte dos blogs, a fotografia é o elemento principal para informar os usuários de uma determinada situação &#8211; como o descarte irregular de entulho em uma praça, por exemplo. No blog www.cidadedesaopaulo.blog.br, o estudante Guilherme Lara Campos, de 24, posta todo dia uma foto e abre a discussão com os blogueiros sobre a imagem. &#8216;Minha proposta é olhar São Paulo com mais amor e menos frieza&#8217;, filosofa.</font></p>
<p><font class="not">Consultor na área de mídia digital, Fernando Correa do Carmo, de 35 anos, com mestrado concluído na Cásper Líbero sobre o assunto, afirma que a blogosfera veio para ficar na internet. &#8216;No Brasil, só estamos percebendo agora as trocas de experiências e de informações que os blogs promovem. Você tem um meio de expor suas aflições em um País onde a população quase sempre fica desassistida pelo poder público nas horas que mais precisa.&#8217;</font></p>
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		<title>Quase a metade dos internautas lê blogs</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 16:09:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Ferramenta foi absorvida pelo mercado e pela mídia, mas grande parte dos blogs é produzida por internautas amadores
Rodrigo Martins &#8211; O Estado de São Paulo
Se há dez anos o blog era uma ferramenta desconhecida para os brasileiros, hoje 45,5% dos internautas acessam esse tipo de site, aponta o Ibope/NetRatings. Mas uma coisa não mudou: em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/04/quase-a-metade-dos-internautas-le-blogs/4464/" rel="attachment wp-att-4464" title="blog_banheiro.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/04/blog_banheiro.jpg" alt="blog_banheiro.jpg" /></div>
<p></a><strong>Ferramenta foi absorvida pelo mercado e pela mídia, mas grande parte dos blogs é produzida por internautas amadores</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Rodrigo Martins &#8211; O Estado de São Paulo</strong></p>
<p>Se há dez anos o blog era uma ferramenta desconhecida para os brasileiros, hoje 45,5% dos internautas acessam esse tipo de site, aponta o Ibope/NetRatings. Mas uma coisa não mudou: em sua maioria, os blogs continuam sendo diários virtuais para amadores contarem experiências pessoais. Há, lógico, sites de outros tipos: jornalísticos, corporativos, etc. Mas são minoria.</p>
<p>&#8216;Os dez blogs profissionais mais populares, independentes e em portais, têm só 10% da audiência da blogosfera. O resto é pulverizado. Os diários virtuais, que são em maior número, são no conjunto os que recebem mais visitas&#8217;, afirma o pesquisador do Ibope Inteligência, José Calazans.</p>
<p>E segundo ele, o internauta não é fiel. &#8216;Em 65% dos casos, ele entra em blogs ao buscar no Google, por exemplo, uma atração turística. Aí lê o relato de quem esteve lá&#8217;, aponta. &#8216;A fidelidade é mais comum em blogs ligados a portais, com público mais velho. Os jovens não se importam com a fonte. Eles buscam no Google e lêem no site que for indicado.&#8217;</p>
<p>Em busca dessa fidelização, o blog se espalha pelos portais dos veículos de mídia. Dos jornais e canais de TV aos provedores, há quem chegue a ter mais de cem blogs, como o IG. &#8216;Temos 170&#8242;, conta o diretor de conteúdo do portal, Caíque Severo. &#8216;Com o blog o leitor interage com o colunista, comenta&#8230;&#8217;</p>
<p>&#8216;E atrai todos os públicos&#8217;, explica a diretora de conteúdo do UOL, Márion Strecker. &#8216;Mas não está nem perto da ser a maior audiência. Temos alguns dos blogueiros mais populares da internet, mas eles não trazem nem 1% dos visitantes do UOL.&#8217;</p>
<p>Os jornais também aderiram aos blogs. No Globo Online, são 90. &#8216;A idéia é ter um cardápio variado. De TV a esportes radicais&#8217;, comenta o editor executivo de interatividade, Aloy Jupiara. &#8216;Atendemos a nichos específicos que o jornal não cobre sempre.&#8217; Para o editor-chefe de Conteúdo Digital do Grupo Estado, Marco Chiaretti, os blogs trazem um aprofundamento das informações. &#8216;E estreitam a relação do leitor com o jornal.&#8217;</p>
<p>Os blogs também começam a surgir nas emissoras de TV. A Globo tem 20 blogs, ligados a programas como Malhação e Video Show. No último Big Brother, cada confinado postava em seu blog. Na MTV, a meta é ter 40 blogs até o meio do ano. Hoje são 20. &#8216;Serão sobre assuntos diversos. É um meio a que os jovens estão acostumados&#8217;, diz Mauro Bedaque, diretor de internet.</p>
<p>Nas empresas, o movimento também cresce. Carrefour, Tecnisa, Philips, Natura, Close Up e até o George Foreman Grill já aderiram. &#8216;Mas a maioria das companhias ainda tem medo de se expor nos blogs, abrir espaço para comentários&#8230;&#8217;, revela Patrícia Gil, diretora da consultoria corporativa Máquina Web.</p>
<p>Quem está na onda jura que funciona. &#8216;É uma forma de chegar aos jovens&#8217;, explica Luana Inocentes, gerente de produtos do George Foreman Grill. &#8216;Esse público pede inovação. E o blog tem sempre novidades&#8217;, conta a gerente de marketing da Close Up, Camila Gravina.</p>
<p>O Carrefour montou um blog para todos os públicos. &#8216;Os varejistas são parecidos, têm os mesmos produtos e preços. É preciso se diferenciar&#8217;, opina a gerente de relacionamento com o cliente, Renata Freitas. &#8216;O blog faz o cliente se lembrar da marca&#8217;, completa o diretor de marketing da construtora Tecnisa, Romeo Busarello.</p>
<p>E como fazer para os internautas acessarem o blog da empresa? &#8216;É preciso ter um conteúdo diferenciado. Não adianta falar de produtos da marca&#8217;, explica o gerente de internet da Philips, Alessandro Martins. &#8216;Assim, consegue-se fidelizar o internauta para que volte e, inclusive, acesse outras seções do site&#8217;, finaliza o gerente de internet da Natura, Mario Orlandi Júnior.</p>
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		<title>O relógio e o calendário</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Apr 2008 21:17:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Postado por Luiz Weis &#8211; Blog Verbo solto
Eric Alterman, o repórter de mídia da revista semanal New Yorker, escreveu um dos melhores artigos concebíveis sobre a disputa entre jornalismo impresso e jornalismo online nos Estados Unidos – e olhe que o que o assunto já rendeu não está escrito, como se diz. Na linha das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99"><strong>Postado por Luiz Weis &#8211; Blog Verbo solto</strong></p>
<p>Eric Alterman, o repórter de mídia da revista semanal New Yorker, escreveu um dos melhores artigos concebíveis sobre a disputa entre jornalismo impresso e jornalismo online nos Estados Unidos – e olhe que o que o assunto já rendeu não está escrito, como se diz. Na linha das matérias de fundo da revista, o artigo é grande em sentido literal também: tem 6.600 palavras, ou 10 telas em Times New Roman 12.</p>
<p>Chama-se “Out of print” (fora de circulação, ou esgotado), com o sub-título esperto “The death and life of the American newspaper” (a morte e a vida do jornal americano). Pode ser lido em http://www.newyorker.com/reporting/2008/03/31/080331fa_fact_alterman .</p>
<p>Antes de ir às idéias – as dele e as que ele inspira -, os números da crise do jornalismo-diário-como-o-conhecemos:</p>
<p>As editoras de jornais cujas ações são negociadas em bolsa perderam 42% do seu valor de mercado nos últimos três anos.</p>
<p>O patrimônio acionário da New York Times Company diminuiu 54% desde o fim de 2004.</p>
<p>A contar de 1990, 25% das vagas na imprensa diária americana foram fechadas.</p>
<p>O tempo médio gasto na leitura dos jornais nos Estados Unidos não chega a 15 horas por mês. (Portanto, nem 30 minutos por dia.)</p>
<p>Oito em cada dez americanos entre 18 e 34 anos nem batem os olhos num jornal.</p>
<p>O leitor típico tem 55 anos – e tende a ficar ainda mais velho.</p>
<p>Quase 40% das pessoas com menos de 35 anos ouvidas numa pesquisa disseram que esperam usar a internet no futuro para se informar. Só 8% falaram em se informar pelos jornais.</p>
<p>Menos de 20% dos americanos acham que se pode acreditar em todos ou na maioria dos relatos da mídia.</p>
<p>Muitíssimos mais americanos acreditam em discos voadores do que na imparcialidade da imprensa.</p>
<p>O site jornalístico progressista Huffington Post (sobre o qual Alterman escreve extensamente) emprega em tempo integral 46 pessoas (“muitas das quais mal chegaram à idade de poder alugar um carro”), publica textos de mais de 1.800 blogueiros (sem contar os famosos), e é acessado por 11 milhões de “visitantes únicos” por mês. Ultimamente, só perde para as versões online de oito jornais.</p>
<p>O New York Times emprega mais de 1.200 pessoas em atividades jornalísticas. O Washington Post e o Los Angeles Times, entre 800 e 900.</p>
<p>Só a sucursal de Bagdá custa ao Times US$ 3 milhões por ano.</p>
<p>Aos argumentos – do autor e do leitor.</p>
<p><span id="more-4381"></span></p>
<p>Uma das causas da crise da mídia impressa – não necessariamente a primeira, muito menos desvinculada de outras, apenas a mais óbvia ­– é o advento da internet, que faz parecer o jornal diário um anacronismo, pesado, lento e incapaz de sacar com rapidez as demandas (em mutação) do público.</p>
<p>A internet – mas, de novo, não só ela – também expôs o que os críticos da grande imprensa convencional consideram o seu elitismo, arrogância, parcialidade, desdém pelo homem comum.</p>
<p>O jornalista de nariz empinado não está nem aí para onde o calo do leitor aperta, com perdão da dupla metáfora anatômica. Ou, dito de outro modo, por que um jornalista, para onde quer que aponte o seu nariz, saberia necessariamente mais do que o público qual é o interesse público?</p>
<p>De todo modo, o que mais se lê na internet, em matéria de jornalismo, são – em toda parte, ao que se saiba – as edições online de jornais, revistas, informativos de rádio e TV.</p>
<p>E não se perca de vista: nos Estados Unidos foi a direita quem primeiro saiu atirando essas acusações aos jornalões. O elitismo, a arrogância, a parcialidade, o desdém pelo homem comum seriam indissociáveis do “viés liberal” (progressista) dos que, controlando o noticiário e as páginas de opinião, mas sendo uma minoria ideológica, impingiam aos americanos, de cima para baixo, as suas noções do que é notícia e do que é bom para o país.</p>
<p>Um dos principais alvos da Contra-Revolução Conservadora nos Estados Unidos – que começou com Reagan e chegou ao auge com Bush – era a desmoralização dos jornais como o New York Times, Washington Post, Los Angeles Times. Porque, lembra Alterman, eles de fato pregavam a necessidade de um governo forte e ativo e a responsabilidade moral de garantir a ampliação dos direitos das mulheres e das minorias étnicas e raciais.</p>
<p>Quando a internet ainda engatinhava, a direita americana já gastava incontáveis milhões de dólares para convencer o povo de que a imprensa não prestava.</p>
<p>Esse clima de opinião explica em parte – quem sabe em boa parte – como se originou a erosão da credibilidade da velha mídia americana. E tanto ela ficou acuada que acabou tendo o papel abjeto de papaguear as mentiras do bushismo para justificar a guerra ao Iraque. O que fechou o círculo vicioso: também a parcela progressista da sociedade passou a acusar os jornalões – com carradas de razão – de facciosismo, dessa vez como correias de transmissão da propaganda oficial.</p>
<p>É o contexto em que vai às núvens a popularidade dos sites jornalísticos e a própria idéia – acolhida acriticamente por tanta gente boa – do “jornalismo-cidadão”.</p>
<p>E é o contexto que, em 2005, Arianna Huffington, uma milionária da Califórnia, divorciada de um político republicano e tendo mudado de lado, lançou com mais duas pessoas o Huffington Post, agregando notícias políticas e fofocas e criando um blogão grupal com colaboradores escolhidos da “alarmante coleção de amigos e conhecidos” de Arianna, segundo Alterman.</p>
<p>Jonah Peretti, um dos criadores do que passou a ser chamado ‘HuffPost”, diz que o site é “um empreendimento compartilhado entre os que o produzem e os que o consomem” – uma espécie de Wikipédia jornalística, portanto. Ou, quem sabe, Wikinews.</p>
<p>O pessoal do HuffPost acha que a sua forma de fazer jornalismo está transformando o conceito de notícia do mesmo modo que a CNN o transformou há 30 anos.</p>
<p>Pode ser. Mas um dos seus ingredientes essenciais – a participação dos consumidores de que fala Peretti – “muitas vezes lembra os graffiti de um banheiro público”, observa Alterman. E “muitas das notas dos blogueiros que o site publica não merecem o esforço nem mesmo de uma clique de mouse”, fulmina.</p>
<p>O pior, como na esmagadora maioria dos sites do gênero, não são os insultos e as idéias malpassadas dos leitores que escrevem duas vezes antes de pensar. São as informações falsas que vão ao ar sem passar pelo pente fino dos editores.</p>
<p>No caso do HuffPost o caso mais famoso foi o da antropofagia em Nova Orleans depois da devastação causada pelo furacão Katrina. Um comentarista mandou ver, sem checar evidentemente, a história de que vítimas da tragédia “comiam cadáveres para sobreviver”.</p>
<p>A própria Arianna Huffington entrou no circuito para apagar a enormidade – e fez um auê em cima da rapidez da correção. Foi rápida, sim, mas não o bastante para impedir que a assombrosa invencionice fosse reproduzida a torto e a direito na internet.</p>
<p>Comparando: naturalmente, um jornal leva pelo menos 24 horas para corrigir no papel uma barbeiragem – quando quer fazê-lo, mas essa é outra história. Só que, se o erro não for copiado na internet, se espalhará mais vagarosamente.</p>
<p>O problema do erro – de boa ou má-fé, não vem ao caso neste instante – é o problema essencial. Com todos os seus defeitos, que não são poucos, nem devem ser minimizados, e a par todos os outros fatores, um jornal sério tende a errar menos do que um site ou um blog que hipoteticamente divulgue o mesmo número de informaçôes em igual período.</p>
<p>Pela simples, ou não tão simples razão de que o processo editorial na imprensa-como-a-conhecemos impõe a repórteres e editores – profissionais, portanto &#8211; a servidão de checar as histórias a serem publicadas. Sim, essa checagem já não é o que era desde que as redações passaram a ter menos jornalistas trabalhando mais. Ainda assim, o princípio da verificação prévia está entranhado na técnica do ofício. Ao passo que na web esse controle de qualidade é feito, se é feito, quando Inês é morta – e depende muitas vezes de que um leitor, mais bem informado sobre o assunto em questão, despache um alerta restabelecendo a verdade.</p>
<p>Para ficar no HuffPost, um senhor site. A maioria dos textos que ali se podem ler em dado momento não passaram pelo crivo de nenhum editor. Este só consuma entrar em campo quando um leitor adverte que tal ou qual colaboração é mentirosa, difamatória ou ofensiva.</p>
<p>Alterman:</p>
<p>“A vasta maioria dos repórteres e editores dedicou anos, se não décadas, a entender as questões de que tratam as suas matérias.”</p>
<p>“Reportagens de verdade, especialmente do gênero investigativo, são caras. Agregação [de textos] e opinião são baratas.”</p>
<p>Há iniciativas para profissionalizar o jornalismo na internet. Uma delas é a criação de fundos para financiar reportagens feitas por jornalistas tarimbados para este ou aquele site.</p>
<p>Vai demorar, aqui um pouco mais, ali um pouco menos, mas os dois modelos jornalísticos tendem a convergir. É por isso que o título do excelente artigo de Alterman fala em “a morte e a vida” do jornal impresso e não na sua “vida e morte”.</p>
<p>No fundo, quem diz muito com poucas palavras é o editor do Times, Bill Keller, citado no artigo.</p>
<p>Segundo ele, o jornalismo na net está para a modalidade convencional como o relógio para o calendário.</p>
<p>A comparação embute uma pá de significados. E uma conclusão: não podemos dispensar nenhum deles; devemos – os jornalistas e os leitores – é melhorá-los.</p>
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		<title>Dilma, Simon e um conhecido blog</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Apr 2008 17:18:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[*Gilson Caroni Filho
Ricardo Noblat cobrou de Pedro Simon que fizesse um discurso no Senado denunciando o suposto &#8220;dossiê&#8221; dos cartões corporativos. O senador gaúcho estava falando de outro assunto. Pediu desculpas ao jornalista e cobrou explicações da ministra Dilma Roussef. Simon sabe qual é o seu exato lugar.
Denunciar irregularidades na efera pública, com o amparo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">*Gilson Caroni Filho</p>
<p>Ricardo Noblat cobrou de Pedro Simon que fizesse um discurso no Senado denunciando o suposto &#8220;dossiê&#8221; dos cartões corporativos. O senador gaúcho estava falando de outro assunto. Pediu desculpas ao jornalista e cobrou explicações da ministra Dilma Roussef. Simon sabe qual é o seu exato lugar.</p>
<p>Denunciar irregularidades na efera pública, com o amparo de sólido trabalho investigativo, é tarefa irrenunciável do jornalismo. Deixar de fazê-lo, sob qualquer pretexto, é recusar os princípios que fundamentam a liberdade de imprensa, assegurada em qualquer regime democrático. Sobre isso não cabe qualquer discussão. É ponto pacífico para os que desejam a solidez das instituições políticas.</p>
<p>Mas, como já frisamos inúmeras vezes, quando a informação deixa de se submeter a outro imperativo que não seja o do aprofundamento democrático, a liberdade desejada se apresenta como sua própria contrafação. É servida, como subproduto de uma vulgata do utilitarismo, para satisfazer os interesses de seus leitores e sócios maiores.</p>
<p>Um jornalismo que se presta à instrumentalização partidária, distorcendo a realidade, infamando quem considera adversário político, usurpa uma franquia do Estado de Direito para funcionar como panfleto de ocasião. Deixa de ser instância fiscalizadora dos Poderes para tentar substituí-los como única instância legitimadora, subtraindo-lhe direitos e deveres. Quando a imprensa vira partido, seja de oposição ou de apoio a qualquer governo, renuncia ao seu caráter republicano, passando a ser ferramenta de interesses escusos. Há dúvidas se merece ainda ser mesmo chamada de imprensa.</p>
<p>É o que parece estar ocorrendo agora com o vazamento de um suposto dossiê contendo gastos feitos com cartão corporativo na época do governo Fernando Henrique. Antes de verificar se foi montado pela revista Veja, useira e vezeira em construir castelos de cartas, parcela expressiva da grande mídia não hesita em atribuí-lo ao Palácio do Planalto.</p>
<p>Há quase três anos, Luciano Martins escreveu um artigo para o Observatório da Imprensa ( &#8220;Quando faltam a razão e o direito&#8221;) que se tornou definitivo pela dinâmica do jornalismo brasileiro. Analisando o que se delineava como tendência no surgimento do &#8221; blog do Noblat&#8221;, o articulista foi preciso:</p>
<p>&#8220;A estréia do jornalista Ricardo Noblat, com seu blog político, no Estado de S. Paulo, traz uma lição inestimável para a compreensão do momento que vive nossa imprensa. Traz também uma mensagem claríssima aos jovens profissionais que sonham um dia escrever no outrora vetusto diário paulista.</p>
<p>A constatação é clara: engajada na luta partidária, a tradicional imprensa brasileira, bem representada pelo Estadão, perdeu os últimos pruridos e não se acanha em abrigar um panfleto em suas páginas, desde que venha a reforçar seus propósitos com relação ao atual governo. A mensagem aos jovens também não poderia ser mais explícita: se quiserem ser bem-sucedidos num grande jornal, aprendam a nadar de acordo com a corrente. Se possível, sejam radicalmente a favor de tudo que pensa o patrão. Substituam a ética pela moral do dia, e boa carreira&#8221;.</p>
<p>Mudou o veículo (hoje o blog se encontra na sombra da família Marinho) mas a toada permaneceu a mesma. O jornalismo (?) praticado ali comporta não só pleno endosso ao discurso da oposição como, em circunstâncias especiais, busca orientá-la visando à maior eficácia política. Não faltam, é claro, advertências públicas aos que não se comportam de acordo com a orientação da grande imprensa. Afinal, quem, senão ela, pode ser a única instância de intermediação possível? Quem, de fato, é a atora relevante do jogo político?</p>
<p>Quem melhor conhece os atalhos que levam à desestabilização de governos eleitos através de coberturas tendenciosas? Nesse sentido, nada mais pedagógico que duas postagens de Noblat, na sexta-feira, 28 de março. Em ambas, o jornalismo-torcida evidencia quem é quem na esfera pública midiática. Demonstra como se produz o esvaziamento de instituições clássicas de representação para que a imprensa reitere sua centralidade política.</p>
<p>Irritado com um discurso do senador Pedro Simon que, inadvertidamente, sobe à tribuna sem a pauta atualizada, o blogueiro não mede a intensidade da carraspana naquele que tem se notabilizado por um posicionamento incondicional às demandas tucanas. O texto foi ao ar às 9h53m:</p>
<p>&#8220;O que faz Pedro Simon (PMDB-RS) que discursa na tribuna do Senado sobre a harmonia das relações entre os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e não diz uma palavra, uma palavrinha só sobre o escândalo do dossiê produzido pela secretária-executiva da Casa Civil da presidência da República contra o casal Fernando Henrique Cardoso e o governo anterior?</p>
<p>Será que Simon não leu a reportagem publicada hoje pela Folha de São Paulo? Será que nenhum assessor dele o alertou a respeito? Ou será que ele considera a história mais uma invenção da mídia dita golpista? Ô Simon, atentai bem: não dá para bancar o senador combativo e na hora agá afinar a voz. Não dá para enganar os trouxas o tempo todo&#8221;.</p>
<p>A irritação obedece à lógica midiática. De onde o senador gaúcho imagina que há espaços para autonomia relativa? Às 11h20m, menos de duas horas após a advertência, Simon passa recibo e expõe o servilismo solicitado. Noblat registra com satisfação:</p>
<p>&#8220;Há pouco, Pedro Simon (PMDB-RS) voltou a discursar no Senado. Referiu-se à nota deste blog que cobrou sua omissão diante do fato denunciado hoje pela Folha de S. Paulo &#8211; o de que a Secretária-Executiva da Casa Civil encomendou o dossiê (ou &#8220;levantamento de dados&#8221;) contra o governo FHC no caso do uso de cartão corporativo. Simon alegou que o discurso que fizera pouco antes estava preparado há muito tempo. E que ele não lera a reportagem da Folha. Pediu desculpas ao blog. Tudo bem, Simon. Não há de ser nada. Foi erro de sua assessoria, que não o alertou há tempo. É muito raro um político pedir desculpas. Não caberia pedir desculpas ao blog, mas aos brasileiros que assistiam à sessão do Senado transmitida pela televisão. A adesão à humilde ordem dos franciscanos fez bem a Simon.&#8221;</p>
<p>O que temos aqui não é apenas a tutela da política pela imprensa. Mais que isso, fica evidente como se estrutura a hierarquia no campo conservador. Quem fugir da organização discursiva das oficinas de consenso deve ser advertido e, dependendo da relutância, silenciado.</p>
<p>O velho senador deve fazer sua contrição sem constrangimento. Ou será que ele não se deu conta de que o alvo do denuncismo vai além de Dilma Roussef? O que está em foco é a possibilidade de esvaziar a representação parlamentar do PT a partir de 2010. Para tanto, é preciso minar uma candidatura viável, seja ela qual for, desde já. Veleidades pessoais nessa hora soam absurdas. O jogo é sujo demais para melindres. Simon sabe qual é seu exato lugar.</p>
<p>Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, e colaborador do Jornal do Brasil e Observatório da Imprensa.</p>
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		<title>Blogueiros se unem contra censura a jornalista do &#8216;Globo&#8217; na China</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Apr 2008 06:43:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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RIO &#8211; O blogueiro Jorge Antonio Barros  lançou um movimento de solidariedade ao correspondente do jornal O GLOBO na China, Gilberto Scofield Jr., cujos blogs No Oriente  e Pequim 2008 , sobre as Olimpíadas deste ano, foram bloqueados pelo governo chinês. Mesmo com o veto, Scofield continua publicando informações sobre os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><cite>O Globo Online</cite></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/04/4356/4355/" rel="attachment wp-att-4355" title="blog_pequim2008.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/04/4356/4355/" rel="attachment wp-att-4355" title="blog_pequim2008.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/04/blog_pequim2008.jpg" alt="blog_pequim2008.jpg" height="336" width="523" /></a></div>
<p>RIO &#8211; O blogueiro Jorge Antonio Barros  lançou um movimento de solidariedade ao correspondente do jornal O GLOBO na China, Gilberto Scofield Jr., cujos blogs No Oriente  e Pequim 2008 , sobre as Olimpíadas deste ano, foram bloqueados pelo governo chinês. Mesmo com o veto, Scofield continua publicando informações sobre os recentes confrontos no país asiático por causa da crise no Tibete.</p>
<p>O movimento já tem a adesão de outros blogueiros, como Mauro Ventura , Renato Pacca , Antônio Carlos Miguel , Ronald Villardo e a dupla Lidia Marôpo/Renata Ramalho .<br />
Assine O Globo e receba todo o conteúdo do jornal na sua casa.</p>
<p><strong><br />
Eu também sou solidário do movimento contra a censura na China. LF</strong></p>
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		<title>Ainda sobre os panelaços na Argentina</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Mar 2008 16:54:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Vamos esclarecer algumas coisas. O problema não está em pessoas da classe média argentina saírem às ruas batendo panela, embora eu ache isso um tanto ridículo. Os próprios blogueiros de buenos aires estão refletindo sobre os panelaços dos anos 90, que derrubaram ministros das fazenda. Adiantou alguma coisa? Na verdade, não. Derrubaram ministros, inclusive alguns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://photos1.blogger.com/x/blogger2/5532/971/1600/z/486768/gse_multipart63682.jpg" alt="Oleo do Diabo" id="Header1_headerimg" style="display: block" height="128" width="551" /></div>
<div style="text-align: center"><img src="http://weblogs.clarin.com/itinerarte/archives/cacerolazo.jpg" alt="cacerolazo.jpg" height="252" width="300" /></div>
<p>Vamos esclarecer algumas coisas. O problema não está em pessoas da classe média argentina saírem às ruas batendo panela, embora eu ache isso um tanto ridículo. Os próprios blogueiros de buenos aires estão refletindo sobre os panelaços dos anos 90, que derrubaram ministros das fazenda. Adiantou alguma coisa? Na verdade, não. Derrubaram ministros, inclusive alguns bons ministros, que pegaram o abacaxi incomensurável cultivado pelo governo Menen, o otário que mais levou à sério as reformas neoliberais sugeridas pelos americanos. Aliás, por falar em americanos, nada como um dia após o outro. A cobra está sendo intoxicada pelo próprio veneno. Enquanto o mundo inteiro cresce, só os EUA têm crise, devido à estupidez neoliberal. O neoliberalismo é uma ofensa ao liberalismo. Não tem nada de liberal no neoliberalismo. Até mesmo a teoria do Estado mínimo é uma balela. O neoliberalismo tenta se vender como verdadeiro capitalismo quando não passa de uma tática semi-mafiosa na qual grupos financeiros ligados ao poder ganham milhões às custas de transferir par si a renda de milhões de trabalhadores e empresários.</p>
<p>Voltando à Argentina, o problema não está na panela. Está em quem bota fogo na panela. Em Buenos Aires, há manifestações quase diárias sobre tudo e todos. A maioria são sérias, com faixas explicativas, demandas específicas. Naturalmente, a maioria são de sem-terras pedindo terras, desempregados pedindo empregos, e assim vai. A diferença deste novo panelaço é justamente&#8230; a falta de demandas. As pessoas simplesmente saem batendo panelas pelas ruas, à noite, depois de ouvir pelo rádio e pela televisão que outras pessoas estariam indo às ruas “espontaneamente”. O conceito de “espontâneo”, naturalmente, possui um sentido muito especial. Esqueçamos o fato de ser falso, já que manifestações convocadas por locutores de rádio e televisão a cada 10 minutos não podem ser, tecnicamente, classificadas de espontâneas. Esqueçamos isso. O que os blogueiros argentinos, além da falsidade do caso, notaram é que, para a mídia argentina, a espontaneidade diferenciaria o panelaço das passeadas “organizadas” por sindicatos, movimentos sociais, associações e qualquer tipo de organização civil. São espontâneas. Tão espontâneas que as pessoas nem sabem o que estão fazendo lá. A causa da revolta, teoricamente, seria o discurso de Cristina atacando a greve dos agricultores. Bem, não quero entrar no mérito da política agrícola do governo argentino. Certamente, há quem defenda e quem ataque, com argumentos válidos para todos os lados. O caso, como sempre, virou guerrinha ideológica. Muitos lembraram, inclusive a Cristina, que estes agricultores que estão despejando leite na estrada e deixando estragar milhares de quilos de carne, sob o olhar complacente da mídia e dos ricos argentinos, foram os mesmos que defenderam e sustentaram a ditadura militar.</p>
<p>Os blogueiros portenhos estranharam outras coisas. A mídia repete que são pessoas comuns saindo às ruas, novamente distinguindo-os dos “animais” de sindicatos, movimentos sociais e associações. O que eles não notaram, mas eu notei, é a repetição da ladainha na mídia brasileira.</p>
<p>Já disse: em Buenos Aires, que tem características não reunidas em nenhuma cidade brasileira, que é ser capital política, administrativa, financeira, cultural e sindical do país, há manifestações, e grandes, quase todos os dias. Mas a mídia brasileira só quer saber do panelaço dos riquinhos.</p>
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		<title>BLOGUES DE JORNALISMO</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jan 2008 19:34:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.
Embora apresentado publicamente no começo de Dezembro último, só agora tomei conhecimento do livro Medios de Comunicación-El Escenario Iberoamericano. Tendencias ‘07, editado pela Fundación Telefónica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p id="subheader">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://img101.imageshack.us/img101/2986/headerindustrias2hv1.jpg" alt="L'image “http://img101.imageshack.us/img101/2986/headerindustrias2hv1.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs." height="122" width="532" /></p>
<p>Pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: <a href="mailto:rogerio.santos@netcabo.pt" class="subheader">Rogério Santos</a>.<br />
<span style="font-family: verdana; color: #330000">Embora apresentado publicamente no começo de Dezembro último, só agora tomei conhecimento do livro <em>Medios de Comunicación-El Escenario Iberoamericano. Tendencias ‘07</em>, editado pela Fundación Telefónica e pela Ariel, em que mais de meia centena de especialistas espanhóis, portugueses e latino-americanos analisou os modelos mediáticos de 20 países ibero-americanos.<br />
</span><br />
<span style="font-family: verdana; color: #330000">O relatório, coordenado e dirigido por Bernardo Díaz Nosty, professor catedrático da Universidade de Málaga, analisa, entre outros pontos, os novos usos tecnológicos, a cultura em Rede e os fluxos de população nas nações ibero-americanas capazes de permitir futuros processos de convergência, baseados na internacionalização dos meios e na inexistência de barreiras linguísticas significativas.<br />
</span><br />
<span style="font-family: verdana; color: #330000">Há um capítulo dedicado aos jornalistas que usam blogues na sua actividade, resumindo-se aqui os principais resultados (a partir de uma mensagem de Bella Pallomo, igualmente docente na Universidade de Málaga, e autora do capítulo <em>Periodistas en Internet. Blogs en el espacio iberoamericano</em>):<br />
</span><span id="more-2954"></span><br />
<span style="font-family: verdana; color: #330000"><span style="font-size: 85%">1) 75% têm menos de 40 anos,<br />
2) Três em cada dez blogues são elaborados por mulheres (jornalistas),<br />
3) Metade dos jornalistas ibero-americanos com blogue tem várias ocupações profissionais,<br />
4) Os jornalistas menos atraídos pelo jornalismo digital são os que trabalham no sector audiovisual e na comunicação institucional,<br />
5) Três em cada quatro inquiridos consideram que com o blogue praticam jornalismo de opinião,<br />
6) 61,9% crê que a maior vantagem do seu blogue é falar com a audiência,<br />
7) 52,4% conseguiram uma liberdade editorial que não têm no meio em que trabalham,<br />
8) Apenas 3% conseguiram com os blogues uma outra forma de ganho económico,<br />
9) 63% recebe comentários ofensivos,<br />
10) 40% recebem ofertas de trabalho através do blogue (presumo que pedidos de emprego),<br />
11) 63% não se preocupam com a questão do <em>copyright</em>,<br />
12) 35% estimam que, numa qualquer ocasião, foram plagiados conteúdos do seu blogue,<br />
13) 60% incorporam elementos multimedia no seu blogue.</span></span></p>
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