09/11/2009 - 10:23h Aliados cobram definição do PT em SP

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Histórico de derrotas e força dos tucanos levam líderes a pedir pressa na escolha do candidato ao Bandeirantes

Julia Duailibi e Clarissa Oliveira – O Estado SP

A indefinição sobre o palanque que sustentará a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), em São Paulo na eleição de 2010 tem causado desconforto nos partidos da base governista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A força dos adversários tucanos e o histórico de derrotas do PT no maior colégio eleitoral do País levaram aliados a intensificarem a articulação no Estado para definir uma candidatura já no começo do ano que vem.

Os principais partidos da base aliada se encontram hoje na capital paulista para discutir a aliança que sustentará a candidatura petista e qual o papel que cada um terá no processo. PT, PDT, PSB e PC do B debaterão a eventual candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB) – o nome mais forte do grupo – e colocarão as condições do apoio aos planos do PT.

A reunião, organizada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força, será na sede do partido em São Paulo. Participarão os presidentes estaduais do PSB, Márcio França, e do PT, Edinho Silva, e representantes do PC do B.

O PT ouvirá os demais partidos do bloquinho para saber como está o clima na aliança e que tipo de fatura eles pretenderão em troca do apoio. O partido prepara o terreno para Ciro ser o candidato, mas depende do ânimo do deputado – ele diz pretender disputar a Presidência.

“Se ele não decide lá, a gente fica a pé aqui. Precisamos pensar num plano B e fechar um pacto em São Paulo”, disse Paulinho. O partido já pensa em um nome no PT, provavelmente o deputado Antonio Palocci Filho ou, num caso extremo, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.

A avaliação no PT é de que não será possível agradar a todos. O cenário mais provável, se Ciro for o candidato, é o PSB ficar com a cabeça de chapa e uma cadeira para o Senado com o vereador Gabriel Chalita, o mais votado do País. A vice seria do PT, assim como a outra vaga para o Senado, que ficaria com o senador Aloizio Mercadante, que tentará se reeleger.

É aí que está o nó. Aliado de Lula, o deputado Aldo Rebelo (PC do B) estava de olho na vaga do Senado. Seu colega de partido, o vereador Netinho, tem o compromisso de parte do PC do B de que receberá a vaga na disputa. Aldo disputaria a reeleição na Câmara.

Diante do xadrez, o comando petista já enxerga como única saída negociar espaço no governo, em caso de vitória. Boa parte do plano, entretanto, se apoia nas negociações feitas na esfera federal pelo presidente.

PLANO B

Enquanto isso, o PT paulista tenta garantir um plano B na disputa estadual e, de quebra, amenizar a imagem de que está nas mãos de Ciro em São Paulo.

O partido autorizou desde o dia 1º inscrições de pré-candidatos ao Palácio dos Bandeirantes e inicia esta semana uma série de sabatinas com possíveis nomes. Emídio fará a estreia.

O PT disse ter solicitado reuniões com o ministro da Educação, Fernando Haddad, a ex-prefeita Marta Suplicy e o deputado Arlindo Chinaglia. E promete convencer Palocci a participar do ciclo, apesar de ele resistir a falar de candidatura.

20/02/2009 - 11:46h Montagem de chapa de Skaf ao governo de SP reúne bloco de esquerda e Maluf

Anna Carolina Negri/Valor

Paulo Skaf: presidente da Fiesp pode dispor de sete minutos na televisão para expor discurso de união entre capital e trabalho no enfrentamento da crise

 

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, empresário ligado ao setor têxtil, tem mantido conversas com o chamado bloco de esquerda formado por PDT, PSB e PCdoB, para viabilizar sua candidatura ao governo do Estado de São Paulo em 2010. A ideia é que ele se filie até maio ao PSB e que a possível chapa contenha ainda o PR e o PP, somando, assim, cerca de sete minutos no horário eleitoral gratuito.

Na formulação da chapa, a vice ficaria com o deputado em terceiro mandato Milton Monti (PR-SP), economista que foi secretário estadual de Relações do Trabalho no governo Luiz Antonio Fleury Filho (1991-1994). Ex-prefeito de São Manuel, pequeno município paulista a 272 km a noroeste da capital paulista, sua entrada daria o viés interiorano à composição. A vaga para o Senado seria do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP). Uma pesquisa Vox Populi para testar os nomes já está em negociação.

O deputado federal Paulo Maluf, presidente do PP paulista, e o ex-deputado Valdemar Costa Neto, participam diretamente da negociação, além do próprio Paulinho, e do deputado federal e presidente do PSB paulista, Márcio França, que é muito próximo de Skaf.

Em um provável cenário em São Paulo com políticos não tão conhecidos do eleitorado, à exceção do ex-governador Geraldo Alckmin, a aposta é que a constante exposição de Skaf à mídia nos últimos seis anos seja um diferencial, junto com um discurso de capital e trabalho unidos pelo desenvolvimento. Os ideários da composição entre de empresário com sindicalista inspiram-se na chapa que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice e o fundador da Coteminas, José Alencar. Até o marqueteiro que fez vitoriosa essa dupla em 2002 é cogitado para a provável chapa: Duda Mendonça.

Os tucanos, embalados na máquina estadual desde 1995, viriam favoritos para a disputa, dentro de uma aliança com seis partidos (PMDB, PTB, PPS, PV, PPS, PSDB), mais de dez minutos de horário eleitoral e cerca de 450 das 645 prefeituras do interior. Embora Alckmin pareça ser o candidato eleitoralmente mais forte, o governador de São Paulo, José Serra, tem preferência por seu secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira. A última eleição majoritária que disputou foi em 1992, para a Prefeitura de São Paulo, onde, mesmo com apoio do então governador Fleury, não foi ao segundo turno.

A avaliação do bloquinho é de que haverá em 2010 espaço para neófitos na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, na medida em que o Estado se divide basicamente entre petistas e anti-petistas. Com a composição, Skaf poderia se fortalecer sendo uma terceira via e incorporando votos dos dois lados.

Uma aliança que inclui o PT não é descartada pelo bloquinho, mas os petistas descartam a ideia. Não cogitam ceder espaço no maior colégio eleitoral do país nem tampouco compor com Skaf, um crítico constante do governo Lula que notabilizou-se no embate pelo fim da CPMF e pela queda de juros. Nas palavras de um integrante da cúpula petista, “esperava-se uma postura diferente dele em relação ao governo”. Na legenda, a disputa deve ficar entre os deputados federais Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci. Entretanto, caso prospere uma aliança bloquinho, Skaf, PP e PR, o tempo de propaganda eleitoral gratuita do PT será o menor.

Oficialmente, a Fiesp informa que muitos partidos procuram o empresário. As incursões políticas de empresários ligados a Fiesp têm sido discreta nos últimos anos.

O último de seus presidentes a ingressar na política foi Carlos Eduardo Moreira Ferreira, eleito deputado federal em 1998 pelo então PFL, hoje DEM. Com uma campanha tendo por mote “Produção, Emprego e Educação”, obteve 91.194 votos em 520 municípios. Quatro anos depois, frustrado com a atividade política, por não conseguir emplacar as reformas tributária, trabalhista e política, desistiu de tentar a reeleição. “Jogar para a plateia é outra característica marcante da política nacional, à qual é extremamente difícil para alguém proveniente do meio empresarial se adaptar”, escreveu em sua justificativa pela desistência de tentar um novo mandato.

O adversário de Moreira Ferreira pela presidência da Fiesp em 1992, Emerson Kapaz, foi secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do governo Mário Covas antes de se eleger deputado federal pelo PSDB em 1998. Deixou o partido para tentar a candidatura a Prefeitura de São Paulo pelo PPS em 2000, disputa em que acabou como vice da candidatura Luiza Erundina (PSB). Foi reeleito deputado federal em 2002, mas iniciava a função de arrecadador da campanha de Alckmin à Presidência em 2006 quando acabou envolvido no escândalo das sanguessugas, deixando a política. Em um seminário do PPS em 2007, disse que “a política já não faz mais diferença no Brasil”.

À margem das urnas, Pedro Piva, pai do ex-presidente da Fiesp Horácio Lafer Piva, foi o último empresário ligado à instituição a exercer mandato majoritário por São Paulo. Financiador de campanha e suplente do então senador José Serra (PSDB), eleito em 1994, ocupou sua cadeira durante quase todos os oito anos do mandato, do qual o atual governador paulista ausentou-se para ocupar, consecutivamente, dois ministérios no governo Fernando Henrique Cardoso, Planejamento e Saúde.

12/02/2009 - 10:03h Refrão de campanha dá início à aproximação com militância petista

 

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Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

Pré-candidata do PT à presidência, nome preferido de Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessão, executora do principal programa de investimentos do governo federal, a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, teve integral agenda de candidata nos eventos partidários ao longo desta semana, em Brasília. Inclusive com direito a, no jantar comemorativo de 29 anos do PT, ver o seu nome incorporado ao grito de guerra da militância petista na campanha presidencial de 1989. Ao ser chamada ao palco para discursar como maior estrela do evento, Dilma foi recepcionada efusivamente: “Olê, olê, olá, olá. Dilma, Dilma”.

A frase é emblemática para o PT, já que sempre impulsionou as aparições de Lula em eventos públicos desde que ele se lançou candidato a presidente pela primeira vez, há quase 20 anos. Ter seu nome incluído em um jingle histórico é, na opinião de um petista com cargo estratégico no Planalto, sinal de que a base petista incorporou o nome da ministra como a candidata petista em 2010. E Dilma começa, cada vez mais, a se sentir à vontade no figurino de presidenciável. Em uma fala rápida, de quase dez minutos, fez questão de elogiar a militância do partido.

Segundo a ministra, que chegou a ser criticada até pelo ministro Tarso Genro (Justiça) de não ter vida partidária, os militantes petistas foram fundamentais para que a legenda chegasse ao poder. E foram vitais para que o governo Lula atingisse as marcas e conquistasse as vitórias que alçaram o presidente a uma aprovação pessoal recorde. Em rápidas palavras, enumerou alguns feitos da gestão petista. Nada muito longo, para não entendiar a plateia. “Discurso de meia hora é só para o Lula”, brincou um petista com gabinete no quarto andar.

Dilma sabe muito bem das diferenças em relação ao seu mentor político. Mas vem treinando para melhorar. Segundo uma pessoa próxima, ela tem recebido aulas de retórica, para que seus discursos, que carregam sempre um teor administrativo e professoral, penetrem no “imaginário das pessoas”. Só assim, reconhecem os petistas, ela poderá ter sucesso em uma campanha eleitoral. “Não podemos compará-la com o presidente. Isso seria mortal. Aliás, essa comparação é mortal para qualquer político”, declarou um petista ligado à cúpula partidária.

Um dos escalados para ajudar na campanha presidencial de Dilma, o ex-governador do Acre, Jorge Viana, acha que a ministra tem que viajar mais e, nessas viagens, dialogar mais com os movimentos sociais e com a base petista. “Diferente de outros colegas, não acho que esta eleição será mais difícil para o PT. Temos um governo para mostrar, um governo que deu certo. Mas Dilma precisa se embrenhar pelos rincões deste país”, defendeu ele.

Viana sugere algo que reconhece ser muito difícil neste momento: separar a agenda da Dilma ministra e da Dilma candidata. “Eu sei que é complicado, mas ela tem que dar um jeito. Até o final do ano vamos conseguir isto”. Um dirigente petista disse que, mesmo que a agenda “maluca” da ministra não permita, é preciso aproveitar cada brecha para que ela interaja com os movimentos sociais e com os partidos aliados.

Na noite desta sexta-feira Dilma vai aproveitar uma dessas brechas para se encontrar com um dos grupos mais importantes para que sua campanha presidencial deslanche de fato: os representantes do PT paulista. A ministra da Casa Civil será recebida por Marta Suplicy em um jantar que vai reunir a cúpula do partido no Estado. Estão convidados para o encontro toda a bancada federal e estadual do partido, prefeitos petistas da Grande São Paulo, além dos vereadores da capital. “É um encontro de aproximação com o PT de São Paulo”, afirma o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), um dos convidados do jantar.

Um outro caminho a ser percorrido pela ministra é retomar a química com os integrantes do chamado bloquinho de esquerda: PCdoB, PSB e PDT. Para isto, Dilma delineou a estratégia ao declarar, no jantar de aniversário do PT, que o partido tem uma diretriz socialista. Isto aproxima sua candidatura de aliados históricos, não descarta a ala progressista do PMDB e estabelece uma diferenciação clara de outros aliados que sempre provocaram ojeriza a alas petistas: PTB, PR e PP. “Ela também deve aproveitar seu histórico político de combate à pobreza e à ditadura. Ela dedicou sua vida a isto”, disse um influente parlamentar petista. (Colaborou Yan Boechat, de São Paulo)

19/11/2008 - 13:44h Esquerda: uma armação limitada

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Rosângela Bittar – VALOR

Numa rápida conversa, ontem, em seu gabinete, minutos antes de discursar em sessão solene de registro dos 100 anos da morte do escritor Machado de Assis, o que fez sem preparação prévia pois é assunto que conhece profundamente, o deputado Aldo Rebelo, um dos principais políticos do bloco de esquerda que integra a aliança do governo Lula, traçou o perfil da ação que deve orientar os passos do seu grupo a caminho da sucessão presidencial. Ou seja, como serão ensaiados os passos de um bom número de partidos que já vinham marcando seus sinais particulares, desde três anos atrás, tendo como último fato as eleições municipais de 2008.

Estas eleições não significaram, ao contrário de avaliações que podem ter se precipitado a partir da experiência em São Paulo, uma rasteira para o bloquinho, em geral, e para Aldo, em particular. Ele vinha construindo uma candidatura a prefeito da capital, a partir de uma concepção de fortalecimento político da esquerda e do bloco que reúne PCdoB, PSB, PDT e PRB. Teve que recuar, por instâncias do presidente Lula, para uma candidatura a vice-prefeito, na chapa derrotada de Marta Suplicy, numa campanha em que acabou aparecendo pouco e os partidos que o apoiaram menos ainda. Ele próprio não achava esta a melhor solução, mas as quatro legendas a que estava ligado, na pré-candidatura a prefeito, evoluíram para a composição com o PT, que acabara isolado depois de recusar estas históricas parcerias.

Fora São Paulo, e até mesmo neste caso específico, porque permaneceu unido e não se fragmentou como outros partidos, o bloquinho, segundo a análise de Aldo, saiu-se muito bem. As eleições municipais levaram estes partidos a serem o segundo grupo em número de vereadores, só perdendo para o PMDB, mesmo assim por pouco. O bloco conseguiu ainda cerca de 15 milhões de votos, mais de 700 prefeitos, e prestígio em regiões inteiras, como no Nordeste.

“A eleição para prefeito é necessariamente fragmentária, ela impõe um movimento de dispersão”, afirma Aldo. E foi, ao seu ver, o que aconteceu, com praticamente todos os partidos. O PMDB saiu forte da disputa, se for considerado isoladamente, mas viu naufragar, inclusive, a principal aposta política que fez pós- 2006, que foi a aliança de centro-esquerda com o PT, que resultou na eleição de um petista para a presidência da Câmara, em troca do revezamento com os pemedebistas, ano que vem. Esta aposta incluía a união interna do PMDB para ampliação dos seus espaços no governo Lula. Tudo combinado para dar frutos em 2008, mas o fracasso da empreitada foi total, em todo o Brasil, havendo uma ou outra exceção, muito sofrida, a confirmar a regra, como foi o caso da capital de Goiás, Goiânia, onde a aliança PT-PMDB subsistiu por apenas um voto.

O PSDB, na avaliação de Aldo, saiu das municipais com menos prefeitos do que entrou e, em São Paulo, ficou fora das mais importantes cidades. O DEM, praticamente desapareceu do país, opina. Assim, crê que o desempenho da esquerda nas eleições de 2008, na comparação, foi muito bom.

Agora cuidam os partidos do bloco de armar o futuro, porque até sob este ponto de vista as eleições municipais não foram pródigas para muitos. José Serra, governador de São Paulo, saiu delas como um candidato forte de partidos frágeis, no ponto de vista que Aldo, hoje, traduz. “É um candidato das forças de oposição à espera de um adversário”, resume. Aécio Neves, nesta análise, saiu enfraquecido, a não ser que vá para o PMDB, transferência que continua claramente nas suas cogitações. A ministra Dilma Rousseff, apontada como candidata do presidente Lula e do PT é, até o momento, “uma incógnita”.

Isto porque, na opinião do líder de esquerda, o candidato se revela a partir do momento que as pessoas o percebem como candidato, em que deixa notar os traços de sua personalidade, suas aptidões, que vão se revelar na campanha. “O que era o Obama? Foi a campanha que o revelou”, afirma, sobre o presidente eleito dos Estados Unidos.

O candidato a suceder Lula, nesta perspectiva da esquerda, pode, sim, ser do PT. Mas também pode não ser, pode ser do próprio bloquinho. Ciro Gomes, por exemplo, é um nome, que já demonstrou suas potencialidades e limites, está afastado da política no momento, levou uma refrega nas municipais, mas se tiver uma oportunidade, volta à cena. Outra hipótese para a esquerda é construir uma alternativa de unificação do PT e do bloco, “mas não podemos transformar isto em cláusula pétrea”, diz Aldo, provando que tudo está, de novo, em aberto.

O tempo certo de engajar-se nesta construção será determinado, na sua opinião, por dois fatos concretos. “A esquerda tem que se armar na apreciação da crise, e é o que está fazendo, em estudos e seminários internos. O bloco tem uma posição segundo a qual a crise não pode ser enfrentada com a redução de investimentos e desprezo pelo mercado interno”, assinala.

Para Aldo Rebelo, a crise é que vai definir o que será 2010 para Lula, para a base do governo, para os governadores dos partidos aliados. O segundo aspecto desta armação do futuro é a posição a ser adotada diante da eleição para a Mesa da Câmara. O bloco tem o compromisso de ter posição conjunta, mas também aqui não há cláusula pétrea nem sinal ainda de decisão, o que só deverá ocorrer em meados de janeiro.

Tanto pode a esquerda lançar candidatura própria – o nome do deputado Miro Teixeira, que se revela um especialista em legislação eleitoral e em Legislativo, entrou na roda – ou definir apoio a Ciro Nogueira, ou até ficar com orientação de Lula, embora, pessoalmente, ele vá apoiar Ciro Nogueira (PP), por quem foi apoiado quando disputou contra a aliança PT-PMDB.

A única real dificuldade que se coloca para a opção dos partidos, na avaliação de Aldo, será uma solução que entregue ao PMDB o comando das duas Casas, Câmara e Senado. “Fechar o círculo nas duas pontas, ficando tudo com o PMDB, das decisões sobre Medidas Provisórias, sobre crédito, às emendas à Constituição, ensejará uma insegurança muito forte entre os deputados e os partidos”.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

07/10/2008 - 09:52h Oposição perde espaço pelo país; PT tem o maior crescimento

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Desempenho do partido de Lula, porém, ficou aquém do projetado por sua direção; em números absolutos, o PMDB foi o partido mais vencedor do domingo, com 1.194 prefeitos eleitos no primeiro turno

ALAN GRIPP – LETÍCIA SANDER da FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os três principais partidos de oposição ao governo Lula foram os que mais perderam prefeituras no primeiro turno da eleição de domingo. O DEM deixará o poder em 176 cidades; o PSDB, em 109; e o PPS, em 70.

Embora com desempenho aquém do projetado por sua direção, o PT sai das urnas com o maior crescimento no número de municípios. O partido tem atualmente 391 prefeitos, esperava chegar a 700 e saiu das urnas com 548 eleitos.

Mas, pelo critério de número de votos nominais, o grande vencedor no primeiro turno é o PMDB. Seus candidatos a prefeito receberam 18,4 milhões de votos, embora o número de prefeituras do partido tenha ficado praticamente estável (de 1.212 para 1.194).

A comparação foi feita pela Folha entre os resultados parciais da eleição divulgados até o fechamento desta edição pelo Tribunal Superior Eleitoral e a lista dos partidos hoje no poder, elaborada pela CNM (Confederação Nacional de Municípios), a principal entidade municipalista do país. Esse cruzamento retrata mais fielmente a realidade política brasileira, pois contempla o troca-troca partidário desde 2004.

O TSE havia computado até o final da tarde de ontem os votos em 5.544 municípios -em 29 deles, a eleição será decidida somente no segundo turno.

Além do PT, o PTB e siglas que compõe o chamado “bloquinho de esquerda” foram os partidos que mais ganharam prefeitos. O PT fez 157 prefeituras a mais do que tem hoje e ainda disputa o segundo turno em 15 cidades, entre elas 3 capitais (São Paulo, Salvador e Porto Alegre).
O PSB obteve o resultado mais consistente entre as legendas do bloquinho -95 prefeitos a mais do que os 214 que governa hoje, de acordo com os dados da CNM. O PTB terá a partir do próximo ano 35 prefeituras a mais, e o PDT, 33. PC do B e PV também cresceram -cada um ganhou no primeiro turno 21 prefeituras a mais.

Hoje, os 14 partidos que apóiam o governo Lula no plano federal têm 3.360 prefeituras, contra 1.852 governadas pelas demais siglas. Os três principais partidos de oposição no plano federal -PSDB, DEM e PPS- têm juntos 1.761.

No primeiro turno desta eleição, os partidos da chamada base aliada conquistaram 4.036 cidades, um crescimento de 20% em relação a hoje. Os demais enxugaram seus quadros -saíram do primeiro turno com 1.479, uma queda de 20%. PSDB, PPS e DEM fizeram 1.406 prefeituras, de acordo com os dados parciais do TSE.

Parte do declínio do DEM no número de prefeituras se deve ao fraco desempenho da sigla na Bahia, na primeira eleição após a morte do ex-governador Antônio Carlos Magalhães. O partido tem atualmente 116 prefeitos, de acordo com a lista da CNM. Neste primeiro turno, só elegeu 44, aponta o TSE. Se comparado ao resultado no primeiro turno da eleição de 2004, a derrocada do DEM fica ainda maior (71%) na Bahia. Naquele ano, a legenda chegou ao poder em 153 cidades.

O PMDB, comandando na Bahia pelo ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), sai deste primeiro turno como o grande herdeiro do carlismo. Em 2004, os peemedebistas fizeram 20 prefeituras no Estado. Atualmente têm 57. Saem das urnas com 113.

O PT, do governador Jaques Wagner e que disputa com o PMDB o espólio político de ACM, elegeu 66 prefeitos no domingo -hoje tem 25, seis a mais do que elegeu em 2004.

Sob a liderança do governador Eduardo Campos, o PSB consolidou Pernambuco como um forte reduto do partido. Em 2004, a legenda fez 12 prefeituras no Estado. Agora, assegurou o controle de 49.

Considerando o número total de votos nominais computados até agora, o PT ficou em segundo lugar, atrás do PMDB, com 16,5 milhões de votos. Em terceiro, ficou o PSDB, com 14,45 milhões de votos, seguido do DEM, com 9,3 milhões, puxado pelo bom desempenho de Gilberto Kassab em São Paulo.

No fim da tarde, em reunião do conselho político, Lula ironizou a oposição, segundo relato de presentes: “Existem três partidos que estão muito nervosos: o DEM, porque perdeu muitas prefeituras, e o PSDB e o PPS, que perderam boas prefeituras”.

30/09/2008 - 11:12h “Popularidade de Lula não é capaz de eleger postes”, diz governador da Bahia

Ruy Baron/Valor – 9/12/2005

Jaques: governador baiano mantém discurso conciliador em relação ao ministro Geddel Vieira Lima

Raymundo Costa, VALOR

Na reta final da campanha, a eleição embolou em Salvador, Bahia. Talvez mais que em qualquer outra cidade, o clima entre os aliados é tenso.

Os três dos dois candidatos cotados para passar para o segundo turno são da base de apoio do governo Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jacques Wagner: João Henrique, do PMDB, atual prefeito, e Walter Pinheiro, do PT. O terceiro é Antonio Carlos Magalhães Neto, ACM Neto, do DEM e herdeiro do carlismo.

Em poucos Estados a disputa pelo uso da imagem do presidente foi tão intensa, a ponto de levar o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), um dos fiadores da aliança PT-PMDB, ao ponto de ameaçar um rompimento com o governo. Jaques diz que não é de “esquentar” briga. Acredita na recomposição, apesar da “tensão” entre os aliados.

O governador da Bahia acha que não basta a popularidade para eleger “um poste”. É preciso haver sinergia com o eleitorado. “Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%!”, disse ao Valor, em conversa na sexta-feira. O petista também não vê o governador de Minas Aécio Neves como candidato pelo PMDB com o apoio de Lula. “Só se for na oposição”, diz.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O apoio do presidente e do governador desequilibra a eleição?

Jaques Wagner: Quando alguém diz ‘eu sou Lula desde criancinha’, quando é Lula só a partir do ano passado, as pessoas se dão conta. Até porque eu acho que as pessoas lêem errado as pesquisas. Quando ela diz assim: 60% dos eleitores dizem que o apoio do presidente Lula é benéfico, o que eles estão dizendo é que, para 66% do eleitorado, saber que o candidato que ele escolheu é aliado do presidente Lula, aumenta a vantagem dele em 60%. Mas é o que eu digo aqui é que 60% de 1% é 0,6%. Então o cara sairá de 1% para 1,6%. É que as pessoas querem ler assim: se o presidente Lula botar a mão eu saio de zero para 60%. O que não é verdade.

Valor: Não é automático.

Wagner: Não existe isso. É óbvio que quando você cria uma sinergia, quando há uma consciência coletiva, as pessoas raciocinam assim: eu vou votar nesse cara que ele é amigo do governador, é amigo do presidente e não é um babaca, para falar um termo bem objetivo. Agora, se o cara for um babaca, diz assim ‘pô Lula, você vai me perdoar mas nesse aí eu não voto não’. Então não funciona aquela idéia de eu ‘elejo um poste’. Não existe isso.

Valor: No entanto, o senhor acha que o PT vai crescer mais que os outros.

Wagner: Com essa identificação do 13, eu acho que os candidatos do PT ganham mais que os outros. Não é em detrimento dos outros.

Valor: O fato é que há reclamação. Como é que a base vai chegar em Brasília para as votações?

Wagner: Óbvio que a volta é uma volta com pontos de tensão. Não tem como. Toda eleição, evidente que mais na eleição municipal, não é um mar de rosas. A lógica municipal é mais intensa que a estadual e que a nacional. O que está em jogo agora? Os deputados estaduais e federais lutam fortemente para a eleição do seu prefeito, e isso na contabilidade dele significará uma posição melhor para a eleição dele em 2010. É essa a briga. E o governador? O prefeito pesa X para deputado estadual e federal e pesa um pouco menos para governo do estado e presidente da República. Evidente. Isso porque ele consegue muito mais coordenar o voto para deputado estadual e federal.

Valor: Mas a eleição de prefeitos agora não dará uma base melhor para a eleição do presidente e de governador de 2010?

Wagner: A população está estabelecendo uma lin ha direta entre ela e os cargos majoritários, principalmente governador e presidente da República. Vou dar o meu exemplo: eu tinha 50 prefeitos em 417. E ganhei na faixa de 230 cidades. Significa que nem os prefeitos que trabalharam contra convenceram a população. Eu não estou menosprezando, evidentemente que ele é um elemento da política, e da base de apoio, mas ele pesará muito mais na eleição de deputado estadual e federal, eventualmente na de senador, do que na de governador e presidente da República.

Valor: Por quê?

Wagner: Eu me convenço cada vez mais que as pessoas não querem intermediário para escolher governador e presidente. Por que dá tensão? Dá uma tensão maior aqui e vai dar uma tensão menor em nível nacional. É uma coisa até curiosa: onde você vai e ganha, em geral o cara vai dizer que foi ele que ganhou. Onde você não vai e o cara perde, ele vai dizer que você é que foi o culpado pela derrota dele.

Valor: A base fica unida?

Wagner: Está todo mundo mais maduro e todo mundo dá importância a estar participando de um projeto, até agora, exitoso, que é o do presidente Lula, em nível nacional, e na Bahia. até agora, a gente está bem. Então eu não acho que vá haver alguma sangria desatada.; Agora é fato que haverá uma tensão pós eleitoral normal. Eu, por exemplo, estou tentando ser o mais equilibrado possível. Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%. Quando está pau a pau, digamos um está com 40% e outro está com 38%, aí eu concordo que pode fazer a diferença.

Valor: O senhor e o ministro Geddel saem como entraram nessa eleição?

Wagner: Temos um ponto de conflito que foi produzido por alguém que não era meu nem dele, que é o prefeito atual, que foi eleito pelo PDT, com vice do PSDB, e baixíssima participação do PMDB, que não tinha nem interesse em ficar no governo. Tinha lá uma secretaria marginal. De repente, quando o cidadão viu que estava com problemas de sobrevivência política, ele teve de sair de um partido pequeno e procurar um partido maior para se abrigar. Ele é muito midiático. Eu até gosto dele, não é um mau caráter, não é um larápio, mas é um cara confuso. Confuso na política e confuso na gestão. Ele precisava de tempo de televisão. Quis vir para o meu partido, coisa que eu recomendei.

Valor: Mas o PT não quis?

Wagner: O vício do cachimbo deixa a boca torta. A gente vai amadurecendo mas alguns vícios vez por outra aparecem. Então apesar de o governador dizer: ‘rapaz, põe o cara pra dentro. A gente já está no governo, põe logo o cara no PT’, o meu partido não acolheu a minha sugestão, o pedido de seu governador. E ele acabou indo para o PMDB. Ao ir para o PMDB gerou então um pólo de tensão. Não por culpa dele, por culpa da conjuntura. Geddel e o PMDB receberam esse presente – tinham pouquíssima coisa em Salvador e ganharam um prefeito e uma prefeitura, como máquina política para fazer a operação da política, no bom sentido. É óbvio que gostariam de ter todo mundo em torno deles. Então lutaram por isso. Eu defendi a tese da minha base de sustentação (um candidato só), pelo menos na capital. As pessoas não se convenceram. Até porque diziam que ele é ruim de compromisso. O pessoal de pesquisa dizia que ele tinha dificuldade de ir até para o segundo turno. O argumento é que era melhor não jogarmos com uma hipótese só e perdermos para o PFL. A outra hipótese era o Imbassahy, com quem eu tenho relação. Mas isso não animava muita gente exatamente porque era um alinhamento com o PSDB nacional e as pessoas aqui não tinham interesse óbvio nessa aproximação. Quando acabar a eleição tem um rescaldo a ser tratado. E eu tenho que ficar administrando esse conjunto todo.

Valor: A base se mantém até 2010?

Wagner: Político é um animal objetivo, que eu dividiria em dois tipos: uns um pouco mais programáticos e outros, vamos dizer assim, mais conjunturais. Quem é mais programático, tende a continuar, apesar de ter havido um estremecimento com o chamado bloquinho (a união congressual de PSB, PCdoB e PDT). Mas eu acho que diminuiu essa tensão. Já vinha diminuindo antes, com a solução de São Paulo (a indicação de Aldo Rebelo para vice de Marta Suplicy). A relação do Eduardo Campos (governador de Pernambuco e presidente do PSB) com o presidente é excepcional. O episódio de Minas, por mais que localmente tenha ha reflexos no PT – e há um rescaldo a ser cuidado internamente – , do ponto de vista externo da relação dos aliados o PT acabou marcando um tento positivo, porque bem ou mal apoiou um candidato do PSB com interligação do PSDB, o que mostra que, aos trancos e barrancos, o PT também consegue apoiar os outros.

Como senhor vê a questão de Minas?

Wagner: Internamente ainda tem muita coisa a ser trabalhada. Ficou a tensão com o Fernando Pimentel, vem a eleição para governador e ele evidentemente é um nome. Há insatisfações que terão de ser aparadas. Eu não sou de Minas e não quero me meter, mas o problema parece sido mais de método mesmo.

Como encaixar esse grupo no plano da sucessão federal.?

Wagner: Eu acho que a administração que foi feita em Minas, é óbvio que ela sempre terá contornos nacionais, mas na minha opinião ela terá muita influência na questão estadual. Eu acho que o Fernando e o Eduardo não têm peso para influir na questão interna do PSDB. Portanto não têm peso para ajudar o Aécio a ser o candidato do PSDB. Também não vejo nenhuma hipótese de o Aécio ser candidato em composição, vamos dizer, como Eduardo Campos, o PSB. A relação do PSB com o presidente é excepcional. O Ciro Gomes, o Eduardo. Então, sinceramente, eu não consigo ver a tal história de o Aécio vir ao PMDB para virar candidato, só se for para ser candidato contra o candidato do presidente Lula.

A eleição de São Paulo prova que não há como ter dois candidatos da situação?

Wagner: Se o presidente Lula desembarca em 2010 extremamente bem avaliado, e coloca uma candidatura à sucessão que mostre fôlego, não acho que os aliados atuais queiram sair fora. Tendo uma candidatura boa,. a tendência é manter isso tudo junto.

Valor: O PT vai para o segundo turno em Salvador?

Wagner: De há muito esta é a primeira eleição de Salvado equilibrada. Está dando o que eu imaginava: Neto tem o público deles (carlismo, que está na casa entre 23% e 25%, não cai mas também não sobe, que foi o índice do último candidato deles (César Borges); Imbassahy perde fôlego…

Valor: E foi abandonado pelos tucanos?

Wagner: Pelos daqui não, pelo Serra (José, governador de São Paulo) não, mas pelos outros talvez sim, porque ele está numa posição meio autônoma em relação ao comando nacional. Pinheiro está crescendo, e aí vamos ver. Qualquer dois dos quatro pode ir.

Valor: Para o governador seria mais fácil administrar uma disputa Neto-Pinheiro, não é?

Wagner: Politicamente, se forem dois aliados para o segundo turno a mensagem política é positiva, e a administração é difícil.

25/08/2008 - 12:49h Vagas para todos

Blog de Alon

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

A vaga de presidente iria para o PT. A do vice, para o bloco, possivelmente para o PSB. E o Legislativo ficaria sob o comando do PMDB, garantindo-se quatro anos de mandato para os próximos comandantes peemedebistas das duas casas

Por Alon Feuerwerker
alon.feuerwerker@correioweb.com.br

O som do amolar de facas nos bastidores é indicação de luta acirrada pela vice na chapa de Dilma Rousseff em 2010. De um lado, o PMDB, que se julga candidato natural à vaga, pelo tamanho no Congresso e fora dele. Do outro, o bloco PSB-PDT-PCdoB, que se vê em vantagem devido ao relacionamento histórico com o PT.

O bloco vem de marcar um gol, por ter conduzido as coisas em São Paulo de modo a fortalecer a candidatura Marta Suplicy. A recusa do PMDB a oferecer o vice de Marta e a aliança dos peemedebistas com Gilberto Kassab acendeu uma luz amarela no Palácio do Planalto. Por que jogar todas as fichas num partido que pode criar surpresas desse tipo?
Sabe-se que o PT é sigla com fortes traços e interesses paulistas. Daí que o desfecho da montagem da chapa Marta-Aldo Rebelo tenha robustecido a posição relativa do bloco. São as idas e vindas da política. O PMDB cativou o PT e o Planalto ao decidir a parada na eleição de Arlindo Chinaglia à Presidência da Câmara dos Deputados. Agora os ventos sopram no sentido oposto.

As novas brisas introduzem elementos de complicação, por exemplo, na sucessão das duas casas do Congresso, no começo do próximo ano. O PT tem um acordo no papel para dar ao PMDB a cadeira de Chinaglia. O mais lógico é que seja cumprido. Mas para que isso aconteça será necessária a intervenção direta do governo, já que a movimentação de candidatos independentes vai bem, obrigado. Para complicar, a operação deverá estar casada com a entrega do comando do Senado a um minoritário PT.

Mas não há problema insolúvel na política. Articula-se embrionariamente nos bastidores a assim chamada solução das quatro vagas. Ela leva em conta que os sucessores de Chinaglia e Garibaldi Alves poderão ser reconduzidos em 2011. Assim, haveria em 2010 uma tétrade de lugares no grid: presidente e vice da República e presidentes da Câmara e do Senado.
A fórmula ruminada é simples. A vaga de presidente iria para o PT. A do vice, para o bloco, possivelmente para o PSB. E o Legislativo ficaria sob o comando do PMDB, garantindo-se quatro anos de mandato para os próximos comandantes peemedebistas das duas casas. Se der certo, a equação dará ao candidato de Lula uma ampla base de apoio para a eleição e o possível mandato.

Mas, como não se pode agradar a todos, há resistências já detectadas. Existe no governo e no PT quem desconfie de um cenário de controle total do PMDB sobre o Congresso, exatamente pela dificuldade de prever com alguma margem de segurança o comportamento da legenda. Contra essas desconfianças, argumenta-se que o PMDB já está ultracontemplado no consórcio lulista da Esplanada dos Ministérios e que dificilmente o partido, conhecido pelo seu pragmatismo, trocaria o certo pelo duvidoso, não migraria para a barca tucana. Ainda mais se o certo incluísse o poder efetivo sobre um dos vértices da Praça dos Três Poderes.

Existe também no PMDB quem não queira abrir mão da vice em 2010, mas esses têm um problema: a incapacidade crônica de fechar a sigla em torno de um único projeto de poder. Assim, a destinação de não uma, mas duas vagas das quatro para o PMDB estaria mais de acordo com a realidade, por acomodar melhor os apetites num barco historicamente conduzido a muitas mãos.

Restaria então o bloco, que precisaria unir-se em torno de um nome para a vice de Dilma. Quem sai na frente é Ciro Gomes, pela musculatura eleitoral e pela fidelidade ao projeto liderado por Luiz Inácio Lula da Silva. Mas não está descartado que a abertura do segundo lugar na primeira fila desperte outras ambições entre os hoje alinhados ao deputado federal do Ceará. Ainda que um dos nomes possíveis, o governador pernambucano, Eduardo Campos, tenha claramente apontado a proa de seu navio rumo à reeleição, congelando por enquanto os projetos nacionais.

A única certeza é que a decisão final sobre o cardápio caberá a Lula. Até o PT parece pacificado, conformado. O ministro da Justiça, Tarso Genro, volta seus olhos para o Rio Grande do Sul. E o peso da participação de Lula na tentativa de eleger Marta Suplicy à prefeitura indica que ela não deverá marchar em 2010 num passo diferente do ditado pelo presidente.

09/07/2008 - 11:02h Erundina anuncia apoio a Marta

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Cristiane Agostine – VALOR

Ex-prefeita e uma das fundadoras do PT, a deputada federal Luiza Erundina (PSB) declarou ontem apoio à candidata petista à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, e defendeu a extensão da aliança entre o PT e os partidos do bloco de esquerda para 2010. “Marta, conte comigo”, discursou a ex-petista, que se desligou da sigla em 1997.

Depois de receber homenagens de petistas em um seminário sobre habitação organizado pelo partido, Erundina demonstrou que estava satisfeita com o apoio do PSB, juntamente com o PDT e PCdoB à Marta. “A composição das forças democráticas e populares em torno da tua candidatura (de Marta Suplicy), de um projeto para São Paulo, sem dúvida nenhuma tem uma dimensão política, tem um componente político que vai para além de 2008. Transborda para 2010 e politicamente marca o processo político nacional”, disse.

“Eu discutia, eu defendia que aqueles partidos que compõe o chamado bloquinho (PSB, PDT e PCdoB) estivessem em uma aliança com o PT, com Marta, para que se pudesse configurar um outro campo político ideológico”, discursou a deputada. Na eleição passada, Erundina não apoiou Marta no primeiro turno e saiu candidata.

Ontem, Erundina foi muito aplaudida por uma platéia de cerca de 400 pessoas, composta por militantes petistas, lideranças de movimentos sociais, políticos e estudantes. Marta Suplicy elogiou as ações da hoje socialista e lembrou das dificuldades enfrentadas quando Erundina foi prefeita. “Quero lembrar que há 20 anos São Paulo elegeu uma mulher nordestina e do PT”, comentou Marta.

A deputada, visivelmente emocionada, começou seu discurso falando as negociações de seu partido com o PT e depois disse que não “precisava ser vice-prefeita”. “Mas eu queria um governo de esquerda”, explicou. Ela foi convidada para compor a chapa de Marta, mas seu partido não aceitou o cargo de vice. “Estou absolutamente tranqüila e feliz de a decisão ter sido não aquela que eu defendia, mas a mais correta e justa para São Paulo”, ponderou. O vice de Marta é o deputado Aldo Rebelo, do PCdoB.

Ontem, Marta teve outra boa notícia: por unanimidade, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) acolheu recurso e revogou a decisão de primeiro grau que a multou e à empresa Folha da Manhã, por entender que houve propaganda antecipada em uma entrevista concedida pela petista à “Folha de S.Paulo”. O TRE também cancelou por unanimidade multa contra a Editora Abril, por entrevista à revista “Veja São Paulo”.

Segundo o relator do recurso movido pela “Folha”, desembargador Walter de Almeida Guilherme, as questões citadas na sentença de primeiro grau ficaram “prejudicadas” depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicar uma nova resolução, modificando a disposição sobre propaganda eleitoral que deu margem para as ações contra veículos de comunicação.

Os ministros do TSE revogaram o artigo 24, que proibia os pré-candidatos de “expor propostas de campanha” antes do início da campanha, e criaram um novo artigo que diz: “Os pré-candidatos e candidatos poderão participar de entrevistas, debates e encontros antes de 6 de julho de 2008″.

Depois do voto do relator, o juiz Paulo Octávio Baptista Pereira fez questão de dizer que também votaria pela retirada da multa mesmo sem a nova resolução do TSE. A entrevista de Marta à “Folha” foi publicada no dia 4 de junho e à “Veja São Paulo” ? , na edição de 4 a 11 de junho. (Com agências noticiosas)

29/06/2008 - 21:15h PT confirma candidatura de Marta em SP e evoca Lula

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Partido usará popularidade do presidente na campanha.
Marta Suplicy terá como candidato a vice o deputado Aldo Rebelo

Roney Domingos Do G1, em São Paulo

O Partido dos Trabalhadores oficializou durante convenção realizada neste domingo (29) a candidatura da ex-ministra do Turismo Marta Suplicy na disputa pela Prefeitura de São Paulo. A legenda deixou claro que usará a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral.

Lula está em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, neste domingo, onde participará de evento na montadora Volkswagen, e não compareceu à convenção petista na capital.

Marta Suplicy terá como vice o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B). A coligação “Uma nova atitude para São Paulo” terá seis partidos: PT, PC do B, PSB, PDT, PTN e PRB. Neste domingo, convenções do PC do B e do PRB confirmaram apoio a Marta.

A convenção do PT, realizada no Expo Barra Funda, registrou a presença de cerca de 2 mil pessoas, de acordo com funcionários do centro de convenções. O local foi enfeitado com balões vermelhos e decorado por banners que serão utilizados na campanha. Uma câmera de TV suspensa por uma grua registrou imagens do evento e do palco fortemente iluminado.

Um dos materiais de campanha tem a seguinte frase: “Marta e Lula. São Paulo com nova atitude”. O jingle com o bordão “Deixa ela trabalhar” tem a letra e música parecido com o utilizado pela campanha de Lula à reeleição em 2006, baseado no refrão “Deixa o Homem Trabalhar.”


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Marta citou o presidente Lula seis vezes em seu discurso de mais de quatro mil palavras. “São Paulo vai mudar porque estamos fortemente unidos. E São Paulo vai mudar da mesma forma que o presidente Lula está mudando o país”, afirmou. Lula e outras lideranças dos partidos do bloquinho participarão da campanha em São Paulo, descrita na convenção como prévia de 2010 entre os partidos “de esquerda” e os partidos de “de direita”.

“Se quiserem derrubar a Marta, terão de passar por cima do presidente Lula”, disse o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia. “O segundo governo Lula foi muito melhor do que o primeiro. O segundo governo da Marta vai ser muito melhor que o primeiro”, pregou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).

Dirigente do PSB, o deputado federal Márcio França citou que o bloco de esquerda, o chamado “bloquinho”, decidiu apoiar Marta porque viu chances reais de chegar ao segundo turno e por conta de um apelo pessoal do presidente.

“Tivemos um momento importante de Lula que pediu em nome do governo e em nome dele para que ele [Lula] pudesse estar aqui e pudesse fazer campanha. Também foi importante que o outro lado [PSDB e DEM] tem brigado bastante e a gente quis oferecer um exemplo didático de união”, afirmou França. O presidente Lula havia dito que não faria campanha onde houvesse mais de um candidato da base aliada.

França afirmou que o deputado federal Ciro Gomes e os governadores Eduardo Campos, de Pernambuco, e Cid Gomes, do Ceará, todos do PSB, devem atuar na campanha de Marta. Ele também garantiu que a ex-prefeita Luiza Erundina deverá subir no palanque da petista. Erundina chegou a ser convidada para ser vice de Marta. “Luiza Erundina vai estar na campanha”, afirmou.

O candidato a vice, Aldo Rebelo, destacou que a aliança em torno de Marta é a mesma que sustenta o governo federal. “O leque em torno da Marta é o mesmo leque que sustenta o governo Lula. Quando decidimos unir as nossas forças, isso deve ser registrado como triunfo da política, o único espaço de disputa com as forças que não permitem a inclusão social.”

O presidente do diretório municipal do PT, José Américo, afirmou que a aliança entre os partidos “unificou o movimento sindical na cidade de São Paulo pela primeira vez” e lembrou o presidente: “O Lula lidera uma revolução e precisa de São Paulo na sintonia do presidente.”

Até o PTN, partido que cultua a imagem do ex-presidente Jânio Quadros, lembrou a necessidade de ver Lula na campanha. “Jânio Qudros não se submeteu ao Fundo Monetário Internacional. Lula também não. Ele não privatizou. Pagou a dívida com nosso esforço”, afirmou o presidente do partido, José de Abreu.

O PT apresentou neste domingo um esboço do programa de governo. Marta afirmou que os partidos aliados serão chamados a colaborar com “um macroprograma” ambicioso que vai levar em consideração três pontos: ampliar a inclusão social, sustentar o processo de ascenção da nova classe média e consolidação da classe média já existente.

28/06/2008 - 20:01h Esquentando os motores: união, força e juventude

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