09/09/2009 - 17:27h 75% dos tumores de cabeça e pescoço são descobertos tarde

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Estudo avaliou mais de 16 mil registros no Estado de São Paulo de tumores em locais como lábio, língua e laringe

Maioria dos casos acontece nas mucosas da cavidade oral, laringe e esôfago; estágio avançado da doença leva a cirurgias mutiladoras

GABRIELA CUPANI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Três em cada quatro tumores de cabeça e pescoço são descobertos em estágio avançado, quando as chances de cura são menores e os tratamentos, mais agressivos. O dado é de um estudo sobre o perfil epidemiológico desses cânceres no Estado de São Paulo, feito pelo Hospital A.C. Camargo.
Para chegar ao resultado, os autores analisaram o registro de mais de 16 mil pacientes entre os anos de 2000 e 2006, diagnosticados com tumores de lábio, cavidade oral, faringe, amígdala e glândulas salivares, entre outros. Trata-se de um dos poucos levantamentos que detalharam as prevalências de cada um dos tumores englobados no grupo considerado câncer de cabeça e pescoço.
Segundo o trabalho, 75% dos casos foram diagnosticados em estágio avançado e isso não se alterou ao longo dos anos. No mesmo período, os casos de câncer de nasofaringe tiveram o maior aumento proporcional.
Os pacientes diagnosticados eram, na maioria, homens com mais de 60 anos e baixo nível de escolaridade. “Falta conhecimento dos sintomas”, afirma o cirurgião Luiz Paulo Kowalski, diretor do departamento de cirurgia de cabeça e pescoço e otorrinolaringologia do Hospital A.C. Camargo e um dos líderes desse trabalho.
“Nos Estados Unidos, a situação é inversa: 70% dos casos são descobertos em estágio inicial”, conta o cirurgião de cabeça e pescoço Sérgio Samir Arap, do Hospital das Clínicas de São Paulo e gerente-médico do centro cirúrgico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
“A maioria desses tumores acontece nas mucosas da cavidade oral, laringe e esôfago”, diz Arap. “Mas faltam profissionais capacitados para identificar esses tumores precocemente e encaminhar os casos para um serviço especializado”, completa o cirurgião.
Estima-se que os cânceres de boca e orofaringe sejam os tipos mais frequentes dessa categoria, somando aproximadamente 390 mil novos casos a cada ano no Brasil. Segundo o artigo, o Brasil se destaca como um dos países com maior incidência desses tumores, devido à exposição aos fatores de risco.
Os tumores de cabeça e pescoço são relacionados a exposição excessiva ao sol (que causa a doença na pele e nos lábios), tabagismo e consumo abusivo de álcool. Estudos recentes associam o aumento de casos à infecção pelo vírus HPV, mesmo em pessoas assintomáticas.

Inflamação na gengiva
Uma pesquisa recente da Universidade de Buffalo (EUA) revelou que a periodontite (inflamação crônica da gengiva) também está relacionada ao aumento do risco desses tumores. A doença leva à perda progressiva de ossos e do tecido que sustenta os dentes e foi associada a cânceres de cavidade oral, orofaringe e laringe.
Para prevenir as lesões, além de uma boa higiene oral, recomenda-se adotar uma dieta saudável. “Comer vegetais amarelos, ricos em vitamina A, frutas cítricas e folhas verdes diminui o risco”, diz Kowalski.
Além disso, pessoas com mais de 40 anos, com más condições dentárias, fumantes e portadores de próteses mal ajustadas devem passar por um exame visual da boca, que pode ser feito por dentista, uma vez por ano para identificar lesões.
“No entanto, as campanhas têm sido pouco eficazes no controle do surgimento de novos casos e no diagnóstico precoce”, observa Kowalski.
Diagnosticados precocemente, esses tumores têm grande chance de cura, que chega a 95%, com cirurgias mais simples. Já nos casos avançados, o tempo de operação pode ser dez vezes maior, as cirurgias são mais mutiladoras e há necessidade de reabilitação.

SINAIS SERVEM DE ALERTA

Feridas que crescem ou não cicatrizam, rouquidão ou dor de garganta por mais de duas semanas, sangramentos e gânglios endurecidos devem chamar a atenção.

14/04/2009 - 15:32h Enxaguante favorece câncer de boca

Estudos ligam versão com álcool a tumor oral; consumo do produto cresceu 190% de 2002 a 2007

Não essencial à higiene oral, produto é indicado para pessoas com alto índice de cárie e doenças de gengiva e após cirurgias na boca

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JULLIANE SILVEIRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O uso de enxaguatórios bucais no Brasil cresceu 2.277% de 1992 a 2007, mostra um levantamento realizado pelo cirurgião-dentista Marco Antônio Manfredini, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), baseado em informações da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos. De 2002 a 2007, o aumento foi de 190%.
Para Manfredini, o incentivo ao consumo indiscriminado de enxaguatórios deve ser criticado. “Observamos um grande investimento na indução ao uso do produto. E é importante dizer que, ao contrário da pasta, da escova e do fio dental, o colutório não tem indicação universal. É preciso concentrar a utilização para casos específicos.”
Além de não ser essencial à saúde oral, o uso frequente de enxaguatórios bucais com álcool aumenta os riscos de câncer de boca e da faringe. Uma revisão científica publicada no fim de 2008 na revista da Academia Dental Australiana compilou estudos do mundo todo que encontraram essa relação. De acordo com os pesquisadores, há evidências suficientes para aceitar a ideia de que enxaguatórios bucais com álcool contribuem para aumentar a taxa de câncer oral.
Grande parte dos produtos comercializados no Brasil contém álcool. Um estudo brasileiro realizado com 309 pacientes e publicado no ano passado na “Revista de Saúde Pública” também encontrou a mesma associação. “Algumas marcas chegam a ter 26% de álcool, e há pessoas que usam todos os dias. Hoje existem produtos no mercado sem álcool, que devem ser os escolhidos”, diz o oncologista Luiz Paulo Kowalski, diretor do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital A. C. Camargo e um dos autores do trabalho. De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), fabricantes são obrigados a informar na embalagem a presença de álcool na composição.
O álcool presente nos enxaguantes contribui para o aumento das taxas de câncer oral de forma similar às bebidas alcoólicas -e sabe-se que o álcool é o segundo fator de risco para a doença, depois do tabagismo, aumentando de cinco a nove vezes os riscos. “Brinco que a pessoa bebe sem usufruir da parte boa da bebida. O produto tem álcool não porque é um antisséptico, mas porque é um veículo muito eficiente, industrialmente conveniente e muito barato. Por isso as versões sem álcool tendem a ser mais caras”, explica o dentista Alberto Consolaro, professor de patologia da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP.
O álcool não é um agente causador de câncer isoladamente, mas uma enzima do organismo o transforma em acetaldeído, substância que pode alterar as células da boca e causar tumores na região. “O problema é usar diariamente o produto, pois o dano constante não dá tempo de as células se repararem. O uso de enxaguatórios bucais [com álcool] precisa ser mais estudado, mas é algo parecido com o que ocorre com o cigarro: quanto mais exposição, maior o risco”, diz Kowalski.
Por isso, dentistas recomendam o uso do produto sem álcool, seja manipulado, seja de marca. “O produto é um bom auxiliar na limpeza da boca, mas não deve conter álcool. As pessoas acham que um enxágue que queima a boca é melhor, mas produto bom não precisa dar essa sensação. A substância antisséptica não é o álcool”, diz Consolaro.

Indicações
Dentistas recomendam o uso de enxaguatórios após cirurgias, raspagem de dente, casos de alta incidência de cárie, doenças da gengiva e para pessoas que não têm coordenação motora para realizar uma boa escovação. Para o restante da população, o uso é opcional, apesar de boa parte da publicidade desse tipo de produto sugerir que ele combate mau hálito. “Do ponto de vista da higiene bucal, não é necessário. Quem tem boa higiene bucal geralmente não tem halitose -e, se tiver, não será o enxaguatório que vai resolver o problema”, afirma Manfredini.
Especialistas ouvidos pela Folha criticam a falta de controle desse tipo de produto por parte da vigilância sanitária. Os enxaguatórios são registrados como cosméticos na Anvisa, e fabricantes de produtos que não contêm flúor, ação antiplaca nem antisséptica não são obrigados a registrá-los -somente notificá-los à agência.

12/02/2009 - 18:12h As bactérias da boca




Agencia Estado

Vídeo produzido com técnicas de última geração para captação de imagens microscópicas alerta para os riscos das bactérias existentes na boca humana