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	<title>Blog do Favre &#187; Bolsas</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Capital estrangeiro terá 2% de IOF</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/10/capital-estrangeiro-tera-2-de-iof/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 10:16:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Mantega confirma criação da alíquota sobre a entrada de investimentos externos em renda fixa e variável
Anne Warth e Ricardo Leopoldo &#8211; O Estado SP
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou ontem a informação antecipada pelo Estado sexta-feira: o governo decidiu impor a taxação de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de capital estrangeiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="size-full wp-image-15070   alignleft" title="dinheirocorrendo" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/dinheirocorrendo1.gif" alt="dinheirocorrendo" width="84" height="68" />Mantega confirma criação da alíquota sobre a entrada de investimentos externos em renda fixa e variável</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Anne Warth e Ricardo Leopoldo &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou ontem a informação antecipada pelo Estado sexta-feira: o governo decidiu impor a taxação de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de capital estrangeiro para investimentos em renda fixa e variável.</p>
<p>A alíquota, de 2%, será cobrada apenas na entrada do dinheiro, e não haverá diferença entre recursos de curto e de longo prazo. O investimento estrangeiro direito (IED) continua isento. A decisão entra em vigor com a publicação de medida provisória na edição de hoje do Diário Oficial da União. O Banco Central não participou da elaboração dessa medida. Ontem pela manhã, porém, Mantega conversou sobre o assunto com o presidente do BC, Henrique Meirelles.</p>
<p>O real é uma das moedas que mais se valorizaram ante o dólar em 2009. Até a última quinta-feira, a moeda brasileira ocupava o topo do ranking dos maiores ganhos, com quase 29%. A seguir, vinha o rand sul-africano, perto de 28%. No acumulado até ontem, o dólar caía 26,72% ante o real. Ontem, a moeda americana subiu 0,06% e fechou a R$ 1,711.</p>
<p>Mantega ressaltou que a aplicação de imposto sobre a entrada de capital estrangeiro tem como objetivo evitar &#8220;excesso de especulação na bolsa de valores e no mercado de capitais, em razão da grande liquidez que existe hoje no mercado internacional&#8221;. Segundo ele, o Brasil é muito atrativo para o investidor externo e a medida foi adotada de maneira preventiva, pois ainda não há entrada maciça de dólares, prejudicial à economia.</p>
<p>Ainda de acordo com o ministro, o objetivo também é proteger a produção nacional, incentivar a volta dos investimentos e preservar o emprego dos trabalhadores. &#8220;Queremos impedir um excesso de valorização do real. Quando o real se valoriza, acaba encarecendo as exportações e barateando as importações, e já temos um aumento expressivo das importações e as exportações não estão crescendo como deveriam.&#8221;</p>
<p>O ministro destacou que o Brasil trabalha com câmbio flutuante e o objetivo da alíquota não é estabelecer um nível específico da cotação do real ante o dólar, porque a política econômica não tem meta de câmbio. &#8220;O que queremos é apenas conter qualquer movimento de valorização excessiva da nossa moeda. Queremos, portanto, reduzir o potencial de eventuais movimentos de volatilidade no câmbio.&#8221;</p>
<p>Com bom humor, ele afirmou que &#8220;convenceu&#8221;, na tarde de ontem, o presidente Lula da necessidade de IOF nessas transações. Questionado se havia alguma dúvida específica de Lula, o ministro respondeu à Agência Estado, de forma educada: &#8220;Aí você já está querendo saber demais. O presidente queria ter uma avaliação plena dos pontos positivos e os não tão favoráveis em relação à medida&#8221;.</p>
<p><span style="font-size: large;"><strong>Indústria comemora decisão</strong></span></p>
<p>A decisão do governo de cobrar imposto sobre o capital estrangeiro investido no País foi recebida com satisfação pela indústria, que há tempos reclama dos efeitos da valorização do real frente ao dólar. &#8220;Alguma coisa precisava ser feita, pois no ritmo que vinha, o dólar caminhava para chegar à cotação de R$ 1,50&#8243;, disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Segundo ele, a medida anunciada ontem demonstra que o governo está disposto a fazer alguma coisa para impedir que o câmbio continue deteriorando a pauta de exportações do País.</p>
<p>O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, afirmou que &#8220;a valorização acumulada do real é de quase 30%, sendo que as exportações de manufaturados caíram os mesmos 30% até setembro ante igual mês de 2008. O governo sabe da inquietação dos exportadores, porque afeta o emprego na indústria&#8221;.</p>
<p><strong><img class="alignleft" title="dinheirocorrendo" src="../wp-content/uploads/2009/10/dinheirocorrendo1.gif" alt="dinheirocorrendo" width="84" height="68" /></strong><strong><span style="font-size: xx-large;">Pedágio para os capitais</span></strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Celso Ming &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>A decisão de taxar a entrada de capitais com um Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de 2%, é um jeito de &#8220;fazer alguma coisa&#8221; para tentar reverter a queda do dólar no câmbio interno.</p>
<p>Esse pedágio vem para encarecer o dinheiro que vem de fora, sem que ele tenha tido tempo de render alguma coisa. Como avisou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a ideia é conter a entrada de capitais especulativos, que se destinem tanto para o mercado de renda fixa (compra de títulos) como para o mercado de ações. O objetivo é cobrar o imposto apenas na entrada e não na saída, tanto maior quanto menor for o tempo de permanência, como anteriormente anunciado.</p>
<p>Em outubro do ano passado, o governo retirou o IOF de 1,5% na entrada de capitais que instituíra em março de 2008, mas alcançava apenas as aplicações estrangeiras em títulos do Tesouro. A decisão não chegou a reverter a tendência do câmbio. Mas, desta vez, a alíquota é mais alta. E alcança também os negócios da Bolsa.</p>
<p>Será inevitável certo impacto tanto na cotação do dólar como no mercado de ações. Mas fica difícil avaliar previamente as proporções desses efeitos. As ações de empresas brasileiras são mais negociadas em Nova York do que em São Paulo e, para aplicação nas bolsas estrangeiras, não há imposição de IOF.</p>
<p>No caso dos negócios com ações, pode-se esperar dois efeitos colaterais. Primeiro, haverá migração dos negócios que normalmente seriam feitos na Bolsa de São Paulo para as bolsas estrangeiras, especialmente para a de Nova York. E, segundo, como as bolsas estrangeiras negociam apenas ações (ou ADRs) de empresas grandes (large caps), parece inevitável, também, que as ações de empresas menores (small caps) sejam relativamente mais prejudicadas do que as das grandes.</p>
<p>O ministro Mantega avisou ontem que pretende apenas atingir o exagero na entrada de capitais. Além disso, o alvo é o chamado capital especulativo. A ideia de atingi-lo pode ser equivocada. Se o capital é especulativo, vem para cá apenas para morder um dinheiro fácil e, em seguida, levantar voo. Se é assim, a valorização do real que eventualmente tenha provocado na entrada seria prontamente invertida por ocasião da saída.</p>
<p>Em geral, intervenções assim têm pouco alcance. Nas primeiras semanas deverão provocar impacto no câmbio, mas não têm força para reverter uma tendência firme. Servem, no entanto, para mostrar serviço.</p>
<p>O governo precisa sequiosamente de capitais externos para financiar as obras da Copa e da Olimpíada, para o pré-sal, para o PAC, para a capitalização da Petrobrás e tanta coisa mais. E o sinal que está passando é de que não quer qualquer capital.</p>
<p>De todo modo, é estranho que mexidas no câmbio, ainda que aparentemente superficiais, como esta, sejam antecipadas a conta-gotas para os mercados. O câmbio define o preço mais importante de uma economia. Não se pode ser leviano com matéria dessa importância. Se é para fazer mudança no câmbio, ela tem de ser feita e anunciada como fato consumado. Não pode ser preanunciada com balõezinhos de ensaio, como aconteceu desde quinta-feira da semana passada, com tempo suficiente para quem quisesse fazer posições ou se desfazer delas no mercado futuro.</p>
<p><strong><img class="alignleft" title="dinheirocorrendo" src="../wp-content/uploads/2009/10/dinheirocorrendo1.gif" alt="dinheirocorrendo" width="84" height="68" /></strong><span style="font-size: xx-large;"><strong>A xepa da banana, o dólar e o IOF</strong></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">VINICIUS TORRES FREIRE &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p><strong>Taxar capital externo deve mexer pouco no câmbio; medida não mexe com o pior da especulação no mercado</strong></p>
<p>O IOF sobre investimento externo em ações e renda fixa deve afetar parte pequena do mercado cambial, embora tenda a elevar o custo de capital para empresas. Mais importante, a medida sugere que o governo padece de: 1) interpretação ingênua do que ocorre no mercado; 2) incapacidade de inventar e adotar medidas que contenham excessos especulativos. Isto é, a Fazenda não consegue mexer com o Banco Central -e com bancos.<br />
O mercado de dólares não funciona como uma xepa de feira. Quando sobra banana madura no final da feira, liquida-se a fruta pelo preço possível, sempre mais baixo que no início da manhã. Para o feirante, é melhor ganhar algum pela banana do que jogá-la fora, sem ganhar nada.<br />
Faz meses, o BC tem comprado todo o &#8220;saldo do fluxo cambial&#8221; (isto é, a sobra de dólares no mercado) e mais um pouco. Logo, aparentemente, não sobram dólares bastantes para que ocorra uma xepa, na qual a moeda americana perderia ainda mais valor em relação ao real.<br />
Porém, o dólar continua a se desvalorizar, como é evidente. Logo, o mercado de dólares não parece funcionar como uma feira de bananas. Mas os mercadores de moedas (bancos) levam em conta oferta e procura. Parece contraditório, mas o mercado de câmbio tem lá suas mumunhas, depende do mercado de juros, não opera apenas à vista e é global, o que enrola muito a avaliação das causas do &#8220;real forte&#8221;.<br />
Imagine-se que se forme uma fila para a compra de bananas baratas, no fim da feira. Imagine-se ainda que o feirante, ao notar que há muito comprador para bananas maduras, possa adquirir frutas no atacado e a baixo custo de financiamento. A banana barata e a juro zero é o dólar. O BC compra a grande oferta de banana. Os bancos são os feirantes.<br />
Em resumo, tudo se passa como se a promessa de compra de dólares (bananas) pelo BC estimulasse os bancos (feirantes) a trazer ainda mais dólares para o país (pois há a expectativa de baixa adicional do dólar, e não só aqui). Mas há ainda outras tecnicalidades do mercado de câmbio que afetam os preços.<br />
De menos incerto, sabe-se que o mercado crê na entrada de muitos dólares no país, via investimento &#8220;produtivo&#8221;, nas finanças e via comércio exterior. O dólar perde valor no mundo todo e &#8220;custa&#8221; pouco (tomar empréstimo em dólar é muito barato). Dada a garantia de que alguém comprará os dólares que se desvalorizam, financiar-se em dólares, no exterior, para oferecer empréstimos em reais é um bom negócio. Em suma, a lei da oferta e da procura funciona, mas por mecanismos mais complicados. E a variação excessiva do real depende ainda de outras condições, como a liberdade dos bancos de &#8220;especular&#8221; com moedas; ou das compras ou vendas do BC.<br />
Escrever &#8220;especulação&#8221; é pedir para ser tachado de ingênuo ou coisa pior. Porém, como definir uma variação de preço de R$ 1,60 para R$ 2,50, e de volta a R$ 1,70 em um ano?<br />
Esse foi o preço do dólar num país que não viveu crise cambial, que tinha R$ 200 bilhões de reservas, deficit externo e fiscal controlados etc. A volta do IOF pouco deve afetar a especulação (afora a de curtíssimo prazo). E é difícil imaginar alguma medida de curto prazo a fim de evitar a tendência de alta do real.</p>
<p style="text-align: left;"><em>vinit@uol.com.br</em></p>
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		<title>Em prol das cotas para a população negra nas universidades</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Aug 2009 14:51:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
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		<description><![CDATA[ 
Natália Maria Alves Machado &#8211; Correio Braziliense
Fórum de Mulheres Negras do DF
É muito evidente que, embora haja momentos de confluência, a questão da população negra no Brasil não é unicamente socioeconômica, uma vez que essa mesma população carrega em seus corpos as marcas de uma história e de um presente de desumanização; corpos que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/cotas2.jpg" alt="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/cotas2.jpg" align="left" /><span style="background-color: #ffff99"></span></p>
<p style="background-color: #ffff99">Natália Maria Alves Machado &#8211; Correio Braziliense</p>
<p>Fórum de Mulheres Negras do DF</p>
<p>É muito evidente que, embora haja momentos de confluência, a questão da população negra no Brasil não é unicamente socioeconômica, uma vez que essa mesma população carrega em seus corpos as marcas de uma história e de um presente de desumanização; corpos que são continuamente desqualificados por sua origem cultural e suas características. Os reflexos disso, não apenas ditos por mim, mas pelas estatísticas, são uma enorme ausência de pessoas negras em postos de poder/relevância/mídia/padrões hegemônicos e de elevada presença destas pessoas nos índices de marginalização.</p>
<p>A mobilidade social no Brasil é dificílima, mas pode-se aumentar a renda, também troca-se de roupa, mas nunca de corpo. Não basta matemática financeira para resolver algo tão complexo e, ainda que ocorra uma revolução de valores que reveja esse fenômeno, são necessárias medidas emergenciais. Trata-se de vidas tolhidas, a lentidão de processos históricos arbitrários não dá conta da urgência dessas demandas de humanidade.</p>
<p>Mesmo sanada a questão econômica, o que geralmente não ocorre e torna tudo ainda mais difícil, as marcas da discriminação continuam a prejudicar a trajetória de quem passa por isso. Não se está apenas diante de condenação a uma natureza inferior, mas de uma socialização inferiorizante. A questão é sociológica e não biológica, não custa reafirmar. É como se uma/um negro tivesse que correr uma maratona com toneladas nas costas, toneladas impostas, as toneladas do racismo. As cotas são uma espécie de corretor dessa distorção.</p>
<p>O sistema de cotas é um sucesso. Em todo o país, tem formado profissionais excelentes e com o adicional da diversidade de origens culturais. Isso é fato irrefutável! Ganham os/as cotistas, ganham as universidades, ganha-se em conhecimento, toda a sociedade se beneficia.</p>
<p>Ações contrárias são mostras da reação de quem não enxerga o diferente como digno e quer manter a exclusão para assim também manter privilégios. Todos (as) cotistas são aprovadas no vestibular. Não há critérios facilitadores, há apenas concorrência específica: negros concorrem com negros dentro daquele percentual de vagas. As provas e os critérios são os mesmos. E mesmo assim, além do mérito da prova, pessoas negras, assim como outras pessoas de grupos preteridos, possuem o mérito de uma trajetória de superação. Há menos de 150 anos, o Brasil mantinha senzalas e ainda hoje as mantém em seus padrões de exclusão desumanizadora. Não há esforço individual capaz de ignorar a força das condicionantes de origem estrutural.</p>
<p>Se as cotas são importadas dos EUA? Absolutamente não, e ainda que fossem, importa-se tudo, moda e teorias científicas, inclusive vícios e dominação. Por que agora é errado importar medidas positivas? Não há importação e sim esforço transnacional conjunto e adaptado à realidade de cada país. O Brasil é signatário de acordos internacionais que preveem essas medidas e que aqui representam força de lei. Não há aí inconstitucionalidade, mas sim reparação de uma dívida histórica.</p>
<p>Cotas mudam imagens, possibilidades profissionais, padrões culturais, dinâmica de espaços de poder; criam combinações intelectuais mediante a proximidade de pessoas antes apartadas, podendo inclusive gerar ideias e resoluções; afetam toda uma estrutura e não apenas sujeitos individualizados, levam a sociedade a rever suas regras e a experimentar o poder de nelas intervir; não desqualificam outros grupos ou outras questões, antes abrem espaço para a ampliação da noção de igualdade em todas as formas que esta pode assumir; não excluem outras medidas como a melhoria do ensino no geral, ou distribuição de renda e sim fazem parte desse esforço conjunto para superação das desigualdades de todas as origens.</p>
<p>Nada disso é fácil de ser alcançado, assim como não é fácil dar continuidade ao atual estado das coisas. Para coabitarmos nste mundo não há saídas possíveis fora do esforço de transformação.</p>
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		<title>Grupos brasileiros crescem em ranking dos maiores do mundo. Petrobras avança do 37º para o 8º lugar</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jul 2009 13:55:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ 


Para consultoria, números mostram que empresas do País estão se recuperando mais rápido
Renato Cruz &#8211; O Estado SP
As grandes empresas brasileiras estão entre as que mais se valorizaram no mundo no primeiro semestre, avançando no ranking das 300 maiores empresas globais, por valor de mercado, elaborado pela consultoria Ernst &#38; Young. O levantamento mostrou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/07/grupos-brasileiros-crescem-em-ranking-dos-maiores-do-mundo-petrobras-avanca-do-37%c2%ba-para-o-8%c2%ba-lugar/12469/" rel="attachment wp-att-12469" title="brasil_olho.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/07/brasil_olho.jpg" alt="brasil_olho.jpg" /></div>
<p></a></p>
<p><strong>Para consultoria, números mostram que empresas do País estão se recuperando mais rápido</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Renato Cruz &#8211; O Estado SP</p>
<p>As grandes empresas brasileiras estão entre as que mais se valorizaram no mundo no primeiro semestre, avançando no ranking das 300 maiores empresas globais, por valor de mercado, elaborado pela consultoria Ernst &amp; Young. O levantamento mostrou a recuperação das empresas depois do ponto mais crítico da crise mundial, no final do ano passado.</p>
<p>O número de empresas brasileiras na lista passou de cinco, em dezembro, para oito, em janeiro, com três delas entre as 100 maiores: Petrobrás (8º lugar), Vale (46º) e Itaú Unibanco (76º). Entre as 300 maiores, ainda aparecem o Bradesco (120º), a AmBev (147º), o Banco do Brasil (204º) e o Banco Santander do Brasil (254º). O estudo tem como base o valor das ações das empresas ao fim do semestre.</p>
<p>&#8220;A recuperação está muito alinhada com os Brics&#8221;, disse Paulo Sérgio Dortas, sócio da área de transações corporativas da Ernst &amp; Young, referindo-se ao grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China. &#8220;A Rússia e a China também se recuperaram.&#8221;</p>
<p>O total de empresas chinesas na lista das 100 maiores passou de oito no fim de 2009 para 11 em junho. No entanto, as três brasileiras entre as 100 maiores foram as que apresentaram a maior valorização, com valor conjunto de US$ 313,8 bilhões. Elas subiram 101%, ficando muito à frente das russas, que acumularam um aumento de 42%, com o segundo melhor resultado entre os países.</p>
<p>A China tem três empresas entre as dez maiores: Petrochina (1º), Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) (3º) e China Construction Bank (6º). A operadora de telecomunicações China Mobile (5º) tem sede em Hong Kong. A Petrochina ultrapassou a americana Exxon Mobil, que ocupava o topo da lista no fim do ano passado e passou para o segundo lugar.</p>
<p>A Petrobrás é a única empresa brasileira entre as 10 maiores. Seu valor de mercado passou de US$ 95,895 bilhões para US$ 164,818 bilhões, avançando do 37º para o 8º lugar no ranking. A Vale subiu do 68º para o 46º lugar, com um valor de mercado de US$ 89,317 bilhões, o que equivale a um crescimento de 48% no trimestre. &#8220;A valorização da Petrobrás e da Vale reflete, em grande parte, a recuperação do mercado de commodities&#8221;, destacou Dortas.</p>
<p>A alta dos bancos brasileiros, com a entrada de dois deles na lista das 300 maiores empresas, mostra como eles foram pouco afetados pela crise, quando comparados com as instituições de países desenvolvidos. &#8220;Uma notícia muito boa foi o avanço da AmBev, que está muito mais ligada à situação do País que ao mercado internacional&#8221;, disse o consultor. &#8220;É uma empresa que depende mais do mercado interno, e sua recuperação mostra que as classes C, D e E continuam consumindo.&#8221;</p>
<p>Com base nos dados do estudo, Dortas apontou que já existem sinais de que a retomada do crescimento começa a acontecer mais rápido que o esperado, puxada pelos Brics. &#8220;O Brasil e a China são os carros-chefe, e estão surpreendendo quem só esperava uma recuperação para 2010.&#8221;</p>
<p>As empresas americanas e europeias perderam espaço na lista das 300 maiores do primeiro semestre, com um crescimento da Ásia. &#8220;Apesar de ainda estarem em primeiro lugar, essas economias têm perdido pujança&#8221;, apontou. O total de empresas americanas entre as 300 maiores manteve-se estável, com perdas de posições para muitas delas, enquanto o número de empresas europeias caiu de 110 para 95. Entre as 100 maiores, a presença europeia passou de 46 para 35 companhias.</p>
<p>Depois de cair 22% no primeiro semestre de 2008 e 33% no segundo, o valor das 300 maiores empresas voltou a crescer, com expansão de 8%, ou US$ 1,1 trilhão. No ano passado, perderam US$ 11,3 trilhões.</p>
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		<title>O mundo se resume a Brasil e China</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jul 2009 14:39:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[De Olho na Bolsa
Daniele Camba &#8211; VALOR
Desde que a atual crise financeira deu os seus primeiros sinais, no início do segundo semestre do ano passado, o que mais se falou é do descolamento positivo do mercado brasileiro (o &#8220;decoupling&#8221;), consequência direta dos sólidos fundamentos econômicos do país. Essa, no entanto, é uma meia verdade. Os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/colunistas/COL-DANIELE_CAMBA.jpg" align="left" border="0" /><strong><font size="5">De Olho na Bolsa</font></strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Daniele Camba &#8211; VALOR</p>
<p>Desde que a atual crise financeira deu os seus primeiros sinais, no início do segundo semestre do ano passado, o que mais se falou é do descolamento positivo do mercado brasileiro (o &#8220;decoupling&#8221;), consequência direta dos sólidos fundamentos econômicos do país. Essa, no entanto, é uma meia verdade. Os gráficos mostram que, além do Brasil, os investidores estrangeiros também foram para a bolsa da China, à procura dos melhores retornos entre os países emergentes.</p>
<p><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002298/imagens/arte13inv-ivbx-d2.gif" align="left" border="0" />Um estudo feito pela RC Consultores revela como a bolsa brasileira e a chinesa se alternaram na preferência dos investidores internacionais, com ganhos muito interessantes. Desde o início da crise, é possível perceber três momentos bem distintos entre os dois mercados. No primeiro, entre setembro do ano passado &#8211; quando houve a quebra do banco americano Lehman Brothers e a crise internacional de fato se deteriorou &#8211; e fevereiro deste ano, o Índice Shangai teve um desempenho muito melhor que o Índice Bovespa, especialmente em janeiro e fevereiro deste ano. Entre 15 de setembro, dia da quebra do Lehman, e o fim de fevereiro, o Índice Shangai se valorizou em dólar 0,21%, enquanto o Ibovespa caiu 45,11% na moeda americana.</p>
<p>Num segundo momento, entre março e maio deste ano, o mercado brasileiro nitidamente tem um desempenho melhor que o chinês. Nesse período, o Ibovespa teve uma alta de 67,95% em moeda americana e o Índice de Shangai de apenas 26,63%. No último movimento, que começou no mês passado e vai até hoje, os dois mercados inverteram as posições, com o Índice Shangai subindo 18,12% e o Ibovespa registrando uma queda de 9,39%, ambos em dólar.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002298/imagens/arte13inv-bolsa-d2.gif" border="0" /></div>
<div style="text-align: center"></div>
<p>&#8220;Houve uma polarização entre Brasil e China, com o investidor estrangeiro preferindo ora a bolsa chinesa, ora a Bovespa&#8221;, diz o economista-chefe da RC Consultores, Marcel Pereira, responsável pelo estudo. Esse fluxo maior ou menor de recursos internacionais explica boa parte do movimento cambial desde o começo da crise. &#8220;É um comportamento inédito já que, historicamente, o câmbio sempre esteve ligado muito mais ao lado real da economia e menos ao fluxo para ativos financeiros&#8221;, diz Pereira.</p>
<p>Até fevereiro, quando o saldo líquido (diferença entre compras e vendas de ações) de estrangeiros na Bovespa continuava fortemente negativo, o câmbio se aproximava dos R$ 2,40 por dólar. A partir de então, esses investidores trocaram a China pelo Brasil e, no fim de maio, até quando durou a valorização da Bovespa, o dólar chegou a R$ 1,94.</p>
<p>&#8220;Não foi uma simples coincidência as ações subirem no mesmo momento em que o real se valorizou frente o dólar; foi a entrada de dinheiro externo na bolsa que fez as ações subirem e o dólar cair&#8221;, explica o economista-chefe da RC Consultores. Por fim, desde junho, com a saída de uma parte dos recursos estrangeiros, o Ibovespa caiu e o dólar voltou a se valorizar ante o real, fechando a sexta-feira em R$ 2,00.</p>
<p>A atual crise só reforçou a preferência pelas bolsas chinesa e brasileira que já vinha ocorrendo nos últimos anos. Entre 2003 e 2007, o Ibovespa, por exemplo, acumulou uma valorização de 1.031% em dólar (é esse percentual mesmo, não é erro de digitação). Já entre agosto de 2006 e outubro de 2007, o Índice Shangai subiu 287,96% na moeda americana. Os fundamentos macroeconômicos explicam essa predileção pelos mercados financeiros dos dois países. Em primeiro lugar está a China, cujo Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos cresceu a taxas de dois dígitos. No caso do Brasil, a história é bem mais modesta, pelo menos em termos de crescimento do PIB. No entanto, a razoavelmente recente estabilidade econômica trouxe junto uma importante evolução dos fundamentos do país.</p>
<p>É importante lembrar, no entanto, que as duas economias já deram alguns sinais de alerta que vale a pena considerar. &#8220;No Brasil, há uma piora na situação fiscal, enquanto na China a economia cresce bem menos do que nos últimos anos&#8221;, diz Pereira. &#8220;Além disso, existem dúvidas sobre a força do mercado de crédito chinês, mesmo com o pacote de estímulo do governo.&#8221;</p>
<p>Também não é à toa que os dois mercados prediletos são de países altamente relacionados às commodities: o Brasil como produtor e a China tanto como produtor quanto como consumidor. O ciclo de alta dessas matérias-primas, como petróleo, minério de ferro e aço entre 2003 e o primeiro semestre de 2008, trouxe prosperidade para os dois países. Consequentemente, atraiu olhares e bolsos cheios internacionais.</p>
<p>O futuro das commodities no médio prazo também é um fator a se pensar quando se fala do destino das bolsas brasileira e chinesa. &#8220;Recentemente, houve uma valorização de algumas matérias-primas, como o petróleo, mas graças apenas a um movimento especulativo por parte dos investidores, já que não existe um aumento de demanda real&#8221;, completa Pereira.</p>
<p><strong>Daniele Camba é repórter de Investimentos</strong></p>
<p><strong>E-mail: daniele.camba@valor.com.br</strong></p>
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		<title>Emergentes vivenciam novo boom. Será exuberância irracional ou sinais de crescimento forte?</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 14:01:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Ming Uong/The New York Times

Há sinais de uma retomada econômica global, com pouca ajuda da Europa e dos EUA
Por VIKAS BAJAJ e KEITH BRADSHER   
Mumbai, Índia
Investidores em Londres e Nova York têm testemunhado primeiros sinais de uma tênue retomada, mas seus colegas nos países em desenvolvimento dizem estar assistindo a uma recuperação plena.
Após uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/06/emergentes-vivenciam-novo-boom-sera-exuberancia-irracional-ou-sinais-de-crescimento-forte/11864/" rel="attachment wp-att-11864" title="money_flowers.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/money_flowers.jpg" alt="money_flowers.jpg" /></a><font size="1"><em><br />
Ming Uong/The New York Times</p>
<p></em></font></p>
<p><strong>Há sinais de uma retomada econômica global, com pouca ajuda da Europa e dos EUA</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Por VIKAS BAJAJ e KEITH BRADSHER   <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/newyorktimes_folha2.gif" title="newyorktimes_folha2.gif"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/newyorktimes_folha2.thumbnail.gif" alt="newyorktimes_folha2.gif" /></a></p>
<p>Mumbai, Índia<br />
Investidores em Londres e Nova York têm testemunhado primeiros sinais de uma tênue retomada, mas seus colegas nos países em desenvolvimento dizem estar assistindo a uma recuperação plena.<br />
Após uma queda esmagadora, os mercados de ações nos países emergentes navegam numa onda de otimismo de que a recuperação da economia global seja iminente e estaria sendo liderada pelo mundo em desenvolvimento, especialmente a China. Embora os mercados emergentes ainda estejam muito abaixo dos picos que alcançaram há mais de um ano, os investidores estão novamente vendo suas chances de crescimento como melhores que as de EUA ou Europa.<br />
O resultado disso é que o índice acionário Nifty, da Índia, deu um salto de mais de 60% nos últimos três meses. O índice acionário chinês CSI 300, de Xangai e Shenzehen, e a brasileira Bovespa tiveram alta de cerca de 35% cada durante o mesmo período. Comparada com isso, a alta de cerca de 25% do índice Standard &amp; Poor&#8217;s 500 parece modesta.<br />
&#8220;Houve uma corrida para a porta de saída no quarto trimestre&#8221;, disse Gonzalo Pangaro, gerente de portfólio no Fundo de Ações de Mercados Emergentes T. Rowe Price. &#8220;O mercado está começando a perceber que, embora esses mercados enfrentem problemas, os problemas são administráveis.&#8221;<br />
A produção industrial vem se recuperando na China, e o mesmo ocorre com as vendas de carros na Índia e o varejo no Brasil.<br />
Pode tudo isso ser exuberância irracional? As avaliações atuais são extremamente fortes: os preços das ações no Nifty indiano e na Bovespa estão cerca de 20 vezes maiores que os rendimentos. No CSI 300, os preços estão 29 vezes maiores que os rendimentos (os analistas se guiam pelo axioma de que ações de uma empresa vendidas por cerca de 15 vezes os rendimentos são corretamente precificadas).<br />
A visão otimista é que esses índices preço/rendimento altos refletem o retorno do interesse pelo risco nos mercados, algo que normalmente acompanha uma perspectiva mais positiva, e a crença de que esses países estariam preparados para retomar um crescimento econômico forte.<br />
A visão cética diz que as economias teriam de saltar para índices de crescimento de dois algarismos para justificar essas avaliações e que isso só pode indicar a formação de uma bolha.<br />
Os mercados emergentes normalmente apresentam oscilações maiores que os países desenvolvidos. Cada uma das grandes economias em desenvolvimento -os países Bric, ou seja, Brasil, Rússia, Índia e China- enfrenta fraquezas que podem prejudicar sua recuperação.<br />
Os fluxos de exportações e investimento estrangeiro, cruciais para muitos países em desenvolvimento, continuam anêmicos. Os gastos governamentais vêm tomando parte do lugar deles, mas os déficits fiscais crescentes em países como a Índia podem limitar o que os governos podem fazer para estimular suas economias.<br />
Por enquanto, fala-se pouco em cautela. Na Índia, o mercado acionário subiu ainda mais quando o governo saiu vitorioso das eleições nacionais, no mês passado.<br />
Madhabi Puri-Buch, executiva-chefe da Icici Securities, em Mumbai, disse que a Índia tem condições melhores que outros países de superar a crise porque o consumo interno continua a crescer. As vendas da maior montadora de automóveis do país, por exemplo, a Maruti Suzuki, cresceram mais de 10% em maio. &#8220;Os conselhos de direção da maioria das empresas estão dizendo que precisamos traçar planos de crescimento futuro, e não tanto que deveríamos estar nos preparando para um inverno prolongado&#8221;, disse ela.<br />
Outros analistas afirmam que os fundamentos da economia indiana não melhoraram suficientemente para justificar o grande crescimento.<br />
Na China, a produção industrial começou a se recuperar, e as importações de commodities vêm aumentando. Mas a recuperação se concentra em setores domésticos que se beneficiam do programa de estímulo do governo. As exportações ainda sofrem dificuldades.<br />
&#8220;Prevemos que a atividade manufatureira continue a se ampliar nos próximos meses, auxiliada pelos estímulos oferecidos pelo governo&#8221;, disse Jing Ulrich, diretor do JPMorgan Chase na China.<br />
Mercados emergentes da Ásia oriental também dão sinais de recuperação. A economia de Taiwan, por exemplo, encolheu 10,2% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado, mas a aproximação com a China continental elevou a confiança dos investidores.<br />
Bancos centrais em toda a região têm mantido os juros baixos, e alguns, como o das Filipinas, têm reduzido os índices para contrabalançar as exportações fracas.<br />
A Indonésia esteve protegida contra a recessão global por seu grande mercado doméstico e sua dependência limitada das exportações. E o país está se beneficiando do aumento da demanda internacional por seus recursos naturais.<br />
No Brasil, prejudicado pela queda nos preços de commodities, a produção industrial tem crescido a cada mês desde janeiro, embora ainda esteja muito mais baixa que no período correspondente de 2008.<br />
Apesar da recessão, o mercado acionário brasileiro vem subindo. &#8220;Quando houve pânico, os investidores fugiram para os EUA para comprar títulos do Tesouro&#8221;, comentou Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências. &#8220;Agora estão diversificando outra vez. O Brasil é claramente um dos escolhidos.&#8221;</p>
<p><em>Vikas Bajaj reportou desde Mumbai, e Keith Bradsher desde Dongguan, China. Colaborou Andrew Downie, em São Paulo</em></p>
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		<title>País recebe US$ 5,7 bilhões em investimentos estrangeiros</title>
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		<pubDate>Wed, 27 May 2009 14:03:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[

Dinheiro para a produção entrou entre abril e 26 de maio; ingresso de investimento financeiro também cresceu

&#160;
Sérgio Gobetti, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP
&#160;


Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")


Em menos de dois meses, o Brasil já absorveu cerca de US$ 9 bilhões do mercado internacional para investimentos produtivos e especulativos, refletindo os bons ventos que voltaram a rondar a economia brasileira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="c">
<h3><img src="http://www.artie.com/20040716/arg-dollar-full-207x165-url.gif" alt="http://www.artie.com/20040716/arg-dollar-full-207x165-url.gif" align="left" /></h3>
<p><strong>Dinheiro para a produção entrou entre abril e 26 de maio; ingresso de investimento financeiro também cresceu</strong></div>
<div class="grupoC2">
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Sérgio Gobetti, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP</p>
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p>Em menos de dois meses, o Brasil já absorveu cerca de US$ 9 bilhões do mercado internacional para investimentos produtivos e especulativos, refletindo os bons ventos que voltaram a rondar a economia brasileira e que estão por trás da recente melhoria dos indicadores financeiros, como bolsa de valores e taxa de câmbio.</p>
<p>Em abril, os investimentos estrangeiros diretos (IED) somaram US$ 3,4 bilhões, número comparável aos que eram registrados no ano passado, antes do agravamento da crise internacional. Os investimentos em ações trouxeram outros US$ 630 milhões. Em maio, os dados parciais são ainda mais expressivos: US$ 2,5 bilhões entraram no país para IED e nada menos do que US$ 2,3 bilhões foram para a bolsa até o dia 26.</p>
<p>Os investimentos de renda fixa também estão crescendo neste mês, rendendo outros US$ 811 milhões de ingressos líquidos. Os bons fundamentos macroeconômicos do país estariam, segundo o governo, por trás desse movimento.</p>
<p>&#8220;Mais do que a quantidade, a qualidade dos ingressos é positiva, pois são investimentos de longo prazo, que denotam interesse efetivo no País&#8221;, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.</p>
<p>Para analistas do mercado, entretanto, o afluxo de capital estrangeiro pode revelar interesses mais imediatistas, que levam os investidores a preferir o Brasil a outros países emergentes. Os exportadores também se preocupam com o crescimento da entrada de recursos do exterior, já que eles tem levado à valorização do real, que torna menos competitivos os produtos brasileiros no mercado externo.</p>
<p>O clima de confiança também fez crescer os investimentos brasileiros no exterior, que somaram US$ 2,8 bilhões em abril, depois de sucessivos meses de retiradas líquidas. Nesse caso, entretanto, a saída de dólares afeta negativamente o balanço de pagamentos.</p>
<p>No cômputo geral do fluxo de dólares, o Brasil registrou um ingresso líquido de US$ 4,5 bilhões entre abril e maio, invertendo tendência anterior de perda. Somente em maio, na parcial do dia 26, o saldo positivo do chamado fluxo cambial chega a US$ 3,1 bilhões.</p>
<p>Das reservas internacionais mantidas pelo BC, o valor líquido em caixa somava US$ 190,5 bilhões no final de abril. O estoque de operações em linhas com compromisso de recompra totalizava US$ 4 bilhões, enquanto o de empréstimos em moeda estrangeira somava US$ 6,7 bilhões.</p>
<p><strong>NÚMEROS</strong></p>
<p><strong>US$ 4,5 bilhões</strong><br />
foi o ingresso líquido de dólares registrado pelo Banco Central, pelo fluxo cambiam, entre abril e maio</p>
<p><strong>US$ 3,1 bilhões</strong><br />
é o resultado do fluxo cambial até o dia 26 de maio, segundo o BC</p>
<p><strong>US$ 190,5 bi </strong><br />
eram as reservas internacionais do BC em abril</div>
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		<title>Fundamentos económicos bons leva aplicadores internacionais a dar preferência pelos ativos brasileiros</title>
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		<pubDate>Tue, 26 May 2009 15:04:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[De Olho na Bolsa:
Fluxo externo já é o maior da história
Daniele Camba &#8211; VALOR
Em um dia bastante chocho devido o feriado nos EUA e no Reino Unido em homenagem a todos os mortos em guerras (Memorial Day), os novos números sobre investimento estrangeiro vieram a calhar. No mês, até dia 20, o saldo líquido (diferença [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>De Olho na Bolsa:<br />
Fluxo externo já é o maior da história</strong></p>
<p>Daniele Camba &#8211; VALOR</p>
<p><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/colunistas/COL-DANIELE_CAMBA.jpg" align="left" border="0" />Em um dia bastante chocho devido o feriado nos EUA e no Reino Unido em homenagem a todos os mortos em guerras (Memorial Day), os novos números sobre investimento estrangeiro vieram a calhar. No mês, até dia 20, o saldo líquido (diferença entre as compras e vendas) está positivo em R$ 4,683 bilhões, uma das melhores cifras desde o início de 2007, perdendo apenas para abril do ano passado (mês em que o Brasil foi alçado ao grau de investimento pela primeira vez), positivo em R$ 6 bilhões. O melhor número, no entanto, é no acumulado do ano que, até dia 20, está positivo em R$ 9,8 bilhões, o maior fluxo externo da história, desde que os estrangeiros passaram a poder aplicar na Bovespa, em 1994, a partir de uma regulamentação conhecida como Anexo IV. Até agora, o melhor saldo anual foi em 2003, de R$ 7,495 bilhões, exatamente no ano em que a bolsa brasileira começou a sua trajetória de cinco anos consecutivos de valorização.</p>
<p><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002265/imagens/arte26inv-bolsa-d2.gif" align="left" border="0" />Em dólar, segundo cálculos da própria bolsa, o saldo deste ano continua sendo recorde, de US$ 4,618 bilhões. Até então, o maior era o de 1996, de US$ 3,372 bilhões. O fluxo atual de entrada de recursos na bolsa é ainda mais animador se comparado aos números dos últimos dois anos, desde que a crise financeira internacional se instalou no mundo. Entre 2007 e 2008, houve uma saída líquida de R$ 28,9 bilhões. Só no ano passado, a fuga foi de R$ 24,6 bilhões. Pois é exatamente essa volta dos investidores estrangeiros a grande patrocinadora da acentuada recuperação da Bovespa desde abril, a despeito do movimento negativo da bolsa americana. Para se ter ideia, no ano, em dólar, o Índice Bovespa acumula uma alta de 56,30%, enquanto o índice Standard and Poor&#8217;s de 500 empresas (S&amp;P-500) cai 1,80% e o índice Dow Jones, 5,69%.</p>
<p>Esse caminhão de dinheiro desembarcando no mercado brasileiro é, segundo analistas, um sinal de que esses investidores já vislumbram uma recuperação da economia mundial se não este ano, no mais tardar em 2010. Como os fundamentos tanto do Brasil quanto das empresas locais são superiores aos da maioria dos outros países, os aplicadores internacionais dão preferência pelos ativos brasileiros de risco.</p>
<p>A enorme diferença entre o desempenho da Bovespa e da Bolsa de Nova York (Nyse) é algo que merece toda a atenção. Pode ser um sinal de alerta, que o mercado brasileiro poderá passar por uma fase de realização de lucros, ou que o americano irá se valorizar. &#8220;Essa distância entre as duas bolsas é muito grande e no mínimo estranha até pela histórica correlação que existe entre ambas&#8221;, diz o gestor de renda variável da Infinity Asset Management, George Sanders. Na visão dele, no que depender da onda de notícias, é o Índice Bovespa que ficará quieto no seu canto. &#8220;O Ibovespa na casa dos 51 mil pontos já reflete todos os indicadores econômicos positivos que saíram recentemente; ou saem novos números bons, o que parece pouco provável, ou as ações ficarão onde estão&#8221;, completa Sanders. Ontem, o Ibovespa fechou em tímida alta de 0,49%, aos 50.816 pontos, com volume financeiro de apenas R$ 1,5 bilhão.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002265/imagens/arte26inv-gringo-d2.gif" border="0" /></div>
<p><strong>Melhor que um, pior que outro</strong></p>
<p>Em relatório divulgado ontem, a Ativa Corretora faz uma análise dos balanços do primeiro trimestre. O lucro líquido de 122 companhias brasileiras de capital aberto nos primeiros três meses do ano caiu 26% ante o mesmo período de 2008. Já comparado ao último trimestre do ano passado, os resultados do primeiro trimestre de 2009 representam um crescimento de 13%. Uma possível leitura desse levantamento é que o pior momento da crise já pode ter ficado para trás, mas ainda é muito cedo para dizer que tudo vai bem, obrigada. Para este trimestre, a Ativa recomenda ações voltadas ao mercado interno, como teles, elétricas, shopping centers, consumo, tecnologia, varejo e logística.</p>
<p><strong>Daniele Camba é repórter de Investimentos</strong></p>
<p><strong>E-mail: daniele.camba@valor.com.br</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Como os chineses combatem a crise</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/05/como-os-chineses-combatem-a-crise/</link>
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		<pubDate>Sun, 24 May 2009 16:01:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[Bolsas]]></category>
		<category><![CDATA[china. crise]]></category>
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		<category><![CDATA[exportações]]></category>
		<category><![CDATA[impostos]]></category>
		<category><![CDATA[Mercados]]></category>
		<category><![CDATA[Partido Comunista chines]]></category>

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Wieland Wagner * &#8211; Der Spiegel &#8211; O Estado SP
Tudo é pintado de vermelho brilhante, desde o teto das barracas protegendo a multidão de compradores, até os banners que os estimulam a comprar. Wang Shiqin, um lavrador de 62 anos, chegou ao mercado nas primeiras horas da manhã. Como muitos consumidores, já comprou um aparelho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20081214_China.rua.Beijing.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20081214_China.rua.Beijing.jpg" width="552" height="385" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Wieland Wagner * &#8211; Der Spiegel &#8211; O Estado SP</p>
<p>Tudo é pintado de vermelho brilhante, desde o teto das barracas protegendo a multidão de compradores, até os banners que os estimulam a comprar. Wang Shiqin, um lavrador de 62 anos, chegou ao mercado nas primeiras horas da manhã. Como muitos consumidores, já comprou um aparelho de TV, mas quer também comprar seu primeiro refrigerador &#8211; tudo subsidiado pelo governo chinês.</p>
<p>A atmosfera é uma mistura de carnaval e de comício nesse mercado em Feidong, cidade da Província de Anhui, na zona rural, a três horas de trem de Xangai. Os vendedores promovem a altos brados seus aparelhos domésticos, especialmente as marcas internas, que se beneficiam da campanha do governo para combater a crise financeira global.</p>
<p>Os chineses estão entre os mais disciplinados poupadores do mundo, economizando quase cinco vezes mais do que sua renda disponível nas contas bancárias, como os alemães fazem. Mas agora o Partido Comunista deseja promover o consumo coletivo.</p>
<p>Os 800 milhões de agricultores do país são estimulados a se tornar os necessários novos clientes da fábrica global da China. É a mesma opinião do Ocidente, onde não se deixa escapar o menor grão de otimismo sugerindo que a crise em breve vai acabar.</p>
<p>Na semana passada, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, disse cautelosamente que a economia global estaria &#8220;perto de uma reviravolta&#8221;. Um artigo de capa do jornal de negócios alemão Handelsblatt dizia que &#8220;o mergulho vertiginoso da economia alemã parece ter sido controlado&#8221;. As exportações da Alemanha podem estar saindo do vermelho graças, em parte, à Ásia.</p>
<p>Mas mesmo os membros do governo em Berlim não se arriscam a uma previsão se esta é uma tendência real de reversão ou apenas fogo de palha. A China parece ser a principal responsável por essa ponta de otimismo. O Ocidente, por seu lado, está esperando um aumento de interesse da China por seu maquinário, seus produtos e know-how.</p>
<p>O Ocidente espera que milhões de consumidores chineses, como o agricultor Wang, acabem substituindo os consumidores europeus e americanos, que estão comprando menos e menos produtos &#8220;made in China&#8221;, desde que a crise começou. Só em abril, a exportações chinesas despencaram 22%.</p>
<p><strong>REGIÕES ATRASADAS</strong></p>
<p>Não é preciso muito para convencer as massas chinesas a gastar o seu dinheiro, à medida em que se entusiasmam com suas compras, como em Anhui e outras províncias &#8211; particularmente nas regiões relativamente mais subdesenvolvidas do país &#8211; para onde Pequim atualmente vem canalizando enormes somas de fundos federais.</p>
<p>&#8220;Jiadian Xiaxiang&#8221;, ou &#8220;Aparelhos domésticos para os povoados&#8221;, é o título da campanha veiculada hoje na China. O programa de estímulo econômico é direto: os compradores precisam se identificar como agricultores. Depois de comprar seu novo aparelho de TV, máquinas de lavar roupa ou celulares, os clientes recebem um desconto de 13% sobre o valor da compra dos órgãos fiscais locais.</p>
<p>Pequim está usando programas de estímulo similares para promover a compra de carros. Um imposto cobrado sobre a compra de alguns carros pequenos foi reduzido à metade, chegando a 5%. O governo está gastando cerca de US$ 755 milhões, esperando estimular as vendas de veículos nas zonas rurais. E parece que isso está funcionando. Só no mês de março, os chineses compraram 770 mil carros novos, um aumento de 27% em relação ao mês anterior, e um novo recorde de vendas.</p>
<p>O programa de estímulo ajudou a China a superar os Estados Unidos como o maior mercado automobilístico do mundo. E esses programas, financiados com a ajuda de reservas monetárias vigorosas, podem também beneficiar o Ocidente.</p>
<p>Dificilmente um outro país está injetando dinheiro de modo tão entusiasta num ciclo econômico extenuado, e em nenhum outro lugar o governo está intervindo de modo tão rigoroso e profundo no mercado como na China.</p>
<p>A China foi um dos primeiros países a anunciar um programa de estímulo econômico. Em novembro de 2008, o governo lançou um plano de dois anos para injetar quatro trilhões de yuans (cerca de US$ 608 bilhões) na economia. Ou seja, quase sete vezes o que o governo alemão investiu na sua economia.</p>
<p>Desde o início da crise, Pequim lançou novos projetos de infraestrutura quase que imediatamente. Alguns deles tinham sido planejados para longo prazo, enquanto outros eram novos. Abrangiam a pavimentação ou consertos de 300 mil quilômetros de estradas, como também um investimento de US$ 92 bilhões em novas rodovias, duas vezes mais do que no ano anterior.</p>
<p>No ano passado, Pequim tinha congelado muitos projetos, de um lado para reduzir a poluição durante os Jogos Olímpicos e de outro para esfriar um pouco uma economia superaquecida. Como parte dessa estratégia, o banco central chinês aumentou seis vezes sua taxa de juros antes da crise, mas depois reverteu freneticamente o curso e reduziu as taxas cinco vezes consecutivas. Agora os responsáveis pelos planos econômicos em Pequim estão pisando de novo no acelerador, em todos os setores da economia.</p>
<p>O governo e o Partido Comunista estão rapidamente reduzindo a escala das suas preocupações com a proteção ambiental e a sustentabilidade, que nos últimos anos era muito grande, na China e no exterior. Em apenas dois dias, o Ministério do Meio Ambiente do país aprovou apressadamente 90 projetos num total de US$ 36 bilhões, incluindo usinas elétricas, fundições de alumínio, fábricas de cimento e usinas de aço.</p>
<p>Esse processo de aprovação acelerado foi apelidado, sem qualquer ironia, de &#8220;Passagem Verde&#8221;.</p>
<p>Os comunistas da China estão, repentinamente, de novo no seu elemento. Eles se acostumaram muito bem às campanhas do governo, e isso remonta ao tempo em que Mao Tsé-tung invocou o &#8220;Grande Salto para a Frente&#8221;, nos anos 50, e mais tarde lançou a Revolução Cultural.<br />
<strong><br />
NO MESMO BARCO</strong></p>
<p>Hoje, o inimigo público número um do partido é a crise global, que se propagou a partir dos Estados Unidos, grande mercado exportador de Pequim. A China também está inquieta com seus investimentos financeiros nos Estados Unidos. Com cerca de um terço das reservas cambiais, de US$ 1,9 trilhão, investido em títulos do Tesouro americano, a China é o maior credor da superpotência ocidental. Em outras palavras, chineses e americanos estão basicamente sentados no mesmo barco furado.</p>
<p>Para proteger seus devedores de um colapso, os chineses não têm outra escolha senão continuar comprando títulos do Tesouro dos Estados Unidos. No entanto, Pequim procura tirar vantagem da crise para se colocar como alternativa aos Estados Unidos e uma futura superpotência. É gratificante para a liderança chinesa observar como o Ocidente busca soluções que têm um cheiro de capitalismo de Estado.</p>
<p>Os líderes chineses têm uma boa chance de vencer essa competição global, pelo menos a curto prazo. Afinal, a economia de mercado planejada é o seu território. Além disso, o Partido Comunista não tem um Parlamento eleito democraticamente para se preocupar a respeito, um Parlamento que possa tentar influenciar na sua &#8220;economia de mercado com características chinesas&#8221;. E podem ordenar que seus bancos estatais façam empréstimos para as empresas, muitas delas também estatais.</p>
<p>Só em março, os bancos chineses aumentaram o volume de empréstimos para as empresas em cerca de US$ 292 bilhões. Como resultado, os investimentos nas fábricas e no setor imobiliário nas áreas urbanas subiram mais de 30% de janeiro a abril.</p>
<p><strong>OS GESTORES ONIPOTENTES</strong></p>
<p>O partido também enviou seus funcionários para visitar empresas por todo o país. A finalidade dessas visitas foi determinar quais empresas precisavam de ajuda do governo e, ao mesmo tempo, pressionar os diretores de empresas locais para não exonerarem trabalhadores nem fechar fábricas, o que já tinha desencadeado uma onda inicial de protestos no fim do ano passado.</p>
<p>De início, a crise pegou o Partido de surpresa na Província de Guangdong, polo exportador a sudeste da China , na fronteira com Hong Kong. Quando milhares de fábricas de propriedade privada que produziam produtos baratos, como sapatos e brinquedos, estavam sendo fechadas, cerca de 20 milhões de trabalhadores migrantes perderam o emprego. Mas as autoridades locais garantiram que os desempregados receberiam seus salários de volta.</p>
<p>Em Xangai, os gestores da crise, do Partido Comunista, são virtualmente onipotentes. Nessa cidade de arranha-céus, as autoridades comunistas controlam as mais importantes e as maiores empresas, desde as cadeias de supermercados até a maior montadora chinesa. Recentemente, um bilhão de yuans foi gasto para salvar a SVA, fabricante de aparelhos de TV de tela plana. &#8220;O partido é a chave para superarmos as dificuldades econômicas&#8221;, disse Yu Zhengsheng, chefe do Partido Comunista em Xangai.</p>
<p>A meta coletiva dos estrategistas econômicos chineses é chegar a um crescimento de 8%, que a liderança em Pequim considera o nível mínimo necessário para preservar a sempre invocada harmonia social nesse enorme país.</p>
<p>De fato, a China deverá anunciar uma estimativa de crescimento no fim do ano em completa sintonia com o planejado &#8211; independente se o número real seja exatamente 8% ou, por exemplo, 7,8%.</p>
<p><strong>DEPENDÊNCIA DA EXPORTAÇÃO</strong></p>
<p>No primeiro trimestre de 2009, a terceira maior economia do mundo cresceu 6,1%. Um crescimento decepcionante, quando comparado com os dois dígitos registrados até 2007. No entanto, a República Popular ainda está em boas condições, em relação ao Ocidente , que vem mergulhando numa recessão.</p>
<p>O primeiro-ministro Wen Jiabao já sugeriu que ainda tem &#8220;muita bala na agulha&#8221; para proteger seu país contra um colapso econômico. Mas abrindo novas estradas, rodovias e aeroportos, Pequim está somente aumentando a nocivamente alta proporção desses investimentos na economia em geral, que já excedia 40% em 2007.</p>
<p>Oferecer isenções fiscais para carros e aparelhos de TV não vai resolver o real desafio da China, que é se libertar da dependência das exportações a longo prazo e estimular o consumo interno.</p>
<p>Para alcançar esse objetivo, a China tem de acabar com as grandes diferenças entre ricos e pobres. Nos anos 80, os chineses das cidades ganhavam duas vezes mais do que os habitantes das zonas rurais. Em 2008, esses ganhos são 3,3 vezes maiores do que os dos trabalhadores do campo.</p>
<p>A República Popular precisa urgentemente desenvolver um sistema previdenciário sustentável, bem mais amplo do que o previsto nos planos. Muitas das 1,3 bilhão de pessoas que vivem na China não têm nem uma assistência médica adequada e nenhuma aposentadoria significante.</p>
<p>A China, que chegou por último à industrialização, precisa de empresários privados dispostos a assumir riscos desenvolvendo suas próprias marcas de alta tecnologia. Mas, em vez disso, os responsáveis pelo planejamento econômico continuam a inflar essas apáticas e gigantescas empresas estatais com seus empréstimos.</p>
<p>Até o banco central em Pequim, no seu mais recente relatório, expressou preocupação de que a China precisa acelerar &#8220;em termos de inovação e reformas&#8221;.</p>
<p>Em vez disso, os chefões do partido nas províncias querem perpetuar a glória do Partido, levantando edifícios suntuosos de aço e concreto. Ni Jinjie, conhecido comentarista financeiro, alertou que, se Pequim continuar oferecendo dinheiro indiscriminadamente, &#8220;a estrutura da nossa economia pode rapidamente se desequilibrar&#8221;.</p>
<p>A nova bolha da China já está começando, silenciosamente, a inflar os mercados. Em Schenzen, onde o índice da bolsa disparou em mais de 50% este ano, os reguladores do mercado sentiram a necessidade de lançar um alerta oficial para os investidores chineses: &#8220;Cuidado com o perigo de se especular cegamente com ações&#8221;.</p>
<p><strong>*Wieland Wagner é correspondente da Der Spiegel desde 1995 </strong></p>
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		<title>Crise global vai continuar mesmo depois da recessão</title>
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		<pubDate>Fri, 22 May 2009 12:52:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ENTREVISTA &#8211; NOURIEL ROUBINI
Para economista, movimento atual de recuperação das Bolsas não é sustentável
Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

 O economista Nouriel Roubini concede entrevista em São Paulo; para ele, o crescimento do Brasil neste ano ficará entre 0 e -1%
DENYSE GODOY &#8211; FOLHA SP
  DA REPORTAGEM LOCAL 
Leia a seguir os principais  trechos da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><font size="+1" color="#000080">ENTREVISTA &#8211; NOURIEL ROUBINI</font></strong></p>
<p><strong>Para economista, movimento atual de recuperação das Bolsas não é sustentável</strong></p>
<div align="center"><font size="1"><em>Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem</em></font><br />
<font size="1"><em><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/05/crise-global-vai-continuar-mesmo-depois-da-recessao/11408/" rel="attachment wp-att-11408" title="roubini.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/05/roubini.jpg" alt="roubini.jpg" /></a></em></font><br />
<font size="1"><em> O economista Nouriel Roubini concede entrevista em São Paulo; para ele, o crescimento do Brasil neste ano ficará entre 0 e -1%</em></font></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>DENYSE GODOY</strong> &#8211; FOLHA SP</p>
<p><font size="-1">  DA REPORTAGEM LOCAL </font></p>
<p>Leia a seguir os principais  trechos da entrevista de Nouriel Roubini à <strong>Folha</strong> ontem,  após participar de seminário  promovido pela Serasa Experian em São Paulo.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O senhor está sorrindo hoje! É difícil vê-lo assim nas fotos, nas  imagens da televisão&#8230; Isso contribui para a sua fama de &#8220;Doutor Apocalispe&#8221;?<br />
NOURIEL ROUBINI &#8211; </strong></em>[Fica sério] A  crise econômica é um assunto  tão grave que, quando estou falando a respeito, simplesmente  acho que sorrir não é apropriado. As pessoas me chamam de  &#8220;Doutor Apocalipse&#8221; porque  fui o primeiro a prever o atual  desastre, mas prefiro ser chamado de &#8220;Doutor Realista&#8221;.<br />
Não vejo, à nossa frente, uma  depressão ou uma longa recessão, como muitos apontam.  Creio que vamos sair desta crise no ano que vem. Ainda estou  preocupado, no entanto, com  determinados aspectos econômicos de curto prazo.<em></em></p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Alguns analistas afirmam  já detectar aqui e ali sinais de recuperação da economia americana.  Quais indicadores realmente apontam o começo de um restabelecimento e quais não devem ser interpretados assim?<br />
ROUBINI &#8211; </strong></em>Os índices mais importantes a acompanhar são os  relativos a consumo, investimento das empresas, produção  industrial e mercado imobiliário. Eles continuam caindo. Só  que estão recuando menos do  que o observado no ano passado -se apresentassem o mesmo ritmo de queda dos últimos  meses de 2008, não estaríamos  em uma recessão, mas em uma  depressão profunda. Isso não  significa uma luz verde, mas  uma luz amarela, na minha opinião. Não se pode tomá-los como indicativos de retomada.<em></em></p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Então, em que ponto da  crise nos encontramos agora?<br />
ROUBINI &#8211; </strong></em>Eu havia afirmado  que a recessão dos EUA duraria  24 meses. Como começou em  dezembro de 2007, deve terminar em dezembro de 2009.  Transcorridos 17 meses, já passamos de dois terços do caminho, portanto, em termos de  recessão. Entretanto, não chegamos nem perto do fim da crise bancária ou de crédito -esta  deve levar mais dois ou três  anos para passar.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O senhor quer dizer que  não se deve comemorar o fato de já  ser possível avistar o final do período de contração?<br />
ROUBINI &#8211; </strong></em>Sim. No caso de economias avançadas como os  EUA, a Europa e o Japão, o cenário para os próximos dois  anos é de crescimento abaixo  do potencial. O potencial americano é de um avanço de 2,75%  a 3% ao ano, mas ficará abaixo  de 1% em 2010, o que é medíocre. Apesar de não estar mais  em uma recessão, tecnicamente falando, o sentimento no  país será o de estar porque o desemprego seguirá subindo por  ao menos um ano e meio. Assim aconteceu nas últimas duas  retrações, em 1991 e 2001, e  tende a se repetir.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Quais são as perspectivas  para o Brasil?<br />
ROUBINI &#8211; </strong></em>O Brasil deve no máximo apresentar crescimento  zero neste ano; o mais provável  é que tenha uma pequena retração do PIB [Produto Interno  Bruto], entre 0 e 1% negativo.  Após fortes quedas no último  trimestre de 2008 e no primeiro deste, o desempenho fica positivo no segundo, pelas nossas  previsões. A sorte do Brasil é  possuir um mercado doméstico  robusto a ser explorado. Já as  exportações dependem mais da  recuperação do preço das commodities, que dependem da retomada da China. Com uma  agressiva política de governo, a  China realmente tem reagido  nos últimos meses.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Os seus críticos argumentam que o senhor previu essa crise  diversas vezes nos últimos anos, por  isso acertou.<br />
ROUBINI &#8211; </strong></em>Ouvi essa história de  que até mesmo um relógio parado está certo duas vezes por  dia. Mas essas críticas são tolas  e injustas, pois não fiz previsões genéricas sobre a crise,  basta ler com atenção tudo o  que escrevi. Fui bastante específico, dei detalhes sobre os  problemas financeiros, quando  e como seriam os seus desenvolvimentos. Por exemplo, falei, um ano e meio atrás, que  dois grandes bancos de investimento dos EUA iriam à lona em  dois anos. Adivinhe. Levou sete  meses apenas para o colapso do  Lehman Brothers e do Bear  Stearns. Pode-se dizer na verdade que eu fui até muito otimista quando falei de prazos.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Onde o senhor tem investido o seu próprio dinheiro?<br />
ROUBINI &#8211; </strong></em>Nos últimos três anos, deixei na poupança ou em títulos de depósito interbancário, bem longe do mercado financeiro. Aí me falam: &#8220;Você ganhou quase zero&#8221;. Bem, é melhor ganhar zero do que perder 50%, não é? Continuo fora do mercado financeiro porque ainda vejo riscos de recuos macroeconômicos e no lucro das empresas, além de turbulências no setor financeiro. É claro que vai chegar o tempo de recuperação do preço dos ativos financeiros em nível global. Porém, só vejo isso ocorrendo daqui a um ano ou até um ano e meio. Não acredito que a escalada recente das Bolsas seja sustentável, porque o movimento está indo além do que os dados sobre a economia permitem. Por esse motivo, pode haver uma correção.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Como tem sido a vida de  economista-celebridade? O que mudou na sua rotina?<br />
ROUBINI &#8211; </strong></em>Não acho que eu seja  uma celebridade porque não  tenho vida de celebridade. Trabalho 12 horas por dia, sete dias  por semana, e gasto 80% do  meu tempo viajando pelo mundo. Se eu fosse celebridade, não  estaria passando a vida a conversar com jornalistas e outros  pesquisadores -eu estaria pegando uma praia no Rio de Janeiro [risos]. É muito trabalhoso fazer análise porque requer  que visitemos o mundo inteiro  para falar com pessoas, empresários, investidores, autoridades. Não tenho uma bola de  cristal.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Circula uma piada segundo a qual os únicos que estão lucrando com a atual crise são os advogados, por causa das falências de empresas, e os economistas, que nunca deram tantas palestras. Entendo que o seu trabalho seja desgastante; no entanto, é uma oportunidade de ganhar dinheiro e fazer o seu nome no planeta todo.<br />
ROUBINI &#8211; </strong></em>O momento é bastante complexo e interessante para os economistas. Aconteceram mais coisas no último ano e meio do que nos 70 anteriores. Só acho que não se pode dizer que alguém está tirando vantagem da pior crise financeira desde a Grande Depressão. Há enormes custos humanos, sociais, fiscais. É muito sério. Eu e os outros economistas estamos engajados em ajudar o mundo a entender o que aconteceu e a buscar uma solução.</p>
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		<title>Temor sobre rebaixamento de países ricos afeta mercados</title>
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		<pubDate>Fri, 22 May 2009 12:17:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Agência pode reduzir nota do Reino Unido; Bolsa cai 2,26% 
  
TONI SCIARRETTA &#8211; FOLHA SP
  DA REPORTAGEM LOCAL 
Três dias após o mercado global falar em fim da crise e testar  novos recordes, voltou a prevalecer ontem o pessimismo em  relação às dificuldades enfrentadas pelas maiores economias  do mundo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Agência pode reduzir nota do Reino Unido; Bolsa cai 2,26% </strong></p>
<p><strong>  </strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>TONI SCIARRETTA &#8211; FOLHA SP</strong></p>
<p><font size="-1">  DA REPORTAGEM LOCAL </font></p>
<p>Três dias após o mercado global falar em fim da crise e testar  novos recordes, voltou a prevalecer ontem o pessimismo em  relação às dificuldades enfrentadas pelas maiores economias  do mundo para melhorar a saúde do sistema financeiro e criar  condições para sair da recessão.<br />
Ontem, o mau humor foi catalisado pela possibilidade de o  Reino Unido perder o status de  economia de risco zero de calote de sua dívida (leia texto na  página B9). A agência Standard  &amp; Poor&#8217;s colocou em revisão  para possível rebaixamento a  nota &#8220;AAA&#8221;, a melhor na escala  de risco, devido à expansão da  dívida britânica.<br />
Mas o temor do mercado é  que o mesmo aconteça com os  EUA, maior economia do mundo e que aumentou consideravelmente seu endividamento  para conter os efeitos da crise.<br />
Na próxima semana, o Tesouro dos EUA vai leiloar um  lote gigante de US$ 101 bilhões  em títulos públicos. A notícia  derrubou em até 1,3% o preço  dos papéis e elevou em 4,68%  os juros dos títulos de dez anos,  que atingiram 3,35% ao ano  -em janeiro, eram 2,5%.<br />
No mercado internacional de  câmbio, o dólar americano recuou 0,9% em relação ao euro e  0,6% diante do iene, mantendo-se nos menores patamares  desde janeiro deste ano.<br />
Para acentuar o pessimismo,  o ex-presidente do Federal Reserve Alan Greenspan também  rompeu o silêncio para afirmar  que os bancos americanos precisam levantar muito mais capital (leia texto na página B10)  e que há um potencial enorme  de perdas de crédito ainda não  contabilizadas. Segundo  Greenspan, essas perdas só serão estancadas quando os preços dos imóveis se estabilizarem, o que pode estar longe.</p>
<p><strong>Aversão ao risco</strong><br />
O resultado foi um retorno  da aversão ao risco, movimento  que derrubou ontem preços de  ações, commodities e moedas  emergentes em todo o mundo.<br />
O petróleo recuou 1,6%, para  US$ 61,05, em Nova York.<br />
A Bolsa de Nova York teve  baixa de 1,59% no índice Dow  Jones e de 1,68% no S&amp;P 500. A  Bolsa Nasdaq recuou 2,26%.<br />
No Brasil, até o discurso otimista do presidente do Banco  Central, Henrique Meirelles,  sobre sinais &#8220;bastante claros&#8221;  de recuperação da economia foi  entendido como um recado de  que a redução de juros poderá  ter fim em breve.<br />
Na BM&amp;F (Bolsa de Mercadorias &amp; Futuros), os juros para  janeiro de 2010 subiram de  9,26% para 9,34%, enquanto as  taxas para janeiro de 2011 passaram de 9,73% para 9,88% ao  ano.<br />
A Bolsa brasileira terminou a sessão em baixa de 2,26%, com o Ibovespa em 50.087 pontos. Durante a tarde, o índice chegou a cair 3,27% e voltou a trabalhar abaixo dos 50 mil pontos. &#8220;A Bovespa não teve motivo para se descolar e acompanhou o mercado lá fora. Os dados de desemprego até vieram melhor que o esperado, mas não permitiu um descolamento&#8221;, disse Kelly Trentin, analista da corretora SLW.<br />
&#8220;O pessimismo internacional  abriu espaço para correção na  Bolsa&#8221;, disse Newtons Rosa,  economista-chefe da Sul América Investimentos.<br />
Após três dias de queda, o dólar comercial voltou ontem a  subir. Terminou o dia com valorização de 0,39%, novamente  a R$ 2,037. Um dia após comprar cerca de US$ 1,2 bilhão em  &#8220;cash&#8221; dos bancos, o BC voltou  a adquirir a moeda americana.  O volume, no entanto, não passou de US$ 52 milhões, um dos  menores em maio. &#8220;O dólar deve cair mais até o final do mês,  depois pode ter alguma recuperação&#8221;, disse Sidnei Nehme, diretor da corretora NGO.</p>
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