12/11/2009 - 10:27h Apagão é alerta para o crescimento do país

De Olho na Bolsa

ColunistaDaniele Camba – VALOR

O apagão que tomou conta de boa parte do Brasil durante a noite de terça-feira e a madrugada de ontem pegou as pessoas de surpresa. Algumas ainda estavam no trabalho, outras no trânsito e muitas em casa, acabando de assistir a novela do horário nobre da Globo. Já os investidores não se surpreenderam e nem se assustaram com o enorme contratempo. Pelo menos é isso que o comportamento da bolsa ontem revelou. Aqueles que esperavam quedas significativas das ações de energia elétrica se depararam com oscilações muito comportadas. Algumas caindo um pouco, outras subindo, mas nada comparado ao tamanho do problema na noite do dia anterior.

Foto DestaquePara os analistas, o mercado praticamente ignorou o apagão, já que o fato é decorrência de uma fatalidade meteorológica e não da falta de estrutura do sistema elétrico brasileiro. “Não podemos dizer que existe um problema associado à sustentabilidade do suprimento de energia já que os reservatórios se mantêm em níveis elevados, sem maiores problemas com relação ao fluxo hidrológico”, diz o analista da Ativa Corretora Ricardo Corrêa.

Esses mesmos profissionais, no entanto, acreditam que o problema pode servir de alerta sobre a dificuldade que o atual sistema elétrico terá para suprir a demanda adicional que vai surgir com o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescendo em torno de 5% e 5,5% ao ano de forma sustentada pelos próximos anos. “É importante haver uma discussão sobre a infraestrutura do setor elétrico no longo prazo”, diz o analista da Itaú Corretora Marcos Severine. “Se não forem feitos investimentos, especialmente em geração, a oferta atual de energia não é suficiente para abastecer um país crescendo a taxas de 5,5% ao ano”, afirma ele.

As contas do analista deixam claro o tamanho desses investimentos. Para cada 0,5 ponto percentual a mais no PIB, existe uma necessidade de 1 gigawatt (GW) médio a mais por ano, o que significa entre R$ 8 a R$ 9 bilhões de novos investimentos. Se o crescimento do PIB pular de 4% para 5,5%, serão necessários 3 gigawatts (GW) a mais, algo como R$ 24 a R$ 27 bilhões de investimentos extras, explica Severine.

A partir do momento que as companhias começarem a fazer esses investimentos de forma mais intensiva, o setor deixará de ser considerado financeiramente previsível e um bom pagador de dividendos. “As elétricas passarão a ser vistas como empresas de alto crescimento, de capital intensivo e com a perspectiva de retornos crescentes”, diz o analista da Itaú Corretora.

Para todos os gostos

Houve desempenhos das ações de energia para todos os gostos. As preferenciais (PN, sem direito a voto) série B da Celesc, por exemplo, caíram 1,93%, enquanto as PNB da Cesp subiram 2,76%. Os papéis do setor vinham sendo positivamente influenciados pela divulgação dos resultados do terceiro trimestre que, de forma geral, vieram acima das expectativas. Para os analistas, as ações da Eletrobrás seriam as mais afetadas por um possível impacto do apagão. Mesmo assim, eles acreditam que isso parece pouco provável, diz Ricardo Corrêa, da Ativa Corretora, em relatório. As PNB da estatal subiram 0,04% e as ordinárias (ON, com voto) caíram 0,28%.

O mercado ontem teve um pregão volátil, com o Índice Bovespa oscilando entre o campo positivo e o negativo. O indicador fechou o dia em leve alta de 0,19%, aos 66.431 pontos, caminhando a passos largos para alcançar a pontuação máxima deste ano, de 67.239 pontos, registrada em 19 de outubro. O mercado continuou na linha otimista ontem depois que dados da China mostraram recuperação econômica.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail: daniele.camba@valor.com.br

26/05/2009 - 12:04h Fundamentos económicos bons leva aplicadores internacionais a dar preferência pelos ativos brasileiros

De Olho na Bolsa:
Fluxo externo já é o maior da história

Daniele Camba – VALOR

Em um dia bastante chocho devido o feriado nos EUA e no Reino Unido em homenagem a todos os mortos em guerras (Memorial Day), os novos números sobre investimento estrangeiro vieram a calhar. No mês, até dia 20, o saldo líquido (diferença entre as compras e vendas) está positivo em R$ 4,683 bilhões, uma das melhores cifras desde o início de 2007, perdendo apenas para abril do ano passado (mês em que o Brasil foi alçado ao grau de investimento pela primeira vez), positivo em R$ 6 bilhões. O melhor número, no entanto, é no acumulado do ano que, até dia 20, está positivo em R$ 9,8 bilhões, o maior fluxo externo da história, desde que os estrangeiros passaram a poder aplicar na Bovespa, em 1994, a partir de uma regulamentação conhecida como Anexo IV. Até agora, o melhor saldo anual foi em 2003, de R$ 7,495 bilhões, exatamente no ano em que a bolsa brasileira começou a sua trajetória de cinco anos consecutivos de valorização.

Em dólar, segundo cálculos da própria bolsa, o saldo deste ano continua sendo recorde, de US$ 4,618 bilhões. Até então, o maior era o de 1996, de US$ 3,372 bilhões. O fluxo atual de entrada de recursos na bolsa é ainda mais animador se comparado aos números dos últimos dois anos, desde que a crise financeira internacional se instalou no mundo. Entre 2007 e 2008, houve uma saída líquida de R$ 28,9 bilhões. Só no ano passado, a fuga foi de R$ 24,6 bilhões. Pois é exatamente essa volta dos investidores estrangeiros a grande patrocinadora da acentuada recuperação da Bovespa desde abril, a despeito do movimento negativo da bolsa americana. Para se ter ideia, no ano, em dólar, o Índice Bovespa acumula uma alta de 56,30%, enquanto o índice Standard and Poor’s de 500 empresas (S&P-500) cai 1,80% e o índice Dow Jones, 5,69%.

Esse caminhão de dinheiro desembarcando no mercado brasileiro é, segundo analistas, um sinal de que esses investidores já vislumbram uma recuperação da economia mundial se não este ano, no mais tardar em 2010. Como os fundamentos tanto do Brasil quanto das empresas locais são superiores aos da maioria dos outros países, os aplicadores internacionais dão preferência pelos ativos brasileiros de risco.

A enorme diferença entre o desempenho da Bovespa e da Bolsa de Nova York (Nyse) é algo que merece toda a atenção. Pode ser um sinal de alerta, que o mercado brasileiro poderá passar por uma fase de realização de lucros, ou que o americano irá se valorizar. “Essa distância entre as duas bolsas é muito grande e no mínimo estranha até pela histórica correlação que existe entre ambas”, diz o gestor de renda variável da Infinity Asset Management, George Sanders. Na visão dele, no que depender da onda de notícias, é o Índice Bovespa que ficará quieto no seu canto. “O Ibovespa na casa dos 51 mil pontos já reflete todos os indicadores econômicos positivos que saíram recentemente; ou saem novos números bons, o que parece pouco provável, ou as ações ficarão onde estão”, completa Sanders. Ontem, o Ibovespa fechou em tímida alta de 0,49%, aos 50.816 pontos, com volume financeiro de apenas R$ 1,5 bilhão.

Melhor que um, pior que outro

Em relatório divulgado ontem, a Ativa Corretora faz uma análise dos balanços do primeiro trimestre. O lucro líquido de 122 companhias brasileiras de capital aberto nos primeiros três meses do ano caiu 26% ante o mesmo período de 2008. Já comparado ao último trimestre do ano passado, os resultados do primeiro trimestre de 2009 representam um crescimento de 13%. Uma possível leitura desse levantamento é que o pior momento da crise já pode ter ficado para trás, mas ainda é muito cedo para dizer que tudo vai bem, obrigada. Para este trimestre, a Ativa recomenda ações voltadas ao mercado interno, como teles, elétricas, shopping centers, consumo, tecnologia, varejo e logística.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail: daniele.camba@valor.com.br

18/05/2009 - 11:22h Bolsas dos emergentes estão engordando

De Olho na Bolsa:
Emergentes tiram a barriga da miséria

Daniele Camba – VALOR

A crise internacional pegou todos os países, sem distinguir grandes ou pequenos, bons ou maus. Os mercados caíram muito e, de forma geral, na mesma proporção. Agora, com a sensação de que o olho desse furacão ficou para trás, as bolsas deram uma arrancada desde o mês passado. A recuperação se deu de forma ainda mais acentuada nos mercados emergentes. Inclui-se nessa lista o Brasil. A alta foi tamanha que boa parte dessas bolsas conseguiu zerar as perdas do ano e ainda mostrar ganhos acumulados consideráveis. Algumas bolsas registram valorizações no ano, em dólar, entre 30% e 50%. Isso porque o primeiro semestre nem chegou ao fim.

A bolsa brasileira se destaca ainda mais dentro desse grupo de felizardas. No ano, o Índice Bovespa sobe 46,91% na moeda americana. Esse retorno só fica atrás, e por um triz, da bolsa da Rússia, com alta de 48,17%. O país vem se beneficiando da valorização gradual do petróleo, que chegou a bater a mínima de US$ 37,41 e, na sexta-feira, já estava em US$ 57 o barril.

A grande questão é: por que os mercados emergentes se recuperaram tanto ao menor sinal de melhora no cenário internacional? Há várias respostas. Uma delas é que, de 1994 para cá, quando houve a crise do México, esta é a primeira crise deflagrada num país desenvolvido – os Estados Unidos. “Exatamente por esse motivo, seria natural que os ativos de emergentes se recuperassem antes e mais”, diz o superintendente de renda variável do banco Itaú, Walter Mendes.

A melhora dos fundamentos econômicos dessas nações ao longo dos anos também explica o fôlego maior das bolsas de países em desenvolvimento. Mendes lembra, por exemplo, que, em 1994, eles tinhas reservas internacionais pífias. Já hoje a China tem reservas na casa dos US$ 2 trilhões, a Rússia, dos US$ 500 bilhões, e o Brasil, de US$ 200 bilhões. Nada mau. Esses países também adotaram políticas econômicas mais ordotoxas, além do câmbio flutuante.

Os investidores brasileiros têm motivos para acreditar que o mercado local poderá ter um desempenho ainda melhor que os demais emergentes à medida que os fundamentos melhorarem. Diferentemente de outros países, o Brasil ainda possui uma taxa de juros alta e uma baixa participação do crédito no Produto Interno Bruto (PIB). “O país ainda tem muito espaço para evoluir e os ativos devem refletir esses progressos quando eles ocorrerem”, acredita o superintendente do Itaú.

De volta aos fundamentos

Nas últimas semanas, analistas e investidores têm se perguntado se a recente recuperação das bolsas não foi exagerada. Mendes discorda. Não dá para bater o martelo, mas, ao que tudo indica, os piores momentos da crise parecem, de fato, já terem passado. “Só teremos certeza disso quando saírem os primeiros dados concretos de recuperação econômica, o que deve começar a ocorrer apenas a partir do terceiro trimestre”, diz ele, que acredita que o fantasma do Ibovespa na casa dos 29 mil pontos é página virada. Aliás, aqueles que compraram ações quando a bolsa estava nesses níveis devem estar rindo à toa. Da mínima de 29.435 pontos, em 27 de outubro do ano passado, até sexta-feira, o Ibovespa acumula valorização de 66,49%.

Depois de tantos solavancos, especialmente desde setembro de 2008, com a quebra do banco americano Lehman Brothers, a bolsa brasileira, enfim, retomou a sua tendência de alta de longo prazo, que vem desde 2003, acredita Mendes. “A recuperação de agora deve ser bem mais racional; longe do pessimismo exagerado dos últimos meses e da euforia exacerbada que marcou 2007, antes da derrocada do ano passado”, completa Mendes. O Itaú mantém a estimativa do Ibovespa em 55 mil pontos para o fim deste ano e de 65 mil pontos para 2010.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail: daniele.camba@valor.com.br

01/04/2009 - 09:57h Mercados de ações dos emergentes sobem e descolam dos desenvolvidos

Joanna Slater, The Wall Street Journal – VALOR

Este ano os mercados acionários estão seguindo caminhos separados, em contraste com o colapso geral ocorrido ao longo do ano passado.

Nos primeiros três meses de 2009 houve uma ampla divergência no desempenho dos mercados, do sofrível até o excelente. Ações de países em desenvolvimento, como Brasil e China, tiveram desempenho bem melhor do que as da Europa e dos Estados Unidos.

Isso representa uma acentuada mudança em relação ao fim do ano passado, quando as bolsas do mundo todo desabaram em uníssono, e a única disparidade no desempenho foi na intensidade da queda.

Apesar de que um trimestre não constitui uma tendência, a divergência pode ser um sinal de que o medo dos investidores do mundo todo está diminuindo um pouco.

Os investidores não estão mais vendendo ações indiscriminadamente. Em vez disso, estão tentando identificar quais as ações, em todo o mundo, que vão gerar lucros se uma recuperação econômica começar a se firmar, mesmo se as perspectivas mundiais para este ano continuarem sombrias.

“Talvez isso indique que nós já saímos da fase aguda da crise e passamos para uma fase mais crônica”, diz William Sterling, da Trilogy Global Advisors, que administra US$ 8,5 bilhões em ações nos mercados globais.

O Índice Mundial Dow Jones, que exclui ações dos Estados Unidos, caiu 13% em dólares no trimestre, comparado com uma queda de 14% na Média Industrial Dow Jones. O índice da Morgan Stanley que acompanha as bolsas nos mercados emergentes subiu 5,4% em dólares.

Depois de serem duramente atingidos no ano passado, os mercados emergentes se saíram especialmente bem. Os índices de referência do Brasil e da Rússia aumentaram, ambos, 9% nas moedas locais. As ações de empresas domésticas da China – em geral fechadas para os investidores estrangeiros – lideraram a turma, com o Índice Composto de Xangai subindo 30% (ele teve um declínio de 65% no ano passado).

Michael Hartnett, diretor de estratégia para investimentos internacionais da Banc of America Securities-Merrill Lynch, diz que houve três elementos combinados que apoiaram os mercados emergentes: sinais de que a economia chinesa estava se estabilizando; a relativa força das ações de empresas financeiras nesses mercados; e o rápido retorno de alguns investidores a investimentos mais arriscados, em março.

Na categoria média ficaram mercados como Japão e Canadá, onde os declínios foram modestos em comparação com os EUA. No Japão o índice Nikkei de 225 ações caiu 8%, ao passo que no Canadá o Composto S&P/TSX perdeu 3% do valor.

Na Europa os declínios trimestrais foram semelhantes, ou piores, que os dos EUA, com os índices de referência da Alemanha, França e Reino Unido caindo de 11% a 15%

Não surpreende que o setor com pior desempenho mundialmente tenha sido o financeiro, que caiu 24% em dólares, com base em um índice do Morgan Stanley que acompanha um amplo leque das bolsas mundiais.

Mas nenhum setor realmente brilhou. Os setores de melhor desempenho foram o de informática, que conseguiu um pequeno ganho de 0,6%, seguido pelo de materiais básicos, com baixa de apenas 3,7%.

Para os investidores americanos, o dólar foi uma pedra no sapato. A moeda americana conseguiu um bom avanço, apesar de uma queda no fim do trimestre. Isso corroeu os lucros provindos de ações no estrangeiro e aumentou os prejuízos, uma vez que a maior parte das moedas estrangeiras equivaliam a menos dólares no fim do trimestre.

A diferença de desempenho entre os mercados globais representa um desafio para os investidores. Se houver uma volta à pressão de venda generalizada e à extrema volatilidade que caracterizaram os mercados financeiros no fim do ano passado, então as bolsas poderão voltar a movimentar-se em sincronia. Mas se a divergência continuar, será cada vez mais importante acertar na escolha dos mercados vencedores e perdedores.

“Veremos uma desconexão entre os mercados” se as ações conseguirem se estabilizar por um período prolongado, diz Uri Landesman, administrador sênior de carteira da ING Investment Management em Nova York. “Pode ser verdade que a maré cheia levanta a maioria dos barcos, mas não igualmente.”

Landesman dá preferência a mercados como Brasil e Canadá. Segundo ele, estão bem posicionados para se beneficiar de uma recuperação nos preços de commodities como o petróleo, após uma estabilização da demanda global.

Outros administradores de fundos dizem que veem razões para preferir as ações dos EUA e Ásia às da Europa. A lógica é que a intensa reação do governo americano à atual crise vai ter efeito, levando a uma recuperação de algumas das exportações asiáticas que despencaram no abismo no ano passado.

Mais ainda, “as empresas asiáticas e as economias asiáticas possuem o balanço patrimonial (necessário) para sobreviver à atual situação”, diz Stephen Auth, diretor de investimentos para mercados globais da Federated Investors, que administra US$ 28 bilhões.

Auth diz que durante o primeiro trimestre sua firma transferiu dinheiro de suas carteiras internacionais da Europa para a Ásia. Acrescenta que a firma prefere ações americanas, e não as internacionais de modo geral. O principal motivo é seu pessimismo em relação às ações europeias, as quais representam uma proporção significativa dos índices de referência que excluem os Estados Unidos.

“Acreditamos que a ‘Chimérica’ (China e EUA) está se movimentando mais depressa, e de modo geral está em melhor forma do que a Europa”, diz ele. “Em parte porque a Europa nem percebeu ainda a extensão do seu problema.”

Um fator a favor da Europa é que as ações estão sendo negociadas a preços baixos. Um relatório recente de analistas do Citigroup recomendou que os investidores comprem mais ações europeias e britânicas do que o sugerido por um índice de referência, exatamente por esse motivo. Em meados de março essas ações estavam sendo negociadas a nove vezes o valor do lucro por ação estimado para 2009, segundo o Citigroup, comparado com doze vezes para ações americanas e ações asiáticas, excluindo o Japão.

17/03/2009 - 10:06h Fuga para emergentes pode ser opção

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Catherine Vieira e Nelson Niero, Valor, do Rio e de São Paulo

Os títulos do tesouro americano não são mais o parâmetro de “risco zero” no mercado global? Conceitos como “fuga para qualidade” estão sob revisão, desde que a bússola econômica perdeu o norte? O Primeiro Mundo não é mais o mesmo depois da implosão de ícones de seu poderio empresarial?

Se questões como essas começaram a perturbar o sono do investidor estrangeiro, ele pode estar suscetível a uma ideia que começa a ganhar força entre economistas e gestores: talvez esta seja a hora dos chamados emergentes, e uma suposta comprovação da teoria é que empresas e bancos que têm operações fortes em países como China, Índia e Brasil vêm conseguindo respirar melhor na crise financeira global. Mas vamos aos fatos.

Os efeitos práticos dessa que é a percepção de muitos formadores de opinião de investidores globais ainda não são completamente nítidos, mas há quem já vislumbre alguns sinais, como o fluxo positivo de investidores estrangeiros no mercado de ações brasileiro em fevereiro. Óbvio que esse suspiro ainda é muito pouco para sustentar uma direção para os ativos ou sinalizar uma reabertura do mercado como alternativa de financiamento para as companhias. No entanto, nesses tempos de dureza, não há muito a que se apegar.

É preciso ponderar que a torcida é grande. Mais que uma simples retomada do mercado brasileiro, a volta das captações das empresas por meio do lançamento de títulos e, principalmente, de ações seria a confirmação de que os quatro anos de sucessivas emissões recordes não foram apenas um ponto fora da curva – apesar da euforia excessiva do mercado em 2007.

Entre 2004 e 2007, cerca de cem companhias foram à bolsa e um recorde absoluto de ofertas públicas foi registrado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Foi uma experiência e tanto para um país no qual o mercado de capitais como opção de financiamento de longo prazo parecia uma lenda.

Agora, há aquela sensação incômoda de que voltamos ao zero. A relação entre valor de mercado das empresas e o Produto Interno Bruto (PIB) sugere isso: depois de chegar perto de 100% em 2007, voltou aos níveis de 2004 no ano passado (47,6%). O número de operações em análise e já registradas em 2009 é extremamente desanimador e os prognósticos são de que pelo menos até o fim do ano não se verá um cenário muito diferente.

Mas se estamos com dificuldades de passar pela “marolinha” do presidente Lula e o ano será praticamente nulo para o mercado de capitais, há indícios de que o país está mais bem preparado para a crise do que em outras épocas.

A euforia da fase anterior deixou como herança um caixa gordo em algumas companhias e também em muitas carteiras de fundos de participações em empresas. O sistema financeiro, depois da crise da década de 90, também parece mais sólido do que seus pares no exterior (sem esquecer que os bancos brasileiros ganham muito com títulos públicos e não precisam de muita ousadia para sobreviver).

A expectativa entre gestores e analistas é que, passados estes momentos de nebulosidade, as emissões voltem a florescer no Brasil – mesmo que em ritmo menor que 2007. “Apesar das nossas qualidades, não dá para superar o fato de que a liquidez secou”, observa a presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana. Ela diz que os instrumentos foram testados e que os eventuais problemas que surgiram foram sendo contornados.

Entre esses problemas, um dos cruciais é a questão de governança empresarial no país. Muitas novatas foram à bolsa sem o devido preparo, empurradas por bancos de investimento, e companhias tradicionais, consideradas exemplares, envolveram-se em operações arriscadas com derivativos, para a surpresa de seus acionistas.

A queda do PIB no quarto trimestre, que projeta um número anualizado entre os piores do mundo, foi outro balde de água fria, já que as empresas podem não crescer no ritmo esperado. Ainda assim, há um certo otimismo entre os participantes do mercado, especialmente porque o país, assim como China e Índia, vem sendo escalado entre os que reúnem melhores condições competitivas no tumultuado cenário global de hoje.

“Passada a tormenta inicial, os diferenciais positivos do Brasil neste novo cenário começam a ser visualizados com mais clareza”, observa Marcelo Mesquita, que após mais de dez anos no UBS abriu sua própria gestora de recursos, a Leblon Equities. O estrategista assinala que a presença estatal já é forte também por aqui, inclusive no setor financeiro e nas empresas listadas, como a Petrobras.

A petroleira, aliás, que é a principal ‘blue chip’ da Bovespa, é vista como um trunfo para alguns, já que as ações caíram muito. Apesar das mazelas de governança nas quais anda tropeçando nos últimos tempos, a Petrobras tem, por conta dos projetos do pré-sal, uma perspectiva como nenhuma outra do setor. “A Petrobras vai ser uma Exxon”, compara Mesquita.

Uma Exxon estatal pode até parecer atraente no momento em que o governo americano vira sócio de bancos, mas esse viés estatizante pode cobrar seu preço mais adiante, principalmente no que diz respeito à governança.

Mesquita lembra que os bancos locais também sofreram na bolsa por conta da revoada sem critério que ocorreu no pós-crise, apesar de muitas das instituições locais terem fundamentos sólidos. A atratividade nos preços desses ativos já levou a Leblon a montar duas posições relevantes em dois bancos médios, por exemplo.

O estrategista global de câmbio do HSBC, David Bloom, é um dos que acreditam que os emergentes são o futuro. Mas não de forma generalizada: China, Brasil e Índia encabeçam a lista. Este momento poderá ser lembrado como o ponto de virada para um período em que essas economias passarão a ter mais importância no xadrez global. “Já não dá para dizer que os EUA são seguros e o resto do mundo não. Nada mais é intocável.”

O banco inglês amorteceu as perdas com crédito nos Estados Unidos com os resultados robustos obtidos no Brasil e em países do oriente. A General Electric, pouco à vontade com seus números em sua terra, declarou recentemente que os emergentes são prioridade, fazendo coro ao que vem se tornando um mantra empresarial.

A forte regulação e o juro ainda alto também são vantagens competitivas do Brasil. Esses fatores ajudaram os investidores locais a ficarem menos vulneráveis aos ativos tóxicos que causaram perdas mundo afora, embora não tenha evitado as perdas com derivativos.

Os bancos de investimento são regulados e supervisionados pelo Banco Central e a CVM. As ofertas de ativos securitizados também passam pelo crivo dos reguladores. “Há uma atuação muito coordenada, que busca evitar zonas de sombra e manter sempre a transparência”, afirma Maria Helena

No entanto, pode não funcionar exatamente assim. O Novo Mercado, que tinha como princípio garantir os direitos dos investidores, registrou em 2008 operações no mínimo polêmicas, que colocaram em xeque vantagens consideradas certas pelos acionistas.

Os fundos de pensão, que possuem uma carteira de R$ 415 bilhões e investem pelo longo prazo, são impedidos de aplicar no exterior e têm uma participação média baixa no mercado de ações. Isso não evitou rentabilidades reduzidas em 2008, mas ainda mantém esse grupo com um colchão de segurança e apetite pelos projetos de longo prazo. “Temos aproveitado oportunidades em infraestrutura e na bolsa”, diz Wagner Pinheiro, presidente da Petros, o segundo maior fundo de pensão do país.

Os fundos de participação em empresas também estão em situação confortável. Nos últimos anos, captaram cerca de R$ 50 bilhões para investir, mas a concorrência das ofertas públicas iniciais elevou os preços dos ativos e dificultou a efetiva aplicação desses recursos em projetos. Em meados de 2008, estimava-se que mais de R$ 20 bilhões ainda estavam disponíveis. Na semana passada, o empresário Eike Batista anunciou que criará um fundo de até US$ 10 bilhões.

Os chamados administradores de fortunas optaram, com a crise, por ficar com os recursos mais líquidos, esperando por um momento de maior clareza para voltar a alocar os ativos. “Visitamos quase todos e em média estão com 70% a 80% dos recursos em caixa”, contou Mesquita, convicto de que os valores voltarão a ser aplicados no mercado, em algum momento.

11/03/2009 - 10:47h Perto do alívio do Citi, o PIB vira fichinha

Daniele Camba – VALOR

O desempenho da economia brasileira ladeira abaixo no último trimestre do ano passado surpreendeu até os mais pessimistas. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 3,6% no quarto trimestre de 2008 na série com ajuste sazonal ante o terceiro trimestre do ano passado. Essa é a maior retração desde 1996, quando o levantamento começou a ser feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Era uma notícia mais do que suficiente para que a bolsa fosse ladeira abaixo. Mas para a felicidade dos investidores, a divulgação ocorreu exatamente no mesmo dia que, em carta enviada a funcionários, o presidente mundial do Citigroup, Vikram Pandit, informou que a instituição teve lucro no primeiro bimestre deste ano. Com uma informação tão alvissareira, de um dos bancos com as piores sequelas da crise de crédito internacional, o PIB brasileiro horrendo virou fichinha.

A Bovespa ignorou terminantemente a notícia local e, junto com as principais bolsas do mundo, subiu de forma acentuada. O Índice Bovespa passou o dia com alta significativa e fechou com valorização 5,59%, aos 38.794 pontos. Para se ter ideia de como o bom humor foi generalizado, dos 66 papéis que fazem parte do índice, apenas três caíram: as preferenciais (PN, sem direito a voto) da Gol, TAM e Votorantim Celulose e Papel (VCP). Faz todo sentido o mercado ignorar o desempenho ruim do PIB brasileiro num dia em que o cenário externo parece um pouco melhor. Essa crise é internacional e, à medida que ela se dissipar, aumentam as chances do mundo voltar aos trilhos com cada país refletindo seus próprios fundamentos. E nesse quesito, o Brasil vai bem, obrigada. Até o quadro internacional ficar feio, o PIB vinha crescendo de forma consistente e a estabilidade econômica se mostrava cada vez mais consolidada.

Em vez de o mercado olhar a retração do PIB como um copo meio vazio, resolveu olhá-lo como meio cheio. Com uma queda da economia nesta magnitude, cresceram as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode cortar em até dois pontos percentuais a taxa básica Selic na reunião de hoje

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“Até o começo da semana, os mais otimistas acreditavam numa redução de um ponto e meio de uma vez só, hoje (ontem) esses mesmos profissionais já defendem que o Copom pode, e deve, cortar dois pontos nesta reunião”, diz o gerente para pessoa física da Corretora Gradual, Evandro Soeiro Campos. Ele acredita que, com a alta de ontem, uma boa parte dessa expectativa de um corte mais generoso da Selic já está embutida nos preços das ações. No entanto, se isso de fato se consumar hoje, é possível que a Bovespa continue surfando na onda de valorização, pelo menos pelos próximos dias. Vale lembrar que todas essas possibilidades dependem do cenário externo, que continua sendo a variável mais importante. E o pregão de ontem é a maior prova disso. “Se as notícias internacionais voltarem a ser negativas, todas essas hipóteses vão por água abaixo e a bolsa retoma a toada de queda”, alerta o gerente da Gradual.

Em condições normais de temperatura e pressão, quedas de juros sempre favorecem a bolsa, tanto pelo lado da economia quanto pelo fluxo de investidores. Pelo lado da economia porque, entre outros motivos, as empresas passam a ter crédito mais barato e a roda da economia volta a funcionar melhor. Já pelo aspecto financeiro, ganhando menos na renda fixa, os investidores levam seus recursos para a renda variável. O volume financeiro da bolsa ontem, de R$ 4,5 bilhões, pode ser um sinal interessante de uma queda gradual de aversão ao risco. Nos últimos meses, com a deterioração da crise, o giro diário da bolsa tem oscilado entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões.

Leia a integra da coluna no jornal VALOR

10/02/2009 - 12:16h Sinais de melhora

Celso Ming – O Estado SP

celso_ming1.jpgComeçam a se juntar elementos que reforçam a aposta em que o pior da crise financeira para a economia brasileira ficou para trás.

São dados ainda tímidos e condicionados a que a situação externa não se deteriore ou a que não sobrevenha nenhuma surpresa ruim. Mas apontam para a mesma direção e não podem ser desconsiderados.

O primeiro desses elementos veio com os resultados da balança comercial. A última semana de janeiro já mostrara certa recuperação que, no entanto, não reverteu o déficit do mês, o primeiro em oito anos. Mas, na primeira semana de fevereiro, além de parecer mais consistente a reação das exportações, os resultados começam a contar com a chegada das safras aos portos.

Outro dado que reforça a perspectiva de reversão veio com as estatísticas do setor de veículos. O mês de dezembro fora catastrófico; apontara queda da produção de 47% em relação ao mês anterior. Foi quando as montadoras enfrentaram altos estoques e a antecipação de férias coletivas.

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Os números de janeiro ainda são frágeis, especialmente no segmento de caminhões e colheitadeiras, onde nada parece encorajador. Mas no de automóveis já se nota recuperação. Os resultados ficaram longe dos melhores dias de 2008 (veja gráfico), mas mostram reação tanto em produção quanto em vendas. Falta saber se o setor conseguirá andar sem a muleta da redução do IPI.

Novembro e dezembro foram meses devastadores no País. Em dezembro a produção industrial despencou 12,4% em relação a novembro e 14,5% em relação a dezembro de 2007, conforme indicam as estatísticas do IBGE.

Como já foi apontado aqui, esse colapso se deveu a uma confluência negativa de fatores entre os quais teve mais peso a repentina contração tanto do crédito externo quanto do interno que se seguiu à quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, em setembro passado.

Agora se sabe que as autoridades globais já não permitirão que outro banco importante derreta e que tudo está sendo feito para sanear o setor financeiro dos países ricos, ainda não recuperado da trombose global no crédito.

A decisão de não deixar que grandes bancos virem pó é a principal razão pela qual, apesar do aprofundamento da recessão nos países ricos, já não há pânico nos mercados, especialmente agora que enormes pacotes de socorro vão sendo providenciados.

Também se espraia a percepção de que, apesar do baque da já inevitável desaceleração do crescimento em 2009, o Brasil deverá sair melhor dessa crise do que qualquer país rico ou emergente. Seus bancos não estiveram metidos em nenhuma grande encrenca; o volume do crédito já se recuperou do pior, como atesta o presidente do Banco Central; o varejo está melhor, o que demonstra que o mercado interno continua vigoroso; a recuperação da economia chinesa tende a beneficiar as exportações brasileiras; e continuam promissoras as perspectivas do setor de energia (principalmente petróleo), de alimentos e de recursos minerais.

O bom desempenho do mercado de ações no Brasil neste início de ano (veja o Confira) parece refletir o estado geral dos espíritos em relação à economia brasileira. Mas, não custa repetir, o organismo não registra mais febre. Ainda não há segurança de que a infecção tenha sido debelada.

Confira

Volta ao risco – O desempenho do mercado de ações é forte. Neste início de ano (até ontem), o Ibovespa acumula alta de 12,1% e, em fevereiro, de 7,1%. Mas, para voltar ao nível máximo, o Índice Bovespa ainda teria de subir 73%.

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03/02/2009 - 12:40h Sopro de otimismo

Toda Mídia

NELSON DE SÁ – nelsondesa@folhasp.com.br

Sopro de otimismo

Em duas longas reportagens, ontem, o “Wall Street Journal” alertou investidores americanos a se “aventurarem no exterior”, ainda “a saída inteligente”. Segundo o jornal, “muitos gerentes de investimento, conselheiros financeiros e analistas encontram ações com bons preços em áreas como os emergentes”, onde o movimento de venda teria sido “exagerado”. Cita, logo de cara, que “um país atraente é o Brasil, com economia bem administrada e que está investindo em infraestrutura e educação”. Um analista alerta para “uma recuperação das commodities”.
No segundo texto, “Sinais de esperança num horizonte gelado” , o “WSJ” destaca precisamente como os “preços em alta das commodities” estariam “oferecendo um sopro de otimismo”. De novo, abre pelas ações do Brasil, com o gráfico “Tentando se recuperar”, mostrando Bovespa e petróleo. Registra que se prevê recuperação global no segundo semestre, encabeçada por emergentes como Brasil.
No fim do texto, “quando o mercado de ações dobrar a esquina, será mais rápido do que as pessoas pensam”. Bloomberg e blogs já vão na mesma linha.

Robert Neubecker/wsj.com

Na ilustração do “WSJ”, ontem, um investidor dos EUA olha para o Sul

 

 

 

EM TURNÊ FINANCEIRA
José Sérgio Gabrielli dá longa entrevista ao “Financial Times” , edição de hoje, sob o título “Petrobras olha para fora para refinar suas opções financeiras”. O presidente da estatal confirma que negocia diretamente com China, EUA e “vários” o apoio ao programa de US$ 174 bilhões para desenvolver as novas reservas. Com os EUA, que querem “elevar a presença de companhias americanas no Brasil”, as conversas estariam “atrasadas”, mas a exportação de produtos de petróleo “vai aumentar”. Nas negociações, o Brasil oferece, em troca do suporte financeiro, o futuro suprimento de derivados.

Leia a integra da coluna Toda Mídia na Folha de São Paulo

18/12/2008 - 12:23h Na bolsa: estrangeiro volta e pode ser para ficar

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Daniele Camba – VALOR

Desde o início do mês, mas com mais intensidade da semana passada para cá, o mercado brasileiro vem se recuperando. Alguns dizem que é pela melhora do cenário internacional, enquanto outros atribuem o movimento ao rali de alta que tradicionalmente costuma ocorrer no fim do ano. Seja por um motivo ou por outro, o que se sabe é que essa valorização está sendo patrocinada pela volta do investidor estrangeiro. Os mais pessimistas acham que ele está retornando apenas para se aproveitar de um ganho ali outro acolá e que irá bater em retirada assim que estiver com os bolsos cheios. O que se diz nas mesas de operações é que a maior parte é formada por investidores institucionais de longo prazo, como gestores de fundos de ações de grandes gestoras de recursos, que costumam fazer aplicações vislumbrando pelo menos os próximos 12 meses. Caso isso seja verdade, é bem possível que a alta das ações neste mês seja mais do que um simples rali de fim de ano.

Os números comprovam o interesse crescente desses investidores. No mês, até o dia 12, o saldo líquido (diferença entre compras e vendas) de estrangeiros na Bovespa está negativo em R$ 483 milhões, sendo que até o dia 5 essa cifra estava negativa em R$ 3 bilhões. Isso significa que nos cinco pregões da semana passada (de 8 a 12 de dezembro), as compras de ações dos estrangeiros superaram as vendas em cerca de R$ 2,5 bilhões. Nada mau considerando que nos últimos meses, com o agravamento da crise financeira internacional, o que mais se viu foram grandes saídas de recursos.

O saldo deve ser mais animador levando-se em conta que o volume de compras de papéis brasileiros via American Depositary Receipt (ADR, recibo de ações negociados nos Estados Unidos) é ainda maior, dado o câmbio favorável. “Se considerarmos as aplicações nos ADRs, o saldo líquido positivo da última semana deve no mínimo dobrar, ultrapassando a casa dos R$ 5 bilhões”, diz o gestor de uma administradora de recursos independente.

Ele lembra que esse fluxo de investimentos se concentra nos papéis de maior liquidez da Bovespa. Entre eles, Petrobras, Vale e as siderúrgicas. Não é à toa que tais ações vêm se valorizando desde a semana passada, a despeito de todas as perspectivas negativas para a economia global, e conseqüentemente, para os preços das principais commodities. As ações ordinárias (ON, com voto) da Petrobras, por exemplo, sobem no mês 24,80%, enquanto o Índice Bovespa registra uma alta de 9,16%. Dentro do índice, os papéis da estatal só se valorizam menos que as preferenciais (PN, sem voto) da Votorantim Celulose e Papel (VCP) e da TAM. Já as PN série A da Usiminas no mês têm alta de 21,95% e as ON da CSN de 21,82%.

Graças ao fluxo de estrangeiro, ontem, as PN da Petrobras subiram 2,31% e as ON, 2,73%, mesmo com a queda de 8,1% do petróleo tipo WTI, negociado em Nova York, fechando aos US$ 40,06, a menor cotação dos últimos quatro anos e meio. A alta dos papéis da estatal e de outras ações de commodities amorteceram a baixa do Ibovespa que ontem foi de apenas 0,12% aos 39.947 pontos.

Na linha oposta, os papéis considerados defensivos num cenário de crise, como as teles, as elétricas e os setores voltados ao mercado interno (varejo, consumo e bebidas), registram quedas nos últimos pregões. “Essa é uma típica movimentação de investidores que resolveram deixar de se proteger para começar a colocar pelo menos um pé em operações mais arriscadas”, diz o gestor.


Medo de perder a festa

Mas o que de tão positivo os estrangeiros estão vendo no cenário econômico a ponto de quererem retomar as aplicações? Nada. Na realidade, eles estão voltando na expectativa de que a economia melhore a partir de 2010 e que o mercado, como sempre, antecipe esse quadro. Sem contar com o fato de que aparentemente a bolsa já refletiu tudo que deveria da crise atual. “Ninguém quer perder nem um instante da festa de recuperação que os mercados devem ter”, diz o gestor. Para ajudar, a queda da taxa de juros nos países desenvolvidos torna ainda mais atraente os investidores aportarem por aqui o mais cedo possível. “O custo de oportunidade de ficar na Bovespa hoje é insignificante.”

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail: daniele.camba@valor.com.br

02/12/2008 - 08:42h Dinamismo dos Brics é esperança para evitar o pior

BRIC Shoppers Will ‘Rescue World’ Goldman Sachs Says

By William Mellor and Le-Min Lim

Dec. 1 (Bloomberg) — The best hope to keep the global economy growing may be people like Wei Yufang. A peasant who farms a small plot beside the mud-brown Huaihe River in central China, Wei has a modest dream: to buy an air conditioner to give her family relief from the dusty heat that each summer envelops Xiaogang (Little Hill) village in Anhui province.

With economies from the U.S. to Japan in recession, Wei and the other 2.8 billion people in Brazil, Russia, India and China may provide the consumer demand needed to counter the slump.

Jim O’Neill, the Goldman Sachs Group Inc. economist who in 2001 coined the acronym BRIC from the initials of the four big emerging economies, says the faster growth investors have come to expect from these countries will survive this crisis. O’Neill, who is based in London, says the citizens of the BRIC nations are poised to spend more. “The BRIC consumer is going to rescue the world,” he says.

China’s leaders are doing their part. The massive 4 trillion yuan ($586 billion) stimulus plan they unveiled on Nov. 9 signaled their intent to spur domestic consumption to help pick up the slack left as developed economies buy fewer Chinese exports. The first-ever meeting of finance ministers from the BRIC nations, a few days earlier in Sao Paulo, charted a newly assertive role.

“The crisis revealed weakness in risk management, regulation and supervision in the financial sectors of some advanced economies,” the ministers said in a statement. It also showed the resilience of the BRIC economies, they said.

‘Global Solutions’

“This is a global crisis and demands global solutions,” says Brazilian President Luiz Ignacio Lula da Silva. “The participation of the developing world is essential.”

Chinese President Hu Jintao said at a summit in Washington on Nov. 15: “Steady and relatively fast growth in China is in itself an important contribution to international financial stability.”

Economic leadership from these nations wasn’t part of the mix in 1997 and 1998, when currency devaluations and excessive debt threw Asia and then Russia into crisis. Back then, the world looked mostly to the U.S. to spark a rebound.

China’s two-year stimulus program calls for spending on housing, roads, railways and airports; tax deductions for businesses that invest in new equipment; and subsidies for farmers.

Chinese Consumers

Equal to about 16 percent of the country’s annual gross domestic product, the plan dwarfs the $168 billion stimulus in the U.S. in the spring of 2008, which was about 1 percent of GDP. In the weeks since the Chinese effort was announced, President-elect Barack Obama has said he favors a larger stimulus for the U.S. economy; his aides have said it could top $600 billion.

While Chinese consumers, as a group, still don’t overshadow their American counterparts in total spending, their outlays are growing. China’s retail sales jumped 22 percent in October. Consumer purchases in the U.S., by contrast, dropped in the third quarter for the first time in seven years.

“Since October 2007, the Chinese shopper alone has been contributing more to global GDP growth than the American consumer,” O’Neill, 51, says.

The BRIC economies are performing better overall than O’Neill forecast when he unveiled the term in a November 2001 report. He predicted they would account for 10 percent of global economic output by 2010. Already, they comprise more than 15 percent.

‘Hit the Hardest’

Forecasters at Merrill Lynch & Co. share the enthusiasm. “Can BRICs help stabilize the global economy?” Merrill’s global economics team asked in an October report. “We think so.”

This doesn’t mean that the downdrafts being felt by the BRIC nations don’t hurt. “A year ago everyone was so optimistic about emerging markets,” says Marc Faber, who manages $300 million in Hong Kong. “Now the global economy is going into a severe recession and it is the most volatile economies — the emerging markets–that are being hit the hardest,” says Faber, publisher of the Gloom, Boom and Doom Report.

The BRIC countries’ stock markets have seen big swings. The benchmark index in Shanghai has been down as much as 70 percent from its high, while Moscow’s stock market has fallen as much as 75 percent from its peak.

At its peak in May 2008, Brazil’s Bovespa Index had quadrupled in four years. By late October, the index was down 60 percent from its May high. Brazil’s real in August and September erased two years of gains against the dollar and euro.

Mobius’s ‘Candy Shop’

The question is whether a deeper collapse is coming — or a turnaround. Mark Mobius, the Singapore-based money manager, says BRIC markets are a buying opportunity. “We’re like children in a candy shop,” says Mobius, 71, who oversees $30 billion in emerging-market equities at Templeton Asset Management Ltd.

The obstacles the BRIC nations have to negotiate include the cutoff of capital as U.S. and European banks refuse to lend. Japan and Germany are in recessions, recent economic data show, while the U.K. and U.S. economies are also shrinking. That means lower demand for products from China, services from India and energy and metals from Russia and Brazil.

China’s booming economy, which expanded by 9.9 percent a year for three decades, may slow to 7.3 percent in 2009, says China International Capital Corp., a Beijing investment bank. Growth in India may drop to 6.5 percent in 2009, from 9 percent in the year ended in March 2008, according to CLSA Asia-Pacific Markets, part of the French bank Credit Agricole SA.

Mumbai Attacks

India’s Palaniappan Chidambaram, who served for four and a half years as finance minister under Prime Minister Manmohan Singh, has said the country’s economy won’t be hobbled by the terrorist attacks that left at least 195 people dead in Mumbai last week. Chidambaram was tapped to become Home Minister after Shivraj Patil resigned because of the intelligence and security failures that led to the worst terrorist violence in India in 15 years.

Chidambaram predicted in a Nov. 28 interview that India will maintain 9 percent growth. Mobius, speaking after the attacks, said India remains a fast-growing economy and that the attacks shouldn’t color investment decisions there.

In Brazil, meanwhile, growth may slow to 2 percent or less, from about 5 percent in 2008, as vital exports of iron ore and other commodities slow, according to Morgan Stanley.

Plunging Oil Price

Growth in Russia, the world’s second-largest oil producer, after Saudi Arabia, may drop to 3 percent in 2009, according to Arkady Dvorkovich, an adviser to President Dmitry Medvedev. Growth topped 8 percent in 2007, according to the Russian government.

“The oil price is the main transmission route of the crisis to Russia,” says Vladimir Osakovsky, senior economist in Moscow for Italy’s UniCredit SpA. Crude oil is down 63 percent from its July record, trading at about $54 a barrel in London at the end of last week. The government has raised interest rates and spent foreign currency reserves to try to halt a slide in the value of the ruble. The Russian currency lost 3 percent against the euro last week. Investors have pulled $190 billion out of the country since August, according to French bank BNP Paribas SA.

BRIC bulls like O’Neill say the four countries are much better prepared for this global economic crisis than they were for the turmoil of a decade ago. Banking systems are stronger and international trade has expanded. Most important, the governments of the BRIC nations have accumulated some of the world’s largest financial reserves.

Currency Reserves

The four BRIC nations combined held 41 percent of total global foreign exchange reserves as of early November. Russia’s reserves are the third biggest, after China’s and Japan’s, though the government used about 20 percent of its hoard from August to mid-November to support the ruble. China’s $1.9 trillion stockpile helped make possible the giant November stimulus, targeted to the spending habits of citizens such as Wei Yufang.

China’s Communist government has already given people like Wei a push up the economic ladder. Changes in land ownership rules mean Wei, 41, can rent out some of her plot to another farmer, who grows grapes. She also plans to seek a bank loan against her land­holding. “My family’s already feeling richer,” Wei says. Investors worldwide should hope the feeling lasts.

To contact the reporters on this story: William Mellor in Hong Kong at wmellor@bloomberg.net; Le-Min Lim in Hong Kong at lmlim@bloomberg.net.

02/11/2008 - 20:11h Brasil trata de apagar el fuego


La fuerza del huracán financiero obliga al Gobierno a adoptar medidas urgentes

JUAN ARIAS – El País

http://www.elpais.com/recorte/20081102elpneglse_2/LCO340/Ies/Operadores_mercado_Sao_Paulo.jpgBrasil es uno de los países emergentes más blindados contra la crisis económica mundial, aunque no le ha sido posible evitar el roce de la embestida. El presidente Luiz Inácio Lula da Silva y su Gobierno intentaron en un primer momento minimizar los efectos de la crisis en el país, alegando que se trataba de una “crisis americana, de Bush”. Confiaban en que la solidez económica de Brasil sería suficiente para quedar ilesos. No lo fue.

Cuando Lula se percató de que los efectos de la crisis mundial empezaban a golpear al país, sobre todo ante la falta de crédito, fue rápido en tomar medidas para apagar el fuego. A pesar de haberle echado la culpa de que la crisis acabara afectando a Brasil a las instituciones que pretendieron especular con el dólar, el Gobierno comenzó a tomar rápidamente toda una serie de medidas para frenar la crisis, entre ellas dos proyectos de ley con carácter de urgencia que entraron en vigor antes aún de ser discutidos y aprobados por el Parlamento.

El Gobierno se asustó ante la evidencia de los números: las empresas brasileñas con acciones en la Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdieron, desde inicios del año hasta el pasado 24 de octubre, 1,05 billones de reales (300.000 millones de euros), lo que supone una caída del 50% en su capitalización.

El sector de construcción fue el más perjudicado, con un bajón del 72,3% de su valor de mercado. Le siguió el sector de papel y celulosa, que perdió un 67,7% en el mismo periodo. Otro de los sectores en crisis fue el de finanzas y seguros, seguido por las compañías de minas. El sector menos afectado fue el de telecomunicaciones, que perdió sólo un 23% de su valor en acciones.

Junto a ello ha comenzado a sentirse la falta de crédito, sobre todo para las empresas e industrias, lo que ha llevado a las compañías automovilísticas, por ejemplo, a modificar con mayor severidad sus ofertas de ventas a plazos, acortando éstos y subiendo los tipos de interés.

De las dos medidas con carácter de urgencia emanadas por el Gobierno, la primera, que ampliaba los poderes del Banco Central, fue ya aprobada por el Parlamento, aunque con retoques. La más polémica es la 443, que sigue las huellas de las medidas formuladas por el Gobierno británico y que permite, entre otras cosas, al Banco de Brasil y a la Caja Económica Federal comprar bancos privados, aseguradoras y financieras. Ambos, BB y CEF podrán abrir libremente nuevas subsidiarias, algo hasta ayer prohibido. Al mismo tiempo, el Banco Central podrá realizar operaciones de swap con bancos centrales de otros países.

La medida va a ser muy debatida en el Parlamento y la oposición promete modificarla, aunque no echarla abajo. La oposición está muy preocupada por no aparecer como un freno de las medidas anticrisis.

Con todo ello, Brasil, sigue siendo uno de los países en desarrollo más preparados para afrontar la crisis mundial, que el Gobierno ya no minimiza. El propio ministro de Economía, Guido Mantega, eterno optimista, confesó el martes pasado que la crisis “no dejará de tener impacto en la vida real” y que se trata de una crisis “inédita para los de nuestra generación”. Sin embargo, insistió en que no hay bancos quebrados en el país y que por ahora no se advierte un contagio de la crisis de los bancos extranjeros.

Brasil va a crecer menos (no llegará al 5% esperado, pero seguirá creciendo por lo menos un 2,5%). No habrá pues recesión. Los fundamentos de la economía brasileña son sólidos, sus reservas son de 200.000 millones de dólares, posee una exportación de productos totalmente diversificada, que depende sólo en un 20% de EE UU. Y con las nuevas medidas la falta de crédito será resuelta positivamente. -

03/10/2008 - 11:17h Crédito e commodity são risco para AL, diz revista

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Leandro Modé – O Estado de São Paulo

A despeito das mudanças econômicas promovidas nos principais países da região nos últimos anos, a América Latina ainda é mais dependente dos Estados Unidos do que muitos supõem. A avaliação é da revista britânica The Economist, que publicou ontem, em seu site, uma reportagem sobre o impacto da crise dos EUA nas Américas do Sul e Central.

Segundo a revista, uma prova de que os laços ainda são muito próximos foi a forte queda do Índice Bovespa na última segunda-feira, quando a Câmara dos Representantes rejeitou o pacote de socorro do sistema financeiro apresentado pelo governo Bush. Enquanto o Índice Dow Jones perdeu 7% naquele dia, o principal termômetro da bolsa paulista caiu 9%.

Ainda assim, a Economist reconhece que alguns países da região – notadamente Brasil, México, Colômbia e Peru – estão mais bem preparados para enfrentar a crise.

No caso brasileiro, a revista destaca a solidez do sistema bancário, em parte pelo fato de que as instituições financeiras do País não estavam expostas aos papéis lastreados em hipotecas subprime. A outra razão é que os bancos brasileiros “não são dependentes do crédito estrangeiro”.

Crédito, aliás, é um dos dois vetores de contaminação da região. “Particularmente para os exportadores”, diz o texto. “Se (a restrição) se prolongar, os bancos vão se voltar aos clientes domésticos, deixando menos crédito para o resto.”

O outro vetor de preocupação diz respeito aos preços das commodities, uma vez que praticamente todos os países da região se beneficiaram das altas desses produtos. Alguns, para a Economist, sofreriam mais: Venezuela, Argentina e Equador.

“O Brasil, maior economia latino-americana, parece melhor posicionado. Mas as commodities respondem por 50% das exportações, deixando-o, também, vulnerável a uma queda nos preços.”

18/09/2008 - 15:37h ‘Brasil viveu bolha que agora se esvazia’

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Responsável pela cobertura da América Latina no site Economy.com, braço de análise da agência classificadora de risco Moody’s, o economista Juan Pablo Fuentes diz que o “Brasil viveu uma pequena bolha, na época de bonança, que agora se esvazia”. Ele prevê um 2009 mais difícil, mas nada como uma crise.

Juliana Rangel – O Globo


O GLOBO: Como o senhor avalia a intervenção do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) na AIG? Os mercados reagiram mal…

JUAN PABLO FUENTES: Sem nenhuma empresa privada disposta a ajudar, o Fed não tinha saída a não ser resgatar a AIG. O problema é que essa ação ressaltou a gravidade da crise.

A Bolsa, no Brasil, já caiu 28% no ano, mais que Dow Jones, Nasdaq e outros mercados americanos e da América Latina. Por quê?

FUENTES: Não há nada de errado com o Brasil.
Este movimento de venda a que estamos assistindo é global. A única razão para a Bovespa estar caindo mais rápido é que, no período de bonança, também subiu mais. A Bovespa ainda tem ganhos de 44% (em dólar) na comparação com o fim de 2005, e o Dow tem alta de apenas 1%. A Bovespa viveu um pequeno período de bolha, agora está se esvaziando.

Em quanto tempo a Bolsa se recupera?

FUENTES: Não esperamos uma correção muito severa, apesar de acharmos que os mercados não chegaram às suas mínimas. Assim que as coisas se estabilizarem, as ações no Brasil irão subir aos poucos, mas não antes de 2009.

Qual é a melhor forma de os brasileiros lidarem com a crise?

FUENTES: Com a alta dos juros no Brasil, os títulos do governo parecem uma boa opção para investidores locais. Eles devem ter em mente que o movimento de venda na Bovespa é causado por investidores estrangeiros que estão fugindo de ativos mais arriscados. Eles não distinguem o Brasil do Chile ou do México. Para eles, todos são emergentes e, conseqüentemente, oferecem maior risco. Já os brasileiros devem lidar com isso de forma diferente, pois entendem melhor a economia do país

O diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn disse que esta crise não tem precedentes…

FUENTES: Essa realmente é uma crise sem precedentes. Em 2001, o que aconteceu, foi uma leve recessão. A crise atual tem características similares à de 1929, mas não deverá provocar uma depressão como a de 1929.

O crescimento dos países da América Latina ficará comprometido?

FUENTES: A região continua com força, em sua maior parte. O crescimento de países como Brasil, Chile e Peru continua surpreendentemente robusto. As más notícias: o cenário externo está se deteriorando muito rápido. Isso vai pôr muita pressão sobre a América Latina, já que os preços das commodities vai cair e a demanda externa também. Adicionalmente, o custo de financiamento para a região vai subir. 2008 será ainda bom ano para a região e para o Brasil, em particular. O de 2009 será mais difícil.Mas não estamos prevendo uma crise.

O ministro Mantega disse que, se fosse alguns anos atrás, o Brasil agora estaria de quatro. O senhor concorda?

FUENTES: Absolutamente. O Brasil está em excelente forma para encarar a turbulência atual dos mercados. Mas o desafio será muito maior nos próximos meses.

29/05/2008 - 17:34h Mais uma agência de risco eleva Brasil a ‘grau de investimento’

Fitch eleva Brasil para grau de investimento

Anúncio se segue ao da Standard & Poor’s, que foi a 1ª entre as 3 maiores a conceder o grau de investimento

Da Redação – portal O Estado SP

lula_caricatura2.jpgSÃO PAULO – A Fitch Rating, uma das três maiores agências de classificação de risco, elevou o Brasil para grau de investimento nesta quinta-feira, 29. A mudança na classificação passou de BB+ para BBB-, que é a primeira escala na classificação de grau de investimento. Com a nova classificação, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passou a subir. Às 15h30, a alta é de 0,65%. Antes da notícia, operava em queda de 0,14%.

A Fitch Ratings destaca que “a elevação do rating reflete a melhora dramática das contas externas e do setor público do Brasil, que reduziu bastante a vulnerabilidade do país a choques externos e de câmbio e fortaleceram a estabilidade macroeconômica e melhoraram as perspectivas de crescimento para o médio prazo”.

Segundo a agência, as autoridades estabeleceram um “histórico de compromisso com inflação baixa e um superávit orçamentário primário que dirimiu preocupações anteriores quanto à sustentabilidade fiscal no médio prazo”.

“A melhora impressionante nas finanças externas, resultante, em parte dos preços mais altos das commodities, mas também de boa gestão política, ao lado do status de credor soberano líquido, tornou o Brasil bastante mais resistente a choques financeiros globais e aumentou a credibilidade de seu quatro de referência macroeconômico”, disse Shelly Shetty, diretora sênior do grupo de ratings soberanos da Fitch.

Ela acrescentou que “um consenso cada vez maior em todo o espectro político quanto às políticas macroeconômicas também reduz o potencial para um afastamento marcante do quadro atual”.

Para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a nova classificação de risco dada ao Brasil, desta vez pela Fitch Rating, significa que o País está tendo cada vez mais reconhecida a sua melhora de fundamentos. Segundo Meirelles, a confirmação vai determinar a melhora da qualidade do investimento no Brasil. Investimento de longo prazo e recursos que têm, em geral, a maior contribuição para setor produtivo, acrescentou o presidente do BC.

Primeira nota

O anúncio da Fitch se segue ao da Standard & Poor’s, que se tornou a primeira entre as três maiores agências de rating do mundo a conceder o grau de investimento ao País, ao elevar, no último dia 30 de abril, a nota brasileira de BB+ para BBB-. A outra grande agência classificadora, a Moody’s, mantém o rating brasileiro um nível abaixo do grau de investimento, em Ba1, com perspectiva estável.

No último dia 18 de abril, a agência de classificação de risco de crédito japonesa R&I (Rating and Investment Information) também elevou o rating do Brasil para BBB-, grau de investimento. A R&I foi a segunda agência japonesa a conferir este status ao Brasil. Em junho de 2007, a Japan Credit Rating (JCR) havia elevado a nota da dívida de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil para BBB-.

O que significa o grau de investimento?

A nova nota significa que os títulos da dívida do Brasil agora são considerados com baixo risco de crédito. Na prática, o grau de investimento funciona como uma permissão para que instituições e investidores estrangeiros apliquem seus recursos em papéis da dívida brasileira. O resultado é que essa classificação deve atrair ainda mais recursos estrangeiros.

Ou seja, o real deve se apreciar ainda mais frente ao dólar; e as ações de empresas, principalmente de bancos, serão melhor avaliadas pelos investidores e devem subir muito nos próximos dias.

Do ponto de vista da economia real, esta classificação pode atrair mais investimentos para o País, melhorando mais as condições macroeconômicas. Além disso, as empresas conseguirão captar recursos com taxas mais baixas e terão lucros maiores.

27/05/2008 - 09:15h Negócios com ações da Nossa Caixa dobram em 2 dias

Movimento financeiro saltou de R$ 8,68 milhões para R$ 15,67 milhões e suscitou as suspeitas da CVM

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Renée Pereira – O Estado de São Paulo

O volume financeiro das ações da Nossa Caixa na quarta-feira, antes do anúncio da negociação com o Banco do Brasil (BB), quase dobrou em relação ao de segunda-feira. Segundo levantamento da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-MG), com dados da Economática, os negócios saltaram de R$ 8,68 milhões para R$ 15,67 milhões.

O número de operações subiu de 725 para 994, um salto de 37%. Já o preço das ações da instituição teve alta de 2,83% no período. Na semana anterior ao anúncio, a média era de 583 negócios por dia, com volume negociado inferior a R$ 10 milhões.

Essa forte movimentação suscitou as suspeitas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que decidiu investigar se houve informação privilegiada de alguns investidores, até porque o número de operações não subiu na mesma proporção que o volume financeiro. Ou seja, as operações teriam sido feitas por um número restrito de investidores.

Analistas do mercado financeiro reconhecem que o volume negociado foi claramente estranho. Mas, segundo eles, a movimentação começou a ficar mais forte já na segunda-feira. “Isso pôde ser verificado com clareza porque as ações da Nossa Caixa não têm muita negociação, o que destoou da movimentação diária”, disse um analista que não quis se identificar.

Na sexta-feira, depois do feriado e do anúncio das duas instituições, a negociação com as ações da Nossa Caixa explodiram. Segundo a Apimec-MG, o número de negócios saltou para 4.824 operações e o volume financeiro, para R$ 190,52 milhões, aumento de 565% e 2096%, respectivamente. Nesse dia, as ações ordinárias da instituição tiveram um avanço de 31,52%, para R$ 36,3. No pregão de ontem, os papéis subiram 3%, para R$ 37,39.

Na opinião do presidente da Apimec-MG, Paulo Ângelo Carvalho de Souza, os números mostram claramente uma movimentação fora da normal. Além disso, ele acredita que, mesmo na sexta-feira, depois do anúncio, as negociações de ações da Nossa Caixa deveriam ter sido suspensas pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

A explicação, completa o executivo, é que se trata de um negócio que pode não se realizar. “Esses anúncios precisam ser feitos, mas há de se ter mais cautela para que tais informações sejam passadas com clareza e precisão e após o pregão da Bolsa.” Ele citou também o caso da Agência Nacional do Petróleo (ANP), cujo anúncio de uma grande reserva de petróleo no País causou especulações com papéis da Petrobrás.

LEILÃO OU VENDA

A polêmica em torno da venda da Nossa Caixa também continua entre os bancos privados, que reivindicam a realização de um leilão. Um dos pontos primordiais do processo está relacionado ao fato de que os depósitos judiciais – em torno de R$ 16 bilhões – da Nossa Caixa, um dos grandes atrativos, apenas podem ficar com bancos oficiais. Por isso, o valor do banco seria reduzido se uma instituição privada o comprasse.

Há, porém, pareceres de juristas renomados no mercado, como Adilson Abreu Dallari e Luís Roberto Barroso, que contestam essa tese. Os documentos, a que o Estado teve acesso, mostram que eles consideram inconstitucional a determinação para que o depósito judicial tenha de ficar com banco oficial. Para eles, isso viola os princípios constitucionais de livre iniciativa e livre concorrência.

Além disso, os juristas destacam que a lei diz que os depósitos devem ser feitos “preferencialmente” em bancos oficiais. Ou seja, a escolha da instituição fica a critério do juiz.

24/05/2008 - 12:19h Fazendo caixa: CVM investiga operações com ações da Nossa Caixa antes do anúncio

Volume de negociação na Bolsa de São Paulo subiu 50% na quarta-feira

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Felipe Frisch e Juliana Rangel – O GLOBO

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou ontem que está investigando as operações recentes com as ações do Banco do Brasil (BB) e da Nossa Caixa, antes do anúncio do início das negociações do BB pela instituição paulista, na última quarta-feira.

Segundo a autarquia, o foco da investigação será nos papéis da Nossa Caixa.

De uma média de 566 negócios por dia em maio, até o dia 20, os papéis do banco estadual tiveram 662 negócios na terça-feira e 994 na quarta-feira, 50% a mais, segundo dados da Economática.
O fato relevante só foi divulgado após o fim do pregão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Até então, as ações da Nossa Caixa subiam 8,66% no mês.

Ações da Nossa Caixa chegaram a subir 42% As ações da Nossa Caixa foram o grande destaque ontem na Bovespa, o primeiro dia de negociação após o anúncio feito na quarta-feira. Os papéis abriram em alta de 35,68% e, na máxima do dia, chegaram a subir 42,71%, mas a alta acabou desacelerando: as ações fecharam com ganhos de 31,52%, a R$ 36,30, contra R$ 27,60 na quarta-feira.

Já as ações do BB caíram 2,81%, negociadas a R$ 28,33.

— Está claro para o mercado que a compra será um bom negócio para a Nossa Caixa.

Mas não dá para afirmar o mesmo em relação ao BB, porque não se sabe quanto ele vai pagar, se haverá troca de ações e qual será a relação de troca. Ainda há muitas dúvidas — disse o analista da Coinvalores, Marco Aurélio Barbosa, ao justificar a queda das ações do BB.

A Nossa Caixa lançou ações na Bovespa em outubro de 2005, no Novo Mercado (segmento que reúne empresas com práticas de gestão transparente e de proteção ao acionista minoritário). Os papéis chegaram a alcançar a máxima de R$ 50,71 em novembro de 2006. Em 2008, as ações acumulavam alta de 17,4% até a última quarta-feira.

Retorno sobre patrimônio da Nossa Caixa abaixo do setor Segundo o gerente de análises do Modal Asset, Eduardo Roche, o desempenho dos papéis é decepcionante.

— O retorno das ações sobre patrimônio projetado para este ano era de 6%. A média do setor é acima de 20% no Brasil — compara.

20/05/2008 - 07:36h Parada gay faz bem para São Paulo

 

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São Paulo, a capital da diversidade

Orlando de Souza* – O Estado de São Paulo

Está chegando a hora. Faltam poucos dias para um dos principais cartões-postais da cidade, a Avenida Paulista, virar palco para a celebração da diversidade, com a realização da 12ª Parada do Orgulho Gay, no domingo.

Em 2007, o evento contou com 3,5 milhões de participantes – número que deve ser superado agora – e entrou para o Guinness. A programação deste ano inclui uma grande variedade de atrações, com shows, apresentações e discursos.

Essa festa hoje grandiosa começou timidamente, em 1997, com a participação de apenas 2 mil pessoas, e foi crescendo a cada ano. Em 2004, na oitava edição, a Parada paulistana se tornou o maior encontro homossexual do mundo, reunindo mais de 1,5 milhão de pessoas. Deixou para trás, por exemplo, o evento de São Francisco, nos Estados Unidos.

Atualmente, a Parada é o segundo evento que mais traz recursos para a cidade. Movimenta R$ 120 milhões, só perdendo para os R$ 200 milhões do Grande Prêmio do Brasil de F-1, que será realizado em novembro.

São Paulo não respeita a diversidade apenas nos dias que antecedem à Parada. Na cidade vivem mais de 1 milhão de gays e lésbicas, conforme dados da Abrat-GLS, e as opções de lazer e entretenimento para esse público não param de crescer. A cena noturna da capital é a mais agitada do País, com mais de 80 espaços, entre boates, restaurantes, bares, saunas e cafés.

Em parceria com a Abrat-GLS, o SPCVB, no programa Bem Receber, organizou treinamentos para qualificar o atendimento ao público GLS nos hotéis. No programa são abordados temas como o perfil do consumidor, suas exigências e como tratar sem preconceito todas as minorias.

Ao final, os profissionais recebem o Guia da Diversidade, que apresenta as credenciais de São Paulo para atrair esse segmento. A publicação inclui dicas culturais, de compras, lazer e gastronomia, com endereços e mapas. Mais de 300 profissionais já participaram desse treinamento e, certamente, com a continuidade desse programa, o público GLS será bem recebido em nossa cidade.

Eventos da magnitude da Parada do Orgulho Gay ajudam a manter o status de São Paulo como a capital de negócios no Brasil. A cidade, que recebe mais de 90 mil eventos por ano, cada vez mais consegue reconhecimento internacional.

Em uma recente edição da revista América Economia Intelligence, São Paulo aparece no topo do ranking das melhores cidades para realizar negócios da América Latina. A metrópole deixou para trás Miami, Santiago, Cidade do México e Buenos Aires.

O estudo, realizado pelo oitavo ano consecutivo, avaliou 42 cidades e reuniu as impressões de 1.200 executivos da região. A análise obedece a 50 variáveis socioeconômicas, entre as quais custo de vida, facilidades logísticas, eficiência urbana, utilização de internet, PIB per capita e produtividade acadêmica e científica.

Entre as boas credenciais paulistanas apontadas pela pesquisa estão os US$ 528 bilhões movimentados em ações na Bovespa no ano passado, além da expansão de 9% na atividade econômica.

São Paulo também foi classificada como a melhor das Américas no quesito eventos e encontros internacionais realizados em 2007. Os dados estão no novo ranking da International Congress and Convention Association (ICCA) – a maior organização mundial da indústria de eventos. A capital paulista conseguiu a 23ª colocação, ficando à frente de destinos tradicionais como Montreal, Buenos Aires e Nova York, entre outros.

São Paulo realizou 61 eventos internacionais em 2007, uma ampliação de 13% em relação a 2006, quando ocorreram 54. Essa classificação consolida a cidade como grande referência na realização de encontros desse gênero – a capital paulista concentra 30,6% dos eventos internacionais que ocorrem no Brasil. Esses números mostram a diversidade de São Paulo para realizar eventos para todos os bolsos, gostos e orientações.

* Orlando de Souza Presidente do São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB)

13/05/2008 - 09:13h Nunca a Petrobras valeu tanto, é a quarta maior companhia de petróleo do mundo

Petrobras já bate Shell e é a 4ª no setor

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Graziella Valenti e Cláudia Schüffner – VALOR

Nunca a Petrobras valeu tanto. Com US$ 267,5 bilhões atingidos ontem, tornou-se a quarta maior companhia de petróleo do mundo por valor de mercado, só atrás da ExxonMobil, da Petrochina e da Gazprom. Sua avaliação pulou à frente até mesmo da Shell – US$ 14,7 bilhões a mais. O lucro da empresa no primeiro trimestre atingiu R$ 6,92 bilhões, com um avanço de 68% em relação ao mesmo período de 2007. Preocupações com a produção, que não acompanha o ritmo projetado, explicam o motivo de a ação da companhia, mesmo em sua máxima, ter desempenho inferior ao do Índice Bovespa no ano – 4,16% ante 10,22%. Ontem, fechou a R$ 45,75.

15/04/2008 - 12:59h Diretor da ANP diz que tem autoridade para falar

“Nas palavras do mandachuva da ANP, a Petrobras lograra descobrir “o terceiro maior campo do mundo na atualidade.” Definiu assim o achado: “É algo do Oriente Médio.” Na rabeira da frase, adicionou: “Mas nada está confirmado.”

“As “informações oficiosas” do diretor-geral da ANP produziram reflexos instantâneos no mercado. As ações da Petrobras na Bolsa de Valores de São Paulo dispararam. Pela manhã, amargavam perdas de 1,7%. Turbinadas pelo efeito Haroldo Lima, registravam, pouco antes das 17h, altas que variavam de 5,5% (ações preferenciais) a 7,3% (ações ordinárias). A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) chiou.”

“A algaravia provocada pelo dirigente da ANP pode ser resumida numa palavra: desastre. Informações como a descoberta de reservas petrolíferas, por relevantes, exigem comunicação meticulosa, submetida a procedimentos rígidos. O episódio evidencia um flagelo governamental: o aparelhamento político das agências reguladoras.” Blog de Josias

Afirmações como as reproduzidas acima mostram o flagelo que assola uma parte da midia e dos jornais no Brasil. A desinformaçao do jornalista, que aparentemente ignorava que a notícia já tinha sido publicada anteriormente, não o empede de apontar o dedo acusador contra o governo. Agora, vejam a informação da agencia Estado. LF

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Diretor da ANP rebate as acusações com informação de que ANP não é subordinada à CVM

AGENCIA ESTADO

SÃO PAULO – Em resposta às críticas sobre a forma como foi divulgada a informação sobre o volume de petróleo existente na área conhecida como Pão de Açúcar, na Bacia de Santos, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, disse que tem autoridade para falar sobre o assunto. Rebateu ainda com a afirmação de que é “membro do governo” e não é subordinado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ele negou a intenção de especular com a informação. “Ninguém quis especular. Os especuladores é que quiseram especular”, afirmou.

Na segunda-feira, Lima surpreendeu o mercado ao afirmar, em seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas, que a área de exploração de petróleo conhecida como”Pão de Açúcar”, na Bacia de Santos, pode ter até cinco vezes o volume de petróleo do megacampo de Tupi. “Se isso for confirmado, será a maior descoberta já feita, que poderá se transformar no terceiro maior campo de produção de petróleo no mundo”, disse Lima na ocasião, estimando as novas reservas em 33 bilhões de barris.

Nesta terça, Lima voltou a dizer que as informações dadas por ele foram publicadas em fevereiro deste ano, no jornal World Oil, de Houston, dos Estados Unidos. O artigo, assinado por Arthur Erman, intitulado “Tree Super-Giants Feelds Discovery off Shore Brazil”, afirma que, se as notícias sobre o tamanho e potencial do Campo estiverem corretas, sobre a estimativa de 33 bilhões de barris de óleo, esse campo seria o terceiro maior do mundo, com produção cinco vezes maior do que o Campo de Tupy.Segundo Lima, as mesmas informações foram publicadas, também, pelo jornal O Estado de S.Paulo.

Segundo o diretor da ANP, que está no Senado para uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos, a publicação americana é pouco lida no Brasil. “O pessoal vinculado à Bolsa de Valores não está interessado nisso. Querem ganhar dinheiro”, afirmou, numa referência à reação no mercado, na segunda, em decorrência de suas declarações. Desempenho das açõesNa segunda-feira, após as divulgações de Lima, as ações da Petrobrás dispararam. Houve um momento em que a empresa, sozinha, respondia por metade do giro de recursos na Bovespa. Os papéis ordinários (ON) chegaram a valorizar-se 10,8% e fecharam o pregão com alta de 7,68%. A direção da estatal, que de início não quis comentar as declarações do diretor da ANP, teve de emitir nota, explicando que “a abrangência das descobertas em Santos ainda depende de estudos”.A empresa comunicou ainda que “um plano de avaliação das áreas deverá ser entregue à ANP dentro de poucos dias”.

Na noite de segunda-feira, diante da repercussão das declarações de Lima, a ANP emitiu uma nota de esclarecimento na qual classificou como” conhecidos” os dados expostos pelo diretor. A ANP remeteu as informações a notas veiculadas pela Agência Estado, em novembro do ano passado, e a uma coluna da revista World Oil.

Na exposição, o diretor da ANP identificou como Pão de Açúcar apenas o bloco BM-S-9 (Bacia Marítima de Santos, nº 9), operado por um consórcio formado pela Petrobrás (45%), a britânica BG(30%) e a hispano-argentina Repsol (25%). Segundo ele, o volume de óleo que é possível extrair da jazida poderia chegar a até 33 bilhões de barris. A megajazida de Tupi tem reservas estimadas de 5 bilhões a 8 bilhões de barrisAs reservas de bilhões de barris de óleo, de qualidade superior à produzida atualmente no País, estão numa profundidade definida como “pré-sal”, ou abaixo da camada de sal que forma blocos no subsolo marítimo. As descobertas estão em áreas próximas, na Bacia de Santos, mas a Petrobrás estima que o mesmo tipo de ambiente pode se repetir por cerca de 800 quilômetros, do Espírito Santo a Santa Catarina, como foi informado na época da descoberta de Tupi. Os primeiros indícios de petróleo e gás na área foram informados à ANP em agosto de 2007, mas sem o volume identificado no local.

10/11/2007 - 06:33h Para Meirelles, preço alto de ações preocupa

DA REPORTAGEM LOCAL

Folha de São Paulo

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fez ontem uma nova advertência sobre o alto preço que algumas ações brasileiras atingiram. Para Meirelles, a chamada “exuberância” no preço de papéis brasileiros merece ser acompanhada com atenção pelo BC.
“Temos algumas preocupações específicas com a precificação de ações, mas isso é parte de um processo de expansão no mercado. [A gente] Vai olhar com certeza isso, com muito cuidado”, disse Meirelles.
Foi a segunda vez que Meirelles demonstrou publicamente sua preocupação com o preço das ações brasileiras. Em agosto, auge da crise imobiliária nos EUA, o presidente do BC afirmou que via com bons olhos o que chamou de “correção saudável” de um otimismo que começava a parecer “exagerado”.
No ano, a Bolsa acumula alta de 44,6%. Em agosto, chegou quase a zerar os ganhos, mas recuperou-se logo depois. Segundo analistas, o melhor indicador para saber se o preço de uma ação está alto demais é o P/L. O indicador relaciona o valor de mercado de uma empresa com sua capacidade de gerar lucros. Formado pela divisão do preço pelo lucro, o chamado P/L da Bovespa está hoje em 16, segundo a consultoria Economática. Historicamente, o P/L do Brasil flutua em torno de 10. Nos EUA, somava ontem 17,9.
“A pergunta é: o preço justifica as expectativas de lucro? Na minha opinião, há um pouco de bolha. Um P/L brasileiro igual ao dos EUA só pode ser resultado de euforia”, disse Fernando Exel, da Economática. (TS)

26/10/2007 - 13:35h The view from cloud nine

From The Economist print edition

Why Brazil looks in better shape than many other emerging markets

RIGHT now it is hard to walk around swanky parts of São Paulo without running into someone who has an uncle, a cousin or a brother involved in a company float. As many as 27 firms made their debut on the São Paulo exchange, known as Bovespa, in the first half of the year, surpassing the total number of floats in the whole of 2006. And they keep coming.

IPO-fever is such that shares in the exchange itself were due to start trading on October 26th, as The Economist went to press. It should be a coming-of-age party for a market that has broadened, deepened and bounded ahead recently (see chart).

This is quite a turnaround. Five years ago interest rates were so high that investing in equities was an esoteric pastime. Trading volumes were languishing and companies were rushing to delist.

Since then, three things have happened. First, interest rates have come down. Second, steps have been taken to improve corporate governance. And third, Brazil’s public finances have been tidied up by a combination of good housekeeping and the commodities boom. Even Warren Buffett, a shrewd American investor, has been buying the Brazilian currency.

The flirtation with equities is still in its infancy. Years of high interest rates have given Brazil a fixed-income culture, says Eduardo Mufarej of Tarpon Investment Group. Only a tiny proportion of Brazilians own shares. As interest rates continue to head down, Brazilian pension funds should increase their exposure to equities, which now lies at just 16%, excluding those of state-owned Banco de Brasil. Itaú, a Brazilian bank, reckons this will add up to an annual flow to the Bovespa worth between 18.5 and 24.5 billion reais ($10.2 billion and $13.6 billion) until 2010, which is more than foreign investors have put into the market during the past decade.

The same forces that have benefited equities have brought all sorts of snazzy new debt products to Brazil in the past couple of years. Mortgage and credit-card debts, which did not exist when interest rates hovered somewhere above the Corcovado mountain, are now being bundled together into securities and sold. The adventurous are even getting excited about more exotic products, such as precatórios, which bundle local-government debts.

How sustainable is all this? On the one hand, the IPO activity has been good for corporate governance. In order to attract interest, the recent IPOs have had to sign up to so-called novo mercado guidelines, which do away with the dual share classes, over-friendly board members and non-existent protection for minority shareholders that made life hazardous for outside investors. A further boost to confidence should come when Brazil’s sovereign debt is upgraded to investment grade, which most people expect will happen within the next 18 months.

Familiar dangers lurk, though. Lots of good companies have taken advantage of favourable conditions to come to the market, but some pretty dreadful ones have too, according to Paulo Bilyk of Rio Bravo Investments. Brazil is more open than many other emerging markets and so more vulnerable to hot money. Some 70% of the money for the IPOs has come from foreign investors. That money would probably be the first to head for the exits in any wobble. And some of the new stocks are illiquid. Still, for the moment things are looking good. If you don’t believe us, say São Paulo’s financiers, ask Mr Buffett.

16/08/2007 - 19:12h Tsunami financeiro atinge todos os mercados (4)

Em dia de pânico, Bovespa reduz queda histórica no fechamento

EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Os investidores viveram uma verdadeira montanha-russa no pregão desta quinta-feira. A Bolsa brasileira, que despencou durante toda a manhã e o início da tarde –a queda chegou a mais de 8%, tomou fôlego próximo ao encerramentos dos negócios.

Para os profissionais de mercado, as ações ficaram baratas demais e começaram atrair compradores, revertendo a queda. “Quando a Bolsa caiu 8% nós já começamos a ver compras no pregão. Muitos clientes aqui da corretora também entraram no mercado”, afirma Milton Milioni, diretor da corretora Geração Futuro.

O Ibovespa, indicador da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), finalizou a quinta-feira em baixa de 2,58%, aos 48.015 pontos. O volume financeiro foi bastante alto e mostrou o nervosismo dos investidores: R$ 8,4 bilhões. Além do Brasil, o nervosismo derrubou os pregões na Ásia, na Europa e nas influentes Bolsas americanas

O dólar comercial foi negociado a R$ 2,094 para venda, com avanço de 3,15%. A taxa de risco-país, medida pelo índice Embi+ (JP Morgan), bateu os 227 pontos próximo das 17h, um salto de 11,27%.

Os mercados tiveram uma verdadeira crise de pânico hoje, a partir do momento em que cada vez mais fundos de investimentos começaram a reportar problemas de caixa. A crise do setor imobiliário americano (entenda como funciona) transbordou das fronteiras dos EUA e atingiu empresas na Europa e na Ásia.

“Teve um pouco de exagero, puxado pelo lado da psicologia, mas teve um fato bem concreto: vários fundos tiveram problemas, na Europa, na Ásia, na Ásia e até no Brasil”, afirma o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

Os grandes investidores globais, que têm aplicações espalhadas por vários países, fizeram o já visto em outras crises: venderam papéis nos mercados emergentes, entre eles o Brasil, para cobrir prejuízos em outras aplicações lá fora.

“O que nós vimos foi uma crise de oferta de crédito. O grande investidor, mesmo ganhando dinheiro no Brasil, teve que vender para fazer dinheiro. Foi algo até paradoxal, porque ele teve que sair justamente do lugar onde está ganhando”, afirma Milton Milioni, da Geração Futuro.

A má notícia da vez, que estragou de vez o humor dos investidores, foi protagonizada pela empresa americana Countrywide Financial, maior financiadora imobiliária dos EUA. A empresa foi obrigada a tomar US$ 11,5 bilhões para se prevenir contra uma possível falta de crédito na praça. Ontem, o banco de investimentos Merrill Lynch já havia rebaixado sua recomendação para as ações da empresa.

Mais tarde, a empresa de hipotecas First Magnus Financial (que ocupa a 16ª posição no país) anunciou que interrompeu a realização de novos contratos de crédito e que pode ter de pedir concordata. O grupo atuava em todo o país e realizou mais de US$ 30 bilhões em contratos de crédito hipotecário em 2006 e cerca de US$ 17 bilhões no primeiro semestre deste ano.

Entre outras notícias, o Departamento do Comércio dos EUA informou que a construção de casas teve queda de 6,1% em julho, caindo para uma taxa anualizada de 1,38 milhão de unidades –uma redução de 20,9% em relação ao mesmo mês de 2006 e a mais baixa taxa desde janeiro de 1997.

As autoridades brasileiros vieram a público para acalmar os investidores, com um discurso que também tem sido sustentado por uma parcela de analistas de mercado: os fundamentos da economia brasileira deixam o país mais resistente às crises financeiras globais.

Por enquanto, especialistas não sabem prever qual a duração da crise. Alguns profissionais de mercado notam que as turbulências devem se estender, pelo menos, até setembro, quando o Federal Reserve (banco central dos EUA) deve promover nova reunião para decidir a taxa básica de juros. Investidores acreditam que um corte nas taxas pode servir para antecipar o fim da crise financeira.