<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Blog do Favre &#187; brancos</title>
	<atom:link href="http://blogdofavre.ig.com.br/tag/brancos/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://blogdofavre.ig.com.br</link>
	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
	<lastBuildDate>Tue, 24 Nov 2009 11:23:38 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.4</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Nossa maior vergonha nacional</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/nossa-maior-vergonha-nacional/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/nossa-maior-vergonha-nacional/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Feb 2009 12:54:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[EDUCAÇÃO]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[alunos]]></category>
		<category><![CDATA[brancos]]></category>
		<category><![CDATA[conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[cursos]]></category>
		<category><![CDATA[escolas]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza]]></category>
		<category><![CDATA[professores]]></category>
		<category><![CDATA[recessão]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[universidades]]></category>
		<category><![CDATA[USA]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/nossa-maior-vergonha-nacional/</guid>
		<description><![CDATA[
Nicholas D. Kristof* &#8211; O Estado SP
Sempre considerei a assistência médica a maior vergonha deste país, uma vez que, para tê-la, gastamos o dobro do que muitas nações europeias, contudo a porcentagem de crianças americanas que podem morrer antes dos cinco anos é o dobro da das checas. Entretanto, ainda acho que nossa prioridade máxima [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://trak.in/wp-content/uploads/2008/02/two-million-minutes-documentary-on-indian-education.jpg" alt="http://trak.in/wp-content/uploads/2008/02/two-million-minutes-documentary-on-indian-education.jpg" width="266" height="177" /><img src="http://www.theapple.com/nfs/theapple/attachment_images/0000/6915/iStock_000004242089Small_crop380w.jpg" alt="http://www.theapple.com/nfs/theapple/attachment_images/0000/6915/iStock_000004242089Small_crop380w.jpg" width="270" height="178" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Nicholas D. Kristof* &#8211; O Estado SP</p>
<p>Sempre considerei a assistência médica a maior vergonha deste país, uma vez que, para tê-la, gastamos o dobro do que muitas nações europeias, contudo a porcentagem de crianças americanas que podem morrer antes dos cinco anos é o dobro da das checas. Entretanto, ainda acho que nossa prioridade máxima deve ser a educação. Isto torna o novo pacote de estímulo fiscal um marco histórico, porque dará passos hesitantes rumo à reforma, com a alocação de mais de US$ 100 bilhões.</p>
<p>A verba destinada ao Departamento da Educação para o exercício fiscal do ano foi pouco mais que a metade disso, US$ 59 bilhões. O estímulo permitirá salvar as escolas dos Estados Unidos. Um estudo da Universidade de Washington calculou que, sem ele, a recessão faria sumir 570 mil vagas nas escolas.</p>
<p>&#8220;Nos esquivamos de um canhonaço do tamanho de um trem de carga&#8221;, observa Amy Wilkins, do Education Trust, grupo de ativistas de Washington. Indagamos aos que se opõem aos gastos com educação: Vocês acham realmente que eliminar meio milhão de empregos na área da educação será bom para a economia, para as nossas crianças e para o nosso futuro? O secretário da Educação, Arne Duncan, define o estímulo como uma &#8220;oportunidade fantástica&#8221;. E argumenta: &#8220;Precisamos aprender a produzir uma economia melhor e só se fará isso a longo prazo&#8221;.</p>
<p>É exatamente isto, e é por este motivo que mudei meu ponto de vista quanto à importância relativa da educação e da saúde. Um dos livros mais sensacionais de 2008 é &#8220;The Race Betweeen Education and Technology&#8221; (A corrida entre educação e tecnologia), de Claudia Goldin e Lawrence F. Katz, professores de Harvard. Eles mostram que a vantagem dos EUA na área da educação criou prosperidade e igualdade, mas que esta vantagem se dissipou por volta dos anos 70, e desde então, o país foi superado por vários outros. Talvez devêssemos ter travado a &#8220;guerra contra a pobreza&#8221; com escolas, ou, como veremos, com professores.</p>
<p>Alguns programas de educação produziram excelentes resultados, permitindo superar as patologias da pobreza. Por exemplo, crianças que se beneficiaram com o programa Perry da Pré-Escola, no Michigan, registraram 25% menos probabilidades de abandonar o colegial do que seus contemporâneos do grupo de controle, e cometeram 50% menos crimes violentos. Além disso, tiveram 33% menos probabilidades de se tornarem pais na adolescência ou tóxicodependentes, e 50% menos de procurar o aborto.</p>
<p>Do mesmo modo, o programa KIPP (Programa Conhecimento é Poder), tema de um belo livro escrito por Jay Mathews, gerou reações entusiastas nas escolas. O programa transformou a vida de estudantes de baixa renda.</p>
<p>Há perguntas legítimas sobre a possibilidade de adequar estes programas e de fazer com que sejam bem sucedidos se forem adotados mais amplamente. Mas sabemos que o atual sistema nacional de educação está falido, e que não estamos nos esforçando para salvá-lo.</p>
<p>&#8220;Graças aos dados coligidos, temos uma boa noção de onde se encontram as grandes oportunidades&#8221;, observa Douglas Staiger, economista do Dartmouth College. O problema maior são as escolas do curso colegial &#8211; ainda não temos a noção exata de como salvá-las. Mas existe entusiasmo pelo que aprendemos sobre a educação na escola fundamental.</p>
<p>Em primeiro lugar, bons professores são mais importantes do que qualquer outra coisa. Ter um grande professor é muito mais fundamental do que estar em uma classe pequena, ou frequentar uma boa escola com um professor medíocre. Estudo realizado em Los Angeles sugeriu que o aluno que cursa quatro anos consecutivos com um professor que pertence aos 25% mais preparados, terá condições de superar a discrepância existente entre os testes dos alunos e negros e dos brancos.</p>
<p>Em segundo lugar, os métodos usados neste país para a seleção de professores, ou para determinar quais são os bons, não funcionam. O estudo mais recente elaborado pelo Departamento da Educação, publicado este mês, mostrou que não há correlação entre a licenciatura do professor e sua eficiência. Particularmente na escola elementar, também não parece importante saber se o professor tem diploma de universidade ou se cursou uma faculdade melhor ou obteve as melhores avaliações (SATs).</p>
<p>Logo, investir em um sistema falido não bastará para saná-lo; por outro lado, prevê-se a necessidade de recursos num pacote que implique a eliminação da licenciatura, melhor avaliação com testes dos professores mais eficientes, e então uma remuneração muito maior &#8211; com bonificações especiais aos que lecionam em escolas &#8220;ruins&#8221;.</p>
<p>Uma das maiores injustiças deste país é que os melhores professores ensinam aos estudantes mais privilegiados. Enquanto isso, os estudantes menos privilegiados invariavelmente têm, ano após ano, os professores menos eficientes &#8211; até que abandonam a escola. Este pacote de estímulo oferece uma nova esperança.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/nossa-maior-vergonha-nacional/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A foto da intolêrancia</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/01/a-foto-da-intolerancia/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/01/a-foto-da-intolerancia/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Jan 2009 15:51:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[brancos]]></category>
		<category><![CDATA[Dorothy Count]]></category>
		<category><![CDATA[Douglas Martin]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[fotos]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[USA]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2009/01/a-foto-da-intolerancia/</guid>
		<description><![CDATA[
Clique na imagem para ampliar © Foto de Douglas Martin. A jovem Dorothy Count, uma das primeiras estudantes &#8220;negras&#8221; em colégio de brancos, é vitima de preconceito racial. EUA. 1957.


A foto vencedora do &#8220;World Press Photo&#8221; de 1957, de autoria de Douglas Martin foi feita no estado da Carolina do Norte, EUA. A jovem Dorothy [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/01/count_intolerancia.jpg" alt="count_intolerancia.jpg" width="553" height="407" /><font size="2"><em><br />
Clique na imagem para ampliar © Foto de Douglas Martin. A jovem Dorothy Count, uma das primeiras estudantes &#8220;negras&#8221; em colégio de brancos, é vitima de preconceito racial. EUA. 1957.</em></font></div>
<div style="text-align: center"></div>
<div style="text-align: center" align="left"></div>
<p>A foto vencedora do &#8220;World Press Photo&#8221; de 1957, de autoria de Douglas Martin foi feita no estado da Carolina do Norte, EUA. A jovem Dorothy Count, de 15 anos, foi uma das primeiras estudantes &#8220;negras&#8221; a ser admitida no recém-desagregado colégio &#8220;Harry Harding High School&#8221;. Repórteres e fotógrafos testemunharam e registraram a violência que eclodiu quando Dorothy Counts apareceu para seu primeiro dia no colégio onde estudavam somente alunos brancos. As pessoas atiraram pedras e gritaram &#8220;Volte de onde veio&#8221;. Dorothy caminhou sem reagir, diante da multidão que a acompanhava com gestos obscenos e gritando palavras de ordem. Após uma série de ameaças telefônicas e depois de 4 dias de intensiva hostilidade, seu pai decidiu tirá-la da escola.</p>
<div style="text-align: center">
<div align="left"></div>
<p align="left"><strong><em>Fonte Images&amp;Visions </em></strong></p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/01/a-foto-da-intolerancia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ações afirmativas aumentaram elite negra nos EUA</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/acoes-afirmativas-aumentaram-elite-negra-nos-eua/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/acoes-afirmativas-aumentaram-elite-negra-nos-eua/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 13:46:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[EDUCAÇÃO]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[afro-americanos]]></category>
		<category><![CDATA[brancos]]></category>
		<category><![CDATA[cotas]]></category>
		<category><![CDATA[direitos]]></category>
		<category><![CDATA[discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[igualdade]]></category>
		<category><![CDATA[Jesse Jackson]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>
		<category><![CDATA[racial]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/acoes-afirmativas-aumentaram-elite-negra-nos-eua/</guid>
		<description><![CDATA[
Jesse Jackson e Obama, o primeiro abriu o caminho para um presidente negro nos EUA
Para pesquisadora, carreira de Obama &#8220;deve muito&#8221; às conquistas dos movimentos pelos direitos civis
FABIANO MAISONNAVE &#8211; FOLHA SP
EM BOSTON
Em artigo publicado logo após a eleição de Barack Obama nos EUA, o colunista Dennis Byrne relembrou no jornal &#8220;Chicago Tribune&#8221; um episódio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://atlasshrugs2000.typepad.com/atlas_shrugs/images/2008/03/31/obama_jackson.jpg" alt="http://atlasshrugs2000.typepad.com/atlas_shrugs/images/2008/03/31/obama_jackson.jpg" /></div>
<div align="center"><em><font size="1">Jesse Jackson e Obama, o primeiro abriu o caminho para um presidente negro nos EUA</font></em></div>
<p><strong>Para pesquisadora, carreira de Obama &#8220;deve muito&#8221; às conquistas dos movimentos pelos direitos civis</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">FABIANO MAISONNAVE &#8211; FOLHA SP</p>
<p>EM BOSTON</p>
<p>Em artigo publicado logo após a eleição de Barack Obama nos EUA, o colunista Dennis Byrne relembrou no jornal &#8220;Chicago Tribune&#8221; um episódio de 1967, quando era professor para alunos negros num curso supletivo no Estado sulista da Geórgia. Depois de dizer a eles que poderiam ser &#8220;o que quisessem&#8221;, viu uma aluna arrancar risadas dos colegas ao anunciar ironicamente que seria procuradora-geral.</p>
<p>Para Byrne, a aluna estava certa há 40 anos -hoje, não. Ecoando uma visão crescente nos EUA, ele crê que a eleição de Obama comprova que as políticas de ações afirmativas implantadas a partir da Lei dos Direitos Civis, em 1964, cumpriram o papel de assegurar igualdade de oportunidades aos negros e, portanto, deveriam deixar de existir.</p>
<p>&#8220;Como sabemos quando os tipos de desequilíbrios impostos por alguns programas de ação afirmativa não são mais necessários? Se um dos sinais de que devemos estar indo nessa direção não é a eleição de um presidente afro-americano, então o que é?&#8221;, escreveu Byrne.</p>
<p>Promulgada pelo presidente democrata Lyndon Johnson sob forte pressão do movimento negro, a Lei dos Direitos Civis proibia a segregação em escolas, espaços públicos e no trabalho. Entre outras medidas, determinou que as instituições que recebem fundos públicos, como universidades privadas, eliminassem toda forma de discriminação racial.</p>
<p>Desde então, os processos de seleção universitários e de trabalho passaram a criar mecanismos -ações afirmativas- para que o ambiente escolar ou de trabalho refletisse a composição racial norte-americana, onde os negros representam 12%. Ao contrário do que se pensa no Brasil, não há cotas nos EUA -estão proibidas pela Suprema Corte desde 1978.</p>
<p><strong>Nova elite</strong></p>
<p>Desde então, afro-americanos passaram a ocupar cargos cada vez mais altos nos setores público e privado e aumentaram sua presença nas universidades, mas as estatísticas mostram que o abismo entre brancos e negros continua em áreas como renda e educação. De acordo com o Departamento de Educação, 19,5% dos negros entre 25 e 29 anos tinham diploma superior em 2007, contra 35,5% dos brancos.</p>
<p>A última grande discussão sobre ações afirmativas nos Estados Unidos ocorreu em 2003, quando, por 5 votos a 4, a Corte Suprema manteve a constitucionalidade dessas políticas.</p>
<p>Na decisão, houve o entendimento de que a Universidade de Michigan pode fazer &#8220;uso estrito de raça&#8221; para &#8220;obter os benefícios educacionais que emergem de um corpo estudantil diversificado&#8221;, mas com a ressalva de que é um recurso com tempo de vida limitado.</p>
<p>Dentro desse discurso da &#8220;diversidade&#8221;, onde fica Obama, filho de um queniano com uma norte-americana branca nascido no Havaí e casado com uma afro-americana?</p>
<p>&#8220;A sua história certamente não é a de uma afro-americano crescido no Sul&#8221;, afirma a cientista política afro-americana Melissa Nobles, do MIT (Massachusetts Institute of Technology). &#8220;Mas a sua carreira profissional se deve muito às conquistas do movimentos pelos direitos civis. E ele nunca teria vencido se Jesse Jackson não tivesse introduzido a idéia de um presidente negro&#8221;, completa, lembrando que Obama trabalhou por vários anos na comunidade negra de Chicago.</p>
<p>Para brasilianistas especialistas em relações raciais ouvidos pela reportagem, um fenômeno similar ao de Obama dificilmente ocorreria no Brasil num curto prazo. Entre os motivos está a trajetória ainda pequena das ações afirmativas em comparação com os EUA.</p>
<p>Na avaliação do cientista político americano branco Seth Racusen, do Anna Maria College, o movimento negro brasileiro teve um enfoque inicial concentrado no racismo como um problema principalmente criminal, tendência que vem sido revertida nos últimos anos.</p>
<p>Há mais de 30 anos estudando relações raciais no Brasil, o ganense Anani Dzidizienyo, da Universidade Brown, vê dificuldades para reconhecer o que chama de &#8220;racismo institucional&#8221;. &#8220;No Brasil, a discussão sobre ações afirmativas provoca reações histéricas, existe certa inabilidade para reconhecer o racismo institucional.&#8221;</p>
<p>Dzidizienyo completa: &#8220;A ironia é que este país racista produziu um Obama. Nem vou começar a pensar se isso é possível no Brasil; está completamente fora de cogitação&#8221;.</p>
<p><strong>Leia o caderno especial sobre a questão racial no Brasil na Folha SP</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/acoes-afirmativas-aumentaram-elite-negra-nos-eua/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O bendito fruto do soul</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/o-bendito-fruto-do-soul/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/o-bendito-fruto-do-soul/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 21 Nov 2008 21:27:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[Aretha Franklin]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Dapieve]]></category>
		<category><![CDATA[black]]></category>
		<category><![CDATA[brancos]]></category>
		<category><![CDATA[disco]]></category>
		<category><![CDATA[Eli 'Paperboy' Reed]]></category>
		<category><![CDATA[erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Gueto]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Marvin Gaye]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[musica]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[rock]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>
		<category><![CDATA[Soul]]></category>
		<category><![CDATA[The True Loves]]></category>
		<category><![CDATA[Vietnã]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/o-bendito-fruto-do-soul/</guid>
		<description><![CDATA[Eli ´Paperboy´ Reed entre as mulheres
Arthur Dapieve &#8211; O Globo
Talvez alguém aí compartilhe comigo a impressão de que há mais mulheres do que homens cantando soul. Bem, se somos dois, estamos iludidos. Não há base estatística para isso. Basta folhear ou surfar qualquer enciclopédia dedicada a esse gênero de música negra dos EUA. Desde os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Eli ´Paperboy´ Reed entre as mulheres</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Arthur Dapieve &#8211; O Globo</strong></p>
<p>Talvez alguém aí compartilhe comigo a impressão de que há mais mulheres do que homens cantando soul. Bem, se somos dois, estamos iludidos. Não há base estatística para isso. Basta folhear ou surfar qualquer enciclopédia dedicada a esse gênero de música negra dos EUA. Desde os anos 60, ambos os sexos se entregam por igual a temas profanos com fervor religioso. Rhythm’n’blues mais gospel. Essa confusão entre terra e céu é o soul.</p>
<p>Vamos pensar em Marvin Gaye. Quando ele cantava “What’s going on”, a música, o álbum, tratava do estado da sua nação circa 1971, da degradação imposta aos guetos negros, da Guerra do Vietnã e, antes de quase todo mundo, de ecologia. A interpretação se dilacerava entre a arraigada religiosidade (seu pai, que o mataria numa discussão, era pastor) e o erotismo chique (mais eficiente do que uma farmácia inteira de balinhas azuis).</p>
<p align="center"><font size="1"><em>Marvin Gaye &#8220;What&#8217;s Going On / What&#8217;s Happening Brother&#8221;<br />
</em></font></p>
<div style="text-align: center"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" width="423" height="343"><param name="width" value="423" /><param name="height" value="343" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Y9KC7uhMY9s&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="423" height="343" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" src="http://www.youtube.com/v/Y9KC7uhMY9s&amp;hl=en&amp;fs=1"></embed></object></div>
<p>Se, depois de mentalizar em Gaye, fizermos uma listinha básica dos monumentos do gênero, logo também assomam à consciência Sam Cooke, James Brown e Otis Redding. Uau, que time&#8230; De mulheres, com o mesmo status, há somente Aretha Franklin (todos de joelhos à menção desse nome!) e, dependendo da cabeça, Etta James, ambas ainda vivas. No entanto, persiste aquela desconfiança de que mais e melhores mulheres cantam soul.</p>
<p>Bem, a hipótese de trabalho é a seguinte: as divas parecem dominar o palco porque soam mais convincentes na hora de cantar aquelas lindas letras, ou cheias de amor para dar ou tomadas pela mais lancinante dor-de-cotovelo. Mulheres se fazem — sim, se fazem — melhor de frágeis emocionais. Lembremos Cheryl Barnes cantando “Easy to be hard” na versão cinematográfica de “Hair” (1980), dirigida por Milos Forman. Cada vez que eu escuto ou vejo aquilo no YouTube, cara, eu quero casar com ela e assumir o garoto.</p>
<p>Claro, claro, há interpretações sentidíssimas de homens para clássicos do soul. James Carr, por exemplo, cantando “Dark end of the street”, também cantada por, entre muitos outros e outras, Aretha Franklin (todos de joelhos!) e Cat Power. Ou Otis Redding mandando ver na sua “Pain in my heart”: “A dor no meu coração não vai me deixar dormir/ Onde minha garota estará?/ Senhor, onde ela estará?” Da lavra do mesmo Redding, porém, “Respect” ganhou sua versão definitiva foi com Aretha Franklin (todos!). Respeito.</p>
<p align="center"><font size="1"><em>Aretha Franklin &#8211; Respect<br />
</em></font></p>
<div style="text-align: center"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" width="425" height="344"><param name="width" value="425" /><param name="height" value="344" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/_DZ3_obMXwU&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" src="http://www.youtube.com/v/_DZ3_obMXwU&amp;hl=en&amp;fs=1"></embed></object></div>
<p>Isso explica a perene devoção de jovens brancas da outra beira do Atlântico Norte ao soul. Desde a finada Dusty Springfield, esta é uma linguagem em que Amy Winehouse pode expressar e redimir sua existência miserável, uma levada sensual com a qual Joss Stone rebola descalça pelos palcos, uma esperança de identidade para quem até então não tinha nenhuma, como Duffy. Alguém aí sabe como a lourinha galesa chegou à contagiante “Mercy”? Seu produtor, Bernard Butler, ex-guitarrista do grupo de rock Suede, lhe deu de presente discos de Millie Jackson, Doris Duke, Bettye Swann, Candi Staton&#8230;</p>
<p>Nos EUA, há ainda a grande Sharon Jones. Esta negra de 50 anos emprestou, um pouco a contragosto, segundo consta, pedaços de sua banda de apoio, os Dap-Kings, para seis das dez faixas de “Back to black”, de Amy Winehouse, inclusive “Rehab”. Na verdade, os músicos não são de Sharon, e sim formam a banda residente da gravadora Daptones, de Nova York, especializada em soul e funk. Nos últimos anos, Sharon lançou três álbuns com os Dap-Kings. Dois são excelentes: “Dap dippin’ with Sharon Jones &amp; The Dap-Kings” (2002) e “100 days, 100 night” (2007). Outro, bastante razoável: “Naturally” (2005).</p>
<p>E existe um soulman contemporâneo, capaz de fazer par com Sharon? Sim, existe. Chamase Eli Reed. É baixinho, branco, nascido em Boston, de ascendência judaica, criado no Mississippi e desde lá carrega, por ter usado um tipo de chapéu típico de jornaleiros da antiga, o apelido de “Paperboy”. O segundo disco do rapaz do jornal — o primeiro, de 2005, independente, é ruim de achar— foi lançado este ano nos EUA pelo selo Q Division e se chama “Roll with you”. Como Sharon, Eli “Paperboy” tem a sua banda, The True Loves.</p>
<p>Aos 25 anos, Reed não é um jovem rebelde do soul. Não moderniza o gênero, não faz um pastiche e nem tira onda de plantador de mandioca, aquele chato que gosta de raiz. Para ele, é como se as lendárias gravadoras Stax e Motown ainda estivessem parindo hits a todo vapor. Junto com os True Loves, ele se atira de cabeça naquele fascinante universo de mulheres dúbias e metais em brasa (ou viceversa) já na primeira das 11 faixas do CD, “Stake your claim”: “Pare de se roçar/ Em todo cara da cidade/ Se você me quiser/ Eu estarei por aí”. Lembra a situação de “Pain in my heart”, não lembra? Só que, aqui, no século XXI, o homem também se faz de gostoso, não fica aparando os cornos em casa.</p>
<p>Para os neófitos, “Roll with you” vale por um compêndio de soul. Reed ouviu tudo, sentiu tudo, entendeu tudo e, agora, tudo nos devolve, na pressão. Disco afora, ele soa como Redding, como Curtis Mayfield (na faixa “Am I wasting my time”), Chris Robinson (o vocalista da banda de rock sulista Black Crowes, encharcada de soul, em “It’s easier”), James Brown (“The satisfier”), Cooke (“Take my love with you”)&#8230; E, na derradeira música, a sacudida “(Doin’ the) Boom boom”, Reed se aproxima de seu par hipotético, Sharon Jones. Afinal de contas, o soul sempre foi uma história de meninos e meninas.</p>
<p align="center"><font size="1"><em>Eli &#8216;Paperboy&#8217; Reed &amp; The True Loves<br />
</em></font></p>
<div style="text-align: center"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" width="425" height="344"><param name="width" value="425" /><param name="height" value="344" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Vy6q9HfsJmo&amp;hl=en&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" src="http://www.youtube.com/v/Vy6q9HfsJmo&amp;hl=en&amp;fs=1"></embed></object></div>
<p align="center">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/o-bendito-fruto-do-soul/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Escolas pagas têm só 1,3% de alunos negros</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/escolas-pagas-tem-so-13-de-alunos-negros/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/escolas-pagas-tem-so-13-de-alunos-negros/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 11:15:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[afrodescendentes]]></category>
		<category><![CDATA[brancos]]></category>
		<category><![CDATA[Censo]]></category>
		<category><![CDATA[classes]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[des]]></category>
		<category><![CDATA[DIEESE]]></category>
		<category><![CDATA[educadores]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[escolas]]></category>
		<category><![CDATA[estudantes]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão]]></category>
		<category><![CDATA[MEC]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[pardos]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisas]]></category>
		<category><![CDATA[professores]]></category>
		<category><![CDATA[racial]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/escolas-pagas-tem-so-13-de-alunos-negros/</guid>
		<description><![CDATA[
Jornal da Tarde
De 1,8 milhão de estudantes matriculados em 2007 na rede particular em São Paulo, 23 mil são negros. No Brasil, o porcentual também é ínfimo: 1,7%; MEC reconhece falhas pedagógicas
Maria Rehder, maria.rehder@grupoestado.com.br
Apenas 1,28% dos quase 1,8 milhão de alunos matriculados nas escolas particulares de educação infantil ao ensino profissionalizante no Estado de São [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://images.ig.com.br/publicador/ultimosegundo/486/235/33/378240.reuters_educacao_209_278.jpg" alt="http://images.ig.com.br/publicador/ultimosegundo/486/235/33/378240.reuters_educacao_209_278.jpg" /></div>
<p>Jornal da Tarde</p>
<p>De 1,8 milhão de estudantes matriculados em 2007 na rede particular em São Paulo, 23 mil são negros. No Brasil, o porcentual também é ínfimo: 1,7%; MEC reconhece falhas pedagógicas</p>
<p>Maria Rehder, maria.rehder@grupoestado.com.br</p>
<p>Apenas 1,28% dos quase 1,8 milhão de alunos matriculados nas escolas particulares de educação infantil ao ensino profissionalizante no Estado de São Paulo é de negros. O porcentual de pardos é de 6,12%. Os dados, inéditos, são do Censo Escolar 2007, divulgados pelo Inep &#8211; órgão do Ministério da Educação &#8211; a pedido do Jornal da Tarde.</p>
<p>No País, o porcentual também é bem favorável aos brancos. Dos 6,5 milhões de matriculados na rede paga, 112,8 mil, ou apenas 1,72%, são negros. Os pardos somam 758.118, o equivalente a 11,6%.</p>
<p>Pesquisa Seade/Dieese feita no ano passado ajuda a explicar essa realidade. O levantamento mostra que o trabalhador negro ganha, em média, cerca da metade do não-negro na Grande São Paulo. E quanto maior o nível de escolaridade, aumenta a diferença de rendimento.</p>
<p>João Bosco Coelho, coordenador do Movimento Brasil Afirmativo, também aponta a desigualdade socioeconômica para explicar a exclusão dos negros da escola particular. “O jovem de família negra é que tem de trabalhar para ajudar em casa. Isso o afasta do ensino.”</p>
<p>É nesse contexto que professores das colégios particulares vivem diariamente o desafio de cumprir a lei federal 10.639, de 2003, que prevê a inclusão da história da África e das questões raciais na grade curricular. O MEC reconhece que muitas escolas particulares não cumprem a lei por falta de orientações claras para colocá-la em prática e promete lançar no início do ano um documento que vai trazer diretrizes para o tratamento racial em sala de aula.</p>
<p>Segundo o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (Secad), André Lázaro, muitos cursos de pedagogia &#8211; que formam educadores &#8211; não trazem o cumprimento da lei como prioridade. Ele diz que a criação do documento surgiu de demanda dos próprios colégios particulares. “Essa lei não é só para negros. Se a escola não compreender o desafio de formar o cidadão não racista, vamos reproduzir as mesmas práticas de exclusão adotadas hoje no futuro.”</p>
<p>Autodeclarado pardo, o professor João Gomes, de 53 anos, descendente de indígenas e portugueses, trata a questão racial em sala de aula desde o início da carreira, há 27 anos. Hoje, ele dá aulas de história e filosofia no Colégio Mackenzie e diz que os negros são minoria em suas aulas. O maior desafio, segundo ele, é fazer com que os alunos de classe social mais alta convivam com a realidade de miscigenação do País. “Tem aluno que parece viver em outro mundo. Mas a função do professor é tratar a diversidade em aula, mostrar outras realidades.” Anualmente, Gomes organiza excursões com seus alunos de ensino médio do Mackenzie para áreas pobres como o interior do Alagoas. “Lá eles convivem com uma realidade social bem diferente. É importante o professor garantir que a escola dê abertura para esses projetos. Esse tipo de convívio, além do debate em aula sobre a diversidade, é o que garante que os alunos respeitem as diferenças.”</p>
<p>A professora da Faculdade de Educação da USP Silvia Colello ressalta que não é fácil para o professor pôr em prática os conceitos de igualdade em um espaço sem diversidade. “É por isso que as escolas, universidade e poder público têm de se organizar para dar subsídios ao professor, para que ele trate com segurança essa temática em aula.”</p>
<p>Ver uma criança negra de 4 anos se negar a sentar ao lado de uma branca foi o que levou a professora Ellen Souza, de 24 anos, afrodescendente, a conquistar essa “segurança” para trabalhar a questão racial com os pequenos da educação infantil no Colégio Orbe, em Marília, interior de São Paulo. “ Tive de driblar a ignorância não-intencional de pessoas da escola que chegaram a questionar se o boneco na cartolina preta não ficaria feio. Chegaram a sugerir até para eu colocar palha de aço no cabelo do boneco.”</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/escolas-pagas-tem-so-13-de-alunos-negros/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>El mayor país negro de Suramérica</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/el-mayor-pais-negro-de-suramerica/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/el-mayor-pais-negro-de-suramerica/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 19 Nov 2008 17:03:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[brancos]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[direitos]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>
		<category><![CDATA[pardos]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/el-mayor-pais-negro-de-suramerica/</guid>
		<description><![CDATA[La hora de los afrolatinos  

JUAN ARIAS  -  Río de Janeiro 






EL PAÍS  -  Internacional &#8211; 18-11-2008
En Brasil, el mayor país negro fuera de África, en 2010, los negros y pardos, que crecen más, superarán a los blancos, cuya población disminuye. En este momento, el 49,7% se declara blanca y el 49,5%, negra o parda. A pesar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #333333; font-family: Arial; font-size: 13px; line-height: normal" class="Apple-style-span"><font face="Arial, Helvetica, sans-serif"><strong>La hora de los afrolatinos </strong></font><font color="#000000" face="Georgia, Times New Roman, Times, serif" size="4"><a name="noticias" title="noticias"></a> </font></span><a name="noticias" title="noticias"></a><br />
<font size="1"></p>
<p>JUAN ARIAS  -  Río de Janeiro</font> <span style="color: #333333; font-family: Arial; font-size: 13px; line-height: normal" class="Apple-style-span"><br />
<table width="100%" border="0" cellpadding="0" cellspacing="0">
<tr>
<td bgcolor="cccccc" height="1"><spacer height="1" width="1" type="block"></spacer></td>
</tr>
</table>
<p></span><font size="1" color="#999999" face="Arial, Helvetica, sans-serif"><br />
EL PAÍS  -  Internacional &#8211; 18-11-2008</font><font size="2" face="Georgia, Times New Roman, Times, serif"></p>
<p>En Brasil, el mayor país negro fuera de África, en 2010, los negros y pardos, que crecen más, superarán a los blancos, cuya población disminuye. En este momento, el 49,7% se declara blanca y el 49,5%, negra o parda. A pesar de ello, y pese a las políticas contra la desigualdad racial que se han multiplicado con el Gobierno de Lula, la población negra, heredera de la esclavitud -abolida en 1888-, sigue existiendo bajo una discriminación larvada.El 64% de los más pobres son negros. Son ellos los que realizan los trabajos peor remunerados: ganan de media la mitad de los blancos. El desempleo de los negros supera el 50%. Muy pocos han triunfado en política y sólo tres han sido ministros: Gilberto Gil, Marina da Silva y Benedicta da Silva.</font></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/el-mayor-pais-negro-de-suramerica/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Da secessão&#8230; à consagração</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/da-secessao-a-consagracao/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/da-secessao-a-consagracao/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 15 Nov 2008 20:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[Abraham Lincoln]]></category>
		<category><![CDATA[brancos]]></category>
		<category><![CDATA[Bush]]></category>
		<category><![CDATA[classes]]></category>
		<category><![CDATA[eleições USA]]></category>
		<category><![CDATA[escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[etnias]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[impostos]]></category>
		<category><![CDATA[judeus]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>
		<category><![CDATA[secessão]]></category>
		<category><![CDATA[USA]]></category>
		<category><![CDATA[Washington]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/da-secessao-a-consagracao/</guid>
		<description><![CDATA[Abraham Obama, painel do artista Ron English, em Boston, sobrepõe as imagens de Abraham Lincoln e Barack Obama

Eleições de Lincoln, em 1860, e de Obama, em 2008, mostram um Sul dos EUA ainda avesso à mudança

Flávio Henrique Lino &#8211; O Globo
Ambos têm nomes bíblicos e vieram de famílias de classe média.
Ambos foram os primeiros a chegar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><em>Abraham Obama, painel do artista Ron English, em Boston, sobrepõe as imagens de Abraham Lincoln e Barack Obama</em></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.ilovepolitics.info/photo/984950-1229819.jpg" alt="http://www.ilovepolitics.info/photo/984950-1229819.jpg" /></div>
<p><font size="5">Eleições de Lincoln, em 1860, e de Obama, em 2008, mostram um Sul dos EUA ainda avesso à mudança</font></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/44/Abraham_Lincoln_head_on_shoulders_photo_portrait.jpg/456px-Abraham_Lincoln_head_on_shoulders_photo_portrait.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/44/Abraham_Lincoln_head_on_shoulders_photo_portrait.jpg/456px-Abraham_Lincoln_head_on_shoulders_photo_portrait.jpg" width="252" height="332" /><img src="http://kara.allthingsd.com/files/2008/06/barack-obama-official-small.jpg" alt="http://kara.allthingsd.com/files/2008/06/barack-obama-official-small.jpg" width="265" height="331" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Flávio Henrique Lino &#8211; O Globo</p>
<p>Ambos têm nomes bíblicos e vieram de famílias de classe média.</p>
<p>Ambos foram os primeiros a chegar à Casa Branca nascidos em estados fora do corpo histórico principal do país e fizeram carreira política no Illinois. Ambos pegaram uma nação em crise profunda e marcaram época com sua eleição. Ambos libertaram os negros americanos — um de grilhões reais; o outro, de grilhões mentais. Numa dessas curiosas ironias da História, são muitas as semelhanças que traçam uma linha do tempo direta entre Abraham Lincoln e Barack Obama. Uma delas, no entanto, chama a atenção por transcender a mera coincidência. Quase um século e meio decorridos desde que Lincoln tornou-se o primeiro republicano eleito presidente, em 1860, e Obama, o primeiro negro, em 2008, tanto um quanto o outro foram rejeitados pelo Sul dos Estados Unidos, num recorte regional de votos que delimita não somente diferenças geográficas, mas, sobretudo, de mentalidades.</p>
<p>Nos 11 estados que declararam a secessão após a eleição de Lincoln e formaram os Estados Confederados da América, baluarte da escravidão nos EUA, Obama ganhou somente em três: Virgínia, Carolina do Norte e Flórida. Um desempenho certamente melhor que o de Lincoln, cujo nome sequer apareceu nas cédulas de nove dos dez estados sulistas que decidiam por voto direto seus delegados ao Colégio Eleitoral, tamanha a rejeição local às suas propostas em favor da limitação da servidão dos negros. No único em que concorreu — Virgínia, onde teve 1,1% dos votos — a derrota avassaladora sinalizou o caminho para o confronto inevitável entre duas visões de mundo diametralmente opostas, levando Norte e Sul dos Estados Unidos ao mais sangrento conflito já travado no continente. A Guerra Civil Americana cavou, no rastro de 600 mil mortes, um fosso ainda hoje intransponível entre as duas regiões, muito depois de os canhões silenciarem em 1865.</p>
<p>— Nosso país foi invadido e derrotado. Há 143 anos estamos sob ocupação — enfatizou ao GLOBO, da Carolina do Norte, o presidente da Sociedade Confederada da América, Craig Maus, tratando o Sul como nação e usando um tom amargurado como se a guerra tivesse terminado dias atrás. — Só queremos ser deixados em paz pelo governo federal.</p>
<p>Obama só venceu em 228 de 1.104 condados do Sul</p>
<p>Contado em votos, o desempenho do “abençoado” Barack, cujo nome é a versão africana do hebraico Baruch, foi infinitamente melhor que a de seu antecessor longínquo, também batizado numa referência bíblica, ao patriarca do povo judeu. O negro Obama foi escolhido por 18 milhões de eleitores dentro dos limites da antiga Confederação, contra os 20 milhões que votaram em seu adversário, o branco John McCain. Já Lincoln teve ínfimos 18.915 votos, de um total de 856.461.</p>
<p>Mas, se por um lado foi surpreendente a expressiva votação do senador que se tornou o primeiro presidente não nascido nos EUA continentais (Obama é havaiano), em pelo menos um aspecto sua performance pouco difere da do exdeputado nascido no Kentucky, o primeiro não originário da matriz das 13 colônias a chegar ao poder supremo no país: em número de condados.</p>
<p>Lincoln levou apenas 2 dos 996 que formavam o Sul em sua época, enquanto Obama coloriu de azul somente 228 dos 1.104 em que a antiga Confederação está hoje dividida. Mesmo nos três estados sulistas que viraram as costas à História e deram a vitória ao filho da África no voto popular, ele passou longe de aproximar-se do número de condados que apoiaram o rival filho do patriciado branco. Ou seja, a reviravolta histórica foi garantida nas grandes cidades, mais populosas e arejadas culturalmente e mais antenadas com o espírito do século XXI; porém, nos rincões do Sul profundo, onde a vida cotidiana ainda deita raízes no passado, predominam atitudes e valores que remontam ao século XIX.</p>
<p>— Esta eleição foi igual a qualquer outra, e não vejo significado histórico nela. A cor e a origem do candidato não afetam nossas decisões.</p>
<p>Aliás, a guerra civil não foi por causa da escravidão, mas sim por causa dos impostos — garantiu Maus, que não quis revelar em quem votou. — Prefiro não falar nisso. Não faz qualquer diferença.</p>
<p>Seus vizinhos na pequena Mooresville, no entanto, claramente optaram por John McCain, cuja campanha se baseou fortemente na acusação de que Obama ia aumentar os impostos. No condado de Iredell, onde fica a cidadezinha de 19 mil habitantes na Carolina do Norte, o republicano bateu o democrata — embora Obama tenha vencido no estado — por 61,9% dos votos a 37,5%.</p>
<p>Uma tendência que o colunista Harold Meyerson, do “Washington Post”, apontou como o caminho do partido de George W. Bush neste início de século XXI: “Nas duas últimas eleições, os republicanos se enfraqueceram em todos os lugares, exceto no Sul branco rural — a região que permanece a menos educada e a menos diversificada”.</p>
<p>Em Mooresville, cujo prefeito — reeleito em 2007 — é republicano, 81% dos habitantes são brancos, e o resto se divide entre negros (14%) e outras etnias, segundo o Censo de 2000.</p>
<p>Vitória de um negro seria sinal de novos ventos</p>
<p>Apesar de tudo, a eleição de Obama pode já ser o sinal de que algo está mudando, mesmo no recalcitrante Sul. Os próximos quatro anos vão mostrar se os EUA realmente ingressaram na era pós-racial, como o agora presidente eleito pregou incessantemente durante a campanha.</p>
<p>— Pode haver algum desconforto de alguns, e bastante desconforto de outros com a vitória de Obama, mas acho que estamos prontos aqui no Sul para esperar e ver — acredita a professora Andrea Simpson, do Departamento de Ciência Política da Universidade de Richmond, na Virgínia, ela própria negra e eleitora democrata. — Ele já mostrou que tudo é possível e que as atitudes raciais estão mudando. Se fizer bem seu trabalho, mais pessoas vão começar a se modificar.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/da-secessao-a-consagracao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Pesquisa revela perfil do voto em Obama</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/pesquisa-revela-perfil-do-voto-em-obama/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/pesquisa-revela-perfil-do-voto-em-obama/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2008 14:09:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[brancos]]></category>
		<category><![CDATA[Bush]]></category>
		<category><![CDATA[católicos]]></category>
		<category><![CDATA[Clinton]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Hispânicos]]></category>
		<category><![CDATA[igrejas]]></category>
		<category><![CDATA[jovens]]></category>
		<category><![CDATA[McCain]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisas]]></category>
		<category><![CDATA[Reagan]]></category>
		<category><![CDATA[Renda]]></category>
		<category><![CDATA[USA]]></category>
		<category><![CDATA[voto usa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/pesquisa-revela-perfil-do-voto-em-obama/</guid>
		<description><![CDATA[Levantamento com eleitores em todo o país mostra avanço democrata entre os jovens, independentes, mais pobres e mais ricos
&#160;
Clique na imagem para ampliar os quadros



Marjorie Connelly, The New York Times &#8211; O Estado SP
Uma pesquisa realizada pela Edison Media Research e pela Mitofsky International com 17.836 eleitores em 300 zonas eleitorais dos EUA, além de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Levantamento com eleitores em todo o país mostra avanço democrata entre os jovens, independentes, mais pobres e mais ricos</strong></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center"><em><strong>Clique na imagem para ampliar os quadros</strong></em><br />
<a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/usa_voto_sexo.jpg" title="usa_voto_sexo.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/usa_voto_sexo.jpg" alt="usa_voto_sexo.jpg" width="551" height="388" /></a></p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/pesquisa-revela-perfil-do-voto-em-obama/8422/" rel="attachment wp-att-8422" title="usa_voto_raca_regiao.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/pesquisa-revela-perfil-do-voto-em-obama/8422/" rel="attachment wp-att-8422" title="usa_voto_raca_regiao.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/usa_voto_raca_regiao.jpg" alt="usa_voto_raca_regiao.jpg" width="551" height="368" /></a></div>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Marjorie Connelly, The New York Times &#8211; O Estado SP</strong></p>
<p>Uma pesquisa realizada pela Edison Media Research e pela Mitofsky International com 17.836 eleitores em 300 zonas eleitorais dos EUA, além de 2.378 entrevistas com eleitores que votaram pelo correio ou antecipadamente, traçou o perfil do eleitorado americano na disputa pela Casa Branca. O levantamento ajuda a explicar a vitória do candidato democrata Barack Obama sobre o republicano John McCain.</p>
<p>O presidente eleito obteve vitória incontestável entre os eleitores negros, hispânicos e aqueles com menos de 30 anos. Ele fez progresso dentro de importantes grupos de indecisos, incluindo os católicos, suburbanos, independentes políticos e até mesmo entre os veteranos de guerra. Ele venceu no Meio-Oeste, onde o candidato democrata John Kerry havia sido derrotado em 2004, e conseguiu avançar entre grupos que tradicionalmente pertencem ao eleitorado republicano &#8211; brancos, conservadores, sulistas e freqüentadores da igreja.</p>
<p>Foi revelado um profundo abismo entre as gerações. Os eleitores com menos de 45 anos apoiaram Obama; aqueles acima dos 60 anos apoiaram McCain. O resto deles estava dividido.</p>
<p>A disparidade de números entre eleitores que se identificam como democratas (39%) e os que se dizem republicanos (32%) aumentou em 7 pontos porcentuais, dando aos democratas a sua maior vantagem desde 1980.</p>
<p>Entre os eleitores com menos de 30 anos Obama teve ampla vantagem (66% a 32%). Apenas Ronald Reagan em 1984 e Bill Clinton em 1992, cada qual com vantagem de 19% sobre o adversário, chegaram minimamente perto. Os eleitores mais velhos foram o único grupo etário que votou na sua maioria em McCain (51% a 47%). Eles apoiaram Reagan em 1984, mas passaram para o lado democrata durante a era Clinton. Em 2004, eles foram o grupo etário em meio ao qual Bush se mostrou mais forte.</p>
<p>Obama conquistou a maioria dos independentes (52% a 44%). Foi a primeira vez que um democrata conseguiu este resultado desde 1972. Obama obteve o apoio de 60% do eleitorado cuja renda familiar anual fica abaixo dos US$ 50 mil e da maioria dos eleitores cuja renda supera os US$ 200 mil &#8211; uma reviravolta notável para um democrata. Em 2004, o eleitorado rico era o que apoiava Bush com mais energia.</p>
<p>Obama obteve maioria no nordeste, Meio-Oeste e oeste. McCain ganhou no sul, onde os republicanos têm vencido desde 2000.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/pesquisa-revela-perfil-do-voto-em-obama/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Duas visões da vitória de Obama</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/duas-visoes-da-vitoria-de-obama/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/duas-visoes-da-vitoria-de-obama/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 10 Nov 2008 21:01:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[afro-americanos]]></category>
		<category><![CDATA[brancos]]></category>
		<category><![CDATA[Bush]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[direitos]]></category>
		<category><![CDATA[discriminação]]></category>
		<category><![CDATA[eleições USA]]></category>
		<category><![CDATA[escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[hillary]]></category>
		<category><![CDATA[Hispânicos]]></category>
		<category><![CDATA[imigrantes]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão]]></category>
		<category><![CDATA[Jornais]]></category>
		<category><![CDATA[jovens]]></category>
		<category><![CDATA[Kennedy]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdades]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[McCain]]></category>
		<category><![CDATA[minorias]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[Obama]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[recessão]]></category>
		<category><![CDATA[USA]]></category>
		<category><![CDATA[Washington]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/duas-visoes-da-vitoria-de-obama/</guid>
		<description><![CDATA[


por Luiz Weis &#8211; Verbo Solto
Deu nos jornais. Há poucas semanas, a deputada republicana Michele Bachmann, de Minnesota, disse na televisão que estava “muito preocupada” com a possibilidade de Obama ter “idéias anti-americanas”. No dia seguinte à eleição, ela se declarou “extremamente grata por termos um presidente afro-americano”. A vitória de Obama, exultou, “foi um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/duas-visoes-da-vitoria-de-obama/8414/" rel="attachment wp-att-8414" title="obama_bandeira.jpg"></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/11/obama_bandeira.jpg" alt="obama_bandeira.jpg" /></div>
<p></a></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>por Luiz Weis &#8211; <a href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id_blog=3">Verbo Solto</a></strong></p>
<p>Deu nos jornais. Há poucas semanas, a deputada republicana Michele Bachmann, de Minnesota, disse na televisão que estava “muito preocupada” com a possibilidade de Obama ter “idéias anti-americanas”. No dia seguinte à eleição, ela se declarou “extremamente grata por termos um presidente afro-americano”. A vitória de Obama, exultou, “foi um tremendo sinal que nós mandamos.”</p>
<p>Se fosse mais uma das incontáveis cenas explícitas de adesismo que os políticos se permitem o tempo todo em toda parte (Mangabeira Unger e Eduardo Paes em relação a Lula, por exemplo, guardadas as devidas), o episódio não serviria de gancho para espetar nele um comentário – ou uma provocação – sobre o que parece a este blogueiro um dos aspectos mais interessantes da eleição americana de que a imprensa mundial se ocupou, com pencas de fatos e argumentos, mas, salvo engano, sem parar para discuti-los.</p>
<p>A deputada, a rigor, não aderiu a Obama. O que ela queria, segundo uma interpretação, era “não ficar no lado errado da história”. Isso deve ser verdade também para aqueles americanos que, a julgar por suas manifestações dos últimos dias, sonhavam desde criancinha com a eleição de um negro para a Casa Branca – e com os quais não se devem confundir os milhões de pessoas, dentro e fora dos Estados Unidos, que torciam ardentemente por ele e acham que o mundo ficou melhor depois da maior das terças-feiras da história da América.</p>
<p>Mas não é nem disso que se trata exatamente. O ponto – que remete aos tais fatos e argumentos que inundaram a mídia, sem que ela os tivesse posto em debate – está no fecho da fala da senhora Bachmann.</p>
<p>Repetindo: “Foi um tremendo sinal que nós enviamos”.</p>
<p>Então lá vai: “Nós” quem, cara-pálida?</p>
<p>”Nós”, evidentemente, seriam os Estados Unidos da América – os seus valores de berço com os quais o país, sem distinções, se reencontrou elegendo Obama. Não foi ele próprio quem disse, no discurso de vitória, que a América “é o lugar onde tudo é possível”?</p>
<p>Ou, no título do editorial da edição do último domingo do Observer, de Londres: “A América restaurou a fé mundial nos seus ideais”.</p>
<p>Aceitar esses enunciados pelo seu valor de face implica, primeiro, passar batido pelo fato de que esses ideais – “democracia, liberdade, oportunidade e inabalável esperança”, Obama, no mesmo discurso – conviveram durante 76 anos (de 1787, quando foi promulgada a Consitutição de Filadélfia, a 1863, quando acabou a Guerra Civil) com a escravidão legal e, depois, durante mais de um século com a segregação racial, aberta ou disfarçada, em muitas partes da América.</p>
<p>É fato histórico que, entre abolir a escravidão e garantir a unidade das 13 colônias que viriam a formar os Estados Unidos, os “pais fundadores” escolheram a unidade.</p>
<p>É fato histórico ainda que eles adotaram um sistema político – o do voto majoritário, ou distrital, para a eleição do Congresso, combinado com a escolha em última análise indireta do presidente da República – concebido para barrar a ascensão ao poder das minorias, quaisquer que fossem. E adotaram um sistema eleitoral feito para desestimular os mais pobres a votar [“O voto americano visto do Brasil”, neste blog].</p>
<p>Mas é fato histórico também que, em matéria de liberdades individuais, a começar da mais essencial delas, a de expressão, nenhum país iguala os Estados Unidos.</p>
<p>O país, escreveu na semana passada o historiador holandês Ian Buruma, “representa o que o combalido mundo ocidental tem de melhor e de pior”. Pura verdade.</p>
<p>Em segundo lugar e mais prosaicamente, aceitar o enunciado de que “a América” elegeu Obama faria sentido se ele devesse a sua vitória a uma maioria homogênea, ou quase isso, de eleitores. Não foi assim: quem deu a Obama 65,4 milhões de votos (ante 57,4 milhões para McCain) foi uma determinada América – a coalisão de negros, jovens, mulheres e hispânicos das grandes cidades.</p>
<p>As pesquisas de boca-de-urna (depois da votação) revelaram que votaram em Obama 95% dos negros, 70% dos moradores das metrópoles, 66% dos jovens de 18 a 29 anos – o grande exército mobilizador de recursos e eleitores, via internet –, 66% também dos hispânicos e 56% das mulheres.</p>
<p>A propósito, dos eleitores de primeira viagem, 7 em 10 votaram em Obama.</p>
<p>Se dependesse apenas do voto masculino, não se sabe no que daria a eleição. Foram 49% para Obama, 48% para McCain. Se dependesse apenas do voto branco, daria McCain por 55% a 43%. Embora, proporcionalmente, mais homens brancos votaram em Obama do que em qualquer outro candidato democrata desde Jimmy Carter (1974), Bill Clinton incluído.</p>
<p>Além disso, Obama ganhou no Nordeste, no Meio-Oeste e no Oeste. Perdeu no Sul (Arkansas, Oklahoma, Louisiana, Tennessee, Missisippi, Alabama, Georgia e Carolina do Sul), embora tivesse obtido uma vitória histórica – com perdão pelo adjetivo – na Carolina do Norte.</p>
<p>A coalisão pró-Obama foi também uma coalisão de motivações – o que a ênfase no “voto da América” que percorre a mídia torna mais difícil discernir.</p>
<p>Os negros votaram em Obama, antes de tudo, porque era o primeiro deles escolhido candidato por um dos dois grandes partidos nacionais, portanto o primeiro a ter chances reais de chegar lá.</p>
<p>O mestiço Obama, no Brasil, seria mulato. Nos Estados Unidos de duas cores, negro. E, como tal, os negros o encamparam. Perguntado, depois da vitória, se preferia se referir a Obama como meio-branco e meio-negro, ou simplesmente negro, um barman de Washington respondeu: “Negro. Porque significa mais.”</p>
<p>Não menos revelador – e neste caso também por relativizar a teoria de que “a América” elegeu Obama – foi um comentário recolhido pelo correspondente do Globo em Washington, José Meirelles Passos, em Birmingham, Alabama.</p>
<p>“Sempre houve, no fundo, a sensação de que os negros não podiam ser parte do povo americano, e muito menos do sonho americano”, disse-lhe Jacqueline Wood, diretora-assistente do Programa de Estudos Afro-Americanos da Universidade do Alabama. “Nós estávamos sentados na cozinha. Agora passamos para a sala de visitas.”</p>
<p>Os jovens votaram em Obama principalmente por se identificar com o mais inspirador (“Yes, we can”) dos políticos americanos desde John Kennedy e decerto o mais singular deles: pelas origens, trajetória, personalidade, estampa – e coolness.</p>
<p>Também junto às mulheres funcionaram as suas “armas de atração em massa”. Com uma particularidade que, de novo salvo engano, só foi destacada na imprensa graças a um artigo no New York Times da sexta-feira, 7, pelo sociólogo jamaicano Orlando Patterson, da Universidade Harvard.</p>
<p>”Essa campanha, de maneira notável, foi uma reencenação da inteira e entrelaçada luta de negros e mulheres pela inclusão política”, observou. “A primeira vez que rejeitaram o seu confinamento ao papel de virtuosa maternidade na esfera privada no início da República foi ao liderar o combate muito público pela abolição da escravatura.”</p>
<p>As conquistas negras sempre pressagiaram os avanços femininos, lembra Patterson, “embora não sempre pelos motivos mais nobres”. Ou seja, o movimento pela emancipação das mulheres se nutria da seguinte rationale: afinal, se os negros podem votar, podem encontrar na lei proteção contra a discriminação e disputar cargos eletivos, por que não nós, mulheres?</p>
<p>A partir dos anos 1980, pela primeira vez desde que passaram a ter direito ao voto, as mulheres passaram a votar proporcionalmente mais do que os homens e em candidatos comparativamente mais progressistas.</p>
<p>”Em termos demográficos crus, o mais importante fator da vitória de Obama foi a margem de 13 pontos a seu favor no eleitorado feminino”, assinala o sociólogo.</p>
<p>De fato, a vantagem de Obama foi relativamente maior entre os mais jovens. Mas estes são apenas 18% do eleitorado. Vale para os hispânicos: como os jovens, 2 em cada 3 deles votaram em Obama; mas representam somente 8% do eleitorado. Já as mulheres (56% pró-Obama) pesaram mais porque são 53% do eleitorado.</p>
<p>E os trabalhadores brancos, aqueles a quem, nas prévias do Partido Democrata, e no seu pior momento, Hillary Clinton pediu o voto com uma mensagem que se curvava ao seu preconceito (”Hard-working Americans; White hard-working Americans…”)? O que levou sabe-se lá quantos deles a votar em Obama?</p>
<p>A resposta, numa palavra, parece ter sido a crise. Como se tivessem posto num dos pratos da balança o medo de ter um presidente negro, no outro o medo de ter um presidente branco incapaz de salvá-los do naufrágio econômico.</p>
<p>O New York Times ouviu um deles, no subúrbio de Levittown, Pensilvânia (Estado em que McCain investiu pesadamente, em vão, na reta final da campanha). O técnico em ar-condicionado Joe Sinitski disse ao repórter Michael Sokolove:</p>
<p>”Durante muito tempo eu não podia ignorar o fato de que Obama é negro, se é que me entende. Não me orgulho disso, mas fui criado a pensar que não há negros bons. Eu podia ver que ele é muito inteligente, e isso conta para mim, mas meu instinto ainda era o de fechar com o branco. Mas, quando ele escolheu [a governadora do Alasca] Sandra Palin para vice, com todos os problemas que a gente tem, isso não mostrou inteligência da parte de McCain. Não dizia coisa boa dele em geral.”</p>
<p>O interesse próprio prevaleceu sobre o racismo, em suma.</p>
<p>O que vai acontecer com o racismo americano não se pode prever. O lugar-comum que se encontra numa página dos jornais e na outra também é que o próprio triunfo de Obama – e a sua repercussão mundial sem paralelo – funciona por si só como um breve contra o preconceito.</p>
<p>Tomara. Afinal, o homem tem uma capacidade única de fazer com que as pessoas ponham para fora o que têm de melhor. A euforia dos europeus, por exemplo, é o reverso da medalha da hostilidade européia aos imigrantes, principalmente de pele escura.</p>
<p>Mas, nos Estados Unidos, há apenas quatro meses uma pesquisa nacional mostrou que apenas 30% dos eleitores brancos diziam ter uma opinião favorável de Obama. E mais: cerca de 60% dos entrevistados negros – e não mais de 34% dos brancos – achavam que as relações raciais no país são em geral ruins.</p>
<p>A pesquisa revelou que muitos padrões raciais na sociedade americana permanecem intocados nos anos recentes. Muito pouco mudou no componente racial da vida cotidiana no país desde 2000, quando o New York Times publicou uma série de reportagens intitulada “Como a raça é vivida na América”.</p>
<p>Exemplo: mais de 40% por cento dos negros americanos acham que foram parados pela polícia por causa da cor de sua pele, a mesmo índice de respostas da pesquisa de oito anos atrás.</p>
<p>”Devagar com o andor pós-racial”, escreveu na Folha o correspondente Sérgio Dávila. “Os Estados Unidos mudaram, os novos eleitores e os eleitores novos ajudaram a eleger Barack Obama – mas foi preciso uma crise econômica sem precedentes e o equivalente ao gênio negro na política concorrendo para que isso acontecesse.”</p>
<p>Toda eleição, obviamente, tem a sua circunstância. A desta, nos Estados Unidos, se chamou George W. Bush, atolando americanos em duas guerras, nos maiores índices de pobreza e desigualdade desde os impropriamente chamados Anos Dourados (a década de 1920), e, enfim, no colapso financeiro e na recessão.</p>
<p>Foi o que decidiu a parada em favor de Obama. Antes do derretimento de Wall Street, não custa lembrar, ele e McCain estavam cabeça a cabeça nas pesquisas.</p>
<p>Então, uma coisa é dizer que Obama encarna o que a América tem de melhor ou que a América ficou melhor com a sua vitória. Outra coisa é dizer que o resultado eleitoral comprova a excepcionalidade dos Estados Unidos, o poderio incomparável de seus valores.</p>
<p>A imprensa ficou devendo um debate sobre essas duas visões – um debate, em suma, sobre a democracia na América.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/duas-visoes-da-vitoria-de-obama/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Universitários das cotas conquistam sucesso no mercado</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/universitarios-das-cotas-conquistam-sucesso-no-mercado/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/universitarios-das-cotas-conquistam-sucesso-no-mercado/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 09 Nov 2008 16:17:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[alunos]]></category>
		<category><![CDATA[Bolsas]]></category>
		<category><![CDATA[brancos]]></category>
		<category><![CDATA[cotas]]></category>
		<category><![CDATA[direitos]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[escolas]]></category>
		<category><![CDATA[estudantes]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Mercados]]></category>
		<category><![CDATA[minorias]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[ONG]]></category>
		<category><![CDATA[periferia]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[professores]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[salários]]></category>
		<category><![CDATA[universidades]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/universitarios-das-cotas-conquistam-sucesso-no-mercado/</guid>
		<description><![CDATA[
Vindos de comunidades pobres, os estudantes negros precisam superar o preconceito na sala de aula
Márcia Vieira &#8211; AE
RIO &#8211; Jocelene de Assis Ignácio, 37 anos, ainda lembra com tristeza do dia em que, há 13 anos, entrou no banheiro da PUC, universidade de elite da zona sul do Rio, e viu símbolos nazistas desenhados na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://palavrassussurradas.files.wordpress.com/2008/01/negrofaculdade.jpg" alt="http://palavrassussurradas.files.wordpress.com/2008/01/negrofaculdade.jpg" /></div>
<p><strong>Vindos de comunidades pobres, os estudantes negros precisam superar o preconceito na sala de aula</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Márcia Vieira &#8211; AE</strong></p>
<p>RIO &#8211; Jocelene de Assis Ignácio, 37 anos, ainda lembra com tristeza do dia em que, há 13 anos, entrou no banheiro da PUC, universidade de elite da zona sul do Rio, e viu símbolos nazistas desenhados na parede ao lado da frase &#8220;os alunos da Baixada vão baixar o coeficiente de notas da PUC&#8221;. &#8220;Eles, brancos de classe média, eram os filhos da PUC. Nós éramos os filhos bastardos da PUC&#8221;, compara. &#8220;Mas eles se deram mal. Ninguém ia sair lá do pé da serra de Petrópolis, gastar quatro horas por dia no trem e no ônibus, para tirar cinco na universidade. A gente sempre estudou muito e perseguiu a nota alta.&#8221;</p>
<p>Negra, caçula dos sete filhos de uma servente, órfã de pai desde os nove meses de idade e moradora de Mesquita, na Baixada Fluminense, um bolsão de pobreza na periferia do Rio, Jocelene foi da primeira turma de alunos pobres a entrar para PUC, em 1995, num programa que precedeu a discussão sobre cotas nas universidades brasileiras. Foi um acordo entre Frei David Santos, fundador do Pré-Vestibular para Negros e Carentes, e a PUC que garantiu a bolsa para os alunos que passassem no vestibular.A discussão sobre a política de cotas nas universidades brasileiras ainda está longe de acabar. Tramita no Congresso Nacional há nove anos, sem prazo para votação, um projeto que reserva 50% das vagas nas universidades federais para alunos da rede pública. O debate é acalorado. De um lado, fala-se em racismo e justiça social. De outro, argumenta-se com o medo que a reserva de cotas baixe o nível do ensino nas universidades brasileiras. Mesmo nas 35 instituições que já aderiram às cotas para inclusão de alunos pobres, ainda não há estudos suficientes sobre a eficácia do sistema.</p>
<p>Nas duas universidades cariocas, PUC (privada), e UERJ (pública), com sistema de cotas há cinco anos, há alguns sinais do resultado da convivência entre alunos pobres, de classe média e da elite carioca dentro do campus. As taxas de aprovação nas disciplinas e de evasão dos alunos pobres são iguais as dos outros alunos. A convivência dentro da universidade entre bolsistas ou cotistas, de um lado, e professores e alunos tradicionais, de outro, ainda é conflituosa. E não resta dúvida de que a passagem pela universidade transforma a vida, para melhor, dos alunos beneficiados.</p>
<p>Andréia Clapp Salvador, professora de Serviço Social da PUC, acabou de apresentar sua tese de doutorado sobre o assunto. Em &#8220;Estudo da Política de Inserção de Alunos Pobres e Negros na PUC-Rio&#8221; ela conta como foi a passagem pela universidade e o que aconteceu com os jovens que entraram pelo sistema de bolsas entre 1993 e 2001. &#8220;Eles passaram por muitas dificuldades, sobretudo econômicas, e sofreram o que eles chamam de preconceito de nota porque achavam que alguns professores não confiavam na capacidade de aprendizado deles. Mas se formaram no prazo normal e saíram daqui trabalhando nas profissões que escolheram&#8221;, diz. &#8220;Chama atenção também o fato de eles serem muito politizados e extremamente solidários entre eles.&#8221;</p>
<p>Os primeiros alunos bolsistas da PUC, todos da área social ou de humanas, formaram uma espécie de rede de proteção para sobreviver dentro do campus. Quem tinha dinheiro pagava um prato no bandejão, que era dividido com mais dois amigos. Quem era chamado para um estágio levava junto outro bolsista. Um lia o trabalho do outro. Alugavam um quitinete de 30 metros quadrados no edifício Minhocão, ao lado da PUC, onde dormiam até nove alunos que não tinham dinheiro para passagem. Andavam sempre juntos. Juntos organizaram a Semana de Consciência Negra na PUC, despertando manifestações dos alunos tradicionais, que ameaçaram fazer a Semana de Consciência Branca.</p>
<p>Jocelene é uma das lideranças desta rede. Entrou para Serviço Social, assim como a maioria dos alunos do PVNC daquele ano. &#8220;Só duas alunas na turma não eram bolsistas&#8221;, lembra. Tomou tanto gosto pelo estudo que depois fez especialização na UFRJ, mestrado na UniRio e agora estuda no doutorado da PUC. Com tantos diplomas passou no concurso da prefeitura do Rio para assistente social. Ganha algo em torno de R$ 2,5 mil, um salário inimaginável para todas as suas amigas de infância. Umas são empregadas domésticas. Outras caixas de farmácia. A maioria está desempregada. Jocelene, que agora vive num apartamento alugado na Lapa, centro do Rio, convenceu duas irmãs a fazerem faculdade (uma em biologia e outra em geografia). Sonha ainda em fazer pós-doutorado na França e comprar um apartamento próprio. Mas acha que nunca vai  parar de brigar. &#8220;Não tenho paz nunca. O tempo todo eu tenho que provar que sou capaz. Foi assim na PUC. É assim no mercado de trabalho.&#8221;</p>
<p>A vida não é mais fácil na UERJ. Mariana Ferreira, aluna de direito da primeira turma de cotistas, lembra dos embates em sala. &#8220;As aulas eram muito efervescentes. A gente chegou com o pé na porta. Não entramos pedindo licença&#8221;, lembra. &#8220;Em algumas turmas no curso de direito ainda hoje existe uma divisão. De um lado da sala ficam os cotistas, do outro os não cotistas. É muito triste.&#8221; Mesmo assim, continua achando que o sistema é o melhor para promover mudança social. Mas reconhece que a vida fora da universidade é difícil. &#8220;O diploma de direito da UERJ abre muitas portas, mas mulher negra, de cabelo trançado como eu não consegue estágio fácil em escritório. Só consegui em setor público.&#8221;</p>
<p>A batalha de Johny Fernandes Giffoni, branco, morador da comunidade do Anil, na zona oeste do Rio, é para entrar no mercado de trabalho. Filho de um motorista e de uma dona de casa, entrou para um dos cursos mais disputados da PUC, o de direito. No vestibular de 1999, passou na reclassificação junto com outros oito bolsistas numa turma de 40 alunos. No mesmo ano montou uma chapa de bolsistas e não bolsistas para o DCE (Diretório Central de Estudantes). Ganhou, mas na festa da vitória, sentiu na pele a primeira manifestação contra a sua presença na faculdade. &#8220;Uma galera, que tinha sido derrotada, cercou a gente e começou a gritar ‘seu bando de favelados, voltem para o lugar de onde vieram’. Um amigo meu partiu para cima, mas a gente segurou a onda, os seguranças apareceram e não rolou pancadaria.&#8221;</p>
<p>Na sala, quase apanhou dos amigos no debate sobre pena de morte. Ele e os outros bolsistas eram contra. Uma grande parcela dos outros alunos a favor. As divergências eram corriqueiras. &#8220;Eles queriam discutir leis de debêntures. Eu queria discutir direito do favelado construir na laje&#8221;, lembra com bom humor. Tempos difíceis, mas inesquecíveis. &#8220;Foi a melhor fase da minha vida. Eu tinha que estudar três vezes mais do que o aluno tradicional, mas cresci intelectualmente, aprendi uma profissão e no meu reboque virão mais uns dez jovens da minha comunidade que antes achavam ser impossível fazer universidade.&#8221; O único problema é que a família e os vizinhos esperam que Johny fique rico depois de estudar cinco anos na PUC. &#8220;Dizem que se eu não ficar rico, ninguém mais fica no Anil.&#8221;</p>
<p>Mais do que ficar rico, seu sonho é ser defensor público. &#8220;Não posso colocar terno e gravata e ir trabalhar num escritório. O lugar de onde eu vim continua igual. A milícia e o tráfico dominam, o esgoto não é tratado, falta água, a escola pública é ruim. Ser defensor é um projeto ideológico-político.&#8221; Desde 2005 vem tentando um lugar na defensoria estadual. Não passou nas provas do Rio e de São Paulo. Mas insiste. Todo dia estuda pelo menos oito horas uma sala da PUC para o concurso em Mato Grosso do Sul e em Belo Horizonte. Vive com os R$ 400 que ganha dando aulas num curso técnico e no pré-vestibular comunitário. &#8220;Se eu passar vou ganhar um ótimo salário (cerca de R$11 mil no Mato Grosso do Sul) e ainda trabalhar no que eu gosto. Não existe um defensor público vindo da pobreza. Temos que abrir mais esse caminho.&#8221;</p>
<p>O diploma de geógrafo pela PUC garantiu a Carlos Humberto da Silva, um ex-office boy, morador de Nova Iguaçu, até uma passagem por Harvard, a universidade americana. &#8220;Fui o primeiro brasileiro que participou do programa piloto promovido pela Harvard e a PUC.&#8221; Passou também seis meses no México trabalhando numa ONG. Agora trabalha no Museu do Índio, no Rio. Só não consegue é explicar para a mãe, dona Léa, cozinheira de um hospital, o que um geógrafo faz. &#8220;Ela confunde até hoje. Disse para uma amiga, toda orgulhosa, que eu sou físico&#8221;, ri.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdofavre.ig.com.br/2008/11/universitarios-das-cotas-conquistam-sucesso-no-mercado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
