15/02/2008 - 10:25h Barbara Gancia quer me calar

Artigo publicado hoje na página 3 da Folha.

LUIS FAVRE

Ela, que se serve do poder de fogo da grande mídia para tentar destruir reputações, não tolera ser contestada com a mesma arma que usa

BARBARA GANCIA quer me calar.

Ela usa seu espaço neste jornal para me ameaçar de um processo e tentar colocar uma mordaça nos que recusam sua prepotência e seus insultos.

Ela está descontrolada porque, em resposta a um artigo cheio de prepotência, arrogância e insultos, ousei escrever no meu blog, no artigo “Latem, Sancho, sinal que cavalgamos” (http://blogdofavre.ig.com.br) o que ela não quer ouvir e que vou repetir:

“2007 foi o melhor ano da história do turismo no Brasil. Apesar de todos os problemas, particularmente o da valorização do real, mas também a quebra da Varig e os atrasos nos aeroportos, o fluxo do dinheiro em divisas deixado pelos turistas no Brasil bateu todos os recordes. Imagino como seria se alguns dos articulistas antipetistas, esses de “rabo preso” com o tucanato e alérgicos a operário metalúrgico presidente, fossem ministros do Turismo e falassem, aqui e lá fora, as sandices que aqui escrevem”.

Ela, que tanto esbraveja, não gostou do “rabo preso”. Ela tampouco gostou de que eu acrescentasse:

“Se ela ministra fosse (mas por enquanto esse risco o Brasil não corre), ela iria dizer nos foros internacionais o que ela e uma parte da mídia repetem incansavelmente, mas que, como mostram as pesquisas, o povo não compra. A saber: que o país vive um apagão aéreo, dobrado de um apagão elétrico. Que sofremos uma epidemia de febre amarela, mas que não adianta vir vacinado pois os turistas vão enfrentar taxas de homicídios de outro planeta. Que, salvo a cidade de São Paulo, cidade limpa, como todos sabem, onde a taxa de homicídios (particularmente nos Jardins, Pinheiros e a rua de Barbara Gancia) é a mesma de Paris, melhor se abster de circular no resto de nosso paraíso tropical.”

Ao contrário dessa torcida do contra, a ministra do Turismo calmamente explicou em Madri que não há epidemia de febre amarela e que somente as pessoas que forem para regiões de risco devem ser vacinadas. Disse também que os problemas encontrados com o tráfego aéreo estão em vias de solução, mas que não são piores que os enfrentados pelos aeroportos de Londres ou pelo JFK em Nova York. Afirmou também que, se é verdade que a violência existe, pelo menos no Brasil não há terrorismo, nem ameaças desse tipo, como ocorre na França, na Inglaterra e na Espanha, por exemplo. Que aqui não há terremotos nem tsunamis. Resumindo, defendeu o Brasil e mostrou que vale a pena visitá-lo e conhecê-lo.

Nada diferente do que disse, por exemplo, o “Valor Econômico”: “Os espanhóis têm procurado mais a costa brasileira por dois fatores: o primeiro deles, segundo fontes do setor, é a saturação do turismo no litoral sul da Espanha. Outro fator é que o atentado terrorista do 11 de Setembro nos Estados Unidos e o tsunami na Tailândia acabaram tornando a costa brasileira mais atrativa e segura para turistas estrangeiros, sobretudo o europeu”. (1º/2/2008).

Tampouco muito diferente do que, sobre a “epidemia”de febre amarela, afirmou o próprio ombudsman da Folha: “Acontece que desde 1942 não se conhece no Brasil transmissão de febre amarela em reduto urbano. A informação foi veiculada, mas o tom predominante, mostram os títulos da capa, foi o de escalada”. (27/1/2008).

Mas quando falta a razão, sobram os impropérios. A irritação e a contrariedade de alguns se entende, pois mesmo com suas penas servindo os que procuram desmoralizar o governo e promover o ódio e a rejeição de suas figuras mais populares, a avaliação majoritária da população é que o Brasil está no caminho certo.
Por isso, Barbara Gancia quer me calar com um processo e assim cercear meu direito à liberdade de expressão e de opinião. Ela, que se serve do poder de fogo da grande mídia para tentar destruir reputações, colar etiquetas e adjetivos pejorativos contra uns, obsequiosos para outros, não tolera ser contestada com a mesma arma que ela invoca para realizar sua tarefa política: minha liberdade de opinião e de expressão.

Solicitei à Folha de S.Paulo o direito de responder no mesmo espaço onde fui atacado e ameaçado, permitindo que o despropósito da jornalista seja respondido. A Folha aceitou meu pedido e está de parabéns.


LUIS FAVRE, 58, é publicitário especializado em marketing eleitoral. É casado com a ministra do Turismo, Marta Suplicy.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

10/02/2008 - 10:42h Folia do carnaval? Leitor da Folha é palhaço?

Cartões federais e estaduais

Com boas reportagens, a Folha tem se pautado pelo interesse público ao informar sobre gastos do governo federal com cartões corporativos.
Uma falha da cobertura evidenciou-se anteontem, com a primeira informação sobre o uso de cartões pelo governo do Estado de SP. Por que o jornal passou semanas fiscalizando só um nível da administração, descuidando-se de outros dois (incluo o governo da capital)?
A pedido de leitores, indaguei à Redação se ela tinha a notícia havia mais tempo.
Resposta: “A reportagem do jornal recebeu uma lista de uma fonte do PT na sexta-feira véspera do feriado. Apenas com o papel, não havia como comprovar nem a autenticidade nem a veracidade dos números. Fizemos desde o primeiro instante o trabalho de apuração necessário, seguindo os procedimentos de checagem que constam do “Manual da Redação”. O feriado infelizmente dificultou e atrasou esse trabalho, já que nem o governo de São Paulo nem a Assembléia Legislativa trabalharam até quarta-feira”.
“Quando conseguimos fechar a apuração, publicamos o resultado com o destaque que o jornal considerou devido.”
Em minha opinião, o problema não é pontual. Por que a Folha esperou a denúncia partidária para investigar os cartões “paulistas”? Cabe ao jornalismo monitorar o poder, todos os poderes, sem exceção nem seleção.
E com sobriedade.

Mário Magalhães é o ombudsman da Folha desde 5 de abril de 2007. O ombudsman tem mandato de um ano, renovável por mais dois. Não pode ser demitido durante o exercício da função e tem estabilidade por seis meses após deixá-la. Suas atribuições são criticar o jornal sob a perspectiva dos leitores, recebendo e verificando suas reclamações, e comentar, aos domingos, o noticiário dos meios de comunicação.

Cartas: al. Barão de Limeira 425, 8º andar, São Paulo, SP CEP 01202-900, a/c Mário Magalhães/ombudsman, ou pelo fax (011) 3224-3895.
Endereço eletrônico: ombudsman@uol.com.br.
Contatos telefônicos: ligue 0800 0159000; se deixar recado na secretária eletrônica, informe telefone de contato no horário de atendimento, entre 14h e 18h, de segunda a sexta-feira.
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09/02/2008 - 13:46h CONCEIÇÃO LEMES: “UM VERDADEIRO CRIME CONTRA A SAÚDE PÚBLICA”

do Blog de Azenha, Vi o mundo

O texto abaixo nasceu de uma troca de mensagens que tive com a jornalista Conceição Lemes. Tanto quanto eu, ela ficou alarmada com o tratamento irresponsável que a mídia brasileira deu à epidemia de febre amarela, tão real quanto as armas de destruição em massa que até hoje são procuradas no Iraque. Dessa troca de mensagens nasceu a idéia de produzir um texto com o objetivo de fazer o que muitos não fizeram: bem informar o público. Por isso, convoco todos os leitores a disseminá-lo. E todos os blogueiros a reproduzí-lo. Quem quiser, imprima o texto.

Vou contar um causo verdadeiro para explicar que, mesmo que você não acredite, essa internet funciona. Fiz uma entrevista para o site com o dr. Granato, da UNIFESP. Na entrevista, pedi ao médico um conselho: minha mãe, de 83 anos de idade, moradora de Bauru, deveria ou não se vacinar? Minha mãe não lê o meu site. Porém, uma rádio de Bauru capturou o áudio da entrevista e colocou no ar. E minha mãe, ao ouvir a entrevista que fiz com o dr. Granato, finalmente se tranqüilizou e NÃO tomou a vacina, o que ela havia considerado fazer. Portanto, peço a vocês que tratem o artigo abaixo como uma peça de contra-desinformação.

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09/02/2008 - 03:39h Painel da Folha

De luxo. A equipe de José Serra (PSDB) argumenta que a compra de vale-transporte está entre as principais despesas de seus cartões. Mas, na Casa Civil do governo paulista, não chama a atenção o gasto com passes, e sim os R$ 300 mil usados para alugar carros e aeronaves em 2007, de acordo com levantamento da 1.ª Secretaria da Assembléia.

08/02/2008 - 19:28h Coerência (2)

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Ontem conclui meu post Coerência assim:

“A mídia e a população tem direito sim de saber se tal ou qual ministro ou funcionário usou o cartão corporativo para pagar uma viagem privada, ou beneficiar indevidamente amigos, correligionários ou parentes. Como teria também o direito de saber se o governador de São Paulo, que foi pular o carnaval no camarote do governador de Rio e depois viajou para visitar sua filha em Trancoso, na Bahia, usou o jatinho do governo estadual ou avião de carreira pago pelo próprio bolso.

Trata-se de uma cobrança e fiscalização legitima, valida para qualquer governo, de qualquer partido, e que a mídia deve exercer com liberdade e sem cerceamento nenhum. Sempre com o mesmo rigor, com o mesmo equilíbrio e a mesma sobriedade.

Talvez esse rigor, equilibro e sobriedade faltem. Nosso dever como cidadãos é exigir esta conduta da própria mídia, se vier a falhar.

Vamos aguardar.”

Hoje a Folha de São Paulo, agindo com coerência, mostrou que a questão dos cartões concerne tanto o governo federal como o governo estadual de São Paulo. Confirmou o que Paulo Henrique Amorim tinha publicado. A Folha está de parabéns por transmitir a informação e com destaque.

Mas é dever do jornalismo ir além e investigar se há ilícito, erro, abuso ou não. Não basta dizer que é muito dinheiro e limitar-se a uma insinuação generalizada que leva descrédito aos políticos em geral e desmoraliza as instituições, reforçando um udenismo infantil.

O jornalista Josias de Souza disse no seu blog:

“Gestão Serra gastou R$ 108 milhões com ‘cartões’

Aos pouquinhos, a farra dos cartões governamentais vai se transformando numa encrenca suprapartidária. Iluminando-se os subterrâneos financeiros da gestão de José Serra no governo de São Paulo, descobre-se que o tucanato comparece à encrenca dos cartões em posição nada confortável.

Notícia veiculada pela Folha nesta sexta-feira (8) informa que, em 2007, o governo paulista torrou notáveis R$ 108.384.269,26 em dinheiro de plástico, chamado em São Paulo de “cartão de débito”. É uma quantia bem mais vistosa do que os R$ 78 milhões que os cartões corporativos federais despejaram no mercado durante o ano passado.

Há em São Paulo 42.315 cartões. De novo, muito mais do que o congênere federal: oficialmente, a CGU (Controladoria-Geral da República) diz que somam 7.145 os funcionários autorizados a portar os cartões federais. Extra-oficialmente, estima-se que o número de cartões passa de 11 mil.

Há mais: sob Serra, também se utiliza o cartão financiado com verba pública para efetuar saques na boca de caixas eletrônicos. Procedimento vivamente desaconselhado pelo TCU. Do total gasto em São Paulo no ano de 2007, 44,58% deixou o erário na forma de saques. Coisa de R$ 48,3 milhões. Na esfera federal, os saques somaram 75,26% do total.

Há pior: na administração tucana, a transparência é menor, muito menor, diminuta. As despesas com cartões só estão disponíveis no sistema informatizado que serve aos deputados na Assembléia Legislativa de São Paulo. Em Brasília, a maior parte dos dados encontra-se ao alcance de qualquer brasileiro no chamado Portal da Transparência.

O governo de São Paulo tampouco está imune aos gastos de aparência exótica. Por exemplo:

Em 28 de julho de 2007, um dos cartões da administração paulista deixou R$ 597 na Spicy, uma conhecida loja de acessórios chiques para cozinha. O que foi comprado? Os computadores da Assembléia não trazem a informação. Limita-se a anotar a saída do numerário, num item batizado de “despesas miúdas e de pronto pagamento”.

Em 4 de abril do ano passado, pagou-se com um cartão do governo de São Paulo R$ 977 na loja de presentes Mickey. De novo, “despesas miúdas e de pronto pagamento”.

Em 11 de maio de 2007, foram à caixa registradora de uma churrascaria paulistana R$ 6.500. Despesa realizada com um cartão da Secretaria de Segurança.”

Volto a repetir, existe ilícito no uso dos cartões do governo Serra? A mídia investigou?

Os autores de petições em favor de CPI em Brasilía vão agora exigir CPI em São Paulo? Vão dizer que não sabiam?

Faz duas semanas que se fala nos cartões e até o ombudsman da Folha dizia ontem que não sabia se os governos estaduais também tinham cartões com as mesmas características.

E todos aqueles que falavam que eram montanhas de dinheiro? Vão agora dizer que a montanha tucana de dinheiro é bem maior?

Aonde leva um debate público nesses termos?

Não compartilho da propagação de insinuações e não penso que ela contribua para aprimorar a democracia brasileira.

Luis Favre

08/02/2008 - 18:27h Cavalgando

A minha primeira resposta ao artigo de Barbara Gancia contra Marta Suplicy está no link:

Latem, Sancho, sinal que cavalgamos.

A resposta ao artigo de hoje esta aqui embaixo

08/02/2008 - 15:59h Barbara Gancia, No me callarás! (não me calaras)

Barbara Gancia reagiu irritadíssima ao artigo que escrevi mostrando-a tendenciosa, agressiva e, ao meu ver, despreparada para o cargo que ocupa de editorialista da Folha de São Paulo.

São minhas opiniões e minha liberdade de expressão, amparadas na liberdade de imprensa que agora, com a arrogância que todos conhecem, ela quer amordaçar.

Sim, Barbara Gancia usa o poder que ela tem do alto de seu jornal para me ameaçar com um processo , porque, sem ânimo de ofender ninguém, mas usando das prerrogativas invocadas regularmente por um setor da mídia que afabula o nome de minha esposa, Marta Suplicy, com epítetos nada generosos, tenho exercitado meu direito, sacro santo do jornalismo: a liberdade.

Curioso, não?

Pimenta nos olhos dos outros é refresco, diz o ditado e quanta verdade ele desnuda.

Barbara Gancia ficou irritada porque mostrei a “nobre” motivação dos seus ataques desbocados contra Marta. Ela escreveu quais eram essas “motivações”: “tenho vontade de arrancar os cabelos e as vestes quando penso que votei em Martaxa. E que passei os últimos dois anos da prefeitura dela engolindo o monóxido de carbono dos veículos desviados da av. Cidade Jardim em direção à minha rua. “ eu acrescentei e repito: “Como se vê alto interesse público na motivação.”

Ela quer me calar com um processo e assim cercear meu direito a liberdade de expressão e de opinião, porque eu teria dito que ela se enquadra na categoria dos jornalistas tucanófilos. Aqueles que utilizam o poder de fogo da grande mídia, diferente deste pequeno e semi-clandestino blog, para destruir reputações, atingir imagens de pessoas públicas, petistas ou não, colar etiquetas e adjetivos pejorativos contra uns, obsequiosos para outros.

Barbara Gancia não tolera ser contestada com a mesma arma que ela invoca para realizar sua tarefa política. Sim, tarefa política visando a incentivar rejeição contra seus desafetos políticos e em favor dos adversários deles. Do alto de seu poder de influenciar ela pretende calar quem a conteste. Ela falar de martaxa, pode. Ela falar de lambaça, pode. Ela vociferar: “hoje me sinto à vontade para esbravejar: por qué no te callas, Martaxa?”, pode.

Aliás, a expressão por qué no te callas é da “mordaça” mesmo.

E bem, acabou essa de calar nossa voz. Internet quebrou o monopólio das Barbaras Gancias da vida de esbravejar a vontade para impor suas escolhas, sem que outras vozes possam ser também ouvidas. A minha esta no http://Blogdofavre.ig.com.br/

Vou repetir o que eu escrevi e que motiva tanto ódio de Barbara Gancia.

“Imagino como seria se alguns dos articulistas anti-petistas, esses de “rabo preso” com o tucanato e alérgicos a operário metalúrgico presidente, fossem Ministro de Turismo e falassem aqui e lá fora, as sandices que aqui escrevem.”

E acrescentei:

“Se ela (Barbara Gancia) ministra fosse (mas por enquanto esse risco o Brasil não corre), ela iria dizer nos foros internacionais o que ela e uma parte da mídia repete incansavelmente, mas que como mostram as pesquisas, o povo não compra. A saber que o país vive um apagão aéreo, dobrado de um apagão elétrico. Que sofremos uma epidemia de febre amarela, mas que não adianta vir vacinados pois os turistas vão enfrentar taxas de homicídios de outro planeta. Que salvo a cidade de São Paulo, cidade limpa como todos sabem, onde a taxa de homicídios (particularmente nos jardins, pinheiros e a rua de Barbara Gancia) são as mesmas de Paris, melhor se abster de circular no resto de nosso paraíso tropical.”

Entendo que posta a nu, ela reaja irritadíssima. Algumas pessoas não gostam de ser expostas pelo que são, preferem vender ilusão, reagindo com autoritarismo, ameaças e despropósitos quando os holofotes viram para elas.

Luis Favre

PS No artigo de hoje, Barbara Gancia disse:

“Diz também o senhor Luis Favre (ou Felipe Belisário Wermus, nunca sei como me referir a ele) que tenho “ódio” e “inveja” de Marta Suplicy. Não tenho ódio, não, isso é coisa da esquerda maniqueísta.
Apesar de minhas eventuais críticas, acho a figura de Marta simpática, controvertida, moderna e menos perniciosa à vida pública do país do que tantos vilões de verdade que andam por aí.
Até daria uma nota seis à sua administração em São Paulo, a despeito do túnel inútil que ela mandou construir quase na porta da minha casa.”

No artigo da semana retrasada, ela dizia:

“Brioche revisitada
Mais uma vez, Marta Suplicy demonstra não ter temperamento ou tino para nos representar no exterior

FAÇO PARTE daquela parcela da população que não sente a menor saudade da Marta Suplicy prefeita de São Paulo. Sempre encarei as eleições como exercício enxadrístico, e mudo meu voto a cada nova estação eleitoral de acordo com os candidatos que se apresentam e o balanço de poder que, imagino, venha a ser o menos danoso.
Fiel a essa proposição, votei em Marta nas eleições municipais de 2000 a fim de vê-la derrubar seu principal concorrente à prefeitura, o ex-prefeito Paulo Maluf.
Ah, se arrependimento matasse! Note, dileto leitor, que, para mim, Maluf não poderia nunca configurar como alternativa de voto, uma vez que, ao longo dos anos, ele parece ter adquirido o tique nervoso de me processar a cada vez que ouso mencionar seu nome (já são coisa de cinco processos formais e outras tantas tentativas de instauração de litígio repudiadas pela Justiça).
Mesmo assim, tenho vontade de arrancar os cabelos e as vestes quando penso que votei em Martaxa. E que passei os últimos dois anos da prefeitura dela engolindo o monóxido de carbono dos veículos desviados da av. Cidade Jardim em direção à minha rua, por conta das obras de um túnel que trouxe zero benefício ao trânsito e ao comércio da minha região.
É por já ter depositado meu voto na urna em proveito de dona Marta (não confundir com o morrote carioca homônimo), que hoje me sinto à vontade para esbravejar: por qué no te callas, Martaxa?”

08/02/2008 - 00:30h Ombudsman da Folha insinua parcialidade

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MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br

Pensamento único

O Painel do Leitor tem quatro cartas sobre cartões. Todas no mesmo tom.

Seria muito mais interessante se contemplasse opiniões diversas, mantendo-se como espaço plural de idéias.

Cartões paulistas?

Leitores indagam se a Folha não publicará reportagem sobre o uso de cartões corporativos no governo de SP.

Esses cartões existem? Se existem, evidentemente que há interesse público, portanto jornalístico, em saber sobre eles.

Folha: é de São Paulo

A propósito, há dias, como hoje, que a Folha simplesmente ignora o Executivo paulista.

É um desserviço aos leitores.

07/02/2008 - 15:51h Coerência


De duas coisas, uma: ou o portal Transparência, do governo federal, publica os gastos com os cartões corporativos para que a população e a mídia fiscalizem e coíbam o mau uso dos mesmos, ou o portal era só demagogia.

Por isso não compartilho da opinião dos que vêem na ação da mídia uma campanha de desestabilização do governo.

Tenho escrito aqui que a mídia inventou uma “epidemia” de febre amarela, provocando pânico na população e os fatos mostraram que lamentavelmente o intuito da mídia era claramente político. A mesma coisa com o suposto “apagão” elétrico, apregoado como um fato durante mais de quinze dias pela mídia contra o governo e que agora sumiu do noticiário.

No caso dos cartões ela estaria agindo igual?

O governo federal gasta 150 milhões por ano com esses cartões. Se eles facilitam o controle e a fiscalização, porque cobrar dos que controlando e fiscalizando indicam uso errado ou desvio, quando ele existe?

No que, o fato do governo estadual de José Serra gastar mais de 100 milhões com cartão corporativo, diminui eventual gasto incorreto de algum membro do governo federal? A questão não é quanto gasta o governo federal com os cartões, nem quanto gasta o governo estadual com eles. Mesmo que os gastos federais com os cartões diminuíram em relação a época dos tucanos. A questão é da natureza do gasto, sua pertinência com relação a lei.

Teve uso errado ou tem ilícitos no uso dos cartões do governo federal? Neste caso cabe a denúncia. O mesmo em relação ao governo estadual. Por enquanto a Ministra Matilde Ribeiro apresentou sua demissão reconhecendo ter usado de maneira errada o cartão. Do governo estadual nada foi denunciado, nem apurado e nenhum erro foi indicado.

Não vejo com bons olhos os que procuram defender o governo federal argüindo do fato que quase a metade dos gastos dos cartões corporativos do governo tucano de São Paulo foram retirada em dinheiro, na boca do caixa, o que dificulta o controle dos gastos. Como se uma insinuação contra os adversários, compensasse as insinuações contra o governo Lula.

Nada contra, no caso de uma CPI, incluir os gastos anteriores ao atual governo. Incluso porque é bom lembrar que teve ministro de FHC que usou avião da FAB para levar a familia passear em Fernando de Noronha.

Entretanto, não vejo necessidade de CPI, na medida em que os gastos estão contabilizados e documentados e que existem organismos, desde a CGU até o Ministério Público, além da brigada financeira da PF, para apurar qualquer desvio ou ilegalidade. Mas o presidente Lula decidiu que uma CPI permitira mostrar mais claramente a lisura do governo.

Volto a repetir, que o governo faça uma CPI, que a oposição demo-tucana queira surfar nos fatos, recusando toda e qualquer CPI sobre o mesmo tema no governo estadual tucano, não significa que a procura de transparência nos gastos federais e estaduais seja incorreta.

A mídia e a população tem direito sim de saber se tal ou qual ministro ou funcionário usou o cartão corporativo para pagar uma viagem privada, ou beneficiar indevidamente amigos, correligionários ou parentes. Como teria também o direito de saber se o governador de São Paulo, que foi pular o carnaval no camarote do governador de Rio e depois viajou para visitar sua filha em Trancoso, na Bahia, usou o jatinho do governo estadual ou avião de carreira pago pelo próprio bolso.

Trata-se de uma cobrança e fiscalização legitima, valida para qualquer governo, de qualquer partido, e que a mídia deve exercer com liberdade e sem cerceamento nenhum. Sempre com o mesmo rigor, com o mesmo equilíbrio e a mesma sobriedade.

Talvez esse rigor, equilibro e sobriedade faltem. Nosso dever como cidadãos é exigir esta conduta da própria mídia, se vier a falhar.

Vamos aguardar.

Luis Favre

FONTES

  • O gasto de R$ 150 milhões por ano com Cartões do governo federal foi publicado em todos os jornais, assim como o reconhecimento do erro pela então ministra Matilde Ribeiro. Os gastos superiores da época tucana no governo federal, são do blog Entrelinhas.
  • O gasto de R$ 100 milhões com Cartões do governo estadual de São Paulo, dos quais 48% em dinheiro liquido, foi publicado pelo Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim.
  • A viagem do governador Serra a Rio foi noticiada por todos os jornais e a visita no mesmo carnaval, à filha, em Trancoso, na coluna de Sonia Racy, no jornal O Estado de São Paulo.

01/02/2008 - 10:40h Latem, Sancho, sinal que cavalgamos

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Marta Suplicy, defendendo o Brasil no exterior

2007 foi o melhor ano da história do turismo no Brasil. Apesar de todos os problemas, particularmente o da valorização do Real, mas também da quebra da Varig e os atrasos nos aeroportos, o fluxo do dinheiro em divisas deixados pelos turistas no Brasil bateu todos os recordes.

Imagino como seria se alguns dos articulistas anti-petistas, esses de “rabo preso” com o tucanato e alérgicos a operário metalúrgico presidente, fossem Ministro de Turismo e falassem aqui e lá fora, as sandices que aqui escrevem.

Por exemplo a desbocada Barbara Gancia, aquela do insulto e o adjetivo fácil, que vomita regularmente no jornal Folha de São Paulo e que tem a Marta entalada na garganta (segundo ela disse, mas eu penso que não é só, pelo nobre motivo que Marta fez um túnel que obrigou os carros a ir na rua dela. Como se vê alto interesse público na motivação)

No jornal ela lança hoje mais uma diatribe contra Marta, que mal esconde o ódio pessoal e a inveja, mais que divergência ou discordância.

Se ela ministra fosse (mas por enquanto esse risco o Brasil não corre), ela iria dizer nos foros internacionais o que ela e uma parte da mídia repete incansavelmente, mas que como mostram as pesquisas, o povo não compra. A saber que o país vive um apagão aéreo, dobrado de um apagão elétrico. Que sofremos uma epidemia de febre amarela, mas que não adianta vir vacinados pois os turistas vão enfrentar taxas de homicídios de outro planeta. Que salvo a cidade de São Paulo, cidade limpa como todos sabem, onde a taxa de homicídios (particularmente nos jardins, pinheiros e a rua de Barbara Gancia) são as mesmas de Paris, melhor se abster de circular no resto de nosso paraíso tropical.

Por isso ela está arrepiada perante o fato que a Ministra de Turismo do Brasil em recente entrevista na capital espanhola, disse que não tem epidemia de febre amarela e que somente as pessoas que forem para regiões de risco devem ser vacinadas. Disse também que os problemas encontrados com o tráfico aéreo estão em vias de solução, mas que não são piores que os enfrentados pelos aeroportos de Londres ou JFK em New York. Afirmou também que se é verdade que a violência existe, pelo menos no Brasil não tem terrorismo, nem ameaças desse tipo, como tem França, Inglaterra e Espanha, por exemplo. Que aqui não tem terremotos, nem tsunamis, mesmo se parte da mídia gostaria muita vezes uma boa tragédia (isso a ministra não diz, pena). Resumindo, defendeu o Brasil e mostrou que o Brasil vale a pena ser visitado e conhecido.

Ela disse também, para desespero de tucanos e Gancias da vida, que nunca antes na história deste país um presidente teve o prestigio e reconhecimento do nosso operário metalúrgico e que isso, reforçando a imagem positiva do Brasil no exterior, ajudava muito o crescimento do turismo.

Porque defender o Brasil, defender o turismo no Brasil, é contribuir para preservar e aumentar o emprego e a renda de milhões de brasileiros, em particular dos mais pobres.

Para os colonistas* é inaceitavél.

Luis Favre

*Paulo Henrique Amorim adotou, no seu Blog ” Conversa Afiada”, o termo de “colonista”. Segundo ele, trata-se de essa legião de “colonistas”/especialistas que expõem as idéias do patrão como se fossem suas.

Se refere a “colônia”, dá a idéia de pessoa “colonizada”, submetida ao pensamento hegemônico que se originou na Metrópole e se fortaleceu nos epígonos coloniais.

Epígonos esses que, na maioria dos casos, não têm a menor idéia de como a Metrópole funciona, mas a “copiam” como se a ela pertencessem.

Nos países latino-americanos de língua espanhola utiliza-se também o termo espanhol “cipayos”.

29/01/2008 - 09:25h Os resultados da febrilidade da mídia começam a aparecer



Crescem casos de reação à vacina

O Estado de São Paulo

Em uma semana, suspeitas passaram de 31 para 43

Fabiane Leite

Em uma semana, subiu de 31 para 43 o número de pessoas que possivelmente tiveram reação adversa à vacina contra a febre amarela. Como tem afirmado o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o total de casos em que a imunização pode ter sido prejudicial já é maior do que o de confirmações de febre amarela silvestre no País: foram 19 desde dezembro, com 10 mortes , segundo o último boletim. (…)

Leia mais no jornal O Estado de São Paulo

27/01/2008 - 17:14h ALERTA AMARELO: A GLOBO NOS TEMPOS DA DENGUE E DO APAGÃO ELÉTRICO


Do Blog Vi o mundo de Luiz Carlos Azenha

Atualizado em 21 de janeiro de 2008 às 13:26 | Publicado em 21 de janeiro de 2008 às 13:22

Um leitor deste site deixou nos comentários um texto publicado pelo jornal O Globo em editorial depois da fala do ministro José Gomes Temporão na TV: “As palavras tranqüilizadoras do ministro José Gomes Temporão sobre a febre amarela em cadeia nacional na noite de domingo, tem contra si a baixa credibilidade do governo. Se tantas vezes anunciaram que o apagão aéreo havia acabado, e não era verdade, porque não fariam a mesma coisa com a febre amarela?, pode-se perguntar o brasileiro ressabiado. Diante da maré de descrença, resta a Brasília abastecer postos de saúde com vacinas e não sonegar qualquer informação sobre o que acontecer com a doença.”

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27/01/2008 - 10:05h Jornalismo febril ou politicamente orientado?




Na edição de hoje, domingo, o ombudsman da Folha faz um balanço do tratamento dado pelo jornal Folha de São Paulo a questão da febre amarela.

Eu mesmo tenho tratado aqui no blog várias vezes deste tema, mostrando a maneira pouco responsável e extremamente “política” com a qual a mídia operou sobre esta questão nos primeiros dias de janeiro 2008. O ombudsman da Folha pesquisou a maneira como o jornal tratou deste tema nos diversos anos em que a febre amarela provocou vítimas no Brasil e descobriu o que muitos já imaginávamos: em 2001, ano em que a febre amarela matou 22 pessoas só no primeiro trimestre, o tema ocupou escassas linhas numa nota perdida no interior do jornal, nunca foi para a primeira página e nenhum pedido de explicação, nem entrevista, do ministro da saúde da época. Em tempo, o ministro era José Serra e o presidente não era Lula. A seguir o artigo do ombudsman publicado na Folha de hoje.
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26/01/2008 - 14:36h Anunciando a cor: Jogo jogado no Times


Postado por Luiz Weis em Verbo Solto

Onze dias antes do que os americanos chamam Super-Terça, ou Terça-Tsunami – as eleições primárias numa vintena de Estados para a escolha dos delegados democratas e republicanos às convenções nacionais que indicarão os respectivos candidatos à Casa Branca, em novembro deste ano – o New York Times põe hoje as cartas na mesa.

Anuncia que endossa as candidaturas da senadora Hillary Clinton (democrata) e do senador John McCain (republicano). Explica por que em dois textos – o primeiro com 1147 palavras, o outro com 737.
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23/01/2008 - 12:15h País vive ‘revolta da vacina’ às avessas


Fila para vacinação contra a febre amarela no Centro de Atendimento Integrado de Saúde (Cais) do setor Garavelo, em Goiânia (GO), nesta quarta-feira (15).


Há cem anos, pessoas fugiam da vacinação no Rio; agora, febre amarela leva até quem já foi vacinado a postos
Lígia Formenti – O Estado de São Paulo

A recente corrida da população pela vacina contra febre amarela já é comparada por alguns sanitaristas com um movimento que ocorreu em 1904 no Rio, conhecido como ‘revolta da vacina’. Porém, ao contrário. No século passado, a movimentação era para evitar a vacinação. Embora o governo garantisse, na época, que a imunização era segura, ninguém a aceitava. Agora, ocorre o inverso. Embora desde o início das mortes de macacos o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assegure que não há risco de surto, pessoas de todos os locais do País – mesmo em áreas consideradas livres do problema – insistem em ser imunizadas. E, em casos extremos, mais de uma vez.
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23/01/2008 - 09:50h Qual mosquito picou a mídia?



Uma luz nas motivações febris da imprensa

As questões levantadas sobre o pânico provocado pelo boato sobre “epidemia” de febre amarela são esclarecedoras sobre a maneira e os motivos pelo qual, uma boa parte da mídia, incentivou a “corrida” pela vacina.

Hoje o jornal O Estado de São Paulo entrevista o historiador José Murilo de Carvalho, tentando desvendar o motivo da população ter considerado que devia correr aos postos de vacinação. A resposta é ” desconfiança na palavra do governo”. O jornal limita-se a perguntar, com objetividade e as reflexões são do entrevistado.

Em 15 de janeiro, depois do pronunciamento em cadeia nacional do Ministro da Saúde sobre a questão, o editorial do Estadão concluía:

“Hoje, com a revolução da tecnologia, as informações de todo tipo, inclusive as científicas e as que dizem respeito à saúde e à higiene estão ao alcance até dos analfabetos. Mas, até por ter fácil acesso às informações de todos os dias que desmoralizam governos ao exporem a facilidade com que costumam enganar o povo, é perfeitamente compreensível a desconfiança da população, quanto a desmentidos oficiais de problemas. E isso vale tanto para desmentidos de risco de apagões como de risco de epidemias. Resta esperar que a população seja capaz de se convencer da ausência de risco com o conhecimento das notícias sobre o número ínfimo de casos confirmados de febre amarela.”

Um aberto chamado a desconfiar da informação e verdadeiro incentivo ao corre, corre.

Durante os primeiros dias de janeiro cada intervenção do Ministro da Saúde para transmitir informação clara e segura sobre o tema levava quase sempre o termo epidemia na manchete. “Ministro nega epidemia… após novos casos e mortes…”. A articulista Eliane Cantanhêde, da Folha, gritava com todas suas forças:

“Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem… Vacine-se logo! ”

Hoje o Estadão nos informa que “País vive “revolta da vacina”às avessas” e que “há mais gente com efeito colateral das doses do que com suspeita da febre”.

E a culpa seria do governo?

A “epidemia” de febre amarela e o “apagão” da eletricidade foram os grandes temas da mídia deste começo de 2008. Cada negação do governo era posta na conta de querer esconder a incompetência, negando a evidência. Tínhamos epidemia e não tínhamos luz esse era o mantra.

Agora já não temos epidemia, mas para alguns jornais ainda não temos luz, mesmo assim podemos pelo menos ler e saber como somos (des) informados.

Luis Favre

‘A população evoluiu nessa questão, o governo, não’

O Estado de São Paulo

Entrevista
José Murilo de Carvalho: historiador
Estudioso acredita que pessoas compreenderam a importância da vacina, mas ainda não confiam no discurso das autoridades

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22/01/2008 - 16:59h Ombudsman da Folha: Alarmismo do jornalismo sobre a febre amarela


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Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
O ombudsman Mário Magalhães

MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br

Quem sabe sabe

O artigo de Adib Jatene na seção Tendências/Debates reforça a impressão de que houve exagero e alarmismo no jornalismo brasileiro na cobertura sobre febre amarela.

22/01/2008 - 16:28h Pânico na população, difundido pela mídia, é desmontado por Adib Jatene




TENDÊNCIAS/DEBATES

Febre amarela

ADIB D. JATENE


A corrida pela vacina por pessoas que não precisam dela reduz a disponibilidade para os que efetivamente têm necessidade


NO PERÍODO em que estive à frente do Ministério da Saúde, tomei conhecimento da importância da relação entre dengue e febre amarela silvestre e o eventual risco da reurbanização desta última.
Desde 1942, não ocorreu nenhum caso de febre amarela urbana. Entretanto, persiste, e é impossível eliminar, sua forma silvestre.
É por essa razão que o Ministério da Saúde vem vacinando sistematicamente toda a população das áreas de risco, onde há ocorrência de casos humanos, adquiridos sempre nas áreas de mata. Já vacinamos, nos últimos 12 anos, mais de 60 milhões de pessoas.
Nas matas, existe alta concentração de mosquito transmissor e animais, principalmente macacos, portadores do vírus. Daí o risco de pessoas não vacinadas incursionarem em regiões com alta concentração de mosquito, onde alguns estão contaminados e, por isso, são capazes de transmitir a doença. Assinale-se que, nos últimos 12 anos, tivemos 349 casos confirmados, com 161 óbitos, todos adquiridos por pessoas não vacinadas que freqüentaram áreas de mata.
A incidência desses casos variou de ano a ano. Tivemos anos com apenas três casos, enquanto em outros, como 1999, 2000 e 2003, ocorreram, respectivamente, 76, 85 e 64 casos, com mortes de 29, 40 e 23 pacientes.

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20/01/2008 - 12:30h Turismo tem que gastar mais, disse Luis Nassif



Das denúncias irrelevantes

Não vou dizer que essa prática seja de agora. Mas essa questão de levantar gastos com diárias e passagens de funcionários públicos sem deixar claro onde foram gastos é recurso antigo e ruim dos jornais.

Há alguns anos, quando ainda estava na “Folha” o repórter Rubens Valente publicou uma “denúncia” informando que eu e a Mirian Leitão havíamos recebido passagens aéreas do Ministério da Previdência… para ir a Brasília. Foi um seminário em que participamos sem custos para o governo. Faltou apenas informar que pagaram o almoço também. E nem incluíram um passeio pelo Paranoá.

O “Estadão” de hoje publica denúncia sobre gastos com pessoal e dá destaque à funcionária pública Jeanine Pires que gastou R$ 328 mil no “período” (clique aqui). O período em questão são quatro anos e a matéria informa que, nesse período, antes de ser presidente da Embratur ela foi Diretora de Turismo e Negócios e Eventos.

No total, foram R$ 6 mil por mês, em quatro anos. A denúncia deveria ser outra. Como uma Diretora de Eventos, que precisa estar permanentemente viajando, gastou apenas R$ 6 mil por mês. O que ficou fazendo nos demais dias em que não recebeu diárias?

enviada por Luis Nassif

20/01/2008 - 10:53h Jornais febris: surto de pânico na mídia cria “epidemia” inexistente

Valter Campanato/Agência Brasil

Pânico gerado pela mídia leva população a filas para vacinação. Foto cidade de Rio de Janeiro

“Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem… Vacine-se logo! ”

Eliane Cantanhêde, na sua coluna da Folha de São Paulo do 8 de janeiro 2008

6) As pessoas devem ou não se vacinar contra a febre amarela, que já fez pelo menos 11 vítimas, com sete mortes, em menos de um mês?
7) Ou é melhor se trancarem em casa nas férias de janeiro e fevereiro, no Carnaval e na Semana Santa, para fugir do risco? E por que a turma do Planalto se vacinou?


Eliane Cantanhêde, na sua coluna da Folha de São Paulo hoje

“Não se pode fazer vacinação preventiva de população de uma área só porque apareceram casos em pessoas que invadiram área de floresta ou passaram dias em ecoturismo. Isso não coloca em perigo a população das áreas que não estão com esse mesmo tipo de comportamento e, na minha maneira de ver, foi um erro estratégico do Ministério da Saúde”, afirmou
Luiz Hildebrando Pereira da Silva, diretor do Instituto de Pesquisas em Patologias Tropicais de Rondônia. “Não haveria a necessidade disso”.

Em férias na França, onde trabalhou por mais de 30 anos no Instituto Pasteur, Silva tem conversado com representantes do ministério. “Eu me informei e técnicos dão explicações de que às vezes são obrigados a atender a certas necessidades extremamente improváveis por questões de ordem psicológica, para mostrar que o ministério é capaz, para garantir tranqüilidade às pessoas.”

Até ontem, 31 pessoas já tinham apresentado reações adversas à vacina, principalmente em razão do recebimento de mais de uma dose em curto espaço de tempo, admitiu o ministério. “É exatamente esta uma das razões de não se poder usar a vacina sistemática”, afirma o especialista. Foi identificada até mesmo uma pessoa que recebe a vacina há quatro anos sistematicamente.

20/01/2008 - 10:29h Tendência é que casos de febre amarela se reduzam



ENTREVISTA – JOSÉ GOMES TEMPORÃO

Para ministro da Saúde, aumento da vacinação deve conter evolução da doença

ANGELA PINHO
JOHANNA NUBLAT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

FOLHA DE SÃO PAULO

Confrontado com uma escalada do número de casos de febre amarela no país e, ao mesmo tempo, com a corrida da população pela vacina, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirma que há “um clima de irresponsabilidade no país” e culpa a mídia por parte dele. Para Temporão, 56, setores dos meios de comunicação induziram a população a uma “interpretação equivocada” da doença. “O governo fala uma coisa e parte da imprensa estimula outra”, disse em entrevista à Folha, por telefone, na tarde de sexta-feira.
Apesar de afirmar que essa mesma mídia, para ele, precisa “esquecer a política com “p” pequeno”, o ministro nega sofrer pressão política e diz que o ministério não vai divulgar a lista de municípios em áreas de risco porque essa tarefa é dos governos estaduais e prefeituras.
Temporão voltou a negar a possibilidade de uma epidemia de febre amarela no país, disse que é nula a chance de casos urbanos e, diante da falta de vacina em alguns postos, prometeu que o problema será resolvido nesta semana.


FOLHA – O número de casos de febre amarela confirmados neste ano já é maior do que o do ano passado e o maior desde 2004. Por quê?

JOSÉ GOMES TEMPORÃO - Eu poderia fazer uma análise distinta. O número de casos vem diminuindo de maneira consistente desde 2000 e é bem menor do que em 2003. Isso tem a ver com a dinâmica de circulação do vírus em regiões de mata e com a entrada de pessoas não vacinadas nessas regiões. Todos os anos o Brasil apresenta casos de febre amarela silvestre porque nós temos matas, macacos, mosquitos e o vírus, circulando permanentemente nessas regiões. O que aconteceu, de uma certa forma, é que houve uma interpretação por algum motivo equivocada da população que desnecessariamente começou a procurar vacina mesmo não necessitando. (mais…)

20/01/2008 - 10:22h Especialista vê exagero em vacinação contra febre amarela

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Luiz Hildebrando Pereira da Silva entende que não deveria haver imunização contra a doença em áreas urbanas

Fabiane Leite – O Estado de São Paulo

Um dos maiores especialistas em doenças tropicais no mundo, o médico Luiz Hildebrando Pereira da Silva diz que o governo pode ter exagerado ao estender a recomendação de vacinação contra a febre amarela para além de áreas de matas, conforme instrução divulgada pelo Ministério da Saúde brasileiro. A recomendação do governo abrange também áreas urbanas. A vacina traz riscos, destaca, e deve ser administrada com cuidado.
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19/01/2008 - 16:07h Acho ergo est


 

René Descartes (1596 - 1650)

René Descartes (1596 – 1650)


Cogito ergo sum
(penso, logo existo), resumo do pensamento do filósofo francês Descartes, parece servir de inspiração a uma nova forma de jornalismo tupiniquim.

“Acho” ergo est, parece ser a divisa que parte do principio que a realidade é o que os articulistas ponderam nos jornais e danem-se os fatos.

O “mundo da fantasia” de Mauro Chaves (ver aqui Fantasia e realidade) é um exemplo dos mais recentes.

Outro exemplo é a pregação do “pânico” na questão da febre amarela. A articulista Eliane Cantanhêde, por exemplo, disse na sua coluna do 8 de janeiro 2008

“Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem… Vacine-se logo! ”

E depois de alguns parágrafos termina assim:
“O fantasma da febre amarela, portanto, paira sobre o país como um alerta num momento crucial, para que a saúde e a educação sejam preservadas antes de tudo o mais. Senão, Lula, o aedes aegypti vem, pica e mata sabe-se lá quantos neste ano –e nos seguintes. ”

A incidência da febre amarela nos últimos anos, porém, não autoriza esse “achismo” e não me consta que Eliane tenha escrito nada semelhante em 1999, 2000, 2001 ou 2003.

1996 – 15 casos

1997 – 3 casos

1998- 34 casos

1999 – 76 casos

2000- 85 casos e 42 mortes

2001 – 41 casos e 22 mortes

2002 – 15 casos e 6 mortes

2003 – 64 casos e 22 mortes – obs: 58 dos casos diagnosticados na região sudeste, principalmente MG

2004 – 5 casos e 3 mortes

2005 – 3 casos e 3 mortes

2006 – 2 casos e 2 mortes

2007 – 6 casos e 5 mortes

(fonte : Min.Saúde)

Outro exemplo é a reportagem da revista Istoé, nas bancas hoje, sobre as eleições a prefeitura de São Paulo. Chega a por aspas na suposta proclamação de candidatura de Marta Suplicy, quando é público e notório que o PT tomará sua decisão em função da conjuntura municipal em maio-junho e não de cálculos “futuristas” sobre 2010.

Neste caso o “acho”, combinado com anônimas fontes é uma “aposta”. Como na roleta com a cor vermelho ou preto, a candidatura da Marta também só tem duas opções. As probabilidades de achar certo são tão grandes como as do achar errado. Sempre poderá se argüir que o prognóstico não estava errado e que o candidato mudou de idéia.

Luis Favre

19/01/2008 - 00:44h Febre de pânico: País tem 31 casos de superdosagem de vacina contra febre amarela, dois em estado grave


da Folha Online

O Ministério da Saúde comunicou na noite desta sexta-feira o registro de 31 casos de pessoas que tiveram reações adversas à vacina contra febre amarela por superdosagem. Estas pessoas, segundo a pasta, tomaram uma nova dose de vacina antes que a anterior expirasse –o prazo de validade da imunização é de dez anos, sem necessidade de reforço. Em dois destes casos, os pacientes estão internados em estado grave.

Em Brasília, uma mulher de 36 anos está internada no Hran (Hospital Regional da Asa Norte), com suspeita de reação à vacina. Ela respira com auxílio de aparelhos.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, a mulher vive em Riacho Fundo 2 e chegou ao hospital com “quadro de dificuldade de andar e episódios de desmaio”, evoluindo para “um estado grave com paralisia dos membros inferiores, posteriormente superiores e dispnéia [dificuldade de respirar]“.

Para a equipe médica que a acompanha, ou ela sofreu reação à vacina ou desenvolveu um processo infeccioso agudo ou tem síndrome de Guillain-Barré. Os resultados dos exames que identificarão o problema devem ser divulgados na semana que vem.

Os sintomas de reação à revacinação são febre, dor de cabeça, vômito, enrijecimento dos músculos e problemas neurológicos.

O Ministério da Saúde recomenda vacinação apenas a pessoas que vivem em áreas de risco ou que irão visitá-las em breve e que não são vacinadas contra a doença desde 1999.

Desde o começo do ano, houve 11 casos confirmados de febre amarela no país, dos quais sete evoluíram para a morte. O caso mais novo foi confirmado nesta sexta, pela Secretaria Estadual de Saúde de Goiás. Em nota, a pasta afirmou que a paciente é uma jovem de 19 anos, da cidade de Pirenópolis, que já teve alta.

18/01/2008 - 09:50h Febre de pânico


por Alexandre Xavier

Valter Campanato/Agência Brasil

“Brasileiro não só gosta de fila, como também gosta de tomar injeção”

 

Atravessei a fronteira do Distrito Federal com Goiás no início do ano sem estar vacinado contra a febre amarela. E não estou febril e nem morri. Pensei em compartilhar esse relato com as pessoas que faziam fila em frente a um posto de vacinação do Rio de Janeiro nesta segunda-feira, mas iam me chamar de suicida. E eu ia chamá-los de malucos, já que o risco de se pegar febre amarela no centro do Rio é inexistente e, mesmo sem viajar para as áreas de risco, muita gente esperou HORAS para ser vacinado à toa.

 

Depois de ver a reportagem da Globonews com a posterior cara de preocupada da apresentadora, cheguei à seguinte conclusão: brasileiro não só gosta de fila, como também gosta de tomar injeção. Qual a outra explicação? Medo? De fato a febre amarela é o principal assunto da mídia brasileira em 2008. É papel dela alimentar o pânico na audiência para vender mais jornal (só lembrar que quando o PCC “sitiou” São Paulo, os sites de notícia ficaram entupidos, quando o avião da TAM explodiu, as revistas venderam mais e quando o Corinthians caiu, o diário Lance evaporou).

 

Mas a mídia não é a vilã dessa história sozinha; toda reportagem sobre a febre amarela traz o adendo com certo destaque de que “não há risco de epidemia”. Nos últimos dois meses, mais gente morreu devido a complicações respiratórias por causa da poluição endêmica de São Paulo do que devido à febre amarela. A febre amarela hoje é dos problemas menos graves do Brasil, por incrível que pareça. E mesmo assim anda causando tumulto.

 

O que falta mesmo é aparecer um mosquito que dissemine a febre do bom-senso. Uma epidemia de bom-senso faria deste um país muito menos doente (é claro que muito jornal e tevê por aí ia exigir vacina contra o bom-senso pra não perder leitor e audiência). Mas já que o vírus do bom-senso anda extinto, vacine-se contra a mídia de massa. A febre amarela é inócua perto dela.

 

Alexandre Xavier é editor da revista JungleDrums (www.jungledrums.org) e escreve quinzenalmente direto da terra da Rainha e dos Sex Pistols

 

Fale com Alexandre Xavier: alexandre_xavier@terra.com.br
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