01/02/2008 - 10:40h Latem, Sancho, sinal que cavalgamos

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Marta Suplicy, defendendo o Brasil no exterior

2007 foi o melhor ano da história do turismo no Brasil. Apesar de todos os problemas, particularmente o da valorização do Real, mas também da quebra da Varig e os atrasos nos aeroportos, o fluxo do dinheiro em divisas deixados pelos turistas no Brasil bateu todos os recordes.

Imagino como seria se alguns dos articulistas anti-petistas, esses de “rabo preso” com o tucanato e alérgicos a operário metalúrgico presidente, fossem Ministro de Turismo e falassem aqui e lá fora, as sandices que aqui escrevem.

Por exemplo a desbocada Barbara Gancia, aquela do insulto e o adjetivo fácil, que vomita regularmente no jornal Folha de São Paulo e que tem a Marta entalada na garganta (segundo ela disse, mas eu penso que não é só, pelo nobre motivo que Marta fez um túnel que obrigou os carros a ir na rua dela. Como se vê alto interesse público na motivação)

No jornal ela lança hoje mais uma diatribe contra Marta, que mal esconde o ódio pessoal e a inveja, mais que divergência ou discordância.

Se ela ministra fosse (mas por enquanto esse risco o Brasil não corre), ela iria dizer nos foros internacionais o que ela e uma parte da mídia repete incansavelmente, mas que como mostram as pesquisas, o povo não compra. A saber que o país vive um apagão aéreo, dobrado de um apagão elétrico. Que sofremos uma epidemia de febre amarela, mas que não adianta vir vacinados pois os turistas vão enfrentar taxas de homicídios de outro planeta. Que salvo a cidade de São Paulo, cidade limpa como todos sabem, onde a taxa de homicídios (particularmente nos jardins, pinheiros e a rua de Barbara Gancia) são as mesmas de Paris, melhor se abster de circular no resto de nosso paraíso tropical.

Por isso ela está arrepiada perante o fato que a Ministra de Turismo do Brasil em recente entrevista na capital espanhola, disse que não tem epidemia de febre amarela e que somente as pessoas que forem para regiões de risco devem ser vacinadas. Disse também que os problemas encontrados com o tráfico aéreo estão em vias de solução, mas que não são piores que os enfrentados pelos aeroportos de Londres ou JFK em New York. Afirmou também que se é verdade que a violência existe, pelo menos no Brasil não tem terrorismo, nem ameaças desse tipo, como tem França, Inglaterra e Espanha, por exemplo. Que aqui não tem terremotos, nem tsunamis, mesmo se parte da mídia gostaria muita vezes uma boa tragédia (isso a ministra não diz, pena). Resumindo, defendeu o Brasil e mostrou que o Brasil vale a pena ser visitado e conhecido.

Ela disse também, para desespero de tucanos e Gancias da vida, que nunca antes na história deste país um presidente teve o prestigio e reconhecimento do nosso operário metalúrgico e que isso, reforçando a imagem positiva do Brasil no exterior, ajudava muito o crescimento do turismo.

Porque defender o Brasil, defender o turismo no Brasil, é contribuir para preservar e aumentar o emprego e a renda de milhões de brasileiros, em particular dos mais pobres.

Para os colonistas* é inaceitavél.

Luis Favre

*Paulo Henrique Amorim adotou, no seu Blog ” Conversa Afiada”, o termo de “colonista”. Segundo ele, trata-se de essa legião de “colonistas”/especialistas que expõem as idéias do patrão como se fossem suas.

Se refere a “colônia”, dá a idéia de pessoa “colonizada”, submetida ao pensamento hegemônico que se originou na Metrópole e se fortaleceu nos epígonos coloniais.

Epígonos esses que, na maioria dos casos, não têm a menor idéia de como a Metrópole funciona, mas a “copiam” como se a ela pertencessem.

Nos países latino-americanos de língua espanhola utiliza-se também o termo espanhol “cipayos”.

15/12/2007 - 15:06h CPMF: esperar 2008

É hora de fazer política e alianças
Blog de Dirceu


Tem integrante do governo que não defendeu a CPMF, que tem ficado quieto quando o governo enfrenta a oposição, que tem inclusive ido a TV para discordar do governo no ônus e agora fica atacando a oposição gratuitamente e outros dando palpites de como e onde cortar. Bobagens.

O governo sabe que não pode e não deve reagir a curto prazo. Tem reservas e margem de manobra para esperar 2008. O país está bem, crescendo, com credibilidade, com reservas, com superávit nas contas externas, a dívida interna está bem administrada, a inflação sob controle, o PIB trimestral crescendo a 6%, consumo e investimento crescendo. E o mais importante, o governo tem apoio do povo.

É preciso avaliar o que temos de excesso de arrecadação, como financiar a saúde, parar as desonerações e assumir que a carga tributária do país caiu de uma só vez em quase 2%, ainda que os sonegadores foram beneficiados. Mas a Receita tem leis e instrumentos para continuar fiscalizando e o importante é manter os investimentos do PAC e do PDE. O superávit sempre é maior que os 3,8% e não será nenhum Deus nos acuda se diminuir 0,50%.

Quem sabe a extinção da CPMF não foi um mal feito para o bem, já que agora a oposição está condenada a fazer a reforma tributária e esta deveria ser a agenda para os próximos dois anos, ao lado da reforma política.

Qualquer que seja o resultado, duvido que a oposição tenha ganhos eleitorais com o comportamento que assumiu de não negociar com o governo, não aceitar nem a proposta final do Presidente de fim da CPMF em 2009 e destinação de todos os recursos arrecadados ate lá para a Saúde. Mesmo com certa mídia tentando desqualificar e dando publicidade às declarações mentirosas da oposição afirmando que o Presidente não propôs nada.

A verdade é que o governo cedeu em tudo, atendeu a todas as demandas da oposição, que extinguiu a CPMF por pura sabotagem. Esse é o nome. Um gesto contra o Brasil e seu povo. A saúde que se dane. Foi por isso que os governadores ficaram contra a bancada e queriam fazer um acordo.

Agora é hora de fazê-lo em torno da saúde e se preparar para buscar recursos para continuar investindo e muito, sem perder de vista as concessões e parcerias fundamentais na área da infra-estrutura.

Não tem saída. É fazer política e buscar alianças para aprovar um novo plano de investimentos ate 2011.

15/12/2007 - 15:01h CPMF: esperar 2008

É hora de fazer política e alianças

Blog de Dirceu


Tem integrante do governo que não defendeu a CPMF, que tem ficado quieto quando o governo enfrenta a oposição, que tem inclusive ido a TV para discordar do governo no ônus e agora fica atacando a oposição gratuitamente e outros dando palpites de como e onde cortar. Bobagens.

O governo sabe que não pode e não deve reagir a curto prazo. Tem reservas e margem de manobra para esperar 2008. O país está bem, crescendo, com credibilidade, com reservas, com superávit nas contas externas, a dívida interna está bem administrada, a inflação sob controle, o PIB trimestral crescendo a 6%, consumo e investimento crescendo. E o mais importante, o governo tem apoio do povo.

É preciso avaliar o que temos de excesso de arrecadação, como financiar a saúde, parar as desonerações e assumir que a carga tributária do país caiu de uma só vez em quase 2%, ainda que os sonegadores foram beneficiados. Mas a Receita tem leis e instrumentos para continuar fiscalizando e o importante é manter os investimentos do PAC e do PDE. O superávit sempre é maior que os 3,8% e não será nenhum Deus nos acuda se diminuir 0,50%.

Quem sabe a extinção da CPMF não foi um mal feito para o bem, já que agora a oposição está condenada a fazer a reforma tributária e esta deveria ser a agenda para os próximos dois anos, ao lado da reforma política.

Qualquer que seja o resultado, duvido que a oposição tenha ganhos eleitorais com o comportamento que assumiu de não negociar com o governo, não aceitar nem a proposta final do Presidente de fim da CPMF em 2009 e destinação de todos os recursos arrecadados ate lá para a Saúde. Mesmo com certa mídia tentando desqualificar e dando publicidade às declarações mentirosas da oposição afirmando que o Presidente não propôs nada.

A verdade é que o governo cedeu em tudo, atendeu a todas as demandas da oposição, que extinguiu a CPMF por pura sabotagem. Esse é o nome. Um gesto contra o Brasil e seu povo. A saúde que se dane. Foi por isso que os governadores ficaram contra a bancada e queriam fazer um acordo.

Agora é hora de fazê-lo em torno da saúde e se preparar para buscar recursos para continuar investindo e muito, sem perder de vista as concessões e parcerias fundamentais na área da infra-estrutura.

Não tem saída. É fazer política e buscar alianças para aprovar um novo plano de investimentos ate 2011.

02/12/2007 - 17:17h Marta diz que ainda é cedo para falar em 2010

ALEXANDRE INÁCIO – Agencia Estado

SÃO PAULO – Apontada pela pesquisa Datafolha como a candidata mais forte do PT para disputar as próximas eleições presidenciais, a ministra do Turismo e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, disse que é muito cedo para falar neste assunto. “Não tem nenhum sentido fazer pesquisa três anos antes (as eleições serão em 2010). Isso eu aprendi na política, ela é conjuntura, o momento. Muitas vezes não significa nada um ano, seis meses antes”, disse.

Para a ministra, a pesquisa, que também apontou uma rejeição de 65% dos entrevistados a um eventual terceiro mandato presidencial, é muito positiva para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Isso mostra que 65% dos entrevistados concordam com o presidente (quando diz que é contra o terceiro mandato). Fiquei muito satisfeita”, disse.

Marta lembrou que o resultado da pesquisa ainda mostra que a população reconhece o governo, pois 50% dos entrevistados o consideram bom ou ótimo. “Acho que a estabilidade financeira, a massa salarial e o controle da inflação fazem o governo ser muito bem avaliado”, emendou.

Trajando as tradicionais cores do PT, a ministra chegou cedo ao diretório do bairro de Pinheiros, na zona oeste da capital, para votar em seu candidato à presidência do partido. Sem revelar seu voto, ela disse que o grande desafio da nova diretoria será fazer com que os petistas voltem a ter uma maior participação nas atividades do partido. Além disso, Marta disse ainda que o PT deve buscar união, independência e iniciar os preparativos para as próximas eleições presidenciais, em 2010.

02/12/2007 - 05:28h Datafolha: 65% dos brasileiros concordam com Lula e são contra o "monstro do Loch Ness"

O “Nessie” tucano é o “terceiro mandato” (”Nessie” é o nome carinhoso que dão ao famoso monstro do lago Loch Ness, na Escócia).

A Folha de São Paulo decidiu fazer campanha e pesquisar sobre um eventual terceiro mandato para o presidente Lula.

Segundo pesquisa Datafolha, que entrevistou 11.741 pessoas, em 390 municípios de 25 Estados, 65% são contra a idéia do terceiro mandato.

O resultado da pesquisa mostra que uma maioria concorda com a posição assumida pelo presidente Lula de rejeitar qualquer tentativa de reforma da constituição que leve ao terceiro mandato. Além do presidente, esta pesquisa deve reforçar os que, como o PT, tem publicamente manifestado sua rejeição de mudanças na regra constitucional.

Não fica clara a intenção da Folha querendo saber o que pensam os brasileiros sobre o terceiro mandato, mesmo depois que esta idéia evocada por alguns caciques do PSDB fora rejeitada por quase todos os partidos com a mesma veemência que a do próprio Lula. Segundo Devanir Mistério, consultor deste blog sobre o “monstro do Loch Ness”, a curiosidade da Folha pode abrir a porta aos partidários do direito do presidente a convocar plebiscitos. Segundo este raciocínio, se a Folha considera que é importante perguntar a 11 mil e poucos brasileiros se concordam ou não sobre o terceiro mandato, porque não perguntar diretamente aos 185 milhões o que pensam sobre esse tema, ou qualquer outro de similar interesse nacional?

Este verdadeiro factóide do terceiro mandato, que aparece regularmente não se sabe bem de onde, como o famoso animal fantasmagórico do lago escocês, aparentemente serve um único objetivo: levantar insinuações e suspeitas sobre a vocação democrática dos partidários do presidente Lula. Essa campanha contra o governo, paradoxalmente, é incentivada pelos que casuisticamente mudaram a constituição para poder se perpetuar no poder, o PSDB e Fernando Henrique Cardoso.

Em tempo, a Folha anuncia uma sabatina de FHC para quinta-feira, questão de poder relançar o factóide.

O monstro do Loch Ness tem, como se vê, belos dias pela frente.

Luis Favre

PS O dado mais importante da pesquisa Datafolha é: Para 58%, os presidentes da República devem ter direito a uma única reeleição; 39% são contra. A tentativa casuistica de caciques tucanos de mudar na calada da noite a constituição para um único mandato, é rejeitada pela maioria.

14/11/2007 - 16:07h Boa!

06/11/2007 - 08:24h Marta e Wagner rechaçam terceiro mandato de Lula

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA DE SÃO PAULO

Dois dos nomes cotados dentro do PT para disputar a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Jaques Wagner (BA) e a ministra Marta Suplicy (Turismo), rechaçaram ontem à noite em São Paulo a possibilidade de um terceiro mandato para o presidente.

A petista ainda aproveitou para alfinetar a oposição tucana, que, em 1997, esteve à frente da emenda que instituiu a reeleição no Brasil e acabou beneficiando o então presidente, Fernando Henrique. “Lula é uma pessoa muito democrática no sentido de não admitir casuísmo, e nós já tivemos alguns recentes no país. Mas isso [o terceiro mandato] vai ficar por aí, a oposição falando, falando, para ver se perturba um pouco o ambiente, mas o tema não prospera no PT”, disse ela.

O governador da Bahia, diante de platéia formada por cerca de 500 empresários na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), também se posicionou contra o terceiro mandato. “Nenhum tipo de casuísmo é bem-vindo no momento atual”, disse ele, em evento que tinha como tema o potencial econômico da Bahia. Wagner citou como exemplo negativo o caso de seu Estado, em que o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM), morto este ano, comandou a política por quase duas décadas.

Pela manhã, Wagner já havia criticado as articulações em torno da proposta que estabelece o terceiro mandato para Lula. Ele disse que a chance de terceiro mandato é zero: “Para mim, a chance é zero, pelo que conheço do PT e do presidente Lula. É criar um casuísmo para mudar as regras e beneficiar B ou C. A história do PT sempre foi de crença na instituição democrática”, disse.

16/10/2007 - 12:31h Imagem do Congresso desgastada

De acordo com o Sensus, 45% dos entrevistados defendem a unificação da Câmara e do Senado. Não querem o fechamento do Legislativo, mas consideram que tem muito parlamentar nas duas casas


Gustavo Krieger
Da equipe do Correio Braziliense

José Varella/CB
“Todas as vezes que o Parlamento foi fechado ou subjugado, nós tivemos ditadura“
Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da Câmara

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O desgaste político do Congresso já leva boa parte dos brasileiros a questionar a importância do Legislativo. Segundo a pesquisa Sensus/CNT, 23% são a favor da extinção do Senado e 19,2% gostariam de ver o fim da Câmara dos Deputados. Mais radicais, outros 12,6% defendem o fechamento das duas casas do Congresso. Apenas 25,8% se manifestaram pela manutenção do atual sistema.

Em outra questão, 45,3% se dizem a favor da unificação da Câmara e do Senado. A princípio, isso demonstra que a maioria dos brasileiros não quer fechar o Congresso, mas acha que há congressistas demais. Somadas, as respostas apontam para um processo de profundo desgaste da imagem do Legislativo na sociedade. O presidente da Câmara reagiu. Arlindo Chinaglia (PT-SP) disse que “não há democracia sem parlamento”. Segundo ele, “todas as vezes que o Parlamento foi fechado ou subjugado, nós tivemos ditadura”.

Em outro sinal de descrédito, aumentou o número de brasileiros para quem o voto deveria ser facultativo. São 58,9%, contra 56,4% que deram a mesma resposta em maio de 2005. De outro lado, 38,4% defendem a manutenção do voto obrigatório. Se o voto deixar de ser uma obrigação, muita gente vai ficar longe das urnas. Os que dizem que continuariam a votar sempre são 58,1%. Para 11,1% dependeria dos candidatos e 27,9% deixariam de votar.

Infiéis
A pesquisa revelou um resultado contraditório ao analisar a fidelidade partidária. Num primeiro momento, 48,7% dos entrevistados disseram que o mandato pertence ao candidato e apenas 38,3% responderam que ele é do partido. Mas na questão seguinte, 54,2% disseram concordar com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu a mudança de partido de parlamentares e ameaçou os infiéis com a cassação do mandato. “Isso significa que o eleitor votou no candidato e não no partido, mas não gosta que o seu deputado troque de legenda”, traduz Ricardo Guedes, diretor da Sensus.

A pesquisa também pediu que os entrevistados avaliassem a atuação dos principais partidos de oposição. O objetivo era julgar se DEM e PSDB são competentes fazendo oposição e se são realmente independentes do governo. Para 24,8%, a oposição é competente, mas ao mesmo tempo é conivente com Lula. Outros 17,8% aprovam a atuação dos dois partidos e não acreditam que eles sejam coniventes com o governo. Para 14,4% a oposição é independente, mas incompetente. Finalmente, há 10,9% que acusam Democratas e tucanos ao mesmo tempo de incompetência e subordinação ao Palácio do Planalto.

O Sensus também sondou a opinião pública sobre a possibilidade de mudar a Constituição para alterar as regras da reeleição. Apenas 12,3% dos entrevistados concordam com a idéia de que o presidente da República possa disputar um terceiro mandato. A maioria também rejeita a possibilidade de ampliar o mandato presidencial para cinco anos. Para 43,6% o mandato ideal é de quatro anos com reeleição. Outros 34,1% defendem o mandato único de quatro anos.


análise da notícia
Culpa dos “personagens”

O maior mal que políticos desonestos podem trazer ao país é fazer a população perder a fé na democracia. São inquietantes os números da pesquisa Sensus. Mais da metade dos entrevistados defende a extinção de uma ou até das duas casas do Congresso. Esse contingente é mais expressivo entre os brasileiros da Região Sudeste e com renda familiar mais alta. Há uma confusão entre os personagens dos escândalos e as instituições que eles representam.O Senado não é só Renan Calheiros. A Câmara é mais que o conjunto de mensaleiros e sanguessugas. Muitas vezes, é verdade, o foco das notícias se concentra nos escândalos. É necessário, até para que eles sejam investigados até o fim. Mas há muito mais além deles.

O Congresso é fundamental para a democracia, inclusive por seu papel de fiscalização do Executivo. Enfraquecê-lo não interessa ao país. Por piores que pareçam nossos atuais representantes, a alternativa de ficar sem eles é pior. E sempre nos resta a próxima eleição para melhorar as coisas. (GK)

05/10/2007 - 11:51h Partido de César Maia e Kassab, DEM lidera lista de políticos cassados por compra de votos

Caio Junqueira

Jornal Valor

Com 69 casos, o Democratas foi o partido com mais políticos cassados pela Justiça Eleitoral entre 2000 e 2006. Esse foi o resultado de um estudo divulgado ontem pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, que levantou os políticos cassados por corrupção eleitoral entre os anos de 2000 e 2006. Neste período, foram apontados 623 situações em 339 processos julgados. A segunda colocação ficou com o PMDB (66), seguido pelo PSDB (58), PP (32), PTB (24) PDT (23) PR (17) PPS (14) e PT (10).
De acordo com o levantamento, as cassações ocorreram em todos Estados. Os campeões foram Minas Gerais (11,4% do total), Rio Grande do Norte (9,6%), São Paulo (8,8%), Bahia (8,6%) e Rio Grande do Sul (7,8%). Ao todo, foram cassados quatro governadores e vice-governadores, seis senadores e suplentes, oito deputados federais, 13 estaduais e 58 vereadores. A maior parte dos cassados, porém, foi de prefeitos e vices: 508 casos. Os governadores cassados foram Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Flamarion Portela (RR), que se elegeu pelo PSL mas depois se filiou ao PT.

Os casos mais comuns que motivaram as cassações foram compra de votos e distribuição de artigos diversos, como cestas básicas, combustíveis, cobertores, calculadoras, materias de construção e camisetas. Também há casos de entrega de dinheiro e promessa de de pagamento posterior a eleitores, distribuição gratuita de combustível para mais de mil veículos, promessa de entrega de lajotas e de prestação de serviços advocatícios. Houve até o oferecimento de isenção do pagamento de IPTU para mais de 1000 residências em um município.

Um caso curioso chama a atenção. No município de Campos Borges (RS), o prefeito e o vice, integrantes do PP, distribuíram cédulas de R$ 50 rasgadas, condicionando o recebimento da metade faltante à vitória na eleição. Outro, ocorrido em Sobral (CE) foi protagonizado por um vereador do PSD. Segundo o processo, houve a troca de dentaduras por votos. Como a protética não recebeu pelo serviço feito, formulou a acusação.

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral é coordenado pelo juiz eleitoral Márlon Reis, presidente da Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais (Abramppe). A iniciativa surgiu após a aprovação da lei 9.840, que determinou a possibilidade de cassação do mandato uma vez comprovada a compra de votos.

04/10/2007 - 19:40h Dilma Rousseff defende que o PT tenha candidatura própria em 2010

Dilma: Governo Lula investe
mais em programas sociais

DILMA COMPARA POLÍTICA
SOCIAL DE LULA À DE FHC

do Blog de Paulo Henrique Amorim

A Ministra-Chefe da Casa Civil Dilma Rousseff participou de uma sabatina realizada pelo jornal Folha de São Paulo nesta quinta-feira, dia 04, no Teatro Folha, na capital paulista. Ela usou dados de programas sociais para comprar as gestões do presidente Lula à do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (aguarde o vídeo).

A Ministra Dilma Roussseff disse que no governo FHC o programa “Luz Para Todos” realizou 500 mil ligações de energia elétrica, contra dois milhões de ligações realizadas pelo governo Lula.

A Ministra também comparou os programas de transferência de renda dos governos. Segundo Dilma Rousseff, o governo FHC dava assistência a dois milhões de famílias, enquanto o “Bolsa Família” contempla 11 milhões de famílias brasileiras.

Dilma Rousseff também disse que o PAC utiliza projetos que o “Avança Brasil”, programa desenvolvimento do governo Fernando Henrique Cardoso que, segundo a Ministra, não saiu do papel.

A Sabatina da Folha de São Paulo reuniu aproximadamente 300 pessoas, entre jornalistas e leitores. A ministra Dilma foi questionada por quatro jornalistas do grupo Folha e pelo público presente.

A re-estatização da Vale do Rio Doce, proposta por um plebiscito informal liderado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, foi um dos assuntos abordados durante a sabatina. A Ministra Dilma Rousseff disse que é contra a re-estatização da Vale. Ela só concordaria com essa proposta caso houvesse má administração.

Outro ponto muito questionado pelos jornalistas durante a sabatina foi a sucessão presidencial. Dilma Rousseff afirmou que discutir em 2007 as eleições de 2010 pode ser uma tentativa de encurtar o mandato do presidente Lula. Ela afirmou que não pretende ser candidata em 2010, mas defendeu que o PT tenha um candidato próprio nas próximas eleições.

01/10/2007 - 11:13h Melhor agir agora, que lamentar depois

Tenho insistido neste blog (ver Reflexões pessoais sobre o pleito municipal de 2008) sobre o erro de precipitar discussões na base aliada do Lula sobre 2010 e ignorar a importância de unificar os palanques municipais. O próprio Lula tinha encomendado ao presidente do PMDB, Michel Temer, a organização de convergências entre os 11 partidos que configuram a coligação governamental.

Hoje aparece claro que o chamado Bloco de esquerda, e até o próprio Michel Temer do PMDB, procuram isolar o PT preocupados mais em impor seus candidatos para 2010, que em conseguir vitórias eleitorais significativas em 2008.

Esta movimentação divisionista, multiplicando candidaturas, muitas delas inviáveis eleitoralmente,em caso de persistir, terá como conseqüência um resultado eleitoral fraco em 2008. O pior é que o próprio planalto parece incentivar a discussão de nomes para 2010, se despreocupando de pesar no pleito municipal.

A ressaca vai deixar com dor de cabeça a mais de um.

Luis Favre

iceberg

ice

Partidos da coalizão de Lula estarão rachados em 2008

Base aliada contraria pedido do presidente para repetir aliança em disputas municipais

Mesmo os tradicionais parceiros deverão ocupar palanques opostos e lançar candidaturas próprias nas grandes cidades do país

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Apesar dos apelos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reprodução da aliança nacional na disputa municipal, a ampla base de sustentação do governo periga ruir nas eleições do ano que vem. Dispostos a ganhar musculatura para as eleições de 2010 -a primeira sem Lula desde 1989-, os partidos aliados investem no lançamento de candidaturas próprias nas grandes cidades.
Até os tradicionais parceiros do PT duvidam das chances de a composição se repetir em todo o país. Na maior parte das cidades, PT e aliados deverão ocupar palanques opostos.
Prova disso está no chamado bloquinho de esquerda, que tem o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) como potencial candidato à Presidência. Integrantes do bloco, PC do B, PSB e PDT adotaram como norma para 2008 o lançamento de candidatos nas cidades com mais de cem mil habitantes (200 mil, no caso do PDT).
Onde não for possível, vão costurar alianças dentro do próprio bloco. Leia mais na Folha de São Paulo (para assinantes)

28/09/2007 - 13:27h Vou trabalhar com uma velha amiga: a notícia

por Helena Chagas

Os políticos vão e vêm, os fatos políticos acontecem e “desacontecem”, eleições se sucedem, o poder muda de mãos. Nós, jornalistas, mudamos de área, função, endereço, emprego, espaço, enfim, trabalho. Somos viajantes, vivemos entre partidas e chegadas. E o que fica de cada uma dessas etapas do trabalho árduo e às vezes pouco compreendido da cobertura política? Ficam os amigos, o respeito profissional, o aprendizado e a consciência de ter tentado, a cada minuto de cada dia, fazer o melhor – às vezes conseguindo, às vezes não, sempre tentando.

Mas talvez o item mais importante da bagagem seja a tal da notícia, essa senhora meio estranha. Melhor falando, o amor pela notícia. Aquele gosto pelo novo que nos entusiasma a qualquer momento do dia ou da noite, faz correr a adrenalina faz esquecer o cansaço acumulado, as chateações, as frustrações, a hora de sair, a hora de chegar, a hora de comer, a família (desculpem, crianças!)…

O que é mesmo a notícia, hein? Em mais de 20 anos de profissão, até hoje não consegui encontrar uma definição satisfatória – nem acadêmica, nem técnica, nem nos domínios senso comum – para essa danada. Mas dá para reconhecer uma quando passa na frente. Não costumo me conter: quando vejo, já estou correndo atrás dela. Um problema sério essa fixação, da qual nem dez anos de análise freudiana conseguiram me livrar.

A notícia é tinhosa, teimosa, às vezes fugidia ou enganosa – em especial na política, essa área em que, na maior parte do tempo, estão todos querendo enganar a todos sobre tudo. A notícia às vezes é travesti: parece uma coisa, mas vai ver lá no íntimo e é outra. Em muitos casos – a maioria, infelizmente – é triste. Há quem chegue ao extremo de dizer que notícia boa não é notícia. Discordo. Mas concordo com os que dizem que a notícia, quando é só da gente, tem um sabor especial. Uma das maiores delícias da profissão é tascar um furo na concorrência. Vale qualquer sacrifício.

Bom, esse cerca-lourenço todo, que vocês devem estar estranhando, é porque ainda não tive coragem de contar. Mas lá vai: vou viajar de novo. E já estou morrendo de saudades.

O passado que não volta

Fazendo bem as contas, noves fora, esta foi a quarta vez em que trabalhei no Jornal de Brasília. Foi mais ou menos como voltar para casa. Entrei aqui como estagiária, aos 18 anos de idade, na editoria de Cidades, onde publiquei minha primeira matéria.Mas a promoção veio rápida demais. Uns dias depois, fui apresentada ao Congresso, onde precisavam de uma estagiária para percorrer plenário e comissões em busca de pautas e outras informações. Detestei. Ficava perdida nos corredores, confundia uma comissão com a outra, não via graça no que deputados e senadores falavam e faziam. Mas foi nos primeiros tempos de Congresso, ainda foca, que tive oportunidade de testemunhar momentos históricos. Por exemplo, a derrota da emenda Dante de Oliveira, que instituía as eleições diretas para presidente. Acompanhei essa votação lá de fora, junto com o povão que, naquela época, ainda ia esperançoso ao gramado em frente ao Congresso para pressionar os parlamentares. Também ali, protegida da chuva debaixo de uma imensa bandeira nacional trazida por manifestantes, que acompanhei a eleição de Tancredo Neves no colégio eleitoral. E, dois meses depois, a decepções do povo que dormira no gramado esperando uma posse e acordara sem o seu presidente.

O presente desafio

Na época em que comecei, as diretas para presidente eram um sonho, bem como a representação política para o Distrito Federal, que tinha um governador nomeado e não elegia representantes para o Legislativo. Ganhamos o direito de votar e achávamos que, com ele, tudo estaria resolvido. Pois é. Hoje a política anda triste, feia, cinzenta. A questão da corrupção vive um momento Tostines, aquele biscoito sobre o qual se tem uma dúvida crucial: vende mais porque é mais fresquinho ou é mais fresquinho porque vende mais? Temos mais corrupção no país e por isso ela está aparecendo tanto ou ela está aparecendo tanto porque estamos apurando muito mais do que antes? Não importa. A única certeza da política hoje é de que, com todas as idas e vindas, as decepções e a radicalização do ambiente, estamos andando para frente.

De volta para o futuro

Bom, como ia dizendo, vou viajar de novo. Foram quatro meses divertidíssimos por aqui, descomplicando a política. Mas chegou a hora de complicar um pouquinho mais a vida. É aquela história do apelo da novidade, do desafio, daquela adrenalinazinha que, quando a gente vê, está lá correndo nas veias. Saio para participar de um projeto com uma velha amiga: a notícia. Vou trabalhar na TV pública, que ainda será criada e onde acho que será possível produzir um jornalismo voltado para o cidadão e para o interesse público, sem assuntos proibidos e, sobretudo, mostrando com equilíbrio todos os lados de todas as questões para que a sociedade tenha elementos para formar sua própria opinião. Enfim, o bom jornalismo. Até a volta.

Coluna Descomplicando a Política de hoje no Jornal de Brasília
enviada por Helena Chagas

20/09/2007 - 12:31h Indignidade

Eu também decidi pedir emprestado ao jornalista Mino Carta seus botões e fico interpelando os meus.

É que eles, como a esmagadora maioria dos comentaristas dos meios de comunicação, do deputado Gabeira e Heloisa Helena e de alguns expoentes do cansaço, estão “indignados” com a absolvição de Renan Calheiros pelo Senado. Nesta “indignação”, meus botões freqüentam também alguns senadores do PSDB conhecidos pelo apego à ética em tempos recentes.

Dialogando com meu botões, e contendo minha própria indignação, perguntei para eles sobre o que aconteceu nesse mesmo Senado quando as denúncias contra o Eduardo Azeredo chegaram à Comissão de Ética da nobre casa?

Não sei se os crimes imputados ao outrora presidente nacional do PSDB, pela Polícia Federal, têm consistência suficiente aos olhos da justiça, o STF dirá. As acusações incluem corrupção, desvio de dinheiro público e financiamento ilegal, além de lavagem de dinheiro. Em todo caso, devem implicar seguramente, estes tais crimes, a famosa “quebra de decoro”.

Pois é, repito para meus botões a essa altura já bastantes avermelhados, qual foi a reação da Comissão de Ética do Senado? um simples “arquive-se” e ponto final.

É isso mesmo, as acusações foram arquivadas. Os senadores não manifestaram curiosidade maior. A mídia informou do fato e sem dúvida isto ecoou no Jornal Nacional. Mais onde estava a indignação? Aliás onde ela está agora, essa indignação? Cadê Gabeira e Helo?, onde se expressa a incontinência verbal de uma boa parte de nossa brava mídia? Quero pelo menos dez artigos de Clóvis e outros tantos do Jabor, quero três capas da Veja e inúmeras prosas de Mainardi.

Meus botões ficaram mudos. Vermelhos de raiva.

Para eles eu estava querendo esconder que o culpado no “valerioduto mineiro”, como pudicamente é denominado por boa parte da mídia o esquema ilegal do PSDB, era o Ministro Mares Guia, do governo Lula do PT.

Pedi desculpas aos meus botões. Como FHC, Serra, Alckmin, Aécio, Artur Virgilio, Yeda e outros ilustres pássaros da tucanagem, eu nada sabia.

Mas agora, como todos eles, já sei: a culpa é do Lula.

Luis Favre

20/09/2007 - 09:45h Marcos Valério, o operador de aluguel

Jornal Valor

O empresário Marcos Valério não era simplesmente um operador petista, mas um profissional do ramo de lavagem de dinheiro e montagem de caixa 2 para campanhas eleitorais. E profissional dessa área não tem partido: o dele é o que está no poder e o contrata. Essa é uma obviedade desde 2005, quando o empresário passou a ser investigado como operador de um “mensalão” que teria irrigado o caixa 2 do PT e de seus aliados nas eleições municipais de 2004. Afinal, no meio das investigações apareceu ninguém menos do que o senador Eduardo Azeredo (MG), então presidente do PSDB de Fernando Henrique Cardoso. Ou melhor, veio à tona o caixa 2 que irrigou o PSDB mineiro e seus aliados na campanha de Azeredo pela reeleição para o governo de Minas, em 1998.

O PSDB nacional e o próprio interessado estabeleceram uma diferenciação sutil entre o caso do PT e o de Azeredo, segundo a qual os petistas e seus aliados pecaram porque supostamente teriam usado o dinheiro para pagar mesadas aos aliados e o ex-governador de Minas, como não teria dado mesada, era inocente. O PSDB afastou docemente Azeredo da presidência, juntou-se ao PFL num discurso agressivo contra o PT e o governo Lula, a mídia embarcou e o caso ficou esquecido até agora.

Por quase dois anos a oposição tratou o caso do mensalão como uma anomalia introduzida pelo PT no sistema político. A udenização do discurso oposicionista no auge da crise política beirou o golpismo. Agora, a mesma PF que indiciou os envolvidos do PT e de seus aliados concluiu o inquérito do “valerioduto” mineiro e chegou à conclusão de que este é um esquema muito mais complexo, pois envolveu mais de 150 políticos, 17 partidos e um total de R$ 100 milhões movimentados nas eleições de 1998 sem conhecimento da Justiça Eleitoral. O presidente do PT nacional à época do mensalão, José Genoíno, está sendo processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e, ao que tudo indica, pecou principalmente por omissão. O presidente do PSDB de então era Eduardo Azeredo, beneficiário do mesmo esquema em 1998. Os partidos de ambos usaram os mesmo recursos de captação e lavagem de dinheiro. A única diferença é que o PSDB de Minas precedeu o PT nacional no uso dos préstimos de Marcos Valério.

Esses são os fatos – que, aliás, ao serem aqui expostos não têm nenhuma intenção de inocentar o PT pelo uso do caixa dois e captação ilegal de dinheiro nas eleições de 2004. Pelo contrário. É sabido que o PT abandonou a campanha de militância e embarcou no esquema tradicional de captação de dinheiro quando tornou-se “pragmático” e foi atrás de recursos para “profissionalizar” suas campanhas eleitorais. Não é mérito nenhum ter feito a opção de se tornar mais um entre os partidos que já se utilizavam desse expediente.


Valerioduto mineiro foi subestimado pela mídia


A discussão que se coloca agora, findo o trabalho da PF e quase terminado o do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza – que deverá oferecer denúncia contra os clientes mineiros de Marcos Valério nos próximos dias – é se a disputa política justifica eticamente a assimetria como foram tratados os dois casos, quer pela oposição, quer pela imprensa.

Quando os especialistas analisam as razões pelas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou na disputa pela reeleição, no ano passado, devem incluir mais uma: para o grande público, e não para a restrita “opinião pública” integrada pelos mais escolarizados, a hipocrisia do discurso dos oposicionistas, militantes da política tradicional desde sempre, ou quase isso, estava patente. “A conversa deles é dizer que a questão moral não conta mais. Conta sim. Ladrão, não mais”, discursou para seus correligionários energicamente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista, afirmou, enojado: “Nunca ouvi falar em tanta corrupção como neste governo”. O senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), recentemente falecido, referia-se ao dirigente máximo da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apenas como “ladrão”. Não colou. Dada a imagem que a classe política desfruta entre os eleitores, venceu, na dúvida, o presidente Lula, que trazia uma política social inédita na bagagem.

Como na política institucional vale mais a versão que o fato, o país deverá assistir nos próximos dias mais alguns lances de pura hipocrisia. O ministro das Relações Institucionais do governo Lula, Walfrido Mares Guia (PTB), foi investigado pela PF e agora o procurador-geral decidirá se apresentará denúncia contra ele. Embora esteja sob investigação por conta do caixa 2 do tucano mineiro, o ministro promete ser a próxima crise do governo de Lula. Pode-se ponderar que Lula, depois dos tumultos do primeiro governo, não poderia ter feito uma maioria parlamentar a qualquer preço e deveria escolher melhor suas companhias, mas esse argumento também remete aos governos FHC. Afinal, o PTB do ministro esteve na base de apoio de todos os presidentes desde a sua recriação, em 1980.

A repercussão dos escândalos do mensalão e do valerioduto mineiro, ou melhor, a simples existência de Marcos Valérios, devem deixar a arena da disputa político-partidária. É sobre as razões pelas quais esses esquemas existem historicamente no Brasil e se mantém ativos que a sociedade em geral, e os partidos em particular, devem se debruçar. E, para que se inicie um debate sério, sem hipocrisias, é necessário reconhecer que: o sistema político funciona e se financia com dinheiro ilegal; os partidos não se diferenciam fundamentalmente quando se trata de captação ilegal de dinheiro (talvez com exceção do P-SOL, que é novo e ainda não tem grande representatividade; o PT era exceção, mas esse é um verbo no passado); a lavagem de dinheiro de origem duvidosa é uma atividade comum no meio político e os donos de lavanderias ganham dinheiro com isso. No limite, não existe grande diferença entre as finanças partidárias e de qualquer organização ilegal. Se partir desses princípios, o debate de como trazer à superfície a vida das agremiações partidárias pode ser feito com alguma seriedade. Fora isso, é jogar para o eleitor e para a platéia.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

maria.inesnassif@valor.com.br

18/09/2007 - 17:44h Jornal ABC de Espanha diz que o povo brasileiro acertou com Lula

Aciertos de Lula da Silva

Editorial do jornal espanhol ABC

NADIE discute hoy que Brasil es el principal factor de estabilidad en el conjunto de Iberoamérica.

De hecho, el gigante suramericano ofrece en estos momentos el rostro de un país amable que se ha tomado en serio sus responsabilidades en el siglo XXI. Convertido en actor de la escena global, su musculatura estratégica ha evitado lo peor: que la región sufriera una réplica de las turbulencias populistas desatadas en los países vecinos con la llegada al poder de Hugo Chávez y Evo Morales.

Hoy, la imagen que ofrece Brasil al mundo es la de un país seguro de sí mismo y con un potencial de crecimiento extraordinario, y no sólo porque estamos hablando de un continente dentro de un continente, sino porque sus gobernantes han puesto las bases para que despegue y proyecte toda su potencialidad económica.

Por lo pronto, el equipo de Lula da Silva ha dado solidez a la economía brasileña y ha puesto en marcha políticas sociales que han ido paulatinamente desactivando las tensiones generadas por las enormes diferencias de renta que se dan entre los más ricos y los más pobres.

Todavía queda mucho por hacer, pero el balance que ofrece la gestión presidencial de Lula da Silva resulta notable. No cabe duda de que el veterano líder sindical ha sido artífice de que su país proporcione tranquilidad cuando se menciona su nombre. A Lula le corresponde el mérito de los aciertos. Lo demuestra su propia imagen. El sindicalista radical que lideraba el Partido de los Trabajadores (PT) y que fue derrotado en 1989, 1994 y 1998, hace tiempo que pasó a la historia. Desde su elección en 2002 se ha convertido en un líder democrático respetado dentro y fuera de Brasil.

Es cierto que la sombra de la corrupción ha planeado sobre su primer mandato después de los escándalos vividos en el Partido de los Trabajadores. Sin embargo, ninguno de ellos logró implicarlo, a pesar de que algunos de sus colaboradores más cercanos se viera involucrado.Con todo, los datos de su gestión son rotundos: el país ha puesto fin a su tradicional tensión inflacionista al situar la subida de los precios en el 3,7 por ciento y lograr que la economía crezca a un ritmo cercano al 5 por ciento del PIB.

Pero el gran reto que tiene por delante Brasil en estos momentos es materializar el Programa de Aceleración del Crecimiento, un ambicioso plan de infraestructuras, transportes y energía que quiere dar estabilidad, continuidad estructural y profundidad social a las cifras del desarrollo económico del país.

La visita de Lula a España pretende dar a conocer su gestión y contar con la complicidad de nuestro Gobierno y, sobre todo, del empresariado español. Con gestos como estos y con un proyecto tan serio, y tan distinto al que tratan de impulsar los dirigentes del eje bolivariano de Hugo Chávez, no hay duda de que tendrá asegurada la receptividad de nuestras empresas, que acumulan una inversión de más de 30.000 millones de euros en Brasil.

Lula acierta y quienes confían en él seguro que acertarán también.

18/09/2007 - 17:37h Imprensa espanhola se derrama em elogios ao Brasil

Blog de Magno Martins

Um editorial publicado nesta terça-feira no diário espanhol ABC diz que o Brasil de hoje é um país “seguro de si e com um potencial de crescimento extraordinário”.

Intitulado “Acertos de Lula da Silva”, o texto elogia a gestão do presidente Luiz Lula, e afirma que seu governo “acerta” no comando do Brasil.

“Ninguém discute que o Brasil é o principal fator de estabilidade no conjunto da América Latina. O gigante sul-americano oferece neste momento o rosto de um país amigável, que leva a sério suas responsabilidades no século 21″, diz o editorial.

O ABC lembra que “a sombra da corrupção pairou sobre seu primeiro mandato (de Lula) depois dos escândalos vividos no Partido dos Trabalhadores”, mas observa que nenhuma denúncia chegou a implicar o presidente. Para o jornal, o governo de Lula ainda tem “muito a fazer” para melhorar os indicadores sociais do país. Ainda assim, “o balanço da gestão presidencial de Lula é notável”, avalia o diário.

O diário El País disse que empresários espanhóis cobriram Lula de elogios durante um evento no qual o presidente pediu a participação do setor privado em projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que tentará impulsionar obras no setor de infra-estrutura. “O próprio presidente considerou oportuno dizer que ‘poucos presidentes tiveram o privilégio de ouvir elogios como estes’”, relatou o El País.

Para o catalão La Vanguardia, o Brasil é “um país em sólido crescimento, que tenta superar o fosso profundo de desigualdade social e que, ao mesmo tempo, aposta na infra-estruturas logística, energética, urbana e social”.

Já o diário Cinco Dias, especializado em economias e finanças, disse que o crescimento econômico e a melhora da segurança jurídica no Brasil serviram de argumentos para Lula tentar atrair a atenção do empresariado espanhol. “Os empresários espanhóis reforçaram sua aposta de investimentos no Brasil”, disse o jornal. (Informações da BBC Brasil)

 

Escrito por Magno Martins

17/09/2007 - 16:12h Argumentos a favor da Reforma Política

Presidencialismo de coalizão em crise

As lideranças aliadas afinal se moveram para salvar o mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ainda que a bancada do PT tenha preferido a abstenção. Faltou ânimo para simplesmente inocentar o aliado e a crise prosseguirá enquanto alguma solução não for encontrada para o afastamento de Calheiros. A turbulência é descrita hoje como um evento artificial, induzido por um conflito entre mídia e governo, mas há sinais mais importantes em cena. Os mecanismos do presidencialismo de coalizão estão em crise.

1. Como funcionam as maiorias no Brasil

Os fatos são conhecidos e merecem apenas uma breve menção. O sistema político brasileiro não produz maiorias no curso do processo eleitoral. O quadro partidário, as regras eleitorais facultam ao partido do presidente da República eleger algo em torno de 20% da Câmara dos Deputados. Sua base precisa ser construída posteriormente, por meio da distribuição de cargos e da gestão do orçamento. Essa distribuição sustentará, no ciclo eleitoral seguinte, o financiamento de campanha dos partidos da coalizão.

Os governos podem ter um núcleo mais ideológico, cuja fidelidade nas votações é de ordem política, mas para que o governo seja realmente eficiente o resto da maioria precisa ser organizado da forma acima descrita.

Uma condição importante para que tal mecanismo funcione é que as eventuais irregularidades praticadas pelos aliados tenham julgamento lento pelo Poder Judiciário e sejam mantidas fora do conhecimento da opinião pública por algum tempo.

Essa condição, por variadas razões, vem perdendo sustentação. Com a antiga oposição no comando do Executivo, a mídia não vê mais motivos para alguma benevolência com o governo e prefere atender a seu público de classe média, que condena a corrupção. O Poder Judiciário vai sendo forçado a reagir da mesma maneira, graças à independência crescente do Ministério Público.

Com isso, torna-se mais difícil para o Poder Executivo operar os instrumentos clássicos de formação de maiorias e o governo Lula vive essa situação de modo exemplar.


2. Crises e eficácia legislativa

Desde dezembro de 2004, quando o projeto das PPPs foi aprovado, nenhuma legislação substantiva foi votada pelo Congresso. Desde então, viveu-se o ciclo de crises do governo Lula, todas, no fundo, ligadas ao financiamento irregular de campanhas: caso Waldomiro Diniz; ‘mensalão’; o caso da prefeitura de Ribeirão Preto, que derrubou o ministro da Fazenda; depois os ’sanguessugas’ e por fim o caso Calheiros.

Bastou o governo enviar ao Congresso uma legislação relevante – a PEC da CPMF – para que os riscos da sucessão de escândalos políticos novamente fossem registrados. Para aprovar a matéria, é quase certo que o governo será forçado a ampliar sua base no Senado, com nova distribuição de favores e semeando escândalos futuros.

E não adianta iludir-se com a falta de derrotas do governo Lula no Congresso. Elas não ocorrem porque sua agenda legislativa é incapaz de produzir divisões partidárias.


3. Passando ao largo do problema

É evidente que o bom momento da economia e a popularidade presidencial elevada permitem minimizar esses problemas mais estruturais. O governo Lula praticamente não precisa mais do Congresso depois de aprovar a CPMF. É evidente, contudo, que os mecanismos do presidencialismo de coalizão perderam e perderão eficácia. Pensando cinco anos à frente, a mídia estará ainda mais independente do governo e o Judiciário menos disposto a bancar a impunidade dos meios políticos.

(A análise acima foi produzida pela CAC Consultoria Política – empresa sediada em Brasília e que faz também acompanhamento legislativo. É composta por cinco cientistas políticos: José Luciano Dias, André César, João Augusto Castro Neves, César Alexandre Thomaz de Carvalho e Paulo Castro. Publicada pelo Blog de Noblat).

17/09/2007 - 13:44h Caso Renan: "Resultado do julgamento tem que ser respeitado"

César FelícioA oposição poderá trilhar um caminho arriscado caso leve às extremas conseqüências a sua estratégia de obstruir as sessões no Senado presididas por Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Casa absolvido em plenário da acusação de falta de decoro, na última semana. Para a cientista política e professora da UFMG Maria de Fátima Anastasia, especialista em análise das instituições, “não há sistema político que se mantenha se não for capaz de tomar decisões”. A radicalização da oposição, em tese, poderia levar a este impasse.

“No Senado, a oposição representa uma minoria, mas robusta, e tem quase a quantidade de votos necessária para impedir a aprovação de propostas que exijam quórum qualificado”, lembra a professora. O possível impacto de um endurecimento da oposição no Senado pode ser medido por uma recente pesquisa do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), que constatou que em mais de 50% das votações em plenário a maioria dos senadores do PSDB e o DEM acompanharam a base governista. “Houve apoio porque as agendas se cruzaram, em questões como a da Previdência. Um recurso recorrente à obstrução a tal ponto de se impedir que se discuta, se debata e se decida pode ser algo que provoque alguma preocupação”.

O sucesso da tática da obstrução poderia levar a oposição a deixar de capitalizar uma possível onda de indignação da opinião pública com a absolvição do senador. “Foi muito ruim o resultado do julgamento, mas se as regras do jogo foram seguidas, ele teria que ser respeitado, sob pena de entrarmos em um universo hobbesiano”, diz a professora, frisando que levava a análise ao paroxismo: “É preciso deixar claro que sequer avento a hipótese de uma crise institucional, o sistema democrático representativo no Brasil é sólido, mas fazer obstrução contra um resultado de acordo com as regras estabelecidas, ainda que seja direito das oposições, não me parece ser a opção mais acertada do ponto de vista do funcionamento da democracia”.
Segundo Fatima Anastasia – irmã do vice-governador mineiro, o também acadêmico Antonio Junho Anastasia – é crucial separar em ocasiões de escândalo as instituições das pessoas que as compõem. “Eu não tenho dados que me permitam dizer sim ou não em relação à uma possível queda da credibilidade do Congresso. Mas os congressistas estão muito desacreditados e isto está respingando na instituição, o que é particularmente deplorável “.
Co-autora de um livro que compara o que chama de “arranjo institucional”- por analisar de forma combinada o sistema de divisão de poderes e a organização de partidos políticos – dos dez países da América do Sul, Anastasia vê virtudes no modelo brasileiro. Ressalta que o sistema partidário é razoavelmente mais sólido que o de países como Peru e Argentina. “Este arranjo, chamado de ‘presidencialismo de coalizão’ por Sérgio Abranches, tem grandes virtudes, porque conduz à dispersão dos poderes. E esta dispersão é benéfica para a democracia”, afirma.
Ao ser indagada se a onda de escândalos de corrupção no Legislativo não poderia levar o Executivo a se fortalecer, como se fosse o único representante popular, Anastasia cita o controle pelo voto. “Dados compilados pelo Centro de Estudos Legislativos da Universidade mostram que, dos deputados envolvidos nos escândalo do mensalão e dos sanguessugas, 59 se recandidataram. Destes 59, apenas nove se reelegeram. Ou seja, os eleitores estão tendo um comportamento de punir os envolvidos no escândalos”, comentou a professora. Anastasia lembra que há uma diferença de gradação entre um episódio e outro. “Os envolvidos no mensalão foram 11 e reeleitos seis, ou 55%, um percentual alto. Dos envolvidos no outro caso, que são 47, se reelegeram apenas quatro. Uma hipótese para se explicar a diferença é que o mensalão estava mais distante da eleição do que os sanguessugas”, comenta.
Anastasia defende a manutenção do Senado – há propostas, dentro de partidos como o PT, para que se estabeleça o unicameralismo, tal como foi feito na Venezuela – mas afirma que a Casa mantém regras que são um desafio para o que os cientistas políticos chamam de accountability , ou mecanismos de controle e transparência das instituições.
“Veja o resultado da votação. Trinta e cinco senadores votaram contra a cassação. Antes, nove afirmaram publicamente que votariam assim. Depois da votação, quando os votos contrários à perda de mandato foram 40, ainda assim a maioria disse que havia votado a favor da cassação. Na casa legislativa, estão ali representantes e é perfeitamente razoável por parte dos representados quererem ter ciência do que ocorre. O voto secreto só é melhor que o aberto na apreciação de vetos. Informação na democracia é absolutamente importante e crucial”, diz.
Ressalvando que o Senado é menos estudado que a Câmara entre os cientistas políticos, Fátima Anastasia afirma que o sistema de suplência no Senado é outro entrave para o controle social. “Há um número muito grande de suplentes em exercício efetivo e na imensa maioria dos casos são desconhecidos, empregados, parentes ou financiadores de campanha dos senadores. Como se cobrar o voto deles? Há um déficit de representação”, afirma.

Anastasia resgata uma proposta elaborada pelo cientista Charles Peçanha, do Iuperj do Rio de Janeiro: a de criar um sistema de sublegendas para fazer a eleição de suplentes: assumiria a função o segundo e o terceiro colocado do mesmo partido dentro de uma chapa. “Seria algo como uma eleição proporcional para o Senado. É uma alternativa interessante”. Fonte Valor

17/09/2007 - 11:14h "Choque de gestão" é regressão social, O modo tucano de governar

Alagoas e Rio Grande do sul, Estados governados por tucanos, expõem melhor que qualquer discurso o modo peessedebista de governar. Hoje a Folha de São Paulo publica uma reportagem sobre Alagoas (ver a seguir), indicando que a política aplicada nesse Estado é copiada de aquela implementada em Minas Gerais, pelo também tucano Aécio Neves. Estranhamente o jornal não ilustra o “choque de gestão”, formula utilizada por Geraldo Alckmin, na sua aplicação no Estado de São Paulo durante a administração Alckmin e na atual de José Serra.

Mudou entre um e o outro? é igual?

Em que consiste o “choque” tucano?

Resolver os problemas financeiros dos Estados, muitos deles em situação gravíssima de endividamento e quase inadimplência, reduzindo brutalmente o dinheiro da saúde, da educação e dos funcionários públicos. No caso de São Paulo, Estado “rico” da Federação, o método consistiu em privatizar a maior parte do patrimônio. Dando continuidade, o governo Serra prevê a privatização da CESP e a concessão às empresas privadas do rodoanel e outras estradas construídas com dinheiro público. O complemento desta política se traduz nos baixos salários dos professores, dos agentes de saúde, dos policiais militares e na falta de investimentos essenciais no combate a dengue, por exemplo. Investimento para valer só como contra-partida, pequena, aos recursos do governo federal. Ao mesmo tempo que faz caixa para obras de grande impacto eleitoral, o que acaba gerando uma ambivalência no governo Serra: agir como Lula ou como FHC?

Acontece que José Serra tem como única obsessão ser candidato a Presidente e isto, em 2010, não é compatível com o perfil tradicionalmente liberal-privativista do PSDB de FHC, Alckmin e companhia. Serra quer ocupar o espaço do centro-esquerda, espaço que hábilmente Aécio Neves ocupa na sua aproximação com Lula e o PT de Minas. Eis o porque do jogo de “empurra-empurra” entre os presidenciáveis tucanos e as bicadas entre eles.

A Folha de São Paulo tem sido geralmente “generosa” com os tucanos em geral (basta ler o que escreve o próprio ombudsman do jornal), mas agora que o conflito entre Aécio e Alckmin, de um lado, e Serra do outro, começa a esquentar, alguns tucanos perdem as plumas nos artigos do jornal. O leitor acaba tomando conhecimento assim da realidade da política tucana e, en passant, das escolhas do próprio jornal.

Luis Favre

Folha de São Paulo

“Choque” tucano provoca crise administrativa em Alagoas

Governador Teotonio Vilela Filho enfrentou 183 dias de greve do funcionalismo após adotar modelo de gestão aplicado em Minas Gerais por Aécio Neves

THIAGO REIS
DA AGÊNCIA FOLHA

FÁBIO GUIBU
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MACEIÓ

O modelo de administração adotado pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) em Alagoas, inspirado no “choque de gestão” aplicado em Minas Gerais pelo também tucano Aécio Neves, foi o grande responsável pela crise no Estado nordestino. É o que afirmam a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a CUT (Central Única dos Trabalhadores) alagoanas.
Nos cerca de nove meses de governo, Teotonio enfrentou 183 dias de greve de diversas categorias (algumas ao mesmo tempo), o que equivale a 71% do tempo em que esteve no cargo. Não houve um mês sem greve.
“O governador de Alagoas criou uma bomba orientado pelo pessoal de Minas Gerais. Usou uma receita mineira dada por técnicos e conselheiros políticos que vieram para cá”, afirma Izac Jacson, presidente da CUT-AL.
Ele diz que o decreto baixado em janeiro por Teotonio, que suspendeu os reajustes salariais dados em abril de 2006 a todos os servidores, gerou uma “quebra de confiança”.
“Havia um acordo. Durante o processo eleitoral, ele assumiu o compromisso de não mexer nos salários. Ocorreu uma traição. Ele elencou a folha de pessoal como principal guarda-chuva para fazer caixa”, disse.
Policiais militares, médicos, funcionários públicos da Saúde, policiais civis, professores e servidores da Educação já fizeram greve neste ano. As quatro últimas categorias estão paradas no momento.
De acordo com Jacson, outros servidores também podem parar: “Os agentes penitenciários podem parar no dia 20. Tem fugido preso todas as semanas, e o governo quer que eles se responsabilizem pela parte externa dos presídios. Eles são agentes socializadores, não de segurança.”

Estopim
O decreto, publicado em 15 de janeiro no “Diário Oficial”, foi o estopim para uma paralisação geral, que teve início no dia 16. Uma semana depois, o governador revogou o decreto, mas a crise permaneceu.
Para o presidente da OAB-AL, Omar Mello, a importação do modelo mineiro explica o quadro atual: “Veio gente do PSDB de lá trazendo essa obra-prima de gestão. O que existe em Minas é um trabalho bem elaborado de marketing. Há, na verdade, um sufocamento do servidor público. Ele é tratado a pão e água. Não dá para imaginar como um Estado pode crescer mantendo um serviço público em baixa, desestimulado”.
A expressão “choque de gestão” foi utilizada à exaustão por Geraldo Alckmin (PSDB) na campanha presidencial do ano passado. O programa trabalha com estabelecimento de metas e contrapartidas e se funda no enxugamento da administração, no aumento da capacidade de arrecadar e no gerenciamento de despesas.
O governo de Alagoas firmou convênio com duas empresas de consultoria, a Macroplan e a INDG, usadas por Aécio, para elaborar o plano de gestão. Teotonio viajou a Minas para conhecer o programa. Com o “choque de gestão”, Aécio disse que conseguiu zerar seu déficit. Mas para Mello, da OAB-AL, Minas vive uma “farsa, um desenvolvimento de fachada”.

16/09/2007 - 11:08h Dois mundos


Tereza Cruvinel

Na semana turbulenta em que todos perderam, mas o campo governista pagou custo político maior com o desfecho da crise do Senado, a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE trouxe números alentadores mostrando que a vida dos brasileiros melhorou em todos os aspectos no ano passado. Enquanto a campanha eleitoral corria, os pesquisadores estavam colhendo os dados. Por isso, diz o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, “quem não entendeu porque Lula ganhou devia ler a PNAD com atenção”.

A decrepitude da política e a exuberância da PNAD são sinais deste tempo singular que, com suas gritantes contradições, turvam as visões.
Se o governo acha que “nunca antes” tudo andou tão bem, embora a própria PNAD mostre muito do que falta por fazer, a oposição discursa como se tudo fosse um pântano e regressão.

A indireta de Paulo Bernardo é para a oposição que sextafeira, ainda com os nervos tensos de revolta com a absolvição de Renan Calheiros, minimizava a pesquisa ou negava ao governo atual qualquer mérito nos resultados (que decorreriam apenas da manutenção da política econômica de FH).

Foi o que disseram alguns de seus líderes, como o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) e o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), acrescentando que a melhora não é maior porque o Brasil (por falha do governo) vem crescendo bem menos que outros emergentes. É verdade, mas o sujeito que arranjou emprego, pôs mais dinheiro no bolso, comprou computador ou entrou no mundo dos plugados à internet não está interessado, em seu julgamento político, no desempenho da economia de qualquer outro país. Não pensa que, se morasse na Índia ou no México, estaria ganhando bem mais.

Lula, em Oslo, estava muito mais atento à PNAD do que à crise no Senado, no dia seguinte à absolvição de Renan (no que pese o aperto que o governo passará para tirar dali uma CPMF aprovada). Cobrou na quinta-feira à noite o resumo da pesquisa. Bernardo prometeu enviá-lo mais tarde, Lula encontraria o fax ao acordar.

Não, disse ele, “vou ficar acordado até você mandar”.

O que há de bom na PNAD não foi feito apenas neste governo mas os números dizem que todos os indicadores melhoram no primeiro mandato Lula. O rendimento do trabalho cresceu 7,25% em 2006 mas foi de 13,5% no Nordeste, região em que Lula foi mais votado.

No governo anterior, houve crescimento de 2,7% em 1996, impacto do Real, mas depois quedas sucessivas que culminaram nos -7% de 1999, ano da debacle cambial. Lula também começaria com -7% em seu arrocho de 2003; 2004 seria nulo, mas já houve crescimento de 4,5% em 2005. Segundo a pesquisa, a metade mais pobre da população foi a mais beneficiada pela recuperação da renda, a maior, para essa faixa, em dez anos. No entanto, a renda média não superou o salto de 1996, quando chegou a R$ 975. E esse é um benefício que vai muito além do universo do Bolsa Família.

O índice de Gini, relativo à desigualdade, entre 1995 e 1998 teve queda (melhora) de 1,71%. Entre 1998 e 2002, de 2,09%. Entre 2002 e 2006, de 3,91%. É uma melhora continuada, acentuada no último período.

A modernidade está chegando de forma mais homogênea para todos. O acesso ao telefone, fixo ou móvel, cresceu em todas as regiões, assim como o acesso ao computador e à internet.

Mas se no Sudeste 29,2% dos domicílios têm PC e 23,1%, acesso à internet, no Norte e no Nordeste esses índices ficam em 6%. É a persistência da grande desigualdade regional.

Houve melhora na escolarização e queda ligeira no analfabetismo. O Pro-Uni, vai se gabar o governo, contribuiu para o aumento de 13,2% no número de estudantes universitários.

Em 2006, o crescimento do trabalho infantil incomodou muito Lula na campanha.

Era sempre cobrado por isso e admitia a falha.

Foi sobre ele que primeiro perguntou a Bernardo.

Houve queda, de 12,2%, em 2005, para 11,5% em 2006 mas ainda é inaceitavelmente alto. Ele quer agora um estudo detalhado das áreas que mais precisam melhorar. E são muitas.

Estamos longe de 2010, mas se houvesse uma eleição hoje, haveria marqueteiros em desacordo.

Os da oposição diriam, parodiando James Carville, aquele de Clinton: “É a política, estúpido”. E a política anda estupidamente regressiva.

O do campo governista diria: “São a economia e as politicas públicas, estúpidos”. É uma estupidez ignorar o peso que ambas tiveram na reeleição de Lula. O danado, para o país, é quando há uma conta de soma zero entre a ação política e as políticas públicas.

Hoje, parece ocorrer isso.

Leia a integra da coluna de Tereza Cruvinel no jornal O Globo (para assinantes)

16/09/2007 - 09:57h Faltando 3 anos para eleição presidencial, Serra lidera pesquisa

Serra lidera sondagem para sucessão presidencial

Levantamento do Ipsos revela que governador paulista bateria hoje Aécio Neves, Ciro Gomes e Marta Suplicy

O governador paulista José Serra (PSDB) é , neste momento, o candidato presidencial preferido do eleitorado brasileiro entre seis nomes apresentados aos eleitores na pesquisa Estado/Ipsos. Ele alcançou 34% das citações, contra 12% do deputado Ciro Gomes (PSB), 10% do governador mineiro Aécio Neves (PSDB) e 8% da ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT).

A pesquisa não computou a influência no pleito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que não poderá concorrer em 2010, mas será um importante eleitor. ‘Quando Lula apoiar alguém, esse candidato vai crescer’, assegurou Alberto Carlos Almeida, diretor da Ipsos Public Affairs. A pesquisa teve, ainda, os nomes do prefeito carioca César Maia (DEM), que teve 3%, e do ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), que ficou com 1%. Almeida considerou que a ampla preferência por Serra manifestada pelo eleitorado da Região Sul repete um sentimento crítico a Lula e ao PT que já tinha se revelado em 2006. Segundo o diretor da Ipsos, Serra teve porcentual mais baixo no Sudeste porque dividiu preferências com Aécio.

Para Almeida, o índice alcançado por Ciro demonstra que o deputado cearense mantém o recall obtido nas eleições de 1998 (quando obteve 11% dos votos) e 2002 (quando chegou aos 12%). Ele afirmou que um candidato petista poderá almejar, em 2010, mais que os 8% de Marta Suplicy, já que as pesquisas revelam que o PT tem uma faixa de simpatia que varia entre 20% e 25% do eleitorado.

Serra liderou em todas as regiões brasileiras. A maior vantagem foi no Sul – que tem 15% do eleitorado brasileiro – , onde despontou com 45%, contra 9% de Ciro e 6% de Marta. No Nordeste (27% do eleitorado), reduto de Lula, Serra alcançou 37%, contra 18% de Ciro (que tem forte prestígio na região), 5% de Maia e 1% de Aécio.

No Sudeste, que abriga 44% do eleitorado e onde se situa o Estado que governa, Serra tem um desempenho relativamente modesto, com 31%, contra 17% de Aécio e 11% de Marta. Almeida, no entanto, destaca que a soma dos dois tucanos é muito expressiva, quase chegando à maioria absoluta. No Norte/Centro-Oeste, com 14% do eleitorado, Serra teve seu pior desempenho, 26%, contra 14% de Ciro e 9% de Aécio. Nas duas regiões, o desempenho do tucano ficou abaixo da expectativa, diz Almeida.

TRANSFERÊNCIA DE VOTO

A pesquisa, segundo Almeida, ainda não registra indícios da transferência de prestígio de Lula para algum de seus possíveis candidatos. A primeira evidência disso é que até aqui o PT está longe de ter um nome hegemônico. A segunda é que até aqui Lula não fez nenhum movimento público para credenciar um possível sucessor.

A terceira é que o perfil da votação obtida por ele, na eleição de 2006, não é reproduzido na pesquisa por seus potenciais aliados. Na faixa que reúne os analfabetos e o grupamento que cursou até a 4ª série do ensino básico, na qual Lula imperou em 2006, Serra teve 30%, contra 12% de Ciro e 8% de Marta.

A pesquisa Estado/Ipsos fez 1.000 entrevistas entre os dias 22 e 31 de agosto, em 70 cidades, com margem de erro de 3 pontos porcentuais.

O Estado de São Paulo (para assinantes)

13/09/2007 - 15:03h Conversa Afiada entrevista o professor Wanderley Guilherme dos Santos


Quando se fala em mídia como o “Quarto Poder”, qual é a primeira coisa que lhe vem à cabeça?

A primeira coisa que me vem à cabeça: não é uma particularidade nacional. Porque, na verdade, na teoria democrática clássica, não havia previsão para o aparecimento de um lugar institucional com poder político relevante. Então, você tinha o Parlamento e você tinha o Executivo. O Parlamento podia ser dividido em duas Casas, como quando tem Senado e Câmara, ou ser unicameral. O Executivo podia ser ou de gabinete ou uma Presidência da República. Mais o Judiciário, quando árbitro dos conflitos eventualmente surgidos entre as duas estâncias anteriores. Mas não havia, não há previsão em nenhuma teoria, de algo, de uma instituição que veio a ser a imprensa. Como também, aliás, não havia para as Forças Armadas. Não se concebia que as Forças Armadas viessem a ser um ator político relevante.

Mas, sobretudo, a imprensa. Porque, de certo modo, ela encarnaria não um poder, mas a vigilância do poder. Era a garantia do direito de opinião, a garantia do direito de expressão de idéias e a garantia de vigilância dos poderes constituídos. Então, era muito mais um órgão defensivo e reflexivo do que interferente. A partir do momento em que você tem uma sociedade de massa, ou seja, o tamanho do eleitorado traz novidades para o funcionamento da democracia – ninguém jamais imaginou eleitorado de mais de dez milhões de pessoas –, isso também trouxe uma modificação do papel das instituições. Em princípio, elas interagem com estas massas que têm peso.

O resultado foi que aquelas instituições que, de certa maneira, condicionam e influenciam a formação de opinião das massas, fazendo com que a disposição delas se altere ou se incline numa direção ou em outra, aquelas instituições passaram a ter um papel de importância.

A imprensa, os órgãos de comunicação e informação, na medida em que condicionavam e orientavam a inclinação desta população, e o peso delas se tornando cada vez maior dentro do funcionamento das democracias, fizeram com que esta instituição, a imprensa, passasse a ter um papel híbrido: de um lado, refletia o real; e de outro, ao mesmo tempo, interferia, interfere e condiciona as alternativas deste real.

É necessário deixar claro que isso não aconteceu por nenhuma conspiração, nenhum plano previamente estipulado. Foi assim, numa democracia de massa, com o problema do populismo, por exemplo. Este novo papel desempenhado pela imprensa, envolvida no seu papel constitucional, teórico, de expressão de opinião, controle e vigilância da ação dos poderes públicos, e, ao mesmo tempo, cobrar responsabilidade desta instituição pública, tem que ter norma a que deva obedecer, tem que ter instâncias de julgamento – com o qualquer agente público. E não se trata de julgamento estritamente policial, trata-se de julgamento político. Não existe consenso sobre como conciliar esta responsabilidade, que deve ser cobrada neste ato público, com o que é fundamental também numa democracia – que é o respeito à liberdade de imprensa, à liberdade de opinião.

Quer dizer, a liberdade de expressão de opinião é crucial e essencial na definição do que é democracia. Quando esta expressão de opinião pode de alguma maneira trabalhar contra a democracia, cria um problema. É o mesmo problema que se coloca em relação a partidos revolucionários. Democraticamente, é necessário que se permita a organização em partidos as diversas opiniões, correntes. Agora, em que medida este direito deve ser ou pode ser assegurado a partidos cujo objetivo é fazer com que desapareçam as instituições que permitam que ele exista – isso é uma complicação numa teoria democrática. Então, esse é um problema contemporâneo da imprensa, não é só no Brasil: como conciliar os dois papéis que a imprensa tem. Primeiro, como instituição da sociedade privada de exprimir o que se passa no mundo e a opinião da população. Por outro lado, na medida em que se comporta como ator político, ter instâncias que cobrem responsabilidade política dessa instituição.

Este problema já foi resolvido em algum país?

Institucionalmente, não. O que você encontra é uma evolução da cultura política e também do poder da sociedade civil, do poder privado. Na verdade, até agora não se criaram instituições consensuais para a solução deste problema. Tem sido resolvido pela idéia gradativa de redução da importância da imprensa, como condicionador das atitudes da população. Isso é o que tem acontecido nas sociedades ricas, porque dependem cada vez menos das políticas de governo. Porque são ricas, porque a sociedade é abundante, então, a opinião que os jornais e as televisões começam a distribuir – dizer que o governo é isso, que o governo é aquilo, isso não tem conseqüência sobre a vida privada dos cidadãos. E por isso mesmo a opinião da imprensa deixa de ser relevante. Então, o que tem acontecido nos países mais estabilizados, não é que se tenham criado instituições de controle ou de chamada à responsabilidade, mas que os jornais e as televisões vêm perdendo importância.

Especificamente no Brasil, como é que esse cenário se desenvolveu? Quem se aproveitou?

Quem se aproveitou eu não sei. No Brasil, você tem uma circunstância peculiar que é o fato de que as empresas jornalísticas têm os interesses empresariais também fora do circuito de informação. Então, isso faz com que as opiniões da imprensa não se apoiem apenas, como se diz, pelos preceitos de seus comentários, mas pelo interesse de matérias econômicas também, que são defendidos sob a desculpa, o contexto de que está sendo defendido o interesse da população. Então, este aspecto é o aspecto que não se encontra muito nos países desenvolvidos: a distância entre empresas, empresas jornalísticas que têm interesses comercias e empresariais, além dos interesses jornalísticos.

E isso cria uma situação muito particular, porque, afinal de contas, os interesses econômicos e empresariais de proprietários de jornais deviam ter suas instâncias de defesa e não utilizar a imprensa para isso. Mas, esta é a peculiaridade do Brasil. E é isso o que se mistura com freqüência no Brasil: as campanhas políticas desenvolvidas pela imprensa, sob o pretexto de que são questões que se quer públicas, mas, na verdade, são interesses privados dos próprios empresários jornalísticos.

Paulo Henrique Amorim costuma dizer que em nenhuma democracia importante do mundo os jornais e uma só emissora de TV têm a importância política que têm no Brasil.

Quer dizer, só em países mais ou menos parecidos com o Brasil. Fora países, digamos, com renda per capita inferior a 30 mil dólares, fora países desta faixa, isso não existe. Ou seja, em todos os países (com renda superior a 30 mil dólares), a imprensa não tem esta capacidade de criar crises políticas, como tem nos países da América Latina.

Aqui no Brasil, com esta importância política que os jornais e a Globo têm, como é que eles exercem este poder?

O modo tradicional de exercer o poder em países como o Brasil, e isso tem acontecido historicamente com freqüência, é a capacidade que a imprensa tem de mexer na estabilidade, ou seja, de criar crises, cuja origem é simplesmente uma mobilização do condicionamento da opinião pública. O que a imprensa nos países da América Latina, e particularmente no Brasil, tem é a capacidade de criar instabilidades. É a capacidade que a imprensa tem de criar movimentação popular, de criar atitudes, opiniões, independentemente do que está acontecendo na realidade. Isso é próprio de países latino-americanos, mas particularmente no Brasil, em que as empresas jornalísticas têm poder econômico e capacidade e disposição para a intervenção política. Então, a arma da imprensa no Brasil, o seu recurso diante dos governos: esta capacidade de criar instabilidade política.

Como é que o senhor vê o papel da mídia no governo Lula?

Tem dois aspectos. O primeiro aspecto é fato de o governo Lula ser um governo inédito no Brasil. É realmente um governo cuja composição de classe, cuja composição social é diferente de todos os governos até agora. Isso não foi e dificilmente será bem digerido. Agora, em acréscimo a isso é que, ao contrário do que se teria esperado ou gostariam que acontecesse, este é um governo que até agora tem se mantido fiel à sua orientação original, independentemente das discussões internas do grupo do PT. A verdade é que as políticas do governo têm prioridades óbvias, que são as classes subalternas. Isso é algo que irrita e, conseqüentemente, faz com que aumente a disposição da imprensa para acentuar tudo aquilo que venha a dificultar e comprometer o desempenho do governo.

Em que outros episódios da Historia do Brasil a imprensa usou a arma da instabilidade?

No Brasil, tivemos em 1954, com a crise que resultou no suicídio de Vargas, em que tudo foi utilizado. Documentos falsos que foram apresentados como verdadeiros, testemunhos de estrangeiros que seriam associados a confusões internas…

Houve em 1955, na tentativa de impedir a posse de Juscelino Kubitschek. E em 1961, na crise de Jânio, na sucessão do Jânio. E em 1964.

Depois, durante o tempo do período autoritário, evidentemente, houve uma atuação explícita da imprensa. Não se falava a favor, mas também não se desafiava. Com o retorno da democracia, a imprensa interveio outra vez, na sucessão de Sarney, com todas as declarações e reportagens absolutamente falsas em relação ao candidato das forças populares, que já era Lula. Isso se repetiu nas duas eleições de Fernando Henrique, mas mais moderadamente. Foi bastante incisiva durante a primeira campanha. Na segunda, a imprensa se comportou razoavelmente. Houve certas referências, mas nada escabroso.

Mas, os dois últimos anos foram inacreditáveis em matéria de criação de fatos sobre nada: foi inacreditável. Para 50 anos de vida política, é uma participação à altura dos partidos políticos e dos militares. Quer dizer, fazem parte da política brasileira os partidos, as Forças Armadas e a imprensa.

Destes episódios que o senhor listou qual o senhor acha que é o mais emblemático?

Eu acho que dois episódios. Primeiro, a tentativa de impedir a posse de Juscelino Kubitschek. Por quê? Porque Juscelino não era intérprete ou representante de uma classe ascendente. Ele pertencia à elite política. Era um homem do PSD – Partido Social Democrata. Juscelino era um modernizador. Portanto, a tentativa de impedir a sua posse mostra o radicalismo e a intolerância das classes conservadoras brasileiras. Quer dizer, naquele momento, não aceitava nem mesmo um dos seus membros, porque era um modernizador. Este episódio é bem emblemático. Não houve nada de dramático, de trágico ou suicídio, mas é um exemplo de até onde pode chegar a intolerância do conservadorismo brasileiro. É impressionante. Esse foi pra mim um episódio que define muito bem até onde o conservadorismo é capaz de violar os escrúpulos democráticos.

E o segundo?

É agora com Lula, porque a posse de Lula realmente revela uma nova etapa histórica no país. E revela o quanto o conservadorismo se dispõe a comprometer o futuro do país, pelo fato de o governo estar sendo exercido pelo intérprete de uma nova composição social. Isto é, há um grupo parlamentar e há grupos privados – e neles se inclui a imprensa – dificultando a implementação de políticas que são reconhecidamente benéficas ao país, porque estão sendo formuladas e implementadas por um governo intérprete das classes populares. Isso é impressionante. Quer dizer, no fundo, aquilo que os conservadores dizem que as forças populares – segundo eles, para a esquerda, quanto pior melhor –, na prática, quem pratica o quanto pior melhor são os conservadores.

Por que, na opinião do senhor, a mídia se considera inatacável, indestrutível?

Ela se considera indestrutível porque ela tem razões para isso. Ou seja, uma das instituições que até agora vem resistindo à democratização, à republicanização do país é a imprensa. Um país moderno e democrático é um país em que não existe instituição ou pessoa com privilégio de direitos, pessoa que não seja submetida à lei. Na medida em que a democracia se implanta nos países, se reduz o número de instituições e grupos sociais que não se submete à lei. Todo mundo fica, de fato, igual diante da lei. Isso vem acontecendo gradativamente, vagarosamente, mas inapelavelmente no Brasil. Na realidade, nós temos até que as Forças Armadas hoje, no Brasil, estão mais democraticamente enquadradas, mais juridicamente contidas do que a imprensa. Hoje, é muito mais difícil para um representante das Forças Armadas violar impunemente as leis do que a imprensa.

Wanderley Guilherme dos Santos é titular da Academia Brasileira de Ciências, diretor do Laboratório de Estudos Experimentais e pró-reitor de Análise e Prospectiva da Universidade Cândido Mendes, professor titular aposentado de teoria política da UFRJ e membro-fundador do Iuperj.

Seus últimos cinco livros publicados são: Governabilidade e Democracia Natural (FGV editora, 2007) O Paradoxo de Rousseau (Editora Rocco, 2007) Horizonte do Desejo (Editora FGV, 2006) O Ex-Leviatã Brasileiro (editora Civilização Brasileira, 2006) O Cálculo do Conflito (UFMG, 2003)

04/09/2007 - 17:32h Cadê Tereza?

Rádio do Moreno com Tereza Cruvinel

Congresso do PT mostrou um partido fragilizado e dependente do presidente Lula. Essa é a avaliação de Tereza Cruvinel, que acredita que Lula passou do ponto, ao defender correligionários que viraram réus.

Ouça aqui.

04/09/2007 - 16:18h Arguto de fina estampa

18/08/2007 - 12:50h O 1º round de Serra e Aécio

A cúpula do DEM transmitiu ao governador de São Paulo, José Serra, a seguinte mensagem: está disposta a abrir mão da vaga de vice na chapa presidencial do PSDB em 2010, seja para acomodar um peemedebista, seja para alojar um tucano. A oferta é um lance para ajudar Serra a consolidar o favoritismo na disputa interna do PSDB pela candidatura ao Palácio do Planalto.

Obviamente, há uma contrapartida: apoio do PSDB à reeleição de Gilberto Kassab para prefeito de São Paulo no ano que vem. No entanto, há um tremendo obstáculo. Pesquisa Datafolha publicada no domingo 12 de agosto mostrou que o ex-governador e ex-candidato a presidente Geraldo Alckmin lidera a corrida paulistana com boa vantagem em relação aos demais concorrentes. No cenário atual, Alckmin se elegeria prefeito da maior cidade do país.

Para ajudar Serra, o DEM se comprometeria a apoiar a candidatura de Alckmin a governador em 2010. Ou seja, o cenário ideal para Serra seria reeleger Kassab e ser candidato a presidente com Alckmin precisando do seu apoio para voltar ao Palácio dos Bandeirantes.

Detalhe: Alckmin está mais interessado em ser prefeito de São Paulo. Se ele optar por esse projeto, fará o jogo de outro presidenciável tucano, o governador de Minas, Aécio Neves. Serra sabe disso, e está preocupado.

As articulações para as eleições municipais do ano que vem são uma espécie de primeiro round entre os dois presidenciáveis tucanos. Serra tem a seu favor o apoio de caciques tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e a liderança em todas as pesquisas sobre a sucessão presidencial de 2010.

Já Aécio busca se viabilizar por meio de amplas articulações políticas. Flerta com o PT, sinalizando para Lula que não seria um candidato a presidente hostil à sua administração. Uma vez na Presidência, trataria bem Lula e o PT.

Aécio também busca pontes com PSB, PDT e PC do B, três legendas que hoje tem expectativa real de poder com a possível candidatura do socialista Ciro Gomes. Ciro conta com a simpatia de Lula.

Num cenário admitido no Palácio do Planalto, Lula assistiria o jogo sucessório de camarote. O PT lançaria um candidato –por exemplo, o governador da Bahia, Jaques Wagner. Ciro concorreria com apoio de forças que hoje sustentam o lulismo. Aécio seria um oposicionista amigo, que, se naufragar na disputa tucana, poderia ainda tentar a sorte pelo PMDB.

Lula acha que já passou da hora de Aécio migrar do PSDB para o PMDB, pois avalia que o tucanato não lançará o mineiro. Mas Aécio teme essa aventura. Se perder a disputa no PSDB, poderá se enfraquecer para sair candidato por outro partido. Nesse dilema, vai ficando onde está.

A Serra, que mantém boa relação política e pessoal com Lula, resta o caminho de uma oposição mais dura. Seus aliados preferenciais são os democratas (pefelistas). E ele pode pescar apoios no PMDB, partido que o apoiou em 2002 e no qual tem bases sólidas. Exemplos: dois ministros de Lula o adoram, Nelson Jobim (Defesa) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). O governador paulista tem outro grande sonho. Chegar a um acordo para que Aécio aceite ser o seu vice. O mineiro, porém, tem dado sinais de que prefere holofote próprio.

 

 

Kennedy Alencar, 39, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.E-mail: kalencar@folhasp.com.br