17/08/2008 - 15:23h Educação: O boletim das cotas raciais

Cotistas da UnB têm rendimento melhor do que os demais alunos na área de Humanas, mas suas notas são piores em Exatas

 

Ana Beatriz Magno – Correio Braziliense

Fotos: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press
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Felipe, da engenharia mecatrônica, tem dificuldades para acompanhar o terceiro semestre do curso

 

 

 

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Depois de reprovar no sistema universal, Lucas optou pelas cotas para passar em relações internacionais

 

 

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Laila Antunes, da enfermagem, não sente vergonha de ser uma cotista: “Minhas notas são boas”

 

 

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Lúcio, da engenharia mecânica, vincula o desempenho na UnB à qualidade da educação fundamental

 

 

 

Laila Ramos Antunes cumpre na pele a sina de seu nome. “Laila significa negra como a noite”, diz a moça de 21 anos, aluna do terceiro semestre de enfermagem na Universidade de Brasília. “Entrei pelas cotas e não tenho vergonha disso. Não tive o privilégio de estudar em colégios particulares caros nem venho para o câmpus de carrão”.

Ela vai e volta de ônibus, mora no Guará, usa óculos espelhados, tem cabelo de trançinhas rastafári e convive com uma vontade engasgada de estudar medicina. “Eu tentei três anos e não passei. Desisti, entrei na enfermagem e estou conseguindo entender as aulas com alguma tranqüilidade. Minhas notas são boas”, explica.

A dificuldade de Laila para entrar na UnB e sua facilidade em acompanhar o curso retratam o resultado de uma pesquisa inédita coordenada pelo professor Jacques Velloso, da Faculdade de Educação. Ele compara o desempenho acadêmico dos estudantes cotistas e não-cotistas desde 2004, quando o programa de cotas raciais foi criado, e mostra que a performance dos alunos varia de acordo com a faculdade escolhida.

As notas dos estudantes da área de Saúde, por exemplo, não têm cor. Cotistas e não-cotistas empatam. “São cursos muito disputados no vestibular. O nível de quem entra é muito alto independentemente das cotas e, por isso, durante a faculdade as notas são muito parecidas”, explica o educador Jacques Velloso. “Esse empate ocorre em um terço dos 62 departamentos da UnB”.

Os cotistas empatam com os não-cotistas na Saúde, ganham nas Humanidades e perdem nas Exatas. “Nas Exatas, o aluno precisa de base forte em matemática e física.Essa base ainda é fraca nas escolas públicas de onde vem a maioria de quem entra pelas cotas”, analisa a pedagoga Claudete Batista Cardoso, 27 anos. “Já nos cursos de Humanas, os alunos cotistas podem usar sua experiência social e cultural para obter um bom rendimento acadêmico”, completa Jacques Velloso.

Velloso orientou a dissertação de mestrado de Claudete defendida em maio passado sobre as chamadas políticas de ação afirmativa — aquelas que pretendem compensar séculos de exclusão social, com a concessão de alguns benefícios. Podem ser por raça, por renda familiar, por local de estudo.A UnB optou pelo programa de cotas raciais e há quatro anos garante 20% das vagas no vestibular para afrodescendentes.

Todos têm que comprovar suas raízes. As facilidades, no entanto, acabam no momento da matrícula. “No meu trabalho tentei mostrar que não basta criar o programa de cotas para a entrada na universidade”, analisa Claudete, integrante da equipe de pesquisa de Jacques Velloso. “Os dirigentes da UnB precisam dar mais atenção a esses estudantes depois que eles entram, justamente para ajudar os que têm as notas menores e sofrem pela falta de base no ensino fundamental.”

Felipe Guimarães de Oliveira, 20 anos, morador de Samambaia, sofre para acompanhar o terceiro semestre de engenharia mecatrônica — curso difícil de entrar e dificílimo de terminar: menos de 10% dos alunos conseguem atravessar os cinco anos de faculdade sem ser reprovado em alguma matéria pelo menos uma vez. Felipe bombou já no primeiro período. Foi reprovado em cálculo 1, o bicho-papão dos calouros de Exatas.

“Eu ralo muito. Sempre estudei em colégio público. Era bom aluno, mas já nas primeiras semanas de UnB percebi que eu estava muito distante dos meus colegas. Meus hábitos de estudos eram fracos, me faltava disciplina. Estou tentando me adaptar”, diz Felipe. “Meus pais não têm curso superior. Sou uma exceção aqui dentro. Não é só na cor. É em tudo”.

O rapaz viaja duas horas de ônibus para ir e voltar do câmpus, não fez cursinho nem tem laptop. “Isso tudo influencia. Acho que a universidade deveria ter um programa de reforço acadêmico para nós, cotistas. Às vezes, a reitoria manda umas cartinhas, mas é só isso”, lamenta.

A direção da UnB reconhece que há falhas no programa de cotas. “Estamos tentando reestruturá-lo. Antes, ele era ligado ao gabinete do reitor. Agora, queremos vinculá-lo ao Decanato de Graduação”, explica o professor Luiz Gonzaga Motta, secretário de Comunicação da universidade. “O programa de cotas não pode ser uma jóia política do reitor. Tem que ter finalidades acadêmicas”, emenda Motta.

Humanidades

Se nas engenharias, as notas dos cotistas perdem até dois pontos em relação aos não-cotistas, em várias cursos de Humanas o resultado é inverso. “As diferenças não são tão grandes como na engenharia, mas mostram que o estudante de cota pode se superar quando tem a chance de entrar na universidade”, analisa a socióloga Maria Francisca Coellho, professora do departamento de sociologia. “Isso é bom, democratiza a universidade e investe num valor que vai além da competição.”

Lucas Augusto Santos Batista achou que não conseguiria ganhar a árdua competição para entrar no curso de relações internacionais. Tentou uma vez sem o apoio do programa de cotas. Não conseguiu. “Fiquei com medo de ser reprovado mais uma vez e me inscrevi como cotista. Sou negro, mas não sou pobre. Moro no Plano Piloto e sempre estudei em colégio particular”, diz o rapaz de 18 anos, no terceiro semestre de relações internacionais. “Quero ser diplomata. Não estou com dificuldades na faculdade.”

As pesquisas do professor Velloso mostram que o temor de Lucas não é despropositado.Sem as cotas, um jovem negro teria menos da metade das chances de entrar na faculdade do que com as cotas. “É inegável que o programa tem seus méritos, mas mesmo assim eu discordo das cotas. Só está entrando uma elite negra na universidade, o que desperta uma rivalidade racial dentro do câmpus”, pondera o professor de relações internacionais Paulo Nascimento. “Acho muito mais interessante um programa que beneficie os alunos das escolas públicas, independentemente de suas raças.”

“Lógico que também seria interessante se tivéssemos cotas para os colégios públicos, mas não podemos descartar o que já conquistamos em matéria de democratização do acesso com as cotas raciais. Elas melhoraram a universidade”, rebate a socióloga Maria Francisca.Em matéria de dedicação dos estudantes, os números a apóiam. Os alunos cotistas abandonam menos os cursos. Em 2005, por exemplo, enquanto a evasão dos não-cotistas ficou em 16%, a dos cotistas não passou de 10%.

“Mas no geral, os dados mostram que as cotas correspondem a uma correção necessária para melhorar o acesso à universidade, porém seus resultados são muito pequenos para corrigir as desigualdades sociais e raciais do país”, conclui o educador Jacques Velloso. “Sou de cota, mas sou bom. Sou bom porque tive uma educação fundamental boa. Isso é uma exceção para os cotistas, mas não é um problema dos cotistas. É um problema do Brasil”, ensina o futuro engenheiro mecânico Lúcio Gomes Nascimento, de 19 anos.

APROVEITAMENTO Em um terço dos 62 cursos da UnB não há diferença entre o rendimento acadêmico de cotistas e não-cotistas

EVASÃO ESCOLAR 16% dos estudantes que entraram na UnB sem cotas em 2005 abandonaram o curso. Entre os cotistas esse percentual foi de 10%

HUMANIDADES As notas dos cotistas em 2005 superaram as dos não-cotistas em 18 cursos CHANCES Em 2006, as chances de um aluno negro entrar num curso de ciências humanas sem cotas eram de 9% com as cotas, as chances pularam para 20%

CIÊNCIAS EXATAS Em 2006, as chances de um estudante negro entrar num curso de ciências exatas sem cotas eram de 7% Com as cotas, as chances pularam para 20% ENGENHARIA Numa escala de 1 a 5, a média dos estudantes não-cotistas de engenharia civil em 2006 foi 3,6 entre os alunos cotistas, a nota foi 2,5

SAÚDE Em 2006, as chances de um estudante negro entrar num curso de ciências da saúde, eram de 10% com as cotas, as chances pularam para 20% MEDICINA Em 2006, o rendimento dos estudantes cotistas no curso de medicina foi igual ao dos não-cotistas

12/08/2008 - 10:06h JUDÔ: Ketleyn, uma heroína

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Judoca brasiliense foi matriculada na natação, mas espiava, com curiosidade, as aulas no tatame do Sesi de Ceilândia.

Família lembra os momentos difíceis e a determinação da menina para treinar

 


Marcelo Abreu – Correio braziliense

 

 

Fotos: Cadu Gomes/CB/D.A Press

A avó Marilda, 80 anos:
“Tinha dia que a gente não tinha dinheiro para pagar a passagem”

 

 

 

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Faixa na casa da judoca, em Ceilândia,
que se tornou visita obrigatória para amigos e vizinhos:
a gritaria na hora da medalha contagiou os moradores da rua

 

 

O humilde salão de beleza — com duas cadeiras e dois espelhos, montado na garagem da casa em reforma, em Ceilândia — está fechado há uma semana. A dona, Rosemary Oliveira Lima, de 42 anos, três filhas, separada, não está. Viajou para outro continente. Nunca, em toda a vida, pensou chegar tão longe. Na verdade, o lugar mais longe em que estivera havia sido no Piauí.

Na tarde de ontem, do outro lado do mundo, ela gritou como nunca. Quase não agüentou. Desesperou-se. Depois, chorou. Pensou que vivia um sonho. Na verdade, tudo era um sonho. Até estar ali. Muito longe do Ginásio da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pequim, onde a dona do salão gritava e chorava de alegria, a vizinhança invadiu a casa humilde. E a gritaria era uma só.

Era verdade. A filha da dona do salão havia ganhado a luta. A brasiliense Ketleyn Lima Quadros, judoca de 20 anos, acabara de conquistar a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim. Derrotou a australiana Maria Pekli. Tornou-se, em todos os tempos, a primeira atleta brasileira a subir ao pódio em uma prova individual. Naquela casa do conjunto H da QNM 17 de Ceilândia Sul, uma faixa pendurada no alto avisava: “Minha filha Ketleyn Quadros está nas Olimpíadas de Pequim 2008”. Lá dentro, a gritaria ecoava. Tomou conta da rua. E ainda era madrugada.

Marilda José de Oliveira, de 80 anos, avó de Ketleyn, não pregou os olhos. “Meu Deus, minha Nossa Senhora, foi impressionante”, ela dizia, com forte sotaque mineirinho, ainda em estado de choque. Ex-doméstica, era Marilda quem levava a neta para os treinos, no Sesi de Ceilândia. Aos 7 anos, a menina danada começou a treinar judô. “As dificuldades foram muitas. Tinha dia que a gente não tinha dinheiro para pagar a passagem de ônibus. E hoje ver a minha neta chegar tão longe é a melhor recompensa da vida”, extasia-se a avó. E o coração? “Tem que agüentar, uai! Tem que ficar firme”. Com os olhos marejados, confessa: “Tô louca para dar um abraço nela”.

Em Pequim, Ketleyn subia ao pódio. Em Ceilândia, o povo — amigos, parentes e vizinhos — começou a invadir a casa da medalhista olímpica. As duas irmãs, Aline, de 14 anos, e Maria Eduarda, 1, vibraram como se elas fossem as vitoriosas. A menorzinha acordou com a confusão dentro de casa. Logo nas primeiras horas da manhã, o tititi estava formado. Havia quem, ao passar pela rua e ver a faixa pregada no alto, dizia: “É aí que ela mora!” Outros, incrédulos, duvidavam: “Será mesmo?”

E a romaria de curiosos só aumentava. Reginalda Soares, 33 anos, dona do mercadinho da quadra, levou o filho Wallace, 8, para conhecer as medalhas e os troféus de Ketleyn — expostos como santuário na varanda da casa. Ali, a família colocou todas as conquistas da menina que sonhou vencer. “Trouxe ele aqui para ver se toma isso como exemplo”, explicou.

A família mandou confeccionar, com o dinheirinho suado de cada um, 19 camisetas verdes com a foto de Ketleyn. E a mensagem: “Lutar sempre, cair talvez, desistir jamais”. Cada uma custou R$ 20. Sobrou para o tio da atleta, José Milton Oliveira Lima, 47, que deu o cheque com o valor total. “Espero que todos me paguem”, ele brinca. Depois, comovido, agradece a Deus pela conquista da sobrinha: “É o resultado de toda a luta, da força de vontade e da persistência de Catarina (é assim que o ele a chama, na intimidade)”.

Brigona na rua
E foi assim, com essa persistência, que tudo começou na vida de Ketleyn. Aos 7 anos, uma professora da Escola Classe de Ceilândia, onde a menina estudava, chamou a mãe. E a aconselhou que colocasse a filha numa atividade física. Ketleyn era hiperativa. Gostava de andar de patins, skate, jogava futebol, vôlei e handebol. “Ela nunca gostou de brincar de bonecas”, conta a tia, Roselene Lima, 40, que trabalha nos Correios como carteira.

Ketleyn tinha energia demais e precisava extravasá-la. Rosemery tremeu. Nunca antes ouvira falar em hiperatividade. Chegou até a pensar que a filha fosse diferente. Teria que tomar remédio? Era apenas uma criança normal que precisava ser orientada para usar tanto talento e disposição. A cabeleireira, que trabalhava fora, faltou ao trabalho. Foi atrás de uma vaga para a menina em algum lugar.

Parou no Sesi, de Ceilândia. E logo Ketleyn foi matriculada na natação. Mas quem a levaria para as aulas? A missão coube a Marilda, a avó. Cheia de energia, a danada Ketleyn saía da piscina e ficava olhando os treinos de judô. Espiava com o olho comprido. Queria muito estar ali, naquele tatame. Um dia, o professor Éder Marques da Silva, hoje com 45 anos, chamou a menina para treinar. Ela não pensou duas vezes.

Esqueceu a natação e, ainda aos 7 anos, começava com o esporte que mudaria sua vida para sempre e a consagraria. “Ela, por ser muito danada, gostava de brigar na rua. Com o judô, nunca mais brigou”, lembra Éder, o primeiro técnico. Logo, ganhou sua primeira medalha, em competição infantil. Era de prata. “Ela sempre teve raça”, ele diz, comovido. E continua: “Vê-la hoje (ontem) ganhando uma medalha nas Olimpíadas é sentir o que eu mesmo não consegui. É minha realização. Toda vez que ela volta a Brasília, ela vem aqui. A Ketleyn não se esqueceu da gente”.

O talento da menina logo começou a ser notado. Vieram as competições e as primeiras conquistas. Em 2000, aos 12 anos, ela saiu do Sesi e foi treinar no Espaço Marques Guiness, em Taguatinga. E mais uma vez a mãe cabeleireira se desdobrou para que ela nunca deixasse de ir aos treinos por não ter o dinheiro da passagem do ônibus. “A determinação da Katleyn sempre me impressionou”, admira-se o segundo treinador, Robert Marques, 31. Em 2006, por falta de patrocínio em Brasília, a atleta mudou-se para Minas Gerais. Passou a integrar a equipe do Minas, de Belo Horizonte. E nunca mais parou de competir. Vieram as conquistas nacionais e internacionais. E o sonho das Olimpíadas só aumentava. No próprio Minas, arrumou até um namorado. O rapaz é da equipe de futsal do clube.

Suor e lágrimas
Na madrugada de ontem, o sonho virou realidade. Estava lá, para o mundo ver. Rosemary também quis ver de perto. Chegou à China graças a um mutirão de solidariedade alheia. Patrocínio — de um supermercado, um comércio, de uma faculdade e até de uma farmácia — garantiu a ida da cabeleireira aos Jogos Olímpicos de Pequim. Na manhã insone de ontem, Aline, a irmã de 14 anos, definiu a medalhista: “Ela é uma batalhadora”. João Lima, 44, o tio, revela: “Ela é luz, irradia energia. Tinha certeza que conseguiria uma medalha. E fez isso com muito suor e muita lágrima, mesmo que digam (alguns setores da imprensa a chamam assim pela forma aparentemente fria com que enfrenta as adversárias ) que ela é mulher de gelo. É só aparência. Ketleyn é apenas uma menina e tem uma sensibilidade muito grande”.

A parentada toda, de todos os cantos do Distrito Federal — Taguatinga P Sul, M Norte, Luziânia, Brazlândia, Águas Lindas — lotou a casa humilde da atleta. Marilda, a avó, perdeu a fome. “Uai, como é que a gente come numa hora dessas?” Na madrugada de ontem, Maria Eduarda, a irmãzinha de 1 ano, tocou o rosto de Ketleyn quando ela apareceu na televisão. Bateu palma. Quis beijá-la. Os parentes e amigos também correram para perto da imagem. Queriam abraçá-la. E chamá-la de campeã, heroína, vitoriosa, inacreditável. Como é longe a Ceilândia de Pequim…

11/08/2008 - 09:08h Brasília, centro do poder, vai às compras e atrai indústrias

Ruy Baron / Valor
Trânsito caótico na Esplanada dos Ministérios: frota de veículos de Brasília dobrou nos últimos dez anos

Cristiano Romero – VALOR

Cidade mais rica do país, com renda per capita três vezes superior à média, Brasília vive um boom econômico sem precedentes em sua história. Projetada para ter 500 mil habitantes no ano 2000, a capital federal conta hoje, a dois anos de seu cinqüentenário, cinco vezes mais habitantes do que o planejado. Aos poucos, está deixando de ser apenas a sede do poder para se transformar num pólo dinâmico de desenvolvimento econômico.

Uma classe média endinheirada, escolarizada e, em sua grande maioria, estável no emprego graças ao setor público, vai às compras sem pudor. Estima-se que, no Distrito Federal, cerca de 10% da população, o equivalente a 250 mil pessoas, ganha mais de R$ 20 mil por mês. Isso tem atraído a instalação de novos shopping-centers, concessionárias de automóveis, lojas de luxo, filiais de restaurantes de outros Estados.

A rede Iguatemi, pertencente ao grupo La Fonte, está construindo, por exemplo, um novo shopping no Lago Norte, bairro nobre da capital. Uma das lojas-âncoras do novo centro comercial, com inauguração prevista para o ano que vem, será a Livraria Cultura, o que fará de Brasília a única cidade, além de São Paulo, a ter duas livrarias dessa rede no mesmo mercado. A primeira loja, aberta há apenas três anos no shopping Casa Park, superou as expectativas.

Curiosamente, até 2003, portanto, depois de 43 anos de fundação, Brasília não dispunha de livrarias e de lojas de CDs e DVDs de grande porte. Naquele ano, o grupo francês Fnac abriu o caminho, instalando uma filial no Park Shopping, o maior do Distrito Federal, e atraindo a atenção de concorrentes como a Livraria Cultura. “Os resultados são muito positivos. Brasília tem um mercado potencial muito bom”, atesta Pedro Herz, diretor-geral da Cultura.

Um outro exemplo da pujança do comércio local – o crescimento explosivo da frota de veículos – já provoca dor-de-cabeça nos moradores mais antigos da cidade, acostumados a viver numa metrópole sem trânsito. Os números são impressionantes. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), nos últimos dez anos a frota de Brasília dobrou de tamanho, saltando de 499.049 para 1.020.415 veículos.

Na capital da República, a vida parece imitar uma velha piada, segundo a qual, os brasilienses são feitos de cabeça, tronco e rodas. Há, em média, um veículo para cada 2,5 habitantes. A média nacional é mais folgada: aproximadamente um para cada quatro pessoas. Quando se observa apenas o número de automóveis em circulação, excluindo da conta caminhões, motocicletas, caminhonetes, ônibus e outros veículos, a frota cresceu 89% entre 1998 e junho de 2008, o ritmo mais rápido do país – em São Paulo, o Estado mais rico, o número de carros aumentou 73% no mesmo período.

O resultado dessa corrida sobre rodas foi o surgimento de congestionamentos, especialmente na hora do rush, algo impensável para os criadores de Brasília, os arquitetos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Numa entrevista publicada em março deste ano pelo jornal inglês “The Guardian”, Niemeyer afirmou que, por causa de problemas como o trânsito, sua “obra-prima está fora de controle”.

Na verdade, o que a realidade mostra é uma Brasília muito diferente da cidade idealizada na segunda metade dos anos 50. O comércio exuberante, movido pelos altos salários dos funcionários públicos, explica apenas uma parte da mudança de perfil e da recente explosão econômica. Nos últimos anos, empresas de outros Estados começaram a olhar para a capital federal não apenas como uma cidade administrativa, com um forte mercado consumidor, mas também como um bom lugar para instalar unidades de produção e centros de distribuição de mercadorias.

A União Química Farmacêutica Nacional, por exemplo, instalou no Distrito Federal a sua maior planta de fabricação de remédios, com capacidade para mais do que dobrar a produção das outras três fábricas do grupo. O investimento é tão importante para a empresa que seu presidente, Fernando Castro Marques, mudou-se para a capital federal e, daqui, comanda os negócios do grupo em São Paulo e Minas Gerais. “Viemos para cá porque o Centro-Oeste é a região que mais cresce no país e Brasília é a que mais cresce dentro do Centro-Oeste”, justifica Castro Marques.

A Aché Laboratórios Farmacêuticos, o terceiro maior fabricante de remédios genéricos do país, também deve desembarcar em breve na capital federal. A Biosintética, subsidiária da companhia que produz remédios genéricos, já instalou um centro de distribuição, mas, agora, se prepara para dar um passo mais ousado. “Brasília é o centro geográfico do país. Isto facilita muito o aspecto logístico. Como estamos vendo o crescimento da economia brasileira, com novas classes sociais chegando ao mercado consumidor, é cada dia mais importante estar no centro, principalmente, quando há infra-estrutura, e Brasília tem”, explica José Ricardo Mendes da Silva, presidente da Aché.

A decisão sobre o investimento será tomada dentro de 60 dias, quando o conselho de administração da empresa vai se reunir para tratar do assunto. Mendes da Silva está confiante na aprovação. “É totalmente viável”, diz ele. “O mercado de medicamentos está crescendo muito no Brasil. A capacidade produtiva das plantas da Aché na situação atual começa a ficar apertada para fazer frente a esse crescimento. A planta de Guarulhos (SP) está sendo expandida, vai ficar pronta em dois anos, mas a nossa leitura é que a perspectiva de mercado talvez seja maior do aquilo que teremos capacidade de expandir.”

A concretização do negócio, cujo valor a Aché ainda mantém em segredo, tornará Brasília, segundo Engels Rego, o maior pólo farmacêutico do país. Rego é o responsável, na secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo do governo do Distrito Federal, pela política de incentivos fiscais concedidos às empresas interessadas em se instalar na cidade. “A linha-mestra da nossa política é fortalecer nossas vocações, que são logística, atacado, distribuição, serviços de tecnologia da informação e comunicação e educação à distância”, informa o assessor.

A política de atração de empresas, que oferece descontos de até 80% nos valores dos terrenos e o financiamento de até 70% do ICMS por 15 anos, está dando resultados. Na semana passada, a PepsiCo, multinacional americana de alimentos e bebidas, confirmou que construirá três novas unidades no Brasil, uma delas, em Brasília. Segundo o vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octavio de Oliveira, a unidade brasiliense será a maior fabricante de alimentos da PepsiCo na América Latina. Vai gerar mil empregos diretos e 5 mil indiretos. Na disputa pelo investimento, Brasília venceu a concorrência de duas cidades ícones do agronegócio – Uberlândia (MG) e Anápolis (GO).

Há muito mais em gestação. A construção civil, que sempre foi forte pela própria natureza de Brasília – uma capital construída no meio do cerrado vasto e desabitado -, vive momento de ouro. Apenas em dois bairros de classe média – Águas Claras e Setor Noroeste – serão edificados, nos próximos meses e anos, 396 prédios. No primeiro caso, as construções já começaram. No segundo, os editais de licitação serão lançados este mês.

Brasília tem indicadores invejáveis, para padrões nacionais, nos setores de tecnologia da informação (TI) e comunicação. Ocupa, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o primeiro lugar no ranking brasileiro de residências com computador, com 36,4% de penetração. É a número um também no de residências com acesso à internet (29,7% das casas) e a campeã em lares com telefone (94,1%). No caso da telefonia celular, para cada 100 habitantes, há 116 telefones.

A fusão da Brasil Telecom (BrT) com a Oi (ex-Telemar) ainda nem saiu do papel, mas seus sócios já planejam tirar vantagem desse mercado. A futura empresa, que será a maior do seu gênero no país, tem planos ambiciosos para Brasília. A expectativa, segundo um executivo ouvido pelo Valor, é gerar 10 mil empregos num projeto que, por enquanto, é tratado como “segredo de Estado”. Aposta-se que o investimento ocorrerá nos segmentos de transmissão de dados, comércio eletrônico e “data-center”, vocações “naturais” da cidade, que já é sede da BrT e de grandes empresas de tecnologia de informação, como a Politec, a Poliedro e a CTIS.

Se o plano vingar, diz um executivo da futura BrT-Oi, a companhia vai se tornar o maior empregador privado da cidade. As autoridades locais têm feito gestões, inclusive com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que a sede da nova empresa de telecomunicação fique no Distrito Federal, mas os sócios não vêem nisso uma prioridade. “Fazer a sede em Brasília não vai gerar um emprego a mais. O que planejamos é muito mais ousado”, assegura uma fonte envolvida nas negociações da fusão.

O governo de Brasília acredita que, além da política de incentivos, uma lista de indicadores favoráveis tem atraído a atenção de empresários de fora. São mencionados, por exemplo, o ambiente de negócios (primeiro lugar do Brasil, segundo o ranking “Doing Business”, do Banco Mundial), a qualidade de vida (o IDH é 0,936, o maior do país, equivalente ao da Nova Zelândia e superior ao de países como Alemanha e Portugal) e a mão-de-obra qualificada (17% da população adulta tem nível superior, face à média de 8% no restante do país, e a taxa de analfabetismo é 3,4%, inferior à média nacional de 11,1%).

26/06/2008 - 15:14h Marta, o coelho?

No desenho do coelho Samurai, de Usagi Yojimbo e o autor, Stan Sakai, a tartaruga apóia o coelho. Mas este não é o desenho dos demos e tucanos.*

Pensata

Valdo Cruz – FOLHA DE SÃO PAULO (Online)

Entre democratas e tucanos, há uma avaliação de que a candidata petista à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, será o coelho da eleição municipal. Uma analogia com as corridas de fundo do atletismo, em que um atleta dispara na frente, puxa o ritmo, mas sai fora da disputa para dar lugar aos corredores com chances reais de vencer. Uma análise, óbvio, positiva e otimista para o futuro dos candidatos tucano Geraldo Alckmin e democrata Gilberto Kassab. Segundo essa crença, a cadeira de prefeito de São Paulo está reservada em 2009 àquele que chegar em segundo lugar no primeiro turno: ou Alckmin ou Kassab. É dado como certo que os votos de um e de outro devem se unir no segundo turno para derrotar a candidata petista, ex-prefeita da cidade. Talvez proceda, mas diria que ainda é cedo para dizer que no segundo turno se dará uma soma automática dos votos alckmistas e kassabistas. Ainda mais sabendo que o processo de lançamento da candidatura tucana foi sangrento, apesar das poses para fotos de serristas e alckmistas como se fossem e ainda sejam grandes e fiéis aliados.

No mundo petista, esse tipo de leitura tucano-democrata é visto com desdém. O PT aposta na recuperação da popularidade do presidente em São Paulo para levar Marta Suplicy à vitória, numa cidade que ela já comandou. Além disso, Lula sabe da importância de uma vitória na principal cidade do país para o cenário da eleição presidencial de 2010. Derrotar José Serra é fundamental para enfraquecer seus planos de chegar ao Palácio do Planalto e quebrar ainda mais as pernas dos democratas. Não por outro motivo o presidente trabalhou para que os partidos governistas em São Paulo tivessem apenas um candidato na corrida municipal. Sua intenção é jogar pesado para eleger Marta.

Os democratas, do seu lado, apostam e muito suas fichas no prefeito Kassab. Acreditam que ele terá o que mostrar no horário eleitoral gratuito e que, em São Paulo, é possível dar um toque nacional à campanha municipal. E esse toque pode ser mirar na inflação, que todos avaliam que se manterá em alta até as eleições. Daí que os antigos pefelistas avaliam que, se realmente houve uma recuperação da imagem de Lula na cidade, ela deve se deteriorar nos próximos meses com a repercussão negativa dos preços elevados nesse ano.

No Palácio do Planalto, essas análises dos democratas são simplesmente ignoradas. Se há algo em que o presidente Lula aposta nessa eleição é num enfraquecimento do partido de Kassab. Não só no Nordeste como no Centro-Sul. O petista sabe muito bem que a inflação em alta provoca danos em seu patrimônio eleitoral, mas avalia ter o discurso apropriado para justificar o que ele considera uma elevação momentânea, que será revertida no próximo ano: a alta se deve à crise dos preços internacionais de alimentos. Invertido o sinal negativo no campo inflacionário, Lula crê que seu candidato será o vencedor em 2010. E que, nesse cenário, os democratas podem caminhar para sua maior derrota.

Bem, tudo isso são desejos de ambas as partes. Legítimos. A verdade começaremos a conhecer em outubro próximo. A conferir.

Valdo Cruz Valdo Cruz, 46, é repórter especial da Folha. Foi diretor-executivo da Sucursal de Brasília durante os dois mandatos de FHC e no primeiro de Lula. Ocupou a secretaria de redação da sucursal e atuou como repórter de economia. Escreve às terças.

E-mail: valdo@folhasp.com.br

* ilustração e legenda são minha escolha e não do artigo de Valdo Cruz. LF

08/05/2008 - 17:29h Saiba mais sobre o Viaja Mais Jovem

 

Brasília (07/05) – O Viaja Mais Jovem foi lançado na manhã desta quarta-feira (7) no auditório do Ministério do Turismo, em Brasília. O programa é um projeto piloto que será realizado no Acre. Veja abaixo a apresentação feita pelo secretário de Turismo do Acre, Cássio Marques.

Os secretários Airton Pereira (secretário Nacional de Políticas de Turismo) e Cassiano Marques (secretário de Turismo do Acre), explicam objetivos e detalhes do Viaja Mais Jovem. Contam como foi estruturado o programa, seus alcances e metas em relação ao Turismo no País e no Acre, onde começa a ação em projeto piloto.
(mais…)

08/05/2008 - 15:05h Viaja Mais Jovem começa pelo Acre

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Vale do Acre

Brasília (07/05) – A ministra do Turismo, Marta Suplicy, ao lado dos secretários Nacional de Políticas de Turismo, Airton Pereira, e estadual de Turismo do Acre, Cassiano Marques, lançou o programa Viaja Mais Jovem, em cerimônia realizada nesta manhã (7), no auditório do Ministério. No evento, que contou com o senador Sibá Machado, representando o governador do Acre, Arnóbio Marques de Almeida Júnior, e o presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, Albano Franco, entre outras autoridades, a ministra destacou que a ação é como uma “semente a ser desenvolvida, que vai crescer e florescer”.

“Começa pelo Acre, mas beneficiará o Brasil todo. Vai beneficiar o estudante que não consegue, não pode ou ainda não teve a oportunidade de viajar. E é mesmo muito bom começar pelo Acre, que tinha interesse comum ao nosso em desenvolver turismo e educação.”. Marta Suplicy afirmou que o próximo passo do Ministério do Turismo será avançar o programa atendendo alunos do ensino médio de Brasília. E ressaltou: “O estado que quiser (implantar o programa) é só vir ao Ministério, que começaremos a trabalhar juntos”.

O Viaja Mais Jovem começa com um projeto piloto voltado ao público estudantil do Acre, numa parceria entre o MTur e o governo do Estado, por meio das secretarias estaduais de Educação e de Turismo (a apresentação do piloto está disponível no site do MTur, clique aqui ). O MTur e o Governo do Acre investem no piloto R$ 400 mil, que proporcionarão a 600 estudantes e 45 professores de escolas públicas acreanas o acesso a viagens de estudo gratuitas dentro do estado.

A primeira fase do piloto será realizada na região do Vale do Acre, que inclui as Regionais do Baixo e Alto Acre, entre maio deste ano e junho de 2009. As viagens ocorrerão a partir de outubro, com alunos e professores da rede pública do estado. Os municípios de origem e de destino dos estudantes serão delimitados em um raio de até 300 quilômetros de distância nesta primeira fase. O objetivo é dar oportunidade a jovens estudantes para que tenham contato direto com a diversidade histórica, cultural, geográfica, social e educacional do país e, com isso, contribuir de forma significativa para a formação adequada dos estudantes. De acordo com o secretário Nacional de Políticas de Turismo, Airton Pereira, “a proposta é fazer com que alunos da capital conheçam melhor o interior do Acre, e vice-versa”.

Para a ministra do Turismo, a ação, conforme planejada, “abre uma janela de oportunidades” para os jovens. Destacou também a importância de estimular conhecimento e criar a cultura da viagem entre os brasileiros, em consonância com as diretrizes de trabalho do MTur. Aliar essa possibilidade à educação é um grande acerto, segundo a ministra: “Estamos começando essa ação por alunos da 6ª série do Ensino Fundamental, uma série em que verificamos taxas altas de abandono e repetência. Estamos agindo, portanto, para atingir a criança na hora em que queremos reforçar que ela fique na escola e avance nos estudos. E o método é o de Paulo Freire. Ele ensina que, se o assunto é perto da tua realidade, você se interessa e aprende muito mais rápido. E é isso que vamos ver acontecer com esses alunos.”

A ministra lembrou que o Acre tem se notabilizado justamente por vir melhorando seus índices na educação. Há 10 anos, ocupava a penúltima posição em qualidade de ensino no contexto nacional. “Hoje, o Acre ocupa o 11º lugar e tem o professor mais bem pago do Brasil. Portanto, é importante firmar com o Acre um projeto que é do turismo, mas também é da educação. Na hora em que um estudante do Acre que mora na capital, em Rio Branco, puder ir até Xapuri conhecerá parte importante da história do nosso país, a história de Chico Mendes. Depois, vai voltar para a sala de aula com a professora podendo trabalhar o que ele viu e aprendeu. Isso é muito bom. E, de outro lado, em casa, os jovens vão ser multiplicadores da informação da viagem. Vão incentivar o interesse da família, e dinamizar o turismo”.

Primeira fase –
O secretário de Turismo do Acre, Cassiano Marques, apresentou o projeto piloto na cerimônia do Viaja Mais Jovem e explicou os critérios e alcances da ação. Segundo ele, no primeiro momento, a proposta é voltada aos alunos das escolas públicas. Mas ainda neste ano haverá possibilidade de escolas particulares participarem da ação, contando com pacotes de viagens oferecidos pelo mercado com preços reduzidos.

Na primeira fase, metade das vagas para viagens será destinada a alunos das escolas da capital e o restante para alunos das escolas dos municípios com os menores Indicadores de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), calculado com base em informações de rendimento escolar e desempenho em exames padronizados realizados pelo Inep. Para participar, a escola precisa estar entre os quatro municípios com Ideb mais baixo na Região do Vale do Acre, além da capital. Também precisa ter turma de 6ª série do Ensino Fundamental em curso e manifestar interesse em participar do projeto.

A segunda fase do projeto, prevista para ter início em junho de 2009, deverá ser realizada nas Regionais do Juruá e Tarauacá-Envira. Os municípios de origem e de destino dos estudantes serão delimitados em um raio de até 500 quilômetros de distância. A partir da Fase 2, ampliam-se as oportunidades para a iniciativa privada começar a adaptar o produto Viaja Mais Jovem para outros públicos estudantis.

Na terceira fase, prevista para 2010, os estudantes acreanos poderão fazer viagens entre diferentes regiões do estado. Por exemplo, alunos da Região do Vale do Acre visitam a Região do Juruá, Tarauacá-Envira e Purus e vice-versa. Nessa etapa, participam, pela primeira vez, estudantes da Regional do Purus. Caso a Rodovia InterOceânica, que interliga Rio Branco/AC ao litoral do Peru, esteja concluída no início de 2010, será possível realizar convênio com governos e escolas peruanas para que o Estado receba estudantes daquele país. Poderão ainda ser desenvolvidas oportunidades para se trabalhar com estudantes de temas mais específicos, tal como universitários das áreas de humanas, biológicas ou exatas. Também poderão ser criados programas específicos de apoio à pesquisadores, mestrandos e doutorandos em áreas de grande potencial do Acre.

O Viaja Mais Jovem se enquadra no Turismo Pedagógico, conhecido também como Estudo do Meio ou Visitas de Estudo, que consiste em viagens de alunos e professores para aulas vivenciais fora da escola. Nessas viagens-aulas, podem ser abordados temas de todos os campos do conhecimento utilizando-se o turismo como um tema transversal, prática que se orienta pelos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs/MEC. É mais uma ação dentro do Programa Viaja Mais, que desde o ano passado tem trabalhado com o público da terceira idade, por meio do Viaja Mais Melhor Idade.

Para o público da terceira idade, são duas linhas de ação: oferta de pacotes turísticos em períodos de baixa ocupação, com serviços diferenciados e a possibilidade de serem parcelados e desconto de 50% na tarifa cobrada por meios de hospedagem credenciados no programa. Essa última possibilidade – dos descontos na hotelaria – foi lançada dia 4 de abril, no Guarujá (SP). Desde então, informou a ministra, durante a cerimônia de lançamento Viaja Mais Jovem, houve 360 mil acessos à página do Portal de Hospedagem (guia on-line de informações sobre os meios de hospedagem do país, na Internet). “Tivemos 1.850 reservas”, comemorou a ministra. Participam dessa ação cerca de 1.500 hotéis em todo o país.

Fonte MinTur

08/05/2008 - 12:28h Turismo: Viaja Mais Jovem incentiva turismo educativo

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Programa começa no Acre

O Viaja Mais Jovem começa com um projeto-piloto voltado ao público estudantil do Acre, numa parceria entre o Ministério do Turismo e o governo estadual. O investimento de R$ 400 mil permitirá que 600 estudantes e 45 professores de escolas públicas façam viagens de estudo gratuitas dentro do estado. Segundo a ministra Marta Suplicy, o programa irá atender em seguida alunos do ensino médio de Brasília. “O estado que quiser (implantar o programa) é só vir ao Ministério, que começaremos a trabalhar juntos”, disse a ministra durante a cerimônia, nesta quarta-feira (7).

O Programa se enquadra no conceito de Turismo Pedagógico, conhecido também como Estudo do Meio ou Visitas de Estudo, que consiste em viagens de alunos e professores para aulas vivenciais fora da escola. Nessas viagens-aulas, podem ser abordados temas de todos os campos do conhecimento utilizando-se o turismo como um tema transversal, prática que se orienta pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs/MEC). É mais uma ação dentro do Programa Viaja Mais, que desde o ano passado tem trabalhado com o público da terceira idade, por meio do Viaja Mais Melhor Idade.

A primeira fase será realizada na região do Vale do Acre, que inclui as Regionais do Baixo e Alto Acre, entre maio deste ano e junho de 2009. As viagens ocorrerão a partir de outubro, com alunos e professores da rede pública de municípios que ficam num raio de até 300 quilômetros de distância do destino. O objetivo é dar oportunidade a jovens estudantes para que eles tenham contato direto com a diversidade histórica, cultural, geográfica, social e educacional do País e, com isso, contribuir de forma significativa para a formação adequada dos estudantes.

Além de criar a cultura da viagem entre os brasileiros, o programa busca estimular conhecimento. As primeiras classes beneficiadas são as da 6ª série do Ensino Fundamental, nas quais é verificada uma taxa alta de abandono e repetência, para reforçar nas crianças o desejo de ficar na escola e avançar nos estudos.

O Acre tem investido para melhorar seus índices na educação. Há dez anos, ocupava a penúltima posição em qualidade de ensino no contexto nacional. Hoje, ocupa o 11º lugar e tem o professor mais bem pago do Brasil.

Primeira fase – Segundo o secretário de Turismo do Acre, Cassiano Marques, a proposta agora é voltada aos alunos das escolas públicas, mas, ainda neste ano, haverá a possibilidade de escolas particulares participarem, contando com pacotes de viagens oferecidos pelo mercado com preços reduzidos.

Na primeira fase, metade das vagas para viagens será destinada a alunos das escolas da capital e o restante para alunos das escolas dos municípios com os menores Indicadores de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), calculado com base em informações de rendimento escolar e desempenho em exames padronizados. Para participar, a escola precisa estar entre os quatro municípios com Ideb mais baixo na Região do Vale do Acre, além da capital. Também precisa ter turma de 6ª série do Ensino Fundamental em curso e manifestar interesse em participar do projeto.

A segunda fase do projeto, prevista para ter início em junho de 2009, deverá ser realizada nas Regionais do Juruá e Tarauacá-Envira. Os municípios de origem e de destino dos estudantes serão delimitados em um raio de até 500 quilômetros de distância. A partir da Fase 2, ampliam-se as oportunidades para a iniciativa privada começar a adaptar o produto Viaja Mais Jovem para outros públicos estudantis.

Na terceira fase, prevista para 2010, os estudantes acreanos poderão fazer viagens entre diferentes regiões do estado. Por exemplo, alunos da Região do Vale do Acre visitam a Região do Juruá, Tarauacá-Envira e Purus e vice-versa. Nessa etapa, participam, pela primeira vez, estudantes da Regional do Purus. Caso a Rodovia InterOceânica, que interliga Rio Branco (AC) ao litoral do Peru, esteja concluída no início de 2010, será possível realizar convênio com governos e escolas peruanas para que o Estado receba estudantes daquele país. Poderão ainda ser desenvolvidas oportunidades para se trabalhar com estudantes de temas mais específicos, como universitários das áreas de humanas, biológicas ou exatas. Também poderão ser criados programas específicos de apoio à pesquisadores, mestrandos e doutorandos em áreas de grande potencial do Acre.

Fonte “em questão”, Editado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

27/02/2008 - 09:44h Cuidado com o bla, bla, bla

O Globo, Valor e Folha de São Paulo

EM ANO ELEITORAL, o DEM vai aproveitar o debate sobre a reforma tributária para bater na tecla da necessidade de redução de impostos, a principal bandeira do partido atualmente. (O Globo hoje, coluna Panorama Político, pag.2)

A teoria na prática…

O Democratas, partido que derrubou a CPMF e tem na redução da carga tributária e no abuso da cobrança de impostos pelo governo federal seu principal tema programático, quando no Executivo – o governo do Distrito Federal – comporta-se de forma semelhante e, como o exemplo de cima, também não dá muita explicação. O IPTU de 2008 foi calculado errado, o aumento máximo seria de 16,58% (a inflação não foi de 4,46%?) e os carnês chegaram aos moradores com quase 30% de reajuste. Foram corrigidos, mas duas semanas depois da data limite em que muitos iniciaram seus pagamentos com os preços exorbitantes. Um “engano” destas proporções e assim, em massa, para um partido que defende exatamente o contrário, é de deixar o consumidor desconfiado. (Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília do jornal VALOR. Escreve às quartas-feiras).

Kassab muda cálculo e dobra arrecadação com ITBI

Com uma mudança de referência no cálculo do ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), a Prefeitura de São Paulo aumentou em cerca de 100% sua arrecadação com o tributo. Em 2004 eram cerca de R$ 250 milhões; em 2007, foram mais de R$ 500 milhões. O imposto –que tem alíquota de 2%– antes incidia sobre o valor venal do imóvel calculado para o IPTU (Imposto Predial Sobre Território Urbano) ou sobre o valor de venda, prevalecendo o que fosse maior. (da Folha Online 13/2/2008)

No link você poderá saber como o prefeito DEM de Rio de Janeiro, César Maia, enfrenta a população em greve de IPTU: Dem…ais impostos