20/11/2009 - 10:43h Economia brasileira está em fase de “boom”, diz pesquisa

PESQUISA


DA FOLHA ONLINE

A economia brasileira passou “para a fase de “boom” e se destacou entre as demais da América Latina, com um ICE (Índice de Clima Econômico) de 7,4 pontos em outubro, segundo pesquisa da FGV (Fundação Getulio Vargas) elaborada em parceria com o instituto alemão Ifo. Em julho, o indicador estava em 5,5 pontos.
O Brasil também lidera entre os Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China). A Índia ficou com 7 pontos; a China chegou a 6,5 pontos e a Rússia foi para 4,7 pontos. O ICE mundial foi de 5,1 pontos.
O ICE é composto pelo Índice da Situação Atual (ISA), que trata do desempenho econômico do país no momento da pesquisa, e pelo Índice de Expectativas (IE), que aborda as previsões para os próximos seis meses.
O ISA no Brasil aumentou de 4,3 para 6,4 pontos e o IE passou de 6,6 para 8,4 pontos. “O Brasil se destaca por apresentar os maiores índices da região, seja o de clima econômico, situação atual ou de expectativas”, informou a FGV em comunicado.
A sondagem é feita trimestralmente com especialistas de cada país. Em outubro foram consultados 142 técnicos em 16 países.

Moody’s
A Moody’s Economy.com, uma divisão da agência de “rating” Moody’s, projeta um crescimento “”em torno de 4,5%” para a economia brasileira em 2010.
A previsão faz parte de relatório divulgado ontem, onde consta também a expectativa de que a taxa básica de juros não sofra ajustes “antes do final do ano que vem”.
Para 2009, o economista-chefe Alfredo Coutino calcula um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) entre 0,5% e 1%.
Em outro relatório, também divulgado hoje, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) reportou que vê um país ainda estagnado, mas se recuperando com força em 2010 (crescimento de 4,8%) e 2011 (4,5%).

13/11/2009 - 10:29h “Nunca antes na história deste país…” diz The Economist

http://photos-g.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc3/hs009.snc3/11655_175054494059_6013004059_2726817_3858954_n.jpg

O Brasil decola


Revista vê agora risco da arrogância


Patrícia Campos Mello, WASHINGTON – O Estado SP

“O Brasil decola – agora, o risco para a grande história de sucesso da América Latina é a arrogância”. Esse é o título da reportagem especial publicada ontem pela revista The Economist, que traz na capa uma foto do Cristo Redentor impulsionado por um foguete.

Na edição especial com oito reportagens sobre negócios e finanças no País e mais um editorial, a Economist afirma que o Brasil “entrou em cena no palco mundial” e vai se tornar a quinta maior economia do mundo até 2014. E, depois de ser subestimado por anos, o País hoje supera os outros Brics em vários quesitos.

“O País está passando por seu melhor momento desde que um grupo de navegadores portugueses chegou às costas brasileiras, em 1500″, diz outro artigo sobre o Brasil, na revista. “O Brasil já havia sido democrático antes, havia tido crescimento econômico e baixa inflação, mas nunca essas três coisas ao mesmo tempo.”

Mas a publicação inglesa alerta para as armadilhas à frente. “Da mesma maneira que seria um erro subestimar o Brasil, também é um erro ignorar suas fraquezas”, adverte. “Muito dinheiro do contribuinte está sendo gasto nas coisas erradas” e há pouco investimento público e privado.

Para a Economist, Lula está certo ao dizer que seu país merece respeito e “ele também merece muito da bajulação que recebe”. “Mas Lula também tem sido um presidente de muita sorte, colhendo os frutos de um boom de commodities e trabalhando a partir da plataforma sólida construída por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso”.

A revista volta a chamar Lula de “sortudo” em outro artigo. Para manter o bom desempenho do Brasil em um mundo com condições mais difíceis, o sucessor de Lula vai ter de lidar com alguns dos problemas que o presidente achou que podia ignorar, adverte a revista.

A reportagem lembra que, em 2003, quando economistas da Goldman Sachs cunharam o termo Brics, muita gente torceu o nariz para a inclusão do Brasil no time de economias vencedoras. “Brasil? Um país com taxas de crescimento tão minúsculas quanto seus biquínis, vítima de qualquer crise financeira que estiver à espreita, um lugar com instabilidade política crônica, onde a capacidade infinita de desperdiçar seu óbvio potencial é tão lendária quanto seu talento para futebol e carnavais”, diz. “Agora, esse ceticismo parece equivocado.”

Em artigo (opinião), a Economist diz que o Brasil costumava ser uma promessa, mas agora começa a se tornar realidade. O País não passou incólume pela recessão, mas está entre os últimos a entrar e os primeiros a sair. A revista ainda diz que o Brasil deve crescer 5% em 2010, mas a taxa deve se acelerar à medida que os campos de petróleo comecem a produzir e os países asiáticos continuem consumindo alimentos e minerais do Brasil. “E algum momento antes de 2014, o Brasil vai se tornar a quinta maior economia do mundo.”

18/10/2009 - 11:00h Outro Bric na parede?

http://www.investmentpostcards.com/wp-content/uploads/2008/05/nouriel-roubini.jpg

NOURIEL ROUBINI PARA A FOLHA, EM NOVA YORK

A sabedoria dominante raramente sobrevive a um bom teste de desgaste, e poucos testes causaram tanto desgaste como o sofrido pela economia mundial nos últimos 24 meses. Uma temporada de saudável reavaliação parece ter começado, e está lançando nova luz sobre conceitos que prevaleciam na época do boom, como o valor dos mercados opacos, o status intocável dos consumidores norte-americanos e a sabedoria da desregulamentação.

Uma das ideias dominantes na era da bolha, que escapou relativamente incólume, porém, é a suposição de que os chamados países Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) ditarão cada vez mais os rumos da economia nos próximos anos.
O conceito de Brics, cunhado em um relatório do Goldman Sachs em 2003, não é de todo ruim: já que está 75% correto, apresenta resultados muito melhores do que a maioria dos prognósticos econômicos da era.

No entanto, a crise econômica que começou em 2008 expôs um dos quatro países como impostor. Se compararmos diretamente as estatísticas vitais das economias dos Brics, fica dolorosamente evidente que, nas palavras de uma velha brincadeira de “Vila Sésamo”, “uma dessas coisas é diferente das outras”.

A debilidade da economia da Rússia, e dos bancos e empresas altamente endividados do país, em particular, ainda que mascarada nos últimos anos pelos lucros extraordinários propiciados pela alta nos preços do petróleo e do gás natural, foi exposta de maneira gritante quando a economia mundial despencou. Sobrecarregada com uma infraestrutura envelhecida, a Rússia se desqualifica ainda mais devido a políticas disfuncionais e revanchistas e a uma tendência demográfica que aponta para declínio populacional quase terminal.

Até mesmo com a modesta recuperação que os preços das commodities apresentaram nos últimos seis meses, o setor de energia da Rússia vem enfrentando quedas de produção nos últimos anos, em parte devido ao medo dos investidores estrangeiros quanto a uma possível expropriação.

O fundo soberano de investimento da Rússia, que tem parte importante na sustentação de um modelo econômico que volta a ser cada vez mais centralizado, está esgotando seus recursos rapidamente. Caso as tendências negativas se mantenham, o fundo de reserva russo pode se exaurir.

A queda russa, enquanto isso, resultou em uma espécie de brincadeira de salão entre acadêmicos, especialistas em política externa e investidores bem informados, com o objetivo de substituir o país no clube das grandes economias de mercado emergente. Diversos acrônimos foram sugeridos, do elegante Bricet, que acrescentaria a Europa Oriental e a Turquia, a Bricket, envolvendo o grupo anterior e mais a Coreia do Sul; os mais exagerados falam até mesmo em Brimc, com a adição do México à mistura.

Em todas essas revisões, a Rússia sobrevive, a despeito de o seu destino econômico estar traçado. Embora a Rússia mantenha o maior arsenal mundial de armas nucleares (ainda que um tanto envelhecidas), bem como o seu assento permanente (e, portanto, poder de veto) no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, o país se encaixaria melhor em uma lista de nações doentes do que na lista dos Brics.

Do ponto de vista de potencial e fundamentos econômicos puros, há argumentos muito mais fortes em favor da inclusão da Coreia do Sul, uma potência econômica sofisticada para a qual o principal risco continua a ser o regime de seu gêmeo maligno ao norte, cujo colapso poderia inundar o país de refugiados famintos.

O mesmo se aplica à Turquia, que ostenta um setor bancário robusto, um mercado interno próspero, importância crescente na política do Oriente Médio e de energia, integração à Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan), candidatura à União Europeia e vínculos com os Estados que lhe são aparentados etnicamente no centro da Ásia.

O caso mais convincente talvez seja o da Indonésia, o maior país muçulmano do mundo, que conta com uma classe média em rápida expansão, política democrática relativamente estável e uma economia que se destacou na Ásia a despeito da recessão mundial.

Da perspectiva dos Estados Unidos, a Indonésia representa alternativa atraente à Rússia, que até recentemente vinha disputando com a Venezuela a liderança da torcida pelo declínio norte-americano.

A Indonésia, além disso, demonstrou poder de resistência não apenas econômico como nacional. A despeito de sua composição étnica diversificada e de seu território composto por uma profusão de ilhas, o país conseguiu deixar rapidamente para trás a ditadura militar e se recuperou dos inúmeros desafios e revezes sofridos, entre os quais a crise financeira asiática de 1997, o tsunami de 2004, a emergência do radicalismo islâmico e suas inquietações internas. Embora a renda per capita indonésia continue baixa, o que importa é o potencial econômico, e quanto a isso o país brilha.

A Indonésia depende menos das exportações que seus pares asiáticos (e muito menos que a Rússia), e seus mercados de ativos (madeira, óleo de palma e carvão, em particular) atraíram forte investimento estrangeiro.

O governo, em Jacarta, enquanto isso, tomou medidas fortes de combate à corrupção e agiu para remediar os problemas estruturais. Até mesmo as tendências demográficas favorecem a Indonésia, que com seus 230 milhões de habitantes já é o quarto mais populoso país do mundo -e “uma Alemanha” (80 milhões de habitantes) mais populoso que a Rússia.

Mas as ideias da moda custam a morrer, e a Rússia agiu de maneira a cimentar o atual conceito dos Brics em forma de realidade irreversível.

A ossificação dos Brics como instituição mundial deu um dramático salto em junho, quando os líderes dos quatro países se reuniram (na Rússia, é claro), para a primeira “conferência de cúpula dos Brics”.

O encontro resultou em uma notável tirada antiamericana, já que cada um dos membros declarou seu desejo de remover o dólar de seu papel como moeda mundial de reserva.

Alguns meses antes, os quatro decidiram emitir um comunicado conjunto, antes da reunião de abril do grupo dos 20 (G20), no qual anunciavam sua determinação coletiva de mudar as regras do sistema econômico mundial.

No setor privado, proliferaram os fundos de índices Bric, ainda que o Goldman Sachs tenha procurado proteção para sua aposta nos Brics por meio da formulação de um segundo conceito, o “Next 11″, ou seja, os próximos 11 (N11). O grupo acrescentaria ao debate Bangladesh, Egito, Indonésia, Irã, México, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Coreia do Sul, Turquia e Vietnã. Somados aos quatro países dos Brics, os N11 provavelmente formam um elenco mais lógico e defensável para a “primeira divisão” das economias emergentes.

A Rússia rejeita a ideia de demoção, e funcionários do governo norte-americano parecem ter decidido evitar o debate semântico sobre o tema. Ainda assim, não deveria ser surpresa que a Rússia tenha pressionado com tanto vigor pela conferência dos Brics em Ecaterimburgo e bancado a maior parte do custo. Por que correr o risco de ficar exposta cedo demais?

NOURIEL ROUBINI é presidente da RGE Monitor (www.rgemonitor.com) e professor da Escola Stern de Administração de Empresas, na Universidade de Nova York.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

15/10/2009 - 11:04h ”Brasil crescerá 5% nos próximos anos”, disse Jim O’Neill, chefe de pesquisa econômica global do Goldman Sachs e famoso mundialmente por ter criado a expressão Bric. Para ele “O presidente Lula é o melhor, o mais bem-sucedido gestor político de um grande país nessa década”

http://www.tutor2u.net/blog/images/uploads/Jim_O_Neill_Keynes.gif
Cartaz para uma das conferências de O’Neill, sobre os BRIC

Para O’Neill, que cunhou a expressão Bric, País terá bom desempenho se controlar inflação e estimular investimentos

Fernando Dantas – O Estado SP

O Brasil pode crescer a um ritmo de 5% por muito anos, mas, para isso, é necessário que o próximo governo mantenha a inflação sob controle e estimule os investimentos. A visão é de Jim O’Neill, chefe de pesquisa econômica global do Goldman Sachs e famoso mundialmente por ter criado a expressão Bric – o grupo de grandes países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China, que estudos do Goldman Sachs previram que vai superar em PIB o G-7 (sete principais países ricos) antes de 2030.

“Dependendo do que acontecer nas eleições, é possível que o Brasil possa crescer mais do que 5% por vários anos”, disse O”Neill ontem numa entrevista à imprensa em São Paulo, parte de uma visita ao País, na qual esteve com cerca de 600 clientes do Goldman Sachs.

Entusiasta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, O”Neill declarou que “dá para argumentar que o presidente Lula é o melhor, o mais bem-sucedido gestor político de um grande país nessa década”. Para ele, o principal fator do sucesso atual do Brasil, e que deveria ser mantido pelo próximo governo, é “a inflação baixa e controlada, que está criando toda uma nova geração de cidadãos que podem planejar no médio e longo prazo seu consumo e investimento”.

O”Neill acrescentou que “a coisa mais importante nas eleições, seja lá quem for (eleito presidente) é que não se mude isso”. Ele mostrou preocupação pelo fato de que, na sua última visita ao Brasil, tenha tido a impressão de que o Banco Central não era “muito popular”.

“Espero que essa não seja ainda a visão que prevalece no País; se vocês olharem a força dos indicadores (econômicos) do Brasil, não parece que o Banco Central esteja freando o crescimento”, afirmou.

Para o economista, o Brasil deveria se satisfazer numa primeira fase com um crescimento em torno de 5%, que não provocasse inflação ou desequilíbrios externos graves, para só depois tentar acelerar para 7%. Sobre o real valorizado, disse que há grandes países exportadores que conseguem conviver com isso, e não há solução fácil.

Em relação ao investimento, O”Neill citou um indicador de “ambiente para o crescimento” do Goldman, no qual três das fraquezas do Brasil, na comparação com a média de outros Brics e emergentes, são o baixo nível de investimento em relação ao PIB, o grande tamanho do Estado em relação ao PIB e a pouca abertura da economia.

Ele deu ênfase à questão do investimento, mencionando que um dos fatores que explicam o melhor desempenho econômico da China em relação à Índia é que o primeiro país encoraja mais o investimento estrangeiro na produção. O”Neill mencionou que, em suas frequentes viagens pelas mais diversas partes do mundo, ele tem se encontrado com muitas empresas e investidores querendo entrar no Brasil pela primeira vez. “Acho muito importante que o atual governo e os próximos encorajem isso.”

Quanto ao PIB global, ele apontou que a projeção do Goldman Sachs, de crescimento de 4,1% em 2010, está acima do consenso de mercado. E o maior risco de erro da previsão, frisou, é que o mundo cresça ainda mais, já que há uma série de indicadores de retomada, como o salto de 84% nas vendas de carros na China em um ano, a aceleração do crescimento das exportações coreanas, chinesas e japonesas, ou a cifra estonteante de 30 milhões de novas linhas de celulares por mês da China e da Índia. “Quando as pessoas dizem que não há descolamento (dos emergentes), penso que eles devem morar num país diferente do meu”, ironizou O”Neill.

Em relação à economia brasileira, ele disse que a capacidade do País de superar a crise era o teste que faltava para mostrar que merecia de fato fazer parte dos Brics. Para ele, a boa reação do Brasil à crise foi “um prêmio para a boa gestão macroeconômica do Banco Central e do governo Lula e, possivelmente, do governo anterior”. Quanto ao mercado acionário brasileiro, disse que ainda pode subir muito, embora esteja menos atraente do que estava no início da retomada de alta.

O”Neill recordou-se de como, há dois anos, quando esteve no Brasil, ele tinha que justificar o tempo todo o “B” dos Brics. Agora, disse, “há um grau maior de confiança entre os brasileiros – certamente dos homens de negócio – sobre o Brasil do que em qualquer outro momento anterior em que eu tenha vindo aqui”.

Ele fez uma menção bem-humorada ao brasileiro Paulo Leme, economista do Goldman para mercados emergentes, que tem projeções de crescimento para o Brasil que muitas vezes O”Neill considera excessivamente pessimistas (e com quem fez uma aposta sobre o assunto, de um jantar “em qualquer restaurante do mundo”): “Digo ao Paulo que precisa ser mais animado em relação ao seu país”.

09/10/2009 - 12:39h Foreign Policy: Amorim, “o melhor chanceler do mundo”

Fonte VIOMUNDO

http://noticiasdachina.files.wordpress.com/2009/01/celsoamorim.jpeg

The world’s best foreign minister, Wed, 10/07/2009 – 12:35pm,

David Rothkofp, no blog da revista Foreign Policy

Esse pode ter sido o melhor mês do Brasil desde cerca de junho de 1494. Foi quando o Tratado de Tordesilhas foi assinado, dando a Portugal tudo no mundo a leste de uma linha imaginária que foi declarada existir 379 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde. Isso garantiu que o que viria a se tornar Brasil seria português e, portanto, desenvolveria uma cultura e identidade diferentes do resto da América Latina hispânica. Isso garantiu que o mundo teria samba, churrasco, Garota de Ipanema e, através de uma incrível e tortuosa corrente de eventos, a Gisele Bundchen.
Embora o Brasil tenha levado algum tempo dando razão à máxima de que “é o país do futuro e sempre será”, há poucas dúvidas de que o amanhã chegou para o país, ainda que muito tenha de ser feito para superar sérios desafios sociais e aproveitar o extraordinário potencial econômico do país.
A prova de que algo novo e importante está acontecendo no Brasil começou alguns anos atrás, quando o presidente [Fernando Henrique] Cardoso gerenciou uma mudança para a ortodoxia econômica que estabilizou o país-vítima de ciclos de crescimento e crise e inflação de tirar do sério. Ganhou força, no entanto, durante o extraordinário governo do atual presidente, Luis Inacio “Lula” da Silva.
Algum desse impulso se deve ao compromisso de Lula de preservar as fundações econômicas assentadas por Cardoso, uma decisão política corajosa para um líder sindical de oposição do Partido dos Trabalhadores. Parte do impulso se deve a sorte, uma mudança do paradigma energético que ajudou o investimento de 30 anos do Brasil em biocombustíveis dar retorno importante, as descobertas maciças de petróleo na costa do Brasil e a crescente demanda da Ásia que permitiu ao Brasil se tornar o líder exportador da agricultura mundial, assumindo o papel de “celeiro da Ásia”. Mas muito do impulso se deve à grande capacidade dos líderes brasileiros de aproveitar o momento que muitos dos predecessores provavelmente teriam perdido.
Desses líderes, muito do crédito vai para o presidente Lula, que se tornou uma espécie de estrela de rock na cena internacional, juntando a energia, a disposição, o carisma, a intuição e o senso comum tão eficazmente que a falta de educação formal não se tornou empecilho. Algum crédito vai para outros membros de sua equipe, como a chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, a ex-ministra da Energia que se tornou uma ministra dura e possível sucessora de Lula. Mas eu acredito que uma grande parte do crédito deve ir para Celso Amorim, que planejou a transformação do papel mundial do Brasil de forma sem precedentes na história moderna. Ele é o ministro das Relações Exteriores de Lula desde 2003 (também serviu nos anos 90), mas penso que se pode argumentar que é atualmente o chanceler mais bem sucedido do mundo.

É impossível apontar um único momento de mudança nas tentativas de Amorim de transformar o Brasil de um poder regional com influência int ernacional duvidosa em um dos países mais importantes no mundo, reconhecido por consenso global para jogar um papel de liderança sem precedentes.
Pode ter sido quando ele teve um papel central na engenharia do “empurrão” dado pelos países emergentes contra o “poder-de-sempre” dos Estados Unidos e da Europa durante as negociações comerciais de Cancun em 2003.
Pode ter sido o jeito que o Brasil adotou para usar questões como a dos biocombustíveis para forjar novos diálogos e influência, com os Estados Unidos ou com outros poderes emergentes.
Com certeza envolveu a decisão de Amorim de abraçar a idéia de transformar os BRICs de uma sigla em uma importante colaboração geopolítica, trabalhando com seus colegas da Rússia, da Índia e da China para institucionalizar o diálogo entre os países e coordenar sua mensagens. (Dos BRICs quem se deu melhor nesse arranjo foi o Brasil. Rússia, China e Índia todos conquistaram seus lugares na mesa através de capacidade militar, tamanho de população, influência econômica ou recursos naturais. O Brasil tem tudo isso, mas menos que os outros).
Também envolveu muitas outras coisas, como o aprofundamento das relações com países como a China, a promoção do Brasil como destino de investimentos, a reputação do Brasil como comparativamente seguro diante de problemas econômicos globais, o conforto que o presidente dos Estados Unidos sente em relação a seu colega brasileiro — a ponto de encorajar o Brasil a jogar um papel como intermediário junto, por exemplo, aos iranianos. Concorde ou não com todas as decisões de Amorim, como em Honduras ou em relação a Cuba na Organização dos Estados Americanos, o Brasil tem continuado a jogar um papel regional importante ainda que seu foco tenha claramente mudado para o palco global.

Nada ilustra quanto evoluiu o Brasil ou quão eficaz é o time Lula-Amorim quanto os eventos das últimas semanas. Primeiro, os países do mundo largaram o G8 e abraçaram o G20, garantindo ao Brasil um lugar permanente na mesa mais importante do mundo. Em seguida, o Brasil se tornou o primeiro país da América Latina a ganhar o direito de sediar as Olimpíadas. Ontem o Financial Times noticiou que a “Ásia e o Brasil lideram na confiança do consumidor”, um reflexo da reputação que o governo vendeu eficazmente (com a maior parte do crédito indo para o ressurgente setor privado brasileiro). E nesta semana as notícias sobre o encontro do FMI-Banco Mundial em Istambul mostraram a institucionalização do novo papel do Brasil com um acordo para mudar a estrutura do FMI. De acordo com o Washington Post de hoje: “As nações também concordaram preliminarmente em reestruturar a estrutura de votação do Fundo, prometendo dar mais poder aos gigantes emergentes como o Brasil e a China até janeiro de 2011″.

Nada mal para alguns dias de trabalho. E embora seja o ministro da Fazenda que representa o Brasil nos encontros do FMI-Banco Mundial, o arquiteto dessa marcante transformação no papel do Brasil foi Amorim.
Muito ainda precisa ser feito, com certeza. Parte tem a ver com o novo papel desejado. O Brasil quer uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU e mais liderança nas instituições internacionais. Pode conquistar isso, mas terá de manter o crescimento e a estabilidade para chegar lá. Além disso, o Brasil parece inclinado a minimizar ameaças regionais como a representada pela Venezuela (Os brasileiros tendem a olhar com desprezo para seus vizinhos do norte tanto quanto o fazem para os argentinos, vizinhos do sul… e, portanto, subestimam a habilidade de homens como Hugo Chávez de causar danos). E o Brasil tem diante de si uma eleição que pode mudar o elenco de jogadores e, naturalmente, pode mudar a atual trajetória de uma série de maneiras — boas e ruins.
Mas é difícil pensar em outro chanceler que tenha tão eficazmente orquestrado uma mudança tão significativa no papel internacional de seu país. E se alguem pedisse hoje que eu votasse no melhor chanceler do mundo, meu voto provavelmente iria para o filho de Santos, Celso Amorim.

David Rothkopf é autor de Superclass: The Global Power Elite and the World They are Making (Superclasse: A elite do poder global e o mundo que ela está construindo) e Running the World: The Inside Story of the National Security Council and the Architects of American Power (Governando o Mundo: A história do Conselho de Segurança Nacional e os Arquitetos do Poder Americano).

18/09/2009 - 15:08h “Uma nação em marcha”

Toda Mídia

NELSON DE SÁ – nelson.sa@grupofolha.com.br

Folha SP

O francês “Le Monde” publicou, com eco nos portais brasileiros, que Lula estava certo ao “prever com ironia” que no Brasil o tsunami da crise não passaria de marolinha, “vaguelette”.
O espanhol “El País” cravou o título “Brasil derrota a crise” e observou que “nem o proverbial otimismo de Lula foi capaz de prever recuperação tão rápida”.
E o site MarketWatch, do “Wall Street Journal”, postou uma longa análise sobre o avanço da JBS, da Petrobras, da Embraer, também da Bolsa e do PIB, citou até a Copa de 2014, para alertar que “os brasileiros estão chegando e eles estão comprando”. No título, “uma nação em marcha”.

(…)

E VEM INVESTIMENTO
Ontem no “WSJ”, “Investimento externo global deve crescer em 2010″, segundo a Unctad, órgão de comércio e desenvolvimento da ONU. “Países em desenvolvimento estarão entre os mais beneficiados. Brasil, Rússia, Índia e China vão atrair parcela cada vez maior.
Segundo o Valor Online, já no levantamento de 2008, também divulgado ontem pela Unctad, “Brasil sobe quatro posições”, passando Alemanha e Japão.

BOLSA TAMBÉM QUER
No mesmo “WSJ”, ontem, a breve reportagem “Bolsa do Brasil busca abrir as portas da região”, em acordos com congêneres nos países andinos Colômbia inclusive, mas não a Venezuela. Diz um diretor que o projeto é criar “um sistema de comércio com a Bovespa no centro”.

“THE PARTY’S BACK”
A Bloomberg deu no fim do dia que um banco de investimento avalia, como a Unctad, que o Brasil “verá mais entradas” de investimento. Comenta diretor: “Investidores têm memória curta, todos pensam que a festa voltou”. Ontem, a Bovespa caiu, em “realização de lucros”.


“BÉLGICA, SAIA DA FRENTE”
Em editorial e reportagem, a “Economist” elogia fartamente a atual gestão do FMI, que “Voltou dos mortos”, mas “ainda não está pronto para o futuro”.
Saúda as contribuições financeiras de “potências em alta como China, Índia e Brasil”, mas sublinha, sob o enunciado “Move over, Belgium”, que persiste o desequilíbrio. “Países ricos, sobretudo da Europa, têm poder desproporcional” em relação aos mesmos emergentes. “A Bélgica tem mais votos que o Brasil”, alerta, cobrando a mudança no encontro do G20, nos EUA.(…)

18/09/2009 - 14:14h Brasil atrai mais investimentos

olhos.gif

País sobe de 14.º para 10.º destino preferido dos investidores, segundo levantamento da Unctad

Anne Warth e Francisco Carlos de Assis – O Estado SP

Ao contrário do que aconteceu no resto do mundo, o fluxo de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) para o Brasil aumentou 30,3% em 2008 na comparação com 2007, para US$ 45,1 bilhões. O País subiu quatro posições no ranking dos principais destinos de investimentos no ano passado, chegando ao 10º lugar, tornando-se a economia mais internacionalizada dos Brics, grupo de países emergentes que inclui também a Rússia, Índia e China.

No ano passado, o volume mundial de IED teve uma queda de 14,2%, para US$ 1,697 trilhão. Entre as economias desenvolvidas, o fluxo teve retração de 29,2%, para US$ 962,3 bilhões. O crescimento do investimento no Brasil superou a média dos países em desenvolvimento e dos países da América Latina. Para as economias em desenvolvimento, o fluxo de investimentos aumentou 17,3% para US$ 620,7 bilhões e, para a América Latina, o crescimento foi de 13,2% para US$ 144,4 bilhões.

A conclusão é do relatório sobre o volume de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no mundo em 2008, elaborado pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) a partir de dados da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

Na proporção entre o estoque de IED realizado e o Produto Interno Bruto (PIB) de cada país dos Brics, o Brasil apresentou a melhor relação, de 18,3%. Foi a primeira vez que o País superou a Rússia na atração de investimentos comparativamente ao seu PIB. A Rússia, que até então liderava esse ranking, recebeu a título de investimentos o equivalente a 12,7% do seu produto interno bruto em 2008. Os investimentos na Índia corresponderam à proporção de 9,9% de seu PIB e na China, de 8,7%. Segundo a Unctad, o fluxo de IED no mundo em relação ao PIB global é de 26,9%, o que indica que há um potencial de crescimento considerável para o Brasil e os demais Brics.

“Nunca a percepção do investidor estrangeiro foi tão positiva em relação ao Brasil quanto agora”, avalia o presidente da Sobeet, Luís Afonso Lima. De acordo com ele, essa melhora na avaliação dos estrangeiros deve-se aos bons fundamentos da economia brasileira, que se mantiveram sólidos mesmo em meio à crise econômica global. Ele citou como exemplos o controle da inflação, a política fiscal e, principalmente, o setor externo.

Essa visão das empresas estrangeiras em relação ao Brasil fez com que o País subisse da 14ª para a 10ª posição no ranking dos principais destinos de investimentos no ano passado. Economias sólidas como as da Alemanha, Canadá e Itália, por exemplo, perderam posições e ficaram atrás do Brasil em 2008. E de acordo com a Unctad, o Brasil deve melhorar ainda mais nesse ranking e atingir o 4º lugar até 2011.

Para Lima, o Brasil deve encerrar este ano recebendo um fluxo de US$ 25 bilhões. “O valor é menor que os dos dois últimos anos, mas superior aos de outros países, que estão caindo tanto ou mais que nós”, explicou o presidente da Sobeet.

Uma outra característica do Brasil ressaltada no estudo é que o aumento do IED em 2008 superou o crescimento dos investimentos das empresas nacionais no País, ao contrário do que ocorreu no restante do mundo. No Brasil, enquanto o IED aumentou 30,3% de 2007 para 2008, o investimento de empresas nacionais na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 13,8%. “Os outros estão vendo o Brasil com um olhar mais favorável que os próprios brasileiros e, além disso, para o resto do mundo, a previsão de crescimento não é tão boa”, analisou o presidente da Sobeet.

17/09/2009 - 11:39h Lula teve ‘visão correta’ ao falar que crise era ‘marolinha’, diz ‘Le Monde’

lula_positivo.jpg

Segundo jornal, governo foi ‘preciso em estratégia concentrada no apoio do mercado interno’.

- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão “bastante correta” ao dizer, no ano passado, que a crise no Brasil provocaria apenas uma “marolinha”, diz artigo publicado no jornal francês Le Monde nesta quinta-feira.

O diário argumenta que a recessão no Brasil durou apenas um semestre, citando o aumento de 1,9% do PIB no segundo trimestre de 2009, após queda nos dois trimestres imediatamente anteriores, além da recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo e do real.

“A rápida recuperação do Brasil demonstra a precisão da estratégia adotada pelo governo e concentrada no apoio do mercado interno. As reduções de impostos a favor das indústrias de automóveis e de eletrodomésticos mantiveram as vendas nestes nestes dois setores cruciais”, afirma o jornal, lembrando ainda que a confiança do consumidor brasileiro jamais chegou a ser abalada.

No artigo, intitulado “A retomada do crescimento mundial se baseia nos Brics”, o Le Monde traça o panorama econômico dos países do grupo – Brasil, Rússia, Índia e China – um ano após a queda do banco Lehman Brothers, considerada o marco da atual crise financeira global.

Outros países

“É para os grandes países emergentes que se direciona hoje a esperança de que a fase de recuperação do nível de vida vai se acelerar. E que seus modelos de crescimento, até hoje essencialmente baseados nas exportações, vão progressivamente dar lugar a um novo modelo de desenvolvimento, garantindo mais importância à demanda interna”, diz o jornal.

Sobre a China, o Le Monde afirma que a previsão de crescimento de 8% para o PIB de 2009 deve ser atingida, mas ressalta que o modelo econômico do país favorece o investimento em detrimento do consumo.

O diário francês lembra que a Índia conseguiu manter um crescimento sustentado, principalmente nos setores de indústria e serviços.

Já a Rússia, tida como o país mais atingido dos Brics pela crise, também parece estar se recuperando, de acordo com o Le Monde, com um aumento do PIB nos últimos meses. BBC

 

 

 

Le rebond de la croissance mondiale repose sur les BRIC

16/09/2009 – LE MONDE

Le président de la Réserve fédérale américaine (Fed), Ben Bernanke, a célébré à sa manière le premier anniversaire de la faillite de la banque d’affaires Lehman Brothers en annonçant, mardi 15 septembre, que la récession économique était “très probablement terminée” aux Etats-Unis.

Le même jour, confirmant ses propos, le département du commerce américain a fait savoir que les ventes de détail avaient progressé de 2,7 % au mois d’août, leur plus forte hausse depuis janvier 2006. Si c’est le signe que le consommateur américain retrouve un peu d’appétit, les économistes sont aussi d’accord pour dire que la ménagère du Texas ne pourra plus jouer le rôle de moteur de croissance de l’économie mondiale, comme elle l’était depuis deux décennies. Le temps du désendettement et de l’épargne est venu pour les Américains. Ce n’est guère non plus sur la vieille Europe, engluée dans ses problèmes structurels de dettes publiques, de prélèvements obligatoires record et de retard technologique, que l’économie mondiale peut compter pour retrouver son dynamisme passé.

C’est vers les grands pays émergents, les fameux BRIC (Brésil, Russie, Inde, Chine) que l’espoir se porte aujourd’hui – l’espoir que la phase de rattrapage de leur niveau de vie vis-à-vis des pays occidentaux va se poursuivre, voire s’accélérer. Et que leurs modèles de croissance, jusqu’à présent essentiellement basés sur les exportations, qu’il s’agisse de T-shirts ou de matières premières, va progressivement céder la place à un nouveau mode de développement, faisant la part belle à la demande intérieure. Etat des lieux dans les économies des BRIC, un an après le séisme.

Chine. Avec des ventes de voitures en hausse de près de 30 % sur les huit premiers mois de l’année, une reprise soutenue des importations de matières premières et une Bourse en surchauffe, la Chine ne donne pas vraiment l’impression de souffrir de la crise mondiale. Le taux de croissance annuel de 8 % du PIB, l’objectif initial du gouvernement pour 2009, devrait être atteint, a récemment déclaré le Bureau national des statistiques.

La robustesse de la croissance chinoise s’explique par le méga-plan de relance de 4 trillions de yuans (400 milliards d’euros) sur deux ans annoncé fin 2008, source d’une frénésie d’investissement en infrastructures sans pareil dans l’histoire économique mondiale. Dans l’urgence, le gouvernement chinois a ordonné aux banques d’ouvrir toutes grandes les vannes du crédit. Et après un fort ralentissement en juillet, les crédits sont repartis en août.

Cette stratégie de relance aux stéroïdes, qui a permis d’amortir le choc sur l’emploi et d’éviter que n’explose le chaudron social, est aussi porteuse de déséquilibres : une partie de l’argent des banques s’est visiblement dirigée vers la spéculation (bourse, immobilier et matières premières), tandis que de futures mauvaises créances s’accumulent. Le modèle économique chinois, ont dénoncé plusieurs économistes chinois réunis vendredi 12 et samedi 13 septembre, au Davos chinois, à Dalian, penche un peu plus du mauvais côté, celui de l’investissement au détriment de la consommation.

Inde. Malgré la crise mondiale survenue il y a un an, la croissance indienne s’est poursuivie à un rythme soutenu. Elle a atteint 6,7 % sur l’année fiscale qui se termine au 31 mars 2009, et devrait descendre aux alentours de 6 % lors de l’exercice suivant. La mauvaise mousson de cet été, avec la moitié du pays touchée par la sécheresse, explique ce léger fléchissement. Hormis l’agriculture, tous les secteurs sont épargnés par la crise. La production industrielle a connu en juin sa meilleure performance en un an et demi. Et le secteur des services a maintenu son rythme de croissance de 6,3 % au premier trimestre 2009. L’Inde doit sa bonne performance à la robustesse de sa demande intérieure et à la résistance de son système financier, “peu connecté au reste du monde”, comme le note Rajiv Kumar, directeur du Conseil indien pour la recherche sur les relations économiques internationales (Icrier).

Dans un pays où seuls 15 % de l’économie dépendent des exportations, la demande intérieure a été peu affectée par la récession mondiale, surtout dans les zones rurales, qui constituent la moitié du revenu national. Grâce aux programmes sociaux et à la hausse des investissements publics dans les infrastructures, les campagnes ont, au contraire, vu leurs revenus augmenter. L’Etat en paie le prix fort, avec un déficit budgétaire représentant 6,8 % du PNB. Et l’agence de notation Standard & Poor’s a ramené de “stable” à “négatif” sa notation souveraine sur l’Inde. Le pays reste toutefois une destination attirante pour les investisseurs du monde entier, car il est perçu comme un relais de croissance idéal aux marchés saturés, et touchés par la crise, des pays développés.

Brésil. En prédisant avec ironie il y a un an que “le tsunami” de la crise provoquerait dans son pays une simple “vaguelette”, le président brésilien, Luiz Inacio Lula da Silva, avait vu assez juste : la récession n’aura duré qu’un semestre.

Le produit intérieur brut a augmenté de 1,9 % au deuxième trimestre 2009, après avoir régressé pendant deux trimestres consécutifs : – 3,4 % (octobre-décembre 2008) et – 1 % (janvier-mars 2009).

Selon le ministre de l’économie, Guido Mantega, le géant sud-américain devrait, sur sa lancée, retrouver en 2010 sa vitesse de croisière d’avant la crise, autour de + 4,5 %.

Happé par la récession plus tard que la plupart des pays du monde, le Brésil en sort plus tôt, comme l’attestent deux autres indices : la bourse de Sao Paulo a retrouvé son très haut niveau d’il y a un an et la monnaie, le real, a reconquis toute sa vigueur face au dollar et à l’euro.

La rapide récupération du Brésil témoigne de la justesse de la stratégie adoptée par le gouvernement et axée sur le soutien du marché intérieur. Des réductions d’impôts en faveur de l’automobile et de l’électroménager ont maintenu les ventes dans ces deux secteurs industriels cruciaux.

La banque centrale a aidé les banques en difficulté, puisant dans ses grosses réserves – 200 milliards de dollars – pour irriguer le marché asséché. De grosses entreprises, comme le géant minier Vale, ont pris peur, en gelant leurs investissements, ce que le président Lula leur reproche aujourd’hui. Mais la confiance des consommateurs, elle, n’a guère été ébranlée : “L’économie a survécu grâce aux plus pauvres”, souligne Lula.

Russie. Bien plus touchée par la crise que les autres pays du BRIC (Brésil, Inde, Chine), la Russie connaît un semblant de reprise. Son PIB a augmenté, en glissement mensuel, de 0,4 % en juin et de 0,5 % en juillet.

Le ministre russe des finances, Alexeï Koudrine, se veut optimiste : le pays émergera “complètement” au troisième trimestre 2009. “Sur le long terme et pour de multiples raisons, la Russie restera dotée d’une solide croissance” qui lui permettra de se hisser “au sixième rang de l’économie mondiale”.

Après un essor économique sans précédent ces dix dernières années, la Fédération russe a subi la crise de plein fouet. Son PIB a chuté de 9,8 % au premier trimestre sur un an, et de 10,9 % au deuxième trimestre.

Cet atterrissage brutal s’explique par le modèle russe de croissance, axé sur les exportations de matières premières et le recours massif aux crédits étrangers. La crise a révélé l’échec des autorités à mettre en place des réformes structurelles au moment où l’Etat engrangeait les recettes de la vente du pétrole. Conscientes de ces faiblesses, les autorités russes ont plaidé ces derniers mois en faveur d’une diversification et d’une modernisation des infrastructures.

Ces bonnes résolutions risquent d’être vite oubliées. Le frémissement actuel de l’économie a une seule cause, la remontée des prix du pétrole, passés de 33 dollars en décembre 2008 à 70 dollars ces derniers mois. Quant au recours aux emprunts à l’étranger, il s’est tari, ce qui signe la fin de la consommation effrénée et des projets de développement. “Vingt années de tumultueux changements dans notre pays n’ont pas changé son humiliante dépendance aux matières premières. (…) A de rares exceptions près, nos entreprises ne créent pas les biens et la technologie nécessaires à la population”, a récemment souligné le président, Dmitri Medvedev.

Jean-Pierre Langellier (à Rio), Marie Jégo (à Moscou), Julien Bouissou (à New Delhi), et Brice Pedroletti (à Shanghaï)

05/09/2009 - 13:09h ”País cresceu até 2% no 2º trimestre”

Segundo ministro Mantega, expansão no período reforça a meta do governo de que o PIB avançará 1% em 2009

http://images.ig.com.br/publicador/ultimosegundo/219/219/17/6330354.mantega_320_399.jpg

Daniela Milanese, LONDRES – O Estado SP

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu entre 1,8% e 2% no segundo trimestre, na comparação com os primeiros três meses do ano, revelou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O número, a ser anunciado oficialmente na próxima sexta-feira, aponta que o País saiu da recessão.

No primeiro trimestre, a economia brasileira encolheu 0,8%, depois de recuar 3,6% de outubro a dezembro do ano passado, quando a turbulência externa atingiu em cheio a atividade nacional. Com a retomada do crescimento, o Brasil deixa o período de retração econômica mais rapidamente do que os países desenvolvidos, onde a recessão se prolongou por um ano.

Segundo Mantega, em julho e agosto, a economia deu fortes sinais de aceleração em razão da retomada da produção industrial, pois as medidas de combate à crise estão surtindo efeito.

Mesmo assim, o ministro é contra a adoção de estratégias de saída neste momento e avalia que as medidas anticíclicas devem ser mantidas no País, ponto defendido também pelos demais Brics, que se reuniram ontem em Londres, antes do encontro de ministros de G-20, marcado para hoje. “Estamos no rumo certo, sem necessidade de correção”, afirmou.

Mantega avalia que ainda não é preciso reverter os estímulos porque o Brasil não teve o mesmo comprometimento fiscal que os outros países – os pacotes no País representaram apenas 1% do PIB. Conforme o ministro, a economia voltará a andar sozinha no futuro, mas esse momento ainda não chegou.

Mantega afirmou que não há novas desonerações à vista no Brasil. No entanto, continuará alerta. Ele mantém a previsão de crescimento de 1% do PIB neste ano e espera aumento de 5% em 2010.

RISCO ‘W’

O ministro acredita que as medidas anticíclicas adotadas para combater a crise mundial precisam ser mantidas. Segundo ele, apesar da recuperação econômica, ainda não é o momento para colocar em prática as estratégias de saída.

“Tenho receio de que, se precipitarmos a saída, poderemos ver um movimento de ‘W’ (duplo mergulho na recessão)”, afirmou. Mantega admitiu que alguns países estão preocupados com o crescimento do déficit público.

“Mas a melhor forma de reduzir o déficit é com crescimento econômico”, disse. O ministro lembrou que o Brasil não precisou gastar tanto como outros países e já voltou a crescer no segundo trimestre – o que torna mais fácil o equilíbrio das contas públicas.

30/08/2009 - 16:12h Um ano depois, Brasil passa no teste e sai da crise maior do que entrou

Para especialistas, avanço do País e de outros emergentes é uma das características do mundo pós-crise

Fernando Dantas – O Estado SP


O Brasil saiu da turbulência global maior do que entrou. Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise iniciada com a concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro, o otimismo com o País tornou-se consensual. “O fato de que o Brasil passou tão bem pela crise tinha mesmo de instilar confiança”, diz Kenneth Rogoff, da Universidade Harvard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Jim O’Neill, do Goldman Sachs, e criador da expressão Bric (o grupo de grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), “o Brasil passou por essa crise extremamente bem, e pode crescer a um ritmo de 5% nos próximos anos”.

O crescimento de importância do Brasil e de outras economias emergentes é uma das características do novo mundo surgido com a crise econômica. Para comentar essa e várias outras mudanças, o Estado ouviu oito grandes economistas estrangeiros e brasileiros: Rogoff; O’Neill; Barry Einchengreen, da Universidade de Berkeley; José Alexandre Scheinkman, de Princeton; Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio gestor do Gávea Investimentos; Edmar Bacha, consultor sênior do Itaú BBA e codiretor do Instituto de Estudo de Políticas Econômicas – Casa das Garças (Iepe/CdG); Affonso Celso Pastore, consultor e ex-presidente do BC; e Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco.

Pastore observa que a recessão no Brasil foi curta, de apenas dois trimestres, comparada a quatro em países como Estados Unidos, Alemanha e França. Goldfajn nota que há os países que estão saindo da recessão no segundo trimestre e os que estão saindo no terceiro – o Brasil está entre os primeiros, com várias nações asiáticas. “Mesmo no primeiro trimestre, se olhar mês contra mês, há números fortes de crescimento no Brasil”, acrescenta.

Para Goldfajn, a crise foi um teste de estresse para diversos países, no qual alguns passaram, outros não, alguns tiveram nota boa e outros nota ruim. “Acho que o Brasil tirou nota boa, e agora está todo mundo olhando e dizendo ‘esse cara é bom’”, diz Goldfajn.

Uma das principais razões para o sucesso do Brasil em enfrentar a crise, segundo Pastore, é que ela pegou o País com o regime macroeconômico adequado – câmbio flutuante, bom nível de reservas, inflação controlada, superávit primário, dívida pública desdolarizada e caindo em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB). Essa solidez combinou-se com o sistema financeiro capitalizado, pouco alavancado, que estava proibido pela regulação de operar com os ativos perigosos, como os títulos estruturados no mercado americano de hipotecas subprime. “Uma das lições da crise é que países que tinham uma abordagem equilibrada da regulação do mercado financeiro, como Brasil, Austrália, Canadá , não tiveram crise bancária”, diz O’Neill.

A política anticíclica, baseada em corte de impostos e ampliação de gastos públicos, também ajudou, embora esta segunda parte seja criticada pelos efeitos de médio prazo. Para Pastore, os aumentos do funcionalismo e do Bolsa-Família tiveram efeitos contracíclicos, mas “por coincidência”, já que foram decididos antes da crise. “O defeito é que, se fosse política contracíclica mesmo, teria de expandir gastos transitórios, e não permanentes.”

Para a maioria dos economistas, o aumento dos gastos públicos correntes reduz o espaço do investimento, e impede que o Brasil cresça a um ritmo ainda mais forte do que os 4% a 5% que estão sendo previstos. “Não é nem preciso dizer que há um monte de coisas que o Brasil poderia fazer para crescer mais rápido”, comenta Rogoff.

De qualquer forma, o sucesso diante da crise jogou o Brasil no radar dos investidores. “À medida que continuarmos a crescer mais que o mundo, é natural que o País receba um aporte muito grande de investimentos estrangeiros diretos”, diz Pastore, acrescentando que eles aumentaram, mesmo com recessão e queda de lucros nos países que sediam as empresas que investem no Brasil.

A contrapartida dos fluxos de capital é o câmbio valorizado e o déficit em conta corrente, o que significa que o mundo está financiando o Brasil para consumir muito (o que implica poupar pouco) e investir ao mesmo tempo. Segundo Goldfajn, os brasileiros serão um dos povos convocados, junto com os asiáticos, a preencher o espaço deixado pelo fim da exuberância do consumidor americano, atolado em dívidas e necessitado de reconstruir seu patrimônio.

http://raulmarinhog.files.wordpress.com/2008/10/lula-marolinha.jpg

”Não foi o fim do mundo que se prenunciava em dezembro”

Reação global de governos impede crise pior; papel da China se torna vital para retomada

Fernando Dantas – O Estado SP

A crise global não foi tão ruim quanto parecia no pior momento, entre o fim do último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. “Não foi o fim do mundo que se prenunciava em janeiro e dezembro, porque a reação dos governos foi do tamanho da crise”, diz Edmar Bacha, consultor sênior do Itaú BBA, comentando os maciços pacotes fiscais e a política monetária expansionista convencional (corte de juros) e não convencional (injeção de dinheiro na economia pela compra de títulos em poder do mercado) das principais economias do mundo.

Hoje, mesmo um observador relativamente pessimista, como Kenneth Rogoff, de Harvard, prevê que o mundo deve se estabilizar num crescimento em torno 4%, menos que o ritmo próximo de 5% dos anos anteriores à crise, mas já claramente fora da recessão. Ele ressalva que a atual recuperação “não é normal, com o sistema todo na UTI, o sistema bancário bancado pelo governo, e o mercado residencial se estabilizando apenas por causa dos grandes subsídios às hipotecas.”

Barry Eichengreen, da Universidade Berkeley, é outro que mostra ceticismo quanto ao vigor da recuperação mundial. “A mudança mais importante na economia pós-crise é o grande endividamento nos países industriais avançados, que tornará as finanças públicas restritivas, criando um ambiente inamistoso para o investimento, e que não é bom para o crescimento.” Ele se refere à necessidade que os governos dos países ricos terão de aumentar impostos e cortar gastos para contrabalançar o enorme crescimento da dívida pública na esteira dos grandes déficits fiscais da política contracíclica.

Um ponto crucial para sustentar a recuperação global é a capacidade da China de insuflar a demanda global. Para Rogoff, “a mudança número um do mundo pós-crise é que o consumidor americano, o combustível da economia mundial no último quarto de século, provavelmente será menos energético nos próximos cinco a dez anos.”

A grande questão, hoje, é saber se o recuo do superendividado consumidor americano pode ser compensado pelo avanço do consumo na China e em outros países emergentes asiáticos, e até no Brasil.

Para Rogoff, “a demanda dos mercados emergentes vai substituir a dos EUA, mas isso não acontecerá de um dia para o outro.” Essa mudança, ele continua, exige uma grande reestruturação da economia chinesa, que ainda está voltada para as exportações, e não para expandir o consumo interno.

Jim O’Neill, do Goldman Sachs, discorda: “Essa crise talvez tenha sido necessária, porque forçou a China a fazer uma transição para o crescimento puxada pela demanda interna. Isso era exatamente o que o mundo precisava para evitar a crise, e é o que mundo precisa para sair da crise.”

Para O’Neill, os dados da expansão de consumo da China são muito claros. As vendas de varejo saltaram 15,2% em julho e, nos últimos dois anos, convertidas em dólares, apresentam um avanço maior do que o recuo no consumo americano. Em relação ao setor externo, o economista inglês diz que tentou apostar recentemente, com membros da equipe econômica do governo britânico, que a China terá déficit comercial nos próximos dois anos. “Mas agora nós achamos que é possível que isso aconteça nos próximos 12 meses. Desde abril, o crescimento das importações chinesas é muito mais forte que o das exportações.”

http://www.rnnoticias.com.br/SPN/bancoimagem/Cultura/lula-e-marolinha-surf-obama.bmp

Crise mudou mapa da globalização

Mudança ocorreu tanto no comércio quanto nos investimentos e nas relações de poder de órgãos internacionais

Jamil Chade – O Estado SP

Os fluxos de investimentos mudaram de direção, a China se transformou no maior exportador do planeta e organizações consideradas como pilares das decisões internacionais hoje são questionadas e até substituídas. Em 12 meses, a crise acelerou processos de profunda mudança na geografia da globalização e uma incipiente nova relação de poder entre países.

No campo comercial, a maior novidade foi a transformação da China na maior exportadora do mundo. Por uma margem mínima, superou a Alemanha, que liderava desde 2003. A China exportou US$ 521,7 bilhões em seis meses, ante US$ 521,6 bilhões da Alemanha. Os americanos estão na terceira colocação.

A China já vinha subindo no ranking mundial. Mas a crise na Europa acelerou sua nova posição. Em 2002, a China era a quinta maior exportadora, com vendas anuais de US$ 325 bilhões, US$ 200 bilhões abaixo do que o país vendeu apenas nos últimos seis meses. Em 1997, a China era apenas a 16ª maior exportadora, com US$ 24,5 bilhões em vendas.

Nos últimos anos, dezenas de medidas foram adotadas contra os produtos chineses, que são hoje os mais afetados por medidas restritivas. Uma delas foi adotada pelo Brasil no início do ano para barrar a entrada de produtos siderúrgicos.

A crise ainda redesenhou o mapa dos principais destinos das exportações de vários países, inclusive o do Brasil. Neste ano, a China superou os EUA como o principal comprador de bens brasileiros. Além disso, passou a ser o maior fornecedor de produtos à Europa, acabando com 50 anos de relação comercial privilegiada entre europeus e americanos.

Em junho, as importações americanas estavam 34,5% abaixo dos níveis de junho de 2008. No ano passado, os Estados Unidos foram os maiores importadores do planeta, consumindo mais de 12% de tudo o que o mundo exporta.

No setor de investimentos, a crise também mudou a estratégia de multinacionais e coloca os países emergentes no centro da internacionalização. Levantamento com mais de 240 multinacionais elaborado pela ONU deixou claro que não há um risco de “desglobalização” da produção. O processo de internacionalização será retomado, mesmo mais lentamente. E será direcionado de forma cada vez mais clara aos emergentes.

A pesquisa mostrou que as multinacionais continuarão a investir no exterior para a internacionalização de suas vendas, produção e compra de ativos. Tanto em países emergentes como nos ricos, o levantamento indica que a crise está dando um incentivo extra para as empresas buscarem novos mercados, além de novos locais de produção para reduzir custos.

A tendência de uma maior atenção aos emergentes já vinha ocorrendo nos últimos dez anos. Em 1998, os países em desenvolvimento tinham 8% dos fluxos de investimentos, ante 13% em 2007. A tendência é de que a taxa aumente até 2011.

A preferência será pela Ásia, pelo tamanho do mercado e acesso a trabalhadores mais baratos. Cinco dos 15 maiores destinos de investimentos estarão na Ásia até 2011. Os países que formam o Bric – Brasil, Rússia, Índia e China – ocupam agora quatro dos cinco primeiros lugares preferidos para investimentos até 2011 e dividem as preferências com os americanos.

Em termos gerais, porém, o mundo ainda verá uma queda de investimentos em 2009 de cerca de 50%, ante 2008. Os mais afetados serão os países ricos, com redução de 60%. Mas os emergentes mostrarão certa resistência, com queda de apenas 25%. Em 2008, o mundo já sofreu queda de 15% nos investimentos, depois de atingir recorde de US$ 1,9 trilhão em 2007.

Outro sinal de mudança no mapa da globalização é a iniciativa de alguns países de reduzir sua dependência em relação ao dólar e acelerar a compra de papéis emitidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A decisão de Brasil, China e Rússia de se tornarem credores do FMI promove uma pequena revolução no mercado. Parte da estratégia dos emergentes é mostrar que têm como ser credores e, portanto, têm direito a uma maior voz em entidades como o FMI e o Banco Mundial.

O debate sobre os grupos e instituições financeiras ainda deixa alguns na defensiva. É o caso de Angel Gurría, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os países ricos e por anos tentou atrair os emergentes. Para Gurría, o mundo passará a viver em nova relação entre instituições e diferentes grupos de países, como o G-8 ou o G-20. “Cada grupo precisa de seu espaço. Hoje, o mundo é das redes, do network. E assim é que podemos imaginar uma nova configuração de países.”

http://youpode.com.br/blog/liberati/files/2009/03/liberati.jpg

29/08/2009 - 20:26h Um ano depois, Brasil sai da crise mundial maior do que entrou

Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise global, o otimismo com o País tornou-se consenso

Fernando Dantas, de O Estado de S. Paulo

RIO – O Brasil saiu da turbulência global maior do que entrou. Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise iniciada com a concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro, o otimismo com o País tornou-se consensual. “O fato de que o Brasil passou tão bem pela crise tinha mesmo de instilar confiança”, diz Kenneth Rogoff, da Universidade Harvard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Jim O’Neill, do Goldman Sachs, e criador da expressão Bric (o grupo de grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), “o Brasil passou por essa crise extremamente bem, e pode crescer a um ritmo de 5% nos próximos anos”.

O crescimento de importância do Brasil e de outras economias emergentes é uma das características do novo mundo surgido com a crise econômica. Para comentar essa e várias outras mudanças, o Estado ouviu oito grandes economistas estrangeiros e brasileiros: Rogoff; O’Neill; Barry Einchengreen, da Universidade de Berkeley; José Alexandre Scheinkman, de Princeton; Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio gestor do Gávea Investimentos; Edmar Bacha, consultor sênior do Itaú BBA e codiretor do Instituto de Estudo de Políticas Econômicas – Casa das Garças (Iepe/CdG); Affonso Celso Pastore, consultor e ex-presidente do BC; e Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco.

Pastore observa que a recessão no Brasil foi curta, de apenas dois trimestres, comparada a quatro em países como Estados Unidos, Alemanha e França. Goldfajn nota que há os países que estão saindo da recessão no segundo trimestre e os que estão saindo no terceiro – o Brasil está entre os primeiros, com várias nações asiáticas. “Mesmo no primeiro trimestre, se olhar mês contra mês, há números fortes de crescimento no Brasil”, acrescenta.

Para Goldfajn, a crise foi um teste de estresse para diversos países, no qual alguns passaram, outros não, alguns tiveram nota boa e outros nota ruim. “Acho que o Brasil tirou nota boa, e agora está todo mundo olhando e dizendo ‘esse cara é bom’”, diz Goldfajn.

Uma das principais razões para o sucesso do Brasil em enfrentar a crise, segundo Pastore, é que ela pegou o País com o regime macroeconômico adequado – câmbio flutuante, bom nível de reservas, inflação controlada, superávit primário, dívida pública desdolarizada e caindo em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB). Essa solidez combinou-se com o sistema financeiro capitalizado, pouco alavancado, que estava proibido pela regulação de operar com os ativos perigosos, como os títulos estruturados no mercado americano de hipotecas subprime. “Uma das lições da crise é que países que tinham uma abordagem equilibrada da regulação do mercado financeiro, como Brasil, Austrália, Canadá , não tiveram crise bancária”, diz O’Neill.

A política anticíclica, baseada em corte de impostos e ampliação de gastos públicos, também ajudou, embora esta segunda parte seja criticada pelos efeitos de médio prazo. Para Pastore, os aumentos do funcionalismo e do Bolsa-Família tiveram efeitos contracíclicos, mas “por coincidência”, já que foram decididos antes da crise. “O defeito é que, se fosse política contracíclica mesmo, teria de expandir gastos transitórios, e não permanentes.”

Para a maioria dos economistas, o aumento dos gastos públicos correntes reduz o espaço do investimento, e impede que o Brasil cresça a um ritmo ainda mais forte do que os 4% a 5% que estão sendo previstos. “Não é nem preciso dizer que há um monte de coisas que o Brasil poderia fazer para crescer mais rápido”, comenta Rogoff.

De qualquer forma, o sucesso diante da crise jogou o Brasil no radar dos investidores. “À medida que continuarmos a crescer mais que o mundo, é natural que o País receba um aporte muito grande de investimentos estrangeiros diretos”, diz Pastore, acrescentando que eles aumentaram, mesmo com recessão e queda de lucros nos países que sediam as empresas que investem no Brasil.

A contrapartida dos fluxos de capital é o câmbio valorizado e o déficit em conta corrente, o que significa que o mundo está financiando o Brasil para consumir muito (o que implica poupar pouco) e investir ao mesmo tempo. Segundo Goldfajn, os brasileiros serão um dos povos convocados, junto com os asiáticos, a preencher o espaço deixado pelo fim da exuberância do consumidor americano, atolado em dívidas e necessitado de reconstruir seu patrimônio.

17/08/2009 - 11:08h ”Brasil é o mais irresistível dos Brics”

James Quigley: presidente do Bank of America Merrill Lynch na América Latina; em visita ao País, ele diz que oportunidades estão espalhadas em vários setores, não apenas na área de commodities

 Leandro Modé – O Estado SP

 


Quando o Lehman Brothers quebrou, provocando o maior terremoto do sistema financeiro mundial desde os anos 30, muitos analistas decretaram o fim dos bancos de investimento. Essas instituições, em vez de atenderem ao cidadão comum, são especialistas em intermediar grandes operações, como fusões e aquisições, ou cuidar da fortuna de investidores endinheirados. Para os críticos, havia duas saídas para esses bancos: ou iriam à falência, como o próprio Lehman Brothers, ou seriam absorvidos pelos gigantes do varejo.

Foi o que aconteceu com o Merrill Lynch, vendido para o Bank of America (maior banco dos EUA hoje) no mesmo dia em que o Lehman sucumbiu.

Na América Latina, a empresa comprada assumiu o comando da instituição resultante da fusão. “O Bank of America não tinha uma estratégia bem definida para a América Latina. Em compensação, o Merrill Lynch tinha um negócio amplo, diversificado”, explica o presidente do Bank of America Merrill Lynch na região, James Quigley. Com 27 anos de experiência, ele não tem dúvidas: “O Brasil é hoje o mais irresistível entre todos os mercados emergentes do mundo”, disse ao Estado.

Quigley tem feito uma série de visitas rápidas ao País, com objetivo de entrevistar candidatos para vagas que o banco está abrindo aqui. “Temos de ser disciplinados. Contratar muita gente rapidamente pode fazer com que não consigamos trazer os melhores.”

Por que o mundo tem essa visão hoje sobre o Brasil?

Sempre é conveniente para homens de negócio como eu virem ao Brasil, encontrarmos jornalistas brasileiros e dizer apenas boas coisas sobre o País. Mas o fato é que o Brasil não é apenas o principal responsável pelo nosso crescimento na América Latina e nossa maior oportunidade na região. Eu diria que o Brasil é hoje o mais irresistível entre todos os mercados emergentes do mundo, considerando os outros Brics (Índia, Rússia e China) e países como Turquia e África do Sul. As razões são várias. O Brasil tem uma grande população jovem e diversificada, sistema bancário que funciona bem, instituições críveis (que gerenciaram a crise de forma hábil) e é um exportador diversificado – não é visto só como vendedor de commodities. Os negócios em que temos trabalhado não são só na área de commodities. O segmento de consumo é mais atrativo do que o de commodities. Há vários eventos que trouxeram excitação sobre o País. Em qualquer lugar que vou, uma conversa sobre a América Latina se volta para o Brasil. O Brasil está se transformando em destino preferencial do capital.

Em que áreas de negócio vocês veem as maiores oportunidades?

Em todas. Um dos pontos altos é o fato de ser um país diversificado. Nossas áreas ligadas a commodities, câmbio e ações são muito fortes, bem como o banco de investimentos, o corporate banking e o segmento de empréstimos comerciais. Para se tornar um competidor ainda mais forte, precisamos ser capazes de oferecer um portfólio de produtos mais amplo: financiamento de comércio exterior, gestão de caixa, financiamento da cadeia de suprimentos, etc. Em todas essas áreas, o Bank of America tem conhecimento global. Então, na América Latina, as sinergias possíveis entre as duas companhias pode provar que um mais um é igual a três. Quando se olha o Brasil, é impossível não pensar no crescimento do mercado imobiliário e na consequente necessidade de hipotecas. As perspectivas de consumo são grandes, portanto, o negócio de cartão de crédito é promissor não só no Brasil, mas na América Latina. Todas essas são oportunidades de longo prazo. Devemos ser disciplinados. Se quisermos fazer tudo muito rapidamente, pode dar errado. Contratar muita gente rapidamente pode fazer com que não consigamos trazer os melhores profissionais.

As eleições do ano que vem preocupam o investidor?

Eleições sempre preocupam. Neste caso, tudo o que se deve fazer é voltar duas eleições atrás, quando Lula foi eleito pela primeira vez. O dólar disparou, os títulos da dívida despencaram, mas, no fim, o que prevaleceu foi a democracia, foi o fato de que as instituições funcionam muito bem no Brasil. Lula acabou demonstrando ser capaz de fazer o País mover-se para frente. O medo se converteu em aplauso. Não acho que haja grandes temores sobre a eleição de 2010.

Hoje a percepção dos investidores é positiva sobre a América Latina. Mas, no auge da crise, moedas da região, como o real, estiveram entre as que mais se desvalorizaram. O que houve?

Se voltarmos 20, 30, 40 anos no tempo, em todas as crises os mercados emergentes tiveram má performance. Desta vez, a crise atingiu todos os países. Foi aos poucos que as pessoas se deram conta de que muitos tinham feito sua lição de casa e, portanto, o Brasil não estava sujeito aos problemas do passado. Isso não significa que não seria atingido. Mas, se pensássemos em sete anos atrás, o efeito seria muito pior. As pessoas reconhecem que, se o País tiver uma crise, será por fatores exógenos.

Essa retomada dos mercados é sustentável?

Eu preferiria, nos próximos anos, ter na carteira ações de grandes companhias do que bônus governamentais de longo prazo. A política dos governos – de despejar trilhões de dólares na economia e a atuação dos bancos centrais para evitar uma crise pior – é inflacionária no longo prazo. Provavelmente, esses riscos não vão se concretizar em 2010, mas em 2011. Inflação é bom para ativos reais, como ações e commodities. Nesse aspecto, o Brasil está numa ótima posição.

Qual a visão de vocês sobre a crise? O pior ficou mesmo para trás?

Não falo sobre o Bank of America Merrill Lynch, mas por mim mesmo. Acho que o pior está atrás de nós. O Bank of America alterou há algumas semanas a projeção de crescimento em 2010 dos Estados Unidos de 1,8% para 2,6%. Os estoques nos EUA já estão em nível relativamente baixo, a taxa de poupança subiu. Uma coisa que as pessoas sempre subestimaram é a flexibilidade e a agilidade de a economia americana se ajustar mais rapidamente do que a maioria das economias do mundo. Não é uma economia rígida. Não sou preparado o suficiente para dizer que o mercado acionário continuará na tendência de alta. Pode ser até que vejamos alguma correção. Mas, olhando a longo prazo, não acho que os EUA sejam um problema.

Alguns críticos dizem que há excesso de liquidez nos mercados e isso pode provocar novas bolhas.

No início de 2007, não encontrávamos um único cliente que não achasse que o mundo continuaria a ser bem sucedido. A maioria dizia: “Jim, há um excesso de liquidez no mundo. É preciso continuar investindo.” Em um curtíssimo prazo, fomos de uma enorme liquidez para zero. Hoje, há liquidez. Mas sempre há. Eu acho que a questão a se perguntar não é quanta liquidez há, mas como mobilizá-la de forma eficiente. Durante a crise, a liquidez não foi alocada. Todos colocaram o dinheiro em títulos americanos, praticamente sem remuneração. A mobilização eficiente da liquidez é função da confiança. A confiança está voltando e, à medida que aumente, a alocação da liquidez será cada vez mais bem feita.

Há muito capital entrando no Brasil, o que valoriza o real. Como lidar com o risco desse movimento?

Ter uma moeda forte será bom para o Brasil, porque forçará as empresas a ter disciplina, a gerir seus negócios de forma consistente com o aumento da produtividade. Se um país tem moeda fraca, dá à indústria uma desculpa conveniente para não ter foco no aumento da produtividade. Ter uma moeda forte no longo prazo vai ajudar o País. É claro que, no curto prazo, há toda a questão política, os editoriais que tratarão do enfraquecimento da indústria, etc. Mas será só no curto prazo. O real forte deixará a indústria brasileira muito mais produtiva. Isso ajudou os EUA nos anos 90.

Alguns governantes de países latino-americanos são considerados populistas. Como isso influencia a visão geral sobre a região?

Eu acho que a América Latina vai seguir o exemplo bem sucedido do Brasil. A Merrill Lynch liderou a entrada da Petrobrás no mercado de capitais. Naquela época, gastamos o mesmo tempo para preparar a operação e para reuniões com os sindicatos, para deixar claro que era algo de interesse do País. No México, não houve isso com a Pemex. São Paulo emergiu como a capital financeira da América Latina. Na Argentina, nós encontramos um caminho para sermos bem sucedidos. Hoje, não temos gente na Bolívia nem na Venezuela. Temos parceria com uma empresa de Caracas que tem sido muito boa. Há um potencial tremendo na Venezuela, mas não nas circunstâncias atuais. O Chile tem um sistema financeiro sofisticado, com margens muito difíceis. Então, não é fácil fazer dinheiro lá. É preciso ser inovador. Ainda que não estejamos fisicamente lá, o Peru é um lugar onde vemos muitas oportunidades.

O juro está no menor nível da história do Brasil. Que tipo de oportunidade esse cenário abre? O sr. espera, por exemplo, muitas aberturas de capital (IPOs)?

Eu não acho que os investidores institucionais estão convencidos da melhora do mercado. Há ainda dúvidas sobre a sustentabilidade da recuperação e medo de que haja uma recuperação em W, que incluiria outra recessão no ano que vem. Não vejo muitas oportunidades para IPOs, apesar do interesse dos investidores pela América Latina. Vejo, sim, oportunidades para empresas que abriram recentemente o capital fazerem ofertas secundárias e aumentarem o free float (quantidade de ações em circulação no mercado).

No início da crise, muitos diziam que o modelo de banco de investimentos ia acabar. Como o sr. analisa essa previsão hoje?

Bancos de investimento nunca morrem, eles só voltam de maneiras diferentes. Há um foco crescente em transparência e controle de risco. Todos reduziram seus níveis de alavancagem. Os ciclos mudam. Uma das coisas notáveis que percebi nos meus 27 anos de carreira é o ?curto prazismo? das pessoas. Depois da crise Tequila, do México, em 1994, e da crise russa, em 1998, muitos investidores me disseram: ?Nunca mais tente me vender produto relacionado a países emergentes.” Nos próximos 18 meses, as pessoas vão se lembrar da dor provocada pela crise. Mas os ciclos mudam. Não me preocupo por hoje, mas pelos próximos três ou quatro anos. É preciso ser disciplinado em todos os negócios, não só nos bancos de investimento.

13/08/2009 - 10:39h Pesquisa vê piora na disponibilidade de crédito

Assis Moreira, de Genebra – VALOR

A demanda por crédito aumenta na Europa e nos Bric – Brasil, Rússia, Índia e China -, mas o acesso a empréstimos torna-se particularmente duro no Brasil, Irlanda, Espanha e Rússia.

A conclusão é de uma pesquisa junto a três mil companhias feita pela Markit, companhia de informação financeira britânica, que diz ter como clientes 1.200 companhias financeiras que usam seus serviços para gestão de riscos e cumprir exigências regulatórias.

Globalmente, enquanto as indústrias dizem que precisam de mais crédito do que há três meses, a disponibilidade se deteriora. A pesquisa mostra que 82% das indústrias europeias ouvidas usam crédito. No Brasil, chega a 71%, mais que na China (44%). O Brasil, onde foram ouvidas 205 empresas, teria o maior aumento na demanda, mas também as maiores dificuldades ao lado da Irlanda.

No país, 17,5% das companhias ouvidas reclamam de restrição a financiamento, numa alta em relação as 11,5% que se queixavam em janeiro. É mais que a média nos Bric, onde 11% se queixam de crédito. A taxa só é menor na Índia, com 2%. As mais atingidas são pequenas empresas. Também as exigências e custo do crédito aumentaram, principalmente na Espanha e na Rússia, mas diminuíram no Brasil, China e Índia.

Na Europa, a queixa pela persistência do aperto de crédito é generalizada. O ministro de Finanças da Grã-Bretanha, Alistair Darling, ameaça “ser duro” com os bancos que resistem a emprestar. Na França, o governo de Nicolas Sarkozy prorrogou para até o final de 2010 um mecanismo de “mediador de crédito”, para pressionar os bancos a cumprir seu papel de intermediário financeiro.

10/08/2009 - 11:31h Pesquisa põe Brasil na liderança de otimismo na indústria

da BBC Brasil – FOLHA Online

Mais de duas em cada três empresas da indústria no Brasil estão otimistas com as perspectivas para os negócios nos próximo 12 meses, segundo um levantamento divulgado nesta segunda-feira pela consultoria KPMG.

O nível de otimismo no Brasil foi o maior expressado por empresários nos quatro países emergentes do chamado grupo Bric –Brasil, Rússia, Índia e China– e superou os percentuais observados em outra pesquisa da consultoria com empresas europeias.

Segundo a KPMG, 67,8% das empresas no Brasil expressaram otimismo em relação aos próximos 12 meses, contra 28,3% que esperam um panorama igual ao atual e 2,9% que esperam um panorama pior.

“Com os níveis de atividade indicando um aumento, as indústrias brasileiras estão planejando elevar seus níveis de empregados”, disseram os autores do levantamento.

“As previsões para gastos de capital e pesquisa e desenvolvimento também estão mais altos que na pesquisa feita no início do ano, porque o crescimento sólido nos lucros suporta níveis mais altos de investimento.”

Bric

A pesquisa ouviu 1,8 mil empresas nos quatro países dos Bric. Na Rússia, a expectativa de melhora nos próximos 12 meses ficou em 55,7% contra 6% de piora.

Na China os números foram semelhantes: 55,3% e 8,7%, respectivamente.

Já na Índia os empresários se mostraram mais cautelosos que no resto dos emergentes. Do total, 38,5% têm boas expectativas para os próximos 12 meses, contra 16% que esperam uma piora.

O diretor do braço da KPMG para mercados em crescimento acelerado, Ian Gomes, disse que o crescimento “robusto” dos Bric se baseará na demanda doméstica, o sucesso de medidas de estímulo adotadas pelos governos e sinais de estabilização da economia mundial.

“O crescimento mais rápido deve ser acompanhado por um repique nas pressões inflacionárias, à medida que a demanda por matérias-primas se acentua e as indústrias recuperam alguma capacidade de ditar preços”, afirmou.

Para ele, tais pressões devem ser “moderadas” em relação aos níveis elevados de 2008.

Europa

Em uma pesquisa separada, mas com temática e metodologia idêntica à realizada para os Bric, a KPMG consultou 3,7 mil empresas européias sobre suas expectativas em relação aos próximos 12 meses.

No continente como um todo, o percentual de empresas otimistas superou o das otimistas em 28 pontos. O Reino Unido (diferença de 54 pontos percentuais) e a Itália (49 pontos) lideraram a lista e foram os únicos que superaram a média européia.

Alemanha (diferença de 24 pontos), Áustria (22 pontos) e França (18 pontos) dão seqüência à lista.

Apenas na República Tcheca e na Grécia os empresários pessimistas ainda superam os otimistas.

O diretor da KPMG, Alan Buckle, disse que há muitas razões para um “retorno à confiança no coração industrial da Europa”, mas ressaltou que há razões para cautela.

“Antes de nos deixar ser levados pelos sinais de recuperação, não esqueçamos que ainda estamos firmemente inculcados perto do fundo do ciclo econômico. Apenas o Reino Unido expressa otimismo em relação a mais empregos, e ainda há sinais de redução no investimento”, afirmou.

“O fato de o otimismo estar muito menos em evidência quanto aos prospectos de aumento na renda nos diz que ainda há muito caminho na estrada da recuperação.”

27/07/2009 - 10:49h Jim O’Neill, criador do Bric, diz que crise foi boa para alguns países

Dominic Elliott, especial para The Wall Street Journal* – VALOR

Siglas podem poluir a linguagem de negócios com jargões complicados. Mas algumas conseguem transformar algo desajeitado em um sonho de marketing.

Foi assim com “Bric”, a sigla criada em 2001 por uma equipe de Jim O’Neill, o economista-chefe do Goldman Sachs Group, em referência a Brasil, Rússia, Índia e China. O banco criou a sigla quando fazia uma previsão sobre o crescimento dos quatro grandes mercados emergentes.

O Goldman Sachs previu que o produto interno bruto coletivo do quarteto iria representar mais de 10% da economia mundial no fim desta década. Eles já ultrapassaram isso, chegando a 15% no ano passado.

O’Neill discutiu nesta entrevista como os Brics têm se recuperado da crise financeira, se eles já superaram sua classificação e que países podem ocupar o lugar deles. Trechos:

George Soros dizia em março que os mercados emergentes corriam o risco de ser os mais prejudicados pela crise, mas os chamados países periféricos têm sido os mais fortes até agora na recuperação. Por quê?

A recuperação se deveu à força dos fundamentos econômicos. Quando a China lançou seu pacote de estímulo, no ano passado, o Goldman Sachs recomendou: “compre ações chinesas”. Muitos acharam que estávamos loucos, já que elas haviam desabado nos meses anteriores. Agora elas têm alta de 80%.

Em parte isso se deve ao crescimento do mercado interno. O declínio das vendas no varejo americano foi equiparado por um aumento na China. As vendas no varejo chinês subiram 18% ante igual período do ano passado, segundo os números mais recentes. O aumento nos volumes de carros, de 48% em junho em comparação com o mesmo mês um ano antes, também é significativo e não se deve apenas ao estímulo.

Como o sr. acha que a crise mudou a economia mundial?

Estou ficando mais convencido de que a crise foi de fato uma coisa boa para alguns países. É certamente o caso da China, onde a demanda interna melhorou e houve crescimento de base mais ampla, menos dependente das exportações.

Os países do Bric parecem ter se saído particularmente bem. Um dos motivos de eles terem se recuperado tão bem é o forte controle sobre os sistemas bancários?

Bem, antes de tudo, eu deveria dizer que não considero realmente os Brics como mercados emergentes. Eles são grandes demais para isso. Mas o controle estatal de bancos foi decididamente um fator e isso é algo que muitos dos países ricos tendem agora a fazer. Talvez haja um reconhecimento de que deveria haver mais responsabilidade social para o setor financeiro e que o controle estatal do sistema bancário é uma boa coisa.

Há alguns mercados emergentes que ainda sejam uma grande preocupação?

Os Estados do Báltico e outras partes da Europa Central e Oriental continuam com problemas, mas mesmo lá temos diversidade. Quando estive em Tóquio recentemente, todo mundo perguntava sobre a Letônia. Mas a economia letã é um décimo do tamanho da de Tóquio. Em contraste, a Polônia é a menos exposta e tem a maior economia e a menos dependente de exportações.

Sua equipe no Goldman Sachs identificou “os próximos 11″ países que poderiam pegar o bastão do Bric. O sr. disse recentemente que Turquia, México, Nigéria, Irã e Indonésia eram os líderes entre esses. Esses cinco são os que o sr. escolheria como os destaques para o segundo semestre?

Esses cinco só são similares no que diz respeito a terem grandes populações. A Indonésia parece estar num caminho para o desenvolvimento com base na demanda interna, apesar da ameaça do terrorismo. Sinais iniciais são de que o PIB do segundo trimestre mostrará que o país cresceu, o que é um feito significativo no contexto do acesso (à União Europeia), considerando os problemas que a Europa desenvolvida enfrenta. O Irã é uma sociedade altamente adepta da tecnologia com uma enorme população. A Nigéria é o maior país do continente africano em população e seus líderes estão dispostos a engajar-se internacionalmente.

Por isso esses quatro – Nigéria, Irã, Turquia e Indonésia – estão bastante no nosso radar. Vietnã e México também são interessantes.

O sr. acha que esses países ou os Brics serão capazes de descolar do mundo desenvolvido?

Não tenho certeza sobre o desacoplamento. As relações preço/lucro futuro (das ações) da China e da Índia estão mais altas que nos Estados Unidos, mas nos níveis atuais eu não encorajaria quem nunca investiu na China ou na Índia a aplicar lá; espere uma correção. É mais barato atualmente fazer isso via multinacionais ocidentais.

Como o sr. acha que os investidores deveriam olhar para os mercados emergentes?

Mercados emergentes são um conjunto diverso de países. Por isso não faz muito sentido investir num índice amplo de mercados emergentes. O tamanho dos países é um dos fatores mais importantes (…). Se um país é capaz de criar demanda interna sustentável, tem melhor chance de ser resistente.

*Dominic Elliott é editor do Financial News, publicação da Dow Jones, editora do Wall Street Journal

24/07/2009 - 10:21h Crise global: crédito encolhe US$ 6 tri em um ano

Brasil foi o membro dos Brics com a maior retração de créditos de bancos estrangeiros, de US$ 13,4 bilhões

Jamil Chade, GENEBRA – O Estado SP

O Banco de Compensações Internacionais (BIS) mostrou que, apesar dos esforços dos governos para recuperar os bancos, com a injeção de grandes somas, US$ 6 trilhões desapareceram das linhas de créditos nos últimos 12 meses no mundo.

O Brasil foi o membro do grupo Bric – que inclui Rússia, Índia e China – com maior retração de crédito de bancos estrangeiros este ano. De janeiro a junho, sumiram US$ 13,4 bilhões. Na Rússia, foram US$ 12,9 bilhões; na China, US$ 11,9 bilhões; na Índia, US$ 3,5 bilhões.

Em compensação, os empréstimos para as empresas no Brasil subiram US$ 790 milhões no mesmo período, revertendo a tendência de meses anteriores. Grande parte da queda no Brasil ocorreu pelo congelamento do crédito entre bancos.

Em dezembro de 2007, o volume de crédito, empréstimos e seguros para o Brasil era de US$ 157,2 bilhões, caindo para US$ 155 bilhões em dezembro de 2008 e para US$ 140 bilhões em março deste ano.

Os bancos internacionais chegaram a março com uma exposição no Brasil de US$ 284,2 bilhões – incluindo empréstimos e outras atividades, como seguros. Os europeus são os mais expostos, com US$ 212 bilhões. Os americanos têm exposição de US$ 41 bilhões. Três meses antes, a exposição dos bancos estrangeiros era de US$ 273,2 bilhões.

Entre janeiro e março, os empréstimos feitos por bancos despencaram no mundo em US$ 1,5 trilhão, cerca de 4%. Nesse caso, o BIS também aponta que o ritmo da queda foi menor que nos três meses anteriores, quando a retração foi a maior em 30 anos. Entre outubro e dezembro, a queda havia sido de US$ 1,9 trilhão.

Se a variação cambial for descontada, a queda nos primeiros três meses de 2009 foi de US$ 700 bilhões. Em um ano, chegou a US$ 3,3 trilhões. Ainda assim, é considerado preocupante e dando sinais de que o fluxo de empréstimos não foi retomado.

Desde as primeiras semanas da crise, os governos passaram a estimular empréstimos entre bancos. A seca no fluxo ocorreu diante da constatação de que ninguém sabia exatamente que risco corria ao fazer o empréstimo.

Uma série de medida foram tomadas, incluindo a criação de fundos para países emergentes que ficaram sem acesso a créditos. No comércio exterior, a estimativa da Organização Mundial do Comércio (OMC) é que o buraco no financiamento das exportações chegou a US$ 100 bilhões.

Mas os dados divulgados pelo BIS apontam que a retração continuou pelo menos até março. Os empréstimos passaram de US$ 35,8 trilhões em março de 2008 para US$ 29,4 trilhões em março deste ano. A queda no fluxo aos mercados emergentes foi de US$ 134 bilhões apenas nos primeiros três meses do ano.

Nos últimos 30 anos, o fluxo de créditos entre bancos teve aumento exponencial. Mas a tendência foi freada com a quebra do Lehman Brothers.

AMÉRICA LATINA

A queda dos empréstimos de bancos estrangeiros no Brasil foi a maior da América Latina (US$ 22,8 bilhões). A redução na região, porém, foi menor que a do último trimestre de 2008, de US$ 45 bilhões. No Chile, os empréstimos já aumentaram US$ 1,2 bilhão, depois de uma redução de US$ 3,8 bilhões no trimestre anterior.

28/06/2009 - 10:01h ”Brasil pode crescer até 5% em 2010”. Estadão entrevista Jim O”Neill

“a escolha de Lula deu maior credibilidade social ao Brasil”

http://www.cass.city.ac.uk/conferences/biennial/photos_day2/Jim%20O%27Neill%205_t.jpg

Quem é: Jim O’Neill

 


É PhD pela Universidade de Surrey, Inglaterra

Começou no Bank of America em 1982

Em 2001, cunhou a sigla Bric para se referir aos países emergentes Brasil, Rússia, Índia e China

É autor do livro “Building better global economic Brics” lançado em novembro de 2001

 

Fernando Dantas – O Estado SP

 


Para Jim O’Neill, o célebre economista-chefe do Goldman Sachs que cunhou a expressão Brics, o Brasil pode crescer até 5% em 2010 e está se saindo muito bem no enfrentamento da crise econômica global. Os Brics são o grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China. Foi em 2001, num relatório do Goldman Sachs, que O?Neill criou a expressão, que ganhou vida própria e levou os próprios Brics a se reunirem como grupo, pela primeira vez, em Ecaterimburgo, na Rússia, no dia 16 de junho.

A crise econômica global, segundo o economista, vai antecipar de 2037 para 2027 a sua previsão de que os Brics ultrapassarão em PIB o G-7, as sete principais nações desenvolvidas. A razão, para ele, é que existe um indiscutível descolamento de grandes países emergentes em relação ao quadro sombrio das economias ricas, o que acelerará a convergência. O descolamento, para O’Neill, é totalmente evidente no caso de China e Índia, para os quais prevê crescimento simultâneo a 10% ao ano no início da próxima década.

O Brasil, para ele, é um caso intermediário, tendo sido muito afetado inicialmente, mas demonstrando o que considera uma impressionante capacidade de reação. O’Neill mostra-se um entusiasta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chega a atribuir a ele – num arroubo que talvez seja considerado injusto por admiradores do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – o “ambiente de baixa inflação introduzido no início da década”. O economista também não mede palavras para elogiar Barack Obama, presidente dos Estados Unidos.

Grande fã de futebol e ex-diretor do Manchester United, O’Neill arriscou também palpites para a Copa do Mundo. A seguir, a entrevista, feita por telefone, na quinta-feira, da sede do Goldman Sachs em Londres.

Como sr. vê o desempenho dos Brics na crise econômica global?

Com a exceção da Rússia, acho que foram excepcionalmente bem, particularmente China e Índia. Eu tenho uma visão de que esta crise, na verdade, está se tornando boa para a China, porque a forçou encarar um fato realmente importante: a sua economia era dependente demais do crescimento via exportações, e era evidente que em algum momento eles teriam que mudar esse modelo. Acredito que eles fizeram isto, mais precisamente em novembro passado, quando lançaram seu enorme pacote fiscal e monetário (de estímulo à demanda interna) em reação à crise global. Eu fiquei muito, muito impressionado com a reação da política econômica por parte da China. Então, para a China, e para o mundo, no qual a China é tão importante, a crise foi de fato uma boa notícia.

E no caso da Índia?

Quando se pensa na história da Índia e no que se chamava no passado de taxas indianas de crescimento, de 3%, o fato de que a Índia vai crescer perto de 6% nesse ano, mesmo com o colapso do PIB mundial e, em particular, do PIB americano, é excepcional. E isso é um sinal, por um lado, de quão positivas foram as mudanças na Índia, e, em segundo lugar, é claro, do quão voltada para si mesma é a economia indiana.

Então, houve de fato o chamado descolamento dos emergentes?

Sim, a ideia de que o descolamento nunca aconteceu está errada. Quem diz que não houve descolamento, em minha opinião, não sabe do que está falando e não olha as evidências, que são particularmente fortes no caso da China e na Índia. Estamos prevendo para a China crescimento de 8% neste ano e de quase 11% para o próximo. No caso da Índia, ligeiramente abaixo, de 6% em 2009 e 7% em 2010, mas já com a perspectiva de revisar para cima essa projeção. No caso do Brasil e da Rússia, obviamente é diferente.

Qual a sua avaliação da situação do Brasil?

Nesse caso, a queda do preço das commodities foi um desdobramento muito negativo, mas eu acho que, a cada semana que passa, a evidência é que o Brasil está enfrentando a crise muito bem. A recessão no Brasil provavelmente será muito superficial. Para o Brasil, não ter uma crise nesse momento é muito impressionante.

E por que desta vez o País está se saindo bem?

Acho que o Brasil tem o mais forte arcabouço de política macroeconômica que eu, que tenho 50 anos, já testemunhei em toda a minha vida. É muito impressionante que o ambiente de baixa inflação que Lula introduziu no início desta década tenha sobrevivido à crise. Isto, na verdade, permitiu que o Brasil reduzisse a taxa de juros durante a crise. O Brasil jamais foi capaz de fazer isso em crises do passado. Você conhece o Paulo Leme (brasileiro que é diretor de pesquisas de mercados emergentes do Goldman Sachs)? Eu estou sempre apostando com o Paulo que o crescimento no Brasil será mais forte e mais rápido do que ele pensa. Acho que no próximo ano é possível que o Brasil chegue a 5% de crescimento.

Muitos economistas brasileiros criticam a expansão de gastos com Lula. Qual a sua visão?

Tenho opiniões matizadas sobre isso. Acho que esta crítica é claramente verdadeira no longo prazo. No entanto, penso que Lula e seu pessoal sentem que é necessário aplicar políticas que ajudem toda a comunidade de brasileiros e isso requer que eles demonstrem que muitas pessoas podem ser beneficiadas. Então, para eles, cortar fortemente despesas do governo, como as pessoas frequentemente mencionam, traria o risco de se ficar no modelo de Chicago (da Universidade de Chicago, conhecida pelo liberalismo), que falhou de forma tão medíocre em países como a Argentina. Então eu acho que a escolha de Lula deu maior credibilidade social ao Brasil. Por outro lado, isso significa que, olhando para a frente, seja quem for que substitua Lula vai ter, em algum momento, que lidar com esse problema, porque ele existe. Entre os grandes desafios que o Brasil tem pela frente, reduzir o tamanho do setor público talvez seja o maior.

Qual a sua projeção para o desempenho dos Brics nos próximos anos?

Quando vejo o que está acontecendo na China e na Índia em termos de política econômica, acho possível que, nos primeiros cinco anos da próxima década, esses países cresçam simultaneamente a uma média de 10% ao ano. Isso é uma taxa de crescimento que a Índia nunca teve. Pode ser muito excitante. Quanto ao Brasil, acho que uma taxa de 5% (ao longo de vários anos) é alcançável. Se tivéssemos conversado dois anos atrás, eu seria mais cético, diria algo entre 3% e 4%. Eu acho que muita gente subestima os sinais do desenvolvimento do grupo de renda média no Brasil, formando uma grande classe média. É um desenvolvimento muito positivo. Quanto mais eu penso no Brasil, mais impressionado eu fico. No caso da Rússia, nossas projeções são muito cautelosas, de uma tendência de 3% a 4% nos próximos anos.

Como isso afeta a previsão de que os Brics ultrapassarão em PIB o G-7?

A crise fez com que eu acreditasse que isso vai acontecer ainda mais rápido. Acho que provavelmente vai ser nos próximos 20 ou 25 anos. Costumávamos prever para 2037 e agora dizemos que será até 2027, dez anos antes.

E qual a sua visão sobre os efeitos da crise no mundo rico?

Acho que vai ser uma recuperação fraca no mundo desenvolvido. Os Estados Unidos ainda têm esse problema do consumidor estar altamente alavancado, e o consumidor representa um pedaço muito grande do PIB americano. Isso ainda tem de diminuir, é algo que os Estados Unidos não podem evitar. E esse processo é o que torna bem difícil que a economia americana se recupere muito fortemente.

E os outros países desenvolvidos?

Estou realmente bastante preocupado com a Europa e, particularmente, com a Alemanha. Me surpreende muito que a política alemã permaneça tão presa no que chamo de mentalidade conservadora. Eles têm de mudar a sua forma de pensar para que se tornem menos dependentes da demanda externa, como os chineses fizeram. E os alemães não fizeram. O que é surpreendente, o que é realmente incrível na Europa, e no Japão também, é que, apesar de toda esta crise, ele não mudam as políticas. É surpreendente e amedrontador. Não há, de fato, nenhum ponto brilhante no mundo do G-7. Talvez com a leve exceção do Canadá.

E como o sr. vê o Reino Unido, o seu país?

Acho que, porque a política econômica pós-crise do Reino Unido foi tão agressiva, o país pode mostrar sinais fortes de recuperação no próximo ano e surpreender muita gente, crescendo mais rápido do que se prevê. Mas o Reino Unido também tem desafios muito sérios em termos de políticas mais estruturais.

Como o sr. avalia o governo Obama até agora?

Eu sou um sócio pleno do fã-clube do Obama. Essa crise requeria uma reação de política econômica agressiva por parte do governo e capacidade de comunicação com o povo americano em tempos muito complexos, e penso que ele conseguiu. Acho que, até agora, Obama tem sido exatamente aquilo de que os Estados Unidos precisavam e que o mundo precisava. Me impressiona muito o seu estilo de diálogo com muitos países estrangeiros, incluindo seu posicionamento diante da complexa e frágil situação no Irã.

E as mudanças na regulação do sistema financeiro?

Não estou seguro de que seja o produto final. Temos mais um arcabouço do que o provável produto final. O que me agrada neste arcabouço é que eles estão tentando ser cuidadosos, enquanto na Alemanha e em boa parte da Europa o desejo é apenas de regular mais pela vontade de regular mais. Não é a coisa certa de se fazer, e acho que os Estados Unidos estão sendo mais cuidadosos com essa questão.

Quais são as principais lições da crise?

Esta é a sétima crise que acompanho profissionalmente. A primeira foi a crise da dívida latino-americana, em 1982. O que tenho a dizer é que algumas coisas boas podem resultar de toda e qualquer crise. Nesta agora, acho que teremos como consequência uma economia mundial mais equilibrada entre o consumo dos Estados Unidos e a poupança da China. Aliás, essa foi a primeira “crise Facebook (site de relacionamentos)”. Eu quero dizer que a disseminação da informações fez com que 6 bilhões de pessoas tivessem fortes opiniões sobre a crise, e eu penso naquela grande frase, de que um pedaço de informação é mais perigoso do que nenhuma. Foi de fato uma crise terrível, mas houve muito exagero. Muita gente estava convencida de que seria como nos anos 30, o que é ridículo. Era fácil de se prever que os países teriam a reação, em termos de política econômica, que eles tiveram.

O que o sr. acha do fato de que a ideia dos Brics, criada pelo sr., tenha sido assumida pelos próprios governos desses países, que formaram um grupo?

Algumas pessoas me perguntam se eu acho que eles teriam formado o grupo, se eu não tivesse pensado na sigla. Não sei se o fariam, talvez não arrumassem uma desculpa para isso. Na verdade, penso coisas contraditórias sobre o tema. Não acho que seja um grupo para o qual faça sentido se reunir em bases permanentes. Qual seria o objetivo? Mas todos os Brics deveriam ser parte de um G-7 ou G-8 mais efetivo e ter mais poder de decisão em um FMI e um Banco Mundial reformados. E até que isso aconteça, acho que faz bastante sentido que os Brics se reúnam entre si, separadamente. É quase como uma teoria dos jogos geopolítica. Então, como um desenvolvimento temporário, é perfeitamente sensato, mas não faz sentido numa base permanente.

Outros países emergentes não deveriam ser incluídos nos Brics?

Há cerca de quatro anos, quando eu frequentemente era perguntado sobre isso, dizia que, para ser considerado um Bric, o país teria que já representar 5% do PIB mundial ou teria de se acreditar que, na próxima década, ele teria uma forte chance de chegar a esses 5%. Acho que, fora dos quatro Brics, isto é muito, muito difícil. Então, apesar de que há algumas coisas excitantes em relação à Indonésia, Turquia, talvez até Nigéria e Irã, esses países não têm a menor chance de se tornar tão grandes na próxima década.

Pessoalmente, como o sr. se sente como criador da expressão Brics?

Orgulhoso, mas também embaraçado.

Embaraçado?

Eu jamais sonhei que seria tudo isso; é embaraçoso. Sou apenas um cara qualquer de Manchester que gosta de futebol.

Por falar em futebol, o sr. também tem previsões para a Copa do Mundo na África do Sul?

Espanha ou Brasil, parece. Quem sabe a Inglaterra. E pode me cobrar depois estas projeções.

26/06/2009 - 09:13h Decolando e descolando

celso_ming1.jpg

Celso Ming,O Estado SP

celso.ming@grupoestado.com.br

Um a um, os organismos de acompanhamento da economia mundial estão prevendo uma recuperação mais rápida e mais consistente da crise em pelo menos três economias emergentes: China, Índia e Brasil.

Quarta-feira, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) avisou que há novos puxadores da economia global. E apontou os três. A China deverá crescer 7,7% neste ano e 9,3% no próximo. A Índia, 5,9% e 7,2%, respectivamente; e o Brasil, depois de alguma coisa próxima do zero, deverá expandir-se 4,0% no ano que vem. O quarto gigante emergente é a Rússia, que, no momento, enfrenta um encolhimento do seu setor produtivo. Mas esta é uma economia que também pode reagir mais rapidamente se, na condição de grande exportadora, faturar com a alta dos preços do petróleo.

Enquanto isso, o mundo rico vergará sob o peso de forte recessão. Os Estados Unidos, por exemplo, recuarão 2,8% neste ano e crescerão apenas 0,9% em 2010; a zona do euro afundará 4,8% em 2009 e o Japão, 6,8%. (Confira tabela.)

É claro que os emergentes não terão força suficiente para resgatar do buraco o resto da economia mundial. Em todo o caso, há aí uma novidade: desta vez, os emergentes não ajudarão a deprimir ainda mais a economia mundial, como aconteceu nas crises anteriores. Ao contrário, o crescimento econômico nos três mais fortes emergentes significa certo aumento das encomendas ao resto do mundo, não só em petróleo, minérios e alimentos, mas, também, em produtos acabados, especialmente máquinas.

A previsão de que os três emergentes estão dançando música diferente das economias ricas traz de volta a tese do descolamento, que é a ideia de que, aos poucos, o mundo emergente vai tendo um desempenho econômico crescentemente mais independente do que se vê nos chamados países centrais. Um dos argumentos que mais reforçam esse ponto de vista é o comportamento dos preços das commodities, especialmente do petróleo, que estão com alta forte, apesar do mergulho do mundo rico na recessão.

A força dos emergentes é novidade na medida em que nas crises anteriores eles não passavam de fornecedores de produtos primários. Quando o mundo rico se prostrava na recessão, caía a procura de matérias-primas e os países em fase de desenvolvimento iam junto.

A tese do descolamento está assentada no pressuposto de que o mercado interno dos países emergentes vai ficando gradativamente mais importante, o que significa que a produção, que antes atendia preponderantemente ao chamado modelo exportador, vai sendo canalizada para os mercados internos.

A recuperação mais forte dos emergentes não levanta apenas interjeições; também aponta para certos custos.

Um dos impactos que podem ser sentidos especialmente no Brasil é a valorização da própria moeda, fator que pode tirar competitividade do produto industrializado. Explica-se: na medida em que crescer a percepção externa de que as economias da vez são as dos emergentes, ficará inevitável um aumento dos investimentos estrangeiros diretos, que tendem a elevar a oferta de dólares na economia.

Confira

Contra corrente – O crédito continua crescendo no Brasil, apesar da crise. Em maio de 2008, o crédito era de 36,1% do PIB. Doze meses depois, havia aumentado para 43%. Em 12 meses de crise global, o crédito interno só cresceu.

22/05/2009 - 08:51h “A atual crise mostrou que estão errados os que defendem o laissez-faire”

mundo_deconstruction.jpg

”Desafio do Brasil é crescer como os demais países do Bric”

Para isso, diz o economista Nouriel Roubini, o País precisa investir mais na infraestrutura e na educação

Ricardo Leopoldo – O Estado SP

O economista Nouriel Roubini, professor da New York University, disse ontem, em São Paulo, que o maior desafio do Brasil é elevar a média de crescimento econômico, que oscilou de 4% a 5% nos últimos dois anos, para uma taxa próxima da russa, chinesa e indiana, que variou de 8% a 10% no mesmo período.

“O Brasil tem grande potencial de expansão, uma quantidade extraordinária de recursos naturais, mas precisa elevar o crescimento para um nível próximo do das outras nações do Bric”, comentou, referindo-se ao acrônimo formado pelas iniciais desses quatro países.

Ao discursar no evento “Perspectivas da Economia Mundial – Visão Geral e os Impactos no Brasil”, promovido pela Serasa Experian, Roubini relacionou os fatores que vão potencializar o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) do País: ampliação dos investimentos em infraestrutura, melhora da qualidade do ensino e reformas capazes de dar mais eficiência ao setor público e estimular as empresas a ampliar a Formação Bruta de Capital Fixo.

No geral, Roubini fez avaliações positivas do Brasil. Ele destacou a “estabilidade macroeconômica, que perdura por vários anos”, promovida de forma significativa pelo Banco Central (BC), “que tem independência” para controlar a inflação. “Isso fez com que o País apresente hoje resiliência, o que não permitirá que ocorra o risco de crise financeira, ao contrário do que aconteceu em 1999 e 2002.”

O acadêmico atribuiu o bom desempenho do País, em meio à recessão mundial, a outros elementos, como os resultados das contas externas, que não apresentam déficit de transações correntes elevado, e a solidez dos bancos, o que, para ele, está relacionada com a adequada regulação do sistema financeiro pelo governo. Ele usou o exemplo do País para defender a ação do Estado sobre a atividade das instituições financeiras em todo o planeta.

“Os governos devem agir sobretudo para evitar desequilíbrios macroeconômicos”, comentou ele, acrescentando que isso também deveria ocorrer para coibir a expansão de bolhas de ativos financeiros. “A crise nos EUA, por exemplo, não afetou só o mercado de hipotecas subprime, mas todo o sistema de crédito”, disse.

“Não foi à toa que surgiu todo um abecedário de ativos financeiros que visavam a lastrear operações com diversos títulos, como os CDOs”, disse, referindo-se à sigla em inglês das Obrigações de Dívida Colateralizada, que dão ao portador o direito de ficar com o ativo dado como garantia, caso as obrigações não sejam honradas. “A atual crise mostrou que estão errados os que defendem o laissez-faire, pois o livre mercado, da forma como vimos até recentemente, causou problemas graves à economia mundial.”

FRASES

Nouriel Roubini
Economista

“A atual crise mostrou que estão errados os que defendem o laissez-faire, pois o livre mercado, da forma como vimos até recentemente, causou problemas graves à economia mundial.”

“Governos devem agir sobretudo para evitar desequilíbrios.”

27/04/2009 - 11:18h Bric pressiona Fundo por mais poder de voto

bric.jpg

Bob Davis, The Wall Street Journal, de Washington – VALOR

A pressão do Brasil, Rússia, Índia e China para que o Fundo Monetário Internacional faça sua primeira emissão de títulos tornou-se parte de uma estratégia por parte dos países em desenvolvimento para ganhar mais poder de decisão no FMI.

Esses quatro países declararam-se dispostos a contribuir para quadruplicar os recursos do FMI, que chegariam a US$ 1 trilhão, sobretudo adquirindo títulos. Estes seriam denominados na quase-moeda do FMI, os chamados Direitos Especiais de Saque, com vencimento de cerca de um ano, e seriam vendidos apenas para os bancos centrais. Se os países do Bric conseguirem o que desejam, os títulos também poderão ser vendidos em mercados secundários, para ficarem mais líquidos.

A proposta de compra dos títulos se destina a enviar uma mensagem dupla, disse Eswar Prasad, ex-autoridade do FMI que continua em contato constante com os representantes chineses e indianos. Os países do Bric estão dispostos a contribuir com o FMI, mas “não querem se comprometer a contribuir com mais dinheiro antes de conseguir mais” poder de voto no Fundo, disse Prasad.

Os direitos de voto e a emissão de títulos do FMI são questões que estiveram no alto da pauta das reuniões do órgão, que também discutiu o estado da economia global e o apoio a ser oferecido a países de baixa renda.

Em declaração feita no sábado ao principal comitê consultor do FMI, o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, disse que o FMI “ainda tem que tratar do seu pecado original: o seu déficit de democracia”. O ministro da Fazenda egípcio, Youssef Boutros-Ghali, presidente do conselho desse grupo consultivo, disse ao Wall Street Journal que deseja obter o envolvimento dos líderes nacionais para reformar o sistema de votação do FMI. A cota de cada país nas votações do FMI supostamente reflete, de modo geral, o poder econômico global do país mas, no momento, concede um peso muito maior àqueles que se tornaram poderosos depois da Segunda Guerra Mundial.

Em março de 2008 o FMI anunciou que a participação dos países emergentes aumentaria em apenas 5,4 pontos percentuais. Agora o FMI se comprometeu a reexaminar a questão em 2011; mas os países do Bric acreditam que a necessidade que o Fundo tem de maiores aportes lhes dá mais poder de fogo.