13/08/2012 - 09:12h Briga política deixa Buenos Aires sem metrô

Cristina e prefeito da capital não se entendem e greve dos metroviários entra em seu décimo dia causando muita dor de cabeça para os argentinos
13 de agosto de 2012

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES – O Estado de S.Paulo

A greve do metrô de Buenos Aires completa hoje dez dias, deixando cerca de 1 milhão de pessoas sem transporte na maior cidade da Argentina. Em razão da paralisação, o caos tem tomado conta da cidade, com o trânsito da capital entrando em colapso. Além das reivindicações salariais, a crise é causada pela briga entre a presidente Cristina Kirchner e Mauricio Macri, prefeito portenho, que tem aspirações presidenciais para 2015.

Os sindicalistas afirmam que a paralisação é por “tempo indeterminado”, enquanto Macri admite que a greve pode durar ainda “várias semanas”. “A duração da greve dependerá da presidente Cristina. Ela já decidiu que não haverá metrô”, disse Macri. Segundo ele, os sindicalistas do metrô, que se reuniram com Cristina na Casa Rosada, são kirchneristas.

O governo está retaliando as críticas de Macri com uma série de publicidades na TV direcionadas contra o prefeito. O clima de tensão, afirmam os assessores de Macri, pode se estender até 2015, quando haverá novas eleições presidenciais.

“Há muito tempo que essa briga não tem a ver com o metrô. Já virou um assunto 100% político. Ela não quer um acordo. Ela deseja submeter. É uma questão de valores. Está em jogo a liberdade, o pluralismo e a possibilidade de divergir. A presidente quer levar o país a um modelo chavista”, acusa Macri.

Reeleição. Segundo o prefeito, a presidente está por trás de uma reforma constitucional para permitir sua reeleição indefinida, como ocorre na Venezuela. Mais magro, exibindo profundas olheiras, Macri diz que se “enganou” ao acreditar que seria possível negociar de forma racional com o governo Kirchner.

Há poucos dias, os sindicalistas pediram 28% de aumento salarial, mas obtiveram 23%. No entanto, quando o acordo estava quase fechado, uma dissidência colocou o pacto à pique ao insistir nos 28%.

O imbróglio vem desde 1989, quando o então presidente Carlos Menem decidiu privatizar o metrô. O serviço passou a ser administrado pela empresa Metrovías a partir de 1994, que venceu a licitação feita pelo Estado. No entanto, a cidade ficou com a propriedade das linhas, suas instalações e material de transporte. Além disso, o governo da capital ficou a cargo das obras para a expansão do metrô.

Nos últimos anos Macri pediu ao governo a transferência do controle do metrô para a cidade. Em janeiro, o governo federal e a prefeitura assinaram uma ata de entendimento. No entanto, o prefeito foi pego de surpresa pela decisão de Cristina de reduzir os subsídios fornecidos ao metrô, fato que levaria a cidade a graves problemas financeiros.

Popularidade. Sem os subsídios, afirma Macri, o preço da passagem subiria em mais de 100%. O prefeito afirma que não pode assumir um metrô “falido”. O ministro do Interior e Transporte, Florêncio Randazzo, respondeu, garantindo que Buenos Aires tem dinheiro para assumir o serviço.

Os analistas políticos dizem que os portenhos ficaram “reféns” da disputa entre Cristina e Macri. Embalada pela crise do metrô, as pesquisas de opinião indicam uma queda da popularidade de ambos.

16/04/2010 - 18:46h O olhar de Pierre Verger sobre Buenos Aires

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© Foto de Pierre Verger. Buenos Aires na década de 40.


O Memorial da América Latina em São Paulo abre hoje para público, a exposição Pierre Verger: um olhar sobre Buenos Aires, que traz pela primeira vez ao Brasil a obra completa e autenticada de Pierre Verger em sua passagem pela Argentina alguns anos antes de ter se radicado na Bahia. O projeto é do pesquisador e professor da Unicamp, Fernando de Tacca, curador da exposição, concebido quando ele assumiu a cátedra de Estudos Brasileiros da Universidade de Buenos Aires, em 2004. A mostra reúne as fotografias de Verger publicadas na revista Mundo Argentino e no jornal Argentina Libre no inicio dos anos 40. Segundo Tacca, o ineditismo da sua pesquisa está na autenticação das publicações de fotografias de Verger que ainda não se conhecia. Em torno de 300 fotografias publicadas foram certificadas como de autoria de Pierre Verger em 23 reportagens (oito no Argentina Libre e 15 em Mundo Argentino), em um curto período de sua estadia em Buenos Aires: um ano, 03 meses e 17 dias. As respectivas coleções foram consultadas no Centro de Documentación e Investigación de la Cultura de Izquierdas en la Argentina (Ce.D.In.C.I.) e na Biblioteca Nacional da Republica Argentina. Outras duas publicações no período foram também importantes: uma capa para a revista Desfile e uma reportagem no jornal La Nación (com texto extraído do livro “Le Pélérin d’Angkor”, de Pierre Loti). Serviço: Pierre Verger: Um Olhar sobre Buenos Aires. De 15 de abril a 13 de maio. Memorial da América Latina, terça a domingo, das 9h às 18h. Entrada franca.

Fonte Images & Visions

13/04/2010 - 18:22h A providencial arvorezinha dos motéis portenhos

por Ariel Palacios – Blog Os Hermanos

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blog1hand-prawo2“Telo”, no “lunfardo” (gíria) portenho, significa “motel”.  É o “vesre” de “hotel” (“vesre”, no lunfardo, é a forma de inverter uma palavra, embora nem sempre invertida de forma rigorosa).

A forma oficial para referir-se aos motéis é a de “hoteles alojamiento” (hotéis alojamento, literalmente) ou “albergue transitorio” (pela transitoriedade da estadia no estabelecimento).

Em Buenos Aires os motéis costumam ser “urbanos”, isto é, estão mais concentrados no centro da cidade e nos bairros residenciais do que na periferia ou nas estradas que saem da cidade, como costuma ser primordialmente no Brasil. Por esse motivo, os motéis são geralmente “verticais”, isto é, prédios de vários andares.

Esses edifícios convivem com prédios vizinhos residenciais ou de escritórios.

Segundo a Câmara de Proprietários de Alojamentos (CAPRAL), entidade que reúne os motéis portenhos, existem 176 estabelecimentos do gênero só na capital argentina.

Ocasionalmente, os moradores desses prédios – dependendo da largura das paredes que separam as construções – podem perceber determinados gemidos, expressões de estímulo, entre outros sons, provenientes do estabelecimento destinado à atividade sexual.

O formato de motéis verticais nas transitadas ruas portenhas requereu uma forma pitoresca e naif de ocultar a entrada nesses estabelecimentos (grande parte da clientela dos motéis é pedestre, pois vastos setores da classe média portenha, ao contrário da brasileira, não possuem automóveis, seguindo o estilo de vida europeu).

No caso do Brasil, os clientes ingressam nos motéis dentro de seus carros. Somente a pessoa da recepção os vê.

No entanto, nos motéis portenhos, o casal vem caminhando pela rua e, para dissimular a entrada, repentinamente ingressa no estabelecimento.

Para ter uma entrada minimamente “discreta” e não tão acelerada, os motéis portenhos contam com providenciais arvorezinhas instaladas na frente das portas dos estabelecimentos (cobrindo, evidentemente, uns metros mais do que a largura da porta).

Os arbustos – parte indefectível do conjunto arquitetônico dos motéis portenhos – tentam ocultar da vista dos carros que passam pela rua (ou dos pedestres da calçada da frente) a entrada pretensamente sigilosa do casal.

No outono esta proteção – por causa do efeito climático desfolhante dessa estação do ano – fica parcialmente reduzida.

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Motel da rua J.María Gutiérrez com os arbustos densos que protegem a entrada dos clientes

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Motel da rua Azcuénaga e seu providencial arbusto, no bairro da Recoleta

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Vista de outro motel da rua Azcuénaga desde os fundos do cemitério da Recoleta. Neste caso, com arbusto já afetado pela intempérie do outono. Diversos motéis localizam-se na parte posterior do cemitério da Recoleta, na rua Azcuénaga. As janelas dos estabelecimentos tem vista para as imponentes cúpulas dos mausoléus dessa histórica “cidade dos mortos”.

copia3 de mao4TERMOS AFINS A MOTÉIS

BULO: Equivalente a uma garçonnière. Apartamento de pessoa solteira (ou casada com tempo para aventuras extramatrimoniais) primordialmente destinado para a atividade sexual (mais do que para moradia). “Bulo” provém de uma palavra do lunfardo mais utilizada no passado (e nos tangos): “bulín”.

Bulín, por seu lado, provém do francês “boulin”, que designa o buraco ou marquise nas paredes onde as pombas fazem ninhos e o lugar onde também acasalam. A palavra é praticamente desconhecida da maioria dos franceses, a não ser os columbófilos.

AMUEBLADO: Literalmente, “mobiliado”. Palavra usada mais na primeira metade do século XX para referir-se a uma espécie prototípica de motéis. Isto é, eram apartamentos discretíssimamente alugados por hora para casais. Uma espécie de motéis em sua mínima expressão. Os amueblados também eram chamados de “muebles”.

PISITO: Diminutivo de “piso” (andar). Usado como equivalente à garçonnière ou o apartamento de uma trabalhadora do sexo autônoma.

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Interlúdio renascentista: “Venus e Marte”. De Sandro Botticelli, para ilustrar o momento após o sexo das duas figuras olímpicas. Ao redor de 1483. Está na National Gallery, em Londres.

blog1anotacaostylus3GLOSSÁRIO SEXUAL

COGER: Verbo que indica o ato sexual completo. O verbo, na Espanha e outros países de idioma castelhano o verbo é primordialmente utilizado para “pegar” ou “colher” (como “colher algo do chão”). Isto é, uma pessoa poder referir-se a “coger el autobús (ônibus), para explicar que poder “pegar o ônibus”. Na Argentina, equivaleria a dizer que teria um coito com o veiculo de transporte coletivo (e não dentro de tal veículo). No entanto, não é uma forma polida de referir-se ao ato sexual.

COGIDA: “Uma cogida”. O coito.

GARCHAR: Verbo que designa o ato de copular. No entanto, é uma forma chula. “Coger”, perto de “garchar”, acaba parecendo uma forma elegante…

GARCHE: A cópula, expressada sem elegância

EMPOMAR: Verbo que refere-se a “pomo”, isto é, o equivalente a “bisnaga” Ergo, indica o membro viril. Desta forma, “empomar” é o verbo utilizado para referir-se à penetração.

TRANSAR: O verbo foi recolhido pelos turistas argentinos que foram ao Brasil nos anos 80. Mas, em vez de referir-se ao coito em si, na Argentina, esta gíria utiliza-se de forma adulterada. Neste contexto de readaptação do verbo, transar aqui refere-se aos beijos e carícias. Preliminares sexuais com abundante produção hormonal mas sem a cópula em si.

FRANELEO: Uma versão local da “transa” (isto é, a “transa” em sua versão adaptada). “Franela” é “flanela”, pano utilizado para passar – e esfregar – sobre um automóvel ou um móvel. No contexto sexual, uma “franela” seria o ato intenso de fricção de epidermes de duas pessoas.

VACUNAR: Vacinar. Refere-se ao ato de penetrar alguém.

ACABAR: Cuidado ao utilizar esse verbo na Argentina, já que é um sinônimo frequente de “ejacular”. Ou, no caso das mulheres, de chegar ao orgasmo. Para indicar o “acabar” nosso é mais adequado a utilização de “terminar”. Ou “concluir”.

TUJE: Proveniente do antigo yiddish “tuches”, utilizado com frequência na Argentina para indicar os glúteos. Traseiro. Bumbum.

VERSO: Galanteio semi-picareta. Afirmação – ou conjunto de afirmações – geralmente sem base concreta (“se você quiser conhecer meu iate…”) destinados a conseguir a conquista-sedução de alguém.

VERSERO/A: O/A praticante do ‘verso’.

TRAMPA: Literalmente, “trapaça”. Quando uma pessoa está “de trampa” é que está casada mas está tendo (ou tentando) ter um encontro sexual com outra pessoa que não é a cônjuge.

PIRATA: Aquele que pratica a ‘trampa’.

CABARULO: Refere-se aos cabarés, palavra em Buenos Aires aplicado para casas de strip-tease e também, ocasionalmente, para bordéis.

PRIVADO: Prostíbulo instalado em um apartamento.

CAFISHIO: O gigolô.

TRAVIESSA: Literalmente, “travessa”. Mas refere-se ao ‘travesti’.

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Ipomoea batatas. A batata doce original. Na Argentina, alusões a este tubérculo podem referir-se ao ato de penetrar

blogvinhetalendo-job-vernet2GLOSSÁRIO DE SEXO E ALIMENTOS

Tal como em diversas partes do planeta as referências aos alimentos – de preferência tubérculos, legumes e cereais falofórmicos – são amplamente usadas para designar o membro viril.

ENTERRAR LA BATATA: A ‘batata’ desta frase refere-se à ‘batata-doce’. A nossa batata em português é “la papa” em espanhol. Mas, em ‘lunfardo’ a batata indica o membro viril. Logo, neste contexto, com alusões à atividade da lavoura, ‘enterrar la batata’ (enterrar a batata-doce) significa, em tradução figurativa, penetrar alguém. Não se usa “enterrar la papa” (isto é, nossa batata, em português). Talvez porque até poderia causar confusão com o termo ‘papa’, isto é, o Sumo Pontífice (e, já que estamos aqui, Pontífice vem do latim ‘Pontifex’, o “construtor de pontes”).

MOJAR LA CHAUCHA: Molhar a vagem. Similar para ‘enterrar la batata’.

MOJAR LA VAINILLA: Molhar a baunilha, isto é, o biscoito champagne. Na Argentina, um dos hits do lanche da tarde, décadas atrás, era o do café com leite (ou chá) com as ‘vainillas’ (biscoito-champange). No fim das contas, a expressão é similar a “enterrar la batata”.

ES UN BOMBÓN: É um bombom. Elogio que indica que alguém é bonito/a. Majoritariamente usado por mulheres (ou homens) para referir-se a homens.

ES UN CHURRO: É um churro. Igual ao bombón. Mas, a expressão é um pouco mais antiga.

QUE LOMO!: “Que lombo!”. Elogio carnívoro ao físico de alguém. Usado tanto por mulheres como por homens.

QUE PAN DULCE: “Que panettone!”. Elogio aos glúteos femininos.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

06/04/2010 - 16:33h Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires, é acusado de estar envolvido em escândalo de escutas ilegais

Intimação de Macri acentua crise política na Argentina

EFE – Agência Estado

BUENOS AIRES – Uma intimação para que o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, fale em um caso de um escândalo de espionagem envolvendo políticos e empresários acabou desatando nesta terça-feira em uma nova polêmica entre a administração portenha e o Governo de Cristina Fernández.

As autoridades da prefeitura de Buenos Aires reagiram, indignados perante a decisão do juiz federal Norberto Oyarbide de chamar Macri para prestar depoimento no próximo dia 28 como suspeito de formar parte de uma associação ilícita que fez escutas telefônicas ilegais.

As acusações envolvem a Polícia Metropolitana, em funcionamento na capital argentina desde o começo do ano e criada por Macri, líder da aliança conservadora Proposta Republicana (Pro). Dois ex-policiais já foram presos.

O magistrado Oyarbide também intimou para se pronunciar nos próximos dias o ministro da Justiça e Segurança portenho, Guillermo Montenegro, o ex-ministro da Educação da cidade, Mariano Narodowski, que renunciou em 2009 por conta desse mesmo escândalo, e o primeiro-chefe da polícia portenha, Jorge “Fino” Palacios, um dos detidos no caso.

“Estamos acostumados com o fato do Governo usar alguns juízes para fazer política”, afirmou o chefe do Gabinete municipal, Horacio Rodriguez Larreta, em declaração a uma rádio.

O secretário geral da capital, Marcos Peña, considerou sua chamada para o interrogatório “Uma manobra de cumplicidade” entre o Governo e o juiz federal.

O próprio Macri disse em sua defesa que “é difícil entender a decisão de Oyarbide”, mas assegurou que está “muito tranquilo” porque não tem “nada a ver com as escutas”.

“Não vou responder a nenhum tipo de contestação difamatória ou desqualificadora porque elas têm um único propósito, que é me tirar da razão para me prejudicar na invertigação, e isso não vai acontecer” respondeu o juiz em declarações a rádios e emissoras de TV.

O ministro argentino do Interior, Florencio Randazzo, considerou que as acusações do Governo portenho sobre a existência de uma suposta “intencionalidade política” neste caso “são uma grande irresponsabilidade”.

“Aquém mais interessavam essas escutas que não a Macri?” se perguntou o ministro.

O escândalo das escutas já havia desatado ano passado em uma tormenta política entre o Governo peronista de Fernández e o Governo de Macri, que se propõe a ser candidato presidencial do aliança conservadora Pro nas eleições gerais de 2011.

O caso de espionagem ficou conhecido em outubro passado, quando suspeitaram de escutas ilegais em Sergio Burstein, familiar de uma vítima do atentado contra a entidade judia AMIA por parte do ex comissário Palacios, a quem Macri havia encarregado a tarefa de criar a Polícia Metropolitana.

Palacios, que está sendo processado por dissimulação no atentado de 1994 contra AMIA, em que morreram 85 pessoas, renunciou à direção da força metropolitana pouco depois de tomar conhecimento do escândalo.

Segundo Burstein está “mais que suficientemente demonstrado” que Macri tinha “responsabilidade e conhecimento de tudo o que estava ocorrendo com as escutas ilegais”, e pediu que “pague por isso”.

Os investigadores do caso encontraram informações sobre as espionagens ilegais em computadores apreendidos em uma agência de segurança controlada por Palacios e que está também supostamente relacionada com o antigo subchefe da Polícia Metropolitana Osvaldo Chamorro, que foi destituído por Macri novembro passado

14/11/2009 - 13:23h “Os declaro marido…e marido”

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“Amor vincet omnia”. Ou, na língua de Júlio César, “O amor conquista tudo”. Título da obra de Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571 – 1610), que exibe um Cupido com ar triunfador.
A obra foi pintada para o marquês Vincenzo Giustiniani entre 1602 e 1603. Está no Staatliche Museen, Berlim.

mao332a “Os declaro marido…e marido”. A frase poderá ser formalmente ouvida por Alex Freyre e José María Di Bello nos próximos dias, quando poderão casar-se, formalmente, no Registro Civil de Buenos Aires.

A autorização para este casamento entre dois homens foi assinada pela juíza Gabriela Seijas, que considerou que são inconstitucionais os artigos 172 do Código Civil argentino – que estabelece que é necessário o consentimento de “um homem e uma mulher” – e o 188, que determina a fórmula “os declaro marido e mulher”.

Segundo a juíza, “a lei deve tratar cada pessoa com igual respeito em função de suas singularidades, sem necessidade de entendê-las ou regulá-las”.

Desta forma, Alex, de 39 anos, e José María, de 41, anunciaram ontem (sexta-feira) que estão “orgulhosos” e “felizes”. Eles também afirmaram que serão o primeiro casal de homens que poderão casar-se oficialmente na História da América Latina. A medida cria precedentes para o fim do impedimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo dentro da cidade de Buenos Aires.

Até o momento, a cidade de Buenos Aires autorizava a união civil de duas pessoas do mesmo sexo. A mesma norma está em funcionamento há meses no Uruguai. Mas, a união civil deixa de lado vários direitos de um casamento formal, entre eles, a adoção de crianças. A partir do casamento, Alex e José María poderão adotar, se desejarem.

O CASAMENTO, O PREFEITO E O YOUTUBE
Maurício Macri, prefeito de Buenos Aires, do partido de centro-direita Proposta Republicana, anunciou que não impedirá o casamento, já que considera que está “a favor da liberdade e o direito das pessoas de serem felizes de acordo com suas próprias decisões”.

Macri surpreendeu ao deixar de lado suas posições costumeiramente conservadoras ao admitir que a aceitação do casamento homossexual “é uma tendência em todo o mundo”.

Para mostrar sua modernidade, o prefeito fez o anúncio em um vídeo institucional que colocou no site Youtube. “Espero que sejam felizes”, expressou Macri.

O link do Youtube, com a mensagem de Macri:
http://www.youtube.com/watch?v=T7fp0ecfQ3s&feature=player_embedded

Diversas pesquisas nos últimos meses indicaram que 60% dos portenhos não colocam impedimentos para a legalização do casamento entre homossexuais.

PARLAMENTO E IGREJA
A comunidade gay em Buenos Aires espera que a decisão da juíza Seijas sirva de “empurrão” para o debate do projeto de lei que está em andamento no Congresso Nacional que inclui no Código Civil o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O projeto também prevê a modificação de artigos que atualmente impedem que gays, lésbicas, bissexuais e transexuais tenham os mesmos direitos nas relações de família que um heterossexual. A proposta é a de – basicamente – substituir a expressão “homem e mulher” por “contraintes”.

Com essa modificação as pessoas do mesmo sexo que casarem terão direitos a pensões, planos de saúde conjuntos, além das heranças. No caso de filhos adotados, em caso de separação dos pais, ambos terão direitos e obrigações sobre os menores.

No entanto, o tratamento deste projeto foi criticado pela cúpula da Igreja Católica argentina. A comissão executiva do Episcopado afirmou que sua definição de “casamento” é a de “uma relação estável entre homem e mulher, que em sua diversidade de complementam para a transmissão e o cuidado da vida”. Desde que a Igreja emitiu sua posição, o tratamento do projeto de lei ficou paralisado.

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Com satírico humor, portenhos indicam que o Obelisco de Buenos Aires, em pleno centro da capital, é uma exaltação fálica de 67 metros de altura. Na foto, propriamente equipado com um preservativo para o dia mundial de luta contra a Aids, em 2005.

BOOM DO ‘PINK MONEY’
Desde a crise financeira de 2001-2002 – a pior da História do país – a capital argentina deixou de lado o machismo imortalizado nas letras do tango e transformou-se na “Meca” do turismo gay na América Latina.

Nos últimos anos a cidade ficou repleta de bares, restaurantes, hostals, boutiques e discotecas gays.

Os especialistas sustentam que Buenos Aires tornou-se atraente graças à desvalorização da moeda (ocorrida em 2002) e o glamour que a cidade ostenta, proporcionado pela arquitetura europeia do início do século XX, quando a capital argentina – apelidada de “Paris da América do Sul” – era uma das mais elegantes do planeta. O especialista em turismo gay, Alfredo Cañete, diretor da Buegay, acrescenta em inglês o motivo da atração gerada por Buenos Aires: “italian looking cute guys” (garotos bonitos com aspectos de italianos).

Além disso, Buenos Aires é a cidade onde viveu e morreu Evita Perón, ícone do mundo gay – para profunda irritação do Peronismo ortodoxo – tal como Marilyn Monroe e Maddona.

O espírito “gay-friendly” ficou evidente há quatro anos, quando as autoridades municipais aprovaram a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Estimativas indicam que do total de 36 milhões de argentinos, 2 milhões são gays e lésbicas.

Por toda a cidade – principalmente nos bairros de San Telmo, Recoleta e Palermo – espalham-se uma dezena de “hostals” e 50 bares e restaurantes gay-friendlies, uma Wine Store, além de cursos de tango para homossexuais.

Há dois anos a cidade foi a sede da Copa do Mundo de Futebol Gay (a Argentina foi a campeã graças ao gol de seu atacante principal, um brasileiro residente no país).

Buenos Aires também conta com o Queer Tango Festival, um evento anual que cada vez arrepia menos os tangueiros ortodoxos. Ao longo do ano, o público gay também pode desfrutar do tango em duas tanguerías especializadas para esse público, além de dezenas de cursos especializados nesse tipo de dança.

Os comércios portenhos celebram a afluência do denominado “pink money”, já que os turistas gays estrangeiros gastam 25% a mais do que os turistas heterossexuais que passeiam por Buenos Aires.

No início desta década a maior parte da clientela gay estrangeira que visitava Buenos Aires era composta por jovens homossexuais europeus e americanos. Mas, nos últimos anos começaram a desembarcar ostensivos contingentes de brasileiros, colombianos e mexicanos.

Buenos Aires também tornou-se um ponto de atração para gays a ponto de aposentar-se nos EUA e Europa, que mudam-se para a capital argentina. Na cidade, suas aposentadorias rendem mais do que nos países de origem. Além disso, encontram imóveis baratos para instalar-se.

Os gays portenhos, com seu satírico humor, indicam que a cidade sempre fora gay-friendly, mas ninguém havia percebido: “temos um monumento, o Obelisco, que é uma exaltação fálica de 67 metros de altura…e além disso, é só ver que o palácio presidencial é a Casa Rosada!”.

05/11/2009 - 20:00h Tango, uma forma de caminhar pela vida

Blog de Ariel Palacios

por Ariel Palacios, O Estado SP

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A herança afro no tango argentino fica evidente pela sensualidade dos passos desta forma de “caminhar pela vida”


Um relatório elaborado por Cynthia Quiroga, psicóloga colombiana (o cantor Carlos Gardel morreu em 1935 na colombiana Medellín), integrante da Universidade de Frankfurt (Alemanha, terra onde foi inventado o bandonenón) afirma que o tango eleva o desejo sexual.
A Universidade recomenda o tango para casais com problemas de baixa testosterona
Sexo à parte, o tango – ritmo musical do rio da Prata (pois é praticado em ambas margens, a uruguaia e a argentina) – foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, no mês passado.

maozinhassd “O tango é uma dança que não é dorsal como o flamenco. O tango é postero-pélvico…sua representação é um simulacro erótico”. (do escritor espanhol Rafael Salillas em 1898)

“…Dança-se entre um homem e uma mulher, mas sem cópula”.(Salillas, 1898)

Para o escritor Jorge Luis Borges, o tango era “uma forma de caminhar pela vida”. Para o poeta Enrique Santos Discépolo, “um pensamento triste que pode ser dançado”. No exterior, o tango é a música emblemática que representa a Argentina, embora o mesmo gênero musical também seja símbolo do vizinho do outro lado do rio da Prata, o Uruguai. Os argentinos se ufanam da definição dada pelo filósofo americano Waldo Frank, que sustentou que o tango é “a dança popular mais profunda do mundo”.

A palavra tango talvez seja a mais associada à Argentina em todo o planeta. A crise econômica de dezembro de 2001 foi chamada de “efeito tango” pela imprensa mundial. O caráter fatalista e pessimista que muitos argentinos exercem diariamente sobre a política, a economia e suas próprias vidas pessoais também é apontado como “um tango”.

Mais do que triste, o tango é introvertido e introspectivo, ao contrário de outras danças populares que são extrovertidas e eufóricas. Para o escritor Ernesto Sábato, “somente um gringo pode fazer a palhaçada de aproveitar um tango para conversar e se divertir”. Segundo o autor, “um napolitano dança a tarantela para se divertir. O portenho dança um tango para meditar sobre seu destino”.

O tango é multifacético. Suas letras falam da mãe “santa”, da turma de amigos, das ruas do bairro e da pérfida – e perdida – mulher que os abandonou. Mas além disso, o tango também fala do hedonismo e da aparência, das divisões sociais e dos picaretas. Ele também é frequentemente satírico, com letras que disparam ácidas farpas contra tudo e contra todos.

NASCIMENTO
Na Argentina (no Uruguai a História é outra), mais do que ‘argentino’, o tango é portenho, já que o interior da Argentina seria melhor representado por outros ritmos, como o chamamé, o malambo e a zamba.

O bairro da Boca não foi o berço do tango, ao contrário do que indicam certas lendas, especialmente de guias turísticos estrangeiros.

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Tango nasceu no ‘barrio del Mondongo’, atual bairro de Montserrat. O bairro está marcado em vermelho nesse mapa antigo de Buenos Aires.


O tango surgiu ao redor de 1877 no bairro de Montserrat, situado entre a Casa Rosada e o atual Congresso Nacional. Na época, ali residiam os descendentes dos escravos negros que haviam sido liberados em 1813.
Em Montserrat, também chamado de “barrio del Mondongo”, os afro-argentinos organizaram-se em associações beneficentes, que de noite – em barracos de sapé – preparavam festas para angariar fundos.

Nesses eventos, tocavam batucadas lânguidas, que para os escandalizados vizinhos brancos da área eram danças “luxurientas” e “indecentes” na coreografia.

As reuniões em Monserrat-Mondongo muitas vezes acabavam subitamente com a intervenção da polícia, que aparecia para “colocar ordem” no lugar.

Na época de carnaval as associações de afro-argentinos saíam às ruas para dançar ao som da batucada, denominada na região do rio da Prata como “candombe”.

A rivalidade dos grupos – cada um queria mostrar que era melhor na coreografia – provocava confrontos sangrentos nas ruas. Por este motivo, depois de anos de incidentes, o governo ordenou a dissolução das associações.

Sem poder sair às ruas, os afro-portenhos organizaram lugares exclusivos de dança, os “tambos”. Com esta palavra começa a polêmica sobre a origem do tango. Para alguns “tangólogos”, “tango” viria de “tambo”. Para outros, vem de “Xango”, ou “Xangô”, deus africano da guerra.

A própria palavra “tango”, com essa grafia, apareceu em 1836 no “Diccionario Provincial de Voces Cubanas”. O livro define “tango” como “a reunião de negros para dançar ao som de seus tambores ou atabaques”. Outra teoria indica que “tango” vem de “tambor”.

A polêmica e a discussão são elementos altamente cotados na mesa dos argentinos. Portanto, abundam versões sobre o assunto. Uma teoria indica que “tango” vem de “tang”, palavra pertencente a um dialeto africano que poderia ser traduzida como “aproximar-se, tocar”.

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Uma forma de caminhar pela vida com raízes africanas que posteriormente foram europeizadas


Curiosamente, outra versão sustenta que a palavra vem do latim “tangere”, que também significa “tocar”. No espanhol antigo, “tangir” equivale a tocar um instrumento.

Para complicar, no século XIX existia na Espanha um “tango andaluz”. E no México, no século XVIII, uma dança com o mesmo nome.
Nenhuma dessas teorias (há várias teorias adicionais sobre a origem da palavra) foi comprovada. Os argentinos continuam dançando este gênero sem se preocupar por sua etimologia.

Desta forma, os afro-portenhos tiveram que resignar-se a ficar dentro de seus “tambos”, dançando o embrião daquilo que em poucas décadas seria o tango tal como o conhecemos hoje em dia.

A forma de dançar era – de certa forma – vagamente similar ao samba brasileiro atual: dança solta, eventualmente segurando o/a parceiro/a, além de muito requebro.

Mas, nesse momento em que essa forma prototípica do tango está em plena ebulição nos lugares de encontros dos afro-argentinos, ocorre uma guinada que seria fundamental para o desenvolvimento do tango: o surgimento do “compadrito” nos “tambos”.

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Gabino Ezeiza, um dos expoentes agro-argentinos do tango em seus primórdios


(Veremos o surgimento do compadrito no tango nos próximos dias e também a vida de Gabino Ezeiza)

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17/08/2009 - 15:58h Festival de tango em Buenos Aires

18 dias de puro tango e um tour gardeliano

por Ariel Palacios – Blog Os Hermanos

passos
Segundo Jorge Luis Borges, o tango é uma forma de caminhar pela vida

hands Desde a sexta-feira 14 até o dia 31 de agosto Buenos Aires viverá jornadas intensas de tango. No total, serão 18 dias de tango com mais de 90 concertos, 50 aulas de baile e duas competições de dança nas categorias de salão e cenário.

Até o dia 23 Buenos Aires será embalada pelo XI Festival de Tango (na sequência virá o Campeonato de Baile). O epicentro dos espetáculos é o histórico edifício da Harrod’s, na calle Florida. Música, dança, mas também conferências, documentários, lançamento de livros. A cidade estará imersa em no ritmo imortalizado por Carlos Gardel e Astor Piazzolla.

Link para o festival:
http://www.mundialdetango.gob.ar/home09/web/es/index.html

O Festival começou neste ano com a Orquestra Típica El Porvenir, grupo musical composto por 60 músicos das orquestras infantis das areas favelizadas dos bairros de Villa Lugano e o Baixo Flores, além da favela Villa 31.

Ao longo desta semana dançarão figuras como Carlos Copes e Iñaki Urlezeaga, cantará Elena Roger (uma argentina que fez sucesso em Londres com a montagem britânica de “Evita” e que agora está em B.Aires com “Piaf”) e interpretarão tangos personalidades de alto calibre como Rodolfo Mederos e Chico Novarro, entre outros.

2008
O campeonato do ano passado foi eletrizante. Na foto, o casal vencedor na categoria “Tango Cenário”: Melany Celati e José Fernández

Outras estrelas: Leopoldo Federico e sua orquestra a cantora Susana ‘la tana’ Rinaldi, o Sexteto Mayor.

O festival pretende também recuperar velhos tangos esquecidos e também dar oportunidades às novas tendências desse gênero musical do Rio da Prata.

Na sequência do Festival de Tango começará o Campeonato Mundial de Dança, que será encerrado no dia 31. Mais de 400 casais – de todas as partes do planeta – foram selecionados.

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“En tus brazos”, uma animação francesa sobre o tango. O link para o desenho:
http://www.entusbrazos.fr/

E, para quem quiser aprofundar a semana do tango, aqui embaixo segue um tour gardeliano de Buenos Aires.

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Gardel, em um dos diversos filmes que rodou para a Paramount

TOUR GARDELIANO
handbsd Uruguaio de Tacuarembó? Francês de Toulouse? Os argentinos não se preocupam muito com o lugar de nascimento de Carlos Gardel (embora a maioria acredite que nasceu na França e descartem a teoria uruguaia). Todos admitem que o cantor que fez o tango famoso em todo o planeta não nasceu em Buenos Aires. Mas, da mesma forma que Carmem Miranda, nascida em Portugal, agiu em relação ao Brasil, Gardel fez de seu país de adoção sua pátria. De quebra, ele declarou seu amor à cidade em uma miríade de tangos, desde o clássico “Mi Buenos Aires querido” até o “Anclao em Paris”, no qual relata a vida de um portenho em Paris que olhando os boulevards sente uma profunda saudade das ruas de Buenos Aires.

Link do Youtube para Anclao en Paris:
http://www.youtube.com/watch?v=5n3_5ELv0-Y&feature=PlayList&p=6D2C7FDD629C87E9&playnext=1&playnext_from=PL&index=5

O que está fora de discussão é que Gardel – francês ou uruguaio – cresceu no portenho bairro do Abasto, próximo do centro de Buenos Aires.
Ali, segundo as boas línguas, ele teria sido um garoto prestativo, preocupado com a mãe viúva. Essa versão indica que teria trabalhado como ajudante no mercado de alimentos do Abasto, carregando caixas de legumes e frutas.
Mas, a más línguas sustentam que o garoto teria, na verdade, sido um ladrãozinho que batia carteiras. O velho mercado onde Gardel realizava indefinidos afazeres em seus tempos de teenager, foi substituído nos anos 30 por outro, um marco da arquitetura portenha. E, esse edifício, nos anos 90 foi transformado em um shopping center. O antigo Mercado del Abasto é hoje o Shopping do Abasto, sobre a Avenida Corrientes, número 3247.

O bairro tenta manter uma imagem “gardeliana”, embora já diste muito de ter as características dos tempos de Gardel. Hoje em dia, a maior parte do bairro engloba uma substancial comunidade peruana, além de concentrar grande parte dos judeus ortodoxos de Buenos Aires.
Ali perto, na rua Jean Jaurés, número 735, Gardel morou com sua mãe entre 1927 e 1933. O casarão, abandonado durante décadas, foi tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional e transformado no Museu Carlos Gardel, que além de objetos que o cantor utilizou, realiza exposições sobre sua vida e obra (e do tango, de forma geral).

Na vizinhança também está o “Pasaje” (Beco) Carlos Gardel, onde estava o restaurante “Chanta Cuatro”, onde o cantor costumava reunir-se com seus amigos para comer (ele era bom garfo) e cantar tangos e milongas. Hoje, no mesmo lugar, está a “Esquina Carlos Gardel”. No beco também está uma estátua do cantor, inaugurada há três anos.

estatua
Gardel na frente do Abasto. ‘Carlitos’ cresceu nesse bairro (hoje, aliás, um bairro com um interessantíssimo mix: judeus ortodoxos e imigrantes peruanos

No centro da cidade está o Café Tortoni, na Avenida de Mayo 825, do qual Gardel era habitué. Ali, cantando tangos, homenageou o escritor italiano Luigi Pirandello. Gardel também era um habitué do Palais de Glace, um salão de baile (hoje transformado em museu) em plena Recoleta, na rua Posadas 1725. Ele nunca cantou ali. Mas, o Palais foi o cenário de uma briga que resultou em um tiro que colocou uma bala em um dos pulmões de Gardel.

Anos depois, em 1935, essa bala seria reencontrada na autópsia realizada em Medellín, após o acidente de avião que causou a morte de Gardel. Uma das especulações surgidas na época – e e que ainda tem vários seguidores – é que dentro do avião no qual Gardel partia da Colômbia, houve uma violenta discussão, com troca de tiros. O caos teria causado o desvio do avião da pista, e sua posterior colisão com outro aparelho.

Outro ponto do tour gardeliano é o Hipódromo de Palermo, ao qual dedicou vários tangos (um dos versos diz “Palermo, me tenés loco y enfermo”, ou, “Palermo, vocês me deixa louco e doente”, em alusão ao vício do cantor de apostar nas corridas de cavalo). Ele também dedicou tangos aos jóckeis, especialmente a seu amigo Irineo Leguizamo, que galopava o cavalo de Gardel, “Lunático”.

Link do Youtube para ver Gardel cantando “Por una cabeza”, un tango de conteúdo hípico-amoroso:
http://www.youtube.com/watch?v=xG_ilGAPhzk

Um endereço gardeliano, no entanto, não passa de mito, especialmente para aqueles que não residem em Buenos Aires. O famoso “Corrientes, 348″, é apenas um endereço poético. Gardel nunca morou na avenida Corrientes, número 348, nem teve uma garçonière, tal como indica a letra do tango de “A media luz” (A meia luz, ou, Na penumbra). O endereço, na verdade, é um prosaico estacionamento.

O tango, de 1925, tem música de Edgardo Donatto e letra de Carlos Lenzi.
Este é o link do Youtube com Gardel cantando “A media voz”:
http://www.youtube.com/watch?v=TwEAF3clZys&feature=related

Após sua morte trágica em Medellín, o corpo de Gardel foi levado à Buenos Aires, onde foi velado no “Luna Park” (uma espécie de mini-estádio coberto, onde realizavam-se disputas de boxe, ciclismo e shows musicais), que ainda hoje está na esquina das ruas Corrientes e Bouchard, em pleno centro da cidade.

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Estátua de Gardel no cemitério de La Chacarita. ‘El bronce que sonríe’ é um dos apelidos de Gardel, isto é, “O bronze (pela estátua) que sorri”

Dali, Gardel foi transportado, acompanhado por centenas de milhares de pessoas, até o cemitério de La Chacarita, no bairro homônimo, onde repousa pela eternidade. O mausoléu é vigiado por uma estátua do cantor, que sempre conta com flores frescas a seus pés, especialmente cravos. De quebra, com frequência (mas não sempre, ao contrário do que diz o mito) um fã coloca um cigarro aceso entre os dedos de uma das mãos. O dia 24 de junho, data de sua morte, é um evento que reúne admiradores de todo o planeta em La Chacarita.

GASTRONOMIA GARDELIANA

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Gardel nos tempos em que estava ‘rellenito’ (gorduchinho)

Gardel – que durante breve tempo chegou a pesar 118 quilos – oscilava de peso com muita frequência. Por questões artísticas, policiava-se, e tentava manter-se dentro do peso aceitável para exibir uma figura elegante. A maior parte dos restaurantes que Gardel frequentava fecharam ou transformaram-se radicalmente, não mantendo as características nem os menus dos tempos de Gardel.

Mas, o turista que deseje seguir os passos da gastronomia gardeliana, poderá pedir, em outros restaurantes, os pratos que deliciavam o cantor. Entre os quitutes preferidos estavam os raviólis com recheio de carne de vitela, risoto com funghi e açafrão, além do “puchero criollo”, o mais típico cozido da Argentina.

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Gardel em filme com uma de suas parceiras preferidas, Rosita Moreno

05/08/2009 - 16:50h Estação Espacial registra fotos noturnas de cidades da Terra

Astronautas desenvolveram tripé que pode ser movido lentamente para compensar movimento do planeta

 

BBC Brasil- Agencia Estado

 


 - Anos de trabalho e aperfeiçoamento técnico possibilitaram que astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI) registrassem impressionantes imagens de algumas das principais cidades da Terra à noite.Veja também:

mais imagens   Galeria de fotos

As fotos foram registradas entre 2007 e 2008, e, segundo a Nasa, mostram como “as luzes das cidades apresentam uma prova espetacular da nossa existência, nossa distribuição e nossa habilidade para mudar o ambiente em que vivemos”.

São Paulo e Santos registradas do espaço – Foto: Nasa

No início do projeto, os astronautas encontraram dificuldades para obter fotografias nítidas, já que as lentes precisam de um grande tempo de exposição, mas a EEI se move rapidamente.

Eles então desenvolveram um tripé colocado sobre uma plataforma que pode ser movida lentamente, compensando a rotação da Terra e o deslocamento da EEI, e possibilitando fazer imagens mais definidas.

As fotos das cidades foram tiradas de uma distância entre 350 e 400 km da Terra.

13/01/2009 - 19:23h Tango com alma nas tradicionais milongas

Portenhos veem renascimento da dança em vários pontos da capital

Ariel Palacios – O Estado de S.Paulo

BUENOS AIRES - Nada de rosa na boca ou malabarismos que fazem o tango parecer twist, como nos vários shows turísticos oferecidos com insistência na capital. Nas tradicionalíssimas milongas, dança-se comme il faut, de forma verdadeira e espontânea. Sem espaço para mão no peito e falsas lágrimas quando os músicos tocam os acordes de Evita.
Veja também:

linkEspecial para habitués: segredos de uma Buenos Aires desconhecida
linkO amado e odiado circuito Rodin

linkRaridades e itens curiosos à venda

linkCinco dicas gastronômicas para fugir do bife de chorizo
Nesses salões, os protagonistas são senhores de terno e gravata, que trançam as pernas indistintamente com senhoras de vestido ou adolescentes de jeans e tênis. Sim, adolescentes. Nos últimos anos, o tango vive um período de renascimento e hoje a cidade conta com mais de 150 milongas.

Antes de embarcar nessa jornada, saiba que o tango tem etiqueta própria. Primeiro conselho: evite conversar enquanto dança. “Somente um gringo pode fazer a palhaçada de aproveitar um tango para conversar e se divertir”, escreveu Ernesto Sábato, em seu livro de ensaios sobre a dança.

As tanguerías não são ambientes para paquera explícita. Logo, seja sutil. Para convidar alguém para dançar costuma-se fazer um cabeceo, movimento que consiste em uma leve sacudida da cabeça em direção à pista. Se a resposta visual for positiva, as duas pessoas se dirigem ao centro do salão. Confira alguns endereços com muita diversão e nada de estereótipos:

Niño Bien

Instalada no primeiro andar da associação cultural de uma comunidade espanhola, essa milonga embala a noite portenha com música gravada e orquestras. O público costuma ser majoritariamente de terceira idade e se divide entre aqueles que admitem a passagem do tempo e os que se rebelam contra ela. Bigodes tingidos, perucas e alguns espartilhos convivem com cabelos brancos.

O ambiente do Niño Bien é agradável. O único problema é que fica na região de Constitución, bairro não tão seguro assim. Chame um táxi e encare a jornada, pois vale a pena. Na saída, peça um radiotáxi. Não caminhe pelas redondezas à noite. Fica na Rua Humberto Primo, 1.462, Constituición. Informações: (00–54-11) 4483-2588.

Parakultutal

Nesta famosa milonga, orquestras embalam os dançarinos. O local também oferece aulas para diversos níveis de tangueiros – sempre às segundas, terças, quintas e sextas-feiras. Fica na Rua Scalabrini Ortiz, 1.331, em Palermo. Informações: www.parakultural.com.ar (o site inclui a programação do mês).

La Catedral

O ambiente não é tipicamente tangueiro – moderninha, a milonga mais se parece com um celeiro ou uma fábrica abandonada decorada com eventuais toques kitsch -, mas La Catedral é um lugar onde se dança o autêntico tango, com a alma. A presença maciça de jovens e adolescentes chama a atenção dos visitantes.

Argentinos se misturam a estrangeiros residentes na cidade e alguns poucos (poucos mesmo) turistas. Fica na Rua Sarmiento 4.006, Almagro. Informações: (00–54-11) 4342-4794.

Lo de Celia

Point de grandes e exigentes dançarinos de tango. Os habitués são bastante rigorosos com os novatos. Quando notam alguém diferente entrar no salão, ficam de olho para ver como a pessoa dança antes de convidá-la para, enfim, sacar viruta al piso (ou tirar lascas do chão). Fica na Rua Humberto Primo, 1.462, San Telmo. Mais informações: (00–54-11) 4304-2438.

***
De olho na bolsa

Desde a crise de 2002, furtos viraram uma constante em Buenos Aires, principalmente em locais turísticos. Veja quais:

Rua Florida: sempre lotada – e cheia de visitantes distraídos -, é um prato cheio para os batedores de carteira. Algumas das paralelas também são pouco recomendáveis

Avenida 9 de Julio: a ampla avenida e seu policiamento precário permitem uma fuga rápida dos assaltantes

Caminito: o entorno da rua colorida, em La Boca, está cheio de batedores, que se escondem nos cortiços da área

Recoleta: o elegante bairro é alvo da ação dos moto-chorros, ou bandidos de moto. O motoqueiro passa em velocidade e seu comparsa, na garupa, rouba sacolas e relógios

Táxi: use um radiotáxi, pois há bandidos disfarçados de taxistas. E cuidado para não receber dinheiro falso. Outra estratégia é o motorista fingir que “esqueceu” de ligar o taxímetro e pedir um valor fixo pela corrida, bem maior do que você pagaria normalmente.

29/10/2008 - 20:15h Comenzó la 1ª edición de Límite Sud

Arte contemporaneo latinoamericano.

Hasta el 31 de octubre en el Pabellón Municipal de Exposiciones (detrás de la facultad de Derecho).

Buenos Aires – Argentina

19/04/2008 - 05:54h Buenos Aires coberta por densa fumaça

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 Névoa provocada por queimadas obriga governo a fechar estradas, cancelar vôos e suspender aulas

SIMONE CARDOSO, PSICÓLOGA BRASILEIRA*

“Desde segunda-feira Buenos Aires está coberta por uma densa fumaça, que só faz piorar a cada dia. O ar é irrespirável, o cheiro é simplesmente insuportável. Há cinco dias não consigo ver a cor do céu. Está tudo branco.

Mesmo estando longe dos focos de incêndio, é impossível não sentir os seus efeitos. De manhã não se vê um palmo diante do nariz. À noite é difícil dormir por causa do forte cheiro de queimado. Mesmo dentro de casa, com tudo fechado, é possível ver uma nuvem de fumaça pairando no ar. Cancelei uma visita que a minha mãe nos faria porque já não é seguro viajar nas estradas. Não se vê nada.
Uma série de acidentes já foi registrada desde segunda-feira.

Os hospitais estão cheios, não estão dando conta do recado.

E por mais que digam que a fumaça não é tóxica, está afetando a nossa saúde.

Meu marido está com problema na garganta, meu filho reclama de ardência nos olhos, e eu estou com fortes dores de cabeça desde terça-feira.

Sabemos que os bombeiros estão fazendo o possível e o impossível, mas estamos rezando para que chova. Não vejo outra forma de solucionar o problema sem que caia uma água”.

*Em depoimento ao Globo Online

22/03/2008 - 12:31h Brasil vibrará en Buenos Aires

Por Susana Reinoso – adncultura*com

Que Rubem Fonseca llegue a Buenos Aires para la próxima Feria Internacional del Libro, por inaugurarse el 24 de abril, constituye una excelente noticia. Hombre sencillo de pocas palabras, “alérgico” a la prensa y cuya literatura es admirada más allá de las fronteras de su lengua portuguesa, Fonseca es uno de los protagonistas de un programa más amplio que la embajada de Brasil en Buenos Aires y la Fundación Centro de Estudios Brasileños (Funceb) desarrollarán este año. En mayo próximo, uno de los ejes de la participación brasileña en la feria será la comparación entre dos próceres del olimpo literario iberoamericano: Borges y Machado de Assis. Machado es un renovador de la narrativa en lengua portuguesa y también uno de los grandes olvidados. Este año, con motivo de cumplirse el centenario de su muerte, se realizará, en la Casa de las Américas de Cuba, un congreso internacional como homenaje. La delegación brasileña se completará con editores y poetas, cuya obra está en ascenso en el mundo literario del vecino país.

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* * *

Pero el plato fuerte de Brasil en Buenos Aires comenzará un día después de la inauguración de la muestra de libros. Merced a un acuerdo entre la Funceb y la Universidad de San Andrés, este otoño marcará el debut de un posgrado en cultura brasileña por dictarse en ambas instituciones. La casa de estudios presenta la propuesta académica casi al ritmo brasileño: “Si la bossa nova pudo ser pensada como promesa de felicidad y el tropicalismo como descenso a los infiernos es porque esas músicas exhiben algo más que un estilo musical o una forma de cantar: ambas hablan de la manera en la que en Brasil distintas manifestaciones culturales tienden a condensar la textura de lo real y de lo imaginario”. Según Florencia Garramuño, que, por la universidad, será una de las profesoras del posgrado, el objetivo del diplomado será comprender la urdimbre de las distintas expresiones artísticas y culturales que componen ese mosaico de fusiones que se conoce como “cultura brasileña”. El diplomado recorre la cultura en la periferia urbana, las poblaciones del Amazonas, la literatura y la música, las fiestas populares, el cine, las artes visuales y la religión, con su notable cruce de rituales y estéticas artísticas, revela Camila do Valle, directora de la Funceb.

Un testimonio de ese cruce será presentado en el Centro Cultural Rojas el 8 de abril próximo. Dueños de la encrucijada (Arte Brujo) es el título del libro de los artistas Juan Batalla y Dany Barreto, donde el arte y la antropología entretejen una impactante simbología de raíz africana que goza de excelente salud como una subcultura rioplatense, en las orillas del mainstream . Una expresión artístico-religiosa de esa influencia africana es el culto kimbanda, llegado de Brasil y resignificado en el Uruguay, con la adoración de orixás, deidades propias del norte brasileño, inusuales en nuestra geografía. A contrario de lo que pueda suponerse, las calles porteñas acogen a más de 3000 templos del culto kimbanda. La investigación de Batalla y Barreto abre una vertiente fascinante sobre la estética religiosa de esos templos, algunos de los cuales eligen el arte figurativo y otros, el abstracto. “Frente al empobrecimiento de otras religiones -observan Barreto y Batalla-, surge un crecimiento de estos cultos de raíz afrobrasileña. En estos templos, ves arte todo el tiempo: las coreografías, las danzas, los altares, la música, la comida e, incluso, las palabras en portugués, guaraní y yorubá [lengua africana].”

Ese espectáculo artístico-religioso puede tener lugar exactamente ahora en cualquier barrio de Buenos Aires. Dicen los autores que cada día es menos excepcional encontrar un templo donde un promedio de 100 personas expresen, por ejemplo, su gratitud y adoración a Iemanjá, la bella orixá del mar.

sreinoso@lanacion.com.ar

06/03/2008 - 09:01h Buenos Aires é tomada pela eleição espanhola

AP
Cartazes de propaganda eleitoral do primeiro-ministro espanhol, o socialista José Luis Zapatero, num prédio em Buenos Aires, capital da Argentina

Janes Rocha – VALOR

Fotos gigantes do premiê espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, estão por toda a cidade, nesta reta final da campanha eleitoral. Mas não é na Espanha, e sim em Buenos Aires. Outdoors, faixas e cartazes com as cores da bandeira espanhola, amarelo e vermelho, e a mensagem “A visão positiva”, estão nas ruas, edifícios e até em ônibus. A caça ao eleitor portenho revela a importância da comunidade espanhola residente na Argentina para as eleições gerais de domingo na Espanha.

As imagens de Zapatero incluem sempre um quadro vermelho com o logotipo do governista Partido Socialista Obrero Espanhol (PSOE). O premiê tenta a reeleição contra o candidato do Partido Popular (PP), Mariano Rajoy. Segundo pesquisas divulgadas pelos principais jornais do país no último fim de semana, Zapatero estaria até quatro pontos à frente de Rajoy, com 42,9% das intenções de voto contra 38,8%.

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