10/05/2009 - 09:59h Agricultura se recupera e pode repetir 2008

Alta de preços agrícolas deve injetar até R$ 12 bi na renda de produtores

Governo e consultorias revertem estimativa de queda de 7% e dizem que a renda do campo pode ser igual à de 2008

Márcia De Chiara – O Estado SP

A alta recente dos preços dos produtos agrícolas deve injetar pelo menos R$ 6 bilhões de renda no campo neste ano, segundo os cálculos do Ministério da Agricultura. Consultorias privadas preveem um acréscimo de até R$ 12 bilhões na receita em relação às previsões iniciais, que apontavam queda de 7%. Nos últimos 30 dias, as cotações de soja, algodão e açúcar, por exemplo, subiram 13%, 22%, 18%, respectivamente, nas bolsas internacionais. A recuperação de preços trouxe de volta otimismo ao campo e abriu perspectivas mais favoráveis para o plantio da próxima safra.

Em setembro, com o agravamento da crise financeira, os preços das commodities desabaram e as projeções da receita agrícola para este ano também. O Ministério da Agricultura chegou a projetar no início do ano que a renda das lavouras poderia chegar a R$ 150 bilhões em 2009. Agora, prevê que a receita atinja R$ 156 bilhões, resultado apenas 3% menor do que o obtido em 2008, revela um estudo do Ministério da Agricultura a que o Estado teve acesso e será divulgado amanhã.

“A tendência é de que a renda agrícola de 2009 não sofra uma queda tão grande quanto se previa inicialmente e possa até se igualar à do ano passado, que foi recorde”, afirma o coordenador-geral de Planejamento do Ministério da Agricultura, José Garcia Gasques. Em 2008, a renda de 20 produtos agrícolas somou R$ 161,1 bilhões.

Segundo Gasques, o que está puxando para cima a receita são os preços. Ele observa que os dados da receita de abril refletem apenas parcialmente esse movimento porque as cotações consideradas são as de março e a escalada das commodities ganhou força em abril.

Consultorias privadas que consideram em seus cálculos os preços deste mês têm projeções mais otimistas. A RC Consultores, por exemplo, refez as contas e prevê que a renda obtida com a venda de grãos, cana, café e laranja atinja R$ 186,9 bilhões em 2009, ante estimativas iniciais que indicavam R$ 174,5 bilhões. A nova projeção é praticamente a mesma receita recorde obtida no ano passado. “A percepção de renda futura da agricultura mudou”, diz o diretor da consultoria, Fabio Silveira. Ele acredita que esse resultado possa até ser superado.

“Estamos contentes, mas preocupados”, afirma o presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso, Glauber Silveira. Ele explica que a receita com soja pode ser corroída pela valorização do real ante o dólar, apesar de o preço atual do grão, que passa de US$ 11 por bushel na Bolsa de Chicago, superar a média histórica e o esperado diante do cenário de recessão global. O dólar fechou a semana em R$ 2,068, a menor cotação desde outubro do ano passado.

11/03/2009 - 11:00h No ano, foi o 3º melhor resultado da era Lula

Alta do PIB em 2008 ficou atrás apenas de 2005 e 2007, com 5,7%

Fernando Dantas, RIO – O Estado SP

Apesar da forte queda no último trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 5,1% em 2008, o terceiro melhor resultado do governo Lula, abaixo apenas de 2005 e 2007 (ambos com 5,7%). Com o desempenho do ano passado, o PIB per capita cresceu 4%, depois de ter se expandido 4,5% em 2007. Esse é um ótimo resultado, já que a média anual de crescimento do PIB per capita nos últimos dez anos é de 2% e, nos últimos cinco anos, de 3,5%.

O PIB de 2008 teve como destaques, pelo lado da produção, a agropecuária, que cresceu 5,8%, e a construção civil, que teve expansão de 8%. Pelo lado da demanda, as estrelas foram os investimentos, que cresceram 13,8%, apesar do tombo no último trimestre.

Mesmo com o aumento médio da Selic (taxa básica de juros) de 11,9% para 12,5% de 2007 para 2008, a expansão nominal do crédito bancário para empresas (42,2%) e das operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) (23,4%) contribuiu para o salto dos investimentos.

Os consumos das famílias e do governo cresceram, respectivamente, 5,4% e 5,6%. No caso das famílias, foi o quinto aumento anual seguido, puxado pelo crescimento de 7,9% na massa salarial e pelo crescimento nominal de 30,3% nas operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas.

As importações de bens e serviços se expandiram em 18,5% e as exportações recuaram 0,6%. Na agropecuária, os desempenhos principais foram do café, com alta de 25%, cana (19,2%) e milho (13,3%). A construção civil foi impulsionada pelo crédito à habitação, que cresceu 30,4% em termos nominais.

INDÚSTRIA

A indústria de transformação cresceu apenas 3,2% em 2008, o pior desempenho na indústria como um todo. Alguns dos melhores desempenhos na indústria de transformação foram segmentos como “outros equipamentos de transporte” (exclui automóveis) e produtos farmacêuticos. E algumas das piores quedas foram em produtos de madeira e produtos químicos, materiais elétricos e equipamentos de comunicação.

A indústria extrativa mineral cresceu 4,3% em 2008 e a de produção e distribuição de eletricidade, gás e água se expandiu 4,5%.

Os melhores desempenhos entre todos setores industriais e de serviços ficaram com a intermediação financeira e previdência complementar (9,1%, puxada pelo crédito e seguros) e os serviços de informação, impulsionados pela telefonia celular. O comércio cresceu 6,1%.

TRIBUTOS

Os impostos sobre produtos cresceram 7,4% em 2008, mais que o valor agregado a preços básicos, que cresceu 4,7% (juntos, valor agregado e impostos compõem o PIB, que cresceu 5,1%). Os maiores aumentos de tributos foram os das importações – 23,4%, acompanhando o salto das compras externas -, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com 7,9%) e Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com 6,9%.


REAÇÕES

Antonio Delfim Netto
Ex-ministro da Fazenda

“Como a atividade está fraca, o que demonstrou o PIB no quarto trimestre do ano passado, eu acredito que o BC deveria cortar os juros em 2 pontos porcentuais amanhã. Mas isso não deve ocorrer. Se o Copom diminuir a Selic em 1,5 ponto porcentual, mando rezar uma missa ecumênica”

Alexandre Schwartzman
Economista-chefe do banco Santander

“A queda de 3,6% do PIB no quarto trimestre de 2008 vai provocar um efeito carregamento (carry over) negativo da ordem de 1,5% a 1,7% para o PIB em 2009. Essa é uma conta grosseira, já que ainda não refizemos os cálculos com base nos novos números do IBGE”

José Serra

Governador de São Paulo “Infelizmente, não me surpreendeu (a queda do PIB).Isso sugere uma ação rápida dos governos nas três esferas e, principalmente, do governo federal, que tem nas mãos a política monetária. Depois de seis meses, ainda pratica a política monetária mais equivocada de todos os países do mundo”

Pedro Malan
Economista e ex-ministro da Fazenda

Existe um amplo espaço para se reduzir os juros nominais e reais e podemos chegar até o fim do ano a um dígito. O resultado do PIB (queda de 3,6% no quarto trimestre de 2008) é uma das razões que me levam a pensar que há mais espaço para reduzir os juros”

Gustavo Franco
Ex-presidente do Banco Central

“Nunca faltou coragem aos definidores da política monetária de subir os juros, resistindo a pressões políticas para que não o fizessem. Existe uma oportunidade inédita de se baixar os juros de maneira agressiva. O movimento tem que ser abrupto daqui para frente”

Rodrigo Maia
Deputado federal pelo RJ e presidente do DEM

“A queda do PIB mostra incompetência e irresponsabilidade do governo. O presidente Lula continuou tratando a crise como marola e não se antecipou tomando medidas no momento adequado, quando a economia estava bem”

Sem crise, a economia teria crescido 6,1%

 

Sérgio Gobetti – O Estado SP

 


A economia teria fechado 2008 com crescimento de pelo menos 6,1%, a maior taxa desde o Plano Cruzado, em 1986, se não fosse a guinada provocada pela crise mundial. Nos três primeiros trimestres do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) vinha crescendo acima de 6% em relação ao mesmo período de 2007 e, de um trimestre para outro, vinha se expandindo cerca de 1,7% a cada três meses. Se, em vez de cair 3,6% no último trimestre, o PIB tivesse ficado simplesmente parado, o crescimento no final do ano teria sido 1% maior do que o registrado pelo IBGE.

02/02/2009 - 09:18h Alheias à crise, commodities sobem em janeiro

http://www.defesacivil.rs.gov.br/comunicacao/noticia/20061003-162937/milho2.jpg

Fernando Lopes e Mônica Scaramuzzo, de São Paulo – VALOR

Com forte influência dos chamados fundamentos, todas as oito principais commodities agrícolas negociadas pelo Brasil no mercado internacional encerraram o mês de janeiro com preços médios superiores aos de dezembro de 2009.

Tal “alinhamento positivo”, exposto por cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) transacionados nas bolsas de Chicago (soja, milho e trigo) e Nova York (açúcar, café, cacau, suco de laranja e algodão), não era visto desde junho de 2008, em plena inflação global dos alimentos.

Ainda que o nervosismo nos mercados mundiais tenha sido muitas vezes exacerbado pelas notícias de desaceleração econômica tanto em países desenvolvidos quanto em emergentes em janeiro, provocando movimentações financeiras que ajudaram a influenciar as commodities, o resultado não foi negativo para as cotações como muitos analistas temiam no fim de dezembro, em meio a um cenário de muitas incertezas.

Tragadas pelo aprofundamento da crise americana a partir de setembro, as cotações internacionais dos produtos agrícolas registraram queda ab-rupta até o fim do ano passado. Especialistas já alertavam que as relações de oferta e demanda não justificavam tamanha desvalorização, apesar da tendência de desaceleração. Com os fundamentos em geral “altistas” do mês passado, houve espaço para correções.

Vinícius Ito, analista da Newedge, corretora baseada em Nova York, lembra que um forte movimento de desova de posições por parte de investidores até o fim de 2008 colaborou sobremaneira para as fortes quedas observadas. Em janeiro, diz, muitos deles renovaram as apostas, fortalecidas pelos fundamentos.

No caso dos grãos negociados em Chicago, pesaram as quedas de produção na América do Sul por causa da seca, principalmente na Argentina, e o aquecimento da demanda de países consumidores importantes como a China, que decidiu recompor seus estoques com os preços mais em conta do que nos três primeiros trimestres do ano passado.

Nesse cenário, as cotações da soja foram as que mais subiram. Segundo o Valor Data, a média de janeiro atingiu US$ 9,9745 por bushel, 14,29% acima que a média de dezembro. A valorização do trigo, por sua vez, chegou a 9,49% na mesma comparação, e o bushel foi negociado, em média, por US$ 6,0168. O preço médio do milho subiu 7,11%, para US$ 4,0179 por bushel.

Ito acredita que, se depender apenas dos fundamentos, as cotações dos grãos poderão se estabilizar em torno desses patamares. Pelo critério dos preços médios, soja e milho estavam em baixa em Chicago desde julho de 2008; o trigo, desde agosto.

Não foram muito diferentes as equações que definiram as cotações das chamadas “soft commodities” em Nova York em janeiro. Os fundamentos prevaleceram também para esses produtos. “Se fizermos uma análise do mercado, nada efetivamente mudou muito. O mercado de crédito continua limitado, ainda sem fluir como deveria. A volatilidade também se manteve em janeiro e o dólar ficou mais firme, o que ajuda a pressionar as cotações”, explicou Rodrigo Costa, da Newedge.

No entanto, os preços das commodities fecharam firmes em janeiro, respaldados pelos fundamentos já conhecidos de cada commodity. Nenhum fator novo modificou o rumo do açúcar, café, suco, algodão e cacau. Para o açúcar, os preços refletem o primeiro déficit global depois de três anos de superávit mundial. A média de janeiro atingiu 12,62 centavos de dólar por libra-peso, 6,41% acima que a média de dezembro.

No café, a menor colheita no Brasil em 2009, resultado da bianualidade da safra (produtividade baixa a cada dois anos) também tem dado sustentação aos preços. O grão acumulou valorização de 7,22% em janeiro, com preços médios de US$ 1,1871 por libra-peso. A queda da produtividade dos países da América Central também tem ajudado a dar suporte às cotações.

As previsões de geadas sobre os pomares da Flórida, segundo maior produtor mundial de suco de laranja, embora não tenham ainda provocado danos às regiões produtoras dos EUA, deram sustentação ao produto no mês passado. Os riscos de estragos não se concretizaram, mas foram suficientes para elevar os preços do suco, que em janeiro acumularam alta de 2,61%, com preços médios de 76,88 centavos de dólar por libra-peso.

O algodão também subiu, apesar da baixa demanda global por têxteis. Segundo Fernando Martins, da Newedge, a menor área plantada para a pluma nos EUA sustentou as cotações. No mês o produto acumula alta de 8,68%, com preço médio de 49,57 centavos de dólar. O cacau subiu 6,06% no mês, negociado a US$ 2.591,20 a tonelada, por conta dos problemas na produção na Costa do Marfim e Gana e atraso da chegada da amêndoa até os portos.

07/11/2008 - 11:42h Exportações do campo já somam US$ 62 bi no ano

http://www.revistaportuaria.com.br/arquivos/noticia_1211810441483ac28966cfb.jpg

Mauro Zanatta – VALOR, de Brasília

Empurrado pela boa performance das vendas do complexo soja, complexo carnes, produtos florestais, açúcar, álcool e café, o agronegócio brasileiro embarcou US$ 62 bilhões ao exterior nos primeiros dez meses de 2008, um resultado 26,8% superior ao período entre janeiro e outubro de 2007. Como as importações cresceram 41,8% neste intervalo, para US$ 9,9 bilhões, o superávit comercial do setor atingiu US$ 52,1 bilhões.

Os mercados que mais contribuíram para o crescimento das exportações do agronegócio estão situados na América Latina, Ásia, Europa Oriental, Mercosul e União Européia. Os maiores compradores foram os europeus ocidentais (33%), asiáticos (24%), norte-americanos (10%) e europeus orientais (8%).

A forte elevação das vendas para China (78%) colocou o país asiático no topo do ranking de destinos nos primeiros dez meses do ano com uma fatia de 12,2% de participação. A China ultrapassou os 9% dos Países Baixos e os 8,6% dos Estados Unidos. As vendas tiveram forte aumento para Venezuela (129%), Tailândia (71%), Arábia Saudita (51%), Japão (41%) e Rússia (41%).

Em outubro, as exportações do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 6,6 bilhões, um crescimento de 9,8% em relação a outubro de 2007. Como resultado, houve superávit de US$ 5,5 bilhões. Em soja, foram vendidos US$ 1,1 bilhão. As vendas externas de carnes cresceram 31,4%, somando US$ 1,4 bilhão. As exportações do complexo sucroalcooleiro chegaram a US$ 870 milhões, 40,5% acima de outubro do ano passado.

As vendas de fumo cresceram 56,2%, chegando a US$ 406 milhões. As exportações de café cresceram 29,7%, para US$ 524 milhões. As importações de outubro cresceram 27,5%, para US$ 1,1 bilhão. Os mais importados foram trigo e borracha natural, mas as compras de milho (- 43%) e arroz (- 55,5%) recuaram bastante na comparação com igual período do ano passado.

Nos últimos 12 meses encerrados em outubro, as exportações do agronegócio alcançaram a marca histórica de US$ 71,5 bilhões, ou 24,6% acima dos 12 meses anteriores. O superávit comercial acumulado bateu em US$ 59,8 bilhões. Nesse caso, os setores mais dinâmicos foram: carnes (+37%), produtos florestais (+11%), café (+19%), fumo (+25,5%) e lácteos (+162%).

11/09/2008 - 09:28h Demanda interna no país já cresce em ritmo chinês

valor_pib.JPG

Investimento e consumo dão ritmo chinês ao PIB

Ana Paula Grabois – VALOR

Apoiada nos investimentos recordes das empresas e do governo em máquinas, equipamentos e construção, a economia brasileira cresceu acima das estimativas no segundo trimestre e fechou o semestre em alta de 6%. Na comparação com o segundo trimestre de 2007, a taxa chegou a 6,1%. Em relação ao primeiro trimestre, o PIB apresentou expansão de 1,6%. “O PIB vem crescendo ao ritmo de 6% há um ano”, disse a gerente das Contas Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis. Ela ressalta que o efeito do novo ciclo de alta dos juros iniciado em abril pelo Banco Central não foi sentido no segundo trimestre.

Sem considerar o efeito negativo do setor externo (importações e exportações de bens e serviços) sobre o PIB, de 2,5 pontos percentuais, o ritmo da expansão doméstica é comparável ao chinês. Segundo cálculos do economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, a demanda interna cresceu 8,5% no primeiro semestre. “É o investimento que está segurando o crescimento do PIB. Sem investimento, o PIB estaria em 4% ao ano”, disse Borges.

Os investimentos registraram alta de 16,2% no segundo trimestre, a 18ª alta consecutiva na comparação com igual período do ano anterior e recorde da série histórica do IBGE, iniciada em 1996. A taxa de investimento sobre o PIB, de 18,7%, foi a maior já registrada para um segundo trimestre desde 2000, quando foi iniciada a série do indicador. No semestre, o nível da alta do investimento também foi recorde e chegou a 15,7%. Segundo cálculos da LCA, em termos dessazonalizados, a taxa de investimento ficou em 19%, a maior desde o primeiro trimestre de 1998 na comparação com todos os trimestres do período analisado.

Dentro dos investimentos, o destaque foram os gastos na construção civil, cuja alta de 9,9% foi favorecida pelas obras públicas e pela alta de 26,7% no crédito habitacional. Para a gerente do IBGE, o período eleitoral contribuiu para esse resultado. “Em anos eleitorais, historicamente, há mais obras públicas”, afirmou.

Os investimentos subiram também sob efeito da expansão de 41,3% do crédito para empresas e do fim da greve na Receita Federal no segundo trimestre. Muitos equipamentos e máquinas importadas que chegaram no início do ano só foram registrados no trimestre seguinte. A greve também foi responsável pela reversão da queda de 2,1% das exportações de bens e serviços apurada no primeiro trimestre. No segundo trimestre, as exportações cresceram 5,1%.

“As empresas estão investindo para atender à demanda interna, que cresce há vários trimestres. O câmbio também ajuda a importar bens de capital e ainda houve aumento das empresas no mercado de capitais, onde elas conseguiram mais recursos para investir”, destacou Giovanna Rocca, economista do Unibanco .

Ela ressalta que o bom resultado dos investimentos aponta para o aumento do PIB potencial, uma vez que o crescimento do consumo das famílias está em desaceleração, ainda que em patamar elevado, indicando que o país pode ter mais oferta disponível para atender à demanda de consumo da população.

Bráulio Borges, da LCA, lembra que, apesar do forte ritmo de investimento registrado desde o fim de 2006, o nível de utilização da capacidade instalada não cede porque a maior parte dos investimentos tem sido dirigida a ampliações de capacidade, o que exige maior prazo de maturação em comparação a investimentos de modernização. Além disso, as diversas obras em andamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal são da área de infra-estrutura, cujos prazos também são mais longos. “Temos um cenário apertado por demanda, mas olhando para frente, o horizonte é favorável. Nunca se investiu tanto em ampliação”, diz.

Outro destaque do PIB foi o gasto elevado da administração pública no período devido às eleições municipais. Como a lei eleitoral proíbe gastos e contratações três meses antes das eleições, o IBGE apurou a antecipação desses gastos, especialmente nas contratações feitas por Estados e municípios. O consumo do governo cresceu 5,3% no segundo trimestre, com alta de 5,6% no semestre. Segundo a LCA, os governos (municípios, Estados e União) responderam por 1,1 ponto percentual dos 6% de alta do PIB no primeiro semestre, o que reflete o próprio crescimento econômico do país. “O governo está arrecadando mais e está fazendo mais superávit primário”, diz Borges.

O consumo das famílias, com peso de cerca de 60% do PIB, continuou em patamar elevado, mas desacelerou ligeiramente e passou de 6,9% para 6,7% do primeiro para o segundo trimestre na comparação com igual período do ano anterior. “A evolução do consumo das famílias continuou em patamar alto, mas não assusta mais como a alta de 8,6% registrada no quarto trimestre de 2007″, disse Bráulio Borges.

Para o IBGE, a expansão do consumo foi motivada principalmente pelo aumento da massa salarial. No segundo trimestre, a massa salarial dos brasileiros teve alta de 8,1%. Além disso, o crédito farto e os prazos longos de pagamento dos empréstimos contribuíram para a expansão. Houve crescimento de 32,9% no saldo de operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas. Na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, os dados mostram que o consumo “conserva uma evolução que, sem ser explosiva, é alimentadora das decisões de investimento dos empresários”.

Giovanna lembra que o ritmo de crescimento visto ao longo de 2007 já perdeu força em 2008. A taxa de crescimento do consumo das famílias em termos dessazonalizados ficou em 2,1% no segundo semestre de 2007 e desacelerou para 0,7% até junho de 2008.

Pela ótica da produção, o PIB teve como destaque a agropecuária, cuja expansão foi de 4,8% em relação ao segundo trimestre de 2007 em razão das boas safras de café e milho e ainda a ganhos de produtividade que passaram a ser contabilizados pelo IBGE a partir de 2008. A indústria também ficou em patamar elevado, de 5,7%, puxada pela construção civil. (Com Folhapress)

11/09/2008 - 09:24h Investimento puxa alta de 6,1% no PIB

estado_pib.JPG

 

PIB supera expectativa e cresce 6,1%

Fernando Dantas – O Estado de São Paulo

A força da economia brasileira surpreendeu no segundo trimestre e o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) veio no topo da expectativa dos analistas, e bem acima da maioria dos prognósticos. O PIB cresceu 6,1% em relação ao mesmo período de 2007 e 1,6% – ou 6,6% em termos anualizados – ante o trimestre anterior, na série expurgada de variações sazonais (dessazonalizada).

Em quatro trimestres, ou no ano terminado em junho, o avanço foi de 6%, idêntico à expansão no primeiro semestre de 2008. Foi o maior crescimento registrado pelo PIB em 12 meses desde o início da série, em 1996, e a maior expansão no primeiro semestre desde 2004.

O desempenho do PIB no segundo trimestre foi puxado pelo setor agropecuário e pelos investimentos, que cresceram 16,2% na comparação com o mesmo trimestre de 2007 – foi o 18º aumento trimestral consecutivo. Nos 12 meses até junho, os investimentos registraram expansão de 15,5%. Em ambos os casos, também são as maiores altas desde 1996.

“É um período bastante grande de crescimentos elevados, só equivalente a 2004”, disse Roberto Olinto, coordenador de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB trimestral foi divulgado ontem, no Rio.

Outro fator positivo para o PIB, destacado pelo IBGE,foi o impulso dado pelas contratações e pelas obras do setor público em ano eleitoral (concentradas no primeiro semestre, por causa das restrições no segundo).

A agropecuária cresceu 3,8% de abril a junho, ante o trimestre anterior, na série dessazonalizada. Na comparação com o mesmo trimestre de 2007, o crescimento foi de 7,1%. Em ambas as medidas, foi o setor que mais cresceu. A agropecuária foi puxada pelo café em grão e pelo trigo, que têm safra no segundo trimestre, e com estimativa de crescimento de respectivamente 27,7% e de 12,8% no ano. “São produtos com crescimento da produção e ganhos de produtividade”, explicou a gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.

Na indústria, o crescimento foi de 0,9% na comparação dessazonalizada com o primeiro trimestre, e de 5,7% ante o primeiro trimestre de 2007. O grande destaque foi a construção civil, que cresceu 9,9% ante igual período de 2007, acumulando uma alta de 9,4% no semestre. A construção civil no segundo trimestre foi puxada pelo aumento de 26,7% no crédito habitacional. Também houve uma alta de 5% na população ocupada na construção.

A indústria de transformação cresceu 4,8% no segundo trimestre, a extrativa mineral, 5,3%, e o setor de utilidades públicas (eletricidade, gás e água), 4,5%. Os serviços cresceram 5,5%, com destaque para a atividade financeira, com expansão de 14%, na esteira da forte expansão do crédito. O PIB do segundo trimestre atingiu R$ 716,9 bilhões.

17/08/2008 - 14:30h Café: de vilão da saúde a herói do bem-estar

http://www.zannin.com.br/blog/wp-content/uploads/2006/07/cafe.jpg

Análise internacional dos estudos já publicados absolve completamente a cafeína das acusações de fazer mal

Antônio Marinho – O Globo

O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo. Consumidores, entretanto, se mostram preocupados com os efeitos da bebida sobre a saúde, especialmente porque estudos contraditórios sobre benefícios e riscos da substância são publicados a cada mês. Agora, o Centro para Ciências de Interesse Público dos EUA fez uma extensa revisão dos mais importantes estudos divulgados. A cafeína foi absolvida, de acordo com uma reportagem publicada pelo jornal “New York Times”. Abaixo, os principais pontos da análise:

HIDRATAÇÃO: Bebidas com cafeína sempre foram apontadas como diuréticas. Mas estudos recentes sustentam que o consumo de até 550 miligramas de cafeína não produz mais urina do que o consumo equivalente de outra bebida.
Somente acima desse valor, a substância é diurética.

PROBLEMAS CARDÍACOS: Pacientes cardíacos, sobretudo os que apresentam pressão alta, são normalmente orientados a evitar o café, um conhecido estimulante.
Mas uma análise feita a partir de dez estudos, reunindo, ao todo, 400 mil pessoas, não constatou aumento de problemas cardíacos entre os que tomavam café diariamente — com ou sem cafeína.

HIPERTENSÃO: O café provoca um leve e temporário aumento da pressão sangüínea.
Mas estudos feitos com 155 mil pessoas que tomavam café diariamente ao longo de dez anos não revelaram uma maior propensão ao desenvolvimento de hipertensão.

CÂNCER: Uma revisão internacional, reunindo 66 estudos sobre a relação entre câncer e consumo de café, foi feita no ano passado. Os cientistas concluíram que o consumo de café tinha pouco ou nenhum efeito sobre o risco de desenvolver câncer de pâncreas ou rins. Outro estudo, com 59 mil mulheres, não encontrou relação alguma entre o consumo de cafeína e o câncer de mama.

PERDA ÓSSEA: Embora alguns estudos tenham relacionado o consumo de cafeína com perda óssea e fraturas, análises fisiológicas revelaram uma redução muito leve na absorção de cálcio. Os efeitos observados poderiam estar relacionados ao baixo consumo de leite e derivados. A análise revela que a redução na absorção do cálcio seria compensada com duas colheres de leite.

PERDA DE PESO: Apesar de a cafeína acelerar o metabolismo — 100 miligramas queimariam de 75 a 100 calorias extras por dia — nenhum outro efeito de controle de peso a longo prazo foi comprovado.
Estudo com 58 mil pessoas acompanhadas por 12 anos mostrou que elas, na verdade ganharam peso, embora os médicos não saibam explicar a aparente contradição.

BENEFÍCIOS À SAÚDE: Provavelmente, o mais importante efeito da cafeína é sua capacidade de melhorar o humor e a performance física e mental. O consumo de 200 miligramas (o volume contido em cerca de 30 mililitros de café comum) acentua a sensação de bem-estar e deixa a pessoa mais alerta e sociável, segundo relatos de consumidores. Volumes muito altos podem gerar ansiedade.
Estudos recentes mostraram ainda uma redução de 30% no risco de desenvolver Parkinson e de 28% para diabetes do tipo 2.

http://www.naincerteza.com/wp-uploads/homem-cafe.jpg

Fruto é rico em minerais e antioxidantes
Crianças que tomam café têm melhor rendimento em sala

Antônio Marinho – O Globo
O café, puro ou misturado ao leite, é um dos melhores alimentos para se manter saudável, segundo o cientista brasileiro Darcy Roberto Lima, um dos maiores pesquisadores do assunto. Ele diz que além de cafeína, um estimulante natural, a infusão do fruto tem pelo menos cinco compostos altamente benéficos ao organismo humano.

Segundo o médico, o café é rico em vitamina B3 (a niacina, que participa na síntese de hormônios e é essencial para o crescimento) e ácido clorogênico, importante antioxidante ainda mais potente que o reverastrol, encontrado nas uvas. O fruto ou a bebida oferece também boa quantidade de potássio, ferro e zinco.

— Recomendo até quatro xícaras de café ao dia. A bebida contém mais minerais que produtos isotônicos artificiais e águas minerais. Além disso, o aroma do café — um dos mais fortes — tem importante função na melhora do humor e na sensação de bem-estar — diz o professor de neurologia na UFRJ, autor de seis livros sobre o fruto e coordenador científico do site “Café e Saúde”: http://www.cafeesaude.com.br.

Estudo quer recuperar aroma natural Seja qual for a forma de preparo do café, quente ou gelado, ele é benéfico para a saúde, segundo Darcy, que faz parte do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, coordenado pela Embrapa Café: — Estamos fazendo estudos com o acréscimo de café com leite na merenda escolar de alunos. Há evidências de que esta bebida ajuda a melhorar o rendimento e atenção em sala de aula.

Pesquisas epidemiológicas indicam que o consumo regular de três a quatro xícaras ao dia, teria efeito profilático na depressão (e até no suicídio) e no consumo de álcool, de acordo com cientistas.

— Há pesquisas em instituições como os Alcoólicos Anônimos mostrando que dependentes químicos que tomam café apresentam menos recaídas — conta Darcy, lembrando que o consumo em excesso é prejudicial, assim como o de qualquer outro produto, especialmente por pessoas com com arritmias, hipertensão arterial, úlcera, síndrome do pânico, entre outros distúrbios.

A Embrapa Agroindústria de Alimentos, em parceria com a Coppe (UFRJ) e o Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, está desenvolvendo estudo para recuperar a essência natural do aroma de café, que se perde no processo produtivo. Ela é livre de solventes e aditivos, e poderá ser usada na indústria de alimentos, na melhora da qualidade do café solúvel, e na produção de cosméticos.