17/11/2009 - 11:55h Vigor no emprego

celso_mingCelso Ming – O Estado SP

celso.ming@grupoestado.com.br

Mais um contraste com o resto do mundo. Enquanto lá fora a recuperação da atividade econômica depois da maior crise desde os anos 30 se faz com aumento do desemprego, no Brasil, vem com forte criação de postos de trabalho.

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, apontam para um aumento recorde de contratações de pessoal com carteira de trabalho assinada (emprego formal) em meses de outubro: 231 mil novos postos. Esse número perfaz para os primeiros dez meses do ano quase 1,2 milhão de empregos novos no Brasil, fato que fortalece o ambiente de recuperação.

São quatro os principais motivos desse aumento do emprego:

(1) A relativa estabilização da economia brasileira que, por sua vez, tem a ver com juros mais baixos e regras do jogo mais previsíveis. O pior inimigo do emprego é a falta de horizontes no jogo econômico. Mesmo em ambiente de crise, se as regras são mais estáveis, o empresário investe.

(2) A expansão do crédito, que alcançou 9,8% no período de janeiro a setembro deste ano em relação a igual período do ano passado. A expansão do crédito pressupõe certo controle sobre a dívida pública, o que permite que os bancos tenham condições de canalizar menos recursos para a subscrição de títulos públicos e mais para o financiamento de empresas e pessoas físicas.

(3) O aumento das transferências de recursos para as áreas carentes (Bolsa-Família). Foi o que garantiu certo aumento do consumo e, portanto, a necessidade de contratações de pessoal para garantir o fluxo de produção.

(4) O aumento da demanda na economia mundial, especialmente no setor de commodities. Esse fator se deve muito às políticas de afrouxamento fiscal e monetário levadas adiante nos países ricos para combater a crise.

Não dá para dizer ainda que a recuperação do emprego no Brasil seja sustentável. Há notória insegurança no mercado internacional. Os bancos centrais dos países ricos estão diante de uma encruzilhada. Têm de trazer de volta os recursos que despejaram para enfrentar a crise e que agora ameaçam produzir novas bolhas. Mas não sabem ainda nem a partir de que momento nem em que intensidade fazê-lo, porque temem empurrar a economia para uma grave recaída. Ontem, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, avisou mais uma vez que o crédito apertado e o desemprego crescente nos Estados Unidos deverão limitar a recuperação (veja o Confira). E, se houver uma recaída lá fora, o emprego também será atingido no Brasil.

Em todo o caso, daqui para a frente a economia brasileira recebe força total do setor das obras públicas, que é manejado pelos governadores e pelo governo federal de maneira que mostre serviço meses antes das eleições. Enfim, é também a política empurrando o emprego.

Se a retomada da atividade econômica interna se consolidar, será inevitável a melhora da arrecadação que, nos últimos dez meses, foi uma das principais fontes de debilidade da economia brasileira.

Confira

Recuperação lenta – Em pronunciamento feito no Clube Econômico de Nova York, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, mostrou que não está impressionado com as previsões dos analistas que vêm denunciando a formação de novas bolhas.

Avisou que a recuperação da atividade econômica dos Estados Unidos é lenta e que o mercado de trabalho vai continuar fraco durante muito tempo.

Ficou claro que os juros não subirão tão cedo e que os investidores continuarão despejando dólares nas aplicações de risco, o que favorece a alta das ações, do ouro e das commodities.

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Serra alfineta Lula por desemprego alto

“O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), tentou desviar a atenção do acidente nas obras do Rodoanel, durante a inauguração de uma usina, em Mirante do Paranapanema, região de Presidente Prudente. Em seu discurso, de cerca de 20 minutos, ele alfinetou o governo Lula, dizendo que a taxa de 8% de desemprego é alta para um país em desenvolvimento. “O emprego não cresce satisfatoriamente e, quando cresce, falta gente qualificada”, afirmou ontem.” (Primeiro caderno do jornal O Estado SP)

17/11/2009 - 11:39h Criação de empregos formais supera a marca de 1 milhão no ano

Abertura de 230.956 postos de trabalho em outubro foi o melhor resultado para o mês na série histórica do Caged

Renata Veríssimo, BRASÍLIA – O Estado SP

A recuperação da atividade industrial ajudou o País a bater novo recorde na geração de empregos com carteira assinada. Em outubro, foram abertos 230.956 postos de trabalho, o melhor resultado para o mês na série histórica iniciada em 1992 do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O resultado mensal elevou para 1,164 milhão o número de empregos formais criados entre janeiro e outubro de 2009. Embora o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, tenha comemorado a superação da marca de 1 milhão, o acumulado no ano é o pior para o período desde 2003, quando foram gerados apenas 910.547 vagas.

Em razão da sazonalidade de dezembro, quando ocorrem as demissões de funcionários contratados temporariamente para a demanda de fim de ano, Lupi previu que a criação de empregos formais em 2009 ficará entre 1 milhão e 1,1 milhão.

Ele estimou, entretanto, cerca de 200 mil dispensas em dezembro que, se confirmadas, será o menor resultado negativo para o mês. Com exceção de 2008, quando o País enfrentava o auge da crise internacional, as demissões em dezembro de anos anteriores giraram em torno de 300 mil. Para novembro, Lupi espera bater novo recorde, com a geração de cerca de 150 mil empregos formais. O melhor resultado, até então, foi em novembro de 2007, quando foram criados 125 mil vagas.

Lupi aposta na recuperação do mercado de trabalho e da atividade econômica em 2010. Segundo ele, serão abertas 2 milhões de vagas. Se a marca for atingida, será o maior número de geração de empregos formais em um ano no País.

Para o ministro, os dados do Caged no segundo semestre já mostram o início de um novo ciclo do emprego. Em agosto, setembro e outubro, a abertura de vagas superou em mais de 200 mil o número de demissões.

“O Brasil foi o único país do G-20 que gerou mais de 1 milhão de empregos formais este ano”, afirmou Lupi. Ele acredita que a economia brasileira crescerá em torno de 2% este ano, o dobro da previsão da equipe econômica.

O ministro destacou o aumento da massa salarial de janeiro a outubro, 4,4% acima da inflação pelo INPC. Lupi disse que anunciará, nos próximos dias, um recorde no pagamento do abono salarial, pago a trabalhadores com renda média de até dois salários mínimos no ano anterior.

Indústria lidera pela 2ª vez abertura de vagas

Renata Veríssimo, BRASÍLIA – O Estado SP

A indústria de transformação liderou pelo segundo mês consecutivo a abertura de novos empregos formais no País. Em outubro, o setor foi responsável pela criação de 74.552 postos de trabalho. É o melhor resultado para meses de outubro. Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o desempenho do setor mostra uma recuperação da indústria, setor mais atingido pela crise global.

“Os estoques terminaram e já tem indústria trabalhando em três turnos para atender a demanda”, disse Lupi. As indústrias de produtos alimentícios, têxtil, metalúrgica e química são as que mais contrataram no mês passado. Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), além da indústria mais quatro setores registraram desempenho recorde em outubro.

O setor de serviços teve 69.581 contratações a mais do que as demissões. O comércio ampliou em 68.516 os postos de trabalho e a construção civil, em 26.156. O setor de extração mineral abriu 1.157 vagas.

O único setor que demitiu mais do que contratou foi a agropecuária, que fechou 11.569 postos de trabalho. Segundo o Ministério do Trabalho, essa redução se deve à entressafra, principalmente, no Sudeste do País.

O número de contratações em outubro foi de 1,433 milhão, enquanto 1,202 milhão de trabalhadores foram demitidos no período.

O saldo líquido, de 230.956 novos empregos, embora seja o melhor resultado para meses de outubro, é menor que o resultado de setembro, quando foram criadas 252.617 vagas. De janeiro a outubro, o setor de serviços foi o que o mais empregou, com um saldo positivo de 481.007 vagas este ano, seguido pela construção civil, comércio e indústria.

Segundo o Ministério do Trabalho, desde janeiro de 2003, quando começou o governo Lula, a outubro de 2009, 8.884.579 vagas formais foram criadas.

16/11/2009 - 13:13h Emprego: o melhor outubro da história

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Emprego tem outubro recorde, Lupi vê 2 milhões de vagas em 2010


ISABEL VERSINI – REUTERS – Agência Estado

BRASÍLIA, 16 DE NOVEMBRO – O ritmo de criação de empregos formais no Brasil deve dobrar em 2010, acompanhando a recuperação da atividade econômica, previu o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, nesta segunda-feira, ao divulgar um resultado recorde para outubro.

Ele estima que em 2009 sejam geradas entre 1 milhão a 1,1 milhão de vagas líquidas com carteira assinada, número que deve subir para 2 milhões em 2010.

“A indústria vai crescer muito no próximo ano, mas (o setor de) serviços será o maior puxador de contratações, como tradicionalmente ocorre”, afirmou Lupi a jornalistas.

Suas projeções para o emprego levam em conta um prognóstico de crescimento do Produto Interno Bruto de 7 a 8 por cento em 2010, após uma alta de 2 por cento este ano. O cenário é bem mais otimista que o desenhado pelo mercado, que aposta em crescimento de 0,21 por cento do PIB em 2009 e de 5 por cento em 2010, segundo o último relatório Focus do Banco Central.

Em outubro, a criação de empregos formais foi recorde para o mês, com 230.956 novos postos de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pela manhã.

O emprego foi puxado pela indústria no mês passado, com alta de 1 por cento, o equivalente a 74.552 contratações líquidas. “A indústria segurou suas contratações (ao longo do ano), teve demissões precipitadas e agora está tendo que contratar mais”, afirmou Lupi.

De janeiro a outubro, foram criados 1.163.607 empregos formais, o número mais baixo para o período desde 2003 (910.547). O dado acumulado foi afetado pelo baixo desempenho do primeiro semestre, quando o comportamento do mercado de trabalho refletiu os efeitos da crise global.

Para novembro, o ministro estima saldo positivo de 150 mil empregos com carteira assinada, um recorde para esse mês, enquanto dezembro deve mostrar demissões no resultado líquido por fatores sazonais.

(Por Isabel Versiani)

09/11/2009 - 17:02h Brasil criou mais de um milhão de empregos em 2009

Para o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, dado mostra que País já superou a crise econômica, que hoje só afeta os ‘gringos’

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Nicola Pamplona, de O Estado de S.Paulo

RIO DE JANEIRO – O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou nesta segunda-feira, 9, que o Brasil ultrapassou, em outubro, a marca de 1 milhão de empregos formais gerados desde o início do ano. O dado fechado, disse Lupi, será anunciado nos próximos dias, junto às estatísticas do Caged. “Quando eu disse, em janeiro, que criaríamos mais de um milhão de empregos este ano, cheguei a ser ridicularizado, só faltaram me chamar de louco”, disse o ministro, em palestra na abertura da feira Fenashore, em Niterói, região metropolitana do Rio.

Segundo Lupi, o número de empregos gerados é um sinal de que o Brasil já superou a crise econômica, com o apoio das medidas anticrise postas em prática pelo governo federal durante o ano. “Já estamos vendo a crise pelo retrovisor. A crise, hoje, é só para gringo”, afirmou, em rápida entrevista após sua participação no evento.

Em setembro, o desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do País caiu para 7,7% da População Economicamente Ativa (PEA), o menor índice do ano, ante 8,1% em agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo assim, o gerente da pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo, ressaltou que ainda não é possível falar em plena recuperação do mercado de trabalho após a crise. Economistas, entretanto, avaliam que o desempenho foi favorável.

Segundo o IBGE, a melhora do emprego em setembro decorre de um esperado movimento sazonal. De acordo com ele, é positivo que o mercado esteja respondendo às características desse período do ano, durante o qual normalmente a taxa cai em relação ao mês anterior. Para que houvesse recuperação de fato, a taxa deveria ser inferior à de setembro de 2008, também de 7,7%.

(com Jacqueline Farid e Francisco Carlos de Assis, de O Estado de S. Paulo)

15/10/2009 - 10:48h Pela 1ª vez no ano, Nordeste abre mais vagas que o Sudeste

Isabel Sobral – O Estado SP

http://www.faeal.org.br/fotos/Projeto%20Amanha%202.jpg

Os Estados da Região Nordeste registram um saldo positivo entre admissões e dispensas de 100,4 mil novas vagas no mês passado. Pela primeira vez no ano, a região superou o Sudeste, onde foram gerados 85,8 mil postos. Comparando apenas os estados, São Paulo continuou na liderança do ranking com a abertura de 59,5 mil novas vagas de trabalho, impulsionado pela recuperação da indústria e pelos serviços.

Por causa da colheita da safra de cana-de-açúcar e produção sucro-alcooleira, Alagoas foi o segundo Estado que mais abriu novas ocupações.

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No Estado de São Paulo, foram criadas 59.547 novas vagas. A indústria foi o setor que mais contratou: 21.146. Serviços ficou com o segundo lugar no ranking, com a contratação de 19.750 trabalhadores com carteira de trabalho, segundo o Caged.

Emprego formal bate recorde em setembro

Indústria é responsável por quase metade das 252,6 mil vagas criadas

A recuperação da indústria avançou em setembro. As fábricas foram responsáveis por quase metade dos 252,6 mil novos empregos formais criados em setembro – o melhor resultado deste ano do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. O setor industrial abriu 123,3 mil ocupações com carteira assinada, duas vezes mais que em agosto, e alcançou o melhor saldo mensal do setor na série do Caged, iniciada em 1992. O subsetor de alimentos e bebidas, com quase 63 mil novas vagas, foi o grande destaque da indústria.

O resultado geral do Caged foi ainda o segundo melhor da série histórica para um mês de setembro. Mas ainda ficou abaixo do resultado obtido em setembro de 2008, antes do início da fase mais aguda da crise, quando 282,8 mil vagas formais foram criadas na economia.

Com o bom desempenho de setembro, o mercado formal de trabalho acumulou 932,6 mil novos postos de trabalho no ano. Com isso, o estoque de empregos com carteira assinada no País subiu para 32,9 milhões. O saldo dos nove primeiros meses do ano é pouco menos da metade dos dois milhões de empregos criados de janeiro a setembro do ano passado, mas representa o primeiro período acumulado deste ano em que todos os setores da economia contrataram mais trabalhadores do que demitiram.

PERSPECTIVA MELHOR

Empolgado com os dados favoráveis, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, estimou que a economia vai gerar este ano 1,1 milhão de empregos formais – 100 mil a mais do que previa até agora. Ele ressaltou, porém, que essa é uma avaliação pessoal. “Ainda é cedo para termos uma projeção precisa de como o mercado de trabalho vai se comportar em dezembro”, comentou.

No último mês do ano, as demissões tradicionalmente superam as admissões por causa da dispensa dos trabalhadores temporários contratados pelas empresas no início do segundo semestre. Na média, nos últimos anos cerca de 300 mil empregos formais foram fechados nos meses de dezembro. Em dezembro de 2008, quando esse fator sazonal se combinou com os efeitos da crise financeira mundial, foram perdidas 654 mil vagas, um número recorde.

Confiante que a indústria continuará com um ritmo forte de contratações em outubro e novembro, o ministro antecipou esperar para este mês “um resultado (do Caged) melhor do que o de setembro”. Se se confirmar, esse movimento será atípico já que em anos anteriores nos meses de outubro houve redução de contratações em relação a setembro.

“Mas, como houve forte retração no primeiro semestre por causa da crise, deveremos ter uma surpresa positiva agora”, comentou Lupi.

ALIMENTOS E BEBIDAS

Em setembro, todos os 12 segmentos do setor industrial tiveram saldo positivo entre contratações e demissões, com destaque para a indústria alimentícia e de bebidas. O setor têxtil e de vestuário foi o segundo destaque, com 10,5 mil novos postos. No mês passado, os serviços também contrataram mais, gerando 62,7 mil novos empregos. Na sequência, veio o comércio com 50,3 mil postos e a construção civil com 32,6 mil. Apenas a agropecuária eliminou empregos no mês passado, registrando um saldo negativo 17 mil vagas, por causa da entressafra na região Centro-Sul do País.

14/10/2009 - 12:48h É o melhor resultado do ano e o segundo melhor para o mês de setembro da série histórica, desde 1992.

Brasil cria 252 mil vagas em setembro

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LORENNA RODRIGUES da Folha Online, em Brasília

O mercado formal brasileiro registrou a criação de 252.617 empregos no mês de setembro, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho. É o melhor resultado do ano e o segundo melhor para o mês de setembro da série histórica, desde 1992.

É oitavo mês consecutivo em que há crescimento de vagas, puxado principalmente pela indústria de transformação.

O saldo de empregos de setembro deste ano é resultado da contratação de 1,458 milhão e demissão de 1,23 milhão de pessoas e ficou 0,77% acima do estoque de assalariados de agosto.

Nos nove primeiro meses de 2009, foram gerados 932.651 postos, superando as mais de 800 mil vagas fechadas entre novembro e janeiro, por conta da crise econômica. Considerando os últimos 12 meses, foram 298.285 postos.

Setores

O setor da indústria da transformação (vestuário, automóveis, alimentos e outros) foi o que mais gerou empregos, com saldo positivo de 123.318 postos crescimento de 1,68% em relação ao mês anterior. Em seguida, está o setor de serviços, com 62.768 novos postos (crescimento de 0,48%).

No comércio, o saldo foi positivo em 50.301 vagas (+0,71%) e, na construção civil, em 32.667 empregos. Já a agropecuária registrou o fechamento de 17.064 postos de trabalhos, principalmente por conta da entressafra em algumas regiões.

Regiões

A Região Nordeste liderou a criação de empregos, pela primeira vez no ano. Em setembro, o saldo para a região foi positivo em 100.442 postos de trabalho, principalmente por conta das usinas de indústria.

No Sudeste, foram criados 85.864 postos de trabalho, sendo 59.547 em São Paulo. No Sul, foram criadas 40.842 vagas, no Norte, 13.550 e, no Centro-Oeste, 11.919.

29/09/2009 - 11:33h Construção civil registra recorde de contratações

45 mil vagas foram criadas em todo o País no mês passado; o melhor resultado desde dezembro de 2000


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Marcelo Rehder – O Estado SP

A construção civil abriu 45 mil postos de trabalho com carteira assinada em todo o País no mês passado. O resultado foi recorde no setor desde dezembro de 2000, e 23% maior que as 36,5 mil contratações feitas em julho, segundo levantamento divulgado ontem pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) em parceria com a FGV Projetos.

Com isso, a construção contabilizou 2,26 milhões de empregados formais em agosto, com aumento de 2,03% sobre o estoque do mês de julho. No ano, a alta chega a 8,44%, o que representa 176 mil novos postos de trabalho em relação a dezembro de 2008.

Os números, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostram que as construtoras não só recuperaram as 109 mil vagas fechadas em novembro e dezembro de 2008, auge da crise financeira mundial, como já superaram em mais de 66,9 mil postos o nível de emprego recorde apurado em outubro do ano passado.

O desempenho em agosto surpreendeu. “Esperávamos recuo no emprego no segundo semestre pela redução de lançamentos imobiliários no início do ano”, diz o presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe. Para ele, os novos números tornam otimista a perspectiva das empresas do setor neste ano.

O presidente do SindusCon-SP ressalta que o saldo recorde de emprego em agosto reflete o fortalecimento de todos os segmentos da construção civil. Segundo ele, o mais aquecido é o imobiliário, graças aos incentivos do programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida e à retomada da confiança dos consumidores.

Além disso, acrescenta o presidente do SindusCon, as obras públicas estão sendo aceleradas pela necessidade de os governos estaduais consumirem seus orçamentos antes das eleições de 2010. “As empresas começaram a retomar projetos de expansão adiados pela crise internacional”, diz Watanabe.

A retomada do emprego ocorre num momento de escassez na oferta de profissionais especializados de construção civil, como pedreiros, carpinteiros e armadores.

A solução tem sido contratar profissionais que estão no setor informal ou trabalhadores não especializados para serem qualificados no próprio canteiro de obra, segundo o vice-presidente de Relações Capital Trabalho do Sinduscon-SP, Haruo Ishikawa.

O ritmo de expansão do mercado deve se acelerar nos próximos meses. Com forte atuação no setor imobiliário, o escritório Mello, Dalbus e Rached Advogados cuida atualmente de projetos que devem se transformar em lançamentos com valor de vendas da ordem R$ 1 bilhão. No primeiro semestre, passaram pelo escritórios projetos com valor de venda em torno de R$ 300 milhões.

“É um indicador que há muitas coisas acontecendo no mercado”, diz Rodrigo Mello, sócio do escritório.

25/09/2009 - 11:53h Indústria de SP tem contratação recorde, diz IBGE

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Taxa de desemprego, no entanto, sobe de 8% para 8,1% com mais pessoas procurando emprego

Jacqueline Farid, RIO – O Estado SP

A indústria paulista puxou a ocupação industrial do País em agosto para nível recorde, segundo dados revelados ontem pela pesquisa de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego apurada pelo IBGE em agosto ficou estável, em 8,1%, ante 8,0% em julho.

O número de ocupados no setor industrial subiu 3,9% nas seis principais regiões metropolitanas do País em agosto ante julho, na maior alta ante mês anterior apurada pelo IBGE desde abril de 2004. A indústria paulista registrou alta recorde nas contratações, de 5,8% ante o mês anterior. Nessa base de comparação, é a maior alta para a região da série histórica da pesquisa, iniciada em março de 2002.

Nas seis regiões pesquisadas, foram gerados 135 mil postos na indústria de um mês para o outro, sendo que desse total, 106 mil em São Paulo. “Esse aumento na indústria em São Paulo é bem-vindo porque a região tende a ser um sinalizador do que vai acontecer nas outras regiões. O mercado de trabalho paulista sempre dá o primeiro passo”, observou o gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo.

Ainda segundo ele, o resultado do emprego na indústria corrobora a avaliação de que há uma recuperação na economia brasileira. “Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e do PIB (Produto Interno Bruto) mostram que o efeito da crise passou e isso pode estar se refletindo na pesquisa mensal de emprego, como mostram os dados industriais de São Paulo, que são um sinal claro de que o cenário econômico está mais favorecido. Mas é um primeiro resultado positivo mais significativo no setor e será preciso aguardar os próximos meses”, disse Azeredo.

O gerente da pesquisa ressaltou, entretanto, que o emprego na indústria prossegue em queda em relação a igual mês do ano passado. Em agosto, a ocupação no setor caiu 3,4% nas seis regiões ante agosto de 2008, sendo que, em São Paulo, a queda foi de 1,7% nessa comparação. “A indústria foi dos setores mais afetados pela crise e era de se esperar queda em relação a igual mês do ano passado, em que havia forte alta na geração de empregos no setor”, disse Azeredo.

Mas a alta do setor industrial não foi suficiente para evitar uma pequena alta no desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País. A taxa de desemprego apurada pelo IBGE ficou em 8,1%, ante 8,0% em julho. Azeredo considerou o levantamento como a confirmação da recuperação econômica após a crise. O aumento da taxa de desocupação reflete, em sua avaliação, a maior procura por trabalho.

A população desocupada (sem trabalho e procurando emprego) aumentou 1,9% em agosto ante julho e subiu 7,8% na comparação com igual mês do ano passado. O número de desempregados chegou a 1,89 milhão nas seis principais regiões do País. Para Azeredo, a alta pode estar revelando o aumento da procura por uma vaga após a divulgação de notícias de reaquecimento da economia, já que as pessoas ficam mais estimuladas a buscar emprego.

O número de ocupados também aumentou em julho, com variação de 0,5% ante o mês anterior e de 0,9% comparativamente a agosto de 2008, mas o incremento não foi suficiente para atender à demanda.

Para Azeredo, os efeitos da crise, que ainda permanecem sobre os dados do mercado de trabalho, estão refletidos especialmente na resistência da taxa de desemprego em cair em relação a iguais períodos do ano passado. Em agosto de 2008, a taxa nas seis regiões havia sido de 7,6%.

“Se não houvesse a crise, se a economia não tivesse passado pelas turbulências, talvez a taxa tivesse prosseguido na trajetória de queda em que vinha no ano passado e estivesse, agora, em patamar abaixo de 2008”, acredita.

O rendimento médio real dos trabalhadores teve desempenho mais favorável do que o emprego em agosto, favorecido pelo ritmo menor de reajustes de preços no mês. A renda dos ocupados ficou em R$ 1.336,80 na média das seis regiões, com aumento de 0,9% ante julho e alta de 2,2% na comparação com igual mês do ano anterior.

24/09/2009 - 09:45h ”Brasil vai crescer 6% no ano que vem”

Leo Pinheiro / Valor
Foto Destaque
Luiz Carlos Mendonça de Barros: crescimento do PIB em 2010 pode chegar a 6% no ano que vem

Luiz Carlos Mendonça de Barros: sócio da Quest Investimentos e ex-ministro. Para Mendonça de Barros, economia deve retomar o dinamismo de antes da crise, mas é preciso cuidado com a inflação

Luciana Xavier, AGÊNCIA ESTADO

O Brasil deve ter forte recuperação e crescer 6% no ano que vem, acredita o sócio da Quest Investimentos, Luiz Carlos Mendonça de Barros, que foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações no governo de Fernando Henrique Cardoso. “Vejo a economia retomando rapidamente o dinamismo de antes da crise”, disse, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, da Agência Estado. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Esta semana o Brasil virou grau de investimento pela Moody”s. Qual a importância desse upgrade?

Houve uma convergência das agências, com uma novidade no caso da Moody”s, pois ela, além de melhorar nossa nota no nível de investment grade, colocou também em observação positiva. Isto é, deu um sinal de um movimento próximo de melhora ainda na nota. Mas é uma coisa engraçada porque o mercado já vinha antecipando esse movimento. Acho que essa questão do investment grade está superada. Vamos olhar para frente.

Ao olhar à frente, o que o sr. vê?

Vejo uma economia retomando rapidamente o dinamismo que tinha antes da crise, com impacto ainda negativo do comércio exterior – as exportações brasileiras não se recuperaram. Certamente, o investimento, afetado na crise, vai voltar naturalmente. Alguns analistas parecem não entender que uma dinâmica de economia de mercado tem um timing natural. Muita gente está criticando que o investimento não voltou ainda. Isso é absurdamente natural. Estamos saindo de uma crise. Então acho que a cadência da economia brasileira vai ser a manutenção do estímulo vindo do setor privado, do consumo – o emprego voltou a crescer, os salários voltaram a ter ganho positivo, em real. Os bancos também voltaram à normalidade. Com um estímulo adicional, pois perderam espaço para os bancos públicos nesses quatro a cinco meses em que se trancaram. Acho que vão querer recuperar o tempo perdido, o que dá um impulso maior à retomada do crédito.

O sr. enxerga uma enxurrada de recursos vindo para o Brasil?

Isso já está ocorrendo. Se olharmos a previsão de abertura de capital de empresas brasileiras nos próximos meses, estamos perto dos US$ 14 bilhões. E isso vai acontecer porque o mundo tem hoje um desequilíbrio entre oportunidade e liquidez para investimentos. Porque tem um pedaço grande do mundo, principalmente dos desenvolvidos, em que a retomada da atividade vai ser muito lenta. E esse pedaço tem ainda uma capacidade ociosa para ser ocupada, que vai fazer com que os investimentos nos próximos dois anos sejam muito pequenos. Por outro lado, há alguns países – o Brasil é um deles – onde se retomou mais rapidamente a dinâmica do consumo e as oportunidades se apresentam de forma mais clara. Além disso, é importante entender que nessa saída de crise há um problema com o dólar americano, que tem levado investidores a buscar ativos em regiões do mundo cuja moeda tenha dinâmica diferente do dólar. O real é uma dessas moedas.

O dólar chegou ontem (dia 23) a R$ 1,782. Pode cair mais?

Não sei. Há seis meses fiz uma projeção que naquele momento parecia absurda, de dólar a R$ 1,80. Até R$ 1,80 eu vou. A partir daí, prefiro observar (risos). Mas é importante entender que o real não tem movimento autônomo, isolado. Ele está se valorizando numa cesta de moedas – principalmente ligadas a economias exportadoras de commodities – e tem de acompanhar um pouco essa dinâmica. Ele não está sozinho.

O que impede o dólar de voltar ao patamar pré-crise?

Ele volta ao patamar pré-crise se as outras moedas também voltarem. E tem o Banco Central. Acho que o BC teria de acompanhar a cotação do real nessa cesta de moedas. Isto é, ele não deve interferir no processo de valorização dessa cesta. Mas se nessa cesta de moedas, o real, por alguma condição de movimento de capitais, tiver uma valorização maior, acho que é dever dele intervir.

O sr. não vê então nenhum grande problema na economia?

Por incrível que pareça, na metade do ano que vem vamos começar a nos preocupar com a inflação. E aí entra a questão fiscal. No período em que a economia privada deu esse vácuo, ele (governo) entrou, corretamente. Só que está na hora de sair. Porque, se acumularmos crescimento do consumo interno – que vai ocorrer -, volta dos investimentos e nível de gasto do governo tão elevado, vamos começar a criar tensão inflacionária, que vai desembocar na alta dos juros.

De qualquer modo, a partir do segundo semestre de 2010 pode haver um problema para o BC?

Acho que sim. Nós podemos começar a ver uma inflação mais próxima de 5% do que de 4,5% já no ano que vem.

Como o sr. vê o crescimento do Brasil em 2010?

Nós revisamos nossa projeção para crescimento do PIB em 2010 de 5% para 6%.

Qual sua expectativa para o relatório trimestral de inflação?

Acho que todas as projeções para este ano e para o ano que vem apontam ainda para um número por volta de 4,5% (IPCA). O que estou colocando como preocupação é uma projeção um pouco mais adiante, que não é bem o objetivo do relatório de inflação do BC.

24/09/2009 - 08:45h PIB pode crescer acima de 5% em 2010

Conjuntura: Demanda, com aumento do emprego e da renda, levou analistas a um forte aumento das projeções

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Sergio Lamucci e João Villaverde, de São Paulo – VALOR

O cenário positivo que se desenha para a demanda interna torna cada vez mais provável um crescimento na casa de 5% em 2010, e já há até quem aposte em alta de 6%, como o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, da Quest Investimentos. O consumo das famílias e o investimento devem liderar a expansão, com as despesas do governo como coadjuvante, um resultado da combinação de juros baixos, mercado de trabalho em recuperação, gastos públicos elevados e redução das incertezas globais. Para este ano, boa parte dos bancos e consultorias já aponta para um Produto Interno Bruto (PIB) ligeiramente positivo.

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, diz que uma alta expressiva do PIB em 2010 está praticamente contratada. “A política monetária e a política fiscal serão muito expansionistas. Elas estarão trabalhando como nunca para estimular o crescimento”, afirma Vale, que revisou na semana passada a sua projeção de 4% para 5%. Para ele, apenas uma piora muito acentuada do cenário global pode comprometer um PIB forte em 2010, algo como um “novo Lehman Brothers” – o banco de investimentos que quebrou em setembro de 2008, agravando a crise. Vale acredita em crescimento de 5% do consumo das famílias, estimulado pela alta de 5% da massa salarial acima da inflação, e de 11% dos investimentos na construção civil e em máquinas e equipamentos (a formação bruta de capital fixo, FBCF) – em 2009, ele projeta queda de 10,2% da FBCF.

Mendonça de Barros passou a apostar em crescimento de 6% em 2010 depois da divulgação dos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto, que revelou um saldo positivo de 242,1 mil postos de trabalhos formais. A renda segue firme e a geração de emprego está melhor do que se esperava, diz ele, observando que a Quest passou a trabalhar com uma alta do PIB neste ano de 0,2% – antes do Caged de agosto, estimava queda de 0,3%. O Morgan Stanley, que chegou a prever queda de 4,5%, hoje estima recuo de apenas 0,5%.

“O consumo das famílias deve continuar forte, e o investimento também deve voltar, estimulado pela demanda. Além disso, o governo está gastando que nem louco”, afirma Mendonça de Barros, ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso. Apenas as exportações não devem ter uma reação das mais expressivas, já que o mundo ainda crescerá pouco no ano que vem.

Para ele, o ritmo forte de expansão da economia, com um mercado de trabalho tão pujante, pode exigir aumentos de juros já no primeiro semestre do ano que vem. Nesse cenário, o governo deveria mudar a política fiscal, diz Mendonça de Barros. Com a demanda privada aquecida, manter os gastos públicos em alta expressiva é uma má ideia. “A inflação não vai dar saltos, pulando de 4,5% para 8%, mas pode ficar pressionada por conta do mercado de trabalho muito aquecido, elevando os preços dos serviços.” Vale diz que há de fato o risco de alta dos juros no ano que vem, mas vê um eventual aumento da taxa Selic, hoje em 8,75% ao ano, apenas no quarto trimestre. Se ocorrer, será mais por causa das perspectivas para a inflação em 2011 do que pela pressão no ano que vem, já que a capacidade ociosa na indústria é grande.

O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, também mudou a sua projeção de crescimento do PIB para 2010, elevando-a de 4,9% para 5,4%. “A maior surpresa em nosso cenário certamente tem sido o comportamento muito favorável do mercado de trabalho e da renda”, diz Barros. Segundo ele, os efeitos da redução dos juros, dos estímulos fiscais e da rede de proteção social criada nos últimos anos “foram capazes de preservar o emprego de forma importante, levando à rápida recuperação da confiança dos consumidores e, consequentemente, à manutenção do otimismo empresarial e da produção voltada ao mercado doméstico”.

O economista chama a atenção para o desempenho das vendas no comércio, que podem crescer algo próximo a 5% neste ano, descontada a inflação. Num quadro de preservação da demanda interna, com perspectiva de continuidade da expansão dos estímulos fiscais e da ampliação de alguns benefícios já contratados – o salário mínimo deve subir quase 10% em 2010, por exemplo -, ele mudou as suas estimativas para o PIB deste ano e do próximo. Para 2009, o Bradesco, que projetava queda de 0,5% prevê agora uma alta de 0,1%. “Em nosso novo cenário, a demanda doméstica continua a ser o motor do crescimento, puxada pelo consumo das famílias e os gastos do governo. Os investimentos retornarão em breve, mas esperamos uma contribuição bem menor do que os demais ainda em 2010″, afirma Barros, ressalvando, contudo, que as inversões podem ser mais fortes do que ele projeta, “por conta das boas perspectivas para a economia e da farta disponibilidade de financiamento doméstico e externo. ”

Para Rodrigo Azevedo, ex-diretor do Banco Central (BC) e sócio-sênior da JGP Gestão de Recursos, o Brasil deverá alcançar crescimento de 5% no PIB do próximo ano, impulsionado pela melhora do setor exportador e do mercado interno, sustentado pelo crescente aumento da renda. “Há revisão para cima no crescimento mundial, tendo uma retomada do comércio em primeiro plano. Como já observamos uma puxada das exportações acima das previsões, é possível supor que o quadro para 2010 seja melhor”, analisa Azevedo, que trabalha com um quadro mais favorável para as exportações do que a média dos analistas. Para ele, a “profunda” retração pela qual passou a indústria entre o fim de 2008 e os primeiros meses de 2009 ampliou a capacidade ociosa, que foi e está sendo lentamente retomada. Azevedo destaca ainda que o governo federal não dá sinais de que vai segurar os gastos públicos.

O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, diz que, do ponto de vista da oferta, a indústria é que vai brilhar em 2010. Ele prevê alta de 9% para a produção industrial, uma reação forte à queda de 7% esperada para 2009. Os setores ligados ao mercado interno e que produzem bens de capital devem ter bom desempenho, avalia ele. Do lado da demanda, ele aposta em forte expansão do consumo das famílias, de 5,2%, e do investimento, de 15,8%.

Outro fator que vai ajudar o crescimento é a herança estatística (o “carry over”) que 2009 deixará para 2010, como destaca Azevedo. Segundo ele, se o PIB deste ano ficar estável, como ele prevê, o “carry over” será de 2,5%. Com isso, se a economia não crescer nada em relação ao nível do fim deste ano, a expansão em 2010 será de 2,5%. Para comparar, o “carry over” que 2008 deixou para 2009 foi negativo em 1,5%.

Thaís Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados, tem previsões menos otimistas para o próximo ano, embora aposte em crescimento de 0,3% em 2009. “O fundo do poço já passou, mas o crescimento mundial não será tão forte quanto se imagina”, afirma ela, que aposta em crescimento de 3,5% para o ano que vem. O fim das desonerações tributárias deve tirar um pouco de força da economia nos próximos trimestres, acredita ela. Nem a perspectiva de aquecimento da demanda externa por produtos nacionais empolga a analista, que vê no câmbio valorizado um entrave para o impulso exportador, embora os bens primários devam melhorar o saldo comercial do Brasil.

17/09/2009 - 09:34h Governo prevê criar mais de 1 milhão de vagas

Trabalho: Saldo entre demissões e contratações formais desde o início da crise volta a ser positivo no país

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Arnaldo Galvão, de Brasília – VALOR

O governo contabilizou, em agosto, a criação de 242.126 empregos formais, resultado de 1,45 milhão de admitidos e 1,21 milhão de dispensados. Foi o melhor desempenho mensal desde setembro de 2008, mês que teve a criação de 282.841 vagas. Em agosto do ano passado, antes do agravamento da crise, o saldo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foi de 239.123 postos. Em 2009, essa foi a primeira vez que um mês superou o mesmo mês de 2008. Além disso, de outubro do ano passado, quando os primeiros efeitos da crise econômica global começaram a ser sentidos com mais força, até julho deste ano, havia um deficit de 196,5 mil vagas formais no Brasil. Com o resultado de agosto, a conta se reverteu: no período, acabaram sendo criadas 44,6 mil vagas.

A recuperação dos empregos contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) também teve, em agosto, mais postos criados na indústria, com saldo de 66.564 vagas entre contratações e demissões. Esse ritmo ficou muito acima das 17.354 vagas geradas em julho no setor, confirmando a melhora do emprego no segmento que mais demitiu no auge da turbulência.

Os números animaram o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Ele disse que, no mês que vem, deve elevar sua atual previsão de saldo de 1 milhão de empregos em 2009. Quando comentou o cenário que espera para 2010, disse que serão criadas mais de 1,8 milhão de vagas. Em 2008, apesar da crise mundial, o saldo foi de 1,4 milhão. Considerando o período que vai de janeiro a agosto, o Caged tem saldo de 680.034 vagas, praticamente um terço do resultado dos mesmos oito meses em 2008.

De acordo com os números do Caged, o maior número de empregos criados em agosto foi no setor de serviços (85.568). Em segundo lugar, veio a indústria, com 66.564 postos. O comércio criou 56.813 vagas, a construção civil contribuiu com 39.957 empregos e a administração pública gerou 3.305 postos. O único setor com saldo negativo no mês passado (11.249 empregos) foi a agropecuária, influenciada pela entressafra na região Centro-Sul.

Outro sinal da reação do emprego no país, segundo Lupi, é o desempenho do segmento de serviços de instituições financeiras. Em agosto, pela primeira vez no ano, o saldo foi positivo (845 vagas) entre contratações e demissões.

A retomada da geração de empregos na indústria significa, para Lupi, que os estoques estão “quase a zero” no setor. Ele também criticou a reação “exagerada” dos empresários que, segundo imagina, poderiam ter evitado muitas demissões no fim de 2008 se confiassem mais na força do mercado interno e no impacto do aumento do salário mínimo na economia. Como exemplo, citou a “insensível” indústria automobilística. “Vão pagar um preço por isso. Pagaram para demitir e, agora, terão de pagar para contratar mais do que esperavam”, criticou.

O segmento industrial que mais criou empregos em agosto foi o de alimentos, com 22.614 vagas. Em seguida, vêm têxtil (9.238), calçados (8.974), metalúrgico (5.982) e químico (5.866). A única área com perda de postos de trabalho, em agosto, foi a de borracha, fumo e couros, com saldo negativo de 2.567 vagas. A análise do Caged nos oito meses compreendidos entre janeiro e agosto mostra que o maior número de empregos foi criado no setor de serviços, com 348.658 vagas. Em ordem decrescente, aparecem construção civil (151.537), agricultura (147.108), comércio (51.171), administração pública (36.286), serviços industriais de utilidade pública (6.319), indústria (-60.559) e extração mineral (-486).

O economista Christian Travassos, da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro, afirmou que a variação positiva do emprego no setor de serviços foi de 3,4% em 12 meses, ficando em 2,8% este ano. Segundo ele, isso mostra a pujança do mercado interno. “A maior parte são serviços do dia a dia da população, setores ligados ao mercado interno que menos sofreram com a crise econômica.”

Lupi comentou que suas expectativas são muito boas para o Caged, especialmente no comércio e na construção. No caso do comércio, disse que o setor está iniciando um período muito aquecido, até o começo de dezembro, com a preparação das vendas do fim do ano. Na construção, o ministro ressaltou que o ritmo já é forte, mas ficará ainda mais intenso com o crescente impacto do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

A força da retomada do emprego no país pode ser comprovada, segundo Lupi, com os números do Estado de São Paulo. Em agosto, foram criadas 77.983 vagas, com destaque para os setores de serviços (27.882), comércio (24.482) e indústria (11.183).

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, disse que a criação de 242 mil empregos formais em agosto é um sinal claro da recuperação da economia brasileira. Na sua avaliação, os números mostram que o governo conseguiu manter o emprego em plena crise. “O aumento de postos de trabalho anunciado mostra que efetivamente o país está saindo da crise e que a questão mais relevante e mais cara para o nosso governo, que é a sustentação do mercado de trabalho e da massa salarial está ocorrendo.”

Para Machado, a recuperação no emprego também indica que o país continuará a crescer nos próximos meses. “Isso nos enche de orgulho e de expectativa de que o país continuará no rumo do crescimento, permitindo que cada vez mais brasileiros possam ingressar no mercado de trabalho e ter uma vida melhor e mais saudável.”

No estoque de 32,67 milhões de empregos celetistas em agosto, o maior peso é do setor de serviços, com 13,08 milhões de pessoas trabalhando. Em seguida, vêm indústria (7,33 milhões), comércio (7,12 milhões), construção (2,08 milhões), agropecuária (1,7 milhão), administração pública (813,5 mil), serviços industriais de utilidade pública (360,32 mil) e extração mineral (172,38 mil). (Com agências noticiosas)

16/09/2009 - 12:27h Lula errou

Brasil cria 242 mil vagas com carteira assinada em agosto

Número ficou bem acima do antecipado pelo presidente Lula, que mencionou 150 mil empregos gerados. Fonte Folha Online

 

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15/09/2009 - 12:46h País criou 150 mil vagas em agosto, diz Lula. Recorde do ano

Presidente antecipa dados do Caged sobre a abertura de empregos formais, que serão divulgados quinta-feira, registrando recorde do ano

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Liege Albuqueruque, MANAUS – O Estado SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva antecipou ontem que a criação empregos com carteira assinada chegou a 150 mil em agosto, o recorde do ano. Em julho, foram 138 mil vagas. “Enquanto o mundo inteiro está tendo desemprego, vamos chegar ao final do ano com quase 1 milhão de empregos novos criados com carteira assinada”, afirmou o presidente, em entrevista a rádios de Boa Vista (RR).

Lula antecipou os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que devem ser divulgados na quinta-feira pelo Ministério do Trabalho.

Para o presidente, o Brasil se saiu bem na crise internacional a ponto de lançar programas do porte do Minha Casa, Minha vida. “Vamos terminar o ano numa fase boa e começar o outro melhor ainda. O Brasil foi o último país a entrar na crise e o primeiro a sair”, disse.

Lula disse ainda que, mesmo com a crise, os brasileiros elevaram a autoestima conquistada nos últimos anos. “O Brasil tem uma coisa importante, nós passamos a ter mais autoestima. Teve um tempo que todo mundo se achava inferior, as coisas americanas, europeias eram melhores.”

Na inauguração das obras de ampliação do Aeroporto de Boa Vista, o presidente disse que determinou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e ao ministro da Justiça Nelson Jobim, que quer, até o fim deste ano, a apresentação de uma proposta para a criação de voos regionais. “Aqui em Boa Vista só tem dois voos de manhã e dois à tarde e precisamos ter uma política de aviação regionalizada para mudar isso.”

CONSELHÃO

Lula e sua equipe econômica participam na manhã de hoje de reunião extraordinária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o “Conselhão”, para comemorar a recuperação do Produto Interno Bruto (PIB). Nos discursos, Lula e seus ministros dirão que os próximos resultados da economia serão ainda “melhores”.

A escolha da data do evento levou em conta o simbolismo. Há exatamente um ano, no dia 15 de setembro de 2008, a quebra do banco americano Lehman Brothers dava início à fase mais aguda da crise financeira global.

À época, Lula disse que a turbulência seria uma “marolinha” para o Brasil. Um ano depois, ele se queixará, como fez na semana passada, no Recife, que muitos setores não lhe deram atenção.

No evento, Lula repetirá que o Brasil era o país mais preparado para enfrentar a crise e o governo adotou medidas que permitiram a retomada do crescimento. Nas últimas viagens pelo País, o presidente lembrou à exaustão que sofreu críticas por fazer avaliações otimistas durante o auge da crise. Ele também criticou empresários por não fazer investimentos e dar uma “resposta” aos pessimistas.

COLABOROU LEONENCIO NOSSA

19/08/2009 - 10:17h Serão criadas 600 mil vagas no ano, afirma Mantega


Construção garante melhor mês do emprego

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Isabel Sobral, BRASÍLIA – O Estado SP

O mercado de trabalho formal do País recuperou o fôlego em julho, com a abertura de 138,4 mil novos empregos. Foi o melhor saldo líquido mensal entre contratações e demissões este ano, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem. As contratações na indústria chegaram a 17,3 mil, mas, no ano, as demissões ainda superam as admissões.

O total de vagas abertas em julho elevou em 0,43% o estoque de empregos formais, para 32,4 milhões. De janeiro a julho, somam 437,9 mil as vagas criadas, o que representa um acréscimo de 1,37% ante o estoque de empregos existente em dezembro de 2008.

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, afirmou que o desempenho de julho “consolida o processo de recuperação” do mercado formal, pois o saldo do mês ficou próximo da média de 140 mil vagas criadas nos meses de julho dos anos de 2003 a 2008. “O Brasil já está vendo a crise pelo retrovisor”, disse Lupi.

O resultado de julho mostrou que o mercado de trabalho retomou a tendência de alta perdida em junho, ante maio. No entanto, a abertura de 138,4 mil vagas é quase 32% menor que as 203,2 mil ocupações criadas em julho do ano passado.

Para agosto, o ministro aposta num saldo melhor que o de julho. “Teremos um agosto de bom gosto”, brincou, sem prever números. Lupi mantém a previsão de geração de pelo menos 1 milhão de empregos formais em 2009.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Embaladas pelas obras públicas e pela expansão do mercado imobiliário, as empresas da construção foram as que mais contrataram em julho. O saldo líquido de empregos formais no setor foi de 32,1 mil, o segundo melhor resultado da série histórica do Caged para meses de julho. O recorde ainda é julho de 2008, quando foram criados 35 mil empregos formais.

Com os 17,3 mil postos de trabalho abertos em julho, a indústria de transformação, responsável por cerca de um terço das vagas com carteira assinada do País, voltou a apresentar número significativo de empregos. No mês anterior, o setor havia criado apenas 2 mil vagas.

Com o agravamento da crise mundial, no fim do ano passado, o setor industrial demitiu cerca de 500 mil pessoas. A recuperação tem sido lenta porque, de janeiro a julho, as demissões ainda superam as contratações em 127,1 mil.

Lupi avaliou que o crescimento no setor é consistente. “A indústria saiu da crise e deve se recuperar ainda mais”, comentou. Normalmente, é entre os meses de julho e setembro que as indústrias aceleram a produção e contratam empregados temporários para abastecer o comércio para as vendas de fim de ano.

O setor de serviços abriu 27,6 mil novas vagas em julho e acumula 263 mil novos postos no ano. Já o comércio, gerou no mês passado 27,3 mil novos empregos e reduziu o saldo negativo do ano para 5,6 mil.

Todas as regiões do País tiveram bom desempenho na criação de empregos em julho, com destaque para São Paulo (52,8 mil), Bahia (9,7 mil), Rio de Janeiro (9,6 mil) e Ceará (9,5 mil). As novas contratações nesses Estados foram mais fortes no comércio, nos serviços e na agropecuária.

O Caged revelou ainda que, em julho, ante junho, houve aumento real de 1,49% no valor do salário médio de admissão, que passou de R$ 752,96 para R$ 764,14. Os maiores ganhos ocorreram na área de ensino e na indústria da borracha. Por região,os maiores aumentos ocorreram no Distrito Federal, na Bahia e em Minas Gerais.

Serão criadas 600 mil vagas no ano, afirma Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, previu um aumento de 500 mil a 600 mil empregos formais em 2009 na economia brasileira. “Em um ano de crise, já está muito bom”, disse o ministro.

Ele afirmou que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, tem uma previsão de 800 mil a 1 milhão de novos empregos com carteira assinada em 2009 e comentou que sua expectativa é mais modesta: “Mas eu espero que ele esteja certo e eu não”.

Para Mantega, os dados do Caged divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho mostram que a recuperação econômica no Brasil é uma realidade.

Segundo ele, o impacto da crise financeira na economia brasileira já está superado. “Até o final do ano, vamos gerar mais emprego ainda porque a economia estará mais aquecida”, disse.

Na avaliação do ministro, a manutenção do emprego no Brasil foi fundamental para a superação da crise porque garantiu o mercado consumidor e permitiu que as empresas continuassem produzindo.

18/08/2009 - 13:08h Emprego formal cresce pelo 6º mês e registra melhor resultado do ano

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EDUARDO CUCOLO da Folha Online, em Brasília

A economia brasileira registrou a criação de 138.402 vagas com carteira assinada em julho, o sexto mês seguido de resultados positivos no emprego formal, de acordo com dados divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho. O resultado é o melhor do ano.

O número de julho representa a diferença entre 1,398 milhão de contratações e 1,259 milhão de demissões no período.

Devido aos efeitos da crise econômica no Brasil, entre novembro e janeiro, haviam sido fechadas quase 800 mil vagas com carteira assinada. Houve recuperação a partir de fevereiro, quando foram criados 9.179 empregos. Em março, foram abertos 34.818 postos; em abril, 106.205.

O melhor resultado até agora, em 2009, era o de maio (131.557 vagas), seguido por junho (119.495).

Mesmo com essa recuperação, o resultado acumulado no ano ficou prejudicado na comparação com 2008. Entre janeiro e julho, foram abertas 437.908 novas vagas. No mesmo período do ano passado, foram criadas 1,5 milhão de vagas.

Houve queda também em relação ao registrado em julho do ano passado, quando houve mais de 200 mil contratações. Pela primeira vez, no entanto, o resultado mensal ficou acima do verificado em 2007 –em julho daquele ano, foram abertas 127 mil vagas.

Os números fazem parte do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), estatística oficial sobre o emprego formal no país.

Setores

Na comparação entre junho e julho, houve expansão do emprego em todos os setores: construção civil (32.175), agricultura (29.483), serviços (27.655), comércio (27.336) e indústria de transformação (17.354).

Regionalmente, os resultados ficaram positivos no Sudeste (65.344), Nordeste (39.291), Sul (11.624), Centro-Oeste (11.115) e Norte (11.028). O destaque foi o estado de São Paulo (52.811), tanto no interior como na região metropolitana.

Previsão

Nos últimos 12 meses, foram criadas 325.506 vagas. Isso representa uma perda de mais de 1 milhão de empregos em relação ao resultado no final de 2008 (1,452 milhão de vagas).

Com a recuperação verificada em julho, no entanto, o governo mantém a previsão de fechar os 12 meses encerrados em 2009 com a criação de 1 milhão de empregos.

O ministro Carlos Lupi (Trabalho) afirmou que o resultado de agosto deve superar a marca de 150 mil novas vagas.

“Agosto será melhor que julho. Vamos ter uma sequência de resultados positivos que vai surpreender a todos. O comportamento de todos os setores tem sido positivo. A recuperação da indústria tem sido fundamental e a construção civil pegou ritmo de novo”, afirmou.

22/06/2009 - 21:00h Criação de vagas formais no País sobe pelo 4º mês consecutivo

Caged aponta geração de 131.557 empregos com carteira assinada em maio; no ano, estoque de vagas sobe 0,56%

 

Isabel Sobral, da Agência Estado

 


SÃO PAULO - O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados de maio registrou a geração líquida de 131.557 empregos formais na economia, no quarto mês consecutivo de saldo positivo, após a forte queda do emprego registrada até janeiro.


De acordo com os números divulgados nesta segunda-feira, 22, pelo Ministério do Trabalho, o saldo de maio é resultado de admissões que somaram 1.348.575 e demissões de 1.217.018. Nos cinco primeiros meses de 2009, houve a abertura de 180.011 postos de trabalho formais. Com esse saldo acumulado, o estoque de empregos da economia subiu 0,56% em relação a dezembro de 2008.

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, relacionou o resultado positivo às medidas de estímulo da economia adotadas pelo governo federal. “Estamos no caminho certo e é preciso continuar na política de redução de juros, nas ações de estímulo do crédito ao setor produtivo, nas ações anticíclicas para estimular o consumo e a renda”, comentou.

Setores

Todos os setores da economia pesquisados pelo Caged registraram saldo positivo em maio. A indústria registrou a abertura de 700 empregos formais em maio, sendo o segundo mês consecutivo de saldo positivo. Mas ainda acumula perda de vagas no acumulado de janeiro a maio, no total de 146.478.

Em maio, o setor de agropecuária foi o que teve melhor desempenho, com saldo positivo de 52.927 vagas. Em seguida, vem o setor de serviços (+44.029 empregos). Em seguida vem construção civil (+17.407 vagas). Já o comércio registrou saldo positivo de 14.606 empregos formais.

Todas as regiões do País registraram saldo líquido positivo na criação de empregos formais no mês de maio. “Foi a primeira vez que isso ocorreu neste ano e é um indicativo muito positivo da recuperação da economia”, comentou Lupi. Os Estados do Sudeste, particularmente São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, além do Paraná e da Bahia apresentaram os melhores resultados líquidos de empregos formais.

O bom desempenho da agropecuária explica os bons desempenhos de Estados onde há vários ciclos agrícolas em desenvolvimento desde abril. O cultivo do café, por exemplo, foi responsável pela contratação de muita mão de obra em São Paulo, Minas Gerais e Bahia. O ciclo da cana de açúcar ajudou também a deslanchar novas contratações em São Paulo.

Em razão desse comportamento sazonal da agricultura, o Caged registrou em maio a abertura de mais vagas de trabalho com carteira assinada nas cidades do interior do País do que nas regiões metropolitanas. No interior, houve saldo líquido positivo de 79.218 empregos formais contra 34.202 postos no conjunto das regiões metropolitanas.

Junho

O ministro do Trabalho afirmou que o Caged de junho deverá registrar saldo positivo maior do que o de maio. Segundo ele, os setores de serviços e construção civil deverão continuar o “ritmo forte” de novas contratações.

Lupi também aposta que a indústria de transformação continuará registrando saldo positivo na geração de empregos formais.

“O meu otimismo tem alguma base real”, afirmou Lupi, fornecendo dados do seguro-desemprego para justificar a crença na tendência de alta do emprego. Em maio deste ano, foram solicitados 536.170 pedidos do benefício, contra 566.676 pedidos registrados em maio do ano passado.

21/05/2009 - 11:00h O desemprego diminui

Mercado de trabalho

Taxa de desemprego surpreende e tem leve recuo para 8,9% em abril

 

O Globo

RIO – A taxa de desemprego no Brasil chegou a 8,9% da população economicamente ativa (PEA) em abril, praticamente estável ante a taxa de 9% registrada no mês de março , o maior nível desde 2007, segundo informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho de abril interrompe um período de três meses consecutivos de alta no desemprego no país. Na comparação com o ano passado, no entanto, a taxa de desemprego avançou 0,4 ponto percentual diante da taxa de 8,5% de abril de 2008.

O desempenho surpreendeu, já que a expectativa era de uma alta na taxa de desemprego. Vinte e seis analistas ouvidos pela Reuters esperavam taxa de 9,3% em abril, com os prognósticos variando de 9% a 9,8%. Segundo o IBGE, a taxa ficou “praticamente estável” entre os meses de março e abril.



De acordo com a Pesquisa Mensal do Emprego (PME), realizada em seis regiões metropolitanas do país, o número de trabalhadores desempregados no país era de 2,046 milhões no mês passado, pouco abaixo dos 2,082 milhões registrados no mês anterior. Março foi o primeiro mês em que o contingente de desempregados ultrapassou a marca de dois milhões em 18 meses.

O contingente de ocupados também não variou de forma significativa de março para abril: passou de 20,953 milhões para 20,913 milhões. Segundo a pesquisa, a distribuição da ocupação também permanece a mesma: 45% da população ocupada é de trabalhadores com carteira assinada, 12,5% de empregados sem carteira assinada do setor privado, 7,6% de militares e funcionários públicos e 18,6% de trabalhadores por conta própria.

No início desde semana, dados do Cadastro Geral de Emprego (Caged) do Ministério do Trabalho, mostraram que o Brasil criou 106 mil vagas de trabalho formal no mês de abril.

Segundo a PME, o rendimento médio real dos trabalhadores (descontada a inflação) em abril foi de R$ 1.318,40 em abril, queda de 0,7% ante o mês anterior e alta de 3,2% na comparação com igual período do ano passado. Já a massa de rendimento real habitual dos ocupados (R$ 27,9 bilhões) caiu 0,7% na comparação com março, mas cresceu 3,7% em relação a abril de 2008.

Entre março e abril, a taxa de desemprego cresceu em Salvador (11,9% para 12,4%), Recife (10,4% para 10,6%), e Belo Horizonte (6,6% para 6,8%). No Rio de Janeiro, a taxa passou de 6,9% para 6,8% e em São Paulo foi de 10,5% para 10,2%. Em Porto Alegre a leitura registrado ficou em 6,2% em abril contra os 6,4% de um mês antes.

Leia mais: Governo anuncia ampliação das parcelas do seguro-desemprego para mais 143 mil trabalhadores

19/05/2009 - 10:54h Emprego reage, mas indústria ainda fecha vagas

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Arnaldo Galvão, de Brasília – VALOR

Apesar de terem sido criados 106.205 empregos sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em abril, o governo continua preocupado com a indústria. O ministro Carlos Lupi explicou que os números de alguns segmentos desse setor continuam negativos. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou que 8 das 12 áreas industriais pesquisadas perderam postos de trabalho no período.

Abril registrou quedas de vagas nas indústrias metalúrgicas (-9.025), mecânicas (-5.650), de material elétrico e de comunicação (-3.432), materiais de transporte (-1.629), papel e papelão (-1.388), minerais não metálicos (-1.250), madeira e móveis (-643) e química (-463). Nos lado positivo ficaram as indústrias de alimentos (18.967), borracha, fumo e couros (3.082), calçados (1.286) e têxtil/vestuário (328).

De janeiro a abril, predominou a perda de empregos na indústria, com os piores desempenhos nas áreas metalúrgica (-44.933), materiais de transporte (-31.355), mecânica (-26.982), material elétrico e de comunicação (-17.487) e madeira/móveis (-11.032). Os saldos positivos do emprego industrial no primeiro quadrimestre foram observados em calçados (9.303), borracha, fumo e couros (7.469) e alimentos (3.780).

O mês passado teve o melhor desempenho do ano na criação de empregos celetistas, mas o saldo de 106.205 postos, entre contratações e demissões, é 64% menor que o do mesmo mês em 2008. Por outro lado, na comparação com março de 2009, a criação líquida de empregos foi mais que três vezes maior. No mês passado, o melhor desempenho foi do setor de serviços, com criação de 59.279 vagas, seguido de agricultura (22.684), construção civil (13.338), comércio (5.647), administração pública (5.032) e indústria (183).

No resultado acumulado de janeiro a abril, o Caged revela saldo positivo de 48.454 vagas, muito abaixo (94,3%) das 848.962 criadas no mesmo período de 2008. Indústria (-147.718), comércio (-65.106) e extração mineral (-1.706) foram os setores com perda líquida de emprego no quadrimestre.

Mesmo com alguns números negativos na comparação com 2008, o discurso do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, continuou otimista. Ele ressaltou que São Paulo voltou a ser a “locomotiva” da criação de empregos e afirmou que o Caged vai mostrar mais de um milhão de empregos criados este ano. Em 2008, o saldo foi de 1,45 milhão de vagas, menor que o resultado de 2007 (1,61 milhão).

Na previsão para o restante do ano, o ministro afirmou que a indústria ainda vai demorar mais dois meses para obter saldo positivo no período. Portanto, disse acreditar que, no setor, a geração líquida de emprego vai ocorrer nos períodos acumulados a partir de julho. No caso da construção civil, avaliou que a partir de maio a criação de vagas será mais forte, por causa do programa habitacional do governo.

Lupi disse acreditar que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ficará acima dos 2%, diferentemente do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que já admitiu crescimento zero em 2009.

Ao garantir que o país está se recuperando da crise e, com isso, criando mais empregos, Lupi procurou destacar o desempenho de São Paulo e das áreas do interior do Brasil. Em São Paulo, o Caged indicou que foram gerados, em abril, 72.022 postos de trabalho. As empresas de serviço criaram 25.156 vagas, seguidas pela atividade agrícola, com 19.887 empregos celetistas, e a indústria de transformação, com saldo líquido de 15.659 postos. Na agricultura, o destaque foi para o segmento da cana-de-açúcar, que criou 21.111 empregos. Na indústria, o melhor desempenho de abril foi do setor de alimentos, com mais 27.352 vagas. Nos primeiros quatro meses de 2009, o Estado de São Paulo teve saldo líquido de 67.482 empregos celetistas.

18/03/2009 - 10:12h Volta o saldo positivo no emprego

clique na imagem do jornal VALOR para ampliar e ver o quadro

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14/03/2009 - 10:10h Emprego já está se recuperando, afirma Lupi

“Manchetes que mostram uma alta do desemprego estão atrasadas”

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Evandro Fadel – O Estado SP

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, disse ontem , em Curitiba, que as manchetes apresentando aumento de desemprego, principalmente na indústria paulista, estão “atrasadas”. “O dado com que trabalho não é pesquisa, são dados mensurados pelo Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged)”, afirmou.

Segundo ele, em janeiro foram contratadas 1,2 milhão de pessoas contra 800 mil em dezembro. No entanto, ainda houve 1,3 milhão de demissões. “Mas em fevereiro já equilibrou e tem um avanço”, garantiu. “Vai ter um salto positivo.”

O ministro se referia aos números divulgados na quinta-feira pela Federação das Indústria dos Estado de São Paulo (Fiesp) que mostraram que as indústrias fecharam 43 mil postos de trabalho em fevereiro.

No primeiro bimestre, com a eliminação de 31 mil vagas, já são 74 mil postos de trabalho cortados em São Paulo. Há cinco meses, a indústria paulista registra saldo negativo entre contratações e demissões. Foram fechadas no período 236,5 mil vagas.

Presente à mesma solenidade de inauguração do prédio do Tribunal Regional do Trabalho, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, manifestou uma visão diferente. “Acreditamos que ainda vamos ter um resultado fraco neste primeiro trimestre”, afirmou. “Mas a economia já dá sinais de recuperação.”

De acordo com Bernardo, o crédito já está praticamente em ordem, faltando apenas algumas questões pontuais de pequenas e microempresas. “A expectativa é que a partir de abril comece a dar uma recuperada na economia como um todo e nos empregos”, disse.

Lupi repetiu sua visão otimista. “A economia brasileira está com mercado interno muito forte, ganho real do salário mínimo, e tudo isso faz com que o Brasil se diferencie”, afirmou. “Tenho absoluta segurança de afirmar que, a partir de março, o Brasil será o primeiro país a crescer fortemente tanto na economia quanto na geração de empregos.”O ministro fez apelo para que todos sejam “patriotas” e acreditem no Brasil.

23/02/2009 - 09:26h Nem todo mundo está afundando

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Ribamar Oliveira O Estado SP

Todos os dados econômicos relativos a dezembro do ano passado e a janeiro deste ano indicam que a crise internacional atingiu de forma mais dura, até agora, o setor industrial brasileiro. É importante observar que alguns ramos de atividade foram menos atingidos e outros até mesmo estão crescendo de forma expressiva, como é o caso do turismo interno, que avançou 20% de outubro de 2008 a janeiro. A indústria da construção civil e o setor de serviços também estão em expansão, embora em ritmo mais lento.

A massa salarial e a renda dos trabalhadores ainda estavam em crescimento até o mês passado, o que aparentemente explica os impactos diferenciados da crise na economia brasileira. O aumento da massa salarial e do rendimento não apenas sustentou a atividade de alguns setores, mas impediu uma queda mais expressiva da arrecadação tributária federal.

Para se ter uma ideia, a receita do Imposto de Renda sobre rendimentos do trabalho subiu 23% em janeiro, em termos reais (descontada a inflação), em comparação com o mesmo mês de 2008. A arrecadação do Imposto de Renda das pessoas jurídicas que declaram pelo lucro presumido cresceu 6,64% em janeiro, em termos reais, em comparação com igual mês do ano passado.

O coordenador geral de Estudo, Previsão e Análise da Receita Federal, Marcelo Lettieri, disse que o crescimento da arrecadação com base no lucro presumido é a melhor indicação de que a rentabilidade das empresas brasileiras ainda não foi afetada pela crise. Mas a arrecadação de janeiro refletiu a situação econômica de dezembro de 2008, ou seja, a receita do mês passado é relativa aos fatos geradores de dezembro passado. É provável que a rentabilidade das empresas piore com o desdobramento da crise, com reflexos negativos sobre a arrecadação.

Em dezembro, enquanto os setores de metalurgia, de eletricidade, de extração mineral, de fabricação de veículos automotores e de transporte terrestre apresentaram queda expressiva de arrecadação (em um deles, chegou a cair 55,4%), em outros ramos de atividade a receita tributária aumentou.

No setor de captação, tratamento e distribuição de água, por exemplo, a receita tributária cresceu 70,1% em janeiro em comparação com o mesmo mês do ano passado. Houve expansão também na construção de edifícios, no comércio atacadista (exceto automóveis) e nas áreas de seguro, resseguro, previdência complementar e plano de saúde. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) identificou um aumento de 60,6% na arrecadação do setor de obras de infraestrutura, o que, em parte, resultaria do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Em janeiro deste ano, o nível de emprego formal (com carteira assinada) apresentou uma queda de 0,32% em relação ao estoque do mês anterior, significando uma perda de 101.748 vagas, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O IBGE apontou que o contingente de desempregados cresceu 20,6% em janeiro em relação a dezembro de 2008. No mês passado, o número total de desempregados subiu 323 mil nas seis principais regiões metropolitanas do País, segundo o IBGE.

Os dados do Caged mostram, no entanto, que alguns setores apresentaram resultados favoráveis no mês de janeiro. No ramo da construção civil, por exemplo, 11.324 postos de trabalho foram criados, quase a mesma quantidade de postos criados em janeiro do ano passado (11.708). O setor de serviços criou 2.452 novas vagas, enquanto na administração pública houve expansão de 2.234 postos.

No setor industrial ocorreu uma verdadeira tragédia. A indústria de transformação fechou 55.130 postos de trabalho em janeiro, segundo o Caged. O comércio fechou 50.781 vagas, mas, neste caso, as demissões se concentraram mais nos chamados trabalhadores temporários – aqueles contratados em decorrência das festas de fim de ano. De qualquer forma, a demissão deles resultou da desaceleração econômica, pois se a atividade estivesse em expansão os temporários poderiam ser efetivados.

É difícil fazer um prognóstico para os próximos meses, mas parece inevitável que o aumento do desemprego termine afetando a expansão da massa salarial e o rendimento do trabalhador. O significativo aumento do salário mínimo este ano e uma política fiscal expansionista do governo federal poderão amenizar esse efeito e reduzir o impacto da crise sobre a atividade econômica, principalmente sobre os setores que ainda mostram certo dinamismo.

BC vai mudar a previsão de crescimento

Mesmo que a meta de crescimento econômico este ano para o Palácio do Planalto seja de 4%, é muito provável que o Banco Central (BC), em seu primeiro relatório de inflação de 2009, que será divulgado em março, reduza sua previsão para a expansão da atividade econômica. No seu relatório de dezembro do ano passado, o BC projetou um crescimento de 3,2% para este ano. Nos bastidores, os técnicos já trabalham com 1,5% de expansão. É provável que este seja o número a ser colocado no relatório de inflação de março. Ainda vai ser um bom crescimento, quando se considera que o mundo não crescerá nada.

22/02/2009 - 13:06h Retomada desigual preocupa analistas

Autos e alimentos melhoram em janeiro, mas vários setores pioram

Fernando Dantas – O Estado SP

No momento em que a Embraer demite 20% da sua força de trabalho e a angústia em relação à economia em 2009 se intensifica, outra ameaça paira sobre a tênue retomada da indústria brasileira iniciada em janeiro. A recuperação (projetada pelos indicadores antecedentes), após a queda brusca nos três últimos meses de 2008, parece ser bastante desigual entre os setores, com vários deles podendo apresentar resultados ainda muito ruins. “É difícil dizer que o vale (pior momento) já passou”, diz Jander Medeiros, analista de consumo da JGP Investimentos, empresa de gestão de recursos.

O Índice de Situação Atual da Fundação Getúlio Vargas (FGV), componente do Índice de Confiança da Indústria que melhor mede a avaliação das empresas sobre a demanda a cada momento, teve quedas expressivas de dezembro para janeiro em importantes setores industriais: 4,4% em material elétrico e de comunicações; 8,3% no mobiliário; e 14,3% em vestuário e calçados.

Esses resultados foram contrabalançados pela alta em setores como produtos alimentares e material de transporte (que inclui a indústria automobilística), que tiveram altas no Índice de Situação Atual de respectivamente 10,3% e 4,6% em janeiro.

O problema, porém, para vários analistas, é que o setor automotivo pode estar se recuperando por causa de uma queda muito forte no fim do ano passado. O bom desempenho dos alimentos, por sua vez, é compatível com a atual fase da contração econômica, que ainda está mais concentrada nos produtos dependentes de crédito.

“Quando desagreguei o resultado por setores, fiquei mais preocupado porque o índice mostra que há segmentos nobres de consumo, como eletrônicos, mobiliário e vestuário, que ainda têm quedas muito significativas”, diz Vagner Ardeo, vice-diretor do Instituto Brasileiro de Economia, da FGV no Rio.

Bráulio Borges, da LCA Consultoria, está mais otimista. Ele nota que a indústria automobilística é responsável, direta ou indiretamente, por 25% da produção industrial, afetando segmentos como siderurgia, petroquímica, etc. “É um poder de influência muito grande, e essa recuperação é um bom sinal para economia como um todo”, diz.

Um ponto comum nas análises é que o setor automobilístico foi o que pisou com mais força no freio no último trimestre do ano passado, exagerando a dose e provocando a reaceleração em janeiro. “A fábrica da Ford na Bahia, por exemplo, praticamente não operou em dezembro”, observa Borges.

Outros setores de bens duráveis, porém, como eletrodomésticos e móveis, não tiveram freada tão drástica. “Eles ainda têm de se preocupar em reduzir os estoques antes de aumentar a produção”, acrescenta.

Medeiros, da JGP, nota que fator determinante no desempenho dos setores é a dependência ou não do crédito (exceto a indústria automobilística, com sua dinâmica particular). Nos alimentos, que não têm vínculo com crédito, o bom momento se reflete no desempenho de empresas como Wal-Mart, que manteve planos de investimento de R$ 1,5 bilhão, e do Pão de Açúcar, que retomou projetos. O aumento real do salário mínimo também deve ajudar.

Outro segmento que vai bem, acrescenta o analista, é o de cosméticos. Assim como os alimentos, são produtos que podem ter a demanda até ampliada num primeiro momento de retração, à medida que o consumidor corta bens duráveis mais caros. “A pessoa não comprou presente de Natal, mas dá uma melhoradinha na ceia”, resume Ardeo, do Ibre.

Uma preocupação, porém, é que esses setores sejam mais afetados no momento em que o pior da crise se transferir do crédito para o emprego, como parecem indicar os recentes resultados sobre mercado de trabalho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). John Welch, economista global do Itaú, porém, acha que a queda da inflação pode poupar o setor de alimentos de um ajuste mais drástico.

23/01/2009 - 10:31h Governo “turbina” BNDES e diz que irá fiscalizar demissões. Projetos terão de manter empregos, afirma Mantega


Injeção recorde de recursos dará ao banco mais R$ 100 bi neste ano; no total, BNDES terá R$ 166 bi para empréstimos às empresas

De acordo com o ministro Mantega, não poderá haver demissão de funcionários nos projetos beneficiados com recursos da instituição

Alan Marques/Folha Imagem

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante entrevista ontem, em Brasília

JULIANA ROCHA – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governo liberou ontem mais R$ 100 bilhões para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financiar empresas neste ano, ao mesmo tempo que determinou que não poderá haver demissão de funcionários nos projetos beneficiados com recursos da instituição. Esta foi a maior injeção de recursos já feita no banco de desenvolvimento. O valor equivale a 10% da dívida do setor público.
“Estamos determinando que o BNDES explicite qual é a geração de emprego de cada um desses projetos. Cada projeto que será financiado com esse dinheiro vai explicitar quantos empregos a mais estão sendo criados. Portanto, há nossa preocupação explícita com a manutenção ou a elevação do nível de emprego”, afirmou.
Com os novos recursos, que virão do Tesouro Nacional, a capacidade do banco de emprestar para as empresas passou para R$ 166 bilhões, 82,4% a mais do disponível em 2008. No ano passado, quando o desembolso bateu recorde, foram liberados R$ 91 bilhões.
“A medida vai garantir todo o crédito necessário para investimentos no país em 2009″, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. No ano passado, o Tesouro já havia repassado R$ 27,5 bilhões ao BNDES.
Ele ressaltou que, com este novo orçamento, o BNDES poderá atender também às empresas que ainda não fizeram pedidos de crédito no banco. Ele citou o exemplo de companhias que planejavam captar dinheiro no exterior e, por causa do fechamento do mercado de crédito internacional, suspenderam os projetos.

Petrobras
Mantega afirma que a crise não vai inibir os planos de investimentos dos empresários. Mesmo com a redução da demanda no país, ele acredita que os projetos estão mantidos. “Não há desistências significativas de projetos no BNDES. As empresas estão mantendo os projetos. Haverá recursos suficientes para viabilizar esses investimentos”, disse.
Ele ressaltou que uma das prioridades do BNDES será a Petrobras, mas não informou, porém, quanto dos R$ 166 bilhões será destinado à empresa. Em 2008, o governo derrubou a medida que limitava a possibilidade de a estatal do petróleo tomar empréstimos no país, o que inclui o BNDES.
Outros setores citados por ele como foco de atenção do banco são os de energia elétrica, gás, infraestrutura e a parte privada do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Engenharia financeira
Segundo Mantega, uma parte do dinheiro virá do excedente de caixa do Tesouro -chamado no jargão técnico de superávit financeiro. A outra parte virá de uma emissão de títulos públicos no exterior.
O ministro afirmou que o repasse para o BNDES será considerado nas contas do governo como empréstimo. Portanto, não haverá impacto na dívida líquida quando o Tesouro emitir títulos no exterior. Na dívida bruta, no entanto, esse valor estará contabilizado. O uso do superávit financeiro reduz, também, a capacidade do governo de abater sua dívida.
Ele disse, ainda, que o BNDES não precisa do dinheiro de uma vez só, já que estará pagando juros ao Tesouro.
Mesmo sem divulgar qual parcela dos recursos sairá de cada fonte, o Ministério da Fazenda definiu os juros que o BNDES terá que pagar ao Tesouro pelo “empréstimo”. Será cobrada uma taxa de 8,75% sobre 70% dos recursos. Sobre os outros 30% dos recursos serão cobrados a mesma taxa de captação internacional do Tesouro. Na última emissão de títulos, o Tesouro vendeu papéis com juros de 6,19% ao ano.
A Folha apurou que o governo vai aceitar como garantia participações na BNDESPar- o braço de investimentos do banco, que tem ações, por exemplo, da Vale. 

 

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Projetos terão de manter empregos, afirma Mantega

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – FOLHA SP

O ministro Guido Mantega (Fazenda) determinou, ontem, que os desembolsos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) estejam condicionados à manutenção do emprego nos projetos beneficiados pelo banco público. Ele admitiu que essa condição já existe nos contratos do banco, mas a partir de agora será fiscalizada.
Reportagem da Folha de ontem mostrou que setores beneficiados com recursos do BNDES em 2008 estiveram entre os que mais demitiram em novembro e dezembro, quando foram fechadas 654 mil vagas no mercado formal. O setor de alimentos e bebidas, recordista de demissões, foi o que mais tomou crédito -R$ 8,6 bilhões.
O governo ainda não sabe o que fazer caso a empresa decida demitir. Mantega reconheceu que ainda não foi decidido quais serão as punições para as empresas. Ele disse, também, que o governo não poderá exigir que a empresa mantenha os trabalhadores em outras áreas em que o dinheiro do BNDES não tenha sido usado.
“Não adianta colocar medida coercitiva. Dizer que quem desempregar vai ser expulso do paraíso, colocado no inferno. Mas esse recurso para investimento do BNDES é condicionado, sim, à geração de emprego. Isso é fácil de fiscalizar.”
Mantega questionou a reportagem da Folha sobre as demissões e o desembolso do BNDES. Ele disse que é preciso ver se as empresas que desempregaram são as mesmas que tomaram empréstimos do banco. O desembolso de recursos por empresa, no entanto, é protegido por sigilo bancário.

“Empresas exageraram”
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) também declarou que o alvo das punições são apenas os projetos beneficiados com recursos públicos. “Não posso impedir o direito da empresa de demitir”, disse, acrescentando que algumas empresas “exageraram na dose” de demissões em dezembro e precisarão recontratar em março, para quando ele espera o reaquecimento do mercado de trabalho.
“Alguns setores se aproveitaram da crise para sair demitindo e aumentar suas margens de lucro”, criticou. Lupi voltou a afirmar que empresas beneficiadas com recursos públicos precisam ter contrapartidas de geração de emprego.
Ontem foi editada portaria nomeando os representantes do governo, trabalhadores e empresas que participarão do grupo para monitorar a aplicação dos recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e o cumprimento de objetivos sociais.
Segundo Lupi, o grupo trabalhará cruzando os dados de concessão de crédito com os de demissões, fornecidos pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
O ministro destacou que duas resoluções do Codefat (Conselho Deliberativo do FAT) já exigem a geração imediata de emprego e renda por conta da aplicação dos recursos do fundo em projetos do setor privado. Entre as penalidades previstas, de acordo com ele, estão o aumento da taxa de juros cobrada e a antecipação do pagamento da dívida.
Em breve, disse Lupi, sua pasta deverá anunciar um conjunto de medidas para formulação de políticas públicas de emprego. Questionado se entre elas estará a ampliação do seguro-desemprego, respondeu que sim, sem dar detalhes. JULIANNA SOFIA E JULIANA ROCHA).

 

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Empresariado critica barreiras para não demitir

PAULO DE ARAUJO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
DENYSE GODOY
DA REPORTAGEM LOCAL

A classe empresarial rebateu com duras críticas a proposta do governo de vincular os empréstimos do BNDES à garantia de manutenção de empregos nas empresas. Para o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, o BNDES “não faz nenhum favor” quando empresta. “O banco cobra juros, e a taxas muito altas se compararmos com outros países”, disse ele. Skaf, no entanto, evitou entrar em detalhes sobre a determinação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de condicionar os desembolsos do banco de fomento à manutenção de postos de trabalho. “O fato é que ninguém recebe dinheiro [do BNDES] de graça. E, quando o empresário executa um projeto financiado pelo banco, ele naturalmente está investindo e gerando empregos”, disse o presidente da Fiesp. De acordo com ele, os juros cobrados pelo BNDES, embora mais baixos em relação ao praticado internamente, são altos na comparação com outros países. “Há países em que os juros para financiar investimentos são negativos”, disse.
O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), chamou de “exercício demagógico” a ideia de vincular o crédito do BNDES à manutenção dos empregos nas empresas.
“Não é realista dizer “eu lhe forneço dinheiro e você assume tal compromisso [não demitir]. A demissão é um último recurso. Tudo o que violenta a lógica do mercado acaba sendo artificial”, disse Monteiro. “O que segura o emprego é o crescimento econômico.”
O presidente da CNI afirmou ainda que o desemprego na indústria ainda deve aumentar no primeiro trimestre deste ano, mas a situação deve começar a se equilibrar a partir do segundo trimestre.
“Ainda teremos um agravamento. Mas acho que no segundo trimestre a queda do emprego vai estancar”, disse o presidente da CNI, após participar de reunião na Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) ontem.
De acordo com o presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Aguinaldo Diniz Filho, metade dos empréstimos recebidos pelo setor em 2008 veio do BNDES. A indústria tomou R$ 1,2 bilhão no banco no ano passado e foi a segunda colocada na lista dos setores que mais demitiram no final do ano, com um total de 29 mil vagas formais extintas. “O que gera empregos é o mercado, é a demanda. O que acontece se a demanda for para baixo e essa crise levar a uma situação pior?”, questionou.

Sindicato Saudando a medida do governo como uma “boa notícia”, Artur Henrique, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), disse que os sindicatos também se encarregarão de fiscalizar o uso de financiamento do governo pelas empresas. Comparando as informações sobre liberação de crédito com os números de dispensas, pretendem pressionar as companhias e avisar o governo quanto a eventual inobservância das regras.


Colaborou ANDRÉ ZAHAR , da Sucursal do Rio

22/01/2009 - 13:13h Déficit da Previdência Social cai 24% e fica em 1,25% do PIB no ano passado

http://www.faceal.com.br/comunicacao/noticias/2008/1o-bimestre/hoje-e-dia-do-aposentado/2008-01-24.9058354781/image/thumb?height=413&width=550

Arnaldo Galvão, de Brasília – VALOR

Beneficiada pela forte expansão do emprego formal nos primeiros nove meses, a Previdência Social teve, em 2008, seu melhor resultado desde 2004. O déficit verificado foi de R$ 36,2 bilhões, 24,1% menor que o de 2007, e equivalente a 1,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Na comparação com o ano anterior, a arrecadação (R$ 163,35 bilhões) cresceu, em termos reais (acima da variação da inflação), 9,2%, e a despesa (R$ 199,56 bilhões) aumentou 1,1%

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No início de 2008, o governo calculava que o déficit do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) seria de R$ 43,9 bilhões, mas o aquecimento da economia, acima das expectativas, acabou elevando a arrecadação previdenciária. Nos seis anos de governo Lula, o maior déficit nominal foi registrado em 2007 (R$ 44,9 bilhões). Em termos de percentual do PIB, o pior resultado aconteceu em 2006 (1,78%).

O ministro da Previdência, José Pimentel, procurou ressaltar que, em meio aos bons números que divulgava, o déficit da área urbana foi de apenas R$ 1,18 bilhão em 2008, ficando abaixo da previsão inicial de R$ 2 bilhões. Em 2007, esse rombo tinha sido de R$ 12,4 bilhões. “Trabalhamos para chegar ao azul em 2010 na área urbana”, disse ele.

Para este ano, o secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, informou que a projeção para o RGPS é de déficit de R$ 41,1 bilhões, considerando arrecadação de R$ 186 bilhões, despesas de R$ 227,1 bilhões e um salário mínimo de R$ 465. Ele alertou para o fato de que janeiro de 2009 terá, certamente, resultado ruim por dois motivos. O primeiro deles é a determinação do Conselho da Justiça Federal para o pagamento de sentenças no valor de R$ 3,1 bilhões.

Para todo este ano, a previsão é de R$ 6,17 bilhões. Além dessas condenações judiciais, há o adiamento, para fevereiro, do pagamento do Simples Nacional. Isso vai tirar da contabilidade de janeiro arrecadação de aproximadamente R$ 700 milhões.

Outro fato comemorado pelo governo na divulgação dos números da Previdência foi o resultado do RGPS em dezembro, quando houve superávit de R$ 1,73 bilhão, com arrecadação de R$ 22,96 bilhões e despesas de R$ 21,22 bilhões. Segundo Schwarzer, é o primeiro resultado positivo desde abril de 1997. Contribuiu para isso a antecipação do pagamento do décimo terceiro salário, cujo peso contábil acabou diluído por quatro meses em 2008.

A recuperação de créditos, segundo a Previdência, contabilizou R$ 9 bilhões no ano passado, o que representa crescimento real de 3,3% em relação ao desempenho de 2007. O pagamento de sentenças (federais e estaduais) chegou a R$ 5,45 bilhões em 2008, variação real de 8%.

Em termos nominais, as renúncias previdenciárias foram de R$ 15,24 bilhões no ano passado, beneficiando empresas enquadradas no Simples (R$ 8,15 bilhões), entidades filantrópicas (R$ 4,79 bilhões) e exportadores rurais (R$ 2,29 bilhões).

O ano passado foi encerrado com estoque de 26.095.625 benefícios emitidos no RGPS, aumento de 3,7% em comparação com dezembro de 2007. Desse universo, 22.776.205 são previdenciários ou acidentários. As quatro modalidades de aposentadorias (idade, invalidez, tempo de contribuição e acidentária) chegaram ao total de 14.606.715 benefícios. No caso do auxílio-doença, o estoque em dezembro de 2008 era de 1.315.350.

Schwarzer admitiu que o grande número de demissões em dezembro terá impacto na arrecadação previdenciária de janeiro, mas não tem dados. No último mês de 2008, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) teve saldo negativo de mais de 654 mil vagas, quando o normal desse mês é o nível de 300 mil. “O resultado de janeiro será ruim por esses fatores atípicos, mas isso pode ser compensado ao longo do ano”, ponderou.

Na avaliação do secretário, a desoneração da folha de pagamento das empresas não é uma medida que, isolada, pode beneficiar o aumento do emprego. Ele reconheceu que a contribuição patronal sobre os salários das grandes empresas representa cerca de metade da arrecadação previdenciária e, dessa maneira, é preciso garantir o financiamento do sistema. Disse que, com relação às micro e pequenas empresas beneficiadas pelo regime do Simples Nacional, elas já têm essa desoneração porque pagam tributo sobre faturamento.

O ministro José Pimentel afirmou que o Simples Nacional vem registrando média diária de 15 mil adesões em janeiro, o que garante cenário positivo para a Previdência. O ministro procurava diminuir a importância das demissões que vêm preocupando todo o país afirmando que a grande maioria dos trabalhadores está no âmbito das empresas enquadradas no Simples. “O que importa é que o Caged teve saldo positivo de 1,45 milhão de empregos em 2008. Cada adesão ao Simples significa mais dois empregos formais. Em julho, começa a formalização dos milhões de microempreendedores individuais”, explicou.

Com relação à recente mudança nas normas tributárias, em que o governo passou a cobrar contribuição previdenciária sobre aviso-prévio indenizado, Pimentel justificou a medida afirmando que ela visa desestimular as demissões sem justa causa.

21/01/2009 - 10:01h Governo pode vetar crédito a quem demite

Fazenda estuda barrar empréstimo para empresa saudável que dispensa

 

Adriana Fernandes, BRASÍLIA – O Estado SP

 


O governo poderá negar crédito à empresa que demite, mas está com situação financeira saudável. O Ministério da Fazenda avalia a possibilidade de definir a real situação financeira de uma empresa como o critério a ser observado para garantir o acesso ao crédito público.

Os técnicos já estão envolvidos na tarefa de fazer uma radiografia detalhada das grandes empresas que estão cortando pessoal para checar se elas apresentam ou não um problema financeiro. A ideia é que esse “pente-fino” sirva de subsídio para a análise das propostas de medidas anticrise apresentadas por diversos setores à equipe econômica e dos pedidos de crédito aos bancos oficiais. A premissa é: não terá acesso ao crédito a empresa que, mesmo não tendo problemas financeiros, alega dificuldades para justificar demissões.

Segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, será uma espécie de “lista vermelha”. Uma forma de pressão, já que o governo não tem como impedir a onda de demissões que teve início este ano. A avaliação é que algumas empresas estão aproveitando a crise financeira para tirar proveito da situação, conseguir vantagens do governo e, ainda assim, demitir.

É a mesma posição do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que, semana passada, disse ao Estado, que algumas empresas estavam sendo precipitadas em demitir e, sem citar nomes, comentou que “empresários espertos estão demitindo para aumentar a margem de lucro”.

Os bancos já fazem uma análise criteriosa das empresas antes de emprestar e têm regras específicas de governança para a concessão do crédito.

O levantamento, explicou uma fonte, terá um papel muito mais político para coordenação da estratégia de prioridades na concessão dos benefícios, sejam creditícios ou fiscais.

Parte do levantamento será feito com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).