11/07/2009 - 10:43h Beto Richa (PSDB) na berlinda

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Vídeo cita mais casos de corrupção no PR

Fita mostra que construtor afirmou ter desviado IPTU para financiar campanha do prefeito de Curitiba

JOSÉ MASCHIO DA AGÊNCIA FOLHA, EM LONDRINA – DIMITRI DO VALLE DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA

Dois auxiliares diretos do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), gravaram um vídeo no qual o construtor Rodrigo Oriente -que divulgou cenas nas quais políticos que apoiaram o tucano recebiam dinheiro sem origem comprovada- diz ter relatado mais casos de corrupção na gestão tucana à Polícia Civil do Paraná.
O vídeo foi feito pelo procurador-geral de Curitiba, Ivan Bonilha (advogado da campanha de Richa), e pelo diretor de Transportes da URBS, Fernando Ghignone (tesoureiro). Nele os dois conversam com o ex-gerente comercial da construtora Piemonte, Rodrigo Oriente, em 10, 11 e 13 de junho deste ano.
A Piemonte, empresa de loteamentos que atua em Curitiba, pertence à holding Plenaventura e foi a terceira maior doadora da campanha de Richa. Oriente -que trabalhou num comitê de apoio a Richa em 2008- acusou o comitê tucano de utilizar um caixa dois.
No dia 22, quando a acusação de caixa dois chegou aos jornais, o PSDB divulgou uma edição de 11 minutos do vídeo (que tem mais de três horas) em que Oriente cita a pressão de opositores de Richa para fazer denúncias. A íntegra do vídeo, porém, mostra que Oriente também listou vários casos de corrupção na prefeitura e fraudes na arrecadação de IPTU para alimentar a campanha tucana.
Oriente diz a seus interlocutores que enumerou 26 casos de crimes ao depor a um órgão da Polícia Civil do Paraná. Ao ouvirem as denúncias, Bonilha e Ghignone prometem “”tomar providências”. A íntegra da fita foi entregue à Folha por Richa.
Na gravação, Oriente diz que a Piemonte negociou com Richa que a arrecadação de IPTU de 6.220 terrenos num loteamento não fosse para o erário, mas para a campanha do PSDB.
O esquema gerou R$ 334 mil para a campanha de Richa, disse Oriente. Ele diz que R$ 200 mil foram para o comitê central de Richa e o resto a comitês pró-Richa nos bairros. A prestação de contas de Richa lista a Piemonte como doadora de R$ 201 mil à campanha. Oriente disse que o montante não declarado ao TRE foi para o caixa dois da campanha de Richa.

26/06/2009 - 10:55h Diferentemente das denúncias contra outros, Beto Richa é vitima do xadrez eleitoral de 2010

Você, amigo leitor, não deveria amalgamar os diversos casos que regularmente impactam os jornais com manchetes de corrupção. Cada caso é um caso. É conveniente distinguir os casos onde há corrupção da grossa, grosso modo quando PT ou seus aliados são alvo, dos jogos políticos eleitorais que incluem acusações, quando os tucanos estão na berlinda.

Este último é o caso aparentemente de Beto Richa (PSDB), segundo artigo ponderado, equilibrado e objetivo do jornal VALOR. Leiam, é instrutivo.

Também é instrutiva a declaração mais recente do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), do mesmo Estado e partido que Beto Richa, sobre a CPI da Petrobras. Ela tem que atacar os altos salários dos executivos da empresa, exige o senador. Eles não são ilegais, diz, “Não há dúvida, deve ser legal”, mas…


“Nós não estamos discutindo a legalidade: nós estamos questionando a moralidade”, afirmou Dias. “Eles”, no senado, têm moral! Como Jarbas Vasconcelos que já gastou R$ 78 mil neste ano da verba de representação, como Pedro Simon que teve que explicar viagens com a mulher para a Europa e Tasso Jereissati para abastecer seu avião, tudo com dinheiro do senado e legalmente, para não falar em Arthur Virgílio (PSDB) que foi obrigado a demitir um professor de jiu-jítsu do gabinete.

“Moral”?

Não é o que se chama falar de corda, na casa do enforcado? LF

Franklin de Freitas/Folha Imagem – 24/6/2009

Richa cercado por repórteres no Ministério Público Federal: ascensão do principal prefeito do PSDB no país foi posta em risco por denúncia sobre o uso de caixa 2

Denúncias contra Richa antecipam xadrez eleitoral na disputa de 2010

Marli Lima, de Curitiba – VALOR

O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), encerra o primeiro semestre de seu segundo mandato de modo bem diferente do esperado. Um dos tucanos mais bem-sucedidos na última eleição, ele viu seu prestígio aumentar nos primeiros cinco meses do ano à medida que cresceram as chances de sua candidatura ao governo do Paraná em 2010. Mas, nos últimos dias, precisou defender-se do uso de caixa 2 em campanha, após a divulgação de um vídeo em que ex-candidatos a vereador pelo PRTB, que criaram um comitê para apoiá-lo, aparecem recebendo dinheiro que não foi declarado e falsificando assinaturas em recibos.

Membros do grupo que aparecem na gravação ocupavam cargos importantes na prefeitura. Três, entre eles o secretário municipal de Assuntos Metropolitanos, Manasses Oliveira, foram exonerados na semana passada, após Richa ser procurado por jornalistas que tiveram acesso ao vídeo comprometedor. Outros três foram exonerados na quarta-feira, mesmo dia em que dois funcionários de carreira do município perderam gratificação de função. Muitas perguntas sobre o caso ainda não tiveram resposta e o Ministério Público Federal (MPF) informou que vai investigar o assunto. A oposição do tucano na Câmara de Vereadores tenta abrir uma CPI, mas ela é formada por apenas 5 dos 38 integrantes da Casa, o que dificulta a aprovação da comissão.

Como o caso é recente, ainda não é possível mensurar o impacto das denúncias sobre a imagem de Richa no restante do mandato e na sua possível candidatura ao governo. Enquanto opositores, como o governador Roberto Requião (PMDB-PR), repercutem as denúncias, outros cobram explicações e sugerem cassação de mandato, como fez o deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR). “Já existem elementos mais do que suficientes para a comprovação de que a campanha de Beto Richa fez uso de recursos não declarados na prestação de contas oficial entregue à Justiça Eleitoral”, diz.

Na avaliação de Adriano Codato, cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), para a opinião pública pouca coisa deve mudar. “O cidadão quer saber se ele (Richa) vai fazer creche, obras, e não se pagou milhão a alguém”, lamenta. “O escândalo, infelizmente, fica restrito ao círculo de interessados, diz respeito à redefinição de alianças, sobre quanto vai custar a candidatura ao governo”, completa. Para Codato, Richa sabia que teria de enfrentar desafios para levar adiante seu projeto político. “Surgiu um novo nome no cenário eleitoral e isso contraria interesses.” As denúncias chegaram logo após momentos de euforia. Como foi uma das escolhidas para receber jogos da Copa do Mundo, Curitiba vai passar por obras que incluem um sonho antigo dos moradores: a construção do metrô. Além disso, na terça-feira Richa reuniu-se em Brasília com representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e voltou animado com a possibilidade de conseguir financiamentos externos para projetos, em especial de urbanização e de continuação da chamada Linha Verde, construída na primeira gestão para melhorar o sistema viário.

A ser questionado, pelo Valor, sobre os avanços na segunda gestão, antes da divulgação do vídeo, ele respondeu que não podia se acomodar, “ou permitir que a síndrome do segundo mandato (da ineficiência) se estabeleça”. Tanto ele como secretários elegeram como principal novidade o contrato de gestão que estabelece responsabilidades para todos. “Estimulamos a equipe a encarar o segundo mandato como se fosse o primeiro dia de trabalho da primeira gestão”, disse o prefeito.

Na primeira avaliação do contrato de gestão, referente a quatro meses de administração, foram atingidas 82% das metas, ou 446 dos 543 indicadores. Alguns não foram alcançados por falta de liberação de recursos e prazos muito curtos, mas foram reprogramadas. A próxima avaliação será feita em agosto. “Algumas coisas foram adiadas por cautela”, explica o secretário municipal de Finanças, Luiz Eduardo Sebastiani, em relação a período de crise e de recuo na arrecadação.

Sebastiani contou que, nos últimos quatro anos, o crescimento médio na arrecadação foi de 11%, mas recuou para 6% nos primeiros cinco meses de 2009. Também houve queda nos repasses do fundo de participação dos municípios. No entanto, parte da queda na arrecadação foi compensada pela redução de 15% nos gastos correntes, que resultou em economia de R$ 158 milhões e evitou “corte na carne” dos investimentos, como exemplificado pelo secretário.

O ex-ministro da Saúde e secretário de Planejamento de Curitiba, Alceni Guerra, afirmou que o programa de obras nas áreas de educação e saúde está mantido. Os investimentos em educação para 2009 equivalem a 25,74% das receitas líquidas, ou R$ 522 milhões. Na saúde serão R$ 340 milhões – 16,74% das receitas líquidas correntes. Mas a principal expectativa é sobre a chegada do metrô. “A primeira escavação está prevista para o primeiro quadrimestre do ano que vem”, diz Guerra. O projeto não está pronto e nem orçado, mas estima-se que custará cerca de R$ 3 bilhões. “No segundo mandato, temos de ser melhores que nós mesmos”, comenta.

Para a vereadora Noemia Rocha (PMDB), líder da oposição, o principal problema da administração de Beto Richa é a falta de transparência nas licitações, em especial nas mais importantes, como transporte coletivo, destinação do lixo e iluminação pública. “Várias ações não foram iniciadas, mas eles alegam que só se passaram cinco meses”, reclama. “Havia promessa de muito mais”, diz Noemia, que exerce o primeiro mandato e, em março, encaminhou a Ministério Público documentos que tratam dos problemas nas licitações.

O vereador Pedro Paulo, vice-líder do PT, reforça o coro de que falta transparência e acrescenta que as demandas da população que surgem em audiências públicas não são atendidas pela administração. “Grandes obras de pavimentação deram a vitória a ele”, opina. “A Copa é uma oportunidade para se fazer o metrô, mas será que também não vai ter problema licitatório, já que há uma dezena de licitações que não seguem em frente por problemas em editais e ações de empresas?” O secretário Alceni Guerra rebate as críticas e diz que o contrato de gestão e os gastos da administração estão no site da prefeitura. “Quando vereadores perguntam o que estamos fazendo, digo para olharem no site”, conta. “Não há nada que macule nosso processo licitatório, mas há licitações complexas e questionamentos de participantes”, emenda o secretário Sebastiani.

Mas, ao que tudo indica, os vereadores terão outros problemas a tratar nos próximos dias. Na quarta-feira, depois de evitar dar entrevistas e colocar o coordenador financeiro da campanha à reeleição, Fernando Ghignone, e o coordenador jurídico, Ivan Bonilha, para defender o grupo e atacar adversários políticos, Richa participou de audiência pública com moradores. Depois, foi ao Ministério Público para colocar-se à disposição da Justiça nas investigações em andamento. No mesmo dia, anunciou que, pelo quinto ano consecutivo, a prefeitura vai antecipar o pagamento da primeira parcela do 13º salário dos servidores municipais. O pagamento será depositado no dia 30.

Até agora, além do secretário Manasses Oliveira, foram exonerados o superintendente da mesma secretaria, Raul D´Araújo Santos, e o gestor público municipal Alexandre Gardolinski, da Secretaria Municipal do Trabalho, mais o assessor técnico Luiz Carlos Déa, da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer, o gestor público Luiz Carlos Pinto, da Secretaria do Governo Municipal, e o assessor técnico Gilmar Luiz Fernandes. Perderam função gratificada os funcionários Cristiane Fonseca Ribeiro e Nelson Bientinez Filho.

08/05/2009 - 12:20h Ministério Público quer impugnar contas de campanha de Kassab. No limite, a impugnação pode levar à perda do mandato

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Prefeito, cuja candidatura recebeu doação de associação imobiliária, afirma que repasses foram legais; também serão questionadas contas de 46 vereadores

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

As contas de campanha do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e de 46 dos 55 vereadores da cidade sofrerão pedido de impugnação pelo Ministério Público Eleitoral.
Entre as supostas irregularidades estão doações proibidas por lei e uso de notas fiscais falsas. Segundo o Ministério Público, há doações feitas por empresas que controlam ou têm participação em concessionárias de serviços públicos ou doações de associações. No limite, a impugnação pode levar à perda do mandato.
“Temos provas de irregularidade nas prestações de contas, que são documentais”, afirmou o promotor paulista Maurício Antônio Ribeiro Lopes, da 1ª Zona Eleitoral.
As contas dos candidatos já foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral, mas o promotor argumenta que não há problema em reabrir os casos. “Não tem trânsito em julgado nessas prestações de contas. É procedimento administrativo e pode ser reaberto desde que surjam fatos novos”, afirmou.
Kassab disse ontem que as doações são todas legais. “Estou tranquilo e à disposição da Justiça”, disse o prefeito.
“Desde que tudo esteja dentro da lei e seja feito com transparência, como foi feito nas últimas eleições pelas mesmas empresas, acho que existe uma relação de verdade com a cidade e o eleitor e, portanto, a conduta é correta”, afirmou ele.
As doações feitas pela AIB (Associação Imobiliária Brasileira), reveladas pela Folha, estão entre os casos analisados, mas a Promotoria não especifica quais são. A associação é acusada de funcionar como uma entidade de fachada do Secovi-SP (sindicato do setor imobiliário) para fazer doações a campanhas eleitorais. No entanto, o sindicato nega qualquer vínculo com as doações.
A entidade e o Ministério Público negociam um acordo, segundo o qual a associação deixaria de fazer doações.
“A AIB (Associação Imobiliária Brasileira) informa que está atendendo a todas as solicitações do Ministério Público, requeridas pelo promotor”, disse a associação em nota.
A AIB foi a segunda maior financiadora de candidatos nas eleições de 2008 (R$ 6,5 milhões doados). Em 2006, declarou ter doado R$ 2,36 milhões.
A Lei Eleitoral (9.504/97) proíbe a doação de sindicatos e estabelece que, no caso de pessoas jurídicas, elas não podem ultrapassar 2% de sua renda bruta do ano anterior.
Entre os candidatos que receberam doações da AIB em 2008 estão 27 vereadores paulistanos, muitos com atuação em comissões de interesse do setor na Câmara Municipal. O comitê financeiro do DEM, partido de Kassab, recebeu R$ 1,32 milhão.

27/03/2009 - 12:55h FHC não acha estranho PSDB, DEM, PPS, PSB, PDT, PP e PMDB estarem implicados na operação “Castelo de Areia” da Polícia Federal

As investigações da Polícia Federal na operação “Castelo de Areia”, parece implicar, em recebimento de contribuições não declaradas, os seguintes partidos: PPS, PSB, PDT, DEM, PP, PMDB e PSDB.

FHC não achou estranho a implicação, no recebimento ilícito, do seu próprio partido, o PSDB. Tampouco achou estranho ele aparecer implicado junto com o DEM. Aliados -FHC deve ter pensado- é normal que estejam juntos no percalço.

Mas, não é estranho FHC considerar normal esses partidos estarem implicados em algo ilícito, sendo como ele, vestais da moral pública?

Não é curioso FHC passar recibo assim, tão espontaneamente?

O pensamento parece ser: se o PT também estiver implicado, os demo-tucanos serão menos culpados.

Qual é o principio ético no pensamento da “nova sociologia” de FHC?

A seguir o artigo do jornal O Estado SP, clique para ampliar e boa leitura. LF

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08/03/2009 - 12:20h Nota discreta

PF indicia tucanos por crime eleitoral

O Estado SP

A Polícia Federal indiciou dirigentes do PSDB de Mato Grosso por crimes eleitorais e formação de caixa 2 que teriam sido praticados nas eleições de 2002. Foram indiciados o tesoureiro Paulo Ronan Ferreira, e o presidente do comitê, Lourival Ribeiro Santos. Os dois teriam realizado transações financeiras ilícitas para financiar a campanha ao governo do Estado e ao Senado.

28/05/2008 - 19:09h Rio Grande do Sul: suspeita é que dinheiro da educação no trânsito, transitou para outras arcas

Zero Hora

MP investiga desvio de verba em convênio entre Fenaseg e Detran

Valores que deveriam ser investidos em educação no trânsito teriam sido desviados para fins políticos

Adriana Irion | adriana.irion@zerohora.com

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O Ministério Público Estadual investiga se valores repassados pela Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados (Fenaseg) para pagar serviços autorizados pela presidência do Detran foram desviados para abastecer caixa 2 de campanhas eleitorais.

Além de indícios de pagamentos irregulares feitos desde 2003, há serviços listados que não se aplicam dentro do que deveria ser o objeto do convênio entre Detran e Fenaseg — os valores repassados pela federação deveriam ser investidos em projetos de campanha de educação no trânsito.

A principal suspeita é de que altos valores pagos a gráficas, serviços, bufês e aluguel de carros tenha servido para abastecer campanhas eleitorais.

Em 2006, ano eleitoral, esses pagamentos tiveram acréscimo substancial, e esse é um dos focos da investigação que desencadeou ontem buscas em quatro locais, inclusive na sede da Fenaseg, no Rio de Janeiro. Entre 2003 e 2005, os valores repassados pela Fenaseg variavam de R$ 1,2 milhões a R$ 1,7 milhões. Em 2006, saltaram para R$ 3,3 milhões.

Na lista de valores pagos consta também que receberam o advogado Alexandre Barrios, que assessorou o Detran e é réu no processo da Rodin, e as empresas Rio Del Sur e Newmark, também investigadas na fraude do Detran.

23/11/2007 - 06:32h Agora é caixa 2

A mídia anda pisando em ovos. A denuncia do “mensalão tucano“, apesar de aguardada, provoca uma sensação evidente de mal estar nos jornais e nos seus comentaristas.

Para o Procurador geral a ação dos tucanos não foi crime eleitoral, nem caixa 2 nenhum; foi “ação criminosa” consistente em “Desvio de recursos públicos do Estado de Minas Gerais, diretamente ou tendo como fonte empresas estatais”; “Repasse de verbas de empresas privadas com interesses econômicos perante o Estado de Minas Gerais, notadamente empreiteiras e bancos, por intermédio da engrenagem ilícita” e “Utilização dos serviços profissionais e remunerados de lavagem de dinheiro”, operados, entre outros, por Valério e seus sócios, “em conjunto com o Banco Rural, para garantir uma aparência de legalidade às operações [...], inviabilizando a identificação da origem e natureza dos recursos”.

O Procurador afirma que o dinheiro desviado dos cofres públicos tinha a seguinte origem: “R$ 1,5 milhão da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais); R$ 1,5 milhão da Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais); e R$ 500 mil do Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais).

Para o Procurador não há crime eleitoral e o esquema é o mesmo que do outro “mensalão“.

Para o jornal Valor isto não é assim. A sua manchete sobre o assunto é: “Caixa 2 do PSDB mineiro chega ao Supremo”.

Segundo o artigo “O mensalão mineiro teria o objetivo de arrecadar dinheiro para campanha e o petista em obter apoio em votações no Congresso, mas o procurador evitou comentar essas diferenças entre os “mensalões“.

Na mesma linha, Merval Pereira, no Globo, afirma: “O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, não quis deixar clara a diferença na denúncia oficial, pois não indiciou ninguém do valerioduto mineiro por crime eleitoral, o que caracterizaria o chamado caixa dois, que é na verdade do que se trata o caso dos tucanos.

Em eco ou fazendo coro, Eliane Catanhede insiste: “Mares Guia e Azeredo, ex-presidente tucano, são os pais do esquema Marcos Valério de financiamento de campanhas, que na era petista evoluiu para compra de apoio parlamentar ao governo.

Na mesma linha foram as declarações dos principais lideres tucanos. Para eles caixa 2 é uma coisa e “mensalão“é outra. É a linha da defesa do PSDB.

Pois bem, a questão do desvio do dinheiro público é o centro da peça do procurador. Ele deverá evidentemente provar e a justiça determinará. Eduardo Azeredo é inocente até a decisão judicial. Como o são todos os denunciados em ambos esquemas.

Eduardo Azeredo e Delubio Soares, acusados pelo mesmo “crime” não são tratados pela mídia da mesma maneira. Os jornais não berram em favor de uma CPI, nem utilizam os epítetos de ladrão, nem criminoso.

Delubio foi expulso do PT, Azeredo não foi expulso do PSDB e é defendido pelo seu partido. Ambos rejeitam os termos das acusações. PT e PSDB reconhecem, mais ou menos explicitamente, que os esquemas financiavam as campanhas eleitorais, eram caixa 2. No caso do PT sem desvio de dinheiro público; no caso do PSDB, que as empresas estatais eram autônomas. Trata-se da palavra dos partidos, dos acusados e dos seus advogados contra as acusações da procuradoria. Pode se acreditar ou não, a justiça dará a palavra final.

Mas a mídia, ela não tem partido…

Luis Favre

03/10/2007 - 10:40h Mídia e PSDB: Chamen a Mafalda!


“Trabalho difícil o de ombudsman da Folha. Hoje ele se queixa de não ver uma mísera linha sobre o mensalão do PSDB. Amanhã ele estará servido. Vão publicar que Aécio ficou irritado e que Mares Guia é um abusado.”

Escrevi isto ontem e fui verificar hoje. A Folha traz uma matéria sobre Mares Guia e outra sobre a irritação de Aécio. Nenhuma palavra sobre a reunião de ontem da bancada dos senadores do PSDB e a decisão por eles tomada: silêncio sobre o mensalão tucano e Eduardo Azeredo.

Acontece que a decisão do PSDB não deveria, em princípio, concernir a atuação da mídia sobre o tema. Mais é aparentemente o que acontece.

Poderia se argüir para justificar os jornais de hoje que nada teve de relevante na reunião dos senadores do PSDB. Não parece ser está a opinião do jornalista Josias de Souza, da própria Folha, que no dia de ontem postou no seu blog o artigo que reproduzo aqui embaixo.

Você, leitor, julgará se a decisão tomada pelo PSDB não merece nenhum espaço nos jornais.

Hoje o ombudsman da Folha não publicará sua crítica diária. Os outros jornais não contam com está importante instituição. Eles devem pensar que tanto faz não ter ombudsman, visto que às orientações políticas dos jornais não se ajustam necessariamente ao ponto de vista de quem sela pelo equilíbrio e a objetividade do conteúdo jornalístico.

Quando penso na inanidade provocada pelas recomendações sobre o PSDB do ombudsman da Folha, me vem a memória um desenho da Mafalda.

A pequena personagem de Quino chegava com uma cadeirinha, subia nela e proclamava: de cima desta cadeira faço um apelo a paz mundial! Ato seguido descia e comentava: de qualquer jeito parece que minha cadeira, o Papa e a ONU têm o mesmo poder de convicção.

Vou dar uma cadeirinha para o ombudsman.

Luis Favre

PSDB reúne senadores e silencia sobre tucanoduto

Josias de Souza

O PSDB reuniu a bancada de senadores, nesta terça-feira (2), para discutir algo que o constrange. O nome do constrangimento é Eduardo Azeredo. Lero vai, lero vem, o partido o optou por enfrentar o inadmissível com o impensável. Decidiu silenciar.

“A gente vai aguardar a manifestação do procurador [Antonio Fernando de Souza] para se pronunciar”, disse Tasso Jeresissati (CE), presidente do PSDB. “Nós não sabemos qual o tipo de acusação, se é que tem, que vai ser feita ao senador.”

O tucanato tem o direito de aguardar o quanto quiser. Só não fica bem chamar a platéia de boba. O partido sabe muito bem do que Azeredo é acusado. O que não sabe, por ora, é como explicar inexplicável.

Logo que as primeiras denúncias do tucanoduto vieram à tona, nas pegadas do mensalão petista, em 2005, o PSDB protegera-se atrás do conveniente escudo do caixa dois. Admitira-se, então, que os tucanos de Minas bicaram valerianas de má procedência. Mas alegara-se que não ocultavam verbas públicas sob as asas.

O inquérito da Polícia Federal demonstrou o contrário. Pelo duto dos tucanos correram pelo menos R$ 5 milhões do erário mineiro. Vieram, segundo a polícia das arcas públicas da Cemig, da Copasa, do Bemge e da Comig.

Há dois anos, acomodado pela conjuntura no banco da CPI dos Correios, Azeredo saíra-se com uma desculpa à Lula: dissera que não sabia das malfeitorias praticadas à sombra de suas penas em 1998. Alegara que toda a responsabilidade de Cláudio Mourão, ex-gestor financeiro de sua campanha.

Graças à PF, veio à luz um detalhe que espanca a tese do desconhecimento: Azeredo bicou, em 1998, um empréstimo de R$ 511 mil atribuído a Walfrido dos Mares Guia, hoje coordenador político de Lula. Coisa de pai para filho. Nem Azeredo tem a pretensão de pagar nem Mares Guia planeja cobrar.

Dias atrás, sentindo-se isolado, Azeredo piou fora do tom. Disse que parte das verbas de má origem que irrigou o tucanoduto foi borrifada também no caixa da cruzada presidencial de FHC. Segundo ele, havia em Minas, “comitês [da campanha nacional] bancados pela minha campanha.” Enquadrado, Azeredo silenciou.

De silêncio em silêncio, o PSDB vai produzindo um barulho estrondoso. Calou dois anos atrás. Cala de novo agora. Quando decidir falar, será tarde, muito tarde, tardíssimo. Alguns já sentem, irritados, o prejuízo que a privação voluntária da voz proporciona.

Nesta terça, perguntou-se a Jereissati se a convivência com um senador sob suspeição não causa contrangimento. E ele: “Todo episódio como esse, num partido que prima pela ética contra um senador, que eu acredito ser sério e honesto, constrange. Mas nós vamos esperar a acusação.” Então, tá!

Escrito por Josias de Souza às 18h40 de ontem

27/09/2007 - 18:29h Mensalão do PSDB: Tucanos saem em defesa de Azeredo

Senador, acusado de envolvimento em esquema em Minas, recebe apoio de Serra, Tasso, Virgílio e Alckmin

Moacir Assunção, Elizabeth Lopes e Christiane Samarco para O Estado de São Paulo

Um dia após ter dito que a campanha na qual foi acusado de se envolver com o chamado mensalão mineiro era a mesma do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) foi socorrido ontem por uma mobilização tucana em sua defesa. A ofensiva teve o engajamento do governador José Serra, do ex-governador Geraldo Alckmin, do presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), e do líder no Senado, Artur Virgílio (AM).

“Não há mensalão mineiro nenhum”, afirmou Serra, em São Paulo, saindo em defesa do senador mineiro. “Eu quero dizer que o Azeredo é um homem íntegro, honesto, um grande caráter.”

Ele classificou de “não pertinentes” as acusações de que o partido teria isolado Azeredo, embora ele próprio tenha adotado comportamento cauteloso depois que o senador virou alvo de denúncias. “É uma sensação dele (se sentir abandonado), mas não é uma realidade”, disse.

Alckmin fez questão de diferenciar o mensalão petista do caso mineiro. Para o ex-governador, que deu palestra na Fundação Getúlio Vargas (FGV), o escândalo que envolveu políticos ligados ao governo Lula está vinculado a corrupção e troca de apoio parlamentar por votos, enquanto o caso no qual estaria envolvido Azeredo tem características de caixa 2 de campanhas eleitorais.

Em Brasília, Tasso disse que “compreende a indignação e o sofrimento de um homem honesto diante das acusações que vem sofrendo”. Para ele, Azeredo “vai repor a verdade o mais rápido possível, porque não existe nenhuma ligação entre a campanha eleitoral dele e qualquer outra campanha do partido”.

Apesar das declarações públicas de compreensão, em conversas reservadas senadores e deputados demonstraram contrariedade com a referência de Azeredo à campanha de Fernando Henrique. Virgílio conversou com o colega mineiro e disse que ele havia sido “infeliz” ao ligar as duas campanhas.

Alguns tucanos lembraram que o PSDB “foi enganado” quando surgiram as denúncias sobre o mensalão na CPI dos Correios. A queixa é de que Azeredo não havia informado o partido da relação financeira de sua campanha com o empresário Marcos Valério e a agência de publicidade SMPB.

“Eu só soube que havia participação da SMPB ao fim da campanha, e não foi pela minha mão que ela participou. Quem mobilizou a agência do senhor Marcos Valério foi Clésio Andrade (candidato a vice na chapa de Azeredo). A agência que nós contratamos foi a do Duda Mendonça”, disse ontem Azeredo.

Sobre a frase citando a campanha à reeleição de Fernando Henrique, Azeredo se explicou: “Apenas constatei que é assim que as coisas acontecem, que as campanhas se cruzam, principalmente para os cargos majoritários.”

27/09/2007 - 18:19h Mensalão tucano: A Lista de Furnas

O deputado estadual Padre João (PT-MG) lembra que, além do caixa dois que ocorreu em 1998, nas eleições de 2002, em que os candidatos eram os tucanos José Serra (para presidente), Geraldo Alckmin (para governador de São Paulo) e Aécio Neves (para governador de Minas Gerais), o esquema se manteve com a chamada Lista de Furnas, “com o caixa dois superando o valor de R$ 25 milhões somente para os cargos majoritários”, diz ele.

Segundo o deputado, “a perícia da Polícia Federal constatou isso na lista em que Serra aparece como beneficiário de R$ 7 milhões, Alckmin de R$ 9,3 milhões e Aécio Neves com R$ 5,5 milhões. Além do atual governador de Minas, pessoas ligadas a ele, como a sua irmã Andréia Neves e o Secretário de Governo também receberam recursos”. (jornal Brasil de Fato)

20/09/2007 - 09:45h Marcos Valério, o operador de aluguel

Jornal Valor

O empresário Marcos Valério não era simplesmente um operador petista, mas um profissional do ramo de lavagem de dinheiro e montagem de caixa 2 para campanhas eleitorais. E profissional dessa área não tem partido: o dele é o que está no poder e o contrata. Essa é uma obviedade desde 2005, quando o empresário passou a ser investigado como operador de um “mensalão” que teria irrigado o caixa 2 do PT e de seus aliados nas eleições municipais de 2004. Afinal, no meio das investigações apareceu ninguém menos do que o senador Eduardo Azeredo (MG), então presidente do PSDB de Fernando Henrique Cardoso. Ou melhor, veio à tona o caixa 2 que irrigou o PSDB mineiro e seus aliados na campanha de Azeredo pela reeleição para o governo de Minas, em 1998.

O PSDB nacional e o próprio interessado estabeleceram uma diferenciação sutil entre o caso do PT e o de Azeredo, segundo a qual os petistas e seus aliados pecaram porque supostamente teriam usado o dinheiro para pagar mesadas aos aliados e o ex-governador de Minas, como não teria dado mesada, era inocente. O PSDB afastou docemente Azeredo da presidência, juntou-se ao PFL num discurso agressivo contra o PT e o governo Lula, a mídia embarcou e o caso ficou esquecido até agora.

Por quase dois anos a oposição tratou o caso do mensalão como uma anomalia introduzida pelo PT no sistema político. A udenização do discurso oposicionista no auge da crise política beirou o golpismo. Agora, a mesma PF que indiciou os envolvidos do PT e de seus aliados concluiu o inquérito do “valerioduto” mineiro e chegou à conclusão de que este é um esquema muito mais complexo, pois envolveu mais de 150 políticos, 17 partidos e um total de R$ 100 milhões movimentados nas eleições de 1998 sem conhecimento da Justiça Eleitoral. O presidente do PT nacional à época do mensalão, José Genoíno, está sendo processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e, ao que tudo indica, pecou principalmente por omissão. O presidente do PSDB de então era Eduardo Azeredo, beneficiário do mesmo esquema em 1998. Os partidos de ambos usaram os mesmo recursos de captação e lavagem de dinheiro. A única diferença é que o PSDB de Minas precedeu o PT nacional no uso dos préstimos de Marcos Valério.

Esses são os fatos – que, aliás, ao serem aqui expostos não têm nenhuma intenção de inocentar o PT pelo uso do caixa dois e captação ilegal de dinheiro nas eleições de 2004. Pelo contrário. É sabido que o PT abandonou a campanha de militância e embarcou no esquema tradicional de captação de dinheiro quando tornou-se “pragmático” e foi atrás de recursos para “profissionalizar” suas campanhas eleitorais. Não é mérito nenhum ter feito a opção de se tornar mais um entre os partidos que já se utilizavam desse expediente.


Valerioduto mineiro foi subestimado pela mídia


A discussão que se coloca agora, findo o trabalho da PF e quase terminado o do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza – que deverá oferecer denúncia contra os clientes mineiros de Marcos Valério nos próximos dias – é se a disputa política justifica eticamente a assimetria como foram tratados os dois casos, quer pela oposição, quer pela imprensa.

Quando os especialistas analisam as razões pelas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou na disputa pela reeleição, no ano passado, devem incluir mais uma: para o grande público, e não para a restrita “opinião pública” integrada pelos mais escolarizados, a hipocrisia do discurso dos oposicionistas, militantes da política tradicional desde sempre, ou quase isso, estava patente. “A conversa deles é dizer que a questão moral não conta mais. Conta sim. Ladrão, não mais”, discursou para seus correligionários energicamente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista, afirmou, enojado: “Nunca ouvi falar em tanta corrupção como neste governo”. O senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), recentemente falecido, referia-se ao dirigente máximo da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apenas como “ladrão”. Não colou. Dada a imagem que a classe política desfruta entre os eleitores, venceu, na dúvida, o presidente Lula, que trazia uma política social inédita na bagagem.

Como na política institucional vale mais a versão que o fato, o país deverá assistir nos próximos dias mais alguns lances de pura hipocrisia. O ministro das Relações Institucionais do governo Lula, Walfrido Mares Guia (PTB), foi investigado pela PF e agora o procurador-geral decidirá se apresentará denúncia contra ele. Embora esteja sob investigação por conta do caixa 2 do tucano mineiro, o ministro promete ser a próxima crise do governo de Lula. Pode-se ponderar que Lula, depois dos tumultos do primeiro governo, não poderia ter feito uma maioria parlamentar a qualquer preço e deveria escolher melhor suas companhias, mas esse argumento também remete aos governos FHC. Afinal, o PTB do ministro esteve na base de apoio de todos os presidentes desde a sua recriação, em 1980.

A repercussão dos escândalos do mensalão e do valerioduto mineiro, ou melhor, a simples existência de Marcos Valérios, devem deixar a arena da disputa político-partidária. É sobre as razões pelas quais esses esquemas existem historicamente no Brasil e se mantém ativos que a sociedade em geral, e os partidos em particular, devem se debruçar. E, para que se inicie um debate sério, sem hipocrisias, é necessário reconhecer que: o sistema político funciona e se financia com dinheiro ilegal; os partidos não se diferenciam fundamentalmente quando se trata de captação ilegal de dinheiro (talvez com exceção do P-SOL, que é novo e ainda não tem grande representatividade; o PT era exceção, mas esse é um verbo no passado); a lavagem de dinheiro de origem duvidosa é uma atividade comum no meio político e os donos de lavanderias ganham dinheiro com isso. No limite, não existe grande diferença entre as finanças partidárias e de qualquer organização ilegal. Se partir desses princípios, o debate de como trazer à superfície a vida das agremiações partidárias pode ser feito com alguma seriedade. Fora isso, é jogar para o eleitor e para a platéia.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

maria.inesnassif@valor.com.br

29/08/2007 - 20:01h Marco Aurélio Mello do STF disse que não há prova de culpa de quem quer que seja

(…)

Terra Magazine – O ex-ministro José Dirceu, na sua única e discreta manifestação, disse que o mandato de deputado dele foi cassado e que agora ele é réu sem provas e que agora ele quer ser julgado rapidamente para provar sua inocência. O senhor acha que as provas que foram apresentadas para aceitar a denúncia já indicam que o processo vai ser complicado, sobretudo no caso dele?

Marco Aurélio Mello - Eu acredito que haverá um campo muito largo para a atuação dos representantes dos acusados, os advogados. E ontem nós concluímos uma apreciação a partir de simples indícios. Nós não assentamos a culpa de quem quer que seja, nós assentamos que haveria considerando os fatos narrados. Eles devem ser agora provados pelo Ministério Público. Havia materialidade quanto aos crimes e indícios da autoria. E foi o que nós proclamamos. Agora estará sob os ombros do Ministério Público a prova da procedência das imputações das acusações.

Mas então, semanticamente, digamos assim, a avaliação dele de que é réu sem provas se confirma…
Até aqui não há prova da culpabilidade. Ele está certo. Realmente não há, nós não podemos dizer que ele é realmente culpado. Agora, que há indícios de que teria cometido desvio de conduta, há. Tanto que se recebeu a denúncia, senão ela não seria recebida.

Leia a integra da entrevista em Terra Magazine

29/08/2007 - 15:03h Jurista Dalmo Dallari diz que STF decidiu sem provas

Dalmo Dallari comentou a abertura de processo contra acusados de envolvimento no mensalão. “A base toda até agora é formada por indícios, e indícios não são provas”. Existe um risco grande de no final o Supremo Tribunal Federal considerar que não há provas suficientes para a condenação, diz ele. “O mais correto seria esses processos se iniciarem na primeira instância, com participação intensa do Ministério Público na produção de provas”.

De qualquer jeito, diz Dallari, o que não se pode perder de vista é que tanto o juiz de primeira instância quanto o do STF faz um julgamento jurídico. Por isso, “sou um crítico de vários setores da imprensa que não querem um julgamento e tentam coagir o Supremo”. Condenar por antecipação é antijurídico, injusto e contra a Constituição, fala Dallari. “Não é isto que interessa ao povo”.

Redação Terra