08/09/2008 - 15:20h França: critérios para o álcool no volante

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Fernando Eichenberg - Terra Magazine - de Paris

Desde 2006, o álcool ao volante se tornou a primeira causa de mortalidade no trânsito na França. O número de vítimas tem diminuído no país (4.620 no ano passado, -1,9% em relação a 2006), mas o álcool superou a velocidade na classificação das principais causas.

Diariamente, o trânsito provoca na França uma média de 300 feridos e 13 mortos, 3 deles por abuso de álcool. Em 2007, 1.031 mortes e 4.790 feridos hospitalizados foram atribuídos ao consumo excessivo de álcool. O número de condutores implicados em um acidente mortal com alcoolemia igual ou superior a 0,5 g/l de álcool no sangue, o limite legal no país, aumentou de 17% em 2007, contra um crescimento de 16,4% em 2006. Segundo as estimativas de 2007, se nenhum condutor tivesse uma taxa de alcoolemia positiva, o número de acidentais poderia ter sido reduzido em 26,9%.

A eventual aplicação da tolerância zero ao álcool no trânsito foi debatida no ano passado na França pelos 42 integrantes do Conselho Nacional de Segurança nas Estradas, órgão independente do governo. A medida foi rejeitada com base em estudos que demonstram que os acidentes mortais são originados por condutores com taxas de álcool muito elevada, entre 1,6 g/l e 2,0 g/l (a alcoolemia média constatada em 2007 foi de 1,6 g/l, e superior a 2,0 g/l em um terço dos acidentes mortais). A notar que 92,9% dos casos corresponde a um condutor masculino.

“A prioridade é tratar dos casos que originam os acidentes. Não é entre as taxas de 0 a 0,5 g/l, ou mesmo até 0,8 g/l, que eles ocorrem, mas em índices superiores a 1,6 g/l. A partir dessa análise decidimos não adotar a tolerância zero”, me explicou a delegada interministerial para a segurança nas estradas, Cécile Petit.

Jean-Pierre Cauzard, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa sobre os Transportes e sua Segurança, contou que a tolerância zero também foi debatida entre seus pares, mas a decisão foi provisoriamente adiada: “Acho que a tolerância zero é querer fazer bem demais. O problema está na aplicação da medida, que é difícil. Concluímos que o melhor agora é aplicar de maneira eficiente a taxa de 0,5 g/l antes de baixar ainda mais o índice”.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, estipulou como meta de governo até 2012, data do final de seu mandato, a redução do número de vítimas anuais no trânsito para abaixo de 3 mil e a redução de 50% total de mortes ocasionadas pela alcoolemia. Para isso, foi deflagrado um plano especial para combater o álcool no trânsito.

Como medida de prevenção, foi estimulada a auto-avaliação dos condutores de sua própria alcoolemia por meio da venda de etilotestes químicos a preço módico (1 euro cada) em supermercados, farmácias, tabacarias ou bancas de jornais. Também foi imposta a estabelecimentos noturnos a obrigação de disponibilizar, na saída, etilotestes eletrônicos aos clientes que desejarem se testar para saber se têm condições de dirigir.

O governo lançou campanhas de comunicação, principalmente direcionada aos jovens, para incentivar nas baladas noturnas a eleição de um condutor que não beba e que conduza o grupo de amigos em segurança de volta para casa. Recentemente, foi aprovada uma lei proibindo a venda de bebidas alcoólicas a menores de idade e deflagrada uma intensa campanha contra o consumo de álcool pelos jovens.

Para o início do ano letivo de 2009, foi estipulada a obrigação da implantação de etilotestes eletrônicos nos veículos escolares, que impedem automaticamente a partida do motor caso o teste se revele positivo.

A venda de bebidas alcoólicas, já proibida nas estradas do país, deverá também ser interditada nos postos de combustível urbanos. Os controles aleatórios de alcoolemia serão intensificados e melhor direcionados, visando locais apontados como de risco. No ano passado, foram feitos 11,2 milhões de controles, menos de 3% deles se revelaram positivos.

Na França, os condutores que apresentam uma alcoolemia entre 0,5 g/l e 0,8 g/l são passíveis de uma multa de 135 euros e a perda de seis pontos na carteira de habilitação (com 12 pontos a carteira é retida). Acima de 0,8 g/l, o infrator deverá passar pelo tribunal e poderá ser punido com uma multa de 4.500 euros e até dois anos de prisão. Nesses casos, a suspensão da carteira de habilitação poderá ser de até três anos.

O governo pretende ainda aprovar uma lei no parlamento que obriga a instalação de etilotestes automáticos nos veículos de condutores infratores reincidentes. Para Jean-Pierre Cauzard, o álcool ao volante hoje na França ultrapassa o limite da segurança no trânsito e alcança a questão da dependência: “É um problema geral de gestão da política de saúde no país e da forma como a sociedade, de uma forma legal ou médica, trata essa questão da dependência do álcool”.

Atualmente, 14 países adotam a taxa máxima legal de 0,5 g/l de álcool no sangue. Outros cinco autorizam um índice superior a 0,5 g/l (casos de Chipre, com 0,9 g/l, e Irlanda, Grã-Bretanha, Malta e Luxemburgo, 0,8 g/l). Oito países instituíram uma legislação mais restritiva, com taxas variáveis entre 0 g/l e 0,4 g/l (Estônia, Lituânia, Romênia, Hungria, Polônia, Suécia, República Checa e Eslováquia).

Cauzard fez vários estudos comparativos sobre a legislação do álcool nos países da União Européia: “A maioria dos países com taxas mais baixas são da Europa do Leste e, quando integrados a UE, não lhes pareceu uma boa idéia aumentar o índice para 0,5 g/l”. A Suécia e a Noruega são os dois únicos países europeus a terem baixado suas taxas de 0,5 g/l para 0,2 g/l.

A Comissão Européia sugeriu para 2010 a adoção da taxa legal de álcool no trânsito de 0,2 g/l para todos os países membros. A recomendação visa sobretudo os condutores de caminhões, ônibus, motocicletas e motoristas inexperientes.

França, Espanha, Áustria e Letônia adotaram uma regulamentação específica para os condutores noviços. Em casos como o francês, a tolerância é zero para os motoristas até o terceiro ano da carteira de habilitação.

Leia a entrevista com Chantal Perrichon, presidente da Liga Contra a Violência no Trânsito, fundada em 1983.

Terra Magazine - A senhora não recomenda a tolerância zero para o álcool ao volante. Por quê?
Chantal Perrichon - Na nossa associação não queremos que a lei seja alterada para a tolerância zero, porque pensamos que isso seria penalizar o conjunto da população em relação àqueles que realmente são uma ameaça para os demais. Segundo as estatísticas, 80% dos acidentes mortais são provocados por condutores com um teor alcoólico superior a 1,2 g/l no sangue. Essas pessoas são as mais perigosas. Não vejo por que deveríamos, num primeiro momento, penalizar o conjunto da população, enquanto que não é o álcool ingerido de forma ocasional ou excepcional a maior ameaça. O problema maior é o alcoolismo crônico. Para nós, hoje é mais importante que o governo coloque todas suas forças para se engajar em uma verdadeira batalha contra o alcoolismo crônico, com todos os ministérios envolvidos. E isso é muito difícil. Nos últimos dez anos não houve nenhum progresso nesse domínio, porque é muito difícil lutar contra o alcoolismo. Temos pistas. Hoje sabemos que há um opróbrio social em relação ao alcoolismo, que não existe, por exemplo, para a velocidade. Em relação ao alcoolismo, as mentalidades evoluíram na França. Quando nossa associação foi criada há 25 anos, não nos escutavam. As pessoas falavam da cultura do vinho, nos diziam que nunca poderíamos mudar os franceses porque a bebida sempre será apreciada e jamais entenderão por que não se deve beber ao dirigir. Mas a informação venceu, as pessoas começaram a compreender que não se pode beber e dirigir ao mesmo tempo, mas, apesar de tudo, há essa fatia da população, que não é a maioria, que bebe de uma forma que coloca os outros em perigo.

Qual é a solução?
O que queremos é que os ministérios da Justiça, da Saúde e a polícia trabalhem juntos para que os infratores sejam realmente punidos e sigam um tratamento médico-social. O etiloteste automático nos veículos é uma boa coisa. Os países que já o testaram viram os índices de reincidência caírem bastante. Outra coisa que consideramos importante: no último comitê interministerial de segurança nas estradas foi decidido que, quando em caso de reincidência de álcool ao volante, haverá o confisco do veículo. É a única forma de trazer as pessoas de volta à razão. A filosofia de nossa associação é a de não esperar pelo acidente para depois jogar as pessoas na prisão. Não há interesse nisso. É preciso ajudar as pessoas. E se elas são cabeça-dura, que se faça a confisco. É melhor ver alguém protestar porque seu veículo foi confiscado do que vê-lo destruído porque matou uma pessoa. Para nós, o essencial é a prevenção. Não esperemos pelo fracasso ou pelo drama para dizer que há um problema.

O trabalho está dando resultados?
É um trabalho a longo prazo. Na França, em relação ao problema da velocidade, conseguimos obter resultados de forma bastante rápida, mas em relação ao álcool é um trabalho infinitamente mais longo. Há toda uma máquina administrativa difícil de colocar em funcionamento e a dificuldade de se ter controles bem dirigidos. Há muitos progressos a se fazer. Hoje temos advogados que fazem tudo para descobrir falhas no sistema, contornar a lei e a Justiça para proteger os infratores. Esse tipo de espírito quando surge da parte dos advogados ainda é mais grave, isso é intolerável.

E o lobby do álcool, não incomoda?
O lobby do álcool é enorme e poderoso aqui, principalmente do vinho. Nas chamadas grandes escolas, que formam os futuros altos funcionários do país, uma vez por semana são organizadas soirées que, de alguma forma, são patrocinadas por produtores de álcool. Isso é escandaloso. Nós pedimos que o governo proíba esse tipo de coisa. Esses jovens que serão os funcionários de amanhã, que tomarão decisões, que deveriam dar o exemplo, aprendem a beber e adotam um comportamento perigoso durante sua formação nessas escolas. Os estragos provocados pelo álcool na nossa juventude hoje, principalmente via o binge drinking (uso excessivo de álcool em uma única situação), que vem do norte, é algo que dá medo. Os jovens se reúnem e se embriagam de forma rápida e violenta. Para nós, isso é uma preocupação. A interdição de venda de bebidas alcoólica aos menores é uma medida positiva.

A senhora acha que o Brasil se equivocou ao ter adotado a tolerância zero para o álcool ao volante?
Não conheço a realidade brasileira e os números do trânsito no seu país. O álcool é um problema de saúde pública. Tolerância zero é uma medida espetacular, mas é preciso ver realmente os resultados junto à população. As pessoas não devem ver isso unicamente como uma repressão, mas como algo que lhes ajude e proteja. Senão as pessoas vão se rebelar. É preciso que elas interiorizem a lei, que cada um compreenda a boa intenção da lei e que se torne depois o suporte mesmo dessa lei. Ao simplesmente sancionar e fazer uma repressão que não é compreendida, se perde força. Precisamos que cada pessoa se torne ator da segurança nas estradas. É um trabalho a longo prazo.

Fernando Eichenberg, jornalista, vive há dez anos em Paris, de onde colabora para diversos veículos jornalísticos brasileiros, e é autor do livro “Entre Aspas - diálogos contemporâneos”, uma coletânea de entrevistas com 27 personalidades européias.

29/08/2008 - 09:02h Autopeças abrem novas fábricas

Enquanto a ZF anuncia investimentos de R$ 715 milhões, a Hyundai planeja trazer 10 fornecedores para o Brasil

Cleide Silva - O Estado de São Paulo


A fabricante de autopeças ZF vai investir R$ 715 milhões no Brasil na ampliação das quatro fábricas do grupo e na construção de uma quinta filial, em local a ser definido. A unidade da Argentina receberá R$ 38 milhões, totalizando R$ 753 milhões a serem aplicados na região até 2013. O valor é 40% superior ao previsto pela companhia no início do ano.

Puxadas pelas montadoras, que anunciaram ampliação de capacidade e novas unidades, empresas de autopeças também partem para um novo ciclo de investimentos que ampliará o número de fabricantes no País. Só a Hyundai, que estuda a construção de uma fábrica em Piracicaba (SP), deve atrair pelo menos 10 fornecedores coreanos que não atuam no Brasil.

Juntas, montadoras e autopeças planejam investir US$ 23 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões) de 2008 a 2012, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Só neste ano, as fábricas de veículos vão gastar US$ 4,9 bilhões (R$ 8 bilhões), enquanto as de componentes calculam aportes de US$ 1,6 bilhão (R$ 2,6 bilhões).

A capacidade produtiva das montadoras saltará de 3,5 milhões de veículos este ano para cerca de 5 milhões nos próximos cinco anos. A Toyota anunciou para 2011 nova fábrica em Sorocaba (SP), para 150 mil carros, projeto que deve consumir cerca de US$ 700 milhões (R$ 1,1 bilhão). Embora ainda não tenha batido o martelo, a Hyundai deve ter uma fábrica própria em São Paulo para mais de 100 mil automóveis anuais, com investimentos próximos ao da concorrente japonesa.

“A América do Sul, principalmente o Brasil, tem sido cenário atraente para investimentos”, disse ontem o presidente mundial da ZF, Hans-Georg Härter. Segundo o executivo, a região e outros mercados, como os do chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), devem compensar a queda de vendas em mercados maduros, como os Estados Unidos.

A ZF produz no Brasil sistemas de embreagens e de direção e peças como coxins e buchas em fábricas em Sorocaba, São Bernardo do Campo e Araraquara, em São Paulo, e Belo Horizonte. Na Argentina, produz amortecedores e suspensões. Juntas, as fábricas empregam mais de 4 mil pessoas.

O local da próxima fábrica de transmissões no País deve ser anunciado até novembro, e deve ficar com cerca de R$ 200 milhões do investimento previsto até 2013. Disputam o projeto os Estados de São Paulo (com Sorocaba), Santa Catarina (com Lages) e Minas Gerais.

“Vamos levar em conta principalmente custos com logística e mão-de-obra”, informou Wilson Bricio, presidente da ZF América do Sul. Além da nova unidade, o investimento ampliará a produção atual de sistemas de direção em 30% e dobrará a linha de embreagens (de 2 milhões para 4 milhões de peças/ano). A produção de transmissões passará de 40 mil para 200 mil unidades por ano.

Parte do aporte também irá para o desenvolvimento de novas tecnologias, como a de sistemas híbridos, uma combinação de motor elétrico com transmissão automatizada.

A filial brasileira, inaugurada há 50 anos, foi a primeira do grupo fora da Alemanha e responde por 4% da receita mundial, de 12,7 bilhões em 2007 (R$ 30 bilhões). “Este ano a participação deve aumentar para 5%, de um faturamento total de 13 bilhões”, disse o vice-presidente executivo do grupo, Wolfgang Vogel. A ZF está presente em 25 países, com 119 fábricas. As exportações da filial devem passar de R$ 302 milhões em 2007 para R$ 660 milhões em 2010. Entre os mercados que receberão produtos brasileiros estão a China e a Rússia.

17/08/2008 - 10:09h Pacote de Kassab piorou velocidade dos ônibus em SP

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Medições nos 14 principais corredores de tráfego, com base nos dados de GPS, indicam perda de quase 3%

Bruno Tavares, Diego Zanchetta e Renato Machado - O Estado de São Paulo

O pacote de medidas anunciado pela Prefeitura para tentar frear a escalada dos índices de lentidão no trânsito de São Paulo não surtiu efeito para o sistema de transporte coletivo. Pior: houve redução de 0,44 km/h (quase 3%) na velocidade média dos ônibus que circulam em faixas preferenciais, fora dos corredores exclusivos, na comparação entre a média de junho e a primeira semana de agosto. A medição, obtida com exclusividade pelo Estado, foi feita nos 14 principais corredores de tráfego, com base nos GPSs instalados em 95% dos cerca de 14 mil coletivos paulistanos.

Os resultados contrariam a tese do prefeito Gilberto Kassab (DEM) - e de praticamente todos os candidatos a prefeito - de que só o incentivo ao transporte coletivo fará motoristas se convencerem a deixar os carros na garagem. Por ora, não é o que acontece. Enquanto a velocidade média dos ônibus nas vias preferenciais permanece estagnada na casa de 15 km/h, o ganho de fluidez para os automóveis foi de até 20%, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A velocidade média geral dos carros em maio, último dado disponível, era de 17 km/h - 12,8% acima da dos coletivos nas faixas preferenciais no mesmo período.

Inicialmente, técnicos da Prefeitura imaginavam que as restrições impostas aos caminhões também beneficiariam o transporte coletivo. Mas o monitoramento por GPS revelou que, em algumas vias, como a Celso Garcia, na zona leste, e a Luís Carlos Berrini, na zona sul, a velocidade média dos ônibus nos horários de pico (das 7 às 10 horas e das 17 às 20 horas) foi de 15,12 km/h na primeira semana de agosto, ante os 15,56 km/h registrados em junho.

As reduções mais drásticas foram observadas nas faixas preferenciais da Cruzeiro do Sul (de 16,38 km/h para 13,96 km/h), na zona norte, Radial Leste (de 20,36 km/h para 16,83 km/h) e Cidade Tiradentes (de 18,34 para 16,71), na zona leste. As Avenidas Paulista, Faria Lima e Brigadeiro Luís Antônio, as três piores para ônibus da capital, apresentaram melhoras de 4% (de 10,36 km/h para 10,8 km/h), 37% (de 9,81 km/h para 13,46 km/h) e 14% (de 8,65 km/h para 9,86 km/h).

Nos corredores em que houve redução na velocidade dos coletivos, carros, táxis, motos e caminhões muitas vezes invadem as faixas preferenciais. A ausência de pontos de ultrapassagem também obriga os ônibus a saírem de sua rota. O melhor exemplo é a Avenida Paulista: em alguns horários, pedestres conseguem ser mais rápidos do que os coletivos. As chuvas na primeira semana de agosto, após 41 dias de estiagem, foram outro empecilho à fluidez.

Nos corredores exclusivos da capital, passageiros também enfrentam morosidade. Dos dez existentes, só em dois - o Expresso Tiradentes e o Parelheiros-Rio Bonito-Santo Amaro - as velocidades médias nos horários de pico na primeira semana de agosto foram superiores a 18 km/h, patamar considerado satisfatório pela Secretaria Municipal de Transportes (SMT). Para os técnicos da pasta, os 25 km/h defendidos por especialistas como ideal nessas vias expressas “são uma utopia para o trânsito paulistano”.

O secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, nega que a velocidade média dos ônibus tenha caído nos corredores. “Não é a informação que nós temos. Na (Rua) Augusta, por exemplo, melhorou em 12 minutos o percurso do ônibus”, diz. Essa via, no entanto, não faz parte do monitoramento da SPTrans. Moraes afirma que é improvável que a melhora na fluidez após as restrições de caminhões tenha beneficiado só os automóveis. “Se o trânsito melhorou para os carros, melhorou para os ônibus também.”

Só 2 corredores cumprem meta de velocidade; média é de até 17 km/h

Dados de GPS mostram que, em horários de pico, ônibus trafegam a menos de 10 km/h nas vias exclusivas

BRUNO TAVARES, DIEGO ZANCHETTA e RENATO MACHADO - O Estado de São Paulo

Investimento em corredores de ônibus é a solução - segundo especialistas e até programas de candidatos a prefeito. Mas o cenário atual é pouco animador em São Paulo. Dos dez corredores exclusivos, só dois cumprem a meta da Prefeitura de trafegar com velocidade média igual ou superior a 18 km/h - Expresso Tiradentes (zona leste) e Parelheiros-Rio Bonito-Santo Amaro (zona sul).

Os demais apresentam médias de velocidades diárias que variam de 14 km/h a 17 km/h. No entanto, esses números não refletem o desempenho real, uma vez que a média leva em conta os índices da madrugada, quando há poucas linhas circulando e a velocidade é mais alta. De acordo com dados dos GPSs instalados na frota paulistana, é comum ônibus trafegando a menos de 10 km/h nos horários de pico, ritmo semelhante ao de uma pessoa fazendo cooper.

O corredor Campo Limpo-Rebouças-Centro é o que apresenta os piores índices. A média das velocidades nos horários de pico fica no que a Secretaria Municipal de Transportes (SMT) considera crítico, abaixo dos 13 km/h, principalmente no período da manhã, em ambos os sentidos. Uma das principais causas são as filas de ônibus que se formam por causa do embarque demorado no ponto do Shopping Eldorado, e no cruzamento com a Avenida Faria Lima.

“Às vezes, vejo meu ônibus lá atrás, mas ainda demora um tempo até que consiga subir”, diz a assistente contábil Mariana Espírito Santo Guerra, de 22 anos. Todos os dias, ela embarca na frente do Eldorado (zona oeste), no sentido centro, para ir ao trabalho. Embora essa seja a parte mais curta de seu trajeto - ela utiliza um trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) para vir de Interlagos, na zona sul, até a Estação Hebraica-Rebouças -, é nela que se locomove mais devagar.

Na quarta-feira, Mariana embarcou às 7h22 e o ônibus entrou na Rua da Consolação (a 3,4 quilômetros de distância) 18 minutos depois, trafegando a uma velocidade média de 11,3 km/h. Quando o veículo estava em movimento, perdeu pouco tempo com outros ônibus à frente. Os problemas só ocorreram em alguns pontos, quando se formaram filas de veículos para a entrada de passageiros ou por causa de semáforos: na saída do shopping (2 minutos parado), no cruzamento com a Faria Lima (4 minutos de espera) e no ponto próximo do Hospital das Clínicas (mais 3 minutos).

Os dados do GPS apontam que grande parte das velocidades mais baixas foi nas segundas-feiras, principalmente no sentido bairro-centro. Em alguns corredores, como o Inajar-Rio Branco-Centro, o ritmo nos picos da manhã nesses dias fica abaixo dos 8 km/h. De todos os dias da semana, horários e corredores exclusivos, o pior momento é às 8 horas de segunda-feira no corredor Paes de Barros, sentido centro, quando a velocidade média é de 6,72 km/h.

A SMT explicou que as baixas velocidades médias registradas nesse corredor se deram por uma falha no monitoramento. Como muitas linhas utilizam a faixa exclusiva, seguem viagem por dentro dos bairros e depois voltam a trafegar no corredor, as medições foram distorcidas. Segundo a pasta, o problema já foi corrigido.

MAIS LENTIDÃO

A situação é ainda pior nos corredores preferenciais, aqueles em que os ônibus não trafegam em faixas exclusivas. O cenário de congestionamentos, filas de ônibus e baixa velocidade é visto nas Avenidas Paulista e Brigadeiro Luís Antônio e no sentido bairro da Marechal Tito. Nesses locais, a média das velocidades fica abaixo dos 10 km/h.

No corredor da Faria Lima, às vezes é mais vantajoso seguir a pé, pois a velocidade média chega 5 km/h, ritmo de uma pessoa caminhando. O tempo nos ônibus só foi benéfico para a garçonete Judith Nogueira, de 34 anos, porque ela fez amigos no trajeto de quase duas horas de seu trabalho em Pinheiros para sua casa, perto da Estrada de Guarapiranga.

A parte em que ela perde proporcionalmente mais tempo é entre o Largo da Batata, onde embarca às 17 horas, e a Avenida Juscelino Kubitschek. Na quarta-feira, dia 13, ela levou 29 minutos para percorrer os 2,5 km da Faria Lima até a Juscelino - média de 5,1 km/h.

17/08/2008 - 09:48h Transportadores esperam mudança de regra para flexibilizar veículo menor

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DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA SP

Além do crescimento acelerado da frota, mais um fator pode contribuir para esgotar em pouco tempo os benefícios da restrição aos caminhões no trânsito: a flexibilização das regras por parte da prefeitura.
O prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, esteve na semana passada em evento no Setcesp (sindicato dos transportadores), com quem trocou elogios e admitiu a possibilidade de mudar as regras e atender parte das reivindicações desse segmento.
Segundo Francisco Pelúcio, presidente da entidade, a principal expectativa é para uma liberação maior dos VUCs (veículos urbanos de carga, com até 6,30 metros de comprimento).
Com o veto, eles podem rodar de dia numa área de 100 km 2 do centro expandido, entre as 10h e as 16h, em revezamento (placas pares em dias pares).

Mudanças
Após conversas mantidas com a gestão Kassab, as transportadoras esperam duas mudanças. A primeira é a ampliação desse horário. Por exemplo, no intervalo das 7h às 17h.
A segunda é a liberação completa aos VUCs mais novos e menos poluidores. O Setcesp vai fazer um levantamento para dimensionar essa frota e encaminhar ao prefeito.
Desde que anunciou a política de restrição aos caminhões para melhorar a fluidez na cidade, no começo de abril, a gestão Kassab já fez alguns recuos.
O primeiro foi uma lista de exceções à proibição geral -incluindo coleta de lixo, transporte de valores e mudança.
Depois, a prefeitura, que planejava a restrição total também aos VUCs, anunciou um revezamento temporário para esses veículos e que seria válido só até novembro deste ano -quando todos teriam que rodar somente das 21h às 5h.
Em seguida, a gestão Kassab desistiu da proibição total dos VUCs a partir de novembro e divulgou que eles poderão seguir em fase de revezamento.
A CET foi procurada para falar da restrição aos caminhões e da evolução da frota pesada, mas não quis se manifestar.

foco

Após restrição, moradores reclamam de barulho que caminhões fazem à noite

DA REPORTAGEM LOCAL

“Estou vindo do trabalho, em Diadema [Grande SP], e ainda tenho que ficar parado no trânsito, a 500 m de casa. Estou morrendo de fome!”
Preso no trânsito entre quatro caminhões às 22h15 da quarta-feira, na Aclimação (região central), o empresário José Maria, 50, reclamava de um problema cada vez mais sentido em bairros do centro: barulho e trânsito causados pela circulação noturna dos veículos de carga, que desde 30 de junho não podem rodar no centro durante o dia, salvo algumas exceções.
A fila de carros naquele dia media 500 m -ia até o topo da inclinada e estreita rua Pires da Mota. O motivo: um caminhão manobrava na contramão para descarregar areia no local onde um edifício está sendo erguido pela construtora Even. Atrás dele vinha um outro, de tijolos. E mais uma carreta. E mais uma caçamba.
Vai ficando mais tarde, e o barulho começa a tirar o sono de quem mora ao redor da obra. “Fazem barulho até de madrugada. Há 15 dias fizeram tanto que alguém chamou a polícia”, conta a bancária Ângela Sano, moradora do oitavo andar de um prédio em frente à obra. O barulho parece estar “na minha janela”, diz ela.
“Quando eles terminam, fico com zumbido no ouvido”, conta o porteiro do prédio, Marcone Costa. Naquele dia, mais caminhões ainda viriam. E o último só sairia às 4h15.
A construtora Even diz que “está cumprindo rigorosamente a legislação de restrição de circulação de caminhões”.
Em julho, o Psiu (Programa de Silêncio Urbano) informou ter registrado 54 queixas de barulho de carga e descarga, de um total de 3.799 reclamações. Mas o número de queixas de barulho em obras saltou 86% em um ano -de 157, em julho de 2007, para 293 no mês passado. Não é possível porém, segundo o Psiu, saber os horários das queixas.

Rodízio a caminhão pequeno, alavanca a preferência por camionetes e furgões

DA REPORTAGEM LOCAL - Folha SP

Eles fazem o mesmo serviço dos caminhões. Atrapalham o trânsito quase tanto quanto os caminhões. Alguns até parecem caminhões. Oficialmente, porém, não são classificados como caminhões -e, por isso, são cada vez mais vistos rodando no centro de São Paulo durante o dia, quando caminhões de verdade estão proibidos.
Os chamados utilitários -vans e minicaminhões- têm sido a alternativa dos transportadores para manter em dia as entregas no centro. São veículos que têm menos da metade da capacidade do VUC (caminhão pequeno, de até 6,3 metros), e são classificados como “camionete” ou “furgão”, pois têm peso máximo de 3,5 toneladas -o limite para não ser considerado caminhão.
Traduzindo: eles estão livres da proibição de rodar no centro de dia, bem como do rodízio nas marginais -medidas criadas pela prefeitura nos últimos meses para conter os congestionamentos em São Paulo.
O rodízio imposto aos VUCs, há duas semanas, parece ter alavancado a preferência pelos minicaminhões, segundo transportadores e fabricantes.
“Não vale mais a pena. Tive que alugar 16 utilitários para dar conta da demanda”, diz o empresário Antonio Archilla, dono de uma uma frota de oito VUCs (metade comprada no início deste ano), que faziam 18 mil entregas de roupas e calçados por mês, em shoppings e na região da rua 25 de Março.
A produtividade dos veículos, diz Archilla, que era de oito horas em um dia, caiu para três horas, em dois dias. A despesa com o aluguel passa dos R$ 3.500 por dia. “Gasto mais, coloco mais veículos na rua e atrapalho mais ainda o trânsito.”
A Kia, uma das principais marcas de minicaminhões, vendeu em julho 554 unidades, 84% a mais que em abril, quando a proibição foi anunciada.
A Iveco, outra fabricante, diz que o mercado de utilitários na capital cresceu 192% em comparação com o ano passado. O tempo de espera por um minicaminhão da marca varia entre 45 e 60 dias -em abril, a empresa fazia pronta-entrega.

16/08/2008 - 10:20h Marta promete cortar impostos

A imagem “http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080816/img/capadodia.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Petista lança programa de governo de olho no voto da classe média

Clarissa Oliveira - O Estado de São Paulo

Empenhada em recuperar os votos da classe média perdidos em 2004, a candidata do PT à prefeitura paulistana, Marta Suplicy, apresentou ontem uma versão detalhada de seu programa de governo. A petista, que já havia lançado um texto preliminar há mais de um mês, detalhou propostas e trouxe novas idéias. Mas, mesmo após sua equipe se debruçar por 80 dias sobre o novo programa, o documento ainda ignora a previsão orçamentária para a grande maioria das propostas.

No evento de ontem, Marta introduziu duas principais novidades em relação às idéias que já vinha debatendo há algum tempo. Em mais um esforço para se desvencilhar do apelido ?Martaxa? que marcou sua tentativa frustrada de se reeleger em 2004, ela incluiu em sua promessa de reduzir a carga tributária uma desoneração específica para profissionais liberais. A medida prevê a redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) cobrado de engenheiros, arquitetos, advogados, psicólogos e outros profissionais autônomos. “Vamos diminuir de forma contundente, quase próximo a zerar”, afirmou Marta.

Outra novidade que chamou a atenção foi a idéia de começar a oferecer acesso à internet banda larga sem fio em vários pontos da cidade, sem cobrar nada pela utilização do serviço. Segundo o coordenador do programa de governo de Marta, Jorge Wilheim, a idéia é começar a oferta em locais como os pontos de cultura, os Centros Educacionais Unificados (CEUs) e outros prédios públicos. O plano é, no futuro, viabilizar o acesso gratuito em toda a cidade.

Nos dois casos, entretanto, Marta disse não saber quantificar os recursos necessários, sob o argumento de que sua equipe ainda está conduzindo os estudos necessários para tirar os projetos do papel. “Não vou adiantar, porque os estudos ainda não estão finalizados”, disse, ao ser questionada sobre a desoneração de autônomos. “Mas o que é importante registrar é que há uma vontade, uma determinação política.”

Sobre recursos para a oferta de acesso à internet banda larga, a petista completou: “É começar a fazer e aí vai aos poucos. Até porque nada disso você implanta em um ano ou dois, nem em quatro”.

EXCEÇÃO

A estimativa de custos só foi contemplada em uma única proposta do programa de governo de Marta, que trata da expansão da rede de metrô.

Nesse caso, a petista fez alguns ajustes em relação à proposta que já havia apresentado anteriormente. Ela prometia aplicar na cidade o plano de mobilidade urbana elaborado para a Copa de 2014 quando era ministra do Turismo, que previa até esta data a construção de 65 km de metrô na cidade.

A nova proposta especifica a construção de 47,4 km de metrô em São Paulo nos próximos quatro anos, número que será ampliado para 63,1 km até a Copa. Os investimentos previstos continuaram os mesmos: R$ 490 milhões da prefeitura ao ano, por um período de seis anos. A esse montante, se somariam outros R$ 490 milhões do governo federal e R$ 980 milhões do governo do Estado, segundo a proposta apresentada por Marta.

Questionada se o montante não impactaria no orçamento municipal, Marta garantiu que há dinheiro para a obra. “A prefeitura dispõe de R$ 10 bilhões a mais, já em valores atualizados, comparado ao que havia quando eu administrei a cidade.”

Ainda na área de transportes, que tem merecido atenção especial na campanha, Marta voltou a criticar o pedágio urbano e anunciou a intenção de modificar as regras do rodízio de caminhões criado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Ela adiantou que manterá a restrição, mas disse que vai estudar formas de minimizar impacto no preço de produtos. “Nós provavelmente vamos rever a forma como isso está sendo feito, que consideramos um pouco improvisada”, disse Marta.

Principais propostas

Ação Social: Retomar ações redistributivas, dar qualificação em CEUs e ampliar acesso à internet

Economia urbana: criar plano de desoneração tributária e incentivar o micro e pequeno negócio

Educação: Construir 20 CEUs e criar a Rede CEU, integrando escolas a esporte e cultura

Habitação: ampliar a regularização fundiária, retomar plantas online e subsidiar compra de imóvel

Segurança: Recriar a Secretaria de Segurança Urbana, valorizar a Guarda Metropolitana

Trânsito: Integrar CET e SPTrans, investir em metrô e corredores, melhorar o bilhete único

Saúde: Criar policlínicas, construir 3 hospitais, implantar o cartão SUS e integrar AMAs e UBSs

15/08/2008 - 10:57h Pedágio, uma palavra que dá água na boca dos demo-tucanos

Motociclistas terão que pagar pedágio em rodovias de SP em 2009


Governo vai revogar decreto de 1977 que isenta as motos da cobrança.


Motos deverão pagar metade do valor cobrado dos carros de passeio.

Da Agência Estado - G1 - SPTV

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Março 2008

 

 

 

O governo do estado de São Paulo vai revogar o Decreto 9.812, de 1977, que isenta as motocicletas da cobrança de pedágio, sob alegação de que é necessário compensar o aumento de custos no atendimento a motociclistas acidentados nas rodovias paulistas.

A previsão é de que em 2009, depois da privatização das Rodovias Raposo Tavares, Marechal Rondon, Ayrton Senna, Carvalho Pinto e D. Pedro I, já tenha início a cobrança de pedágio dos motociclistas. Embora o valor ainda não tenha sido definido, a Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) espera que o leilão da privatização defina preços de pedágio mais baixos nessas rodovias. As motos deverão pagar metade do valor cobrado dos veículos de passeio.

Mesmo participando apenas de 13% dos acidentes, as motos representam 18% das vítimas fatais e 32% do total de feridos. Sem contar que 84% desses acidentes resultam em vítimas. A média de acidentes por mês também deu um salto na rede concedida, passando de 132 para 470 entre 2000 e 2007. As concessionárias alegam aumento nos custos de operações nas rodovias, por causa do crescimento da frota de motocicletas.

Para a Associação Brasileira de Motociclistas (Abram), a cobrança do pedágio é um “presente de grego”, uma vez que a categoria comemora neste domingo (27) o Dia Nacional do Motociclista. “A medida vai penalizar os trabalhadores, cerca de 70% da frota de 13 milhões de motos do estado”, diz Lucas Pimentel, presidente da Abram.

Segundo Pimentel, o Seguro para Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT) pago pelas motocicletas é de R$ 255,13, o triplo do valor pago pelos carros, de R$ 84,87.

 

A prefeitura e o pedágio urbano

A Prefeitura de São Paulo reencaminhou na tarde de ontem à Câmara Municipal o projeto de lei sobre a Política Municipal de Mudanças Climáticas, que previa a adoção do pedágio urbano na cidade. Na nova redação, que deve ser publicada hoje no Diário Oficial da Cidade, o governo suprimiu as 43 palavras que versavam sobre a cobrança de taxas em vias congestionadas. Ainda assim, o projeto continua a prever no seu artigo sexto a “restrição gradativa e progressiva do acesso de veículos de transporte individual ao centro, considerando a oferta de outros modais de viagens”.

O pacote de meio ambiente foi discutido durante um ano e contou com a participação de todas as secretarias. O texto final foi desenvolvido após estudos da Fundação Getúlio Vargas e da Iclei (organização mundial especializada em sustentabilidade para cidades). O projeto, que agora vai ser votado na Câmara, atinge dezenas de áreas, reafirmando a restrição aos caminhões, criando bolsões para ônibus fretados e entrepostos de abastecimento e apostando em trólebus. Especialistas em Direito Administrativo afirmam que o projeto de lei reenviado ontem contém basicamente normas programáticas, que dão diretrizes sobre trânsito, saúde e construção, sendo que muitos itens são “vagos”. Por causa dessa falta de precisão, será necessária uma extensa e detalhada regulamentação da lei, principalmente se o objetivo for criar futuramente o pedágio urbano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

 

Projeto prevê mais restrição a carro no centro

Kassab retirou ontem projeto para reencaminhá-lo à Câmara, excluindo o item referente ao pedágio urbano

Eduardo Reina e Rodrigo Brancatelli - O Estado de São Paulo

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), reencaminhou na tarde de ontem à Câmara Municipal o projeto de lei sobre a Política Municipal de Mudanças Climáticas, que previa a adoção do pedágio urbano na cidade. Na nova redação, que deve ser publicada hoje no Diário Oficial da Cidade, o governo suprimiu as 43 palavras que versavam sobre a cobrança de taxas em vias congestionadas. Ainda assim, o projeto continua a prever no seu artigo sexto a “restrição gradativa e progressiva do acesso de veículos de transporte individual ao centro, considerando a oferta de outros modais de viagens”.

Para especialistas e pessoas ligadas ao governo, isso significa que a Prefeitura ainda não encerrou a discussão sobre a adoção do pedágio urbano. Mas a implantação nesta gestão está de fato descartada. Ao longo de sua gestão, Kassab sempre defendeu que se debatesse o assunto publicamente. Ontem, discordou da cobrança: “Nós somos contra o pedágio urbano, até porque isso é privilegiar os ricos, e as pessoas não têm a alternativa de um transporte público de qualidade.”

O pacote de meio ambiente foi discutido durante um ano e contou com a participação de todas as secretarias - o ponto de partida foi uma reunião de Kassab com prefeitos das 40 maiores cidades do mundo, onde foi definida a adoção de providências para tentar reduzir o aquecimento global. O texto final foi desenvolvido após estudos da Fundação Getulio Vargas e da Iclei (organização mundial especializada em sustentabilidade para cidades). O projeto, que agora vai ser votado na Câmara, atinge dezenas de áreas, reafirmando a restrição aos caminhões, criando bolsões para ônibus fretados e entrepostos de abastecimento e apostando em trólebus. “O projeto é mais amplo do que esse ponto (pedágio urbano)”, diz o secretário do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge. “Não vamos ?tomar a nuvem por Juno?. A retirada do artigo, entre outros 50 artigos, não diminui a importância do projeto nem o descaracteriza.”

Especialistas em Direito Administrativo afirmam que o projeto de lei reenviado ontem contém basicamente normas programáticas, que dão diretrizes sobre trânsito, saúde e construção, sendo que muitos itens são “vagos”. Por causa dessa falta de precisão, será necessária uma extensa e detalhada regulamentação da lei, principalmente se o objetivo for criar futuramente o pedágio urbano.

EMPRESAS SE ANTECIPAM

O líder do governo na Câmara, José Police Neto (PSDB), disse ontem que a retirada da alínea que previa o pedagiamento urbano não encerra a discussão sobre o tema. “A retirada não reduz a importância desse debate, pois o Plano Diretor já apontava para isso”, diz. Mesmo sem as linhas que previam a adoção da cobrança de taxas em vias congestionadas, várias empresas continuam atuando nos bastidores para uma futura adoção da cobrança. A concessionária CCR, por exemplo, que administra rodovias no Estado, já estuda diversos projetos de cobrança de pedágio urbano na capital. A unidade de Novos Negócios acredita que o sistema de cobrança de pedágio “Sem Parar”, feito por meio de um dispositivo eletrônico instalado nos veículos, poderia agilizar e monitorar a cobrança do pedágio dentro do perímetro urbano.

Segundo a Assessoria de Imprensa do prefeito, o projeto de lei havia sido mandado com uma redação antiga para a Câmara, o que gerou toda a confusão - Kassab já havia pedido o corte da proposta sobre o pedágio à Secretaria de Assuntos Jurídicos, mas não foi atendido “por um erro de comunicação”.

AS PROPOSTAS

O que foi retirado: Planejamento e implantação de sistemas de tráfego tarifado, devendo a arrecadação ser usada obrigatoriamente para ampliação da oferta de transporte público

O que ficou: Restrição gradativa e progressiva do acesso de veículos de transporte individual ao centro, considerando a oferta de outros modais

Restrição à circulação de veículos automotores pelos períodos necessários a se evitar a ocorrência de episódios críticos de poluição

Ampliação da oferta de transporte público e estímulo ao uso de meios de transporte com menor potencial poluidor, com ênfase na rede ferroviária, metroviária, do trólebus e outros meios

Estímulo ao transporte não motorizado, com ênfase na implementação de infra-estrutura e medidas operacionais para o uso da bicicleta, valorizando a articulação entre modais de transporte

Implantar medidas de atração do usuário de automóveis para a utilização do transporte coletivo

Implantar corredores segregados e faixas exclusivas de ônibus coletivos e trólebus

Regulamentar a circulação, parada e estacionamento de ônibus fretados e criar bolsões de estacionamento ao longo do sistema de metrô e ferroviário

Planejamento e implantação de faixas exclusivas para veículos com duas ou mais pessoas; incentiva carona solidária

14/08/2008 - 12:45h Projeto prevê pedágio urbano em SP

Texto causa confusão no governo, divide secretarias e faz Kassab mandar retirá-lo; teria havido “erro de comunicação”

A imagem “http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080814/img/cidades.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Fernanda Aranda, Giovanna Girardi, Humberto Maia Junior, Eduardo Reina, Bruno Tavares e Diego Zanchetta - O Estado de São Paulo

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) enviou projeto de lei à Câmara Municipal que prevê a adoção do pedágio urbano em São Paulo. A proposta, lida em plenário e publicada ontem no Diário Oficial da Cidade, faz parte da Política Municipal de Mudança Climática. A cobrança de taxas em vias congestionadas é justificada no texto como uma das estratégias para reduzir em 30% a emissão de poluentes na capital até 2012.

Mas hoje mesmo o prefeito mandará retirar o texto da Câmara, para reapresentá-lo novamente, suprimindo o item que fala de pedágio. A informação foi dada pela assessoria de Kassab, às 21h10, que informou ter havido um “erro de comunicação” da assessoria do Gabinete. Kassab teria pedido a retirada do trecho anteriormente, o que não ocorreu.

Ao longo de sua gestão, Kassab, candidato à reeleição, adotou posições contraditórias sobre a cobrança, prevista no Plano Diretor. Em algumas ocasiões, disse esperar que a adoção do pedágio urbano “não fosse necessária” e, em outras, afirmou que a medida “penalizaria os mais pobres”.

O texto causou confusão ontem dentro do governo. “O pedágio urbano não é descartado como estratégia”, afirmou a secretária adjunta de Governo municipal, Stela Goldenstein. “Mas é uma proposta descartada a curto e médio prazos, enquanto não tivermos um transporte abundante e eficaz.”

O pacote de meio ambiente, assinado pelo prefeito, estava em discussão há um ano e contou com a participação de todas as secretarias. Mas o Estado apurou que o texto final, desenvolvido após estudos da Fundação Getulio Vargas e da Iclei (organização mundial especializada em sustentabilidade para cidades), desagradou profundamente à Secretaria de Transportes. Oficialmente, a pasta informou ontem ser contrária ao pedágio urbano. Nos bastidores, técnicos consideram que a publicação foi “uma rasteira na campanha do prefeito”, pois a medida pode ser extremamente impopular. Alguns secretários próximos do prefeito já teriam pedido a demissão do titular do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge. Ele comandou a Saúde na gestão Marta Suplicy (2001- 2004) e é considerado um dos homens do governador José Serra na atual gestão.

Na versão que chegou à Câmara, o projeto estipula a adoção de “sistemas de tráfego tarifado, por meio de lei específica, em áreas saturadas de trânsito”. “O projeto não cria o pedágio, mas prevê que vamos discutir. Ele abre o debate na Câmara. A posição do prefeito (Gilberto Kassab) é contrária, ele acredita que ainda não é hora. Eu já acho que é para ontem”, afirmou Eduardo Jorge.

O projeto ainda atinge dezenas de áreas, reafirmando a restrição aos caminhões, criando bolsões para ônibus fretados, apostando em trólebus e no transporte coletivo. Entre outras polêmicas, estão no texto a restrição a veículos no centro e a ampliação do rodízio por problemas ambientais. Já no item ambiente, há obrigatoriedade de coleta seletiva em grandes conjuntos, como shoppings, e ampliação de ecopontos e de inspeção veicular.

AS PROPOSTAS

Planejamento e implantação de sistemas de tráfego tarifado, com objetivo de reduzir emissões de gases de efeito estufa, devendo a arrecadação ser utilizada obrigatoriamente para a ampliação da oferta de transporte público

Restrição gradativa e progressiva do acesso de veículos de transporte individual ao centro, considerando a oferta de outros modais

Restrição à circulação de veículos automotores pelos períodos necessários a se evitar a ocorrência de episódios críticos de poluição do ar

Ampliação da oferta de transporte público e estímulo ao uso de meios de transporte com menor potencial poluidor, com ênfase na rede ferroviária, metroviária, do trólebus e outros meios

Estímulo ao transporte não motorizado, com ênfase na implementação de infra-estrutura e medidas operacionais para o uso da bicicleta, valorizando a articulação entre modais de transporte

Implantar medidas de atração do usuário de automóveis para a utilização do transporte coletivo

Implantar corredores segregados e faixas exclusivas de ônibus coletivos e trólebus

Regulamentar a circulação, parada e estacionamento de ônibus fretados e criar bolsões de estacionamento ao longo do sistema de metrô e ferroviário

Planejamento e implantação de faixas exclusivas para veículos com duas ou mais pessoas; incentiva carona solidária

12/08/2008 - 09:04h Mercedes diz que investirá R$ 1,5 bi em 3 anos no ABC

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Empresa elevará produção de veículos comerciais em 25% em São Bernardo

Produção atual, de cerca de 160/290 unidades por dia, subirá para 303/340 após investimento, além de gerar empregos a partir de 2009

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA - Folha SP

O presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Gero Herrmann, anunciou ontem aumento de R$ 1,5 bilhão nos investimentos da companhia em São Bernardo do Campo (SP) nos próximos três anos. O valor, segundo ele, permitirá o incremento de 25% na produção diária da empresa e gerará novos empregos.
Herrmann foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, no início da tarde. “Esses investimentos servirão ao aumento da capacidade, à modernização da fábrica e de nossos produtos”, informou Herrmann em rápida entrevista. Logo depois, o executivo viajou a São Paulo para encontro com o governador José Serra (PSDB).
Herrmann disse que, “seguramente” haverá novos empregos a partir de 2009, quando a primeira etapa do projeto de ampliação for cumprida, mas não soube precisar quantos. Hoje, 12 mil funcionários trabalham na fábrica de caminhões e ônibus da Mercedes em São Bernardo -a maior da América Latina.
Segundo o executivo, hoje a unidade de São Bernardo produz entre 160 e 290 unidades por dia, número que deverá ficar entre 303 e 340 unidades com os novos investimentos.
A ampliação da produção da empresa é reflexo da crescente demanda por veículos comerciais. De janeiro a julho deste ano, a Mercedes comercializou 22.778 caminhões e 9.211 ônibus. A empresa é a maior exportadora de veículos comerciais da América Latina, com venda para mais de 50 países.
Ao deixar o Planalto, Herrmann disse que a empresa tem grande expectativa em relação ao mercado interno. Hoje, parte da produção da Mercedes em São Bernardo do Campo é destinada à exportação.
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, que participou da reunião com Lula, salientou que o Brasil, hoje, já tem a sexta maior produção de veículos do mundo. “E acreditamos que pode crescer.”

09/08/2008 - 14:06h Mercedes-Benz investe cerca de US$ 500 milhões no ABC

Empresa vai ampliar produção de caminhões em 25% e abrirá centro de logística em Diadema

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Cleide Silva - O Estado de São Paulo

A Mercedes-Benz, maior fabricante no País de caminhões e ônibus, vai ampliar a capacidade produtiva da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, em 25%. Para abrir espaço para novas máquinas, a montadora deve transferir a área de logística e montagem de CKDs (kits de veículos para exportação) para uma área em Diadema. Os dois projetos devem consumir aproximadamente US$ 500 milhões em equipamentos e instalações.

O anúncio da ampliação da fábrica será feito na segunda-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao governador de São Paulo, José Serra. A estimativa de fontes do governo é de criação, ao longo dos próximos anos, de cerca de 1,5 mil novos empregos na unidade de São Bernardo, que já emprega 12 mil pessoas, e de 350 na de Diadema. A direção da empresa não confirma os dados.

Para abrigar a nova unidade de logística a Mercedes vai alugar o prédio da Papaiz, tradicional fabricante de fechaduras e cadeados que está transferindo sua produção para a Bahia. Atualmente, a Papaiz só produz em Diadema peças de esquadrias, mas concluirá a transferência da linha nos próximos meses. Inaugurada há 52 anos, a fábrica de São Bernardo está tomada, sem espaço para ampliação, por isso a decisão pela transferência das áreas de logística e CKD para outra área.

Com a ampliação em São Bernardo, a montadora terá capacidade aproximada de 75 mil veículos por ano. A empresa exporta parte de sua produção, principalmente de motores para caminhões fabricados pela marca nos Estados Unidos.

CONCORRÊNCIA

O presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Gero Hermann, vinha negociando a liberação do investimento há vários meses com a matriz alemã. O projeto foi aprovado num momento em que as vendas totais de caminhões crescem a um ritmo de 30,5% (de janeiro e julho) e há filas de espera que chegam a nove meses para determinados produtos. No ano, as vendas totais somam 69,3 mil unidades. A produção atingiu 94,9 mil caminhões, 27,5% a mais que em igual período de 2007.

A Mercedes-Benz vendeu este ano 22,7 mil caminhões, 31,5% a mais que em 2007. Sua principal concorrente, a Volkswagen, ficou muito próxima, com 21,6 mil unidades, um aumento de 40% na comparação com o ano passado. As duas travam acirrada disputa pela liderança do mercado e a vantagem da Mercedes é garantida pela Sprinter, com capacidade para até 5 toneladas de carga, segmento em que a rival ainda não atua.

Já em ônibus, a Mercedes mantém liderança absoluta, com 9,2 mil unidades vendidas este ano, 16,6% a mais que em 2007. A Volkswagen vendeu 5,3 mil unidades, desempenho 20,7% melhor que o do ano passado.

A Mercedes também tem uma fábrica em Juiz de Fora (MG), que deve produzir este ano cerca de 30 mil unidades de um sedã de luxo para exportação. A fábrica foi inaugurada em 1999 para produzir 70 mil unidades ao ano do compacto premium Classe A, mas nunca atingiu esse volume. A produção foi suspensa em 2005.

País pode ser 4º maior produtor

CÉLIA FROUFE - OESP

Apesar da robustez dos números da indústria automobilística brasileira, que levaram o setor ao posto de sexto maior fabricante mundial neste ano, ela ainda não chegou ao seu máximo, na avaliação do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. “Acho que tem mais investimento, mais salário, mais crescimento da população pobre indo para a classe média e, claro que não vai ser logo, mas podemos crescer mais”, afirmou ele na noite de sexta-feira, durante a Edição 2008 do prêmio “As melhores da Dinheiro”, em São Paulo. Ele embasou sua previsão no fato de que os mercados europeus estão saturados e sem crescimento populacional. “Podemos crescer mais e ir para o quarto lugar”, afirmou. Jorge descartou a possibilidade de o governo oferecer mais incentivos ao setor. “Os incentivos que demos já estão no plano de desenvolvimento produtivo e equivalem para outras indústrias”, disse, citando a depreciação acelerada de investimento e o drawback verde e amarelo (compra de insumos e peças sem impostos para produtos a serem exportados). Ele atribuiu o crescimento da produção e vendas de carros à expansão do crédito e à melhoria do poder aquisitivo de parte da população.

Volks decide ampliar produção no País

Fábrica de caminhões receberá R$ 2 bi em 10 anos

Alberto Komatsu - OESP


A Volkswagen Caminhões planeja dobrar seus investimentos no País no longo prazo, ou R$ 2 bilhões nos próximos 10 anos. A montadora já havia anunciado um desembolso de R$ 1 bilhão entre 2008 e 2012, mas o presidente da empresa, Roberto Cortes, contou que a tendência é de mais R$ 1 bilhão entre 2012 e 2018, com o objetivo de atender a crescente demanda da China, Índia e Rússia.

A estratégia de expansão para até 2018 já está definida. Nesse período, a Volkswagen pretende exportar o equivalente a 25 mil veículos (caminhões e ônibus) de sua fábrica em Resende, no interior do Rio, para serem montados na China, Índia e Rússia. O aumento na demanda dos principais países emergentes do mundo irá puxar a ampliação da capacidade da montadora. A previsão é mais do que triplicar a produção no período, das atuais 47 mil unidades para 150 mil por ano.

“Nossa vocação é crescer 20% ao ano e a estratégia é estar em todos os países em desenvolvimento”, afirma. A idéia é abrir unidades nos três países para montar os veículos com peças exportadas de Resende. A companhia já conta com filiais com esse mesmo perfil de produção na África do Sul, Colômbia e México.

As exportações da Volkswagen de caminhões e ônibus já alcançam 30% da produção atual da fábrica de Resende. No início de julho, a empresa anunciou o terceiro turno de produção a partir de setembro, com a contratação de 1,3 mil funcionários. Essa medida deverá fazer com que a capacidade produtiva da unidade seja ampliada de 220 para 260 veículos por dia.

O objetivo da Volkswagen de abrir filiais de montagem nos demais países que pertencem ao grupo de países em desenvolvimento conhecido como BRIC deverá ser viabilizado com a mesma estratégia que originou a fábrica de Resende. Segundo o presidente da montadora, o objetivo é fazer o investimento nas novas unidades com o apoio de recursos de seus parceiros e fornecedores.

Cortes afirma que a nacionalização de peças em mercados fora do Brasil é viável quando a demanda em cada país alcança o patamar de 15 mil unidades. Por isso, a operação inicial na China, Índia e Rússia deverá ser atendida somente com as peças e componentes produzidas principalmente no Rio.

A fábrica de Resende fez parte de um pacote de investimentos de R$ 1 bilhão entre 1995 e 2001. Foi construída em 1997, após a dissolução da Autolatina, a união entre a Volks e a Ford, no Brasil. Naquela época, a montadora tinha 15% de participação no mercado de caminhões. Este ano a empresa está com 31,4%, segundo o diretor de vendas e marketing, Ricardo Alouche.

07/08/2008 - 15:48h Presidente do Habib’s diz a Alckmin que sua cozinheira vota na Marta

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THIAGO FARIA - colaboração para a Folha Online

Acostumado a evitar críticas diretas a seus adversários, o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, precisou medir as palavras ao responder perguntas sobre Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT) em evento com empresários na manhã desta quinta-feira.

Na primeira delas, foi instado a comentar medidas polêmicas de Kassab na prefeitura, como a Lei Cidade Limpa e o pacote de restrições ao trânsito de caminhões na cidade. As perguntas vieram acompanhadas de críticas a ambas as leis, que desagradaram empresários e lideranças da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings), organizadores do encontro.

Ciente de que, apesar de desagradar empresários, a lei que restringiu a publicidade visual em fachadas e prédios foi bem vista pela população, Alckmin afirmou que vai manter a medida caso seja eleito, mas não descartou flexibilizá-la. “Acho importante diminuir a poluição em todos os níveis, mas vale rever os critérios. Acho que podemos chegar em um acordo”, afirmou o candidato.

Já em relação às restrições ao transporte de carga e descarga, o tucano afirmou que ainda é cedo para avaliar, preferindo não criticá-las, mas ressaltou que também pretende “rever” as medidas. “É preciso conversar com o setor.”

“Problema em casa”

Chamando o candidato pelo primeiro nome, o presidente do Habib’s, Antônio Alberto Saraiva, também colocou Alckmin em situação delicada. “Geraldo, quero sua ajuda para resolver um problema lá em casa”, disse Saraiva ao iniciar sua pergunta.

O empresário contou que sua cozinheira –chamada por ele de “Dona Cida”– votaria em Marta porque, segundo ela, o “PT é o pai dos pobres”. Saraiva pediu que Alckmin lhe dissesse o que falar a sua cozinheira para convencê-la a não votar na ex-prefeita.

Demonstrando certo constrangimento, Alckmin saiu pela tangente e, mais uma vez, evitou falar mal da adversária. “Eleição é convencimento.É preciso mostrar a ela [Dona Cida] quem tem as melhores propostas para a cidade”, respondeu o tucano.

28/07/2008 - 15:50h Diário de São Paulo entrevista Marta

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João Carlos Moreira, Diário de S.Paulo

SÃO PAULO - Líder nas pesquisas de intenção de votos no primeiro turno das eleições para a Prefeitura de São Paulo, a ex-ministra Marta Suplicy (PT) conta que entrou na campanha pela Prefeitura de São Paulo, após avaliar com cuidado o quadro sucessório e até admite a pressão do partido, mas garante que o principal motivo foi a certeza sobre o que pode ser feito no cargo que já ocupou de 2001 a 2004.

- Sou paulistana, sei o que fiz pela cidade e sei que dá para fazer muito mais. Assumi a Prefeitura com orçamento de R$ 9 bilhões e fiz muito. Eles (PSDB-DEM) têm R$ 25 bilhões e fizeram pouco - diz ela, criticando a administração PSDB/DEM e o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que concorre à reeleição para o cargo.

Em entrevista ao jornal “Diário de S.Paulo”, Marta reclama do que chama de falta de planejamento de tucanos e democratas e promete retomar projetos que, segundo ela, foram abandonados pela atual gestão, iniciada por José Serra (PSDB) e continuada por Kassab. A petista cita como exemplos os centros educacionais unificados (CEUs), o bilhete único e os corredores de ônibus. “Os CEUs têm pouca programação, pouco teatro. O bilhete único já não pode ser carregado na catraca, e a lentidão nos corredores é cada vez maior”. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Saúde

“Nossa idéia é não desconstruir. Vamos manter as OSs (organizações sociais) que já estão na gestão de hospitais municipais, mas com controle. A crítica principal que é feita a esse sistema é a falta de transparência do modelo. Vamos dar total transparência à aplicação de verbas do município. Quando assumi a Prefeitura, pegamos a saúde sucateada, com o PAS (Plano de Atendimento à Saúde) já acabando, e tivemos que reconstruir tudo. A atual gestão fez muito pouco. As AMAs (assistências médicas ambulatoriais) têm que ser o local de acolhimento do paciente, mas tem que ter especialidades médicas, dar continuidade ao tratamento. Também precisamos construir hospitais, criar leitos”.
Creches

“Precisamos ter mais vagas, não tem jeito. Há sempre uma demanda muito grande pelo serviço. A Prefeitura tem que dar mais condições de trabalho às creches conveniadas e a administração precisa aumentar sua rede própria. Tem também uma idéia, que achei muito boa quando vi em outros países, de um serviço para atender aquela mãe que mantém o filho em casa. Às vezes essa mãe precisa que a criança fique um dia ou algumas horas sob cuidados de alguém, porque ela precisa resolver um assunto, ir ao médico. É uma espécie de serviço de baby-sitter, oferecido pelo poder público, que a pessoa agendaria. É algo que vamos estudar”.
Transportes

“Trânsito e transportes exigem ações de curto, médio e longo prazo. Precisamos integrar a CET e a SPTrans, que hoje trabalham sem integração alguma. É preciso recuperar a CET, contratar marronzinhos, dar condições de trabalho a eles. A médio prazo, temos que investir na construção de corredores de ônibus, que foram abandonados pela atual gestão. A lentidão nos corredores é cada vez maior. Você poderia construir baias, para permitir a ultrapassagem do ônibus, instalar catracas em algumas paradas para agilizar o embarque dos passageiros e facilitar a partida do ônibus, mas nada é feito hoje. Também temos que investir no Metrô. Quando estive no Ministério do Turismo, apresentamos o plano para construção de 65 quilômetros de linhas até 2014, ano da Copa do Mundo. Quando assumi a Prefeitura, não tínhamos recursos (para investir no Metrô), não era prioridade. Tínhamos que resolver o problema dos ônibus, que viviam uma situação de caos, e resolvemos. Quando finalmente conseguimos dinheiro da Operação Faria Lima, quisemos investir na Linha 4, numa estação no Largo da Batata (em Pinheiros, na Zona Oeste). Fui até o governador Alckmin e ele me disse: ‘Não temos projeto’. Como pode uma cidade do tamanho de São Paulo não ter projetos para o Metrô?”
Educação

“Vamos retomar o projeto original dos CEUs. Eles tiveram um impacto grande nas regiões em que foram criados, reduzindo a violência, dando esperança e opção de lazer e cultura à população mais pobre, mas hoje estão funcionando mal. Tenho visitado bairros em que os moradores me dizem que já não há peças de teatro como antes. Alguns CEUs também não têm mais atividades para os idosos. Vamos retomar o projeto, abrindo novas unidades e oferecendo também qualificação profissional. Claro que não é possível ter um CEU, por exemplo, no Bixiga, até porque não há espaço. Neste caso, podemos ter um sistema de vai-e-volta para levar os alunos a atividades de lazer e cultura”.
Rodízio

“O rodízio de carros tem que ser mantido, mas vou rever completamente o de caminhões. Essa restrição aos caminhões tem que ser planejada, não feita de qualquer maneira, sem estudar o impacto na vida da cidade. Quando estávamos no governo, chamamos todo o pessoal do setor de cargas para conversar, fizemos estudo para cada segmento, como o de perecíveis e outros. Deixamos tudo planejado, pronto para ser implementado. Mas nada foi feito, tudo foi abandonado quando saímos”.
Impostos

Escaldada com a derrota para José Serra em 2008, a candidata do PT, Marta Suplicy, está ciente da rejeição que sofre junto a parte do eleitorado de classe média da cidade, mas acredita na possibilidade de reverter a situação a seu favor. Ela entende que sua administração não soube explicar à população a mudança feita no cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), aplicando uma tabela progressiva de correção, e ainda foi afetada pela impopularidade de criação da taxa do lixo.

“O IPTU progressivo é justo. Não faz sentido o morador de um bairro pobre pagar como se morasse nos Jardins. Quando fizemos a alteração, concedemos isenção a um milhão de imóveis. Isso foi esquecido, enquanto a oposição criticava a taxa do lixo”, disse. Segundo ela, a criação da taxa foi um erro, algo que ela pretende deixar claro. “Tenho que pedir desculpas e mostrar o que vamos fazer”, disse.

Marta promete estudar a possibilidade de até mesmo reduzir algum dos tributos municipais, já que a Prefeitura teve um aumento na arrecadação e afastando de vez a rejeição devido à antiga taxa. Ela argumenta, no entanto, que houve exagero nas críticas. “Sofri também pelo machismo”, afirmou

28/07/2008 - 11:46h Nunca se aplicou tanta multa de trânsito em São Paulo, 1 a cada 6 segundos

José Anibal é lider do PSDB no Congresso. Foi presidente da sigla e é um dos caciques tucanos.

Em 19 de fevereiro de 2004 publicou um artigo na página 3 da Folha de São Paulo tudo inteiro dedicado a atacar a “fúria arrecadatória” de Marta Suplicy. Nele, José Anibal dizia:

“A sanha arrecadatória da prefeita também ficará na história pela proliferação de radares, cujos excessos são atribuídos por nossos motoristas a uma indústria da multa”

José Anibal deve ter ficado pasmo com a manchete da capa da Folha de São Paulo.

Quando leu o artigo deve ter ficado mais atônito ainda:

“A arrecadação com multas de trânsito pela prefeitura paulistana saltou de R$ 328 milhões em 2004 para R$ 392 milhões em 2007 -e a previsão deste ano é de R$ 557 milhões.”

Alguém vai pedir para ele comentar?

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A seguir o artigo da Folha de São Paulo

SP multa 1 motorista a cada 6 segundos

Capital paulista teve recorde de autuações em junho, com 418 mil punições, 3,5% a mais que marca anterior, de agosto de 2007

Prefeitura de SP estima receber R$ 557 milhões com aplicação de multas neste ano, 42% a mais do que o arrecadado em 2007

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Funcionário da CET autua veículos em área de zona azul em SP

ALENCAR IZIDORO
RICARDO SANGIOVANNI
DA REPORTAGEM LOCAL

Nunca se aplicou tanta multa de trânsito em São Paulo. Antes mesmo da ofensiva contra os caminhões ou da volta dos guinchos, a capital paulista teve um novo recorde de autuações no mês passado: foram 418 mil punições, 580 por hora ou uma a cada 6,2 segundos.
Além de ser 20% superior à do mesmo período de 2007 e 3,5% acima da maior marca até então, em agosto do mesmo ano, a quantidade revela uma tendência com a qual os motoristas já deverão se acostumar.
A começar por esta semana, quando a gestão Gilberto Kassab (DEM) amplia o rodízio de caminhões para as vias limítrofes do centro expandido -avenida dos Bandeirantes, marginal Tietê e marginal Pinheiros, entre outras (leia na C3).
Até a semana passada, os veículos pesados tinham que obedecer à restrição só na área interna do minianel viário (o centro expandido). O rodízio começou em 1997 e veta o tráfego de 20% da frota nas horas de pico (das 7 às 10h e das 17 às 20h).
A principal justificativa da prefeitura com a nova restrição é aumentar a fluidez do trânsito -assim como a proibição ao transporte de cargas no período diurno, iniciada em 30 de junho e que já resultou em mais de 18 mil multas desde então.
Os motoristas de automóvel que cometerem infrações também devem ser alvo de mais multas nos próximos dias.
Os guinchos para remover quem estaciona em lugar proibido voltaram a funcionar na semana passada, depois de quatro anos sem esse serviço -a expectativa é guinchar até 5.000 veículos a cada mês.
A gestão Kassab ainda promete novas proibições de estacionamento nas vias públicas.
Já a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) terá um reforço de 265 agentes nas ruas no mês que vem -mais de 15% do contingente atual- e também prevê ampliar os radares de controle da velocidade e do rodízio em dois meses (os fixos, de 40 para 175; e as lombadas eletrônicas, de cem para 153).
A arrecadação com multas de trânsito pela prefeitura paulistana saltou de R$ 328 milhões em 2004 para R$ 392 milhões em 2007 -e a previsão deste ano é de R$ 557 milhões.
O governo Lula (PT) prepara um pacote que prevê uma alta de 64,5% nos valores das multas. A gravíssima passaria de R$ 191,54 para R$ 315. A leve, de R$ 53,20 para R$ 90.

Eleições
A CET atribuiu a elevação da quantidade de multas em junho à “intensificação da fiscalização”, mas não deu detalhes.
O fenômeno se deu no mês em que Roberto Scaringella deixou a presidência da empresa, substituído pelo secretário municipal Alexandre de Moraes (Transportes).
Especialistas defendem a existência de mais rigor, embora contestem a ausência de ações voltadas à orientação.
A Folha apurou que há preocupação da gestão Kassab com a impopularidade de uma quantidade excessiva de multas às vésperas das eleições -exceto contra caminhões.
Alguns gerentes da CET dizem ter sido orientados nos últimos dias a dar prioridade ao monitoramento e à orientação. Mas a tendência de aumento das multas é tida como inevitável, até para conter a lentidão.
“Estamos assustados com a quantidade de multas para caminhoneiros. Também somos parte do problema [da lentidão do trânsito] e sofremos com ele”, declarou José Natan, do Sindicato da União Brasileira dos Caminhoneiros.
As 418 mil multas no mês de junho abrangem tanto as aplicadas por radares (52,9%), como por marronzinhos da CET (34,8%) e por PMs (12,3%) credenciados pela prefeitura.
Alfredo Coletti, diretor do Sindviários (sindicato que representa os funcionários da CET), avalia que parte da elevação das multas está ligada também à entrada de novos agentes nas ruas. No balanço do primeiro semestre, o número de multas foi 16,5% superior ao do mesmo período de 2007.

22/07/2008 - 09:31h ABC e D: em expansão, região já dispensa o título de “Detroit brasileira”

Divulgação
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De São Paulo - VALOR

Houve um tempo em que todas as previsões seguiam na mesma direção: com características semelhantes às da cidade do Estado de Michigan onde nasceu a linha montagem, a região que abriga o pólo automotivo do ABC estaria igualmente fadada ao lento e doloroso processo de esvaziamento por que passa a cidade onde estão os fabricantes de veículos americanos. Seria, no entanto, injusto hoje chamar o ABC de “Detroit brasileira”.

Resultado ou não do fim da guerra fiscal ou da mudança da conduta sindical na região, uma significativa parcela dos investimentos da poderosa indústria automobilística se voltou para o lugar que a fez surgir, na década de 50. No último ano, Volkswagen, Ford e General Motors, três dos quatro maiores fabricantes de automóveis do país, reforçaram investimentos e anunciaram novos modelos de carros nas fábricas da região. No caso da Volks e da Ford, os anúncios vieram acompanhados de acordos com o sindicato de São Bernardo autorizando flexibilidade em benefícios trabalhistas e na carga horária para ajudar na redução dos custos.

Somente no ano passado, a Volks abriu 1.216 vagas em São Bernardo, pondo um ponto final no desgastante episódio que um ano antes quase levou a empresa a encerrar atividades naquela unidade. No início deste ano, a Mercedes-Benz, anunciou a contratação de 500 trabalhadores para sua fábrica de caminhões, também em São Bernardo, nos primeiros sete meses do ano. Desde maio de 2007, foram mil novas vagas somente nessa empresa.

No mês passado, foi a vez da Ford anunciar a contratação de 400 empregados, o que representa um crescimento de cerca de 50% na força produtiva da fábrica de caminhões, também em São Bernardo, para conseguir dar início ao segundo turno de produção a partir do início do próximo ano.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), 53% dos metalúrgicos da base que abrange São Bernardo, Diadema, Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires, trabalham em montadoras e empresas de autopeças.

O ABC chegou a ter 228,8 mil metalúrgicos, quase 40% mais do que hoje. E é certo dizer que a região quase seguiu mesmo o caminho de Detroit. Há uma década, bairros que no passado abrigavam uma pujante indústria de autopeças, exibiam galpões vazios.

No início da década de 90, tornou-se uma rotina comum na região a saída de fábricas de áreas que, na seqüência foram ocupadas por supermercados ou shopping centers, incluindo aí o espaço da unidade da Villares em que o presidente Lula trabalhou.

Os investimentos que montadoras e seus fornecedores fazem hoje na região ajudam a incrementar os níveis de emprego. Mas, ao mesmo tempo, há uma parcela significativa de filiais dessas mesmas empresas no interior paulista. Se no passado, o movimento do ABC para o interior acontecia como resultado de relações trabalhistas menos cordiais, hoje as expansões nas fábricas do interior decorrem da falta de espaço no ABC paulista.

Isso já se reflete nos números de emprego. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), a participação do interior paulista no efetivo do setor subiu de 25,5% há uma década para 34,7% no ano passado. Ainda assim, o cenário do ABC está muito distante do que se vê na sombria Detroit. (MO)

06/07/2008 - 13:37h Leis boas, mas ruins

WALTER CENEVIVA - FOLHA DE SÃO PAULO


Quando a administração pública não se aparelha para aplicar a lei, esta não pega, não entra em moda

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É DIFÍCIL HAVER alguém que reprove, na cidade de São Paulo, a adoção de normas legais tendentes a melhorar o trânsito de veículos, tais os danos dele decorrentes. A lei criminalizar nacionalmente o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, pelos motoristas, também é compatível com o interesse coletivo. Passando da teoria à prática, quando essas normas são mal compostas produzem graves efeitos negativos, até pela impossibilidade de sua correta aplicação.
Pondo de lado a sua óbvia finalidade política, quem conseguir melhorar o trânsito de São Paulo será bem visto pelo eleitor. O atual prefeito é candidato. Exerceu seu direito, indo à frente ao editar o decreto nº 49.487/08, por entender que a restrição aos caminhões é um meio a ser aplicado. Acontece, porém, que o decreto, evidentemente, não é obrigatório para municípios contíguos à capital, com os quais o entrosamento seria útil. Além disso, o decreto foi mal composto. Começa com enérgica imposição proibitória, logo seguida por muitas exceções, no artigo 3º. Apenas 13 dias antes da vigência do mesmo decreto, foi constituída uma comissão para análise das excepcionalidades na zona máxima da circulação de caminhões, com 18 representantes das tendências envolvidas. Pior: três dias antes da vigência, novo decreto introduziu sete mudanças nas ditas exceções.
O esclarecimento cabal das exceções deveria ser discutido com antecedência pelos caminhoneiros e pelas suas empresas, o que só acontecerá na comissão há pouco constituída. A seriedade jurídica foi abandonada em favor do politicamente útil. Em questão de tanta complexidade, qualquer disposição legal deveria ser difundida e aplicada, antes da imposição de penalidades.
Em São Paulo, o decreto entrou em vigor dia 30 de junho, mas a sua aplicação e as exceções não eram conhecidas dos destinatários diretos (caminhoneiros e empresas). Eles pagam o preço do improviso. Aqueles que quiseram cadastrar seus veículos não encontraram resposta na burocracia municipal. A notícia de multas aplicadas se espalhou, embora ilegais, sem resultado útil.
A transposição por via terrestre, na realidade urbana de São Paulo, é de e para os quatro pontos cardiais. Foi ignorada, no maior centro receptor e difusor de milhares de caminhões, com toda espécie de mercadorias. Não se ajusta ao regime de improvisações ou à predominância do tráfego noturno mais pesado, perturbador do sono de milhões de munícipes.
Pensemos agora na lei seca, que proíbe a ingestão de bebidas alcoólicas por motoristas, que, se bem aplicada, será muito boa. Ocorre que a administração pública não tem meios humanos e materiais de fiscalizar os muitos milhões de veículos que trafegam pelo país afora em cada minuto e segundo do dia.
Quando a administração não se aparelha para aplicar a lei, esta não pega, não entra em moda, por ser incompatível com as condições de sua prática. O tratamento impróprio da questão, com falhas na legislação e nas medidas administrativas, é ruim, mesmo numa lei de finalidade muito boa. Em ambos os casos, a administração pública não fez bem o que deveria ter feito. Para encobrir sua omissão, está punindo quem não deu causa ao problema das leis boas, que são ruins.

04/07/2008 - 17:44h Inprovisação guiada pelo marketing eleitoral

Núcleo da campanha de Kassab apoiou novo rodízio

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Diego Zanchetta - O Estado de São Paulo

O núcleo de campanha do Democratas incentivou o prefeito e candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM) a antecipar o anúncio do rodízio para caminhões nas Marginais. A decisão foi política, ratificada no fim da noite de anteontem, mas teve o aval de técnicos da Secretaria Municipal de Transportes.

A restrição estava prevista em um pacote de medidas anunciado em maio. Havia, porém, receio de um impacto negativo junto aos transportadores de cargas e caminhoneiros. Com a redução dos congestionamentos após a restrição no centro expandido, válida desde segunda-feira, o núcleo de campanha incentivou o governo a aproveitar o “bom momento” e adiantar o rodízio nas Marginais.

Na avaliação de marqueteiros, a medida vai subsidiar o prefeito nos debates sobre trânsito, tema que monopoliza hoje as propostas dos candidatos à Prefeitura da capital. Guilherme Afif Domingos, coordenador do futuro programa de governo do DEM para São Paulo, diz que, com a restrição, a tendência é a aceitação ao prefeito subir nas próximas semanas. “Essa medida não foi de um candidato, mas de um prefeito que sabe ser gestor”, disse Afif, que, considera a restrição aos caminhões “medida pontual” - para ele, investimentos em metrô e Rodoanel são a prioridade.

Cientistas políticos avaliam que Kassab tenta agir rapidamente, para se tornar tão competitivo quanto os adversários que lideram as pesquisas, Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). ” Dos três, ele é o menos competitivo. E novas medidas para melhorar o trânsito são bem aceitas “, diz Marco Antonio Carvalho Teixeira, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “O teste para saber se as medidas terão valido a pena será o retorno das férias. Temos muitos veículos fora de circulação, não dá para saber o impacto das restrições.”

Fernando Antonio Azevedo, cientista político da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), avalia que o prefeito “tenta criar a imagem do gestor público que resolve os problemas, que age rápido”. “Isso é uma grande vantagem na corrida eleitoral”, considera.