28/08/2008 - 19:16h Em Diadema, Marta e Reali voltam a propor criação do Bilhete Único metropolitano

Cesar Ogarta
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MARINA NOVAES - colaboração para a Folha Online

Em campanha na divisa entre São Paulo e Diadema nesta quinta-feira, a candidata do PT à prefeitura da capital, Marta Suplicy, voltou a defender a criação de um Bilhete Único metropolitano para integrar a região. “Ainda não tem um prazo [para ser implantado], mas é uma das nossas prioridades”, disse a ex-prefeita.

A proposta –que já havia sido apresentada durante encontro com candidatos de 39 cidades vizinhas– foi defendida também pelo correligionário Mário Reali, que disputa a Prefeitura de Diadema. Hoje, Marta e Reali realizaram uma caminhada pelo comércio da avenida Assembléia, na divisa entre as duas cidades, onde realizaram um comício improvisado sobre um caminhão de som.

“Só com a integração metropolitana é que vamos conseguir avançar. […] O desenho das divisas não existe para as pessoas. Ele é virtual, institucional”, completou Reali, que defendeu ainda a integração entre os corredores de ônibus de Brooklin, na zona sul, e de Diadema.

À frente nas pesquisas eleitorais –com 41% das intenções de voto na última pesquisa do Datafolha– Marta deve intensificar as campanhas conjuntas com os petistas da região. Há duas semanas, ela e o candidato Vanderlei Siraque (PT) fizeram campanha juntos na divisa entre São Paulo e Santo André, onde Siraque disputa a vaga de prefeito.

“Temos propostas em comum e a população pode perceber os benefícios de ter parceiros nas divisas para São Paulo e para a cidade vizinha”, afirmou Marta, que citou o “sucesso” de sua parceria com o prefeito de Diadema, José de Filippi Júnior (PT), quando ela era prefeita (2001-2004).

A idéia de realizar uma administração “metropolitana” é um dos pilares da campanha da petista, mas também aparece no programa do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). Ambos “disputam” os números de obras e parcerias feitas nas divisas.

Neste final de semana, no entanto, a agenda metropolitana petista deverá ser intensificada com a vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a São Paulo. Principal “garoto-propaganda” do partido, Lula fará campanha para Marta em São Paulo, e para os candidatos do PT em São Bernardo, Diadema e Santo André.

28/08/2008 - 18:44h Campanha de manipulação no ar

“Desde que a disputa passou a ter segundo turno, não há registro de candidato vitorioso em São Paulo que tenha iniciado o horário eleitoral com rejeição tão alta como Marta Suplicy (31% na última pesquisa do Datafolha).” Assim começa o post de Roberto Dias no blog da Folha, Campanha no ar.

Com um ar de científico.

Poderíamos reescrever assim: “Desde que a disputa passou a ter segundo turno, não há registro de candidato vitorioso em São Paulo que tenha iniciado o horário eleitoral com rejeição de 32% e intenção de voto em 14%, como é o caso de Kassab.”

Eleições municipais em dois turnos em São Paulo teve apenas 4, o que convenhamos é bem pouco para estabelecer uma probabilidade estatísticamente significativa.

A questão da rejeição evidentemente é importante se analisada na sua relação com intenção de voto.

No caso que estamos analisando é outra coisa. Vontade deliberada de um grupo de jornalistas de alimentar uma campanha, sonegando e manipulando a informação.

Qual é o objetivo?

LF

28/08/2008 - 17:48h A rejeição da Folha está a quantas?

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Continua a campanha da Folha sobre a rejeição. Agora é um tal de Roberto Dias, no Blog no ar da Folha que se lança com o ar de quem não quer a coisa, na manipulação.
Caro Roberto, A rejeição de Kassab e de Maluf é superior a da Marta.
Que tal você reescrever sua nota?
Ou seguindo sua lógica porque você não diz que Maluf e Kassab tem muito pouca chance porque nunca alguém com tais índices de rejeição se elegeu em Sao Paulo?
Inclusive em 2000, quando Marta foi eleita prefeita pela primeira vez (escrevo assim de propósito), ela já teve 37% de rejeição, acima de sua rejeição atual e isto mudou, Marta foi eleita ( a famosa “rejeição” de Marta na pesquisa Datafolha de 29 de junho de 2000 era de 37%).

Não sei se a rejeição da Marta explica qualquer coisa, mas a insistência de certos jornalistas da Folha (ontem foi o Josias, agora é o Roberto) a ocultar que Kassab tem rejeição superior a da Marta começa a ser muito suspeita. LF

Blog no ar : O fator rejeição
O mantra

Rejeição e intenção de voto

 rejeição  intenção de voto
 Maluf 61% 09%
 Kassab 32% 14%
 Marta 31% 41%
 Alckmin 18% 24%

28/08/2008 - 11:15h Sobra PT e falta PSDB na TV em Salvador

Alan Marques/Folha Imagem - 30/7/2008
Serra: governador de São Paulo gravou imagens para as campanhas de Curitiba, Porto Alegre e Teresina

Raquel Salgado - VALOR

Depois de usar a imagem do governador Jaques Wagner (PT) apoiando sua candidatura na convenção do PSDB e de frisar que tem a simpatia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato tucano à Prefeitura de Salvador, Antonio Imbassahy, duas vezes prefeito, dificultou uma possível participação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), no horário eleitoral. Por ora, a coordenação da campanha não pensa em usar sua imagem.

Além de São Paulo, Serra só apareceu, até agora, no programa do deputado Fernando Gabeira, candidato da coligação PV-PSDB-PPS à Prefeitura do Rio. Serra, assim como o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), já gravaram para a campanha à reeleição do prefeito Beto Richa, em Curitiba, assim como para a campanha de Nelson Marchezan Júnior, candidato do PSDB em Porto Alegre. Serra também gravou para a campanha tucana em Teresina.

Sua situação poderá se complicar. “Além de não ter hoje um mandato como os outros candidatos, não pode contar com um apoio muito militante do PSDB”, diz Paulo Fábio Dantas Neto, diretor do Centro de Recursos Humanos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que estuda há anos a política baiana. No segundo turno, contudo, Imbassahy se fortalece, pois é pouco rejeitado pela população e se apresenta ao eleitorado como uma boa segunda opção.

Na avaliação de Dantas Neto, não é apenas a aproximação de Imbassahy com Wagner e Lula que impede a participação de Serra no pleito soteropolitano. Mesmo sendo muito próximo de um tucano de destaque na política local e nacional, o deputado federal Jutahy Magalhães Junior, Serra precisa ser pragmático e pensar em um palanque competitivo na Bahia em 2010. “A solução mais provável é que o PSDB marche com o Democratas, o que limita os movimentos de Serra neste ano”, diz. Há ainda a aproximação de ACM Neto com Serra e Aécio, que o vêem como um aliado promissor.

Serra, por sua vez, não é grande angariador de votos em Salvador. Na eleição presidencial de 2002 obteve apenas 4,6% dos votos válidos no º turno e 10,6% na segunda etapa.

Depois de evitar maiores comparações com seu falecido avô, o deputado federal e candidato do Democratas, Antonio Carlos Magalhães Neto, resolveu resgatar não só a imagem do senador ACM, mas também reforçar sua campanha com a presença de outros carlistas: a do hoje senador, César Borges, e a do ex-governador da Bahia, Paulo Souto.

“Veja o que o Democratas e o PR já fizeram por Salvador”, diz o narrador do programa de ACM Neto. Uma seqüência de imagens de ruas, avenidas, parques, além de uma maternidade e de jornais anunciando a vinda da Ford para o Estado são apresentadas seguidas por frases que lembram muito uma antiga campanha de Paulo Maluf. A cada obra, um coro diz: “Foi ACM que fez”, “Foi Paulo Souto que fez”, “Foi César Borges que fez”.

Imbassahy e ACM Neto disputam faixas parecidas do eleitorado. O tucano já foi um dos quadros do antigo PFL e foi graças ao apoio carlista que chegou à prefeitura da capital em 1992. Apesar de seguir bem colocado nas pesquisas, Imbassahy caiu de 27% para 18% na última pesquisa Ibope por encomenda da Rede Bahia, da família Magalhães.

O candidato do PT, o deputado federal Walter Pinheiro, após ter arrancado no Ibope, chegando a 13% das intenções de voto (antes tinha 6%), vai ter, já no 1º turno, uma grande ajuda de Wagner. Depois de afirmar que permaneceria eqüidistante no º turno, pois três dos cinco candidatos são da base aliada de seu governo, Wagner decidiu gravar participações no programa de Pinheiro.

O atual prefeito, João Henrique Carneiro (PMDB) tem usado a parceria com Lula e com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Com a desvantagem de ter sua administração atacada por todos os candidatos, o peemedebista partiu para o confronto. O alvo preferido é Imbassahy que, segundo ele, teve oito anos de mandato e não fez nem metade do que João fez em menos de quatro. O prefeito, que tem 15% das intenções de votos, preocupa-se também com a evolução de Pinheiro. Ambos se apresentam como próximos a Lula e Wagner e opositores ao modo carlista de se fazer política. (Colaboraram Ana Paula Grabois, do Rio; Marli Lima, de Curitiba; Sérgio Bueno, do Rio Grande do Sul, e Cesar Felício, de São Paulo)

28/08/2008 - 10:42h Mauá e Santo André: Dias e Siraque continuam campanha conjunta

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Da Redação Repórter Diário

Os candidatos a prefeito de Santo André, Vanderlei Siraque, e de Mauá, Oswaldo Dias, ambos do PT, foram à porta da Firestone, em Santo André, para conversar com os trabalhadores dos turnos da manhã e da tarde nesta quarta-feira (27). Os candidatos expuseram os projetos conjuntos para as cidades que pretendem implementar caso sejam eleitos e receberam o apoio dos trabalhadores.

Nesta quinta-feira (28), os candidatos voltam a se encontrar para fazer campanha conjunta, mas desta vez acompanhados de todos os candidato a prefeito pelo PT no ABC e de Marta Suplicy, durante uma assembléia com os trabalhadores da Mercedes-Benz, em São Bernardo.

28/08/2008 - 09:48h No ninho de Kassab o leite cheira estranho

O leite de Kassab foi objeto de diversos posts neste blog. Primeiro ele tinha sumido e por meses a prefeitura não o distribuía , por conta de uma queda-de-braço com seus fornecedores. A administração pretendia que o preço era caro. Na negociação a proposta dos fornecedores foi rechaçada e sem licitação, a Nestle passou a fornecer o leite, a preço superior à proposta recusada pela prefeitura aos outros.(ver nos links embaixo).

Depois o leite não chegava, atrasava e provocava reclamações. Isto não é anormal no caso dos demo-tucanos, tudo atrasa. Os uniformes de inverno para as crianças, por exemplo, sempre atrasaram e são distribuídos no verão e os de verão no inverno; metrô para 2006 agora é em 2010, Rodoanel idem, e assim vai.

Semanas atrás Kassab enviou projeto anulando a distribuição de leite nas escolas e substituindo por um eventual cartão de distribuição, mas ao dia seguinte falaram que tinha sido um erro. Porém, depois decidiram deixar assim. Hoje anunciam que vão mandar pelo correio.

Porque mexer tanto numa questão que após ser introduzida por Maluf, melhorada e a preço mais em conta durante a gestão da Marta, tinha aprovação da população?

Porque os contratos sem licitação? Porque a publicidade da marca na TV? a de Nestle e a do Kassab, casadas? LF

http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/foto/0,,14403079,00.jpg

Kassab é proibido de usar marca de leite na propaganda na TV

Justiça suspende imagem de lata; produto vem sendo comprado sem licitação

CLAUDIO DANTAS SEQUEIRA - JOSÉ ERNESTO CREDENDIO - FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) foi proibido de explorar a marca do leite em pó Ninho no programa eleitoral gratuito. O TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) entendeu que a campanha de Kassab, que tenta a reeleição, violou o artigo 26 da resolução 22.718 do TSE, que proíbe a utilização comercial do horário político.

Nos primeiros dias da campanha na TV, o narrador destacava a retomada pela gestão do programa Leve Leite, que contempla cerca de 1,1 milhão de crianças por mês. Dizia: “O leite que a meninada leva para casa é leite de qualidade”, enquanto latas de Ninho eram exibidas perto de uma mulher.

Desde o início da semana, o tempo dedicado ao tema foi reduzido. A marca aparece borrada, mascarada por computação gráfica, mas é possível distinguir a cor amarela característica da embalagem. A representação contra Kassab foi apresentada ao Ministério Público pela petista Marta Suplicy.

“Nossa idéia não era fazer propaganda. Mas apresentar o produto que tem sido distribuído nas escolas. Ressaltar que se trata de leite de qualidade”, disse à Folha Carlos Magagnini, assessor de imprensa de Kassab. O juiz Claudio Luiz de Godoy concordou com a defesa. Apesar de ordenar a retirada da marca, não multou o prefeito.

O que Kassab não explica no programa é que o leite vem sendo comprado da Nestlé sem licitação pela prefeitura, desde julho de 2007. No último dia 15, o governo Kassab firmou novo contrato de R$ 56,2 milhões com a multinacional e vai continuar distribuindo o leite da marca por pelo menos mais 90 dias. São 6.600 toneladas.

No contrato de emergência, são 2.200 toneladas por mês durante 90 dias. Já o edital previa a compra mensal de 1.628 toneladas ao mês. A negociação emergencial foi decidida depois que o Tribunal de Contas do Município pediu a suspensão do processo licitatório por “impropriedades” que poderiam restringir a participação de concorrentes. Tanto a Secretaria de Gestão, responsável pela compra, como a coordenação da campanha de Kassab dizem que a licitação prossegue.

A Nestlé afirma que foi a única empresa a atender os requisitos exigidos pela prefeitura. O primeiro contrato sem licitação com a Nestlé foi firmado depois que as fornecedoras Itambé e Tangará suspenderam a entrega por três meses.

As empresas reivindicavam aumento de até 30% no preço, mas a prefeitura só aceitava 7%. Na queda-de-braço, prefeitura e Nestlé chegaram ao valor de R$ 8,53 por quilo, preço que foi mantido no novo contrato. O valor atual de mercado, diz a prefeitura, é de R$ 10,50.

Leia também aqui no blog

Tem coisa obscura no leite da prefeitura

Administração Kassab: Azedou o leite

Administração Kassab: Azedou o preço do leite (2)

27/08/2008 - 20:53h No bico demo-tucano o metrô voa

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Esta sendo muito educativa a campanha eleitoral. Vejam por exemplo a questão do metrô.

O metrô está sob o controle do governo estadual, ele fixa as tarifas, controla a empresa nomeando seus responsáveis, assegura sua manutenção e investe nas sua expansão. Ou pelo menos esse é seu atributo, sua responsabilidade.

O governo estadual está nas mãos do PSDB faz 14 anos. Durante oito anos desses 14 anos, os tucanos controlavam o governo federal. Juntos com eles o PFL, agora DEM.

Juntos 14 anos e cadê o metrô?

Hoje existe um total de 61 km de metrô na cidade de São Paulo, antes dos tucanos foram construidos 50 Km.

Para o leitor ter uma idéia, a construção do metrô começou em São Paulo nos anos 60, no mesmo ano em que começou a construção do metrô da cidade de Mexico. Hoje Mexico tem 215 km e São Paulo 61 Km.

Pois bem, segundo o ex-governador Alckmin e o demo Kassab, São Paulo não tem metrô por culpa da… Marta.

Kassab acha que tendo entregue um cheque ao governador Serra, dois meses atrás, ele ganhou um passe de metrô para trocar por votos.

Ao uníssono eles dizem que Marta não tem credibilidade para fazer o que diz. Justamente ela que diz que acabaria com a máfia do transporte e cumpriu. Que diz que faria corredores e fez. Que na campanha de 2000 falou que faria o Bilhete-Único e hoje o Bilhete-Único está nas mãos de todos.

A dupla que governou durante 14 anos no Estado, 8 anos no governo federal e mais 4 anos na prefeitura é que mostrou que não faz corredores, não expande o metrô e faz o trânsito andar para atrás, a dupla diz que Marta não é séria.

Acha dor.

Luis Favre

27/08/2008 - 09:59h Contra argumentos não há fatos

http://www.pp-sc.org.br/UPLOAD/Image/LOGOS%20DO%20PP/logo_download.gif estrela_pt.jpglogo_psdb.jpg

Luiz Weis - O Estado de São Paulo

Entra eleição, sai eleição - e duas lendas continuam inabaláveis. Uma é a de que o horário gratuito é uma enganação. Outra é a de que o eleitor não dá a mínima para os partidos. A persistência desses clichês, apesar do acúmulo de evidências em contrário, parece dar razão aos que acham que, sendo as mentalidades o que são, o ditado certo é o que põe de ponta-cabeça a forma original: contra argumentos não há fatos.

No caso da propaganda no rádio e na TV, os fatos conhecidos não batem com a visão preconcebida - ou preconceituosa - de que ela afeta perversamente o voto popular, ao mistificar um público tosco o bastante, em geral, para aceitar pelo valor de face as patranhas que os marqueteiros lhe infligem. Isso, segue o raciocínio, quando o eleitor lhes dá trela, em vez de fazer qualquer outra coisa naquele período, o que seria, afinal, a atitude da grande maioria.

Na realidade, parcela do eleitorado suficientemente ampla para fazer diferença, porque repassa as suas impressões aos desligados, conta com o horário político para balizar as suas decisões e não se deixa levar por pirotecnias de imagem - acostumada que está a identificá-las na programação normal. Além disso, as pesquisas para uso interno das campanhas indicam que a audiência quer menos blablablá e mais propostas terra-a-terra, um sinal eloqüente de amadurecimento.

Quando atendido, o espectador considera que o candidato se dirige a ele diretamente, presta atenção no que ouve e faz comparações - o que o induz a manter ou mudar a sua intenção de voto, se é que já tinha. O horário gratuito, pois, é uma fonte decisiva de informações. A sua influência, para ficar no aqui e agora, ficou nítida no primeiro levantamento do Datafolha depois do início da atual temporada, na última terça-feira. O maior exemplo foi a reviravolta dos números em Belo Horizonte.

Até então, para surpresa de muita gente, as prévias ali eram lideradas pela obscura candidata do PCdoB, Jô Moraes, com 20% dos apoios. Márcio Lacerda, do PSB, candidato do governador tucano Aécio Neves e do prefeito petista Fernando Pimentel, era pouco mais do que um zé-ninguém, com 6% das preferências. Na pesquisa feita na quinta e na sexta-feira passadas, Jô perdeu a dianteira para Lacerda, que avançou olímpicos 15 pontos, depois de ser exibido ao lado de seus populares patronos e de dizer a que vem.

O horário eleitoral também propeliu a candidatura do petista João da Costa, no Recife. Em São Paulo, mudou a relação de forças entre o ex-governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab, do DEM. A diferença entre eles caiu de 21 para 10 pontos (Marta passou para 41%, ou 17 pontos acima do tucano). O peso do horário gratuito - com os acertos da mensagem de Marta, a nova visibilidade de Kassab e a desorientação da propaganda de Alckmin - parece inegável.

As pesquisas também confirmam o outro fato que, para o senso comum, simplesmente não existe: a influência partidária nas escolhas eleitorais. Não é por acaso que a região paulistana onde o predomínio da ex-prefeita alcança seu maior nível - o extremo sul - seja um forte reduto petista. Já se tornou uma referência, a propósito, o estudo Partidos e distribuição espacial dos votos na cidade de São Paulo, dos cientistas políticos Argelina Figueiredo, Fernando Limongi, Maria Paula Ferreira e Paulo Henrique da Silva, do Cebrap.

Debulhando as eleições entre 1994 e 2000, os pesquisadores verificaram que as bases geográficas dos partidos mais votados na capital - PSDB, PT e PPB - são claramente delimitadas. O primeiro tem o seu forte nas áreas centrais e de maior renda; o segundo, nas zonas mais pobres, em especial no leste; e o terceiro, nos bairros tradicionais de classe média baixa. Além disso, o desempenho das três legendas tende a se repetir nas eleições municipais, estaduais e federais, para o Legislativo e o Executivo.

A distribuição do voto por regiões, exprimindo preferências políticas que se relacionam com o perfil social da maioria dos seus moradores, “significa que cada partido conta com um capital de votos nessas regiões que, embora longe de garantir seu êxito eleitoral, constitui uma base de apoio sólida que lhe dá viabilidade em qualquer disputa eleitoral”, apontam os cientistas. A associação entre votações em diferentes eleições “é mais alta no partido mais fortemente organizado, o PT, e mais baixa no mais dependente de liderança individual (Paulo Maluf), o PPB”.

Outro estudo na mesma linha, As eleições municipais em São Paulo: 1985-2004, de Fernando Limongi e Lara Mesquita, trata dos nexos entre as estratégias dos partidos e as mudanças nas preferências dos eleitores. O trabalho comprova que a distribuição dessas preferências pode ser conhecida ou estimada com algum grau de certeza - e que “o eleitorado paulistano tem apresentado considerável estabilidade em suas opções” -, o que dificilmente aconteceria se as vinculações partidárias dos candidatos não contassem na hora do voto.

Claro que o estilo que cada político projeta pode fazer diferença. “Maluf construiu a reputação de um candidato obstinado, aguerrido e radical”, observam os autores. “A estratégia surtiu efeito, garantindo para o seu partido o controle sobre o eleitorado de direita.” O mesmo se aplica à imagem que os principais partidos querem passar ao público. “Não foi outra a estratégia perseguida pelo PT para conquistar o voto até então controlado pelo PMDB”, escrevem.

É sugestiva a constatação de que, analisando em conjunto as seis eleições no período pesquisado, “a direita e a esquerda foram as grandes vencedoras. O centro, representado inicialmente pelo PMDB e depois pelo PSDB, é o mais fraco dos competidores”. Em suma, o voto do paulistano é político-partidário, por menos que aceitem admiti-lo os defensores da ficção de que as pessoas votam em pessoas e os partidos pouco ou nada significam.

Luiz Weis é jornalista

LF -Sobre este tema ver também meu post Ondas e fundamentos

26/08/2008 - 20:00h Vôo rasteiro

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Walter Feldman preparado para “aproximar” Alckmin de Kassab

Deve ser piada ou provocação.

Walter Feldman, o falcão dos tucanos pro-Kassab pediu licencia, dixit Folha de São Paulo, para articular aproximação entre Alckmin e Kassab.

Eu sempre pensei que os mediadores eram escolhidos entre os que tinham bom trânsito e eram alheios aos clãs em disputa. Feldman é aquele que publicamente declarou que nesta eleição pela primeira vez em 30 anos não faria campanha pelo candidato do seu partido, emprestando as penas tucanas para travestir o demo Kassab.

Eu fico imaginando a chegada de Feldman no comitê de Alckmin para propor o entendimento (na convenção tucana ele foi escoltado por 4 guarda-costas).

As bases do acordo são simples: Alckmin faz hará-kiri na sua campanha e Kassab apoia ele para representante brasileiro na Ossétia do sul.

A escolha do “mediador” serrista é ridícula, mas o objetivo não. Em nome da cruzada anti-Marta, Alckmin proclama que a cidade está uma maravilha e Kassab agradece dizendo que as escolas de lata estaduais foram obra do PT. LF

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Feldman se licencia de cargo para articular aproximação entre Kassab e Alckmin

da Folha Online

O secretário municipal de Esportes de São Paulo, Walter Feldman (PSDB), se licenciou do cargo por dez dias, a partir desta terça-feira até o dia 4 de setembro.

Segundo a assessoria de Feldman, a licença não será remunerada e o tucano alegou motivos pessoais para deixar o governo. Ele vai articular a aproximação entre os candidatos Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) à Prefeitura de São Paulo para derrotar a petista Marta Suplicy no segundo turno.

Ontem, ele classificou como um erro político as críticas que o candidato tucano tem feito ao prefeito e candidato à reeleição. Para o tucano, os ataques vão dificultar a aproximação de ambos no segundo turno, caso um deles fique de fora da disputa.

“É um erro político um bater no outro. Isso irá dificultar uma aproximação no segundo turno”, afirmou Feldman.

Com a queda nas últimas pesquisas eleitorais, Alckmin tem endurecido o discurso contra Kassab e sua gestão. O prefeito também tem feito críticas ao tucano ao comparar gestões. Segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada no sábado, Marta está na frente com 41% das intenções de voto, contra 24% de Alckmin e 14% de Kassab.

O tucano acredita que Kassab vai para o segundo turno com Marta e, por isso, já conversa com o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), para discutir o assunto. “Independentemente de quem for [para o segundo turno], um vai ter que ter o apoio do outro”, afirmou.

“Ele [Kassab] tem uma marcha muito mais forte que a do Alckmin. Tem maior espaço na TV e mais apoio [dos militantes] na rua. O Alckmin continua hoje com dificuldades operacionais na campanha”, disse Feldman.

O tucano disse que sempre lutou para que a aliança PSDB-DEM fosse mantida para lançar apenas um candidato, o que não ocorreu. “Nós [PSDB] lutamos para que houvesse uma candidatura só. E nós dizíamos que se houvesse duas haveria um conflito. O que está acontecendo agora é o que nós já tínhamos imaginado”, afirmou Feldman.

Na avaliação do tucano, o embate entre Alckmin e Kassab ajuda a candidatura de Marta. Sobre sua permanência no governo Kassab, Feldman disse que não pode deixar de elogiar a gestão da qual faz parte. “É uma condição intermediária. É igual a minha situação agora. Como eu posso deixar de elogiar o governo ao qual eu faço parte?”, questionou.

26/08/2008 - 18:31h Prestes a receber Lula na campanha, Marta diz que não pensa em vitória no 1° turno

Reuters/Brasil Online - Portal O Globo

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SÃO PAULO - Com 17 pontos acima do segundo colocado nas pesquisas e a quatro dias de receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha, a candidata a prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) afirmou que não conta com a vitória no primeiro turno.

- Nós não estamos pensando nisso não, a gente está muito feliz de o presidente vir, mas nós acreditamos que nada de salto alto - afirmou Marta a jornalistas nesta terça-feira após realizar palestra na sede da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.

” Nada de salto alto “

Pesquisa Datafolha divulgada no sábado mostrou Marta subindo de 36 % para 41 %, abrindo 17 pontos percentuais de vantagem sobre Geraldo Alckmin (PSDB), que caiu de 32 para 24 %. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) passou de 11 para 14 %.

A alta de Marta e a queda de Alckmin já havia sido apontada em pesquisa Ibope anterior. Para ganhar no primeiro turno, em 5 de outubro, é necessário obter 50 % mais um dos votos válidos.

A candidata procurou não comentar a intensificação das críticas entre Alckmin e Kassab ao dizer que “a preocupação está em continuar apresentando propostas, porque foi assim que a gente chegou neste resultado.”

Mas não deixou sem resposta ataques do prefeito Kassab que a acusa de não acabar com as escolas de lata.

- As escolas de lata foram construídas, todinhas, na gestão (Celso) Pitta (1997-2000), da qual Kassab era secretário. Então me parece um pouco estranho ele fazer este discurso - afirmou, acrescentando que foi ela que iniciou o processo de desconstrução.

No sábado, o presidente Lula desembarca na campanha de Marta para o primeiro compromisso conjunto de campanha. Ele escolheu São Paulo para sua estréia na eleição deste ano. De acordo com informações ainda não oficiais, os dois farão uma caminhada e um comício na avenida Oliveira Freire, em São Miguel Paulista, zona leste da cidade. O extremo leste e a região sul são as duas áreas em que Marta tem seus melhores índices de intenção de voto.

- A idéia é ‘melhorar onde ela está bem’ - disse um petista da campanha.

Entre sábado e domingo Lula fará campanha também junto a candidatos do PT do ABC: Luiz Marinho (São Bernardo do Campo), Mário Reali (Diadema) e Vanderlei Siraque (Santo André).

26/08/2008 - 10:32h A cidade de verdade faz mal aos tucanos

O artigo de Dora Kramer é muito lúcido. A analise está focada na política e na briga interna no PSDB. Mas não deixa de ser interessante a referência a apresentação que Alckmin faz da situação da cidade de São Paulo. Dora constata o conteúdo no plano político, não é o objeto do artigo julgar se a descrição é verdadeira ou não.

No mundo da fantasia, presente na publicidade eleitoral de Kassab e na cabeça dos jornalistas afins ao serrismo, trata-se de um exagero de Alckmin quase que provocada pela dor-de-cotovelo ou da sua vontade deliberada de atacar Kassab. Evidentemente que o cálculo político está presente no fato de Alckmin condenar a administração demo-tucana. Mas, ele travestiu a realidade? A constatação de Alckmin é mentira?

Não é estranho, por exemplo, que até hoje a Folha não tenha publicado a avaliação da administração Kassab por setor, da última pesquisa Datafolha, como costuma fazer? De quanto mudou a avaliação na saúde, que era considerada ruim e péssima por 55% da população? e a do trânsito que era ruim e péssimo para 76%? ou a do transporte público? LF

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Virado à paulista

Dora Kramer - O Estado de São Paulo

Nessa altura não interessa mais de quem é a culpa: se do governador José Serra, ao planejar a eleição de prefeito sem um candidato com a marca do partido, mas ao molde do roteiro de sua campanha presidencial, ou se do antecessor, Geraldo Alckmin, ao atropelar o projeto e se impor ao PSDB como candidato do partido à Prefeitura de São Paulo.

Importa apenas o fato: de posse das duas máquinas, estadual e municipal, das melhores alianças partidárias (incluindo a captura do PMDB da área de influência do PT) e de uma adversária com alto grau de rejeição e baixa densidade político-eleitoral em sua coalizão, o PSDB constrói uma derrota.

Mas não uma derrota qualquer, daquelas normais, cujas conseqüências nefastas têm prazo de validade e volta por cima no cenário do amanhã.

Dessas, o presidente Luiz Inácio da Silva só em eleições presidenciais sofreu três. O governador José Serra outras tantas e a então prefeita Marta Suplicy uma especialmente impactante: em 2004 perdeu a reeleição para Serra que dois anos antes fora derrotado por Lula, que não conseguiu convencer o paulistano a dar o bis a Marta, que foi ao fundo, emergiu e hoje é líder absoluta nas pesquisas.

A derrota em construção não se limita ao resultado eleitoral. Este pode até virar, não se sabe. Ninguém está livre de um milagre, nem Geraldo Alckmin nem Gilberto Kassab. Ou de um imprevisto, nem Marta Suplicy.

O estrago bordado com esmero em São Paulo - com a participação de artesãos de fora - é de natureza política.

Isso ocorre quando o fracasso independe do resultado. A situação já se desenhava assim desde o começo, quando Marta patinava na largada, Kassab reunia uma vistosa aliança e Alckmin exibia patrimônio eleitoral suficiente para inibir qualquer movimento mais brusco do grupo do governador Serra para matar sua candidatura na marra.

Com a mudança de ventos e o registro da queda de Alckmin em duas pesquisas consecutivas, o quadro deu uma piorada considerável. Candidato oficial do PSDB, o ex-governador desceu do altar do bom-mocismo e partiu para o ataque direto à atual administração de São Paulo.

No programa eleitoral diz que sobra dinheiro e falta competência. Aponta carências de toda sorte: de vagas nas creches, nas escolas, de transporte púbico decente, de moradias, de hospitais, de médicos, de iluminação nas ruas, enfim, a cidade mostrada por Geraldo Alckmin é um horror em matéria de desmazelo e abandono.

Com isso, não ataca Kassab, um ex-deputado do DEM, vice deixado na cadeira por Serra para representá-lo na prefeitura toda montada à base de tucanos. Desde que assumiu a vaga, o substituto não deu um passo nem um pio em desacordo com a concepção de Serra, política e administrativamente falando.

Quando diz ao eleitor de 2008 que a Prefeitura de São Paulo é mal gerida, está informando ao eleitorado de 2010 no Brasil todo que o principal candidato de seu partido à Presidência da República é um mau gestor.

Um caminho que nem o PT nacional, adversário oficial na sucessão de Lula, havia ousado trilhar.

É difícil, embora seja possível, acreditar que a campanha de Geraldo Alckmin não tenha pensado em todas as conseqüências - entre elas a perda do papel da vítima - e atue nessa direção apenas por aflição eleitoral.

Seja qual for o fator, não altera o produto: um candidato a prefeito que se apresenta à disputa para afirmar a marca do partido e depois tenta se credenciar subtraindo credenciais do candidato a presidente do próprio partido.

Algo nunca visto nem no PT das memoráveis guerras de extermínio interno.

Leia a integra da coluna de Dora Kramer no jornal O Estado de São Paulo

25/08/2008 - 17:48h Ondas e fundamentos

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Desde a re-democratização e as suas primeiras eleições em 1982, foi se configurando na cidade de São Paulo três grandes eleitorados. A cada pleito eleitoral esses três setores disputam a hegemonia entre si, com uma constância que surpreende o analista superficial.

Esses três segmentos eleitorais começaram a sofrer uma mudança com a introdução do sistema eleitoral majoritário a dois turnos, o que reforça a tendência já presente nas democracias à bi-polarização da vida política. Mesmo assim, na cidade de São Paulo esses três segmentos eleitorais permeam a vida eleitoral desde 1982 até agora.

Inicialmente os setores hegemônicos foram constituídos pelo centro-esquerda peemdebista e a direita populista (janista e malufista). O terceiro segmento, muito pequeno, foi ocupado pela esquerda na criação do PT.

Como o sistema eleitoral proporcional não exigia maiorias absolutas para vencer, a divisão nestes três segmentos do eleitorado permitiu a vitória de Jânio e depois, uma primeira vitória do PT com Erundina.

Desde aquele momento, foi a evolução interna entre os diversos segmentos do eleitorado e a relação de forças entre eles a que levou a um ou outro desfecho nas eleições na cidade (municipais, estaduais ou federais).

Globalmente o campo da direita populista majoritário em 1982 com Jânio, e ainda majoritário com Maluf até levar a vitória de Pitta em 1996, começou a desfiar depois. A evolução do centro-esquerda peemdebista-tucano para um pragmatismo de centro-direita o transformou no principal receptáculo do debilitamento da direita populista, ao mesmo tempo que permitiu ao PT ocupar plenamente sua vocação social-democrata, de força de centro-esquerda. Como isto não foi produto de um processo linear, as relações de força eleitorais expressavam isto de maneira muito fluida, porém persistente.

Mesmo vencendo as eleições em 2000, por exemplo, a maioria em favor de Marta e do PT só foi possível no segundo turno pelo apoio de Mário Covas à Marta. O grosso do eleitorado de Alckmin no primeiro turno, na época candidato do PSDB, foi para Maluf no segundo turno, mas uma importante fração votou na Marta, que ganhou com 58% dos votos válidos contra 42% de Maluf (que no primeiro turno tinha obtido pouco mais de 15%).

Depois o processo só reforçou o campo do centro-direita tucano e parcialmente também o campo petista, em detrimento do malufismo. Isto permitiu em 2002 a vitória de Lula, mesmo que por pequena margem na cidade, na medida em que se fechava o ciclo do PSDB no governo federal e se consolidava a implantação do PT em São Paulo. Mas o PSDB emergia, com a vitória ao governo de Estado e com um bom resultado na cidade, como a força hegemônica no centro e na direita do espectro político.

As eleições de 2004 e de 2006 confirmaram está situação reforçando eleitoralmente o PSDB em São Paulo, sem porém eliminar completamente a direita populista que preserva um pequeno e importante eleitorado.

A está altura da analise é bom insistir que não existem categorias estancas entre os três segmentos eleitorais, nem sociológicas, mesmo que os setores mais pobres sejam o destaque do eleitorado do PT e que a burguesia e as altas camadas médias se identifique claramente com o PSDB. Uma parte do eleitorado de classe média oscila entre o PSDB e o PT, outra parte oscila entre os tucanos e a direita populista, é têm eleitores pobres em todas as candidaturas, evidentemente.

Os contornos mudam a cada eleição determinados pela conjuntura concreta e a intervenção das forças políticas e sociais nessa conjuntura.

Na situação atual persiste o fenômeno aqui analisado. A novidade é por conta de dois fatores novos, coincidentes no tempo: um, a ampla base de apoio no eleitorado nacional à política e à figura do presidente Lula, do PT; e o segundo é a novidade da disputa interna no campo do centro e centro-direita (hegemonizado pelo PSDB) com repercussões diretas na cidade de São Paulo com duas candidaturas, Kassab e Alckmin. A conjunção de ambos processos, aliados ao carisma e popularidade de Marta é a que constitui o tripé que sustenta a possibilidade de uma vitória da candidatura de centro-esquerda. Utilizo essas etiquetas de propósito, porque contrariamente ao mito de que o voto no Brasil não é ideológico, o eleitorado acaba agrupado sim, nos espectros ideológicos, seja de esquerda ou de direita com suas variantes.

Mas, apesar da crise no campo do centro-direita, não existe nenhum automatismo nesse desfecho. A vitória de Marta é possível, ela não é automática.

Primeiro, porque esses setores, mesmo divididos, contam com uma ampla base de sustentação eleitoral. Segundo, porque contam com uma amplíssima base de sustentação social e política nos diferentes mecanismos de poder: Estado, prefeitura, associações, mídia, instituições, ideológicas e culturais etc. Terceiro, porque souberam preservar esse apoio em São Paulo, com sustentação eleitoral incluso em setores médios e populares, disputando o eleitorado com o PT. Por último, porque serão pressionados a se unirem para enfrentar Marta, mesmo se essa união será limitada no tempo e apenas formal.

Por isso me parece essencial insistir na campanha, no nosso perfil de oposição aos demo-tucanos em seu conjunto e utilizar o momento para ampliar a receptividade às propostas do PT para a cidade, conjugadas com a ação do governo federal. Isto permitiu captar uma pequena parcela de eleitores que no primeiro turno não votaram no PT, nem em 2004, nem em 2006 e que aparecem nas duas últimas pesquisas inclinados a votar na Marta.

Esses eleitores vão ainda flutuar bastante, como ondas, e provocarão oscilações nas intenções de voto de todos os principais candidatos, até o desfecho do segundo turno. Mas é com eles que pacientemente o diálogo deverá ser preservado e aprofundado para conquistar no final seu voto, decisivo para a vitória. LF

25/08/2008 - 17:24h A opinião de Ricardo Noblat

Eleições - Quem sobe, quem cai

Blog de Noblat

Os resultados das pesquisas de intenção de voto do Instituto Datafolha divulgados no último fim de semana pouco ou nada têm a ver com os efeitos da primeira semana de propaganda eleitoral no rádio e na televisão dos candidatos a prefeito de algumas das capitais do país.

A atenção do brasileiro estava voltada para as olimpíadas de Pequim.

O período de 42 dias de propaganda eleitoral foi inaugurado na última terça-feira dia 19. Nos dias 21 e 22, o Datafolha entrevistou entre 800 a 1.200 eleitores em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife.

Até então apenas dois programas de candidatos a prefeito haviam ido ao ar – embora não devam ser desprezadas eventuais conseqüências dos comerciais veiculados diariamente a respeito deles e que pegam os eleitores desprevenidos. São peças de propaganda mais eficientes do que os programas.

Mas não foram os comerciais que provocaram as mudanças no quadro eleitoral registradas pelo Datafolha. A exceção fica por conta de Curitiba onde nada mudou. Candidato à reeleição, o prefeito Beto Richa (PSDB) coleciona 70% das intenções de voto.

No Rio, o favoritismo de Marcelo Crivella (PRB) está cada vez mais a perigo. Crivella caiu no Datafolha de 24% das intenções de voto no final de julho para 20%. Eduardo Paes (PMDB) saiu de 13% para 17%. Jandira Feghali (PC do B) empacou em 15%. Qualquer um dos dois será capaz de derrotar Crivella no segundo turno.

O que explica no Recife o salto espetacular dado por João da Costa (PT)?

Em julho, ele tinha 22% das intenções de voto, atrás de Mendonça Filho (DEM) com 30%. Foi para 37%. Mendonça caiu para 26%. Cadoca (PSC) despencou de 22% para 13%.

O tempo decorrido desde julho parece ter sido suficiente para o eleitor identificar João da Costa como o candidato da esquerda. Sim, ainda existe essa história de direita e esquerda no Recife. Cerca de 30% dos eleitores votam na esquerda. Outros 30% na direita. Os demais decidem as eleições.

Nos idos de 60, quando ainda se votava em separado para prefeito e vice-prefeito, Recife elegeu Pelópidas da Silva, pela esquerda. O vice dele, Miguel Arraes, perdeu para Augusto Lucena, apoiado pela direita.

Até um dia desses, João da Costa era um desconhecido secretário do prefeito João Paulo (PT). Os estrategistas de sua campanha imaginavam que ele atingiria o patamar dos 30% depois de duas semanas de propaganda eleitoral.

Subestimaram o fato de que João da Costa dispõe de três poderosos padrinhos: Lula, aprovado por 74% dos recifenses; o prefeito João Paulo, por 61%, e o governador Eduardo Campos (PSB) por 52%. Está em Belo Horizonte, contudo, o caso mais exemplar de pura e simples transferência de votos.

Quem é Márcio Lacerda (PSB), candidato a prefeito?

É um empresário que jamais disputou uma eleição. Filiou-se ao PSB só para ser candidato. Subiu de 6% das intenções de voto em julho para os atuais 21%, ultrapassando Jô Moraes (PC do B) que tem 17%.

A administração do governador Aécio Neves (PSDB) é considerada ótima ou boa por 86% dos habitantes de Belo Horizonte. A do prefeito Fernando Pimentel (PT), por 76%. Os dois apóiam Lacerda, que tem 12 minutos diários de comerciais no rádio e na televisão contra dois minutos de Jô.

Quase 95% dos mineiros estão convencidos de que Aécio sucederá Lula em 2010. Fazer o quê? Lacerda na cabeça.

A essa altura, o que o PSDB poderá fazer para evitar o desastre anunciado em São Paulo?

É cedo para falar em desastre ali? Talvez não. Marta Suplicy (PT) continua em ascensão – dessa vez passou de 36% na pesquisa de julho para 41%. Geraldo Alckmin (PSDB) continua caindo - tinha 32% das intenções de voto, agora tem 24%. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) foi de 11% para 14%. Paulo Maluf (PP) está com 8% ou 9%. A divisão do PSDB entre Alckmin e Kassab desorientou o eleitorado do partido.

A culpa é de quem? Ora, de Alckmin.

O governador José Serra, a bancada de vereadores do PSDB, secretários municipais e subprefeitos estavam dispostos a apoiar a reeleição de Kassab. Seria o natural. Kassab é Serra na prefeitura.

Aí o filhinho mimado de Pindamonhangaba bateu com o pé e anunciou: “Sou candidato”. Capaz de perder uma eleição para não perder a elegância, o PSDB engoliu a seco a decisão de Alckmin e bovinamente tomou o caminho do matadouro.

Como consertar a situação? E tem conserto?

24/08/2008 - 12:46h Dízima periódica

A imagem “http://www.grupoestado.com.br/midiakit/img/upload/dora_kramer.jpg” contém erros e não pode ser exibida. Dora Kramer - O Estado de São Paulo

É fácil conferir, basta dar uma olhada nos jornais da semana passada. Servem também os do começo do ano ou qualquer um publicado ao longo da campanha de 2006 - dos primórdios da escolha do candidato do PSDB à Presidência da República à derrota final de Geraldo Alckmin para o presidente Luiz Inácio da Silva, com menos votos que os obtidos no primeiro turno.

E se interessar um aprofundamento do estudo comparativo das ações do PSDB na tentativa de reencontrar o caminho do Palácio do Planalto, vale retroagir a pesquisa à campanha presidencial de 2002 para perceber como são conservadores os tucanos em matéria de equívocos.

Sem criatividade para inventar novos nem capacidade para superar os velhos, há seis anos contentam-se com a repetição dos mesmos erros. E o mais incrível: surpreendem-se com eles.

A cúpula do PSDB se assustou com a última pesquisa do Ibope sobre a eleição para prefeito de São Paulo que registrou uma subida espetacular de Marta Suplicy, uma queda acentuada de Geraldo Alckmin e um inamovível Gilberto Kassab na casa do dígito único.

Ato contínuo deflagrou-se a caça aos responsáveis e instalou-se a discórdia sobre como sair da periclitante situação: mudar a campanha de Alckmin sim, mas em qual direção?

Os “nacionais” cobram agressividade contra Marta Suplicy, mas os “locais” - candidato incluído - não querem briga, apostam na maciota e prometem que no segundo turno tudo vai ser diferente, virá o enfrentamento e, com ele, a virada rumo à vitória.

Filme visto em 2002: José Serra foi candidato a presidente em meio ao desinteresse explícito do partido, a bordo do discurso dúbio da “continuidade sem continuísmo” que entrou por um ouvido do eleitor e saiu pelo outro devidamente transformado em pó nesse trajeto.

Revisto em 2006: Alckmin forçou a mão, Serra achou melhor não enfrentar Lula com a bola interna dividida e o PSDB entrou na disputa desprezando os 20 pontos porcentuais de diferença nas pesquisas em favor do preterido. Naquela vez havia um discurso à disposição, mas os tucanos preferiram deixar para Lula a autoria da estabilidade e cair na armadilha de se envergonhar das privatizações.

Lá, como cá, uns pediam agressividade, outros preferiam a amenidade, mas ninguém sentava para se entender. Evidente, as intrigas, ciumeiras, rasteiras e ressentimentos presidiam o ambiente.

Reprisado agora, na eleição preparatória da disputa de 2010: José Serra, de novo o mais bem posicionado nas pesquisas, tinha um plano. Os adversários dentro do partido não concordaram - inclusive porque não devem ter sido consultados - com a preliminar da aliança em torno de Gilberto Kassab e outra vez decisão sobre candidatura foi um parto dantesco. Em público.

Começa a campanha e dá-se o óbvio: um candidato com votos e sem discurso, outro com discurso e sem votos resultam numa conjunção de carências.

Mas a nação tucana sobressalta-se. Esperava um milagre. E convém esperar sentada se continuar fazendo tudo errado achando que no fim dá tudo certo.

Leia a integra da coluna de Dora Kramer no jornal O Estado de São Paulo

22/08/2008 - 23:41h No ar, o Dr. Alckmin

Eleição em São Paulo

Blog de Noblat

No capítulo eleitoral da tarde de hoje em São Paulo, o zen Geraldo Alckmin (PSDB) fez o que muita gente implorava que fizesse na campanha presidencial: assumiu o seu lado médico de ser. E ao finalmente sair de Pinda para retomar sua especialidade profissional, aproveitou para tentar aplicar anestesia-geral no medalha de bronze Gilberto Kassab (DEM).

Do alto do seu jaleco, após fazer um diagnóstico sombrio da saúde na cidade administrada por Kassab, o dr Alckmin deu solução para tudo - de integração dos serviços à construção de hospitais, policlínicas e o escambau. Tudo com sigla, tudo com número, tudo com fotografia. E tudo perto de casa, prometeu.

O golpe de Alckmin foi de tiro longo, para alcancar também, lá no outro lado do mundo em que se encontra desde a véspera da estréia da campanha na TV, o governador José Serra. Não precisa explicar mas não custa lembrar: Saúde é a grande marca de Serra desde o Ministério. Tanto é que um dos motivos da derrota da candidata Marta Suplicy (PT) para ele nas últimas eleições é atribuído ao fato dela ter agendado este tema na campanha. Com força na Educação por causa dos CEUs, ela focou na proposta de um CEU da Saúde. Entrou na seara do adversário e deu no que deu.

Agora é diferente. Alckmin abandonou a medicina pela política, mas não pode se dizer que não seja médico. Quanto a Kassab, não foi ministro nem médico, é engenheiro, portanto não tem credenciais para essa disputa. De outro lado, Kassab é o fiel depositário da marca do padrinho político e antecessor, especialmente de sua menina dos olhos, as AMAs.

É, o candidato do DEM vai ter que largar rapidinho a pilha de papéis e o paletó que carrega na mão nos seus comerciais na TV, pois vai precisar usar os dois braços, quem sabe até um pé, nessa briga em que se meteu com seu parceiro histórico, o PSDB.

A jornalista Cila Schulman é estrategista e coordenadora de comunicação de campanhas eleitorais desde 1988. Estudou na “Graduate School of Political Management” da “George Washington University” e é membro e palestrante de entidades internacionais como IAPC – Associação Internacional de Consultores Políticos -, EAPC – Associação Européia de Consultores Políticos e Alacop – Associação Latino Americana de Consultores Políticos.