24/08/2009 - 11:08h Candidato-governador Serra investe também em campanha na internet. PSDB lança megaportal

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José Serra está investindo na sua imagem como moderno e olhando para o futuro. A entrevista fornecida ao Estadão visa a vender essa imagem, reforçada com a sua participação no twitter. O governador-candidato discorre sobre as novas tecnologias como “expert” comentarista. Ele parece evoluir tranquilo no mundo virtual, longe das dificuldades provocadas pela crise no Senado, para os adeptos do ciberespaço.

 

Estadão entrevista José Serra

”Nenhum candidato poderá prescindir da internet em 2010”

Para o governador, a legislação eleitoral brasileira ainda é muito restritiva em relação a campanhas na web

 


São duas horas da madrugada. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), deixa de lado os jornais, liga o aparelho de som e espera o sono vir com os Beatles ao fundo. A cena da intimidade de um dos possíveis candidatos à Presidência da República em 2010 foi registrada por ele mesmo em seu microblog na rede Twitter. “Vim dormir. Ia ler o clipping da imprensa da semana, mas desisti. Preferi ouvir o Abbey Road inteiro dos Beatles e zapear na TV sem som”, escreveu na noite de 13 de julho.

Serra é hoje o mais popular político do Twitter, com 71 mil seguidores, que acompanham em tempo real os passos do tucano. Aos 67 anos, o governador paulista entrou para a turma dos internautas depois dos 60 anos e para a dos “twitteiros” há pouco mais de três meses. Em entrevista exclusiva ao Estado, ele fala do potencial da internet na eleição de 2010 e de sua experiência no mundo virtual.

Qual será o papel da internet nas eleições presidenciais de 2010?

Nas eleições de 2010, no Brasil, nenhum candidato poderá prescindir da internet na campanha, é evidente, mas a influência será muito menor do que nos Estados Unidos, porque somos muito menos conectados, nossa legislação eleitoral é mais restritiva, nossa campanha é muito mais curta do que a deles, que dura quase dois anos, contando com as primárias para a indicação do candidato do partido. Aqui, legalmente a campanha só começa na segunda metade de julho, e a eleição é em outubro.

Qual será o grande desafio das campanhas na web?

O grande desafio de campanhas na internet, que a de Barack Obama venceu com louvor, é transportar o ativismo e a militância do mundo virtual para o mundo real, para ações de visibilidade, para as ruas. Tenho dúvidas de que conseguiremos fazer já em 2010 essa passagem.

Como foi seu primeiro contato com a internet?

Aprendi na marra a usar a internet em 2003, quando passei uma temporada nos Estados Unidos, no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, depois de perder as eleições presidenciais em 2002. Fui obrigado a me conectar para conversar com a família, com os amigos, para me manter em dia com as notícias do Brasil e do mundo, para não ficar isolado. Primeiro, aprendi a receber e a mandar e-mail; em seguida, a navegar pelo noticiário. Agora, sou o governador twitteiro e já ganhei até diploma de “especialização em relações twitteiras”, do programa CQC, da TV Bandeirantes.

Para quais atividades o senhor utiliza a internet?

Até 2002, no Ministério da Saúde, costumava mandar bilhetinhos escritos à mão para a equipe, perguntando sobre esse ou aquele programa de governo, tirando dúvidas, cobrando essa ou aquela providência. Escrevia à noite e, de manhã, minhas secretárias recebiam uma caixa de papéis para distribuir. Hoje, envio e-mail para os secretários e assessores. Muito mais rápido e eficiente. Também leio notícias nos principais portais e em alguns blogs, escrevo artigos, discursos. Nunca consegui datilografar artigos. Fazia sempre à mão. Troco e-mails com meus filhos, com os amigos e uso para lazer, navego no YouTube para ver clipes de músicas, procurar trechos de filmes. Resisti muito a entrar, porque sabia que iria me viciar. Fraquejei, entrei e me viciei.

O sr. é o político mais popular do Twitter, com mais de 71 mil seguidores. O que tem achado dessa experiência?

Fui para o Twitter meio por acaso e por curiosidade. Uso muito a internet. Comecei a ver reportagens sobre o fenômeno do Twitter e as pessoas mais próximas me diziam que eu devia entrar lá. Nem sabia direito o que era, como funcionava, para que servia, quando abri a minha conta. Esta, aliás, foi a primeira dificuldade: descobri que meu nome e quase todas as variações possíveis já estavam registrados no Twitter, com a minha foto e tudo. Eram muitos perfis falsos. Entrei sem fazer alarde, sem contar para ninguém a não ser para o pessoal mais próximo do gabinete. Habituado a escrever artigos e textos mais longos, no início achei que não conseguiria dizer nada em 140 caracteres, que é o limite do Twitter. Aos poucos, estou aprendendo a ser sintético.

Como o Twitter tem ajudado o seu trabalho como governador?

Eles (internautas) me dão dicas, fazem sugestões, apoiam medidas do governo, elogiam, mas também criticam, cobram, reclamam de coisas que não estão funcionando direito. Repasso para todas as áreas do governo, cobro dos secretários, tiro dúvidas com eles, vejo se as reclamações procedem. Os mais acionados pelos meus seguidores e por mim são o Barradas (secretário da Saúde), o Paulo Renato (secretário da Educação), as áreas de segurança e de transportes. É aí que a internet é fantástica. Poupa tempo, aumenta a eficácia, abre um canal direto entre o governo e o cidadão, para o governante ouvi-lo, prestar contas em tempo real e até para corrigir medidas. Isso para um governante não tem preço.

O sr. também faz comentários pessoais…

Há o lado lúdico também. Quando disse lá no Twitter que gosto de cinema e de trabalhar ouvindo música, muitos seguidores passaram a me mandar dicas e links de canções, cantores, bandas, trechos de filmes. Também fazem muitas perguntas sobre a minha vida, o governo, o que eu acho disso e daquilo. Claro que não consigo responder tudo e fico até aflito, às vezes, mas sempre dá para conversar um pouco. De que outro jeito isso seria possível? Só no Twitter mesmo.C.F. e E.L.

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PSDB se arma para ”guerra cibernética”

Partido investe em novo site como ferramenta essencial para 2010

Elizabeth Lopes e Carolina Freitas – O Estado SP

Antes do início da batalha nas urnas, a eleição presidencial de 2010 já movimenta um verdadeiro exército de militantes petistas e tucanos, que decidiram trocar a panfletagem nas ruas pela internet. A disseminação das redes sociais e o crescimento do número de internautas no País, hoje em torno dos 65 milhões, tornam a grande rede uma ferramenta essencial na elaboração das estratégias de campanha para as eleições. Para não perder terreno nessa batalha, o PSDB lança hoje um megaportal (www.tucano.org.br), com conteúdo em texto, áudio e vídeo, espaço para chats e links para a página do partido em redes sociais, como Orkut, Twitter e Facebook.

“Precisamos reunir o nosso exército para enfrentar este novo momento virtual e o tucano.org.br será a porta de entrada dos nossos militantes”, afirma César Gontijo, secretário-geral da Executiva Estadual do PSDB de São Paulo e um dos idealizadores do novo portal. Na avaliação do Gontijo, o PT saiu na frente no que ele classifica de “guerra cibernética contra os tucanos”. Ele cita, por exemplo, que se for feita uma busca no YouTube com os nomes de Dilma Rousseff (PT) e de José Serra (PSDB), pré-candidatos ao Palácio do Planalto, os primeiros resultados dos vídeos da petista são altamente positivos e favoráveis. E com Serra ocorre o inverso, com vídeos desfavoráveis e negativos. “Nossa ação não será de ataque ou revide, mas sim propositiva”, informa o secretário-geral..

Gontijo diz que o novo portal não foi criado apenas com o foco nas eleições 2010. “Estamos acompanhando uma tendência natural de interatividade e queremos também melhorar um dos grandes desafios do partido, que é a comunicação.” Ele reconhece, porém, a força que essa ferramenta terá na próxima eleição, ao propiciar aos militantes e simpatizantes um instrumento para a troca de ideias, e ao partido, um canal para a disseminação de sua plataforma.

O novo portal trará também a “tucanopédia”, que funcionará da mesma forma que a enciclopédia virtual Wikipédia e exibirá o perfil dos filiados – são cerca de 150 mil no Estado – e a TV Tucana, que estreia no dia 31 com pronunciamentos do presidente nacional da legenda, Sérgio Guerra, e do presidente paulista, Mendes Thame.

O portal é iniciativa do PSDB paulista, mas a ideia é que seja criada uma rede nacional, com a interação dos outros diretórios da sigla. O partido não informou o custo com o portal.

11/07/2009 - 10:43h Beto Richa (PSDB) na berlinda

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Vídeo cita mais casos de corrupção no PR

Fita mostra que construtor afirmou ter desviado IPTU para financiar campanha do prefeito de Curitiba

JOSÉ MASCHIO DA AGÊNCIA FOLHA, EM LONDRINA – DIMITRI DO VALLE DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA

Dois auxiliares diretos do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), gravaram um vídeo no qual o construtor Rodrigo Oriente -que divulgou cenas nas quais políticos que apoiaram o tucano recebiam dinheiro sem origem comprovada- diz ter relatado mais casos de corrupção na gestão tucana à Polícia Civil do Paraná.
O vídeo foi feito pelo procurador-geral de Curitiba, Ivan Bonilha (advogado da campanha de Richa), e pelo diretor de Transportes da URBS, Fernando Ghignone (tesoureiro). Nele os dois conversam com o ex-gerente comercial da construtora Piemonte, Rodrigo Oriente, em 10, 11 e 13 de junho deste ano.
A Piemonte, empresa de loteamentos que atua em Curitiba, pertence à holding Plenaventura e foi a terceira maior doadora da campanha de Richa. Oriente -que trabalhou num comitê de apoio a Richa em 2008- acusou o comitê tucano de utilizar um caixa dois.
No dia 22, quando a acusação de caixa dois chegou aos jornais, o PSDB divulgou uma edição de 11 minutos do vídeo (que tem mais de três horas) em que Oriente cita a pressão de opositores de Richa para fazer denúncias. A íntegra do vídeo, porém, mostra que Oriente também listou vários casos de corrupção na prefeitura e fraudes na arrecadação de IPTU para alimentar a campanha tucana.
Oriente diz a seus interlocutores que enumerou 26 casos de crimes ao depor a um órgão da Polícia Civil do Paraná. Ao ouvirem as denúncias, Bonilha e Ghignone prometem “”tomar providências”. A íntegra da fita foi entregue à Folha por Richa.
Na gravação, Oriente diz que a Piemonte negociou com Richa que a arrecadação de IPTU de 6.220 terrenos num loteamento não fosse para o erário, mas para a campanha do PSDB.
O esquema gerou R$ 334 mil para a campanha de Richa, disse Oriente. Ele diz que R$ 200 mil foram para o comitê central de Richa e o resto a comitês pró-Richa nos bairros. A prestação de contas de Richa lista a Piemonte como doadora de R$ 201 mil à campanha. Oriente disse que o montante não declarado ao TRE foi para o caixa dois da campanha de Richa.

24/06/2009 - 10:29h Qual é o valor da palavra de José Serra?

Coluna Ancelmo Gois, jornal O Globo: a palavra de Serra no twitter
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Catia Seabra – Folha SP: a decisão de Serra
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Serra usará agenda oficial para sair de SP em dias úteis

Atendendo a apelos de tucanos, pré-candidato à Presidência decide viajar a outros Estados para comparecer a eventos como governador

Serra intensificará visitas a Estados considerados pontos fracos do PSDB, como Rio de Janeiro, onde participa hoje de cerimônia

CATIA SEABRA – FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL

Antes com programação concentrada nos fins de semana, o governador de São Paulo e potencial candidato à Presidência, José Serra, estenderá sua agenda de viagens a outros Estados também nos dias úteis.
Rendendo-se a apelo de aliados, Serra deverá viajar mais pelo país em cumprimento de atividade de governador.
Um dos pontos fracos do tucanato, o Rio será destino mais frequente a partir de agora. Hoje, assiste à posse do presidente da Associação Comercial do Estado, José Luiz Alquéres, presidente da Light e ex-presidente da Alstom no Brasil, investigada na Suíça, na França e no Brasil sob suspeita de pagar comissões ilegais para obter contratos com governos da Ásia e da América Latina, como o de SP.
O governador deverá voltar ao Rio em agenda oficial, para a comemoração dos 200 anos da associação e a feira agropecuária de Rezende.
Segundo tucanos, Serra atenderá a convites oficiais, especialmente os destinados à discussão da crise, como um da associação comercial da Bahia.
O governador -que estará em Goiás no dia 13 para seminário sobre desemprego- também avalia convite da Federação de Indústrias do Ceará.
Afirmando que Serra estará em Mato Grosso e em Maceió nos próximos dias, o vice Alberto Goldman nega que a intensificação da agenda seja fruto da mudança de estratégia. Diz que não é o governador que está mais receptivo aos convites. “Serra está mais requisitado.”
Ele participará ainda de seminários em Pernambuco e na Bahia. Para a definição da agenda, leva-se em conta a magnitude do evento. Antes do embarque, Serra recebe uma radiografia do Estado que visitará.
Até o mês passado, ele resistia mais à ideia de viajar, sob o argumento de que é cedo para a campanha. No tucanato, porém, ganha força a tese de que ele deve percorrer o país em atividades oficiais.
Serra repete que não pretende contrariar os paulistas, seu patrimônio. Mas uma pesquisa, encomendada ao instituto Ipesp, serve de aval para um passo mais ousado. Segundo o Ipesp, 83% dos entrevistados afirmam que a entrada do governador na disputa pelo Planalto seria boa para São Paulo.

01/06/2009 - 16:26h Campanha por lei contra homofobia tem baixa adesão

O Estado SP
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15/04/2009 - 09:58h “Gestão” demo-tucana: entidade quer cassar mandato do líder de Kassab na Câmara. Ele é o relator do Plano Diretor

Tô de olho no Netinho
Vereador José Police Neto

Fabio Leite e Felipe Grandin – O Estado SP

Líder de Gilberto Kassab (DEM) na Câmara, José Police Neto (PSDB) é acusado de quebra de decoro parlamentar. Relator da revisão do Plano Diretor e do projeto de concessão urbanística da Nova Luz, ele recebeu R$ 545,4 mil em doações do mercado imobiliário na eleição de 2008. Segundo o código de ética dos vereadores, configura infração ofensiva “relatar matéria de interesse específico de pessoa física ou jurídica que tenha contribuído para o financiamento de sua campanha”.

A Associação de Comerciantes do Bairro de Santa Ifigênia (ACSI) pedirá hoje na Corregedoria da Casa a cassação de Police Neto. “O código de ética proíbe o vereador de relatar projeto de interesse dos financiadores”, diz Paulo Garcia, diretor da ACSI. O setor imobiliário se beneficiaria dos projetos, que tratam de limites de construção na cidade. Police Neto alega que eles não são de interesse específico das construtoras, mas de “11 milhões de paulistanos”.

“Se ele recebeu doações de campanha de uma empresa e é relator de projetos de interesse do setor, não tenho dúvida que é quebra de decoro”, diz o especialista em Direito Político e Eleitoral Everson Tobaruela, conselheiro seccional da OAB-SP. “É notório o interesse das construtoras. Ele deveria deixar o cargo”, diz o presidente do Instituto de Direito Político Eleitoral e Administrativo (Idipea), Alberto Rollo. Police Neto afirma que a infração ocorre quando a matéria é de “interesse direto e imediato” do doador. “Se fosse projeto de doação de terreno para uma das empresas, aí sim. Não é o caso do Plano Diretor, que serve não só aos 25% de doadores como aos outros 75%”, diz o tucano, que recebeu ao todo R$ 993 mil. Após protesto de comerciantes da Santa Ifigênia ontem, ele disse que apresentará um substitutivo ao texto para garantir a preservação do comércio local. O vereador quer votar a proposta em definitivo até amanhã.

08/03/2009 - 12:20h Nota discreta

PF indicia tucanos por crime eleitoral

O Estado SP

A Polícia Federal indiciou dirigentes do PSDB de Mato Grosso por crimes eleitorais e formação de caixa 2 que teriam sido praticados nas eleições de 2002. Foram indiciados o tesoureiro Paulo Ronan Ferreira, e o presidente do comitê, Lourival Ribeiro Santos. Os dois teriam realizado transações financeiras ilícitas para financiar a campanha ao governo do Estado e ao Senado.

02/03/2009 - 11:04h O Jarbas hoje é mais PSDB que PMDB, diz Sarney

Ruy Baron/Valor

Pela primeira vez, Sarney responde às críticas feitas por Jarbas Vasconcelos: “Jarbas é mais PSDB do que PMDB”

PT e PSDB disputam apoio do PMDB, mas querem o partido fraco, diz Sarney

Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirma que a pecha de corrupto colada ao seu partido resulta de uma “campanha organizada” que teria como principais interessados o PT e o PSDB – que buscam o apoio da maior legenda do país para seus projetos presidenciais de 2010. O ex-presidente da República que, como presidente do Senado, tem a função de comandar as sessões do Congresso Nacional, sintetiza o que considera ser o objetivo do PT e PSDB: “Querem o PMDB fraco”.

O ataque mais duro ao PMDB, de prática de corrupção e fisiologismo, partiu de um histórico filiado da sigla, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). A avaliação partidária feita por ele pode se resumir ao fato de ser esta uma legenda essencialmente corrupta, em atos e atitudes, segundo Jarbas.

Jarbas explicou para quê, segundo seu entendimento, o PMDB quer cargos no governo: “Para fazer negócios e ganhar comissões”. A maioria do partido, avaliou, “se move por manipulação de licitações e contratações dirigidas”. Citou nominalmente, nesta análise, apenas o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), e o presidente da Casa, José Sarney (AP). Sobre Sarney, disse que sua eleição “foi um processo tortuoso e constrangedor, um completo retrocesso”. De acordo com a crítica do senador pernambucano, Sarney apareceu como candidato, “sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador Sarney”.

Em entrevista ao Valor, concedida na manhã de sexta-feira, em Brasília, o senador José Sarney respondeu, pela primeira vez objetivamente desde que eclodiu a crise, aos comentários de Jarbas Vasconcelos. O revide de Sarney definiu, em uma só frase, sua opção para 2010 e a opinião que dará ao ser consultado sobre que rumo deve tomar o PMDB na sucessão presidencial: “Jarbas é mais PSDB do que PMDB”.

O presidente do Senado, no entanto, não nega esses maus hábitos políticos do seu partido, mas – assim como fez o senador Pedro Simon (PMDB-RS) da tribuna – estende o comportamento à vida política em geral. “O homem não nasceu anjo”, justifica.

Eleito há um mês para seu terceiro mandato como presidente do Senado, Sarney teve, até agora, pouco a comemorar. Nenhuma das 11 comissões técnicas foi instalada, por causa da disputa entre partidos, nada foi votado em plenário e a adesão da Venezuela ao Mercosul – processo ao qual é totalmente contrário – foi aprovada pela comissão de parlamentares que representam o Brasil no bloco.

A partir desta semana, o presidente do Senado espera livrar-se dessa agenda negativa que só lhe tem causado dissabores. Pretende criar, junto com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), uma comissão mista para analisar todas as propostas de reforma política que tramitam no Congresso e, no fim, elaborar um substitutivo que, acredita-se, teria tramitação mais fácil.

O senador também quer instalar a comissão de senadores que vai monitorar a crise econômica. Crise que, na sua opinião, influenciará a posição do seu partido na sucessão presidencial de 2010. Sarney defende a manutenção da aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, resultando no apoio dos pemedebistas à candidatura governista. Mas ele diz que é cedo para o partido tomar a decisão. “Isso vai depender da crise econômica”, diz. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Valor:

Valor: A pecha de corrupto que seu partido tem não incomoda?

José Sarney: Essa é uma campanha organizada, estruturada, que realmente não tem profundidade. Acho que o partido está pagando por ter ganho as eleições e ser o partido mais forte. Ele está debaixo de um fogo cruzado de todos os outros partidos, inclusive os dois grandes, PT e PSDB, que querem o apoio do PMDB, mas querem, ao mesmo tempo, o PMDB fraco.

Valor: O senhor concorda com Pedro Simon, quando ele diz que o PMDB não é mais corrupto que o PT ou o PSDB? São todos iguais?

Sarney: O Simon está falando o que é a realidade. A sociedade é o que é. Tem gente boa, tem gente má em todos os lugares. O primeiro documento que existe sobre política, democracia no mundo é o discurso de Péricles aos mortos na guerra do Peloponeso, no qual ele já acusa o adversário de ter roubado o ouro da estátua de Fídias. Então, essa é uma maneira de desqualificar o adversário. Em todo lugar, em toda a campanha, a todo momento, esse é um tema que não falha, porque faz parte de uma das ideias fundamentais políticas do mundo ocidental.

Valor: É arma de campanha porque existe…

Sarney: Claro que existe. Corrupção existe em todos os setores, em todo lugar do mundo. O homem não nasceu anjo. Mas o Brasil avançou demais no combate à corrupção, com os controles de Tribunais de Contas, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, por meio do qual é possível acompanhar os gastos públicos), a transparência legislativa, o controle geral de verbas, os controles internos, enfim, tudo isso existe e funciona.

Valor: Uma das acusações feitas por Jarbas é que “o comportamento do governo Lula contribui para a banalização” da corrupção. Até que ponto o relacionamento do Executivo com o Legislativo estimula essas práticas?

Sarney: São acusações que foram feitas ao Fernando Henrique Cardoso, estão sendo feitas ao Lula, foram feitas ao Juscelino Kubitschek e são feitas a todos os presidentes. É o jogo político. É uma arma de jogo político.

Valor: Além das críticas ao PMDB, o senador Jarbas Vasconcelos afirmou que sua eleição foi um “retrocesso” e que o senhor não fará as mudanças políticas necessárias na Casa. Como a convivência será possível?

Sarney: O Jarbas hoje é mais PSDB que PMDB. Hoje, Jarbas tomou uma posição que o aproxima mais do PSDB do que do PMDB.

Valor: Mas isso não impede que ele continue no partido.

Sarney: Hoje tem a cláusula da fidelidade partidária, que tornou muito difícil a saída do partido.

Valor: E o senhor acha que é possível alterar essa regra dentro da reforma política que se pretende?

Sarney: Eu e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), vamos criar uma comissão para consolidar todas as propostas de reforma política que existem dentro do Congresso e fazer um substitutivo, com vários projetos que serão submetidos às duas Casas. Até o fim do ano temos que dar uma solução a isso.

Valor: Mas essa reforma nunca avança. O que pode ser mudado de fato? A tal “janela” para que um político mude de partido sem perder o mandato? Pode ser o fim da reeleição?

Sarney: Não quero discutir os casos em si, porque não quero provocar discussões que possam interromper, prejudicar a comissão que estamos criando agora. Vamos fazer tudo para votar neste ano. Um ponto que considero fundamental é acabar com o voto proporcional. Sem mexer nisso não há reforma política. Só existe no Brasil. Não existe em lugar nenhum no mundo. É uma reminiscência do século 19. O mundo mudou e nós ficamos no século 19.

Valor: E quanto à reeleição?

Sarney: Sempre fui contrário. Acho que deve ter um mandato mais longo, de cinco ou até seis anos. Quatro anos é um prazo muito curto para realizar. Mas não quero entrar no mérito do que pode ou não ser votado.

Valor: A paralisia do Senado está sendo criticada. Como o senhor responde a isso?

Sarney: Quero dizer que as últimas reformas de profundidade no país foram aprovadas na última vez em que fui presidente do Senado: as reformas do Judiciário e da Previdência Social. Deu muito certo a do Judiciário, os efeitos estão sendo colhidos pelo povo brasileiro. E vou me dedicar a justamente votar a reforma política, a reforma tributária e a mudança nas regras das medidas provisórias.

Valor: Há dias o senhor chegou a defender o fim da verba indenizatória (R$ 15 mil mensais que os parlamentares podem gastar com despesas relacionadas à atividade legislativa), que a Mesa Diretora da Câmara decidiu divulgar na internet. É possível extingui-la?

Sarney: Vou fazer a mesma coisa que a Câmara fez. Vou propor à Mesa do Senado a publicação de tudo, com a maior transparência com relação à verba indenizatória. De minha parte, acho que essa não foi uma solução das mais felizes encontradas pelo Congresso.

Valor: O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) tem uma proposta que acaba com a verba indenizatória, mas aumenta o salário do parlamentar. É uma solução?

Sarney: É uma das propostas, mas tem que ser decidida pelo Congresso. Não é matéria a ser decidida pela Mesa Diretora. É um caso delicado, porque todos os deputados e senadores têm que apoiar e votar.

Valor: Uma questão que deve ser decidida na sua gestão é o pedido de adesão da Venezuela ao Mercosul, que o senhor sempre foi publicamente contra. O senhor acha que o Senado pode barrar?

Sarney: Não vou colocar minha posição pessoal para bloquear uma proposta pelo Senado. Não vou fazer com essa nem com nenhuma. Sou presidente da Casa, senão perco a autoridade. Mas minha posição continua a mesma. Não entendi até agora o que é “democracia bolivariana”. E tem a cláusula do Mercosul, que estabelece a plena vigência das instituições democráticas como condição essencial para a adesão de um país. E toda democracia adjetivada para mim passa a ficar sob contestação. Era o que acontecia com as democracias populares. Acho que a entrada da Venezuela, neste momento, vai ser um elemento perturbador no Mercosul, que hoje atravessa uma fase muito difícil. Não podemos transformar o Mercosul num fórum político.

Valor: E com Hugo Chávez (presidente da Venezuela) isso seria inevitável?

Sarney: Tenho a impressão que, se Chávez ingressar, vai querer transformá-lo num fórum político. É do temperamento político.

Valor: O PSDB também é contra. Como a oposição é forte no Senado, há chance de rejeição?

Sarney: Pelo que sinto, pelo movimento dentro da Casa, tenho a impressão de que terminam aprovando. Pode encontrar resistência, mas a minha impressão é que vai passar.

Valor: Voltando ao PMDB, o senador Simon afirmou que em 2010 o partido estará com quem pagar mais. Lula poderá contar com o partido na chapa de seu candidato, seja ou não a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil)?

Sarney: Eu, pelo menos, defendo a posição de que o PMDB deve manter a aliança que tem com o PT, porque as afinidade que o partido tem com o PT são maiores do que as que tem com outros partidos. Mas é cedo para falar nisso.

Valor: Qual é o momento da decisão?

Sarney: Vai depender da crise econômica, de como ela vai surgir e de que modo ela vai influenciar a campanha no Brasil. O lado econômico vai ter reflexo na área política.

18/01/2009 - 11:14h Lula quer lançar Dilma já em 2009 para fazer alianças

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KENNEDY ALENCAR colunista da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dito a ministros, aliados e petistas que deseja lançar publicamente até o final deste ano a candidatura ao Palácio do Planalto da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. A eleição presidencial acontecerá em outubro de 2010.

Legalmente, o PT deve esperar até junho de 2010, o mês para realização das convenções partidárias que oficializam as candidaturas. Mas Lula pretende ganhar um semestre para articular alianças.

O raciocínio do presidente é o seguinte: o PT deve terminar 2009 ungindo Dilma como candidata. O presidente tem até data: durante as eleições internas petistas marcadas para o final de novembro deste ano.

Na sequência, Lula acha que o PT deve buscar uma ampla aliança com PMDB, PSB e a penca de outras legendas que sustentam seu governo no Congresso.

Se o partido ficar esperando até junho de 2010, Lula avalia que será mais complicado viabilizar a aliança para uma candidatura única das atuais forças governistas.

O presidente insiste na tese da candidatura única para fazer disputa plebiscitária com a oposição na campanha de 2010. Crê que mais de um candidato do campo lulista inibirá sua ação a favor de sua favorita.

A primeira opção do Planalto é por um entendimento com o PMDB. Lula e Dilma gostariam que o governador do Rio, Sérgio Cabral, fosse o candidato a vice da ministra. No entanto, ele já disse a Lula e a Dilma que deseja tentar a reeleição no Rio e sugeriu um nome do Nordeste: o atual ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima.

Caso não consiga a aliança com o PMDB, partido dividido e também cortejado pelo PSDB para a disputa presidencial, o PT deveria tentar um acordo com o PSB. O deputado federal Ciro Gomes (CE) ou o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, seriam opções de vices nordestinos para a mineira Dilma que fez carreira política no Rio Grande do Sul.

Mas Ciro ainda não desistiu de ser candidato, apesar de seu caminho ficar mais estreito a cada dia. Campos tem a alternativa de concorrer à reeleição.

*

8 anos para mudar o Rio

O governador Cabral acha que precisa governar o Rio por oito anos para se credenciar a voos mais altos. Ele começou a implementar uma política de ocupação “social” de favelas para enfrentar o crime organizado. Se o projeto pegar e se ampliar significativamente num eventual segundo mandato, ele se credenciaria para tais voos.

*

Paixãozinha

Dilma e auxiliares chamam o ministro Geddel de “paixãozinha”. O relacionamento entre eles é muito bom. Lula gosta do desempenho administrativo do peemedebista e criou com ele uma relação pessoal boa, apesar das críticas duras de Geddel ao presidente no primeiro mandato.

Na avaliação do Palácio do Planalto, a eventual indicação de Geddel para vice de Dilma mataria três coelhos com uma cajadada.

Daria a ela um vice peemedebista do maior Estado do Nordeste. Diminuiria a chance de o partido fechar oficialmente com os governadores tucanos José Serra (SP) ou Aécio Neves (MG), ambos potenciais candidatos em 2010. E resolveria a briga entre PT e PMDB na Bahia, facilitando a candidatura à reeleição do governador petista Jaques Wagner.

Kennedy Alencar, 41, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal “RedeTVNews”, de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas “É Notícia”, aos domingos à meia-noite.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br

17/01/2009 - 15:36h Ônibus com slogan ateu são proibidos de circular na Itália

Órgão diz que anúncio fere regras da propaganda; Igreja diz que ‘bom senso venceu’.

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ônibus em Londres proclama: “provavelmente deus não exista, então pare de se preocupar é toque sua vida”. Propaganda semelhante em Barcelona e outras cidades.

De Milão para a BBC Brasil – Agencia Estado

A associação italiana União dos Ateus e Agnósticos Racionalistas (UAAR) foi proibida de divulgar uma campanha publicitária nos ônibus de Gênova.

A concessionária de publicidade nos meios de transporte públicos IgpDecaux considerou que o slogan “Má notícia: Deus não existe; Boa notícia, você não precisa dele” é provocatório e não se enquadraria no código de ética da propaganda italiana.

“Não esperávamos a proibição da campanha, mas levávamos em conta o risco que corríamos. O contrato já estava pronto para ser assinado”, disse à BBC Brasil Giorgio Villella, organizador dos eventos da UAAR e ex-secretário nacional da associação.

A IgpDecaux, com sede em Milão, argumentou que segundo os códigos 10 e 46 de autodisciplina regulamentar, a publicidade não deve ser ofensiva e as campanhas não devem lesar o interesse de ninguém.

“Se irão apresentar outro slogan poderemos examinar. Não se trata de seguir ou não as indicações da Igreja”, afirmou Fabrizio DuChene, administrador-delegado da empresa ao jornal La Repubblica.

A UAAR promete lutar contra a proibição de veicular a mensagem de que Deus não existe.

“Vamos pedir que à prefeitura de Genova revogue o contrato com a IgpDecaux. A prefeita da cidade, que é laica, tinha se declarado favorável à campanha, realçando o direito de liberdade de expressão. E iremos até a Corte de Justiça Européia se for necessário”, disse Villella.

Bom senso

Membros da cúria comentaram o cancelamento da campanha. Para o Monsenhor Marco Granara, reitor do Santuário de Nossa Senhora della Guardia, “venceu o bom senso”.

“Todos os problemas deste tipo, o ateísmo, a homossexualidade não devem ser enfrentados com batalhas, mas sempre através do espaço para o diálogo”, disse ele ao jornal La Repubblica.

Durante a fase de discussão sobre a campanha alguns motoristas cristãos da empresa de transporte público de Gênova ameaçaram não conduzir ônibus que carregassem a propaganda ateísta.

A veiculação da campanha custaria cerca de 8 mil euros (cerca de R$ 23 mil). Dois ônibus circulariam a partir do dia 4 de fevereiro durante quatro semanas.

A iniciativa é semelhante à que está sendo realizada em Londres, Washington e Barcelona. Na Austrália, a proposta também foi vetada.

Apesar da proibição, a UAAR, que existe há 22 anos, disse ter atingido o objetivo de “atrair visibilidade para a associação”.

Segundo Villella, a associação de 3 mil sócios recebeu em poucos dias mais de 500 novas inscrições.

Ainda segundo ele, a UAAR já recebeu mais de 13 mil euros em doações, que vão ser usados na “batalha judicial para dar voz a quem não acredita em Deus”.

19/12/2008 - 13:25h Planilha indica doação ilegal de R$ 3,5 mi a políticos

Entre os supostos beneficiados do esquema estão cinco deputados estaduais e um federal de 5 partidos

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Bruno Tavares e Marcelo Godoy – O Estado SP

A máfia dos parasitas fez investimentos de pelo menos R$ 3,5 milhões em 26 candidatos a prefeito – 18 deles foram eleitos em três Estados. Isso é o que o Ministério Público Estadual sustenta com base em documentos que indicam, na visão dos promotores, doações ilegais feitas pela Home Care Medical Ltda, a principal empresa suspeita de envolvimento em fraudes de R$ 100 milhões em contratos de material e serviços hospitalares. Um dos documentos em mãos dos promotores registra “investimentos” de R$ 3,5 milhões em candidatos a prefeito. Em outra lista, feita a mão, os valores somados chegam a R$ 4,1 milhões. Entre os supostos beneficiados do esquema estão cinco deputados estaduais e um federal de cinco partidos.

Um mapa, de acordo com o Ministério Público, registra os sucessos e insucessos eleitorais do grupo. Na coluna “municípios que ganhamos”, há indicação de vitórias em cidades como Marília (Mário Bulgarelli, PDT), São Carlos (Oswaldo Barba, PT), São Caetano do Sul (José Auricchio, PTB), Taubaté (Roberto Peixoto, PMDB) e Botucatu (João Cury, PSDB). Ao todo, esses candidatos teriam recebido R$ 1,5 milhão. Há referências a pagamentos mensais feitos de junho a setembro de R$ 75 mil, R$ 50 mil e R$ 25 mil para os candidatos a prefeito.

Os deputados estaduais supostamente beneficiados pelas doações são Chico Sardelli (PV), Marco Bertaiolli (DEM), Roque Barbieri (PTB), Orlando Morando (PSDB) e Celso Giglio (PSDB). O federal é Reinaldo Nogueira (PDT-SP). Só dois deles se elegeram prefeito – Bertaiolli, em Mogi das Cruzes, e Nogueira, em Indaituba (SP). O Estado procurou todos os candidatos. Eles negaram o uso de caixa 2.

Ao todo, a Home Care teria registrado seus “investimentos” em campanhas de candidatos de oito partidos políticos – PT, PSDB, PMDB, PR, DEM, PDT, PV e PTB. Uma das tabelas mostraria que os candidatos do suposto esquema foram derrotados em oito municípios, entre eles Osasco (Celso Giglio, PSDB), São Bernardo do Campo (Morando), Americana (Chico Sardelli, PV), e Resende (Silvio de Carvalho, PMDB).

TSE

No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há doações registradas da Home Care para cinco candidatos. Três deles concorriam a uma vaga de vereador em Uberlândia (MG) e um a vereador em São Bernardo do Campo, além de Carlos Vilela (DEM), candidato a prefeito de Caçapava (SP). Somadas, essas doações chegaram a R$ 45 mil. Há ainda o registro de duas doações – ao todo R$ 700 mil – para o comitê da candidatura de Morando, em São Bernardo. Na contabilidade apreendida pela polícia na Home Care há o registro de doações de R$ 1,08 milhão para Morando e de R$ 55 mil para Vilela, em Caçapava.

MAPEAMENTO

Os empresários foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) sob as acusações de formação de quadrilha, peculato, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. Sem citar os políticos suspeitos, os promotores afirmaram na denúncia que os documentos mostram “a existência de mapeamento político de diversas administrações (com referências a doações para campanhas políticas, denominadas pela quadrilha de ?investimentos?) em cidades variadas, apontando locais de vitórias e derrotas de candidatos municipais apoiados pelos criminosos”.

Ainda segundo os três promotores que assinaram a denúncia – José Reinaldo Guimarães Carneiro, Luiz Henrique Cardoso Dal Paz e Roberto Porto -, os empresários Renato Pereira Júnior e Marcos Agostinho Paioli Cardoso conversavam “abertamente sobre a influência que detinham junto a prefeitos do interior do Estado de São Paulo, comemorando resultados políticos bem delineados”. O grupo, segundo o Gaeco, elaborou um “organograma de sua própria atuação criminosa, igualmente apreendido” na operação.

A investigação que resultou na descoberta do esquema nasceu de uma denúncia feita à Corregedoria-Geral da Administração do Estado de São Paulo. Foi montada uma força-tarefa composta por auditores da Receita Estadual, integrantes da inteligência da Polícia Civil e promotores do Gaeco, que investigaram durante 11 meses a atuação das empresas suspeitas. O suposto esquema seria dividido em duas células – uma atuaria nas prefeituras e outra que fraudaria licitações em hospitais públicos.

Candidatos alegam que tiveram contas aprovadas

Roberto Almeida – O Estado SP


Candidatos eleitos e derrotados acusados de receber dinheiro da Home Care Ltda. negaram os “investimentos” em suas candidaturas, sob alegação de que suas contas de campanha foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Consultados pelo Estado, eles disseram ter confirmado com as assessorias jurídicas de suas campanhas que não houve doação paralela para suas candidaturas.Os deputados estaduais Orlando Morando (PSDB) e Chico Sardelli (PV) responderam pessoalmente às acusações. Morando teve R$ 700 mil em doações da Home Care contabilizadas e apresentadas pelo TSE. Ele confirmou o valor e disse desconhecer a cifra da planilha, que passa de R$ 1 milhão. “A doação foi oficializada, foi dado recibo”, rebateu. “Nós recebemos R$ 700 mil, este é o número que nós temos.”

Já Sardelli, que segundo o documento teria recebido R$ 90 mil, sublinhou que “todas as doações foram declaradas”. “Tem de apurar os fatos, a minha campanha foi transparente, clara, está lá, já foi entregue e assinada. Não me lembro de nada nesse sentido”, disse.

O tucano Celso Giglio, deputado estadual, candidato derrotado em Osasco (SP), informou por meio de nota que também recebeu doação contabilizada da Home Care, aprovada pelo TSE. Ressalvou, porém, que “nunca houve contato pessoal entre o deputado e sócios ou dirigentes da empresa”. O quarto deputado citado na planilha, Marco Bertaiolli (DEM), foi contatado por meio de sua assessoria de imprensa, mas não respondeu às ligações.

Em Cotia (SP), o advogado da campanha de Carlão Camargo (PSDB), Francisco Festa, ressaltou também que, “se existe uma contabilidade paralela, é a Home Care que tem de explicar”. O mesmo defende a campanha do petista Oswaldo Barba, candidato eleito em São Carlos (SP). “As contas da campanha são públicas e estão à disposição da imprensa e dos cidadãos”, afirmou o presidente do PT na cidade, Rosoé Donato.

O prefeito reeleito de Itu, Herculano (PV), faz coro aos demais candidatos. Segundo ele, a Home Care trabalhou para a administração da cidade, mas não houve doações. Em São Caetano do Sul, a empresa também participou da gestão. Segundo o prefeito reeleito, Auricchio (PTB), “não houve nenhum doador não-contabilizado da campanha”.

Os candidatos de Barra Mansa (RJ), Taboão da Serra (SP) e Botucatu (SP) não responderam aos recados deixados pela reportagem. Os demais não foram encontrados até o fechamento desta edição.

Advogado contesta acusação

Podval diz que doações da empresa foram todas legais

Bruno Tavares e Marcelo Godoy – O Estado SP


O advogado Roberto Podval, que defende os empresários Renato Pereira Júnior e Marcos Agostinho Paioli Cardoso, donos da Home Care Medical Ltda, afirmou que a empresa fez doações a partidos e candidatos nas últimas eleições, mas todas foram legais. Ele disse desconhecer os documentos que indicariam a existência de um mapeamento de supostas doações ilegais da empresa. “Não acredito que haja disparidade dos valores”, disse.

Seus clientes, disse Podval, foram investigados durante um ano sem que fossem achadas provas de corrupção. Os promotores e a polícia tiveram acesso a toda a contabilidade da Home Care, quebraram os sigilos bancários e fiscal da empresa e de seus proprietários e não teriam encontrado nada que os incriminasse. “Depois disso tudo, o que eles apresentam é um papel escrito a mão? A verdade é que eles não têm nada que comprove as acusações.”

Podval disse estranhar que os documentos tenham sido vazados na véspera do julgamento no Tribunal de Justiça de São Paulo do habeas corpus pedido por ele para seus clientes. “A denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual contra meus clientes é absolutamente vazia”, afirmou. Segundo ele, os promotores não conseguiram demonstrar o valor da suposta fraude e apresentaram como valor o total do valor dos contratos da Home Care com as prefeituras – R$ 61 milhões.

“A Home Care prestou todos os serviços contratados pelas prefeituras.” A Home Care faz o gerenciamento de estoques e fornecimento de medicamentos e materiais hospitalares e odontológicos. Ela atua no mercado desde 1990.

13/12/2008 - 09:15h ABC: empresários de ônibus querem tarifa a R$ 2,80 em abril

Leandro Amaral – Repórter Diário

Felipe Logli
A tarifa dos ônibus em cinco cidades passa a ser de R$ 2,50, mas empresários querem alterar para R$ 2,80

Antes mesmo de entrar em vigor neste domingo (14) o reajuste na tarifa de ônibus no ABC, o empresariado já sonha com mais um aumento em um curto espaço de tempo: R$ 2,80 em abril de 2009. “Queremos mais em abril”, sentencia o presidente do SETC/ABC (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo do ABC), Baltazar de Souza, durante entrevista ao Repórter Diário.

Segundo ele, as prefeituras não cumpriram o acordo de reajustar a tarifa anualmente. “Nós temos um compromisso de repassar a tarifa de ano em ano. Em abril deste ano venceu o prazo e nada. No ano passado foi só R$ 0,10 de reajuste que também não resolveu muito”, reclama o empresário justificando a própria reivindicação. “Nós tivemos aumento de salário, do óleo diesel e nós vamos ficando com defasagem”.

A idéia inicial era que os atuais prefeitos “cobrissem a defasagem” com o reajuste da passagem para R$ 2,80, porém o “presente de Natal” dos empresários do transporte não foi atendido. “Quando nós contávamos com R$ 2,80 eles deram R$ 2,50″, lamenta Baltazar.

A força dos empresários em relação à elevação da tarifa deu provas claras de quem “dirige o transporte” na região. Enquanto as prefeituras ainda se reviravam entre planilhas e cálculos, Baltazar já anunciava em alto e bom som, aos quatro ventos, a novidade ao bolso do usuário.

Somente no dia seguinte, as administrações municipais se pronunciaram. O Executivo andreense confirmou, por meio de nota, o que o empresário já havia antecipado. O único a falar publicamente sobre o assunto, também no dia seguinte, foi o prefeito de São Caetano. “Continuaremos com a menor tarifa do ABC”, cravou José Auricchio Júnior (PTB), referindo-se à cobrança atualde R$ 2 contra R$ 2,30 dos outros municípios.

A partir deste domingo (14), o valor da tarifa de ônibus passará de R$ 2,30 para R$ 2,50 nos municípios do ABC. O reajuste de 9%, resultará em um valor maior que o cobrado em São Paulo (R$ 2,30). As exceções ficam por conta de São Caetano e Rio Grande da Serra, onde a passagem será R$ 2,30. O último reajuste foi repassado aos usuários em abril de 2007, subindo de R$ 2,10 para R$ 2,30 – aumento de 9,25%. A variação do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) desde o último acréscimo até novembro deste ano foi de 17,12%. Em maio passado a AETC/ABC tentou negociar junto ao Consórcio reajuste mínimo de R$ 0,10, mas a proposta não foi aceita.

Critérios
Segundo o presidente da ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos – Ailton Brasiliense, a elevação do preço da passagem deve seguir critérios, entre os quais o principal item é a contrapartida ao usuário. “Existe uma planilha criada há mais de 20 anos por um órgão já extinto, mas que ainda é muito utilizada. Nela constam os custos fixos e variáveis, tipo de frota, idade da frota, entre muitos outros itens. Depende, portanto, do que está sendo negociado entre o poder público e o grupo empresarial. Haverá renovação de frota? Racionalização da oferta? Ampliação da oferta? Como a gratuidade está considerada na formação da planilha? Enfim, a decisão final deve considerar um grande número de parâmetros, para definição da tarifa”, detalha o engenheiro.

O empresário Baltazar de Souza garante que as melhorias ocorrem. “As empresas renovam a frota, estão sempre comprando e se estruturando melhor. Santo André e Diadema já renovaram a frota e São Bernardo, até o fim do ano, receberá mais 20 coletivos”, cita, destacando também o investimento no capital humano. Segundo ele, um motorista de ônibus no ABC recebe hoje cerca de R$ 1,8 mil. Valor este, segundo Baltazar, maior que em outras localidades.

Porém, não é isso que dizem os usuários dos coletivos. A estudante Valdimaria Santos de Souza, 15 anos, usa o ônibus todo dia para ir à escola em Santo André. Segundo ela, entre ida e volta, gastará R$ 10 a mais por mês. “Isso não é legal. Eles aumentam, mas o transporte continua precário. Isso sem falar que somos tratados como cachorro”, diz. A dona de casa Claudete Câmara, 58, concorda. “Utilizo o ônibus todo dia. Esse aumento vai atrapalhar no orçamento doméstico. Pagar tudo isso para entrar em um ônibus lotado e sem qualidade não vale”, reclama.

“Eu avisei”, lembra Alvarez
O ex-vereador de Santo André, Ricardo Alavarez, que disputou a sucessão do Paço pelo PSol, durante a campanha eleitoral já havia sinalizado para a “dor no bolso sempre que termina uma eleição”. “Faz 20 anos que isso acontece: termina a eleição e logo em seguida vem o aumento. Não é bola de cristal e sim uma relação promíscua entre o transporte e a eleição”, critica. “Todo mundo sabe que tem relação e que não é mera coincidência”, observa Alvarez.

Aliás, esta não é a primeira vez que a relação transporte e eleição é citada no meio político. Nos últimos dias cogitou-se a possibilidade do aumento estar atrelado a acordos firmados entre empresários e políticos para o pagamento das dívidas de campanha. “Eu desafio os empresários abrirem as planilhas de contas”, cutuca. “Eu afirmo que os empresários da região retiram no mínimo R$ 2 milhões líquido todo mês”, dispara.

E, por falar em período eleitoral, quem não se lembra da promessa do deputado estadual Orlando Morando (PSDB) que disputou o embate sucessório em São Bernardo contra Luiz Marinho. Dias antes da eleição, o tucano prometeu que a tarifa seria reduzida a R$ 2 na cidade, caso ele fosse o vitorioso nas urnas. Ele perdeu, e agora, o atual chefe do Executivo, William Dib (PSB) – seu principal apoiador – permitiu o reajuste.

09/12/2008 - 11:03h Cortes orçamentários sacrificam promessas de campanha em São Paulo

A mídia insiste em propalar as afirmações de Kassab para justificar as mudanças propostas no orçamento da prefeitura para 2009. Os jornais afirmam, contrariamente a toda evidencia, que o orçamento 2008 não recolheu o dinheiro previsto, por conta da crise, e que os cortes na proposta inicial para 2009 devem sofrer cortes, para adequar-lo a queda da arrecadação provocada pela crise no ano próximo.

A verdade é que o orçamento de 2008 foi “ambicioso” nas previsões de arrecadação, para facilitar o remanejamento posterior das verbas.

A proposta de orçamento para 2009 devia obrigatoriamente ser encaminhada numa data em que a campanha eleitoral ainda estava em andamento. A proposta devia conter, por tanto, todas as promessas eleitorais. Passado o pleito, trata-se de desfazer a mascarada. O dinheiro “previsto” esfumou. No seu lugar um orçamento menor e mesmo assim ainda “ambicioso”, para poder depois remanejar à vontade. LF

http://campanhanoar.folha.blog.uol.com.br/images/kassabinho2.JPG

Caio Junqueira – VALOR

O Orçamento que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), terá em 2009 deve comprometer pelo menos duas de suas promessas de campanha: a destinação de R$ 1 bilhão para a ampliação do Metrô e o congelamento das tarifas de ônibus. O relatório do vereador Milton Leite (DEM), que em razão da crise financeira apresentou cortes de R$ 2,2 bilhões na proposta inicialmente encaminhada pela prefeitura, prevê que R$ 218 milhões sejam transferidos ao Metrô. Na proposta inicial da prefeitura, esse montante era de R$ 250 milhões. Já os subsídios às empresas responsáveis pelo transporte público, que acabam por segurar o preço das passagens, passaram de R$ 600 milhões para R$ 523,5 milhões. Ocorre que, até este mês, haviam sido repassados às empresas R$ 560 milhões.

Também foram incluídas dezenas de novas dotações “simbólicas” com o valor de R$ 1 mil e que englobam temas tocados pelo prefeito durante a campanha eleitoral, como regularização de loteamentos, recuperação de mananciais, urbanização de favelas, construção de escolas, Atendimento Médico Ambulatorial (AMAs) e bibliotecas, Programa Mãe Paulistana, terminais e corredores de ônibus, duplicação de avenidas (como a Guarapiranga) e canalização de córregos. De acordo com o relator, a peça que vai a votação hoje dá uma margem de remanejamento de verbas de 15% ao prefeito, que seriam alocados para esses programas de acordo com o cenário da crise.

O Palácio do Anhangabaú, sede da prefeitura, jogou todo o processo de cortes para os vereadores. A avaliação é de que isso foi feito para evitar eventual desgaste político no primeiro ano de mandato. A própria prefeitura poderia ter encaminhado uma revisão da proposta original, já que, pelo regimento da Câmara, o prazo final para isso é votação do relatório na Comissão de Finanças, marcada para hoje. Isso, porém, não foi feito e todo o ônus dos cortes foi transferido para os vereadores, com acompanhamento discreto da prefeitura. Na proposta original apresentada por Kassab em outubro, a previsão era de R$ 29,3 bilhões. Com os cortes apresentados, ficará em R$ 27,1 bilhões. O valor, porém, não deve sequer chegar a ser totalmente executado. “Estamos numa crise. Não creio que R$ 27 bilhões sejam executados, mas tomara que esteja errado”, afirmou Leite. A redução de valores para a área de transportes, segundo ele, se deve ao fato de que “em conversas com o Executivo foi estimado que deverá haver redução de passageiros por causa da crise”.

A Secretaria de Transportes, conforme publicado ontem no Valor, foi a que teve o terceiro maior corte de verbas no parecer. A maior redução foi da Secretaria de Serviços, que cuida do lixo e iluminação. O segundo maior corte foi na pasta de Subprefeituras, de 11,8%. A bancada do PT apresentará na reunião substitutivo em que pede a manutenção do Orçamento original e taxa de remanejamento limitada a 5%.

08/12/2008 - 12:30h Rio: “Finanças da prefeitura obrigarão a um decretão de ajuste fiscal”

 

Leo Pinheiro / Valor

Eduardo Paes sobre sua futura administração: “Não será um governo, no primeiro ano, de grandes obras”

Do Rio – VALOR


Valor: O prefeito Cesar Maia acha que o 2º turno da disputa entre o senhor e o deputado federal Fernando Gabeira (PV) foi no campo maísta, de seus ex-aliados, e que isso o cacifa para 2010. Como o senhor vê esse raciocínio?

Eduardo Paes: Já dizia minha avó que pretensão e água benta cada um serve quanto quer. Ele é político, tem três mandatos de prefeito, dois de deputado federal e todo o direito de pretender o que quiser. O que eu vi muito no 2º turno foi uma candidatura claramente posicionada contra o Cesar Maia, que era a minha, e outra que, apesar de ter o apoio (do prefeito), o escondia. Então, eu não diria que era do campo maísta. Os dois candidatos, na verdade, negavam a possibilidade de parceria com ele.

Valor: Pelo que já levantou como o senhor encontrará a Prefeitura?

Paes: Muito mal. São dados nos quais nos aprofundamos, mas vamos receber a prefeitura muito mal, a capacidade de investimento praticamente zerada, um orçamento superestimado, transformado em peça de ficção. Não tivemos acesso ao caixa, mas sabemos que existe um déficit operacional.

Valor: Então, o primeiro ano da gestão do senhor será um período de ajustes, de aperto?

Paes: Está cada vez mais claro que teremos que tomar medidas para conter despesas e, de alguma forma, aumentar receitas. Já nos primeiros dias de governo, devemos ter um decretão de ajuste fiscal-orçamentário para que possamos governar com tranqüilidade, sem que isso signifique, necessariamente, prejuízo aos serviços públicos. Ao contrário. Agora, vamos ter que priorizá-los, mas não será um governo, no primeiro ano, de grandes obras.

Valor: O senhor está trabalhando com expectativa de quebra de receita em decorrência da crise?

Paes: A prefeitura usa os mesmos parâmetros do governo federal para a definição do seu orçamento: inflação, taxa de crescimento etc. O orçamento já havia sido enviado à Câmara e não foram feitos ajustes. São R$ 12 bilhões, mas com uma grande margem de remanejamento. Vamos trabalhar para aumentar a receita sem aumentar a carga tributária.

Valor: O senhor vai reduzir pessoal?

Paes: Cargos em comissão. A prefeitura não tem uma máquina inchada. O Cesar (Maia) não perdeu completamente o controle disso. Agora, a gente quer trabalhar com metas de desempenho, queremos mandar o orçamento de 2009 já com metas, e vamos introduzir elementos de meritocracia.

Valor: Como harmonizar esse discurso de ênfase na gestão com o caráter político da administração pública? O senhor está formando uma equipe com pessoas de vários partidos…

Paes: Se você olhar, sem preconceito, a composição do meu governo, verá que é essencialmente técnico, embora tenha política. Acabei de designar uma técnica para a Fazenda, eleitora, inclusive, do meu adversário (a economista Eduarda La Rocque). Na Casa Civil coloquei um deputado federal (Pedro Paulo) que também é do PSDB, mas da minha cotíssima pessoal, não é negociação política. Então, nas funções essenciais, temos quadros essencialmente técnicos. E em algumas áreas, há quadros políticos, como é o caso da competente deputada federal Jandira Feghali (PSDB), na Cultura. Você tem quadros políticos sim, mas na gestão, todos são essencialmente técnicos. Acho até que exagerei no técnico.

Valor: Sua eleição fortalece a candidatura própria do PMDB para a Presidência em 2010?

Paes: Em primeiro lugar, o grande vitorioso aqui foi o governador Sérgio Cabral. Ele saiu fortalecido como personagem político do PMDB nacional.

Valor: O senhor acha que ele é um potencial candidato à Presidência?

Paes: Não estou dizendo isso. Nem acho que deva ser. O projeto dele, na minha opinião, é ser candidato à reeleição. Depois, se fizer um bom governo, pode pensar em tudo que quiser. Mas acho que ele sai fortalecido nessa coisa interna do PMDB nacional. E que o partido se fortalece, a partir de vitórias como a do Rio. O encaminhamento que imaginamos é uma aliança com o presidente, com o PT.

Valor: O senhor acha então que o partido não deve ter candidato próprio?

Paes: O ideal é que a gente permaneça em um projeto político único. É uma aliança de muito sucesso. Mas isso o tempo dirá, não quero me aventurar muito na política nacional.

Valor: O nome que neste momento o PT está colocando…

Paes: É a candidata do presidente Lula, do Sérgio Cabral e do Eduardo Paes, (a ministra) Dilma Rousseff. Nós vamos defender dentro do PMDB.

Valor: Nessas obras do PAC ela é fundamental para o Rio…

Paes: Não é por isso. Acho que o presidente pautou o nome dela para sua sucessão e acho que é um quadro muito competente.

Valor: O 2º turno da eleição do Rio não foi um lado apoiado pelo governador e outro, que votou no Gabeira, reagindo ao Cabral?

Paes: Não, acho que foi uma adesão ao Gabeira. Acho que ele foi muito competente em transmitir essa coisa da negação da política, embora seja político desde o tempo que eu não tinha título de eleitor. Eu faço o contrário, faço questão de dizer que sou político e que acredito no poder de transformação da política. Comecei na política aos 22 anos sem ser filho de político. Optei pela política.

Valor: Na sua visão, o que deve ser feito para resgatar a confiança da população nos políticos?

Paes: Acho que é trabalhar direito e prestar o serviço. Ao mesmo tempo, isso (o discurso da rejeição) é coisa até certo ponto festiva. Se você for pedir para a pessoa organizar seu raciocínio, sobre a razão pela qual está pensando daquela maneira, ela não consegue concatenar. Mas, enfim, houve essa coisa aí… pelo jeito, não chegou a ser uma onda. Perdeu! Foi difícil, porque o Gabeira, além de ser uma pessoa que eu adoro e respeito, faz o tipo frágil. E brigar com uma pessoa que faz o tipo frágil é duro! Eu gosto de uma boa briga política.

Valor: O Lula que o diga…

Paes: Não tenho nenhum tipo de restrição aos embates que travei na política. Há horas que se adjetiva demais. Foi a correção de rumo que fiz na campanha em relação à agressão ao filho do Lula. Agora, os mensaleiros, tirando a adjetivação, está tudo comprovado no relatório que escrevi.

(HM e CS)

03/12/2008 - 08:08h Um pulso firme, de braço amigo

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Gilberto Carvalho, do planalto à presidente do PT

Rosângela Bittar – VALOR

A receita já existe há meses e vem sendo transmitida boca a boca, sem formalidades inúteis. Primeiro, tem que ser alguém muito ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, isto é uma necessidade e uma exigência; o escolhido tem que possuir autoridade política e liderança partidária; é preciso ser um quadro com capacidade para conduzir alianças, no plano nacional e nos Estados. Com estas características, o indicado terá que ter força para aproximar o presidente da República e o partido. Assim, ficará viabilizada, sem maiores riscos, a sucessão, e garantidas as conquistas do governo.

Este é o perfil declarado do futuro presidente do PT, definido pelos próprios dirigentes partidários e assessores do presidente, com negociações em estágio avançado. O nome que pode a ele se amoldar, no entanto, não está oficialmente confirmado, embora seja unânime a conclusão de que só há um: Gilberto Carvalho, chefe do gabinete do presidente da República.

Numa ala do partido, informa-se que Lula vetou a saída de Gilberto alegando que ele está muito bem no Palácio e é melhor procurarem outro candidato. É verdade, disse mesmo. Outras opiniões abalizadas, porém, avaliam que o presidente sabe que não há outro nome e está vendendo caro o passe de seu mais próximo auxiliar. Vender caro significa que quer unanimidade e facilidade para o trabalho de quem vai presidir o partido na sucessão presidencial. E, mais perto da eleição, para não haver desgastes desnecessários desde hoje, vai ceder.

O sucessor indicado por Lula até este momento, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, tem que ser preparada interna e externamente. Dilma existe menos no PT do que nacionalmente, onde as pesquisas já lhe dão de 8 a 10% de conhecimento e apoio. Será do presidente do PT, a partir de determinado momento do processo, a tarefa de aproximá-la mais do partido, sobretudo das bases, que Lula comanda apenas com o discurso mas esta é uma habilidade que ninguém mais consegue reproduzir. Ao mesmo tempo em que prepara o candidato, o dirigente petista terá a função de organizar o partido, fortalecê-lo para não perder tudo o que considera haver conquistado nos dois mandatos presidenciais.

Neste aspecto a crise econômica atual é considerada um fator importante na definição de rumos. Acredita os petistas que se o governo conseguir gerir bem a crise, não deixar que tenha impactos sobre três pilares que considera características de suas gestões – emprego, baixa inflação e distribuição de renda – manterá retraídos os problemas maiores. Se houver, porém, influência da crise e o PT começar a ter medo de perder a eleição, desesperar-se com a proximidade da desocupação da máquina, o futuro será cada vez mais uma incógnita.

O novo presidente terá que ser capaz, também, de não deixar o processo de eleição direta, mesmo com uma base que Lula ainda consegue comandar, transformar-se numa guerra interna a estraçalhar a coesão do partido, que o presidente considera fundamental para ter êxito na disputa.

Isto não significa que estão proibidas as prévias para escolha do candidato à sucessão, sempre um fator de tensão. Mas as expectativas têm que estar sob o controle de Lula. Assim, o nome do momento é Dilma, que o presidente do PT terá que fazer passar sem traumas pelas instâncias do partido. Se, em outro momento mais à frente, for o de Antonio Palocci, por exemplo, – que pode ser deslocado do quadro de candidatos ao governo de São Paulo caso a crise econômica se agrave – o presidente do PT, sendo muito ligado a Lula, terá papel fundamental na mudança para o nome de quem pode levar o Brasil ao porto seguro.

Há, ainda, a nunca esquecida hipótese de ter o PT que transformar o trabalho em torno de um sucessor para, objetivamente, tornar viável o terceiro mandato para o próprio Lula.

Em diferentes alas partidárias colhe-se a opinião de que Gilberto Carvalho é mesmo a opção certa para qualquer destas tarefas. Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente em assuntos de política externa, assumiu a presidência do PT na crise do dossiê armado pelo partido contra adversários políticos, foi considerado independente demais, cheio de idéias próprias, costurou pessoalmente o acordo com o PMDB que resultou na eleição de Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara, e voltou ao governo queimado entre os petistas.

O atual presidente, Ricardo Berzoini, não teria a menor condição para permanecer no cargo, já não é tão próximo a Lula e não lidera o partido, muito menos detém as condições necessárias para negociar alianças.

Na Presidência da República, gozando da confiança de Lula e com boa base no PT, há o secretário geral Luiz Dulci, que criou para si, porém, arestas em alas partidárias inteiras a partir das últimas eleições municipais. Tal como ocorreu com o petista Tarso Genro, ministro da Justiça, que já se incompatibilizara antes mesmo das últimas eleições. O atual secretário geral do partido, José Eduardo Cardozo, citado entre os presidenciáveis do partido, ainda é visto como alguém não totalmente absorvido internamente, depois de ter, nas avaliações internas, feito um discurso para o público externo nas crises éticas atravessadas pelo partido.

Nos últimos meses, têm aparecido com maior nitidez os movimentos do ex-ministro e ex-presidente do PT, José Dirceu, para voltar à cena partidária. Artífice das candidaturas Lula e das alianças partidárias que sustentaram os dois mandatos petistas na Presidência da República, Dirceu não tem perdido uma só oportunidade para se manifestar, por meios legalmente ainda à sua disposição, hoje, sobre todos os assuntos nacionais e partidários. Pode conseguir, até o processo de eleições diretas, resgatar seu espaço, mas ainda não conseguiu.

Um eleição sem José Dirceu e sem Lula é um desafio imenso para o PT, que tem a responsabilidade de apresentar seu projeto renovado. Não pode ser menos do que acredita estar fazendo, nem pode apresentar-se com resquícios oposicionistas que ainda o acompanharam nas últimas campanhas eleitorais.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

27/11/2008 - 13:01h A incógnita Dilma

Dilma será a cara do PT em 2010. Mas como será a cara de Dilma?

Por Gustavo Krieger – Correio Braziliense

gustavokrieger.df@diariosassociados.com.br

O PT já se conformou em ter a ministra Dilma Rousseff como candidata à Presidência da República em 2010. O termo que descreve o sentimento da legenda é esse. Não se encontra na direção do partido nenhum defensor apaixonado da idéia. No governo, a candidatura da ministra da Casa Civil provoca muito resmungo. Mas ela tem o único voto de que precisa por enquanto: o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele ungiu Dilma e, diante da relação de dependência que o partido estabeleceu com o presidente, ninguém vai desafiá-lo. As questões que ocupam as principais cabeças petistas são outras: qual será o caráter da candidatura de Dilma? Ela tem chances de vencer os candidatos tucanos, que aparecem mais bem colocados nas pesquisas? E o que acontecerá ao PT depois de 2010, vencendo ou perdendo as eleições presidenciais?

Ninguém tem as respostas. Dilma pilota hoje uma não candidatura. Sabe que um dos motivos que levaram o presidente a escolhê-la foi a lealdade absoluta que sempre demonstrou. Lula acredita, com toda a razão, que seu mandato começa a acabar no dia em que a sucessão começar. Por isso, adia o quanto pode seus movimentos. Além disso, a ministra não tem conselheiros políticos. Continua a agir dentro do governo como uma grande gerente. Discute programas do governo, mas nada que se assemelhe a desenhar um projeto político.

Não que ela deixe de ser política. Ao contrário. Dilma é uma militante. Sempre foi. Tem posições políticas pessoais firmes e estabelecidas. Mas uma candidatura presume um programa construído coletivamente. E isso ela não faz.

É um erro imaginar que, se for presidente, ela será uma mera continuidade de Lula. Quem conhece os bastidores do governo sabe que, apesar de todo o seu poder, Dilma foi voto vencido em muitas questões importantes. Questões onde a opinião dela não fechava com a do presidente. Nesses casos, a disciplina falou mais forte e ela não externou as divergências. Mas elas existem. E nem Lula acredita que ela poderá ser teleguiada se ocupar o principal gabinete do Palácio do Planalto.

Mas se Dilma não é Lula, quem ela seria como presidente? Essa é uma das questões que inquietam os petistas, inclusive dentro do governo. Uma candidatura implica programa, compromissos. E isso precisa ser negociado com os aliados. No momento, os petistas não se sentem protagonistas desse processo.

Para complicar, o PT terá de se reinventar nas eleições de 2010. Para o bem e para o mal, a experiência do governo Lula esgotou o modelo construído pelo PT. De um lado, os escândalos políticos e os acordos construídos retiraram do partido o discurso udenista que marcou parte sua história. Por outro, boa parte das propostas da legenda se tornaram realidade, como os programas sociais e a redução das desigualdades.

Como os tucanos descobriram, depois de algum tempo, as conquistas e benefícios sociais passam a ser contabilizados como direitos adquiridos e deixam de ser elementos definidores de voto. O controle da inflação foi suficiente para reeleger Fernando Henrique em 1998, mas não deu a vitória a José Serra em 2002. O Bolsa Família e o crescimento econômico reconduziram Lula em 2006, mas podem ser pouco para eleger Dilma.

Até porque os dois presidenciáveis tucanos, Serra e Aécio Neves, já deixaram claro que não farão campanha contra o governo Lula. Pretendem olhar para frente, no melhor estilo Obama. Se quiser vencer, o PT terá de apresentar uma perspectiva de futuro. E hoje o partido não sabe qual é. Dilma será a cara do PT em 2010. Mas como será a cara de Dilma?

Será a primeira vez que o PT disputará uma eleição presidencial sem Lula à frente da chapa. Supostamente, seria um momento em que as forças internas se agitariam na luta para definir como será o partido no pós-Lula. Até aqui, poucos se dispuseram a esse movimento. A maioria continua presa a uma lógica meramente eleitoral, preocupados em saber quantos pontos a candidata escolhida pelo presidente consegue nas pesquisas.

Se o partido não se repensar, será refém do resultado eleitoral. Se a aposta de Lula der certo e Dilma tornar-se presidente, o PT continuará a tirar sua força da máquina estatal. Mas, e se ela perder?

26/11/2008 - 11:40h PT: reflexões de Gleisi Hoffman

Por onde o PT se renova

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Rosângela Bittar – VALOR

Aguerrido, como se sabe, no presente, mesmo sem muitas opções à escolha, o PT, ao contrário de seus principais adversários, preocupa-se, sim, com o futuro, e tem permitido que novas lideranças, insinuadas nas duas últimas eleições majoritárias, desenvolvam suas chances. Exemplo puro desta situação é o da paranaense Gleisi Hoffman, 43 anos, dois filhos, duas campanhas eleitorais – candidata a senadora, teve 2,3 milhões de votos (começou com 2%) quando o vencedor ganhou com 2,5 milhões, e candidata a prefeita de Curitiba, recebeu 18% porcento dos votos – é atualmente presidente do PT do Paraná.

Vestida com elegância clássica, bastante articulada e pensamento organizado para o perfil do meio em que vem galgando degraus, Gleisi, depois de transitar dois dias em Brasília para contatos no governo e no partido, exibiu, docemente mas firme, uma avaliação resumida e realista sobre a política, tal como praticada no seu Estado e no seu partido, mostrando como vê o futuro e as tarefas mais urgentes.

“Não estou pensando em mim ou em 2012, o foco é 2010, para construirmos um bom palanque para a Dilma no Paraná”, afirma, referindo-se ao objetivo imediato, a candidatura da ministra chefe da Casa Civil a presidente da República, com apoio do presidente Lula. Neste palanque a que se refere há, para governador do Estado, dois nomes também em processo de construção. Um, Jorge Samek, presidente de Itaipu Binacional, e o outro o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, seu marido. Não está definido qual deles será o candidato do PT nem as alianças que serão firmadas com outros partidos para as demais candidaturas, mas é o trabalho a partir de agora

“Vamos fortalecer o projeto local com a consciência de que precisamos dar muita atenção ao projeto nacional”, assinala, indicando qual é a sua expectativa política, no momento: “Ter feito o Presidente da República, ter mudado tanto o país, e não conseguir manter isto”…Não pode, subentende-se de suas reticências.

Há algo com que Gleisi convivia mal, uma estranheza imposta a uma técnica formada na política pela prática eleitoral, mas que agora, como presidente do partido, terá que enfrentar, além de procurar formas de mudar as regras não escritas de que não gosta: a articulação política, interna, no PT, e com partidos aliados. “Estas articulações são conversações sem nenhum resultado concreto, articulações abstratas, e a vida está correndo”, traduz. Se há algo que a mobiliza é o desejo de levar a vida real para a política, interferir de forma direta no seu conteúdo. Destaca, por exemplo, que recentemente o Paraná registrou o assassinato brutal de cinco meninas, e o assunto ficou confinado à segurança. “Temos que trazer isso para a política, não adianta ficar só na polícia”.

Outro exemplo de quem reconhece ser a articulação política seu papel, mas pretende reinventá-la, é a questão agrícola. “O Paraná é um estado agrícola, o futuro da economia e da solução da crise está no agronegócio. Enfrentamos problemas sérios, como a crise do álcool, temos grandes produtores no Paraná, precisamos dar respostas”.

Gleisi se volta também para seu partido, o PT, que, segundo identifica, sofre um vácuo no planejamento do futuro. “Éramos um partido de esquerda, ganhamos as eleições em um país continental, passamos a administrar com uma coalizão de forças que não tinham a mesma visão dos problemas, isto gerou uma crise no partido. Quando nos preparávamos para viver este debate, veio outra crise, a do mensalão, e gastamos nossa energia nisto em vez de discutir os grandes temas. Chegou a reeleição do presidente, e nós não paramos para pensar”.

Afastando o conformismo com o que está posto, Gleisi dá indicações de que vai mudar, a começar do discurso. Política substantiva, não usa adjetivos para o governo, para a oposição, nem mesmo para os adversários locais. A análise é objetiva: “Beto (Richa) fez mais que (Cássio) Tanigushi, capitalizou bem os investimentos federais e nós não conseguimos capitalizar para o PT”. Ou: “As pessoas estavam indiferentes, não estavam querendo discutir política e não conseguimos politizar a campanha”. Richa, do PSDB, foi reeleito com quase 80% dos votos no primeiro turno, e Gleisi diz que, quem via a campanha de perto, imaginava que a disputa estava equilibrada. As pessoas me cercavam e diziam: ‘Estou em dúvida, gosto muito de você, mas gosto muito do Beto, por que te colocaram nisso logo agora?’ Na campanha para o Senado, Gleisi viajou todo o Estado, saiu mais conhecida mas com idéias mais diluídas. Na campanha municipal acredita ter sido possível expor melhor as idéias e explicar quem é, de onde veio e para onde quer ir.

Militante do PT desde 1989, Gleisi, formada em Direito, Administração Financeira e Gestão Pública, fez sua carreira, em alguns momentos, de forma paralela à de Paulo Bernardo. Foi Secretária de Reforma do Estado no Mato Grosso do Sul quando ele assumiu lá a Secretaria da Fazenda. Em outra fase, transferiram-se para Londrina, onde Paulo Bernardo foi Secretário de Fazenda e, ao deixar o governo para ser candidato a deputado, Gleisi se viu compatibilizada a assumir a Secretaria de Administração e Gestão. No Congresso, em Brasília, onde viveram outro período, trabalhou com Orçamento, área em que permaneceu quando integrou a equipe de transição para o governo Lula. Foi, no primeiro mandato do presidente, Diretora Financeira de Itaipu, de onde saiu para as recentes candidaturas.

Hoje, é presidente do PT no Paraná, e tem muitos planos. “Estamos fazendo uma intervenção política conjuntural. Isto nunca foi do PT”. Seu desafio é levar o partido à reflexão sobre seu papel meio a campanhas, eleições e sucessão. “Esta análise é que aproximará o partido da sociedade”. O que acha mais que necessário, principalmente em se tratando de um estado conservador, berço do MST onde, até por isto, o PT ainda inspira alta rejeição e onde, em 2006, o popularíssimo Lula foi derrotado no primeiro turno e só conseguiu empatar com seu adversário no segundo.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

25/11/2008 - 08:12h “A crise vem de fora. Antes, 72 horas depois o pais ficava de joelhos”

Lula reúne 36 ministros para unificar discurso

Temendo onda de pessimismo, governo fará campanha publicitária para dizer que país está preparado para crise

Chico de Gois, Gustavo Paul e Luiza Damé – O Globo

BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ontem 36 dos seus 37 ministros na terceira reunião ministerial do ano para unificar o discurso do otimismo que o governo quer transmitir à sociedade. O temor é que uma onda de pessimismo contamine os consumidores, esfriando ainda mais a economia em 2009. Nesse sentido, o governo vai lançar, a partir do dia 10, uma propaganda no rádio, TV, jornais e internet para tentar convencer a população de que não há motivos para pânico nem para deixar de consumir.
Na reunião, que teve como mote a análise da crise financeira internacional, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforçou o que o governo já vem dizendo: a crise atinge o Brasil, mas o país está preparado para enfrentá-la e será menos afetado que outros países.

— O Brasil tem uma indústria diversificada e eficiente e uma agricultura com um dos maiores índices de produtividade do mundo. Agora temos um câmbio favorável para a exportação. O cenário não é tão ruim quanto pintam. Pode ser até um cenário bastante razoável — disse Mantega, ao fim do encontro.

Campanha na TV e rádio para incentivar o consumo

Lula, em evento à noite, reforçou a mensagem: — Todo mundo está vendo a crise internacional 24 horas por dia na TV. Mas todo mundo está percebendo que o Brasil é, neste momento, o país mais seguro e mais preparado para enfrentar essa crise.
Embora não seja tão explícita, a peça publicitária — que terá como slogan “o mundo aprendeu a respeitar o Brasil, e o Brasil confia nos brasileiros” — vai mostrar o efeito dominó que traduz o consumo: ao comprar um produto, o cidadão gera emprego, movimenta a economia e faz o país crescer. A propaganda enfatizará que o governo tomou medidas consideradas acertadas ao diversificar, por exemplo, seu comércio exterior.
O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, disse que o Palácio do Planalto já pensava em fazer uma campanha de fim de ano mostrando os avanços do país, mas, com a crise, modificou-a.
Segundo Mantega, o diferencial brasileiro se deve às medidas tomadas nos últimos anos, que deram solidez à economia.
Ele citou o fortalecimento das reservas cambiais — que permanecem acima de US$ 200 bilhões mesmo depois da fase mais aguda da crise —, a diversificação dos parceiros comerciais no exterior, as medidas fiscais adotadas, como o aumento do superávit primário, e ações emergenciais, como a venda de dólares no mercado, que já consumiram US$ 47,9 bilhões.
O recado dado pelo presidente Lula, e reforçado por Franklin, é que a atual administração não tem qualquer responsabilidade pela atual turbulência econômica: — O presidente quis deixar claro que a crise vem de fora.
Não foi construída aqui. Dois meses depois o Brasil não veio abaixo. Antes, 72 horas depois de a crise iniciar, o país ficava de joelhos.

Governo pode reduzir tributos de novo

Porta-vozes da reunião, Mantega e Franklin insistiram que a atividade econômica brasileira irá desacelerar, mas não terá quedas semelhantes às de outros países desenvolvidos, que entrarão em recessão. O governo vai perseguir o crescimento de 4% em 2009.

— O Brasil está menos vulnerável à crise, mas isso não significa que não seremos atingidos.
Seremos, mas em uma condição melhor — disse o ministro da Fazenda.
O governo sinalizou a possibilidade de novas medidas serem adotadas para melhorar a liquidez do mercado. Mantega disse que, se necessário, o governo vai reduzir tributos como fez na semana passada com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para motos: — Se necessário for, faremos a redução de tributos. O IOF, por exemplo, reduz custo financeiro — disse ele.
O governo também pretende manter a política de investimentos no próximo ano, para manter aquecida a atividade econômica.
Mantega disse que, caso seja necessário fazer cortes de despesas públicas para adequar o Orçamento, a ordem será reduzir custeio da máquina, mantendo os investimentos.
Mantega também garantiu que o crédito está retornando à economia, mas ainda não está normalizado. Segundo ele, os grandes bancos já voltaram a ter as mesmas linhas de antes da crise. As pequenas e médias instituições financeiras, porém, ainda não voltaram a emprestar.

— Estamos com 80% do crédito com que estávamos antes de a crise se tornar mais aguda.
Ainda não estamos na normalidade — disse Mantega.

05/11/2008 - 10:54h A verdade incomoda

Juarez Rodriguez/Estado de Minas/Folha Imagem e Luiz Costa/Hoje em Dia/AE

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Aécio e Serra: atuação dos governadores de Minas e São Paulo na campanha municipal gera tensão interna no PSDB agravada pela certeira etiqueta colada por Márcio Lacerda, prefeito de BH na aliança paulista: centro-direita

PSDB contesta declarações de Lacerda sobre apoio da legenda a Quintão

Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

A declaração do prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), sobre suposta interferência de “correntes políticas de São Paulo” na campanha eleitoral mineira para favorecer o candidato do PMDB, Leonardo Quintão, serviu como um alerta para a cúpula tucana. Setores do PSDB viram no gesto sinal de uma campanha de bastidor para enfraquecer a pré-candidatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), à Presidência da República.

Lacerda, em entrevista ao “Estado de S.Paulo”, afirmou ter notícias de que a campanha do seu adversário teve “apoio financeiro muito forte de São Paulo” e de “correntes que não queriam o sucesso” do governador Aécio Neves (PSDB), de Minais Gerais. Serra e Aécio são os dois nomes do PSDB cotados para encabeçar a disputa presidencial de 2010. Lacerda foi apoiado por Aécio e pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT).

Lacerda disse, ainda, que Aécio e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) – seu padrinho político – não têm “aquela fome de ser presidente que Serra tem”. Setores do PSDB preferem achar que Ciro Gomes – e não Aécio – está por trás das acusações de Lacerda. Querem evitar uma crise interna no PSDB. O prefeito eleito foi secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional em 2003, na gestão de Ciro.

“Pato novo, quando mergulha fundo, corre perigo”, afirmou ontem o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), referindo-se às declarações de Lacerda, vistas como tentativa de atingir Serra. “É bom ele (Lacerda) se preocupar com seu partido e não opinar sobre o meu. Se quiser, que o faça. Mas sem torcer os fatos. O governador Serra não se intrometeu na eleição de Minas. Disse, apenas, que o modelo adotado em Belo Horizonte (aliança do PT com o PSDB) não é fácil repetir”, disse Virgílio.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), foi o primeiro a reagir ao que considerou “insinuações” do prefeito eleito, negando que Serra tenha atuado durante a campanha a favor da candidatura de Quintão. Em São Paulo, o candidato de Serra – o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que foi reeleito – disputou em aliança com o PMDB.

“A atuação dos dois governadores, Serra e Aécio, foi coordenada pelo partido”, disse Guerra. Segundo ele, “não há nenhuma chance” de Serra ter interferido na campanha de Belo Horizonte para prejudicar o candidato de Aécio. Assim como, segundo ele, o governador mineiro não atuou em São Paulo sem o conhecimento do partido. Guerra lembrou que o apoio de Aécio à candidatura de Lacerda, numa aliança com o PT, foi aprovada por unanimidade pela Executiva Nacional do PSDB – o que não ocorreu no PT.

O líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), não viu problemas na declaração de Lacerda – a não ser para o PSDB. “Se a colaboração financeira (para a campanha de Quintão) foi legal, lícita, não vejo problema nenhum, a não ser a repercussão política das relações internas do PSDB”, disse. O que chamou a atenção de Casagrande, na entrevista, foi a definição que Lacerda fez da aliança ocorrida em Belo Horizonte – “de centro-esquerda” – e a de São Paulo – “centro-direita”. Para Casagrande, o prefeito eleito tem razão, porque a aliança feita em São Paulo é de “direita, conservadora”.

Ele considerou natural que Lacerda se posicione claramente com relação aos projetos colocados para o Brasil hoje. Segundo o líder, o projeto do PSB é fortalecer a candidatura de Ciro Gomes em 2010.

03/11/2008 - 08:27h ”Campanha do meu adversário teve apoio forte vindo de São Paulo”

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Márcio Lacerda: prefeito eleito de Belo Horizonte;

segundo ele, ajuda financeira para Quintão veio de correntes que não queriam o sucesso de Aécio na eleição

 

 

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE – O Estado SP

O prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), afirma que a campanha de Leonardo Quintão (PMDB), seu adversário no segundo turno, recebeu forte apoio financeiro “vindo de São Paulo”. Em entrevista ao Estado, o prefeito disse que esse apoio veio de correntes “que não queriam o sucesso do governador (Aécio Neves)”, em alusão velada ao governador José Serra (PSDB).

Lacerda disse que seus padrinhos Aécio e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) trabalham por um projeto de centro-esquerda, em contraponto à aliança de centro-direita de PSDB e DEM, simbolizada pela eleição de Gilberto Kassab (DEM) em São Paulo. Aécio e Ciro, diz, não demonstram “aquela fome de ser presidente que Serra tem”.

Não ganhar no primeiro turno comprometeu a aliança que o elegeu?

A vitória no primeiro turno aconteceu por falhas da nossa estratégia, não por falhas de concepção da aliança. Mas no Sudeste eu tive a maior votação (no primeiro turno) entre os candidatos mais bem colocados. Dizer que houve vitórias do Serra e do Sérgio Cabral (governador do Rio), porque os seus candidatos foram para o segundo turno, e uma derrota porque eu não fui (eleito no primeiro turno), é forçar um pouco a barra. Não houve derrota da aliança.

Que influência a eleição de Belo Horizonte teve sobre 2010?

Ela sinalizou que é possível tendências social-democratas dentro do PT e dentro do PSDB se unirem. E se uniram num projeto eleitoral para uma cidade. Não significa que isso aconteceria em outras eleições. Pode acontecer. O mínimo que deveria acontecer é os social-democratas dos grandes partidos se unirem para ter um projeto para o País. Qualquer que seja o novo presidente, o ideal seria que ele tivesse uma ampla coalizão de forças de centro-esquerda o apoiando, tanto na eleição quanto no governo.

O sr. classificou a vitória de Gilberto Kassab em São Paulo como uma aliança de centro-direita…

E é.

Ela não ajudou a desgastar a aliança do governador Aécio e do prefeito Pimentel, de PSDB com PT?

Não estou dizendo que (a aliança) tenha essa importância toda. Estou dizendo que ela sinaliza algo novo na política nacional, pelo ineditismo. O papel do Kassab será municipal, embora a máquina de uma prefeitura como a de São Paulo – Belo Horizonte muito menos – seja importante no apoio para eleição de governador e presidente. Mas eu digo que é de centro-direita na medida em que reflete uma aliança que o PSDB de São Paulo já tinha com o PFL (atual DEM) há mais tempo. O governador (Aécio) falou isso para ele. Ele disse: “Já falei para o meu amigo Serra que se ele quiser ser presidente tem de criar uma ampla coalizão, um movimento de opinião.”

Como assim, um movimento de opinião?

Para que ele possa governar com a base social-política necessária capaz de gerar as transformações de que o País precisa. Ele precisa ganhar essa base ampla de opinião. Mostrar que é capaz de aglutinar. Ninguém pode ser candidato de si mesmo ou de um partido. Se você pensar bem, o Lula não foi eleito pelo PT. A votação dele foi o dobro da capacidade do PT de gerar votos. Acho que o centro do debate é este: que projeto o novo presidente terá para o País e qual a ampla coligação de forças e movimento de opinião que vai ajudá-lo a governar depois.

O sr. disse que a sua aliança enfrentou resistências vindas de fora, de São Paulo. De onde partiram essas resistências?

A cúpula do PT foi amplamente contrária, isso é conhecido. O PSDB nacional apoiou. Mas a gente tem notícias de que a campanha do meu adversário teve um apoio muito forte vindo de São Paulo.

Que tipo de apoio? Dado por quem?

Prefiro não dizer, porque eu tenho notícias de que o apoio financeiro vindo de São Paulo foi muito forte. Apoios ao candidato do PMDB e de correntes que não queriam o sucesso do governador (Aécio) nessa empreitada.

Qual a participação de Ciro na escolha do seu nome? Que tal a dobradinha Aécio-Ciro para 2010?

Ele participou da articulação aqui. Eu soube da participação dele nas articulações em outubro de 2007. Eu não vejo nem Ciro nem Aécio com aquela fome de ser presidente. Eles são até desapegados da idéia. Não têm aquela gana de ser presidente que parece que o governador José Serra tem. Eles querem um projeto para o País. Os dois querem um projeto de centro-esquerda.

02/11/2008 - 14:14h A ética ao gosto do cliente

“quando decidiu explorar a vida privada do adversário na TV -acreditando que pudesse despertar o preconceito de parcela da sociedade a partir de uma insinuação velada, mas óbvia, de homossexualismo-, Marta rompeu uma barreira e fez uma aposta de risco -ou baixa, a depender do ângulo.”

É assim que escreve Fernando de Barros, editor da Folha. Atribuindo a Marta não só a responsabilidade genérica pelo comercial da campanha eleitoral, mas a intencionalidade própria para “despertar o preconceito”. O “jornalista” precisa atribuir a Marta a responsabilidade, não em geral, mas especifica e individual para poder atingi-la politicamente. Por isso o “jornalista” ignora as explicações dadas no próprio jornal pelo marqueteiro Joào Santana e ignora também as declarações de Marta sobre o fato que só viu o dito comercial depois que a polêmica fora lançada.

A manipulação do “jornalista” visa a atingir a figura da Marta, pouco importa os fatos. Por isso ele não escreve sobre a “intenção” do marqueteiro, ou dos petistas, ou da campanha e sim de Marta Suplicy.

A falta de escrúpulos do “jornalista” mal esconde seu objetivo. Faz anos que ele senta em cima dos “métodos válidos e os limites éticos de uma campanha eleitoral”, como prova o fato que nada diz, nem seu jornal, sobre os ataques à vida privada de Marta nas eleições de 2004, por exemplo.

Vale lembrar que foi a Folha SP a que em 2001 publicou o ataque mais vil e violento contra Marta e minha pessoa, lançando assim a campanha de ataques pessoais sobre a vida afetiva da Marta. Como eu tenho vergonha na cara, jamais me permitiria escrever que quando “Fernando de Barros decidiu explorar a vida privada da Marta no seu jornal, o fez para levantar o preconceito contra ela”. Mesmo que Fernando de Barros esteja longe de desempenhar um papel marginal na repetição destes ataques (ele é o autor recente de uma crônica falando a vontade do meu casamento, por exemplo), seria injusto atribuir a ele o que foi uma decisão do próprio jornal. A verdade exige respeito.

O objetivo de seu artigo hoje é evitar que os petistas possam utilizar os argumentos do ombudsman da Folha condenando a parcialidade do jornal. O argumento já tinha sido invocado quando o predecessor do atual ombudsman se demitiu, pois os donos do jornal não queriam que sua crônica diária na internet pudesse ser utilizada por membros do governo federal para criticar a Folha.

Fernando de Barros considera a opinião do ombudsman respeitável, já a dos petistas não. Mesmo quando a dos petistas coincide com a emitida pelo próprio ombudsman, ou seja que a Folha favoreceu Kassab contra Marta não permitindo nenhum equilibro no segundo turno no tratamento dispensado a cada candidato.

Vindo de petistas ou do ombudsman da Folha, os fatos são os mesmos: a Folha pegou gancho no comercial, atribuiu a ele um conteúdo homofóbico, depois fez uma campanha em defesa de Kassab e contra o preconceito da Marta e completou sua campanha publicando na capa declarações de Kassab sobre assédio das mulheres e negando homossexualidade. Não respeitou qualquer equilibro no tratamento e as explicações de Marta ou do seu marqueteiro cumpriram só o papel de registro. Foram publicadas para justificar um suposto equilibro que o ombudsman mostrou inexistente.

Luis Favre

31/10/2008 - 13:41h Eleições municipais

Agrupei as três notas que escrevi sobre as eleições municipais, para facilitar a leitura e agrupá-las no arquivo.

27/10/2008 – 09:42h

Ir além da aritmética eleitoral (I)

Concluídas as eleições municipais corresponde avaliar a situação política e as novas relações de força que emergiram do escrutínio.

Com a mesma ênfase com que pretendia que as eleições municipais eram essencialmente locais e não tinham qualquer relação com o plano federal, os jornais hoje procuram projetar os resultados em sentido inverso, procurando destacar uma suposta derrota eleitoral do governo e uma vitória da oposição.

Essencialmente os resultados das eleições municipais de 2008 (os números, tanto de votos, como de prefeituras) repetem o mapa das eleições de 2004, mas amplificando a votação e as conquistas dos partidos da base do governo, em detrimento dos partidos da oposição (DEM-PSDB-PPS).

Sem desprezar as vitórias obtidas pela oposição, sua força simbólica e seus desdobramentos políticos, a aritmética eleitoral mostra uma diminuição de sua influência e dos municípios por ela governados, particularmente nas cidades acima de 200 mil habitantes e nas capitais.

As eleições municipais confirmaram o quase desaparecimento do DEM-PFL das prefeituras. Perdeu Rio de Janeiro, onde contrariando a tendência que favoreceu a continuidade, Cesar Maia não fez seu sucessor. Afastou o “carlismo” de um retorno com ACM Neto em Salvador e ganhou sobrevida com a vitória de Kassab, porem estreitamente limitada as decisões de José Serra. O PPS virou pó e o PSDB conseguiu manter sua força, diminuída de muitas prefeituras, em cidades já governadas por eles. No plano nacional, a oposição e a mídia não podem sustentar na aritmética eleitoral uma vitória, de fato inexistente, ou uma derrota de Lula e do governo federal. O PT foi o segundo partido mais votado no país e passou a governar 566 prefeituras, 143 a mais que em 2004 . O PMDB, por sua vez, cresceu 54% em termos eleitorais em relação a 2004 (Fonte jornal VALOR).

Mas entre a aritmética eleitoral e a política, as percepções e suas repercussões nos partidos, não existe automaticamente equivalência ou identidade. Por isso não é suficiente constatar os ganhos e perdas, requer-se ir além e aprofundar a analise política sobre as projeções dos resultados eleitorais.

Vou tentar aportar minha opinião em várias notas sobre diversos elementos destas eleições, sem a pretensão de aportar respostas a uma série de problemas revelados nesta campanha. Em outras notas tratarei especificamente das eleições em São Paulo.

Se no plano geral do cômputo municipal, os partidos da base do governo federal obtiveram as maiores vitórias, um analise pormenorizado mostra que destes partidos, é o PMDB quem mais se fortalece e o crescimento dos municípios conquistados pelo PT não compensa este fato, diminuído assim o peso do partido do presidente, na disputa política no campo da base aliada.

A diminuição do voto e dos municípios controlados pela oposição, não deve ocultar a importância política da vitória de Serra na cidade de São Paulo. Não só por ter conseguido a reeleição de Kassab, mas por ter obtido este resultado derrotando ao mesmo tempo seu principal adversário no PSDB, o ex-governador Alckmin e impedido assim o crescimento em São Paulo de seu rival Aécio Neves. A vitória de Serra é por isso uma vitória política muito significativa, reforçada mais ainda pela derrota de Marta e do PT, por uma margem grande e significativa.

Ao mesmo tempo, os limites desta vitória inegável de José Serra é que ela não conseguiu se projetar fora do Estado, na vitória de Gabeira no Rio, candidato do Serra e maior esperança deste segundo turno, após Kassab, para a oposição e a mídia. A vitória do candidato de Aécio em BH também constituí um limitador da vitória do paulista e de suas pretensões para 2010.

O PT deverá proceder a uma avaliação aprofundada sobre sua situação. Ele não pode limitar sua avaliação dos resultados a constatar o simples crescimento em prefeituras e em votos obtido pela legenda, ou no crescimento dos partidos da base do governo. Em primeiro lugar porque o PMDB é um aliado muito dividido nos diferentes Estados (em São Paulo está na oposição). Em segundo lugar, porque o PT, como partido, não conseguiu resolver o divorcio com uma parte significativa do eleitorado, particularmente da região sudoeste e sul e nestas regiões, de seu afastamento de contingentes significativos de eleitores da classe média urbanizada. Isto é particularmente válido nas capitais, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.

27/10/2008 – 14:52h

Ir além da aritmética eleitoral (II)

Quando os dirigentes do PT, os senadores Mercadante e Suplicy, os deputados federais e estaduais de São Paulo e os vereadores do partido, foram a Brasília pedir para Marta ser novamente candidata à prefeitura, as pesquisas e as analises eleitorais indicavam uma vitória quase certa para o ex-governador Geraldo Alckmin. Mesmo assim era impossível para Marta recusar esta convocatória unânime do seu partido, na medida em que só ela podia assegurar um resultado eleitoral expressivo em São Paulo.

O curso dos acontecimentos mudaram em parte esta analise, tirando Alckmin do segundo turno, mas não o favoritismo do centro-direita que acabou vitorioso na cidade.

A vitória de Serra se reveste de uma força maior, pois conseguiu ao mesmo tempo eliminar seu adversário tucano e derrotar a candidata petista com uma avalanche de votos.

Esta vitória de Kassab e Serra na cidade de São Paulo foi contundente. Ela só tem equivalente na vitória de Pitta e Maluf em 1996. O paralelo não é só numérico, mas político e social.

A estrutura econômica, social, política e midiática que tem como eixo e expressão partidária o tucanato, conseguiu uma importante vitória, preservando assim seu projeto de recuperar o poder, perdido para Lula e o PT em 2002.

A decadência do malufismo foi substituída pela emergência e consolidação do PSDB na cidade. A evolução do PSDB para o centro-direita permitiu que ele incorporasse as bases de sustentação social e política do malufismo, o conservadorismo e o anti-petismo.

Esta substituição foi facilitada pela ação militante da mídia, que no passado foi reticente ao malufismo e que hoje faz corpo e alma com o tucanato contra o PT.

Mas este processo que hoje manifesta com força sua consolidação, só foi possivel pela incapacidade do PT em conquistar a hegemonia na cidade a partir da vitória de Marta em 2000. Evidentemente que intervém nesta dificuldade a sadia recusa do PT a virar um partido do conservadorismo e do status quo, mas também sua dificuldade a superar suas limitações programáticas e administrativas, em favor de uma visão mais moderna da esquerda e da luta contra a desigualdade social.

A hegemonia da direita em São Paulo tem uma longa tradição e história. As vitórias eleitorais da esquerda foram exceção, só duas, e diretamente ligadas à conjunturas eleitorais (divisão da direita e modo de escrutínio que permitiu a eleição de Erundina em 1988; experiência Pitta e declínio do malufismo, combinado com apoio eleitoral do centro-esquerda tucano em favor da Marta em 2000). A divisão também se fez presente nesta eleição, mas com carateristicas diferentes, é suas conseqüencias podiam ter pesado no resultado do pleito se tivessem servido para ampliar a base social de apoio da candidata petista o que não foi conseguido pela campanha e pela candidata.

Romper esta hegemonia exige muito mais que uma vitória eleitoral como foi a de 2000, requer a consolidação de um governo com ampla base de sustentação social e política, além de uma disputa de valores com muito peso numa cidade conservadora como São Paulo.

Ter governado São Paulo na difícil situação econômica e financeira deixada por Pitta na cidade, e de FHC no país, permitiu que o PT consolidasse seu cacife eleitoral no patamar de 40%, mas não permitiu ir além. Ele fincou firme sua força e sua inserção na periferia e entre os mais pobres, porém não conseguiu mudar suas relações com setores médios arrastados pelos conservadorismo para um anti-petismo reacionário.

A incapacidade do PT aqui mencionada, combinou-se com as conseqüências dos erros cometidos por quadros e dirigentes do PT com relação as questões de financiamento irregular dos partidos, amplamente explorados pela mídia e a direita nos últimos anos contra o PT.

Um fator importante em São Paulo é o peso do poder da mídia aqui, diferente do resto do Brasil. Esse peso está a serviço do PSDB contra o PT e quando os demo-tucanos ficam inaudíveis a mídia os substitui como partido de oposição, visando a desestabilizar o governo federal. Mas este peso é maior em São Paulo porque o discurso de direita encontra respaldo no conservadorismo das classes médias que são diretamente influenciadas pela mídia em um processo no qual um alimenta o outro dialeticamente.

Penso que é a partir de esta reflexão que deverá ser elaborado um balanço específico do processo eleitoral, de seus erros e acertos. Evidentemente isto inclui o papel da política eleitoral, do marketing, dos dirigentes e da candidata.

Neste aspecto reproduzo como conclusão desta nota um parágrafo de um e-mail que recebi hoje de um jornalista conhecido que prefere ficar no anonimato: “Oi Luis, poucas certezas foram tão repetidas ontem à noite na TV quanto o encolhimento político da Marta. Blá-blá-Blá, não vou perder tempo. Bem, essa mesma turma disse que Marta estava morta ao perder a reeleição em 2004. E depois quando não foi escolhida candidata ao governo em 2006. E ainda quando disse o famoso ‘relaxa e goza’ no ano passado. É estranho que tantos analistas tão inteligentes, tão isentos, tão preocupados com a correção de suas previsões errem tanto. Talvez seja o fato de que 40% dos paulistanos não estão nem aí para o que eles dizem. Quem consegue a confiança de 2,5 milhões de paulistanos apenas com a sua militância…”

30/10/2008 – 12:34h

Ir além da aritmética eleitoral (III)

No começo do segundo turno da eleição municipal em São Paulo, em ato que contou com a participação de 11 ministros, Marta lançou um manifesto “Compromisso com São Paulo”.

Relendo esse manifesto percebo agora que ele não ocupou nenhum lugar na campanha e que provavelmente ele tenha chegado tarde demais. O manifesto, que reproduzo novamente aqui embaixo, deveria ter ocupado um lugar central no momento em que Marta aparecia com crescimento nas pesquisas no primeiro turno, enquanto o noticiário estava ocupado pela disputa brava entre Alckmin e Kassab.

Esse manifesto poderia ter balizado uma série de iniciativas em direção à sociedade civil e também em direção à setores das classes médias. O conjunto teria ampliado a base de apoio e o diálogo da candidata do PT, com provável desdobramento na queda da taxa de “rejeição”. As referências nesse documento à Carta ao povo brasileiro do então candidato Lula põe em evidência, na minha opinião, o erro de “timing” no lançamento deste manifesto e o lugar marginal que acabou ocupando esta orientação na própria campanha.

Esse erro político ma parece importante, porque a orientação do manifesto teria dado substância à linha de conquistar a maioria, intervindo assim na crise dos adversários. Ao contrário me parece que ficamos simplesmente aguardando que o eleitorado decidisse qual dos dois passaria para o segundo turno, sem apresentar uma alternativa aos eleitores de ambos e à franja de eleitores indecisos.

A questão da “rejeição” ao PT ou a seus candidatos não será resolvida com iniciativas só de marketing e sim por iniciativas políticas que rompam o “isolamento” (utilizo “isolamento” em relação a um percentual maior de eleitores, que a nossa base eleitoral de 30-40% que está longe de ser pouca coisa ou isolada).

Outro elemento crítico foram as conseqüências políticas do comercial que foi transformado pela mídia e nossos adversários em instrumento de paralisia e crise. O erro reconhecido por João Santana, de não ter detectado nenhuma carga particular nos grupos “qualis” e de não ter previsto o significado que a mídia colaria no mesmo, provém de uma subestimação do papel da mídia paulista como força política organizada em favor da direita. Basta pensar qual teria sido a opinião da própria candidata, se tivesse sido consultada antes, para perceber que as “qualis” não podem ter a palavra final quando as decisões incumbem à política.

Pensar que a mídia, tendo permanentemente feito campanha sobre a vida privada da Marta, não sairia em defesa de Kassab, é atribuir a ela “princípios éticos ou deontológicos”, que evidentemente ela não tem. Como duvido que alguém na campanha tenha esta ilusão, penso que o questionamento válido -ninguém sabe qual é a trajetória de Kassab-, levou à perguntas que serviram de pretexto para uma campanha anti-Marta. O erro é grave, paralisou a agenda da candidata durante vários dias e mesmo se não teve maior conseqüência no plano eleitoral, reforçou os argumentos contra o PT no curso final do pleito.

O conteúdo da famosa “rejeição” ao PT deve ser avaliado corretamente, recusando a manipulação da mídia. Esta manipulação se apóia no termo rejeição e sua ambigüidade. A pergunta que os institutos fazem é: “em quem o senhor (a) não votaria de jeito nenhum?”. Alguns institutos a formulam perguntando sobre o nome de cada candidato: “votaria, poderia votar, não votaria de jeito nenhum” seguido de cada nome; ou apresentando a tabela inteira com os nomes dos candidatos.

Nenhuma pergunta sobre a motivação é feita. O Datafolha não formulou esta questão no segundo turno, pois é pouco relevante na medida em que só tem dois candidatos e a “rejeição” é mais ou menos equivalente à decisão do voto (está determinado em votar em fulano).

A mídia e seus articulistas, anos a fio construíram em parte essa “rejeição” e, em relação a “rejeição” dos principais líderes do PT, forneceram e fornecem em permanência seus desejos, como conteúdo desta rejeição. Sem nenhuma base em pesquisas, anos a fio atribuíram à falta de diploma de Lula sua rejeição, ou ao fato de ser operário. Não que estes argumentos não existissem, mas eles eram reiterados e propagados com o intuito de serem transformados em barreira intransponível. Agindo assim a mídia procura destruir os dirigentes do PT, pois ela sabe que eles não se improvisam do dia para a noite. Se o fato dele ser operário, falar português com erros e não ter diploma motivou as três derrotas seguidas de Lula (1989-1994-1998), logicamente o PT deveria trocar de líder ou transformá-lo em alguém  ‘diplomado” (as duas coisas aconteceram, em 1999 alguns petistas começaram a organizar outro candidato e Eduardo Suplicy aconselhou Lula a fazer um curso nos Estados-Unidos).

Como Marta é “rejeitada” por ser mulher ou arrogante, divorciada de “senador querido”, casada com argentino, defender os gay’s, ser do PT, ser rica, ou defender os pobres…

Luis Favre

A seguir o documento Compromisso com São Paulo que foi publicado aqui no blog com o título “A palavra de Marta”

A palavra de Marta

 Compromisso com São Paulo

Quero agradecer de todo o coração a cada um dos mais de dois milhões de paulistanos que me deram sua confiança no primeiro turno destas eleições. E de tudo vou fazer para estar à altura deste apoio firme e caloroso.

Tenho certeza de que cada um desses votos vai se confirmar no próximo dia 26. Mas peço ainda um pouco mais a todos vocês: vamos trabalhar juntos, com garra e vitalidade, para que novos votos venham se somar aos nossos, no caminho para a vitória.

Nesses poucos dias que faltam para o momento decisivo, quero me comprometer com a população de São Paulo de que continuarei a fazer uma campanha sem ataques pessoais. Meu propósito é apresentar e debater propostas capazes de melhorar a vida de nosso povo.

Minha agenda vem desde o meu primeiro mandato. Com as coisas boas que fizemos na educação, nos transportes, na habitação, na saúde, na cultura e em nossas demais áreas de atuação. Até mesmo nossos tropeços, que reconheço com humildade, nos deram ensinamentos.

Depois da desastrosa experiência que atormentou São Paulo, ao longo da gestão de Celso Pitta, entendi que, para enfrentar o imenso desafio de reconstruir São Paulo, era necessária a união de todas as forças vivas da cidade. O apoio que recebi de Mário Covas e do PSDB, no segundo turno das eleições municipais de 2000, me fez ver que a união era possível e que poderíamos realizar um governo de reconstrução com a participação de todos. Isso só não se concretizou, na dimensão pretendida, por atropelos do processo das eleições presidenciais que se avizinhavam.

Mas em 2002, em sua Carta ao Povo Brasileiro, o então candidato Lula convocou o espírito da parceria e do consenso, assumindo compromissos que respondiam com clareza à vontade de união e mudança. Espírito e compromissos que dariam, em seguida, a marca de sua ação governamental. De que foi exemplo maior, desde logo, a criação do Conselho Econômico e Social, reunindo representantes de todos os setores sociais – para começarem juntos, sob a presidência de Lula, a construção de um novo caminho nacional.

Por esse caminho, o Brasil reencontrou o rumo do crescimento, da superação da dependência do FMI, da diminuição da pobreza, da geração de emprego e renda, da promoção da ascensão social e da ampliação de oportunidades educacionais para jovens de baixa renda. O avanço foi possível – e sensível – porque a disposição do presidente, no combate à desigualdade, se firmou na convergência do esforço de todos.

Não estou na disputa política para dividir. Mas, sim, para unir e construir. Não virão de mim apelos ao ódio, à destruição ou à rejeição de adversários. O que farei será mostrar com firmeza, ao povo de São Paulo, a alternativa que represento para a cidade. Seu voto indicará o destino que se deseja. E vou me empenhar para que tal destino coincida com o caminho que o presidente Lula traçou para o país.

Como primeiro passo no sentido da união de São Paulo, assumo aqui o compromisso de, se eleita, constituir um Conselho da Cidade. Um conselho de representantes de todos os segmentos da população. Das entidades representativas da sociedade civil, dos empresários e dos sindicalistas, do comércio e da universidade, das igrejas, da cultura, do esporte e dos usuários dos serviços públicos. Com um só objetivo: realizar uma cruzada – e canalizar o esforço de todos, a fim de enfrentar as questões mais cruciais do município, a começar pelo transporte coletivo.

Tenho apoio do presidente Lula para, na articulação das três instâncias de governo, construir 228 km de corredores de ônibus e 47 km de metrô, nos próximos quatro anos. Para, assim, dar um salto de qualidade na vida paulistana, superando um problema crítico que vem prejudicando fortemente a economia urbana e a saúde da cidade e do cidadão. E assim como, para combater a segregação dos mais carentes, o metrô deve chegar a mais lugares da periferia, me comprometo a não criar qualquer pedágio urbano, que atingiria em cheio os menos privilegiados, sem resolver o problema do trânsito, como já ficou demonstrado em grandes cidades do mundo.

Quero também assumir uma nova atitude na questão tributária. Os níveis recordes de arrecadação da prefeitura permitem um amplo programa de incentivos à produção e ao empreendedorismo, tão forte em nossa capital, com desoneração dos impostos municipais e desburocratização dos procedimentos. E reafirmar meu compromisso de isentar os profissionais liberais autônomos do pagamento do ISS.

Com a união de todos os setores sociais, poderemos projetar São Paulo na era digital. Segmentos empresariais da área de informática já manifestaram interesse em participar do programa de acesso gratuito à internet banda larga em nossa cidade. O governo federal assinou convênio para equipar, com esse fim, 800 escolas municipais. E pretendo combinar esta ação com investimento em qualificação profissional no espaço dos CEUs, que, com a construção de mais 20 unidades, irão configurar a Rede-CEU.

Uma outra ofensiva do governo de união por São Paulo deverá se desenvolver no campo da saúde, diante da realidade da falta de médicos e de atendimento em especialidades. Venho propondo a criação de 31 policlínicas na cidade, uma em cada subprefeitura. E quero agora incorporar, ao desenho dessa rede, a proposta de criação de centros de atendimento aos idosos, apresentada pelo candidato Geraldo Alckmin.

Para finalizar, quero dizer que, para governar São Paulo e superar a crise que estamos vivendo, será fundamental a mobilização de nossas melhores energias. A coragem de ousar e inovar, combinando planejamento e imaginação. Generosidade e rigor.

São Paulo precisa crescer. Mas crescer com inclusão social. Crescer em benefício de todos. E é para isso que a todos convoco, no sentido da construção de um governo de união por São Paulo. Um governo voltado para construir uma cidade melhor, mais forte e mais justa.

29/10/2008 - 18:17h O Metrô e a cidade

TENDÊNCIAS/DEBATES

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

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JORGE WILHEIM


Não se pode imaginar que um transporte de massa tão vital para os cidadãos quanto o metrô seja implantado sem diálogo

APÓS O período eleitoral, em que não houve espaço para esclarecimentos suficientes sobre propostas para a rede de metrô em São Paulo, volto ao tema, urgente diante do grau de congestionamento de tráfego que prejudica todos.
Para a circulação de pessoas, há dois paradigmas a considerar: a) transporte é um sistema, do qual participam o pedestre, a bicicleta, o automóvel, o veículo coletivo, o trem -donde a importância de considerar em conjunto as vias por que cada um transita e os estacionamentos em estações e terminais; b) o desenho do transporte de massa deve constituir uma rede, uma malha em que se busca maximizar o número de nós, isto é, das estações de transbordo entre uma linha e outra, pois somente assim cada um escolherá seu itinerário e o total de usuários se distribuirá, diluindo a concentração por linha que ocorre quando a rede ainda não se encontra estabelecida.
A rede de metrô, um verdadeiro reticulado, deveria cobrir toda a cidade e estender-se para municípios vizinhos: Guarulhos, São Bernardo, Taboão, Osasco. Esse desenho tem sido debatido pelos técnicos do Metrô, ocorrendo por vezes legítima divisão de opiniões.
Assim é que, enquanto um grupo, que prevaleceu quando o engenheiro Claudio de Senna era secretário estadual de Transportes Metropolitanos, defendia uma rede aberta, como a acima descrita, denominada Pitu – 2020, outros técnicos, em data mais recente, defendem a implantação de uma rede mais concentrada, no centro expandido, não chegando a constituir claramente uma rede nem tendo um alcance metropolitano, à qual se deu o nome de rede essencial, parcialmente coincidente com um Pitu – 2025.
Essa era, e é, a divergência entre as teses enunciadas durante a recente campanha eleitoral. Enquanto Marta Suplicy defendia a rede aberta, de caráter metropolitano, Kassab a acusava de ter “inventado” uma malha diferente da que se estava implantando, defendendo implicitamente outra tese, a da rede essencial.
Há, contudo, algumas modificações em ambos os esquemas gerados pelos técnicos do Metrô. A candidata Marta propunha algumas extensões a fim de alcançar Freguesia do Ó, Cerro Corá, Taboão, Vila Maria e Sapopemba a partir de linhas existentes ou em construção. Enquanto à rede essencial o governo do Estado está acrescentando uma linha nova, ligando Freguesia do Ó à estação São Joaquim (da linha norte-sul), paralela e próxima a duas linhas existentes (a leste-oeste e a que passa pela av. Paulista).
Uma divergência técnica seria normal, porém, conviria que o debate fosse ampliado, incluindo de algum modo a opinião dos usuários, além de ser imprescindível o diálogo entre a secretaria estadual e o Metrô com os responsáveis pela cidade de São Paulo e pelos municípios contíguos.
Não se pode imaginar que um transporte de massa tão vital para os cidadãos seja implantado sem diálogo com a prefeitura, sem contemplar o Plano Diretor, as operações urbanas, a política de uso do solo, o planejamento, as ações estratégicas previstas e sem debate público.
Para definir o desenho final das linhas, além do conceito de rede, deve-se considerar tanto a população que demanda o transporte quanto a força de indução que o metrô acarreta, adensando e diversificando o uso do solo.
Por isso, uma pesquisa de origem e destino, retratando as demandas atuais, não é suficiente para a determinação da malha. Essa pesquisa resulta numa redundância das tendências atuais, recaindo na articulação no centro e em sua rótula, e exclui a função indutora do metrô, bem conhecida e valorizada pelo setor imobiliário.
Embora com décadas de atraso, é urgente definir o desenho final da rede de metrô. Essa definição terá que resultar de franco e transparente debate técnico entre especialistas do Metrô e urbanistas das prefeituras pertinentes e terá que ser convalidada por uma consulta aos usuários.
Finalmente, em nível político-administrativo, o desenho da malha final e o resultante cronograma de elaboração de projetos, assim como de investimentos, deverão constituir a pauta de um acordo entre os três níveis de governo, cada um assumindo suas responsabilidades, à semelhança da divisão de encargos financeiros proposta pela então ministra do Turismo destinada a fazer face ao aumento de turistas durante o ano de 2014, ano da Copa.
O metrô de São Paulo é tão vital para a cidade e para o país que nenhum governante se furtará de buscar tal acordo, ansiosamente aguardado pela população metropolitana.

JORGE WILHEIM, 80, é arquiteto e urbanista. Foi secretário de Planejamento Urbano do município de São Paulo (gestão Marta Suplicy).

29/10/2008 - 10:35h Para quando o carnaval passar

VALOR

rosangela_bittar.jpgDe imediato, não será, como nunca foi o tempo de ação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para este tipo de providência. Critério pré-definido, não existirá, e quem forçar vai irritar o chefe. Pode não haver desejo, mas reconhecimento da necessidade. Assim, a cautela recomenda não esperar reforma ministerial abrangente, muito menos agora, no calor das mágoas eleitorais e antes do Natal, como o presidente não gosta. Mas quando o ano novo chegar, após as eleições das Mesas da Câmara e do Senado, em fevereiro, com a definição sobre o que será o governo nos dois anos finais de mandato do presidente Lula, ficará evidente a exigência de ser feito um arranjo na tropa governista para armar as batalhas da sucessão. O presidente já tem, e terá ainda mais, razões de sobra para trocar peças do seu governo. E vai fazê-lo.

O que se tem dito hoje não conta. Alguns políticos com acesso ao presidente informam que ele não fará reforma ministerial nenhuma. Outros comentam que haverá “mudanças pontuais”, mas derrotados não receberão posto. Um critério, por sinal, que nunca foi o do presidente Lula. Ele formou seu primeiro staff praticamente só com derrotados.

Há um consenso nas informações: Marta Suplicy (PT), derrotada na disputa da Prefeitura de São Paulo, não voltará ao governo, “de onde saiu por sua conta e risco” para uma empreitada incerta. Ora, o presidente não desestimulou sua candidatura, empenhou-se pessoalmente para elegê-la, e o PT não tem nomes novos sobrando no Estado para produzir candidaturas em futuro próximo. Não se consegue perceber por que vai rifar a Marta, que ainda tem milhões de votos, deixando-a sem palanque durante dois anos inteiros, nem que seja para tentar, por exemplo, uma cadeira no Senado.

Haverá também a pressão do grupo de petistas mais próximos a ela para que lhe seja destinado um cargo que permita a exposição máxima. Provavelmente não retomará o Ministério do Turismo. Mas uma solução virá. Para formar novos nomes do partido em São Paulo, o governo federal não pode se dar ao luxo de desprezar os já conhecidos, e Marta é o que restou de mais importante.

Como seus principais adversários do PSDB, que também precisam consolidar nomes para as novas disputas, o governo registra que tem algumas promessas para o futuro. Luiz Marinho, prefeito eleito de São Bernardo depois da campanha mais rica de toda a sucessão municipal, é um emergente que terá apoio para se transformar em opção. Emídio de Souza, a partir de Osasco, é outro nome nos planos prospectivos do presidente Lula. Há os que já eram citados antes, como Arlindo Chinaglia, hoje na presidência da Câmara mas fora dela no ano que vem, e José Eduardo Cardozo, secretário geral do PT. E, sempre, Antonio Palocci. Se absolvido, Lula vai levá-lo de volta ao governo, confirmou isto para mais de um interlocutor, e não necessariamente como ministro da Economia. Em qualquer ministério que esteja, Palocci freqüentará o centro do poder, o Palácio do Planalto, como já faz hoje. Mas ganhará um posto formal.

Há outros emergentes no partido do presidente que precisam de foco. Fernando Pimentel, revigorado com a eleição de um afilhado desconhecido no segundo turno, em Belo Horizonte, e desde o início um entusiasta da candidatura Dilma Rousseff à sucessão de Lula, não merecerá o ostracismo. Há o PT da Bahia, um caso especial, que não dá mostras de arrefecimento na sua competição com o PMDB local. O tamanho e profundidade da ruptura que houve ali entre os dois partidos aliados a Lula, só o presidente poderá reparar. O PMDB venceu, mas o feito do PT foi enorme ao chegar ao segundo turno desbancando o tucanato e o carlismo. Como vai se sustentar este PT para pleitear a reeleição ao governo do Estado, uma vez que a derrota desqualifica Jaques Wagner para a sucessão presidencial, é algo que exige ajuda do processo político e eleitoral que o presidente toca.

O PT revelou outras estrelas, como Luizianne Lins, no Ceará, e João Paulo, em Pernambuco, mas, vitoriosos, terão palanques naturais nestes próximos dois anos para seu grupo. Não se sabe de onde o presidente tirará mais cargos para todo o PT, mas o partido pressiona até com as vagas do Tribunal de Contas da União, instância que quer enquadrar às suas regras e projeto.

O PMDB volta com uma sede correspondente ao sucesso eleitoral que teve. Já começa querendo mais no Congresso, onde senadores anunciam que, além da presidência da Câmara, que o PMDB terá por acordo, o partido faz questão da presidência do Senado. No Planalto já se comenta que se o PMDB quiser as duas Casas, pode ficar sem nenhuma.

Não é lenda o horror que o presidente Lula tem a demissões, afastamentos, dispensas. Ele gosta de contratar e aumentar salários. Trocar ministro em véspera das festas de fim de ano sempre conseguiu evitar. Diz agora, oficialmente, que não haverá reforma ministerial, até porque, se admiti-la, não suportará a voracidade dos principais partidos da sua aliança.

Mas vai fazer. Além de acomodar forças do PT, tem a conquista definitiva do PMDB para sua aliança em 2010, a solução da crise que restará das escolhas dos presidentes da Câmara e do Senado, as consequências da crise econômica sobre seu plano de governo, os dois últimos anos de administração e a construção de um discurso para a campanha em que, já anunciou a muitos, pretende eleger seu candidato, custe o que custar. A maioria no Congresso é absolutamente necessária, e não é para aprovar a reforma tributária. Esta já chegou à fase da desconstrução do caminho andado, tendo em vista sua eterna inviabilidade. Mas precisa de maioria para aprovar as medidas destinadas a combater a crise financeira.

O teorema implica a melhora da gestão, tendo em vista os dois últimos anos de mandato. E são claros os sinais de insatisfação com alguns ministros. Márcio Fortes, das Cidades, que não responde aos investimentos feitos pelo PAC em sua área, é um destes. José Temporão, da Saúde, apesar da torcida dos amigos, continua sem dizer o que faz no governo. E Tarso Genro, da Justiça, que não demonstra intimidade com os acordos entre a Polícia Federal e a Agência de Inteligência (Abin). Não será por falta de quem demitir que o presidente ficará sem vagas para a reforma ministerial.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

28/10/2008 - 16:00h De olho nos estados

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense

Por Alon Feuerwerker

alonfeuerwerker.df@diariosassociados.com.br

cadeira_2010.jpgJá se sabe há três semanas, desde o primeiro turno, que o PMDB sairia desta eleição como a jóia cobiçada da próxima. Mas qual será, afinal, o peso dos resultados municipais de 2008 na corrida presidencial de 2010? E a real importância das coligações partidárias numa eleição majoritária, especialmente na escolha do presidente da República, qual é? Quem conseguir arrastar o PMDB para uma aliança terá mesmo dado o passo decisivo para ficar imbatível na corrida pelo Palácio do Planalto? O que realmente quer o PMDB?

Vamos começar pelo fim. O PMDB quer poder, o máximo possível. Nesse particular, a legenda é igualzinha às outras. Tome-se a sucessão das Mesas do Congresso. Os deputados federais do PMDB desejam o comando da Câmara. Os senadores ambicionam a Presidência do Senado. O PT e o presidente da República acham que é demais entregar ambas as cadeiras ao aliado. Mas a proposta de partilha esbarra numa dificuldade.

Como já se escreveu nesta coluna, um pedaço do PMDB (senadores) não se vê representado pelo outro (deputados). Pior, os dois grupos disputam espaço internamente na legenda e na relação política com o governo. Quem abrir mão estará cedendo poder para o principal adversário. E, como o PMDB tem a maior bancada numa e noutra Casa, ambos se julgam no direito de manter a postulação.

Um acordo em 2007 entre o PT e o PMDB decidiu pelo rodízio na Câmara, e agora é a vez de Michel Temer (PMDB-SP). Mas o Senado, que não participou do pacto, acha que não tem nada com isso. E tecnicamente não tem mesmo. Além do mais, os senadores viram o acordo de 2007 como uma manobra do governo e do PT para enfraquecê-los.

Encontrei ontem, na sala de embarque do Aeroporto de Congonhas, um amigo gaúcho, petista. Conversa vai, ele quis saber por que acho difícil o acordo, ainda que não impossível. Respondi com um exemplo. Imagine a cena, disse eu. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chama o ministro Tarso Genro e dá a notícia: “Tarso, é o seguinte, vou te tirar do Ministério da Justiça e colocar o Olívio Dutra no teu lugar. É para atender às minhas conveniências políticas. Fica elas por elas, já que o partido não perde nada. Vou anunciar daqui a pouco. Você liga para o Olívio para combinar a transição?”.

Meu interlocutor naturalmente riu. E mudamos de assunto. Fomos para 2010. O papo chegou no ponto de que alianças políticas são importantes pois garantem tempo de televisão, mas não só. O Rio de Janeiro acaba de mostrar que alianças podem fazer a diferença em eleições muito apertadas. É bem possível que a disputa de 2010 seja dura, e quem agregar um pouquinho mais poderá obter vantagem decisiva. A capacidade de reunir apoios também é importante por outro motivo: serve para transmitir ao eleitor a idéia de que o candidato tem suficiente força política para colocar em prática as propostas apresentadas na campanha.

Sem perder de vista que numa eleição majoritária a relação é direta entre o candidato e o eleitor, recomenda-se não esquecer os detalhes do parágrafo anterior. E, já que apoios e alianças são mesmo importantes, o que vai ser decisivo em 2010 para o PMDB escolher se prefere casar, comprar uma bicicleta ou nenhuma das duas anteriores?

Mais do que pelo poder (que já tem, e bastante), o PMDB provavelmente se orientará daqui por diante pela expectativa de poder, até porque a Era Lula está nas últimas. E quem tem mais expectativa de poder a oferecer para 2010, o governo ou a oposição? O governo tem Lula, uma ótima avaliação e consideráveis chances de eleger o sucessor. A oposição tem bons nomes, força regional e espera que a sucessão não aconteça em céu de brigadeiro na economia.

O PMDB pode ir para um dos dois lados. Ou, como é próprio do partido, para nenhum. Uma alternativa é a legenda ficar novamente fora das coligações formais na disputa nacional, enquanto suas seções estaduais buscam o melhor caminho para preservar e robustecer o poder local. Onde, como se viu, o PMDB é especialista. E poder local é essencial para eleger bancadas federais.

Aqui, mais um detalhe. O PMDB ganhou em seis capitais. Em quatro delas, teve que derrotar o PT, ou nomes apoiados pelo PT. Em uma, recebeu o apoio do PT no segundo turno. Só em uma os dois partidos estiveram coligados desde o começo. Se o desenho das disputas estaduais em 2010 indicar muitas polarizações entre PT e PMDB, é bom Lula começar, e logo, a procurar em outro lugar o vice de Dilma Rousseff.

28/10/2008 - 15:00h Em busca de nomes para o próximo páreo

Aliados de Kassab e Serra já articulam corrida estadual

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Quercia, Lembo, Afif, Alda e Kassab

Alessandra Pereira – Correio Braziliense

São Paulo — Enquanto boa parte do PT acordou ontem tentando montar o quebra-cabeça da derrota na capital paulista para descobrir, afinal, como evitar que o mesmo rolo compressor atue sobre o processo eleitoral em 2010, os aliados do prefeito reeleito, Gilberto Kassab (DEM), começaram a semana fazendo os primeiros movimentos políticos em torno da próxima meta: a sucessão para o governo do estado.

Quando bancaram o racha do PSDB, há pouco mais de seis meses, em nome de uma sólida e indispensável aliança com o DEM, serristas e kassabistas de diferentes siglas partidárias tinham clareza em torno de um único projeto de médio prazo de fazer do atual governador José Serra (PSDB) o nome mais forte para candidatar-se à Presidência e tentar derrotar um adversário indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No entanto, líderes das forças políticas que capitalizam agora a vitória da dupla Serra/Kassab nas urnas sabem que estão diante de um novo xadrez: encontrar o nome certo para substituir o governador tucano caso ele se torne o candidato de seu partido para concorrer à vaga de Lula. Mais do que questão de acomodação de ambições pessoais e interesses partidários, o desafio passa a ser antever quem terá condições reais de vencer as próximas eleições estaduais e garantir a sucessão de Serra no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de um estado com mais de 40 milhões de habitantes e que administra o segundo maior orçamento do país.

“Essa escolha pode garantir céu de brigadeiro ou caminhos tortuosos durante uma eventual campanha de Serra em 2010”, analisa um integrante da executiva nacional do PSDB. “Estaremos diante de mais um dilema no estilo vida ou morte. Temos de corrigir erros em todas as facetas que envolvem uma candidatura”, afirma, falando difícil, um parlamentar petista que não é do grupo martista, mas já defende o nome da candidata derrotada nas urnas Marta Suplicy como a alternativa de maior densidade eleitoral e credibilidade política para arriscar uma empreitada com chance de vitória daqui a dois anos.

Empenho

Entre os líderes da aliança PSDB-DEM, só há uma certeza. Se a nova campanha começasse hoje, o melhor candidato seria Kassab, que, a exemplo de Serra, em 2004, atravessou todo o campo da batalha eleitoral prometendo que cumprirá os quatro anos de mandato. Caso ele faça valer a palavra empenhada, os olhos voltam-se, no DEM, para o secretário de Trabalho de Serra, Guilherme Afif Domingos, que coordenou o novo programa de governo de Kassab e se credenciou na revitalização da sigla.

No PMDB, o nome forte seria o do ex-governador Orestes Quércia. Já no PSDB, o vice-governador Alberto Goldman e o chefe da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, são lembrados, mas o ex-governador Geraldo Alckmin ainda é, apesar das fissuras internas, o candidato natural.