16/09/2008 - 17:11h Vacina contra câncer de mama mostra eficácia

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Aguardando o progresso da ciência, campanhas de prevenção, diagnostico e tratamento

 

Pesquisa em animais apresentou um bom resultado em tumor agressivo e resistente

O Globo

WASHINGTON. Cientistas da Wayne State University, nos EUA, testaram com sucesso em camundongos a vacina contra um câncer de mama que responde por 20% a 30% dos casos.
Ele é causado pelo excesso da proteína HER2, o receptor para fator humano de crescimento epidérmico. O estudo, publicada na “Cancer Research”, revela que a substância é eficaz também na prevenção.
Os receptores HER2 estimulam o crescimento normal de células e se encontram em baixas quantidades. Porém, elas podem ter muito mais receptores, gerando um tumor agressivo. A vacina contêm genes que produzem o receptor HER2 e um composto que ativa o sistema imune.
A equipe aplicou pulsos elétricos para injetar a vacina em músculos das patas. A droga produziu grande quantidade de receptores HER2, que levaram à reação no sistema imune contra o sinal de câncer.
Em condições normais, em baixas quantidades, esta proteína passa despercebida no sistema imunológico. Para aumentar a reação natural do animal contra o tumor, pesquisadores usaram um agente supressor de atividade das células T reguladoras.
Elas impedem que a defesa responda em excesso. Na ausência dessas células, houve melhor resposta à vacina.
Quando os cientistas introduziram o HER2 nos tumores dos animais, o câncer foi erradicado, sem efeito adverso. Há drogas para tratar este tipo de câncer, mas pacientes desenvolvem resistência.

— A vacina é produzida nas próprias células — disse WeiZen Wei, que dirigiu o estudo.
O câncer de mama é a principal causa de morte por tumores entre as mulheres. No Brasil, estima-se em 49.400 o número de casos novos este ano, segundo o INCa.

— É um dado pré-clínico encorajador.
Porém, quando se lida com vacinas, boa parte do que funciona em animal não tem efeito em humanos. Temos que aguardar — disse Carlos Gil, chefe da Pesquisa Clínica do INCa.

12/06/2008 - 18:02h Esperança no tratamento de câncer

Câncer já pode ser considerado doença crônica por causa do avanço das terapias individualizadas

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Maria Vianna – O Globo Online

CHICAGO – O perfil genético do paciente vai ser cada vez mais importante para definir que tipo de tratamento seguir na hora em que é diagnosticado algum tipo de câncer. Das novidades apresentadas no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês) este mês em Chicago, o aperfeiçoamento e o barateamento de testes feitos com biomarcadores – moléculas que reconhecem características específicas de um tumor quando juntadas a ele – foram recebidos com entusiasmo pelos especialistas na área, que já falam inclusive que alguns tipos de câncer podem ser encarados como doença crônica. Para os especialistas, os tratamentos cada vez mais individualizados estão ajudando a prolongar a vida de pacientes. Isso significa que, com o tratamento adequado, as pessoas poderão viver anos, assim como ocorre com doenças como diabetes e hipertensão arterial.

- Há seis, sete anos, a sobrevida do câncer de cólon era de 11 meses. Hoje já é 30 e está crescendo. É cada vez mais comum ver pacientes de câncer ditos incuráveis com sobrevida de dez anos. Nos casos do de mama , reto e próstata, a sobrevida está aumentando a cada ano que passa – explica o oncologista Gilberto Amorim, do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Estes testes identificam se o paciente vai se beneficiar mais da quimioterapia, da radioterapia ou de uma combinação de tratamentos que inclui drogas orais, ou até mesmo se o tratamento escolhido não vai ser eficaz.

- No início, o tratamento do câncer era basicamente a quimioterapia, que funciona como tiro de cartucheira, ou seja, atira para todo lado. Às vezes, a quimioterapia acerta o alvo certo, às vezes mais do que deveria e outras vezes, nada. Isso não é o ideal. Os tratamentos hoje visam atingir apenas as células cancerosas, sem afetar as células saudáveis. É como se a gente trocasse a cartucheira por um tiro teleguiado – explica o oncologista Paulo Hoff, diretor do setor de oncologia do Hospital Sírio Libanês e do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Polêmica envolvendo o teste

Para médicos e pacientes, esta notícia tem um grande impacto não só na forma do tratamento, como também em seu custo. Embora um teste deste tipo custe cerca de R$ 3 mil, o paciente com câncer pode gastar o triplo disto em quimioterapia e medicamentos antes de perceber que o tratamento não está dando certo.

Por outro lado, os testes que verificam se o indivíduo tem alto risco de sofrer algum tipo de câncer – que já podem ser feitos no caso do de mama e de cólon – ainda não são bem aceitos pela comunidade médica. A oncologista Clarissa Matthias, diretora do Núcleo de Oncologia da Bahia, frisa que o teste pode ser eficaz em doenças que podem ser evitadas com atitudes preventivas.

- No câncer de mama, mulheres que testam positivo para mutações que quase sempre levam à doença reduzem suas chances em 90% quando fazem uma mastectomia profilática. Se o câncer de mama fosse comum na minha família, ia querer que minha filha fizesse o teste e a cirurgia de retirada das mamas. É uma escolha da pessoa com seu médico, mas acho importante ter esta opção – diz a médica.

Hoff discorda, lembrando que mesmo com uma alta chance de desenvolver o câncer, a pessoa pode nunca desenvolver a doença.

- Podemos até fazer um cálculo, dependendo do tipo de câncer, de quanto é causado pela genética e pelas atividades do dia-a-dia. São pouquíssimas as situações em que o teste vai determinar se a pessoa vai ter câncer e ela vai estar com o destino selado. Os testes que prevêem se as pessoas vão ou não ter câncer são polêmicos e ainda vão demorar bastante para serem adotados pelos médicos – acredita o oncologista.