21/11/2009 - 15:35h Pesquisas associam taxas de colesterol a risco de tumores

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Altos níveis de HDL (colesterol “bom”) parecem proteger contra o câncer

JULLIANE SILVEIRA ENVIADA ESPECIAL A ORLANDO – FOLHA SP

Uma revisão científica de 21 estudos, que acessou dados de mais de 586 mil pacientes norte-americanos, apontou uma associação entre altos índices de HDL (o chamado colesterol “bom”) e menor risco de desenvolvimento de câncer.
Entre os pacientes avaliados, 7.928 desenvolveram tumores malignos ao longo de cinco anos. A cada 10 mg/dl aumentado de HDL, a redução de incidência de câncer foi de 21%.
O estudo foi realizado pelo Tufts Medical Center e apresentado no congresso da American Heart Association, em Orlando. “Constatamos que, nos estudos com pacientes com taxas mais baixas de HDL, a incidência de câncer foi maior”, disse à Folha Richard Karas, autor do estudo.
Os mecanismos que levam à associação entre as taxas de colesterol e câncer ainda não foram bem estabelecidos. No entanto, os pesquisadores levantam algumas hipóteses para explicar a relação.
Uma delas é o fato de que o HDL está relacionado a mecanismos inflamatórios. “O HDL pode ter um efeito no sistema imunológico, desempenhando um efeito anti-inflamatório. Um dos papeis desse sistema, em termos leigos, é procurar as células cancerosas e matá-las”, explicou Karas.
A outra hipótese, segundo Karas, está no efeito antioxidante de uma proteína que compõe o HDL. Sabe-se que substâncias antioxidantes têm efeito preventivo contra o desenvolvimento de tumores.
“É possível que o HDL atue em mecanismos inflamatórios do organismo e, por isso, contribua para reduzir as taxas de câncer. Mas não podemos deixar de lado o fato de que pessoas com níveis mais altos de colesterol “bom” geralmente apresentam melhores hábitos de vida, o que também influencia no aparecimento de câncer”, observa o cardiologista Antônio Carlos Chagas, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Próstata
Um outro estudo realizado com mais de 5.000 homens pela Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, nos Estados Unidos, também mostrou que altos índices de colesterol total estão relacionados a maior risco de desenvolver câncer de próstata. Aqueles que tinham níveis totais de colesterol menores do que 200 mg/dl apresentaram 59% menos risco de desenvolver câncer de próstata agressivo.
De acordo com os pesquisadores, as moléculas de colesterol podem interferir na sobrevida das células cancerosas. Dessa forma, os tumores podem fazer uso desse mecanismo para burlar o ciclo normal de vida e morte celular.

18/11/2009 - 16:47h Só 1/3 dos homens faz toque retal no Brasil, mostra pesquisa Datafolha

CLÁUDIA COLLUCCI da Folha de S.Paulo

Apenas 32% dos brasileiros com idades entre 40 e 70 anos fazem o toque retal para detectar o câncer de próstata, o tumor que mais mata os homens acima dos 50 anos. Já o PSA (antígeno prostático específico) é feito por 47% dos homens. Os dois exames são indicados a partir dos 45 anos –nos Estados Unidos, a recomendação começa cinco anos antes.

Os dados são de uma pesquisa Datafolha, encomendada pela SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) e divulgada ontem. Foram entrevistados 1.061 homens de 11 capitais brasileiras e do Distrito Federal. A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa mostra que o índice de prevenção varia conforme a faixa etária e o nível socioeconômico. Até os 50 anos, 18% dos homens fazem o toque retal e 36%, o PSA. Dos 50 aos 59 anos, a taxa passa para 40% e 54%, respectivamente. Entre os 60 e os 70 anos, 53% fazem o toque e 65%, o PSA.

Nas classes D e E, 84% dos homens nunca fizeram o toque retal e 74%, o PSA. Já entre os das classes A e B, o índice ficou em 42% (toque) e 60% (PSA).

Editoria de Arte/Folha Imagem
Cancer_Próstata

“Os homens preferem fazer o exame de sangue ao de toque. Mas é preciso ressaltar que os dois são complementares no diagnóstico do câncer de próstata e um não substitui o outro. Em até 20% dos casos, o exame de sangue pode ser normal em uma pessoa com câncer”, afirma José Carlos de Almeida, presidente da SBU.

Para 77% dos entrevistados, o preconceito é o principal fator para a não realização do toque retal. “Nós, urologistas, sempre pensamos que o medo fosse tão importante quanto o preconceito. Com essa pesquisa, o que pensávamos foi por água abaixo. Eles não fazem por constrangimento”, diz o urologista Aguinaldo Nardi, coordenador da pesquisa pela SBU.

Na opinião de Ernani Luis Rhoden, professor de urologia da Universidade Federal Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), os homens passam em média dez anos fugindo do exame. “Eles nos procuram mais por volta dos 55 anos, 60 anos. Mas, quando chegam, menos de 1% se sente constrangido com o exame”, diz.

Rhoden lembra que a distribuição geográfica dos urologistas (concentrados nas regiões Sul e Sudeste) e as dificuldades de se consultar com o especialista no SUS são fatores que também atrasam o diagnóstico precoce do câncer de próstata.

A pesquisa constatou em números o que muita gente já sabia na prática: 66% dos homens só buscam tratamento médico por influência da mulher.

Polêmica

O PSA, que identifica precocemente a probabilidade do desenvolvimento de câncer de próstata, tem sido alvo de polêmica por poder levar a diagnósticos e tratamentos exagerados. Não há consenso que o teste reduza a mortalidade.

Neste ano, dois estudos chegaram a conclusões diferentes sobre os benefícios do PSA: um, americano, concluiu que ele não salva vidas. Já outro, europeu, indica que existe uma redução de 20% nas mortes.

Em alguns pacientes, o tumor cresce mais rapidamente, o que reduz a sobrevida. Mas, em outros casos, o câncer progride lentamente e permanece localizado na próstata. Se ele não for considerado clinicamente significante, o tratamento poderá ser desnecessário. “O problema é que ainda não temos marcadores que nos digam qual será a evolução de determinado tumor. Por isso, é melhor prevenir”, diz Nardi.

02/10/2009 - 09:33h Kassab, as mulheres do Campo Limpo precisam ser tratadas com mais respeito.

Editorial do jornal AGORA

Descaso no Campo Limpo

A mamografia é o exame que detecta o câncer de mama, o tumor que mais mata as brasileiras. Recomenda-se que as mulheres entre 50 e 69 anos façam a mamografia a cada dois anos. Daí se vê como é um procedimento importantíssimo para a saúde da população.

É alarmante, portanto, que o Hospital Municipal do Campo Limpo, o maior da zona sul de São Paulo, esteja há três meses com o mamógrafo quebrado. De acordo com funcionários e pacientes, o aparelho deixou de funcionar no começo de julho e não há previsão para o conserto. Já a Secretaria Municipal de Saúde diz que o novo mamógrafo deve ser instalado até o fim do ano.

Mas o descaso com a saúde no Campo Limpo não para por aí. As mulheres que procuram o hospital para a mamografia são encaminhadas para a UBS (Unidade Básica de Saúde) Vila das Belezas. É só dor de cabeça: na UBS, depois de agendado o exame, a demora para o atendimento chega a três horas.

O hospital é gerido pela secretaria, mas os exames estão sob responsabilidade da OSS (Organização Social de Saúde) Fidi. Não dá para entender por que o aparelho ainda não foi trocado. O diagnóstico precoce do câncer de mama facilita a sua cura. As mulheres do Campo Limpo precisam ser tratadas com mais respeito.

30/09/2009 - 11:03h A saúde de Kassab: Hospital não faz mamografia há 3 meses em SP.

Rubens Cavallari/Folha Imagem
Hospital_campolimpo
Hospital manda as pacientes para casa sem o exame


Mulher só conseguiu exame após escândalo em UBS


Aline Mazzo do Agora

A cabeleireira Edileuza Firmino Dantas, 52 anos, demorou quatro meses para conseguir fazer uma mamografia. Ela tentou marcar o exame no Hospital do Campo Limpo em junho, mas não havia vagas. Quando retornou, em julho, o aparelho estava quebrado.

“Eu fui mais de quatro vezes ao hospital e ligava todos os dias, mas as atendentes sempre diziam que não havia data para consertar o aparelho”, contou. A ginecologista solicitou o exame para Edileuza porque, durante uma consulta, detectou um cisto em um dos seus seios. “Se eu estiver com alguma coisa ruim, já passou o tempo de tratar”, queixou-se a cabeleireira.

Cansada, Edileuza foi à UBS Jardim Coimbra (zona sul de SP) e disse que só sairia dali com o exame marcado. “Briguei com todo mundo, fiz um escândalo, aí acabaram agendando [em outra UBS --algumas fazem o exame]“. A mamografia foi realizada na semana passada –o resultado demora cerca de 15 dias.

A dona de casa Silvana Ferreira Dias, 44 anos, também tentou agendar o mesmo exame no hospital, sem sucesso. Ela está com um nódulo em um dos seios e precisa do exame com urgência para que a ginecologista identifique se é um tumor ou um problema de menor gravidade. “Como ninguém diz aonde devo ir para fazer o exame, terei de voltar à UBS e ver se consigo marcar em outro lugar. Tomara que não demore.”


Hospital não faz mamografia há 3 meses em SP

Aline Mazzo do Agora

O Hospital Municipal do Campo Limpo, na zona sul da capital, está há três meses com o mamógrafo quebrado. As mulheres que procuram a unidade para fazer o exame, voltam para casa sem o diagnóstico. A unidade não as encaminha para outro centro de saúde e tampouco orienta em que lugar a mamografia –exame para detectar tumores nos seios– pode ser feita.

Apesar de o hospital ser gerido pela Secretaria Municipal da Saúde, os exames são de responsabilidade da OSS (Organização Social de Saúde) FIDI (Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem). Segundo o portal da prefeitura “De Olho nas Contas”, foram realizados apenas 49 das 1.396 (3,5%) mamografias previstas para serem feitas em pacientes que vivem na região sul da cidade no mês de julho. Procurada, a pasta não informou quantos desse exames seriam feitos no Hospital Campo Limpo.

O relatório da região sul vai na contramão do restante da cidade. Nas demais regiões, o número de exames realizados é sempre maior que a previsão, índice que mostra a alta demanda pelo exame.

Segundo funcionários e pacientes, o aparelho quebrou no começo de julho e não há previsão para o conserto. Ontem, a reportagem viu que as duas salas de mamografia do hospital estavam fechadas.

O exame de mamografia é a principal ferramenta para os médicos detectarem precocemente o câncer de mama, o tipo que mais mata mulheres. A partir dos 40 anos, a recomendação é que o exame seja feito anualmente.

“A mamografia ainda é o principal meio de rastrear o câncer de mama”, explica o chefe da disciplina de oncologia ginecológica da Unifesp, Sérgio Mancini Nicolau. O médico disse que um diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso no tratamento.

Além do mamógrafo, o aparelho que faz o teste ergométrico está quebrado há quatro meses, segundo os funcionários da unidade. O exame registra como o coração se comporta quando submetido ao esforço físico. Assim como o outro aparelho, não há prazo para seu conserto.

‘Outras unidades fazem’

A Secretaria Municipal da Saúde informou, por meio de nota, que os exames estão sendo encaminhados para outras unidades.

As mamografias são feitas na UBS Vila das Belezas, e o teste ergométrico, nas AMAs Jardim São Luiz e Capão Redondo, ambas na zona sul da capital. A secretaria disse que, assim, nenhum paciente deixa de realizar os exames.

Com relação ao baixo índice (3,5%) de realização das mamografias previstas para a região sul, a secretaria informou que não foi possível apurar a informação em tempo hábil após ser procurada pela reportagem ontem à tarde.

Segundo a pasta, será ainda instalado no hospital um novo aparelho de ressonância magnética mais moderno e com maior capacidade para realização de exames. A reforma da área física está concluída, mas ainda falta a instalação de um dispositivo de segurança. A expectativa é que o aparelho seja instalado até o fim do ano.

28/09/2009 - 14:51h Uso do narguilé equivale a consumo de até 100 cigarros

Natália Fernandjes
Narguilé
Muito popular entre os jovens, o narguilé será a responsável pelo aumento do número de dependentes de nicotina nos próximos anos


Da Redação Repórter Diário

Considerado por muitos como sendo algo inofensivo, o narguilé protagoniza uma séria discussão: segundo pesquisa do Inca (Instituto do Câncer) o instrumento se tornou a forma mais frequente de consumo de tabaco entre os jovens, depois do cigarro. Além disso, a jarra de vidro contendo uma mangueira com uma pipeta na ponta será a responsável pelo aumento do número de dependentes de nicotina nos próximos anos, segundo o coordenador do ambulatório de combate ao tabagismo da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Adriano César Guazzelli.

Conforme explica o especialista, o narguilé é um inalador de tabaco queimado como o charuto, o cachimbo e o cigarro, por isso, causa dependência tanto quanto estes produtos. “A fumaça mais suave permite com que as pessoas inalem uma quantidade maior de toxinas sem perceber”, destaca.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a fumaça gerada pelo instrumento contém inúmeras toxinas que podem causar câncer de pulmão e doenças cardíacas, por exemplo. Em uma sessão de cerca de uma hora do produto a quantidade de fumaça inalada corresponde a mesma de quem fuma 100 cigarros comuns. “Mesmo que o consumo seja ocasional, a intensidade desse consumo é muito superior do que a do cigarro comum”, indica Guazelli.

Para o administrador Jeferson Martinez, a diversão deve ser utilizada com precaução. “Acho que deve fazer mal sim, principalmente por não ter um filtro como o cigarro”, exemplifica. Martinez diz ter conhecido o narguilé há cerca de três anos e gostado da novidade, no entanto, acredita que utilizar o produto uma vez por mês é ideal para evitar problemas com a saúde.

Estatísticas
O cachimbo d’água, tradicional em países do Oriente Médio, aos poucos ganhou força no Brasil. Pesquisa do Inca sobre o tabagismo entre os jovens indica que 6% dos universitários fizeram uso de outros produtos de tabaco nos últimos 30 dias, destes, os mais consumidos são os cigarros de Bali (50%) e o narguilé (20%).

Um estudo britânico vai além ao constatar que as pessoas que fumam narguilé podem sofrer com os altos níveis de monóxido de carbono (CO). Os pesquisadores acreditam que uma sessão do produto (dez miligramas de tabaco durante 30 minutos) resulta em níveis de monóxido de carbono quatro ou cinco vezes mais altos do que um cigarro comum. (Colaborou Natália Fernandjes)

09/09/2009 - 17:27h 75% dos tumores de cabeça e pescoço são descobertos tarde

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Estudo avaliou mais de 16 mil registros no Estado de São Paulo de tumores em locais como lábio, língua e laringe

Maioria dos casos acontece nas mucosas da cavidade oral, laringe e esôfago; estágio avançado da doença leva a cirurgias mutiladoras

GABRIELA CUPANI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Três em cada quatro tumores de cabeça e pescoço são descobertos em estágio avançado, quando as chances de cura são menores e os tratamentos, mais agressivos. O dado é de um estudo sobre o perfil epidemiológico desses cânceres no Estado de São Paulo, feito pelo Hospital A.C. Camargo.
Para chegar ao resultado, os autores analisaram o registro de mais de 16 mil pacientes entre os anos de 2000 e 2006, diagnosticados com tumores de lábio, cavidade oral, faringe, amígdala e glândulas salivares, entre outros. Trata-se de um dos poucos levantamentos que detalharam as prevalências de cada um dos tumores englobados no grupo considerado câncer de cabeça e pescoço.
Segundo o trabalho, 75% dos casos foram diagnosticados em estágio avançado e isso não se alterou ao longo dos anos. No mesmo período, os casos de câncer de nasofaringe tiveram o maior aumento proporcional.
Os pacientes diagnosticados eram, na maioria, homens com mais de 60 anos e baixo nível de escolaridade. “Falta conhecimento dos sintomas”, afirma o cirurgião Luiz Paulo Kowalski, diretor do departamento de cirurgia de cabeça e pescoço e otorrinolaringologia do Hospital A.C. Camargo e um dos líderes desse trabalho.
“Nos Estados Unidos, a situação é inversa: 70% dos casos são descobertos em estágio inicial”, conta o cirurgião de cabeça e pescoço Sérgio Samir Arap, do Hospital das Clínicas de São Paulo e gerente-médico do centro cirúrgico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
“A maioria desses tumores acontece nas mucosas da cavidade oral, laringe e esôfago”, diz Arap. “Mas faltam profissionais capacitados para identificar esses tumores precocemente e encaminhar os casos para um serviço especializado”, completa o cirurgião.
Estima-se que os cânceres de boca e orofaringe sejam os tipos mais frequentes dessa categoria, somando aproximadamente 390 mil novos casos a cada ano no Brasil. Segundo o artigo, o Brasil se destaca como um dos países com maior incidência desses tumores, devido à exposição aos fatores de risco.
Os tumores de cabeça e pescoço são relacionados a exposição excessiva ao sol (que causa a doença na pele e nos lábios), tabagismo e consumo abusivo de álcool. Estudos recentes associam o aumento de casos à infecção pelo vírus HPV, mesmo em pessoas assintomáticas.

Inflamação na gengiva
Uma pesquisa recente da Universidade de Buffalo (EUA) revelou que a periodontite (inflamação crônica da gengiva) também está relacionada ao aumento do risco desses tumores. A doença leva à perda progressiva de ossos e do tecido que sustenta os dentes e foi associada a cânceres de cavidade oral, orofaringe e laringe.
Para prevenir as lesões, além de uma boa higiene oral, recomenda-se adotar uma dieta saudável. “Comer vegetais amarelos, ricos em vitamina A, frutas cítricas e folhas verdes diminui o risco”, diz Kowalski.
Além disso, pessoas com mais de 40 anos, com más condições dentárias, fumantes e portadores de próteses mal ajustadas devem passar por um exame visual da boca, que pode ser feito por dentista, uma vez por ano para identificar lesões.
“No entanto, as campanhas têm sido pouco eficazes no controle do surgimento de novos casos e no diagnóstico precoce”, observa Kowalski.
Diagnosticados precocemente, esses tumores têm grande chance de cura, que chega a 95%, com cirurgias mais simples. Já nos casos avançados, o tempo de operação pode ser dez vezes maior, as cirurgias são mais mutiladoras e há necessidade de reabilitação.

SINAIS SERVEM DE ALERTA

Feridas que crescem ou não cicatrizam, rouquidão ou dor de garganta por mais de duas semanas, sangramentos e gânglios endurecidos devem chamar a atenção.

02/08/2009 - 10:46h Cortina de fumaça

Ecoando discurso de um fumante inveterado, seu personagem em “Restos”, monólogo de Neil LaBute que estreia em São Paulo dia 20, ator

Antonio Fagundes, 60, que vai estrelar o monólogo “Restos’, sob direção de Márcio Aurélio; ator encarna fumante que, durante velório, relembra a relação com sua mulher, vítima de câncer

Rafael Hupsel/Folha Imagem
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Antonio Fagundes critica a Lei Antifumo e diz que vai “peitar” a medida e acender cigarro em cena

 

LUCAS NEVES – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Se todo ator incorpora traços dos tipos que interpreta, parece que Antonio Fagundes, 60, escolheu o que levar de seu personagem em “Restos”, de Neil LaBute, antes da estreia no dia 20, em São Paulo, no teatro Faap: o ataque à patrulha antitabagista.

Em cena, dirigido por Márcio Aurélio (”Agreste”), ele encarna um fumante inveterado que repassa -com suspiros saudosistas e certa birra dos modos contemporâneos- as fases de sua relação com a mulher cujo corpo está sendo velado.

Ela morreu de câncer, ele está na fila. Pouco importa. “Guardem seus panfletos ou qualquer outra merda sobre o assunto, ok? A vida é minha, pelo menos o que resta dela”, diz à plateia.

O texto de LaBute é farto em rubricas que pedem um cigarro à mão. Mas a Lei Antifumo que entra vigor na sexta no Estado de São Paulo impede que atores fumem em cena sem autorização judicial. É aí que Fagundes toma emprestado o tom incisivo do personagem:
“Vou peitar isso e fumar. Temos um problema de censura. É um precedente grave se a gente não fala nada. Fiquei surpreso que os fumantes tenham ficado quietos. O brasileiro está muito quieto para tudo. Espero que os fumantes não votem nas pessoas que aprovaram essa lei. É engraçado, porque parece que o [governador José] Serra é ex-fumante. Não tem coisa pior do que ex”.

Para Fagundes, “começa assim; amanhã, vão dizer que não pode beijar na boca porque passa gripe suína; depois, não pode mostrar assassinato [em cena], porque é contra a lei. As pessoas ainda não perceberam, a liberdade não se perde de uma vez. Os puritanos proibiram o teatro na Inglaterra por décadas pois achavam que era satânico. Caminhamos para isso”.

Sem patrocínio para a montagem de “Restos”, o ator também tece críticas ao debate sobre a reforma da Lei Rouanet, que concede às empresas que investem em produções artísticas isenção de parte do Imposto de Renda devido.

“As pessoas que redigem a lei deveriam entender o mecanismo de produção de teatro, saber quanto custa manter um espetáculo em cartaz, anunciar num jornal. Não tem ninguém nessas comissões que já tenha feito teatro? [Quando se fala em mudar a lei] Dá a impressão de que é um movimento rancoroso, do tipo “só estes caras que não precisam [por serem famosos] recebem dinheiro”. É claro que precisam!”

Por conta das restrições previstas na Rouanet aos gastos com divulgação, os espetáculos estreiam, segundo Fagundes, com “morte anunciada”. “Você fica em cartaz por pouco tempo. Ou seja, se antes se falava em espetáculos de elite, agora são peças para a elite da elite, porque não são só para quem pode pagar, mas para quem corre para pagar”, observa.

Seu Zé e Dona Maria

Ao longo dos 43 anos de carreira teatral, transitou com desenvoltura entre a dramaturgia engajada do Teatro de Arena, musicais da Broadway, montagens de clássicos (como “Macbeth” e “Gata em Teto de Zinco Quente”) e empreitadas de risco, como “Carmem com Filtro”, estreia de Gerald Thomas na cena paulistana. Sempre com uma piscada de olhos para “seu Zé e dona Maria” -como se refere ao espectador pouco familiarizado com teatro.

“Estamos acostumados a ensinar filosofia a quem não sabe ler. Parte-se do princípio de que quem foi lá [ao teatro] sabe tudo”, afirma. “Defendo a tradição teatral para um público que não a conhece. Sempre pensei assim: só vou fazer experiência na minha vida quando tiver feito o resto todo. No Brasil, parte-se para a inovação antes de se ter experiência.”

Daí seu descontentamento com o abandono “da cortina, da sala convencional”. “Criaram-se espaços que não são teatros. Você pode inovar sem deixar de dar ao público conforto. Já cansei de sentar em cima de prego. Não acho interessante. A gente não tem mais maquiagem, grandes figurinos, cenários, efeitos. O próprio texto deixou de ter surpresas.”

Não é o caso de “Restos”, dotado de uma reviravolta que, nos momentos finais, atira no colo do público um segredo oculto pela cortina de fumaça.

20/07/2009 - 15:24h Virtude x vício

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Propaganda nazista contra o tabaco e Bogart acendendo um cigarro a Lauren Bacall

Denis Lerrer Rosenfield – O Estado SP

O Brasil tem vivido nos últimos anos, e particularmente nos últimos meses, uma invasão do que poderíamos chamar de politicamente correto. São Paulo encontra-se, agora, na iniciativa. Tal invasão vem acompanhada de uma série de medidas legais, sejam leis propriamente ditas, sejam atos administrativos como decretos, resoluções, portarias e instruções normativas que restringem cada vez mais a liberdade de escolha. O politicamente correto apresenta-se, então, como se fosse, moralmente falando, uma forma do bem que estaria enfrentando o mal, no caso, o mau comportamento. Tivemos, assim, uma avalancha de medidas contra o álcool e o fumo que são apresentadas como se fossem as expressões mesmas da virtude. Sua ampliação já é cogitada para vários alimentos considerados daninhos ao organismo, com diferentes graus de gorduras.

Importa ressaltar que o Estado patrocina essas medidas, impondo-as, de fato, aos cidadãos, como se pudesse arvorar-se em representante do bem, da virtude. O Estado arroga para si uma função que não deveria ser dele, pelo menos na perspectiva de cidadãos que exercem a sua liberdade de escolha, sendo, portanto, responsáveis por aquilo que fazem. O Estado termina por assumir uma função propriamente “ética”, ditando aos cidadãos o que deve ou não ser feito, sendo esse dever seguido de medidas jurídicas, tornando obrigatórios tais comportamentos, sob pena de multas e punições em geral.

Nada disso, no entanto, é muito novo. Embora seja normalmente atribuída a uma moda americana com origem nos anos 50-60 do século passado, a partir de pesquisas correlacionando o hábito do fumo, do álcool, de determinados alimentos e de radiações de aparelhos a certas doenças como câncer, cardiorrespiratórias e outras, sua origem remonta à Alemanha nazista. A ciência médica durante o nazismo não se caracterizou só pelas aberrações cometidas nos campos de concentração, na eugenia, na eliminação de “doentes”, do corpo e da alma, na discriminação racial, mas também por medidas que recomendavam – algumas obrigavam – aos cidadãos determinados comportamentos tidos pelos dirigentes nazistas como saudáveis para o corpo e a alma. Estava em questão aquilo mesmo que era considerado como devendo ser o bom alemão (sigo aqui o livro de Robert N. Proctor The Nazi War on Cancer, Princeton University Press, 1999).

Um slogan nazista utilizado sobretudo para os alimentos assim proclamava: “O seu corpo pertence à nação! O seu corpo pertence ao Führer! Você tem a obrigação de ser saudável! Alimento não é uma coisa privada.”

Ora, dentro dessa lógica, se o corpo do indivíduo pertence à nação, ele pertence a seu dirigente máximo, o Führer, que sabe, em sua onisciência, o que é melhor para todos os cidadãos. O Führer encarna a sabedoria; os cidadãos, a ignorância. A obrigação é a primeira de suas virtudes e a única forma que lhes é reservada de escapar do vício. A saúde do corpo deixa de ser algo individual, objeto de preocupação própria de cada um, e torna-se uma política de Estado, devendo ser simplesmente seguida.

A propaganda nazista não cessava de apregoar a virtude de seus dirigentes, ressaltando que Hitler era antitabagista, enquanto seus inimigos, como Churchill, Roosevelt e Stalin, eram adeptos do fumo, o primeiro, de charutos e os outros dois, de cigarros. Mussolini e Franco eram também não-fumantes. O Führer, ademais, era vegetariano, só comia carne em raras ocasiões, e tampouco bebia. Churchill, seu grande adversário, era renomado tomador de uísque e champanhe em grandes doses. E também não era adepto do vegetarianismo.

Na perspectiva nazista, assinalada em sua propaganda, Hitler era um homem virtuoso, que se dedicava a combater o vício, enquanto os seus adversários eram capitalistas ou comunistas degenerados, frutos de uma civilização decadente. Tratava-se, portanto, para ele, de fazer um resgate da virtude, em contraposição aos que se dedicavam ao vício. Em linguagem contemporânea, diríamos que Hitler era politicamente correto, enquanto os seus inimigos eram libertinos da pior espécie, não propriamente humanos. Eram os representantes dos sub-humanos, embora costumasse reservar mais propriamente essa expressão aos judeus, ciganos, homossexuais e comunistas.

É interessante observar que o álcool e o fumo são considerados enquanto doenças, na verdade, vícios civilizatórios de uma sociedade decadente, de um capitalismo corruptor do corpo e da alma, formas de expressão a serem banidas de um “estilo de vida liberal”. Ambos prejudicariam o desempenho no trabalho e a pureza do corpo, numa mistura de considerações sanitárias, trabalhistas, médicas e ideológicas. O tabaco, em particular, era tido como uma “praga”, uma “epidemia”, uma “bebedeira seca” e uma “masturbação do pulmão”. Também era considerado um “veneno”, uma forma do capitalismo (tobacco capitalism) e o “inimigo da paz mundial”. O ato de fumar era associado à depravação sexual, ao comunismo, ao judaísmo, à África e aos negros degenerados.

A palavra câncer funcionava como uma espécie de metáfora daquilo que deveria ser eliminado, seja um câncer de pulmão, provocado pelo fumo, sejam os judeus, que deveriam ser exterminados. A metáfora do câncer funcionava como um substituto do mal, que exigiria medidas públicas de saneamento, tanto podendo estas se traduzir por medidas raciais, pelo eugenismo, quanto por iniciativas tidas por de saúde pública. Em todo caso, surge, nessas diferentes modalidades, a ideia da criminalização: do alcoolista, do fumante, do judeu, do cigano e do homossexual. Alguns poderiam ser tratados, outros simplesmente eliminados. Um dos mais proeminentes médicos nazistas, Hans Auler, professor em Berlim, considerava o regime nazista como anticancerígeno: “É uma sorte para os pacientes alemães de câncer que o Terceiro Reich estivesse ele mesmo fundado na conservação da saúde alemã.”

Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia
na UFRGS. E-mail: denisrosenfield@terra.com.br

03/06/2009 - 15:42h Autismo é o preço da inteligência


Descobridor da estrutura do DNA diz que genes da alta cognição se relacionam com doença mental

James Watson admite que hipótese é “especulativa”, mas um outro grupo de pesquisa propôs mecanismo para explicar possível elo

Odd Andersen – 20.maio.2005/France Presse
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Biólogo norte-americano James Watson, descobridor do DNA, no Museu de Ciências de Londres

 

CLAUDIO ANGELO ENVIADO ESPECIAL A COLD SPRING HARBOR (EUA) – FOLHA SP

James Watson, descobridor da estrutura do DNA, pai da biologia molecular e polemista profissional, tem uma nova teoria para explicar a suposta genética da inteligência. Os genes que predisporiam algumas pessoas a habilidades intelectuais elevadas seriam os mesmos que disparam doenças como autismo e esquizofrenia.

Coincidentemente, é essa a hipótese que um grupo de pesquisadores da Universidade do Colorado está desenvolvendo. Os dados foram apresentados na semana passada nos Estados Unidos, logo depois de Watson ter delineado suas ideias.

“Isso é muito especulativo. Não posso provar”, admitiu à Folha o biólogo, de 81 anos. Mas a inteligência, continuou, é rara porque casais inteligentes têm probabilidade mais alta de terem filhos com problemas. “E esses genes tendem a ser eliminados pela seleção natural.”

Watson apresentou sua tese durante o 74º Simpósio de Cold Spring Harbor sobre Biologia Quantitativa, organizado pelo laboratório do qual ele era chanceler -até ser demovido do posto no fim de 2007 por ter feito comentários racistas.

Longe de se retratar pelo episódio, Watson ainda sugeriu, durante sua apresentação, que outro motivo pelo qual a inteligência é rara é que “as pessoas inteligentes pagam por dizerem a verdade. Sei disso por experiência pessoal”.

Autorreferência

O cientista começou a desenvolver sua hipótese depois de ter sido o primeiro ser humano a ter o genoma sequenciado.
“Fiquei assustado, descobri que tinha mutações em três genes ligados ao reparo do DNA”.

Esses genes, como o BRCA 1 e o BRCA2, entram em ação para corrigir danos causados durante a replicação do DNA ou por uma agressão do ambiente, como radiação. Mutações neles estão ligadas ao câncer.

“Pessoas com essas mutações tendem a ter filhos especiais”, disse. Watson tem um filho esquizofrênico.

Os mutantes são mais inteligentes que a média e têm menos filhos -e, de acordo com Watson, têm problemas para se relacionar com as outras pessoas. Veja os cientistas.

Supostamente, os genes da inteligência seriam eliminados pela seleção natural. “Mas por que eles não somem e a humanidade não fica mais estúpida?”

Elementar, afirma Watson. As sociedades que têm indivíduos com alta cognição, como Einstein e Darwin, se beneficiam. O processo evitaria o expurgo da inteligência -e da esquizofrenia- do “pool” genético dessas populações.

Faca de dois gumes

Menos especulativa é a ligação entre cognição e doenças mentais feita pelo grupo de James Sikela (Universidade do Colorado). Ele e seus colegas descobriram uma correlação entre o alto número de cópias de um gene numa certa região do DNA humano e o desenvolvimento do cérebro. Essa região, dizem outros estudos, estaria também implicada com autismo e esquizofrenia.

Os pesquisadores identificaram que uma região instável do genoma chamada 1q21.1 concentrava um número alto de cópias de um gene chamado DUF1220. “A relação de causa e efeito não está provada, mas nós relatamos uma correlação” entre o aumento do número de cópias desse gene na linhagem humana e o aumento do cérebro, disse Sikela à Folha.

Essa instabilidade é “uma faca de dois gumes”. “Ela teria permitido mais cópias do DUF1220 e, portanto, teria sido retida na evolução. Por outro lado, essa instabilidade não é precisa, e pode gerar um embaralhamento deletério de sequências. É por isso que os vários estudos recentes que têm relacionado variação no número de cópias na região 1q21.1 no autismo e na esquizofrenia chamaram nossa atenção: isso se encaixa na ideia de que os indivíduos com essas doenças são o preço que a nossa espécie paga pelo mecanismo que permitiu e permite a geração de mais cópias da DUF1220.”

Sikela disse que Watson não sabia de seus dados e que o mecanismo sugerido por ele é diferente. “Mas, em teoria, outras regiões do genoma poderiam se encaixar no modelo.”

25/05/2009 - 15:36h Saúde de amantes da carne vermelha paga preço alto

Saúde e boa forma

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Ensaio
jane brody

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Houve um tempo em que a carne era um luxo para a maioria das pessoas, ou, pelo menos, era algo especial: preparar um assado para o almoço de domingo ou pedir um filé num restaurante. Mas isso mudou. A quantidade média de carne consumida por pessoa dobrou nos últimos 40 anos, segundo agência de alimentos e agricultura da ONU. Boa parte desse crescimento do consumo se dá em países em desenvolvimento, como Índia e China.
Um novo estudo feito com mais de 500 mil americanos forneceu as evidências mais claras até agora de que o gosto pela carne vermelha vem cobrando um preço alto da saúde e limitando a longevidade. O estudo constatou que, quando outras condições são iguais, os homens e mulheres que consomem a maior quantidade de carne tendem a morrer antes das pessoas que consomem muito menos, especialmente de duas das maiores causas de morte no país -doenças cardíacas e câncer.
Os resultados do estudo foram divulgados em março no periódico “The Archives of Internal Medicine”. Dirigido por Rashmi Sinha, epidemiologista nutricional do Centro de Câncer dos EUA, envolveu 322.263 homens e 223.390 mulheres de 50 a 71 anos. Cada participante completou questionários detalhados sobre sua dieta e outros hábitos, incluindo o tabagismo, prática de exercícios, consumo de álcool, escolaridade, uso de suplementos, peso e histórico familiar de câncer.
Durante os dez anos do estudo, 47.976 homens e 23.276 mulheres morreram, e os pesquisadores registraram o momento e as causas de cada morte. O consumo de carne vermelha (bovina, suína e de carneiro) dos participantes variou do mínimo de menos de 28 gramas por dia para o máximo de 113 gramas por dia, e o consumo de carnes processadas (presunto, bacon, salsichas) variou de no máximo uma vez por semana para a média de 42 gramas diárias.
O aumento de risco de mortalidade vinculado aos níveis mais altos de consumo de carne foi descrito como “modesto”, variando entre cerca de 20% e quase 40%. Mas, extrapolados a todos os americanos na faixa etária estudada, as descobertas sugerem que, ao longo de uma década, as mortes de 1 milhão de homens e de ao redor de 500 mil mulheres poderiam ser evitadas simplesmente pelo consumo de menos carne vermelha e processada, segundo estimativas redigidas por Barry Popkin, que escreveu um editorial acompanhando o artigo.
Para prevenir as mortes prematuras relacionadas ao consumo de carnes vermelhas e processadas, Popkin sugeriu que as pessoas consumam um hambúrguer só 1 ou 2 vezes por semana, um bife pequeno uma vez por semana e um cachorro-quente a cada 45 dias.
Em contrapartida, no estudo, os maiores consumidores de carne branca, como aves e peixes, apresentaram uma pequena vantagem em termos de sobrevivência. Aqueles que consumiram a maior quantidade de frutas e verduras também tenderam a viver mais.
Estudos como esse levantam a questão de se a carne é de fato um risco à saúde ou se outros fatores associados ao seu consumo são culpados pela elevação do risco de morte. Escolher proteínas de outras fontes que não a carne também tem sido vinculado a índices mais baixos de câncer. Quando a carne é cozida, grelhada ou assada, carcinógenos podem formar-se em sua superfície. E as carnes processadas, como salsichas, linguiças e salames, geralmente contêm nitrosaminas, embora hoje existam produtos livres desses carcinógenos.
Os dados de 1 milhão de participantes no teste Investigação Prospectiva Europeia sobre Câncer e Nutrição revelaram que os participantes que consumiram menos peixe tiveram risco maior de desenvolver câncer do cólon do que os que consumiram mais de 50 gramas de peixe por dia.
Enquanto uma dieta rica em carnes vermelhas foi vinculada a um risco maior de câncer de próstata, num estudo realizado com 35.534 homens, os participantes que consumiram peixe pelo menos três vezes por semana apresentaram metade do risco de câncer de próstata avançado que os homens que raramente comeram peixe.
Outro estudo, no qual mais de 19.500 mulheres consumiram uma dieta com baixo teor de gordura, constatou após oito anos uma redução de 40% no risco de câncer de ovário entre elas, comparadas a 29 mil mulheres com dieta normal.

22/05/2009 - 18:06h Em MG, Alencar chora e diz que espera ajuda de Deus

PAULO PEIXOTO da Agência Folha, em Belo Horizonte

http://www.gospelprime.com.br/wp-content/uploads/2009/01/jose-alencar-vice-presidente.jpgLutando desde 1997 contra o câncer, o vice-presidente da República, José Alencar, 77, afirmou ontem, em Belo Horizonte, que a sua cura depende de Deus e que, por isso, não pode planejar disputar outra eleição para o Senado.

“Eu estou aguardando primeiro que Deus me cure, porque, se eu não estiver curado, não posso levar nenhuma proposta ao eleitor. Não seria honesto. Se eu não estiver em condição de saúde, não terei como exercer um mandato.”

Como presidente em exercício, Alencar foi ontem ao campus da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) visitar as instalações da Comissão Nacional de Energia Nuclear e ser homenageado com o título de “Patrono da Carreira da Ciência e Tecnologia”.

Na chegada, foi recebido por cerca de 300 funcionários com balões brancos. Emocionado, desceu do carro e caminhou cerca de 150 metros por uma rua íngreme, de paralelepípedo, cumprimentando os servidores, que o aplaudiam.

Alencar chorou algumas vezes durante os discursos de agradecimento por ele ter ajudado a aprovar o plano de carreira do Ministério da Ciência e Tecnologia. Recebeu placa e poemas. Não leu em voz alta para “não chorar mais”.

Dilma

Sobre a saúde da ministra Dilma Rousseff, potencial candidata do governo em 2010 à Presidência, Alencar disse que ela está curada. A chefe da Casa Civil faz tratamento contra um câncer linfático.

“O caso dela é muito diferente. Ela está curada. Esse problema que houve agora foi efeito colateral da quimioterapia”, disse ele, que afirmou ser “quase um oncologista”, devido às muitas cirurgias que fez para a retirada de tumores.

A última foi em janeiro, quando foram retirados um tumor principal e outros oito menores na região do abdome. Há dez dias, novo exame detectou a recorrência do câncer.

Alencar disse que fisicamente está bem, que não tem sintomas porque os órgãos vitais estão preservados.

“Mas o câncer está aí. Estamos agora lutando por um medicamento novo que foi desenvolvido, mas ainda não está à venda. Lutando para que o laboratório ceda, para que nós façamos um tratamento que é adequado para o meu caso.”

“Hoje [ontem] para mim é um momento de muita emoção”, disse ao discursar. Alencar acrescentou que foi a emoção que o levou a subir a rua a pé para agradecer, embora não pudesse, por causa da cirurgia.

Terceiro mandato

Alencar disse que não se pode falar em terceiro mandato para o presidente Lula se isso não está previsto na Constituição. Mas repetiu o que vem dizendo desde que a ideia surgiu de aliados do governo. “Se houver uma pergunta ao povo brasileiro, o povo vai dizer que gostaria que o Lula ficasse mais tempo no poder.”

Ele, porém, não quis dizer se acha que deve haver essa consulta. “Isso eu não acho e nem posso falar isso, porque sou vice-presidente da República.”

20/05/2009 - 15:07h Dilma sai de hospital e está bem

Dilma chama de mau gosto misturar doença com política e diz que usa “peruquinha básica”

WANDERLEY PREITE SOBRINHO colaboração para a Folha Online

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) deixou hoje o hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava internada desde as 3h de ontem após passar sentir fortes dores nas pernas numa reação ao tratamento quimioterápico contra um câncer linfático.

Questionada sobre o uso político da doença, Dilma foi enfática: “Acho de muito mau gosto misturar uma doença que é hoje curável com questões políticas, e acho que a própria população vai entender que isso não é adequado”.

Dilma admitiu que a quimioterapia já lhe custou os cabelos. “Estou usando uma peruquinha básica, como vocês podem notar”.

A ministra reclamou do uso da peruca e disse que vai tirá-la assim que o cabelo crescer um pouco. “É uma coisa que eu espero, logo que ele começar a crescer e estiver em uma altura mais ou menos do tamanho dos masculinos [e fez um gesto com os dedos polegar e indicador], eu possa tirar a peruca. Porque é muito chato peruca.”

Dilma disse que ainda não sabe quando retornará a Brasília para retomar suas atividades ministeriais. Ele recebeu recomendação para descansar em São Paulo.

A ministra admitiu que terá de cancelar parte de sua agenda de compromissos. “Vou cancelar a agenda do final de semana.”

Na saída do hospital, Dilma agradeceu a solidariedade que recebeu. “Quero agradecer à quantidade de solidariedade que venho recebendo ontem e hoje. Agradeço a todos que estão rezando.”

Dilma deu entrada às 3h de ontem no hospital após passar a segunda-feira com fortes dores nas pernas. No Sírio-Libanês, Dilma foi diagnosticada com miopatia, uma inflamação muscular. Ela foi medicada com analgésicos.

Compromissos

De acordo com o blog do Josias, Dilma terá de atenuar o ritmo de trabalho na pasta e a reduzir compromissos públicos.

Ela cancelou a presença num debate promovido pela Associação Brasileira de Rádio e Televisão, que aconteceria hoje. Também cancelou uma apresentação sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em Fortaleza amanhã. Não vai mais na abertura de um congresso da CUT em São Paulo, na sexta.

De acordo com o blog, Dilma foi aconselhada a evitar um encontro com militantes do PT no sábado. Diz que talvez ela compareça a um almoço organizado por Marta Suplicy com celebridades.

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), negou ontem que Dilma tivesse que reduzir seu ritmo de trabalho para tratar o câncer linfático. Segundo Mercadante, a única restrição ao trabalho de Dilma se dará após as sessões de quimioterapia.

“Não tem redução de ritmo de trabalho. Haverá um cuidado maior após sessões de quimioterapia. A quimioterapia dela é preventiva, não é para combater a doença que estaria se alastrando”, disse Mercadante.

Essa foi a mesma avaliação da líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (PT-SC). “Não há afastamento. O que avaliamos é que tem que haver uma preocupação especial com a agenda da ministra nos momentos posteriores às sessões de quimioterapia”, disse ontem.

10/05/2009 - 18:52h Dilma para poucos

Ana Dubeux – Correio Braziliense

anadubeux.df@diariosassociados.com.br|

Há muitas formas de se enfrentar um diagnóstico de câncer. Normalmente, as pessoas escolhem uma e seguem em frente. Algumas se deprimem, outras lutam bravamente. A ministra Dilma Rousseff fez obviamente a segunda opção. Mas, no caso específico dela, o périplo a seguir já começou mais longo, antes do momento em que decidiu tornar pública sua condição de paciente de câncer. As consequências dessa declaração, que variam das imensas manifestações de apoio e solidariedade às mais imbecis tentativas de espetacularizar o caso, não foram exatamente as maiores preocupação da ministra. Ainda que muitos tenham certeza de que seu maior ato de coragem foi ali, diante das câmeras e microfones, ao lado de médicos e assessores.

Antes de ser obrigada (para não se tornar vítima de especulações criminosas) a transformar sua doença num boletim médico, Dilma precisou olhar-se no espelho e reconhecer na mulher, que está no auge da carreira política e em ótima forma física, uma paciente de câncer. E isso inclui encarar o estigma cruel da doença. Precisou também contar para a mãe, Dilma, e para a filha, Paula. Exatamente este foi o momento mais delicado de todo o processo, como ela disse a mim e ao repórter Daniel Pereira na última sexta-feira, quando nos recebeu para a entrevista que você lê hoje aqui no Correio. Por mais que a olhemos como a pré-candidata à Presidência da República agora vitimada por um linfoma, com tudo o que isso representa, Dilma se vê como Dilma, com tudo o que ela é.

Jornalistas em geral têm a pretensão de atribuir escalas de valores aos sentimentos humanos. Até corro esse risco, mas não posso me abster das minhas impressões pessoais do encontro com a ministra. Dilma ri muito, o que contraria o senso comum — ou a imagem imediata que você tem da ministra é de uma pessoa alegre e sorridente? Sim, ela é bem-humorada, muito embora não seja sempre assim e se reserve o direito de ser dura no trabalho. É uma característica pessoal dela, como deve ser de muitos outros políticos, mas se fala muito pouco ou quase nada dos humores, das barrigas e dos botox masculinos — e isso é um fato indiscutível.

Por que razão o fato de ser durona virou a característica predominante de Dilma, é pergunta a ser feita às fontes jornalísticas, que muitas vezes ajudam a forjar um todo pela parte. E então a meia-verdade passa a ser absoluta. Engraçado então que toda essa pseudoaparência se desfaça nos poucos minutos de uma conversa sobre temas da vida cotidiana, como a maternidade, por exemplo. Dilma se emociona ao falar da mãe, da filha e dos filhos que queria ter tido e não teve; endurece ao lembrar da ditadura e tortura e ri diante das incompreensões diversas a respeito de ser mulher no mundo da política ou de ser política num mundo machista, tanto faz.

A ministra, de fato, é uma pessoa envolvente. O que me impressionou nela, no entanto, não é a tranquilidade com a qual demonstra ter enfrentado um câncer publicamente, mas o fato de ser fiel ao espírito que a conduziu até aqui, mesmo diante da vulnerabilidade do momento. Ela continua a ser uma mulher sem meios-termos, como já nos conta sua biografia. Por isso, quando ela me disse que vai vencer o câncer, eu acreditei.

10/05/2009 - 18:45h “Vou vencer o inimigo”

Ana Dubeux e Daniel Pereira – Correio Braziliense

Fotos: Breno Fortes/CB/D.A Press

 A ministra mais poderosa do governo Lula se arrepende de não ter tido mais filhos. “Uns dois”, disse Dilma Rousseff, na sexta-feira, ao receber os Diários Associados. Na primeira entrevista exclusiva concedida a um jornal depois de anunciar que enfrentará um tratamento de câncer, a chefe da Casa Civil não fez justiça, em uma hora de conversa, à fama de durona. Pelo contrário, brincou com ela, debitando-a na conta do preconceito. Bem-humorada e otimista, disse ter “convicção” de que vencerá a doença e se mostrou surpresa com a solidariedade da população. “As pessoas do povo são extremamente delicadas de sentimento.” A ministra se recusou a comentar a possibilidade de concorrer à Presidência. Declarou, no entanto, que o país está preparado para eleger uma mulher. Ou um negro. Falou da ditadura, da “barbárie”, do que considera o maior desafio enfrentado em sua vida. Com o coração aberto, ainda revelou-se disposta a ironizar o interesse por sua vida amorosa e discorrer, com ternura, sobre a relação com a filha, Paula, e a mãe, Dilma. “Sempre estou em dívida com a minha mãe. Sou uma devedora.”

A senhora se acha durona? Esta imagem de que é firme, dá bronca nos ministros, no presidente, corresponde aos fatos?
No presidente não (risos). Eu faço o seguinte: não exijo de ninguém o que eu não dou. Acho que tenho de cumprir, como qualquer pessoa, certas coisas, tenho de responder por elas. Numa equipe, cada um tem de fazer o seu papel. Se me cabe fazer a coordenação, eu cobro prazo, realização e também presto contas. Se o prazo é meu e eu não cumpri, também tenho de dar satisfação. Isso é princípio elementar de trabalho em grupo. Mas eu gosto muito dos ministros que trabalham comigo diariamente, que são os ministros do PAC. Considero que sou amiga de todos. De alguns, extremamente amiga, (amizade) construída nesse processo.

A senhora se sente mesmo a “mãe do PAC”?
O presidente Lula tem uma imensa capacidade de traduzir em explicações simples certas realidades. Como você explica o que é uma coordenadora? É muito mais econômico, sintético, rápido, dizer ela é ‘a mãe do PAC’. E de uma mãe ele espera firmeza e ternura, porque é isso que mãe dá.

O PAC está engatinhando?
É engraçado porque eles se irritam muito com o PAC. É um esforço enorme de investimento. O Brasil parou de investir. Nas outras crises, o Fundo Monetário Internacional (FMI) simplesmente mandava suspender a obra e ponto. Por isso que tinha tanta obra paralisada. Agora, diante da crise, nós aceleramos o PAC. Tem problemas? É óbvio que tem. Nós passamos quase 25 anos sem investir. Diziam: ‘Não vão fazer (as hidrelétricas) Jirau e Santo Antônio, nunca vão tirar a licença ambiental’. Tiramos. Diziam que as concessões rodoviárias eram um chavismo. Não sei se vocês se lembram da época em que fomos acusados de chavistas porque queríamos que as tarifas dos pedágios fossem adequadas à nova realidade do país, que é risco-Brasil menor, estabilidade macroeconômica maior. As concessões saíram.

O Brasil está preparado para eleger uma mãe,uma mulher, presidente da República?
O país está preparado para eleger uma mulher, para eleger negro, para eleger, como já elegeu, um metalúrgico. Somos um dos países que têm hoje maior tolerância. Não que não haja um longo caminho a ser trilhado no que se refere a direitos iguais das mulheres, dos negros, do tratamento dos índios. Em termos de sociedade, se tem um país preparado para isso é o Brasil. A América Latina está demonstrando isso. O Chile, a Argentina. Acho que a eleição do Barack Obama traz um sinal também muito forte nesse sentido.

A senhora já sentiu em algum momento da sua trajetória algum tipo de preconceito?

Acho que sim, mas o preconceito no Brasil é uma coisa engraçada. Por exemplo, você estava falando dessa mulher dura, mandona. Você já viu algum homem ser chamado de mandão e durão? Eu fico sempre intrigada porque que os homens são sempre meigos, bonzinhos, delicados. Outro dia, o Paulo Bernardo (ministro do Planejamento) ria muito porque ele falou que é o meigo-mor. Eu nunca vi, no Brasil inteiro, dizer que tinha um homem duro. Outra coisa que achei interessante foi a investigação da minha vida amorosa. Cheguei à conclusão de que sou a única pessoa que tem vida amorosa no país.

E como é administrar isso?
Eu não administrei, porque eu não tinha. E se tivesse iria tomar todas as providências porque uma vida amorosa é uma vida privada, não é uma vida pública. Não tem justificativa para que certas coisas sejam transformadas em públicas. Aí, é espetacularização. Eu disse que não ia admitir transformar em espetáculo o meu tratamento. Porque uma coisa é eu comunicar a minha doença, outra é o fato de que alguém queira compartilhar uma luta que é só minha. Infelizmente, gostaria que eu pudesse compartilhar com todo mundo, me ajudando, mas não vai ser assim. Essa é uma luta absolutamente privada.

A classe política contribuiu para a espetacularização ao especular sobre os impactos da doença?
Quais especulações? Não acho que foram os políticos. Espetacularização de mídia que eu falei. Eu não vi ninguém de oposição fazendo isso. Nem de situação.

Qual a reação das pessoas ao anúncio da doença?
De muita solidariedade. A solidariedade é uma das coisas mais bonitas do país. E as pessoas do povo são extremamente delicadas de sentimento. Elas te dão uma porção de medalhinhas de Nossa Senhora e falam que vão rezar por ti. Eles se aproximam e falam ‘olha, eu tenho um amigo que teve a doença, superou e está muito bem’. Outra diz ‘olha, eu tive e estou aqui, faz mais de cinco anos’. Ou é a medalhinha para lhe dar força, para torcer por ti, de um jeito pouquíssimo invasivo, ou é dar exemplo para dizer que tudo vai dar certo. É um país de gente muito boa, de gente muito solidária, generosa. Para mim, foi surpreendente essa reação.

E como a senhora reagiu ao receber a notícia?
Eu não fui lá para fazer isso. Aí, os médicos descobriram. Quando descobriram, era pequenino. Me mandaram fazer uma porção de exame. Em nenhum aparecia nada. Aí, falaram ‘vamos tirar’ para fazer o exame que é o tira-teima decisivo, a biópsia. Depois, me chamaram de volta para eu fazer o PET (Tomografia por Emissão de Positrons), para ver se tinha outro ponto, não deu nada. Fui fazer aquele outro da medula, não deu nada. Quando está nesse pé de nada dá nada, você fica achando que não tem nada. Aí, eles mandam para os Estados Unidos. Você fica esperando voltar, quase uns 27 dias, uma grande parte desse tempo achando que não é nada. Um belo dia te pegam e dizem ‘olha, é’.

Aí, o mundo caiu?
Não, não caiu porque eu desconfiava. Eu achava que não era nada aqui na superfície. Lá no fundo, eu achava que era. É essa coisa complicada da mente humana, ela tem recursos que você não conta com eles, recursos de autodefesa. Então, eu recebi de forma serena. Eu me compliquei na hora de contar para a minha filha e a minha mãe. Aí é que é.

A senhora foi mais confortar do que procurar conforto?
Não, o presidente me deu muito conforto. A relação é uma relação de proteção e tal. Ao contar para sua mãe e sua filha é que é difícil. Contar para os seus. Estava lendo outro dia um livro e ele dizia isso, que a pior coisa é você chegar para sua filha, sua mãe, sentar e contar. Você tem que proteger as duas.

E a reação delas?
É uma reação de sofrimento, mas muito contida. Elas acham que se elas sofrerem muito vão me afetar. É essa relação complexa, a gente protege e ao mesmo tempo é protegido. A família é o suporte para cada um de nós. Imagine todos nós sozinhos no mundo? Que horror.

É uma doença muito marcada pelo preconceito. A senhora não teve medo de que a reação fosse contrária a essa de solidariedade?
O preconceito vai sempre grassar quanto mais escondida a coisa é colocada. Quanto mais às claras, mais difícil é ele se manifestar. Tem uma coisa que a gente pode tirar de bom disso. É o fato de que milhões de mulheres e homens anônimos têm a doença e também sofrem esse preconceito mais surdo. A medicina avançou muito. Antes, o câncer não era uma doença, era uma sentença. Hoje, é tratável, curável. Eu tive a imensa sorte de ter detectado num estágio preliminar, e acho que tudo isso mostra a importância da prevenção. E é algo que a gente tem de esclarecer às outras pessoas. Agora, a quantidade de gente que me procura, que conta história e me explica como é que cura é uma coisa fantástica. Então, tem também por parte da sociedade, anonimamente, uma certa consciência de que mudou, que a história é outra, principalmente para mulher. Não estou puxando brasa para a sardinha das mulheres, porque os homens foram muito solidários, mas as mulheres têm uma sensibilidade maior porque combateram muito o câncer de mama, de útero. Tem um nível de organização muito grande. Os homens têm que se virar e se organizar no caso da próstata, que também tem muito preconceito em cima.

A senhora vai vencer esse inimigo?
Olha, eu tenho absoluta certeza de que vou. Sabe aquela convicção? Essa é minha (risos).

O tratamento de câncer é longo, e eleição, campanha, é difícil de se fazer. A senhora terá condições de seguir uma agenda puxada?
Olha, o meu projeto é não parar de trabalhar nesse período. Obviamente, em alguns momentos vou ter que reduzir.

Essa força vem de onde? A senhora é religiosa, as medalhinhas ajudam?
Ajudam. Eu sou brasileira, ajudam sim. As medalhinhas, tudo ajuda. A reza, torcer, as histórias ajudam, a solidariedade ajuda.

Há interesse do governo em saber comofoi a reação das pessoas diante do diagnóstico. Será feita alguma pesquisa?
Não acredito que o governo fará nada nesse sentido.

E o PT como reagiu?
Muito bem, muito solidário, muito amigo, as pessoas ligando preocupadas com a saúde. Acho que o Brasil mostrou um outro patamar de relação nesse caso da doença. Não vejo crítica nenhuma. Tive o cuidado de falar da espetacularização da doença porque não pretendo fazer. Acho que isso é uma coisa solitária minha. Essa luta, na hora do tratamento, não tem como compartilhar.

O PT reafirma a candidatura da senhora à Presidência.
Você conhece a história do ‘não amarrado’ (gargalhadas)? Você já ouviu falar em ‘nem amarrada’?

A especulação sobre o assunto não muda o dia a dia da ministra? Já disseram que os olhos da senhora brilharam ao ouvir da possibilidade de ser presidente.
Eu li essa história (dos olhos) no (Ricardo) Kotscho, mas vou lhe falar: no meu cotidiano, não houve modificação.

A senhora se sentiu mais aliviada depois de ter tornada pública a doença? Há pessoas que têm dificuldade em assumir.
Eu me senti muito melhor. E acho que para as pessoas públicas é muito melhor (divulgar). Agora, não acho que é um receituário único. A gente tem de respeitar muito o limite de cada um. Cada um de nós tem de ser respeitoso em relação a si mesmo. Se respeitar para poder até enfrentar melhor.

A senhora sempre teve esse temperamento em situações de adversidade?
Todo mundo enfrenta as coisas, nunca acredite que alguém enfrenta tão diferente dos outros. Todos somos humanos, temos dificuldades de enfrentar a dor do mesmo jeito. O que é diferente é o seguinte, e estou falando não por esta experiência, mas pela minha do passado. Só tem uma pessoa que pode te derrotar, só você. Se você não aceitar ser derrotado por ti mesmo, ninguém, nem o torturador, te derrota. Mas aí é outra coisa. Isso pode significar que até você se engana: ‘Eu aguento mais cinco minutos (de tortura)’. Aí, passaram-se os cinco minutos, você deu uma boa enganada em si mesmo e vai para mais cinco. A dor é uma coisa dificílima, a dor não é humana. A gente nasceu para ser feliz. Sempre acho isso, sou a favor do Joãosinho Trinta. A dor é uma coisa inexorável. Então, você tem de enfrentar mesmo, e só você se derrota.

A tortura foi o pior momento da sua vida?
Sim. Não tem nada igual à tortura, é a barbárie. Você imagina o que é não ser reconhecido como humano. Para alguém torturar alguém, seja pela cor da pele, seja por causa da crença, da ideologia política, a pessoa foi degradada de alguma forma. A barbárie é o seguinte: tudo é possível. Daí, você lembra daquilo do (Fiodor) Dostoiévski no fim dos Irmãos Karamazov: se Deus não existe, então tudo é possível. Lá, Deus não existe, no sentido amplo e estrito da palavra. E é talvez por isso que é a coisa mais difícil de enfrentar. No resto, tudo tem dignidade. O negócio da tortura é te tirar a dignidade, aí ferrou. E a gente nunca pode esquecer que eles conseguiram fazer com algumas pessoas isso, tirar a honra deles. Não tem nada mais grave do que desonrar a pessoa e deixar ela viva.

A divulgação de uma ficha policial de autenticidade não comprovada, listando ações criminosas que teriam sido praticadas
pela senhora, a incomodou?

Bastante, porque aquela ficha é falsa. E eu fiz esse esclarecimento para o diretor da sucursal aqui de Brasília do jornal (Folha de S.Paulo). Ele me garantiu que a ficha estava no Dops. Pedi para ele me mandar uma cópia, ele não me mandou. Entrei em contato com o Dops de São Paulo, e eles me disseram que não só não havia aquela ficha como não havia outra similar. E que numa observação muito superficial achavam que ela era falsa porque era só olhar no photoshop. Posteriormente, perguntei por que eles botaram na frente que era do Dops e depois, debaixo da ficha, botaram: ficha da ministra Dilma com crimes que ela não cometeu. Se sabiam que eu não cometi, por que publicaram? Eu reiterava para eles que eu não tinha sido interrogada, denunciada nem condenada em todo período. E também deixei claro para eles que aquela era uma ficha que tinha sido postada no Ternuma e no Coturno Noturno (sites associados a militares). Teve um período que eles me disseram que o repórter estava fazendo investigações no arquivo, porque estava lá a ficha. Eu dizia: ‘Olha, vou explicar para vocês uma coisa simples. Quando eu fui presa, fomos derrotados, vocês sabem que eles desmantelaram as organizações políticas no Brasil. Quando você é derrotado, ninguém faz ficha falsa. Sabe o que eles fazem? Te prendem, interrogam, torturam, indiciam e te dão pena para você não sair da cadeia’. Essa brincadeirinha de ficha falsa não é de vencedor, é de derrotado, derrotado pelo regime de democratização. Eu não tenho como entender como um jornal é capaz disso.

A senhora não enxerga, por exemplo, a oposição por trás disso ou algo relacionado à campanha?
Prefiro não enxergar nada. Eu só enxergo uma absurda omissão. Uma inexplicável tentativa de colocar num jornal, na capa, uma coisa que, na parte de dentro, eles diziam que eu não tinha cometido. Acho estranhíssimo que não esclareçam ao leitor o que aconteceu. Eu fui extremamente tolerante. Levei duas ou três semanas porque o diretor me dizia todos os dias que me daria uma resposta. Aí, escrevi para o ombudsman relatando o que tinha acontecido. E qual não é a minha surpresa quando sai aquele “autenticidade não comprovada”. Estou assim firmemente determinada em contratar um laudo. Quem fez isso sequer teve o cuidado de investigar. Agora, acho deplorável e fico muito temerosa de que a versão de ditabranda tenha comprometido. Quem acha que uma ditadura é branda pode achar que uma ficha falsa também não é tão grave assim. É isso que talvez seja a parte mais grave, porque não existe meia medida com relação à ditadura. Pode não ter te atingido. Você pode não ter sido torturado nem morto. Você pode não ter sido censurado e perseguido. Agora, não há meia medida com relação à ditadura e à democracia. Eu fico estarrecida com o tratamento dado a essa questão. Acho que é insustentável, porque, afinal de contas, os jornais têm leitores. Não é desrespeito só a mim, é desrespeito aos leitores. Eu, de fato, sou uma pessoa assim que posso ser desconcertante, porque supunham que eu devia ter umas 300 ações armadas, e não tenho nenhuma. Eu fiquei presa três anos por crime de opinião e organização. É muito desagradável para aqueles que acham que havia uma ditabranda no Brasil.

Com uma agenda oficial tão atribulada, dá tempo de cuidar da família?
Minha filha é casada, tem a vida dela. A minha mãe mora em Belo Horizonte, mas ela e minha tia me visitam muito. Elas passam assim uns três meses comigo, depois voltam para lá, voltam para cá. Eu gosto muito quando elas estão aqui.

Quando a sua filha era mais jovem, seu ritmo de trabalho era outro?
Quando ela era muito pequena, eu tinha um ritmo de trabalho menor. Até porque eu não conseguia trabalhar quando ela estava doente. Depois, quando ela fica maior, você olha e fala ‘nossa, sofri tanto, achei que ela era tão frágil’, e aí vem um mulherão. Tenho para mim que é sempre possível, para todas as mulheres, criar seus filhos e construir sua vida. Obviamente, pelo menos no meu (trabalho), todo mundo entendia quando, por um acaso, ela tinha um ataque de asma e eu tinha que sair correndo. Eu saía em disparada carreira. A gente sofre feito o cão (com a asma). Você sempre fica ali por um fio. A criança não tem ar, não tem nada mais terrível. Com a Paula, eu fiz de tudo, vacina, natação, o diabo. Cada vez que ela fazia natação pegava uma bronquite. Eu ficava desesperada. Aqui, o clima é outro. Vai fazer natação no Rio Grande do Sul.

Qual o melhor presente que a Paula lhe deu?
O melhor presente que a Paula me deu foi ela mesma. A gente se acha única na hora que nasce, premiada, como se ninguém tivesse filho na vida, só você. É uma sensação que nenhuma outra coisa…talvez quando ela me der um neto.

E qual o melhor presente que a senhora já deu para sua mãe?
Eu sempre estou em dívida com a minha mãe. Para a mãe, a gente sempre deve. Eu sou uma devedora. Nunca acho que dei o melhor presente.

Do que a senhora se arrepende de não ter feito?
Ter mais filhos. Mais uns dois.

02/05/2009 - 09:45h Doença de Dilma é ‘último desafio de Lula’, diz ‘El País’

BBC – O Globo

O diário espanhol El País compara os problemas enfrentados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seus dois mandatos com “as tentações de Cristo no deserto” e afirma que o câncer linfático recém-descoberto pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, é o seu mais recente desafio.

O artigo, publicado nesta sexta-feira na versão online do jornal, diz que Lula já passou incólume por três “tentações” – a crise do mensalão, a pressão por um terceiro mandato e a crise econômica mundial.

“(Lula) não sucumbiu a nenhuma delas”, afirma o texto do correspondente Juan Arias. “Com Cristo, o demônio se conformou com as três tentações do deserto. A Lula, ele não deixa em paz”, afirma.

O artigo observa que Lula havia escolhido Dilma como sua candidata a sucedê-lo na Presidência para as eleições do ano que vem, mas que o anúncio feito pela ministra no último fim de semana , de que passará por um tratamento quimioterápico para tratar um linfoma, trouxe um novo dilema para o presidente.

“Que fazer? O mundo político está em ebulição. O governo não tem neste momento uma proposta factível para derrotar os possíveis candidatos da oposição, sobretudo o governador de São Paulo, José Serra”, diz o texto.

“Lula tem duas opções: nomear outro candidato ou manter a candidatura de Dilma, como fez num primeiro momento, afirmando que o Brasil precisa de uma mulher como ela, que soube sair incólume das torturas durante a ditadura militar e que superará agora a nova prova do câncer”, observa.
‘Lince político’

O artigo relata que Lula pediu recentemente que o povo brasileiro reze pela ministra e que voltou a levá-la para inaugurações de obras, levando o governo a ser acusado de “instrumentalizar a enfermidade da ministra, pouco popular, para fortalecer sua candidatura, sobretudo entre os mais pobres”.

“Lula, que é um lince político, já se adiantou a dizer que ‘não se brinca com essas coisas’. É o que pede a oposição”, comenta o texto, que questiona: “É definitiva a decisão de Lula?”.

“Lula não pode errar. É possível que organize alguma pesquisa para uso exclusivo do governo para saber se o fator doença de sua ministra lhe dará ou tirará votos. Depois decidirá’, diz o artigo.

“Até agora, seu instinto de animal político nunca o enganou. E este é o temor da oposição: que volte a acertar”, conclui o jornal.

Lula da Silva

El último desafío de Lula

JUAN ARIAS – EL PAÍS

Lula es un hombre de suerte. Suele salir indemne de todos los escollos como los faquires caminan sobre el fuego sin quemarse. En sus casi dos mandatos de Gobierno, el ex tornero pasó por tres pruebas graves. Alguien las ha llamado las tres tentaciones de Cristo en el desierto. No sucumbió a ninguna de ellas. La primera, la del gran escándalo de corrupción del 2005, cuando su Gobierno sobornó a un centenar de diputados para que aprobasen las leyes de reforma, Lula, sin estudios, la resolvió según los cánones de la antropología clásica. La jauría de la opinión pública pedía sangre, y él les dio una víctima sacrifical, su mejor ministro, el poderoso José Dirceu. Con su sacrificio y el de la cúpula de su partido, el Partido de los Trabajadores (PT), volvió la paz tanto al Gobierno como a la oposición. Salió sano y salvo.

Se le eligió en 2006 en un segundo mandato y hasta creció su popularidad. La segunda tentación le llegó cuando gente cercana, visto su gran índice de consenso popular, le pedía que convocara un referéndum para cambiar la Constitución y poder reelegirse por tercera vez. La tentación no era pequeña. Sabía que habría ganado el referéndum. Venció la tentación a favor de la democracia. Declaró que lo mejor para la democracia era el relevo en el poder. Prefirió su fama de estadista mundial, que ya había conquistado. Acertó y su popularidad volvió a dispararse.

La tercera prueba le llegó de sopetón, cuando la economía del país iba viento en popa: la crisis financiera mundial. Lula fue rápido, primero calmó los ánimos diciendo que no iba a ser nada. Cuando la crisis llegó, supo hábilmente situar las culpas en los poderosos “blancos de ojos azules”. La masa le creyó, y para él ha sido suficiente que Brasil sufra la crisis “menos que otros países de América Latina”.

Con Cristo, el demonio se conformó con las tres tentaciones del desierto. A Lula no le deja en paz. Tras haber escogido a Dilma Rousseff, su jefa de Gabinete y ex ministra de Energía, como candidata para disputar las presidenciales en el año que viene para sustituirlo en la jefatura de la República, de nuevo la tentación: Rousseff, una ex guerrillera torturada durante la dictadura militar, acaba de ser operada de cáncer linfático y ha confirmado que tendrá que someterse durante cuatro meses a una dura quimioterapia. ¿Qué hacer? El mundo político está en ebullición. El Gobierno no tiene a estas horas una propuesta creíble para derrotar a los posibles candidatos de la oposición, sobre todo al gobernador de São Paulo, José Serra.

Rousseff, como acababa de escribir Le Monde, era la sustituta perfecta de Lula: “Después de un metalúrgico, una mujer” al frente de Brasil, escribió el diario de París. Lula la presentó como la “madre del PAC [el Plan de Aceleración Económica]“, gestionado por ella, un billonario proyecto de obras de infraestructuras en todo el país. Rousseff aparece como la gran gestora del Gobierno, una mujer con carácter a la que temen muchos ministros.

Lula tiene dos opciones: nombrar a otro candidato o mantener la candidatura de Rousseff, como lo ha hecho en un primer momento, afirmando que Brasil necesita de una mujer como ella, que supo salir indemne de las torturas durante la dictadura militar y que superará ahora la nueva prueba del cáncer. Y pidió a la gente que rece por ella y ha vuelto a llevarla a todas las inauguraciones de obras. El Gobierno está siendo acusado de instrumentalizar la enfermedad de la jefa del Gabinete, poco popular, para afianzar su candidatura, sobre todo entre los más pobres. Lula, que es un lince político, se ha adelantado a decir que “no se juega con estas cosas”. Es lo que pide la oposición. ¿Es definitiva la decisión de Lula? Rousseff dijo ayer que el presidente la está sosteniendo como un padre. Lula no puede errar. Es posible que organice algún sondeo para uso exclusivo del Gobierno para saber si el factor enfermedad de su ex ministra le dará o quitará votos. Después decidirá. Hasta ahora, su instinto de animal político nunca le ha engañado. Y éste es el temor de la oposición: que vuelva de nuevo a acertar.

27/04/2009 - 09:13h Dilma pode sair antes da hora para campanha. Prioridade agora deve ser acerto nos Estados

Otimista, ela acha ideal desacelerar agora e deixar cargo logo em janeiro

Vera Rosa, BRASÍLIA – O Estado SP

Pré-candidata do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, está tão otimista em relação ao tratamento para combater o tumor detectado em seu sistema linfático que investe nos planos políticos e admite até mesmo a possibilidade de antecipar a saída do governo para janeiro de 2010 para se dedicar exclusivamente à campanha eleitoral. Em conversas reservadas com amigos, no fim de semana, Dilma disse que, se tudo correr bem como preveem os médicos, o ideal será reforçar a maratona eleitoral a partir de janeiro, mesmo porque agora ficará difícil acumular as atividades.

Apesar do ânimo demonstrado por Dilma, tudo dependerá de seu estado de saúde e o assunto é tratado com extrema cautela tanto no Palácio do Planalto como no PT. O afastamento antecipado da ministra, porém, não é consenso. Enquanto alguns avaliam que ela ficará sobrecarregada se tiver de “carregar” as funções de gerente do governo com a candidatura logo após passar por um tratamento delicado de saúde, com quimioterapia, outros acreditam que sua permanência na Casa Civil até o prazo-limite ainda é a melhor vitrine para a campanha. Pela lei, a ministra deve deixar o cargo até 3 de abril de 2010, seis meses antes do primeiro turno da eleição presidencial.

Lula considerou “abominável” a especulação sobre a mudança de candidato do PT. Ficou ainda mais contrariado ao saber que a oposição vislumbra o PT ressuscitando a tese do terceiro mandato para ele, sob o argumento de que o partido não conta com outros nomes eleitoralmente fortes. Para o presidente, análises assim são “infundadas e desrespeitosas”.

LICENÇA

No Planalto e na cúpula do PT não há, por enquanto, nenhum plano para troca de candidato. Na quinta-feira, quando foi informado por Dilma sobre a descoberta do linfoma – tumor no sistema linfático -, Lula chegou a perguntar a ela se gostaria de tirar licença para o tratamento. A ministra respondeu que não seria necessário. Garantiu que pode manter o ritmo de trabalho e até mesmo as viagens, intercalando os compromissos com acompanhamento médico durante quatro meses.

“Não exagere. Cuide-se!”, recomendou o presidente à chefe da Casa Civil. Considerada “caxias”, Dilma trabalha em média 14 horas por dia. Cuida de assuntos tão variados como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o plano nacional de habitação e a camada do pré-sal. Hoje, por exemplo, ela terá agenda cheia em Manaus, ao lado de Lula. Amanhã, também na capital do Amazonas, comandará mais uma reunião de balanço do PAC.

“A nossa preocupação inicial não é com a campanha, mas, sim, com o lado humano”, afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). “De qualquer forma, todos os prognósticos médicos indicam que ela tem condições não só de manter sua atividade no governo como a candidatura e, no momento apropriado, vamos formalizar isso.”

Amigo de Dilma, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos disse não ter dúvidas de que a chefe da Casa Civil vai superar a adversidade e ser candidata do PT. Thomaz Bastos almoçou no sábado com Dilma e com o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, logo após a entrevista coletiva concedida por ela no Hospital Sírio-Libanês.

Num restaurante da Rua Amauri, nos Jardins, a ministra recebeu a solidariedade de vários eleitores e posou para fotos até com crianças. “Fiquei com a melhor impressão dela sob o aspecto psicológico e físico. Achei que Dilma está muito animada”, contou Thomaz Bastos, que em 2007 enfrentou um câncer no pulmão e hoje está completamente curado.

Nos bastidores, auxiliares de Lula avaliam que a divulgação da doença não só é importante para pôr fim às especulações como vai aproximar Dilma da população, “humanizando” a candidata. Mesmo enfrentando percalços nas negociações com o PMDB para compor as alianças de 2010, o governo espera que a chefe da Casa Civil atinja 20% da preferência do eleitorado até dezembro.

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Prioridade agora deve ser acerto nos Estados

Diretórios vêm reclamando que Lula tem ignorado os problemas das candidaturas a governador do PT

Vera Rosa, BRASÍLIA – O Estado SP

A freada que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, dará nos próximos meses em sua campanha para cuidar da saúde deverá garantir o tempo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa para desfazer os nós políticos regionais que a candidatura enfrenta. Antes da descoberta dos problemas de saúde da ministra, Lula decidira procurar os principais líderes do PT para debelar focos de incêndio provocados pela falta de definição dos processos sucessórios nos Estados. O presidente decidiu agir ao perceber que importantes diretórios do partido ameaçam fazer uma espécie de “corpo mole” no apoio à divulgação da candidatura de Dilma.

Nos últimos 15 dias, Lula contatou o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o governador da Bahia, Jaques Wagner, na tentativa de reverter esse cenário. Diretórios petistas importantes, como os de Minas, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul, reclamam que o governo tem priorizado a disputa à Presidência e ignorado os problemas das candidaturas do partido aos governos. Mais: acham que o Planalto até incentiva concorrentes de outros partidos da base, em detrimento dos nomes apresentados pelos petistas.

É o caso da Bahia, onde o PT gostaria que Lula reduzisse o poder do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), e priorizasse o trabalho para reeleger o governador petista Jaques Wagner. Na avaliação da cúpula do PT, Geddel poderá até ser adversário direto na sucessão do Estado ou concorrer ao Senado contra o PT. Com esse argumento, entendem que não faz sentido o governo permitir que um adversário em potencial comande um ministério importante como o de Integração Nacional.

Em Minas, a intervenção do presidente começou a provocar algum resultado. Depois que Lula entrou em campo para conter as cotoveladas entre os aliados, principalmente na seara petista, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel combinou com Patrus fazer um gesto público para indicar que o PT de Minas está unido.

A preocupação com Minas, o segundo maior colégio eleitoral do País, tem motivo: enquanto Pimentel e Patrus brigam pela indicação do PT, o racha na base aliada se aprofunda, tornando cada vez mais difícil a construção de um palanque forte para a chefe da Casa Civil.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), até agora líder das pesquisas para o governo mineiro, ameaça se aliar a Aécio caso o PT não o apoie na corrida ao Palácio da Liberdade. Aécio também é pré-candidato à Presidência e promete enfrentar o governador de São Paulo, José Serra, numa prévia para a escolha do concorrente tucano ao Planalto.

Para Lula, os estilhaços da briga entre as duas alas do PT e o PMDB de Hélio Costa podem atingir Dilma e acabar beneficiando os tucanos. Coordenador da campanha da ministra em Minas, Pimentel procurou Costa, na semana passada, para fazer-lhe um afago. Em público, todos falam em acordo, desde que eles próprios sejam cabeça de chapa.

“O PT tem de saber fazer concessão porque mais de um palanque dá curto-circuito. Sai faísca”, afirma o deputado José Genoino (SP). “O objetivo central é administrar os efeitos da crise econômica e eleger o sucessor do presidente Lula, em 2010. Isso condiciona tudo.??

SEM APOIO

Há Estados, porém, onde o PT e o PMDB são inimigos ferrenhos e irreconciliáveis, como São Paulo e Rio Grande do Sul. Para compensar a falta de apoio do PMDB no principal Estado da Federação, governado pelo PSDB, Lula planeja oferecer a vaga de vice na chapa de Dilma ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).

Presidente nacional do PMDB, Temer se aproximou bastante do Planalto nos últimos meses. Também tem conversado com frequência com Dilma sobre as dificuldades para a montagem dos palanques estaduais. Nega, porém, que sua candidatura a vice já esteja acertada.

“O PMDB tanto pode ter candidato próprio como apoiar Dilma ou Serra. Temos três caminhos”, diz ele, diplomático. Na prática, o partido quer aguardar até o fim do ano para observar o desempenho da ministra da Casa Civil nas pesquisas e definir seu rumo. “Nós sabemos que o PMDB nunca estará unido e sempre terá um pezinho em cada canoa”, ironiza a senadora Ideli Salvatti (PT), de Santa Catarina, onde os dois partidos também vivem às turras.

Em São Paulo, Lula apelou pessoalmente para a ex-prefeita Marta Suplicy: pediu a ela que ajudasse a divulgar Dilma no Estado. Lula também pediu ao PT e à CUT que aproximem Dilma da área social, principalmente do Movimento dos Sem-Terra (MST).

26/04/2009 - 09:16h Força Dilma

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Apenas começavam a circular as informações sobre o câncer da ministra Dilma Rousseff, que a especulação sobre sua candidatura ganhou a página dos jornais.

Em 1980, às vésperas de ser eleito presidente da França, François Miterrand foi diagnosticado de um câncer. Apenas empossado começaria seu tratamento e durante 14 anos governou sem que a maioria dos cidadãos de seu país soubessem da doença do seu presidente. Diferentemente do tumor da Dilma, o câncer do presidente francês podia ser retardado, mas era incurável.

Mas enquanto na França a doença do presidente era ocultada aos seus cidadãos, aqui a transparência foi total mostrando que se pode lidar, sim, com a ação política e ao mesmo tempo enfrentar o tratamento de uma doença séria. José Alencar que o diga, ele que com sua coragem e força de viver, serve de guia aos que diariamente enfrentam desafios semelhantes.

Neste momento, tenho certeza que milhares de brasileiros torcem, junto com Dilma, para ela se recuperar rapidamente. Eu torço com eles pela saúde de nossa companheira. LF

14/04/2009 - 16:26h Rosto vermelho ao beber indica risco de tumor

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DO “NEW YORK TIMES” – FOLHA SP

Quem fica com o rosto vermelho ao ingerir álcool pode estar mais do que só envergonhado. O fluxo sanguíneo pode indicar maior risco de ter um câncer de garganta fatal, dizem cientistas.

Essa resposta, que pode vir junto com náusea e aceleração dos batimentos cardíacos, é causada principalmente por uma deficiência herdada numa enzima chamada ALDH2, compartilhada por mais de um terço da população de origem japonesa, chinesa ou coreana.

A deficiência resulta em problemas para metabolizar o álcool, levando ao acúmulo de uma toxina chamada acetaldeído. Pessoas com duas cópias do gene alterado têm reações tão ruins que não conseguem consumir muito álcool. Mas aqueles com só uma cópia do gene podem se tornar tolerantes ao acetaldeído e consumir álcool regularmente.

O tumor, chamado câncer de esôfago de células escamosas, pode ser tratado com cirurgia, mas a sobrevida é baixa.

Até o consumo moderado de bebida aumenta o risco, mas ele sobe muito com o consumo frequente. Uma pessoa com deficiência de ALDH2 que toma duas cervejas por dia tem de seis a dez vezes mais risco de desenvolver o câncer do esôfago em relação a um indivíduo sem a deficiência da enzima, por exemplo.

14/04/2009 - 15:32h Enxaguante favorece câncer de boca

Estudos ligam versão com álcool a tumor oral; consumo do produto cresceu 190% de 2002 a 2007

Não essencial à higiene oral, produto é indicado para pessoas com alto índice de cárie e doenças de gengiva e após cirurgias na boca

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JULLIANE SILVEIRA – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O uso de enxaguatórios bucais no Brasil cresceu 2.277% de 1992 a 2007, mostra um levantamento realizado pelo cirurgião-dentista Marco Antônio Manfredini, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), baseado em informações da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos. De 2002 a 2007, o aumento foi de 190%.
Para Manfredini, o incentivo ao consumo indiscriminado de enxaguatórios deve ser criticado. “Observamos um grande investimento na indução ao uso do produto. E é importante dizer que, ao contrário da pasta, da escova e do fio dental, o colutório não tem indicação universal. É preciso concentrar a utilização para casos específicos.”
Além de não ser essencial à saúde oral, o uso frequente de enxaguatórios bucais com álcool aumenta os riscos de câncer de boca e da faringe. Uma revisão científica publicada no fim de 2008 na revista da Academia Dental Australiana compilou estudos do mundo todo que encontraram essa relação. De acordo com os pesquisadores, há evidências suficientes para aceitar a ideia de que enxaguatórios bucais com álcool contribuem para aumentar a taxa de câncer oral.
Grande parte dos produtos comercializados no Brasil contém álcool. Um estudo brasileiro realizado com 309 pacientes e publicado no ano passado na “Revista de Saúde Pública” também encontrou a mesma associação. “Algumas marcas chegam a ter 26% de álcool, e há pessoas que usam todos os dias. Hoje existem produtos no mercado sem álcool, que devem ser os escolhidos”, diz o oncologista Luiz Paulo Kowalski, diretor do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital A. C. Camargo e um dos autores do trabalho. De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), fabricantes são obrigados a informar na embalagem a presença de álcool na composição.
O álcool presente nos enxaguantes contribui para o aumento das taxas de câncer oral de forma similar às bebidas alcoólicas -e sabe-se que o álcool é o segundo fator de risco para a doença, depois do tabagismo, aumentando de cinco a nove vezes os riscos. “Brinco que a pessoa bebe sem usufruir da parte boa da bebida. O produto tem álcool não porque é um antisséptico, mas porque é um veículo muito eficiente, industrialmente conveniente e muito barato. Por isso as versões sem álcool tendem a ser mais caras”, explica o dentista Alberto Consolaro, professor de patologia da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP.
O álcool não é um agente causador de câncer isoladamente, mas uma enzima do organismo o transforma em acetaldeído, substância que pode alterar as células da boca e causar tumores na região. “O problema é usar diariamente o produto, pois o dano constante não dá tempo de as células se repararem. O uso de enxaguatórios bucais [com álcool] precisa ser mais estudado, mas é algo parecido com o que ocorre com o cigarro: quanto mais exposição, maior o risco”, diz Kowalski.
Por isso, dentistas recomendam o uso do produto sem álcool, seja manipulado, seja de marca. “O produto é um bom auxiliar na limpeza da boca, mas não deve conter álcool. As pessoas acham que um enxágue que queima a boca é melhor, mas produto bom não precisa dar essa sensação. A substância antisséptica não é o álcool”, diz Consolaro.

Indicações
Dentistas recomendam o uso de enxaguatórios após cirurgias, raspagem de dente, casos de alta incidência de cárie, doenças da gengiva e para pessoas que não têm coordenação motora para realizar uma boa escovação. Para o restante da população, o uso é opcional, apesar de boa parte da publicidade desse tipo de produto sugerir que ele combate mau hálito. “Do ponto de vista da higiene bucal, não é necessário. Quem tem boa higiene bucal geralmente não tem halitose -e, se tiver, não será o enxaguatório que vai resolver o problema”, afirma Manfredini.
Especialistas ouvidos pela Folha criticam a falta de controle desse tipo de produto por parte da vigilância sanitária. Os enxaguatórios são registrados como cosméticos na Anvisa, e fabricantes de produtos que não contêm flúor, ação antiplaca nem antisséptica não são obrigados a registrá-los -somente notificá-los à agência.

10/04/2009 - 14:39h A necessidade de achar um inimigo

ARTIGO

http://diario.iol.pt/multimedia/oratvi/multimedia/imagem/id/8433130/235http://commentisfree.guardian.co.uk/smoking.jpg

MARCELO COELHO

COLUNISTA DA FOLHA

Entendo, até certo ponto, que proíbam o cigarro em bares e restaurantes. Mesmo com áreas divididas, os garçons terminam sofrendo as consequências do fumo passivo.

Mas impedir que alguém fume dentro de um quarto de hotel? Sem ninguém por perto?

Lembro ainda que em muitos hotéis existem andares exclusivos para quem não fuma. Nem mesmo o resquício de um cheiro de cigarro incomodaria os mais sensíveis.

Houve tempo em que os fanáticos de direita procuravam comunistas até debaixo da cama. Mas nem debaixo da cama o fumante poderá se esconder, pelo o que diz a lei recentemente aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo.

Debaixo de marquises também não. Pode-se fumar em terraços, desde que não tenham cobertura. Assim, quem sabe, será mais fácil identificar o fumante de longe e fuzilá-lo com um rifle de alta precisão.

No fundo, acredito que esses exageros do antitabagismo correspondem a essa necessidade, tão comum nos EUA, e imitada aqui, de encontrar um inimigo com quem lutar.

Acabou-se a ameaça comunista, e os membros da Al Qaeda não são tantos a ponto de mobilizar uma caçada coletiva que valha a pena.

Os fumantes, entretanto, estão em todo lugar -com a vantagem de se esconderem cada vez mais. Deixam sinais de sua presença. São nocivos, malignos, suicidas. Quanto mais cercados, quanto mais restrita a sua área de atuação, mais fácil e divertido será persegui-los.

Não acho que exista sadismo da parte dos perseguidores. O mecanismo é mais complexo.

Terror

O Estado e a população impõem um regime de terror sobre alguma minoria. Identificam nessa minoria uma ameaça: são “eles” os terroristas, são “eles” que nos perseguem, são “eles” que querem nos destruir.

Dito isso, podemos perseguir, aterrorizar e destruir. “Eles” é que começaram.

O cigarro mata, claro. Quem não tem medo da morte? E eis que surge o grupo dos fumantes renitentes, que parece não ligar para isso. Os fumantes escarnecem de nosso medo da morte.

Fica fácil, dessa perspectiva, identificá-los com terroristas. A tentação para a caça às bruxas se torna muito grande. Instituir o Terror sempre foi o ato reativo de quem está aterrorizado. Tome-se cuidado, entretanto. O fogo que queima as feiticeiras também costuma exalar muita fumaça cancerígena.

04/03/2009 - 14:26h Beber todos os dias aumenta risco de câncer de pâncreas

Beber todos os dias aumenta risco de câncer de pâncreas Estudo com mais de 860 mil pessoas, o maior já realizado, mostra relação entre o consumo diário de álcool e o tumor

Um dos mais letais, o câncer pancreático representa 2% de todos os tipos de tumor no Brasil e responde por 4% das mortes por câncer

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http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/cancer-de-pancreas/images/cance-de-pancreas.jpg

CLÁUDIA COLLUCCI E RACHEL BOTELHO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O consumo diário de duas ou mais doses de bebida alcoólica aumenta em 22% o risco de desenvolver câncer de pâncreas, revela uma revisão de 14 estudos científicos que envolveram 862.664 pessoas. Entre a mulheres, o risco cresce a partir de uma dose por dia.
O trabalho, publicado ontem em jornal da Associação Americana para Pesquisa do Câncer, é o maior já feito mostrando a relação entre dieta e câncer pancreático. O tabagismo é outro importante fator de risco. Fumantes têm o triplo de chances de desenvolver o tumor.
O câncer de pâncreas, um dos mais letais, é a quarta principal causa de morte por câncer no mundo. A sobrevida média, em cinco anos, é de apenas 5%. No Brasil, ele representa 2% de todos os tipos de tumor, sendo responsável por 4% do total de mortes por câncer.
Durante o estudo, os pesquisadores identificaram 2.187 pessoas que tiveram tumor no pâncreas. Elas foram comparadas com indivíduos que não bebiam. A conclusão foi que o risco de câncer aumenta a partir do consumo diário de 30 gramas ou mais de álcool (menos de duas latas de cerveja de 350 ml ou três taças de vinho). Não foi observada diferença quanto ao tipo de bebida consumida.
Na avaliação do médico Felipe Coimbra, diretor do departamento de cirurgia abdominal do Hospital A.C. Camargo, o estudo é muito importante no sentido de reforçar o perigo do consumo crônico de álcool, que já estava relacionado a outros tumores, como o de esôfago.
“Até então, não existia uma relação tão direta do consumo de álcool ao câncer de pâncreas. Assim como as pessoas devem evitar o fumo, diminuir o álcool pode ajudar na prevenção.”
O cirurgião gastroenterologista Antonio Luiz Macedo, do hospital Albert Einstein, diz que é comum as pessoas exagerarem no consumo do álcool sob alegação de que a substância faz bem ao coração. “Muitas ultrapassam facilmente os 30 gramas diários.”
O oncologista Antonio Carlos Buzaid, diretor-geral do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, afirma que o estudo corrobora uma forte suspeita de que o álcool esteja associado ao aparecimento de câncer, mas ele avalia que o aumento do risco seja pequeno. “O risco de câncer de pâncreas é tão pequeno que, se eu aumentar em 22% uma coisa pequena, ela continua pequena.”
O problema do câncer pancreático é que 90% dos pacientes descobrem a doença em estágio avançado. “É um órgão que está no retroperitônio, atrás do intestino e do estômago e que os exames habituais podem não visualizá-lo adequadamente”, afirma Coimbra.
Outro fator limitante, diz Buzaid, é que o tumor não manifesta sintomas iniciais. “Quando dá [sinais], está avançado.”

02/03/2009 - 15:43h Suplementos vitamínicos são postos em xeque

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Betacaroteno e ácido fólico em doses altas podem ser prejudiciais

Por TARA PARKER-POPE – The New York Times – FOLHA SP

Desde que o Prêmio Nobel Linus Pauling defendeu o consumo de “megadoses” de nutrientes essenciais, 40 anos atrás, os EUA viraram consumidores fiéis de vitaminas. Hoje, cerca de metade dos adultos americanos usa algum tipo de suplemento nutricional, ao custo de US$ 23 bilhões por ano.
Mas vale a pena ingerir tantas vitaminas? Vários estudos recentes não comprovaram que vitaminas adicionais, pelo menos na forma de cápsulas ou comprimidos, ajudem a prevenir doenças crônicas ou a prolongar a vida.
A notícia mais recente a esse respeito é de 9 de fevereiro: estudo publicado no “The Archives of Internal Medicine” acompanhou oito anos de consumo de complexos multivitamínicos por 161 mil mulheres. Apesar de descobertas anteriores sugerirem que vitaminas reduzem o risco de males cardíacos e certos tipos de câncer, o estudo não constatou nenhum sinal disso. E, em outubro, um estudo com 35 mil homens jogou por terra as esperanças de que altas doses de vitamina E e selênio pudessem reduzir o risco de câncer de próstata.
É claro que os consumidores estão regularmente sujeitos a notícias e estudos conflitantes sobre os benefícios das vitaminas. E, para a consternação de especialistas, as notícias sobre a ineficácia delas não parecem desanimá-los. “O público em geral ignora os resultados de testes benfeitos”, disse Eric Klein, presidente do Instituto Urológico e Renal Glickman, da Clínica Cleveland. “A crença das pessoas nos benefícios de vitaminas e nutrientes não é fundamentada pelos dados científicos disponíveis.”
Todos precisam de vitaminas -nutrientes essenciais que o corpo não produz sozinho. A insuficiência de vitamina C, por exemplo, provoca escorbuto, e a insuficiência de vitamina D pode causar raquitismo. Mas uma dieta balanceada normalmente fornece um nível adequado desses nutrientes, e hoje muitos alimentos vêm reforçados com doses extras de vitaminas e minerais.
De qualquer maneira, a maioria das pesquisas importantes sobre vitaminas feitas nos últimos anos vem focando não as deficiências, mas a possibilidade de altas doses de vitaminas poderem prevenir ou tratar doenças crônicas. Sabe-se que pessoas que comem muitas frutas e verduras ricas em nutrientes apresentam índices mais baixos de doenças cardíacas e câncer, mas não estava claro se a ingestão de altas doses dos mesmos nutrientes no formato de comprimidos pode resultar em benefícios semelhantes.
Um editorial de janeiro do “Journal of the National Cancer Institute” observou que a maioria dos estudos não demonstrou nenhum efeito das vitaminas na prevenção do câncer -com poucas exceções, como a descoberta de que a ingestão de cálcio parece reduzir em 15% a recorrência de pólipos pré-cancerosos no cólon.
Mas alguns estudos também apontaram danos inesperados ligados à ingestão de vitaminas, entre elas o betacaroteno. Em 2007, o “Journal of the American Medical Association” revisou os índices de mortalidade em testes aleatórios de suplementos de antioxidantes. Em 47 testes realizados com 181 mil participantes, o índice de mortalidade foi 5% mais alto entre os consumidores de antioxidantes. Os principais culpados foram a vitamina A, o betacaroteno e a vitamina E.
Cientistas suspeitam que os benefícios de uma dieta saudável decorrem do consumo da fruta ou verdura inteira, não apenas das vitaminas individuais. “Talvez não haja um componente único das folhas verdes que seja responsável pelos benefícios à saúde”, disse Peter H. Gann, diretor de pesquisas do departamento de patologia da Universidade de Illinois em Chicago. “Por que adotamos uma abordagem reducionista, tirando uma ou duas substâncias químicas e administrando-as isoladamente?”

28/02/2009 - 16:57h EUA indicam remédio para prevenir câncer de próstata

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Usada para tratar calvície, finasterida reduz em 25% o risco de tumor maligno

Recomendação se apoia em estudo com 18.882 homens; especialistas se dividem sobre o uso da droga, que pode gerar disfunção sexual

AMARÍLIS LAGE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) e a Associação Americana de Urologia (AUA) divulgaram no dia 24 a primeira recomendação de um remédio para a prevenção do câncer de próstata.

A orientação prevê que homens saudáveis usem finasterida para prevenir esse tipo de tumor -procedimento que a Asco definiu como “quimioprevenção”. O remédio já é utilizado atualmente no tratamento da calvície e do crescimento benigno da próstata.

A recomendação tem como base o PCPT (Prostate Cancer Prevention Trial), estudo realizado nos Estados Unidos e no Canadá com 18.882 homens com idade acima de 55 anos e sem sinal de câncer de próstata.

Durante sete anos, parte dos participantes tomou finasterida e parte, placebo. Constatou-se que o uso do remédio reduziu em cerca de 25% o aparecimento do câncer.

O resultado, porém, foi acompanhado de uma polêmica: aparentemente, os homens que tomaram finasterida e tiveram câncer de próstata apresentavam tumores mais agressivos. Estudos posteriores mostraram que, como esses participantes tinham a próstata reduzida pela finasterida, era mais fácil encontrar nas biópsias deles tumores agressivos. Além disso, os pesquisadores relataram que esses tumores eram detectados antes no grupo que tomou o remédio do que no grupo que recebeu placebo.

“O tempo mostrou que a finasterida deixa essas células com uma aparência mais “feia”, mas é só uma alteração morfológica, elas não ficam mais agressivas. Houve uma polêmica que dividiu os médicos, mas ela vai acabar. Se a AUA adotou essa recomendação, é porque as evidências a favor da finasterida são muito fortes”, avalia o urologista Miguel Srougi, professor titular da USP.

Mas, para outros especialistas, ainda há algumas perguntas em aberto. “Uma delas é: a finasterida só evita o câncer mais leve, e não o mais agressivo? Outra: qual o resultado da finasterida depois de sete anos? Há indício de que, após esse período, a proteção diminua”, afirma Stênio de Cássio Zequi, cirurgião pélvico do Hospital do Câncer A.C.Camargo.

O urologista Carlos Eduardo Corradi, chefe do departamento de uro-oncologia da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), considera a recomendação norte-americana precoce. “Estudos com o câncer de próstata demoram muitos anos para apresentar resultados e o PCPT não teve a conclusão final ainda. A gente não sabe o que pode acontecer a longo prazo.”


Desvantagens

As entidades norte-americanas recomendam que homens que já tomam finasterida e aqueles que têm PSA total até 3 conversem com seus médicos sobre os prós e contras de tomar o medicamento a longo prazo. No Brasil, o PSA total é considerado saudável até 2,5, mas isso varia de acordo com outros fatores, como o tamanho da próstata do paciente e o índice de PSA livre.

Uma desvantagem do remédio é que ele pode gerar disfunção sexual e crescimento da mama. De acordo com Zequi, esses efeitos costumam atingir cerca de 3% dos pacientes.

Para os especialistas ouvidos pela Folha, o uso do medicamento deve ser indicado para homens que integrem grupos de risco. Ter um parente de primeiro grau com a doença eleva em duas vezes o risco de desenvolver câncer de próstata. Além disso, a incidência da doença parece ser maior em negros, de acordo com Srougi.

Ele ressalta que, atualmente, os urologistas não têm à disposição nenhum outro método preventivo para o câncer de próstata. Há alguns anos, acreditou-se que o licopeno (substância que confere a cor vermelha do tomate), o selênio e a vitamina E teriam um efeito protetor, mas levantamentos recentes mostraram que ainda não há evidências suficientes nesse sentido.

Procurado pela reportagem, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comenta pesquisas que não tenham tido participação do corpo clínico do órgão.

12/02/2009 - 16:37h Progresso no diagnostico do câncer da próstata

Urina pode indicar fase de câncer de próstata Estudo encontra marcadores para tumor agressivo

RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL

Ainda não é o fim do exame mais “temido” pelos homens -o toque retal para detecção de câncer de próstata. Mas a descoberta de que uma substância, a sarcosina, está mais presente na urina de homens com a doença abre caminho para técnicas de diagnóstico “menos invasivas”, segundo os autores do estudo, possibilitando criar um exame para identificar o estágio de progressão do câncer.
Uma equipe de 26 pesquisadores liderados por Arul Chinnaiyan, da Universidade de Michigan, examinou em detalhe os metabólitos (substâncias produzidas pelo metabolismo) que poderiam ser pistas de câncer de próstata.
Foram isolados 1.126 metabólitos presentes em 262 amostras (42 de tecido, 110 de urina e 110 de sangue) e identificados 87 metabólitos cuja presença e dose ajudavam a distinguir a próstata sadia da com tumor. Seis deles tinham níveis maiores nos casos mais graves, em que o câncer estava na fase de metástase.
A sarcosina foi a que melhor serviu para identificar os tumores, como está no artigo publicado na edição de hoje da revista “Nature”. Os níveis de sarcosina eram elevados em 79% dos casos de câncer com metástase e em 42% dos casos da doença em fase inicial. Ela não estava presente nas amostras sadias.
“Um dos maiores desafios é determinar se o câncer de próstata é agressivo. Exageramos no tratamento porque os médicos não conseguem saber quais tumores serão de crescimento lento. Com essa pesquisa, nós identificamos um potencial marcador para tumores agressivos”, declarou Chinnaiyan.
Um dos problemas da dificuldade de diagnóstico é o aumento de cirurgias desnecessárias. A descoberta poderá permitir que um simples teste de urina ajude no diagnóstico mais preciso da doença e poderá auxiliar na criação de uma terapia, pois também se encontrou um vínculo entre a sarcosina e a agressividade do câncer.
Ao adicionar o metabólito a uma cultura de células de próstata sadias, elas se tornaram malignas e agressivamente invasivas. Foi possível reverter a ação com enzimas que regulam o metabolismo de sarcosina.
A pesquisa foi feita em cooperação com a empresa Metabolon, pioneira na aplicação de uma nova área de pesquisa, a “metabolômica”. Essa área pretende conhecer em detalhe os resultados químicos dos processos celulares.
No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer, o número de casos novos de câncer de próstata em 2008 foi de 49.530. O diagnóstico é feito pelo exame de toque retal e pela dosagem do antígeno prostático específico (conhecido pela sigla em inglês, PSA).

14/01/2009 - 16:50h Uma em cada quatro adolescentes tem HPV

Uma em cada quatro adolescentes sexualmente ativas já possui HPV (Papilomavírus humano). Isso é o que revelou um estudo de cinco anos realizado pela ginecologista Denise Monteiro, que acompanhou 403 adolescentes enquanto elas estavam iniciando a atividade sexual. A constatação é muito preocupante, visto que o HPV pode provocar câncer de colo de útero. Esse é o segundo tipo de tumor mais comum em mulheres — foram registrados 510 mil casos no Brasil em 2008, segundo o Instituto Nacional do Câncer. Fonte Diário de São Paulo

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