06/12/2008 - 14:03h Amor de perdição e de estranhezas

Definido como sublime ou grotesco, A Fronteira da Alvorada é para se gostar ou odiar com sua poética do sobrenatural

Luiz Carlos Merten – O Estado SP

No cinema desde 1966, Philippe Garrel precisou esperar 25 anos, até a consagração de J’Entends Plus la Guitarre no Festival de Veneza de 1991, para ser finalmente levado a sério. Até então, por razões de economia, ele fazia filmes mudos e era o próprio diretor, roteirista e operador de seus filmes, construindo cenas descoordenadas, situações que pareciam sem vínculos e personagens sem motivações aparentes. Tudo isso era radical demais, mesmo num país com a tradição do cinema de autor da França. A máxima de Garrel sempre foi polêmica – para ele, o espectador deve ir ao cinema para flutuar, em busca de sensações. Mas foi assim que ele virou um dos arautos da pós-modernidade do cinema francês. Mais recentemente, Garrel alcançou um inesperado sucesso com Amantes Constantes (Les Amants Reguliers), em que se debruçou sobre as próprias memórias de Maio de 68, colocando seu filho Louis Garrel na pele do protagonista. De novo com Louis, Philippe Garrel rachou o Festival de Cannes, em maio, com seu novo filme A Fronteira da Alvorada que estréia hoje.

Desta vez, nem Cahiers du Cinéma ousou atribuir a cotação máxima – o palmarès – ao autor que é um de seus queridinhos. Na sessão de imprensa, alguns críticos ficaram tão desconcertados que sua reação foi rir nervosamente da história de fantasmas do diretor francês de 61 anos (Garrel nasceu em 1947). Num encontro com jornalistas no stand da Unifranc, Garrel pareceu não se importar muito com isso: “Toda reação é possível, ainda mais num festival como Cannes, no qual as pessoas são submetidas a todo momento a choques provenientes de diferentes culturas. As histórias de fantasmas fazem parte da tradição oral e literária de praticamente todo mundo. A integração dos fantasmas à vida real chega a ser uma vertente específica do cinema japonês”, ele observou.

Duplamente na contracorrente – por contar uma história de fantasmas que não é de terror e por ter sido fotografado (por William Lubitchansky) em preto-e-branco -, A Fronteira da Alvorada foi feito com outro título, Le Ciel des Anges, O Céu dos Anjos, que faz referência a um verso de Louis Aragon. Só depois que o filme ficou pronto foi que Garrel resolveu mudar, considerando A Fronteira da Alvorada mais apropriado para a história do fotógrafo (Louis) que se envolve com uma estrela de cinema em crise (Laura Smet, filha de Nathalie Baye e Johnny Hallyday). Ele vai fotografá-la para um trabalho, seu marido está longe (em Hollywood). Tornam-se amantes, mas a estrela morre e passa a assombrá-lo num espelho. Entra em cena outra mulher, de temperamento oposto. Por intermédio dela, o protagonista encara a possibilidade de uma felicidade mais burguesa.

Interessado em criar uma poética do sobrenatural, Garrel optou por efeitos primitivos, muito simples, e essa talvez seja a parte mais interessante de seu filme. Um crítico tentou focar a comparação com o clássico Aurora, de Friedrich W. Murnau, mas o próprio Garrel admite que pensou mais em Spirite, de Théphile Gautier, para evocar a força da ligação amorosa contra o tempo e a angústia da paternidade, que são, para ele, os temas de seu filme. Ele revelou que seu método de direção de atores evoluiu muito mesmo em relação a um filme recente como Amantes Constantes. Há mais de dez anos Garrel é professor de interpretação, escolhendo entre seus alunos os mais mais talentosos, que gosta de colocar em cena, contracenando com profissionais. É o caso, em A Fronteira da Alvorada, de Clémentine Poidatz, que faz a namorada burguesa de Louis Garrel. Para o filme que estréia, ele alugou um teatro, no qual os atores ensaiavam continuamente cenas e diálogos até que o diretor se desse por satisfeito. Por causa dessa preparação intensa, ele diz que uma tomada é suficiente, raramente refilmando o plano (qualquer plano). Outro segredo de Garrel: “Gosto de filmar na ordem cronológica das cenas. Isso facilita a inserção de novas cenas e novos diálogos, sem produzir nenhuma contradição para os personagens.” Ele também monta o filme à medida que o realiza. É uma questão de economia, mas também de método. “É como no tempo da nouvelle vague e, depois, se houver algum problema, fica mais fácil refazer.” Definido ora como sublime (por alguns poucos admiradores mais intensos), ora como grotesco (pela maioria), A Fronteira da Alvorada não se destina ao gosto médio. Faz mais o gênero do filme para amar ou detestar. E, por mais coisas bonitas – e isoladas – que tenha, é bastante inferior ao que de melhor produziu o autor. Isso inclui não apenas J?Entends Plus la Guitarre, mas também o cultuado Amantes Constantes. O que pode ajudar a tornar o programa atraente é o ator. Louis Garrel, afinal, não é apenas o favorito de seu pai, mas também de Chistophe Honoré, em filmes como Em Paris e Canções de Amor, que já entraram na categoria de ‘obras de culto’.

01/12/2008 - 13:22h Cinema Paradiso?

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Ancine anuncia investimento recorde de R$ 74 milhões na produção de filmes, num momento em que o principal gargalo é a exibição, com público em queda

Jotabê Medeiros – O Estado SP

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) anuncia nesta quinta-feira os primeiros editais do Fundo Setorial do Audiovisual, criado há dois anos, e que destinarão a quantia recorde de R$ 74 milhões para projetos cinematográficos em 2009. Paradoxalmente, malgrado os investimentos, o cinema nacional vive um momento de queda de público. Em julho, o último dado oficial divulgado mostrava uma participação do cinema nacional no público exibidor de cerca de 6,9% (diante de uma média, no período da retomada, entre 10% a 15%).

“É muito expressivo o investimento. Nunca houve, em nenhum governo, federal, municipal ou estadual, um montante como esse sendo investido no cinema”, disse ao Estado Manoel Rangel, presidente da Ancine, na sexta. Para se ter uma idéia, duas das maiores empresas nacionais a investirem em cinema, o BNDES e a Petrobrás, destinaram este ano para o setor, respectivamente, R$ 12 milhões e R$ 26 milhões.

Em 2007, o cinema nacional teve 10 milhões de espectadores no ano, diante de 16 milhões em 2004. Mas o presidente da Ancine rebateu a tese de que o público do cinema brasileiro enfrenta momento de queda. Disse que o market share (participação do público nacional no total da bilheteria de cinemas) subiu para 9,4% em outubro e que o monitoramento da Ancine mostra que está em crescimento e o ano deve fechar em “10%, 10,5% ou 11%”.

Rangel acredita que houve uma “repercussão excessiva de uma situação de momento, pontual”, quando o market share caiu abaixo de 7% em julho. Para ele, a recuperação tem-se mostrado bastante expressiva nas últimas semanas.

De qualquer modo, diz Rangel, o dinheiro do Fundo Setorial do Audiovisual, embora nesse primeiro ano seja destinado à produção, poderá engordar as estratégias de exibição em 2010. “Além de destinar recursos do fundo, teremos outras ações no terreno do consumo, como a proposta do Vale Cultura”, ponderou.

Segundo o dirigente, a chegada de um fundo direto de investimento não quer dizer que se vá abrir mão do mecanismo de renúncia fiscal, o motor da Lei do Audiovisual. “Nosso projeto não é substituir, é compartilhar o fundo com a renúncia fiscal.”

Os editais a serem anunciados nesta quinta-feira, os quatro primeiros, prevêem investimentos em produção para cinema; produção para TV aberta e TV por assinatura; aquisição de direitos de distribuição de obras cinematográficas brasileiras de produção independente e comercialização de longas-metragens para salas de cinema.

O Fundo Setorial do Audiovisual destina recursos para estímulo à atividade audiovisual. Foi criado em 2006 (lei 11.437) e regulamentado no ano passado, e sua verba provém da taxação da indústria cinematográfica (a taxa Codecine), da atividade econômica do setor e do Fundo de Fiscalizações das Telecomunicações (Fistel).

Segundo Manoel Rangel, o Fundo Setorial do Audiovisual já arrecadou R$ 90 milhões, cuja proveniência principal é, principalmente, da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Brasileira) – os impostos que os distribuidores e exibidores pagam. No ano que vem, a maior parte dos recursos virá do Fundo das Telecomunicações.

Após a euforia da retomada, o cinema brasileiro vive uma fase de diversificação. Segundo dados do site Filme B, que compila estatísticas do cinema no País, está havendo um aumento expressivo de co-produções internacionais (eram em média cinco parcerias por ano em 2003, e o número saltou para 32 parcerias em 2008). O Brasil tem acordos com 8 países.

O resultado tem sido bom para a imagem do cinema nacional no exterior. Quatro co-produções foram selecionadas em importantes festivais de cinema do mundo: Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles, e Linha de Passe, de Walter Salles, disputaram a Palma de Ouro em Cannes; e Birdwatchers, de Marco Bechis, e Plastic City, de Yu Lik Wai (apesar dos diretores estrangeiros, foram rodados no Brasil), concorreram em Veneza.

16/05/2008 - 13:38h Festival de Cannes: E foi a vez do argentino Leonera…


Filme de Trapero tem Rodrigo Santoro no elenco e co-produção de Walter Salles

Luiz Carlos Merten, , CANNES – O Estado de São Paulo

Talvez seja suficiente dizer que se trata de um autêntico filme argentino. Leonera, de Pablo Trapero, possui as qualidades quase sempre associadas ao cinema do país vizinho. Conta uma história humana, com personagens bem delineados e interpretações sinceras. Ao comentar a seleção de Leonera para a competição, Walter Salles, que tem co-produzido, por meio da Videofilmes, os filmes recentes de Trapero, disse que, se alguém merecia estar em Cannes, era seu colega de Buenos Aires. O bom de Trapero é que ele não se repete. El Bonaerense, Familia Rodante, Leonera. Nenhum filme se assemelha ao outro, embora o conceito de família como inferno e paraíso, que já estava no road movie anterior do cineasta, repita-se agora na história da grávida que vai presa e descobre que, de acordo com a legislação, só poderá permanecer com o filho na cadeia até ele completar 4 anos. O tema de Trapero é como essa mulher traída pelos homens, pela própria mãe (que tentará se apossar do neto) lutará com todas as suas forças para recuperar o menino.

Um filme sobre instinto, que supera a cultura repressora. Sobre uma mulher que amadurece dentro da cadeia e precisa achar um caminho dentro do mundo hostil. Ninguém faz uma travessia assim sozinho e o filme de Trapero é sobre as afinidades eletivas, sobre as fidelidades que compensam as traições, sobre a construção da ética na vida dessa mulher (e o tema é caro ao co-produtor Salles). Trapero constrói seu filme sobre essa situação particular, sem exagerar na psicologização da personagem. E conta com ótimo elenco – a atriz Marina Gusman, sua mulher na vida real, é ótima, numa verdadeira entrega ao longo de todo o processo vivido pela personagem, que, como ela, está grávida nas primeiras cenas. Rodrigo Santoro, que subiu a escadaria do Palais, com Marina e Trapero, para a sessão de gala de Leonera, faz um pequeno, mas importante papel.

Apesar das óbvias virtudes de Leonera, com final aberto, havia pouca gente na coletiva realizada pela manhã, exatamente o contrário do que ocorreu à tarde, quando havia gente pelo ladrão para ver Angelina Jolie, Dustin Hoffman e Jack Black, o trio de dubladores de Kung Fu Panda. A animação de Mark Osborne e John Stevenson é uma produção pessoal de Jerry Katzengerg, da DreamWorks Studios. Promete ser uma das sensações do verão americano. -Angelina, claro, foi a sensação da entrevista. Gravidíssima (de gêmeos), ele teve de falar mais de crianças, de família e Brad Pitt do que propriamente de cinema, embora neste caso as coisas não fossem excludentes.

‘Quando se é pai ou mãe, a gente procura inevitavelmente filmes com boas mensagens para a família’, ela diz. A história do urso panda que é bom de kung fu enquadra-se no conceito. ‘É um filme mais sério do que pode parecer’, advertiu Hoffman. ‘Vivemos numa sociedade em que as pessoas precisam se projetar em super-heróis. A idéia, aqui, é criar um anti-super-herói, alguém muito pequeno, mas que realiza coisas extraordinárias, e nesse sentido vira um verdadeiro herói’, ele concluiu. Angelina teve de falar bastante sobre seu trabalho como embaixadora da ONU, neste momento em que a Ásia )Mianmar e, agora, a China) sofre o efeito de tufões e terremotos. ‘Estar aqui em Cannes é um prazer, porque faz parte do meu trabalho e é melhor ainda porque estou com um filme no qual acredito. em 1980. Como a mundanidade faz parte do folclore de Cannes, houve a inevitável pergunta se Brad Pitt acompanharia Angelina Jolie no tapete vermelho. Ela disse que sim. ‘Ele está agora com as crianças, mas à noite vamos participar da montée des mardches’, ela disse, em francês – antes, já havia dito que, em sua casa, com filhos (adotivos) de tantas nacionalidades, existem professores de francês, vietnamita e cambojano. ‘Queremos que as crianças cresçam conhecendo sua origem e cultura, e não influenciá-los para que adotem a nossa.’

WALTZ WITH BASHIR: nova vertente do documentário animado

VERDADE E ANIMAÇÃO: Houve surpresa quando Dossiê Rê Bordosa foi selecionado para o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade. Um documentário animado parecia uma novidade muito grande, depois confirmada quando o filme passou e foi premiado no Cine PE. Cannes está tendo agora o seu Dossiê Rê Bordosa na competição. O diretor israelense Ari Folman fez um filme – Waltz with Bashir – que dificilmente será ignorado pelo júri, na premiação. Ainda é cedo para falar em prêmios, mas Bashir parece levar vantagem. Afinal, a diretora de Persépolis, premiado no ano passado, está no júri e Marjane Satrapi abriu sua preferência pelos filmes políticos, que de alguma forma refletem sobre o mundo em que vivemos. Waltz with Bashir inspira-se em experiências da vida do próprio diretor, quando integrou o Exército israelense, na ocupação do Líbano. Ari Folman criou um documentário-animado-verdade. Seu tema é o mergulho de dois homens – um é ele próprio – no horror da guerra que ambos tentaram eliminar da memória. Folman filmou em vídeo e depois apresentou o material à dupla de animadores Yoni Goodman e David Polonsky. Eles não fizeram a animação em cima daquelas imagens. Tomaram-nas como referência. O resultado é ousado, graficamente, mas é a ética que subverte a relação do filme com a platéia. A animação cria um distanciamento, mas, de repente, o diretor lança a platéia no centro de imagens reais do massacre de palestinos por tropas falangistas, aliadas de Israel, em Sabra e Chatyla. A força das imagens, a riqueza da trilha – com uma cena de soldados surfando ao som de rock pesado que lembra Apocalypse Now -, tudo faz de Bashir um acontecimento nesta nova vertente do documentário animado.

15/05/2008 - 20:56h Festival de Cannes: alors que la Croisette s’amuse, l’Amérique du Sud déguste

Par Olivier de Bruyn – Rue89

Elli Medeiros et Martina Gusman à Cannes (J.-P. Pelissier /Reuters).

Après “Blindness” (le film d’ouverture signé par le Brésilien Fernando Meirelles), “Leonera”, de l’Argentin Pablo Trapero, sur les prisons pour femmes et le destin foudroyé d’une héroïne ordinaire, prouve que le cinéma local a des choses (dures) à raconter et à filmer. Ainsi va la vie à Cannes: pendant que les célébrités s’essuient les pieds sur les tapis rouges, l’actualité du festival, dans les salles, ne rime pas avec futilité.

Cannes, terre de contrastes. Les autochtones, en bas des marches du bien nommé “palais” du festival, s’interrogent avec des mines de conspirateurs sur l’éventuelle présence de Carla S. en ces lieux bénis du people.

Dans le même palais, à la grande séance de presse du matin (8h30), les journalistes, visage pas encore (trop) fripé, commencent à s’insulter (”Cette place est la mienne, connard!”).

Bref, alors que le festival entame son folklore annuel, les films, eux, racontent comment ils voient le monde. Et la frivolité n’est pas exactement la tenue de rigueur.

Une héroïne paumée et le quotidien glauque d’une prison pour femmes

Cette année, l’Amérique du Sud ouvre les débats. “Leonera”, de Pablo Trapero, chef de file du nouveau cinéma argentin, confirme le talent sobrement réaliste et l’humanisme non-démago de ce metteur en scène discret et modeste, déjà remarqué avec “Mundo Grua” et “El Bonaerense”.

Dans son nouveau film, Trapero suit au plus près le destin contrarié de Julia, une jeune femme enceinte, emprisonnée suite au meurtre énigmatique du père de son enfant. Le réalisateur, évitant la plupart du temps les ornières misérabilistes, filme l’itinéraire de son héroïne paumée, le quotidien oppressant et glauque d’une prison pour femmes.

En creux: les aberrations du système judiciaire et un certain état délétère du machisme local. Remarquablement interprété par la jeune Martina Gusman, “Leonera” souffre d’un rythme un rien répétitif, mais témoigne à chaque instant d’une dignité formelle et d’un refus du pathos bienvenus. Une oeuvre simple, économe de ses effets et qui touche juste.

Quand l’homme est un loup pour l’homme et l’aveugle un chien pour l’aveugle.

On n’en dira pas autant de “Blindness”, le film d’ouverture présenté hier au soir aux ouailles en smoking. Dans sa nouvelle fiction, Fernando Meirelles (”La Cité de Dieu”) se risque à la métaphore poids lourd avec la description esthétisante d’une mégalopole anonyme affligée par un mal mystérieux: une violente épidémie de cécité.

Face au péril, la communauté se protège en envoyant en quarantaine les néo-aveugles dans des camps sinistres. Les exilés ne tardent pas à y être confrontés à leurs plus vils instincts: pouvoir exercé sur plus faible que soi, oppression sexuelle, etc.

Bientôt (une heure de pellicule, quand même), tout le monde devient aveugle, sauf, ça va de soi, le spectateur et l’héroïne (Julianne Moore, que l’on a connue plus clairvoyante). Le film décrit alors l’anarchie et le chaos. Un monde où, suivez le regard du cinéaste, l’homme est un loup pour l’homme et l’aveugle un chien pour l’aveugle.

L’occasion de bien belles images spectaculaires qui se rincent l’œil sur la déréliction ambiante et épousent parfois le point de vue des personnages. Ce qui, dans la grammaire sommaire de “Blindness”, revient à user et abuser du fondu au blanc…

La leçon de morale est un rien basique et, surtout, la mise en scène, ultra-complaisante, contredit l’appel au calme et à l’amour de son prochain asséné par le cinéaste. Gageons que le jury a gardé l’oeil ouvert, et le bon, devant ce spectacle borgne.

► Leonera de Pablo Trapero – avec Martina Gusman, Eli Medeiros…
► Blindness de Fernando Meirelles – avec Julianne Moore, Mark Ruffalo…

14/05/2008 - 22:44h ‘Ensaio sobre a cegueira’ faz sucesso na sessão de gala em Cannes

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Filme de Fernando Meirelles foi aplaudido por quase oito minutos, em contraste com recepção fria da sessão para a imprensa em Cannes

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CANNES – ”Ensaio sobre a cegueira”, de Fernando Meirelles, foi aplaudido com entusiasmo por quase oito minutos na sessão de gala realizada na noite desta quarta-feira no Palácio dos Festivais em Cannes. A reação contrastou com a recepção fria da sessão especial para a imprensa na manhã deste mesmo dia. A atuação de Alice Braga (foto) está colecionando elogios nas mais diferentes línguas.

Mas o principal assunto na Croisette não envolve Meirelles e sim aquele que promete ser o equivalente israelense ao romeno “4 meses três semanas e dois dias” que levou a Palma de Ouro no ano passado. Vindo de Israel, o documentário animado “Waltz with Bashir”, de Ari Folman está criando um boca-a-boca fortíssimo na Croisette. Jornalistas veteranos que somam de 10 a 20 coberturas do festival apostam que o filme não sairá daqui sem prêmios. A especulação é motivada pela celeuma que a produção está causando ao revolver os conflitos armados do Líbano nos anos 80.

Outro filme que tem despertado a curiosidade geral é “Surveillance”, de Jennifer Lynch. Quem já viu o longa garante que a diretora, conhecida por “Encaixotando Helena”, fez um filme à altura do pai, o cultuado David Lynch. “Surveillance” será exibido hors concours.

Entre os filmes da competição, que vai até dia 24, os mais esperados sção “Changeling”, de Clint Eastwood, e – para alegria dos brasileiros – “Linha de passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas. O impacto de “Diários de motocicleta” (2004) sobre Cannes garantiu uma força inabalável ao nome do diretor brasileiro por aqui.

13/04/2008 - 14:14h Du Sucre et des Fleurs dans nos Moteurs (Açúcar e flores em nossos motores)

Em momentos em que o protecionismo contra o etanol brasileiro ganha corpo na Europa, o documentario francês Du sucre et des fleurs dans nos moteurs de Jean-Michel Rodrigo põe os pingos nos “i” dos gringos. Vale a pena assistir e recomendá-lo aos que entendem francês.


Retrouvez des films engagés pour tenter de restaurer l’écosystème planétaire :

L’Odyssée Sibérienne de Nicolas Vanier.
Un voyage saisissant au coeur d’une beauté à préserver d’urgence.

Du sucre et des fleurs dans nos moteurs de Jean-Michel Rodrigo.
Une réflexion sur les solutions alternatives à la consommation du pétrole.

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Visionnez-le immédiatement et profitez d’un rendu optimal de l’image et du son, pour votre plus grand plaisir.

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27/05/2007 - 18:10h "4 mois, 3 semaines et 2 jours"

Cristian Mungiu est un cinéaste roumain de 39 ans, dont le troisième film, 4 mois, 3 semaines et 2 jours, en compétition à Cannes, est d’une âpreté qui ne se dédommage d’aucune rédemption. Sa grandeur consiste à regarder son sujet sans ciller. Soit l’histoire de l’avortement clandestin d’une jeune femme dans les dernières années du communisme, en 1987, dans une Roumanie où cet acte illégal depuis 1966 fut pratiqué en masse, causant la mort de plusieurs milliers de femmes.Celle qui nous intéresse ici se nomme Gabita. C’est une étudiante jolie et frêle, qui partage sa chambre avec une amie, Otilia, dans une résidence universitaire. Le film la découvre, tendue et transie, préparant sa valise sous l’oeil attentif d’Otilia. Autour, dans les couloirs et chambrées, filles et garçons se livrent allégrement au marché noir, faisant monter les enchères pour un paquet de Kent. Dès ces plans d’ouverture, sans que rien ne soit pourtant exprimé, le film installe une atmosphère d’oppression et de conspiration joyeuse.

Puis on quitte brusquement la résidence pour suivre longuement Otilia en ville. Trajet mystérieux, qui la voit rejoindre son petit ami à l’université et se disputer avec lui, réserver en catimini une chambre d’hôtel auprès de préposés plus kafkaïens les uns que les autres, prendre enfin langue et date avec un inconnu qui l’attend dans sa voiture. Soit un trajet existentialiste, qui ne révèle rien aux spectateurs que ce que les personnages font ou éprouvent eux-mêmes.

Cette approche descriptive, mise en scène en longs plans-séquences, se révèle d’une vertueuse efficacité. Elle soustrait le film au pathos, court-circuite les vaticinations psycho-sociologiques, confère épaisseur et dignité aux personnages, tire l’action vers le thriller, captant le spectateur pour ne plus le lâcher.

Mais Mungiu va plus loin. Il livre, à travers l’intimité d’un drame personnel, la chronique en creux d’un système d’oppression collective. La remarquable scène centrale du film – un insupportable huis clos au cours duquel l’avorteur, prototype du salaud ordinaire, se livre, sous couvert de morale, à un abject chantage sexuel – en désigne le triangle fatal : le pouvoir usurpé (l’avorteur), la peur (Gabita) et l’humiliation (Otilia). Mais aussi bien la résistance spirituelle, l’héroïsme discret de celles qui sacrifient à la tyrannie leur propre corps, comme ultime bastion de la liberté. Leia mais, clique no link.

“4 mois, 3 semaines et 2 jours” : allégorie de la terreur communiste roumaine
LE MONDE 18.05.07

© Le Monde.fr

21/05/2007 - 18:02h POLANSKI VS. THE PRESS Published by Juan Antonio Giner

Um observador arguto da mídia brasileira aponta esta reflexão do cineasta Roman Polanski sobre o jornalismo. Para meditar…

Cannes.
A press conference with several film directors.
When the moderator announced that journalists had just two minutes left, Roman Polanski took the microphone and said:
“It’s a shame to have such poor questions, such empty questions.
And I think that it’s really the computer which has brought you down to this level.
You’re no longer interested in what’s going on in the cinema.
Frankly, let’s all go and have lunch,” he suggested, before walking out.
Well … more and more press conferences are empty meetings.
With empty questions.
And empty answers.
Perhaps Polanski was too rude.
But perhaps he was right.

do Blog http://www.innovationsinnewspapers.com/

29/04/2007 - 19:53h Octavio Frias de Oliveira morre aos 94 anos em SP

da Folha de S.Paulo

O empresário Octavio Frias de Oliveira, publisher do Grupo Folha, morreu hoje à tarde aos 94 anos em São Paulo. Protagonista da modernização da mídia brasileira na segunda metade do século, Frias pertenceu a uma geração de empreendedores pioneiros dos quais ele era um dos últimos remanescentes e o único a se manter em atividade profissional até o ano passado.

Leia mais aqui