11/05/2009 - 15:00h Cintura e risco cardíaco

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Um novo e abrangente estudo trouxe mais evidências que apontam que uma circunferência abdominal grande, mesmo em pessoas de peso normal, eleva de forma significativa o risco de doenças cardíacas.

Pesquisadores avaliaram 80.360 homens e mulheres suecos de 45 a 83 anos entre 1997 e 2004. Durante esse período, 1.100 dessas pessoas foram hospitalizadas ou morreram em decorrência de doenças cardíacas.

A pesquisa mediu a circunferência da cintura, a proporção entre cintura e quadris, cintura e altura e IMC (índice de massa corporal), a proporção entre peso e altura. Mas só a circunferência da cintura previu o risco de doenças cardíacas independentemente das outras medições. O IMC previu males cardíacos entre mulheres apenas quando estas tinham circunferência de cintura grande.

O estudo, publicado em abril no periódico “Circulation: Heart Failure”, constatou que um aumento de 10 cm na circunferência da cintura é associado a um aumento de 15% no risco de doenças cardíacas, tanto para pessoas de peso normal, com IMC de 25, quando para obesos, com IMC superior a 30.

NICHOLAS BAKALAR

27/09/2008 - 18:39h População desconhece doença do coração como principal causa de morte, mostra pesquisa

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CAROLINA FARIAS da Folha Online

Pesquisa realizada pela Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) mostra que os paulistas desconhecem que os problemas cardiovasculares são as principais causas de mortes no Estado. De acordo com a organização, o infarto é a principal causa de morte em São Paulo, seguida de derrames, câncer e causas externas –como as relacionadas à violência e ao trânsito, por exemplo. A população demonstrou desconhecer os dados e apontou a violência como a principal causa de morte no Estado.

Durante dois dias no mês de junho, 2.096 pessoas, entre 14 e 70 anos, foram entrevistadas em 85 cidades do Estado. O objetivo da pesquisa, realizada pelo Datafolha, foi documentar o grau de conscientização da população sobre os fatores de risco de doenças do coração.

“Apesar de ser a principal causa [doenças cardiovasculares], a população não percebe. O Estado tem maior nível de educação [do país], mesmo assim a população desconhece”, afirmou o diretor da divisão de pesquisas da Socesp, Álvaro Avezum.

Foram apresentados para os entrevistados dois tipos de questionamentos. Um em que questionava, no geral, a principal causa de morte, e outra que perguntava quais os fatores de risco que se associam a doenças cardiovasculares. O que mais foi citado, segundo Avezum, foi o tabagismo –32%. “Isso significa que 68% da nossa população no Estado não identifica o cigarro como fator de risco cardiovascular. É muito pobre o conhecimento, bem abaixo do que gostaríamos que a população tivesse”, afirmou o médico.

Pesquisas realizadas na América Latina apontam que os fatores de risco que mais levam aos problemas no coração são, em primeiro a obesidade abdominal, seguida de tabagismo e alterações do colesterol.

De acordo com a pesquisa, a população praticamente ignora os principais contribuintes das doenças cardiovasculares. Depois dos 32% que disseram acreditar que o cigarro é o que mais mata aparecem 18% que apontaram como maior causa da pressão alta, 17% citaram o alcoolismo, 16% sedentarismo e somente 15% apontaram o colesterol como principal fator.

“O grau de conscientização sobre os fatores é inferior a 30%. Significa que 70% da população do Estado não reconhece os fatores de risco associados a infartos, derrames, que são responsáveis por mortes no Estado”, disse Avezum.

Segundo o médico, a Socesp não imaginava que detectaria níveis tão baixos de conhecimento sobre problemas do coração. Para a organização, a falta de campanhas adequadas sobre os riscos de doenças cardíacas e a maior divulgação de casos de violência.

“Para mudar [de hábitos], a população tem de conhecer. Quem desconhece, não vai buscar prevenção”, afirmou o médico.

Mortes

Por ano, no Brasil, cerca de 300 mil pessoas sofrem infarto, segundo Avezum. Um quarto desse volume é do Estado de São Paulo.

A cada dez pessoas que infartam, três morrem em casa ou a caminho do hospital. Dos sete que chegam ao hospital, um morre. Dos seis que recebem alta hospitalar, um morre em um ano. “Ou seja, é uma doença que mata metade de suas vítimas”, explica o médico.

De acordo com Avezum, se houver a prevenção da obesidade, evita-se 46% dos casos de infarto, ou seja, cerca de 140 mil casos a menos por ano. Se proibir o tabagismo no país diminuiria 38% no número de infartos.

“Evitando isso diminui o número de cirurgias, angioplastias, etc. O impacto é brutal”, afirmou Avezum.

Seis fatores que aumentam os riscos de doenças cardiovasculares e dois que diminuem são aceitos em todo mundo, segundo o médico.

Os elementos que contribuem para os riscos, na ordem, são a alteração do colesterol –LDL alto, chamado de colesterol ruim, e o HDL baixo, chamado de colesterol bom–, cigarro, diabetes, pressão alta, obesidade abdominal e estresse e/ou depressão.

Os fatores protetores são a atividade física regular, no mínimo três vezes por semana durante uma hora, e o segundo ponto é comer verduras e legumes diariamente.

01/09/2008 - 10:28h A saúde está doente

Sobrevivendo à base de soro caseiro

Crianças convivem com más condições em favelas

Roberto Almeida, O ESTADO DE SÃO PAULO


Se Denise dos Santos chora, é porque a vida ela diz que “só vai levando”. Para a dona de casa, cada avanço parece que vem seguido de dois retrocessos – sensação comum entre os moradores da favela Jardim Floresta, na zona sul de São Paulo. O esgoto foi canalizado, as vielas receberam pavimento, mas as benfeitorias, que continuam sob a lei do tráfico, agora são palco para um surto de diarréia entre crianças. A causa para o problema, que incomoda moradores há um mês, ainda não foi descoberta.Não se sabe se é a água, ou se é a comida, mas a filha de Denise, S., de 10 anos, desmaiou duas vezes no banheiro com febre e fortes dores de barriga. Foi levada ao posto de saúde para fazer exames, e hoje aguarda os resultados. Enquanto isso, soro caseiro. A mãe, esperançosa, até esboça um sorriso. “Se Deus quiser, vai ficar tudo bem”, diz, olhando para a filha. Ela espera o melhor porque Simone Pereira, a poucos metros dali, ri à toa. Seu filho mais novo, J., de apenas 4 anos, também está passando mal, mas desta vez saiu do banho apressado, brincando mesmo molhado, escapando das mãos de sua avó, que queria enrolá-lo na toalha. Ainda assim, soro caseiro.

Mais crianças com problemas de saúde vão aparecendo. Outras quatro, em 15 minutos de caminhada. Na creche que atende a favela, administrada pela ONG Reconciliação, o panorama é o mesmo: são duas reclamações por semana, com média subindo desde julho, segundo a enfermeira Cássia Tomé. Ela aguarda uma análise da água que abastece a região.

A favela é parte da Vila São José, à beira da Avenida Teotônio Vilela, área de manancial. Um pequeno ponto da região da Capela do Socorro, que em 2007 foi líder em mortalidade infantil. Segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), divulgados pelo Movimento Nossa São Paulo, a cada mil nascimentos, 17 morrem antes de completar 1 ano – três vezes mais em comparação a um nascimento em Pinheiros, na zona oeste.

Os filhos de Denise e Simone sobrevivem, assim como as crianças do outro lado da avenida, na Favela da Minhoca. Ali, canos desembocam em um córrego, que segundo moradores está infestado de ratos. Tudo a um quilômetro da Represa Guarapiranga, que abastece parte da cidade.

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Saúde é a área mais mal avaliada de todas as últimas gestões

Adriana Carranca – O Estado de São Paulo

Os três dos candidatos à Prefeitura de São Paulo que já ocuparam o posto anteriormente falharam na saúde. A área se tornou o calcanhar de Aquiles das administrações municipais. Na opinião dos eleitores, foi neste setor que os prefeitos Paulo Maluf (1993-1996), Marta Suplicy (2001-2004) e o atual, Gilberto Kassab (2006-2008), tiveram o pior desempenho. Na gestão José Serra (2005-2006), que apóia o candidato tucano Geraldo Alckmin, não foi diferente.

As entrevistas foram feitas no penúltimo ano das administrações, exceto por Maluf, realizada ao fim da gestão. A saúde foi a área de pior desempenho de Kassab para 23,1% dos entrevistados, seguida dos transportes, para 12%. A enquete foi respondida por 605 moradores e eleitores, de ambos os sexos e com idades entre 18 e 70 anos, distribuídos proporcionalmente à população de cada região da cidade, critérios adotados em todas as pesquisas.

Na gestão Serra, 31% apontaram a saúde como pior área, também seguida dos transportes, com 16,3%. Na administração Marta, a insatisfação com saúde e segurança foi similar, para 19,5% e 17,7%, respectivamente. Maluf foi o que teve a pior avaliação da área: para 50,6%, a saúde era o principal problema, seguida da violência.

Isso, apesar de a saúde ter sido a principal bandeira de Maluf e de seu sucessor, Celso Pitta, que iniciaram a terceirização dos serviços municipais com o Plano de Atendimento à Saúde (PAS). O programa gerou polêmica e foi alvo de denúncias. “Os médicos tinham de aderir ao PAS, formando cooperativas para administrar cada unidade, ou eram afastados. Conheço profissionais tarimbados que foram cuidar de asfalto”, diz o médico Clóvis Constantino, do Conselho Federal de Medicina. “Até alimentação e lavanderia eram terceirizados. Isso dificultava a fiscalização.”

Ele, no entanto, não é contra a terceirização, adotada até hoje com o repasse da gestão dos equipamentos públicos às chamadas Organizações Sociais (OSs), entidades sem fins lucrativos do terceiro setor. “Essas parcerias otimizam recursos e as organizações sociais são entidades com tradição na gestão da saúde, como o Hospital Santa Catarina”, defende. Outra vantagem é que as OSs podem administrar várias unidades na mesma região, o que, em tese, facilitaria a integração dos serviços, embora isso ainda não funcione bem na prática.

A falta de integração entre as unidades com funções diversas e de fluxo no encaminhamento dos pacientes são o principal gargalo da saúde, segundo os especialistas. “As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) não conversam com os hospitais municipais nem estaduais, não há um sistema de informações integrado”, diz Paulo Mangeon Elias, do departamento de Medicina Preventiva, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, é preciso garantir que o paciente recebido nos postos de atendimento básico – as chamadas portas de entrada – sejam encaminhados para exames laboratoriais e tratamento, quando necessário, o que ainda é falho. “Essa coexistência de diferentes modelos como UBS, AMA e PSF dificulta a gestão. E o atendimento de média complexidade continua falho. Você faz consulta, mas espera meses por um exame ou atendimento que demande especialidade, como oncologia e cardiologia”, diz Áurea Ianni, pesquisadora do Instituto de Saúde do Estado. Ela defende uma estratégia metropolitana, já moradores das cidades vizinhas buscam atendimento em São Paulo.

DESCONTROLE

As OSs receberão repasses de R$ 168 milhões neste ano e já gerenciam 226 das 412 UBSs e 57 das 115 unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMAs), além de quatro prontos-socorros, quatro unidades de pronto-atendimento (menores, para emergências) e 69 outros serviços. Embora seja elogiado por boa parte da comunidade médica e da administração da saúde por otimizar recursos e dar maior agilidade ao sistema, como na contratação de profissionais e compra de equipamentos, já que dispensa licitações, o processo é hoje duramente criticado por falta de controle nos repasses de dinheiro público.

O Tribunal de Contas do Município (TCM) apontou falta de fiscalização na transferência de verbas e de exigência do cumprimento de metas de atendimento, como previsto na Lei Municipal 14.132, de 2006, que regulamentou as OSs. Com base em relatórios do TCM, o Ministério Público move uma ação civil pública contra a Prefeitura. “A prestação de contas sobre a aplicação dos recursos tem de ser mensal porque, se houver sobras, isso deve ser compensado no repasse subseqüente. Mas o Programa Saúde da Família, por exemplo, funciona desde 2001, com parte da gestão terceirizada via convênios ou OSs e a primeira análise dos repasses só foi feita em 2005″, diz a promotora de Justiça Anna Trotta Yaryd. Em resposta, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a ação se refere a contratos anteriores e que o controle de repasses é feito trimestralmente, sendo compensadas as sobras no quarto mês.

O médico Oswaldo Tanaka, professor do Departamento de Prática de Saúde Pública, da Faculdade de Saúde Pública da USP, defende a criação de uma agência reguladora “forte e competente” para a saúde. “O setor privado produz mais com menos. Mas é preciso aprimorar as parcerias, garantindo a eficiência dos serviços geridos pelas entidades”, diz o médico.

COLABOROU FABIANE LEITE

PRINCIPAIS PONTOS DO SISTEMA MUNICIPAL

UBS: É a porta de entrada no sistema, onde são agendadas consultas com clínico-geral, ginecologista, pediatra e vacinação

AMA: Atendimento sem consulta marcada para casos de baixa complexidade, como diarréia, dores, pequenas contusões, problemas respiratórios

PSF: Criado pelo Ministério da Saúde, em 1994, prevê atendimento integral por equipe multiprofissional – clínico-geral, enfermeiro e dois auxiliares, cinco agentes comunitários – responsável por 4 mil famílias

ORGANIZAÇÕES SOCIAIS

O que são: Para caracterizar-se como organização social, a entidade não pode ter fins lucrativos e deve atender a princípios como legalidade, impessoalidade e moralidade. Elas recebem repasses da Prefeitura para gerir hospitais e unidades de saúde

Principais gestores: Casa de Saúde Santa Marcelina, Associação Congregação Santa Catarina, Fundação Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e Irmandade da Santa Casa de São Paulo, entre outros

PROBLEMAS DO SISTEMA:

Falta de integração entre os serviços das unidades e hospitais

Há falhas e demora no encaminhamento dos pacientes, após atendimento nas UBSs e AMAs, chamadas de portas de entrada

Faltam serviços especializados, como oncologia e cardiologia, e o agendamento de exames pode demorar meses

Ainda não há uma estrutura bem montada para tratamento contínuo de doenças agudas

Os repasses para OSs são feitos sem fiscalização ou exigência do cumprimento de metas

SAÚDE EM NÚMEROS

R$ 4,9 bilhões
é o orçamento da saúde em 2008

412 unidades
Básicas de Saúde (UBSs)

115 unidades
de Assistência Médica Ambulatorial (AMAs)

1.052 equipes
do Programa Saúde da Família (PSF)

16 hospitais
e prontos-socorros, além de unidades de menor porte, para pronto-atendimento de
casos mais graves

 

 

Entre os desafios, organizar sistema e integrar serviços

Especialistas dizem também que é preciso garantir fluxo de atendimento

Adriana Carranca

Os candidatos à prefeito de São Paulo prometem “criar, implantar, ampliar” o sistema municipal de saúde, mas na opinião do economista Áquilas Mendes, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde (Abres), isso é uma falácia. Ele explica que apenas 3% dos R$ 4,9 bilhões do orçamento da pasta em 2008 referem-se a investimentos. O restante é custeio com a manutenção dos serviços já existentes, que não pode ser reduzido.

“Ampliar serviços significa aumentar a despesa, mas isso depende de ampliar a base de arrecadação, o que não tem sido um esforço das administrações”, diz. O orçamento da Secretaria Municipal de Saúde, entre 2005 e 2007, ficou em cerca de 16% da receita – o mínimo exigido por emenda constitucional é 15%. Em 2008, a revisão orçamentária prevê 20%. “Mas, o comprometimento das despesas rígidas ainda é enorme. A folha compromete 30%”.

Para os especialistas, a questão central da próxima gestão deve ser organizar o sistema, integrar os serviços e garantir o fluxo dos atendimentos. “Precisa construir mais UBSs e hospitais? Sim. Mas, desde que haja eficiência no atual sistema. Ou vamos continuar fazendo mais do mesmo”, diz Paulo Mangeon Elias, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP. Para ele, falta nas propostas um plano para o município, com metas e financiadores definidos, tendo como diretriz o Sistema Único de Saúde (SUS). “A partir dele, cada administração cumprirá a sua parte. Mas isso não se faz com uma proposta de governo. Os problemas da saúde em São Paulo não serão resolvidos em uma gestão, por mais brilhante que ela seja”, diz.

Na avaliação de Oswaldo Tanaka, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) as propostas deste ano demonstram uma “valorização da saúde como política pública, como prevê a Constituição”. As propostas dos candidatos Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM), diz ele, são semelhantes. “Propõem atenção à saúde básica e composição de serviços para diferentes complexidades, além da construção de três hospitais em áreas precárias. Kassab, porém, dá mais ênfase às AMAs. A curto prazo, a população fica satisfeita, mas o problema é que você tem de garantir o atendimento pós-AMA dos casos agudos e seu acompanhamento contínuo”.

Tanaka considerou as propostas de Soninha e Ivan Valente “mais intencionais do que operacionais”. “O que eles propõem não nos dá parâmetros para, mais tarde, cobrar as promessas”, disse. Sobre a criação de mutirões de consultas proposta por Soninha, ressaltou: “É boa, mas o que eu faço com as doenças encontradas? Essa é a grande questão hoje.” Ele também criticou a proposta de Paulo Maluf. “Se retomado, o PAS enfrentará novo embate técnico e político. Era gerido como um plano de saúde, por cooperativas privadas e, portanto, não atende aos princípios de universalidade do SUS. E não podemos correr o risco de sermos excluídos novamente do SUS porque os financiamentos federais e estaduais são muito importantes”, diz o médico.

27/05/2008 - 15:50h Machismo faz mal a saúde… do homem

SAÚDE
Contra o machismo


Governo federal prepara política específica para doenças masculinas. Especialistas apontam preconceito e falta de tempo como os principais fatores alegados para que os homens não adotem medidas de prevenção

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Hércules Barros – Correio Braziliense

Os últimos meses não têm sido fáceis para o taxista Hélio da Silva Barbosa (na arte ao lado), 40 anos. Complicações por conta de uma pedra na vesícula no final do ano obrigaram o morador da Estrutural a ir ao hospital com uma freqüência nunca praticada. A dolorosa experiência resultou em duas cirurgias, três meses de internação e uma lição: “Mais vale a pena perder um dia de serviço para cuidar da saúde do que deixar para procurar o médico só quando a situação piora”, avaliou Hélio.

Ao ser questionado sobre a última vez em que conferiu os níveis de colesterol e glicose, respondeu com naturalidade. “Não faz tanto tempo assim. Foi aos 21 anos, quando eu estava no Exército”, disse. O primeiro e último exame de toque de próstata foi há 17 anos e por acaso, quando procurou um urologista porque estava com hemorróidas. O histórico de falta de prevenção se repete com o irmão do taxista, Lélio Barbosa, 41 anos, e o pai, Luís Fernandes Barbosa, 68, que nunca consultaram um especialista.

No Brasil, 38 milhões de homens entre 25 e 59 anos são como os familiares de Hélio: deixam para procurar o médico somente quando já não agüentam mais. Essa população corresponde ao grosso da faixa etária produtiva do país e representa toda a população da Argentina. Para tentar reverter o quadro, o Ministério da Saúde ouve representantes das áreas de urologia, cardiologia, psiquiatria, gastrologia e pneumologia — especialidades que concentram 72% das doenças mais comuns na população masculina.

O ministério espera receber sugestões de quem está na ponta. “Eles é que vão dizer quais são as necessidades para que a gente possa fazer uma política nacional de atenção à saúde do homem”, ressalta o médico e antropólogo Ricardo Cavalcanti, coordenador do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas da Área Técnica da Saúde do Homem. A medida está prevista para ser lançada em agosto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Se ele não tem tempo de ir ao médico, a gente tem que procurar agir por meio do serviço médico da empresa, nos sindicatos, nas Forças Armadas”, observa.


A distância do preconceito

De acordo com Cavalcanti, falta de tempo e machismo são apontados pelos especialistas como os principais motivos que distanciam a população masculina dos médicos. “Se você disser que vai ser um centro de referência para a saúde do homem, nenhum deles vai. Mas se você fizer a mesma coisa chamando isso de centro para check-up, a palavra vai ter um efeito bem diferente”, ensina. Cavalcanti adiantou que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fez uma solicitação para montar o primeiro pólo de atendimento que sirva de modelo para o país. “Eles vão dar o cardiologista, urologista, eletrocardiograma e esteira”, adiantou.

Com a colaboração das universidades, o ministério acredita ser provável que instituições sindicais e até hospitais das Forças Armadas, que já têm atendimento nessas áreas, invistam na especialização. “Qual é o presidente de sindicato que não vai abraçar uma coisa dessas?”, diz.

O encontro com a área de gastroenterologia está marcado para os dias 30 e 31 (sexta-feira e sábado) e com a pneumologia no primeiro fim de semana de junho, mas algumas ações que devem fazer parte da nova política já estão definidas. Segundo Cavalcanti, investir em profissionais do sexo masculino no atendimento aos homens é uma delas. “Qual é o homem que quer deixar o médico fazer um exame de próstata na frente de uma atendente?”, exemplifica. Cavalcanti também adiantou que a pneumologia e a urologia já se prontificaram a dar cursos para os profissionais do Programa Saúde da Família.

Sem recursos

Representante do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) nas discussões, o médico Antônio Carlos de Oliveira acredita que, mesmo com o treinamento, vai demorar para as equipes da Saúde da Família colocarem em prática uma política de atenção à saúde do homem. “Envolve um montante de recursos que os municípios não dispõem”, observa Oliveira, ao lembrar que a Saúde não conta mais com os cerca de R$ 40 bilhões da CPMF. “Se nós otimizarmos as medidas preventivas, a gente diminui as internações e também os gastos gerados por um paciente internado”, rebate Cavalcanti.

No encontro com os cardiologistas, realizado na semana passada, os especialistas pontuaram a necessidade de investimentos em prevenção contra colesterol alto, obesidade e hipertensão. “AVC (acidente vascular cerebral) e infarto do miocárdio são as duas principais causas de mortes de homens nas cidades de médio porte. Tudo por conta de hipertensão não controlada”, destaca o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Antônio Palandri Chagas.

Ele acredita que a troca de informações entre as áreas e o ministério vai ser fundamental para que a política de atenção ao homem supere a perda da CPMF. “Demora-se muito tempo para criar posicionamentos que influenciem a sociedade. Sem ações estruturadas nas causas das doenças, como tabagismo e alcoolismo, não atingiremos os objetivos da política da saúde do homem”, acrescenta.


“Se você disser que vai ser um centro de referência para a saúde do homem, nenhum deles vai. Mas se você fizer a mesma coisa chamando isso de centro para check-up, a palavra vai ter um efeito bem diferente”. Ricardo Cavalcanti, coordenador do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas da Área Técnica da Saúde do Homem


Preocupações recorrentes

Os dois primeiros encontros para discutir a saúde do homem foram realizados há duas semanas, tratando das áreas de urologia e de psiquiatria. As doenças mais freqüentes ligadas à psiquiatria estão relacionadas a causas externas — conseqüências de acidentes de trânsito e agressões decorrentes de violência, geralmente provocadas por alcoolismo e uso de drogas. “Aqui não há que se combater bactérias nem doença infecciosa. Isso é campo que exige interface com o Ministério da Justiça e o Detran (Departamento de Trânsito)”, afirmou Ricardo Cavalcanti, coordenador do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas da Área Técnica da Saúde do Homem do Ministério da Saúde.

No caso da urologia, a preocupação maior é o câncer de próstata, mas os urologistas destacaram casos como o do Maranhão, onde é muito mais freqüente o câncer de pênis. “É quase uma média de 5 casos (de pênis) para 1 (de próstata)”, ressaltou Cavalcanti. Para o coordenador, a surpresa maior no encontro com os urologistas foi saber que um médico dá o diagnóstico de câncer de próstata e o paciente fica sem ser internado porque os hospitais fixam um teto de internação para as diferentes especialidades como forma de driblar a superlotação. “Isso é um absurdo. A gente não pode deixar uma pessoa com câncer de próstata esperando um ano. Câncer é emergência médica em qualquer parte do mundo”, esbravejou.

Cavalcanti afirmou que o Sistema Único de Saúde gasta, “desnecessariamente”, mais de R$ 5 milhões com vasectomias realizadas em regime hospitalar, pois na maioria dos casos a cirurgia demora 30 minutos e não exige internação. “Se fossem feitas como procedimentos ambulatoriais, a gente economizaria R$ 5 milhões para outras coisas. Em raros casos você pode precisar internar o paciente”, salientou.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) aproveitou o encontro com o ministério para reclamar do sucateamento da Saúde no país. De acordo com o urologista Pedro Cortado, diretor da SBU, falta material de endoscopia e endourologia — equipamento que serve para a retirada de cálculo do ureter sem a necessidade de fazer cirurgia aberta. “Muitas vezes é preciso fazer uma cirurgia aberta pois não há material para o procedimento minimamente invasivo, o que permitiria a recuperação muito mais rápida do paciente”, esclareceu. Muitas vezes o tratamento urológico é feito pelo clínico-geral ou cirurgião-geral por falta de especialistas.(HB)

03/09/2007 - 18:03h Mulheres correm mais risco de morrer de infarto do que os homens

EFE

VIENA – As mulheres correm um risco de morrer de infarto maior do que os homens, apesar de a incidência ser maior entre eles. Elas devem procurar imediata quando surgem os primeiros sintomas, segundo um estudo apresentado nesta segunda-feira, em Viena, durante o Congresso Europeu de Cardiologia. Nesta segunda, uma participante do encontro morreu de parada cardíaca , apesar dos esforços dos colegas para reanimá-la.

As mulheres deveriam procurar mais rapidamente a ajudar de um especialista quanto tiverem problemas de coração ou se sentirem mal (M. Masotti, cardiologista)


De acordo com o levantamento realizado pela equipe da cardiologista Mónica Masotti, do Instituto do Tórax do Hospital Clínico de Barcelona, a porcentagem de mortalidade pós-infarto entre as mulheres subiu para 18%, enquanto entre os homens está restrita a 8% dos casos. Segundo a cardiologista, a explicação é que a população feminina sofre infartos numa faixa etária mais elevada e em estados de saúde piores.

A pesquisa envolveu 529 pacientes, sendo 417 homens e 112 mulheres, entre janeiro de 2002 e dezembro de 2006. Todos eles foram operados em menos de 12 horas após apresentar os primeiros sintomas do infarto. As mulheres morreram durante a cirurgia para a desobstrução das artérias com cateter.

- As mulheres deveriam procurar mais rapidamente a ajudar de um especialista quanto tiverem problemas de coração ou se sentirem mal – recomendou a Masotti, destacando que as mulheres se diferenciam dos homens por uma série de fatores: quando procuram um cardiologista elas são mais velhas e sofrem mais de insuficiência cardíaca e diabetes, apesar de fumarem menos.

Fumo em debate no congresso

Cerca de 25 mil especialistas estão reunidos em Viena até quarta-feira. Em outros painéis, cardiologistas enfatizaram a relação entre fumo e problemas cardíacos. Baseados em estudos realizados na Irlanda e na Itália, o austríaco Kurt Huber reforçou a necessidade de suspensão do fumo em espaços públicos. O estudo irlandês mostrou que o número de infartos caiu no primeiro ano em que se estabeleceu a proibição. Na Itália, o número de hospitalizações por infarto agudo também caiu cinco meses depois de a nova lei entrar em vigor.

Além disso, o cardiologista francês Nicolas Amabile apontou uma relação entre doenças cardíacas e a saúde bucal: os pacientes com gengivite apresentam maior risco de apresentar obstruções nos vasos coronarianos. Fonte portal do O Globo