01/03/2009 - 19:53h Rio de Janeiro comemora 444 anos com festa aos pés do Cristo Redentor

01/03/200919:10Agência Brasil – IG

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RIO DE JANEIRO - O aniversário de 444 anos da cidade do Rio de Janeiro foi comemorado neste domingo no Cristo Redentor, no Morro do Corcovado, com um bolo de 4,44 metros, dividido em três pedaços. A celebração, aos pés do monumento que foi eleito como uma das sete novas maravilhas do mundo num concurso internacional em 2007, teve a bênção do cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eusébio Scheid. Ele abençoou a cidade em diversas línguas e, depois, soltou uma pomba branca. Ao som de músicas como Parabéns pra você e Cidade Maravilhosa, tocadas por uma banda de marchinhas, o primeiro pedaço do bolo foi cortado, pelo cardeal e por representantes da Sociedade de Amigos da Rua da Carioca (Sarca), que organiza a festa há 19 anos.Segundo Roberto Cury, um dos diretores da Sarca, a comemoração sempre foi feita na Rua da Carioca, uma das mais tradicionais do centro da capital fluminense, mas há quatro anos a comemoração é realizada no Cristo Redentor.“Este ano, mais uma vez, fizemos a festa aqui, aos pés do Cristo Redentor, para que abençoe essa cidade e traga um pouco mais de carinho e de amor e para elevar a estima do carioca. O carioca está precisando de um pouco mais de carinho e de amor, para acabar com essa violência que grassa pela nossa cidade”, disse.O prefeito Eduardo Paes não participou da festa de aniversário da cidade, apesar da agenda oficial informar sua presença.

16/11/2008 - 10:56h Ela quer seu voto……de confiança

Nomeada para a Secretaria de Cultura, Jandira Feghali faz planos e reuniões políticas

ENTREVISTA Jandira Feghali

Nas pouco menos de 24 horas que leitores do GLOBO na internet tiveram para enviar perguntas à nova secretária de Cultura do Rio, Jandira Feghali, surgiram cerca de 200. A imensa maioria questionava suas credenciais para a pasta, já que ela é mais conhecida como médica e política atuante na área de saúde. Nesta entrevista, ela defendeu sua experiência no campo da cultura, disse o que a levou a assumir o cargo na prefeitura e adiantou alguns planos, como a criação de um departamento só para divulgar a cultura carioca no exterior e atrair negócios. Falou também sobre teatros, lonas culturais, Riofilme, incremento orçamentário e outros temas, em uma hora e 20 minutos de sabatina, em seu escritório.

Eduardo Fradkin – O GLOBO

http://www.revistafator.com.br/imagens/fotos/jandira_feghali

Qual a sua característica que a habilitou ao cargo de secretária municipal de Cultura, já que a senhora é médica? [Pergunta do leitor Haroldo Barreiros, por e-mail]

JANDIRA FEGHALI: Eu fui deputada estadual, foi meu primeiro mandato, e, quando o Collor acabou com a Embrafilme e com a Lei Sarney, a primeira lei de incentivo do ICMS do Brasil foi minha. Depois, foi copiada no Brasil inteiro. Quando cheguei ao Congresso, meu primeiro projeto não foi na saúde, mas na regionalização da programação cultural artística e jornalística, para colocar a produção independente na TV aberta. Eu fui vice-presidente da Frente de Defesa da Cultura e da Diversidade Cultural, uma comissão mista de Senado e Câmara, fui vice-presidente da Comissão de Direito Autoral, que deu nesta lei de direito autoral que existe hoje e não é perfeita, mas é um avanço em relação às outras. Tenho um projeto de aposentadoria especial para bailarinos, cantores líricos e músicos de orquestra. Ninguém pode dançar 30 anos. No mundo inteiro são 20 anos. Parece que eu caí de pára-quedas aqui só para ter um cargo, e isso não existe na minha história. Fui secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia em Niterói e o que deixei lá? Um centro de audiovisual.

O GLOBO: Muitos de seus eleitores se surpreenderam com sua decisão de participar da gestão Eduardo Paes.

JANDIRA: Eu construí uma linha de trabalho dentro da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estou cedida à universidade para um trabalho de formulação e pesquisa na área de saúde. Tinha tomado a decisão de não participar do governo. Queria ficar quieta um pouco. Mas ele convidou o partido para o governo e ofereceu esta secretaria. Pela abrangência e pelo peso estratégico que ela tem, eu tive que assumir. Mas não havia nada acertado antes.

Qual será sua primeira ação como secretária?
JANDIRA: Criar o segundo tempo da cultura nas escolas. Vamos fazer a integração entre cultura e educação, a inserção de atividades culturais para ampliar o tempo de permanência nas escolas, e, para isso, vamos adaptar a tecnologia à cultura. Por exemplo, a biblioteca vai virar mediateca. Será uma ação da Secretaria de Cultura junto com a de Educação, e a verba virá das duas, até porque a Educação é a prima rica.

A senhora conseguiu do prefeito o compromisso de aumentar a verba para a Cultura?
JANDIRA: O prefeito se comprometeu com isso, porque, sem orçamento, é difícil ampliar equipamentos culturais para o resto da cidade. Hoje, o orçamento é de R$ 78 milhões, o que não representa nem 1% do total da prefeitura. Queremos chegar a pelo menos 3%, que é uma meta bastante viável. O prefeito se comprometeu a dar um grande incremento orçamentário, mas o valor não pode ser determinado ainda. O orçamento de 2009 ainda não foi aprovado na Câmara. Entretanto, não vamos nos limitar ao dinheiro do orçamento municipal. Em dois dias, sensibilizei 16 deputados da bancada do Rio e um senador, e conseguimos R$ 8 milhões em emendas parlamentares do orçamento federal, para 2009. Foi um esforço que fiz em dois dias, falando com um a um ao telefone.

Como será usado o dinheiro dessas emendas?
JANDIRA: Uma delas é para pontos do pólo digital, que são cinemas para serem feitos como cineclubes ou em outros formatos. Botamos R$ 1 milhão nisso. Cada pólo custa R$ 15 mil, então imagine quantos podemos fazer. Quase R$ 2 milhões são para pontos de cultura, que é uma coisa diversificada. Lona cultural é um ponto de cultura, por exemplo. Casa de poesia também é. Pode-se colocar pontos de cultura em associação de moradores, em teatros, em clubes, em fundações de capacitação profissional. Há uma emenda para pontos de leitura, para estimular essa atividade, com contadores de história e agentes de leitura. Outras emendas são para centros de memória comunitária. Na Gamboa, por exemplo, já tem o centro José Bonifácio, mas pode ter outros. O Rio de Janeiro começou nessa região. Pode ter um museu contando essa história.

Durante a campanha para a prefeitura, a senhora criticou a Riofilme, que não tem dinheiro para cumprir as funções de distribuição e produção de filmes. O orçamento dela este ano foi de R$ 460 mil, cinco vezes menos que em 2004. O que fará com a Riofilme?
JANDIRA: Precisamos fortalecer a Riofilme como órgão de co-produção e distribuição de filmes. A Ancine (Agência Nacional de Cinema) hoje tem um fundo de audiovisual que cresceu, e queremos apresentar projetos para esse fundo. Vamos trabalhar com editais, pois não podemos escolher os projetos arbitrariamente, e vamos apresentá-los para buscar recursos.

Além disso, temos que botar dinheiro na Riofilme. Ela precisa de recursos e ter um bom conceito do que fomentar e como distribuir. Minha política é abrir contato com o Pólo Audiovisual, em Jacarepaguá. É um pólo cujo terreno é público, foi feito pela prefeitura na gestão Saturnino e perdeu a vocação. Ali pode ser o maior centro audiovisual do Brasil, de produção e distribuição.

Vai mudar a direção da Riofilme ou de outros órgãos e equipamentos ligados à secretaria?

JANDIRA: Isso não foi discutido ainda. Primeiro, quero conhecer as informações, depois formular projetos e só então vou pensar no arcabouço administrativo e na locação de pessoas.

A senhora também defendeu o hip hop durante a campanha.

JANDIRA: A Casa do Hip Hop na Lapa já é um compromisso que o prefeito assumiu. O Centro de Referência da Capoeira também. A Lapa Legal, um corredor cultural que vai da Cinelândia até o Campo de Santana, precisa de incentivo, de estrutura de esgoto, luz, segurança e estacionamento. Vou conversar com empresários da Lapa sobre isso. O Rio tem que divulgar sua cultura para o mundo. Nossa idéia é fazer com que a cidade se articule melhor internacionalmente, levando a arte brasileira para o exterior, não só a música, que já é bem conhecida, como outras formas também. Minha idéia é criar o Departamento de Relações Internacionais da Secretaria de Cultura.

Qual sua política para a rede municipal de teatros?

JANDIRA: A política é fomentar os teatros orçamentariamente, subsidiar a promoção do ingresso (a R$ 1, aos domingos), fazer editais e abrir para produções novas. Não basta abrigar espetáculos prontos. Temos que ajudar a produzir. Quero manter a promoção para formar platéia, mas temos que dar subsídios aos produtores. Vamos ter que subsidiar muita coisa e, em contrapartida, fazer girar os espetáculos.

O que acha da meia-entrada?
JANDIRA: Eu acho que as carteiras de estudantes têm que ser dadas pelas entidades estudantis reconhecidas, como a UNE e a Ubes, e tem que haver fiscalização para não haver falsificação.

O que fará com a Cidade da Música, cujos gastos de manutenção poderão chegar a R$ 10 milhões por ano?

JANDIRA: Uma das coisas que pedi ao secretário Ricardo Macieira é que não decida sobre a gestão da Cidade da Música, que será inaugurada em dezembro, antes da nossa chegada. Ela será, sim, a sede da OSB. Será, sim, uma casa com uma linguagem sinfônica forte. Mas, na minha opinião, deverá incorporar todas as linguagens musicais e ter aulas em suas várias salas. O problema dela é a governabilidade. Não pode ser apenas com financiamento público. Teremos que buscar dinheiro privado. O comando dela tem que ser público, mas pode ter parcerias privadas ali.

22/09/2008 - 14:28h Rio: Paes sobe quatro pontos e aumenta vantagem sobre Crivella, aponta pesquisa

Eduardo Paes (PMDB) assume a liderança no Rio. Marcelo Crivella (PRB) em segundo
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colaboração para a Folha Online, no Rio

A 9ª pesquisa de intenção de votos feita pelo IBPS (Instituto Brasileiro de Pesquisa Social) na cidade do Rio de Janeiro aponta ampliação da vantagem do candidato a prefeito Eduardo Paes (PMDB) sobre o segundo colocado Marcelo Crivella (PRB). Paes tem 29% da preferência do eleitorado, quatro pontos percentuais a mais que na consulta anterior. Já Crivella soma 17%, dois pontos a menos do que tinha no levantamento divulgado dia 5 de setembro.

Jandira Feghali (PC do B) aparece com 11% das intenções de voto e Fernando Gabeira (PV), com 9% das preferências. Solange Amaral (DEM) caiu um ponto, para 4%; Alessandro Molon (PT) ficou estável em 4%. Chico Alencar (PSOL) perdeu dois pontos e agora tem 2%. Paulo Ramos (PDT) manteve o índice de 1% das preferências.

Votos nulos e brancos somam 7%. Os candidatos Felipe Pereira (PSC), Antonio Carlos (PCO), Eduardo Serra (PCB) e Vinícius Cordeiro (PT do B) não atingiram individualmente 1% das citações.

O instituto mediu ainda a rejeição dos candidatos. Crivella aparece em primeiro lugar, com 29%; seguido de Solange Amaral, com 11%; Gabeira, com 9%; Jandira Feghali, com 5%; Alessandro Molon, com 4%; Eduardo Paes, com 5%; Chico Alencar, com 2%; Paulo Ramos, com 2%; Felipe Pereira, com 2%; e Antonio Carlos, Eduardo Serra e Vinícius Cordeiro, com 1%.

Segundo turno

Na projeção de segundo turno entre Paes e Crivella, o peemedebista teria 55% contra 23% do adversário. Entre Paes e Jandira, segundo o IBPS, o primeiro teria 48%, contra 31% da candidata.

Em outro cenário de segundo turno, Jandira venceria Crivella por 48% a 28%. Já Gabeira teria 40% contra 35% de Crivella. Este último resultado mostra uma inversão de tendência, com a vitória de Gabeira pela primeira vez na série histórica.

Na aferição de voto espontâneo, 46% dos entrevistados responderam que ainda não têm candidato a prefeito para as próximas eleições. Entre os candidatos citados espontaneamente aparecem: Eduardo Paes (18%), Crivella (10%), Jandira (6%), Gabeira (7%), Chico Alencar (2%), Solange Amaral 2%, Alessandro Molon 2%, Paulo Ramos (1%).

Governantes

A 9ª pesquisa do IBPS mostra que o presidente Lula é aprovado (soma dos conceitos “muito bom”e “bom”) por 51% dos cariocas, considerado “regular” por 35% e reprovado (soma dos conceitos “ruim” e “muito ruim”) por 13%.

O governador Sérgio Cabral é aprovado por 31% dos cariocas, considerado “regular” por 44% e reprovado por 21%. O prefeito Cesar Maia é aprovado por 24% dos cariocas, considerado “regular” por 33% e reprovado por 40%.

Do total de entrevistados, 46% disseram que votariam em um candidato apoiado por Lula, outros 20% são indiferentes a esse apoio, enquanto 32% não votariam nesse candidato. Já 37% votariam em um candidato apoiado pelo governador, outros 21% são indiferentes, enquanto 38% não votariam nesse candidato. Há ainda 23% dos entrevistados que votariam em um candidato apoiado pelo prefeito, outros 17% são indiferentes a esse apoio, enquanto 55% não votariam nesse candidato.

Pesquisa

O IBPS ouviu 2.512 eleitores entre os dias 15 e 18 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo. A pesquisa foi registrada na 228ª Zona Eleitoral, sob o número 031/2008.

11/09/2008 - 00:09h Área vizinha a Tupi tem reservas de até 4 bilhões de barris, diz Petrobras

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CIRILO JUNIOR – da Folha Online, no Rio

A Petrobras informou nesta quarta-feira que a área de Iara, no bloco BM-S-11 da camada pré-sal da bacia de Santos, tem entre 3 e 4 bilhões de barris de óleo equivalente –soma de petróleo e gás natural. A área é vizinha ao megacampo de Tupi, e o indício de óleo havia sido comunicado no dia 7 de agosto.

A confirmação da reserva sustenta o grande potencial da camada pré-sal. As reservas de Iara e Tupi, que compõem um único bloco, podem chegar a 12 bilhões de boe (barris de óleo equivalente). As reservas totais provadas no Brasil atualmente, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo), somam 13,9 bilhões de boe.

A Petrobras é a operadora do bloco, com 65% de participação, em parceria com o BG Group (25%) e Galp Energia (10%). Segundo a estatal, a área fica a 230 quilômetros da costa e o óleo foi encontrado a 6.080 metros de profundidade.

O óleo encontrado na região é leve, de boa qualidade, com densidade em torno de 30º API (American Petroleum Institute). Quanto mais alto o grau, mais aproveitável é o óleo –a escala API vai até 50º.

O bloco é composto por duas áreas exploratórias. A maior delas foi informalmente chamada de Tupi, cuja descoberta havia sido anunciada em julho de 2006, mas a estimativa de reservas entre 5 bilhões de boe (barris de óleo equivalente) e 8 bilhões de boe só foi confirmada no final de 2007.

A camada pré-sal se estende por cerca de 800 quilômetros, entre os Estados do Espírito Santo e Santa Catarina, e engloba três bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos). O petróleo encontrado está a profundidades superiores a 5 mil metros, abaixo de uma extensa camada de sal, que segundo geólogos, conservam a qualidade do petróleo.

Estimativas apontam que a camada pode abrigar algo próximo de 100 bilhões de boe em reservas, o que colocaria o Brasil entre os dez maiores produtores do mundo.

Com o anúncio de Iara, já são nove descobertas no pré-sal, entre as quais as áreas de Júpiter, Bem-Te-Vi, Guará e Carioca. A estatal, no entanto, ainda não fez, a exemplo de Tupi, estimativas em torno das reservas de todas estas regiões. A área de Carioca foi alvo de polêmica, após o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, afirmar que as reservas poderiam totalizar 33 bilhões de boe.

22/08/2008 - 12:15h Comissão discute emissão de bônus e capital da Petrobras

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Cláudia Schüffner, do Rio – VALOR

Nas reuniões do comitê interministerial que discute o pré-sal, duas propostas já foram apresentadas para resolver o dilema do financiamento, caso a opção seja manter esse petróleo nas mãos do governo. A Fazenda sugeriu a securitização das reservas por meio da emissão de bônus, o que permitiria ao governo transformar o que ainda são reservas potenciais em dinheiro. Já a Petrobras propõe que as áreas da União no pré-sal já concedido, mas que são extensão dos campos encontrados no pólo de Tupi, sejam integralizadas sob a forma de um aumento de capital do governo na Petrobras. Essa operação – que exclui as áreas não licitadas e que por isso pertencem à União – ainda não tem valor quantificado, mas está na casa de bilhões de dólares.

Nesse modelo a Petrobras aumentaria seu naco sobre essas reservas, assumindo os investimentos na mesma proporção. Ela teria, nesse caso, a companhia dos sócios, seja para os investimentos, seja para os desafios tecnológicos que precisarão ser superados.

A operação defendida pela Petrobras ganha sentido se for confirmada a suspeita de que alguns reservatórios do pré-sal (Bem-te-Vi, Parati, Caramba e Ogum) se estendem até Guará, o mesmo acontecendo entre as áreas de Tupi e Iara. A distância que separa um e outros – todos blocos já concedidos em leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP) – é da União. Se for verdade, será preciso calcular o tamanho da área total dos reservatórios para definir quanto deles está fora da área da concessão e, portanto, ainda pertence à União.

Os concessionários em cada bloco são diferentes e no conjunto da área já licitada, a Petrobras tem maior participação. Mas quem vai responder pelos investimentos que cabem a esse novo “sócio”? Quem vai pagar pela perfuração em áreas da União, necessária para dimensionar as reservas? Um poço nesta área do pré-sal custa na faixa de US$ 150 milhões e talvez sejam necessários 10 novos poços para delimitar os reservatórios. Quem vai “bancar” isso? É essa pergunta que as propostas da Fazenda e da Petrobras tentam resolver.

E o volume de recursos é expressivo, embora ainda não seja possível dimensioná-lo, de fato. O banco UBS estimou, em maio, que serão necessários US$ 600 bilhões para produzir 50 bilhões de barris de petróleo depositados nos campos do pré-sal já descobertos, mencionando especificamente Tupi, Júpiter, Carioca e vizinhos. Se uma parte é do governo federal e se ela não vender essas áreas, terá que providenciar os investimentos. Nesse caso os direitos e obrigações da União terão que ser exercidos por uma entidade governamental.

Ilan Goldfajn, sócio da Ciano Investimentos e ex-diretor do BC, lembra que investimentos da magnitude estimada pelo UBS representam 38% do Produto Interno Bruto (PIB). O atual plano de investimentos da Petrobras para 2008-2012, que está sendo revisado, prevê investimentos de US$ 65 bilhões em exploração e produção nesse período, que representam 4% do PIB.

A ANP já manifestou seu entendimento, amparado pela Lei do Petróleo, de que quando uma jazida se estende para uma área não concedida, pertencente à União – o que parece ser a situação de Tupi, Carioca e adjacências – a área da União pode ser colocada em uma nova licitação. Contudo, se a decisão for não licitar, a agência pode agir como concessionário na negociação de um acordo para a individualização da produção, cabendo ao Executivo resolver a questão de forma definitiva.

Além do desafio financeiro, explorar o pré-sal é uma tarefa que vem se mostrando cheia de outros desafios. A estrutura dos reservatórios é diferente, a quantidade de gás carbônico não é desprezível e será necessário arrumar um local para despejar esse gás, já que a queima em volumes tão grandes é impensável. No início a Petrobras vai reinjetar o gás, mas já procura cavernas submarinas que sirvam de depósito. Isso para não se mencionar os caríssimos equipamentos que terão que ser feitos com material de alta resistência como aços especiais de liga de cromo e níquel (os superduplex), desenvolvidos para suportar a pressão e evitar a corrosão do gás.

A avaliação de um técnico do governo é de que as duas propostas – a da Fazenda e a da Petrobras – podem não prosperar devido ao elevado grau de incerteza que ainda paira sobre o tamanho das reservas, a produtividade dos reservatórios carbonáticos encontrados no pré-sal (que têm um comportamento diferente de tudo que é conhecido no Brasil até agora), e sobre os custos de exploração. Essas incertezas fariam com que esse petróleo fosse avaliado muito por baixo, o que contraria a intenção do governo de ter receitas bilionárias. O experiente analista de um grande banco também vê problemas com a Lei das S/A já que os campos do pré-sal não são, ainda, ativos com valor patrimonial e econômico claros.

“Quem pode dizer hoje quanto valem esses ativos?”, pergunta o analista. Uma fonte familiarizada com o tema diz que existem no mundo dezenas de transações feitas com reservas possíveis nesse estágio de desenvolvimento. “Isso é parte do dia-a-dia da indústria de petróleo. Não estamos falando de jabuticabas”, resume.

Outra proposta que já foi colocada na mesa para essa área da União que se estende entre os blocos já licitados, envolve a adoção de um modelo de partilha de produção já para estas reservas. A dúvida é se alguma empresa aceitaria arcar com os investimentos sob um regime de partilha, diferente das parceiras, que explorariam a área comum sobre o regime de concessão. A proposta da Petrobras mostra que a companhia tem confiança de conseguir tocar esse desafio.

Por outro lado, no governo há quem defenda que os investimentos que cabem à União podem perfeitamente ser assumidos pelos demais sócios que iriam então “carregar” o governo federal como se diz na linguagem petroleira. Mas isso teria que ser negociado no gigantesco acordo de unitização (exploração negociada de uma reserva comum) que está por vir. E exigiria uma agência reguladora forte. O contrato assinado pelas empresas que participaram da 2ª Rodada de Licitações em 2000, quando Tupi e seus vizinhos foram leiloados, é específico ao dizer que a ANP agirá como concessionário para celebração de um contrato de individualização da produção das áreas.

Hoje, a própria ANP pode ditar o ritmo da produção e já sinalizou que não vai autorizar a extração de nenhuma gota de petróleo em Tupi antes que o acordo seja assinado. Isso significa que ele terá que ser negociado pelas oito empresas e a União até dezembro do próximo ano, data estimada para a entrada do piloto de Tupi, que deve produzir 100 mil barris por dia.

22/08/2008 - 12:02h Mudanças na regulação provocam “racha” na Petrobras

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ROBERTO MACHADO – FOLHA SP

DA SUCURSAL DO RIO

A discussão sobre modelos para a exploração das áreas do chamado pré-sal foram recebidas com extrema preocupação pela Petrobras -no âmbito da direção da empresa e no influente corpo técnico-gerencial. Na escala dos temores, a criação de estatal exclusivamente para gerenciar as áreas do pré-sal nem é o ponto máximo de tensão -ainda que a proposta não conte com simpatia.

A maior fonte de preocupação são as mudanças no chamado marco regulatório. Mesmo com a presença de diversos quadros com origem no PT e no movimento sindical -em tese afinados com um discurso estatizante e nacionalista-, boa parte da alta administração da Petrobras reconhece a importância dos investimentos do setor privado no desenvolvimento das atividades de exploração de petróleo no país.

Além disso, por mais que o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, reafirme que não haverá mudanças em áreas já licitadas, concedidas à Petrobras e a operadoras privadas, há “zonas cinzentas”. Afirmar o direito às áreas já licitadas tem sido recorrente nas intervenções do presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, junto a ministérios e ao presidente.

É exemplo o campo Carioca -ou “Pão de Açúcar”-, a oeste do campo de Tupi, na bacia de Santos. Trata-se de uma área já licitada, em que a Petrobras tem 45% da concessão, ao lado do grupo britânico BG (30%) e do espanhol Repsol YPF (25%).

Em abril, o diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, chegou a afirmar que o Carioca teria reservas de 33 bilhões de barris de petróleo- informações não confirmadas pela Petrobras.

Estudos até aqui apontam para a existência de um campo promissor ao lado do Carioca, numa área que ainda não foi licitada -portanto de propriedade da União, representada pela ANP. Não está descartada a hipótese de a região constituir um único reservatório.

No caso de a área da União ser mais extensa do que as do setor privado e da Petrobras, caberia à ANP determinar quem será o operador do campo. Ou seja, mesmo em áreas já licitadas, ainda há muitas definições a serem feitas. A entrada em cena de uma nova estatal para o setor adicionaria novos elementos ao imbróglio.

A hipótese de unificar as áreas do pré-sal num único reservatório gigante (unitização, no jargão técnico) vai exigir um amplo entendimento entre todos os agentes envolvidos -governo federal, ANP, Petrobras e operadoras privadas.

Ainda que a atual direção da Petrobras tenha posição “amistosa” em relação às companhias privadas (muitas delas parceiras da estatal em áreas já licitadas do pré-sal), a iniciativa do governo Lula de redefinir o marco regulatório deu ânimo às correntes “nacionalistas”.

Parte do quadro técnico e gerencial da Petrobras faz críticas à Lei do Petróleo (9.478/97), que quebrou o monopólio e abriu o mercado brasileiro. Na diretoria da Petrobras, o geólogo Guilherme Estrella, responsável pela área de exploração e produção e um dos nomes mais respeitados internamente, é identificado com a posição.

A FUP (Federação Única dos Petroleiros), que reúne os sindicatos dos trabalhadores, pretende pôr em marcha, na semana que vem, uma espécie de campanha em favor da restituição do monopólio da Petrobras na exploração do pré-sal.

“Com a atual legislação, o interesse nacional está fragilizado. O sistema de concessões é antiquado e entregará o pré-sal para as empresas estrangeiras”, afirma João Moraes, presidente da FUP.

20/08/2008 - 10:02h A ofensiva da Petrobras

Estatal quer garantir exploração de megacampos já descobertos como contrapartida à ‘Petro-sal’

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Gustavo Paul – O Globo

BRASÍLIA

A Petrobras não se importa com a criação de uma nova estatal para cuidar da área do pré-sal ao longo da costa brasileira, desde que a União lhe garanta o direito de exploração dos nove megacampos já descobertos, previstos em contrato, e das áreas a eles contíguas. Só estas reservas são estimadas entre 50 bilhões e 70 bilhões de barris, segundo avaliações do mercado — cinco vezes o montante já provado no país. Para isso, a empresa vai sugerir ao governo que as áreas do cluster (complexo) da Bacia de Santos — onde se localizam os campos de Tupi, Júpiter, Caramba, Carioca e outros — sejam unificadas.

Para viabilizar essa unificação de áreas (chamada tecnicamente de unitização), a Petrobras está sugerindo que seja feito um aumento de capital da petrolífera de cerca de US$ 100 bilhões. Essa operação teria várias implicações. Por um lado, garantiria parte do financiamento dos investimentos para a exploração das áreas.

Estima-se que a exploração do cluster custaria um total de US$ 600 bilhões nos 30 anos de concessão. De outro, aumentaria a remuneração da União, que é controladora da empresa e dona das áreas contíguas ainda não licitadas.

Isso aconteceria porque o aumento de capital elevaria a participação da União na Petrobras de 40% para cerca de 60% das ações.

— A Petrobras está preocupada em viabilizar o projeto do pré-sal, algo já tão grande que não existe paralelo no mundo. A empresa quer garantir a geração de recursos para essa exploração — afirma uma fonte ligada diretamente às negociações.

Sócios privados teriam menos poder

Além de preservar mais receita para a União, a medida teria um efeito político: reduziria a influência dos sócios privados na empresa. A proposta não ainda foi apresentada à comissão interministerial que analisa a nova política do petróleo, mas já chegou aos ouvidos de seus membros.

A nova estatal, apelidada de Petrosal, seria criada para coordenar a produção do restante da área do présal, que vai do litoral do Espírito Santo até Santa Catarina. Segundo estimativas ainda não confirmadas, a área toda teria potencial de reserva de até 300 bilhões de barris de petróleo.

A unitização dos poços é uma possibilidade prevista na legislação brasileira e se aplica a campos em que os reservatórios se intercomunicam. No caso, as concessionárias fazem um acordo de quanto vão deter de petróleo, para evitar que um campo “chupe” o petróleo do vizinho. Segundo analistas que tiveram acesso à proposta da Petrobras, esta representaria um jogo de ganha-ganha para o governo, a estatal e seus sócios.

O valor do aporte será calculado de acordo com as estimativas de reservas existentes, multiplicadas pelo valor de produção do barril do petróleo. A União integralizaria 40% do aporte de US$ 100 bilhões, correspondentes a sua participação no capital da empresa.

Os outros 60%, por imposição da lei, seriam oferecidos a acionistas minoritários. A expectativa, porém, é que os minoritários só consigam comprar até US$ 20 bilhões em ações.

Maior capacidade de investimento

A União, então, ficaria com o restante, aportando, no total, US$ 80 bilhões e elevando a participação governamental na estatal para 60% do capital total. Esse aporte não significaria a injeção de recursos propriamente ditos. Segundo um dos estrategistas, seria a troca de ações por barris. O governo pagará esse valor com os dividendos que irá receber ao longo dos anos com o pré-sal. Com isso, a Petrobras deixaria de repassar recursos para o governo durante um certo tempo, o que aumentaria sua capacidade de investimento.

De acordo com observadores, a principal vantagem dessa proposta é dar à Petrobras tranqüilidade para tocar a exploração nas áreas das quais já é operadora. O temor da empresa é que a discussão sobre a nova estatal atrase a exploração das áreas. Caso do recém-anunciado campo de Iara. Por outro lado, se a nova estatal for criada imediatamente, avalia-se que haverá dificuldades em promover a unitização dos campos do pré-sal já descobertos. A empresa corre contra o tempo, pois tem até 2010 para declarar a comercialidade dos poços.

Por beneficiar diretamente a Petrobras, a proposta deverá sofrer bombardeios políticos, avalia um ex-diretor da empresa. Políticos que participaram de reunião do Conselho Político ontem disseram que Lula explicou que o governo está trabalhando num novo marco regulatório para o pré-sal, mas que não citou especificamente a criação de uma empresa para isso.

— O presidente disse que está estudando meios para fazer com que os royalties cheguem aos outros estados — disse o líder do PTB, Jovair Arantes (GO).

13/08/2008 - 11:41h Petróleo não pode ficar na mão de meia dúzia, diz Lula

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Presidente defende mudança em lei e que lucros com pré-sal sejam usados na educação

“Esse patrimônio que está a 6.000 m de profundidade é de 190 milhões de brasileiros, precisamos utilizá-lo para fazer reparação aos pobres”

 

ANTÔNIO GOIS – FOLHA SP

DA SUCURSAL DO RIO

Com discurso em tom nacionalista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem alterações na Lei do Petróleo e afirmou, em evento da UNE (União Nacional dos Estudantes) no Rio, querer que os lucros com a exploração do produto nas reservas recém-descobertas na camada pré-sal, na bacia de Santos, sejam usados para “resolver definitivamente os problemas da educação” e que não fiquem “na mão de meia dúzia de empresas”.
Ao citar que a UNE participou da campanha que levou à criação da Petrobras -pouco depois de o governador José Serra, também presente à cerimônia, ter mencionado o fato em seu discurso-, Lula pediu apoio da entidade na discussão sobre a lei do petróleo.
“Esse patrimônio que está a 6.000 metros de profundidade é da União, de 190 milhões de brasileiros. Precisamos utilizá-lo para fazer reparação aos pobres deste país”, disse.
O presidente não entrou em detalhes sobre como isso será feito e não deu entrevistas após a solenidade. Apenas defendeu, em seu discurso, que uma parte dos recursos arrecadados seja destinada à educação.
“Precisamos que a lei destine parte desses recursos para resolver definitivamente o problema da educação neste país, para que possamos resolver o problema de milhões de pobres que estão aí, e não deixar na mão de meia dúzia de empresas que acham que o petróleo é delas e vão apenas comercializá-lo.” Segundo Lula, as recentes descobertas de petróleo na camada pré-sal farão com que o país não apenas assegure sua auto-suficiência no produto como transformarão o Brasil em exportador.
“Mas não queremos exportar petróleo cru. Queremos exportar material com valor agregado. Por isso vamos fazer duas grandes refinarias, uma de 600 mil barris/dia e outra de 300 mil barris/dia, para que a gente possa exportar gasolina premium e diesel de qualidade.”
Em julho, o presidente assinou portaria criando uma comissão interministerial com o prazo de 60 dias -que acaba no mês que vem- para propor sugestões para um novo marco regulatório para a prospecção e a produção de petróleo em campos na região do pré-sal.
O governo ainda debate sobre o que fazer com os recursos que virão dessas novas áreas de exploração. Uma das propostas em debate é a criação de uma empresa, 100% estatal, para gerenciar a exploração do produto na área do pré-sal, idéia que não é unânime entre especialistas e congressistas.

Lobão
O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) avaliou que as declarações dadas por Lula fortalecem a tese de criação de uma nova estatal para administrar a exploração no pré-sal.
“Ele está dizendo a mesma coisa que eu tenho dito. Acredito que sim [fortalece a idéia da nova estatal]. E, pelo que soube, o vice-presidente [José Alencar] pensa do mesmo modo.”
O primeiro megacampo de petróleo na camada pré-sal foi anunciado pela Petrobras em 2006. Desde então, foram identificados três campos: Tupi, Júpiter e Carioca. A capacidade deles ainda não foi confirmada, mas há quem estime que elas possam chegar a 338 bilhões de barris de petróleo -hoje, o Brasil tem hoje reservas provadas de 13,9 bilhões de barris.
Colaborou a Folha Online

19/05/2008 - 14:44h Petrobras supera Microsoft e se torna 3ª maior das Américas em valor de mercado

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da Folha Online

A Petrobras passou a gigante da tecnologia Microsoft e se tornou a terceira maior empresa das Américas em valor de mercado (cotação das ações da companhia), estimada em US$ 287,17 bilhões (cerca de R$ 473,26 bilhões), segundo balanço da Economática que leva em conta números colhidos até 16 de maio.

À frente da petrolífera brasileira estão apenas a Exxon Mobil, que vale US$ 489,64 bilhões (R$ 806,92 bilhões), e a General Electric, estimada em US$ 320,25 bilhões (R$ 527,77 bilhões). A Microsoft, que até pouco tempo era a terceira maior empresas do continente americano, está na quarta posição em valor de mercado, estimada em US$ 279,3 bilhões (cerca de R$ 460,29 bilhões).

Entre as dez maiores (confira lista abaixo), outra brasileira aparece na lista, a mineradora Vale, com valor de US$ 196,49 bilhões (cerca de R$ 323,81 bilhões). Se considerado o ranking com as 50 maiores empresas, o Bradesco fica na 43ª posição, valendo US$ 67,247 bilhões (R$ 110,82 bilhões).

O valor de mercado da Petrobras, empresa que tem puxado as altas recordes da Bolsa de Valores de São Paulo, mais do que dobrou nos últimos 12 meses. A descoberta dos novos campos de petróleo e a alta do preço do barril ajudou na disparada.

Anunciado em outubro do ano passado, o campo de Tupi, na Bacia de Santos, pode ampliar as reservas brasileiras de petróleo em 60%. Outro campo, o Carioca, teria reservas estimadas em 33 bilhões de barris. Seria a maior descoberta feita no mundo nos últimos 30 anos e seria também o terceiro maior campo do mundo na atualidade.

Além disso, a menor valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período em 2007, gerou impacto positivo de R$ 1 bilhão nas despesas financeiras líquidas da Petrobras, contribuindo para reduzir os efeitos do câmbio sobre os resultados da companhia.

O lucro da Petrobras no primeiro trimestre atingiu R$ 6,925 bilhões, com alta de 68% sobre o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou bem acima do esperado pelos analistas de mercado. Segundo a corretora Brascan, a expectativa era de lucro de R$ 5,589 bilhões. Trata-se do maior lucro trimestral da estatal petrolífera desde o segundo trimestre de 2006, quando obteve lucro de R$ 7,099 bilhões.

Confira a lista das dez maiores empresas das Américas:

1. Exxon Mobil – US$ 489,640 bilhões
2. General Electric – US$ 320,253 bilhões
3. Petrobras – US$ 287,171 bilhões
4. Microsoft Corp – US$ 279.306 bilhões
5. AT&T Telecomunicações – US$ 238.056 bilhões
6. Wal Mart Stores – US$ 225.562 bilhões
7. Chevron Texaco – US$ 207.625 bilhões
8. Procter & Gamble – US$ 203.787 bilhões
9. Vale R Doce – US$ 196.495 bilhões
10. Berkshire Hathaway – US$ 189.580 bilhões

20/04/2008 - 11:16h Oposição teme uso político do pré-sal e defende Lei do Petróleo

DA SUCURSAL DO RIO – Folha de São Paulo

Congressistas de oposição temem o uso político das recentes descobertas do pré-sal e prometem iniciar uma espécie de campanha em defesa da Lei do Petróleo, promulgada em agosto de 1997.
Na semana passada, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, defendeu uma revisão das leis que regulamentam a atividade. Após a descoberta do campo de Tupi, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, já havia defendido mudanças no marco regulatório.
“Não queremos que mudem a lei e vamos defendê-la no Congresso e na sociedade. A participação do setor privado e o estabelecimento de regras do mercado permitiram o incrível dinamismo dos últimos dez anos. A Lei do Petróleo teve efeitos extremamente positivos para a economia brasileira”, diz o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES), da Comissão de Minas e Energia da Câmara.
Lucas diz que a oposição vai aproveitar audiências públicas com o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima, e o ministro Lobão para “levantar a bola” da lei.
Na semana passada, a declaração de Lima de que uma das novas áreas do pré-sal (o campo Carioca) teria reservas de 33 bilhões de barris fez as ações de Petrobras, BG e Repsol-YPF dispararem nas Bolsas.
Para o economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, as declarações foram uma “trapalhada” e revelam o uso político das agências reguladoras no governo Lula: “É um enorme retrocesso. O bom regulador é um mau político, e vice-versa. O regulador é discreto por natureza e o político vive à luz dos holofotes”.

20/04/2008 - 11:11h Petróleo e gás terão investimentos de ao menos US$ 72 bi

Cifra é considerada pelo setor um piso dos recursos destinados à exploração e à produção e não inclui descobertas no pré-sal

Estimativa é que só o campo de Tupi consumirá investimentos de US$ 50 bi, ou o equivalente a 17% do orçamento do PAC

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PEDRO SOARES – ROBERTO MACHADO – Folha de São Paulo

DA SUCURSAL DO RIO

O Brasil receberá investimentos de US$ 72 bilhões em exploração e produção de petróleo e gás de 2008 a 2012, estima o IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo). A cifra corresponde a 4,6% do PIB de 2007, mas é apenas o piso previsto pelo setor. É que, após a descoberta de novas reservas na camada pré-sal, o país deverá atrair uma onda de recursos sem precedentes para a atividade.
Nessa conta de US$ 72 bilhões não entram os recursos que serão destinados à exploração do pré-sal. Apenas o campo de Tupi consumirá investimentos de US$ 50 bilhões (o equivalente a R$ 83 bilhões) em dez anos, segundo previsão do secretário-executivo do IBP, Álvaro Teixeira. Trata-se da primeira reserva delimitada do pré-sal, com reservas de 5 bilhões a 8 bilhões de barris e que, sozinha, contará com recursos equivalentes a 16,5% do orçamento total do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) -R$ 504 bilhões.
O cálculo considera a necessidade de 9 a 10 plataformas para explorar a megarreserva. E não inclui outros campos tão promissores quanto Tupi, como os de Júpiter e Carioca. O último causou controvérsia na semana passada com a declaração do diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, de que teria reservas de 33 bilhões de barris -a Petrobras não confirmou.
Nas outras descobertas do pré-sal, a Petrobras ainda faz testes para dimensionar o volume dos reservatórios, o que inviabiliza estimativas de investimentos. Mas, mesmo antes de a “nova fronteira” ter sido anunciada, o país já vivia um boom de investimentos em petróleo.
O levantamento do IBP mostra que há hoje 304 mil km2 sob concessão para atividades de exploração e produção -em terra e no mar. É o equivalente a dois Estados do Ceará, que possui área de 148,8 mil km2.
Do investimento total previsto pelo IBP antes do advento do pré-sal, US$ 54,5 bilhões serão alocados pela Petrobras, e os US$ 17,5 bilhões restantes, pelas demais empresas do setor -a maior parte dos recursos privados virá de empresas estrangeiras.
Ao todo, o setor de petróleo investirá US$ 128 bilhões, sendo US$ 97,4 bilhões da estatal e US$ 30,6 bilhões de outras empresas. A cifra inclui outros elos da cadeia: refino, dutos, terminais, petroquímica básica e distribuição.
“O que estimamos [para exploração e produção] é um piso. O pré-sal representa mudança brutal de contexto, que alterará radicalmente o perfil de investimentos do setor”, disse Felipe Dias, gerente de Economia e Política Energética do IBP.
Segundo o executivo, os custos são mais altos, e a tecnologia necessária à exploração é diferente e inovadora, o que dificulta quantificar o volume de investimentos necessários.

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Até agora, a Petrobras já investiu US$ 1,5 bilhão na prospecção nessa nova e promissora província petrolífera. A estatal perfurou 15 poços no pré-sal. Em todos, achou petróleo ou gás -o que indica um risco exploratório nulo.
Tais resultados despertaram o interesse das petrolíferas que atuam no país. Além de parceiras em descobertas do pré-sal, como a BG (Reino Unido) e Galp (Portugal) na bacia de Santos, várias empresas informaram à Folha a disposição em prospectar petróleo e gás na área.
Sozinhas ou em parceria com a Petrobras, Repsol (Espanha), Shell (Reino Unido-Holanda), Anadarko (Estados Unidos) e Partex (Portugal) disseram que estudam investir em exploração na camada pré-sal.
“Recebemos uma sonda capaz de atingir 10 mil metros e vamos perfurar no pré-sal em um bloco na bacia de Campos”, diz Claudio Araújo, presidente da Anadarko no Brasil.
A Partex perfurará, em parceria com Shell e Petrobras, dois poços num bloco (BM-S-10) da bacia de Santos, próximo às novas descobertas. Cada um custará US$ 70 milhões.
A favor, encontram o atual preço do petróleo. Com o barril acima de US$ 110, muitos projetos, que antes não eram rentáveis, passam a ser viáveis.

Em curso

Se o pré-sal aponta para um futuro promissor dos investimentos em exploração e produção, a realidade atual não é nada desprezível: só até 2011, a Petrobras gastará, ao menos, R$ 6,55 bilhões para colocar oito plataformas em operação, sem contar uma unidade não licitada ainda e outra a ser alugada. Juntas, terão capacidade para extrair 1 milhão de barris/dia de óleo e 35 milhões de metros cúbicos de gás.
Neste ano, começará a produzir a P-51, no Marlim Sul (bacia de Campos), cujo custo total ficou em R$ 2,3 bilhões. Também entrará em operação no campo de Marlim Leste a P-53, que será arrendada. Em janeiro de 2009, será a vez da PMXL, no campo de Mexilhão (bacia de Santos), a primeira focada na produção de gás.
Esses recursos destinados à exploração e à produção de petróleo e gás natural são a base de uma cadeia produtiva que multiplica investimentos.
Segundo estudo realizado por economistas do BNDES, os investimentos da indústria do petróleo como um todo atingirão R$ 202,8 bilhões nos próximos quatro anos. Será um crescimento de 10% em relação ao período que vai de 2003 a 2006.

20/04/2008 - 08:00h Tupi entra em operação só em 2012. Com tecnologia-modelo para pré-sal

Projeto-piloto deve começar em 2010 e vai definir como será a extração do combustível em águas ultraprofundas

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Irany Tereza – O Estado de São Paulo

A Petrobrás fará, no início de 2009, o teste de longa duração que determinará o volume exato das reservas do campo de Tupi, a primeira grande descoberta em águas ultraprofundas da Bacia de Santos. Será esse o campo – com estimativa inicial de conter entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo – que vai definir a tecnologia adotada na produção em toda a chamada camada de pré-sal, revela uma fonte da estatal. Mas o projeto-piloto somente entrará em operação em 2010 e a produção plena, em 2012, na melhor das hipóteses.

Na semana passada, declarações do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, sobre a possibilidade de uma nova província petrolífera na Bacia de Santos (área conhecida como Pão de Açúcar/Carioca) conter volume de petróleo cinco vezes superior à de Tupi levaram rebuliço ao mercado.

De acordo com a fonte da estatal, não há como afirmar ainda com precisão a existência de jazidas dessa magnitude. Mas confirma que a animação entre a equipe é muito grande pelo fato de todos os sete poços perfurados na região, em cinco diferentes blocos, terem detectado a existência de óleo.

O inusitado índice de sucesso na perfuração já levanta entre as empresas responsáveis pela operação dos poços a suspeita de que toda a região forme um único campo. A Lei do Petróleo prevê casos assim e determina que seja promovida a unitização de blocos.

“Essa é uma possibilidade”, admite o geólogo John Forman, ex-diretor da ANP, hoje dono da J. Forman Consultoria. “É extremamente difícil tantos poços pioneiros terem resultado positivo desse jeito. Não há a menor dúvida de que aquela é uma área de grande potencial. Mas ainda teremos de esperar um ano para a declaração de comercialidade de Tupi.”

Ele explica que a unitização de blocos servidos por uma mesma jazida é obrigatória e tem como objetivo garantir o melhor aproveitamento do campo. E cita uma imagem figurada de uma jarra de água com canudos para três diferentes consumidores. Se não houver definição antecipada do volume que caberá a cada um, todos sugarão o mais rapidamente possível, para ficar com a maior parte, o que levará ao esgotamento da reserva antes do tempo.

A Petrobrás ainda precisará de dois a três meses para anunciar as primeiras estimativas sobre blocos na área Carioca/Pão de Açúcar, informou na semana passada o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli.

O presidente da Petrobrás não confirmou a expectativa de 33 bilhões de barris anunciada por Lima, em seminário do qual participou segunda-feira, no Rio. Lima revelou o número espontaneamente, durante uma palestra sobre as potencialidades brasileiras.

A revelação fez com que as ações da Petrobrás disparassem no Brasil e em Nova York, e movimentou as cotações das empresas estrangeiras que operam naquela região, em parceria com a estatal.

NÚMEROS OFICIOSOS

Lima teve de se explicar na Comissão de Infra-Estrutura do Senado e atribuiu a informação a dados coletados em noticiário especializado. No dia da palestra, porém, havia explicado que eram “números oficiosos, com base em dados preliminares das empresas”. Depois dos esclarecimentos no Senado, Lima não concedeu mais nenhuma entrevista.

Gabrielli se recusa a comentar as declarações de Lima. “Não vou falar sobre isso”, disse, quinta-feira, e destacou que qualquer divulgação sobre as reservas dos blocos de Santos tem de ser feita “com prudência e de forma responsável”.

Os blocos que estão sendo explorados em Santos abaixo da camada de sal são concessões adquiridas em 2000 e 2001 em leilões da ANP. O mapeamento dessas áreas, consideradas novas fronteiras exploratórias, está sendo feito desde 2004. Mas a Petrobrás e as companhias estrangeiras – entre elas, BG, Galp, Amerada Hess, Exxon – não têm certeza sobre a viabilidade de produção, por causa do alto custo.

No Golfo do México já há produção de petróleo em pré-sal, mas a profundidade não ultrapassa 5 mil metros. Aqui, esses campos terão de produzir a 7 mil metros de profundidade, em média. Somente na fase de exploração foram gastos US$ 420 milhões na perfuração dos sete poços.

18/04/2008 - 08:19h Brasil é superpotência, agora com petróleo, diz “Economist”

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da BBC Brasil – Folha Online

A revista semanal britânica “The Economist” afirmou em artigo publicado nesta quinta-feira que o Brasil é uma “superpotência econômica” e que possivelmente o país pode virar uma potência de petróleo.

No editorial intitulado “Uma superpotência econômica, e agora com petróleo também”, a revista afirma que “há motivos para se acreditar que a potência econômica da América do Sul de 190 milhões de habitantes está começando a fazer a diferença no mundo”.

A revista diz que a comparação do crescimento do Brasil com a forte expansão chinesa é “enganosa”, já que a China é um país mais pobre. “É muito mais difícil para um país de média renda, como o Brasil, crescer neste ritmo”, diz a revista.

Além do editorial, o Brasil também é destaque em outros dois artigos da edição desta semana da revista. No texto “Os prazeres do tédio”, a revista diz que o Brasil cuidou dos três maiores problemas que causaram a crise dos anos 1980: inflação, dívida e democracia.

Já no artigo intitulado “Mais recompensa”, a revista diz que as informações de que o Brasil teria descoberto mais petróleo devem gerar grande alegria no governo.

No entanto, a revista alerta que a possível “receita extra [do petróleo] pode acentuar ainda mais as fraquezas da economia brasileira –que inclui um real forte e um setor público superestimado”.

Na segunda-feira, no Rio, o diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, afirmou que o bloco Carioca (BM-S-9), localizado na Bacia de Santos, seria cinco vezes maior que o megacampo de Tupi, com reservas em torno de 33 bilhões de boe (barris de óleo equivalente). Isso tornaria o Carioca o terceiro maior campo de petróleo do mundo.

Em janeiro, a Petrobras comunicou a descoberta do campo de Júpiter, próximo à área de Tupi, na Bacia de Santos. À época, o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, sinalizou que ele poderia tornar o Brasil auto-suficiente na produção de gás natural. A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria da Graça Foster, afirmou que o Brasil poderia até mesmo se tornar um exportador.

18/04/2008 - 05:40h Novas jazidas vão modificar regulamentação do petróleo

Daniel Rittner, Cláudia Safatle, Cláudia Schüffner e Samantha Maia – VALOR

A descoberta de reservas gigantes de petróleo na camada pré-sal da costa brasileira fará o governo mudar, no mínimo, a tributação do setor. Mas, dentro e fora do governo, já ocorre um debate muito mais amplo, sobre a alteração ou não do modelo de exploração dessas reservas – o que traz dúvidas sobre a extensão das mudanças e seus impactos para investidores e para a própria Petrobras.

Se a mudança for apenas para permitir maior participação do país no lucro da indústria, ela poderá ser feita por meio de mudanças na alíquota da Participação Especial (PE), o que não exige alterar a Lei do Petróleo (9.478/97). Porém, mudanças mais profundas, que envolvam nova repartição e alteração na alíquota dos royalties ou mesmo novo modelo de exploração, teriam de ser levadas ao Congresso. Se isso acontecer, a discussão pode levar anos.

No governo, não há pressa em concluir os estudos, mas por avaliações preliminares a forma mais rápida e viável de mudança é preservar o modelo atual, de contratos de concessão, e, por decreto presidencial, aumentar as participações especiais (tributo que varia de 10% a 40% e é cobrado só de campos com alta produtividade). A cobrança justificaria-se por ter-se reduzido muito o risco de exploração no país.

Associadas à concepção do menor risco aparecem as propostas de partilha da produção. Nesse regime, as empresas que exploram petróleo entregam quantidades volumosas – às vezes mais de 80% – da produção a uma estatal. Nos países que o adotam, a estatal não tem ações em bolsa. Por isso, começam a surgir defensores de uma nova empresa pública do setor, que faria a gestão do modelo, sem furar poços. Na Petrobras, uma ala tem defendido o fechamento das áreas do pré-sal ainda sem concessão para investidores estrangeiros.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, reagiu com perplexidade à pergunta sobre a possibilidade de o governo criar uma nova empresa petrolífera: “Nunca escutei uma história dessa!”

A discussão da partilha dos royalties – hoje concentrados no Rio de Janeiro – está mais avançada. “O petróleo não pertence a A, B ou C”, disse o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, ao Valor, admitindo uma revisão dos critérios em vigor.

17/04/2008 - 10:04h Eldorado negro

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Faz mais de 25 anos que a Petrobras desenvolve tecnologia para exploração de petróleo em águas profundas. Esse esforço foi ampliando a capacidade da empresa para o grande salto exigido para extração do ouro preto na camada do pré-sal.

A existência de reservas importantes na bacia de Santos já tinham sido anunciada em 1999, mas só agora com a descoberta e confirmação de Tupi, Jupiter e Carioca começa a aparecer a real dimensão do que se encontra por lá.

Premonitório, o presidente da Petrobras na época, Philippe Reischtul, já antevia em 1999 que os avanços da Petrobras em exploração em profundidade, e as primeiras avaliações sobre a bacia de Santos, tinham um potencial extraordinário.

O que temos hoje é um salto qualitativo nesta avaliação, combinado com possibilidades tecnológicas para atacar a exploração em tais profundezas. Mas fundamentalmente temos um governo comprometido com os interesses nacionais e com o objetivo de fazer do Brasil um país de todos. Se isto significa alguma coisa é a necessidade de reafirmar o lugar do Estado brasileiro na definição dos rumos da Petrobras nesta nova era do petróleo brasileiro e que uma parte considerável deste maná energético alavanque o combate a desigualdade social. Não só hoje, mas fundamentalmente nas próximas décadas.

Luis Favre

16/04/2008 - 15:36h Oil and Brazil: What lies beneath

From Economist.com

Is there really an ocean of oil off Brazil?

Shutterstock

JUST how much oil is there off the coast of Brazil? Until recently, Brazil’s oil reserves were thought to be relatively modest: about 12 billion barrels at the beginning of 2007, according to BP, or about 1% of the world’s total. But last year, Petrobras, Brazil’s partly state-owned oil firm, announced the world’s biggest oil discovery since 2000: the Tupi field, which it hopes will produce between 5 billion and 8 billion barrels. Now the head of Brazil’s National Petroleum Agency (ANP) says another nearby discovery might hold as much as 33 billion barrels, which would make it the third-largest field ever found. That alone would be enough to raise Brazil to eighth position in the global oil rankings—and there is talk of further big discoveries. But the peculiar way in which the information came to light is casting doubt on its significance.

The ANP, which regulates the oil industry in Brazil, was quick to distance itself from the remarks of its boss, Haroldo Lima. His comments were of a personal nature, it said, and were based on past reports in the media. It helpfully cited an article from a magazine, World Oil, that had mentioned the magic figure of 33 billion barrels in February. Petrobras and its partners in the field, BG of Britain and Repsol-YPF of Spain, said that they had not yet done enough tests to determine exactly how much oil it contained.

But no one dismissed the estimate as preposterous. That, plus the fact that a senior official had given any credence to such a dramatic number, caused the share prices of the three firms to jump, despite the fact that Mr Lima claims he does not even know where the stockmarket is, and certainly did not intend to influence it. At one point Repsol’s was up by 14%. The shares of Hess, an American firm which is part of a consortium looking for oil nearby, posted their biggest gain since 1981.

Both Tupi and the field mentioned by Mr Lima, Carioca-Sugar Loaf, lie far below the seabed, beneath a thick layer of salt that is some 800km long and 200km wide. José Sérgio Gabrielli, Petrobras’s boss, has hinted that there are vast reserves of oil to be found in this “pre-salt” formation. At any rate, Petrobras has struck oil every time it has drilled there. It is currently assessing the reserves of yet another nearby discovery, Jupiter, which appears to be very similar in scale to Tupi. The firm’s head of exploration says “there is practically no exploratory risk” in the area. While this does not necessarily transform Brazil into an oil power on a par with Venezuela or Saudi Arabia, as Dilma Rousseff, the chairman of Petrobras’s board and chief of staff to Brazil’s president, has excitedly proclaimed, it suggests that the volumes of oil involved are very big.

Nonetheless, the immediate impact of the “pre-salt” discoveries will be small. It will be several years at least before any of the new oil comes to market. What is more, it will be expensive to produce. The fields are all far out at sea, deep under ground that is itself far below sea level. Simply drilling the first test well at Tupi cost $240m, and costs are likely to rise, thanks to fierce inflation throughout the oil industry. As if to underscore the point, the oil price hit a new record, of $114.41 a barrel, a couple of days after Mr Lima dropped his bombshell.

Even if there is an ocean of oil off Brazil’s coast, it will not necessarily be of much benefit to big oil firms, which have struggled to gain access to promising territory for exploration of late, thanks to growing nationalism in oil-rich countries. Brazil had been a heartening exception. But after Petrobras announced the discovery at Tupi, the ANP cancelled a planned auction of rights to explore for oil in several adjacent areas. Mr Gabrielli, the boss of Petrobras, says that the state’s relatively low share of the revenues from oil production in Brazil should be increased to reflect the decreasing risks and increasing profitability of exploration.

The discoveries do suggest that the gloomiest pundits are wrong to predict that the world will soon run out of oil. It is not that there are still lots of huge oil fields out there: the number of mammoth discoveries is declining, Tupi (and perhaps Carioca-Sugar Loaf and Jupiter) notwithstanding. But the new finds do illustrate how the technology with which oil firms hunt for, extract and process fossil fuels is constantly improving. Petrobras’s recent success is only possible thanks to recent advancements in seismic surveys, drilling, and offshore platforms. Other technological developments are allowing a greater proportion of the oil found around the world to be recovered and are even expanding the definition of oil, as firms conjure liquid fuel from the solid tar-sands of Canada, for example, or from coal and natural gas. Indeed, among the shares that rose in the wake of Mr Lima’s comments were those of the firms that supply Petrobras with all its clever kit.

16/04/2008 - 10:35h Descoberta põe o País em novo patamar, diz AIE

Tempo atrás a revista The economist tinha ilustrado a descoberta de Tupi com este desenho

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Para agência internacional, investimento não será barato

Jamil Chade, GENEBRA – O Estado de São Paulo

A Agência Internacional de Energia (AIE) se surpreendeu com a notícia sobre o megacampo de petróleo encontrado pelo Brasil e diz que a descoberta “coloca o País em um novo patamar no cenário internacional”. Segundo a agência, a produção da nova reserva terá um importante impacto para o mundo.

“Essa é uma grande notícia tanto para o Brasil como para o mercado de petróleo no mundo, principalmente diante dos altos preços”, afirmou o embaixador William Ramsay, um dos dirigentes da agência, com sede em Paris, França, e o formulador, durante anos, da política energética americana.

“O campo de Tupi já era uma grande descoberta. Isso agora, com capacidade cinco vezes maior, é surpreendente. Estamos falando de uma enorme descoberta”, disse Ramsay, que já serviu como negociador no Congo, Arábia Saudita e em outros países produtores de petróleo.

Para ele, o governo brasileiro terá de tomar “algumas decisões muito estratégicas”. “Em primeiro lugar, o Brasil terá de decidir quanto vai querer investir no campo. Não será nada barato e o governo, a Petrobrás e a sociedade terão de tomar decisões sobre qual será a conta que estão dispostos a pagar. Isso determinará o ritmo dessa nova produção para o mundo.”

Segundo Ramsay, a nova descoberta “coloca o Brasil em um novo patamar no mercado de petróleo”. “Se toda essa capacidade se confirmar, o Brasil passará a ser visto de outra maneira no mundo.”

De acordo com a AIE, o Brasil terá de decidir como vai colocar esse petróleo no mercado no futuro. “Certamente o Brasil não vai querer inundar o mercado e fazer os preços baixarem no futuro. Mas será uma decisão estratégica.”

OPEP

O embaixador americano, porém, espera que o Brasil não tome a decisão de aderir à Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep). “Espero que, no Brasil, a razão prevaleça e o governo não tome a decisão de seguir por esse caminho.”

Para a AIE, a entidade deve ser considerada um cartel, e não ajuda no desenvolvimento da produção do petróleo no mundo. “A descoberta de enormes reservas não precisa significar a mudança para um caminho que não vai ajudar a ninguém, nem ao Brasil e nem ao mundo”, concluiu o embaixador.

PASSO A PASSO

Antes da perfuração: estudos topográficos e sísmicos indicam a possibilidade de existência de óleo em rochas do subsolo

Poço pioneiro: o primeiro poço mapeado pela exploração pode ou não descobrir petróleo. Resultado positivo não indica ainda a existência de uma jazida comercial

Poços de extensão: se bem-sucedido o poço pioneiro, as empresas têm de comunicar a descoberta à ANP. São, então, perfurados poços de extensão no entorno para definir dimensões da jazida

Reservas: a empresa começa com poços de extensão (a quantidade pode chegar a 20, dependendo da área) a avaliar o tamanho do reservatório. Cada poço exploratório em águas ultraprofundas custa em torno de US$ 60 milhões

Comercialidade: o campo só é considerado viável comercialmente se o volume, qualidade do petróleo e tempo em que permanecer em produção cobrirem, com lucro, os custos de retirada do óleo

Desenvolvimento: comprovada a viabilidade, serão perfurados os poços de desenvolvimento (perfurações definitivas de produção do campo). O número de poços de produção de um campo depende das características do reservatório

Sonda: a sonda, utilizada para perfurar poços, é composta por uma torre da altura de um edifício de 15 andares que sustenta os tubos de perfuração. Os tubos, que conduzem a broca, passam por uma mesa giratória, na base da torre, e, por rotação, vão atravessando as camadas do subsolo

Perfuração: a perfuração é um trabalho ininterrupto. A cada 27 metros os sondadores encaixam um novo tubo. A vida útil da broca, que está na extremidade do primeiro tubo, é relativamente curta e ela precisa ser trocada várias vezes durante a sondagem

Grande profundidade: se o poço estiver a 4 mil metros, serão necessárias mais de 200 operações com tubos para troca da broca. Nas perfurações submarinas, a sonda é instalada sobre plataformas fixas ou móveis e navios

Plataformas: as plataformas que operam na Bacia de Campos custam entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões e retiram óleo a 3 mil metros de profundidade. Para as bacias da camada de pré-sal, estima-se a operação a 7 mil metros. Ainda não há informações sobre custos de plataformas de produção

16/04/2008 - 09:23h A mídia no poço de petróleo

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Confesso que não percebo a lógica de alguns jornalistas. Uma autoridade do governo diz que é possível que o Brasil tenha reservas de petróleo gigantescas e que as reservas do “Carioca”, na Bacia de Santos, podem ser cinco vezes maiores que as do Tupi, tudo isto a confirmar e verificar. Os jornais transformam está declaração em um furo, sem checar se existe alguma novidade nesta declaração, e as bolsas se entusiasmam com o “furo” jornalístico, isto prova que o governo nomeia pessoas incompetentes?

Leiam a nota de Dora Kramer hoje e a seguir o artigo da Folha, também de hoje. Tudo confirma que nenhum segredo foi violado, nenhuma declaração foi além do que já tinha sido dito e publicado e os investidores não foram enganados com nenhuma informação manipulada.

Mas jornais e rádios continuam atacando o governo e dando destaque ao que não tem importância.

Leiam e julguem vocês mesmos. LF

Erro de pessoa

Dora Kramer

“O ex-deputado Haroldo Lima, hoje diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, certamente não se precipitou sobre descobertas da Petrobrás por má-fé.

Como político, agiu conforme a lógica de uma atividade que utiliza a versão sem preocupação rigorosa com fato consumado.

Isso não o absolve do erro crasso. Ao contrário, amplia a culpa do dano aos responsáveis por sua nomeação.

Evidencia a inadequação das indicações políticas para cargos que exigem formação, conhecimento e treino sobre os códigos e mecânica do setor. Quem não tem intimidade com o que faz nem dispõe da visão completa sobre como se faz, em algum momento faz bobagem.”

Dados circulam desde o final de 2007

DA SUCURSAL DO RIO – FOLHA DE SÃO PAULO

As informações sobre o potencial da área de exploração conhecida como Carioca (bloco BM-S-9) circulam entre analistas do setor, consultores e publicações estrangeiras desde o fim do ano passado.
A própria ANP, em nota, afirmou que a informação sobre o potencial do campo Carioca já havia sido publicada na coluna “What’s New in Exploration”, na edição de fevereiro da revista “World Oil” -uma publicação especializada sediada em Houston, no Texas.
No texto, o jornalista Arthur Berman relata a descoberta de três campos gigantes no litoral brasileiro, Tupi, Júpiter e Carioca: “Se os relatos sobre o tamanho potencial da estrutura de Carioca/Pão-de-Açúcar se mostrarem corretos, com a estimativa de 33 bilhões de barris de óleo (a média entre 25 bilhões e 40 bilhões de barris), e as reservas estimadas de Tupi e Júpiter forem precisas, em 6,5 bilhões de barris cada uma (a média entre 5 bilhões e 8 bilhões), o Carioca/Pão-de-Açúcar seria o terceiro maior campo de óleo do mundo”.
Antes, no dia 17 de dezembro, o site norte-americano “Next Energy News” relatou que a Petrobras havia descoberto o maior campo de petróleo dos últimos 30 anos, com potencial cinco vezes maior do que o verificado em Tupi. A publicação credita a funcionários da estatal brasileira a informação de que o campo Pão-de-Açúcar poderá produzir até 40 bilhões de barris de petróleo.
Também em dezembro, no dia 11, a agência de notícias especializada em negócios “Business News Americas” relatou a existência de duas áreas de exploração na bacia de Santos que poderiam ser maiores do que o campo de Tupi -e credita a informação a um relatório do banco de investimento UBS Pactual, divulgado em dezembro. Além do UBS Pactual, o Crédit Suisse também distribuiu, em novembro, um relatório sobre a Petrobras intitulado “O novo paradigma da exploração”. O texto detalha as principais ações de exploração da estatal em quatro campos do pré-sal: Tupi, Caxaré, Pirambu e Carioca.
Uma das fontes de informação mais utilizadas pelos jornalistas que cobrem o setor nos Estados Unidos são os relatórios da IHS, uma consultoria com sede em Englewood, no Colorado. Ela produz relatórios, artigos e estudos sobre diversas indústrias -da aeroespacial à do petróleo-, cobrindo a atuação de empresas em todo o mundo. Mas muitas dessas informações não estão abertas ao público, são vendidas. Por meio da IHS, é possível acompanhar as atividades de exploração da Petrobras na bacia de Santos, por exemplo. O serviço pode custar até US$ 5.000 por ano. (ROBERTO MACHADO)