05/08/2008 - 11:33h Exportação do Brasil para Argentina sobe 514% desde 2002 e leva investimentos

EFE
Brasil e Argentina
Lula e Kirchner brindam às novas relações comerciais

Sergio Leo, VALOR de Brasília

A Argentina que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de visitar com uma missão de centenas de empresários é mais que um dos principais parceiros comerciais do Brasil: é o mercado para o qual o Brasil mais aumentou exportações, em termos absolutos, entre 2002 e dezembro de 2007. Foram US$ 12 bilhões a mais em vendas do que em 2002. Mas é a crescente importância dos investimentos brasileiros no mercado argentino o que mais desperta a curiosidade do próprio governo, que busca, ainda, dados confiáveis sobre a dimensão desses projetos no país vizinho.

Um levantamento informal e ainda incompleto realizado pelo governo brasileiro constatou que empresas brasileiras detêm, hoje, quase um quinto do setor siderúrgico argentino, 42% do setor de cimento, pouco mais de um quarto do têxtil, cerca de 40% do setor de calçados, 38% da produção de alimentos, quase 30% da indústria de carne. Se a belgo-brasileira Ambev for contabilizada na conta do capital verde-amarelo, quase 40% da vizinha indústria de bebidas está em mãos brasileiras. A valorização do real facilita as iniciativas das empresas do Brasil que têm no mercado da Argentina um alvo ideal para internacionalizar as atividades.

Os investimentos anunciados pelos brasileiros na Argentina (somando a compra da cervejaria Quilmes, pela Ambev) entre 2002 e 2007 chegam a US$ 14,6 bilhões, segundo o governo brasileiro. Nesse período, segundo o Banco Central argentino, o investimento estrangeiro direto com origem no Brasil aplicado na Argentina somou pouco menos de US$ 5 bilhões. Só em 2007 quase 55% dos mais de US$ 2,2 bilhões investidos foi usado em aquisições de firmas já existentes e pouco menos de 32% em empreendimentos novos. O restante foi destinado a ampliação de instalações, joint-ventures e contratos de terceirização.

Há enorme preocupação, por parte do governo Lula, de evitar que essa ocupação de mercado seja recebida como uma “invasão” pelos argentinos, que se queixam ao governo de Cristina Kirchner da falta de instrumentos de apoio à indústria como o BNDES. Os empresários que acompanharam Lula foram orientados a concentrar conversas em oportunidades de associação com firmas locais.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a quem o governo pediu ajuda na organização da viagem, tem planos para uma nova missão comercial a Buenos Aires em setembro, em que haverá reuniões com possíveis parceiros em investimentos na Argentina.

Em termos proporcionais, a Argentina também foi o país, entre os 15 maiores parceiros comerciais do Brasil, que mais aumentou as compras de produtos brasileiros - 514% - entre os anos de 2002 e 2007. Neste ano, no primeiro semestre, o aumento nas exportações foi de quase US$ 2 bilhões, 36% acima do valor registrado no mesmo período de 2007 - as importações também cresceram, pouco menos de US$ 1,5 bilhão, e o aumento foi insuficiente para reduzir o enorme superávit comercial dos brasileiros com a Argentina, que, entre janeiro e julho, acumula US$ 3 bilhões em favor do Brasil. Nos últimos três anos, esse saldo ficou em torno de US$ 4 bilhões.

O comércio com a Argentina é um dos mais vigorosos e o crescimento do saldo em favor do Brasil persiste, apesar dos esforços do governo para estimular um maior volume de compras no mercado vizinho. Nos últimos dois anos, o saldo comercial do Brasil com o mundo caiu 42%, mas tem crescido com os países do Mercosul, especialmente com a Argentina. O saldo com os vizinhos equivale a um quinto de todo o superávit comercial de US$ 11,3 bilhões do Brasil, no primeiro semestre.

Os atritos comerciais que permanecem, em setores como calçados, eletrodomésticos da linha branca e trigo, têm sido negociados e mantidos na esfera técnica, em comissões de monitoramento do comércio. Diferentemente do passado, pelo menos por enquanto, as disputas e divergências não chegam mais aos palácios de governo, e as queixas de empresários, como os moinhos de trigo brasileiros, prejudicados pelas distorções de custos na comercialização do trigo argentino, deixaram de azedar os encontros presidenciais entre os dois principais sócios do Mercosul.

18/07/2008 - 16:16h Cada vez mais subsidios agricolas nos Estados Unidos

La ley más desastrosa de EE.UU.

Por Andrés Oppenheimer publicado por Clarín de Argentina

biocarburant_milho.jpgMIAMI.- Mientras muchos estábamos distraídos con otros temas, el Congreso estadounidense aprobó una ley agrícola que difícilmente podría ser peor: subsidia a los agricultores más ricos del país, perjudica a la mayoría de los consumidores, contamina el medio ambiente, no ayuda a reducir el hambre en el mundo y perjudica a los países latinoamericanos productores de alimentos. Lo que es peor, la ley hace todas estas cosas -y más- en un momento en el que muchos productores estadounidenses tienen ganancias récord gracias a los altos precios internacionales de las materias primas.

Todo esto sería difícil de entender si no fuera porque estamos en un año de elecciones. Pero el amplio respaldo ofrecido a esa legislación por la mayoría demócrata y de 100 legisladores republicanos logró que el Congreso invalidara un veto de la Casa Blanca por 318 votos contra 106.

Además de los US$ 5000 millones que el gobierno norteamericano pagará directamente a agricultores que en muchos casos ganan muy buen dinero, la nueva ley está repleta de dádivas propias de un año electoral. Ellas incluyen US$ 170 millones a la industria salmonera de la Costa Oeste; US$ 93 millones en recortes impositivos a criadores de caballos de carrera de Kentucky; US$ 260 millones de reducción impositiva a la industria maderera, y US$ 15 millones para los productores de espárragos, que en el pasado no recibían estos subsidios.

“Es una desgracia nacional”, me señaló Gary C. Hufbauer, ex funcionario de la Secretaría del Tesoro que se desempeña actualmente en el Instituto Peterson para la economía internacional. “Estamos en una época de prosperidad para muchos productores agrícolas. Si alguna vez hubo un momento adecuado para liberalizar la industria agrícola, es precisamente el actual.”

El probable candidato presidencial demócrata Barack Obama -que ha sido objeto de elogios en esta columna en las últimas semanas- dio su apoyo a la ley. Los partidarios de la norma señalan que la legislación prevé US$ 209.000 millones para programas de nutrición, incluyendo fondos para bonos de comida para los pobres.

El probable candidato presidencial republicano John McCain criticó la ley. Dijo que en un momento en que las materias primas han alcanzado un precio récord los agricultores no necesitan subsidios. Entre los peores efectos de la ley agrícola se cuentan:

• Perjuicio a la mayoría de los consumidores estadounidenses con el subsidio al etanol de maíz, que desvía el 25% de la producción maicera a la producción de etanol subsidiado. Como resultado, los precios del maíz en el supermercado aumentan al igual que los precios de la carne de vaca y pollo.

• Perjudica el medio ambiente, entre otras cosas, porque en vez de eliminar las trabas a la importación de etanol de azúcar procedente de Brasil -que se produce de manera más eficaz, es más barato y menos contaminante-, la nueva ley conserva las barreras tarifarias que protegen a los productores estadounidenses de etanol de maíz.

• Perjudica a América latina porque mantiene las barreras, tanto tarifarias como no tarifarias, para los productos agrícolas de la región. En vez de contribuir a la reducción de los precios del azúcar en Estados Unidos facilitando la importación de países centroamericanos o del Caribe, la ley mantiene los cupos de importación para proteger a los magnates azucareros de Palm Beach. Como resultado, los estadounidenses pagan mucho más que los precios internacionales por el azúcar que consumen.

• Está en abierta contradicción con la prédica oficial de Washington a favor del libre comercio. Hasta ahora, Estados Unidos les decía a los productores latinoamericanos: “Nosotros vamos a reducir los subsidios agrícolas si la Unión Europea hace lo mismo . Ahora, con este voto bipartidista, el Congreso le dice al mundo que no le permitirá a ningún presidente norteamericano reducir los subsidios.

Mi opinión: el daño ya está hecho. Ahora, Bush debería hacer algo realmente audaz, que lo ayudaría a dejar la presidencia en algo menos que un descrédito absoluto.

Tal como me dijo Hufbauer, Bush debería anunciar después de las elecciones de noviembre la propuesta más ambiciosa que haya hecho Estados Unidos para reducir sus subsidios agrícolas a cambio de concesiones razonables de sus socios comerciales.

Esto no tendría ningún resultado inmediato, pero obligaría al próximo presidente estadounidense a ocuparse del tema y, tal vez, le daría al próximo gobierno una excusa para continuar con una política heredada de su antecesor. La alternativa, que es no hacer nada, será desastrosa para Estados Unidos, y desastrosa para el mundo.

03/07/2008 - 09:27h Porta de fábrica no ABC regula as preocupações de Lula com inflação

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Raymundo Costa - VALOR

Mais que o ministro Guido Mantega (Fazenda), o termômetro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a inflação são os “peões do ABC”, segundo a expressão de dirigentes petistas com livre trânsito no Palácio do Planalto. A inflação preocupa mais o presidente, no momento, que o advogado Roberto Teixeira, a venda da VarigLog ou a compra da BrT pela Oi, de acordo com os mesmos informantes.

É o ABC paulista, especialmente os metalúrgicos de São Bernardo do Campo, que serve de parâmetro para Lula medir a repercussão da inflação no que o PT chama de “base social do presidente”. Seja por intermédio de líderes sindicais ou de candidatos até bem pouco tempo servindo ao governo, que Lula fica sabendo das preocupações com o aumento de preços manifestadas pelos “peões do ABC”.

Essas manifestações aumentaram nas últimas semanas. Um dia a reclamação é sobre o preço da carne, no outro, o aumento do preço do arroz. O mesmo arroz que já foi símbolo do acerto do governo na economia. Quando Lula tomou posse, em 2003, a saca de cinco quilos do arroz Tio João custava cerca de R$ 11, caiu ao longo do mandato para os R$ 7 de antes da eleição e agora já superou a barreira dos R$ 12.

Entre os interlocutores do presidente estão sindicalistas como José Lopez Feijóo, dos metalúrgicos do ABC, e o ex-presidente da CUT Luiz Marinho, que deixou o governo em em maio para concorrer à prefeitura de São Bernardo. Recentemente, Marinho fez chegar ao Planalto que fora “fazer porta de fábrica” e o assunto não era outro que a inflação do preço dos alimentos.

Esse é um dos motivos para as demonstrações de aborrecimento do presidente com o ministro da Fazenda: enquanto Guido Mantega transpira confiança, na base social dele, os sindicalistas estão reclamando. E o presidente, mais que que qualquer outro no Planalto, está convencido que é a inflação que pode corroer o governo dele.

“O assunto dele é inflação”, conta um desses petistas, corroborando a entrevista que o chefe de gabinete de Lula concedeu à edição desta semana da revista “Veja”. Na Fazenda, afirma-se que é mentira que Lula tenha se aborrecido porque Carvalho disse que o presidente se irritara com uma observação casual de Mantega sobre a inflação - que estaria restrita aos alimentos. Lula, de fato, ficou de início aborrecido. Mas pelo fato de Carvalho, sempre discreto, ter começado a dar entrevistas e não por ter deixado Mantega mal.

A voz rouca dos “peões do ABC” sempre foi ouvida por Lula no governo. Um caso típico é o do crédito consignado. Os metalúrgicos também sempre pressionaram em favor de medidas que aumentassem a venda de carros, o que aumentaria também a participação nos lucros (PLR) da categoria. No domingo, o presidente esteve numa fábrica em São Bernardo. Como sempre, tratado com veneração pelos metalúrgicos, que, no entanto, não deixam de registrar suas preocupações - como a inflação - via os líderes sindicais.

Quanto mais se incomoda e demonstra receio com a volta do processo inflacionário, mais Lula demonstra que sente a ausência do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que voltou para a Câmara dos Deputados, em março de 2006, depois que foi acusado de quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. No PT e em setores do Palácio do Planalto, a volta de Palocci ao governo é dada como certa, na hipótese de o Supremo Tribunal Federal não acatar a denúncia feita contra ele pelo Ministério Público.

Numa das variações apresentadas para a eventual volta de Palocci, o ex-ministro recuperaria o antigo posto, o Ministério da Fazenda. Guido Mantega seria então deslocado ou para o Ministério do Turismo, atualmente ocupado pelo segundo de Marta Suplicy no posto, Luiz Barreto, ou para o Ministério do Planejamento, cargo que ocupou no início do governo. Neste caso, o atual ministro Paulo Bernardo é que seria deslocado para o Turismo. Mas no PT também circula outra variação do tema.

Por ela, Mantega ficaria na Fazenda e Palocci iria para o Turismo. É certo que Lula quer redimir Palocci, no caso de o deputado e ex-ministro não vir a ser processado pelo STF - argumenta-se em setores da direção partidária -, mas por outro lado Mantega não tem porque ser punido, de vez que não é responsável pelo pique inflacionário, resultado de uma inflação importada, segundo se argumenta na sigla.

Há uma certa desconfiança da real extensão da inflação, que segundo esses setores poderia estar sendo superdimensionada pela mídia com o objetivo de desgastar politicamente o governo Lula. “A inflação está dentro da meta e o consumo não se alterou muito, explica um deputado da cúpula petista, um dos que avaliam que o noticiário sobre a inflação está recebendo de parte da grande imprensa um tratamento mais político que econômico.

Não é certamente o que pensa o presidente da República, como tem deixado claro em reiteradas conversas com amigos e aliados políticos. Nessas conversas, Lula tem prometido que, se for detectado risco de volta da ciranda inflacionária, o governo recorrerá ao remédio que for necessário, por mais amargo que seja, mesmo que isso implique em alguma perda nas eleições para prefeito a serem realizadas em outubro.

No que se refere especificamente ao julgamento de Palocci no Supremo Tribunal Federal, nos últimos dias aumentou a confiança do PT num resultado favorável ao ex-ministro da Fazenda. Não que o STF vá declarar o deputado inocente da acusação. A aposta é que o tribunal não receberá a denúncia devido a erros processuais na peça remetida pelo Ministério Público Federal. De certo, só há uma coisa: está em curso a “Operação Volta Palocci”.

13/05/2008 - 08:47h Política industrial: Meta é elevar taxa de investimento para 21% do PIB

Plano também pretende aumentar a fatia do Brasil no comércio mundial e a participação privada em pesquisa

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Fernando Dantas - O Estado de São Paulo

L'image “http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/abril2005/fotosju284online/ju284pg04a.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Uma das principais “macrometas” da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançada ontem, é elevar a taxa de investimentos da economia brasileira de 17,6% do PIB, em 2007, para 21% em 2010. Outras macrometas (ou “metas-país)”, também para 2010, são as de ampliar a participação brasileira nas exportações mundiais de 1,18% ( 2007) para 1,25% do PIB, ou US$ 208,8 bilhões; e elevar os gastos privados em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de 0,51% do PIB (2005) para 0,65%.

As macrometas são um dos elementos principais da arquitetura complexa da nova política industrial, criada a partir de quatro desafios principais. O primeiro é aumentar a oferta para “enfrentar uma demanda em expansão”, evitando pressões inflacionários e gargalos.

O segundo é “preservar a robustez do balanço de pagamentos brasileiros”, com aumento e diversificação de exportações e maior atração de investimento estrangeiro direto. O terceiro desafio é aumentar a capacidade de inovação das empresas brasileiras e o quarto, ampliar as condições de acesso a mercados por parte de pequenas e microempresas.

Dentro das medidas para aumentar a competitividade da economia como um todo, o BNDES, além da ampliar seus financiamentos (ver página B1), vai reduzir o spread médio em 20% (em relação ao 2007), com queda de 1,5% ao ano para 0,9% no caso da comercialização de bens de capital.

Na área de estímulo à inovação e a P&D, o BNDES oferece novas linhas de apoio aos esforços das empresas, de TJLP (6,25% ao ano); e inovação tecnológica, de 4,5%. ano.

Uma das partes centrais da nova política industrial são os chamados “programas estruturantes para sistemas produtivos”, nos quais o governo escolhe de fato setores para incentivar e apoiar.

A PDP divide esses programas em três categorias. A primeira é a dos “programas mobilizadores em áreas estratégicas”, que consiste em integrar o setor privado com a comunidade científica e as instituições tecnológicas para superar desafios científico-tecnológicos. Essa categoria inclui o complexo industrial da Saúde, as tecnologias de informação e comunicação, a energia nuclear, o complexo industrial de defesa, a nanotecnologia e a biotecnologia.

A segunda categoria é a dos “programas para fortalecer a competitividade”, que abrange 12 setores (número que pode aumentar), entre os quais o automotivo, bens de capital, construção civil, indústria naval, agroindústrias, biodiesel, plásticos, têxtil e móveis.

A terceira categoria consiste nos “programas para consolidar e expandir a liderança”, no qual estão setores e empresas com projeção internacional e capacidade competitiva, que recebem financiamento estratégico do setor público. Estão incluídos o complexo aeronáutico, petróleo e gás e petroquímica, bioetanol, mineração, siderurgia, celulose e carnes.

A PDP vai trabalhar com diferentes estratégias para se adequar ao estágio de desenvolvimento das empresas e sistemas produtivos do Brasil. Em alguns casos, o objetivo estratégico é a “liderança mundial”, o que significa manter ou posicionar um sistema produtivo ou empresa brasileira entre os cinco maiores do mundo.

A PDP usará como instrumentos os incentivos (crédito, capital de risco e isenções fiscais), as compras governamentais, a regulação e o apoio técnico, como promoção comercial e gestão de propriedade intelectual.

A coordenação geral da PDP ficará com o Ministério do Desenvolvimento, apoiado por uma secretaria-executiva formada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), BNDES e Ministério da Fazenda. Haverá ainda um conselho gestor, presidido pelo Ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, e com representantes da Casa Civil, da Fazenda, e do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Na área de “destaques estratégicos” , a PDP tem como uma das diretrizes a integração produtiva com a América Latina e o Caribe.

12/05/2008 - 09:19h Crescer para encarar o desafio chinês

VALOR

Fábrica na China
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A volta da inflação começa a conferir grau de consenso à boa e velha receita ortodoxa, de aperto nos gastos do governo e de aumento da taxa de juros para deter o consumo. Outra assombração, porém, apavora o setor produtivo: do setor de máquinas aos produtores de móveis, todos estão assustados com os efeitos da competição avassaladora da China. E os sortilégios usados para exorcizar o capeta inflacionário devem ser conjurados com cuidado, para não aumentar os estragos feitos pelos chineses no parque industrial brasileiro.

A presença intimidante da China no panorama da indústria recebe atenção especial de um dos maiores especialistas em desenvolvimento industrial do país, o economista Antônio Barros de Castro, assessor especial do BNDES, que vem se dedicando a estudar e propor saídas para desafios estruturais da política de desenvolvimento. A nova configuração da economia mundial, forçada pela China, é um desses desafios. Barros de Castro tem uma visão positiva do fenômeno chinês, que considera inevitável. O Brasil está preparado para enfrentar a competição da Ásia, acredita ele, por dois motivos - o que chama de “bilhetes premiados” e certas “molas” que começam a se descomprimir na economia.

Os bilhetes premiados são recursos naturais e competências desenvolvidas pelo país, que permitem ao Brasil criar frentes estratégicas e entrar em grande estilo no século XXI. As recentemente descobertas reservas de petróleo e a experiência acumulada no campo do álcool combustível, por exemplo, permitirão ao Brasil enorme desenvolvimento nessas duas frentes, o que vai gerar demanda por máquinas, motores, equipamentos, serviços, softwares, novos materiais, mão de obra, tecnologia, partes e peças, capazes de criar pólos dinâmicos de investimento e desenvolvimento dentro do Brasil, prevê Barros de Castro.

No caso do etanol, em que o Brasil já tem grande mercado, independente da polêmica internacional sobre biocombustíveis, abre-se, ainda, um campo de pesquisas e produção de plásticos biodegradáveis a partir do açúcar de cana, na fronteira da tecnologia mundial. “Há pelo menos três grande projetos em curso no Brasil dois deles na casa de R$ 2 bilhões - um de uma conhecida empresa química internacional; outro de um grande grupo nacional.”

A biotecnologia e a nanotecnologia permitirão aproveitar essas e outras frentes estratégicas, acredita. O Brasil tem ainda chances de ser potência no setor de alimentos (carne, laticínios), em madeira e celulose e outros “pequenos bilhetes premiados”, defende Barros de Castro.


Estabilidade estimula investimento de longo prazo

Os altos preços das commodities vieram para ficar, são outra das conseqüências da expansão chinesa, que trouxe um motor inédito para a economia mundial, a expansão baseada na produção em massa de produtos manufaturados de baixo preço, para o consumidor de baixa e baixíssima renda. Esse fato impõe uma pressão competitiva brutal sobre certos setores da indústria, mas traz também estímulos enormes para o desenvolvimento se o país souber se ajustar, avisa Barros de Castro. Para ele, “o Brasil é candidato a participar de outra revolução, que pode reequilibrar o jogo com produtos agro-energéticos e alimentares, de forma equivalente ao que a China fez com os manufaturados”.

“O Brasil pode se tornar facilmente um pólo de produção no Atlântico Sul, para prover produtos à América Latina e África, com destaque para a Nigéria e Angola”, diz ele, baseado em entrevistas da equipe do BNDES com executivos de empresa brasileiras e multinacionais.

Um fator ajuda a adaptação do país e das empresas voltadas ao consumo interno à nova situação mundial: a economia brasileira começa a eliminar de maneira sustentável vários constrangimentos que detinham o desenvolvimento, como molas pressionadas que, agora, começam a distender-se.

Uma dessas molas é a demanda interna, que vem se “desreprimindo”, com o crédito e o aumento de renda, de forma mais sólida que no passado; outra mola são os investimentos em construção civil e de infra-estrutura, que começam a tornar realidade projetos discutidos desde a década de 80. Há, ainda, a estabilidade da economia, que estimula investimentos de médio e longo prazo.

“As molas distendidas são uma espécie de garantia de dinamismo, uma certa propensão a crescer e um colchão de proteção o produtor para o mercado interno”, analisa Barros de Castro. Ele alerta, porém, que a irresistível invasão de produtos chineses tendem a se manter mesmo que se reduzam as taxas de crescimento da economia. Isso torna muito sensível qualquer política econômica que implique em redução do crescimento no país.

“O embalo na economia é essencial para que a indústria brasileira consiga se reposicionar, é o que garante a ela ultrapassar essa situação dificílima da invasão chinesa”, avisa. “A indústria teria dificuldade de acomodar essa invasão a frio, se for reduzida essa taxa de crescimento, em torno de 5%; será terrível.”

Sérgio Leo é repórter especial em Brasília

sergio.leo@valor.com.br

11/05/2008 - 10:26h Governo Lula: Menos impostos, créditos e subsídios. Tudo para revitalizar a indústria

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O presidente
Lula e o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Miguel Jorge

Com custo fiscal de R$ 25 bilhões até 2011, a Política de Desenvolvimento Produtivo será anunciada amanhã

Denise Chrispim Marin - O Estado de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia amanhã, no Rio, um pacote de subsídios, financiamentos e desonerações tributárias para vitaminar o setor industrial até o fim de seu mandato. Duas medidas importantes, envolvendo desonerações tributárias, só serão fechadas em reuniões marcadas para este domingo. Essas medidas tratam da depreciação acelerada das compras de máquinas e equipamentos no cálculo do Imposto de Renda e da apropriação imediata dos créditos de PIS/Cofins referentes à aquisição de bens de capital, que hoje demora 24 meses.

Com um custo fiscal para o Tesouro Nacional que pode chegar a R$ 25 bilhões até 2011, a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) - segunda política industrial em apenas quatro anos - será a alternativa para o governo provocar um choque de competitividade no setor sem lançar mão da reforma tributária, sem fazer mudanças na política cambial e sem promover uma abertura maior no mercado brasileiro.

Tanto nos benefícios concedidos quanto nos resultados esperados, a PDP refletiu, em especial, a corrosão da competitividade do setor exportador e a incerteza sobre o comportamento futuro da arrecadação federal. A forte dose de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na nova política industrial faz parte desse arranjo.

Na última quinta-feira, depois de uma reunião com o presidente Lula sobre o tema, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou ao Estado que a expansão dos recursos para a linha de exportação do Revitaliza, hoje de R$ 300 milhões, está entre as medidas mais horizontais. Trata-se do programa criado pelo BNDES em junho de 2007 para socorrer os setores mais afetados pela valorização cambial.

A nova política industrial envolverá cerca de R$ 8 bilhões ao ano em desonerações fiscais e um volume de R$ 210,4 bilhões do BNDES para o financiamento de investimentos, da produção e de exportações até o fim de 2010. A essas cifras, serão somados R$ 41,2 bilhões de programas de estímulo à inovação e à pesquisa e desenvolvimento, do Ministério da Ciência e Tecnologia.

‘PAC DA INDÚSTRIA’

O impacto esperado pelo governo nos resultados da indústria é similar ao do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no conjunto da economia. Tanto que o PDP ganhou o apelido, na Esplanada dos Ministérios, de “PAC da Indústria”. Se o plano der certo, os embarques brasileiros devem saltar de US$ 160,6 bilhões, em 2007, para US$ 208,8 bilhões em 2010.

Com isso, estima-se que o Brasil venha a responder, no último ano do governo Lula, por uma fatia de 1,25% das exportações globais. Outra meta é alcançar US$ 604 bilhões em investimentos na expansão da capacidade de produção - cifra equivalente a 20,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

O governo também fixou como alvos o crescimento médio de 9,8% nos gastos das empresas com pesquisa e desenvolvimento, em relação ao PIB, e a incorporação de 915 pequenas e médias empresas - as maiores empregadoras do Brasil - entre os setores exportadores. Traçou ainda os objetivos de alçar setores ou empresas brasileiras entre os cinco maiores produtores e exportadores do mundo e de situar marcas do País entre as cinco principais de seu mercado.

PIS/COFINS: CRÉDITOS

Por causa do cenário econômico, detalhes nevrálgicos sobre os benefícios tributários do pacote, que fazem parte das medidas de estímulo geral aos investimentos produtivos, serão fechados apenas hoje. A rápida depreciação das compras de máquinas e equipamentos no cálculo do Imposto de Renda e a devolução total dos créditos de PIS/Cofins referentes à aquisição de bens de capital no mais curto espaço de tempo possível já foram estampadas em pacotes anteriores, mas nunca se tornaram benefícios efetivos para a indústria.

O governo, entretanto, elencou os 24 setores que receberão atenção especial na PDP, com o cuidado de avisar que lista deverá aumentar.

Alguns dos eleitos são velhos beneficiários de programas de incentivo da União, como o complexo automotivo e os setores de bens de capital, têxtil e calçadista. Dessa vez, entretanto, serão cobrados a atingir metas de investimento, de produção e de produtividade até o fim de 2010, com avaliação trimestral dos resultados.

Entre os setores considerados estratégicos, o de tecnologia de informação poderá acumular as desonerações previstas na chamada “Lei do Bem” aos benefícios da Lei de Informática sobre investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Nessa área, o governo pretende atrair o investimento de uma unidade de fabricação de semicondutores ao País e ver pelo menos duas empresas de tecnologia da informação superarem o faturamento de R$ 1 bilhão.

O segmento de software poderá levar ainda um agrado inusitado - a redução dos seus desembolsos com a Previdência Social, que será decidida na reunião de hoje pela Fazenda. O Ministério da Previdência resiste porque a medida abrirá um precedente perigoso e aumentará o risco de descontrole do déficit público.

No conjunto dos 24 setores, 6 foram eleitos para liderar seus mercados - aeronáutico, mineração, siderurgia, papel e celulose, petroquímica e carnes. Para a Embraer e o setor fabricante de partes e peças aeronáuticas, o governo pretende estimular a participação de fundos de investimento públicos e privados e conceder isonomia tributária em relação aos competidores internacionais.

05/05/2008 - 18:25h Salvem os antibióticos

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Coluna Ciencia em Dia

Folha de S.Paulo

A fundação norte-americana Pew Charitable Trusts é conhecida por apostar fundo na produção de conhecimento e ferramentas de análise para resolver problemas contemporâneos e aperfeiçoar políticas públicas. Na semana passada, publicou um relatório duro da comissão que trabalhou dois anos e meio sobre o sistema industrial de produção de carne (bois, porcos e aves). É de tirar o apetite.

O estudo de 124 páginas recebeu o título de “Pondo a Carne na Mesa” e pode ser baixado da página da Pew na internet (www.pewtrusts.org). Vai direto ao ponto: “O sistema atual para produção de alimentos de origem animal nos Estados Unidos não é sustentável e representa um inaceitável nível de risco para a saúde pública e de dano ao ambiente, assim como traz malefício desnecessário aos animais que criamos para comer”.

O relatório lista “n” fatores em apoio a essa conclusão. Um dos preponderantes, que acabou se tornando muito atual, é a dependência da agropecuária americana dos preços baixos do milho, base da ração usada para o animal ganhar peso em confinamento. A demanda pelo grão para produzir álcool combustível está pulverizando essa fonte barata de proteína, justamente no momento em que o preço do petróleo - de onde saem combustíveis para máquinas e matérias-primas para fertilizantes e defensivos - também bate recordes.

No quesito água, o estudo fornece uma informação preocupante: metade do aqüífero Ogallala já foi exaurida. Com mais de 450 mil quilômetros quadrados, o reservatório debaixo dos Estados de Nebraska, Kansas, Colorado, Oklahoma, Novo México e Texas fornece 20% de toda a água usada em irrigação nos EUA. Não demora em acabar, pois está baixando cerca de um metro por ano.

Chocantes, mesmo, são as conclusões na área dos efeitos sobre a saúde pública. Das 12 recomendações do capítulo, metade diz respeito ao abuso de antibióticos na agropecuária. Além de prevenir e tratar infecções nos animais, antibióticos também são empregados como aditivos na ração, para aumentar o ganho de peso.

Quanto mais se usam antibióticos, em humanos ou animais, pior se torna o problema da resistência. A maior parte das bactérias expostas a esses remédios morre. As poucas que tiverem resistência ao composto, porém, ganham uma enorme vantagem competitiva e se reproduzem rapidamente, passando a infectar os organismos sem que o antibiótico em questão possa eliminá-las. Com o tempo, surgem cepas terríveis de micróbios, que deixam os médicos sem ação.

O relatório diz que o fenômeno da resistência já se tornou “epidêmico”. Propõe, por isso, uma medida radical: banir todo uso não-terapêutico de antibióticos na pecuária. Ou seja, essas drogas só poderiam ser empregadas para tratar animais com infecção ou para prevenir infecções naqueles que comprovadamente tenham sido expostos a elas. Quanto ao uso terapêutico, propõe tornar obrigatória a regra de excluir do tratamento de animais aqueles antibióticos classificados como importantes para a saúde humana.

A Suécia baniu os antibióticos não-terapêuticos em 1986. A Dinamarca, em 1998. A União Européia, em 2006. Como resultado, vem diminuindo o reservatório de genes para resistência que poderia armar os germes capazes de atacar humanos (bactérias trocam material genético a torto e a direito).

E você, já ingeriu a sua ração diária de antibióticos?

Escrito por Marcelo Leite

20/04/2008 - 07:09h ‘O etanol passou a incomodar’

Produto brasileiro é vítima de campanha lançada por agricultores europeus e por ONGs financiadas por petroleiras, diz o ministro

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Lu Aiko Otta - O Estado de São Paulo

O crescimento do etanol no mercado internacional lançou Brasil e União Européia em uma batalha comercial, disse ao Estado o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Pressionados pela perspectiva de abrir seu mercado com a conclusão da Rodada Doha e pela decisão do bloco de adicionar 10% de biocombustíveis até 2020, os agricultores europeus lançaram uma campanha contra o produto brasileiro. Querem mais proteção e subsídios. Os ataques são engrossados por ONGs financiadas por petroleiras, disse o ministro.

O Brasil vem sofrendo derrotas em um front: o da comunicação. Por outro lado, no mundo dos negócios surgem investimentos de bilhões de dólares e a lista de países que começa a utilizar biocombustíveis está aumentando. Para o ministro, a transformação do etanol de cana em commodity internacional é questão de tempo. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Por que o etanol brasileiro está apanhando tanto?

Primeiro, porque há de fato uma crise de alimentos causada por vários fatores - e nenhum deles tem a ver com biocombustíveis. Além disso, o etanol atingiu um nível de produção de aceitação muito grande. Passou a incomodar comercialmente. Passa a ser mais um elemento de guerra comercial no mundo.

Estamos no meio de uma guerra comercial? Mas o biocombustível está só engatinhando no mercado internacional.

Durante muito tempo, engatinhou. Mas agora começa a se levantar porque a União Européia tomou a decisão de aumentar o etanol na gasolina. A Índia vai começar, em outubro, a misturar 10%. Outros países fazem o mesmo. Certamente, os chamados “inimigos” pensam que é melhor agir preventivamente.

Os inimigos, pelo que indicou o presidente, estão localizados na Europa. É isso mesmo?

Hoje, sim. Existe um enorme protecionismo. Parece-me que há uma forte ligação: com o etanol e a Rodada Doha, a Europa teria de se abrir mesmo. Alguns países já se manifestaram contra qualquer concessão que reduza o protecionismo. Mas, para implementar a mistura de etanol na gasolina, a Europa terá de abrir o mercado, porque não é capaz de produzir o etanol necessário para atingir a meta. Para os agricultores europeus, interessa muito uma guerra ao etanol. Não é coincidência ter uma substituição de mercado (produto brasileiro substituindo o europeu) e começar um contra-ataque.

Não é a primeira vez, então?

Eu me lembro que, no ano passado, alguns pecuaristas brasileiros ligaram aqui me dizendo que tinham conseguido substituir em grande parte os produtores de carne irlandeses. Um único frigorífico brasileiro substituiu toda a venda de boi em pé que a Irlanda fazia para o Líbano. Dois meses depois, começou uma enorme campanha na Irlanda contra o boi brasileiro. Estive na Inglaterra no ano passado e vi na televisão os anúncios que eles faziam. Com fotos do zebu, diziam que o Brasil enganava o consumidor irlandês, vendendo um boi que não era boi.

Ah, não?

Não. Zebu não era boi. Era zebuíno, outra coisa. E eles conseguiram impedir que o Brasil exportasse carne para a Irlanda. Ganharam pelo menos uma batalha, explorando um detalhe. E lideraram o processo que levou ao bloqueio da carne brasileira na Europa.

A resistência é só de agricultores?

Algumas ONGs - isso já foi identificado pelo governo brasileiro - são apoiadas por grandes petroleiras. Evidentemente, elas não querem ver o mercado ameaçado, principalmente quando se vê o petróleo a US$ 115 o barril. Cada litro de gasolina que ela deixa de vender é prejuízo. Aliás, uma das grandes razões para a alta dos alimentos no mundo - e isso não está sendo dito - é a enorme alta do petróleo, que causou um problema sério para transporte, para produção, para os fertilizantes e defensivos que têm origem no petróleo. E tenta-se colocar a culpa da alta dos alimentos no etanol. É justamente o contrário!

Então, estamos perdendo uma batalha no campo da comunicação?

Acho que sim. E não porque sejamos incompetentes, mas porque há poucos produtores de etanol no mundo, ainda, e não são organizados. Por outro lado, há grandes interesses de dezenas de anos, tanto dos agricultores europeus com seu protecionismo quanto pelos produtores de petróleo. Acho que não estávamos preparados para esse recrudescimento tão grande da campanha contra o etanol. O presidente, no ano passado, em todas as viagens, fez campanha pelo etanol. Nunca teve reação.

Há um ano, quando a União Européia promoveu um seminário internacional sobre biocombustíveis em Bruxelas, havia cheiro de protecionismo no ar. Já se falava em exigir uma certificação ambiental e trabalhista para o etanol.

O produtor brasileiro quer a certificação, porque ela responde a acusações absolutamente desprovidas de fundamento. Por exemplo: trabalho infantil e trabalho escravo. O único fato foi uma fazenda do Pará que tinha trabalhadores em condições subumanas. É uma fazenda que produz 0,000 alguma coisa do etanol brasileiro, no entanto isso foi notícia na Europa inteira.

Claro. E se acharem mais alguma coisa, vai ocorrer o mesmo.

Por isso, temos de ter enorme cuidado com a questão do trabalho. A questão da Amazônia: a cana para etanol ocupa 1% da área agricultável do Brasil. As pastagens, 20%. E ninguém nunca se manifestou contra as pastagens. Nas pastagens, as vacas e os bois, com sua flatulência, têm enorme efeito no aquecimento global. Ninguém nunca falou sobre os puns das vacas e dos bois brasileiros.

Esse impacto já foi calculado?

Não tenho esse dado. A briga se dá no campo da comunicação.

Como está o contra-ataque?

O presidente pediu para o ministério coordenar o contra-ataque. Vamos montar um grupo de trabalho. Uma das idéias é contratar uma empresa de relações públicas que possa trabalhar isso no exterior. E asseguraremos que todos os ministérios falem a mesma língua e todos os ministros, em todas as ocasiões, defendam o programa brasileiro. Nós estivemos com o presidente do Inmetro, pedimos para que acelere ao máximo o trabalho da certificação na área trabalhista, ambiental, do biocombustível. Eu acredito que a certificação será fundamental para contra-atacar a campanha contra o biocombustível.

A questão ambiental, como será abordada? O etanol é acusado de ser agente indireto do desmatamento.

O desmatamento da Amazônia não é feito por grandes proprietários, mas por pequenos. A grande questão, nesse caso, é dar opção às pessoas. É a mesma discussão que temos com madeireiros e arrozeiros. É muito fácil para o europeu, que já acabou com a floresta toda da Eurásia, dizer que temos de proteger a Amazônia. Temos de proteger a Amazônia e as pessoas que moram na Amazônia. Dar a elas uma alternativa de sobrevivência. É importante haver planos de manejo que possa ter uma ocupação racional, não poluidora.

Isso tem a ver com o etanol?

Não, nada. O processo de desmatamento é independente da produção de etanol. Se você olhar o mapa da produção de cana no Brasil, vai ver que é concentrada no Sudeste, no Nordeste e algumas manchas em Mato Grosso. E tem uma ou outra usina no Norte.

Apesar do tiroteio, há negócios ocorrendo na área, não?

De um ano para cá, grandes multinacionais decidiram investir para produzir etanol no Brasil. Estive em São Paulo no ano passado para dois eventos importantes. Um da Crystalsev em associação com a Dow para instalação de um pólo álcool-químico, que produzirá etanol, depois eteno e numa terceira fase polipropileno da cana. Substituirá uma enorme quantidade de plástico de petróleo por um plástico biodegradável. A Braskem também está em processo para produzir polipropileno. E já tem entendimento com a Toyota para, quando a produção estiver em fase industrial, começar a substituir peças de plástico do automóvel por peças de polipropileno de cana. Será outra revolução, a revolução do carro verde. Uma nova guerra. O investimento da Dow é superior a US$ 1 bilhão, o da Braskem também. O braço alcooleiro da Odebrecht já anunciou investimento superior a US$ 1 bilhão. Estivemos na China há três semanas. Empresas da China ligadas à produção de petróleo investiram US$ 600 milhões em fundos que investem na produção de etanol e na produção de usinas.

Como está o processo de transformar o etanol numa commodity?

É um processo longo. Quando se começa a produzir 3 milhões de veículos, 100% flex fuel, o quadro começa a mudar. A Índia decidiu misturar 10% de etanol na gasolina, os EUA têm um programa, o Japão vai misturar etanol na gasolina gradativamente. A Noruega tirou as tarifas sobre o etanol. Na Suécia, os ônibus da capital, Estocolmo, rodam todos com biocombustíveis. Com isso, percebe-se que o produto está-se tornando internacional. É um primeiro passo para se tornar uma commodity.

11/04/2008 - 13:36h CULTURA E REALIDADE BRASILEIRA: PALESTRA ABORDOU ADITIVOS ALIMENTARES

Indicado a este blog por um leitor, reproduzimos a entrevista sobre corantes do Dr. Márcio Bontempo.

Autor de diversos livros sobre alimentação e saúde, o médico Márcio Bontempo ..proferiu, em 28 de junho, a palestra de encerramento da disciplina “Cultura e Realidade Brasileira”, do curso de Pedagogia-Gestão Escolar. A principal questão tratada na palestra foi o papel do administrador escolar em relação à cantina do estabelecimento de ensino, tendo em vista os produtos lá comercializados. Foram comentados também assuntos ligados ao uso de aditivos químicos nos alimentos, ao consumo de carnes e derivados e ao vegetarianismo.

A principal preocupação do professor Amilton de Souza Rocha foi levar os alunos, futuros administradores escolares, a uma reflexão crítica e à tomada de consciência sobre a questão dos alimentos fornecidos na escola, alertando-os para a necessidade de um monitoramento de todos os produtos que chegam à cantina e o que se deve fazer para minimizar os problemas advindos do consumo de alimentos com aditivos químicos. O alerta é feito, sobretudo, tendo em vista a falta de consciência da população adulta quanto à escolha dos alimentos e às conseqüências desse comportamento para crianças e adolescentes, alunos do ensino fundamental e médio.

Por isso, para este evento, foi escolhido um profissional da área médica que, em várias publicações, vem tratando da relação entre a má alimentação e a manifestação de doenças. Para o doutor Bontempo, o problema das patologias que afligem a população tem sido, quase sempre, discutido como fato isolado, ignorando a sua relação com a educação alimentar. O médico considera que os problemas de saúde devem ser tratados em conjunto com o restante das questões humanas, econômicas e sociais.

Entrevista

O doutor Márcio Bontempo, em entrevista à redação do Informação Superior, opinou sobre alimentação, aditivos alimentares e doenças e sobre o papel do administrador escolar na oferta de alimentação aos alunos.

1) IS: O que são aditivos químicos alimentares?
Márcio Bontempo: São substâncias químicas criadas pela indústria dos alimentos, incorporadas aos produtos alimentícios, visando geralmente à conservação, mudança ou estabilização da cor. É sabido que 91% dos corantes e aromatizantes utilizados pela indústria dos alimentos são supérfluos. Temos, assim, 9% de elementos essenciais. Fala-se que os aditivos são importantes e necessários, mas sabemos que não é assim. Eles são perigosos, penetram no âmago celular e hoje representam um perigo para a manutenção da saúde genética da humanidade.

2) IS: Qual é a origem dos aditivos alimentares?
MB: A maior parte dos aditivos principais (corantes e aromatizantes) provém do alcatrão e da ulha, derivados do petróleo, mas existem também os antibióticos e os naturais, de origem vegetal.

3) Como o consumidor pode fugir desses produtos?
MB: Não é difícil. Deve-se consumir frutas, legumes, cereais integrais e compostos mais naturais e evitar alimentos industrializados. As pessoas vêm usando cada vez mais produtos sintéticos e o problema é que se acostumaram a usar itens artificiais, a consumir fast food, alimentos imediatos, de rápido preparo, coisas que tornam artificial a alimentação.

4) Como o administrador escolar pode monitorar esse tipo de comercialização?
MB: Ele pode fazer isso por meio da cantina da escola, munindo-se de muita paciência e procurando ter o máximo de consciência em relação ao que é oferecido. O trabalho e a abordagem, quanto à conscientização, variam de acordo com a faixa etária dos alunos. O administrador escolar pode trabalhar junto à cantina escolar, oferecendo alimentos mais naturais. Não é preciso ter guloseimas coloridas, iogurtes e outros itens ricos em açúcar, corantes, aromatizantes, substâncias perigosas. Isso não é necessário, são coisas muito supérfluas. As crianças na cantina escolar compram geralmente itens supérfluos e o administrador deve saber que elas consomem esses produtos antes das refeições e, quando chegam em casa, comem pouco e absorvem quantidades de nutrientes muito aquém das necessidades, o que é um problema. O administrador escolar tem que formar essa consciência na escola que ele administra. São questões amplas e o bom gestor, interessado em conhecer o assunto, vai cumprir uma função muito maior porque, além de sua função pedagógica, estará também ensinando saúde. E isso é muito importante.

02/04/2008 - 03:31h Cristina põe base na rua contra locaute

Piqueteiros pró-governo e militantes peronistas lotam praça de Maio; país proíbe exportação de carne

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ADRIANA KÜCHLER - FOLHA DE SÃO PAULO

DE BUENOS AIRES

No 20º dia do locaute agropecuário que levou ao desabastecimento de alimentos em toda a Argentina, a presidente Cristina Fernández de Kirchner fez um novo pedido para que os produtores agrícolas liberem as estradas bloqueadas por piquetes há três semanas.
Desta vez, o chamado foi feito diante de milhares de manifestantes, entre grupos piqueteiros aliados à Casa Rosada e movimentos peronistas, que se reuniram na praça de Maio em um ato de defesa e demonstração de força do governo.

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No discurso, Cristina criticou os líderes agropecuários. “Como se pode representar o povo e orgulhar-se de desabastecê-lo?”, indagou a presidente. “Nunca vi tantos ataques a um governo eleito pelo povo.”
Essa foi a quarta fala da presidente em uma semana. Na terça-feira passada, um duro discurso de Cristina agravou o locaute, reação do setor agropecuário ao aumento de impostos sobre a exportação de grãos.
Em rara declaração pública desde que deixou o cargo, em dezembro, o ex-presidente Néstor Kirchner fez coro aos discursos da mulher e sucessora, dizendo ontem à imprensa que “a democracia não se discute com atos de extorsão”.
Na praça de Maio, vários “manifestantes” levavam pedaços de pau sem bandeiras. Policiais, de longe, informavam que não agiriam por não terem recebido ordens para tanto.

Desabastecimento

Diante da escassez de alimentos, o governo decidiu ontem impedir temporariamente as exportações de carne bovina para garantir o abastecimento interno. Falta carne em 90% dos estabelecimentos do país.
Como alternativa às estradas bloqueadas, algumas empresas, como redes de supermercados, começaram a alugar aviões da Força Aérea argentina para transportar mercadorias.
Embora se mostre “otimista” em relação ao fim da paralisação agropecuária, o ministro do Interior, Florencio Randazzo, afirmou ontem que os ruralistas “têm o povo como refém” ao impedir que os alimentos cheguem à população.
Os líderes das quatro principais entidades agrícolas, que comandam o locaute, preferiram manter silêncio ontem. Na segunda, o governo havia anunciado um pacote de medidas compensatórias que não agradou aos ruralistas por ser voltado só aos pequenos produtores.

16/12/2007 - 11:19h CEOs do Brasil, interlocutores de Cristina


APRETON. CARLOS OLIVA FUNES Y LOS DUEÑOS DE FRIBOI,
EN SETIEMBRE. (Foto: Nestor Sieira)

Silvia Naishtat

 

Clarín

Aunque dicen que estaba programada, la salida de Carlos Oliva Funes de la presidencia de Swift, el mayor productor de carne del país ahora en manos del brasileño JBS, simboliza cómo cambiaron los interlocutores. A diferencia de otras multis que prefieren managers locales, en parte porque Argentina pesa poco en sus negocios globales y deciden no traer ejecutivos clave, los brasileños designan brasileños en la máxima posición. Pasa en Petrobras, Camargo Correa y hasta en Quilmes de la belga y cada vez menos brasileña Ambev, que tiene como CEO a Jao Castroneves.

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16/12/2007 - 11:11h CEOs do Brasil, interlocutores de Cristina


APRETON. CARLOS OLIVA FUNES Y LOS DUEÑOS DE FRIBOI,
EN SETIEMBRE. (Foto: Nestor Sieira)

Silvia Naishtat

 

Clarín

Aunque dicen que estaba programada, la salida de Carlos Oliva Funes de la presidencia de Swift, el mayor productor de carne del país ahora en manos del brasileño JBS, simboliza cómo cambiaron los interlocutores. A diferencia de otras multis que prefieren managers locales, en parte porque Argentina pesa poco en sus negocios globales y deciden no traer ejecutivos clave, los brasileños designan brasileños en la máxima posición. Pasa en Petrobras, Camargo Correa y hasta en Quilmes de la belga y cada vez menos brasileña Ambev, que tiene como CEO a Jao Castroneves.

Pero el caso de Oliva Funes tiene un sabor especial. Junto con la familia Bameule son el nombre y apellido de la carne argentina. En octubre los Bameule, famosos por las hamburguesas Paty, también vendieron al brasileño Marfrig.

La adquisición de Swift por JBS en 2004 fue la primera operación de envergadura en este sector. Se llevaron una joya con la planta de Rosario que, de acuerdo a Bernardo Kosacoff, director de la CEPAL, reúne a la mejor mano de obra frigorífica del planeta con una tradición de cien años en el oficio. JBS la convirtió en su plataforma de despegue internacional. Primero adquirió varias plantas aquí y luego dio el salto a EE.UU. Hoy son los principales productores de carne del mundo y número uno en alimentos en su natal Brasil. Este grupo, de la familia Friboi, pasó de 20.000 a 40.000 empleados y de US$ 2.000 millones a US$ 11.500 millones en facturación. Decididamente, una escala superlativa si se mide con los frigoríficos locales que aún quedan en pie.

Por lo demás, Oliva Funes ya tiene su destino asegurado: con un nuevo grupo inversor se dedicará a la producción de carne porcina para que se transforme en un sustituto de la vacuna. Pero al margen de especulaciones interesadas, ha trascendido que resulta difícil digerir en las plantas argentinas la cultura brasileña. Puestos en acción, los manuales de procedimiento en la relación con sindicatos, proveedores y clientes no son los mismos. Y cuentan que la presión por bajar costos y exportar se hace notar demasiado.

24/10/2007 - 11:09h Expansão agrícola do País será ‘espetacular’

Mas OCDE alerta para impactos no meio ambiente

Genebra - O Estado de São Paulo

O Brasil será o maior exportador de soja do mundo em 2009 e, em dez anos, venderá mais carne que todos os seus concorrentes juntos. As projeções são da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que destaca o crescimento “espetacular” da agricultura brasileira nos próximos dez anos.

Mas a entidade não esconde o temor pelo impacto desse crescimento no meio ambiente. Para a OCDE, o País tem a “difícil tarefa” de resolver o dilema entre proteger as florestas e aproveitar as oportunidades de negócios. Outro problema é a concentração cada vez maior de terras que nem a reforma agrária poderá reverter.

As projeções para a agricultura mundial até 2016 não deixam dúvida de que o futuro do etanol definirá o volume de terra destinado aos demais setores, e até definirá o preços das commodities. Nesse cenário, a OCDE estima que o Brasil tem tudo para avançar na produção.

Segundo as projeções da entidade, as exportações devem promover o “retorno de um sólido crescimento no Brasil”, com taxas do PIB beirando 4% por ano até 2016. Nem mesmo o real valorizado deve ser um problema para a expansão das exportações nacionais de produtos agrícolas. A OCDE, porém, não descarta que a demanda internacional pelos alimentos brasileiros possa acabar gerando inflação no País.

Outra preocupação da entidade é com o impacto da expansão agrícola do Brasil no meio ambiente. “As autoridades brasileiras se confrontam com a difícil barganha entre os benefícios econômicos da expansão agrícola e os benefícios ambientais da preservação da floresta”, diz o relatório, que destaca a Amazônia como apenas um desses dilemas. “O impacto dos pesticidas e do uso agrícola da água sobre os recursos são outras preocupações geradas pelo sistema produtivo no Brasil”, alerta a OCDE.

Apesar disso, as projeções são de crescimento da produção em quase todas as áreas. No setor de carnes, por exemplo, o País vai chegar a 2016 superando o volume de todos os demais concorrentes juntos e dominará 28% da carne exportada no planeta. Isso significa um total de exportações superior às vendas de Estados Unidos, Canadá, Argentina e Austrália somados. Hoje, o País tem 23% desse mercado. Segundo as projeções, o mercado mundial de carne deve aumentar em 7 milhões de toneladas até 2016. Já as vendas brasileiras devem adicionar outras 3 milhões de toneladas do mercado, chegando a 8,4 milhões de toneladas de carne.

O Brasil ainda vai superar as exportações dos Estados Unidos em soja até 2009, com seu crescimento de 3,9% por ano na produção. Em dez anos, a produção no País aumentará em mais de 54% e o Brasil responderá por 38% da produção mundial. A expansão ocorrerá tanto graças ao aumento da produtividade como da área plantada.

Em termos de exportação, o País somará 18 milhões de toneladas até 2016. Na prática, o Brasil passará a ter 41% do mercado, ante os 30% de que dispõe hoje. A OCDE destaca que os exportadores de soja são beneficiados por políticas tributárias.

CONSUMO

Ao contrário das últimas décadas, porém, os maiores índices de crescimento do consumo não estão nos países ricos, mas nos emergentes. Para a OCDE, os países exportadores devem se focar nesses mercados, se de fato querem expandir suas vendas. No setor de carnes, por exemplo, o aumento do consumo nos países emergentes será de 3,2% por ano, ante 0,9% nos países ricos.

O mesmo deve ocorrer com o consumo de manteiga, que terá alta de 3,4% ao ano nos países em desenvolvimento e estagnação nos ricos. No caso do açúcar, a alta será de 2,2% por ano nos emergentes, ante 0,5% nos países desenvolvidos. O resultado é a queda na participação dos países ricos entre os principais consumidores e a transformação da China na maior importadora de soja do mundo.

De fato, a OCDE prevê que a década pode ser a melhor em crescimento da história. Isso graças à entrada de países emergentes nos mercados. Nem mesmo a crise americana seria um problema, já que poderia ser rapidamente superada. Brasil, Índia, China e Rússia teriam uma participação cada vez maior na economia mundial e serão a chave para o desempenho positivo até 2016. J.C.

NÚMEROS

28 %
da carne exportada no planeta em 2016 será proveniente do Brasil, ante 23% atualmente

3,9 %
ao ano é o crescimento da produção de soja brasileira

54 %
é a projeção de crescimento da produção de soja em 10 anos

41 %
do mercado mundial da soja deverá ser do Brasil nos próximos 10 anos, ante os 30% atuais

07/09/2007 - 13:16h Apesar do otimismo, presidente mostra preocupação com alta dos alimentos

BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, durante entrevista a emissoras de rádio, que o Banco Central (BC) vai continuar perseguindo o cumprimento da meta de inflação (4,5% neste e nos próximos dois anos), pois o governo não está disposto a abrir mão do controle sobre a variação dos preços. Neste contexto, Lula avaliou que a redução do corte da taxa básica de juros Selic, de 0,5 ponto percentual para 0,25 ponto, faz parte desse objetivo.

O presidente afirmou que o mercado interno é extremamente importante e é a “mola propulsora” da sustentabilidade do modelo econômico em vigor e do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Mas demonstrou preocupação com a alta de preços no setor de alimentos, principal responsável pelo aumento da inflação. A elevação do índice também guarda relação com o aquecimento da atividade econômica e o aumento da renda.

— Não iremos permitir que a inflação volte, porque na hora em que ela voltar, o prejuízo é direto no bolso das pessoas que vivem de salário e das pessoas mais pobres. — Quando atinge dois dígitos, ninguém segura mais. Nós não iremos permitir que a inflação saia da meta — afirmou o presidente, que alertou os especuladores para que “tirem o cavalo da chuva, porque a inflação não vai voltar”.

A escalada dos preços, no entanto, não será contida com medidas de estímulo à compra de produtos no exterior. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, adiantou ontem ao GLOBO que não será reduzida a alíquota para importação de trigo, produto que está em alta, puxando uma série de outros itens, como pães e massas.

Mantega informou que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) já concluiu os estudos e apontou que a medida não reduziria os preços no mercado doméstico.

A solicitação de mudança na taxa, hoje de 10%, foi feita pela associação que representa os produtores brasileiros, a Abitrigo.

Isso porque a Argentina, principal fornecedor brasileiro, limitou as exportações do grão por enfrentar problemas de abastecimento doméstico.

— Já tenho relatório, e ele mostra que não adianta baixar a alíquota pois não vai baixar o preço — afirmou o ministro.

Fazenda monitora preços para evitar alta do índice Mantega explicou que a segunda opção de mercado para o Brasil seriam os Estados Unidos.

Porém, devido ao custo de transporte — 25% do preço de cada tonelada do trigo — não haveria qualquer tipo de compensação. Além disso, pesa o fato de a cotação do grão — uma commodity — ter subido no mundo inteiro.

Para os demais produtos que pressionam a inflação — lácteos e carnes — Mantega afirmou que também não cogita diminuir as tarifas de importação neste momento, pois não existe chance de efeito prático sobre os preços internos. No caso das carnes, porque o Brasil é o maior produtor e exportador do mundo. No caso dos lácteos, porque também houve aumento no exterior.

— Mas se houver algum setor com uma alta de preço, e a redução da alíquota de importação contribuir para baixar (o preço), não titubearemos em fazer — afirmou, incluindo cimento e aço entre os itens que também estão sendo monitorados pela Secretaria de Acompanhamento Econômico. O Globo (para assinantes)

05/09/2007 - 15:42h Governo brasileiro age para evitar aumento da inflação

Brasil não pode dar subsídio aos produtores argentinos e manter um desabastecimento que provoca aumento de preços na farinha e seus derivados.

No caso do leite e da carne o mesmo motivo recebe a mesma resposta do governo brasileiro, só que neste caso favorecendo Argentina e penalizando os produtores brasileiros.

Agindo assim o governo federal mostra que não permitirá nenhum surto inflacionário e manterá a meta de inflação baixa, fixada pelo Presidente da República e monitorada pelo Banco Central.

A inflação e a carestia prejudicam em primeiro lugar os trabalhadores brasileiros.

Os produtores, argentinos em um caso e brasileiros no outro, não podem impor aumento nos preços na base da forte demanda e baixa oferta. Devem, isso sim, ampliar a produção e compensar no crescimento da venda as margens de lucro.

Luis Favre


Jornal Clarín de Argentina
Brasil libera las compras de trigo y daña a la Argentina

Perjudica al país por un monto de más de 1.000 millones de dólares al año.

Intercambio comercial Argentina-Brasil



Eleonora Gosman SAN PABLO. CORERSPONSAL
egosman@clarin.com

Brasil va a liberar la importación de trigo de países de afuera del Mercosur. El ministro de Hacienda, Guido Mantega, informó que ya envió una resolución a la Cámara de Comercio Exterior de Brasil (organismo oficial que depende de la presidencia brasileña) para bajar a cero el arancel que grava las importaciones del cereal desde terceros mercados. La medida tiene como principal damnificada a la Argentina que abastece 40% del total del mercado brasileño, lo que le representa un ingreso anual de más de 1.000 millones de dólares.

El equipo económico brasileño considera que al igual que el trigo, también deberá flexibilizar las importaciones de leche y de carne. En estos dos casos, las ventas argentinas son relativamente bajas, del orden de los 100 millones de dólares anuales. Ocurre que en el sector lácteo existe un acuerdo de auto-restricción de exportaciones que Brasil consiguió imponer a sus socios argentinos y uruguayos, principales productores de ese bien dentro del Mercosur. En estos dos rubros, el principal perjudicado será el productor brasileño y los principales beneficiados serán los argentinos y uruguayos que podrán vender con más libertad en el mercado vecino.

Al anular el arancel externo del trigo, que hoy está fijado en 10%, los productores de harina de Brasil podrán importar desde Canadá y Estados Unidos. En realidad, lo que está de por medio es un problema de precios: al abrir las importaciones del cereal desde mercados que subsidian, como el canadiense y el norteamericano, se obliga a los productores argentinos a ponerse en línea con los valores más bajos.

El argumento que esbozaron los privados brasileños es que Argentina suspendió desde marzo envíos de trigo. Eso los habría obligado a comprar a canadienses y norteamericanos a un precio como mínimo tan caro como el argentino. Lo que quieren precisamente es nivelar para abajo deduciendo de las importaciones desde América del Norte el 10% del arancel. El secretario de Comercio Exterior brasileño, Armando Meziat, declaró que “hubo un desequilibrio entre la oferta y la demanda de trigo en el mundo y eso llevó los precios para arriba”. El total del consumo brasileño de trigo llegó el año pasado a 10 millones de toneladas anuales; de esa cifra, 4 millones fueron vendidos por los argentinos.

Otros de los argumentos oficiales que explicarían la decisión de bajar a cero los aranceles de alimentos (además de trigo, leche y carnes hay otros tres en vista) es que en Brasil hay un proceso inflacionario.

Clarín intentó ayer recabar informaciones en medios diplomáticos argentinos, pero no obtuvo respuesta. Esta corresponsal no tuvo respuesta. La medida, en sí misma, es violatoria del tratado fundamental del Mercosur que establece la obligación para todos los socios de cumplir estrictamente con el Arancel Externo Común, que es lo que hace del bloque una unión aduanera.