20/11/2008 - 11:06h Frente parlamentar defende piso nacional dos professores

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Cristiane Agostine, de Brasília – VALOR

No período em que Estados e municípios negociam a aprovação de seus Orçamentos para 2009, deputados federais e senadores pressionam os governadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Ceará, Mato Grosso do Sul e Paraná a implementarem o piso nacional para os professores. Lançaram ontem uma frente em contraposição à Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida pelos cinco Estados contra a lei que criou o piso, de R$ 950, e aumentou a carga horária da educação básica.

Com mais de 150 assinaturas, segundo a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA), a frente protestará nos Estados para que os governadores reformulem seus Orçamentos”. A Adin é uma afronta ao Congresso, ao movimento sindical e aos professores”, disse a senadora Ideli Salvatti (PT-SC).

Na ação apresentada pelos Estados contra a Lei 11.738/08, que instituiu o piso, os governadores argumentam que a medida não cabe no Orçamento. “A lei extrapola ao legislar sobre a carga horária”, diz a secretária de Educação do Ceará, Maria Izolda Cela. A medida, diz, levará o governo estadual a contratar mais de 7 mil professores, o que aumentará os gastos em R$ 102 milhões. “Não consigo entender a postura do governo federal”, diz.

Em nota, a Secretaria de Educação de Santa Catarina adverte para o risco de se ultrapassar os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. A secretaria contesta a inclusão do aumento de horas-atividade e diz que terá de contratar 5,4 mil profissionais.

O cumprimento do piso será escalonado. O valor integral deve ser pago em 2010 para uma jornada de 40 horas semanais. O benefício também será destinado a aposentados e pensionistas. Além do piso, a lei, em vigor desde julho, estabelece que os professores devem reservar um terço da carga horária a funções fora da sala de aula, como planejamento das lições e correção de provas.

Os Estados e municípios que comprovarem não ter condições de pagar o reajuste terão complementação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica. Segundo o governo federal, cerca de 40% dos professores em início de carreira recebem menos do que o piso. É a primeira categoria a ter piso salarial definido na Constituição.

Na frente, já há divergências. Segundo o deputado federal Gastão Vieira (PMDB-MA), o movimento está politizando a discussão contra os partidos dos governadores.

10/08/2008 - 11:46h Homem no trabalho e mulher em casa, uma idéia com menos adeptos

A imagem “http://www.estadao.com.br/fotos/bebe_div.jpg” contém erros e não pode ser exibida.Estudo mostra que o número de pessoas que acredita que o papel do homem é trabalhar e ganhar dinheiro, enquanto cabe a mulher cuidar da casa e dos filhos, diminuiu.

Em 1984, 59,2% das mulheres e 65,5% dos homens acreditavam nesta visão, em comparação com 31,1% das mulheres e 41,1% dos homens em 2002.

Porém, mais pessoas acham que mãe que trabalha prejudica filhos

- Um levantamento da Universidade de Cambridge divulgado nesta semana indica que mais pessoas acreditam que o fato de uma mãe trabalhar fora de casa pode ter um impacto negativo sobre a família.

O estudo comparou resultados de pesquisas realizadas nos anos 80, 90 e 2000 na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos e na antiga Alemanha Ocidental. A amostragem de entrevistados variou de mil a cinco mil pessoas.

Em 1998, 51% das mulheres e 49,5% dos homens acreditavam que a vida familiar não iria sofrer se a mulher trabalhasse.

Este resultado caiu para 46% das mulheres e 42% dos homens em 2002, em meio à “crescente simpatia” pela visão de que as mulheres deveriam cuidar da casa e dos filhos.

Síndrome da ‘’supermãe”

O estudo, conduzido pela socióloga Jacqueline Scott, usou dados recentes do Programa Internacional de Pesquisa Social e de levantamentos anteriores.

Segundo Scott, a idéia de que o apoio para que as mulheres ocupem um lugar de igualdade com os homens no mercado de trabalho vinha crescendo solidamente é “claramente um mito”.

Segundo a socióloga, “em vez disso, há evidências claras de que a mudança de papel da mulher é vista como tendo custos para a mulher e para a família”.

“É concebível que as opiniões estejam mudando e o brilho da síndrome de ’supermãe’ esteja ficando gasto”, disse. “A idéia de que mulheres possam combinar carreiras poderosas enquanto assam biscoitos com os filhos e lêem histórias para eles dormirem é cada vez mais vista como não realizável pelos simples mortais.”

Pressão

O estudo acrescenta que é preciso agora investigar a razão da mudança de atitude e pergunta se é por que cuidar da família é visto como trabalho de mulher, ou por que as pessoas acreditam que na prática, não há alternativa.

Segundo a socióloga, uma mudança de atitude não é a mesma coisa que uma mudança de comportamento, mas importa.

“As mulheres, principalmente as mães, podem experimentar considerável pressão quando as atitudes reforçam a noção de que emprego e interesses familiares são conflitantes”, disse ela.

“Se formos progredir na criação de políticas para criar oportunidades iguais de trabalho para as mulheres, precisamos saber mais sobre quais papéis para cada sexo as pessoas vêem como práticos, assim como possíveis e justos.”

O estudo também mostra que o número de pessoas que acredita que o papel do homem é trabalhar e ganhar dinheiro, enquanto cabe a mulher cuidar da casa e dos filhos, diminuiu.

Em 1984, 59,2% das mulheres e 65,5% dos homens acreditavam nesta visão, em comparação com 31,1% das mulheres e 41,1% dos homens em 2002.

Fonte BBC

29/07/2008 - 13:44h Cobranças externas e internas afetam evolução profissional da mulher

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Maria Vianna – O Globo

RIO – A sensação de que as mulheres que alcançam cargos de chefia precisam provar não só sua competência, mas que também são melhores que seus colegas do sexo masculino não é apenas impressão. Pesquisa feita pela pela Universidade de Brasília (UnB), mostra que, em setores dominados por homens, elas precisam trabalhar mais do que eles se quiserem evoluir na carreira, além de serem avaliadas com mais dureza quando alcançam cargos altos.

- Sem dúvida, o mercado de trabalho vem melhorando para a mulher, mas ainda existe um preconceito em relação à competência delas, principalmente em mercados ou profissões essencialmente dominadas por homens. As mudanças não acontecem da noite para o dia, e mesmo quando as pessoas dizem que a competição entre um homem e uma mulher é igual, ela não é – avalia a professora de psicologia clínica Maria Luiza Bustamante, do Insituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Uerj).

” Mesmo quando as pessoas dizem que a competição entre um homem e uma mulher é igual, ela não é (Maria Luiza Bustamante, psicóloga) “

A professora cita como exemplo a recente disputa entre os senadores Hillary Clinton e Barack Obama para a vaga de candidato democrata nas eleições americanas.

- A Hillary era mais experiente, tinha mais conhecimento e uma carreira com mais conquistas, mas, por ser mulher, foi avaliada de forma bem mais dura pela imprensa, pelos eleitores e pelo partido – avalia a psicóloga.

A economista Hildete Pereira, do Departamento de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), discorda que as mulheres sejam sempre mais pressionadas e exigidas do que os homens.

- A cobrança é alta, mas tanto para os homens quanto para as mulheres. A competição acirrada é causada pelo mercado cada vez mais difícil. O homem tem seu complexo de Super-Homem e ela quer ser a Mulher Maravilha – acredita Hildete.

Porém, a especialista concorda que muitos empregadores e colegas ainda têm um pouco de preconceito contra mulheres que optam por não ter filhos e preferem se dedicar à carreira e a outros interesses. Em pesquisa feita por ela com mulheres brasileiras, dados apontam que 44% das mulheres que chegam a cargos de gerência acabam não tendo filhos.

- Quem almeja por um cargo executivo precisa fazer sacrifícios. Isto vale tanto para ele como para ela. Depende de cada um decidir o que quer abrir mão em nome da carreira – completa.

Cobrança pelo sucesso começa cedo

http://brasil.business-opportunities.biz/wp-content/uploads/2007/03/woman.jpgAlém das cobranças externas, as mulheres também acabam estressadas no ambiente de trabalho por conta de exigências internas. Comportamento que, segundo psicólogos, costuma ser construído na infância. Uma pesquisa feita pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, mostrou que as adolescentes já reagem de forma mais intensa a fracassos escolares. O estudo, publicado no Journal of Adolescent Health deste mês, mostrou que elas são mais sensíveis às expectativas e que tanto o medo das notas baixas como suspensões e avaliações negativas dos professores podem levá-las a sofrer de depressão no início da vida adulta.

” Depende de cada um decidir o que quer abrir mão em nome da carreira (Hildete Pereira, economista) “

Só que nada disso deve servir de justificativa para abandonar o mercado de trabalho, acredita a psicóloga da Uerj. Para ela, as mulheres sofrem mais do que os homens quando começam investir na carreira porque têm que tomar decisões mais difíceis do que eles.

- A mulher que quer ter filhos inevitavelmente vai ter que lidar com questões do tipo ‘qual o melhor momento para engravidar’ e vai ter que aprender a conciliar a vida familiar com a profissional de uma forma diferente do homem. Porém, as dificuldades enfrentadas por elas não devem ser motivo para não investir na carreira. Hoje, a mulher que não tem uma profissão certamente sofre mais do que uma que trabalha. Os valores estão mudando. As que não trabalham costumam se sentir bem mais desvalorizadas e deslocadas do que aquelas que trabalham duro – acredita Maria Luiza Bustamante.