08/11/2008 - 12:27h Elementar, minha querida Carta Capital
Carta Capital é uma revista que faz um jornalismo sério e que por isso merece meu respeito e apoio.
Três semanas atrás um artigo sobre as eleições municipais afirmava, erradamente, que o comercial polêmico da campanha da Marta tinha contado com minha participação.
Enviei uma carta para indicar que a informação era inverídica (ver novamente minha carta embaixo), ressaltando que o autor da matéria não tinha sequer me contatado para checar a informação. Minha carta recebeu como resposta a afirmação que o jornalista “conversou com fontes que têm posição privilegiada na equipe de campanha da ex-prefeita” que teriam informado o repórter sobre minha participação e responsabilidade. Curioso a revista não considerar que, mesmo contando com essas “fontes”, foi um erro não ter checado a “informação” comigo.
O dever da revista é tentar oferecer ao leitor veracidade. Amparado em “fonte anônima” e sem incluir minha própria versão, o jornalista se presta em verdade a ser manipulado por interesses que em princípio não o concernem. Ou sim?
Em todo caso, os membros da coordenação da campanha enviaram conjuntamente uma carta à revista e obtiveram como resposta uma grosseria (vejam aqui embaixo).
No fundo pouco importa se o jornalista inventou o fato a mim atribuído, ou se alguém da própria campanha mentiu para ele. O que sim importa é que a revista errou. Transmitiu uma falsa “informação” e persiste em querer se esconder perante as “fontes” para justificar ter publicado uma informação que não procede.
Fico perguntando para meus botões (não é só Mino que tem botões). Porque a revista não me procurou antes de publicar essa “informação”, para ouvir minha versão?
Evidentemente não estou nem aí sobre quem possa ter transmitido a mentira para o repórter de Carta Capital. A falta de coragem e de ética me parecem duas características muito presentes nos meios políticos e jornalísticos. Pensava que com Carta Capital era um pouco diferente.
A revista tem o direito evidente de preservar uma fonte mentirosa. O que ela não pode é publicar uma mentira e fazer de conta que a responsabilidade não é dela e sim da “fonte” anônima que a enganou. Não fui eu quem fui “traido”, foram a verdade dos fatos nas páginas de Carta Capital e a vítima foram seus leitores.
Luis Favre

Carta a Carta Capital publicada na edição de hoje da revista (edição 521 com data 12/11/2008)
Em sua edição de número 519, Carta Capital publicou correspondência de Luis Favre, em que ele negava informação publicada pela revista de que teria sido um dos responsáveis por comercial da campanha de Marta Suplicy. Em nota de resposta, Carta Capital afirmou que “conversou com fontes que têm posição privilegiada na equipe de campanha da ex-prefeita”, que teriam fornecido a “informação”. Somos coordenadores da campanha de Marta Suplicy, responsabilidade que exercemos publicamente e, em face da nota de Carta Capital, escrevemos para afirmar que Luis Favre não teve nenhuma participação na elaboração de programas e comerciais da campanha, tampouco opinou sobre eles. E o fazemos sem nos esconder sob o manto conveniente do anonimato, que encobre propósitos e interesses.
Carlos Zarattini
Rui Falcão
Simão Pedro
Valdemir Garreta
Jilmar Tatto
Antonio Carlos Gambarini
Luciano Barbosa
Tadeu Dias Paes
Glauco Piai
Resposta da Redação
Sugerimos ao Sr. Luis Favre que reúna os acima-assinados para uma partida do famoso Detetive. Talvez ele descubra quem são os “culpados” e se eles o apunhalaram na cozinha ou na sala de estar.
Carta enviada sábado 18/10/2008 para o correio dos leitores da revista “Carta Capital”
“O artigo “É pau, é pedra”, de Rodrigo Martins traz uma menção a minha pessoa, a partir de uma fonte anônima, como um dos responsável pelo comercial da campanha da Marta, objeto do artigo. O anonimato da fonte guarda estreita relação com o calíbre da mentira.
Não fui contatado pelo jornalista para checar a veracidade da suposta “informação”. Os que me conhecem sabem que, diferentemente de aqueles que se escondem no anonimato para apunhalar companheiros pelas costas, não sou dos que escondem suas responsabilidades no que fazem.
Não tenho participado desta campanha eleitoral, não dei nenhuma opinião sobre nenhum programa o comercial; programas e comerciais que vi, como o resto dos paulistanos, quando transmitidos na TV.
Tenho publicamente opinado sobre a campanha no meu blog, Leituras Favre, assim como sobre outros assuntos da política. Rejeito qualquer insinuação de homofobia ou preconceito dirigidos contra Marta e contra minha pessoa, pois sempre identificamos nossa luta com o combate a toda discriminação.
Gostaria de acrescentar que Marta Suplicy não é dos políticos que “transferem” para outros suas próprias responsabilidades. Talvez acostumados a políticos que praticam isto com desinvoltura, alguns se permitem duvidar da palavra dos que sempre agiram com autenticidade e transparência.”
Luis Favre
18/10/2008


