08/04/2008 - 03:29h A política da desimportância

VALOR

A agenda política nacional das últimas semanas (para não dizer dos últimos meses) vem sendo tomada por temas irrelevantes para o destino do país. Não bastasse toda a energia despendida com o cutiliquê do cartão corporativo, temos agora o ressurgimento da baboseira acerca do terceiro mandato de Lula. E, enquanto a classe política e a mídia se ocupam de inutilidades desta monta, o país deixa de tratar do que é realmente relevante, como o aprimoramento de instituições que permitam dar sustentabilidade tanto ao crescimento econômico de longo prazo como à redução da desigualdade.

E vale notar que muito embora a iniciativa das principais políticas se deva ao governo, é principalmente à oposição (à sua inapetência) que se deve a modorra em que estamos atolados. Isto porque a oposição mostra-se incapaz de contrapor-se ao governo no que concerne à proposição de políticas alternativas. No máximo conseguiu atuar como coalizão de veto, derrubando a prorrogação da CPMF. E de tanto acusar os atuais ocupantes do Planalto de nada mais fazer senão seguir os seus próprios passos, auferindo popularidade unicamente por dar seqüência às boas práticas iniciadas durante os anos FHC, tucanos e democratas acabaram por abdicar de uma agenda própria. Afinal, se o imenso prestígio popular do presidente Lula se deve a vir ele fazendo aquilo que a oposição não apenas acha que deveria ser feito, mas fez ela mesma quando dirigiu o país, então por que não sentar-se e aplaudir? Porque ao fazer isto os opositores abririam mão do que mais lhes importa como contraponto do atual governo – a possibilidade de manter-se acesa na disputa pelo poder em 2010.

Só oposição é capaz de melhorar a pauta

O curioso é que, quanto a este objetivo, os opositores do atual governo não têm muito do que se queixar, pois dispõem das melhores alternativas de candidatos competitivos, como mostram as pesquisas. Serra está muito à frente de seus eventuais adversários e Aécio Neves tem hoje condições de crescer mais do que o melhor colocado dentre os possíveis postulantes nas hostes situacionistas, o deputado Ciro Gomes – que conta com um piso elevado e um teto baixo. É possível à oposição apresentar-se em 2010 como opção de continuidade a um governo que é, ele próprio, uma continuação sua – ao menos no que tem de bom e aprovado popularmente, claro. Porém, sendo assim, a diferenciação apenas poderá se dar pela crítica moral: “Nós usamos o cartão corporativo de forma decente; nós não empregamos toda a companheirada; nós não pagamos ´mensalão´ etc.”. É muito pouco e pode custar caro a partir do momento que a campanha realmente começar. Noutras palavras, ao não oferecer um projeto alternativo real ao país, a oposição corre o risco de se tornar desinteressante ao eleitor. Afinal, se é para continuar a mesma coisa, talvez o eleitor seja convencido de que há alternativas autenticamente continuístas.

É diante deste cenário prospectivo e em meio à tentativa da oposição de aleijar moralmente mais uma liderança do governo petista – a ministra Dilma Rousseff – que acólitos do presidente saíram a público para mais uma vez acenar com a ameaça (melhor dizer o blefe) do terceiro mandato. O vice-presidente lançou mão, inclusive, de um brutal erro histórico para justificar a defesa da prorrogação do período de Lula no poder: se Franklin Delano Roosevelt, de tão bem que se saiu na superação da crise de 1929 ganhou um terceiro termo pela Emenda 22, por que não Lula? Na verdade, ao contrário do que afirmou José Alencar, a referida emenda à Constituição americana pôs fim à possibilidade de mais do que dois mandatos presidenciais – subseqüentes ou alternados. Entendeu-se que a continuidade muito prolongada de um presidente no cargo era algo perigoso para a democracia – mesmo em se tratando de um grande estadista, como Roosevelt.

Contudo, o blefe continuísta do vice-presidente e de alguns petistas amigos de Lula, como o deputado do médio-clero Devanir Ribeiro, dificilmente se concretizará numa emenda constitucional – que seria necessária para permitir um terceiro mandato. Não terá sucesso na aprovação de mudança institucional tão vultosa e controversa um governo que não consegue sequer prorrogar a CPMF e impedir uma CPI no Senado sobre tema tão ridículo como o cartão corporativo. Afinal, Lula é paradoxalmente um presidente de popularidade brutal e base congressual frágil – sobretudo porque neste país é necessário emendar a Constituição para governar o dia-a-dia, para o quê são necessários três quintos dos votos parlamentares, que Lula não tem no Senado. A realização de um plebiscito popular que permitisse aprovar tal emenda, driblando o Congresso, é igualmente improvável. Plebiscitos não são forma prevista de emendar a Constituição e apenas uma emenda poderia convocar uma consulta popular com este fim. Pelas mesmas razões que inviabilizam uma emenda que promovesse diretamente a mudança, esta também não passaria. Seria apenas mais um motivo para o desgaste político do governo, o histrionismo da oposição e a paralisação do Congresso. Por esta razão, não passa de alarmismo o discurso daqueles que vêem nesse blefe uma tentativa de golpe. Não há condições políticas para que prospere, pois este governo não tem vocação suicida.

Em resumo, tem faltado assunto no debate político cotidiano de nosso país. A dedicação das melhores energias de nossos políticos, da mídia e da opinião pública a questões de relevância diminuta impede que sejam encarados temas sobre os quais a deliberação política realmente importaria. Alguém poderia questionar que o bom trato do dinheiro público – pelo bom uso do cartão corporativo, por exemplo – não é tema irrelevante. De fato, não é. Todavia, não é razoável que o Congresso Nacional se ocupe da investigação de assuntos desse tipo o tempo todo, relegando ao segundo plano o enfrentamento de problemas maiores. Para isto existem instituições mais adequadas, que por sua vez não podem se ocupar de problemas propriamente políticos: o Ministério Público, a Polícia e os Tribunais de Contas. O governo, que mal ou bem toca a administração cotidiana do governo, não é capaz de seguir adiante nesses outros temas sozinhos. A oposição precisaria tirá-lo do imobilismo. Espero agora eu mesmo não perder mais tempo – meu e do leitor – com temas como este.

Cláudio Gonçalves Couto é professor de Ciência Política da PUC-SP e da FGV-SP

claudio.couto@pucsp.br

03/04/2008 - 05:01h Operação tucana

a foto do dia

Álvaro Dias divulgou dossiê do governo contra FHC


Foto: Leopoldo Silva / Agência Senado

 

Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) conversa com Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Tião Viana (PT-AC). O blog revelou mais cedo que foi a oposição que divulgou dossiê do governo contra FHC. Logo em seguida, Álvaro Dias subiu à tribuna do Senado para comentar a matéria, mas não revelou quem foi sua fonte.

Reproduzido do Blog de Noblat.

Vacina e veneno

por Luis Favre

Começa a ficar desvendada a operação “Dossiê FHC”. O blogueiro Noblat noticiou que o senador Álvaro Dias, do PSDB, foi quem “vazou” o suposto documento.

Qual era o objetivo do senador tucano?

Ele era duplo. De um lado, uma vacina preventiva. Colocando alguns dados inócuos sobre gastos de FHC e sua esposa, transformar um eventual questionamento da natureza destes gastos na CPI em “ação ilegal”. De outro lado, utilizar o falso dossiê como instrumento de ataque contra a ministra Dilma Roussef.

Para que a “vacina” e o “veneno” funcionem a contento era necessária a ação de um “portador” cúmplice. A Veja foi a escolhida para a operação de destabilização e de proteção.

A mídia transformou rapidamente o governo e a Dilma em culpada, FHC em “vítima” e o assunto julgado.

Falou-se em “quebra do sigilo” e “ação criminosa”. Pois bem, os mesmos deveriam cobrar agora do Ministério Público e do STF uma ação contra o autor conhecido do vazamento: o senador do PSDB.

O conluio do senador tucano e a Veja não surpreende. Mas, será que o senador agiu sem consultar ninguém?

Artur Virgilio, normalmente bem informado, nada sabia?

E o presidente do PSDB?

Que um senador tucano vaze um dossiê que supostamente implicaria um alto cacique tucano como FHC, devia servir qual outro objetivo, se não o aqui exposto? FHC estava a par da operação?

O ato não deveria ser apreciado pela Comissão de Ética do senado? a do PSDB?

Luis Favre

16/02/2008 - 09:42h Fora o lado Pinóquio do governador, nada de errado nas “contas secretas” do Estado

pinoquio.gifGasto sigiloso de SP com cartão dobra em 5 anos

Despesas passaram de R$ 2,85 milhões em 2002 para R$ 6,11 milhões em 2007; Serra havia dito que Estado não tem “contas secretas”

Silvia Amorim – O Estado de São Paulo

Os gastos sigilosos do governo de São Paulo, em sua maioria pagos com os cartões do Executivo – um sistema semelhante ao dos cartões corporativos do governo federal -, mais do que dobraram nos últimos cinco anos. As despesas de caráter reservado passaram de R$ 2,852 milhões, em 2002, para R$ 6,119 milhões, em 2007, um aumento de 114,6%. Nesse período, saíram do Tesouro estadual R$ 28,602 milhões.

Os dados estão registrados no sistema de acompanhamento dos gastos do governo (Sigeo) e contrariam o que disse o governador José Serra (PSDB) nesta semana ao comentar pela primeira vez o uso do “dinheiro de plástico” no Estado. Serra afirmou que não havia gastos secretos em São Paulo. “A diferença é que aqui não existe conta secreta. Aqui o secretário de Estado não tem cartão, ninguém compra em free shop”, afirmou.

(mais…)

09/02/2008 - 03:43h TRANSPARÊNCIA: OAB-SP PEDE ACESSO A DADOS SOBRE DESPESAS AO GOVERNO

A Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo pediu ao governador José Serra acesso aos dados relativos aos gastos lançados no Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária). A OAB também pediu que os dados fiquem disponíveis no site do governo para a população. Folha de SP

09/02/2008 - 03:39h Painel da Folha

De luxo. A equipe de José Serra (PSDB) argumenta que a compra de vale-transporte está entre as principais despesas de seus cartões. Mas, na Casa Civil do governo paulista, não chama a atenção o gasto com passes, e sim os R$ 300 mil usados para alugar carros e aeronaves em 2007, de acordo com levantamento da 1.ª Secretaria da Assembléia.

08/02/2008 - 19:28h Coerência (2)

serra1.jpg

Ontem conclui meu post Coerência assim:

“A mídia e a população tem direito sim de saber se tal ou qual ministro ou funcionário usou o cartão corporativo para pagar uma viagem privada, ou beneficiar indevidamente amigos, correligionários ou parentes. Como teria também o direito de saber se o governador de São Paulo, que foi pular o carnaval no camarote do governador de Rio e depois viajou para visitar sua filha em Trancoso, na Bahia, usou o jatinho do governo estadual ou avião de carreira pago pelo próprio bolso.

Trata-se de uma cobrança e fiscalização legitima, valida para qualquer governo, de qualquer partido, e que a mídia deve exercer com liberdade e sem cerceamento nenhum. Sempre com o mesmo rigor, com o mesmo equilíbrio e a mesma sobriedade.

Talvez esse rigor, equilibro e sobriedade faltem. Nosso dever como cidadãos é exigir esta conduta da própria mídia, se vier a falhar.

Vamos aguardar.”

Hoje a Folha de São Paulo, agindo com coerência, mostrou que a questão dos cartões concerne tanto o governo federal como o governo estadual de São Paulo. Confirmou o que Paulo Henrique Amorim tinha publicado. A Folha está de parabéns por transmitir a informação e com destaque.

Mas é dever do jornalismo ir além e investigar se há ilícito, erro, abuso ou não. Não basta dizer que é muito dinheiro e limitar-se a uma insinuação generalizada que leva descrédito aos políticos em geral e desmoraliza as instituições, reforçando um udenismo infantil.

O jornalista Josias de Souza disse no seu blog:

“Gestão Serra gastou R$ 108 milhões com ‘cartões’

Aos pouquinhos, a farra dos cartões governamentais vai se transformando numa encrenca suprapartidária. Iluminando-se os subterrâneos financeiros da gestão de José Serra no governo de São Paulo, descobre-se que o tucanato comparece à encrenca dos cartões em posição nada confortável.

Notícia veiculada pela Folha nesta sexta-feira (8) informa que, em 2007, o governo paulista torrou notáveis R$ 108.384.269,26 em dinheiro de plástico, chamado em São Paulo de “cartão de débito”. É uma quantia bem mais vistosa do que os R$ 78 milhões que os cartões corporativos federais despejaram no mercado durante o ano passado.

Há em São Paulo 42.315 cartões. De novo, muito mais do que o congênere federal: oficialmente, a CGU (Controladoria-Geral da República) diz que somam 7.145 os funcionários autorizados a portar os cartões federais. Extra-oficialmente, estima-se que o número de cartões passa de 11 mil.

Há mais: sob Serra, também se utiliza o cartão financiado com verba pública para efetuar saques na boca de caixas eletrônicos. Procedimento vivamente desaconselhado pelo TCU. Do total gasto em São Paulo no ano de 2007, 44,58% deixou o erário na forma de saques. Coisa de R$ 48,3 milhões. Na esfera federal, os saques somaram 75,26% do total.

Há pior: na administração tucana, a transparência é menor, muito menor, diminuta. As despesas com cartões só estão disponíveis no sistema informatizado que serve aos deputados na Assembléia Legislativa de São Paulo. Em Brasília, a maior parte dos dados encontra-se ao alcance de qualquer brasileiro no chamado Portal da Transparência.

O governo de São Paulo tampouco está imune aos gastos de aparência exótica. Por exemplo:

Em 28 de julho de 2007, um dos cartões da administração paulista deixou R$ 597 na Spicy, uma conhecida loja de acessórios chiques para cozinha. O que foi comprado? Os computadores da Assembléia não trazem a informação. Limita-se a anotar a saída do numerário, num item batizado de “despesas miúdas e de pronto pagamento”.

Em 4 de abril do ano passado, pagou-se com um cartão do governo de São Paulo R$ 977 na loja de presentes Mickey. De novo, “despesas miúdas e de pronto pagamento”.

Em 11 de maio de 2007, foram à caixa registradora de uma churrascaria paulistana R$ 6.500. Despesa realizada com um cartão da Secretaria de Segurança.”

Volto a repetir, existe ilícito no uso dos cartões do governo Serra? A mídia investigou?

Os autores de petições em favor de CPI em Brasilía vão agora exigir CPI em São Paulo? Vão dizer que não sabiam?

Faz duas semanas que se fala nos cartões e até o ombudsman da Folha dizia ontem que não sabia se os governos estaduais também tinham cartões com as mesmas características.

E todos aqueles que falavam que eram montanhas de dinheiro? Vão agora dizer que a montanha tucana de dinheiro é bem maior?

Aonde leva um debate público nesses termos?

Não compartilho da propagação de insinuações e não penso que ela contribua para aprimorar a democracia brasileira.

Luis Favre

08/02/2008 - 00:30h Ombudsman da Folha insinua parcialidade

Ombudsman Folha ombudsman.jpg

MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br

Pensamento único

O Painel do Leitor tem quatro cartas sobre cartões. Todas no mesmo tom.

Seria muito mais interessante se contemplasse opiniões diversas, mantendo-se como espaço plural de idéias.

Cartões paulistas?

Leitores indagam se a Folha não publicará reportagem sobre o uso de cartões corporativos no governo de SP.

Esses cartões existem? Se existem, evidentemente que há interesse público, portanto jornalístico, em saber sobre eles.

Folha: é de São Paulo

A propósito, há dias, como hoje, que a Folha simplesmente ignora o Executivo paulista.

É um desserviço aos leitores.

07/02/2008 - 16:57h Errata


Esta aparentemente errada a cifra de R$ 150 milhões gastos com Cartões corporativos do governo federal em 2007 que figura no meu post Coerência. Segundo o jornal O Estado de São Paulo esses gastos em 2007 foram de 75,6 milhões.

Os gastos do governo estadual de São Paulo com os cartões foram, segundo Paulo Henrique Amorim, de 108 milhões. Deste total, segundo Paulo Henrique Amorim, 44,56%foram em dinheiro tirado no caixa e não 48% como eu escrevi no meu post Coerência. LF

07/02/2008 - 15:51h Coerência


De duas coisas, uma: ou o portal Transparência, do governo federal, publica os gastos com os cartões corporativos para que a população e a mídia fiscalizem e coíbam o mau uso dos mesmos, ou o portal era só demagogia.

Por isso não compartilho da opinião dos que vêem na ação da mídia uma campanha de desestabilização do governo.

Tenho escrito aqui que a mídia inventou uma “epidemia” de febre amarela, provocando pânico na população e os fatos mostraram que lamentavelmente o intuito da mídia era claramente político. A mesma coisa com o suposto “apagão” elétrico, apregoado como um fato durante mais de quinze dias pela mídia contra o governo e que agora sumiu do noticiário.

No caso dos cartões ela estaria agindo igual?

O governo federal gasta 150 milhões por ano com esses cartões. Se eles facilitam o controle e a fiscalização, porque cobrar dos que controlando e fiscalizando indicam uso errado ou desvio, quando ele existe?

No que, o fato do governo estadual de José Serra gastar mais de 100 milhões com cartão corporativo, diminui eventual gasto incorreto de algum membro do governo federal? A questão não é quanto gasta o governo federal com os cartões, nem quanto gasta o governo estadual com eles. Mesmo que os gastos federais com os cartões diminuíram em relação a época dos tucanos. A questão é da natureza do gasto, sua pertinência com relação a lei.

Teve uso errado ou tem ilícitos no uso dos cartões do governo federal? Neste caso cabe a denúncia. O mesmo em relação ao governo estadual. Por enquanto a Ministra Matilde Ribeiro apresentou sua demissão reconhecendo ter usado de maneira errada o cartão. Do governo estadual nada foi denunciado, nem apurado e nenhum erro foi indicado.

Não vejo com bons olhos os que procuram defender o governo federal argüindo do fato que quase a metade dos gastos dos cartões corporativos do governo tucano de São Paulo foram retirada em dinheiro, na boca do caixa, o que dificulta o controle dos gastos. Como se uma insinuação contra os adversários, compensasse as insinuações contra o governo Lula.

Nada contra, no caso de uma CPI, incluir os gastos anteriores ao atual governo. Incluso porque é bom lembrar que teve ministro de FHC que usou avião da FAB para levar a familia passear em Fernando de Noronha.

Entretanto, não vejo necessidade de CPI, na medida em que os gastos estão contabilizados e documentados e que existem organismos, desde a CGU até o Ministério Público, além da brigada financeira da PF, para apurar qualquer desvio ou ilegalidade. Mas o presidente Lula decidiu que uma CPI permitira mostrar mais claramente a lisura do governo.

Volto a repetir, que o governo faça uma CPI, que a oposição demo-tucana queira surfar nos fatos, recusando toda e qualquer CPI sobre o mesmo tema no governo estadual tucano, não significa que a procura de transparência nos gastos federais e estaduais seja incorreta.

A mídia e a população tem direito sim de saber se tal ou qual ministro ou funcionário usou o cartão corporativo para pagar uma viagem privada, ou beneficiar indevidamente amigos, correligionários ou parentes. Como teria também o direito de saber se o governador de São Paulo, que foi pular o carnaval no camarote do governador de Rio e depois viajou para visitar sua filha em Trancoso, na Bahia, usou o jatinho do governo estadual ou avião de carreira pago pelo próprio bolso.

Trata-se de uma cobrança e fiscalização legitima, valida para qualquer governo, de qualquer partido, e que a mídia deve exercer com liberdade e sem cerceamento nenhum. Sempre com o mesmo rigor, com o mesmo equilíbrio e a mesma sobriedade.

Talvez esse rigor, equilibro e sobriedade faltem. Nosso dever como cidadãos é exigir esta conduta da própria mídia, se vier a falhar.

Vamos aguardar.

Luis Favre

FONTES

  • O gasto de R$ 150 milhões por ano com Cartões do governo federal foi publicado em todos os jornais, assim como o reconhecimento do erro pela então ministra Matilde Ribeiro. Os gastos superiores da época tucana no governo federal, são do blog Entrelinhas.
  • O gasto de R$ 100 milhões com Cartões do governo estadual de São Paulo, dos quais 48% em dinheiro liquido, foi publicado pelo Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim.
  • A viagem do governador Serra a Rio foi noticiada por todos os jornais e a visita no mesmo carnaval, à filha, em Trancoso, na coluna de Sonia Racy, no jornal O Estado de São Paulo.