07/06/2008 - 00:20h Marta Suplicy: Por que quero voltar a ser prefeita

Veja São Paulo entrevista Marta Suplicy

Na primeira de uma série de entrevistas com os principais candidatos à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, a atual líder nas pesquisas, fala de seus planos para a cidade, do que se arrepende em seu período à frente da administração municipal e por que se julga mais bem preparada que seus dois maiores adversários, o ex-governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab

Por Alessandro Duarte e Alvaro Leme

Mario RodriguesMarta: 30% das intenções de voto e 31% de rejeição

Após um encontro reservado com o presidente Lula, na última quarta-feira, Marta Suplicy deixou o Ministério do Turismo e anunciou oficialmente que é candidata à prefeitura da maior cidade da América Latina. Aos 63 anos, ela deseja voltar ao cargo que ocupou entre 2001 e 2004. “São Paulo é moderna, nervosa, agitada”, afirma. “Precisa de alguém ousado, criativo e inovador.” Para concretizar seu sonho, terá de bater adversários de peso. Segundo pesquisa divulgada pelo Ibope na terça, a petista lidera a corrida com 30% das intenções de voto dos paulistanos. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) aparece logo atrás, com 28%, e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) vem em terceiro, com 13%. No último levantamento do Datafolha, publicado no dia 18 de maio, o resultado foi bastante parecido. Marta tinha 30%; Alckmin, 29%; e Kassab, 15%. Entre os três, ela também está à frente na medição da rejeição. Dos entrevistados pelo Datafolha, 31% dizem que não votariam nela de jeito nenhum (contra 27% de Kassab e 16% de Alckmin). Embora ainda faltem quase quatro meses para as eleições e esse quadro possa se modificar, já ficou claro quem são os mais fortes candidatos no pleito, cujo primeiro turno vai se realizar em 5 de outubro. O segundo está marcado para 21 dias depois.

Felipe Araujo/Agência Estado/AENa 12ª edição da Parada Gay, em maio: trio elétrico do Ministério do Turismo

Eduardo Knapp/Folha ImagemDurante visita ao Jardim Keralux, na campanha à prefeitura de 2000: elegância, ainda que em meio à lama

Nesta edição, Veja São Paulo apresenta a primeira de uma série de entrevistas com os três principais concorrentes. Marta recebeu a reportagem um dia antes de se desligar do governo, na sede estadual do Partido dos Trabalhadores, no Jardim Paulista. Durante uma hora e meia, ela falou sobre seus planos e tomou cinco xícaras de café com adoçante, servindo-se de uma garrafa térmica. “Antes de entrar para a prefeitura, não tinha esse hábito”, diz ela. “Hoje, bebo mais de dez xícaras por dia.” À frente do Ministério do Turismo, no qual ficou por catorze meses, firmou um convênio de 1 bilhão de dólares com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), criou o programa Viaja Mais – Melhor Idade, que incentiva o turismo de pessoas acima de 60 anos, e deu início aos estudos sobre as necessidades das cidades-sede da Copa de 2014. Mas o momento que ficou marcado foi o da sugestão que deu para quem sofria com as conseqüências do caos aéreo. “Relaxa e goza”, disse. “Foi uma frase infeliz, pela qual pedi desculpas horas depois”, lembra Marta.

Leonardo Wen/Folha ImagemEm junho de 2007, auge do caos aéreo, no lançamento do Plano Nacional de Turismo: “Relaxa e goza”

Marcelo Ximenez/Folha ImagemApresentando o CEU de Campo Limpo ao russo Garry Kasparov, ex-campeão de xadrez, em agosto de 2004: 21 escolões construídos durante sua gestão

Psicanalista, nascida rica e educada em colégios freqüentados pela elite paulistana, ela tornou-se conhecida em 1980, quando apresentava o quadro Compor-ta-mento Sexual no programa TV Mulher, da Rede Globo. Já naqueles tempos mostrava que não tinha papas na língua. Falava sobre orgasmo e masturbação com uma desenvoltura rara à época. No PT desde a década de 80, foi deputada federal entre 1995 e 1998, quando encabeçou projetos como a regulamentação do direito ao aborto e a parceria civil para pessoas do mesmo sexo. Em abril de 2001, numa decisão que chocou parte dos paulistanos e de seus eleitores, divorciou-se do senador Eduardo Suplicy, político com imagem de bom moço e respeitado mesmo entre os não-petistas. Eles foram casados por 36 anos e tiveram três filhos – o advogado André e os cantores Supla e João. Dois anos e meio depois, numa festança para 400 pessoas, Marta Teresa Smith de Vasconcellos – seu nome de nascimento – casou-se, de chapelão e vestido que deixava os ombros à mostra, com o franco-argentino Luis Favre, quatro anos mais jovem, quatro casamentos anteriores e uma vistosa rede de contatos na esquerda internacional.

Ricardo StuckertNo casamento com o franco-argentino Luis Favre, em setembro de 2003: festa para 400 pessoas

José Cruz/Agência BrasilEm encontro no Congresso, em 2003, seu ex-marido, o senador Eduardo Suplicy, lhe dá um beijo na testa: separação causou espanto

Em seu mandato como prefeita, algumas de suas realizações foram a criação dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), a instituição do bilhete único – que permitia ao usuário do sistema de transporte público pegar, pelo preço de uma passagem, quantos ônibus quisesse em um período de duas horas –, a transferência de seu gabinete do mal-amado Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro II, para o Edifício Matarazzo, localizado entre o Viaduto do Chá e a Praça do Patriarca, e a construção de duas polêmicas passagens subterrâneas sob a Avenida Faria Lima. Com a desculpa de que os cofres haviam sido deixados em frangalhos pelos anos de administração Maluf-Pitta, avançou com gosto no bolso dos contribuintes. Em busca de recursos, criou as taxas do lixo e de iluminação, além de conseguir na Câmara a aprovação do IPTU progressivo. Tentou a reeleição, mas perdeu para o tucano José Serra, que dois anos depois se elegeu governador do estado.

Joao SalDe vestido balone, chegando para o casamento de sua amiga Eleonora Rosset, no mês passado: guarda-roupa fabuloso

Silvio FerreiraApresentando o quadro Comportamento Sexual, na TV Mulher, em 1981: sem papas na língua

Quando não está cuidando dos preparativos de sua campanha, a sempre vaidosa Marta Suplicy costuma ir ao cinema (gostou de Um Beijo Roubado e detestou O Melhor Amigo da Noiva), ver os netos (tem quatro e mais um a caminho) e comer as receitas do marido, que costuma cozinhar para ela. “Ele faz um pot-au-feu (cozido francês) ótimo”, conta, com um indisfarçável brilho nos olhos azuis, antes de mais um gole de café, a essa altura morno.

Marcia MayCom os filhos André, João e Supla, no início da década de 80: “Falo com eles quase todos os dias”


Entrevista

Mario Rodrigues“Eu me arrependo de ter criado taxas. Muito. Na minha gestão, 62% dos contribuintes passaram a pagar menos IPTU. Ao mesmo tempo, outros 31% tiveram aumento, e aí acho que a mão pesou”

Veja São Paulo – Por que a senhora quer voltar a ser prefeita?
Marta Suplicy – São Paulo precisa de uma nova atitude. Vejo minha cidade numa situação caótica no trânsito, com uma administração que não ousou o suficiente para atender a suas demandas. Creio ter as condições de dar respostas aos problemas gravíssimos enfrentados pelos paulistanos. Politicamente, tenho mais acesso ao governo federal, por ser do time do presidente.

Veja São Paulo – Qual é o principal problema da cidade hoje e como pretende enfrentá-lo?
Marta – Sem querer ignorar a situação difícil na saúde e na educação, diria que é o trânsito. O que pretendo fazer? Recuperar a capacidade de gestão da CET e ampliar o bilhete único, que pode ganhar duração semanal, mensal ou até anual. A longo prazo, construir mais corredores de ônibus e linhas de metrô. Para a Copa do Mundo de 2014, precisaremos de mais 260 quilômetros de corredores e 65 de metrô.

Mario Rodrigues“Se a mulher é gentil e doce, classificam de incompetente. Se é firme e forte, chamam de arrogante. Se tem poder, então, vira insuportável”

Veja São Paulo – A senhora foi prefeita por quatro anos. Não acha que tem parte da responsabilidade pelo caos no trânsito, que já era um problema na sua gestão?
Marta – Pelo contrário. Enfrentamos a máfia de dirigentes do transporte para reformular os contratos das empresas com a prefeitura. Havia ônibus com mais de dez anos e perueiros clandestinos enlouquecidos pelas ruas. Implantamos o bilhete único, que virou um modelo para todo o Brasil. Criamos 100 quilômetros de corredores, enquanto a atual administração construiu 7. Fizemos túneis importantes e um pedaço significativo da Radial Leste.

Veja São Paulo – A senhora cogita adotar medidas restritivas ao transporte individual, como o pedágio urbano ou a ampliação do rodízio?
Marta – Nossas propostas passam pelo lado oposto. Quero que quem usa o transporte privado se sinta atraído por um transporte de qualidade. Como, por exemplo, na Avenida Rebouças. Muitas pessoas que faziam aquele percurso de carro passaram a usar o ônibus, que é mais rápido. Quanto ao metrô, perdemos muito tempo. Estive recentemente na China e vi que são construídos 20 quilômetros por ano em Pequim. Precisamos implantar esse ritmo alucinante aqui e temos condições de fazer isso por causa do boom econômico. Mas, se tivéssemos hoje 10 bilhões de reais para investir no metrô, não haveria licitações prontas ou projetos. De que chamo isso? Falta de planejamento. Que nome posso dar?

Veja São Paulo – A senhora se compromete a não aumentar impostos como o IPTU ou a não criar outras taxas?
Marta – Vou diminuir as taxas. Já mandei um grupo estudar formas de reduzir a tributação para o cidadão paulistano. Não sei ainda que imposto será usado. A cidade vive outro momento, gente! Quando comecei minha gestão, São Paulo tinha dívidas gigantescas. A receita de que dispunha era metade da atual.

Mario Rodrigues“Quem está no serviço público precisa se apresentar bem porque é visto e fotografado o tempo inteiro”

Veja São Paulo – Caso seja eleita, a senhora se compromete a cumprir o mandato até o fim?
Marta – Assinar papel com uma garantia dessas ficou desmoralizado na última eleição, não? Tenho idéia de, se eleita, pleitear um novo mandato. Oito anos. Em minha experiência como prefeita, vi que dei passos gigantescos no transporte, na saúde e na educação, mas não consegui chegar aonde poderia. Se é para entrar na briga, que seja para deixar uma coisa mais consolidada.

Veja São Paulo – Quer dizer que não deixaria o mandato para se candidatar ao governo ou à Presidência?
Marta – Mais que isso. Estou falando que penso em ficar oito anos na prefeitura.

Veja São Paulo – A senhora gostou, então, de ser prefeita?
Marta – É um trabalho estressante como nenhum outro. Não tem igual. Ao mesmo tempo, é muito gratificante perceber que você pode mudar a vida das pessoas.

Veja São Paulo – Por que a senhora acha que tem melhores condições de administrar São Paulo do que o prefeito Gilberto Kassab e o ex-governador Geraldo Alckmin?
Marta – Pelo perfil. São Paulo é moderna, nervosa, agitada. Precisa de alguém ousado, criativo e inovador. Se for ver o que o Alckmin fez como governador, não daria para aplicar nenhum desses adjetivos à sua gestão. O Kassab continuou, de forma muito modesta, o que eu havia iniciado. Não consigo lembrar de nenhuma ação inovadora e criativa que ele tenha tomado para solucionar os problemas vitais da cidade.

Veja São Paulo – Nem mesmo a Lei Cidade Limpa?
Marta – É um projeto importante, que foi iniciado em nossa gestão com a Operação Belezura. Kassab teve o mérito de implementar e dar uma dimensão para a cidade toda. Foi um bom projeto. Mas não vi nenhuma grande obra que não tenha sido iniciada no meu governo. A Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, que é uma obra muito linda, foi licitada por nós. Fizemos também a fundação e os pilares. A gestão Serra-Kassab limitou-se a dizer que era uma obra faustosa e cara. Interrompeu a construção, que só foi retomada quando as empreiteiras entraram na Justiça. Tínhamos pouco dinheiro e fizemos muito. Eles têm muitos recursos e fizeram muito pouco.

Veja São Paulo – Que projeto ou obra seria a marca de um novo governo seu?
Marta – Ainda é cedo para dizer. Estou começando a me debruçar nos problemas da cidade. Mas certamente será marcante a recuperação do transporte. E também a inclusão social. Enquanto o sistema público não consegue tirar uma criança da favela, que seja capaz de tirar a favela de dentro dela com uma escola que ofereça oportunidades. Vou investir em um centro para alavancar a formação dos nossos professores. E conseguir que os alunos fiquem mais tempo na escola, o que é um desafio gigantesco em São Paulo, em razão da quantidade de crianças. Como psicóloga e psicanalista, quero manter um olhar especial sobre as creches. Criança bem-cuidada nos primeiros anos de vida é a que vai ter oportunidades.

Veja São Paulo – Do que a senhora se arrepende de não ter feito em sua gestão?
Marta – Eu me arrependo de algo que fiz. Das taxas. Muito. Mas não havia recursos. Nossa administração foi bem difícil no começo, porque pegamos um momento pós-Maluf e Pitta. Uma cidade completamente depredada, em ruínas. As administrações regionais eram antros e não prestavam nenhum serviço. Criamos um plano diretor, o que não existia em São Paulo havia mais de dez anos. A folha de pagamento da prefeitura era feita a mão! Nós a informatizamos. Agora, olhando em retrospecto, eu me arrependo das taxas, sim. Apesar de termos boa intenção, a população já havia enfrentado aumento no IPTU e se sentiu penalizada. É paradoxal, pois fui a prefeita que menos cobrou impostos em São Paulo. Na minha gestão, 62% dos contribuintes passaram a pagar menos IPTU. Ao mesmo tempo, outros 31% tiveram aumento, e aí acho que a mão pesou.

Veja São Paulo – Por que os paulistanos não a reelegeram?
Marta – É uma questão que me coloquei muitas vezes. Acho que cometemos erros de verdade, como a tributação. E as pessoas acreditaram na proposta do outro, que prometeu fazer melhor o que a gente já fazia.

Veja São Paulo – Também havia e há, segundo as pesquisas, rejeição à sua imagem. Como pretende contornar isso na campanha?
Marta – Acho que você amadurece, em primeiro lugar. E acredito que as pessoas, depois de quatro anos, tenham avaliado melhor a posição que assumiram naquele momento. O machismo também pesa.

Veja São Paulo – Alguns analistas creditam parte dessa rejeição ao fato de a senhora ter se separado do senador Eduardo Suplicy e se casado com o franco-argentino Luis Favre. Acredita que isso possa pesar na campanha deste ano?
Marta – Foi um item a mais num caldeirão que se colocou contra mim, mas não teve peso substancial. Hoje, a maioria das famílias tem alguém separado. Senti falta de pessoas que falassem em meu favor. Que vissem como ato de coragem uma pessoa se apaixonar e, em vez de levar uma vida paralela, assumir e prestar satisfação à sociedade. E, inclusive, se casar. A maioria dos políticos não se porta assim. Fui coe-rente com minha vida e minhas posturas.

Veja São Paulo – Nesta eleição, a senhora vai enfrentar outro problema em relação à imagem, a sugestão para os passageiros vítimas do apagão aéreo: “Relaxa e goza”. Como pretende lidar com essa questão?
Marta – Considero uma página virada, no sentido de que foi uma frase infeliz, pela qual pedi desculpas horas depois. Acho que a grande maioria da população entendeu a situação em que disse aquilo e me perdoou. Uma vida pública de vinte anos não pode ser destruída por uma frase infeliz. Eu me sinto tranqüila. Podem eventualmente usar isso contra mim, mas não creio que vá trazer votos a quem o fizer. E, depois, quem é que nunca disse uma frase infeliz?

Veja São Paulo – Qual é a melhor coisa de ser prefeita de São Paulo?
Marta – Poder fazer.

Veja São Paulo – E a pior?
Marta – O stress.

Veja São Paulo – O que São Paulo tem de melhor?
Marta – O povo.

Veja São Paulo – E o que tem de pior?
Marta – O trânsito.

Veja São Paulo – Qual foi o melhor prefeito que São Paulo já teve?
Marta – Em termos de pensar a cidade, Prestes Maia e Faria Lima. No que diz respeito à inclusão social, nossa gestão foi muito importante.

Veja São Paulo – Como concilia a carreira política com o tempo dedicado a marido, filhos e netos?
Marta – Todos sofrem e eu também, por não conseguir dar a atenção que gostaria, apesar de me desdobrar. Falo com meus filhos todos os dias. Eles às vezes me visitam em horários esdrúxulos, como à meia-noite. Sempre sei o que está acontecendo com eles. Acho que Eduardo (Suplicy) e eu conseguimos construir algo muito bom com nossos filhos. Perco várias gracinhas dos netos. Uma delas, a Laura, ganhou medalha na natação outro dia e eu não estava lá. Vou sempre aos aniversários e, de vez em quando, fazemos algum programa juntos.

Veja São Paulo – Como encontra tempo para se cuidar?
Marta – Não me cuido muito. Tento fazer esteira e algumas outras coisas, quando dá.

Veja São Paulo – Que coisas?
Marta – Prefiro não ficar detalhando. Quero voltar a fazer acupuntura.

Veja São Paulo – Incomoda-a quando comentam seu gosto para se vestir ou seu guarda-roupa?
Marta – Sou uma pessoa vaidosa, então não me provoca incômodo dizerem que estou bem-arrumada. Só quando isso vai além do que devia. É mais uma qualidade e um esforço do que qualquer coisa, mas devia passar despercebido. É “ça va sans dire” (algo como “dispensa comentários”, em francês). Quem está no serviço público precisa se apresentar bem porque é visto e fotografado o tempo inteiro. Mulher sempre paga um preço. Se aparece desarrumada, acham que está deprimida. Se demora a retocar a tintura do cabelo, a chamam de relaxada.

Veja São Paulo – Qual é sua maior tentação gastronômica?
Marta – Massas.

Veja São Paulo – A senhora cozinha?
Marta – Nunca fui boa nisso. O Luis, meu marido, é ótimo cozinheiro. Ele faz muito bem pot-au-feu (cozido francês), saladas, rosbifes, vitelas, coelhos e carnes. Tem também um prato de batata com bacon que adoro. Ele só não sabe fazer sobremesa, mas nem assim me estimulei a aprender.

Veja São Paulo – Vai muito ao cinema?
Marta – Pouco. O último filme que vi foi Um Beijo Roubado, que é bom. Na semana anterior, assisti a um outro que detestei, O Melhor Amigo da Noiva.

Veja São Paulo – E para ler, encontra tempo?
Marta – Toda noite. Acabei recentemente o livro da Maitê Proença (Uma Vida Inventada). No momento não estou lendo nada em português. Leio em inglês, francês e espanhol como uma maneira de praticar essas línguas.

Veja São Paulo – A senhora acha que tem uma imagem de arrogante?
Marta – Às vezes desconfio que sim. Algumas pessoas, depois de me conhecer, contam que me imaginavam muito diferente. Quando tento entender, vejo que era por me acharem arrogante. Mulher é assim: se é gentil e doce, classificam de incompetente. Se é firme e forte, chamam de arrogante. Se tem poder, então, vira insuportável. E você não pode exercer o poder se não for firme. É uma imagem que nós, mulheres, vamos ter de conquistar e mudar. As grandes líderes do século passado, como Golda Meir, Indira Gandhi e Margaret Thatcher, eram todas mulheres travestidas de homens. A geração do século XXI não quer isso. Políticas como Ségolène Royal, Cristina Kirchner e Michelle Bachelet são muito femininas. A Angela Merkel até pôs um decote ousado outro dia. Fui uma desbravadora, primeiro no programa TV Mulher, depois no exercício da política, pagando todos os preços nas duas experiências.

Veja São Paulo – Qual é sua maior qualidade?
Marta – Não tenho medo de pensar o novo. Estou sempre em busca de solução. Eu decido.

Veja São Paulo – E o maior defeito?
Marta – Impaciência. Quero tudo para ontem.

Veja São Paulo – Lê horóscopo?
Marta – Às vezes, mas não que eu abra o jornal para isso. Acho divertido.

Veja São Paulo – A senhora se identifica com alguma característica de Peixes, o seu signo?
Marta – Ah, eu choro muito. Em filme, livro… Durante a prefeitura, quase todo dia. Não houve uma visita a CEU em que eu não tenha chorado.

16/05/2008 - 15:59h Para Eleonora e Ivo: Maazal-tov!

04/05/2008 - 09:30h AMANTES CONSTANTES

BUSCA POR LIBERDADE E IGUALDADE SEXUAL É HERANÇA A VALORIZAR

Leila Diniz
http://i193.photobucket.com/albums/z241/edilsonpnl/leila.jpg

MIRIAN GOLDENBERG

ESPECIAL PARA A FOLHA - CADERNO +mais

Os eventos do Maio de 68 na França podem ser interpretados como o estopim de uma série de transformações políticas e comportamentais ocorridas na segunda metade do século 20 e que tiveram como eixos centrais: o desejo de liberdade, a busca do prazer sem limites, a recusa de qualquer forma de controle e de autoridade, a explosão da sexualidade e a defesa da igualdade entre homens e mulheres.

A feminista francesa Simone de Beauvoir, muito antes de maio de 1968, havia defendido que a questão existencial básica era a luta pela liberdade, e não a busca da felicidade.

Em “O Segundo Sexo”, publicado em 1949, Beauvoir dizia que, mesmo pagando o preço do sofrimento ou da solidão, “não há, para a mulher, outra saída senão a de trabalhar pela sua libertação”. Já para os jovens estudantes franceses, protagonistas do Maio de 68, liberdade, felicidade e prazer eram elementos inseparáveis de uma revolução cujo lema era: “É proibido proibir”.

No final da década de 60, quando no Brasil muitos jovens estavam preocupados em combater o regime militar, outros, como os jovens franceses, lutavam contra a repressão sexual, a repressão familiar e a repressão internalizada em cada indivíduo.


Ícone revolucionário

Esse anseio por liberdade, igualdade e, sobretudo, felicidade e prazer parece ter sido um elemento fundamental para o surgimento de um ícone de mulher revolucionária no Brasil, talvez a mais perfeita tradução do espírito irreverente, debochado e apaixonado do Maio de 68: Leila Diniz.

Na geração Leila Diniz estavam em disputa diferentes modelos de ser mulher: o religioso, que exigia da mulher a negação de sua sexualidade ou seu exercício apenas nos limites do casamento, e outro, que pode ser pensado como mais próximo do difundido pelo feminismo, pela contracultura e pela psicanálise, que buscava a igualdade entre homens e mulheres nos mundos público e privado.

E por que Leila Diniz, entre tantas outras mulheres que viveram intensamente esse momento histórico, se tornou um mito? É a própria Leila quem responde à questão: “Sobre minha vida, meu modo de viver, não faço o menor segredo. Sou uma moça livre. A liberdade é uma opção de vida”.

Sendo uma atriz famosa e uma personalidade pública bastante polêmica, pode-se pensar que a elaboração que Leila fez de sua própria vida não apenas tenha atingido as pessoas mais próximas, mas também contribuído para legitimar idéias e práticas consideradas revolucionárias para a época em que viveu.

Ao escolher ter um filho fora do casamento, rompeu com o estigma da mãe solteira. Sua fotografia grávida, de biquíni, foi estampada em inúmeros jornais e revistas por ser a primeira mulher a exibir a gravidez.


Barriga grávida

As grávidas de então escondiam suas barrigas em batas escuras e largas, mesmo quando iam à praia. As fotos da barriga grávida, na praia de Ipanema, mostraram que a maternidade sem o casamento não era vivida como um estigma a ser escondido, mas como uma escolha feliz e consciente. Leila Diniz fez uma revolução simbólica ao revelar o oculto -a sexualidade feminina vivida de forma livre e prazerosa- em uma barriga grávida ao sol.

Ela fazia e dizia o que muitos tinham o desejo de fazer e dizer. Com os inúmeros palavrões na clássica entrevista a “O Pasquim”, com uma vida sexual e amorosa extremamente livre e prazerosa, com o seu corpo grávido de biquíni, trouxe à luz do dia comportamentos, valores e idéias já existentes, mas que eram vividos como estigmas, proibidos ou ocultos.

Não à toa, ela é apontada como uma precursora do feminismo no Brasil: uma feminista intuitiva que influenciou, decisivamente, as novas gerações.


Condição feminina

Ao afirmar publicamente seus comportamentos e idéias a respeito da liberdade sexual, ao recusar os modelos tradicionais de casamento e de família e ao contestar a lógica da dominação masculina, passou a personificar as radicais transformações da condição feminina (e também masculina) que ocorreram no Brasil no final da década de 60.

Em minha pesquisa atual, com 1.279 homens e mulheres das camadas médias da cidade do Rio de Janeiro, quando perguntei “o que você mais inveja em um homem?”, as mulheres responderam, em primeiríssimo lugar: liberdade.

Quando perguntei aos homens “o que você mais inveja em uma mulher”, a quase totalidade respondeu, categoricamente: nada. Será que é realmente possível dizer, como na música de Rita Lee, que hoje “toda mulher é meio Leila Diniz”, quando as brasileiras continuam invejando a liberdade masculina? Será que a utopia do Maio de 1968, com o desejo de liberdade e igualdade entre os gêneros, ainda está longe de ser realizada?

MIRIAN GOLDENBERG é antropóloga e professora do programa de pós-graduação em sociologia e antropologia da Universidade Federal do RJ e autora de “Os Novos Desejos” (Record).

27/04/2008 - 10:48h ‘Ainda falta muito a ser feito’

http://www.inadi.gov.ar/uploads/imagenEnTexto_217.jpg   CORPO A CORPO FLAVIO RAPISARDI

O Globo

BUENOS AIRES. O escritor e filósofo argentino Flavio Rapisardi é um dos principais ativistas do país em matéria de direitos dos homossexuais. Atualmente, Rapisardi é secretário de investigação da Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trans e coordenador do Fórum da Sociedade Civil do Instituto Nacional contra a Discriminação do governo argentino, organismo que integra o Grupo Técnico de Diversidade Sexual do Mercosul.

“Os governos progressistas da região estão investindo e avançando e políticas e instituições, mas falta melhorar a questão legislativa”, disse Rapisardi ao GLOBO. O ativista é um dos autores da lei de união civil aprovada em 2003 na cidade de Buenos Aires, a primeira da América Latina a adotar uma legislação a favor da diversidade sexual.

O GLOBO: A América Latina avançou na defesa dos direitos homossexuais?

FLAVIO RAPISARDI: O eixo integrado por Brasil, Argentina e Uruguai é muito progressista e está adotando mudanças muito favoráveis.

Nos três países existem planos nacionais contra a discriminação.

No caso argentino, o plano inclui um capítulo dedicado à diversidade social e o governo do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) pediu ao Congresso que o transformasse em lei. Esse plano inclui iniciativas como uma lei de casamento homossexual e adoção de crianças.

Qual é a estratégia a seguir nos próximos anos?

RAPISARDI: Queremos seguir o mesmo caminho da Espanha, que é nosso principal modelo. Primeiro aprovar legislações regionais e depois partir para uma lei nacional.

Já temos a união civil em três cidades argentinas e em breve teremos a aprovação na província de Buenos Aires. Nossa idéia é, até o fim deste ano, contar com uma lei nacional.

Qual é o principal ponto de debate no país?

RAPISARDI: Um dos mais discutidos é o projeto de adoção.

Ainda falta muito a ser feito, mas não podemos deixar de reconhecer que o Mercosul e a União Européia são os únicos blocos que criaram grupos técnicos para tratar a questão da diversidade sexual. Já não é tão fácil gerar violência a partir da discriminação sexual na maioria dos países latino-americanos.

Em muitos países temos uma boa base de jurisprudência, já que existem muitos casos em que juízes latino-americanos respeitaram a diversidade sexual.

Trata-se de uma massa crítica que dentro de alguns anos nos ajudará a alcançar nossa principal meta, que é a igualdade jurídica.

Em que países do mundo existe a igualdade jurídica para os homossexuais?

RAPISARDI:
O único país em que há igualdade jurídica real é a Espanha. É importante dizer que, além de igualdade jurídica real, precisamos de mais políticas públicas, instituições dedicadas ao assunto e, sobretudo, avanços legislativos. Os governos progressistas da região estão investindo e avançando em políticas e instituições, mas falta melhorar a questão legislativa.

Em outros países, como Peru, Chile, Costa Rica e Paraguai, o peso dos setores conservadores ainda impede a implementação de mudanças em matéria de diversidade sexual. ( J. F.)

27/04/2008 - 09:38h Avanços para os gays na AL


Países da região começam a adotar leis que garantem direitos a casais homossexuais

http://www.lasescapadas.com/wp-content/uploads/2007/08/tq_001534_g.jpg

Janaína Figueiredo - O Globo

Correspondente • BUENOS AIRES

Por recente decisão da Corte Suprema do Chile, adotada após um pedido da Igreja Católica, a professora Sandra Pavez foi proibida de continuar dando aulas de religião, trabalho que exerce há mais de 20 anos, por ser homossexual.
O caso contrasta drasticamente com a realidade que vivem outros países latino-americanos, como o Uruguai, o primeiro a aprovar em seu Congresso uma lei nacional que prevê a união civil entre pessoas do mesmo sexo. A medida, que começou a vigorar este ano, é inédita na região.

Paralelamente, cidades como Buenos Aires, Bogotá e o Distrito Federal mexicano permitem a união civil entre homossexuais e a Constituição venezuelana de 1999 inclui uma lei que prevê o respeito à diversidade sexual, iniciativa que também poderia ser incorporada pelas futuras constituições da Bolívia e Equador, ainda em discussão.

Do lado dos países mais fechados e menos avançados na defesa dos direitos homossexuais estão, além do Chile, Costa Rica, Peru e Paraguai.

Embora tenham eleito uma mulher, Michelle Bachelet, como presidente, em 2006, os chilenos ainda conservam um perfil profundamente conservador.

O Movimento de Integração e Liberação Homossexual (Movilh), em parceria com o deputado socialista Marco Enríquez Ominani, apresentou um projeto para aprovar uma lei de casamento e reconhecimento da união civil entre homossexuais, mas a iniciativa tem poucas chances de prosperar.

Pioneirismo no Uruguai

Já os uruguaios demonstraram ser um dos mais revolucionários em matéria de diversidade sexual. Atualmente, o Congresso do país está debatendo um projeto para dar sinal verde à adoção de crianças por parte de casais homossexuais. O fato de ser um país laico ajuda o Uruguai a avançar mais rapidamente.

Na Argentina, as cidades de Buenos Aires, Villa Maria (província de Rio Negro) e Santa Fe permitem a união civil entre pessoas do mesmo sexo. ONGs locais estão lutando para aprovar um projeto de lei nacional sobre o casamento de homossexuais, já que a união civil não prevê os mesmos direitos que o casamento. Os ativistas argentinos também defendem o direito dos transexuais modificarem sua identidade e a adoção de crianças por parte de casais homossexuais. Ambas propostas ainda não foram tratadas pelo congresso.

Carta da Venezuela cita discriminação

Um dos casos mais interessantes do continente é o venezuelano. A Constituição do país, elaborada pelo governo do presidente Hugo Chávez, afirma que “não serão permitidas discriminações fundamentadas em raça, sexo, religião ou condição social”. Bolívia e Equador, países que passam neste momento por processos de reforma constitucional, poderiam incluir direitos semelhantes em seus novos textos constitucionais.

Os países do Mercosul estão avançando de forma expressiva. No ano passado, os governos de Brasil, Argentina e Uruguai solicitaram à ONU a realização de uma convenção mundial para discutir os direitos homossexuais.

Dentro do bloco, o trabalho é realizado pela Rede de Altas Autoridades em matéria de Direitos Humanos, integrada por todos os secretários de direitos humanos do Mercosul, mais países associados e órgãos estatais de combate à discriminação.

Em 2007, foi criado o Grupo Técnico de Diversidade Sexual, que este ano organizou um seminário no Uruguai com a participação da sociedade civil. Durante o encontro, foi elaborado um Plano de Trabalho que prevê, por exemplo, a aprovação de leis contra a discriminação e a realização de campanhas nacionais a favor dos direitos dos homossexuais

Longa espera no Congresso no Brasil

Demétrio Weber - O Globo

BRASÍLIA. O Brasil convive com altas doses de preconceito contra o homossexualismo.

O projeto de lei que regula a união civil entre pessoas do mesmo sexo, apresentado pela então deputada Marta Suplicy, hoje ministra do Turismo, está na Câmara, à espera de votação, há 13 anos. O Congresso discute ainda propostas para criminalizar a homofobia, autorizar a troca do primeiro nome de transexuais, obrigar planos de saúde a atender dependentes gays, assim como permitir que casais gays adotem crianças.

— Até hoje tem gente que fala que homossexualismo é questão de saúde pública, como se fosse doença — resume o assessor especial da Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência, José G u e rr a .

No Congresso, segundo Guerra, as atenções estão voltadas para a votação do projeto de lei 122/2006, que criminaliza qualquer discriminação com base na orientação sexual, desde a recusa em alugar um apartamento, contratar um empregado ou hostilizar e agredir verbalmente alguém por causa de sua opção sexual.

A proposta está na Comissão de Assuntos Sociais e recebeu parecer favorável da relator Fátima Cleide (PTRO).

Em 1987, os constituintes brasileiros rejeitaram a proposta de incluir, na nova Constituição, a proibição expressa de discriminação ligada à orientação sexual. O Código Penal Militar ainda classifica como crime o ato sexual entre militares do mesmo sexo. Quem vive em união estável com pessoa do mesmo sexo não tem direito assegurado a herança ou p e n s ã o .

— Não há uma legislação geral, só atitudes esparsas que aceitam a união civil. Você fica à mercê de entrar na Justiça para garantir esses direitos — diz Guerra.

09/03/2008 - 15:58h QUANDO O DIREITO SAI DO ARMÁRIO

Em dois anos, dobra o percentual de empresas que concedem benefícios para companheiros do mesmo sexo

Cássia Almeida - O Globo

Antes tarde do que nunca.

Foto: Gilberto Marques

Gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais começam, no século XXI, a usufruir de direitos que valem há muito para heterossexuais nas empresas, nas escolas, na Justiça, nos hospitais e nas estatísticas do país. Esses avanços nos direitos civis dos homossexuais serão mostrados numa série de reportagens que O GLOBO publica a partir de hoje. À parte discriminações, fundos de pensão, Previdência Social, planos de saúde e empresas já não distinguem companheiros pelo sexo para conceder benefícios. Pesquisa inédita da Consultoria Mercer de Recursos Humanos, feita no ano passado com 255 grandes e médias companhias, mostra que 16% delas permitem a inclusão de parceiro do mesmo sexo como dependente do plano de saúde, alcançando 360 mil trabalhadores. Em 2005, essas empresas representavam só 8%.

— Mesmo sendo ainda um percentual pequeno, foi um avanço significativo, o maior crescimento detectado entre os vários tipos de dependentes. E tudo indica que vai se tornar uma prática de mercado — disse Francisco Bruno, líder da área de Saúde Corporativa da Mercer e coordenador da pesquisa.

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09/10/2007 - 18:48h Un mal matrimonio puede dañar el corazón

Un estudio publicado por Archives of Internal Medicine reveló que las personas que tienen malas relaciones son un 34% más propensas a padecer un episodio cardíaco. Los investigadores creen que eso puede estar motivado en el estrés que provoca una disputa familiar.

La calidad de la relación de pareja tiene incidencia en la salud cardíaca de la persona. Así lo establece un reciente estudio que reveló que un mal matrimonio puede elevar el riesgo de sufrir enfermedades del corazón.

Los científicos que llevaron adelante el trabajo indicaron que probablemente esto se deba al estrés, que –se sabe- provoca muchos problemas de salud y puede ser generado por las malas relaciones.

El estudio se realizó entre 9.011 empleados públicos británicos, en su mayoría casados, a quienes se les realizó un seguimiento durante 12 años. Aquellos que tuvieron las peores relaciones cercanas mostraron ser un 34% más propensos a sufrir infartos y otros problemas cardíacos que aquellos que gozaban de buenas relaciones, entre parejas, familiares cercanos y amigos.

El trabajo, publicado por los Archives of Internal Medicine, se enfocó en la calidad del matrimonio y otras relaciones cercanas. El autor principal del estudio, Roberto De Vogli, investigador del University College de Londres, explicó: “El estar casado en general está bien, pero hay que tener cuidado con el tipo de persona con la que uno se ha casado, pues la calidad de la relación sí importa”.

Otro estudio reciente que también se enfocó en la calidad de las relaciones arrojó resultados diferentes. No hubo relación entre los problemas matrimoniales en general y los riesgos de enfermedad cardíaca o de muerte temprana. Sin embargo, descubrió tras un seguimiento de 10 años que las mujeres que callaron durante discusiones matrimoniales tuvieron un mayor riesgo de morir que las que expresaron sus sentimientos durante las peleas.

(Fuente: AP)

05/10/2007 - 17:17h Pesquisas comprovam: as mulheres estão mais cansadas e os homens mais felizes

Renata Cabral - O Globo Online

RIO - De segunda a sexta-feira, as mulheres acumulam tarefas em casa e no trabalho: em meio aos compromissos familiares sobra pouquíssimo tempo para elas cuidarem de si. Essa mudança de hábitos causa transtornos físicos, para além do estresse, e um sentimento de culpa constante, por querer fazer tudo a um só tempo. Por outro lado, o avanço delas no mercado de trabalho parece ter aliviado as obrigações de seus parceiros. O efeito dessa inversão de papéis foi comprovado recentemente por pesquisas internacionais que avaliaram o modo de vida moderno e seu impacto para ambos os sexos. Resultado: as mulheres estão mais cansadas e os homens, mais felizes.

Segundo estudo britânico encomendado pela revista Top Santé, realizado com 2 mil mulheres com idade média de 35 anos, 85% delas queixam-se de cansaço freqüente e mais de 75% não conseguem dormir mais de seis horas por noite todos os dias. Por outro lado, os homens parecem estar conseguindo equilibrar melhor as esferas pessoal e profissional e se dizem mais felizes do que as mulheres: hoje, eles conseguem gastar menos tempo com atividades de que não gostam do que elas. É o que indicam duas pesquisas norte-americanas, uma da Universidade de Princeton e outra da Universidade da Pensilvânia.

Historicamente, a mulher ficava com o poder privado e o homem com o poder público. Hoje, ela quer ser uma ótima profissional sem abdicar do controle doméstico


Para a psicanalista e professora de Psicologia da PUC-Rio, Silvia Zornig, a inserção feminina no mercado de trabalho provocou uma mudança nos papéis tradicionais atribuídos à mulher. Hoje, o casal compartilha mais as funções na família. O que não mudou foi a exigência da mulher em se ocupar e desempenhar bem tantas tarefas ao mesmo tempo:

- Historicamente, a mulher ficava com o poder privado e o homem com o poder público. Hoje, ela quer ser uma ótima profissional sem abdicar do controle doméstico. Mas ainda não temos uma sociedade estruturada para que as mulheres entrem no mercado de trabalho e desempenhem sua função em casa de forma bem equilibrada. Até em saúde pública, o número de creches que oferecem conforto e segurança para as mães ainda é insuficiente. Além disso, aquelas que não têm com quem deixar os filhos e são provedoras da família acabam cumprindo jornadas imensas de trabalho. Essa pluralidade de papéis, sem contrapartida social acaba causando um certo desnível entre o que ela pode realizar e o que consegue na prática.

Quando o corpo responde ao trabalho excessivo

Ninguém ‘morre’ por trabalhar muito. Os grandes problemas são a agressividade e a tensão excessivas a que as pessoas são submetidas, decorrentes do estado de atenção freqüente


Segundo o médico Cyro Masci, para as mulheres, mais perigoso do que o excesso de tarefas é a tensão que contamina o ambiente de trabalho:

- Ninguém ‘morre’ por trabalhar muito. Os grandes problemas são a agressividade e a tensão excessivas a que as pessoas são submetidas, decorrentes do estado de atenção freqüente. O trabalho feito dessa maneira é muito desgastante e gera uma mudança hormonal, chamada de estresse, na primeira fase. Numa segunda etapa, ocorre uma liberação excessiva do hormônio cortisol, que pode levar a aumento de peso, diminuição da resistência física e imunológica, além de problemas de memória.

Não há respostas certas para o que poderia promover o equilíbrio nas relações entre homens e mulheres. Mas a psicanalista Silvia Zornig propõe um questionamento:

- Hoje, o mundo contemporâneo pede uma diversidade de papéis, de identidades e estimula a interação em rede. Isso é algo que, nós, mulheres, sabemos fazer muito bem: enquanto os homens recebem uma educação para desenvolver objetivos mais focados, somos multifuncionais, multimídia mesmo. Por que não reconhecer nossas necessidades e buscar apoio no parceiro e na sociedade? - indaga Silvia Zornig.

Tudo ao mesmo tempo

A gerente de compras Lana Schneider, que há apenas dois meses retornou ao trabalho após uma licença-maternidade, conta que aprendeu a equilibrar melhor o tempo que dispensa à carreira, à família e a ela própria. Mas certas exigências de sua profissão a fazem ficar conectada ao trabalho 24 horas. Ela encontrou na terapia o momento que precisava na semana para refletir, já que seu dia-a-dia não lhe permite; encaixa as idas ao pediatra na hora do almoço; e quando não consegue chegar para o jantar, não dispensa o café-da-manhã em família. Para Lana, as mulheres precisam aprender a delegar mais tarefas e a se cobrar menos.

- Estou sempre atenta ao celular e me desdobro. O fato de termos ido para o mercado de trabalho não diminuiu nossas responsabilidades em casa. Apesar de sentir que os companheiros reconhecem, não sei se isso se reflete em ações na prática. Acho que o homem não tem um questionamento natural em relação às responsabilidades com a família. Não quer dizer que ele não se preocupe, mas, em geral eles são mais firmes com suas escolhas individuais e mais generalistas, enquanto nós somos condescendentes e detalhistas - destaca Lana Schneider.

Hoje, as mulheres trabalham tanto quanto o homem num ambiente hostil e agressivo a que não estavam acostumadas. Isso tem suas conseqüências


Segundo o psiquiatra e médico ortomolecular Cyro Masci, o desequilíbrio de comportamento entre os sexos pode ser também atribuído ao fato de que as mudanças biológicas não acompanharam a transformação social ocorrida nas últimas décadas. Segundo o especialista, desde os tempos mais remotos, o homem desempenhava o papel de provedor e a mulher de “cuidadora”. E, até pouco mais de 30 anos, essas funções não haviam mudado de forma significativa:

- Biologicamente, a mulher é mais apaziguadora do que guerreira, até por influência do hormônio ocitocina, presente em maiores níveis no organismo feminino. Hoje, as mulheres trabalham tanto quanto o homem num ambiente hostil e agressivo a que não estavam acostumadas. Isso tem suas conseqüências - defende Cyro Masci.

Eles também mudaram

Para a psicanalista Silvia Zornig, os homens podem estar se sentindo mais à vontade para selecionar as atividades que os agradam por terem perdido a obrigação de serem os provedores em casa. Como eles historicamente conquistaram o poder, estão confortáveis em relação a isso. E agora podem ser mais sensíveis, afetivos e dividir com as mulheres a questão financeira e profissional.

Segundo a psicóloga Ana Claudia Deschamps, é possível que a pressão social e pessoal exercida sobre as mulheres para cumprir todos os seus papéis - estar bonita, sensual, ganhar dinheiro e conquistar o sucesso - possa estar deixando os homens um pouco mais livres:

- Hoje, a mulher que não trabalha não é valorizada. A sensação é de que ela não tem o direito de falhar - destaca a psicóloga.

Separada, a pediatra Cibeli Carvalho tem dois filhos e conta que assume a casa por inteiro. Ela teve de trabalhar excessivamente por necessidade, mas começa a desacelerar o ritmo agora que seus pequenos já são formados e trabalham. Hoje, ela se policia para encaixar na agenda momentos de lazer e de cuidado pessoal.

- Brinco que, se saio para fazer partos de madrugada, por que também não posso agüentar jantares até mais tarde? Hoje, muitos homens dividem igualmente as tarefas de casa, mas sempre há aqueles que se encostam - brinca Cibeli Carvalho.

01/09/2007 - 20:33h Iowa Permits Same-Sex Marriage, for 4 Hours, Anyway

Joshua Lott for The New York Times

Sean Fritz, 24, left, and Timothy McQuillan, 21, sealed their union in a ceremony performed by the Rev. Mark Stringer, right.

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Published: September 1, 2007 by The New York Times

DES MOINES, Aug. 31 — From towns around the state, places like Cedar Falls, Ames and Cedar Rapids, same-sex couples converged on this city as early as dawn on Friday as word spread that a judge had overturned a state law banning gay marriage.

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Joshua Lott for The New York Times

 

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Joshua Lott for The New York Times

Sean Fritz, left, and Timothy McQuillan, awaiting their marriage certificate at the Polk County Clerk’s Office.

“Imagine this — right here in Iowa,” Amanda Duncan said as she and her partner of three years, Aleece Ramirez, filled out their application for a marriage license and put down $35. “Hopefully, this starts a fire that spreads to other places.”

The chance was fleeting. After four hours, Robert B. Hanson, the same county judge who had deemed the ban on same-sex marriages unconstitutional, delayed further granting of licenses until the Iowa Supreme Court decided whether to consider an appeal.

Still, national advocates for same-sex marriage pointed to the developments as significant. An issue that has largely been battled on the coasts in states like Massachusetts and California, they said, has made its way squarely to the more conservative middle.

“There are some people

scratching their heads and saying, Iowa?” said Jon Davidson, the legal director at Lambda Legal, which worked on the case that led to the marriage applications here. “But this shows that there are lesbian and gay people everywhere who would like to get married.”

Opponents of same-sex marriage said they viewed the decision as a rallying cry, a reason that a federal amendment defining marriage is needed and a reason that an amendment to the Iowa Constitution, not just a statute, is needed.

“This is the misguided decision of one person,” Chris Stovall, senior legal counsel for the Alliance Defense Fund, which opposes same-sex marriage, said of Judge Hanson’s ruling on constitutionality. “I don’t think it represents at all what Iowa thinks. People across America and certainly in Iowa, in the heartland, understand that marriage is the union between one man and one woman.”

Massachusetts is the lone state that allows same-sex marriage. A handful of other states, including Vermont, New Jersey and Connecticut, allow same-sex civil unions. A few others, including California, allow other legal partnerships.

Judge Hanson’s ruling on Thursday, and the fallout on Friday, have also raised once more the issue of same-sex marriage among the presidential candidates who devote so much time in this state leading up to its early caucuses.

It is welcome for those candidates firmly opposed to or supportive of same-sex marriage, political experts said Friday, but has created an unwanted and thorny issue for those who have tried to walk a careful line somewhere in between.

“It really is a monkey wrench that sort of is thrown into the process for some of them,” Steffen W. Schmidt, a professor of political science at Iowa State University, said. “It’s potentially more dangerous for the Democrats, where the front-runners have been trying to finesse this issue.”

At least two Republican presidential hopefuls, Senator Sam Brownback of Kansas and Mitt Romney, former governor of Massachusetts, swiftly issued statements opposing the judge’s decision.

Mr. Romney called it “another example of an activist court and unelected judges trying to redefine marriage and disregard the will of the people.”

Asked about the ruling, Phil Singer, a spokesman for the campaign of Senator Hillary Rodham Clinton of New York, spoke of civil unions, not marriages.

“Hillary Clinton believes that gay and lesbian couples should have the same rights and responsibilities as all Americans, and that civil unions are the best way to achieve this goal,” Mr. Singer said. “As president, she will work to extend benefits at the federal level to same-sex couples in committed relationships.”

Here, the brief flurry of applications for marriage licenses was low key. About 20 couples applied before a stay was granted. No protesters appeared. Few passers-by near the Polk County administration building said they were aware of the ruling.

The legal case here began in 2005 when six same-sex couples sued the county recorder, who declined to accept their applications for marriage licenses.

The question now goes to the State Supreme Court.

In the hours before the case was suspended, just one couple, Timothy McQuillan, 21, and Sean Fritz, 24, managed to obtain their license, and also to marry. Trailed by reporters, they raced around Des Moines in search of someone who could officiate at their wedding and found a minister who agreed to conduct the service.

“We had to get married — we’re at that point in our life,” said Mr. Fritz, who said he proposed to Mr. McQuillan in a parking lot after he heard about the ruling on Thursday night.

The men, who live in Ames, met on Facebook more than a year ago, Mr. Fritz said. Whatever the outcome of the legal case, he said, “As far as I’m concerned, I’m married in the state of Iowa.”

John Sarcone, the Polk County attorney, who is representing the county recorder’s office in the case, said the marriage could be considered legitimate. Ultimately, though, it, too, may depend on the decision of a higher court.

Patrick Healy and Michael Cooper contributed reporting from New York.

07/06/2007 - 10:26h South Africa Progressive Judaism Approves same-sex marriages

The South African regional affiliate of the World Union has voted to allow its rabbis to conduct same-sex marriage ceremonies. The landmark decision was made at a meeting of the National Assembly of the South African Union for Progressive Judaism (SAUPJ) on May 6 in Durban.

“This decision was arrived at after long and thoughtful deliberation and in the spirit of what Progressive Judaism is about – inclusion of all Jews regardless of gender, sexual orientation, race or ethnicity,” said SAUPJ chairperson Steve Lurie. “This is a matter of justice and principle and we believe it is what Judaism requires of us in this day and age. As an inclusive movement and one with a strong commitment to ensure that injustice is not done in our communities, we believe that this move goes a long way to repudiate prejudice.”

Last December, South Africa became the fifth country to grant same-sex couples identical status and rights as heterosexual marriage partners. “The SAUPJ honors the divine within all human beings, and their right to live with dignity,” said Lurie.

For the full press statement, and other news about the Progressive movement in South Africa, visit http://www.saupj.org.za/.