20/03/2010 - 11:10h O que os homens querem da mulher?

Eu quis lhe dar um grande amor/ mas você não compreendeu/ a vida de um lar
Zeca Pagodinho

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MARIA RITA KEHL – O Estadao de S.Paulo

O Dia Internacional da Mulher passou longe da minha coluna quinzenal. Assim, vou levar a sério o galanteio dos que dizem “todo dia é dia de vocês” e continuar uma velha conversa que sempre retorna, por volta do 8 de março: afinal, o que querem as mulheres? Sucessivas gerações de homens retomaram a pergunta, desde que Freud confessou sua perplexidade à amiga Marie Bonaparte no começo do século passado.

Se a descoberta freudiana ainda valer e o inconsciente continuar recalcado, o desejo, no sentido radical da palavra, é enigmático para homens e mulheres. Não há distinção de gênero frente à opacidade das representações estranhamente familiares que nos habitam e motivam lapsos, deslizes, sintomas, fantasias. Já no plano das vontades mais pedestres, do destino que damos a essa insatisfação permanente a que se chama vida – talvez aí se possa especular se os homens seriam menos enigmáticos que as mulheres.

Por uma questão de método, vale considerar o ponto de vista dos que, como Freud, se confessam incapazes de satisfazer esses seres ambíguos que somos nós, do sexo feminino. Os homens, talvez para se esquivar da intromissão feminina, declaram ser pessoas fáceis de contentar. Além de sexo, dedicação e carinho (mas sem exagero!) das amadas, querem respeito profissional e, claro, ganhar bem. O que mais? 90% de minha amostragem particular responde: ler o jornal inteiro no domingo, jogar conversa fora com os amigos de bar de vez em quando e ver futebol na TV sem ser ???interrompidos. Essa opção, há quem troque por uma soneca no sofá.

Parece que com esse pacote de pequenas alegrias, tudo estaria bem. Mas, atenção: as mulheres, convidadas gentilmente a não aporrinhá-los durante suas atividades favoritas, devem estar a postos quando eles solicitarem. O casamento para o homem, disse uma vez Mario Prata, significa botar uma mulher dentro de casa. E depois, sair pra rua. Só que ela precisa estar lá quando o cara voltar, de preferência sem questionar por que ele saiu em vez de se contentar com tudo o que ela tem a oferecer. Melhor fazer essa pergunta ao ex-marido da Amélia, aquela dedicada que ele abandonou em troca da outra, cheia de exigências.

Mas perguntemos também, como meu colega de coluna, Marcelo Paiva, por que tantas mulheres hoje (nem todas! só as de 40 pra cima) não querem mais se casar? Essa pergunta é simétrica àquela formulada pelo historiador da revolução francesa, Jules Michelet, aos homens que no fim do século 19 preferiam as aventuras do celibato à responsabilidade do casamento. Michelet lamentava o destino das moças pobres e remediadas que, fora da instituição do matrimônio, ficavam desprotegidas, vulneráveis, sem perspectiva de futuro.

A recusa mudou de lugar? Por que as mulheres de hoje, cumprida a etapa inicial da criação dos filhos, preferem não entrar num segundo ou terceiro casamento? Hipótese: porque não precisam mais dele. Não do homem, nem do amor: do casamento. Nem todas as que desistem de casar de novo são, como pensa Marcelo, desiludidas com o amor. As mulheres que já se casaram algumas vezes podem ter desistido do casamento porque esse existe, até hoje, para tornar confortável a vida – dos homens. Separados, eles procuram imediatamente uma esposa que substitua a primeira, enquanto elas parecem não ter pressa nenhuma de voltar ao estado civil anterior. Isso não quer dizer que tenham desistido de amar. Pode ser que estejam à procura de outras coisas, além das que o casamento proporciona. Aliás: é nessa hora, quando uma mulher não se contenta mais com o que seu homem lhe oferece, que ele a acusa de não saber o que quer.

Muitas coisas os homens podem nos dar. Amor, prazer, carinho, apoio. Aquele olhar de desejo que embeleza a mulher. E filhos, quase todas queremos os filhos. O que mais? Profissão e independência econômica ficam fora do pacote do amor. Poder, também: mas o verbo é mais instigante que o substantivo. As mulheres querem poder muitas coisas. Depois que os filhos crescem e antes que lhes tragam netos pra cuidar, o que querem as mulheres? É simples: tudo o que não puderam viver até então. Está certo: tudo, tudo não pode ser. Vá lá, quase tudo. Com vocês ou sem vocês, meus caros; quase tudo. Caberia até perguntar: por que os homens (não todos! só os de 40 pra cima) querem tão pouco?

Basta olhar à sua volta. Uma fila de cinema: 60% de mulheres, 40% de homens (os jovens talvez sejam exceção). Um concerto? 70% pra nós. Exposição de arte, idem. Metrô pra qualquer lugar, fora de horários de pico: mulheres, mulheres. Carnaval, festa-baile: olha lá elas dançando, com ou sem parceria masculina. Viagens, ecoturismo, passeatas – a lista é longa.

Por isso mesmo a mulher pode hoje dar a seu parceiro o que nenhuma geração anterior ao século 20 podia dar. Aquilo que o poeta francês Benjamin Pérec chamou de amor sublime: o amor da carne, mais o da sublimação. As três últimas gerações de mulheres, não limitadas ao espaço doméstico, são capazes de conversar sobre quase tudo com seus companheiros. Compartilhar ideias, projetos, ambições, bobagens, piadas, boemia, lutas. A vida pode ser bem boa desse jeito, e o amor, uma conversa sem-fim.

O filósofo romeno Cioran afirmou que as mulheres são as novas-ricas do mundo da cultura. Talvez por isso falemos demais. Em compensação, os maridos não são mais os nossos únicos interlocutores.

12/03/2010 - 19:06h México celebra primeiros casamentos gays autorizados por lei na América Latina


Quatro dos cinco casais gays que se tornaram os primeiros a se casar com garantia de lei na América Latina – AP


O Globo – Agências internacionais

RIO – Enquanto os argentinos Alex Freyre e José María Di Bello enfrentaram, no ano passado, uma batalha judicial para conseguir que um cartório do país reconhecesse seu casamento, cinco casais homossexuais tiveram direito a uma cerimônia em grande estilo no México para se tornarem, na quinta-feira, os primeiros da América Latina a celebrarem o matrimônio com a garantia de uma lei específica sobre o tema. Sob críticas da Igreja Católica, a solenidade contou com a presença de autoridades como o chefe de governo da capital, Marcelo Ebrard Casaubon, e o presidente do Tribunal Superior de Justiça do Distrito Federal, Edgar Elias Azar, que foi testemunha de honra dos noivos.


Essa vitória é de todas e de todos. Para nós é um dia de festa que reforça nossa vontade de continuar”


- Essa vitória é de todas e de todos. Para nós é um dia de festa que reforça nossa vontade de continuar – disse a teóloga Judith Vásquez Arreola, de 45 anos, pouco antes de oficializar sua união com a psicóloga Lol Kin Castañeda, de 33, com quem vive há seis anos e meio.

Em dezembro do ano passado, o governo da Cidade do México promulgou várias reformas do Código Civil local que permitem que pessoas de um mesmo sexo se casem e adotem crianças sob as mesmas condições de qualquer casal heterossexual. Mas, mesmo com a Justiça garantindo as uniões, a celebração dos primeiros casamentos gays foi alvo de protestos. Cerca de cem integrantes de uma associação chamada “Um mais uma” se reuniram em frente ao edifício do governo do Distrito Federal para manifestar oposição às cerimônias.

- Eu respeito que as pessoas vivam com quem quiserem, mas não se deve chamar isso de casamento – disse Carlos Osorio, de 29 anos, que participou do protesto.

A Arquidiocese Metropolitana do México criticou diretamente o prefeito da capital, que é governada pela esquerda desde 1997. O porta-voz da Arquidiocese, padre Hugo Valdemar, disse esperar que a Suprema Corte mexicana rejeite os casamentos.

” Podemos dizer que poderá ser legal, mas nunca moral “

- Podemos dizer que poderá ser legal, mas nunca moral, e, nesse sentido, não podem estar bem com a Igreja Católica aqueles que promovem, apoiam, executam ou se submetem a estas leis imorais – disse o porta-voz, em comunicado.

Até quinta-feira o governo da Cidade do México havia aceitado mais 42 solicitações de casamentos de pessoas do mesmo sexo. Cerca de outras 40 foram recusadas por não cumprir requisitos.

13/01/2009 - 20:08h Pan Hai, apôtre de la sexualité en Chine

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Bruno Philip – Le Monde

ZHENGZHOU (CHINE)

Pan Hai, 59 ans, profite de sa condition de jeune retraité pour faire ce dont il a toujours eu envie : devenir sexologue. Exercer en Chine une telle activité, donner des conseils à ses concitoyens afin de les aider à atteindre le plaisir, dénoncer la frustration dont est victime la gente féminine en tenant un blog qui a déjà été visité 500 000 fois, voilà qui ne manque pas d’exciter la curiosité, compte tenu de la réalité chinoise en la matière : question sexe, l’empire du Milieu est encore à la marge. Même en dépit de l’impressionnante évolution des comportements sexuels depuis la fin de l’ère maoïste.

A lire son blog, les théories de Pan Hai tournent autour d’une idée simple : il faut soutenir le principe de l’infidélité conjugale au nom de la défense du mariage. Les Chinois ne cessent de tromper leurs femmes, prennent des versions modernes de concubines ; leurs épouses sont frustrées, et devraient donc en faire autant, assure le sexologue. La recette consiste à faire l’amour dans la journée, quand l’autre est au travail, et à rentrer tranquille au foyer, le soir. Pas question de dire la vérité au conjoint trompé, bien sûr. Mais la paix des ménages se gagne dans les plaisirs interdits des lits de l’après-midi.

Même conseil pour les hommes mais ce sont les femmes qu’il faut défendre, martèle Pan Hai. Il faut les aider à gagner leur droit à la jouissance. Et ne restons pas, messieurs, de grâce!, obsédés par la pénétration, prévient Pan Hai, qui promet : “Avec deux doigts et une langue, vous rendrez les dames heureuses.”

Pour mieux cerner le personnage, nous nous sommes rendus à Zhengzhou, chef-lieu de la province du Henan, où notre homme est venu rendre visite à ses vieux parents dans la perspective du Nouvel An chinois. A l’ordinaire, Pan Hai habite à Zhu Hai, près de Macao. C’est là que, durant des années, il a exercé l’austère profession de journaliste. A Zhengzhou, à une heure de vol de Pékin, dans une pizzeria d’un hôtel du centre-ville et devant une bouteille de chianti, ce charmant monsieur en veste de cuir nous a donc raconté son histoire et développé ses thèses.

Son intérêt pour les choses du sexe, – ou plutôt sur l’impact des tabous sexuels sur les comportements – remonte au temps de la révolution culturelle : Pan Hai a fait partie de cette classe d’âge qui, mûre pour l’université, s’est retrouvée à la campagne durant des années. Il fut ce qu’il est depuis convenu d’appeler un “jeune instruit”, expression désignant des étudiants appelés à l’époque à se frotter aux dures réalités du monde rural. “J’ai découvert la sexualité chez les paysans, raconte Hai. Pour moi et mes camarades, il était surprenant de voir que les gens de la campagne étaient beaucoup plus libres. On nous avait dit, vulgate maoïste oblige, que les paysans étaient les vrais révolutionnaires. Pas du tout ! Je me souviens que toute l’équipe de construction d’un aqueduc avait batifolé avec les deux cantinières… Nous étions un peu interloqués…”

Devenu journaliste, Pan Hai va s’intéresser bien plus tard, dans les années 1980, aux questions de la prolifération des maladies vénériennes au Henan – région qui sera à la fin des années 1990 touchée par le sida en raison d’un scandale lié à une affaire de sang contaminé. “Un reportage m’a aidé à parachever mon éducation sexuelle : j’avais interrogé pour mon journal une jeune étudiante de l’université de Zhengzhou, accusée de “dépravation sexuelle” pour avoir eu une histoire parallèle avec le président de l’association des étudiants et un ouvrier de la chaufferie. A travers son histoire, j’ai découvert que la morale sexuelle prêchée par les autorités était en contradiction avec le besoin de la recherche du plaisir.”

En 2002, une consultation de sexologie en forme de chronique qu’il tenait chaque semaine à Zhuhai a fini par être interdite par le département de la propagande. Pan Hai avait été trop loin. “J’ai réalisé cette fois-là que la propagande s’efforce toujours de tromper les gens. Il faut dire la vérité ! Il faut en finir avec l’hypocrisie et oeuvrer pour que l’on cesse de dire une chose et d’en faire une autre : les fonctionnaires qui prêchent l’ordre sexuel orthodoxe sont ceux qui trompent leurs femmes dans les bars de nuit et vont chanter au karaoké avec des prostituées !”

Son succès ne se dément pas. Il y a bien les grincheux et les choqués qui lui renvoient des mails d’insultes, mais il y en a beaucoup qui le félicitent pour ses thèses audacieuses. Selon lui, en Chine, beaucoup de gens continuent de choisir leurs conjoints en fonction de critères sociaux et pas en tenant compte de leurs sentiments ou de leurs désirs. “Pour les femmes, dit-il, la seule solution réside dans l’infidélité conjugale. Et je dis cela au nom de la solidité du mariage, qui est le garant de la stabilité sociale.”

Conservateur, au fond, Pan Hai, qui ne se préoccupe pas de psychologie, encore moins de psychanalyse? “Je pense que la monogamie n’est qu’une étape dans l’Histoire”, avance-t-il. Une question brûle les lèvres quand on l’écoute : “Avez-vous appliqué dans votre couple vos théories?” Il dit : “Oui, évidemment!” On ne lui a pas demandé de détails.

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Reprodução de pulseira chinesa antiga
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Obra do artista chines, residente nos Estados-Unidos, Xiaoqing Ding

06/12/2008 - 15:48h A fase libertadora da mulher começa aos 40?

Maria Vianna – O Globo

DivulgaçãoRIO – Para a escritora Andrea Franco, a chegada dos ‘enta’ não precisa ser sinônimo de crise. Autora do recém-lançado “40, sim, e daí?”, um manual de bem-estar para mulheres nesta faixa etária, ela garante que a chegada da maturidade pode ser o início de uma fase libertadora. O importante é adquirir conhecimento e equilíbrio emocional, diz Andrea, para saber tirar proveito do que o momento tem de melhor. Em entrevista ao site do Globo, ela revela algumas dicas que colheu com especialistas e mulheres que aprenderam a encarar a vida de outra forma depois que apagaram quarenta velinhas.

Por que escrever um livro para mulheres de 40?

Porque acho importante que as pessoas vejam que a maturidade pode fazer bem para uma mulher. Infelizmente, a nossa cultura, a sociedade, vê a mulher a partir dos 40 anos como uma velha, como alguém que ‘já deu o que tinha que dar’. A mulher sempre foi e ainda é, mais cobrada do que o homem em vários aspectos e, entre eles, sem dúvida, está a questão da idade. Há uma gradativa mudança nesse quadro, mas ainda há preconceito e essas coisas me incomodam muito! Então, eu quis mostrar que essa é uma etapa da vida que pode ser enriquecedora e feliz. Que a mulher pode ser, sim, bonita e desejada também a partir dos 40 anos. E que a chegada dos ‘enta’ não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. A mulher pode fazer dessa a melhor fase da vida! E eu também quis entender o que a maturidade nos proporciona. Achei importante falar de uma idade emblemática, que chega para a maioria das mulheres como um divisor de águas, marcada por muitas mudanças e que costuma vir acompanhada de alguma crise.

A mulher sempre foi e ainda é, mais cobrada do que o homem em vários aspectos e, entre eles, sem dúvida, está a questão da idade


Quais as principais angústias das entrevistadas?Como disse uma das psicólogas que eu entrevistei, pode ser angustiante perguntar “e agora?”. Como é uma fase de rever e avaliar as realizações, de constatar que metade da vida já passou, o balanço da própria existência pode desencadear uma angústia ou uma crise. Os questionamentos nessa fase da vida costumam ser : “será que eu fiz tudo o que eu queria?”, “o que esperar daqui para a frente?”, “o que eu quero realmente da vida?”, “o que é melhor para mim?” , “vou conseguir emprego?” e “vou continuar sendo atraente para os homens?”.

Eu percebi com as minhas entrevistadas que essa fase pode não ser um mar-de-rosas, mas está longe de ser algo dramático, pesado ou terrível. Algumas se sentem muito melhor do que aos 30 e até do que aos 20. Todas são unânimes quanto ao fato de que o melhor em ter 40 anos é a maturidade, há uma auto-estima grande. Ela sabe o que quer, do que é capaz, já sabe quem ela é.

Hollywood tem valorizado a mulher de40. Os homens mais jovens também. Como vê esta tendência?Talvez seja porque eles já perceberam que essa mulher “vende”. Ou seja, vários setores de consumo estão se rendendo às mulheres que chegaram à maturidade, as quais, além de buscarem qualidade de vida, têm alto poder aquisitivo. Elas são bem-informadas, independentes e podem pagar caro pelos seus luxos. Elas se tornaram público-alvo da mídia e dos segmentos de cosméticos, editorial e moda. É a new age woman, a mulher que se conserva bonita e não aparenta a idade que tem. A mulher madura está se tornando mais interessante física e economicamente. E para reforçar ainda mais esta tendência, as marcas de cosméticos têm como garotas propagandas quarentonas como Sarah Jessica Parker, Demi Moore, Linda Evangelista, Julianne Moore, Andie McDowell, entre outras. Em relação ao sucesso com os homens mais jovens, deve ser porque a experiência dessas mulheres as deixam mais sexy aos olhos deles.

Há mudanças na forma como percebem o amor?

Há uma pesquisa em que diz que a mulher nessa fase está disposta a deixar bem claro do que gosta num relacionamento. Uma de minhas entrevistadas disse que a mulher de 40 é mais sexy, mais voraz e que funciona melhor na cama porque sabe o que fazer com o corpo. Se a saúde física e emocional estiverem em dia, a mulher de 40 estará vivendo a plenitude de sua sexualidade, especialmente se estiver realizada profissionalmente e tiver desenvolvido uma relação de intimidade, cumplicidade e confiança com seu companheiro.

A idéia do vínculo afetivo e sem erotismo entra em discussão. O casamento deixa de ser “até que a morte os separe” e passa a ser encarado como construção diária, um aprendizado. Aumenta o número de mulheres chefes de família que encaram o divórcio sem trauma em prol de uma felicidade sexual mais rica e criativa. A atração nessa faixa etária é um requisito essencial para manter um relacionamento duradouro e novos vínculos ampliam a possibilidade do compromisso sem o caráter ou modelo definitivo.

Como superar o fantasma da idade?

Percebo que para muitas mulheres isto ainda é sim um problema, porque muitas ainda mentem a idade, mas isso é devido a cobrança da sociedade machista. Muitas são vulneráveis à sociedade de culto ao corpo e se influenciam pela idéia de que só se pode ser bonita aos 20 anos, só se é feliz jovem. Isso também se deve ao fato de vivermos numa cultura ocidental, que prioriza a aparência em detrimento do conteúdo, da sabedoria. O ocidental não convive muito bem com a idéia do envelhecimento. Envelhecer parece algo que deve ser empurrado cada vez mais para a frente, um castigo contra o qual se deve lutar a todo custo.

As marcas de cosméticos têm como garotas propagandas quarentonas como Sarah Jessica Parker, Demi Moore, Linda Evangelista, Julianne Moore e Andie McDowell


Como superar? Compreendendo que a vida também tem suas estações, e que o chamado “outono da vida” pode ter o mesmo prazer e alegria do verão e da primavera. Ter interesse pela informação, que não deixa de ser uma forma de poder. Não ficar vulnerável a informações distorcidas e preconceituosas. Com essa ferramenta nas mãos, ela vai notar que pode ser uma fase de maior crescimento. Se a mulher se gostar, se cuidar, a idade cronológica não contará, pois aparentamos a idade com a qual nos sentimos. Assumir a própria idade pode ser uma forma de libertação.

Que conselhos você daria para uma mulheres com medo de envelhecer?

Não sei se seria um conselho, mas acho importante destacar que é fundamental, desde já, cultivar outros valores, como a cultura, o conhecimento, um hobby, a profissão, bons relacionamentos com a família e os amigos e não focar só na aparência física. Se a mulher valoriza somente a beleza e a juventude, estará abrindo as portas para a depressão. Não adianta fugir do inexorável: todos nós envelhecemos. Se a beleza e o físico são os mais importantes para determinadas mulheres, em detrimento do seu conteúdo, do que elas são como pessoas, o envelhecimento vai ficar mais pesado. Se a pessoa não consegue aceitar esse processo, a psicoterapia pode ajudar muito.

24/11/2008 - 19:09h Con las travestis también somos derechos y humanos

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Ahí está, blanca y radiante, con la opulenta cola envuelta en tules y las infaltables lágrimas ornándole los ojos. Florencia de la V se “casó” -en realidad, no hubo papeles de por medio- y una revista de actualidad le dedicó la tapa y una veintena de páginas al acontecimiento y la siguiente tapa con una cobertura de similar tamaño a la luna de miel de la travesti y su pareja en México.

Todo, en el marco de una exclusiva que tiene su sustento: se trata quizá de la máxima estrella de la revista porteña, lo cual habla con callada elocuencia de la sexualidad criolla.

El dossier del casamiento tuvo el despliegue de rigor, con la correspondiente colección de famosos ataviados para resaltar, el lanzamiento del ramo de la novia, el vals, la torta y hasta el toque tan argentinamente familiero de las adolescentes hijas del novio repartiendo sonrisas por doquier.

También la nota sobre la luna de miel cumple con los requisitos del caso: fotos con todo el glamour que se puede lograr con un partenaire algo rollizo y tatuado sin reparar en superficie en la pileta, en la playa, de compras, en la suite del hotel, con el infaltable anochecer atrás y besos, abrazos, cariños prodigados a troche y moche.

Y en el artículo Florencia habla casi de todo: de la relación de diez años con Pablo, de su obsesión por el trabajo, de su búsqueda de felicidad, del romanticismo y, por cierto, de la noche de bodas, de su hechizo y su magia.

Pero, entre tanto palabrerío, hay algo de lo que no se habla. De que con su marido tienen algo más en común: el mismo sexo. Porque ella declara, orgullosa, que le están haciendo la primera nota como “la mujer del señor Goycochea.” Pero no es una mujer: es una travesti.

Esa es la palabra que muy llamativamente se obvia en la cobertura. Lo que instala con la potencia de la verdad una ficción o una ilusión en la cual demasiados, al parecer, pugnan por creer: la condición femenina de Florencia de la V.

La historia, tan real, también parece inspirada en la literatura: Flor es la versión sexualmente ambigüa de Cenicienta. Es la travesti que, merced a su talento y esfuerzo, llegó a convertirse en estrella, tanto que esa circunstancia permite borrar hasta su propia marca de identidad sexual.

Y esto sucede en el marco de una sociedad particularmente despiadada con las travestis. Pocos grupos sociales son tan sistemáticamente marginados, perseguidos y castigados como el de los transexuales. Ni documentos ni derechos reales tienen estos hombres que no lo son ni mujeres tampoco, siempre merced al exquisito trato policial y a la discrecionalidad del funcionario de turno.

Pero al mismo tiempo son usados con frenesí. Son miles y miles los machos porteños que van a experimentar su homo o bisexualidad desfilando por los jardines de Palermo, el gueto en el que la hipócrita moral imperante ha confinado a las travestis locales.

Por eso, el rutilante estrellato de Florencia de la V. se parece tanto a una coartada social: resulta que somos tan progres que podemos instaurar a una travesti como sex simbol. Somos como el nazi que jura tener un amigo judío.

La realidad es otra: esta es una sociedad que condena a las travestis a la prostitución porque les niega cualquier otro trabajo.

Y el éxito de Florencia de la V. no alcanza para legitimar tanta crueldad y tanto desprecio.

(Publicado por Marcelo A. Moreno el domingo 16 de noviembre del 2008 en la columna Disparador de Clarín)

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07/11/2008 - 15:40h California: dois passos a frente e um atrás

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Blog O biscoito fino e a massa

Em meio à comemoração, uma derrota importante
É chave não perder de vista as derrotas parciais que tivemos na noite histórica do 04 de novembro. Além da emocionante vitória de Obama, as coisas correram razoavelmente bem nas eleições para o Senado e a Câmara dos Representantes. Mas houve pelo menos uma derrota que me doeu muito. Na Califórnia, estado progressista, foi aprovada por 52,5% a 47,5% a odiosa Proposição 8, patrocinada por grupos religiosos, que estabelece que “somente o casamento entre um homem e uma mulher será reconhecido pelo estado”. Na mesma noite em que ajudou a eleger o primeiro presidente negro da história, a Califórnia deu uma banana para gays e lésbicas.

Vamos aos números.

Eu não gostaria de estar dizendo isso, mas é a pura verdade: o comparecimento massivo do eleitorado negro foi decisivo para a aprovação da proposição. Entre os brancos, o “não” ganhou por 51 x 49, mas entre os negros o “sim” goleou por 70 x 30. Entre os latinos, muito numerosos na Califórnia, o “sim” também venceu, por 53 x 47. Entre as mulheres negras, 75% votaram a favor de se retirar o direito dos gays ao casamento. O eleitorado feminino costuma ser muito mais progressista que o masculino nos EUA, mas nesta questão o voto foi praticamente idêntico. Os jovens votaram massivamente contra a proposição discriminatória. A turma com mais de 35 votou massivamente a favor.

John McCain apoiava a proposição e Barack Obama, professor de direito constitucional, se opunha. A histeria contra o casamento gay foi decisiva para a derrota de John Kerry em 2004 e, neste ano, Obama elaborou uma posição com mais nuances sobre o assunto. Ele não defende o “casamento gay”, mas também não defende casamento nenhum como matéria constitucional. Argumenta que o casamento deve ser deixado para que cada igreja resolva como queira, e que a lei do país se limite a garantir a todos os casais direitos idênticos (de adoção, propriedade conjunta, herança etc.) como elementos de uma união civil.

O problema é o raio da palavra, “casamento”.

Se você colocar numa cédula a idéia de restringir o direito de gays e lésbicas à adoção, herança etc. (ou seja, os direitos que costumam acompanhar o “casamento”), ela não passará, mesmo em estados mais conservadores. Basta definir o “casamento” como “a união de um homem e uma mulher” que a proposição passa, mesmo nos lugares mais liberais. É a mesma idéia, mas dependendo de como ela for formulada, o resultado é distinto. Se, amanhã ou depois, algum grupo religioso maluco resolver emendar a constituição proibindo ateus de serem professores nas escolas primárias e secundárias, a proposição passa, mesmo nos lugares mais progressistas. Esta foi uma das chaves das vitórias conservadoras nas chamadas “guerras culturais” nos EUA: mobilizar os medos e preconceitos da maioria silenciosa.

Para que vocês tenham uma idéia do absurdo da coisa: na mesma cédula em que elegeram Obama e aprovaram a proposição 8, os californianos também aprovaram a proposição 2, que exige gaiolas mais confortáveis para as galinhas. Não, não estou brincando. Siga o link. Na mesma noite em que estabeleceu os direitos das galinhas, a Califórnia decidiu que gays e lésbicas são cidadãos de segunda classe. Este blog não tem nada contra galinhas e porcos e se opõe a quaisquer maus-tratos gratuitos de animais. Mas continua firmemente antropocêntrico.

Ainda há esperanças de que numa nova Suprema Corte – com mais um ou dois juízes nomeados pelo Presidente Obama –, proposições como a número 8 sejam definitivamente declaradas inconstitucionais. Afinal de contas, elas são um tapa na cara da décima-quarta emenda à constituição americana.

Mas essa batalha é morro acima, não há dúvidas. O blog manda seu abraço solidário a todos os seus leitores gays e lésbicas, decepcionado com essa importante derrota.

escrito por Idelber Avelar

20/10/2008 - 15:31h “Às vezes um charuto é só um charuto”

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Mesmo após o apito do ombudsman da Folha, que mostrou a verdadeira campanha eleitoral contra Marta realizada no jornal na última semana, o editorialista Fernando de Barros decidiu aportar seu toque pessoal, na sua coluna de hoje.

Sendo um dos responsáveis do apedrejamento público da Marta e particularmente da campanha vil de exploração da vida privada feita contra nós pela Folha, o homem não se dá por aludido e  sem pestanejar atribui a outros “a carga pesada de truculência sexista contra a candidata”.

Vou repetir, foi a Folha de São Paulo quem incentivou permanentemente uma campanha de exploração da vida privada da Marta, a começar pela ação conjunta realizada pela Folha e Claudio Humberto nas páginas do jornal onde trabalha Fernando de Barros. (ver A Folha e a nossa vida privada).

A carga de hoje

Fernando de Barros age como aqueles machistas que atribui à saia curta da mulher, ao jeito de se maquiar, ao horário em que estava na rua, às “razões” pela qual foi estuprada. Até recentemente juízes assim discursavam e julgavam, considerando que o criminoso encontrava circunstâncias atenuantes no comportamento da vítima.

Vejam só, para Fernando de Barros, (Marta) “Se diz vítima das invasões bárbaras da mídia em sua vida pessoal, mas, prefeita, não hesitou em fazer de seu casamento um circo espalhafatoso para consumo das revistas de celebridades.”

O editorialista diz que ela se diz vítima, mas a culpa é dela mesma.

Quem é você para emitir um julgamento sobre nosso casamento? Se ser casado e ter filhos não é algo que diga respeito a vida pública de ninguém, porque as páginas do seu jornal dedicam e dedicaram tanto espaço para nosso casamento, apresentado como um circo, ao nosso relacionamento, a separação da Marta etc.?

Na época de nosso casamento Fernando de Barros já tinha escrito algo semelhante, porque recusamos os insistentes pedidos da Folha para “cobrir” nossa festa, da qual a mídia foi excluída. O desejo da Folha em tratar de nossa vida privada era tão forte, que até tentou infiltrar um repórter disfarçado de motorista, que, descoberto, foi posto para fora.

O circo foi montado pelos Fernandos de Barros que permanentemente expõem a vida privada de alguns e reivindicam para eles este direito, com o pretexto da transparência supostamente devida pelas figuras públicas aos cidadãos. Os mesmos que nada disseram ou escreveram sobre a vida pessoal de Fernando Henrique Cardoso e de outros, nunca mostraram o mesmo “pudor” com a vida pessoal da Marta. Nós fomos vítimas da invasão permanente de nossa privacidade e o “estuprador” foi a Folha. O “pretexto” -a nossa “saia curta”-, foi a separação da Marta e nosso relacionamento. (Contardo Calligaris interpretou na época o significado psicoanalitico desse apedrejamento, falando dos comentários na cidade, mas era a Folha a que dava uma expressão mídiatica e política a eles) (2)

Dias antes do nosso casamento a Folha chegou a publicar um editorial, sob o título “O show da Marta” em que dizia “O próximo ato do show promete ser a festa de casamento com Luis Favre, tendo como padrinhos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho.” (Editorial Folha SP 15/9/2003).

Até hoje Fernando de Barros não engoliu nossa recusa em dar a Folha entrevistas sobre nosso casamento e fotos exclusivas da cerimônia, como eles queriam. Nossa recusa tinha uma motivação central: de todos os jornais e revistas do Brasil, a Folha foi a que mais explorou politicamente contra nós, nossa vida pessoal. Dezenas de artigos, notas, coberturas, destaques, encontraram na Folha o eco generoso para espalhar e explorar nossa vida privada. (teve até a publicação de uma carta no Painel de Leitor da Folha propondo que Marta fosse excomungada) (1)

Por isso, aceitamos a solicitação do Diário de São Paulo e da revista Caras para publicamente falar de nosso casamento, sem dar margem a sacanagem do jornalismo marrom e obter um mínimo de decência na abordagem inevitável que a mídia faria de nosso casamento. Com Caras tínhamos a certeza que a cobertura seria estilo Caras; com a Folha a certeza do tratamento estilo Claudio Humberto.

O comercial com o “significado” da Folha

A má fé de Fernando de Barros é escancarada quando diz, falando do comercial “Diferentemente do “relaxa e goza”, um deslize verbal desastroso, aqui se tratou de uma ação deliberada.”

A frase infeliz da Marta, amplamente difundida, usada e reprisada, foi dela própria e meia-hora após pronunciada, as desculpas da própria Marta deveriam ter posto um ponto final ao episódio. A mídia viu uma oportunidade de destruir a vida política de Marta e usou e abusou da propagação da frase, não das desculpas. (basta ver como foi o tratamento dado pela mesma mídia ao truculento ataque de Kassab a um munícipe, ao grito de “vagabundo”).

O comercial de João Santana visava, segundo ele diz na entrevista à Folha, a mexer com o fato que as pessoas não sabem quem é Gilberto Kassab. Antes do primeiro turno, comercial de Alckmin tentou fazer o mesmo dizendo que Kassab era “dissimulado” e tinha “duas caras” e depois se apresentando com sua esposa e filhos. Porque a Folha não viu nisto uma incursão inaceitável com insinuações sobre a vida pessoal de Kassab e da Marta e não fez a mesma campanha?

A mídia não atribuiu nenhum significado particular, nem qualquer insinuação na campanha de Alckmin. Já com o comercial da campanha do PT a mídia diz que procurava explorar a suposta homossexualidade do prefeito. Este significado, foi a mídia que incorporou ao comercial, propagando-o como tal.

Perante essa interpretação e tendo a mídia incorporado esse significado ao comercial, Marta, que não tinha visto o comercial e que seria a última pessoa neste país a explorar a orientação sexual de alguém, declarou que lamentava que esta tivesse sido a leitura do comercial e ele foi retirado.

O charuto da Folha

Sigmumd Freud, o pai da psicanálise, diz que “as vezes um charuto é só um charuto”. Para a Folha, parafraseando Freud, quando se trata do PT “um charuto nunca é um charuto”. Já com os que a Folha protege: “um charuto sempre é um charuto”. Esse duplo tratamento, essa dupla moral e esse duplo linguagem é o da Folha e seus escribas. Talvez por isso a projetem nos outros.

A Folha, que permanentemente incursionou ou deu eco a questionamentos sobre a vida sexual, afetiva, a separação, o divórcio e o casamento da Marta vem posar de vestal?

Nossa vida privada permanentemente exposta nas páginas da Folha forneceu os temas amplamente explorados pelos demo-tucanos na ação política (paródia de nosso casamento com dois travestis na porta da Câmara Municipal, afirmação que a lei que autorizava a contratar estrangeiros no serviço público municipal visava a assegurar um emprego para o conjugue da Marta, sabe… a lei 69; Documento do site da Direção Nacional do PSDB “Dona Marta e seus dois maridos”, insinuações caluniosas sobre minha participação no governo da minha esposa etc.).

Em todos estes episódios de explicita, aberta e ativa utilização da nossa vida pessoal com objetivo político, Fernando de Barros, os outros vestais da Folha nada enxergavam que os incomodasse.

A hipocrisia é tamanha que basta constatar: se a questão da orientação sexual do prefeito não interessa ninguém, como eu penso e a Folha pretende, porque a Folha faz questão de por na capa a afirmação de Kassab que tem muita mulher querendo casar com ele? Porque encaminhar dentre tantas perguntas justamente aquela que questiona kassab sobre se é ou não homossexual, e dar destaque no jornal para sua negação?

Luis Favre

(1) Casamento da prefeita
“O divórcio, após quase 40 anos de matrimônio, do senador Eduardo Suplicy e o casamento com Luis Favre poderão acarretar à prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, a excomunhão pela Igreja Católica. O comportamento da prefeita, que se define como católica, em relação a valores fundamentais para o catolicismo (como aborto e união de homossexuais) sempre bateu de frente com o magistério da igreja. O novo casamento constitui escândalo enquadrado por norma (cânon 1.364) do Código de Direito Canônico, que estabelece a excomunhão. Lembro que toda sanção tem, na igreja, a função de remédio e não visa afastar do amor de Deus o católico que errou. É uma tentativa de trazer seus filhos de volta à casa do Pai, onde se encontram a verdadeira felicidade e a vida sem fim.”
Francesco Scavolini, especialista em direito canônico e conselheiro do Comitê dos Italianos no Exterior em São Paulo (Itu, SP) (Painel do Leitor – Folha SP 22/8/2003)

(2) CONTARDO CALLIGARIS

Marta Suplicy e Luis Favre: por que tanta zombaria?

Desde o começo do namoro de Marta Suplicy e Luis Favre, em 2001, é fácil ouvir comentários zombadores. O casamento, no sábado passado, reavivou a produção.
Espírito partidário à parte, qual é a origem dessa reprovação, engraçada ou raivosa que seja?
1) Em 2001, Marta tinha mais de 50 anos, era ex-deputada federal, prefeita, casada com um senador da República. Por seu trabalho passado, ela representava também um certo ideal de sabedoria nas coisas do amor.
Ora, quem é mais velho, nos governa e parece mais sábio que a gente é automaticamente colocado, por nossa imaginação, na categoria dos “adultos”, inaugurada pelos pais que tivemos ou teríamos gostado de ter. E, banalmente, as crianças não gostam que os pais se separem. Por exemplo, temem ser abandonadas: se eles pensam em seus amores, como é que vão se ocupar direito da gente?
Tradução dessa preocupação infantil, desde 2001 vozes nos bares e nos jantares paulistanos perguntavam: enfim, Marta vai governar ou namorar?
2) A idéia de que governar e namorar sejam alternativas excludentes se apóia também na convicção de que o poder deve ter um preço. Quer governar? Tudo bem, mas esqueça amores e paixões, deixe para depois, sacrifique-se.
É uma convicção que nos consola. Pois confirma que há uma razão pela qual não somos prefeitos, presidentes, governadores ou mesmo vereadores; é porque preferimos cuidar da vida: namorar, por exemplo.
O governante infeliz apazigua nossa culpa cívica. E o governante que não pretende desprezar seus sentimentos está querendo demais.
Marta, porta-voz há tempos do direito à busca da felicidade privada, não tinha como namorar de fininho. Declarou que uma prefeita feliz governa melhor. Muitos teriam preferido ouvir que governar custa caro e implica a renúncia aos prazeres do amor.
3) Os compromissos, a distância geográfica, o momento inoportuno, tudo conjurava, na história de Marta e Luis Favre, para que fosse sensato desistir. Eles escolheram um caminho árduo.
As histórias de amor dificílimas, a gente adora no “Aguenta Coração”, do Faustão, em que elas valem como fragmentos de novela, ficções com as quais sonhar. Muito mais difícil é apreciá-las na realidade.
Em geral, em matéria de amor, somos ousados apenas nos devaneios literários. Consequência: a história real de Marta e Luis suscita nostalgias de paixões renunciadas, levanta a inveja de quem não sabe ou não soube ousar.
4) Em 2001, ouvi dizer: “Se ela não fosse prefeita, o cara nem a cumprimentaria”. Favre seria um caçador de dote político, interessado no cargo de “príncipe consorte”. No domingo passado, um taxista comentou: “Se Marta não se reelege, o homem cai fora”.
De fato, o futuro político de Marta não depende de sua reeleição. Mas o que importa aqui é a idéia de que Favre estaria gostando da prefeita, e não da Marta.
É uma velha história: imaginamos que deveríamos ser amados por alguma essência de nosso ser. E amar “de verdade” seria gostar do outro, mesmo que ele não tivesse a profissão, o lugar social e a história que o tornaram quem ele é.
Como Favre amaria uma Marta “essencial”, que não é prefeita, não foi deputada, não foi sexóloga e não fez uma escolha política na contramão de seus privilégios de nascença? Quem seria essa pessoa? Reciprocamente, como Marta amaria um Favre “essencial”, que não seria franco-argentino e ex-trotskista?
Não somos essências, mas pacotes complexos. Amamos e somos amados com as mãos cheias das tralhas que acumulamos em nossas vidas prévias.
5) O comentário segundo o qual Favre desejaria não Marta, mas a prefeita, também subentende que Marta não seria desejável. O que é curioso: afinal, talvez Favre seja um “gato”, mas Marta é uma mulher bonita.
Claro, vale o preconceito trivial sobre sexo depois dos 50, que não é muito diferente da expectativa de que a mãe (ainda mais a avó), não podendo ser virgem, seja casta.
Mas não é só isso. A idéia de que a prefeita não seria amável como mulher está a serviço de outro preconceito, segundo o qual a feminilidade não condiz com a autoridade de quem governa.
Acontece assim que, quando Marta escolhe uma roupa, uma maquiagem ou um corte de cabelo, chega o deboche: a prefeita é uma perua.
Perua seria a mulher que só pensa em agradar ao desejo masculino. A denominação satisfaz a boa consciência machista, pois parece inspirada por um feminismo militante: olhe só, debochamos da feminilidade “alienada” das mulheres que se enfeitam.
Nota: uma parte relevante do movimento feminista (as “pro-sex feminists”) reivindica os apetrechos tradicionais da feminilidade. É um jeito de afirmar que a mulher liberada não precisa ser passiva e recatada nem vergonhosa de seu desejo ou de sua vontade de ser desejada. Ou seja, nem sempre a cinta-liga é marca de domínio.
Em suma, se Marta escolhe uma roupa sexy de Nina Ricci para seu casamento, é peruagem? Ou é possível que uma mulher seja prefeita sem deixar de ser feminina?
Enfim, a Marta Suplicy e a Luis Favre, sem ironia, desejo um casamento feliz. (Folha Sp 25/8/2003)

ccalligari@uol.com.br

17/10/2008 - 18:44h Portal Terra 2002: Serra condena gays em troca de apoio evangélico

“Serra, amigo íntimo da primeira-dama Ruth Cardoso, ferrenha defensora da união civil entre pessoas do mesmo sexo, não vê nenhum problema em legalizar o casamento gay. “(Correio Braziliense 15/08/2002)

Sexta-feira, 11 de outubro de 2002

Serra condena gays em troca de apoio evangélico – 08:31

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, fez uma barganha inusitada para ganhar o apoio dos evangélicos no segundo turno das eleições. O candidato se comprometeu a condenar a união civil entre homossexuais e a legalização do aborto, em troca do apoio da Assembléia de Deus.

A barganha ficou decidia em reunião entre Serra e os líderes da Assembléia de Deus, capitaneada pelo bispo Manoel Ferreira, candidato derrotado do PPB ao Senado pelo Rio e presidente vitalício das Assembléias de Deus no Brasil. Pelo acordo, Serra se comprometeu a não promulgar o projeto de lei de parceria civil entre pessoas do mesmo sexo, de autoria da ex-deputada e atual prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, do PT, caso a lei seja aprovada pelo Congresso.

Serra prometeu, ainda, rever a posição do governo Fernando Henrique Cardoso, a favor da cobrança de taxas sobre os templos evangélicos. O tributo consta de uma emenda constitucional de autoria do ex-deputado Eduardo Jorge (PT-SP). Hoje, os milhões faturados pelos evangélicos não pagam nenhum imposto.

No primeiro turno, a orientação para os fiéis da Assembléia de Deus era apoiar Anthony Garotinho, do PSB. Agora, a congregação preferiu apoiar a candidatura tucana por unanimidade, alegando maior compatibilidade com suas propostas, já que o PT sempre foi mais liberal em relação aos direitos dos homossexuais.

Ao final da reunião, Serra recitou o Pai Nosso evangélico, com final diferente da oração católica , de mãos dadas com os bispos Manoel e Samuel Ferreira (foto).

O bispo Manoel Ferreira arrematou: “Insistimos e Serra concordou em não apoiar o casamento civil entre homossexuais. Queremos acabar, ainda, com as restrições à instalação de novos templos nos centros urbanos”.

05/10/2008 - 12:17h Trajetórias

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Folha e “imprensa marrom”: trajetórias convergentes

 

A Folha de hoje, dia da eleição, traz a “trajetória” dos candidatos à prefeitura de São Paulo. A dupla página contém iconografia ilustrando o resumo da trajetória dos mesmos.

A Folha inicia a ilustração da trajetória da Marta com uma foto de seu primeiro casamento com Eduardo Suplicy e conclui com uma foto de nosso casamento, em 2003.

Tanto Kassab, como Alckmin, comportam inicialmente fotos quando crianças e concluem, a de Kassab junto com Serra após ganhar a prefeitura em 2004, e a de Alckmin no velório de Mário Covas.

Vale uma pergunta: Trata-se só de uma manifestação de sexismo, considerar que a trajetória de uma mulher começa e conclui no seu casamento?

Não só. Marta ficou conhecida como feminista, defensora dos direitos das mulheres e da igualdade. Ícone dos precursores da libertação das mulheres da hipocrisia “moral”, foi e é defensora dos direitos das minorías. Deputada federal, autora da lei que garante 30% de vagas para as mulheres nas candidaturas nas listas eleitorais; foi candidata a governadora, prefeita da maior cidade de América Latina e Ministra de Turismo. Hoje é candidata e líder em todas as pesquisas eleitorais.

Na legenda que ilustra a foto de nosso casamento, a Folha escreve: “Casa-se com Luis Favre, tendo Lula e Marisa Letícia como padrinhos. Em seu livro, Marta relata o que disse para a mãe em 2001: ‘Estou apaixonada e pensando em me separar’. Seu casamento de 36 anos com Suplicy terminara em 2002.”

O texto comporta um “erro”. “Erro” escolhido para alimentar a cloaca que a Folha incentiva contra Marta. A conversa de Marta com sua mãe precedeu de poucos dias o anuncio público do fim do casamento com Eduardo, publicado na Folha no final de abril de 2001.

Tem uma diferença entre a Folha e a chamada “imprensa marrom”, como por exemplo os tablóides ingleses. A “imprensa marrom” inglesa não insinua, mas proclama abertamente a sua utilização caricatural e escandalosa da vida privada das personalidades públicas. Ela é independente e age inescupulosamente, incitando as piores baixezas escondidas na alma da “massa”, sem partidarismos. Ela é nojenta contra todos, sem discriminação.

A Folha ganharia se incorporasse também esse lado da imprensa marrom. A Folha ficaria mais isenta.

Luis Favre

23/09/2008 - 18:19h Amor – O Interminável Aprendizado

Blog Releituras

por Affonso Romano de Sant’Anna

 

 

Criança, ele pensava: amor, coisa que os adultos sabem. Via-os aos pares namorando nos portões enluarados se entrebuscando numa aflição feliz de mãos na folhagem das anáguas. Via-os noivos se comprometendo à luz da sala ante a família, ante as mobílias; via-os casados, um ancorado no corpo do outro, e pensava: amor, coisa-para-depois, um depois-adulto-aprendizado.

Se enganava.

Se enganava porque o aprendizado de amor não tem começo nem é privilégio aos adultos reservado. Sim, o amor é um interminável aprendizado.

Por isto se enganava enquanto olhava com os colegas, de dentro dos arbustos do jardim, os casais que nos portões se amavam. Sim, se pesquisavam numa prospecção de veios e grutas, num desdobramento de noturnos mapas seguindo o astrolábio dos luares, mas nem por isto se encontravam. E quando algum amante desaparecia ou se afastava, não era porque estava saciado. Isto aprenderia depois. É que fora buscar outro amor, a busca recomeçara, pois a fome de amor não sabia nunca, como ali já não se saciara.

De fato, reparando nos vizinhos, podia observar. Mesmo os casados, atrás da aparente tranqüilidade, continuavam inquietos. Alguns eram mais indiscretos. A vizinha casada deu para namorar. Aquele que era um crente fiel, sempre na igreja, um dia jogou tudo para cima e amigou-se com uma jovem.

E a mulher que morava em frente da farmácia, tão doméstica e feliz, de repente fugiu com um boêmio, largando marido e filhos.

Então, constatou, de novo se enganara. Os adultos, mesmo os casados, embora pareçam um porto onde as naus já atracaram, os adultos, mesmo os casados, que parecem arbustos cujas raízes já se entrançaram, eles também não sabem, estão no meio da viagem, e só eles sabem quantas tempestades enfrentaram e quantas vezes naufragaram.

Depois de folhear um, dez, centenas de corpos avulsos tentando o amor verbalizar, entrou numa biblioteca. Ali estavam as grandes paixões. Os poetas e novelistas deveriam saber das coisas. Julietas se debruçavam apunhaladas sobre o corpo morto dos Romeus, Tristãos e Isoldas tomavam o filtro do amor e ficavam condenados à traição daqueles que mais amavam e sem poderem realizar o amor.

O amor se procurava. E se encontrando, desesperava, se afastava, desencontrava.

Então, pensou: há o amor, há o desejo e há a paixão.

O desejo é assim: quer imediata e pronta realização. É indistinto. Por alguém que, de repente, se ilumina nas taças de uma festa, por alguém que de repente dobra a perna de uma maneira irresistivelmente feminina.

Já a paixão é outra coisa. O desejo não é nada pessoal. A paixão é um vendaval. Funde um no outro, é egoísta e, em muitos casos, fatal.

O amor soma desejo e paixão, é a arte das artes, é arte final.

Mas reparou: amor às vezes coincide com a paixão, às vezes não.

Amor às vezes coincide com o desejo, às vezes não.

Amor às vezes coincide com o casamento, às vezes não.

E mais complicado ainda: amor às vezes coincide com o amor, às vezes não.

Absurdo.

Como pode o amor não coincidir consigo mesmo?

Adolescente amava de um jeito. Adulto amava melhormente de outro. Quando viesse a velhice, como amaria finalmente? Há um amor dos vinte, um amor dos cinqüenta e outro dos oitenta? Coisa de demente.

Não era só a estória e as estórias do seu amor. Na história universal do amor, amou-se sempre diferentemente, embora parecesse ser sempre o mesmo amor de antigamente.

Estava sempre perplexo. Olhava para os outros, olhava para si mesmo ensimesmado.

Não havia jeito. O amor era o mesmo e sempre diferenciado.

O amor se aprendia sempre, mas do amor não terminava nunca o aprendizado.

Optou por aceitar a sua ignorância.

Em matéria de amor, escolar, era um repetente conformado.

E na escola do amor declarou-se eternamente matriculado.


Texto extraído do livro “21 Histórias de amor”, Francisco Alves Editora – Rio de Janeiro, 2002, pág.11.

Para conhecer mais sobre Affonso Romano de Sant’Anna, clique aqui.

Ilustração: Mario Mastrotti

Mario Dimov Mastrotti, natural de São Caetano do Sul – SP, começou a publicar em 1975 no Diário do Grande ABC com as tiras do Cubinho, também publicada no Jornal de Brasília, Gazeta de Vitória, Província do Pará e outros. Na Folha de São Paulo publicou o Mago de Az-Zar, em 1976. Entre 1976 e 1991 produziu colunas e suplementos infantis para mais de 30 jornais como Diário Popular e Folha de Londrina. Produziu quadrinhos infantis e adultos para editora Abril, Press e ECAB, e cartilhas para várias empresas como Pirelli e Lever. Em 2000 organizou o livro cooperado Humor Brasil 500 anos, premiado com o HQ Mix de melhor projeto editorial, e no ano seguinte lançou o livro 2001, Uma odisséia no humor, com 21 cartunistas, como no livro anterior. Publicou charge na revista Bundas e no livro Front. Em 2002, organizou a antologia Humor pela Paz e a falta que ela faz, com 28 cartunistas de 8 estados e prefaciado pelo Angeli. Atualmente colabora com o OPasquim21, edita a revista Humor & Amigos, leciona na Universidade Metodista de São Paulo,  no curso de Publicidade e Propaganda e Comunicação Mercadológica, e dirige a Editora Virgo que edita livros cooperados.

E-MAIL: mastrotti@editoravirgo.com.br

20/09/2008 - 18:22h Casamento

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20/09/2008 - 13:49h Aniversário

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07/06/2008 - 00:20h Marta Suplicy: Por que quero voltar a ser prefeita

Veja São Paulo entrevista Marta Suplicy

Na primeira de uma série de entrevistas com os principais candidatos à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, a atual líder nas pesquisas, fala de seus planos para a cidade, do que se arrepende em seu período à frente da administração municipal e por que se julga mais bem preparada que seus dois maiores adversários, o ex-governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab

Por Alessandro Duarte e Alvaro Leme

Mario RodriguesMarta: 30% das intenções de voto e 31% de rejeição

Após um encontro reservado com o presidente Lula, na última quarta-feira, Marta Suplicy deixou o Ministério do Turismo e anunciou oficialmente que é candidata à prefeitura da maior cidade da América Latina. Aos 63 anos, ela deseja voltar ao cargo que ocupou entre 2001 e 2004. “São Paulo é moderna, nervosa, agitada”, afirma. “Precisa de alguém ousado, criativo e inovador.” Para concretizar seu sonho, terá de bater adversários de peso. Segundo pesquisa divulgada pelo Ibope na terça, a petista lidera a corrida com 30% das intenções de voto dos paulistanos. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) aparece logo atrás, com 28%, e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) vem em terceiro, com 13%. No último levantamento do Datafolha, publicado no dia 18 de maio, o resultado foi bastante parecido. Marta tinha 30%; Alckmin, 29%; e Kassab, 15%. Entre os três, ela também está à frente na medição da rejeição. Dos entrevistados pelo Datafolha, 31% dizem que não votariam nela de jeito nenhum (contra 27% de Kassab e 16% de Alckmin). Embora ainda faltem quase quatro meses para as eleições e esse quadro possa se modificar, já ficou claro quem são os mais fortes candidatos no pleito, cujo primeiro turno vai se realizar em 5 de outubro. O segundo está marcado para 21 dias depois.

Felipe Araujo/Agência Estado/AENa 12ª edição da Parada Gay, em maio: trio elétrico do Ministério do Turismo

Eduardo Knapp/Folha ImagemDurante visita ao Jardim Keralux, na campanha à prefeitura de 2000: elegância, ainda que em meio à lama

Nesta edição, Veja São Paulo apresenta a primeira de uma série de entrevistas com os três principais concorrentes. Marta recebeu a reportagem um dia antes de se desligar do governo, na sede estadual do Partido dos Trabalhadores, no Jardim Paulista. Durante uma hora e meia, ela falou sobre seus planos e tomou cinco xícaras de café com adoçante, servindo-se de uma garrafa térmica. “Antes de entrar para a prefeitura, não tinha esse hábito”, diz ela. “Hoje, bebo mais de dez xícaras por dia.” À frente do Ministério do Turismo, no qual ficou por catorze meses, firmou um convênio de 1 bilhão de dólares com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), criou o programa Viaja Mais – Melhor Idade, que incentiva o turismo de pessoas acima de 60 anos, e deu início aos estudos sobre as necessidades das cidades-sede da Copa de 2014. Mas o momento que ficou marcado foi o da sugestão que deu para quem sofria com as conseqüências do caos aéreo. “Relaxa e goza”, disse. “Foi uma frase infeliz, pela qual pedi desculpas horas depois”, lembra Marta.

Leonardo Wen/Folha ImagemEm junho de 2007, auge do caos aéreo, no lançamento do Plano Nacional de Turismo: “Relaxa e goza”

Marcelo Ximenez/Folha ImagemApresentando o CEU de Campo Limpo ao russo Garry Kasparov, ex-campeão de xadrez, em agosto de 2004: 21 escolões construídos durante sua gestão

Psicanalista, nascida rica e educada em colégios freqüentados pela elite paulistana, ela tornou-se conhecida em 1980, quando apresentava o quadro Compor-ta-mento Sexual no programa TV Mulher, da Rede Globo. Já naqueles tempos mostrava que não tinha papas na língua. Falava sobre orgasmo e masturbação com uma desenvoltura rara à época. No PT desde a década de 80, foi deputada federal entre 1995 e 1998, quando encabeçou projetos como a regulamentação do direito ao aborto e a parceria civil para pessoas do mesmo sexo. Em abril de 2001, numa decisão que chocou parte dos paulistanos e de seus eleitores, divorciou-se do senador Eduardo Suplicy, político com imagem de bom moço e respeitado mesmo entre os não-petistas. Eles foram casados por 36 anos e tiveram três filhos – o advogado André e os cantores Supla e João. Dois anos e meio depois, numa festança para 400 pessoas, Marta Teresa Smith de Vasconcellos – seu nome de nascimento – casou-se, de chapelão e vestido que deixava os ombros à mostra, com o franco-argentino Luis Favre, quatro anos mais jovem, quatro casamentos anteriores e uma vistosa rede de contatos na esquerda internacional.

Ricardo StuckertNo casamento com o franco-argentino Luis Favre, em setembro de 2003: festa para 400 pessoas

José Cruz/Agência BrasilEm encontro no Congresso, em 2003, seu ex-marido, o senador Eduardo Suplicy, lhe dá um beijo na testa: separação causou espanto

Em seu mandato como prefeita, algumas de suas realizações foram a criação dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), a instituição do bilhete único – que permitia ao usuário do sistema de transporte público pegar, pelo preço de uma passagem, quantos ônibus quisesse em um período de duas horas –, a transferência de seu gabinete do mal-amado Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro II, para o Edifício Matarazzo, localizado entre o Viaduto do Chá e a Praça do Patriarca, e a construção de duas polêmicas passagens subterrâneas sob a Avenida Faria Lima. Com a desculpa de que os cofres haviam sido deixados em frangalhos pelos anos de administração Maluf-Pitta, avançou com gosto no bolso dos contribuintes. Em busca de recursos, criou as taxas do lixo e de iluminação, além de conseguir na Câmara a aprovação do IPTU progressivo. Tentou a reeleição, mas perdeu para o tucano José Serra, que dois anos depois se elegeu governador do estado.

Joao SalDe vestido balone, chegando para o casamento de sua amiga Eleonora Rosset, no mês passado: guarda-roupa fabuloso

Silvio FerreiraApresentando o quadro Comportamento Sexual, na TV Mulher, em 1981: sem papas na língua

Quando não está cuidando dos preparativos de sua campanha, a sempre vaidosa Marta Suplicy costuma ir ao cinema (gostou de Um Beijo Roubado e detestou O Melhor Amigo da Noiva), ver os netos (tem quatro e mais um a caminho) e comer as receitas do marido, que costuma cozinhar para ela. “Ele faz um pot-au-feu (cozido francês) ótimo”, conta, com um indisfarçável brilho nos olhos azuis, antes de mais um gole de café, a essa altura morno.

Marcia MayCom os filhos André, João e Supla, no início da década de 80: “Falo com eles quase todos os dias”


Entrevista

Mario Rodrigues“Eu me arrependo de ter criado taxas. Muito. Na minha gestão, 62% dos contribuintes passaram a pagar menos IPTU. Ao mesmo tempo, outros 31% tiveram aumento, e aí acho que a mão pesou”

Veja São Paulo – Por que a senhora quer voltar a ser prefeita?
Marta Suplicy – São Paulo precisa de uma nova atitude. Vejo minha cidade numa situação caótica no trânsito, com uma administração que não ousou o suficiente para atender a suas demandas. Creio ter as condições de dar respostas aos problemas gravíssimos enfrentados pelos paulistanos. Politicamente, tenho mais acesso ao governo federal, por ser do time do presidente.

Veja São Paulo – Qual é o principal problema da cidade hoje e como pretende enfrentá-lo?
Marta – Sem querer ignorar a situação difícil na saúde e na educação, diria que é o trânsito. O que pretendo fazer? Recuperar a capacidade de gestão da CET e ampliar o bilhete único, que pode ganhar duração semanal, mensal ou até anual. A longo prazo, construir mais corredores de ônibus e linhas de metrô. Para a Copa do Mundo de 2014, precisaremos de mais 260 quilômetros de corredores e 65 de metrô.

Mario Rodrigues“Se a mulher é gentil e doce, classificam de incompetente. Se é firme e forte, chamam de arrogante. Se tem poder, então, vira insuportável”

Veja São Paulo – A senhora foi prefeita por quatro anos. Não acha que tem parte da responsabilidade pelo caos no trânsito, que já era um problema na sua gestão?
Marta – Pelo contrário. Enfrentamos a máfia de dirigentes do transporte para reformular os contratos das empresas com a prefeitura. Havia ônibus com mais de dez anos e perueiros clandestinos enlouquecidos pelas ruas. Implantamos o bilhete único, que virou um modelo para todo o Brasil. Criamos 100 quilômetros de corredores, enquanto a atual administração construiu 7. Fizemos túneis importantes e um pedaço significativo da Radial Leste.

Veja São Paulo – A senhora cogita adotar medidas restritivas ao transporte individual, como o pedágio urbano ou a ampliação do rodízio?
Marta – Nossas propostas passam pelo lado oposto. Quero que quem usa o transporte privado se sinta atraído por um transporte de qualidade. Como, por exemplo, na Avenida Rebouças. Muitas pessoas que faziam aquele percurso de carro passaram a usar o ônibus, que é mais rápido. Quanto ao metrô, perdemos muito tempo. Estive recentemente na China e vi que são construídos 20 quilômetros por ano em Pequim. Precisamos implantar esse ritmo alucinante aqui e temos condições de fazer isso por causa do boom econômico. Mas, se tivéssemos hoje 10 bilhões de reais para investir no metrô, não haveria licitações prontas ou projetos. De que chamo isso? Falta de planejamento. Que nome posso dar?

Veja São Paulo – A senhora se compromete a não aumentar impostos como o IPTU ou a não criar outras taxas?
Marta – Vou diminuir as taxas. Já mandei um grupo estudar formas de reduzir a tributação para o cidadão paulistano. Não sei ainda que imposto será usado. A cidade vive outro momento, gente! Quando comecei minha gestão, São Paulo tinha dívidas gigantescas. A receita de que dispunha era metade da atual.

Mario Rodrigues“Quem está no serviço público precisa se apresentar bem porque é visto e fotografado o tempo inteiro”

Veja São Paulo – Caso seja eleita, a senhora se compromete a cumprir o mandato até o fim?
Marta – Assinar papel com uma garantia dessas ficou desmoralizado na última eleição, não? Tenho idéia de, se eleita, pleitear um novo mandato. Oito anos. Em minha experiência como prefeita, vi que dei passos gigantescos no transporte, na saúde e na educação, mas não consegui chegar aonde poderia. Se é para entrar na briga, que seja para deixar uma coisa mais consolidada.

Veja São Paulo – Quer dizer que não deixaria o mandato para se candidatar ao governo ou à Presidência?
Marta – Mais que isso. Estou falando que penso em ficar oito anos na prefeitura.

Veja São Paulo – A senhora gostou, então, de ser prefeita?
Marta – É um trabalho estressante como nenhum outro. Não tem igual. Ao mesmo tempo, é muito gratificante perceber que você pode mudar a vida das pessoas.

Veja São Paulo – Por que a senhora acha que tem melhores condições de administrar São Paulo do que o prefeito Gilberto Kassab e o ex-governador Geraldo Alckmin?
Marta – Pelo perfil. São Paulo é moderna, nervosa, agitada. Precisa de alguém ousado, criativo e inovador. Se for ver o que o Alckmin fez como governador, não daria para aplicar nenhum desses adjetivos à sua gestão. O Kassab continuou, de forma muito modesta, o que eu havia iniciado. Não consigo lembrar de nenhuma ação inovadora e criativa que ele tenha tomado para solucionar os problemas vitais da cidade.

Veja São Paulo – Nem mesmo a Lei Cidade Limpa?
Marta – É um projeto importante, que foi iniciado em nossa gestão com a Operação Belezura. Kassab teve o mérito de implementar e dar uma dimensão para a cidade toda. Foi um bom projeto. Mas não vi nenhuma grande obra que não tenha sido iniciada no meu governo. A Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, que é uma obra muito linda, foi licitada por nós. Fizemos também a fundação e os pilares. A gestão Serra-Kassab limitou-se a dizer que era uma obra faustosa e cara. Interrompeu a construção, que só foi retomada quando as empreiteiras entraram na Justiça. Tínhamos pouco dinheiro e fizemos muito. Eles têm muitos recursos e fizeram muito pouco.

Veja São Paulo – Que projeto ou obra seria a marca de um novo governo seu?
Marta – Ainda é cedo para dizer. Estou começando a me debruçar nos problemas da cidade. Mas certamente será marcante a recuperação do transporte. E também a inclusão social. Enquanto o sistema público não consegue tirar uma criança da favela, que seja capaz de tirar a favela de dentro dela com uma escola que ofereça oportunidades. Vou investir em um centro para alavancar a formação dos nossos professores. E conseguir que os alunos fiquem mais tempo na escola, o que é um desafio gigantesco em São Paulo, em razão da quantidade de crianças. Como psicóloga e psicanalista, quero manter um olhar especial sobre as creches. Criança bem-cuidada nos primeiros anos de vida é a que vai ter oportunidades.

Veja São Paulo – Do que a senhora se arrepende de não ter feito em sua gestão?
Marta – Eu me arrependo de algo que fiz. Das taxas. Muito. Mas não havia recursos. Nossa administração foi bem difícil no começo, porque pegamos um momento pós-Maluf e Pitta. Uma cidade completamente depredada, em ruínas. As administrações regionais eram antros e não prestavam nenhum serviço. Criamos um plano diretor, o que não existia em São Paulo havia mais de dez anos. A folha de pagamento da prefeitura era feita a mão! Nós a informatizamos. Agora, olhando em retrospecto, eu me arrependo das taxas, sim. Apesar de termos boa intenção, a população já havia enfrentado aumento no IPTU e se sentiu penalizada. É paradoxal, pois fui a prefeita que menos cobrou impostos em São Paulo. Na minha gestão, 62% dos contribuintes passaram a pagar menos IPTU. Ao mesmo tempo, outros 31% tiveram aumento, e aí acho que a mão pesou.

Veja São Paulo – Por que os paulistanos não a reelegeram?
Marta – É uma questão que me coloquei muitas vezes. Acho que cometemos erros de verdade, como a tributação. E as pessoas acreditaram na proposta do outro, que prometeu fazer melhor o que a gente já fazia.

Veja São Paulo – Também havia e há, segundo as pesquisas, rejeição à sua imagem. Como pretende contornar isso na campanha?
Marta – Acho que você amadurece, em primeiro lugar. E acredito que as pessoas, depois de quatro anos, tenham avaliado melhor a posição que assumiram naquele momento. O machismo também pesa.

Veja São Paulo – Alguns analistas creditam parte dessa rejeição ao fato de a senhora ter se separado do senador Eduardo Suplicy e se casado com o franco-argentino Luis Favre. Acredita que isso possa pesar na campanha deste ano?
Marta – Foi um item a mais num caldeirão que se colocou contra mim, mas não teve peso substancial. Hoje, a maioria das famílias tem alguém separado. Senti falta de pessoas que falassem em meu favor. Que vissem como ato de coragem uma pessoa se apaixonar e, em vez de levar uma vida paralela, assumir e prestar satisfação à sociedade. E, inclusive, se casar. A maioria dos políticos não se porta assim. Fui coe-rente com minha vida e minhas posturas.

Veja São Paulo – Nesta eleição, a senhora vai enfrentar outro problema em relação à imagem, a sugestão para os passageiros vítimas do apagão aéreo: “Relaxa e goza”. Como pretende lidar com essa questão?
Marta – Considero uma página virada, no sentido de que foi uma frase infeliz, pela qual pedi desculpas horas depois. Acho que a grande maioria da população entendeu a situação em que disse aquilo e me perdoou. Uma vida pública de vinte anos não pode ser destruída por uma frase infeliz. Eu me sinto tranqüila. Podem eventualmente usar isso contra mim, mas não creio que vá trazer votos a quem o fizer. E, depois, quem é que nunca disse uma frase infeliz?

Veja São Paulo – Qual é a melhor coisa de ser prefeita de São Paulo?
Marta – Poder fazer.

Veja São Paulo – E a pior?
Marta – O stress.

Veja São Paulo – O que São Paulo tem de melhor?
Marta – O povo.

Veja São Paulo – E o que tem de pior?
Marta – O trânsito.

Veja São Paulo – Qual foi o melhor prefeito que São Paulo já teve?
Marta – Em termos de pensar a cidade, Prestes Maia e Faria Lima. No que diz respeito à inclusão social, nossa gestão foi muito importante.

Veja São Paulo – Como concilia a carreira política com o tempo dedicado a marido, filhos e netos?
Marta – Todos sofrem e eu também, por não conseguir dar a atenção que gostaria, apesar de me desdobrar. Falo com meus filhos todos os dias. Eles às vezes me visitam em horários esdrúxulos, como à meia-noite. Sempre sei o que está acontecendo com eles. Acho que Eduardo (Suplicy) e eu conseguimos construir algo muito bom com nossos filhos. Perco várias gracinhas dos netos. Uma delas, a Laura, ganhou medalha na natação outro dia e eu não estava lá. Vou sempre aos aniversários e, de vez em quando, fazemos algum programa juntos.

Veja São Paulo – Como encontra tempo para se cuidar?
Marta – Não me cuido muito. Tento fazer esteira e algumas outras coisas, quando dá.

Veja São Paulo – Que coisas?
Marta – Prefiro não ficar detalhando. Quero voltar a fazer acupuntura.

Veja São Paulo – Incomoda-a quando comentam seu gosto para se vestir ou seu guarda-roupa?
Marta – Sou uma pessoa vaidosa, então não me provoca incômodo dizerem que estou bem-arrumada. Só quando isso vai além do que devia. É mais uma qualidade e um esforço do que qualquer coisa, mas devia passar despercebido. É “ça va sans dire” (algo como “dispensa comentários”, em francês). Quem está no serviço público precisa se apresentar bem porque é visto e fotografado o tempo inteiro. Mulher sempre paga um preço. Se aparece desarrumada, acham que está deprimida. Se demora a retocar a tintura do cabelo, a chamam de relaxada.

Veja São Paulo – Qual é sua maior tentação gastronômica?
Marta – Massas.

Veja São Paulo – A senhora cozinha?
Marta – Nunca fui boa nisso. O Luis, meu marido, é ótimo cozinheiro. Ele faz muito bem pot-au-feu (cozido francês), saladas, rosbifes, vitelas, coelhos e carnes. Tem também um prato de batata com bacon que adoro. Ele só não sabe fazer sobremesa, mas nem assim me estimulei a aprender.

Veja São Paulo – Vai muito ao cinema?
Marta – Pouco. O último filme que vi foi Um Beijo Roubado, que é bom. Na semana anterior, assisti a um outro que detestei, O Melhor Amigo da Noiva.

Veja São Paulo – E para ler, encontra tempo?
Marta – Toda noite. Acabei recentemente o livro da Maitê Proença (Uma Vida Inventada). No momento não estou lendo nada em português. Leio em inglês, francês e espanhol como uma maneira de praticar essas línguas.

Veja São Paulo – A senhora acha que tem uma imagem de arrogante?
Marta – Às vezes desconfio que sim. Algumas pessoas, depois de me conhecer, contam que me imaginavam muito diferente. Quando tento entender, vejo que era por me acharem arrogante. Mulher é assim: se é gentil e doce, classificam de incompetente. Se é firme e forte, chamam de arrogante. Se tem poder, então, vira insuportável. E você não pode exercer o poder se não for firme. É uma imagem que nós, mulheres, vamos ter de conquistar e mudar. As grandes líderes do século passado, como Golda Meir, Indira Gandhi e Margaret Thatcher, eram todas mulheres travestidas de homens. A geração do século XXI não quer isso. Políticas como Ségolène Royal, Cristina Kirchner e Michelle Bachelet são muito femininas. A Angela Merkel até pôs um decote ousado outro dia. Fui uma desbravadora, primeiro no programa TV Mulher, depois no exercício da política, pagando todos os preços nas duas experiências.

Veja São Paulo – Qual é sua maior qualidade?
Marta – Não tenho medo de pensar o novo. Estou sempre em busca de solução. Eu decido.

Veja São Paulo – E o maior defeito?
Marta – Impaciência. Quero tudo para ontem.

Veja São Paulo – Lê horóscopo?
Marta – Às vezes, mas não que eu abra o jornal para isso. Acho divertido.

Veja São Paulo – A senhora se identifica com alguma característica de Peixes, o seu signo?
Marta – Ah, eu choro muito. Em filme, livro… Durante a prefeitura, quase todo dia. Não houve uma visita a CEU em que eu não tenha chorado.

16/05/2008 - 15:59h Para Eleonora e Ivo: Maazal-tov!

04/05/2008 - 09:30h AMANTES CONSTANTES

BUSCA POR LIBERDADE E IGUALDADE SEXUAL É HERANÇA A VALORIZAR

Leila Diniz
http://i193.photobucket.com/albums/z241/edilsonpnl/leila.jpg

MIRIAN GOLDENBERG

ESPECIAL PARA A FOLHA – CADERNO +mais

Os eventos do Maio de 68 na França podem ser interpretados como o estopim de uma série de transformações políticas e comportamentais ocorridas na segunda metade do século 20 e que tiveram como eixos centrais: o desejo de liberdade, a busca do prazer sem limites, a recusa de qualquer forma de controle e de autoridade, a explosão da sexualidade e a defesa da igualdade entre homens e mulheres.

A feminista francesa Simone de Beauvoir, muito antes de maio de 1968, havia defendido que a questão existencial básica era a luta pela liberdade, e não a busca da felicidade.

Em “O Segundo Sexo”, publicado em 1949, Beauvoir dizia que, mesmo pagando o preço do sofrimento ou da solidão, “não há, para a mulher, outra saída senão a de trabalhar pela sua libertação”. Já para os jovens estudantes franceses, protagonistas do Maio de 68, liberdade, felicidade e prazer eram elementos inseparáveis de uma revolução cujo lema era: “É proibido proibir”.

No final da década de 60, quando no Brasil muitos jovens estavam preocupados em combater o regime militar, outros, como os jovens franceses, lutavam contra a repressão sexual, a repressão familiar e a repressão internalizada em cada indivíduo.


Ícone revolucionário

Esse anseio por liberdade, igualdade e, sobretudo, felicidade e prazer parece ter sido um elemento fundamental para o surgimento de um ícone de mulher revolucionária no Brasil, talvez a mais perfeita tradução do espírito irreverente, debochado e apaixonado do Maio de 68: Leila Diniz.

Na geração Leila Diniz estavam em disputa diferentes modelos de ser mulher: o religioso, que exigia da mulher a negação de sua sexualidade ou seu exercício apenas nos limites do casamento, e outro, que pode ser pensado como mais próximo do difundido pelo feminismo, pela contracultura e pela psicanálise, que buscava a igualdade entre homens e mulheres nos mundos público e privado.

E por que Leila Diniz, entre tantas outras mulheres que viveram intensamente esse momento histórico, se tornou um mito? É a própria Leila quem responde à questão: “Sobre minha vida, meu modo de viver, não faço o menor segredo. Sou uma moça livre. A liberdade é uma opção de vida”.

Sendo uma atriz famosa e uma personalidade pública bastante polêmica, pode-se pensar que a elaboração que Leila fez de sua própria vida não apenas tenha atingido as pessoas mais próximas, mas também contribuído para legitimar idéias e práticas consideradas revolucionárias para a época em que viveu.

Ao escolher ter um filho fora do casamento, rompeu com o estigma da mãe solteira. Sua fotografia grávida, de biquíni, foi estampada em inúmeros jornais e revistas por ser a primeira mulher a exibir a gravidez.


Barriga grávida

As grávidas de então escondiam suas barrigas em batas escuras e largas, mesmo quando iam à praia. As fotos da barriga grávida, na praia de Ipanema, mostraram que a maternidade sem o casamento não era vivida como um estigma a ser escondido, mas como uma escolha feliz e consciente. Leila Diniz fez uma revolução simbólica ao revelar o oculto -a sexualidade feminina vivida de forma livre e prazerosa- em uma barriga grávida ao sol.

Ela fazia e dizia o que muitos tinham o desejo de fazer e dizer. Com os inúmeros palavrões na clássica entrevista a “O Pasquim”, com uma vida sexual e amorosa extremamente livre e prazerosa, com o seu corpo grávido de biquíni, trouxe à luz do dia comportamentos, valores e idéias já existentes, mas que eram vividos como estigmas, proibidos ou ocultos.

Não à toa, ela é apontada como uma precursora do feminismo no Brasil: uma feminista intuitiva que influenciou, decisivamente, as novas gerações.


Condição feminina

Ao afirmar publicamente seus comportamentos e idéias a respeito da liberdade sexual, ao recusar os modelos tradicionais de casamento e de família e ao contestar a lógica da dominação masculina, passou a personificar as radicais transformações da condição feminina (e também masculina) que ocorreram no Brasil no final da década de 60.

Em minha pesquisa atual, com 1.279 homens e mulheres das camadas médias da cidade do Rio de Janeiro, quando perguntei “o que você mais inveja em um homem?”, as mulheres responderam, em primeiríssimo lugar: liberdade.

Quando perguntei aos homens “o que você mais inveja em uma mulher”, a quase totalidade respondeu, categoricamente: nada. Será que é realmente possível dizer, como na música de Rita Lee, que hoje “toda mulher é meio Leila Diniz”, quando as brasileiras continuam invejando a liberdade masculina? Será que a utopia do Maio de 1968, com o desejo de liberdade e igualdade entre os gêneros, ainda está longe de ser realizada?

MIRIAN GOLDENBERG é antropóloga e professora do programa de pós-graduação em sociologia e antropologia da Universidade Federal do RJ e autora de “Os Novos Desejos” (Record).

27/04/2008 - 10:48h ‘Ainda falta muito a ser feito’

http://www.inadi.gov.ar/uploads/imagenEnTexto_217.jpg   CORPO A CORPO FLAVIO RAPISARDI

O Globo

BUENOS AIRES. O escritor e filósofo argentino Flavio Rapisardi é um dos principais ativistas do país em matéria de direitos dos homossexuais. Atualmente, Rapisardi é secretário de investigação da Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trans e coordenador do Fórum da Sociedade Civil do Instituto Nacional contra a Discriminação do governo argentino, organismo que integra o Grupo Técnico de Diversidade Sexual do Mercosul.

“Os governos progressistas da região estão investindo e avançando e políticas e instituições, mas falta melhorar a questão legislativa”, disse Rapisardi ao GLOBO. O ativista é um dos autores da lei de união civil aprovada em 2003 na cidade de Buenos Aires, a primeira da América Latina a adotar uma legislação a favor da diversidade sexual.

O GLOBO: A América Latina avançou na defesa dos direitos homossexuais?

FLAVIO RAPISARDI: O eixo integrado por Brasil, Argentina e Uruguai é muito progressista e está adotando mudanças muito favoráveis.

Nos três países existem planos nacionais contra a discriminação.

No caso argentino, o plano inclui um capítulo dedicado à diversidade social e o governo do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) pediu ao Congresso que o transformasse em lei. Esse plano inclui iniciativas como uma lei de casamento homossexual e adoção de crianças.

Qual é a estratégia a seguir nos próximos anos?

RAPISARDI: Queremos seguir o mesmo caminho da Espanha, que é nosso principal modelo. Primeiro aprovar legislações regionais e depois partir para uma lei nacional.

Já temos a união civil em três cidades argentinas e em breve teremos a aprovação na província de Buenos Aires. Nossa idéia é, até o fim deste ano, contar com uma lei nacional.

Qual é o principal ponto de debate no país?

RAPISARDI: Um dos mais discutidos é o projeto de adoção.

Ainda falta muito a ser feito, mas não podemos deixar de reconhecer que o Mercosul e a União Européia são os únicos blocos que criaram grupos técnicos para tratar a questão da diversidade sexual. Já não é tão fácil gerar violência a partir da discriminação sexual na maioria dos países latino-americanos.

Em muitos países temos uma boa base de jurisprudência, já que existem muitos casos em que juízes latino-americanos respeitaram a diversidade sexual.

Trata-se de uma massa crítica que dentro de alguns anos nos ajudará a alcançar nossa principal meta, que é a igualdade jurídica.

Em que países do mundo existe a igualdade jurídica para os homossexuais?

RAPISARDI:
O único país em que há igualdade jurídica real é a Espanha. É importante dizer que, além de igualdade jurídica real, precisamos de mais políticas públicas, instituições dedicadas ao assunto e, sobretudo, avanços legislativos. Os governos progressistas da região estão investindo e avançando em políticas e instituições, mas falta melhorar a questão legislativa.

Em outros países, como Peru, Chile, Costa Rica e Paraguai, o peso dos setores conservadores ainda impede a implementação de mudanças em matéria de diversidade sexual. ( J. F.)

27/04/2008 - 09:38h Avanços para os gays na AL


Países da região começam a adotar leis que garantem direitos a casais homossexuais

http://www.lasescapadas.com/wp-content/uploads/2007/08/tq_001534_g.jpg

Janaína Figueiredo – O Globo

Correspondente • BUENOS AIRES

Por recente decisão da Corte Suprema do Chile, adotada após um pedido da Igreja Católica, a professora Sandra Pavez foi proibida de continuar dando aulas de religião, trabalho que exerce há mais de 20 anos, por ser homossexual.
O caso contrasta drasticamente com a realidade que vivem outros países latino-americanos, como o Uruguai, o primeiro a aprovar em seu Congresso uma lei nacional que prevê a união civil entre pessoas do mesmo sexo. A medida, que começou a vigorar este ano, é inédita na região.

Paralelamente, cidades como Buenos Aires, Bogotá e o Distrito Federal mexicano permitem a união civil entre homossexuais e a Constituição venezuelana de 1999 inclui uma lei que prevê o respeito à diversidade sexual, iniciativa que também poderia ser incorporada pelas futuras constituições da Bolívia e Equador, ainda em discussão.

Do lado dos países mais fechados e menos avançados na defesa dos direitos homossexuais estão, além do Chile, Costa Rica, Peru e Paraguai.

Embora tenham eleito uma mulher, Michelle Bachelet, como presidente, em 2006, os chilenos ainda conservam um perfil profundamente conservador.

O Movimento de Integração e Liberação Homossexual (Movilh), em parceria com o deputado socialista Marco Enríquez Ominani, apresentou um projeto para aprovar uma lei de casamento e reconhecimento da união civil entre homossexuais, mas a iniciativa tem poucas chances de prosperar.

Pioneirismo no Uruguai

Já os uruguaios demonstraram ser um dos mais revolucionários em matéria de diversidade sexual. Atualmente, o Congresso do país está debatendo um projeto para dar sinal verde à adoção de crianças por parte de casais homossexuais. O fato de ser um país laico ajuda o Uruguai a avançar mais rapidamente.

Na Argentina, as cidades de Buenos Aires, Villa Maria (província de Rio Negro) e Santa Fe permitem a união civil entre pessoas do mesmo sexo. ONGs locais estão lutando para aprovar um projeto de lei nacional sobre o casamento de homossexuais, já que a união civil não prevê os mesmos direitos que o casamento. Os ativistas argentinos também defendem o direito dos transexuais modificarem sua identidade e a adoção de crianças por parte de casais homossexuais. Ambas propostas ainda não foram tratadas pelo congresso.

Carta da Venezuela cita discriminação

Um dos casos mais interessantes do continente é o venezuelano. A Constituição do país, elaborada pelo governo do presidente Hugo Chávez, afirma que “não serão permitidas discriminações fundamentadas em raça, sexo, religião ou condição social”. Bolívia e Equador, países que passam neste momento por processos de reforma constitucional, poderiam incluir direitos semelhantes em seus novos textos constitucionais.

Os países do Mercosul estão avançando de forma expressiva. No ano passado, os governos de Brasil, Argentina e Uruguai solicitaram à ONU a realização de uma convenção mundial para discutir os direitos homossexuais.

Dentro do bloco, o trabalho é realizado pela Rede de Altas Autoridades em matéria de Direitos Humanos, integrada por todos os secretários de direitos humanos do Mercosul, mais países associados e órgãos estatais de combate à discriminação.

Em 2007, foi criado o Grupo Técnico de Diversidade Sexual, que este ano organizou um seminário no Uruguai com a participação da sociedade civil. Durante o encontro, foi elaborado um Plano de Trabalho que prevê, por exemplo, a aprovação de leis contra a discriminação e a realização de campanhas nacionais a favor dos direitos dos homossexuais

Longa espera no Congresso no Brasil

Demétrio Weber – O Globo

BRASÍLIA. O Brasil convive com altas doses de preconceito contra o homossexualismo.

O projeto de lei que regula a união civil entre pessoas do mesmo sexo, apresentado pela então deputada Marta Suplicy, hoje ministra do Turismo, está na Câmara, à espera de votação, há 13 anos. O Congresso discute ainda propostas para criminalizar a homofobia, autorizar a troca do primeiro nome de transexuais, obrigar planos de saúde a atender dependentes gays, assim como permitir que casais gays adotem crianças.

— Até hoje tem gente que fala que homossexualismo é questão de saúde pública, como se fosse doença — resume o assessor especial da Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência, José G u e rr a .

No Congresso, segundo Guerra, as atenções estão voltadas para a votação do projeto de lei 122/2006, que criminaliza qualquer discriminação com base na orientação sexual, desde a recusa em alugar um apartamento, contratar um empregado ou hostilizar e agredir verbalmente alguém por causa de sua opção sexual.

A proposta está na Comissão de Assuntos Sociais e recebeu parecer favorável da relator Fátima Cleide (PTRO).

Em 1987, os constituintes brasileiros rejeitaram a proposta de incluir, na nova Constituição, a proibição expressa de discriminação ligada à orientação sexual. O Código Penal Militar ainda classifica como crime o ato sexual entre militares do mesmo sexo. Quem vive em união estável com pessoa do mesmo sexo não tem direito assegurado a herança ou p e n s ã o .

— Não há uma legislação geral, só atitudes esparsas que aceitam a união civil. Você fica à mercê de entrar na Justiça para garantir esses direitos — diz Guerra.

09/03/2008 - 15:58h QUANDO O DIREITO SAI DO ARMÁRIO

Em dois anos, dobra o percentual de empresas que concedem benefícios para companheiros do mesmo sexo

Cássia Almeida – O Globo

Antes tarde do que nunca.

Foto: Gilberto Marques

Gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais começam, no século XXI, a usufruir de direitos que valem há muito para heterossexuais nas empresas, nas escolas, na Justiça, nos hospitais e nas estatísticas do país. Esses avanços nos direitos civis dos homossexuais serão mostrados numa série de reportagens que O GLOBO publica a partir de hoje. À parte discriminações, fundos de pensão, Previdência Social, planos de saúde e empresas já não distinguem companheiros pelo sexo para conceder benefícios. Pesquisa inédita da Consultoria Mercer de Recursos Humanos, feita no ano passado com 255 grandes e médias companhias, mostra que 16% delas permitem a inclusão de parceiro do mesmo sexo como dependente do plano de saúde, alcançando 360 mil trabalhadores. Em 2005, essas empresas representavam só 8%.

— Mesmo sendo ainda um percentual pequeno, foi um avanço significativo, o maior crescimento detectado entre os vários tipos de dependentes. E tudo indica que vai se tornar uma prática de mercado — disse Francisco Bruno, líder da área de Saúde Corporativa da Mercer e coordenador da pesquisa.

(mais…)

09/10/2007 - 18:48h Un mal matrimonio puede dañar el corazón

Un estudio publicado por Archives of Internal Medicine reveló que las personas que tienen malas relaciones son un 34% más propensas a padecer un episodio cardíaco. Los investigadores creen que eso puede estar motivado en el estrés que provoca una disputa familiar.

La calidad de la relación de pareja tiene incidencia en la salud cardíaca de la persona. Así lo establece un reciente estudio que reveló que un mal matrimonio puede elevar el riesgo de sufrir enfermedades del corazón.

Los científicos que llevaron adelante el trabajo indicaron que probablemente esto se deba al estrés, que –se sabe- provoca muchos problemas de salud y puede ser generado por las malas relaciones.

El estudio se realizó entre 9.011 empleados públicos británicos, en su mayoría casados, a quienes se les realizó un seguimiento durante 12 años. Aquellos que tuvieron las peores relaciones cercanas mostraron ser un 34% más propensos a sufrir infartos y otros problemas cardíacos que aquellos que gozaban de buenas relaciones, entre parejas, familiares cercanos y amigos.

El trabajo, publicado por los Archives of Internal Medicine, se enfocó en la calidad del matrimonio y otras relaciones cercanas. El autor principal del estudio, Roberto De Vogli, investigador del University College de Londres, explicó: “El estar casado en general está bien, pero hay que tener cuidado con el tipo de persona con la que uno se ha casado, pues la calidad de la relación sí importa”.

Otro estudio reciente que también se enfocó en la calidad de las relaciones arrojó resultados diferentes. No hubo relación entre los problemas matrimoniales en general y los riesgos de enfermedad cardíaca o de muerte temprana. Sin embargo, descubrió tras un seguimiento de 10 años que las mujeres que callaron durante discusiones matrimoniales tuvieron un mayor riesgo de morir que las que expresaron sus sentimientos durante las peleas.

(Fuente: AP)

05/10/2007 - 17:17h Pesquisas comprovam: as mulheres estão mais cansadas e os homens mais felizes

Renata Cabral – O Globo Online

RIO – De segunda a sexta-feira, as mulheres acumulam tarefas em casa e no trabalho: em meio aos compromissos familiares sobra pouquíssimo tempo para elas cuidarem de si. Essa mudança de hábitos causa transtornos físicos, para além do estresse, e um sentimento de culpa constante, por querer fazer tudo a um só tempo. Por outro lado, o avanço delas no mercado de trabalho parece ter aliviado as obrigações de seus parceiros. O efeito dessa inversão de papéis foi comprovado recentemente por pesquisas internacionais que avaliaram o modo de vida moderno e seu impacto para ambos os sexos. Resultado: as mulheres estão mais cansadas e os homens, mais felizes.

Segundo estudo britânico encomendado pela revista Top Santé, realizado com 2 mil mulheres com idade média de 35 anos, 85% delas queixam-se de cansaço freqüente e mais de 75% não conseguem dormir mais de seis horas por noite todos os dias. Por outro lado, os homens parecem estar conseguindo equilibrar melhor as esferas pessoal e profissional e se dizem mais felizes do que as mulheres: hoje, eles conseguem gastar menos tempo com atividades de que não gostam do que elas. É o que indicam duas pesquisas norte-americanas, uma da Universidade de Princeton e outra da Universidade da Pensilvânia.

Historicamente, a mulher ficava com o poder privado e o homem com o poder público. Hoje, ela quer ser uma ótima profissional sem abdicar do controle doméstico


Para a psicanalista e professora de Psicologia da PUC-Rio, Silvia Zornig, a inserção feminina no mercado de trabalho provocou uma mudança nos papéis tradicionais atribuídos à mulher. Hoje, o casal compartilha mais as funções na família. O que não mudou foi a exigência da mulher em se ocupar e desempenhar bem tantas tarefas ao mesmo tempo:

- Historicamente, a mulher ficava com o poder privado e o homem com o poder público. Hoje, ela quer ser uma ótima profissional sem abdicar do controle doméstico. Mas ainda não temos uma sociedade estruturada para que as mulheres entrem no mercado de trabalho e desempenhem sua função em casa de forma bem equilibrada. Até em saúde pública, o número de creches que oferecem conforto e segurança para as mães ainda é insuficiente. Além disso, aquelas que não têm com quem deixar os filhos e são provedoras da família acabam cumprindo jornadas imensas de trabalho. Essa pluralidade de papéis, sem contrapartida social acaba causando um certo desnível entre o que ela pode realizar e o que consegue na prática.

Quando o corpo responde ao trabalho excessivo

Ninguém ‘morre’ por trabalhar muito. Os grandes problemas são a agressividade e a tensão excessivas a que as pessoas são submetidas, decorrentes do estado de atenção freqüente


Segundo o médico Cyro Masci, para as mulheres, mais perigoso do que o excesso de tarefas é a tensão que contamina o ambiente de trabalho:

- Ninguém ‘morre’ por trabalhar muito. Os grandes problemas são a agressividade e a tensão excessivas a que as pessoas são submetidas, decorrentes do estado de atenção freqüente. O trabalho feito dessa maneira é muito desgastante e gera uma mudança hormonal, chamada de estresse, na primeira fase. Numa segunda etapa, ocorre uma liberação excessiva do hormônio cortisol, que pode levar a aumento de peso, diminuição da resistência física e imunológica, além de problemas de memória.

Não há respostas certas para o que poderia promover o equilíbrio nas relações entre homens e mulheres. Mas a psicanalista Silvia Zornig propõe um questionamento:

- Hoje, o mundo contemporâneo pede uma diversidade de papéis, de identidades e estimula a interação em rede. Isso é algo que, nós, mulheres, sabemos fazer muito bem: enquanto os homens recebem uma educação para desenvolver objetivos mais focados, somos multifuncionais, multimídia mesmo. Por que não reconhecer nossas necessidades e buscar apoio no parceiro e na sociedade? – indaga Silvia Zornig.

Tudo ao mesmo tempo

A gerente de compras Lana Schneider, que há apenas dois meses retornou ao trabalho após uma licença-maternidade, conta que aprendeu a equilibrar melhor o tempo que dispensa à carreira, à família e a ela própria. Mas certas exigências de sua profissão a fazem ficar conectada ao trabalho 24 horas. Ela encontrou na terapia o momento que precisava na semana para refletir, já que seu dia-a-dia não lhe permite; encaixa as idas ao pediatra na hora do almoço; e quando não consegue chegar para o jantar, não dispensa o café-da-manhã em família. Para Lana, as mulheres precisam aprender a delegar mais tarefas e a se cobrar menos.

- Estou sempre atenta ao celular e me desdobro. O fato de termos ido para o mercado de trabalho não diminuiu nossas responsabilidades em casa. Apesar de sentir que os companheiros reconhecem, não sei se isso se reflete em ações na prática. Acho que o homem não tem um questionamento natural em relação às responsabilidades com a família. Não quer dizer que ele não se preocupe, mas, em geral eles são mais firmes com suas escolhas individuais e mais generalistas, enquanto nós somos condescendentes e detalhistas – destaca Lana Schneider.

Hoje, as mulheres trabalham tanto quanto o homem num ambiente hostil e agressivo a que não estavam acostumadas. Isso tem suas conseqüências


Segundo o psiquiatra e médico ortomolecular Cyro Masci, o desequilíbrio de comportamento entre os sexos pode ser também atribuído ao fato de que as mudanças biológicas não acompanharam a transformação social ocorrida nas últimas décadas. Segundo o especialista, desde os tempos mais remotos, o homem desempenhava o papel de provedor e a mulher de “cuidadora”. E, até pouco mais de 30 anos, essas funções não haviam mudado de forma significativa:

- Biologicamente, a mulher é mais apaziguadora do que guerreira, até por influência do hormônio ocitocina, presente em maiores níveis no organismo feminino. Hoje, as mulheres trabalham tanto quanto o homem num ambiente hostil e agressivo a que não estavam acostumadas. Isso tem suas conseqüências – defende Cyro Masci.

Eles também mudaram

Para a psicanalista Silvia Zornig, os homens podem estar se sentindo mais à vontade para selecionar as atividades que os agradam por terem perdido a obrigação de serem os provedores em casa. Como eles historicamente conquistaram o poder, estão confortáveis em relação a isso. E agora podem ser mais sensíveis, afetivos e dividir com as mulheres a questão financeira e profissional.

Segundo a psicóloga Ana Claudia Deschamps, é possível que a pressão social e pessoal exercida sobre as mulheres para cumprir todos os seus papéis – estar bonita, sensual, ganhar dinheiro e conquistar o sucesso – possa estar deixando os homens um pouco mais livres:

- Hoje, a mulher que não trabalha não é valorizada. A sensação é de que ela não tem o direito de falhar – destaca a psicóloga.

Separada, a pediatra Cibeli Carvalho tem dois filhos e conta que assume a casa por inteiro. Ela teve de trabalhar excessivamente por necessidade, mas começa a desacelerar o ritmo agora que seus pequenos já são formados e trabalham. Hoje, ela se policia para encaixar na agenda momentos de lazer e de cuidado pessoal.

- Brinco que, se saio para fazer partos de madrugada, por que também não posso agüentar jantares até mais tarde? Hoje, muitos homens dividem igualmente as tarefas de casa, mas sempre há aqueles que se encostam – brinca Cibeli Carvalho.

01/09/2007 - 20:33h Iowa Permits Same-Sex Marriage, for 4 Hours, Anyway

Joshua Lott for The New York Times

Sean Fritz, 24, left, and Timothy McQuillan, 21, sealed their union in a ceremony performed by the Rev. Mark Stringer, right.

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Published: September 1, 2007 by The New York Times

DES MOINES, Aug. 31 — From towns around the state, places like Cedar Falls, Ames and Cedar Rapids, same-sex couples converged on this city as early as dawn on Friday as word spread that a judge had overturned a state law banning gay marriage.

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Joshua Lott for The New York Times

 

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Joshua Lott for The New York Times

Sean Fritz, left, and Timothy McQuillan, awaiting their marriage certificate at the Polk County Clerk’s Office.

“Imagine this — right here in Iowa,” Amanda Duncan said as she and her partner of three years, Aleece Ramirez, filled out their application for a marriage license and put down $35. “Hopefully, this starts a fire that spreads to other places.”

The chance was fleeting. After four hours, Robert B. Hanson, the same county judge who had deemed the ban on same-sex marriages unconstitutional, delayed further granting of licenses until the Iowa Supreme Court decided whether to consider an appeal.

Still, national advocates for same-sex marriage pointed to the developments as significant. An issue that has largely been battled on the coasts in states like Massachusetts and California, they said, has made its way squarely to the more conservative middle.

“There are some people

scratching their heads and saying, Iowa?” said Jon Davidson, the legal director at Lambda Legal, which worked on the case that led to the marriage applications here. “But this shows that there are lesbian and gay people everywhere who would like to get married.”

Opponents of same-sex marriage said they viewed the decision as a rallying cry, a reason that a federal amendment defining marriage is needed and a reason that an amendment to the Iowa Constitution, not just a statute, is needed.

“This is the misguided decision of one person,” Chris Stovall, senior legal counsel for the Alliance Defense Fund, which opposes same-sex marriage, said of Judge Hanson’s ruling on constitutionality. “I don’t think it represents at all what Iowa thinks. People across America and certainly in Iowa, in the heartland, understand that marriage is the union between one man and one woman.”

Massachusetts is the lone state that allows same-sex marriage. A handful of other states, including Vermont, New Jersey and Connecticut, allow same-sex civil unions. A few others, including California, allow other legal partnerships.

Judge Hanson’s ruling on Thursday, and the fallout on Friday, have also raised once more the issue of same-sex marriage among the presidential candidates who devote so much time in this state leading up to its early caucuses.

It is welcome for those candidates firmly opposed to or supportive of same-sex marriage, political experts said Friday, but has created an unwanted and thorny issue for those who have tried to walk a careful line somewhere in between.

“It really is a monkey wrench that sort of is thrown into the process for some of them,” Steffen W. Schmidt, a professor of political science at Iowa State University, said. “It’s potentially more dangerous for the Democrats, where the front-runners have been trying to finesse this issue.”

At least two Republican presidential hopefuls, Senator Sam Brownback of Kansas and Mitt Romney, former governor of Massachusetts, swiftly issued statements opposing the judge’s decision.

Mr. Romney called it “another example of an activist court and unelected judges trying to redefine marriage and disregard the will of the people.”

Asked about the ruling, Phil Singer, a spokesman for the campaign of Senator Hillary Rodham Clinton of New York, spoke of civil unions, not marriages.

“Hillary Clinton believes that gay and lesbian couples should have the same rights and responsibilities as all Americans, and that civil unions are the best way to achieve this goal,” Mr. Singer said. “As president, she will work to extend benefits at the federal level to same-sex couples in committed relationships.”

Here, the brief flurry of applications for marriage licenses was low key. About 20 couples applied before a stay was granted. No protesters appeared. Few passers-by near the Polk County administration building said they were aware of the ruling.

The legal case here began in 2005 when six same-sex couples sued the county recorder, who declined to accept their applications for marriage licenses.

The question now goes to the State Supreme Court.

In the hours before the case was suspended, just one couple, Timothy McQuillan, 21, and Sean Fritz, 24, managed to obtain their license, and also to marry. Trailed by reporters, they raced around Des Moines in search of someone who could officiate at their wedding and found a minister who agreed to conduct the service.

“We had to get married — we’re at that point in our life,” said Mr. Fritz, who said he proposed to Mr. McQuillan in a parking lot after he heard about the ruling on Thursday night.

The men, who live in Ames, met on Facebook more than a year ago, Mr. Fritz said. Whatever the outcome of the legal case, he said, “As far as I’m concerned, I’m married in the state of Iowa.”

John Sarcone, the Polk County attorney, who is representing the county recorder’s office in the case, said the marriage could be considered legitimate. Ultimately, though, it, too, may depend on the decision of a higher court.

Patrick Healy and Michael Cooper contributed reporting from New York.

07/06/2007 - 10:26h South Africa Progressive Judaism Approves same-sex marriages

The South African regional affiliate of the World Union has voted to allow its rabbis to conduct same-sex marriage ceremonies. The landmark decision was made at a meeting of the National Assembly of the South African Union for Progressive Judaism (SAUPJ) on May 6 in Durban.

“This decision was arrived at after long and thoughtful deliberation and in the spirit of what Progressive Judaism is about – inclusion of all Jews regardless of gender, sexual orientation, race or ethnicity,” said SAUPJ chairperson Steve Lurie. “This is a matter of justice and principle and we believe it is what Judaism requires of us in this day and age. As an inclusive movement and one with a strong commitment to ensure that injustice is not done in our communities, we believe that this move goes a long way to repudiate prejudice.”

Last December, South Africa became the fifth country to grant same-sex couples identical status and rights as heterosexual marriage partners. “The SAUPJ honors the divine within all human beings, and their right to live with dignity,” said Lurie.

For the full press statement, and other news about the Progressive movement in South Africa, visit http://www.saupj.org.za/.