16/09/2008 - 17:03h Comportamento de alto risco


Pesquisa revela que Brasil têm alta taxa de doenças sexualmente transmissíveis

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Evandro Éboli – O Globo

Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em seis capitais brasileiras revela que 42% das 3.303 gestantes examinadas, entre 2004 a 2007, eram portadoras de pelo menos uma doença sexualmente transmissível (DST). A contaminação por HPV, um tipo de lesão genital, foi a que teve maior registro. Segundo o Ministério da Saúde, esta doença não causa riscos para o bebê se a mulher não apresentar verrugas e lesão. Mas, do total de grávidas examinadas, 13,5% adquiriram doenças mais graves como gonorréia, clamídia e sífilis, que podem provocar morte do feto, má-formação óssea, cegueira e levar ao parto prematuro. Esses dados são os que mais preocupam autoridades do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids do governo.

— São dados que chamam a atenção porque são doenças que causam mais danos ao binômio mãe-bebê. São problemas que têm diagnóstico, tratamento e cura, mesmo adquiridos na gravidez — disse o coordenador da unidade de DST do Programa DST-Aids do Ministério da Saúde, Valdir Pinto.
Segundo o coordenador, são doenças cujo tratamento está disponível na rede pública de saúde e os medicamentos usados são de custo muito baixo, com preços que variam de R$ 0,39 a R$ 5.
Pinto destaca ainda que quase metade das grávidas pesquisadas (49,2%) nunca usa preservativo com parceiro fixo. Para o coordenador, a camisinha deve ser usada sempre, independentemente de se ter parceiro fixo ou eventual.

— Não se pode garantir que o parceiro fixo não transmite doença. É um tema delicado para ser abordado, mas o governo não pode impor. Os homens e mulheres é que devem decidir se vão adotar métodos seguros. É o livre-arbítrio.
A pesquisa também ouviu 2.814 homens trabalhadores de pequenas indústrias, grupo que apresentou o menor índice de ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis: apenas 5,2%. Quase a totalidade desses entrevistados (95,5%) respondeu que faz sexo apenas com mulheres. Apenas 1,5% afirmou ter relações homossexuais.

Mulheres se protegem mais que os homens

O terceiro grupo abordado na pesquisa foi o de homens e mulheres atendidos em serviços de saúde especializados em DSTs. Dos 3.210 pesquisados, 51% apresentaram algum tipo de infecção. A mais comum foi o HPV, doença diagnosticada em 32,6%. O HPV é uma lesão conhecida como crista de galo e aparece em forma de uma verruga no colo do útero, e também no pênis e no ânus. A sua transmissão pode ocorrer também por sexo oral ou por contaminação por meio de toalha, roupa íntima, vaso sanitário ou banheira, por exemplo.
Em relação ao comportamento sexual dos brasileiros, as mulheres aparecem como mais cuidadosas: 47,3% delas responderam usar sempre camisinha com parceiros eventuais; 35% dos homens afirmaram usar preservativo.
Esse estudo é considerado o de maior porte realizado pelo governo federal nessa área da saúde. A pesquisa conclui ainda que a chance de desenvolver as doenças sexuais é maior em pessoas com menos de 20 anos.
Os jovens e adolescentes formam o grupo que menos se relaciona com parceiros fixos, uma das razões de estarem vulneráveis às DSTs. Outros fatores que contribuem para o aumento do risco são o não uso do preservativo, coito anal e as drogas injetáveis.
A pesquisa foi realizada em Manaus, Fortaleza, Goiânia, no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Valdir afirmou que as regiões escolhidas apresentam características socioeconômicas e demográficas diferentes.

— Mas os resultados demonstraram que não há diferença de percentuais das doenças.
O índice de grávidas infectadas por essa doença sexual em regiões como Norte e Nordeste é igual ao do Sudeste — disse o coordenador do programa.

28/08/2008 - 17:05h Descoberto gene de forma comum de cegueira

Estudo abre caminho para terapia contra degeneração da visão

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O Globo

Pesquisadores americanos descobriram um gene que, quando defeituoso, provoca uma das formas mais graves da degeneração macular. Essa doença é a principal causa de cegueira em pessoas com mais de 60 anos. No mesmo estudo, os cientistas identificaram ainda uma nova maneira de tratar a doença. Medicamentos que corrijam as alterações bioquímicas causadas pela mutação poderiam, no futuro, tratar ou mesmo prevenir a doença.

A pesquisa foi realizada por cientistas de várias instituições americanas e liderada por Kang Zhang, professor de oftalmologia e genética humana do Centro de Visão Shiley, da Universidade da Califórnia, em San Diego. No estudo, publicado na revista “New England Journal of Medicine”, os cientistas explicam como descobriram o primeiro gene associado à chamada degeneração macular “seca”, ou atrofia geográfica. Eles também mostraram que pessoas com uma determinada mutação nesse gene podem piorar e ficar cegas, se forem tratadas com uma terapia experimental desenvolvida para combater uma outra forma de degeneração macular.

Até agora, danos aos olhos são irreversíveis A equipe de Zhang também descobriu uma ligação entre a degeneração macular e uma molécula que alerta o sistema de defesa do organismo sobre a presença de infecções por vírus.

Essa molécula se chama TLR 3. Pessoas com uma determinada mutação no gene ligado à TLR 3 se tornam vulneráveis à degeneração macular. Por algum motivo, ainda não conhecido, a mutação faz com que a molécula acabe levando à morte das células da mácula.

A degeneração macular seca acontece quando células sensíveis à luz no centro da retina, ou mácula, começam a se romper, embaçando gradualmente a visão. Com o tempo, à medida que a mácula perde as funções, a visão central é perdida de forma irreversível. Nenhum tratamento até agora conseguiu impedir o avanço da doença.

Zhang destacou que testes genéticos poderiam identificar que pessoas têm a mutação que as torna suscetíveis a desenvolver a doença. A principal meta é prevenir o aparecimento da degeneração macular