09/04/2009 - 18:47h SPTV Primeira edição: o descaso da “gestão” Kassab na educação

Faltam professores na rede pública de ensino em São Paulo

O fiscal do povo foi a algumas escolas municipais de São Paulo e constatou que os alunos ainda não receberam uniforme, material escolar, e faltam professores.

O SPTV comunidade está de volta. O fiscal do povo foi a algumas escolas municipais de São Paulo, para saber se está tudo em ordem. E sempre falta alguma coisa, né? A gente sabe que muitos alunos já estão de uniforme novo, mas o repórter Márcio Canuto viu estudantes que ainda não receberam as roupas deste ano.

Falta também uma coisa muito importante: material escolar. Você já imaginou estudar sem lápis nem papel? Já estamos em abril e o fiscal do povo encontrou um problema mais grave ainda: falta professor na rede pública da capital.

Vamos começar a conhecer o problema aqui na casa do Cristhofer. Um garoto de nove anos que está cursando a 4a série. “Falta professores”, diz ele, acrescentando que está ruim nos estudos e que teve apenas 20 dias de aula até o momento. “Matemática eu só tenho estas três folhas”.

“O pessoal da escola diz que eles não podem fazer nada. O problema não é com eles. É a informação que eles passam para nós”, diz Michael da Silva, irmão do Cristhofer.

“O uniforme eu estou usando o do ano passado e já está velho. Eu cresci, estou ficando maior e o meu uniforme está vindo aqui”, diz o garoto.

Esta reclamação certamente não se limita apenas a casa do Cristhofer. “Eles brigam com a gente porque a gente vem com essa roupa, mas eles não dão uniforme para a gente”, diz Cíntia Silva, da 5ª série.

Esta garotada acaba de sair da escola. “Hoje era para ter seis aulas e a gente não teve porque nunca tem professor de geografia e de história”, diz menina.

“É bonito, é novo, mas só por fora”, diz mulher. “A gente precisa da solução hoje. A solução tem que vir agora porque as crianças já estão estudando”, diz Elisângela Menezes, esteticista.

De um ponto a outro da cidade, o SPTV Comunidade está agora se deslocando da zona sul para a zona leste da capital. Chegamos ao CEU da Vila Formosa, e aqui o que é que está faltando, hein?

“Quando uma professora falta, a gente fica em outras salas e assim está faltando material”, diz Nayara Matos, da 4ª série.

“Está sendo difícil o aprendizado dela na escola porque quando a professora falta os alunos têm que ficar divididos nas salas. A professora não avisa quando vai faltar”, diz Tamara de Oliveira, operadora de telemarketing

“Divide os alunos nas salas, aí quando a gente vai pegar eles na hora da saída, o pessoal não sabe onde que os filhos estão. As mães têm que procurar em sala e sala”, diz uma mãe.

A professora na reunião falou que está faltando canetão para elas passar a lição na lousa, porque não tem”, diz outra.

“Não tem estrutura. Porque não tem uma quadra, não tem uma sala de leitura, não tem uma sala de computação”.

Para falar sobre todos estes problemas no ensino municipal de São Paulo, a gente convidou o secretário da educação para vir aqui no nosso estúdio.

“Vamos dividir o assunto por partes. O caso do uniforme, nós tivemos um atraso no uniforme e no material escolar, como a reportagem mostrou. As mil escolas, nós já entregamos em 357 escolas e o uniforme de verão deve ser entregue até o fim do mês de abril. Nós tivemos problemas com as fichas dos alunos. A ideia era entregar até o fim de março, nós estamos um mês atrasados”, diz Alexandre Shneider, secretário municipal de Educação.

O secretario informou que a partir do próximo ano a entrega deste material será feita por correio. “Este ano o correio começa a entregar o leite e a partir do ano que vem vai entregar em casa o uniforme e o material escolar.”

“O uniforme de inverno vai ser entregue até a metade de maio, quando começa o inverno, a nossa expectativas é ter entregue todos os uniformes das crianças. O uniforme de inverno e o de verão.”

Segundo Shneider, os fornecedores tiveram problemas porque é uma novidade fazer isso. “No caso do material escolar, nós tivemos problemas porque nós tivemos um volume de itens reciclados muito grandes. São Paulo é a primeira cidade que compra material oriundo de materiais reciclados. São 6,5 milhões de garrafas PET que nós estamos tirando deste rio e de outros rios”, diz.

A canetas, réguas, capas de caderno, são feitas com material PET em São Paulo. É a primeira cidade que faz isso. O material vai ser entregue até o fim deste mês.

“As aulas estão sendo dadas e as escolas têm o material. Os alunos não receberam o seu material, alguns já receberam, são 357 escolas, como eu disse. E até o fim do mês, todos vão receber. A Secretaria reconhece esse erro, que não foi provocado por ela. O problema foi nos fornecedores, tanto de uniformes, quanto de material escolas.”

O secretário informou que no próximo ano o uniforme e material escolar serão entregues na primeira semana após o carnaval. “No caso dos professores, eu queria dizer o seguinte para o pessoal do Guarapiranga. A gente tinha falta de um professore de história e um professor de geografia, como a menina colocou. O de história foi contratado ontem e o de geografia está sendo contratado esta semana. Ninguém deixou de assistir aula porque as aulas foram dadas por outros professores”.

No caso do Formosa, o secretário informou que o problema é com os professores substitutos. “Nós temos todos os professores lá no Formosa, são 96, mas não temos professores substitutos ainda. Estamos nomeando mais professores para ter. Como a própria moça disse, quando um professor falta, eles acabam sendo divididos nas classes.”

“Quero dizer o seguinte: em 2005, nós tínhamos 41 mil professores na rede. Hoje são 51 mil. Nós perdemos 1.200 professores por ano. Quer dizer, nós contratamos 15 mil professores, um aumento de mais de 40 % no número de professores que existiam.”

“E nós vamos trabalhar para ter substitutos em todas as escolas. Isso vai demorar um pouco, mas nós vamos ter professores substitutos em todas as escolas ainda este ano, para quando um professor faltar, as crianças não terem que ficar sem aula.”

09/04/2009 - 15:32h “Gestão” Kassab: dinheiro nos bancos, obras paradas e aumento de gastos com propaganda

Para justificar a paralisia em obras e investimentos, a “gestão” Kassab culpa a crise internacional.

Porém, neste período aumentou o volume de recursos financeiros aplicado em bancos, principalmente nos bancos privados. De acordo com o último balancete divulgado (fevereiro de 2009), a Prefeitura já tem quase R$ 4 bilhões de reais em caixa, voltando a patamares pré-eleição.

Relevantes áreas, como educação, habitação, assistência social, obras, subprefeituras, transportes e trânsito foram as mais prejudicadas, pois deixaram de receber quase R$ 1 bilhão, quando comparados com o orçamento do ano anterior.

Um exemplo da rubrica Construção de Reservatórios e Piscinões: No primeiro trimestre do ano passado já haviam sido empenhados R$ 5,1 milhões, mais da metade dos R$ 9,1 milhões previstos. Em 2009, embora o orçamento seja maior, R$ 18,4 milhões, ainda não empenharam nada. Ou seja, não há sequer um piscinão sendo construído por esta dotação.

Uma das poucas áreas em que a Prefeitura mostrou que está fazendo mais é justamente na Comunicação, pois a Secretaria havia empenhado até mar/08 R$23.821.305,29, contra R$ 28.950.739,30 atuais, mais de R$ 5 milhões corresponde a um crescimento de 21,5% nas despesas realizadas pelo órgão. Há uma dotação específica para divulgação do Plano de Metas, mas o referido programa só foi anunciado no dia 31 de março. Só que antes disso, a Secretaria já havia empenhado R$ 12.225.500,00 com esta ação. Os dados são da Bancada de Vereadores do PT.

Conclusão
Os números não deixam dúvidas de que Kassab voltou a ritmo de serviço que sempre desempenhou à frente da Prefeitura, aumentando gastos em Propaganda e aplicações em bancos privados e frustrando a população de São Paulo ao deixar de fazer importantes obras para o desenvolvimento da cidade e a melhoria da qualidade de vida dos seus moradores.

LF

09/04/2009 - 14:53h “Gestão” Kassab: atrasados, CEUs seguem em obras

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O CEU Formosa, alvo de polemica durante a campanha eleitoral. Um dos que ainda está em obras.

Adriana Ferraz e Gabriela Gasparin do Agora

Os vizinhos dos prometidos CEUs Formosa e Uirapuru, nas zonas leste e oeste, ainda sonham com a chance de poder usufruir de atividades esportivas e culturais. Ambos os centros -que, segundo a prefeitura, estariam prontos em janeiro- contam apenas com os blocos educacionais.

“As obras estão paradas. Nem o buraco da piscina foi feito. A nossa região precisa de lazer, nós somos carentes”, afirma o autônomo Hildebrando de Lima, 27 anos, que mora na Vila Formosa.

Os pais de alunos criticam o atraso na entrega do material e dos uniformes. “Tive de comprar um monte de material para a minha filha”, reclama a diarista Verônica Fátima da Silva, 33 anos.

No centro, a mesma reclamação. “As crianças precisam usar roupas de sair para ir à escola. O velho não serve mais. O prefeito não sabe que elas crescem?”, questiona a mãe Severina Regina da Hora, 58 anos.

09/04/2009 - 14:20h Cortes de verbas marcam os cem dias de Kassab

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Jorge Soufen Jr, Adriana Ferraz e Gabriela Gasparin – AGORA

Os cem primeiros dias da atual administração do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), foram marcados pelo aperto nas finanças, por escândalos nas áreas de saúde e educação e por falhas na prevenção de enchentes e no programa de inspeção veicular. No centésimo dia, amanhã, o paulistano terá sentido pouco, na prática, as medidas positivas do governo -o reflexo é a queda da aprovação de Kassab nos últimos meses.

O prefeito já previa tempos difíceis ao assumir o segundo mandato, em 1º de janeiro. No discurso de posse, culpou a crise econômica para justificar o congelamento de 20% no Orçamento 2009, ou R$ 5,5 bilhões, o maior da história da capital em números absolutos. Resultado: redução de investimentos, revisão de contratos e atrasos em obras.

A população já começou a sentir os problemas, seja no programa de recapeamento de ruas (que está parado), no atraso de obras de canalização (córrego do Ipiranga é o principal exemplo) ou no corte de repasse às concessionárias de ônibus, que ameaçam não renovar a frota.

No balanço do período, porém, as falhas na educação são as que chamam mais atenção. Além do escândalo da merenda, a gestão teve de enfrentar críticas sobre a volta às aulas. O início do ano letivo foi marcado por rodízio de alunos, falta de professores, escolas com falhas de infraestrutura e atrasos em obras.

A pasta também lidou com um imbróglio relativo a dados sobre falta de vagas em creches e pré-escolas. O prefeito prometeu zerar o déficit até 2012 e a lista de espera, que era de 110 mil em junho de 2008, caiu neste ano para 67 mil. A diferença foi atribuída ao recadastramento.

No trânsito, o programa de inspeção veicular -importante para a redução da poluição e melhora da qualidade de vida dos moradores -apresentou dificuldades burocráticas e muita confusão.

Mesmo interessados, os motoristas não conseguiam marcar a inspeção por sobrecarga no site da empresa contratada. O setor também conviveu com atrasos em licitação de radares e panes no sistema de informação dos pontos de ônibus da cidade.

No período, uma constatação: Kassab não fugiu do enfrentamento de tragédias de grande comoção social. Foi assim quando desabou o teto da sede da Igreja Renascer, no Cambuci (região central), ou quando os moradores da favela Paraisópolis (zona sul) enfrentaram a polícia.

Kassab chegou ao dia 26 de março com 45% de aprovação dos paulistanos, segundo pesquisa Datafolha. No pico de popularidade, em outubro, após vencer o primeiro turno das eleições, obteve 61% de “ótimo” e “bom”. Em maio de 2008, foram 39%.

Uma nova imagem
Pai da Lei Cidade Limpa, Kassab prepara, agora, uma nova marca para alavancar sua popularidade. As opiniões de seus assessores se dividem. Uns defendem a “revolução do trânsito”, com novos corredores, reforma da marginal Tietê, construção de duas novas rodoviárias e investimento de mais R$ 1 bilhão no metrô. Outros, o “carinho com a saúde e a educação”, com a extensão da cobertura médica e educacional na capital.

09/04/2009 - 14:00h 100 dias de Kassab: paralisia em São Paulo

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Os primeiros 100 dias do atual mandato do prefeito Kassab estão longe de corresponder à expectativa que ele criou na população durante a campanha eleitoral. A administração municipal voltou à rotina burocrática de acumular dinheiro em caixa – o saldo já chega hoje a R$ 4 bilhões – e não está cumprindo nenhuma das centenas de promessas que fez aos eleitores. O que tem chamado mesmo a atenção são os escândalos envolvendo a administração que pipocam nos meios de comunicação.
Denúncias de corrupção envolvendo cargos de confiança e funcionários da administração, fraudes em licitações para a compra de remédios e merenda escolar, e prática de corrupção por parte de fiscais em subprefeituras, são alguns dos escândalos que ganharam destaque na mídia. Ao mesmo tempo, o governo municipal dá seguidos exemplos de incompetência administrativa: falta de vagas em creches, atraso na entrega do uniforme e do material escolar, gasto excessivo em publicidade enquanto a cidade se afoga com as enchentes, e descumprimento de promessas importantes para a população, como a construção de novos corredores de ônibus.
Projetos polêmicos – caso da revisão do Plano Diretor Estratégico e a recuperação da Cracolândia, rebatizada de Nova Luz – abrem espaço para a ocupação urbana desordenada e para o mercado continuar ditando as regras do crescimento da cidade. E a proposta que concede à Sabesp, sem qualquer contrapartida à comunidade, a exploração dos serviços de água e esgoto por 30 anos, prorrogável por mais 30 – demonstra o imediatismo pragmático deste governo, em detrimento de uma visão estratégica de solução dos problemas estruturais de São Paulo.
Os escândalos e a inoperância do governo começam a se refletir nas pesquisas de avaliação da administração municipal. Levantamento do Datafolha divulgado em março mostrou que em cinco meses Kassab perdeu 16 pontos percentuais na sua aprovação, que era de 61% em outubro de 2008 e recuou agora para 45%.
Enquanto o presidente Lula estimula o crescimento econômico do Brasil investindo em obras, Kassab vem fazendo uma gestão com o pé no freio, guardando dinheiro e congelando investimentos em prejuízo do desenvolvimento da cidade. Com a crise internacional, esse quadro se agravou. O prefeito anunciou em janeiro um congelamento de R$ 5,5 bilhões do orçamento municipal, cancelando obras que poderiam abrir vagas de trabalho e manter aquecida a atividade econômica no município. Proibiu, por exemplo, as subprefeituras de gastarem em melhorias nos bairros e não liberou um centavo dos cofres públicos para erguer os três novos

hospitais que havia prometido na campanha. O congelamento afetou muito os investimentos sociais, prejudicando programas que funcionam como uma rede de proteção social para os mais carentes ou atingidos pela crise.
Nestes primeiros 100 dias de 2009 do governo DEM/PSDB os paulistanos não têm o que comemorar. São Paulo não está no rumo certo, como foi falsamente anunciado na propaganda eleitoral. A cidade vive um momento de indefinição por falta de um planejamento de longo prazo e a inexistência de projetos estruturantes que dêem conta das inúmeras demandas da população no campo do transporte, da educação, da saúde, da habitação e da cultura/esportes. O que se vê hoje é o governo municipal suscetível à influência de investidores privados, defensor dos grandes interesses econômicos, e permitindo o surgimento de graves irregularidades na administração pública. Kassab está tirando São Paulo dos trilhos e colocando de novo a cidade no rumo do caos e da desordem, como se via até o ano 2000.


Bancada de Vereadores do PT/SP
Ver. João Antônio
Líder da Bancada
Câmara Municipal de São Paulo