08/07/2009 - 12:45h Kassab quer conceder trechos da Água Branca

Vitor Sorano, JORNAL DA TARDE – O Estado SP

A gestão Gilberto Kassab (DEM) prevê usar o sistema de concessão urbanística – no qual a iniciativa privada pode se responsabilizar pela recuperação e realizar desapropriações – em trechos da Operação Urbana Água Branca, na zona oeste da capital. O instrumento está previsto em material usado pela Prefeitura para contratar um estudo de impacto ambiental sobre a área.

A Operação Urbana Água Branca é uma iniciativa da gestão Paulo Maluf (PP) para reurbanizar a região. Para atrair empreiteiras, a Prefeitura vende potencial adicional de construção: metros quadrados que podem ser construídos a mais do que a legislação permite em uma área. O dinheiro deve ser usado em melhorias.

Ontem, reportagem mostrou que Kassab quer mudar a legislação da operação para incentivar o uso residencial da área, o que também é de interesse do mercado imobiliário. Além disso, está realizando estudo que cogita a possibilidade de venda de até 2,6 milhões de m² em potencial adicional – a lei inicial, válida hoje, prevê 1,2 milhão de m².

O diretor de Desenvolvimento e Intervenções Urbanas da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), Rubens Chammas, defendeu ontem a iniciativa. “Uma operação urbana serve para induzir a pressão do mercado imobiliário para regiões subutilizadas como aquela (Água Branca), promovendo uma ocupação ordenada e diversificada, com o aumento do número de áreas verdes e de oferta de emprego, aproximando as residências dos postos de trabalho.”

A aprovação da lei que permite a concessão urbanística na Câmara Municipal gerou protestos. O instrumento deve ser utilizado no projeto Nova Luz, para revitalização da cracolândia, na região central. Chammas disse que o assunto ainda está sendo discutido e, por isso, não o comentaria.

A revisão da lei da Água Branca, estudada pela Prefeitura, prevê ainda pagar desapropriações com títulos – não só com dinheiro. A ideia é oferecer Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), papéis negociados no mercado e que podem ser usados por quem quiser construir além do permitido dentro da área da operação. Segundo Chammas, o proprietário pode optar por receber em dinheiro.

22/06/2009 - 10:48h Kassab continua inaugurando idéias… dos outros

 

ponteinaugurada3.jpg

Com regularidade calculada, Gilberto Kassab procede a alavancar sua exposição na mídia na base da “inauguração” de projetos.

Durante dias os jornais forneceram as maravilhas do que será a Nova Luz. Só que o assunto já é explorado à mais de 4 anos e por enquanto pouco avançou. Mesmo assim, rende mídia positiva e essencialmente distrai a atenção para a real paralisia nos investimentos da prefeitura e no deterioro que registra o transporte, a saúde e a educação.

Hoje, farta publicidade em forma de “exclusividade” para o Estadão, do projeto urbanístico de prolongamento da Av. Roberto Marinho, apresentado como a maior “obra” de Kassab.

Só que o jornal esquece de mencionar que o projeto, iniciado na gestão Marta Suplicy, levou 4 anos para concluir a ponte estaiada projetada. Ainda não concluiu a substituição das favelas por moradias para seus habitantes e nem elaborou os editais para as obras do túnel de ligação com a Imigrantes. Ou seja, Kassab anuncia um projeto elaborado nas suas linha gerais em 2003 e inciado na gestão da Marta que em seis anos não foi alem da conclusão do que Marta tinha inciado, a ponte.

O financiamento do projeto se apoia no Cepac, mecanismo criado na administração do PT, para financiar nas regiões das operações urbanas as melhoras urbanísticas com dinheiro da inciativa privada.

Esses projetos foram atacados veementemente pelos demo-tucanos e Marta foi acusada de fazer obra em bairro rico. Também foi criticada por favorecer os carros com tuneis, em vez de investir no transporte coletivo. Agora Kassab anuncia que fará o projeto avançar construindo o túnel previsto e as habitações populares contempladas.

Como já se foram seis anos, provavelmente o resultado ficará a dever para a próxima gestão, após 2012.

Para Kassab pouco importa. Seu objetivo é virtual e propagandístico, pouco importa sua realização. Foi e e assim no Centro, na Nova Luz e agora no projeto águas espraiadas.

Os jornais deveriam relembrar os fatos e não se limitar a acompanhar o roteiro publicitário do prefeito. LF

Por memória ver Ponte da Marta: recordar é viver

02/04/2009 - 20:09h O túnel do tempo

Em vez de fazer túneis, como foram feitos na [avenida] Faria Lima, esse dinheiro poderia ter ido para ajudar a fazer a linha 4 do Metrô. Mas foi feito túnel em bairro rico para dar efeito publicitário em véspera de eleição

José Serra – Folha de São Paulo 15/10/2004

Clique no link e saiba mais

“Gestão” Kassab: R$2,5 bilhões para túneis em “bairro rico”

02/04/2009 - 10:53h “Gestão” Kassab: R$2,5 bilhões para túneis em “bairro rico”

Clique na imagem para ampliar os mapas

kassab_tuneis.jpg

Nada como um dia depois de outro. Lembram a campanha eleitoral municipal de 2004. Serra e seu vice Kassab atacavam os tuneis da Marta dizendo que fazia obra em “bairro rico” e que eles fariam na periferia. Não adiantava explicar que o dinheiro para esses tuneis não era do orçamento e sim de operações urbanas que por lei só podiam ser investidas nos bairros das próprias operações. Tampouco adiantava dizer que a obra no era só túnel e contemplava também a construção de moradias populares para eliminar as favelas existentes nesses ” bairros ricos”.

A soberbia, o ar de profundos conhecedores, a arrogância demo-tucana com amplo espaço na mídia, seguramento enganou a mais de um. Mesmo alguns dos que diariamente transitavam por esse túneis, ganhando tempo, assentiam como “experts”.

Pois bem, mesmo com a crise e as dificuldades de arrecadação. Mesmo com o grau de endividamento no limite da lei. Mesmo com necessidades prementes em outras áreas. Kassab vai investir R$2,5 bilhões em 4 túneis (um na Av. Juscelino Kubitschek, outro na Av. Roberto Marinho , outro na Av. Sena Madureira e o quarto de lado do Campo de Marte).

A hipocrisia demo-tucana em todo seu esplendor. Sua “ética” em mão dupla, escancarada nos jornais (que passam sob silêncio este histórico do debate sobre os túneis).

Pois bem, pode ser que esses túneis sejam necessários e importantes. Um deles, ligando a Av. Roberto Marinho a Imigrantes, penso que é essencial e faz parte da Operação Urbana Águas Espraiadas e do projeto feito por Marta Suplicy com a construção da Ponte estaiada e a transformação da favela Jardim Edit em habitações decentes para seus moradores.

Sublinhar a impostura demo-tucana, sua falta de ética nos seus discursos e praticas administrativas, sua demagogia barata para iludir os eleitores, não deve implicar agir como eles. Cada ação da “gestão” demo-tucana deve ser apreciada a partir do critério do interesse público estreitamente ligado às necessidades de uma cidade para todos, particularmente para os que dela estão quase sempre excluídos. LF

http://img509.imageshack.us/img509/1429/farialimaxcidadejardimpt2.jpghttp://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/ponte_estaiada_iluminada.jpg

Túnel Max feffer e Ponte Estaiada, projetos de Marta Suplicy financiados com Cepac das operações urbanas

 

Kassab planeja construir “pacote” de túneis

Obras em quatro pontos da cidade têm custo estimado de R$ 2,5 bi, suficientes para aumentar em 10 km a malha de metrô

Técnicos de transportes criticam as intervenções no sistema viário pelo fato de elas serem prioritariamente voltadas para os carros

ALENCAR IZIDORO
EVANDRO SPINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

A gestão Gilberto Kassab (DEM) planeja construir grandes túneis em pelo menos quatro pontos nobres de São Paulo.
O custo dessas obras -criticadas por técnicos e prioritariamente voltadas para os carros- atinge R$ 2,5 bilhões, equivalente a 10 km de metrô (tamanho da linha 2-verde).
Na zona sul, o plano abrange a extensão subterrânea da av. Roberto Marinho até a rodovia dos Imigrantes, além de túneis para eliminar a intersecção das avenidas Sena Madureira e Domingos de Moraes e também para construir um bulevar na avenida Juscelino Kubitschek.
Essas intervenções criam corredores alternativos de tráfego à av. dos Bandeirantes.
Na zona norte, as obras de Kassab têm o objetivo de ligar as avenidas Cruzeiro do Sul e Engenheiro Caetano Álvares.
A atual gestão, que teme repercussão inicial negativa, trata desses projetos sem alarde. Kassab criticou nos últimos anos a construção dos túneis das avenidas Rebouças e da Cidade Jardim no final da gestão Marta Suplicy (PT), em 2004.
A prefeitura afirma que essas obras estão nos planos para os próximos anos, mas não fixa prazos e incluiu só uma -a da Roberto Marinho, estimada em R$ 1,9 bilhão – em seu programa de metas entregue nesta semana à Câmara Municipal.
Os paulistanos, portanto, não devem se surpreender se, de uma hora para outra, grandes obras em algum desses pontos começarem a ser tocadas.
Isso porque os processos formais de contratação de três dessas quatro obras foram retomados nos últimos três meses pela gestão Kassab. E uma -a do bulevar JK- tem contrato pronto desde os anos 80 e já está até mesmo com preparativos para desvio do tráfego.
A Emurb (Empresa Municipal de Urbanização) começou a fase de licitação dos túneis da Roberto Marinho, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul por meio de uma pré-qualificação das empresas interessadas.
Essa é a etapa inicial da concorrência (que demanda, além do tempo dos servidores, gastos do município com trâmites burocráticos), por meio da qual são selecionadas as construtoras em condições técnicas de tocar as obras. A entrega dos envelopes ocorreu em fevereiro e março. Em seguida, haverá a escolha do menor preço.
A construção de grandes obras viárias voltadas aos carros é atacada pela maioria dos especialistas sob a justificativa de que a prioridade deve ser dada ao transporte coletivo.
O engenheiro Jaime Waisman, professor da USP, considera que a parte positiva de intervenções como a da Roberto Marinho é não provocar a concentração de viagens no centro.
Mas ressalva: “Preferia que fosse investido em transporte público”; “são obras voltadas ao automóvel e que não resolvem os problemas do trânsito. Vai até ter impacto, mas limitado”.
O especialista Horácio Augusto Figueira considera que túnel voltado aos carros “é jogar uma fortuna no lixo”. Ele compara a obra da Sena Madureira ao túnel da Rebouças. “Vai ter congestionamento no semáforo seguinte e até dentro do túnel. É ir na contramão.”

04/03/2009 - 11:36h R$ 1 bi para o Metrô? Ficou pela metade

 Era promessa de Kassab para 2008, mas a verba só chegou a R$ 473 mi, confirmou secretário

kassab_metro_jt2.jpg

FABIO LEITE, JT

f.leite@grupoestado.com.br

Mais de dois meses após o início do segundo mandato, o governo Gilberto Kassab (DEM) admitiu que ainda não concluiu o repasse de R$ 1 bilhão da Prefeitura para o projeto de expansão do Metrô na capital prometido pelo prefeito para 2008 durante as eleições. A informação foi confirmada pelo próprio secretário de Finanças, Walter Aluísio Morais Rodrigues, e pelo Metrô, que informou ter recebido apenas R$ 473 milhões. Kassab ainda assegura que investirá outro R$ 1 bilhão até 2012.

Durante audiência pública da Comissão de Finanças da Câmara Municipal, na semana passada, Rodrigues foi questionado pelo vereador petista Antonio Donato (vice-presidente da comissão) se a Prefeitura havia repassado toda a quantia prometida. “Não, totalmente”, respondeu o secretário.

De acordo com as notas taquigráficas da audiência obtidas pelo JT, Rodrigues afirmou que foram repassados R$ 275 milhões em espécie e o restante – cerca de R$ 725 milhões – estavam à disposição do Metrô em Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos negociados no mercado que permitem a construção acima da metragem permitida pela lei de zoneamento.

Destes, contudo, o secretário só identificou os R$ 198 milhões da Operação Urbana Água Espraiada, repasse feito simbolicamente por Kassab ao governador José Serra (PSDB) durante a campanha e que ficou conhecido como ‘checão do metrô’. Em relação aos outros R$ 527 milhões, Rodrigues disse apenas que já foram transferidos, sem detalhar quantos papéis foram vendidos.

Questionada posteriormente, a Secretaria de Finanças enviou nota afirmando que a promessa foi cumprida ainda em 2008 com “parte dos recursos transferida em dinheiro e parte na forma de Cepacs”. A informação, porém, foi desmentida pelo Metrô, que informou, também em nota, ter recebido “repasses da ordem de R$ 473 milhões da Prefeitura”.

O repasse de R$ 1 bilhão foi ratificado por meio de dois convênios entre Prefeitura e Metrô. Cerca de R$ 500 milhões viriam dos Cepacs da Operação Urbana Faria Lima, que serão investidos na expansão da Linha 4-Amarela (Luz-Vila Sônia) e outros R$ 200 milhões da Operação Urbana Água Espraiada, revertidos para a ampliação da Linha 5-Lilás (Capão Redondo-Chácara Klabin).

Para o vereador Donato, o secretário não o convenceu de que os recursos por meio dos Cepacs foram repassados ao Metrô. “Isso mostra que foi tudo propaganda de campanha. Eles construíram um discurso nas eleições. Pegaram um setor deficitário, que é transporte, e disseram que colocaram R$ 1 bilhão no Metrô, o que não é verdade.” O vereador ainda pôs em dúvida se a Prefeitura vai conseguir vender todos os papéis num cenário de crise, que afetou também o setor imobiliário.

Lentidão

Ao tentar justificar a totalidade dos repasses, Rodrigues disse ainda que o “Metrô não tem velocidade para gastar todos os recursos”. O Metrô respondeu que “tem destinado os recursos de acordo com o andamento das obras, que estão dentro do cronograma”.

donato_metro.jpg

DIÁLOGO

Donato (ao lado)- Quanto foi transferido do Tesouro para o Metrô?

Rodrigues (baixo)- Em espécie, R$ 275 milhões.

D – E os demais recursos?
R – Os demais em Cepacs.
D – Os R$ 198 milhões da Operação Urbana Água Espraiada até o fim do ano não foram transferidos
R – Foram transferidos, estão à disposição do Metrô. O Metrô não tem velocidade para gastar os recursos.
D – E os demais? 275 mais 198 dá 473. Então, são R$ 527 milhões de papéis à disposição do Metrô?
R – Isso.
D – Então, o famoso R$ 1 bilhão ainda não se completou?
R – Não totalmente…

28/02/2009 - 09:09h De R$ 1 bilhão prometido, prefeitura só deu em dinheiro R$ 275 milhões ao metrô

http://midiacon.com.br/imgNoticias/2008/Out/23/politica231002_gd.jpg

Ao contrário do que Kassab anunciou durante o ano eleitoral de 2008, de que repassaria R$ 1 bilhão da Prefeitura de São Paulo para ajudar na ampliação do Metrô na cidade, menos da metade desse valor chegou ao cofre da empresa estadual.O secretário de Finanças da prefeitura, Walter Aluizio Morais Rodrigues, admitiu ontem que de R$ 1 bilhão prometido o município só repassou R$ 275 milhões em dinheiro ao Metrô. O restante são Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção), ou seja, papéis que ainda precisam ser leiloados no mercado financeiro.

E nem há garantia de que a venda dos Cepacs seja realizada e complete a diferença. Por causa da crise financeira, não há procura garantida pelos papéis e eles devem perder o valor que tinham no ano passado.

“Ficou claro que era uma farsa essa história de a prefeitura ter repassado R$ 1 bilhão para ajudar na ampliação do metrô”, afirmou o vereador Donato ao final da audiência convocada pela Comissão de Finanças e Orçamento, da qual ele é vice-presidente.
Kassab e José Serra fizeram dois atos políticos – um deles na véspera do segundo turno da eleição, numa atividade de caráter evidentemente eleitoral – para celebrar a parceria da prefeitura com o governo estadual em torno do metrô. Na ocasião, exibiram réplicas de dois cheques (um de R$ 200 milhões e o outro de R$ 198 milhões), que foram parar no horário eleitoral. Walter Aluizio tentou convencer na audiência que a prefeitura cumpriu com sua parte, mas nem soube dizer se os R$ 275 milhões em dinheiro foram usados pelo Metrô. Ele disse que a empresa é muito lenta para gastar os recursos colocados à sua disposição.

Fonte boletim da bancada de vereadores do PT

13/01/2009 - 13:44h Kassab não tem o dinheiro que prometeu para o metrô

O artigo do Estadão, mostra que o dinheiro prometido por Kassab para o metrô, dinheiro que foi utilizado durante a campanha como contribuição da prefeitura, só foi entregue pela metade. A outra metade, mais as promessas acrescentadas, não contam com recursos. Kassab pretende conseguir o dinheiro vendendo Cepacs. Mas o dinheiro dos papeis da operação urbana Águas Espraiadas deveriam ser utilizados na construção das moradias para as favelas do bairro e também para fazer a ligação entre a Av. Roberto Marinho e a Imigrantes (desafogando a Bandeirantes). Era o que estava previsto.

Kassab pretende também multiplicar as Operações urbanas e a venda de títulos, além da liberar o Plano Diretor das proteções introduzidas contra a especulação imobiliária. Mas se a crise for afetar as finanças da prefeitura, como Kassab não cessa de repetir, ela afetará também o mercado de imóveis. O preço dos Cepacs começariam por cair, para conhecer depois uma valorização significativa, se a liberalização generalizada que Kassab promete for autorizada e se a crise tiver efeito limitado a um ano, por exemplo.

A opinião pública, os vereadores, os tribunais, o Ministério Público, as organizações da sociedade civíl deverão acompanhar com minuciosa atenção estes processos para que a cidade não sofra um grave retrocesso e os interesses da população sejam preservados acima dos da especulação. O alerta lançado pela colunista do jornal Valor, pouco suspeita de oposicionista, deve ser levado muito a sério (ver Mais Estado para quem? artigo de Maria Cristina Fernandes em O rei nu ou a fábula do prefeito II). LF

Pelo Metrô, Prefeitura vende títulos

Comércio de Cepacs ajudará Kassab a cumprir promessa de repasses

Bruno Paes Manso e Diego Zanchetta -O Estado de São Paulo


Antes de cumprir a promessa de investir R$ 1 bilhão no Metrô, o prefeito Gilberto Kassab (DEM)terá de vender na Bolsa de Valores títulos municipais que totalizam R$ 700 milhões. A maneira como o dinheiro será repassado foi ratificada por meio de dois convênios publicados no Diário Oficial de sábado. Do total que pode ser transferido, R$ 500 milhões vêm de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) da Operação Urbana Faria Lima e outros R$ 200 milhões da Operação Urbana Água Espraiada. Os Cepacs são títulos negociados no mercado que permitem à iniciativa privada construir acima da metragem mínima permitida pela lei de zoneamento.

Os títulos para o Metrô representam suplementação de 40,84% em relação aos R$ 497 milhões que faltavam ser investidos para Kassab cumprir sua promessa. Até 31 de dezembro, as transferências para expansão de novas linhas totalizavam R$ 503 milhões. Somado o repasse e esses possíveis R$ 700 milhões, o Metrô obterá R$ 1,197 bilhão da Prefeitura.

No entanto, não há prazo para a companhia receber o R$ 1 bilhão prometido no primeiro mandato. Kassab ainda assegura que investirá outro R$ 1 bilhão até 2012. O governo diz que a verba poderá ser transferida mesmo se os títulos não forem vendidos. “Neste caso, as verbas poderão, a critério da Prefeitura, ser suplementadas com recursos orçamentários.”

Segundo o Metrô, os R$ 500 milhões em títulos da Faria Lima deverão ser investidos na expansão da Linha 4-Amarela (ligando Luz à Vila Sônia). O dinheiro poderá viabilizar a futura Estação Faria Lima. A inauguração da linha está prevista para 2010.

Os R$ 200 milhões que podem ser obtidos pelo Metrô com os títulos da Operação Urbana Água Espraiada serão revertidos para ampliação da Linha 5-Lilás. A Estação Água Espraiada, na Avenida Santo Amaro, está prevista no projeto da linha que vai ligar o Capão Redondo ao Largo 13. O Metrô informou que os títulos serão negociados pelo governo.

No caso da Água Espraiada, há um empecilho, segundo o Ministério Público. Cláudia Beré, promotora de Habitação e Urbanismo, diz que o Conselho Gestor da Operação Urbana na região não foi consultado sobre a destinação ao Metrô. A diretriz da intervenção na área aponta que os Cepacs da região devem ser revertidos em “habitações de interesse social”.

“Não vejo problema em investir no Metrô. Mas isso tem de ter deliberação do conselho gestor”, afirmou Cláudia. O governo diz que as atas das reuniões do conselho estão no site da Emurb.

O último leilão de Cepacs ocorreu em outubro, dentro da Operação Urbana Água Espraiada. Mas a rentabilidade não foi a esperada. Kassab pretendia negociar R$ 347,7 milhões, mas o leilão conseguiu R$ 203,1 milhões.

As operações urbanas serão intensificadas como forma de promover a reocupação na orla ferroviária que cruza São Paulo, conforme mostrou o Estado no domingo.

30/12/2008 - 10:08h Prefeito promete verba que não tem

Prefeito promete verba que não tem

FOLHA SP

Para cumprir a promessa de campanha de transferir R$ 1 bilhão para o metrô neste ano, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse ontem que vai usar um dinheiro que a prefeitura não tem.
De acordo com Kassab, serão repassados ao metrô R$ 302 milhões para a implantação do metrô de superfície que ligará a estação São Judas à marginal Pinheiros, passando pelo aeroporto de Congonhas.
Esse dinheiro, segundo Kassab, virá da venda de Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção) -títulos que permitem construir acima dos limites mínimos permitidos pelo zoneamento- da Operação Urbana Água Espraiada.
No caixa da operação urbana há R$ 198,9 milhões. Para completar os R$ 302 milhões, a prefeitura terá de fazer um novo leilão de Cepacs, que só poderá ocorrer em 2009. Kassab não conseguirá transferir o dinheiro ao metrô neste ano, como prometeu.
No último leilão, em outubro, a prefeitura vendeu só 79.650 dos 650 mil títulos colocados à venda.

21/10/2008 - 11:40h O corredor virtual e outras pérolas

Clique na imagem do jornal O Estado de SP para ampliar e ler
municipais_record.jpg

O jornal O Estado de São Paulo destacou dados imprecisos utilizados pelos candidatos no debate da Record. Gostaria destacar uma imprecisão feita pelo jornal com relação a afirmação feita por Marta: Kassab não construiu nenhum corredor de ônibus em 4 anos. Segundo o jornal Kassab “decidiu priorizar a execução do corredor da Avenida Celso Garcia (zona leste), que ainda não está pronto”.

O jornal deveria publicar um erramos. Que prioridade pode ter esse corredor para Kassab, se ele ainda está em processo de licitação? Após 4 anos de não ter feito nenhum corredor, Kassab lançou o edital de licitação só agora. Não existe nada na Celso Garcia.

Em 10 de setembro 2008, um mês atrás, o próprio jornal publicou matéria sobre o projeto do corredor Celso Garcia (ver Único corredor de Kassab, Celso Garcia vai atrasar). O artigo do jornal levava como manchete: “Único corredor de Kassab, Celso Garcia vai atrasar”. O artigo começava assim:
“Previsto para ser entregue até o fim do ano, o único corredor de ônibus que deveria ser construído na gestão do prefeito Gilberto Kassab deve atrasar. Ontem, quando inspecionava o corredor virtual da Avenida Celso Garcia, na zona leste, o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, informou que o projeto executivo está em fase de conclusão e que a licitação ainda não foi aberta.”

A licitação ainda não foi aberta, a empresa ainda não foi escolhida, por isso é um eufemismo dizer que o “corredor ainda não está pronto”.

O jornal diz que não foi a Marta que criou o CEPAC, títulos que permitem arrecadar recursos fora do orçamento para financiar projetos das Operações Urbanas. Mas os títulos do CEPAC foram criados por Marta sim. Para o jornal o “conceito” do CEPAC já existia, o que é verdade. Mas isto é válido para muitas coisas, como por exemplo os CEU’s que Marta criou. O “conceito” tem origem em Anisio Texeira e alguns elementos estão presentes na obra de Brizola, porem a realidade e não o conceito, foi a Marta que fez.

Com relação as UBS, vale até certo ponto a precisão do jornal. O fato é que das 110 AMA’s “criadas’ por Kassab 99 foram adaptações das antigas UBS que tiveram reformas para destacar a AMA “nova” utilizando os equipamentos e os recursos que eram empregados nas UBS. Por isso o Jornal da Tarde mostrou que as UBS estavam abandonadas e sem recursos, enquanto a “vitrine” de Kassab mostrava serviço (Maluf fez o mesmo no início do PAS). (ver embaixo matéria do JT). LF

Clique na imagem do JT para ampliar e ler

jt_ubs.jpg

04/10/2008 - 12:51h Comparar

http://www.cidadedesaopaulo.com/touraereo/fotos/vale_anhangabau2.jpg

Amanhã é o primeiro turno da eleição, mas a cidade já vive um clima de polarização entre a atual administração e a candidatura da Marta.

A mídia tem insistido, apoiada nos resultados das pesquisas, sobre a boa avaliação da gestão Kassab, semelhante a boa avaliação da administração da Marta. Ficando o segundo turno favorecendo os candidatos a reeleição, por conta da boa situação que vive o país e os próprios municípios.

O segundo turno vai centralizar o debate e, no caso de São Paulo, permitir comparar gestões e propostas. Para os partidários da Marta, essa escolha deverá se fazer sobre a questão da liderança que São Paulo precisa. Liderança para aprofundar a luta contra a desigualdade social e para integrar e incluir no progresso as maiorias, ou serviço mínimo para contentar setores médios conservadores e sem ambição para lidar com os desáfios do século.

Marta assumiu uma cidade financeiramente quebrada e numa situação econômica de quase recessão. A herança combinou 8 anos de governo FHC, com 4 anos de governo Pitta – Kassab.

A priméira questão a destacar é que essa cidade foi quebrada por Pitta com a colaboração de Kassab e com a participação do seu partido aos quatro anos de decadência.

Já os demo-tucanos, e Kassab travestido deles, assumiram uma prefeitura após o governo Marta e em plena recuperação econômica do país com o presidente Lula.

O resultado herdado pelos que provavelmente disputarão o segundo turno é bem diferente, o que se traduz em números: Kassab teve 50% de receitas a mais que Marta para enfrentar os grandes problemas da cidade.

Marta teve que usar de criatividade, perseverança e inovação para reconstruir São Paulo. Ela propôs participação ao PSDB que a tinha apoiado contra Maluf, mas os tucanos preferiram por cálculo político ir para a oposição.

Ela propôs parcerias ao setor privado e empresarial e muitos responderam presente, o que permitiu importantes conquistas. Foi graças a parceria com o Banco Santander, por exemplo, que as crianças dos CEU’s puderam dispor de instrumentos musicais que a cidade sem dinheiro não podia comprar (instrumentos agora encostados). Foi graças a parceria com o Pão de Açúcar que a Fonte de Ibirapuera pode ser entregue a cidade para seus 450 anos, sem usar o dinheiro parco da própria prefeitura. Foi graças a contribuição da Valisere que as crianças dos CEU’s receberam de graça os maios para poder usufruir das piscinas. Foi com o dinheiro da TIM que Marta conseguiu completar a obra de Oscar Niemayer e fazer o teatro de Ibirapuera, porque sem dinheiro só assim era possível responder as necessidades de uma gestão eficiente.

Foi indo atrás do dinheiro do BID que Marta obteve os recursos para revitalizar o Centro que permitiu recuperar o Mercado Municipal, erradicar a Favela do Gato, renovar a Praça da Sé. Os $100 milhões de dólares permitiram tudo isso e quase 85% desse total ficou para a gestão atual, que nada fez e ainda teve que pagar multa ao BID por não ter usado o dinheiro deixado a sua disposição.

Foi com o mesmo espirito de inovação e criatividade que Marta criou os títulos do CEPAC, permitindo que o dinheiro privado fosse canalizado para obras nas regiões onde o dinheiro foi arrecadado, como a Ponte Estaida, os túneis e que previa a transformação das favelas em moradias dignas. As favelas ainda estão encostadas na avenida e a ponte acabou custando 50% a mais com a atual administração.

Com 50% de receitas a menos que a atual gestão, Marta deu uniforme e material escolar de graça, merenda digna, transporte escolar gratuito e construiu 21 CEU’s.Eliminou uma parte das escolas de lata feitas por Pitta e Kassab e deixou todas prontas para serem substituídas. Kassab não conseguiu entregar nenhuma única vez os uniformes de verão antes do inverno, reduziu o Vai e Volta e fez 13 CEU’s menores e mais caros. Ou seja com 50% de receitas a mais e CEU a menos, Kassab só gastou mais.

O mesmo podemos dizer sobre o transporte público onde o caos deixado por Pitta e Kassab, deu lugar a 100 km de corredores, 10 mil ônibus novos, legalização e eliminação do transporte clandestino e, finalmente, o Bilhete-Único. Com 50% de receitas a mais, Kassab fez 8 km de corredores, limitou o uso do Bilhete-Único e deixou a CET ao deus-dará.

O mesmo na questão da Saúde, onde reinava o PAS que Pitta e Kassab entregaram aos gafanhotos da destruição. Marta municipalizou a saúde, recuperou os equipamentos dos hospitais, contratou novamente os médicos e fez mais. Construiu 45 novas UBS e recuperou as existentes deixadas em estado deplorável. Criou 800 equipes de Saúde da família, começou a construção de dois novos hospitais e também em parceria com empresas privadas, conseguiu mamógrafos novos doados pela Avon. Com 50% de receitas a mais kassab renomeou 99 UBS em AMA (o dado é do jornal Folha de São Paulo) e construiu mais 11, completou os hospitais que Marta tinha iniciado e a situação continua a ser ruim nesse setor.

Se formos falar dos projetos sociais, como o Renda-Mínima, aí já seria covardia proceder a comparar.

Para que ambas gestões estivessem empatadas seria necessário que em todos os elementos a serem comparados, os demo-tucanos tivessem 50% a mais de resultados, pois contaram com 50% a mais de receitas. O que vemos é que em quase tudo é o contrário que é verdadeiro: Marta fez mais com 50% a menos. É isto é uma demonstração indiscutível de liderança e capacidade a dirigir uma cidade do porte de São Paulo.

Deixei para o final a questão que parece ser a única onde a opinião de uma parte da população, da mídia e da propaganda demo-tucana parecem marcar uma superioridade em relação a Marta: os impostos e taxas.

Marta teve que aumentar os impostos e taxas para fazer frente as necessidades da cidade nas condições em que fora deixada pela administração Pitta-Kassab (Kassab foi secretário de planejamento de Pitta durante dois anos e depois optou por ser candidato a deputado, sem romper com Pitta que continuou contando com a participação do partido de Kassab até o fim).

O aumento do IPTU foi feito introduzindo um elemento de justiça fiscal, quem ganha mais paga mais. Marta isentou de IPTU 1 milhão de domicílios. Esta manifestação clara de repartir o esforço para que os mais ricos assumam uma parte maior deu sustento a campanha de destruição contra Marta. A taxa do lixo veio dar um argumento suplementário para a elite que permitia um eco na população pobre, pois a taxa era paga por todos. Marta já diz que isto foi um erro. O que seus detratores não dizem é que a carga tributária municipal continuou aumentando, o que explica que Kassab teve 50% de receitas a mais e que nenhuma redução de impostos de envergadura foi implementada na cidade. A única que propôs reduzir os impostos dos autônomos foi a própria Marta, copiada depois pelos demais candidatos. mas porque Kassab não fez antes?

Seguramente o leitor deve estar se perguntando: onde foi o dinheiro? onde está o 50% de receitas a mais, se com 50% a menos Marta fez tanto mais?

Pois bem, uma parte esta no banco: R$ 4,5 bilhões está aplicado no banco. O custo de quase todas as obras de Kassab, em valores reais, sofreram aumentos. Ou seja, os 13 CEU’s de Kassab eram menores, com menos lugares de teatro, menos piscinas mas custaram de 8% a 60% a mais do previsto. O mesmo com a ponte Estaiada, o mesmo com o leite das crianças, o mesmo com o conjunto da obra demo-tucana. Resultado: uma parte do 50% a mais de receita pagou mais caro em valores atualizados, as obras e serviços e uma parte está no banco. Uma pequena parte foi usada para financiar o fim da taxa do lixo, não sem antes liberar as empresas concessionárias de reciclagem, recolhimento de lixo nas favelas etc.

O segundo turno, cara à cara e com o mesmo tempo de TV a população poderá decidir o rumo que quer dar a cidade de São Paulo. Sobre as propostas para o futuro a campanha de Marta tem feito e em todas as áreas. Kassab simplesmente copia ou chia.

Luis Favre

05/06/2008 - 10:06h Ponte da Marta: privatização dos custos e socialização dos benefícios

Socialização dos benefícios

FERNANDO NOGUEIRA DA COSTA

Em geral, ocorria, no Brasil, privatização dos lucros e socialização das perdas. A novidade foi que o Cepac trocou os termos da frase

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/foto/0,,14454814-EX,00.jpg

FOI INAUGURADA no mês passado a bela ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira -homenagem ao publisher desta Folha-, ligando a avenida Jornalista Roberto Marinho (antiga Água Espraiada) à marginal Pinheiros, em São Paulo. Todos os que trabalharam para viabilizá-la devem sentir orgulho de ter dado “uma pequena ajuda para a cidade”. Refiro-me não só aos participantes na obra de engenharia civil, mas também aos servidores públicos que estruturaram uma engenharia financeira para garantir seu financiamento.
Um primeiro aspecto positivo sob o ponto de vista institucional é que essa operação estruturada obrigou a continuidade administrativa, garantida por contratos e fiscalização. Iniciada na gestão anterior da prefeitura, ela foi concluída na de um adversário político. Outro ponto positivo é que seu custo final de R$ 260 milhões não significou ônus para os contribuintes.
Em vez de arrecadação tributária, utilizou-se uma nova alternativa de captação de recursos para o financiamento do desenvolvimento urbano: o Cepac, Certificado de Potencial Adicional de Construção. Trata-se de um título mobiliário criado pelo Estatuto da Cidade para possibilitar o financiamento de grandes obras previstas em operações urbanas, sem que o município precise utilizar recursos vinculados ao orçamento municipal.
Ele conjuga o mercado de valores mobiliários com o mercado imobiliário. Tendo comprado o Cepac, o investidor adquire direitos urbanísticos adicionais nas áreas definidas pelo programa. Nessas áreas com potencial de adensamento, o Cepac possibilita uma construção acima dos limites até então permitidos pela legislação de uso e ocupação de solo vigente, mediante contrapartida financeira paga à prefeitura pela compra do certificado. Como resulta em direitos adicionais de construção apenas nas áreas previamente aprovadas, o poder público continua mantendo total controle do urbanismo.
Para adquirir o Cepac, não é preciso ser proprietário de terrenos nem mesmo ter que adquirir um imóvel na área da operação urbana. Mas, caso venha a ser titular de imóvel no local, poderá aumentar a área construída ou alterar seu potencial de utilização.
Assim, o Cepac pode ser uma forma de diversificação nos investimentos para investidores institucionais. Eles são comercializados em leilões públicos de papéis, com rendimento variável, atrelado à valorização imobiliária da região em que foi executada a operação urbana. Os títulos podem ser negociados no mercado secundário pela Bovespa.
No caso da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada, a emissora dos Cepacs foi a Prefeitura do Município de São Paulo, sob coordenação da Emurb. A Secretaria de Finanças do município convidou a Caixa Econômica Federal para construir a operação estruturada, em 2003. Seguindo a norma estabelecida pela CVM, na ocasião, a Caixa convidou outro banco, no caso o Banco do Brasil, para ser o coordenador da emissão.
Com a parceria entre essas duas instituições financeiras públicas federais, nelas foram mantidos os recursos obtidos com a alienação dos Cepacs, separados do caixa da prefeitura, em contas vinculadas, cujo titular era a Emurb.
O agente fiscalizador foi a Caixa, sendo responsável por fiscalizar o emprego dos recursos obtidos com a distribuição pública de Cepac exclusivamente nas intervenções das operações urbanas consorciadas. Com sua expertise, também acompanhou o andamento das referidas intervenções e assegurou a suficiência e veracidade das informações que eram, periodicamente, prestadas pelo município ao mercado.
Em geral, ocorria, no Brasil, uma privatização dos lucros e uma socialização das perdas. A grande novidade foi que o Cepac propiciou uma privatização dos custos e a socialização dos benefícios.
Antes, a prefeitura investia em obras urbanas com recursos de toda a comunidade, mas a valorização imobiliária beneficiava mais os donos das propriedades na área que recebeu os investimentos. Todos pagavam, mas poucos usufruíam.
O Cepac equacionou dois problemas. Primeiro, forneceu recursos para o financiamento não tributário (e sem endividamento) do gasto público. Segundo, absorveu, para a coletividade, a renda diferencial gerada pelo investimento governamental, tradicionalmente apropriada por segmentos do setor privado.


FERNANDO NOGUEIRA DA COSTA, 56, economista, é professor associado do Instituto de Economia da Unicamp. Foi vice-presidente da Caixa Econômica Federal e diretor-executivo da Febraban.

fercos@uol.com.br

18/05/2008 - 10:11h A memória da Folha sobre a ponte da Marta

ponte_estaiada_iluminada23.jpg


“A memória da ponte O ombudsman recebeu 23 questionamentos sobre a cobertura da inauguração da ponte Octavio Frias de Oliveira no domingo passado.
Todas para saber por que o jornal, que três anos antes havia publicado editorial para condenar a obra, agora a noticiava sem nenhuma crítica à construção.
Nas mensagens, era possível perceber motivações diversas. Havia desde pessoas claramente sinceras no seu desejo de esclarecer o que lhes parecia uma contradição até indisfarçáveis articulações de cunho político-partidário.
A Folha teria se poupado desse desgaste previsível se tivesse publicado na página que registrou a solenidade uma simples retranca para lembrar sua posição sobre a obra no passado e agora.
Instada pelo ombudsman, a Secretaria de Redação enviou a seguinte nota: “A Folha considerou e considera que a obra, dispendiosa, não é prioritária. Essa era a opinião pessoal do próprio sr. Octavio Frias de Oliveira. Hoje, a ponte é uma realidade. Foi completada, aliás, num período em que as finanças da prefeitura melhoraram. Essas considerações não têm relação com o fato de, agora, o poder público homenagear o sr. Frias batizando a ponte com seu nome. Seria descabido que a Folha ou a família Frias rejeitassem uma homenagem a seu líder”.
Parece-me uma explicação justificável. Deveria ter constado do noticiário de domingo. Assim como também poderia ter sido lembrado pela reportagem que a ex-prefeita Marta Suplicy, responsável pelo início do projeto, não foi convidada para a inauguração.” (ombudsman – Folha de SP, hoje).

Algumas ponderações rápidas.

O ombudsman distingue entre os questionamentos que recebeu, os “sinceros” até os “indisfarçáveis”. Estes últimos, por serem político-partidários, seriam menos “sinceros”?

A Secretaria de Redação respondeu ao Ombudsman que “considerou e considera a obra dispendiosa”. Ou seja era dispendiosa quando custava R$147 milhões com Marta, e é dispendiosa agora que custou R$270 milhões com Kassab. Convenhamos que ela não é igualmente dispendiosa, quando dobra de preço. Porem, isto não esclarece porque a Folha sonegou esta verdade factual: com Kassab a ponte custou o dobro.

Sibilina, a Secretaria de Redação da Folha diz:(a ponte) “Foi completada, aliás, num período em que as finanças da prefeitura melhoraram”. A Ponte foi projetada como parte da Operação Urbana financiada pelos títulos criados por Marta, os CEPAC, para não usar dinheiro das “finanças da prefeitura”. Esse dinheiro arrecadado pela venda dos títulos, por lei, só podia ser usado na região para melhoras de infra-estrutura e urbanismo, o que além da ponte incluía a construção de 8.500 moradias para substituir as favelas na região. Ou seja a situação das “finanças da prefeitura” não justifica nada, menos ainda o preço pago por Kassab.

A Ponte leva o nome do fundador da Folha, que segundo a nota acima era contra esse projeto. Como ele faleceu e não tenho motivos para desconfiar que está afirmação da Secretaria de redação não seja verídica, Octavio Frias, lá no céu, deve considerar uma ofensa de ter o nome associado a uma obra inútil, dispendiosa e desnecessária. Mas o que seguramente deve te-lo deixado arrepiado e que o seu jornal tenha sonegado todas essas informações aos seus leitores, só para agradar José Serra e Gilberto Kassab.

Luis Favre

15/05/2008 - 17:58h Folha: uma triste semana para a imparcialidade jornalística

capa_ponte_folha.jpgDomingo 11 de maio a edição da Folha desmanchava-se em elogios da ponte estaiada que Marta Suplicy, com tenacidade, começou a construir como parte da operação urbana financiadas pelos Cepac’s e concebida para desafogar o trânsito nas marginais em direção ao sul, abrindo caminho para, no outro lado, permitir a junção com a Imigrantes, desafogando Av. Bandeirantes. Projeto que incluía a construção de 8.500 moradias populares, erradicando as favelas do entorno da Av. Roberto Marinho. O entusiasmo foi tanto que a Folha deixou de informar que licitada ao custo de R$147 milhões na gestão anterior, ela acabou custando o dobro na gestão Serra-Kassab. Foi passado sob silêncio os ataques proferidos por Serra e Kassab contra o projeto, hoje saudado pela Folha e os tucanos como novo cartão postal de São Paulo. Nada foi dito sobre a obra paralisada inicialmente pelos demo-tucanos e a multa que o município teve que pagar pela suspensão injustificada. Nem uma palavra, em fim, sobre o fato da atual Ministra e ex-prefeita não ser convidada a inauguração do que ela ajudou a fazer pelo bem da cidade e Last but not least, nenhuma foto de Serra e Kassab em companhia do ex-prefeito Paulo Maluf, ele sim convidado a festa.

Coube a este blog mostrar incluso, que esta reportagem ditirâmbica contrastava violentamente com editorial da própria Folha de três anos atrás, atacando o projeto, sua necessidade e seu financiamento.

Dois dias depois, na terça-feira passada, Gilberto Kassab ganhou destaque na Folha de São Paulo atacando Marta Suplicy. A jornalista da Folha detectou no ataque de Kassab, um jogo eleitoreiro para isolar Alckmin e polarizar com a provável candidata do PT. Deixou, porém, de questionar Kassab sobre o conteúdo desses ataques, que ganharam amplo destaque na edição do jornal.

“Que prioridade é essa que deixava existir na cidade de São Paulo salas de lata, escolas de lata? Que prioridade é essa que dava aumento ao professor em forma de gratificação, e não transferia para o aposentado?”, perguntou Kassab, referindo-se a antecessores. “É muito importante que todos relembrem como estava a CET no início da nossa gestão.” acrescentou o prefeito. (folha 13/5/2008).

A Folha não questionou as afirmações de Kassab e nem fez um quadro para informar os dados sobre os quais o prefeito falara.

Coincidentemente, no mesmo dia, a Folha, em outra matéria sobre a CET, forneceria um dado: o número de “marronzinhos” da CET diminuiu durante a gestão Kassab, enquanto o número de carros cresceu em 1 milhão. (ver aqui no blog A maior obra demo-tucana: 266 Km de congestionamento sexta-feira). Ou seja o questionamento aos propósitos de Kassab não exigiam muita pesquisa, estavam na própria Folha.

No dia 13 de maio, dia em que as páginas da Folha reproduziam generosamente os ataques de Kassab, a ex-Secretária de Educação da administração Marta Suplicy, Cida Perez, enviou uma carta respondendo cada um dos pontos levantados por Kassab. Até hoje a carta não foi publicada.

Nela, Cida Perez, destacava que as escolas de latas tinham sido construídas na gestão Pitta com a participação do próprio Kassab como Secretário de Planejamento. Que essas escolas começaram a ser removidas e eliminadas na gestão Marta Suplicy. A carta, não publicada até hoje, mostrava também as inverdades proferidas em relação aos salários dos professores e aposentados. Nem a carta foi publicada, nem esses dados foram informados aos leitores da Folha.

Na sua edição de hoje, precisamente na questão da educação, as palavras de Kassab “que prioridade é essa?“, encontram uma resposta nos resultados do Idesp reproduzidos com claridade na manchete do jornal O Estado de São Paulo:

De 0 a 10, ensino médio de SP tira 1,4

Só 2 colégios públicos do Estado têm índice 5 no Idesp, indicador que considera nota e adequação do aluno à série

A Folha, cumprindo com a tendência já constatada no passado pelo ombudsman da época, Mário Magalhães, e confirmada neste sucinto balanço da semana, prefiriou a manchete:

Escolas de SP terão meta de desempenho individual

Objetivo é que as instituições paulistas atinjam até 2030 um padrão semelhante ao encontrado hoje nos países desenvolvidos

Relegando para uma obscura referência no corpo do artigo o resultado do Idesp, que constitui, a bem da verdade, a nota que a gestão tucana ganhou no quesito educação ao cabo de 13 anos de gestão: 1. (ver aqui no blog Folha de SP: uma vergonha!)

Por último, chama atenção também, o silêncio dos articulistas da Folha no trato do conjunto destes fatos. Nem respostas indignadas a Kassab, nem ironias sobre a educação tucana, nem grandes proclamações éticas ou filosóficas. Nem o niilismo tradicional.
Nada.
Silêncio nas fileiras.

Luis Favre

PS – A cobertura da campanha eleitoral pelo jornal Folha de São Paulo se anuncia mal. Muita parcialidade a serviço de um lado e isto não corresponde ao compromisso com o leitor, nem a ética jornalística e configura-se numa ruptura com a história da própria Folha de São Paulo.

Os demo-tucanos podem ganhar algo com isto, mas perde a democracia e o direito a uma informação equilibrada. Perde também a Folha de São Paulo.

11/05/2008 - 18:20h Ponte da Marta: recordar é viver

ponteinaugurada3.jpg

José Serra e Gilberto Kassab batizaram a ponte estaiada com o nome do dono e falecido fundador da Folha de São Paulo, Octavio Frias. Uma bela e justa homenagem a um jornalista respeitado. Como lembrou sua filha “Uma ponte é sempre a promessa de um encontro, de uma reunião, de uma convergência. Nesse sentido, o batismo dessa obra é uma homenagem apropriada para quem conheceu Octavio Frias de Oliveira. Meu pai era um homem de diálogo, que gostava de aproximar as pessoas umas das outras, que gostava de promover a reunião de pontos de vista diferentes. Ele próprio foi a ponte do que muitas pessoas eram para o que viriam a ser”.

Na festa da inauguração, onde foi convidado o ex-prefeito Paulo Maluf e não foi convidada a Ministra de Turismo Marta Suplicy, os discursos destacaram a importância da ponte para aliviar o trânsito, a sua beleza arquitetônica e a elegeram em coro o novo cartão postal da cidade.

Para José Serra “ela é um novo marco” para São Paulo. A Folha deu ampla cobertura ao evento destacando que “é a única no mundo em que duas plataformas estaiadas se sobrepõem”.

Ela é capa da Folha de hoje com uma linda foto legendada

Carros antigos desfilam na inauguração da ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira; maior obra da gestão do prefeito Gilberto Kassab

Carros antigos desfilam na inauguração da ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira; maior obra da gestão do prefeito Gilberto Kassab

Em um dos artigos sobre a ponte, a Folha explica:

“é a maior obra do governo do democrata Gilberto Kassab.

Ela foi concebida para desafogar o tráfego na marginal, fazer a ligação com a rodovia dos Imigrantes e se tornar um cartão-postal da cidade, com custo final de R$ 260 milhões. O arquiteto responsável é João Valente Filho.

A ponte pode se tornar um dos cartões-postais da cidade de São Paulo não só por suas luzes mutantes, mas por quatro aspectos de engenharia que a fazem única.

Segundo o engenheiro responsável pela obra, Catão Francisco Ribeiro, o ângulo de 60º, que faz com que a travessia ocorra em curva, é o maior entre as estaiadas do mundo, que costumam ter de 10º a 15º. Outro aspecto inédito é o formato do mastro, o “x” central que sustenta os estais.

A obra faz parte do complexo viário Real Parque e, segundo a Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), vai reduzir em até 45 minutos o tempo de viagem do motorista que usa a marginal para chegar a bairros da zona sul da cidade.”

Com tamanho entusiasmo, a Folha acabou esquecendo que a obra foi projetada como parte da operação urbana Água Espraiada pela administração Marta Suplicy (que estranhamente é citada quando a Folha fala do valor pago por Kassab pela obra). A Folha também esqueceu que em relação ao conjunto do projeto, que além da ponte incluía a construção de 8.500 moradias populares para as favelas do entorno, assim como a junção com a Imigrantes, desafogando a Av Bandeirante, só a ponte foi concluída após 4 anos da atual gestão. E a justiça teve que intervir para que os moradores da favela Real Parque não fossem despejados sem qualquer moradia, pela administração Kassab.

Esqueceram também de lembrar que orçada em R$147 milhões ela acabou custando o dobro e por ficar parada durante quase três anos, a prefeitura teve que pagar multa.

Em grande parte custeada pela venda do CEPAC, criado pela administração Marta Suplicy para arrecadar dinheiro sem utilizar o orçamento da cidade, a ponte é hoje sem dúvida um orgulho para todos.

Vale a pena ler os artigos a seguir, disponíveis na Folha online e apreciar as fotos da belezura entregue à cidade.

Aproveitem também para reler o editorial da Folha de São Paulo do 13 de maio de 2005, exatamente três anos antes da Ponte ser inaugurada. Ele figura no final desta nota.

Marta Suplicy mostrou-se visionária e determinada para vencer mais este desafio. Hoje estão extasiados e são unânimes em aplaudir. Quando leiam o editorial em questão verão que é só uma forma do “esqueçam o que eu escrevi”.

Luis Favre

L'image “http://farm4.static.flickr.com/3199/2472113949_14ccbefe4c_m.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.
Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira

da Folha de S.Paulo

Pontes são uma seara vasta e dinâmica para o mundo dos recordes, em que a ponte Octavio Frias de Oliveira, inaugurada neste sábado (10), também passa a figurar. Ela é a única do mundo em que duas plataformas estaiadas se sobrepõem, fazendo com que os cabos se entrelacem, e conta com o maior ângulo entre estaiadas, de 60º.

Por conta disso, a equipe responsável pela obra tem apresentado o projeto em alguns dos maiores congressos internacionais sobre pontes.

da Folha de S.Paulo

A ponte Octavio Frias de Oliveira pode se tornar um dos cartões-postais da cidade de São Paulo não só por suas luzes mutantes, mas por quatro aspectos de engenharia que a fazem única. Segundo o engenheiro responsável pela obra, Catão Francisco Ribeiro, o ângulo de 60º, que faz com que a travessia ocorra em curva, é o maior entre as estaiadas do mundo, que costumam ter de 10º a 15º.

Outro aspecto inédito é o formato do mastro, o ‘x’ central que sustenta os estais –estai é um termo náutico que denomina o cabo que segura a vela de um barco. Nascido de uma necessidade de engenharia, a forma foi aproveitada pelo arquiteto João Valente para marcar o visual da ponte.

A sobreposição de duas plataformas estaiadas também nunca havia sido feita. “Essa [ponte] foi complicadíssima do ponto de vista geométrico, porque os cabos não poderiam cruzar uns com os outros”, diz um dos maiores especialistas brasileiros no assunto, Augusto Carlos de Vasconcelos, da Divisão de Estrutura do Instituto de Engenharia e autor de “Pontes brasileiras: Viadutos e Passarelas Notáveis” (ed. Pini).

De acordo com Ribeiro, a execução foi como um bordado. As pontes sobrepostas tinham de ser construídas simultaneamente, para que uma contrabalanceasse a outra.

Por conta disso, o processo de construção também foi único: não era possível usar o rio nem as marginais para fazer o escoramento. Assim, a evolução das duas pontes ocorreu ao mesmo tempo.

Segundo Vasconcelos, as pontes estaiadas são uma evolução das pontes pênseis (ou suspensas), e a possibilidade de serem construídas parte por parte permite que a obra seja mais rápida e econômica.

“É muito mais difícil de ser calculada, mas, por outro lado, muito mais fácil de ser concluída”,
afirmou ele.

ponte_estaiada_iluminada21.jpg

São Paulo, sexta-feira, 13 de maio de 2005 EDITORIAL FOLHA DE SÃO PAULO

PROJETO EXTRAVAGANTE

É acertada a decisão do prefeito José Serra (PSDB) de retomar as obras que ligam as avenidas Jornalista Roberto Marinho (antiga Água Espraiada) e a marginal Pinheiros, deixando de lado a construção de duas pontes sobre o rio Pinheiros, na zona sul da cidade, previstas no projeto original aprovado pela administração da ex-prefeita Marta Suplicy. A justificativa apresentada por José Serra é que a construção dessas pontes estaiadas (suspensas por cabos de aço) encareceria desnecessariamente a obra.
A cautela e a mudança do projeto original são procedentes. Com as pontes endossadas por Marta, toda a empreitada custaria nada menos que R$ 147 milhões. Sem elas, o custo total -que inclui outras alterações na malha viária, além da construção das alças- cai para R$ 85 milhões.
É duvidoso, ademais, que a venda em leilões dos Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção), títulos que dão direito de construir além dos limites estabelecidos em certas áreas da cidade, possa gerar recursos suficientes para arcar com as despesas previstas inicialmente no projeto. No ano passado, os leilões desses papéis, realizados para angariar fundos para a construção das pontes, não conseguiram amealhar mais do que R$ 35 milhões, soma muito aquém da estimada para a conclusão das obras.
Além de cara, a construção dessas pontes suspensas está longe de ser uma prioridade para aquela área da cidade. A ligação da avenida Roberto Marinho com a marginal Pinheiros pode continuar a ser feita, sem maiores transtornos, através de duas outras pontes já existentes a apenas 800 metros do local. Essa circunstância, aliás, torna ainda mais extravagante -e suspeito- o projeto deixado pela gestão petista, para o qual, até aqui, não foram apresentadas justificativas convincentes.

10/05/2008 - 14:36h Serra, Kassab e Maluf inauguram ponte da Marta. Ela não foi convidada

L'image “http://farm4.static.flickr.com/3199/2472113949_14ccbefe4c_m.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.ponte_estaiada_iluminada21.jpg
Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira

A ponte estaiada foi inaugurada hoje. Planejada, projetada, licitada e iniciada pela prefeita Marta Suplicy a ponte foi atacada duramente pelos tucanos que hoje a inauguraram. Presente na cerimônia o senador Eduardo Suplicy estranhou que nenhuma menção fosse feita a atual Ministra do Turismo.

A indignação do senador é mais justificada ainda que a ponte, acusada de obra cara, por incompetência da atual administração custou aos cofres públicos o dobro. Prevista para ser concluída há três anos a obra foi paralisada pelos demos-tucanos e usada para fazer campanha de politicagem contra a administração petista.

Nenhuma palavra sobre estes fatos, nem sobre as graves denuncias sobre o uso do CEPAC, filtraram na Folha de São Paulo de hoje. A maioria destes dados estão fartamente mostrados no jornal O Estado de São Paulo, também de hoje e reproduzidos neste blog. Como já existe o precedente de terem sonegado a foto do palanque de Serra, Kassab e Quercia; a foto de Serra, Kassab e Maluf provavelmente também sumirá da mídia quando falará do show de hoje.

Mesmo assim e apesar deles, São Paulo ganhou um novo cartão postal. O esforço e a determinação de Marta Suplicy permitiram que está obra seja realizada. São Paulo esta de parabéns. LF

10/05/2008 - 07:37h Com 3 anos de atraso e R$ 113 mi a mais, Ponte Estaiada é inaugurada

Novo cartão-postal da cidade receberá cerca de 4 mil carros por hora em cada pista, segundo a Prefeitura

ponte_estaiada12.jpg
Com Serra-Kassab o projeto original costou o dobro e demorou 3 anos a mais

Diego Zanchetta e Vitor Hugo Brandalise – O ESTADO DE SÃO PAULO

Com três anos de atraso e R$ 113 milhões mais cara, a Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, no Brooklin, zona sul, será inaugurada hoje, às 11 horas. A expectativa é de que a obra desafogue o tráfego nas principais avenidas da região – embora ainda com efeito reduzido, enquanto o restante do projeto viário previsto para o local não estiver pronto. A obra, que começou em outubro de 2003, já consumiu R$ 260 milhões – falta ainda uma praça, com 520 árvores, a ser construída entre a Avenida Luiz Carlos Berrini e a Marginal do Pinheiros. A licitação do projeto, de 2002, vencida pela empreiteira OAS, previa gastos de R$ 146,9 milhões e conclusão do projeto no final de 2005.

Quando assumiu a Prefeitura, o hoje governador José Serra (PSDB) criticou os custos da obra. A opção pela manutenção do contrato com a OAS só foi feita porque a indenização à empreiteira, em caso de rompimento, seria de R$ 150 milhões. Nos últimos dois anos, contudo, o plano original da construção passou por incrementos. Houve um aditamento de R$ 36,6 milhões no contrato e uma nova licitação, também vencida pela OAS, de R$ 70 milhões, para o remanejamento da rede elétrica que cruzava a estrutura. “O projeto não encareceu, o que ocorreram foram aditamentos normais”, diz o gerente de obras da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), Norberto Duran.

Urbanistas e o Ministério Público reclamam que parte do dinheiro usado na construção, cerca de R$ 130 milhões, vieram da Operação Urbana Água Espraiada. Esse valor, segundo a promotora Claudia Beré, deveria ter sido investido em melhorias para os moradores da favela do Jardim Edite, área considerada Zona Especial de Interesse Social (Zeis).

A nova ponte receberá cerca de 4 mil carros por hora em cada pista e permitirá acesso direto da Avenida Jornalista Roberto Marinho à Marginal do Pinheiros, sentido Interlagos, à zona oeste e ao centro. Segundo Norberto Duran, os principais benefícios serão sentidos na Ponte do Morumbi – por onde circulam cerca de 7 mil veículos por hora – e no cruzamento entre as Avenidas Berrini e Roberto Marinho.

Especialistas alertam, porém, que a nova ponte pode transferir os congestionamentos que hoje ocorrem na marginal para a Roberto Marinho. O gerente da Emurb admite que, sozinha, a ponte não é solução. “A ponte trará uma rota opcional ao Aeroporto de Congonhas, desafogando a Avenida dos Bandeirantes, mas algo próximo do ideal será conseguido com a construção de todo o projeto viário”, afirma Duran. Ele se refere ao prolongamento de 4,5 km da Roberto Marinho até a Rodovia dos Imigrantes – por meio de um túnel -, cujo projeto está em fase final de execução. A previsão, segundo o prefeito Gilberto Kassab (DEM), é de que todo o projeto viário esteja pronto em seis anos.

10/05/2008 - 07:15h Operação Água Espraiada

Editorial do jornal O Estado de São Paulo elogia a capacidade de planejamento e os benefícios para a cidade de São Paulo da administração Marta Suplicy no que concerne as operações urbanas, particularmente a de Água Espraiada, incluída a ponte estaiada, os projetos de moradia, do verde e viário. Ignora as graves acusações do vereador Donato sobre manipulação dos CEPAC’s pela atual administração e nem uma palavra sobre o aumento em quase 100% do preço da ponte.

ponte_estaiada_iluminada.jpg
A ponte da Marta foi criticada e agora virou o novo cartão postal da cidade

EDITORIAL O ESTADO DE SÃO PAULO

A primeira fase da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada será concluída hoje com a inauguração da Ponte Octavio Frias de Oliveira, no Brooklin, zona sul, sobre o Rio Pinheiros. As etapas seguintes do projeto prevêem a extensão da Avenida Jornalista Roberto Marinho até a Avenida Pedro Bueno e, depois, a ligação desse eixo, por um túnel, com a Rodovia dos Imigrantes. Essas obras contribuirão para desafogar a sempre superlotada Avenida dos Bandeirantes. Além disso, favelas deverão ser substituídas por conjuntos de moradias populares e haverá uma linha de veículos leves sobre trilhos (VLT), além de um parque com 40 mil metros quadrados de área verde. A idéia é que se fixem na região pólos de moradia, emprego, lazer e serviços públicos, para evitar o deslocamento dos moradores.

As obras são financiadas, em grande parte, com recursos dos leilões de venda de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos oferecidos pela Prefeitura como forma de antecipação de recursos, autorizando, em troca, o investidor a construir imóveis acima do índice permitido na região da operação urbana. O prolongamento da Avenida Roberto Marinho até a Rodovia dos Imigrantes, que liga a capital à Baixada Santista, será feito com recursos do Estado e da Prefeitura, que já assinaram um termo de parceria.

A venda de 449,3 mil Cepacs, desde 2004, rendeu um total de R$ 172,8 milhões. De acordo com a legislação que instituiu a Operação Urbana Consorciada Água Espraiada, esses recursos só podem ser aplicados em obras que integram o plano para aquela região. A emissão total autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é de 3,7 milhões de títulos, totalizando cerca de R$ 1,1 bilhão.

O projeto da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada foi desenvolvido durante a administração de Marta Suplicy, pelo ex-secretário de Planejamento Jorge Wilheim, autor de outros planos semelhantes para o ordenamento urbano de São Paulo. São instrumentos previstos no Estatuto das Cidades e no Plano Diretor Estratégico de São Paulo para serem utilizados pela administração municipal em projetos de mudanças urbanísticas e estruturais, assegurando melhorias sociais e valorização ambiental.

A administração Serra/Kassab herdou, já prontos, os projetos das Operações Água Branca, Vila Maria, Rio Verde-Jacu Pêssego, Diagonal Sul, Água Espraiada, pólo Sul, Vila Sônia, Vila Leopoldina e Diagonal Norte. Concentrou esforços, no entanto, apenas na melhoria substancial do chamado eixo do Brooklin. Estima-se que, se todas as operações fossem realizadas no ritmo ideal, o conjunto delas poderia, no prazo de 30 anos, resolver grande parte dos principais problemas urbanos da capital.

Embora discutidas há décadas, as Operações Urbanas mereceram pouca atenção dos administradores e só serviram para interesses de pequenos grupos. Uma das mais polêmicas foi a Operação Urbana Faria Lima, iniciada na administração Paulo Maluf e que teve seus recursos desviados para outros fins. As melhorias previstas para a região se limitaram à ampliação da própria avenida e a algumas reformas do sistema viário. Conforme relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito realizada pela Câmara Municipal, houve irregularidades em 30% dos empreendimentos realizados no eixo da Avenida Faria Lima.

O projeto da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada contém diretrizes para a efetiva melhoria da região: infra-estrutura completa, uso misto dos imóveis (evitando que se forme um novo bairro-dormitório), respeito ao meio ambiente e valorização da paisagem urbana.

A Ponte Octavio Frias de Oliveira, que começou a ser construída em 2003, liga a zona oeste à zona sul da cidade por meio de duas pistas de 900 metros de extensão, suspensas por 144 estais (cabos de sustentação). Por ela podem circular até 4 mil veículos por hora, reduzindo em até 45 minutos o tempo de viagem entre a zona oeste e a zona sul. Seu custo foi de R$ 260 milhões.

09/05/2008 - 14:10h Gravíssima acusação do Vereador Donato sobre possivel fraude na prefeitura de São Paulo

Nota à imprensa do vereador Donato (PT)

donato2.jpgVereador Donato denunciou hoje (08/05/2008) na Tribuna da Câmara escândalo com CEPAC´s, da Operação Urbana Água Espraiada, que financiam a construção da Ponte Estaiada a ser inaugurada no próximo dia 10 de maio.

Maiores informações com o Vereador Donato no telefone: 9117-5122

Segue abaixo a taquigrafia da denúncia efetuada pelo Vereador:

O SR. DONATO (PT) – (Sem revisão do orador) – Muito obrigado, Sr. Presidente. Queria cumprimentar os alunos da Sérgio Milliet.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Vereadores, telespectadores da TV Câmara São Paulo, gostaria de falar sobre um evento importante que vai acontecer na cidade, sábado, dia 10 de maio, a inauguração da Ponte Estaiada, ali na Avenida Águas Espraiadas, atual Avenida Roberto Marinho.
No início desta gestão, essa obra foi qualificada como uma obra faustosa, dispendiosa, que seria um dinheiro jogado fora – qualificação esta dada pelo então Prefeito José Serra. Essa obra foi licitada, no Governo da Prefeita Marta Suplicy, por 146 milhões de reais, Sr. Presidente. Hoje, ela já consumiu 275 milhões de reais – e sou capaz de apostar que ela vai passar dos 300 milhões de reais, mais do que o dobro, a tal da obra faustosa. Se era faustosa com 146 milhões de reais, imaginem com 300 milhões de reais.
É uma obra importante para a cidade, fruto da Operação Urbana Água Espraiada. É um marco urbanístico e arquitetônico, e uma referência para a cidade. Ocorre que ela está repleta de irregularidades. Faço aqui uma denúncia muito grave, tanto que estou protocolando um pedido de abertura de uma CPI, em função dessa denúncia.
Cepacs são títulos de potencial construtivo, para se construir além do limite definido pelo zoneamento, constituindo um fundo, para serem financiadas as obras previstas nas operações urbanas. De outubro do ano passado a janeiro deste ano, foram desembolsados 40 milhões de reais, em Cepacs, para se pagar a OAS que constrói a ponte. O valor de face do Cepac é de 411 reais, nobre Vereador Zelão.
Em janeiro, quando foi feita a última colocação privada deste título, para se pagar a OAS, o valor de face era de 411 reais, repito. Em fevereiro, em menos de um mês depois dessa última colocação privada, foi feito um leilão de Cepacs, promovido pela Emurb.
Srs. Vereadores, sabem quanto foi o valor de face do título? Mil e cem reais. Esse foi o valor comercializado no mercado. Então, 40 milhões de reais transformaram-se em 110 milhões de reais, em apenas um mês. A Prefeitura deixou de receber 70 milhões de reais, numa operação absolutamente obscura, porque, segundo notícias, a OAS recebeu o título e repassou para uma grande incorporadora, a Even, que tem muitos terrenos na área da Operação Urbana Água Espraiada. Se ela fosse comprar esses títulos, no mercado, pagaria 110 milhões de reais. Ocorre que ela comprou direto da OAS, que recebeu, diretamente, da Emurb, por 40 milhões de reais. Houve 70 milhões de reais de prejuízo, repito.
Não é o caso de uma tapioca, mas sim de milhões, para quem gosta; para o PSDB, que gosta de investigar tapiocas. Não investigam o metrô com a Alston. Houve 7,5 milhões de dólares de propina. Isso não foi confirmado por nenhuma CPI, na Assembléia Legislativa, pois lá não deixam abrir. Esses dados foram confirmados pela Polícia da Suíça, que investiga a Alston. Ao fazerem isso, descobriram corrupção no Brasil. No Governo de quem? Do PSDB, do ex-Governador Geraldo Alckmin.
Em São Paulo, houve um novo escândalo, de proporções semelhantes. Setenta milhões de reais vão, da noite para o dia, para outras mãos. A Prefeitura deixou de receber esse dinheiro, o qual foi apropriado por uma empresa privada.
Da mesma forma, temos de investigar a Operação Urbana Faria Lima. Parece que há mecanismos semelhantes, por meio de repasse para empreiteiras, numa triangulação com uma incorporadora, quando são comprados títulos abaixo do preço de mercado. Por isso, estou pedindo a realização de abertura de uma CPI, referente aos Cepacs, para irmos, a fundo, nessa história. Vou também representar ao Ministério Público, porque tudo isso parece ser um escândalo. Isso acontece, às vésperas da inauguração da Ponte Estaiada, a ponte faustosa, expressão usada pelo ex-prefeito José Serra, que custou o dobro do preço, na gestão dos Democratas e Tucanos.
Os Srs Gilberto Kassab, Prefeito do município de São Paulo, e Geraldo Alckmin querem administram nossa cidade, mas não sabem fazer uso decente do dinheiro público. Isso está demonstrado, no escândalo do metrô e no escândalo da Ponte Estaiada.
Muito obrigado, Sr. Presidente.

Vereador Donato (PT) 

03/05/2008 - 09:53h Obras planejadas por Marta Suplicy 5 anos atrás, são deixadas por Kassab para a próxima administração

Kassab anuncia a revitalização do entorno da ponte estaiada


Obras de operação urbana incluem conjuntos habitacionais e devem ser concluídas em 6 anos

ponte_estaiada.jpg
Ponte da Marta foi concluida com atraso e com custo 25% superior. O resto da operação urbana planejada por Marta não saiu do papel

Camilla Rigi – O Estado de São Paulo

Depois da construção da Ponte Octavio Frias de Oliveira, na zona sul, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou ontem o início da segunda etapa da Operação Urbana Água Espraiada, com a abertura da licitação para o prolongamento do primeiro trecho da Avenida Roberto Marinho e a construção de três conjuntos habitacionais na região. “É um projeto para ser instalado ao longo dos próximos seis anos”, afirmou o prefeito, durante a última vistoria da ponte estaiada, que deve ser inaugurada no dia 10.

Segundo o secretário Municipal de Infra-Estrutura Urbana e presidente da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), Marcelo Cardinale Branco, o objetivo é iniciar a ampliação da Roberto Marinho até a Avenida Pedro Bueno ainda este ano. O custo para a execução do trecho de 400 metros é de R$ 35 milhões. Está prevista também a canalização de um córrego que passa pelo local. A Pedro Bueno passa pelos fundos do Aeroporto de Congonhas e vai até o Viaduto Jabaquara, que dá acesso à Avenida dos Bandeirantes.

Paralelamente, a Secretaria Municipal de Habitação, em parceria com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Estado, vai iniciar a licitação para as obras de três conjuntos de moradias populares. No total, serão construídas 1.016 unidades habitacionais para abrigar as famílias que moram no Jardim Edite – ao lado da ponte estaiada, na Favela do Buraco Quente – junto à Avenida Washington Luís e outra comunidade próxima da Rua Corruíras. “Essas famílias estão em áreas degradadas e nós vamos cuidar disso”, disse Branco.

De acordo com o secretário Municipal de Habitação, Orlando Almeida, cada unidade habitacional está orçada em cerca de R$ 50 mil. Um dos conjuntos, o Jardim Edite, será construído em área municipal, enquanto os outros dois ficarão em terrenos que pertencem ao governo estadual. “São projetos que estão entrando em licitação. Pretendemos, com a obra, entregar as unidades habitacionais”, afirmou Almeida. A estimativa é que cada conjunto seja concluído em 24 meses, a partir do início da construção.

Parte do dinheiro para as obras deve sair da verba conseguida com a venda de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). Os compradores podem utilizar os títulos para construir imóveis acima do coeficiente construtivo permitido.

A Operação Urbana Água Espraiada foi criada em 2002, na gestão de Marta Suplicy (PT). Na época, o projeto urbanístico previa a construção de 8,5 mil moradias populares ao longo de toda a área que faz parte da operação.

SEM PRAZO

O projeto da Prefeitura para revitalizar a região inclui também o prolongamento da Roberto Marinho até a Rodovia dos Imigrantes e a criação de parques e praças. Para isso, Kassab informou que a intenção é fazer um túnel, partindo da Avenida Pedro Bueno, que faria uma ligação direta até a rodovia. O projeto está em fase de elaboração e conta com a parceria da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa). O valor para este trecho ainda não foi calculado, pois depende de desapropriações.

Na superfície do túnel, o prefeito quer construir parques e praças, aumentando as áreas verdes da região. “Já fizemos a primeira desapropriação, que é a do Clube do Chuvisco. São três quadras, no final dessa primeira etapa da Roberto Marinho”, adiantou Branco. O secretário disse que estuda, com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, a possibilidade de fazer um parque linear ao longo da extensão da Roberto Marinho.

O projeto original da operação urbana não previa a construção de nenhum túnel. O prolongamento da avenida seria todo em nível até a rodovia.

PONTE

A construção da ponte estaiada foi a primeira etapa da operação urbana. Só nesta obra, a Prefeitura gastou R$ 233 milhões. Segundo Branco, 70% desse valor foi pago com a arrecadação dos Cepacs e os outros 30% saíram do orçamento. “Será o novo cartão-postal da cidade”, reafirmou Kassab.

09/02/2008 - 12:06h Túneis, eleições e mídia.

por Antonio Donato*

donato.jpgO jornal O Estado de São Paulo publica hoje diversos artigos sobre obras viárias na região da Faria Lima. Precisamente onde foram construidos os túneis tão vilipendiados nas eleições múnicipais quatro anos atrás.

Os túneis sob a Avenida Faria Lima foram um dos principais temas pautados pelo PSDB na campanha eleitoral passada. Taxados de eleitoreiros, porque realizados no ano eleitoral, inúteis do ponto de vista do tráfego, superfaturados, realizados em região rica, e por fim, que os recursos seriam melhor aplicados na educação. Todos esses argumentos foram abraçados pela grande mídia paulistana como verdadeiros e definitivos, contribuindo com a estratégia tucana. De fato, os argumentos se constituem numa aula de como desinformar a população. Senão vejamos:

A Operação Faria Lima aprovada na gestão Maluf , prevê que no perímetro da operação urbana (que a grosso modo acompanha toda a Avenida Faria Lima, no trecho entre a Marginal Pinheiros e um quarteirão acima da própria Faria Lima) todos os empreendimentos que forem construídos com uma taxa de ocupação superior ao permitido deverão adquirir CEPACs (Certificados de Potencial Adicional Construtivos) que constituirão um fundo para realização de obras, prioritariamente viárias, no perímetro da Operação. Ora, portanto o dinheiro existente na conta da operação urbana Faria Lima não pode ser usado fora dela na periferia ou na educação. A atual administração projeta agora um túnel na mesma região, mostrando a falácia de pelo menos dois dos principais argumentos.

Os estudos para a realização dos túneis foram realizados pelos técnicos da CET, de carreira, que lá estavam antes da prefeita Marta assumir e que continuam agora e são claros quando dizem que os túneis não podem resolver todos os problemas do trânsito na região, mas teríamos uma situação muito pior sem eles, tanto para os automóveis, como para os pedestres e principalmente para os usuários do transporte coletivo que ganharam um corredor de ônibus que deu velocidade ao sistema. Transporte público como prioridade , que foi marca da gestão passada, ainda mais com as conseqüências graves para o aquecimento global, do péssimo transito na cidade.

O custo dos túneis foi um dos argumentos de ataque brandidos pelo então candidato José Serra, e depois pelo mesmo quando se tornou prefeito. Até uma suposta auditoria feita pela corregedoria, criada pelo prefeito, recomendando o cancelamento do contrato, serviu para os objetivos de sempre, produzir manchetes para sujar reputações com falsas insinuações.

Depois constatamos que a Emurb (Empresa Municipal de Urbanização, com a diretoria toda nomeada pelo prefeito) recusou-se a cancelar os contratos, e para tanto contratou (com recursos públicos , é claro) um parecer para sustentar a legalidade dos mesmos. Nem seria necessário, pois o próprio Tribunal de Contas do Município já havia consagrado a legalidade dos contratos e da execução da obra. E agora, ao apagar das luzes do ano passado, em meio às festas natalinas, ficamos sabendo que as Empreiteiras receberam não só o valor devido, cerca de 72 milhões, mas sim cerca de 100 milhões de reais. Quase 28 milhões de reais a mais do previsto. Curioso. As obras não eram superfaturadas? Não eram, mas agora já são 28 milhões mais caras.

Da diretoria da Emurb, faz parte uma notória opositora dos túneis. A Senhora Regina Monteiro, que presidia a entidade Defenda São Paulo e junto com a Senhora Fernanda Bandeira de Melo, da auto denominada ONG Rebouças Viva (que logo em seguida tornou-se funcionária do Governo Municipal. Aparelhismo? Claro que não, isso só existe em Brasília), promoveram uma série de representações ao Ministério Público que impediram que as obras se iniciassem em 2003, empurrando a construção para um ano eleitoral. Um governo é eleito para governar 4 anos e a principio não existem problemas que se iniciem obras no último ano, tanto que o Prefeito Kassab anuncia a retomada do Boulevard JK, licitado ainda pelo prefeito Jânio Quadros, obra a ser realizada pela Construtora Camargo Correia, que curiosamente tem projetado um grande empreendimento no seu terreno na…Avenida Juscelino Kubitchek, que surpresa!!! Nada como ganhar duas vezes por ação de um governo austero…Cômico ou trágico? Sem dúvida trágico.

*Antonio Donato, vereador pelo PT em São Paulo.

09/02/2008 - 04:32h Demagogia demo-tucana com ruptura de contratos em túneis, custou 27 milhões a Prefeitura de São Paulo

Fotos Fernando Moraes-Túnel Max Feffer

Kassab paga túneis polêmicos para iniciar obra de bulevar na Juscelino

Prefeitura começa em 5 meses projeto que vai unir passagens subterrâneas, que deve estar concluído em meados de 2009

Bruno Paes Manso – O Estado de São Paulo

Depois de denunciar irregularidades e ameaçar anular os contratos dos Túneis Max Feffer e Fernando Vieira de Mello, que passam sob a Avenida Faria Lima, a gestão Gilberto Kassab quitou, de uma só vez, a dívida de R$ 99,4 milhões com as empreiteiras CBPO e Queiroz Galvão – responsáveis pelas obras, feitas no último ano da gestão Marta Suplicy (PT). Com isso, abriu caminho, no ano eleitoral, para uma nova obra viária na região da Faria Lima, que vai transformar a Avenida Juscelino Kubitschek no Bulevar JK.

(mais…)