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	<title>Blog do Favre &#187; cérebro</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Sonhos são exercício para o cérebro</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 16:55:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Benedict Carey






Visões durante o sono podem servir de aquecimento




Os sonhos são tão férteis e parecem tão autênticos que os cientistas presumem há muito tempo que eles devem ter uma finalidade psicológica crucial. Para Freud, os sonhos funcionam como campo de atividade da mente inconsciente; para Jung, o sonho é um estágio em que os arquétipos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-16640" title="newyorktimes_folha" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/newyorktimes_folha2.gif" alt="newyorktimes_folha" width="200" height="18" /></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Benedict Carey</strong></span></p>
<p><span style="font-size: large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<table style="height: 87px;" border="0" width="482">
<tbody>
<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /><span style="font-size: x-large;"><strong><em>Visões durante o sono podem servir de aquecimento</em></strong></span></p>
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Os sonhos são tão férteis e parecem tão autênticos que os cientistas presumem há muito tempo que eles devem ter uma finalidade psicológica crucial. Para Freud, os sonhos funcionam como campo de atividade da mente inconsciente; para Jung, o sonho é um estágio em que os arquétipos da psique representam temas primais. Teorias mais recentes afirmam que os sonhos ajudam o cérebro a consolidar memórias emocionais ou a trabalhar problemas atuais, como um divórcio ou frustrações no trabalho.<br />
Mas o que dizer da hipótese de que o objetivo principal dos sonhos não é de natureza psicológica?<br />
Em artigo recente no periódico &#8220;Nature Reviews Neuroscience&#8221;, o psiquiatra J. Allan Hobson, que pesquisa o sono na Universidade Harvard, argumenta que a função principal do sono REM (caracterizado por movimentos rápidos dos olhos) é de natureza fisiológica. O cérebro está aquecendo seus circuitos, preparando-se para as visões, os sons e as emoções do estado desperto.<br />
&#8220;Isso ajuda a explicar muitas coisas, como o porquê de as pessoas esquecerem tantos sonhos&#8221;, disse Hobson. &#8220;É como praticar corrida; o corpo não se recorda de cada passo dado, mas sabe que se exercitou. Ele foi aquecido e afinado. A ideia aqui é a mesma: os sonhos afinam a mente, preparando-a para a consciência desperta.&#8221;<br />
Hobson argumenta que o sonhar é um estado de consciência paralela que opera continuamente, mas que costuma ser suprimido durante a vigília.<br />
&#8220;A maioria [dos estudiosos] parte de ideias psicológicas previamente determinadas e tenta fazer os sonhos se encaixar nessas ideias&#8221;, disse Mark Mahowald, neurologista e diretor do programa de desordens do sono do Centro Médico Hennepin County, em Minneapolis (EUA). &#8220;O que me agrada nesse novo artigo é que ele não parte de nenhuma premissa prévia sobre a função dos sonhos.&#8221;<br />
O sono REM parece ser um desenvolvimento recente, em termos evolutivos; ele é perceptível em humanos, outros mamíferos e pássaros. E estudos sugerem que o sono REM aparece em fase muito precoce da vida: no caso dos humanos, no terceiro trimestre de vida do feto.<br />
Cientistas encontraram em estudos evidências de que a atividade REM ajuda o cérebro a construir conexões neurais, especialmente em suas áreas visuais. O feto em desenvolvimento pode estar &#8220;vendo&#8221; algo, em termos de atividade cerebral, muito antes de seus olhos se abrirem.<br />
Algumas pessoas são capazes de assistir a seus próprios sonhos como observadoras, sem despertarem. Conhecido como sonhar lúcido, esse estado de consciência é em si um mistério. Mas é um fenômeno real, e Hobson encontra nele um argumento forte em favor de sua tese de que os sonhos serviriam como aquecimento fisiológico.<br />
Em estudo publicado em setembro no períodico &#8220;Sleep&#8221;, Ursula Voss, de Frankfurt, liderou uma equipe que analisou ondas cerebrais durante o sono REM, a vigília e o sonho lúcido. O estudo constatou que o estado de sonho lúcido possui elementos do sono REM e da vigília -especialmente nas áreas frontais do cérebro, que ficam inativas durante o sonhar normal. Hobson foi coautor do artigo.<br />
&#8220;Vemos esse cérebro dividido em ação&#8221;, disse ele. &#8220;Isso me diz que existem esses dois sistemas e que eles podem, de fato, estar em ação ao mesmo tempo.&#8221;<br />
Ainda falta muito para os pesquisadores poderem confirmar essa hipótese. Mas os benefícios disso podem ir além de uma compreensão mais profunda do cérebro adormecido. Os esquizofrênicos sofrem alucinações de origem desconhecida. Hobson sugere que esses voos da imaginação possam estar relacionados à ativação anormal da consciência sonhadora. Como disse Jung: &#8220;Deixe o sonhador despertar, e você verá uma psicose&#8221;.</p>
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		<title>Berço e criação</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 21:57:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIÊNCIA]]></category>
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		<description><![CDATA[+Marcelo Leite &#8211; Folha SP






Determinismo genético saiu de moda na academia 




Saí do berço ouvindo que quem  herda não furta. Pode-se entender o provérbio em sentido jurídico, mas o contexto sempre apontava  outra coisa: não é crime parecer-se  com alguém. Algo como, para ficar nos  provérbios, &#8220;quem puxa aos seus não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;"><span style="font-size: xx-large;"><strong><span style="color: #000080; font-size: xx-large;">+Marcelo Leite &#8211; Folha SP</span></strong></span></span></h2>
<p><span style="font-size: large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<table style="height: 98px;" border="0" width="500">
<tbody>
<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /><strong><span style="font-size: large;"><em>Determinismo genético saiu de moda na academia </em></span></strong><br />
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Saí do berço ouvindo que quem  herda não furta. Pode-se entender o provérbio em sentido jurídico, mas o contexto sempre apontava  outra coisa: não é crime parecer-se  com alguém. Algo como, para ficar nos  provérbios, &#8220;quem puxa aos seus não  degenera&#8221;.<br />
A biologia é obcecada com o sentido  desse verbo, &#8220;herdar&#8221;. Debate-se há  séculos quanto de nossas disposições  gerais, em especial de temperamento,  são &#8220;causadas&#8221; por fatores herdados.  Para muita gente, isso significa deixar  de ter responsabilidade pelo que são, e  até pelo que fazem.<br />
A partir do século 20, o problema foi  enquadrado na moldura dos genes.  Começou-se a falar em genética do  comportamento, da violência, da  orientação sexual etc. Assim como o  escorpião da fábula explicou ao sapo  que ferroá-lo estava em sua natureza,  há quem acredite safar-se alegando:  &#8220;Está no meu DNA&#8221;.<br />
É a velha questão &#8220;nature X nurture&#8221;, que traduzo livremente do inglês  como berço X criação. A genética, turbinada pelo Projeto Genoma Humano, teria resolvido o dilema em favor  do primeiro termo. Até os anos 1980,  houve certo predomínio da psicologia  (ambiente, ou criação), logo substituída por explicações &#8220;mais científicas&#8221;,  genéticas (natureza, ou berço).<br />
Esse determinismo genético saiu de  moda há anos, na intimidade do meio  científico, mas tem apelo irresistível  no público e é tolerado por pesquisadores. Caiu em desuso técnico porque  é falacioso. Seu defeito está em confundir &#8220;genético&#8221; com &#8220;hereditário&#8221;  ou &#8220;inato&#8221;, pois nem tudo que afeta os  genes ocorre antes do nascimento.<br />
Mais um estudo que põe essa dicotomia em xeque foi publicado eletronicamente pelo periódico científico  &#8220;Nature Neuroscience&#8221; na semana  passada. Chris Murgatroyd, pesquisador do Instituto Max Planck de Psiquiatria, de Munique, mostrou que  experiências traumatizantes na primeira infância podem deixar marcas  duradouras na fisiologia e no comportamento que nada têm a ver com o  conteúdo dos genes, mas sim com a  expressão desse conteúdo.<br />
É o que se chama de epigenética,  anotações que a experiência vivida  deixa no genoma. Elas sinalizam quais  genes do acervo de mais de 20 mil podem e devem ser usados em cada circunstância. O grupo de Murgatroyd  investigou em camundongos o efeito  de estresse em filhotes separados da  mãe três horas por dia nos primeiros  dez dias de vida.<br />
A equipe descobriu que, já adultos,  os roedores estressados quando filhotes tinham níveis elevados de um hormônio, a vasopressina, associado com  o humor e, em humanos, com a química da depressão. Viu, ainda, que esse  aumento decorre de marcas indeléveis deixadas no DNA.  É óbvio que o mecanismo pode não  ser o mesmo em seres humanos, mas é  difícil de acreditar que não haja coisas  similares agindo dentro de nós. Somos o resultado não só do que está em  nossos genes, mas também do que se  superpõe a eles. Nem berço nem criação, mas berço-e-criação.<br />
Essa visão menos determinista nos  convida a investigar, ponderar e influir tanto no que está no DNA quanto  no modo como criamos nossos filhos e  jovens e como tratamos a nós próprios. Como já foi dito, somos o que fizermos do que fizeram de nós.  Incrível: descobri no Google que o  imortal Walter Franco tem uma música intitulada &#8220;Quem Puxa aos Seus  Não Degenera&#8221;. Nela se encontra a seguinte estrofe, que talvez nos inspire a  ser mais tolerantes com as feras criadas por aí: &#8220;Daí meu pai disse / Meu filho, espera / A inocência que há / No  olhar da fera&#8221;.</p>
<hr size="1" noshade="noshade" /><span> <strong>MARCELO LEITE</strong> é autor de &#8220;Darwin&#8221; (série Folha Explica,  Publifolha, 2009) e &#8220;Ciência &#8211; Use com Cuidado&#8221; (Editora  da Unicamp, 2008). Blog: Ciência em Dia (<strong> <a href="http://cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br/">cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br</a></strong> ).  E-mail: <strong><a href="mailto:cienciaemdia.folha@uol.com.br">cienciaemdia.folha@uol.com.br</a></strong></span></p>
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		<title>Diante de pais intoleráveis, o melhor é abandoná-los</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 20:29:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
ENSAIO
RICHARD A. FRIEDMAN,
MÉDICO


Deixar de lado um vínculo daninho pode ajudar a preservar a saúde mental
Uma pessoa pode se divorciar de um cônjuge abusivo. Mas o que fazer se a fonte  do sofrimento são os seus pais?
É claro que os pais não são perfeitos. Mas, da mesma maneira que existem pais  comuns e bons [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-15850" title="newyorktimes_folha" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/newyorktimes_folha1.gif" alt="newyorktimes_folha" width="200" height="18" /></p>
<p><span style="font-size: xx-large;"><strong><span style="color: #000080;">ENSAIO</span></strong></span></p>
<p><strong>RICHARD A. FRIEDMAN,<br />
MÉDICO</strong></p>
<p><span style="font-size: large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<p><strong>Deixar de lado um vínculo daninho pode ajudar a preservar a saúde mental</strong></p>
<p>Uma pessoa pode se divorciar de um cônjuge abusivo. Mas o que fazer se a fonte  do sofrimento são os seus pais?<br />
É claro que os pais não são perfeitos. Mas, da mesma maneira que existem pais  comuns e bons em suas funções que misteriosamente geram filhos difíceis, há  algumas pessoas boas que sofrem o azar de terem pais intoleráveis.<br />
O assunto recebe pouca, se alguma, atenção nos manuais da disciplina ou na  literatura psiquiátrica, talvez como reflexo da concepção comum, e errônea, de  que os adultos, diferentemente das crianças e dos idosos, não estão vulneráveis  a esses abusos emocionais.<br />
Acredito que os terapeutas sintam inclinação demasiada a tentar salvar  relacionamentos, mesmo aqueles que podem ser prejudiciais a um paciente. Em  lugar disso, é crucial que tenham a mente aberta e considerem se manter aquele  relacionamento é realmente saudável e desejável.<br />
Da mesma forma, a suposição de que os pais estão predispostos a amar os filhos  incondicionalmente não é universalmente verdadeira. Lembro-me de um paciente, um  homem de 20 e poucos anos, que me procurou por sofrer de depressão e graves  problemas de autoestima.<br />
Não demorei a descobrir o motivo. Ele havia recentemente assumido sua  homossexualidade diante dos pais, profundamente religiosos, cuja reação foi  repudiá-lo. Posteriormente, em um jantar de família, seu pai o chamou para uma  conversa reservada e disse que teria sido melhor que ele, e não seu irmão mais  novo, tivesse morrido em um acidente de carro anos antes.<br />
Apesar de terrivelmente magoado e zangado, o jovem ainda tinha a esperança de  que seus pais aceitassem sua opção sexual e me pediu para organizar uma sessão  com a família.<br />
A conversa não foi bem. Os pais insistiam em que o &#8220;estilo de vida&#8221; do filho era  um grave pecado, incompatível com suas crenças. Quando tentei lhes explicar de  que o consenso científico era o de que os seres humanos têm tanto poder de  escolha sobre sua orientação sexual quanto sobre a cor de seus olhos, os dois  não se deixaram convencer. Pareciam simplesmente incapazes de aceitar o filho  como ele é.<br />
Fiquei atônito diante de sua hostilidade e convicto de que representavam uma  ameaça psicológica ao meu paciente. E, em função disso, era preciso que eu  fizesse algo que jamais havia contemplado como parte de um tratamento. Na sessão  seguinte, sugeri que, para preservar seu bem-estar psicológico, ele poderia  considerar, ao menos por algum tempo, abrir mão de seu relacionamento com os  pais.<br />
A esperança é a de que os pacientes venham a compreender os custos psicológicos  de uma relação daninha e ajam para mudá-la.<br />
Por fim, meu paciente se recuperou completamente da depressão e começou a  namorar, ainda que a ausência dos pais em sua vida sempre ocupasse seus  pensamentos.<br />
Não é de se admirar. Pesquisas sobre vínculos primários, conduzidas tanto com  seres humanos quanto com primatas não humanos, demonstram que estamos  predispostos a estabelecer essas conexões, mesmo para com aqueles que não nos  tratam assim tão bem.<br />
Também sabemos que, embora traumas de infância prolongados possam ser tóxicos ao  cérebro, os adultos mantêm a capacidade de reordenar o cérebro, posteriormente,  por meio de novas experiências, entre as quais terapia e medicação com  psicotrópicos.<br />
É claro que a terapia não permite reverter a História. Mas é possível curar  mentes e cérebros por meio de remoção ou redução do estresse. Às vezes, por mais  que isso pareça drástico, o processo pode requerer o abandono de contato com um  pai intolerável.</p>
<hr size="1" noshade="noshade" /><strong>Richard A. Friedman</strong> é professor de psiquiatria no Richard A. Weill Cornell Medical College, em Nova York</p>
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		<title>Relaxe, é apenas estresse</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/10/relaxe-e-apenas-estresse/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 19:37:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIÊNCIA]]></category>
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Se você acha que é estressado, considere o caso da morsa do Ártico. Enquanto seu hábitat de gelo marinho encolhe, as criaturas ficam cada vez mais amontoadas, o que faz a adrenalina e a ansiedade aumentarem a níveis perigosos. No mês passado, apontou reportagem do “New York Times”, os ânimos se exaltaram em uma colônia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-15013" title="newyorktimes_folha" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/newyorktimes_folha.gif" alt="newyorktimes_folha" width="200" height="18" /></p>
<p>Se você acha que é estressado, considere o caso da morsa do Ártico. Enquanto seu hábitat de gelo marinho encolhe, as criaturas ficam cada vez mais amontoadas, o que faz a adrenalina e a ansiedade aumentarem a níveis perigosos. No mês passado, apontou reportagem do “New York Times”, os ânimos se exaltaram em uma colônia no Alasca, e 131 morsas foram esmagadas em um tropel aterrorizado.<br />
As morsas não são as únicas a reagir exageradamente ao estresse. Seja em um ecossistema em mudança ou um mercado de trabalho que desmorona, os animais são programados para lutar ou fugir, conforme substâncias químicas do cérebro e hormônios reagem a ameaças reais ou imaginárias.<br />
Infelizmente, os humanos têm um talento para exagerar as imaginárias.<br />
Como escreveu Natalie Angier no “Times”, “os seres humanos às vezes pensam demais, vendo ameaças fantasmas em cada reunião de equipe ou baile de colégio”. O risco, diz ela, é que a reação ao estresse, tão eficaz em uma fuga repentina de um tigre dente-de-sabre, torna-se prejudicial se nunca se descontrair. Como ratos de laboratório apinhados em gaiolas, os humanos ansiosos correm o risco de desenvolver padrões de pensamento compulsivos e problemas físicos.<br />
Alguns desses padrões compulsivos persistem durante o sono. Com a recessão econômica, dentistas americanos notam um aumento concomitante do bruxismo (ranger de dentes), atividade muscular subconsciente relacionada ao estresse. A maioria dos rangedores de dentes não nota o problema até que um dente se fragmenta, relatou o “Times”.<br />
Mais uma vez, a culpa está tanto em nossos ancestrais primordiais quanto em nosso sistema financeiro moderno.<br />
“O estresse, seja real ou imaginário, faz que os hormônios de fuga ou luta sejam liberados no corpo”, disse ao “Times” o dentista Matthew Messina. “Esses hormônios do estresse mobilizam energia e causam atividade isométrica, que é o movimento muscular —porque essa energia acumulada tem de ser liberada de alguma maneira.”<br />
Com ou sem recessão, algumas pessoas que rangem os dentes podem ter sido “programadas para se preocupar” desde o nascimento, segundo a “Times Magazine”. Jerome Kagan, professor de psicologia na Universidade Harvard, estuda traços de personalidade de um grupo de pessoas desde 1989, quando todas eram bebês. Uma delas, conhecida como Baby 19, chamou sua atenção desde o início. Era nervosa e temerosa e se perturbava com qualquer tipo de mudança, fossem novos sons, visões ou pessoas. Como muitos outros bebês hiper-reativos que Kagan estudou, Baby 19 se transformou em uma jovem tensa, com uma sensação constante de catástrofe iminente.<br />
Exames de imagens do cérebro dessas pessoas revelam hiperatividade na amígdala, o centro do cérebro relacionado às reações primitivas de lutar ou fugir, como se poderia suspeitar.<br />
A boa notícia é que podemos desfazer os padrões compulsivos persistentes.<br />
Ao contrário das morsas estressadas do Alasca, alguns dos sujeitos hiper-reativos de Kagan se beneficiaram da terapia cognitiva, que reorientou seus padrões de pensamento para longe do medo e da ansiedade constantes.<br />
“As lutas internas me incomodaram durante anos”, escreveu um deles, com a sábia idade de 13 anos, “até que consegui simplesmente relaxar e me acalmar”.</p>
<p><em>Envie comentários para nytweekly@nytimes.com</em></p>
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		<title>Dieta pode agir contra depressão</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 19:38:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Pesquisa com 10.094 espanhóis mostrou que cardápio mediterrâneo tem efeito protetor no cérebro
De acordo com o estudo, os voluntários com maior adesão a essa dieta tinham risco cerca de 30% menor de desenvolver o distúrbio


JULLIANE SILVEIRA &#8211; FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Fortemente relacionada à redução de risco para doenças cardiovasculares, a dieta mediterrânea mostrou efeito protetor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-14400" title="dieta_mediterranea" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/dieta_mediterranea.jpg" alt="dieta_mediterranea" width="460" height="504" /></p>
<p><strong>Pesquisa com 10.094 espanhóis mostrou que cardápio mediterrâneo tem efeito protetor no cérebro</strong></p>
<p><strong>De acordo com o estudo, os voluntários com maior adesão a essa dieta tinham risco cerca de 30% menor de desenvolver o distúrbio</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">JULLIANE SILVEIRA &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p>DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>Fortemente relacionada à redução de risco para doenças cardiovasculares, a dieta mediterrânea mostrou efeito protetor contra a depressão em um estudo realizado com 10.094 pessoas. O trabalho foi publicado na edição de outubro do &#8220;Archives of General Psychiatry&#8221;, um dos periódicos da Associação Médica Americana.<br />
Pesquisadores das universidades de Las Palmas de Gran Canaria e de Navarra (ambas na Espanha) avaliaram dados desses espanhóis, que preencheram questionários de 1999 a 2005 sobre a própria ingestão alimentar. Eles calcularam a adesão à dieta mediterrânea baseados em nove itens: maior ingestão de gorduras monoinsaturadas em comparação às saturadas, consumo moderado de álcool e laticínios, baixa ingestão de carne vermelha e alto consumo de legumes, frutas, oleaginosas (como nozes e castanhas), cereais e peixes.<br />
Após acompanharem os voluntários por cerca de quatro anos, identificaram 480 novos casos de depressão -a maioria (324 ocorrências) em mulheres. Os que seguiram a dieta apresentaram risco 30% menor de desenvolver depressão. Para chegar aos resultados, foram ajustados outros fatores influenciáveis, como estilo de vida, estado civil, doenças crônicas e uso de antidepressivos.<br />
&#8220;Algumas variáveis, como os que não desenvolveram depressão serem mentalmente mais saudáveis e mais propensos a aderir a uma dieta mais saudável, não foram medidas. Mas é um estudo benfeito, com metodologia adequada&#8221;, pondera a psiquiatra Andrea Feijó de Mello, da Associação Brasileira de Psiquiatria e pesquisadora da Unifesp.<br />
Trabalhos anteriores mostram que populações que consomem altas quantidades de peixes apresentam menores índices de depressão. Uma das explicações é que o ácido graxo ômega 3 (presente em peixes de água fria, como o salmão) influencia na estrutura do sistema nervoso central e no transporte de neurotransmissores.<br />
Os ácidos graxos ajudam na formação da membrana celular, tornando-a mais fluida. A fluidez das membranas dos neurônios contribui para uma melhor plasticidade cerebral (capacidade de os neurônios se comunicarem), fator importante para o equilíbrio emocional do paciente.<br />
&#8220;Quando há empobrecimento da comunicação, há prejuízos na memória, fluência verbal, criatividade e iniciativa, que são sintomas da depressão, fazendo a pessoa se tornar mais vulnerável à doença&#8221;, diz Renério Fráguas Jr., supervisor da residência médica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.</p>
<p><strong>Vitaminas</strong><br />
A dieta mediterrânea também oferece bons teores de folato e vitamina B12 (presentes em vegetais, peixes e ovos), nutrientes que participam como cofatores na sintetização de serotonina no cérebro, neurotransmissor relacionado às alterações no humor.<br />
Segundo Fráguas Jr., alguns estudos mostram resultados significativos da suplementação em pacientes que têm depressão e não apresentam melhora com medicamentos.<br />
&#8220;É um dos mecanismos para explicar a associação entre questões nutricionais e depressão. Na prática, já oferecemos suplementos, principalmente para idosos que podem ter uma diminuição na absorção desses nutrientes e podem ser mais vulneráveis à depressão.&#8221;</p>
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		<title>A ciência do travesseiro</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 22:12:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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LENTE
Ao usar uma faixa especial na cabeça para dormir, relatou David Pogue no &#8220;New York Times&#8221;, um relógio marcará o tempo que você passa nos vários estágios do sono: leve, profundo ou de movimento rápido dos olhos (MRE). Depois, você pode enviar os dados para um site na web e obter uma nota da qualidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><img class="alignleft size-full wp-image-13528" title="newyorktimes_folha" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/09/newyorktimes_folha1.gif" alt="newyorktimes_folha" width="200" height="18" /></h2>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://versus.blogs.sapo.pt/arquivo/quinta%20feira.jpg" alt="http://versus.blogs.sapo.pt/arquivo/quinta%20feira.jpg" width="424" height="352" /></p>
<p>LENTE</p>
<p>Ao usar uma faixa especial na cabeça para dormir, relatou David Pogue no &#8220;New York Times&#8221;, um relógio marcará o tempo que você passa nos vários estágios do sono: leve, profundo ou de movimento rápido dos olhos (MRE). Depois, você pode enviar os dados para um site na web e obter uma nota da qualidade do seu sono.<br />
&#8220;É realmente incrível, até um pouco assustador, ver todos esses dados sobre uma parte da sua existência da qual você nada sabia até agora&#8221;, escreveu Pogue.<br />
Talvez você saiba pouco sobre o que acontece enquanto está dormindo, além de alguns sonhos bizarros. Mas os cientistas fizeram várias descobertas recentes sobre o terço das nossas vidas que passamos descansando, ou pelo menos tentando descansar.<br />
Cerca de 5% das pessoas podem despertar totalmente descansadas, sem despertador, depois de um sono curto, escreveu Tara Parker-Pope no &#8220;Times&#8221;. Ying-Hui Fu, professora de neurologia na Universidade da Califórnia em San Francisco, e seus colegas encontraram uma mutação de um gene ligado aos ritmos circadianos em duas pessoas, mãe e filha, que naturalmente dormiam pouco -seis horas por noite. A mutação, a primeira já descoberta que se relaciona à duração do sono, poderá ser uma chave para a compreensão dos distúrbios do sono.<br />
&#8220;Sabemos que o sono é necessário para a vida, mas conhecemos muito pouco sobre ele&#8221;, disse Fu. &#8220;Conforme aprendermos mais sobre o mecanismo do sono e seus caminhos, poderemos compreender melhor o que causa os problemas de sono.&#8221;<br />
Se você fica virando na cama à noite, o aconselhamento on-line pode ajudar. Estudos nos EUA e no Canadá demonstraram que a terapia comportamental cognitiva baseada na web pode reduzir a insônia, escreveu Amanda Schaffer no &#8220;Times&#8221;.<br />
&#8220;Eu gostei do fato de ser pela internet&#8221;, disse uma participante do estudo, Kelly Lawrence, 51, do Canadá, &#8220;porque quando você não dorme não quer se levantar e ter de ir a uma consulta&#8221;.<br />
Se nada disso funcionar, faça como Albert Einstein, Winston Churchill ou Thomas Edison faziam: tire um cochilo. Um novo estudo mostra que os cochilos ajudam a solucionar problemas, escreveu Nicholas Bakalar no &#8220;Times&#8221;. Os participantes do estudo fizeram dois testes de associação de palavras. Os que tiraram um cochilo entre os testes que englobava sono MRE -o tipo que inclui sonhos- se saíram 40% melhor no segundo teste do que no primeiro.<br />
&#8220;Os sonhos são engraçados&#8221;, disse a professora de psiquiatria Sara Mednick, que conduziu o estudo. &#8220;Eles incorporam ideias estranhas que você jamais teria acordado. No sono MRE, torna-se mais provável que as ideias se juntem em uma solução.&#8221;<br />
Algumas perguntas sobre o sono ainda não foram respondidas. Por exemplo, por que as girafas dormem cinco horas por dia enquanto os morcegos dormem 20? Uma teoria, como escreveu Benedict Carey no &#8220;Times&#8221;, é que, para otimizar seu tempo, os animais dormem nas horas em que é mais arriscado encontrar comida. O morcego, por exemplo, se alimenta de insetos que saem à noite, e dormir durante o dia o mantém escondido de predadores com visão melhor.<br />
Um corolário dessa teoria é que estamos mais despertos quando estamos inclinados a ser mais produtivos, segundo Carey. A incapacidade de dormir às 22h, portanto, talvez não seja sinal de um distúrbio. &#8220;Se o sono evoluiu como o administrador do tempo, então estar &#8216;ligado&#8217; às 2h da manhã pode significar que existe um trabalho valioso a ser feito&#8221;, escreveu.<br />
Envie comentários para nytweekly@nytimes.com</p>
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		<title>Cientistas anunciam maior avanço contra Alzheimer dos últimos 15 anos</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 14:52:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[da Efe, em Londres &#8211; Folha Online
Dois grupos de cientistas, um do Reino Unido e outro da França, deram um grande passo nas pesquisas sobre o mal de Alzheimer, ao identificar três novos genes relacionados à doença, o que pode reduzir em até 20% seus índices de incidência.
À frente da equipe de pesquisa sobre o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">da Efe, em Londres &#8211; Folha Online</p>
<p>Dois grupos de cientistas, um do Reino Unido e outro da França, deram um grande passo nas pesquisas sobre o mal de Alzheimer, ao identificar três novos genes relacionados à doença, o que pode reduzir em até 20% seus índices de incidência.</p>
<p>À frente da equipe de pesquisa sobre o tema no Reino Unido, Julie Williams, professora da Universidade de Cardiff, afirmou que se trata &#8220;do maior avanço conseguido na pesquisa sobre Alzheimer nos últimos 15 anos&#8221;. O estudo foi divulgado pela revista &#8220;Nature Genetics&#8221;.</p>
<p>Os pesquisadores asseguraram que se as atividades dos genes descobertos forem neutralizadas, poderiam prevenir, em uma área como a do Reino Unido (com uma população de 61 milhões de pessoas), 100 mil novos casos por ano do variante mais comum do mal de Alzheimer, sofrido em idade mais avançada.</p>
<p>Genes</p>
<p>A identificação destes três genes é a primeira desde 1993, ano no qual uma forma mutante de um gene chamado APOE foi responsabilizada por 25% dos casos diagnosticados da doença.</p>
<p>Dois destes três novos genes, denominados clusterina (ou CLU) e PICALM, foram identificados pela equipe britânica, e o terceiro, denominado receptor complementar 1 (ou CR1), pela equipe francesa.</p>
<p>O gene clusterina é conhecido por sua variada propriedade protetora do cérebro e, da mesma forma que o APOE, ajuda o cérebro a se desfazer dos amilóides, uma proteína potencialmente destrutiva.</p>
<p>A novidade é que, segundo o estudo, estes genes também ajudam a reduzir as inflamações que danificam o cérebro, causadas por uma excessiva resposta do sistema imunológico, função que compartilha com o CR1.</p>
<p>Os cientistas acreditam que a inflamação cerebral pode ter um papel muito mais importante no desenvolvimento do mal de Alzheimer e que poder interagir com estes genes abre as portas para tratamentos novos e mais eficazes.</p>
<p>O mal de Alzheimer, para o qual não há um tratamento eficaz, é uma doença neurodegenerativa que se manifesta através de uma deterioração cognitiva e de transtorno de conduta, devido à morte dos neurônios e de uma atrofia cerebral.</p>
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		<title>Deus e o Jardim das Delícias</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Jul 2009 20:23:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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Detalhe do tríptico Jardim das delicias de Hieronymus Bosch

Hélio Schwartsman &#8211; FOLHA Online
Já que a comparação que fiz entre missas e comportamentos histéricos em minha coluna da semana passada irritou bastante gente, proponho hoje desenvolver um pouco mais o tema.
Convenhamos que religião e nosso conhecimento do mundo não andam exatamente de braços dados. De um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://undertow.no.sapo.pt/Bosch.hell.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://undertow.no.sapo.pt/Bosch.hell.jpg" /></div>
<div align="center"><font size="1"><em>Detalhe do tríptico Jardim das delicias de Hieronymus Bosch</em></font></div>
<div align="center"></div>
<p style="background-color: #ffff99">Hélio Schwartsman &#8211; FOLHA Online</p>
<p>Já que a comparação que fiz entre missas e comportamentos histéricos em minha coluna da semana passada irritou bastante gente, proponho hoje desenvolver um pouco mais o tema.</p>
<p>Convenhamos que religião e nosso conhecimento do mundo não andam exatamente de braços dados. De um modo geral, virgens não costumam dar à luz (especialmente não antes do desenvolvimento de técnicas como a fertilização &#8220;in vitro&#8221;) e pessoas não saem por aí ressuscitando. Em contextos normais, um homem que veste saias e proclama transformar pão em bife sempre que dá uma espécie de passe seria prudentemente internado numa instituição psiquiátrica. E não me venham dizer que a transubstanciação é apenas um simbolismo. Por afirmar algo parecido &#8211;a &#8220;impanatio&#8221;&#8211;, o teólogo cristão Berengar de Tours (c. 999-1088) foi preso a mando da Igreja e provavelmente torturado até abjurar sua teoria. Ele ainda teve mais sorte que o clérigo John Frith, que foi queimado vivo em 1533 por recusar-se a acatar a literalidade da transformação.</p>
<p>Quando se trata de religião, aceitamos como normais essas e muitas outras violações à ordem natural do planeta e à lógica. A pergunta que não quer calar é: por quê?</p>
<p>Ou bem Deus existe e espera de nós atitudes exóticas como comer o corpo de seu filho unigênito ou o problema está em nós, mais especificamente em nossos cérebros, que fazem coisas estranhas quando operam no modo religioso. Fico com a segunda hipótese. Antes de desenvolvê-la, porém, acho oportuno lembrar que a própria pluralidade de tabus ritualísticos depõe contra a noção de Verdade religiosa.</p>
<p>Se existe mesmo um Deus monoteísta, o que ele quer de nós? Que guardemos o sábado, como asseguram judeus e adventistas; que amemos ao próximo, como asseveram alguns cristãos; que nos abstenhamos da carne de porco, como garantem os muçulmanos e de novo os judeus; ou que não façamos nada de especial e apenas aguardemos o Juízo Final para saber quem são os predestinados, como propõe outra porção dos cristãos?</p>
<p>Talvez devamos eliminar os intermediários e extrair a Verdade diretamente nos livros sagrados. Bem, o Deuteronômio 13:7-11 nos manda assassinar qualquer parente que adore outro deus que não Iahweh; já 2 Reis 2:23-24 ensina que a punição justa a quem zomba de carecas é a morte. Mesmo o doce Jesus, fundador de uma religião supostamente amorosa, em João 15:6, promete o fogo para quem não &#8220;permanecer em mim&#8221;.</p>
<p>E tudo isso em troca do quê? A Bíblia é relativamente econômica na descrição do Paraíso, mas o nobre Corão traz os detalhes. Lá já não precisamos perder tempo com orações e preces, poderemos beber o vinho que era proibido na terra (Suras 83:25 e 47:15), fartar-nos com a carne de porco (52:22) e deliciar-nos com virgens (44:54 e 55:70) e &#8220;mancebos eternamente jovens&#8221; (56:17). O Jardim das Delícias parece oferecer distrações para todos os gostos, mas, se banquetes, prostíbulos e saunas gays já existem na terra, por que esperar tanto&#8230; &#8211;poderia perguntar-se um hedonista empedernido.</p>
<p>Volumes e mais volumes podem ser escritos para apontar as incoerências e desatinos dos chamados textos sagrados. Se acreditamos que um Deus pessoal chancelou ou ditou cada uma dessas obras, temos, na melhor das hipóteses, um Ser Supremo com transtorno dissociativo de identidade, também conhecido como personalidade múltipla. Espero que, no fim dos tempos Ele esteja judeu de novo. Tenho um primo que faria bom uso do Paraíso&#8230;</p>
<p>Voltando às coisas sérias, uma possibilidade mais plausível é que o chamado cérebro espiritual, os módulos neuronais que criam e processam ideias religiosas, seja menos permeável aos circuitos lógicos. Quem faz uma interessante análise do problema é o médico e geneticista americano David Comings em seu monumental &#8220;Did man create God?&#8221;, uma ampla revisão de quase 700 páginas em que o autor esmiúça o caso de Deus sob todas as vertentes da ciência, em especial a neurologia.</p>
<p>Para ele, ao contrário do mais provocativo Richard Dawkins, a religião dá prazer, foi fundamental na evolução de nossa espécie e só será extinta quando o último homem morrer. Mais importante, Comings acredita que os cérebros racional e espiritual, embora funcionem de modo independente um do outro, podem de algum modo ser conciliados no que o autor chama de &#8220;espiritualidade racional&#8221;. Cuidado aqui, o espiritual é uma esfera que abarca a religião, mas é mais ampla do que ela. Inclui outras tentativas de tocar a transcendência.</p>
<p>Num resumo algo grosseiro da mensagem central de Comings, só o que precisaríamos fazer é admitir que foi o homem que criou a ideia de Deus e escreveu os livros supostamente sagrados. Assim, nenhuma religião é verdadeiramente &#8220;a Verdadeira&#8221; ou intrinsecamente superior às concorrentes. Já não é necessário que guerreemos para descobrir se é o Deus cristão ou muçulmano que está certo. No limite, entregamos Deus para conservar uma espiritualidade menos belicosa, que nos permita a experimentar a transcendência a baixo custo.</p>
<p>É uma proposta engenhosa, mas, receio, muito difícil, quase impraticável. O monoteísmo já traz em germe a ideia de que existe um único caminho para a salvação e todo os que não o seguem estão condenados. Embora a maioria das pessoas consiga enxergar e valorizar as semelhanças entre os Deuses das várias religiões, sempre emergirão grupos mais intolerantes que exigirão o exclusivismo. Por paradoxal que pareça, não se os pode acusar de irracionais. Eles apenas levam realmente a sério o que está escrito. Numa abordagem puramente lógica, o Deus dos católicos e o de Calvino, por exemplo, não podem estar certos ao mesmo tempo. O conflito é uma decorrência do cérebro racional processando uma ideia espiritual.</p>
<p>É claro que podemos e devemos incentivar posições pró-tolerância como a de Comings. Os níveis de guerras religiosas variaram ao longo das épocas, num processo que certamente tem algo a ver com o modo mais ou menos pluralista utilizado pelos clérigos em suas prédicas. Não devemos, contudo, ser ingênuos a ponto de imaginar que o conflito possa ser extinto. O mundo é um lugar cheio de problemas.</p>
<p>De minha parte, embora ímpio contumaz, também acredito em transcendência. Para mim, ela está em atividades biologicamente inúteis às quais nos dedicamos e atribuímos valor, como literatura, música, pintura, filosofia e, por que não?, teologia. Elas podem ser extremamente prazerosas e, no limite, preencher nossas vidas com um significado que a natureza apenas não lhes dá. Mas não é porque a literatura nos leva à transcendência que devemos achar que Aquiles ou Brás Cubas existem.</p>
<p><img src="http://f.i.uol.com.br/folha/colunas/images/0726964.jpg" width="50" align="left" height="50" /><br />
<strong>Hélio Schwartsman</strong>, 44, é articulista da <strong>Folha</strong>. Bacharel em filosofia, publicou &#8220;Aquilae Titicans &#8211; O Segredo de Avicena &#8211; Uma Aventura no Afeganistão&#8221; em 2001. Escreve para a <strong>Folha Online</strong> às quintas.</p>
<p><strong>E-mail: </strong><a href="mailto:helio@folhasp.com.br">helio@folhasp.com.br</a></p>
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		<title>Autismo é o preço da inteligência</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 18:42:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Descobridor da estrutura do DNA diz que genes da alta cognição se relacionam com doença mental
James Watson admite que hipótese é &#8220;especulativa&#8221;, mas um outro grupo de pesquisa propôs mecanismo para explicar possível elo
Odd Andersen &#8211; 20.maio.2005/France Presse

Biólogo norte-americano James Watson, descobridor do DNA, no Museu de Ciências de Londres
&#160;
CLAUDIO ANGELO ENVIADO ESPECIAL A COLD [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
Descobridor da estrutura do DNA diz que genes da alta cognição se relacionam com doença mental</strong></p>
<p><strong>James Watson admite que hipótese é &#8220;especulativa&#8221;, mas um outro grupo de pesquisa propôs mecanismo para explicar possível elo</strong></p>
<p align="center"><em><font size="1">Odd Andersen &#8211; 20.maio.2005/France Presse<br />
</font></em><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/06/autismo-e-o-preco-da-inteligencia/11627/" rel="attachment wp-att-11627" title="james_watson.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/james_watson.jpg" alt="james_watson.jpg" /></a><br />
<font size="1"><em>Biólogo norte-americano James Watson, descobridor do DNA, no Museu de Ciências de Londres</em></font></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99">CLAUDIO ANGELO ENVIADO ESPECIAL A COLD SPRING HARBOR (EUA) &#8211; FOLHA SP</p>
<p>James Watson, descobridor da estrutura do DNA, pai da biologia molecular e polemista profissional, tem uma nova teoria para explicar a suposta genética da inteligência. Os genes que predisporiam algumas pessoas a habilidades intelectuais elevadas seriam os mesmos que disparam doenças como autismo e esquizofrenia.</p>
<p>Coincidentemente, é essa a hipótese que um grupo de pesquisadores da Universidade do Colorado está desenvolvendo. Os dados foram apresentados na semana passada nos Estados Unidos, logo depois de Watson ter delineado suas ideias.</p>
<p>&#8220;Isso é muito especulativo. Não posso provar&#8221;, admitiu à Folha o biólogo, de 81 anos. Mas a inteligência, continuou, é rara porque casais inteligentes têm probabilidade mais alta de terem filhos com problemas. &#8220;E esses genes tendem a ser eliminados pela seleção natural.&#8221;</p>
<p>Watson apresentou sua tese durante o 74º Simpósio de Cold Spring Harbor sobre Biologia Quantitativa, organizado pelo laboratório do qual ele era chanceler -até ser demovido do posto no fim de 2007 por ter feito comentários racistas.</p>
<p>Longe de se retratar pelo episódio, Watson ainda sugeriu, durante sua apresentação, que outro motivo pelo qual a inteligência é rara é que &#8220;as pessoas inteligentes pagam por dizerem a verdade. Sei disso por experiência pessoal&#8221;.</p>
<p><strong>Autorreferência</strong></p>
<p>O cientista começou a desenvolver sua hipótese depois de ter sido o primeiro ser humano a ter o genoma sequenciado.<br />
&#8220;Fiquei assustado, descobri que tinha mutações em três genes ligados ao reparo do DNA&#8221;.</p>
<p>Esses genes, como o BRCA 1 e o BRCA2, entram em ação para corrigir danos causados durante a replicação do DNA ou por uma agressão do ambiente, como radiação. Mutações neles estão ligadas ao câncer.</p>
<p>&#8220;Pessoas com essas mutações tendem a ter filhos especiais&#8221;, disse. Watson tem um filho esquizofrênico.</p>
<p>Os mutantes são mais inteligentes que a média e têm menos filhos -e, de acordo com Watson, têm problemas para se relacionar com as outras pessoas. Veja os cientistas.</p>
<p>Supostamente, os genes da inteligência seriam eliminados pela seleção natural. &#8220;Mas por que eles não somem e a humanidade não fica mais estúpida?&#8221;</p>
<p>Elementar, afirma Watson. As sociedades que têm indivíduos com alta cognição, como Einstein e Darwin, se beneficiam. O processo evitaria o expurgo da inteligência -e da esquizofrenia- do &#8220;pool&#8221; genético dessas populações.</p>
<p><strong>Faca de dois gumes</strong></p>
<p>Menos especulativa é a ligação entre cognição e doenças mentais feita pelo grupo de James Sikela (Universidade do Colorado). Ele e seus colegas descobriram uma correlação entre o alto número de cópias de um gene numa certa região do DNA humano e o desenvolvimento do cérebro. Essa região, dizem outros estudos, estaria também implicada com autismo e esquizofrenia.</p>
<p>Os pesquisadores identificaram que uma região instável do genoma chamada 1q21.1 concentrava um número alto de cópias de um gene chamado DUF1220. &#8220;A relação de causa e efeito não está provada, mas nós relatamos uma correlação&#8221; entre o aumento do número de cópias desse gene na linhagem humana e o aumento do cérebro, disse Sikela à Folha.</p>
<p>Essa instabilidade é &#8220;uma faca de dois gumes&#8221;. &#8220;Ela teria permitido mais cópias do DUF1220 e, portanto, teria sido retida na evolução. Por outro lado, essa instabilidade não é precisa, e pode gerar um embaralhamento deletério de sequências. É por isso que os vários estudos recentes que têm relacionado variação no número de cópias na região 1q21.1 no autismo e na esquizofrenia chamaram nossa atenção: isso se encaixa na ideia de que os indivíduos com essas doenças são o preço que a nossa espécie paga pelo mecanismo que permitiu e permite a geração de mais cópias da DUF1220.&#8221;</p>
<p>Sikela disse que Watson não sabia de seus dados e que o mecanismo sugerido por ele é diferente. &#8220;Mas, em teoria, outras regiões do genoma poderiam se encaixar no modelo.&#8221;</p>
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		<title>Lembranças traumáticas</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 20:59:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ CONTARDO CALLIGARIS

Trauma não é uma lembrança muito forte; é um evento lembrado de forma insuficiente 
O &#8220;NEW York Times&#8221; de 6 de abril passado publicou um artigo de capa sobre pesquisas recentes graças às quais, um dia, será possível &#8220;editar memórias indesejáveis&#8221; (por exemplo, Heida, Englot, Sacktor e outros, &#8220;Neuroscience Letters&#8221;, vol. 453, nº 5).
Apesar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong><font size="+1" color="#000080">CONTARDO CALLIGARIS</font></strong></p>
<p><a href='http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/lembrancas-traumaticas/10812/' rel='attachment wp-att-10812' title='folha_ilustrada.gif'><img src='http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/04/folha_ilustrada.gif' alt='folha_ilustrada.gif' /></a></p>
<p><strong><font size="4">Trauma não é uma lembrança muito forte; é um evento lembrado de forma insuficiente </font></strong></p>
<p>O &#8220;NEW York Times&#8221; de 6 de abril passado publicou um artigo de capa sobre pesquisas recentes graças às quais, um dia, será possível &#8220;editar memórias indesejáveis&#8221; (por exemplo, Heida, Englot, Sacktor e outros, &#8220;Neuroscience Letters&#8221;, vol. 453, nº 5).<br />
Apesar dos progressos da neurociência, estamos longe de entender exatamente o que é a memória. Simplificando, uma lembrança parece depender de substâncias que constroem pontes entre células do cérebro, pontes silenciosas, mas que podem ser imediatamente solicitadas caso um evento venha a ativar uma das células. Por exemplo, se você for Proust, quando der uma dentada numa madeleine, você não vai apenas saber que já comeu uma madeleine no passado: o gosto do docinho vai circular por inúmeras pontes e despertar todas as células relacionadas com as experiências de sua infância em Combray.<br />
Até aqui, pensava-se que uma centena de moléculas estivesse envolvida na construção dessas pontes entre células.<br />
A nova pesquisa encontrou uma substância, a proteína PMKzeta, cujas moléculas, mais do que outras, constituem e fortalecem as ditas pontes que, uma vez ativadas, produziriam uma lembrança. A pesquisa operou assim: escolheu ratos que tinham aprendido (de maneira permanente) a evitar pequenos choques elétricos no chão. Logo, injetou, no próprio lugar da dita memória, uma droga, chamada ZIP, que inibe a PMKzeta. E eis que os ratos voltaram à estaca zero: agiam como se não conhecessem o terreno.<br />
Em tese, se a coisa funcionar nos humanos, deveria ser possível consolidar as lembranças injetando no cérebro PMKzeta (ou estimulando sua produção). Imagine as aplicações possíveis na demência senil ou, simplesmente, no envelhecimento (sem contar que todos começariam a querer injeções de PMKzeta para melhorar a memória deles e a de seus filhos). Até aqui, tudo bem.<br />
O problema está na outra aplicação possível da pesquisa. O articulista do &#8220;Times&#8221; se entusiasmava com a ideia de que, um dia, com injeções cerebrais de ZIP, poderíamos produzir o esquecimento das lembranças desagradáveis ou traumáticas -claro, se a gente dominar o processo com precisão (para esquecer uma briga de casal, você não quer, ao mesmo tempo, perder a lembrança de seu primeiro beijo). Essa atitude do articulista talvez seja (perigosamente) compartilhada por parte da comunidade científica; ela se funda na ideia de que um trauma seria uma lembrança que nos estorva por ser, ao mesmo tempo, excessiva e desnecessária. Vistas do consultório de um psicoterapeuta, as coisas não estão bem assim.<br />
Primeiro, a ideia de que a lembrança do trauma seria desnecessária e descartável é problemática. Se você foi estuprado na infância, é provável que você tenha construído sua vida inteira ao redor da lembrança dessa violência sofrida. Imaginemos, por exemplo, que, desde então, a figura que dá sentido à sua vida seja a da vítima: suprimir essa lembrança com uma injeção significaria suprimir um dos alicerces de sua personalidade e de sua existência. O que sobrará de você sem aquela lembrança traumática?<br />
Outro problema. Tudo indica que um trauma não é uma lembrança nociva por ser forte demais; ao contrário, em geral, ele é um evento mal lembrado ou lembrado de maneira insuficiente. Mesmo caso: você foi estuprada quando criança; em muitos casos, essa experiência é traumática porque é lembrada SÓ como uma violência penosa que você sofreu. Você não memorizou, por exemplo, sua satisfação em se sentir objeto da atenção de um adulto ou mesmo sua descoberta culpada de emoções e sensações que lhe eram, até então, desconhecidas. O fato de reativar essas lembranças não desculpa o adulto estuprador, mas, para você que sofreu a violência, o sentido da experiência passada muda bastante; talvez não lhe seja mais necessário se conceber para sempre como vítima da vida.<br />
Em suma, a solução do trauma não consiste em apagá-lo, mas, ao contrário, em lembrá-lo melhor. Se quiséssemos usar a técnica da pesquisa citada, eu sugeriria, no lugar onde o trauma está registrado, injeções de PMKzeta para ajudar a memória, não de ZIP para apagá-la.<br />
O tempo das injeções cerebrais nos prontos-socorros ainda está longe. Mas não é cedo para notar que a cura das experiências penosas de nossa vida não está no esquecimento, mas no esforço para se lembrar delas em toda sua incômoda complexidade.</p>
<p><strong>ccalligari@uol.com.br</strong></p>
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