17/07/2009 - 18:02h Três poemas de Charles Bukowski

Charles Bukowski

“não dispa o meu amor

você pode encontrar um manequim;

não dispa um manequim

você pode encontrar

o meu amor.

ela há muito tempo

me esqueceu.

ela experimenta um novo

chapéu

e parece mais

coquete

do que nunca.

ela é uma

criança

e um manequin

e

é a morte.

não tenho como odiar

isso.

ela não faz

nada fora do

comum.

queria apenas que ela

fizesse.”

***

“pensando nas camas

usadas e reutilizadas

para trepar

para morrer.

nesta terra

alguns de nós trepam mais do que

nós morremos

mas a maioria de nós morre

melhor do que

trepamos,

e morremos

bocado a bocado também –

em parques

tomando sorvete, ou

nos iglus

da demência,

ou em esteiras de palha

ou sobre amores

desembarcados

ou

ou.

:camas, camas, camas

:banheiros, banheiros, banheiros

o sistema de esgoto humano

é a maior invenção do

mundo.

e você me inventou

e eu inventei você

e é por isso que nós não

damos

mais certo

nesta cama.

você era a maior invenção

do mundo

até que resolveu

me mandar descarga

abaixo.

agora é a sua vez

de esperar que alguém aperte

o botão.

alguém fará isso

com você,

puta,

e se eles não fizerem

você fará –

misturada ao seu próprio

adeus

verde ou amarelo ou branco

ou azul

ou lavanda.”

***

é o mesmo que antes

ou que da outra vez

ou da vez anterior à essa.

eis um pau

e eis uma boceta

e eis um problema.

a cada vez

você pensa

bem eu aprendi desta vez:

vou dizer a ela que faça isso

e eu farei isto,

já não quero a coisa toda,

só um pouco de conforto

e um pouco de sexo

e apenas um mínimo de

amor.

agora novamente espero

e os anos vão escasseando.

tenho meu rádio

e as paredes da cozinha

são amarelas.

sigo esvaziando as garrafas

à espera

dos passos.

espero que a morte reserve

menos do que isto.

Fonte O Amor é um Cão dos Diabos