27/04/2009 - 11:49h Reforçar a estabilidade regional é essencial para integração sul-americana e para o Brasil

Lula marca data para o real sul-americano

Sergio Leo – VALOR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já marcou data para anunciar seus planos ambiciosos para o uso do real nas transações da América do Sul. Esses planos avançam além da campanha feita por ele para estender aos sócios sul-americanos o mecanismo de comércio em moeda local, já lançado com a Argentina – embora sem muito sucesso até agora, como noticiaram Raquel Landim e Janes Rocha, em reportagem do Valor, na semana passada. Na próxima reunião da Unasul, que agrega os países da região, ainda neste semestre, Lula quer apresentar aos parceiros uma proposta que pode ampliar o uso do real nas relações entre os vizinhos.

O mecanismo ainda não está pronto, e passa por discussões na equipe econômica, onde, jura-se no Palácio do Planalto, já existe concordância do reticente Banco Central. Sem dar detalhes da proposta, os assessores de Lula descrevem uma proposta que se assemelha à linha de swap em dólares aberta pelos EUA ao Brasil e outros países, no ano passado, pela qual os beneficiados por trocar no Federal Reserve suas moedas por dólares, até um limite e por um tempo limitado, que se esgota nesta semana. Mas terá diferenças, ao incorporar mecanismos de compensação de moedas.

Os países sul-americanos serão autorizados a sacar, do BC, uma quantia em reais, que poderão usar para o comércio com o Brasil ou até repassar a outros países no continente (que, por sua vez, poderiam usar a moeda para pagar compromissos no mercado brasileiro). Falta ainda, segundo um graduado assessor de Lula, definir o total que será posto à disposição dos vizinhos. Lula quer que seja uma quantia significativa.

O mecanismo em elaboração difere do sistema de pagamentos em moeda local já adotado com a Argentina porque ele permite o uso do real em outros pagamentos, além de operações comerciais. E permite também aos países beneficiados usar os reais adquiridos para transações com outros países. Além da óbvia vantagem para o Brasil, por permitir a maior circulação da moeda brasileira entre os países do continente, o novo sistema, segundo se argumenta no Planalto, ajudaria aos outros governos da América do Sul a reduzir sua dependência de dólares em transações internacionais na região – em um período de escassez de moeda americana no continente.

O Brasil tem superávits no comércio com todas as nações da América do Sul, à exceção da Bolívia. Os bolivianos tem déficits no comércio com os outros países, e um enorme superávit com o Brasil, graças à venda de gás ao mercado brasileiro. A cessão de dólares aos vizinhos permitira a esses países reduzir seus problemas de balanço de pagamentos em dólar, inclusive na Bolívia, que poderia usar os reais para comprar produtos de outros países andinos, ou da Argentina, por exemplo. Esses são os argumentos que Lula levará à reunião da Unasul, em junho.

Lula conversou sobre o assunto, na semana passada, em Buenos Aires com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Foi um dos principais assuntos levados por ele para a conversa privada com a presidente. O tema também foi abordado ligeiramente durante a reunião dos ministros com os chefes de Estado.

A ampliação do uso do real é um desdobramento natural da série de iniciativas que vem sendo tomada na relação bilateral, na tentativa de, progressivamente, permitir à Argentina menor dependência do dólar, já que o país, desde a decretação da restruturação unilateral de sua dívida, em 2005, tem acesso muito limitado ao mercado de capitais internacional. O Brasil, na visita, ampliou, de US$ 120 milhões para US$ 1,5 bilhão o valor das operações que podem ser firmadas sob amparo do Convênio de Crédito Recíproco (o CCR, espécie de mecanismo de compensação em moedas locais acoplado a um seguro de exportação). Firmou acordo, ainda, para que compromissos como compra e venda de energia elétrica e pagamentos previdenciários possam ser realizados em moeda local, real ou peso.

Não é a única iniciativa no continente, de redução da dependência em relação ao dólar para transações com vizinhos. Atento aos movimentos brasileiros, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reuniu seus associados na Alternativa Bolivariana das Américas (Alba), pequenos países centro-americanos e do Caribe, além da Bolívia, e com Equador e Paraguai firmou um acordo para um mecanismo de compensação regional a que denominaram “sucre”, embrião, segundo o venezuelano, de uma futura moeda regional.

Como muitos dos anúncios de Chávez, o “sucre” tem muito de intenção e pouco de realidade, por enquanto, já que iniciativas de livre trânsito cambial na Venezuela esbarram no rígido controle de pagamentos internacionais feitos pelo governo. Chávez, no fim de semana, recebeu o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, e como outros governantes do continente, mostrou interesse no mecanismo de comércio em moeda local entre Brasil e Argentina. A conversa não foi além de perguntas interessadas do venezuelano. Não se sabe como compatibilizar o mecanismo com o controle cambial imposto no país.

A iniciativa brasileira de expandir a circulação do real no continente pode ser interpretada por dois ângulos. Um deles, se adotada a retórica com que o venezuelano Chávez cerca medidas do gênero, pode ser vista como uma medida antiamericana – o que não é – destinada a botar a colherzinha do Brasil na sopa da desconstrução dos Estados Unidos como emissor da moeda de troca mundial.

Outra interpretação, mais do agrado do governo brasileiro, é a de que a crise financeira e de confiança nos mercados mundiais ameaça fortemente as contas externas dos países da região, com quem o Brasil tem uma parcela substancial de seu comércio. Se quiser reduzir as fontes de pressão sobre as políticas comerciais dos parceiros sul-americanos e minimizar seus efeitos sobre as vendas de produtos brasileiros na região, o governo brasileiro tem de buscar mecanismos criativos e menos dependentes do fluxo de dólares para esses países. Lula mandou seus técnicos encontrarem esses mecanismos e conta tê-los em mãos, até junho.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

E-mail: sergio.leo@valor.com.br

16/04/2009 - 11:54h “Agora o Brasil joga em outro escalão, tem um papel global, está na mesa de negociações mundiais e tem uma voz importante nas discussões centrais da humanidade”

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”Cúpula deve marcar estreia do Lula estadista”

Para analista, Trinidad e Tobago é a primeira reunião latina na qual o papel do Brasil irá além das questões regionais

 

Patrícia Campos Mello – O Estado SP

 

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, estreia na sexta-feira, na Cúpula das Américas, seu novo status de “estadista internacional” em um fórum latino-americano, diz Moisés Naím, editor-chefe da revista Foreign Policy e influente analista da região. Segundo Naím, o “eixo de Lula” e o “eixo de Hugo” (do presidente venezuelano, Hugo Chávez) vão se encontrar na cúpula em meio a uma grande reorientação geopolítica. Abaixo, trechos da entrevista concedida ao Estado por telefone:

Como Obama cumprirá sua promessa de mudar a mensagem para a região?

Podemos olhar para o que Obama fez na Turquia, onde ele admitiu que os EUA têm sido uma nação arrogante, que não atuava no mundo da forma mais construtiva. Ele pode seguir a mesma linha para a América Latina, admitindo que a região não tem sido prioridade para os EUA. Na Turquia, ele disse que os EUA não estão nem nunca estiveram em guerra contra o Islã. Em Trinidad e Tobago, ele pode dizer que os EUA não estão em guerra contra ninguém, e se limitam a querer países democráticos na região. Não queremos dominá-los, não queremos impor nossas opiniões e vamos respeitar seus processos eleitorais, desde que seus líderes sejam eleitos de forma democrática, ele poderia dizer.

Nesse contexto, o sr. acha que Obama tentará uma aproximação com Chávez durante a cúpula?

Uma das grandes perguntas é que tipo de espetáculo para a mídia Chávez montará. Chávez e seus colegas do mesmo eixo vão se encontrar em Caracas e irão juntos para a cúpula – Daniel Ortega da Nicarágua, Rafael Correa do Equador, Evo Morales da Bolívia, talvez Fernando Lugo do Paraguai e os presidentes de Honduras e da República Dominicana. Chávez não se pode dar o luxo de ir à cúpula e não ser o centro das atenções. Na ONU, ele falou sobre George W. Bush e o cheiro de enxofre, depois houve o bate-boca com o rei da Espanha, em toda reunião ele faz algo.

Mas não será mais difícil fazer isso com um presidente americano menos polarizador?

Será difícil confrontar Obama pessoalmente, mas ele pode confrontar o império. Recentemente, Chávez esteve no Irã e censurou a presidente chilena, Michelle Bachelet, por ter convidado (o vice-presidente americano) Joe Biden e (o premiê britânico) Gordon Brown para a cúpula dos governos progressistas. Ele provavelmente não se referiráa Obama, mas criticará o imperialismo.

Há espaço para que Lula seja um mediador entre Obama e Chávez?

Agora o Brasil joga em outro escalão, tem um papel global, está na mesa de negociações mundiais e tem uma voz importante nas discussões centrais da humanidade, como mudança climática, crise econômica, luta contra pobreza e até proliferação nuclear. Lula assumiu esse papel recentemente e está mais confiante. Agora que o país está indo bem, ele assumiu mais o papel de estadista internacional.

Essa seria a primeira cúpula da região em que o Brasil desempenharia um papel global?

Sim. E é importante lembrar que o eixo de Lula não tem uma relação de confronto com Chávez. Eles deixam Chávez fazer o que quer, mas não prestam muita atenção. Todas as iniciativas que Chávez propôs, Lula apoiou entusiasticamente e não executou nenhuma. Eles assinam acordos, se abraçam, sorriem, e nada acontece. O Brasil apoiou todos os planos grandiosos do Chávez – Oleoduto Transcontinental, Banco do Sul -, mas nenhum saiu do papel. Enquanto Lula deixa que Chávez lide com Nicarágua, Paraguai e outros, ele se reúne com China, Índia, África do Sul, criando uma poderosa coalizão global.

O que uma mudança na política americana para Cuba significaria para a região?

Eu acho que é uma tragédia, mas a cúpula pode ser distorcida pelo excesso de atenção a Cuba ou para os Castros. Cuba é simbolicamente importante, mas estrategicamente é irrelevante. Para a vida de 99,9% dos latino-americanos, mudanças na política de envio de recursos e visitas a Cuba são irrelevantes. Muito mais importante é garantir que um país como o Brasil continue estável, que os mercados de crédito sejam abertos, que o Banco Interamericano de Desenvolvimento tenha recursos para a região. Essas são questões importantes.

13/04/2009 - 09:53h ”América Latina agora diz o que pensa”

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Especialista em relações internacionais crê que era Obama vai permitir a construção de agenda conjunta entre AL e EUA

 

Fernando Dantas – O Estado SP

 


A relação dos Estados Unidos com a América Latina não é mais uma questão meramente regional. Deve se constituir numa agenda conjunta para temas globais, na opinião de Peter Hakim, presidente do Diálogo Interamericano, centro de estudos das relações entre os EUA e a América Latina e o Caribe, baseado em Washington. Para ele, os principais países latino-americanos, como o Brasil, estão mais afirmativos e independentes, e o presidente americano, Barack Obama, deveria tratar de assuntos mundiais, como a relação com China e Oriente Médio, na Cúpula das Américas, em Porto of Spain, em Trinidad Tobago, de 17 a 19 de abril. Hakim será uma das principais atrações da reunião regional no Rio do Fórum Econômico Mundial na América Latina, cuja programação de debates começa na quarta-feira. Ele falou ao Estado por telefone.

Quais as expectativas sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos na era Obama?

Obama começa com a grande vantagem de não ser o (ex-presidente George W.) Bush. O novo presidente tem um imagem muito especial na América Latina, na Europa, no mundo inteiro. Ele criou expectativas altas e é bem-recebido onde quer que vá. Mas há restrições. Com a crise, faltam recursos e a atenção do governo americano está fixada no cenário interno. O segundo problema é que a atitude na América Latina agora é ambivalente sobre o papel dos Estados Unidos.

Como assim?

A América Latina mudou nos últimos 10 a 15 anos e agora é mais independente, mais afirmativa, não aceita simplesmente o que vem de fora. A região agora diz o que pensa. Os Estados Unidos ainda são primordiais para muitas nações latino-americanas, mas países como Chile, Brasil e Peru têm uma diversidade inédita de parceiros comerciais e políticos. Na Cúpula de Trinidad e Tobago, Obama deveria falar do Oriente Médio, das relações com a China. A América Latina quer participar dessa conversação. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, elogiou as palavras de Obama de que não está programando uma agenda para América Latina, mas sim uma agenda com a América Latina. Talvez acabe sendo muito semelhante, mas eu diria que, em política externa, 50% é simbólico.

O que o sr. prevê em relação à Cuba no governo Obama?

O primeiro passo de Obama é positivo, ao levantar restrições aos cubano-americanos, que passam a poder visitar familiares de forma ilimitada. Tudo indica que o Obama quer liberalizar mais a relação, mas depende de como reagem os cubanos americanos e os cubanos em Cuba. Não se pode imaginar que os Estados Unidos façam mudanças contínuas nessa relação sem que haja uma reação de Cuba, seja liberando prisioneiros, ou facilitando viagens ao exterior, por exemplo.

A química entre Obama e Lula parece estar funcionando bem.

Bem, é preciso lembrar que a relação na época do Bush foi boa para o Brasil e para os EUA. Os dois países tinham uma afeição mútua, toleravam as diferenças, e os EUA deixaram o Brasil assumir uma certa liderança na América do Sul, com poucas críticas até quando os dois países estavam em desacordo. O Brasil é um país que não gosta de fazer alianças muito fortes, que busca uma relação equidistante dos seus parceiros, que preza sua independência. O Brasil é importante para os EUA. Se não fosse pelo Brasil, a Venezuela seria o país mais notório na América do Sul, com uma liberdade de ação muito maior do que tem agora. Há muitos temas para se avançar, agora com o Obama, mas uma grande oportunidade é a questão dos biocombustíveis.

A relação dos Estados Unidos com Hugo Chávez deve melhorar?

Acho que Obama está seguindo mais ou menos o caminho de Bush nos últimos dois anos – não é necessário abraçar Chávez, mas tampouco confrontá-lo. A crítica de Obama a Chávez deve ficar limitada à ajuda às Farcs e a intervenções fora do próprio país, isso é, enfatizar mais a política externa venezuelana do que a questão interna.

Haverá continuidade entre Bush e Obama, apesar das grandes diferenças entre os dois?

Acho que há uma agenda incompleta de Bush que Obama deve seguir, como regionalizar a iniciativa Mérida (plano de apoio americano de combate ao narcotráfico no México), ser mais afirmativo em relação aos biocombustíveis com o Brasil, completar os tratados de livre-comércio com Colômbia e Panamá, a questão de Cuba. Mesmo nos seus sucessos, como os acordos de livre-comércio com Peru, Chile e América Central, Bush deixou um sabor amargo nos outros países, com posições exigentes, inflexíveis. Isso vai mudar, e os EUA devem reconhecer que a América Latina é um ator mundial.

21/03/2009 - 15:44h Venezuela legalizará las uniones homosexuales

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El Parlamento sigue la senda marcada por España o México y las reconocerá como “asociaciones de convivencia”

EFE – Caracas – El País

El Parlamento venezolano legalizará próximamente las uniones homosexuales y las reconocerá como “asociaciones de convivencia”, según ha informado este viernes la diputada Romelia Matute.

“Está casi listo el informe para la segunda [y definitiva] discusión del Proyecto de Ley Orgánica para la Equidad e Igualdad de Género”, que incluirá un artículo que permitirá “la unión entre dos personas del mismo sexo y que se decidió llamar asociaciones de convivencia”, ha declarado la legisladora.

Los diputados de la unicameral Asamblea Nacional, de mayoría afín al Gobierno del presidente Hugo Chávez, se han reunido en diversas oportunidades con representantes de organizaciones de homosexuales, quienes solicitaron tal inclusión como “asociaciones de convivencia”, ha explicado Matute.

El respeto de los derechos humanos, “sin importar su orientación sexual”, ha agregado, permitirá que dos personas del mismo sexo “puedan unirse legalmente y que esto tenga efectos jurídicos y patrimoniales, como ha ocurrido en muchos países como México o España, entre otros”.

La Constitución venezolana establece, ha recordado, que toda persona tiene el derecho a ejercer la orientación e identidad sexual de su preferencia, de forma libre y sin discriminación alguna.

21/03/2009 - 12:52h ”Lula é meu exemplo”, diz Funes

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Foto Folha SP

Salvadorenho prefere estilo de brasileiro ao de Chávez

João Paulo Charleaux – O Estado SP

O presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, disse ontem, em São Paulo, que fará um governo de esquerda mais próximo ao do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, do que ao do venezuelano, Hugo Chávez. A declaração foi feita após um encontro com Lula, na primeira viagem de Funes depois das eleições salvadorenhas, realizadas no domingo.

“Eu disse durante a campanha e reitero agora que me sinto mais próximo do governo brasileiro”, disse Funes quando questionado pelo Estado sobre que modelo de esquerda seu governo seguiria.

Funes venceu as eleições como candidato do ex-grupo guerrilheiro Frente Farabundo Martí de Liberação Nacional (FMLN) e disse que veio ao Brasil “agradecer a Lula pelo acompanhamento do processo eleitoral salvadorenho”. Ele viajou para o Brasil na companhia da mulher e futura primeira-dama, a brasileira Vanda Pignato. A campanha da FMLN foi chefiada pelo publicitário João Santana, que fez a campanha de reeleição de Lula, em 2006.

“Lula mostrou que é possível fazer um governo de esquerda sem que isso signifique um salto no vazio”, disse Funes. “O Brasil mostrou que é possível um governo de esquerda trazer estabilidade macroeconômica e governabilidade democrática.”

A posse de Funes ocorrerá em 1º de junho, mas ele já trabalha para levar a El Salvador programas sociais brasileiros como o Bolsa-Família. Outra área de interesse é a produção de etanol. O Brasil detém a tecnologia de produção e El Salvador, plantações de cana-de-açúcar geograficamente próximas do mercado americano.

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Ricardo Stuckert/Reuters

Salvadorenho diz que Obama prometeu “guinada”

Eleito presidente no domingo, Mauricio Funes, casado com paulistana, compara-se a Lula após encontro com brasileiro em São Paulo

FLÁVIA MARREIRO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, disse ontem ter recebido de Barack Obama a promessa de que seu governo nos EUA significará uma “guinada” na relação de Washington com a América Latina e com a América Central em particular. Luiz Inácio Lula da Silva foi a ponte na conversa com o americano, segundo contou o salvadorenho momentos depois de se reunir com o presidente brasileiro em São Paulo.

“Primeiro ele [Obama] me disse que tinha conversado com Lula sobre minha liderança e sobre o que poderia representar a minha vitória para El Salvador e para América Central. Isso de alguma maneira abre possibilidades de construir relações mais estreitas com o governo dos EUA”, afirmou Funes, da FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional), de esquerda.

“Ele disse que sua Presidência poderia representar uma guinada na visão que os EUA têm da América Latina.”

Funes, casado com a militante petista Vanda Pignato, 46, disse que sua visita ao Brasil -a primeira ao exterior desde a vitória- combinou motivos pessoais com a intenção de agradecer a Lula pelo “acompanhamento” feito pelo brasileiro da eleição salvadorenha.

O casal levou ao encontro com o presidente brasileiro em São Paulo o filho, Gabriel, de 17 meses, que passou o último mês de campanha no Brasil. A reunião, da qual participou o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, durou cerca de uma hora.

Como na campanha, dirigida pelo marqueteiro João Santana, ligado ao PT, Funes comparou-se a Lula e afirmou que seu programa se inspirou no do brasileiro. Disse que tanto ele quanto Lula sofreram com a “campanha de medo” da direita e, como o brasileiro, ele representa a “esquerda responsável”, que não afugenta investidores. Negou que a ajuda do PT tenha sido financeira.

“Vou fazer um governo de esquerda responsável: reduzir a pobreza e fazer a crescer a economia”, prometeu.

O salvadorenho representa a aposta moderada da FMLN, ex-guerrilha convertida em partido no acordo de paz de 1992, que encerrou 12 anos de guerra civil (1980-1992), que deixou 75 mil mortos. Há analistas que sustentam, porém, que a visão considerada pragmática não é um consenso na legenda e que isso pode trazer problemas para o futuro governo, que ainda terá de negociar com centristas para ter maioria no Legislativo.
Aos jornalistas, Funes fez questão de desautorizar um deputado da FMLN -não citou o nome- que dissera que o futuro governo buscará renegociar a dívida externa do país. “Pagaremos as dívidas com o juros conforme foram negociados.”


Primeira-dama petista

Funes assumirá em 1º de junho um país de economia dolarizada, dependente da economia dos EUA. Segundo ele, seria um “suicídio” não buscar boas relações com Washington tendo 2 milhões de salvadorenhos vivendo lá. Comemorou ter recebido ontem um telefonema da secretária de Estado, Hillary Clinton, para conversar sobre cooperação.

A futura primeira-dama, a advogada paulistana Vanda Pignato, afirmou que assumirá a Secretaria de Bem-Estar Social no novo governo, que, sob Funes, virará ministério. Ela e o marido disseram que o principal projeto, de inclusão para mulheres, foi inspirado em um semelhante no Brasil.

Vanda voltou a dizer que renunciará aos cargos que acumulava: o de diretora de um centro ligado à embaixada brasileira e o de representante do PT na América Central. “Mas seguirei petista.”

14/03/2008 - 09:53h Buenos Aires?

* Luiz Felipe de Alencastro 
Chega hoje no Brasil, para uma visita oficial de dois dias, Condoleezza Rice. Vai à Brasília encontrar Lula, conversar sobre etanol, Oriente Médio, Chávez, Uribe y otras cositas más. Depois vai para a Bahia, cada vez mais legitimada como capital da Afro-América. Eliane Catanhêde que, junto com Jânio de Freitas, foi a única jornalista a salientar a importância do encontro Países Árabes-América do Sul organizado em Brasília em 2005 (e escarnecido pelo restante da mídia), faz um comentário bem centrado sobre a viagem de Rice. Mas, salvo engano, não há nenhuma notícia nos jornais brasileiros sobre um ponto essencial, analisado pelo New York Times: Condoleezza renova o gelo que os EUA davam na Argentina de Nestor Kirchner, evitando encontrar-se com Cristina Kirchner, eleita há pouco tempo. Ela irá ainda ao Chile, mas não passa por Buenos Aires. !Assim reiterada, a crise entre Washington e Buenos Aires assume proporções inéditas nas relações entre os dois países. Fato que dá outro destaque à situação diplomática do Brasil. Ao não dar por isso, o jornalismo brasileiro consolida o analfabetismo sobre assuntos internacionais existente na opinião pública nacional. Quase todas as matérias importantes sobre política internacional publicadas na imprensa brasileira são traduzidas dos jornais americanos e europeus. E podem ser lidas na véspera nos próprios sítios destes mesmos jornais pelos leitores brasileiros mais curiosos.

10/03/2008 - 09:38h A crise das Farc: making of de um artigo, por Luiz Felipe de Alencastro*

Crianças colombianas mobilizadas na ‘Guerra de los mil dias” (1899-1902)

O Estadão me convidou no começo da semana para escrever, para o caderno dominical Aliás, um artigo sobre as Farc e as tensões regionais geradas pelo ataque colombiano em solo equatoriano. Como a crise evoluía muito rapidamente, passei a semana coletando material. Mas só comecei a redigir o texto na sexta-feira de manhã (o deadline do jornal era às 18 horas, horário brasileiro): esperava não ser surpreendido por nenhuma novidade que desmontasse os argumentos desenvolvidos no texto.

Zapeando no meio da semana, vi na TV a cena em que Chávez decretava a mobilização de suas tropas. De camisa vermelha, falando no meio da multidão para um ministro da guerra parecido com aquele gordinho de óculos do programa Chaves, da SBT, Chávez, o outro, ordenava com voz tonitruante:“que se mande diez regimientos, que se despliegue la aviación militar!”. Entre um pistache e outro, pensei: «ou o cara ficou doido ou está brincando». Doido, Chávez não é: nunca interrompeu as exportações de petróleo venezuelano para os Estados Unidos. Por isso, comecei a redigir o artigo num enfoque de longo prazo que excluía a iminência de um conflito armado envolvendo a Colômbia, a Venezuela e o Equador. O fato de que Chávez, Uribe e Correa não tivessem desmarcado sua presença na reunião do Grupo do Rio em Santo Domingo, confirmava esta impressão. Mas o tom de muitos sítios de informação era:«There will be blood!». No final do dia, sexta-feira à noite, veio a notícia e as imagens: Chavez, Uribe e Correa estavam se abraçando em Santo Domingo. Tant mieux! Mas a imprensa brasileira traz hoje artigos que começaram a ser impressos antes do final da crise, imaginando que a guerra iria rebentar de uma hora para outra. Veja-se a capa da Veja.

A certa altura escrevi que a guerra com as Farc é o conflito mais antigo do mundo. O raciocínio teria ficado mais completo se tivesse inserido a frase que agora vai em itálico (incluo também a referência do estudo em que me baseio):

«Estudos especializados registraram um total de 229 conflitos armados em 148 países entre 1946 e 2003. No meio tempo, a grande maioria destas guerras cessou. Assim, excluídos os conflitos inter-étnicos oriundos de partições territoriais estabelecidas após 1945 (Palestina, Território Karen na Mianmar-Birmânia, Cachemira na Índia), a guerra do governo colombiano com as Farc, cujos combates começaram em 1966, configura o mais antigo dos conflitos mundiais[1].Considerando-se que tal fato ocorre num país independente desde 1819, a guerra civil colombiana apresenta-se como um caso único na história do mundo contemporâneo ».

[1]. Mikael Eriksson e Peter Wallensteen, « Armed Conflict 1989-2003 », Journal of Peace Research, v. 41 (5), 2004, pp. 625-636.

O artigo completo está aqui.

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04/03/2008 - 16:31h Agravou-se a crise regional após a morte do chefe das FARC

Des soldats de l'armée équatorienne déployés à Lago Agrio, à la frontière entre l'Equateur et la Colombie, lundi 3 mars.
AFP/PABLO COZZAGLIO
Des soldats de l’armée équatorienne déployés à Lago Agrio, à la frontière entre l’Equateur et la Colombie, lundi 3 mars.

Segundo o jornal Le Monde, citando fontes do governo francês, a presença de Raul Reyes e de seus acompanhantes das FARC em territorio equatoriano poderia estar relacionada com a negociação da libertação de Ingrid Betancourt. O Ministério das Relações Exteriores da França declarou que o governo colombiano sabia destas negociações. Isto parece confirmar a declaração do presidente do Equador, Rafael Correa, para o qual o ataque colombiano visava a abortar a negociação e seria obra dos “inimigos da paz”. Segundo Le Monde, um alto funcionário do Ministério da Defesa da Colômbia reconheceu a participação norte-americana na localização do líder das FARC.

La crise diplomatique s’aggrave en Amérique latine après la mort du n° 2 des FARC

Zones d'influence des FARC en Colombie.
Le Monde.fr. Zones d’influence des FARC en Colombie.

Le Monde

La tension est encore montée d’un cran mardi 4 mars entre Bogota, Caracas et Quito, trois jours après l’élimination par la Colombie du numéro 2 de la guérilla des FARC, Raul Reyes en territoire équatorien. Après la rupture par l’Equateur de ses relations diplomatiques avec la Colombie, et l’expulsion des diplomates colombiens du Venezuela, lundi, le ministre de l’agriculture vénézuélien a annoncé mardi que le Venezuela avait décidé de fermer sa frontière avec la Colombie.

L’escalade verbale s’est par ailleurs poursuivie. Le président colombien, Alvaro Uribe, a annoncé son intention de poursuivre son homologue vénézuélien devant la Cour pénale internationale (CPI) de La Haye. “Notre ambassadeur aux Nations unies va annoncer que la Colombie a l’intention de dénoncer devant la Cour pénale internationale Hugo Chavez, le président du Venezuela, pour parrainage et financement de génocide”, a déclaré le président colombien à un groupe de journalistes.

Et à Genève, devant la Conférence sur le désarmement des Nations unies, le vice-président colombien, Francisco Santos, a accusé les FARC de chercher à fabriquer une “bombe sale”, faisant ainsi planer une menace sur toute l’Amérique latine.”Hier [lundi], notre police nationale a présenté un rapport préliminaire concernant le contenu de deux ordinateurs découverts auprès de [Raul] Reyes”, a déclaré Francisco Santos. Ses fichiers contenaient “des informations d’un commandant à un autre indiquant que les FARC négociaient apparemment des matériaux radioactifs, matière première des armes sales de destruction massive et du terrorisme”, a-t-il affirmé.

LA FRANCE EN CONTACT AVEC REYES

Alors que sur la foi de documents découverts sur ces mêmes ordinateurs, la police colombienne a accusé lundi Rafael Correa, le président équatorien, d’être lié aux FARC, et Hugo Chavez d’avoir remis à la guérilla la somme de 300 millions de dollars (200 millions d’euros), Quito a rétorqué que ces contacts avec la guérilla des FARC avaient pour but la libération attendue en mars de douze otages, dont la Franco-Colombienne Ingrid Betancourt. “Tout a été anéanti par les mains guerrières et autoritaires [du gouvernement colombien]. Nous ne pouvons pas exclure que cela ait été le but de l’incursion et de l’attaque des ennemis de la paix”, a souligné Rafael Correa.

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04/03/2008 - 13:44h Todo cuidado é pouco para preservar o diálogo

Members of the Ecuadoran Army mobilise to the Colombian border in Neuva Loja, Ecuador, 03 March 2008, after Raul Reyes, the second-in-command of the Revolutionary Armed Forces of Colombia (FARC), had been killed 01 March 2008, along with 16 other rebels in an air raid into Ecuador.  EPA/JOSE JACOME
Soldados equatorianos enviados para a fronteira com Colômbia. foto Epa/José Jacome

A realpolitik de Uribe, golpe certeiro

Sergio Leo* – Ralações Internacional

Tente imaginar guerrilheiros anti-Chávez escondidos na floresta amazônica, para lá da serra do Caparaó, em algum lugar de Roraima. Imagine se, por isso, o presidente venezuelano ordenasse uma incursão de tropas da Venezuela através da fronteira, usando seus recém-comprados jatos Sukhoi para dizimar a oposição armada, em pleno Brasil. Que grita não haveria por aqui, hein? E com razão.

Como a estridente agressividade de Chávez o transformou em vilão da vez na imprensa estabelecida, não vão faltar comentaristas que defendam como aceitável a invasão do território equatoriano por tropas da Colômbia, para um sensacional ataque aos guerrilheiros das Farc. É inaceitável. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, está errado nesse episódio, e cabe ao Brasil condenar o desrespeito das Forças Armadas colombianas aos limites territoriais com o Equador.

Ah, o Equador e a Venezuela abrigam guerrilheiros em seu território, usado como refúgio seguro de onde partem agressões à Colômbia? O direito internacional prevê isso, e há instituições na América do Sul e na comunidade internacional para denunciar esse tipo de ação. Uribe poderia denunciar a conivência das autoridades vizinhas,e teria justo direito de cobrar apoio do Brasil nisso. Errado seria o Brasil não apoiá-lo caso agisse assim.

Não acredito em guerra nos Andes. Acuado pela tremenda crise econômica que seu modelo voluntarista criou, Chávez, claro, aproveitará a oportunidade para apontar mais um inimigo comum da sociedade venezuelana, o Uribe lacaio do Império, que invade os vizinhos na repressão aos opositores guerrilheiros. Se o discurso colar, a beligerância na retórica chavista vai ser ensurdecedora. E inócua, como costuma ser. Não há fato concreto que apóie algum tipo de conflito armado entre os dois países, e nem Uribe nem Chávez ~estão dispostos a serem o primeiro a jogar a pedra do outro lado.

Rafael Correa, do Equador, fez o que devia fazer, retirou seu embaixador de Bogotá, chamou o embaixador colombiano para exigir explicações, acusou Uribe de agressão. Tem um problem,a constrangedor a resolver, se forem verdadeiros os documentos capturados pelas forças de segurança colombiana, que mostram um estreitamento de relações entre as Farc e o governo equatoriano. Conversas com Raul Reyes, o vice-comandante e porta-voz das Farc morto na invasão, não são suficientes para dizer que Correa era conivente com a guerrilha. Reyes era o “embaixador” das Farc, e todos os países da região buscam contatos, sigilosos ou não, com as Farc para tentar um acordo de paz e desmobilização da guerrilha. Mas podem surgir outtros documentos comprometedores, e a posição do Equador tornar-se, no mínimo, incômoda. Continua, clique em leia mais.

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04/03/2008 - 11:53h O risco Uribe

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Thomas Traumann – O Filtro – portal Globo

O estilo histriônico de Hugo Chávez chama mais a atenção, mas hoje o maior risco para a estabilidade do continente é o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Ele é o antípoda da imagem que o coronel Chávez fez de si mesmo na última década. Advogado com temporadas em Harvard e Oxford, Uribe é um homem formal, reservado, de frases cuidadosas e raciocínio linear. Foi eleito e reeleito com a bandeira do combate incessante às Farc, depois do fracasso da “solução negociada” com a guerrilha de seu antecessor, Andrés Pastrana. Essa postura lhe garantiu a maior popularidade da história recente da Colômbia e a possibilidade real de mudar a Constituição e tentar um terceiro mandato em 2010. Mas essa ambição entrou em risco quando, a partir do fim do ano passado, o venezuelano Chávez se tornou o principal negociador entre as Farc e o mundo civilizado. Foi essa circunstância que fez com que Uribe autorizasse seu Exército a invadir o Equador no sábado para destruir um acampamento das Farc, matando 21 guerrilheiros, entre eles o comandante Raúl Reyes. Pesquisas divulgadas ontem pelas TVs de Bogotá mostram que 83% dos colombianos aplaudiram a ação. É natural. Qualquer um que já tenha tido o prazer de visitar a Colômbia enxerga nas ruas a rejeição aos guerrilheiros. Mas os colombianos não querem transformar o episódio numa guerra. Embora 61% dos colombianos acreditem na possibilidade de um conflito com o Equador e a Venezuela, as mesmas pesquisas mostram que mais de dois terços querem manter relações diplomáticas com os dois vizinhos. Ou seja, existe uma boa possibilidade de o caso render apenas um longo bate-boca diplomático e dar mais um palanque para Hugo Chávez vociferar contra o “subimperialismo colombiano” (não esqueça que Caracas já foi governada a partir de Bogotá em boa parte do período colonial, no vice-reinado de Granada, e logo depois da independência, na República de Grã-Colômbia).

Mas, como revela hoje o diário El Tiempo, de Bogotá, o governo Uribe segue um caminho perigoso. A defesa que a Colômbia fará nos fóruns internacionais para a invasão de sábado se baseará no mesmo argumento que os Estados Unidos usaram para entrar no Afeganistão, ou seja, que o território de outro país servia de base para inimigos do país. É um embuste: a invasão americana ao Afeganistão foi autorizada pela ONU, ao contrário da atual operação no Iraque ou da movimentação militar colombiana no Equador. O site da revista especializada em diplomacia Foreign Affairs observa que tais “ações de guerra assimétrica se tornaram comuns depois do 11 de Setembro”. Dá como exemplos a invasão do Iraque pela Turquia para combater nacionalistas curdos e o lançamento de mísseis americanos contra bases do Al Qaeda no Paquistão e na Somália. Ao usar esse argumento, o governo Uribe deixa na entrelinha a possibilidade de realizar novas incursões pelos países vizinhos, inclusive o Brasil. Por esse raciocínio, nada impede que, na semana que vem, os colombianos invadam Tabatinga. Essa preocupação com o futuro deve ser a diretriz da tentativa do Brasil e da Argentina em mediar o confronto. Ao contrário do que parece fazer crer as análises dos jornais de hoje, o início dessa ofensiva diplomática foi correto. O presidente Lula não tem atendido os telefonemas de Hugo Chávez e tenta circunscrever a crise ao que ela é, uma querela entre Equador e Colômbia. Se o governo Uribe colaborar, pode dar certo.

Por Thomas Traumann

07/01/2008 - 08:20h Futuro presidente precisa olhar para o sul (New Day in the Americas)

Roger Cohen*

Juan Bautista Alberdi, um constitucionalista e liberal argentino, observou em 1837 que “as nações, como os homens, não têm asas; elas fazem suas jornadas a pé, passo a passo”. A América Latina, por muito tempo suscetível aos milagres utópicos de revolucionários e caudilhos e ainda não imune a eles, tem se esforçado para absorver essa verdade. Mas, como observa Michael Reid em seu novo livro, Forgotten Continent (Continente esquecido), democracias de massa duráveis têm surgido na região.

Nos últimos anos, essas democracias rolaram os dados com uma extraordinária variedade de líderes, entre os quais Michelle Bachelet no Chile; Luiz Inácio Lula da Silva, o metalúrgico que chegou à presidência no Brasil; e Hugo Chávez, egresso dos quartéis, na Venezuela.
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06/01/2008 - 11:26h New Day in the Americas

The New York Times
January 6, 2008

Op-Ed Columnist

By ROGER COHEN

SÃO PAULO, Brazil

Juan Bautista Alberdi, an Argentine constitutionalist and liberal, noted in 1837 that “Nations, like men, do not have wings; they make their journeys on foot, step by step.”

Latin America, long susceptible to the utopian mirages of revolutionaries and caudillos and still not immune to them, has struggled to absorb this truth. But, as Michael Reid observes in his new book, “Forgotten Continent,” durable mass democracies have emerged across the region.

In recent years, these democracies have rolled the dice with an extraordinary variety of leaders, including Michelle Bachelet in Chile; Luiz Inácio Lula da Silva, the metalworker who rose to govern Brazil; and Venezuela’s barracks-bred Hugo Chávez.

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16/12/2007 - 11:33h De la emoción inicial a los cascotazos: así no se trata a una dama


Julio Blanck. jblanck@clarin.com jblanck@clarin.com

Algún cinéfilo debe acordarse. La película se filmó hace cuarenta años, con el gran Rod Steiger, la bella Lee Remick y un joven George Segal como protagonistas. Era un policial, sobre un asesino de mujeres perseguido por un detective sin demasiadas luces. El filme se llamaba “Así no se trata a una dama”. El título, si se quiere, es aplicable a las desventuras que sufrió nuestra Presidenta, expuesta a una confabulación estelar que quiso arruinarle los fastos de iniciación.

La Presidenta había mostrado su mejor versión el día del juramento y toma del poder. Elegante, sobria, sonriente, con un discurso de ideas -como siempre- muy bien articuladas. Y lo que es mejor, toda una sorpresa, lució de verdad emocionada. Ella, la Dama de fuego y de acero, la polemista tenaz y temible, la oradora dura y combativa, no ocultó las lágrimas que la adornaron varias veces en su gran día.

Se emocionó en el Congreso después de que su esposo, un feliz Néstor Kirchner, le colocó la banda presidencial. Volvió a emocionarse, y muy fuerte, cuando le tomó juramento como ministra a su cuñada, Alicia Kirchner. La voz se le quebró y el abrazo entre ellas fue notable. También puchereó un poco -dicho esto con el mayor de los respetos- cuando invistió a Graciela Ocaña como ministra de Salud. Y después volvió a compungirse cuando salió al escenario frente a la Plaza de Mayo, y las banderas le flameaban abajo y los concurrentes, entusiasmados, la ovacionaban.
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16/12/2007 - 11:24h De la emoción inicial a los cascotazos: así no se trata a una dama


Julio Blanck. jblanck@clarin.com

Algún cinéfilo debe acordarse. La película se filmó hace cuarenta años, con el gran Rod Steiger, la bella Lee Remick y un joven George Segal como protagonistas. Era un policial, sobre un asesino de mujeres perseguido por un detective sin demasiadas luces. El filme se llamaba “Así no se trata a una dama”. El título, si se quiere, es aplicable a las desventuras que sufrió nuestra Presidenta, expuesta a una confabulación estelar que quiso arruinarle los fastos de iniciación.

La Presidenta había mostrado su mejor versión el día del juramento y toma del poder. Elegante, sobria, sonriente, con un discurso de ideas -como siempre- muy bien articuladas. Y lo que es mejor, toda una sorpresa, lució de verdad emocionada. Ella, la Dama de fuego y de acero, la polemista tenaz y temible, la oradora dura y combativa, no ocultó las lágrimas que la adornaron varias veces en su gran día.

Se emocionó en el Congreso después de que su esposo, un feliz Néstor Kirchner, le colocó la banda presidencial. Volvió a emocionarse, y muy fuerte, cuando le tomó juramento como ministra a su cuñada, Alicia Kirchner. La voz se le quebró y el abrazo entre ellas fue notable. También puchereó un poco -dicho esto con el mayor de los respetos- cuando invistió a Graciela Ocaña como ministra de Salud. Y después volvió a compungirse cuando salió al escenario frente a la Plaza de Mayo, y las banderas le flameaban abajo y los concurrentes, entusiasmados, la ovacionaban.

Esa Cristina novedosa fue la misma que en su primer discurso ante el Congreso avisó que sabía que todo le iba a costar más por ser mujer. Las pinceladas de sensibilidad de esas horas estuvieron fuera del libreto esperado, fuera del personaje público que la Presidenta se preocupó en construir.

Cristina volvió sobre la misma idea, la de la mujer que tiene que ser dos veces buena para que la reconozcan como tal, muy poco después. Pero en circunstancias menos festivas.

Fue cuando descargó su primera diatriba estilo Kirchner, desde el atril de la Casa Rosada, para responder apenas con argumentos políticos a una perfecta operación basada en hechos incontrastables: la detención en Miami de un puñado de truhanes chavistas vinculados a la valija con 800.000 dólares, que el viscoso Guido Antonini Wilson había transportado a la Argentina y dejó graciosamente en manos de nuestra Aduana, y la declaración de uno de ellos acerca de que esos bonitos billetes estaban destinados a ayudar a su campaña presidencial.

El cascotazo americano todavía retumba. El gobierno de Washington, en el mejor estilo “a mí por qué me miran”, juró que no tenía nada que ver y que todo era cuestión de la Justicia, tan independiente. Fuera de micrófono dijeron que el destinatario de la operación era el venezolano Hugo Chávez, con el que comparten una tormentosa historia de amor recíproco. Pero al gobierno de Cristina el mensaje llegó clarísimo y así fue recibido, a juzgar por la reacción. Los que se juntan con Chávez ya saben qué confites pueden esperar enviados por el Gran Hermano.

Esto sólo hubiese sido bastante para borronearle a la Presidenta su semana de gloria. Pero además apareció el bueno de Hugo Moyano, que le avisó que estaba listo para cruzarse a la vereda de enfrente, después del intenso romance de cuatro años que protagonizó con su esposo el ex Presidente, de quien fue una pieza tan funcional como bien recompensada.

Es cierto que el camionero tiene algunos problemitas internos. Hay una larga legión de sindicalistas que lo quieren descabezar en la CGT. Y en las zonas de influencia de su gremio, que él pretende cada vez más anchas, algunas cosas parece que se arreglan a los tiros, como en las viejas épocas. Ya hay un crimen que la Justicia de Rosario sigue investigando mientras se suman nuevos he chos violentos. Pasó antes y seguirá pasando: cuando un jefe sindical está en problemas, la variable de ajuste para retomar el centro de la cancha es endurecer su posición. Es lo que hizo Moyano, según explican los exégetas del gremialismo. Pero la patada le llegó a Cristina.

Sepan, señores, que así no se trata a una dama.

10/12/2007 - 13:50h Lula defende a aliança com Chávez no lançamento do Banco do Sul

Kirchner, Morales, Lula e Chavez

Janaína Figueiredo
Correspondente

O Globo

Na posse da presidente eleita Cristina Fernández de Kirchner, os governos de Argentina, Brasil, Venezuela, Bolívia, Equador e Paraguai assinaram ontem, no último ato da gestão Néstor Kirchner, a ata de fundação do Banco do Sul, nova instituição financeira regional que competirá com BNDES, Banco Mundial (Bird) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entre outros. Entusiasmado com o projeto, o presidente Lula aproveitou para defender a aliança entre os países da região e, sobretudo, a parceria do Brasil com os demais governos sulamericanos, com destaque para Argentina e Venezuela.

— Depois da eleição de Kirchner construímos um dos melhores momentos da história do relacionamento entre Argentina e Brasil. Nosso relacionamento com a Venezuela hoje é sólido, muito forte e muito favorável ao Brasil, temos de diminuir essa distância — declarou Lula.

Ele afirmou que “somente forte, unida e integrada a América do Sul poderá ocupar o lugar que lhe cabe no concerto das nações e principalmente criar condições para o desenvolvimento pleno de nossos povos”.

— O Banco do Sul será fundamental para viabilizar as iniciativas que necessitamos para integrar nossa região — assegurou Lula.

Os sócios do Brasil no projeto aproveitaram a assinatura do acordo para reforçar seu “perfil antiimperialista” e criticar organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

— Até que enfim a América do Sul vai começar a se liberar da dependência financeira — declarou o presidente equatoriano, Rafael Correa.

Chávez: repatriar dinheiro nos “bancos do Norte” Em sintonia com seu colega equatoriano, o presidente da Venezuela disse que o Banco do Sul é “uma estratégia para a independência”. Para Hugo Chávez, falta repatriar “o dinheiro dos nossos povos”, que está “nos bancos do Norte”: — Mais de US$ 500 bilhões nossos estão colocados em bancos dos EUA e Europa, onde pagam juros muito altos.

Usando frases de Bolívar, Perón e San Martín, Chávez afirmou que “somente unidos poderemos ser verdadeiramente livres e independentes”. O presidente venezuelano manifestou sua satisfação pelo bom momento que, disse Chávez, vivem os países da região e se referiu especificamente ao Brasil.

— O Brasil tem agora (em reservas internacionais) cerca de US$ 200 bilhões, o Lula tem muito agora e ainda conseguiu uma reserva de petróleo, o sheik do Amazonas — brincou o presidente venezuelano, que considerou que os países da região estão protagonizando uma “guerra política, econômica e ideológica”, contra seus inimigos internacionais.

Já o presidente boliviano, Evo Morales, disse que o Banco do Sul chegou em momentos “em que temos democracias submetidas a seus povos e não ao império”. Após os discursos dos presidentes, Cristina agradeceu o apoio de todos e, sobretudo, de Chávez: — Não é pouca coisa encontrar alguém como o senhor, que resgata as melhores tradições de lutas e emancipação nacional. Ao senhor meu agradecimento por todo o apoio dado aos argentinos.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, assegurou que o Banco do Sul vai funcionar dentro dos princípios da governança dos bancos multilaterais.

Será “um banco autosuficiente, que tem que dar lucro, não poderá funcionar a base de subsídios e não será direcionado a projetos que não sejam rentáveis e eficientes”.

Segundo o ministro, o capital inicial do banco ainda não foi fixado, mas, pelas informações extra-oficiais, poderia alcançar US$ 7 bilhões. A Venezuela entraria com cerca de US$ 3 bilhões, bem acima do que pretenderia injetar inicialmente o Brasil.

Sobre as negociações preliminares, o ministro comentou: — Estabelecemos os objetivos do banco e a partir da ata de fundação, passaremos a elaborar o estatuto (o que vai durar 60 dias).

Um dos aspectos do estatuto que provocou polêmica foi a origem dos recursos para formar o capital inicial. A Venezuela propôs o uso das reservas nacionais, idéia que não teve apoio do Brasil.

— Os recursos não saem das reservas, serão usados recursos do Orçamento federal.

Uma vez constituído o banco, ele vai captar no mercado. Se a Venezuela, por exemplo, quiser colocar as reservas, aplicar nos títulos do Banco do Sul, poderá fazê-lo — esclareceu Mantega.