17/11/2009 - 14:45h Cidade suja


São Paulo (SP) Lixo jogado na calçada, impede que os pedestres circulem próximo a estação Palmeiras Barra Funda. 16/11/2009. Foto: Elizeu Araujo de Souza/FotoRepórter/AE


Orçamento de Kasab será de R$30 bilhões em 2010, graças aos impostos e multas. IPTU com aumento cavalar e aumento da tarifa de ônibus, já em janeiro. Aumento também dos salários de Kassab e do alto escalão.

São Paulo merece?

LF

22/09/2009 - 11:59h “Gestão” Kassab: No dia da greve dos garis a cidade continuou tão suja como já estava, constata jornal

Sindicato afirma ter parado 20% da categoria contra a demissão de 1.800 pessoas, mas empresas dizem que adesão foi baixíssima

Cidade continuou tão suja como já estava nos últimos 15 dias, quando começaram a ser sentidos os efeitos do corte de 20% nos gastos

Danilo Verpa/Folha Imagem

Lixo na rua 25 de Março, no centro de SP; paralisação de garis na cidade mobilizou 20% da categoria, mas foi suspensa à tarde

EVANDRO SPINELLIFOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

PABLO SOLANO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A greve dos garis fracassou ontem São Paulo. O sindicato afirma ter parado 20% da categoria contra a demissão de 1.800 pessoas, mas a cidade não ficou mais suja por isso.
Continuou tão suja como já estava nos últimos 15 dias, quando começaram a ser sentidos os efeitos do corte de 20% nos gastos da gestão Gilberto Kassab (DEM) com o setor.
No fim da tarde, o sindicato anunciou que a paralisação foi suspensa e que novas reuniões de conciliação foram marcadas. Segundo as empresas, a adesão ao movimento foi baixíssima.
Responsável pela fiscalização do serviço, a Secretaria das Subprefeituras informou, em nota, que “não foram detectadas alterações da rotina de trabalho”. Atualmente as subprefeituras contam com 83 fiscais.

Nas ruas
“Geralmente o varredor não tem passado por aqui. E quando passa, não varre nada”, afirma o zelador Reginaldo Victor da Silva, 31, que trabalha na rua Avanhandava, no centro. Diante de tanta sujeira, o jornaleiro Júnior Oliveira, 35, diz que a solução tem sido limpar ele próprio em frente à sua banca.
A Folha visitou várias regiões da cidade e, de modo geral, escutou dos moradores a mesma coisa: nas últimas duas semanas a cidade está bem mais suja.
Na rua Conselheiro Furtado (Liberdade), por exemplo, os varredores devem passar por lá três vezes ao dia, mas o comerciante Manoel de Lucena, 56, conta que eles não cumprem mais essa regularidade.
Plásticos e papéis eram encontrados ontem por volta de meio-dia em quase toda a extensão das sarjetas da rua.
O acúmulo de lixo também é motivo de reclamação na rua Treze de Maio, na Bela Vista (região central), onde os varredores deveriam passar três vezes ao dia. Na avenida Jacu-Pêssego (zona leste), comerciantes disseram que há um mês não é feita a varrição.
O corte na varrição foi feito, segundo Kassab, devido à crise financeira que reduziu a previsão de receita da prefeitura de R$ 29 bilhões para R$ 25 bilhões. O prefeito diz que só poderá gastar R$ 903 milhões com limpeza -mesmo valor de 2008- e que os cortes foram necessários para adequar os pagamentos a este valor.
“Todas as ruas da cidade estão passando pelo readequação de freqüência de varrição. É bom ressaltar que não haverá prejuízos na quilometragem varrida ou tonelagem de lixo recolhido”, diz a secretaria.

14/08/2009 - 13:01h Kassab gasta em propaganda mais do que corta em varrição

Gastos com limpeza terão corte de 20%, mas previsão é investir em publicidade 134% a mais do que o previsto no Orçamento

Prefeito diz que foi preciso ampliar despesas com propaganda para divulgar campanhas informativas nas áreas de saúde e de educação

kassab_publicidade_limpeza.jpg

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

A Prefeitura de São Paulo já gastou mais em propaganda neste ano do que o valor que será cortado dos serviços de varrição de ruas e retirada de entulhos. Conforme a Folha revelou ontem, a administração Gilberto Kassab (DEM) vai cortar 20% dos gastos com varrição e coleta de entulho -redução de R$ 58,4 milhões na despesa com os serviços.

Até o início deste mês a gestão já havia empenhado R$ 69,5 milhões para propaganda.

No total, Kassab prevê gastar R$ 78,8 milhões com publicidade até o fim do ano, 134% mais do que o valor previsto no Orçamento para 2009 e 98,5% acima do gasto do ano passado, quando o prefeito foi reeleito.

Questionado ontem pela manhã, Kassab defendeu o corte de gastos com limpeza e as despesas com publicidade.

Segundo ele, a prioridade da gestão é manter os investimentos nas áreas de saúde e educação e garantir os subsídios às empresas de ônibus para não aumentar a tarifa neste ano.

O prefeito disse que o município deve arrecadar R$ 24 bilhões neste ano, 1% menos que no ano passado já descontada a inflação.

Com isso, disse o prefeito, foi necessário fazer uma série de cortes, mas que não afetarão a qualidade dos serviços. “Nós vamos ter rigor na fiscalização em todas as áreas, também na varrição, e vamos preservar a qualidade do serviço.”

Sobre as despesas com publicidade, Kassab disse que foi necessário para divulgar os serviços da prefeitura. Ele citou campanhas das áreas de saúde e educação, como a orientação à população sobre a gripe suína. “É equivocado fazer essa análise de que aumentou a publicidade. É vinculado à prestação de serviços.”

Demissões

Apesar de o prefeito afirmar que a qualidade dos serviços será mantida mesmo com os cortes, o presidente do sindicato das empresas de limpeza urbana, Ariovaldo Caodaglio, diz que a redução de 20% nos gastos com a varrição terá reflexos. “Os preços pagos pela varrição, no nosso entendimento, nem cobrem os custos”, disse ele, que diz serão “inevitáveis” as demissões no setor.
O corte no serviço de limpeza urbana ocorre às vésperas da temporada de chuvas.

O líder do PT na Câmara, João Antonio, disse que a prefeitura fez um orçamento inflado para abrigar todas as “promessas eleitoreiras”. “O governo vem com essa desculpa da crise internacional quando na verdade a Prefeitura de São Paulo arrecadou mais 5,45% no primeiro semestre deste ano em comparação a 2008.”

PT e governo usam critérios diferentes para apurar se houve queda ou crescimento da receita. Por isso as informações são divergentes.

(EVANDRO SPINELLI)

13/08/2009 - 14:27h Cidade suja

Kassab reduz serviços de limpeza de rua

Prefeito determinou corte de 20% no valor dos contratos; orçamento destinado às obras viárias e de canalização será reduzido em 70%

Promessas de campanha, como não aumentar a tarifa de ônibus e construir mais AMAs, não serão afetadas pelas medidas anunciadas

http://farm1.static.flickr.com/61/197935252_5d55966440.jpg

CATIA SEABRA E JOSÉ ERNESTO CREDENDIO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Em tempos de lei antifumo, que encheu calçadas de bitucas de cigarro, e às vésperas da temporada de chuvas, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), determinou um corte de 20% nas verbas para a retirada de entulho e a varrição das ruas da cidade.
A medida representa redução de R$ 58,4 milhões na previsão de gastos com coleta de resíduos (R$ 31,56 milhões) e varrição (R$ 260,3 milhões).
Além da limpeza urbana, houve uma redução de 70% do orçamento para obras viárias e de canalização. Como o volume de recursos caiu de R$ 300 milhões para R$ 100 milhões, obras com início previsto para este ano ficam para 2010.
Kassab optou por reduzir a despesa com a varrição para manter promessas de campanha eleitoral, como o congelamento da tarifa de ônibus, o que está exigindo gastos cada vez maiores com os subsídios às empresas. Segundo ele, foi necessário um aporte de R$ 600 milhões em subsídios.
Em 2008, a prefeitura estimava em R$ 29 bilhões a receita deste ano. Com a iminência da crise, reduziu a expectativa para R$ 27,5 bilhões. “Agora, a gente fica contente se chegarmos a uma arrecadação R$ 24 bilhões. Estamos fazendo isso [revendo o orçamento] para terminar o ano com a prefeitura bem”, disse Kassab.
A prefeitura vem sofrendo com a crise porque, apesar dos indícios da retomada da economia, a queda da arrecadação ainda não se reverteu, o que deve ocorrer nos próximos meses.
Segundo o próprio prefeito, a decisão exigirá redução das equipes de limpeza nas ruas. Como as empresas contratadas atuam segundo planilha de serviços apresentada pelas subprefeituras, o corte não requer revisão de contratos. Só das planilhas mensais do serviço.
Ainda segundo o prefeito, todas as secretarias foram alvo de corte. Apenas saúde e educação foram preservadas.
“É melhor cortar dinheiro de varrição, de empreiteira, do que de educação e saúde. Não vai acabar a varrição. Vai reduzir o número de equipes. Na Secretaria de Infraestrutura e Obras, vai paralisar obras. Ou não começar. Habitação, da mesma maneira. Tudo muito importante. Mas, infelizmente, tivemos uma queda na arrecadação e não podemos quebrar a prefeitura”, disse. E insistiu:
“Só falta alguém achar correto cortar saúde e educação para manter varrição e obra”.
O corte na verba da varrição consolida uma crise que vem desde janeiro, quando garis pararam na zona norte por atraso nos salários. Entre abril e maio, uma nova crise pontual, quando cerca de 20% dos funcionários de varrição da região central pararam alegando que haviam sido contratados para outros serviços, e não como garis.
O problema no centro continua, disse o secretário Andrea Matarazzo (Subprefeituras) à rádio CBN. Ele confirmou que a varrição do centro foi reduzida há 40 dias. “No centro, tivemos uma pequena redução [da limpeza] em função de ajustes que tivemos de fazer no contrato. Varre-se algumas vezes menos alguns lugares, é quase imperceptível, mas alguma pequena diferença poderá ser notada em alguns lugares.”
Como os contratos envolvem varrição e serviços complementares -remoção de entulho e grandes objetos, capinação, lavagem de escadarias e monumentos e pinturas de guias-, esses serviços devem sofrer os efeitos do corte.
O presidente do sindicato das empresas de limpeza urbana, Ariovaldo Caodaglio, diz que demissões serão inevitáveis. “Os preços pagos pela varrição, no nosso entendimento, nem cobrem os custos.”
“O serviço, que já está muito ruim, vai piorar. Não dá para fazer o mesmo com menos equipes”, diz José Moacyr Malvino Pereira, presidente do Siemaco (sindicato de trabalhadores na limpeza pública).

Para moradores e funcionários, serviço já é ruim

TAI NALON
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

“Se eu não varrer as calçadas, ninguém faz por mim”, reclamou ontem Jairo Silva, funcionário de um bar na Consolação, centro de São Paulo.
Com uma vassoura na mão, restringia-se a afastar bitucas de cigarro, papeis de bala e embalagens de salgadinhos da calçada para a sarjeta.
“Se não for assim, a calçada fica suja, o bar não vende e a fiscalização multa”, justificou.
Quando os varredores não aparecem, frequentadores da região central ficam por conta da boa vontade de funcionários do comércio para andar em calçadas limpas.
Ali, queixas sobre o serviço de limpeza da cidade são comuns e a informação de que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) cortará verba da limpeza das ruas não causa comoção.
“A verdade é que o serviço nunca foi lá essas coisas. Então, sinceramente, diminuir a verba não muda minha vida”, disse José Antônio Reis, funcionário de um bar perto da praça da República (centro).
Ele conta que, para agradar aos clientes, tem de varrer as calçadas pela manhã, ao abrir, e à noite, antes de fechar.
Não muito longe dali, próximo ao viaduto do Chá, seis garis revezavam-se na varredura das calçadas próximas à sede da prefeitura. Embora admitissem que a prioridade de limpeza da região eram os prédios históricos, não quiseram comentar o itinerário de limpeza do dia.

Cidade limpa
Para a manicure Luzia dos Santos, a sujeira nas imediações da rua da Consolação aumentou principalmente depois das eleições do ano passado. “Naquela época, a cidade estava tinindo; mesmo aqui, que sempre foi uma sujeira só”, disse.
Cybelle Fioravante, moradora da região, comenta que varredores passam antes dos horários de movimento, o que acaba por deixar a rua suja durante a noite. “E agora o prefeito da cidade limpa quer deixar a cidade suja. Ainda mais suja”, lamenta.