01/12/2008 - 13:22h Cinema Paradiso?

300px-Brasil_filme.svg.png

Ancine anuncia investimento recorde de R$ 74 milhões na produção de filmes, num momento em que o principal gargalo é a exibição, com público em queda

Jotabê Medeiros – O Estado SP

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) anuncia nesta quinta-feira os primeiros editais do Fundo Setorial do Audiovisual, criado há dois anos, e que destinarão a quantia recorde de R$ 74 milhões para projetos cinematográficos em 2009. Paradoxalmente, malgrado os investimentos, o cinema nacional vive um momento de queda de público. Em julho, o último dado oficial divulgado mostrava uma participação do cinema nacional no público exibidor de cerca de 6,9% (diante de uma média, no período da retomada, entre 10% a 15%).

“É muito expressivo o investimento. Nunca houve, em nenhum governo, federal, municipal ou estadual, um montante como esse sendo investido no cinema”, disse ao Estado Manoel Rangel, presidente da Ancine, na sexta. Para se ter uma idéia, duas das maiores empresas nacionais a investirem em cinema, o BNDES e a Petrobrás, destinaram este ano para o setor, respectivamente, R$ 12 milhões e R$ 26 milhões.

Em 2007, o cinema nacional teve 10 milhões de espectadores no ano, diante de 16 milhões em 2004. Mas o presidente da Ancine rebateu a tese de que o público do cinema brasileiro enfrenta momento de queda. Disse que o market share (participação do público nacional no total da bilheteria de cinemas) subiu para 9,4% em outubro e que o monitoramento da Ancine mostra que está em crescimento e o ano deve fechar em “10%, 10,5% ou 11%”.

Rangel acredita que houve uma “repercussão excessiva de uma situação de momento, pontual”, quando o market share caiu abaixo de 7% em julho. Para ele, a recuperação tem-se mostrado bastante expressiva nas últimas semanas.

De qualquer modo, diz Rangel, o dinheiro do Fundo Setorial do Audiovisual, embora nesse primeiro ano seja destinado à produção, poderá engordar as estratégias de exibição em 2010. “Além de destinar recursos do fundo, teremos outras ações no terreno do consumo, como a proposta do Vale Cultura”, ponderou.

Segundo o dirigente, a chegada de um fundo direto de investimento não quer dizer que se vá abrir mão do mecanismo de renúncia fiscal, o motor da Lei do Audiovisual. “Nosso projeto não é substituir, é compartilhar o fundo com a renúncia fiscal.”

Os editais a serem anunciados nesta quinta-feira, os quatro primeiros, prevêem investimentos em produção para cinema; produção para TV aberta e TV por assinatura; aquisição de direitos de distribuição de obras cinematográficas brasileiras de produção independente e comercialização de longas-metragens para salas de cinema.

O Fundo Setorial do Audiovisual destina recursos para estímulo à atividade audiovisual. Foi criado em 2006 (lei 11.437) e regulamentado no ano passado, e sua verba provém da taxação da indústria cinematográfica (a taxa Codecine), da atividade econômica do setor e do Fundo de Fiscalizações das Telecomunicações (Fistel).

Segundo Manoel Rangel, o Fundo Setorial do Audiovisual já arrecadou R$ 90 milhões, cuja proveniência principal é, principalmente, da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Brasileira) – os impostos que os distribuidores e exibidores pagam. No ano que vem, a maior parte dos recursos virá do Fundo das Telecomunicações.

Após a euforia da retomada, o cinema brasileiro vive uma fase de diversificação. Segundo dados do site Filme B, que compila estatísticas do cinema no País, está havendo um aumento expressivo de co-produções internacionais (eram em média cinco parcerias por ano em 2003, e o número saltou para 32 parcerias em 2008). O Brasil tem acordos com 8 países.

O resultado tem sido bom para a imagem do cinema nacional no exterior. Quatro co-produções foram selecionadas em importantes festivais de cinema do mundo: Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles, e Linha de Passe, de Walter Salles, disputaram a Palma de Ouro em Cannes; e Birdwatchers, de Marco Bechis, e Plastic City, de Yu Lik Wai (apesar dos diretores estrangeiros, foram rodados no Brasil), concorreram em Veneza.

04/06/2008 - 21:55h Mais cinema brasileiro em Paris

por Mário Camera – Blog À Francesa

O cinema brasileiro continua tomando conta de Paris. Depois do Festival du Cinéma Brésilien, chegou a vez do “Brésil en Mouvements” e do “Nossas Novas”.

O “Brésil en Mouvements” é uma mostra politizada, que apresenta projeções seguidas por debates sobre direitos humanos, meio ambiente e questões sociais no Brasil. A 4ª edição começa hoje e vai até o dia oito.

A iniciativa é da Autres Brésils, associação que promove discussões em torno da atual situação social no Brasil, fugindo da santíssima trindade dos clichês sobre o país: bunda-samba-praia. A responsável por tudo é a Érika Campelo, jornalista que eu conheci há dois anos, quando comecei na rádio. Foi com a Érica que fiz o meu primeiro “ao vivo”, durante o fatídico França-Brasil da última Copa.
Além disso, o Brésil en Mouvements tem os melhores cartazes de todos os festivais de cinema brasileiro que eu já vi.

 

Brèsil en Mouvement/Divulgação

Cinema também no “Nossas Novas”, que tem apoio da universidade Paris VIII e no próximo domingo inaugura sua primeira edição trazendo curtas e longas brasileiros a Paris. Os documentários são, em sua maioria, produções independentes recentes.
O festival é organizado pelo coletivo Vira Lata, formado por estudantes brasileiros na França e capitaneado pela mineira Telena Teles, que conheci, primeiro, pelos pães de queijo preparados por ela e, depois, em volta de uma garrafa de vinho “bon marché”, em uma dessas noites que nunca acabam quando estou em sua casa.

Festival Nossas Novas/Divulgação

Para a programação:

Brésil en Mouvements
Nossas Novas