19/11/2009 - 13:55h Constrangimento ao PSDB tem lucro eleitoral, irritação faz mal à saúde do impaciente

Acordo com Ciro constrange PSDB e irrita petistas


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Raymundo Costa, de Brasília – VALOR

Além de causar constrangimento entre os tucanos, o acordo de Ciro Gomes (PSB) com Aécio Neves (PSDB), para as eleições de 2010, provocou cobrança e insatisfação no PT. Em conversa na terça-feira, em Belo Horizonte, Ciro reafirmou o compromisso de retirar sua candidatura a presidente, se o nome a ser indicado pelo PSDB for o do governador de Minas Gerais. Na prática, isso significaria o afastamento de Ciro da candidatura oficial do governo, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Ciro já havia manifestado, em julho, a intenção de abrir mão de sua candidatura e apoiar Aécio Neves, na hipótese de o governador vir a ser o candidato do PSDB. À época, a declaração foi tomada apenas como provocação ao governador de São Paulo, José Serra, o mais provável candidato dos tucanos a presidente. Para Aécio, receber novamente Ciro em Belo Horizonte era mais um capítulo da disputa que trava com Serra. Mas a situação de Ciro mudou bastante desde julho passado.

Nesse período, Ciro manteve sua candidatura presidencial, apesar de um apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PSB de apoio à candidatura única dos partidos aliados (Dilma), e transferiu o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, deixando em aberto a possibilidade de concorrer ao governo do Estado. A gestão de Ciro ficou a cargo do presidente do PT, Ricardo Berzoini, que coordena o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do partido. Em pelo menos duas ocasiões o presidente petista foi acionado para “conter” o deputado cearense.

Na primeira, Ciro exigia uma rápida definição do PT sobre sua eventual candidatura ao governo de São Paulo. Os petistas pediram tempo para aparar as arestas internas esperadas em decorrência do lançamento de um candidato (Ciro) de outro partido (o PSB).

O PT tem outros nomes que podem ser indicados, como o do deputado Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, e de Emídio de Souza, prefeito de Osasco, por exemplo. A ex-prefeita Marta Suplicy também havia defendido a candidatura própria, tendo especificado o nome de Palocci, e precisava ser “conversada” para apoiar a estratégia do presidente Lula para São Paulo.

O tempo passou e o PT não se manifestou, como esperava Ciro. O deputado voltou a exibir sinais de impaciência com o partido, que preferiu então jogar o problema para o presidente Lula. A conversa do presidente com o ex-ministro da Integração Nacional não foi muito diferente.

Fontes do PSB, por outro lado, contam que o flerte de Ciro Gomes tem dois objetivos: jogar para dentro do PSDB, partido ao qual já foi filiado, a fim de demonstrar que Aécio é capaz de reunir mais apoios que o governador José Serra; e o segundo, estabelecer uma cabeça de ponte em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país. Se conseguir dividir o eleitorado mineiro, Ciro poderia anular a diferença a ser obtida por Serra em São Paulo.

Ao manter Ciro como pré-candidato, o PSB aumenta seu poder de negociação com o partido líder da aliança que atualmente apoia o governo. Também se resguarda em relação à possibilidade de que Dilma Rousseff não viabilize sua candidatura a presidente. O PT esperava resposta melhor da ministra nas pesquisas, devido a ampla exposição a qual foi submetida, após ter recebido alta hospitalar. Ciro, por seu turno, mantém-se à frente ou empatado tecnicamente com Dilma. O governador José Serra, líder nas pesquisas, acha que Ciro é mais candidato a presidente que a governador do Estado.

Entre as declarações que Ciro fez em Belo Horizonte, uma especialmente chamou a atenção dos petistas: a de que Aécio é o candidato que pode “convocar todos os brasileiros decentes, de todos os partidos, como faz em Minas, e celebrar um projeto de país que dê avanço ao que o presidente Lula representou”. Para o presidente Lula e o PT, o candidato descrito por Ciro Gomes tem um outro nome. Chama-se Dilma Rousseff. O governador Aécio, depois de ter dado um prazo para o PSDB se definir (15 de janeiro) abandonou o discurso do pós Lula e passou a atacar o governo, na expectativa de melhorar sua posição relativa entre os tucanos.

Ontem, em São Paulo, o governador José Serra evitou comentar a aproximação entre Aécio Neves e Ciro Gomes. Depois de vistoriar obras de ampliação do metrô de São Paulo, Serra negou-se a falar sobre política, mas disse aos jornalistas que eles poderiam fazer perguntas sobre o assunto, se quisessem. Porém, adiantou que não iria responder.

Questionado sobre o encontro de entre Aécio e Ciro, o governador paulista disse que não caberia a ele comentar. “Não tem nenhum comentário. O Aécio tem o direito de ver as pessoas que ele quiser. A mim não cabe comentar”, afirmou. (Com agências noticiosas)

18/11/2009 - 11:21h O erro de Serra e Aécio é evitar a “contaminação”do governo FHC, em vez de assumir suas virtudes e defender o programa partidário, diz Merval Pereira


Passo em falso

Merval Pereira – O Globo

A insistência com que o governador Aécio Neves alardeia sua amizade pessoal e afinidade política com o deputado federal Ciro Gomes, candidato potencial do PSB à Presidência da República, e a repetição, por parte deste, da promessa de não se candidatar caso o governador de Minas venha a ser o escolhido do PSDB, é mais uma prova exemplar de como nosso sistema partidário é caótico, gerando governos eleitos sem uma mínima base parlamentar que lhes dê sustentação política efetiva.

Ciro foi de diversos partidos, inclusive da Arena no tempo da ditadura, mas teve sucesso político no PSDB, pelo qual chegou a ser ministro da Fazenda na transição do governo Itamar Franco para o primeiro governo de Fernando Henrique.

Esse período serviu também para que se tornasse adversário ferrenho tanto do ex-presidente quanto de José Serra, a quem, pela gana que tem, deve atribuir uma atuação decisiva para que não tenha continuado ministro da Fazenda.

A atuação de Aécio na tentativa de distender o ambiente político no pós-Lula tem sentido, mas ficou evidente que é uma tarefa quase impossível costurar alianças políticas com adversários figadais nesse período que antecede a eleição.

Ele já tentara uma aliança em Minas com o então prefeito petista de Belo Horizonte Fernando Pimentel para emplacar um candidato comum, Márcio Lacerda (PSB), e esbarrou na negativa do PT nacional.

Ao vetar a aliança na sua instância mais alta, depois que ela fora aprovada pelos diretórios regional e estadual, o PT mostrou que sua visão política é pragmática até certo ponto.

Aceita fazer acordos “até com o diabo”, mas não quer fortalecer uma eventual candidatura tucana à Presidência da República.

Aécio teve que se contentar com um apoio “informal” ao seu secretário, que acabou sendo eleito. Mas não ficou nada da aliança com o PT no estado.

Tanto que Pimentel é um dos coordenadores da candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência e deve ser o candidato petista ao governo de Minas, com a tarefa de derrotar o governador Aécio, que pretende lançar seu super-secretário Antonio Anastasia.

Para aumentar as diferenças, a candidata oficial pretende ressaltar na campanha suas origens mineiras, embora tenha feito toda sua vida política e profissional no Rio Grande do Sul. Para não perder o controle político de Minas, caso não venha a ser candidato a presidente, Aécio terá que derrotar o petismo, que é forte no estado.

Mas, voltando à relação Ciro/ Aécio: é difícil acreditar que o PSB aceitaria sair da base petista para apoiar Aécio à Presidência, mesmo que Ciro assim o quisesse. Mais difícil ainda é aceitar que Ciro, desistindo do Planalto por Aécio, não se candidatará ao governo de SP, como quer Lula. E, candidatandose, não fará campanha agressiva contra Serra, que, nesse caso, seria candidato à reeleição.

Não é nem o caso de analisar as chances de vitória de Ciro em São Paulo, que são quase nulas em qualquer caso. Simplesmente os ataques de Ciro a Serra inviabilizariam o seu apoio a nível nacional a Aécio.

Portanto, essa estratégia do governador mineiro não serve para nada, a não ser para criar um ambiente de constrangimento dentro do seu partido.

A ideia central da candidatura de Aécio é a de que ele é mais agregador do que Serra, e que sua candidatura seria “mais ampla”, para usar as palavras do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que, de tão inábeis, podem ser tentativa pouco sutil de sinalizar a Serra que abra caminho para Aécio.

Mas, como vender essa imagem se ele não consegue conciliar em seu próprio partido? A busca de apoios em partidos que fazem parte da coligação governista, mas que são claramente peixes fora d’água, como PP e PTB, faz parte de um movimento correto para demonstrar sua suposta maior capacidade de agregar apoios.

Mas fazer provocação pública a seu concorrente e ao presidente de honra do PSDB, FH, em troca de nada, não parece uma estratégia adequada num momento capital como a definição da candidatura oposicionista.

É claro que deve haver alguma razão recôndita para que Aécio, um político experiente, tenha dado esse passo aparentemente em falso, quando encaminhava bem sua justa tentativa de ser escolhido pelo partido.

Talvez ele e seus assessores considerem que assim possa ser visto como um candidato desligado da história do PSDB, e que, por isso, não será apanhado na armadilha que o PT está armando, de comparar os governos de FH e de Lula.

Estaria incorrendo num erro que pode ser fatal, o mesmo em que incorreram Serra e Alckmin, os dois tucanos batidos por Lula: evitar a “contaminação” do governo FH, em vez de assumir suas virtudes e defender o programa partidário.

O mesmo erro Serra está cometendo novamente, na tentativa de se mostrar uma alternativa confiável para eleitores de esquerda que eventualmente possam estar insatisfeitos com a escolha de Dilma.

Até o momento, mesmo admitindose que exorbita de seu poder para tentar colocar em pé a candidatura de Dilma, é o presidente Lula quem está fazendo tudo certo, apesar de ser o PSDB que tem em José Serra o candidato preferido do eleitorado até o momento.

A indefinição do PSDB, e sua divisão cada vez mais clara, contrastam com a unidade governista, mesmo que a candidata oficial seja ruim de voto e não tenha traquejo político.

O que alimenta o apoio de um amplo leque de partidos à sua candidatura é a crença na capacidade de Lula transformar em votos para sua candidata sua grande popularidade.

O PT, com sua gana de poder e seu programa esquerdista reafirmado, deveria ser um empecilho a esse apoio por parte de partidos que confiam em Lula, mas não no PT.

Mas o PSDB teria que lhes dar alguma segurança. Até o momento, não tem nem candidato nem proposta alternativa.

A propósito de informação de que o PSDB gastou R$ 160 milhões na campanha presidencial de 2006, dada na coluna de sábado, “Plutocracia”, recebi o seguinte esclarecimento do vicepresidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira: “A campanha do PSDB de 2006 custou cerca de R$ 83 milhões, e este número está na página do TSE. A confusão que leva ao erro pode ser a solicitação do TSE, que pediu ao PSDB para registrar, como doação do partido ao candidato, a parcela desses recursos que, segundo o TSE, deveriam estar explicitados como despesas específicas do candidato e não da campanha.

Assim, se trata de dupla contagem, pois o PSDB só arrecadou e só fez dispêndio na conta do Comitê financeiro”.

E-mail para esta coluna: merval@oglobo.com.br

18/11/2009 - 10:52h A confiança no calendário


O PSDB consumiu todo o ano de 2009 sem avançar um centímetro na busca por métodos consensuais e democráticos para resolver sua disputa interna. O partido parece ter uma fé ilimitada na folhinha

Por Alon Feuerwerker – Correio Braziliense

alonfeuerwerker.df@dabr.com.br

O PSDB colhe pelo menos uma vantagem da indefinição sobre a candidatura presidencial: o adversário não sabe por enquanto em quem concentrar o fogo. O PT está como o gato que tem dois ratos a perseguir. Na dúvida, mais provável é que não capture nenhum.

Se o tucano na corrida presidencial for Aécio Neves, o Palácio do Planalto espera a neutralidade de um José Serra ilhado na luta para reeleger-se em São Paulo e ferido em seus brios de líder nas pesquisas — e mesmo assim preterido. Se for Serra, o PT sonha com um Aécio à moda Pilatos, lavando as mãos e deixando em aberto o rico estoque de votos de Minas Gerais — onde Luiz Inácio Lula da Silva fez a festa em 2002 e 2006.

Enquanto não acontece a definição, os canhões palaciano-petistas operam à meia força. Fora isso, amontam os problemas políticos do PSDB. Que se ressente de não ser um partido, mas vários. Ou pelo menos dois. O que define um partido? O líder. Vide o PT. E quem, como o PSDB, tem mais de um líder, na prática não tem líder algum.

Os tucanos podem argumentar que não é bem assim, que ao contrário do PT não são uma legenda controlada por um caudilho. É verdade, o PSDB ainda não chegou a esse estágio. Está num inferior. Tem vários candidatos a caudilho, sem que nenhum mostre força para prevalecer sobre os demais. Força ou habilidade. Aliás, a observação fria leva a concluir que, ali, quem tem força a mais tem habilidade de menos. E vice-versa.

O PSDB consumiu todo este ano de 2009 sem avançar um centímetro na construção de métodos razoavelmente democráticos e consensuais para desfazer o nó. Neste particular, o PT está anos-luz à frente da concorrência. As regras no partido de Lula são claras. Quem tiver pretensões, que trate de arrumar votos e disputar eleições internas. Além de Lula, o PT tem o método. O PT é nosso único partido “americano”. E quando o jogo tem regras claras, a chance de acabar em facada e tiro é menor.

Já o PSDB parece ter eleito o calendário para comandar a legenda. Como se num dia marcado na folhinha os tucanos fossem acordar com todos os problemas resolvidos. Até lá, é cada um por si e — quem sabe? — Deus por todos.

Ontem, Aécio deu uma cartada importante. Recebeu o apoio de Ciro Gomes (PSB). O deputado federal eleito pelo Ceará — mas de título recém-transferido para São Paulo — assumiu na prática o compromisso de apoiar o governador de Minas caso ele ganhe a corrida dentro do PSDB.

É possível que Ciro nutra a esperança de receber ele próprio o aval de Aécio caso a sorte não sorria para o mineiro internamente, mas na política não há gestos inúteis. A política é como um trilho de trem: depois que você começou a rodar numa certa linha, não é tão simples sair dela sem descarrilhar.

(…)

Leia a integra da coluna Entrelinhas, no Correio Braziliense

17/11/2009 - 18:39h Ciro Gomes pode abrir mão de candidatura por Aécio Neves

Para deputado, governador mineiro encerraria o ‘provincianismo’ da disputa entre o PT e o PSDB de São Paulo

Eduardo Kattah, da Agência Estado

‘O Aécio pode convocar todos os brasileiros decentes de todos os partidos’, disse o deputado

Alex de Jesus/O Tempo
'O Aécio pode convocar todos os brasileiros decentes de todos os partidos', disse o deputado

‘O Aécio pode convocar todos os brasileiros decentes de todos os partidos’, disse o deputado

BELO HORIZONTE – O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) reafirmou nesta terça-feira, 17, que poderá desistir de ser candidato à Presidência da República em 2010 caso o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, consiga se viabilizar como presidenciável do PSDB. Aécio e Ciro participaram de um evento em Belo Horizonte e depois almoçaram reservadamente no Palácio das Mangabeiras.

“Se o governador Aécio Neves se viabilizar candidato a presidente da República, eu penso que a sua presença é tão importante para o Brasil que a minha candidatura não é necessária mais”, disse Ciro, após a solenidade de lançamento do portal da ONG Brasil Tem Jeito, idealizado pelo deputado federal Rodrigo de Castro (MG), secretário-geral do PSDB e um dos principais aliados do governador mineiro.

O deputado pelo Ceará voltou a observar que sua candidatura é uma decisão do partido, mas justificou sua disposição de abrir mão em favor de Aécio dizendo que o mineiro encerra o “provincianismo” da disputa entre o PT e o PSDB de São Paulo.

“A minha necessidade aguda de ser candidato não remanesce mais”, afirmou. “O Aécio pode convocar todos os brasileiros decentes de todos os partidos, que é como ele faz em Minas Gerais, e celebrar um projeto de País que dê avanço ao que o presidente Lula representou”.

O governador mineiro classificou Ciro como o “amigo de uma vida” e disse que avaliaria “todas as possibilidades” na conversa com o deputado do PSB. “Se pudermos estar juntos, para mim seria extraordinário. Se não pudermos não deixaremos de ter afinidades. Essas afinidades não se perdem em razão de circunstâncias políticas ou partidárias”.

21/10/2009 - 09:34h Acordo deve deixar Ciro fora da corrida pelo Planalto. Projeto para 2010, com apoio de Lula, seria concorrer à sucessão de Serra

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Marcelo de Moraes, Vera Rosa e João Domingos, BRASÍLIA – O Estado SP

Dentro do Palácio do Planalto já existe uma certeza – o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) não disputará a corrida presidencial contra a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Oficialmente, Ciro manterá a candidatura à Presidência até os primeiros meses do próximo ano, mas seu destino eleitoral já está definido e será a disputa pelo governo de São Paulo, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT.

A retirada da candidatura não será feita com antecedência por razões estratégicas. Primeiro, o próprio Lula quer esperar pela consolidação do nome de Dilma. A expectativa é de que as viagens da ministra, como a feita ao lado de Lula e de Ciro por cidades do Rio São Francisco, já comecem a produzir efeito, refletindo nas pesquisas eleitorais.

Além disso, o governo entende que a presença momentânea de Ciro como fator favorável, pois tem disputado intenção de voto nos mesmos segmentos que o governador de São Paulo, José Serra, (PSDB), principal pré-candidato da oposição. Ele também tem assumido o debate crítico contra o tucano, o que ajuda na campanha governista.

Existe, no entanto, uma condição clara para que esse movimento se concretize. Dilma precisa ultrapassar Ciro nas pesquisas. “Se ela não decolar, ele disputa a Presidência”, avisa um dirigente do PSB.

Outro claro sinal da sintonia com o Planalto é que Ciro e os dirigentes do PSB nem sequer têm se movimentado para atrair o apoio de outros partidos. Sem alianças, terá pouco tempo de propaganda eleitoral. Na prática, Ciro e seu partido têm acompanhado com serenidade o movimento de Lula e Dilma para fecharem acordo com todas as outras legendas da base governista, sem se apresentarem como alternativa.

BLOQUINHO

PDT e PC do B, que se aliaram ao PSB para formar o chamado “bloquinho” na Câmara, também apostam na desistência de Ciro da corrida presidencial.

“Em poucos dias, boa parte dos partidos mais à esquerda deve anunciar o apoio à candidatura de Dilma”, afirmou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, que foi candidato a vice na chapa presidencial encabeçada por Ciro em 2002. “Nesse cenário, ficará somente com o PSB e a tendência é de que seja candidato em São Paulo.”

Na avaliação de Paulinho, que conversou com dirigentes do PT e do PSB nos últimos dias, tudo indica que Ciro fará a vontade de Lula e concorrerá para governador, deixando caminho livre para Dilma. “Se ele entrar na disputa em São Paulo, nós o apoiaremos e poderemos montar uma chapa conjunta com PT e PSB.”

Lula conversou com Ciro na viagem que fez pelo São Francisco, na semana passada. O presidente, que levou Dilma a tiracolo, foi taxativo, dizendo que a base aliada deve lançar um único candidato à sua sucessão para tornar a disputa plebiscitária entre o PT e o PSDB.

“SACRILÉGIO”

Na seara petista, a desistência de candidatura própria em São Paulo é vista como uma espécie de sacrilégio por boa parte da legenda. A provável entrada de Ciro no páreo paulista divide o PT e até integrantes do grupo.

Enquanto o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), e o líder do partido na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), apoiam a candidatura de Ciro ao Palácio dos Bandeirantes, a ex-prefeita Marta Suplicy diz que o deputado “não tem ligação” com o Estado.

A ex-prefeita quer que o PT lance o deputado Antonio Palocci (SP), ex-ministro da Fazenda, à sucessão de Serra. Palocci é hoje o curinga do Planalto, pois tanto pode concorrer em São Paulo, caso Ciro não entre na briga, como ser o coordenador da campanha de Dilma.

A saída de Ciro da corrida presidencial facilita a montagem de campanhas regionais consideradas fundamentais pelo PSB. Com ele ao lado de Dilma, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), já avisou que fecha o seu apoio à reeleição do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), irmão do deputado, e não se lançará na disputa pelo governo.

Uma candidatura da prefeita seria um problema grave para a reeleição de Cid, já que o PT administra três das maiores cidades cearenses – Fortaleza, Juazeiro do Norte e Quixadá.

Em Pernambuco, o governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, busca a reeleição. Com Ciro apoiando a campanha de Dilma, o PT local deverá reforçar o palanque de Campos. Nessa parceria, o PT poderia ainda apoiar o PSB em Mato Grosso e no Amapá.

15/10/2009 - 19:47h Lula defende candidato único e eleição plebiscitária

ANGELA LACERDA – Agencia Estado

FLORESTA, PE – “Gostaria que tivéssemos apenas um candidato, que fizéssemos uma eleição plebiscitária – pão pão, queijo queijo”. A defesa incisiva foi feita hoje pelo presidente Luiz Inácio da Silva durante sua visita a Floresta, no sertão pernambucano, onde vistoriou o canteiro de obras na tomada d”água do eixo leste da transposição do São Francisco.

“Se não for possível, paciência”, completou ele, ao deixar claro, no entanto, que no que depender dele, sua sucessão será disputada por um representante da situação e um da oposição.

Indagado sobre a possibilidade de dois palanques presidenciais em Pernambuco – com as candidaturas da ministra Dilma Rousseff (PT) e do deputado federal Ciro Gomes (PSB) – ele brincou: “não vê que a Dilma e o Ciro estão sempre juntinhos?”

Confiante na relação construída com os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e do Ceará, Cid Gomes, ambos do PSB, acredita que haverá entendimento nacional em torno de um só candidato. “Não me vejo indo a Pernambuco sem estar no palanque de Eduardo, não me vejo indo ao Ceará sem estar no palanque de Cid”.

“Vamos trabalhar, temos seis meses para maturar, muita coisa vai acontecer, vamos maturar”, observou na expectativa de poder anunciar um só candidato.

Obra irreversível

O presidente considerou a obra da transposição do São Francisco “irreversível”, independente de quem venha a sucedê-lo. “Vamos ter (em 2010) um canal pronto (eixo leste) e outro com mais ou menos 70% (eixo norte) pronto”, observou.

“Acho que as pessoas que vierem depois de mim vão terminar e fazer outras obras mais importantes ainda”, afirmou ao destacar que pretende deixar “uma prateleira de projetos e dinheiro previsto no orçamento para que quem vier possa começar bombando, trabalhando muito, porque o Brasil aprendeu a gostar de crescer, o povo aprendeu a gostar de trabalhar”.


Crescimento

“Não há possibilidade de o Brasil parar de crescer”, destacou ao citar que o Brasil irá gerar mais de um milhão de empregos neste ano, de recessão internacional. “Aprendemos que este País só se transformará numa grande potência se não parar de crescer e para não parar de crescer o Estado tem que ter capacidade de investimento, de planejamento, precisa trabalhar junto com governadores e com prefeitos”. Por isso, segundo ele, agora será necessário um novo PAC – 2011/2015 – para a Copa do Mundo e a Olimpíada. “Até 2016, vamos ter tarefas incomensuráveis para fazer neste País”, afirmou. “E agora com o pré-sal nem me fale”. “O próprio Banco Mundial estima que em 2016 o Brasil será a quinta economia do mundo”, lembrou.

Oposição

Lula voltou a criticar seus opositores ao afirmar que se dependesse da oposição ele não faria nem o primeiro PAC. “O que a oposição quer é que o País pare para eles terem razão e o que a situação quer é trabalhar mais para não dar razão para a oposição”. O dado concreto, segundo o presidente, é que a oposição teve chance de fazer e não fez. “Nós estamos fazendo”.

Ainda sobre a obra da transposição, o presidente disse ser possivelmente a obra mais importante do Nordeste, mais do que a Transnordestina e mais do que a refinaria de Pernambuco, e as refinarias que serão instaladas em Fortaleza e São Luís do Maranhão. “Por uma razão: trata de um direito elementar e básico do mundo animal e do ser humano que é água para beber. Não é possível que as pessoas não se deem conta que a gente não pode ficar a cada verão chorando a seca no Nordeste brasileiro”.

30/09/2009 - 18:29h “Serra destruiu a escola de tempo integral em São Paulo. Eu não consigo entender como um governador faz isso com as crianças”, disse Gabriel Chalita

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Chalita_BsBConfidencial

08/08/2009 - 21:58h Dilma admite possibilidade de Marta disputar governo de SP

“Quanto mais mulher melhor”, afirmou a ministra ao ser questionada se dividiria uma chapa com Marta

Clarissa Oliveira e Tomas Okuda, da Agência Estado

SÃO PAULO – Em meio à negociação entre PT e PSB sobre uma possível candidatura do deputado Ciro Gomes (PPS-CE) ao governo paulista, a chefe da Casa Civil e candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, admitiu neste sábado, 8, a possibilidade de a ex-prefeita Marta Suplicy representar seu partido na corrida para o Palácio do Bandeirantes. “Quanto mais mulher melhor”, afirmou Dilma, ao ser questionada se gostaria de dividir uma chapa em que Marta seja a candidata ao governo. “Acho que as mulheres são muito unidas nisso”, respondeu Marta. As duas chegaram juntas na tarde deste sábado, por volta das 17h10, ao evento de encerramento das Caravanas do PT de SP, que reúne militantes e lideranças do partido na Quadra dos Bancários, região central da capital paulista.

Marta tem dito a aliados que pretende disputar a eleição do ano que vem, mas que ainda não decidiu para qual posto vai se lançar. O desgaste da derrota na última corrida municipal, entretanto, jogou contra a ex-ministra nas conversas para a definição do candidato petista ao governo estadual.

Sem candidato natural, o PT vem avançando na negociação com Ciro. Na próxima quarta-feira, o deputado vai se reunir em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), além de dirigentes dos dois partidos.

Na saída do almoço, Marta e Dilma minimizaram as conversas com o PSB. “Tenho a impressão de que esta é uma questão que vai se colocar para o partido em algum momento. Nós ainda estamos numa fase em que não estamos discutindo. É uma situação em que está tudo muito aberto. O partido agora está mais preocupado em se organizar”, disse Dilma. “Temos que, primeiro, aglutinar o partido e torná-lo muito sólido na nossa candidatura presidencial. E acho que não teremos nenhum problema aqui em ter uma representação, seja ela a que nos convier”, completou Marta.

Dilma aproveitou a ocasião para comentar a possibilidade de a senadora Marina Silva (PT-AC) sair candidata à presidência no ano que vem. Marina recebeu um convite do PV e estuda a possibilidade de deixar o PT para concorrer. Apesar das divergências entre as duas quando Marina deixou o Ministério do Meio Ambiente, no ano passado, Dilma manteve o tom diplomático. “Acho que a Marina, sempre, em qualquer processo é bem vinda, não acho que seja um problema a Marina”, disse a chefe da Casa Civil, dizendo não partir do princípio que a senadora vai de fato trocar de partido. “Para mim, a Marina é do PT.”

Na segunda-feira (10) a ministra faz balanço regional do PAC no Rio Grande do Norte, no centro de convenções de Natal, e na terça-feira tem compromissos em Mossoró(RN).

21/07/2009 - 12:02h Lula convoca PT paulista para discutir sucessão estadual

Yan Boechat, de São Paulo – VALOR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou a cúpula paulista do Partido dos Trabalhadores para discutir os rumos da sigla na disputa pelo governo de São Paulo. O encontro ocorrerá na noite desta quarta-feira em um jantar em Brasília, onde estarão presentes a bancada paulista do partido, as principais lideranças políticas da sigla no Estado e o prefeito de Osasco, Emídio Souza, pré-candidato do PT à sucessão do governador José Serra (PSDB). As convocações para o encontro foram feitas pelo presidente estadual do PT e ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva, a pedido do próprio Lula.

Este será o primeiro encontro entre a cúpula paulista do partido e o presidente da República para tratar exclusivamente da sucessão no Estado, que segue indefinida. Lula vai ouvir pessoalmente os argumentos de uma boa parte do partido que defende a candidatura própria e o nome de Emídio, na presença do prefeito de Osasco, que vem fazendo campanha para se tornar o escolhido do PT na disputa estadual desde o início do ano.

Apesar de contar com o apoio de uma parcela considerável do partido em São Paulo – apenas quatro dos 19 deputados estaduais não o apoiam -, Emídio de Souza ainda está longe de ter seu nome definido como o candidato do PT. Em uma eleição estratégica para a manutenção do poder nacional, a definição do candidato ao governo do maior Estado da federação passa muito mais por Brasília do que pelo diretório do partido em São Paulo. “O tabuleiro de xadrez é outro, enquanto aqui nós vemos uma realidade estadual, lá o Lula vê o jogo de alianças nacional”, diz o prefeito de Osasco, resignado com o fato de apesar de ter o apoio da maior parte do partido ainda assim não ser o escolhido para a disputa no Estado.

No fim, o que contará será a decisão que for tomada pelo presidente da República. Será Lula quem dará a palavra final sobre quem vai enfrentar a hegemonia tucana de 14 anos em São Paulo. Lula queria o deputado federal Antônio Palocci (PT-SP) como o candidato, mas o adiamento do julgamento do ex-ministro da Fazenda no Supremo Tribunal Federal obrigou o presidente a buscar uma nova opção. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) continua sendo uma das apostas de Lula, mas a indefinição por parte do próprio ex-governador cearense mantém o posto vago. “O cenário ainda está muito indefinido, há muitas variáveis em aberto”, diz Emídio.

É em cima exatamente de todas essas variáveis que a conversa entre Lula e a cúpula paulista do PT deve se concentrar na noite de amanhã. Sem um nome forte no Estado para disputar a eleição ao governo, o partido estaria aberto para, pela primeira vez nos últimos 20 anos, não ter um candidato próprio em prol de um projeto maior, a eleição da ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff.

Aberto, porém relutante. A parcela que apoia Emídio vai defender que mesmo com Ciro saindo como candidato, o PT deve ter um nome próprio. Na avaliação de lideranças que estão ao lado do prefeito de Osasco, duas candidaturas de oposição ao PSDB poderiam levar as eleições para o segundo turno. “E se o candidato for o Aloisyo Nunes Ferreira, como achamos que será, a disputa fica mais aberta”, afirma um dirigente petista.

06/07/2009 - 11:03h Ciro pode se candidatar por São Paulo, mas não decidiu ainda a qual cargo

Muito longe ainda das eleições de 2010, as especulações sobre o pleito, particularmente no Estado de São Paulo, são isso: especulações.

No caso de Ciro, que não definiu sua posição, a especulação faz parte do debate mais geral sobre a candidatura a presidente da qual, por enquanto, não se afastou.

Pessoalmente vejo com bons olhos a possibilidade de Ciro ser candidato em São Paulo, mais ainda que, segundo o artigo do jornal VALOR, “Ciro não descarta participar da corrida ao Palácio dos Bandeirantes mesmo que o PT lance candidato próprio, caso os aliados avaliem que a participação de dois nomes da base de sustentação de Lula pode evitar a vitória de Alckmin no primeiro turno.”, foi o que eu defendi em A questão de Ciro em São Paulo: factóide ou opção?:

“A eleição presidencial sendo prioritária para os partidários da continuidade do governo Lula, tudo deveria estar subordinado no Estado de São Paulo a este objetivo. Ainda mais que aqui se concentra quase um quarto do eleitorado do país. Esta prioridade significa que o PT deve constituir suas chapas majoritárias com aqueles dirigentes experientes em disputas eleitorais de peso, com cacife eleitoral e isto concerne os cargos de governador e vice, assim como ao Senado e à Câmara federal para obter o melhor percentual possível na disputa nacional neste Estado. Ao mesmo tempo o PT deve sim, conversar com seus aliados para convence-los de lançar os nomes mais fortes e viáveis aqui, para forçar um segundo turno na disputa para governo do Estado.”

Essa hipótese me parece a mais adequada e, diria eu, a única realmente plausível no Estado, pois permitiria sim reforçar o campo da oposição aos demo-tucanos e talvez forçar um segundo turno. Já a substituição de um candidato próprio do PT por Ciro, nada acrescentaria ao potencial eleitoral da oposição e pouco reforçaria a votação de Dilma no Estado. LF

Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) já tomou as primeiras providências necessárias a uma eventual troca de domicílio eleitoral de Fortaleza para São Paulo, abrindo caminho à possibilidade de disputar o governo do Estado, em uma estratégia de partidos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar a hegemonia do PSDB.

O prazo final para a transferência é um ano antes das eleições, que serão realizadas no primeiro domingo outubro de 2010. No entanto, a residência mínima de três meses no novo endereço é requisito para a troca, segundo o Código Eleitoral. Para cumprir a exigência, Ciro já providenciou imóvel em seu nome, garantindo comprovante de residência. “Já deve ter conta de luz no meu nome”, disse na semana passada.

O cumprimento da formalidade legal não significa que a decisão esteja tomada. As conversas entre PT, “bloco de esquerda” (PSB, PDT e PC do B) e partidos aliados em São Paulo estão avançadas. Falta, ainda, uma conversa decisiva entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Eduardo Campos (Pernambuco), presidente nacional do PSB. Lula tem dado sinais de que apoia a candidatura Ciro por São Paulo, mas falta oficializar a decisão.

Ciro trabalha com a hipótese de transferir seu domicílio eleitoral dentro do prazo e deixar para depois a definição sobre a candidatura. Por São Paulo, ele poderá concorrer a qualquer cargo eletivo – até à Presidência da República, plano não totalmente abandonado.

No Ceará, governado por Cid Gomes (PSB), seu irmão, Ciro teria um leque menor de opções, pela regra de inelegibilidades. Segundo a Constituição (artigo 14), cônjuge e parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, de presidente da República, governador e prefeito são inelegíveis, no território de jurisdição do titular. Como exceção, a pessoa pode concorrer à reeleição, se já for titular de mandato eletivo.

Mantendo domicílio eleitoral no Ceará, portanto, Ciro poderia concorrer apenas a presidente e vice-presidente e à reeleição como deputado federal – alternativa que ele rejeita totalmente, “por falta de aptidão”. Em São Paulo, teria, além das anteriores, outras opções: governador, vice-governador, senador e até a deputado estadual.

Com relação à disputa para governador de São Paulo, o próprio Ciro mantém dúvidas. Diz que só concordará “se for para cumprir uma tarefa política”, com uma estratégia eleitoral definida. “Preciso compreender qual é o grande projeto em que isso se inscreve, adquire legalidade e naturalidade”, afirmou.

A ideia de Ciro disputar o governo paulista partiu do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical. Nasceu pela falta de nome competitivo da oposição ao governo José Serra (PSDB) para disputar com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano surge nas pesquisas com forte chance de eleição no primeiro turno.

Para avaliar as chances do deputado, aliados de São Paulo encomendaram ao Ibope pesquisa de opinião pública no Estado. Ciro aparece com 18%, mesmo percentual da petista Marta Suplicy, que não quer concorrer. Os outros nomes desse grupo (PT e bloquinho) ficam bem atrás. O prefeito de Osasco, Emídio de Souza (PT), lançado por 15 dos 19 deputados estaduais do PT, aparece com 3%.

O lançamento de Emídio não suspendeu as negociações entre PT e aliados. Segundo o líder na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (SP), o partido apresenta o prefeito de Osasco, mas deve estar aberto a discutir as opções dos parceiros. “E ver qual o melhor nome para dar consistência a um programa de desenvolvimento, criação de emprego e geração de renda para o Estado, que cole São Paulo ao Brasil, rompendo com o núcleo que o governa há quase 15 anos”, disse.

Nesse contexto, Ciro “é visto com respeito pelo PT”, por sua história e compromisso com o projeto do governo Lula. De acordo com outros dirigentes nacionais do PT, o forte discurso do deputado cearense contra os tucanos pode “empolgar” a base do partido em São Paulo. Há, por outro lado, certo receio de seus “rompantes”. O PT já foi alvo de críticas do deputado.

Na sexta-feira, o Ibope divulgou nova pesquisa em que Ciro aparece com no máximo 12%, percentual menor do que os registrados na enquete encomendada por seus aliados. Isso ocorreu, segundo o deputado Márcio França (PSB-SP), lider do “bloquinho” na Câmara, porque nessa segunda pesquisa o nome de Ciro não aparece como única opção da frente antitucana. Ele é colocado como concorrente de Marta Suplicy (PT), Paulo Maluf (PP) e Paulinho da Força (PDT).

“Essa hipótese não existe”, diz França. Segundo ele, a articulação em curso pressupõe aliança dos partidos do “bloquinho” com PT, PP e PR, todos oposição a Serra. Analisando os percentuais obtidos por essas siglas na pesquisa, França calcula que o bloco da oposição poderá ter um percentual de largada de cerca de 40% – conseguindo equilíbrio com o bloco governista (PSDB, DEM, PMDB, PPS, PV e PTB).

O tempo de propaganda eleitoral na televisão será praticamente o mesmo para cada lado: dez minutos. Por enquanto, é tudo especulação. Mas o mais provável é haver dois grandes blocos na disputa pelo governo, segundo França. Numa eleição polarizada, a tendência é decisão no primeiro turno.

Ciro não descarta participar da corrida ao Palácio dos Bandeirantes mesmo que o PT lance candidato próprio, caso os aliados avaliem que a participação de dois nomes da base de sustentação de Lula pode evitar a vitória de Alckmin no primeiro turno.

A eventual candidatura em São Paulo tiraria Ciro da eleição para a Presidência da República, o que seria conveniente à campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). “Há uma conjunção de interesses. A negociação passa por uma estratégia nacional”, diz França.

Ciro tem consultado aliados e analisado os cenários à vista. De antemão, rebate argumentos de que ele é um “forasteiro”, já que nasceu em Pindamonhangaba (SP), terra de Alckmin, e tem família no Estado, onde sempre esteve presente durante seus 30 anos de carreira política – especialmente como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco durante quatro meses (1994).

Ex-prefeito de Fortaleza, ex-governador do Ceará, ex-ministro da Integração Nacional da Lula e duas vezes candidato a presidente, Ciro contabiliza também a seu favor os cerca de 3,5 milhões de nordestinos que vivem na capital paulista (27% do eleitorado da cidade).

O deputado não acredita que os ataques desferidos por ele contra a elite econômica de São Paulo prejudiquem uma eventual candidatura sua ao governo do Estado. “Eu cobro palestras a empresários. Eles me convidam e pagam. É um indicativo, no mínimo, de respeito.”

18/06/2009 - 12:54h Bancada paulista do PT resiste a Ciro

estrela_sobe2.jpgWilson Dias/ABr – 9/9/2008

Deputados estaduais fecham posição em favor da candidatura própria da legenda ao Palácio dos Bandeirantes

 

Clarissa Oliveira, Elder Ogliari e Roberto Almeida – O Estado SP

Em meio à crise que se abriu no PT paulista, a bancada do partido na Assembleia Legislativa engrossou ontem o coro contra a possibilidade de apoio a uma eventual candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo estadual. Reunidos na manhã de ontem, os deputados fecharam posição em favor da candidatura própria do PT ao Palácio dos Bandeirantes.

A decisão dá caráter formal às reações que surgiram no partido nos últimos dias. “Constrange um pouco o PT a ideia de importar um candidato para uma eleição tão importante”, afirmou o deputado estadual Simão Pedro, ex-líder do PT na Assembleia. Segundo o deputado Roberto Felício, petistas já planejam elaborar um novo documento em defesa da candidatura própria, para se somar a uma resolução aprovada pelo Diretório Estadual em abril. “Já me comprometi a assinar.” Para manifestar a posição, a bancada escolheu o momento em que se reunia com o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, que já anunciou sua pré-candidatura.

Favorito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga, o deputado Antonio Palocci (PT-SP) esquivou-se de comentar ontem a possível candidatura de Ciro. “Os nomes ventilados são bons, mas ainda é muito cedo para falar nisso, falta mais de um ano para a eleição”, disse, num seminário em São Paulo.

Já Ciro aproveitou uma visita a Porto Alegre para classificar como “fofoca” a possibilidade de sair candidato no Estado. Mesmo assim, não fechou as portas para a proposta. O parlamentar se disse “obrigado a pensar num assunto que jamais esteve em cogitação”.

Para explicar o lado “fofoca” da questão, afirmou que a possibilidade é ventilada por um grupo, que não identificou, “claramente interessado” em tirá-lo do caminho. Sobre o fato de pensar no assunto, disse que há pessoas que, de boa-fé, acreditam que sua candidatura ofereceria uma alternativa a um projeto que “cansou”.

Ciro citou como integrantes desse grupo o presidente do PSB paulista, Márcio França, e os deputados Aldo Rebelo (PC do B), Paulo Pereira da Silva (PDT) e Cândido Vaccarezza (PT). Indagado sobre a possibilidade de ser convencido, emendou: “Quando eu penso, sempre posso ser convencido, depende do mérito da ideia, mas estou falando em tese”. Sobre a sucessão nacional, Ciro foi bem menos evasivo. Sustentou que deve concorrer à Presidência em 2010 como aliado de Lula. Segundo ele, no quadro atual, a tendência é que as forças favoráveis a Lula percam a eleição. Para reverter a situação, acredita, há necessidade de duas candidaturas do mesmo campo.

17/06/2009 - 20:23h Sem descartar, Ciro diz que candidatura em SP é ‘fofoca’

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ELDER OGLIARI – Agencia Estado

PORTO ALEGRE – O deputado federal Ciro Gomes (PSB) considerou “fofoca” a possibilidade de abandonar sua pré-candidatura à presidência da República para concorrer ao governo de São Paulo com apoio do PT, mas, mesmo assim, não fechou as portas para a proposta. Em entrevista hoje na sede da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande Sul (Federasul), em Porto Alegre, o parlamentar se disse “obrigado a pensar num assunto que jamais esteve em cogitação”.

Para explicar o lado “fofoca” da questão, Ciro disse que a possibilidade é ventilada por um grupo, que não identificou, “claramente interessado” em tirá-lo do caminho, e alimentada por notas erradas publicadas pela imprensa dando conta de que ele já transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo, quando ainda estaria em Fortaleza. Para explicar o lado que o leva a pensar no assunto disse que há algumas pessoas que, de boa fé, acreditam que sua candidatura pode oferecer uma alternativa a um projeto que “cansou” por estar há 16 anos no comando de São Paulo sem oferecer respostas novas a problemas que estão se agravando.

Ao abordar a sucessão nacional, Ciro foi bem menos evasivo do que ao falar na eleição estadual de São Paulo. Sustentou que deve concorrer à presidência da República em 2010 como aliado de Luiz Inácio Lula da Silva. Considerou um erro o presidente pensar que pode transferir toda sua aprovação de 70% para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e advertiu que as pesquisas mostram que grande parte das intenções de voto que tem migrariam para o adversário José Serra (PSDB) se saísse da disputa.

Segundo Ciro, no quadro atual, a tendência é que as forças favoráveis a Lula percam a eleição. Para reverter a situação, acredita o deputado, há necessidade de duas candidaturas do mesmo campo. “Uma (de Dilma) representará o continuísmo e a outra (dele próprio) representará a garantia do que está bom e a mudança do que precisa ser mudado”, sustentou.

17/06/2009 - 14:22h Papel de linha auxiliar ao PT paulista desgosta Ciro

2010: Aliança em SP de PSB, PCdoB e PDT não lhe daria tempo suficiente

Wilson Dias/ABr – 9/9/2008

Ciro: destino do deputado federal está subordinado ao entendimento do governador Eduardo Campos (PE) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva

 

Raymundo Costa, de Brasília – VALOR

Durou pouco o namoro entre o PT e Ciro Gomes sobre uma eventual candidatura do deputado do PSB do Ceará ao governo do Estado. PT e PSB, no entanto, dificilmente estarão em palanques distintos na próxima eleição presidencial. Os dois partidos também articulam palanques conjuntos em Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. A hipótese de filiar o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, discutida até o início deste ano, está inteiramente descartada.

O namoro entre Ciro Gomes e o PT começou logo após o 1º de Maio, quando o deputado compareceu ao megaevento patrocinado, em São Paulo, pela Força Sindical. O deputado Paulinho da Força (PDT) consultou Ciro sobre a possibilidade de ele se candidatar ao governo estadual. Ciro, segundo os dirigentes do PSB, teria respondido “tem jogo” – dias depois Paulinho informou o ex-líder pessebista na Câmara Márcio França, que ficou entusiasmado pela ideia.

No PCdoB, o outro vértice do bloquinho – um é o PSB e o outro o PDT -, a ideia ganhou o apoio do deputado Aldo Rebelo (SP). A eventual candidatura de Ciro ao governo do Estado de São Paulo retiraria o deputado cearense da disputa presidencial, um desejo do Palácio do Planalto, que nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem o PT formalizaram oficialmente ao PSB, mas está implícito em todas as conversas entre os dirigentes dos dois partidos. Em entrevistas, Ciro tem declarado que mantém a candidatura a presidente, nas eleições de outubro de 2010.

Consultado, o PT demonstrou interesse na ideia. Algumas pesquisas indicam que o deputado poderia partir de uma base de 18% dos votos de São Paulo, patamar alto quando confrontado com os índices dos candidatos novatos que o petismo analisa apresentar em lugar dos já desgastados Aloizio Mercadante e Marta Suplicy, por exemplo. Mas o interesse trazia embutida uma contraproposta que foi um verdadeiro banho de água fria nas pretensões do PSB-SP.

O PT aceitava que Ciro Gomes fosse candidato em São Paulo, desde que adotada a mesma fórmula que o PSB propõe para a eleição presidencial: os petistas teriam um candidato próprio e Ciro se lançaria pelo PSB, aumentando, assim, o número de candidatos a fim de levar a eleição paulista para o segundo turno, quando então todos se uniriam contra o candidato do governador José Serra (PSDB).

Ciro não gostou da ideia. Nem a cúpula do PSB. Por um motivo bastante objetivo: uma aliança só com o PCdoB e o PDT não lhe daria tempo suficiente no Horário Eleitoral Gratuito, no rádio e na televisão para se tornar competitivo.

Essa é a fórmula que o PSB apresentou para a eleição presidencial. O PT lançaria Dilma, enquanto os pessebistas apresentariam Ciro Gomes – aquele que passasse para o segundo turno seria apoiado pelo que ficou em terceiro lugar.

O PSB cultiva a hipótese de que Ciro pode ultrapassar Dilma nas pesquisas e na eleição. E que seus votos, quando ele não está na lista das pesquisas, migram para Serra. Já a estratégia de Lula é entrar com um candidato só (Dilma) e talvez resolver a eleição no primeiro turno. Ciro tem sido discreto, mas não tem gostado da maneira como é tratado no governo e no PT.

O PSB já namorou a hipótese também de atrair o governador Aécio Neves, numa época em que o Palácio do Planalto jogava mais lenha ainda na fogueira da divisão tucana. Hoje já descartou essa ideia, e muito embora tenha lançado Ciro Gomes como seu candidato a presidente da República, é certo que ficará com a decisão que Lula vier a tomar. O presidente do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que detém absoluto controle do partido, tem dito que a posição do PSB será tomada “em comum acordo” com Lula.

Outros dirigentes dizem: “Temos compromisso com esse processo e com a sua manutenção”. Como Ciro não é candidato à reeleição e sua candidatura ao governo de São Paulo é considerada também, no PSB, eleitoralmente complicada (ele tem sido um crítico contumaz do Estado e das políticas paulistas), setores do PSB pensaram que seria mais viável o deputado concorrer no Rio de Janeiro. O problema é que no Rio o candidato a ser apoiado por Lula (e pela direção do PT) será o governador Sérgio Cabral, apesar das pretensões do prefeito petista de Nova Iguaçu, Lindberg Farias.

10/06/2009 - 11:00h Aprovação às medidas do governo no enfrentamento da crise subiu dez pontos percentuais. Serra critíca “política equivocada”

CNI/Ibope: Otimismo pode levar a oposição a rever estratégia

Popularidade sobe no passo da economia

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Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

A expectativa da oposição de centrar o discurso eleitoral de 2010 na economia precisará ser revista. A população está mais otimista em relação ao impacto da crise mundial no país, mais confiante nas medidas adotadas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva para combatê-la e com menos receio do desemprego e da inflação do que estava há três meses. Essa melhora no humor, registrada na pesquisa do Ibope para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete na elevação de quatro pontos percentuais da avaliação positiva do governo (68%) desde março.

Com esse índice, a avaliação positiva retoma curva ascendente, que chegou a 73% em dezembro e caiu para 64% em março. “Estamos diante de um cenário de expansão da avaliação positiva. A expectativa otimista em relação ao cenário econômico interrompeu curva descendente da avaliação do governo”, diz Marco Antonio Guarita, diretor de Relações Institucionais da CNI.

Segundo ele, alguns resultados mostram que o otimismo em relação à economia tem relação com medidas concretas que estão sendo tomadas pelo governo. Por exemplo: a maioria considerou que o governo acertou ao financiar a compra de bens como fogão, geladeira e móveis (72%), carros (62%) e casa própria (69%). A aprovação às medidas do governo no enfrentamento da crise subiu dez pontos percentuais.

Outro exemplo de que essa percepção é baseada em fatos concretos seria, segundo Guarita, o fato de o Plano Nacional de Habitação Popular ter merecido a segunda maior quantidade de menções dos entrevistados, quando instados a citar as notícias mais lembradas sobre o governo Lula. Em primeiro lugar, com 15% de citações, apareceu a crise.

A forma como Lula administra o país é aprovada por 80% dos entrevistados. Para Amauri Teixeira, analista da MCI, empresa que analisa os resultados da pesquisa, a melhora na expectativa em relação a todas as questões econômicas tem impacto na avaliação positiva do governo. “A pesquisa mostra a percepção de recuperação da economia. Não sei se essa recuperação está acontecendo, mas a percepção de que está é clara.”

O percentual de pessoas que consideram a economia brasileira “muito prejudicada” pela crise caiu de 40% para 30% nos últimos três meses, de acordo com pesquisa. Caiu de 28% para 22% o índice de brasileiros “com muito medo de ser afetado pela crise”. E se, em março, 39% achavam que o Brasil “está mais preparado” para a crise, hoje são 48%.

A redução da preocupação com o desemprego mostra o aumento do otimismo da população. Em março, 68% achavam que o desemprego aumentaria nos próximos seis meses. Agora, esse percentual caiu para 53%. Percepção parecida ocorre em relação à inflação. Há três meses, 63% dos entrevistados diziam que os preços iriam aumentar nos próximos seis meses. Agora, são 51%.

Pela primeira vez, a CNI-Ibope incluiu intenção de voto sobre a sucessão. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), lidera, com 38%. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT, vem em segundo, com 18%. Em seguida, estão o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), com 12%, e a vereadora de Maceió Heloísa Helena (P-SOL), com 7%. Em branco, nulos e “não sabe” somam 25%.

Quando o governador Aécio Neves (MG) é o candidato do PSDB, Ciro e Dilma aparecem tecnicamente empatados em primeiro, com 22% e 21%, respectivamente. Aécio e Heloísa Helena empatam em segundo, com 12% e 11%. Em branco, nulo e “não sabe” somam 30%.

O único índice de rejeição considerado relevante por Guarita foi o de Serra, que, conhecido por 76%, é rejeitado por 25%. Dilma e Aécio, conhecidos por 49%, têm, respectivamente, 34% e 39% de rejeição. Ciro, conhecido por 39%, é rejeitado por 38%. Ciro e Serra lideram, com o mesmo percentual (38%), a probabilidade de voto.

Serra: PIB reflete “política equivocada”

Foto: Divulgação
Serra: PIB reflete
Serra: O Banco Central continua com a taxa de juros mais altas do mundo, embora não haja risco algum no retorno da inflação.

Por: O Globo Soraya Aggege
SÃO PAULO – O governador de São Paulo, José Serra (PSDB) disse, há pouco, em São Paulo, que a queda do PIB no primeiro trimestre é “uma questão significativa”, pois leva em consideração também o crescimento demográfico, o que em termos per capita é “mais negativo ainda”. Para o governador tucano, que lidera a corrida das pesquisas para a eleição presidencial do ano que vem, a queda na atividade econômica é também reflexo da política econômica “equivocada”.
- O Banco Central continua com a taxa de juros mais altas do mundo, embora não haja risco algum no retorno da inflação. É uma política equivocada, que não ajuda a combater a inflação – disse Serra, durante a inauguração de um centro para atendimento ambulatorial exclusivo de gays e transsexuais.
Sobre a pesquisa Ibope, que o coloca na liderança da corrida eleitoral para o ano que vem, Serra disse que “é sempre bom” ter o reconhecimento nacional, mas isso ainda é precipitado falar em campanha eleitoral.
- Sempre é bom ter o reconhecimento no aspecto nacional. É gratificante, mas achar que já é fruto da corrida eleitoral é precipitado – disse Serra.
Sobre os protestos de estudantes e professores contra a presença de Policiais Militares no Campus da USP, Serra disse que o governo só está cumprindo determinação judicial.
- O governo está cumprindo ordem judicial. A reitora da USP pediu segurança na Justiça e o governo não outra alternativa que não a de cumprir a ordem judicial – disse Serra.
Durante o evento na Vila Mariana, um grupo de seis estudantes da USP tentaram mostrar faixas com dizeres contra a presença de tropas da PM na USP, mas seguranças do evento e PMs que faziam parte da equipe de segurança do governador retiraram as faixas e não permitiram que Serra as visse.

16/04/2009 - 14:48h A hipótese de dois candidatos

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Maria Inês Nassif – VALOR

O argumento do PSB para bancar a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República em 2010, de que ela reforçaria, mais do que enfraqueceria, a candidata de Lula e do PT, Dilma Rousseff, é apenas uma aposta, ou um palpite, mas não é despropositado. O partido cita o que aconteceu nas eleições de 2006 em Pernambuco, quando dois candidatos oposicionistas ao governo, Eduardo Campos (PSB) e Humberto Costa (PT), disputaram contra o governista Mendonça Filho (DEM), apoiado pelo popularíssimo governador que deixava o cargo, Jarbas Vasconcelos (PMDB), e fazia dobradinha com ele como candidato ao Senado. Se tivesse apenas um oponente na disputa, Mendonça Filho ganharia no primeiro turno. A soma dos votos dos dois oposicionistas tirou o Palácio das Princesas das mãos do favorito: ele teve que disputar um segundo turno com Campos, e perdeu.

Esse, no entanto, é apenas um exemplo mais próximo de como mais de um candidato disputando no mesmo campo – oposicionista ou governista – podem desestabilizar um pleito considerado ganho. Embora movimentos fortes de mudança das forças hegemônicas na sociedade, e mesmo fatores conjunturais, sejam elementos definidores de uma vitória eleitoral, o número e o perfil dos candidatos em disputa são decisões estratégicas que também têm bastante importância.

Um exemplo disso foram as próprias eleições de 2002, quando três candidatos oposicionistas – o favorito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PPS) e Anthony Garotinho (PSB) – concorriam contra um único candidato governista, José Serra (PSDB). No campo governista, Serra reinava, solitário, apoiado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso – que estava no final de um segundo mandato e sofria em sua plenitude o desgaste de políticas econômicas impopulares e de uma crise econômica que veio de fora, na esteira do “default” da vizinha Argentina, mas foi agravada pela especulação financeira que chegou com o processo eleitoral e acompanhou-o durante todo o período. O candidato do PSDB também foi prejudicado pelo “racha” do então PFL, hoje DEM, que iniciou a disputa com a candidatura de Roseana Sarney (MA) e atribuiu ao tucano uma denúncia de que ela recebia dinheiro “por fora” para a campanha eleitoral. Roseana foi torpedeada e o PFL fez campanha contra Serra, e manteve por algum tempo apoio a Ciro Gomes.

O tucano, de qualquer forma, era sozinho no campo governista. Mas, em vez de somar o apoio dos eleitores de centro e de direita – forças que apoiaram FHC nos seus dois mandatos -, acabou isolado na direita ideológica. Os três candidatos de oposição faturaram o desgaste governista com a crise e o racha pefelista. Além disso, o fato de existirem três com forte rejeição de grupos de eleitores não deixou que Serra capitalizasse totalmente os votos dos grupos que, antes de apoiar alguém, rejeitavam outro candidato – os votos que vieram de rejeição a algum dos postulantes, portanto, não tiveram um único destino. A divisão da oposição pode, assim, ter garantido o segundo turno e mantido Lula como favorito um candidato que começou como o campeão de rejeição.

Não ser o exclusivo depositário, num primeiro turno, dos votos anti-Lula pode ter enterrado Serra em 2002. Tanto é assim que, ao longo da disputa eleitoral, ele chegou a ficar atrás de Ciro, quando o candidato do PPS teve o seu melhor momento; atrás de Garotinho, quando este conseguiu o segundo lugar, atrás de Lula; e atrás de ambos e de Lula – isto é, chegou a amargar um quarto lugar na disputa.

No mês de julho de 2002, três meses, portanto, antes do primeiro turno, Ciro Gomes conseguiu sua melhor performance: encostou em Lula nas pesquisas eleitorais e, no segundo turno, venceria o petista por 47% a 40%. A partir disso, Ciro começou a cair, levado por uma forte especulação de que a sua proposta de renegociação da dívida brasileira seria um “calote”. Foi uma intensa campanha do mercado – e dos tucanos – contra Ciro que acabou puxando para baixo a sua candidatura. Mas, num primeiro momento, em vez de Serra ganhar os seus votos, eles acabaram impulsionando o candidato do PSB. Em agosto, quando Garotinho começou a subir, engoliu primeiro votos de Serra, que chegou a ficar dois pontos abaixo do então candidato da legenda socialista.

Se não tivesse dividido com outros dois candidatos as atenções e os bombardeios vindos das forças governistas e do mercado, seria muito mais difícil para Lula manter-se como favorito praticamente durante todo o processo eleitoral. Nada indica que, em 2010, Dilma seja poupada do mesmo intenso bombardeio. Dividir os ataques da oposição com Ciro pode não ser um mau negócio. Ciro tem mais experiência eleitoral, é agressivo e tem um discurso que, no ataque, se assemelha muito com o que a classe média atraída pelo PSDB e pelo DEM aprova: não mede palavras, o discurso ético é moral e tem um tom incisivo. Apesar de ter provocado mal-estar com a sua proposta de renegociação da dívida, em 2002, exerce uma forte atração sobre um eleitorado mais elitizado que rejeita o PT, mas vê o PSDB com ressalvas.

Um candidato com esse perfil pode, no mínimo, dividir com a candidatura petista as atenções dos partidos oposicionistas, que vão para essas eleições unidos em torno de um único candidato – o que, neste momento, pode também ser a melhor alternativa para a candidatura tucana.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

E-mail maria.inesnassif@valor.com.br

17/03/2009 - 12:23h Crise embaralha sucessão presidencial

Wilson Dias/AB

Serra, Dilma e Aécio, durante reunião de governadores: alcance da crise determinará peso de temas na campanha

 

Maria Cristina Fernandes, Valor, de São Paulo

O maior ativo da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, é também o maior risco do governo Luiz Inácio Lula da Silva até 2010. Foi pelo reconhecimento à sua capacidade de gestão que Dilma deixou o Ministério das Minas e Energia para, em meados de 2005, assumir a Casa Civil no lugar de José Dirceu, até aquele momento insubstituível condestável do governo petista. Alçada à mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), tornou-se a preferida de Lula à sua sucessão. Se os investimentos públicos tiveram um tímido, mas importante avanço em 2008 isso se deveu, em grande parte, à saúde financeira das estatais e à dinâmica que a ministra imprimiu aos negócios do governo.

Com a antecipação da campanha presidencial, a ministra intensificou sua agenda de viagens pelo país, grande parte delas sem o presidente. Se a agenda segue, por um lado, a estratégia de levar sua fatia de intenção de votos a 25% até o final do ano, deixa a descoberto, por outro, o gerenciamento das ações de governo.

A demonstração de que as obras que dependem da ação direta do governo não andam foi o modelo adotado para o programa de habitação. Estratégico para a campanha presidencial de Dilma, o programa vai ser integralmente tocado pela iniciativa privada, sem intermediação de União, Estados ou municípios.

A ação de governo, no entanto, não se resume ao programa cuja meta de construção de 1 milhão de casas até 2010 é pouco crível. A dificuldade de imprimir agilidade às obras governamentais foi agravada pela crise de crédito que atingiu uma grande parte das empresas contratadas da União.

Na administração direta, o sinal de alerta soou na Receita Federal. Ainda que a queda na arrecadação seja decorrência direta de uma atividade econômica fortemente afetada pela crise de crédito, a eficiência da máquina da Receita está sendo posta à prova, por exemplo, pela redução em quase R$ 30 bilhões das multas aplicadas em 2008 comparativamente ao ano anterior.

Vice-presidente da Comissão de Assuntos Econômicos e relator do Orçamento de 2009, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), reconhece que a queda na arrecadação obrigará o governo a fazer um duro programa de ajustes nos gastos deste ano. O Orçamento foi feito com base em um crescimento de 3,5% em 2009 e será executado em um cenário que pode vir a se confirmar como recessivo.

O principal alvo dos ajustes, confirma Delcídio, são os reajustes a diversas categorias de servidores públicos federais. O impacto desses reajustes, diz, é de R$ 29 bilhões este ano e R$ 40 bi em 2010. A brecha legal para o adiamento são os gatilhos contidos nas medidas provisórias dos reajustes que condicionam sua concessão ao desempenho da Receita.

Como a remuneração dos servidores federais serve de parâmetro para o funcionalismo dos Estados e municípios, é significativo o impacto fiscal do adiamento dos reajustes. E também da reação política dos servidores afetados. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) calcula que, em todas as esferas de poder, haja cinco milhões de funcionários públicos no país. Estima-se que movimentem 15 milhões de votos. Se fosse um Estado, este colégio eleitoral seria o segundo maior do país, atrás apenas de São Paulo.

O presidente da República, com os índices recordes de popularidade que desfruta, avalia o relator do Orçamento, teria condições de segurar politicamente a decisão de postergar esses aumentos. O risco de jogar esse colégio eleitoral no colo dos tucanos é mitigado pela disposição amplamente conhecida da oposição de endurecer ainda mais o jogo com os servidores.

A relação com o funcionalismo deverá ser um dos temas mais delicados da campanha eleitoral. No discurso dos pré-candidatos do PSDB, os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, é frequente a menção ao gigantismo que a máquina estatal adquiriu no governo Lula. Dilma Rousseff também incorporou em seu discurso o tema da reforma do Estado. Ao contrário dos tucanos, no entanto, aborda o tema da eficiência antes pela adoção da meritocracia do que pela redução da máquina.

O alcance da crise determinará o peso que os temas vão adquirir na campanha eleitoral mas certamente os debates não escaparão do tema do salário mínimo que, no acumulado do governo Lula, aumentou 51%. O governador de São Paulo, por dois anos consecutivos, fez aprovar na Assembleia, um mínimo superior ao da União.

Essa política de valorização do mínimo é o esteio do modelo brasileiro de enfrentamento da crise pela base. O que não é suficiente para deixá-la a salvo depressões, seja pelo impacto sobre as contas da Previdência (18 milhões de beneficiários) quanto pela relação com o desemprego, tese que é esboçada por influentes conselheiros do presidente, como o economista Delfim Netto.

O presidente já deu sinais de que pretende resistir às pressões e concluir a votação do projeto que torna lei a política de reajuste do mínimo. O modelo, já em vigor, estabelece um reajuste em função da evolução do crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) apurado dois anos antes mais a inflação do ano anterior. Esta política de reajuste é uma das maiores vitórias alcançadas pelo movimento sindical junto a este governo. Ciente de que não será capaz de avançar sua agenda no governo de quaisquer dos pré-candidatos mais do que o fez na gestão Lula, o movimento sindical já se prepara para uma ação preventiva, no sentido de evitar recuos, como o reconhecimento das centrais.

Boa parte do prestígio de Lula junto ao empresariado foi obtido com a tese de que ninguém mais seria capaz de manter os pressupostos da política econômica herdada do governo anterior e as rédeas do movimento sindical para fazer o país crescer. O presidente ganhou passe livre junto à elite empresarial como a personificação desse equilíbrio entre capital e trabalho. E foi capaz, em grande parte, de cumprir sua missão porque a economia cresceu. O dilema da sucessão que se avizinha é justamente como manter um modelo que tem 84% de aprovação num cenário econômico adverso. Fracionada pelas disputas internas, a oposição perde-se na tentativa de capitalizar politicamente a crise.

No palco dessa disputa digladiam-se dois políticos de perfil tecnocrático – Dilma e Serra – com respeitável histórico de resistência à ditadura e pouca propensão à contemporizações; e um político formado na tradição da conciliação nacional – Aécio Neves – e o melhor de sua geração no trânsito por todo o espectro partidário.

Nesse cenário, eivado de indefinições, ainda pairam dúvidas sobre a candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) e sobre os rumos do PMDB. O partido fez crescer sua influência no governo Lula à medida que se aproxima a sucessão presidencial e hoje está no comando de pastas obreiras com grande peso na inoperância gerencial do governo. Ruma para chegar a 2010 como o fez no final de quase todos os governos da redemocratização – fiador do precário equilíbrio entre o arcaísmo e a modernização do país.

13/03/2009 - 15:00h Lula, um ator em 27 palcos

César Felício – VALOR

Não é apenas em relação à própria sucessão presidencial que a ação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se faz notar neste ano de pré-campanha. Além de consolidar o nome da sua preferida, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, dentro do partido, Lula começa a agir em um raio de Porto Alegre a Salvador, de Curitiba a Fortaleza.

A sombra do lulismo paira sobre cada unidade da federação. O presidente é polo aglutinador em alguns Estados e o ponto de equilíbrio em outros, onde há a disputa entre o PT e algum aliado. Serão raras as sucessões estaduais que não terão a sua ação decisiva. Um observador atento da cena petista aponta que até mesmo uniões tidas em passado recente como impensáveis começam a se desenhar, como a aproximação entre o PT e o PMDB no Rio Grande do Sul. Na arena gaúcha, os dois partidos jamais se coligaram em suas histórias. Agora esta aliança entra pela primeira vez no terreno da hipótese, em um cenário onde a governadora tucana Yeda Crusius sofre um desgaste avassalador. O ministro da Justiça, Tarso Genro, pelo PT, e o ex-governador Germano Rigotto, pelo PMDB, podem ser os protagonistas de uma coligação inédita, que, se surgir, nascerá no Planalto Central, e não no Guaíba. É com Lula, e não com líderes regionais petistas, que o PMDB poderá se coligar.

A ação de Lula também desenha uma grande frente no Paraná, onde o governador Roberto Requião (PMDB) e os petistas já tiveram várias aproximações e rompimentos. No ano passado, sob recomendação expressa de Lula, o governador paranaense nomeou o técnico Valter Bianchini para a Secretaria Estadual de Agricultura. Na ocasião, empossou outro petista, Enio Verri, para a Secretaria do Planejamento. É um aliado do ministro do Planejamento, o petista Paulo Bernardo. Não está claro quem poderá ser o candidato ao governo paranaense que una Requião e o petismo, mas é evidente a ofensiva lulista para isolar o PSDB, que caminha para uma divisão entre o senador Álvaro Dias e o prefeito de Curitiba, Beto Richa. O próximo lance do Planalto poderá ser a atração do irmão de Álvaro, o também senador Osmar Dias (PDT) para o governismo, rachando a família.

A depender das conversas com o PSB, o Planalto também poderá ser a chave para uma aliança que isole o senador tucano Tasso Jereissati no Ceará. No desenho imaginado, o governador Cid Gomes poderia disputar a reeleição, apoiado por PT e PMDB, que lançariam respectivamente para o Senado o ministro da Previdência, José Pimentel, e o deputado Eunício Oliveira. Em Pernambuco, o pacto envolveria o apoio petista à reeleição do governador Eduardo Campos e a candidatura do ex-prefeito do Recife João Paulo, ao Senado. Tanto em um caso como no outro, são equações que necessariamente envolvem a desistência do deputado Ciro Gomes (PSB) em tentar a Presidência pela terceira vez.

O quadro é mais delicado na Bahia, onde Lula já começou a agir para diminuir a competição entre o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB) e o governador petista Jaques Wagner. Aos petistas baianos, o presidente pediu que a escalada verbal fosse interrompida. Na disputa pela prefeitura de Salvador, no ano passado, o PMDB baiano aproximou-se muito dos tucanos e dos integrantes do DEM. O lado oposicionista já ofereceu a Geddel o apoio para concorrer ao governo estadual, em troca de seu empenho para impedir que o PMDB apoie o PT na eleição presidencial. Não está claro o que pode ser oferecido a Geddel para que permaneça na trincheira governista.

As maiores dificuldades de atuação presidencial estão nos dois grandes colégios eleitorais. Em Minas Gerais, a divisão do PT entre as possíveis candidaturas do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel impede uma movimentação por cima. O provável é que se aguarde o resultado da eleição direta dos dirigentes petistas, no fim do ano passado. Um resultado claro a favor de um dos adversários internos em Minas poderá destravar a ação de Brasília. Ao longo dos últimos meses, a atuação do presidente em Minas visou apenas a enfraquecer Aécio: com sucesso, Lula impediu que o governador mineiro tentasse enredar Pimentel na construção de uma candidatura ao governo estadual fora da órbita do PT.

Em São Paulo, está a pior situação. Diante da provável candidatura do governador José Serra à Presidência, é o PT que está isolado. O governador paulista monta uma aliança com lugar para o PMDB de Orestes Quércia e o DEM de Gilberto Kassab, além de todas as alas e subalas do tucanato. Já o PT oscila entre duas possibilidades, inviáveis eleitoralmente cada uma a seu modo: o deputado federal Antonio Palocci e a ex-prefeita paulistana Marta Suplicy. Fato novo, que poderá representar uma saída para o bloco governista, é a articulação de partidos aliados ao Planalto em torno de uma hipotética candidatura do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. A construção de um cenário de dois turnos para a eleição paulista atenua a fraqueza do palanque regional para a virtual candidata presidencial do PT, Dilma Rousseff.

César Felício é correspondente em Belo Horizonte.

E-mail cesar.felicio@valor.com.br

15/02/2009 - 11:02h Aécio avisa a PSDB que exige prévias

Insatisfeito com cúpula do partido, governador estabelece até prazo para anúncio de primárias: 30 de março

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Christiane Samarco, BRASÍLIA – O Estado SP

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, comunicou ao PSDB que exige prévias e estabeleceu um prazo para que o partido regulamente o modelo das primárias tucanas: a data-limite é 30 de março e nem um dia a mais. Ele está preocupado com a resistência dos paulistas e se irritou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por conta da defesa da antecipação da escolha do nome tucano, sob a alegação de que a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), já está posta.

O que preocupa Aécio é que FHC reclamou do fato de o PT estar correndo sozinho, mas não falou em prévias para escolher o candidato da oposição. O governador entendeu que, se for para apressar a definição sem uma consulta ampla e democrática às instâncias partidárias, é porque o escolhido não será ele, e sim o governador paulista, José Serra. Nesse cenário, caso as primárias tucanas não saiam até março, estará explicitado o racha e o governador vai se considerar “liberado” para articular alternativas que o atendam no processo sucessório. No limite, admite até a hipótese de sair do partido.

O governador tem exposto sua estratégia em conversas reservadas e revelou-a ao presidente Lula na sexta-feira, 6 de fevereiro. Lula nunca acreditou que ele pudesse deixar o PSDB, mas levou o governador a sério e o estimulou a seguir adiante. O presidente também quer ter uma alternativa a Dilma, embora toda a aposta dele seja na ministra. A alternativa é cultivada com o interesse de rachar o PSDB – o que Lula não quer é que a sucessão dê em Serra.

GUINADA

O Planalto avalia que a candidatura Aécio tem potencial para dividir os tucanos a partir de São Paulo. O deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), por exemplo, diz que o PSDB “já virou um PMDB, só que de menor tamanho”. Refere-se ao velho PMDB, que, a partir do racha interno e da bandeira da ética na política, deu origem ao PSDB. Parte dos tucanos agora entoa discurso semelhante em São Paulo, por causa dos desentendimentos na sucessão da liderança da Câmara.

Aécio tem sinalizado que pode pegar este embalo para criar uma nova legenda com insatisfeitos do PSDB, do PMDB e de outros partidos, tanto de oposição como da base aliada ao governo. Mas é no PMDB que a movimentação do governador tem gerado maior expectativa.

Peemedebistas não perderam a esperança de vê-lo novamente filiado à legenda, percorrendo o caminho de volta 20 anos depois. As cúpulas da Câmara e do Senado estão convencidas de que, se Aécio entrar no jogo sucessório, mudará todo o cenário. A avaliação geral é que a “guinada” tornaria difícil prever até o impacto sobre as candidaturas de Dilma e Serra.

Nas conversas que teve semana passada, em Brasília, Aécio não deixou dúvidas de que levará “às últimas consequências” a decisão de se candidatar a presidente. “Ele saiu da Câmara turbinado pela excelente recepção que teve em praticamente todos os partidos”, resumiu o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), assim que o mineiro deixou o Congresso, na quarta-feira, para almoçar com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Com o senador, ele também foi explícito: disse que está disposto a “procurar um terceiro caminho”, firmando-se como opção fora da polarização entre Serra, representante dos governos FHC (1995-2002), e Dilma, símbolo dos governos Lula (2003-2010).

RISCO

Apesar do entusiasmo de peemedebistas com a possibilidade de transformar Aécio em candidato do partido ao Planalto em 2010, o governador considera esta opção de “alto risco”. Afinal, os próprios dirigentes do PMDB admitem nos bastidores que será difícil fechar todo o partido em torno de um candidato, ainda que este nome seja o do governador mineiro. O cenário mais provável seria o PMDB se dividir entre vários candidatos, como Serra, Dilma e Aécio.

Diante disso, o governador mineiro já se articula com caciques regionais do PMDB. A tática, neste caso, não é assegurar o apoio da maioria dos diretórios regionais para garantir o lançamento de sua candidatura pelo partido, e sim sondá-los sobre a eventual montagem de um palanque em torno de seu nome nos Estados. A ajuda do PMDB é preciosa para quem cogita alçar voo por uma nova legenda ou um partido pequeno.

É que o PMDB não é o único que está de olho em Aécio. O tucano também está muito próximo do PSB do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, e do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Por enquanto, o pré-candidato dos socialistas ao Planalto é o deputado Ciro Gomes (CE), mas setores do partido sonham em filiar Aécio ou, no mínimo, compor a chapa presidencial com o mineiro, caso ele saia candidato por outra legenda ou um novo partido.

18/01/2009 - 11:14h Lula quer lançar Dilma já em 2009 para fazer alianças

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KENNEDY ALENCAR colunista da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dito a ministros, aliados e petistas que deseja lançar publicamente até o final deste ano a candidatura ao Palácio do Planalto da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. A eleição presidencial acontecerá em outubro de 2010.

Legalmente, o PT deve esperar até junho de 2010, o mês para realização das convenções partidárias que oficializam as candidaturas. Mas Lula pretende ganhar um semestre para articular alianças.

O raciocínio do presidente é o seguinte: o PT deve terminar 2009 ungindo Dilma como candidata. O presidente tem até data: durante as eleições internas petistas marcadas para o final de novembro deste ano.

Na sequência, Lula acha que o PT deve buscar uma ampla aliança com PMDB, PSB e a penca de outras legendas que sustentam seu governo no Congresso.

Se o partido ficar esperando até junho de 2010, Lula avalia que será mais complicado viabilizar a aliança para uma candidatura única das atuais forças governistas.

O presidente insiste na tese da candidatura única para fazer disputa plebiscitária com a oposição na campanha de 2010. Crê que mais de um candidato do campo lulista inibirá sua ação a favor de sua favorita.

A primeira opção do Planalto é por um entendimento com o PMDB. Lula e Dilma gostariam que o governador do Rio, Sérgio Cabral, fosse o candidato a vice da ministra. No entanto, ele já disse a Lula e a Dilma que deseja tentar a reeleição no Rio e sugeriu um nome do Nordeste: o atual ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima.

Caso não consiga a aliança com o PMDB, partido dividido e também cortejado pelo PSDB para a disputa presidencial, o PT deveria tentar um acordo com o PSB. O deputado federal Ciro Gomes (CE) ou o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, seriam opções de vices nordestinos para a mineira Dilma que fez carreira política no Rio Grande do Sul.

Mas Ciro ainda não desistiu de ser candidato, apesar de seu caminho ficar mais estreito a cada dia. Campos tem a alternativa de concorrer à reeleição.

*

8 anos para mudar o Rio

O governador Cabral acha que precisa governar o Rio por oito anos para se credenciar a voos mais altos. Ele começou a implementar uma política de ocupação “social” de favelas para enfrentar o crime organizado. Se o projeto pegar e se ampliar significativamente num eventual segundo mandato, ele se credenciaria para tais voos.

*

Paixãozinha

Dilma e auxiliares chamam o ministro Geddel de “paixãozinha”. O relacionamento entre eles é muito bom. Lula gosta do desempenho administrativo do peemedebista e criou com ele uma relação pessoal boa, apesar das críticas duras de Geddel ao presidente no primeiro mandato.

Na avaliação do Palácio do Planalto, a eventual indicação de Geddel para vice de Dilma mataria três coelhos com uma cajadada.

Daria a ela um vice peemedebista do maior Estado do Nordeste. Diminuiria a chance de o partido fechar oficialmente com os governadores tucanos José Serra (SP) ou Aécio Neves (MG), ambos potenciais candidatos em 2010. E resolveria a briga entre PT e PMDB na Bahia, facilitando a candidatura à reeleição do governador petista Jaques Wagner.

Kennedy Alencar, 41, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal “RedeTVNews”, de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas “É Notícia”, aos domingos à meia-noite.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br

14/12/2008 - 13:34h Serra, Aécio e Dilma batalham pelo PMDB

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KENNEDY ALENCAR colunista da Folha Online

Três possíveis candidatos à presidente têm lutado para atrair o PMDB para seus projetos políticos. São eles: a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e os governadores e tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais).

Maior partido na Câmara e no Senado, o PMDB é fundamental para a governabilidade dos presidentes da República no Congresso. Sem falar no valioso tempo de TV na propaganda eleitoral e na grande penetração nas pequenas e médias cidades. Ou seja, é um parceiro que fortalece muito o candidato à presidente.

Serra entrou de cabeça na eleição do deputado federal Michel Temer, presidente do PMDB, para comandar a Câmara dos Deputados. Temer é aliado do governo federal. Por que Serra se empenha tanto por ele?

Porque tem esperança de, no mínimo, inviabilizar uma aliança forma do PMDB com Dilma, projeto arquitetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para vitaminar sua candidata. Serra atuou para que o PSDB e DEM fechassem apoio a Temer. As eleições para as presidências da Câmara e do Senado estão marcadas para fevereiro próximo. No melhor cenário para Serra, Temer o ajudaria a fechar uma aliança formal em 2010.

Para ajudar Temer, Serra estava dando uma força para a candidatura do petista Tião Viana (AP) na disputa pelo comando do Senado. A eleição de Viana facilita a de Temer, porque joga água no moinho de um acordo PT-PMDB para que haja rodízio no comando da Câmara. Como agora o PT dirige a Casa, o PMDB assumiria o posto na próxima rodada.

Tudo ia bem para Tião, mas entrou um novo fator na eleição para o Senado. Um grupo está querendo que o governo Lula pague desde já a fatura do eventual apoio a Dilma. Essa ala, comandada pelo senador Renan Calheiros (AL), que renunciou à presidência do Senado, tenta viabilizar um candidato do PMDB. Renan insiste no nome do ex-presidente e senador José Sarney (AP). Por ora, Sarney continua a resistir, apesar de ter dado uma fraquejada recentemente.

O movimento do PMDB no Senado inibiu um pouco a ação de Serra a favor de Tião. O governador paulista vê uma oportunidade de apoiar Sarney e tentar estabelecer uma relação amistosa. Na eleição presidencial de 2002, quando uma operação da Polícia Federal dinamitou a candidatura da filha de Sarney, Roseana, o pai viu dedo de Serra na jogada. Serra nega até hoje, mas Sarney não acredita.

Os aliados de Dilma estão atentos às atitudes de Renan e de Serra. Para Lula, o melhor seria Temer na Câmara e Tião no Senado. Mas o presidente não vetaria uma candidatura de Sarney. Se essa postulação se confirmar, haverá confusão da grossa no Senado.

Dilma não quer melindrar as alas do PMDB. Sabe que o partido tem vocação para se dividir na hora H. E vê com desconfiança um acerto tão prematuro. A eleição presidencial acontecerá daqui a dois anos. Mas ela é adorada por Sarney, com quem troca elogios públicos. Para Dilma, é melhor ir costurando o apoio do PMDB aos poucos e a cada dia. Descuidar do partido será um risco.

E Aécio nessa história? Aécio é o candidato dos sonhos do PMDB, de Temer a Sarney. Se o governador de Minas ousasse deixar o PSDB pelo PMDB frustraria os planos de Serra e Dilma. Por ora, Aécio segue firme no PSDB.

No entanto, a mais recente pesquisa Datafolha trouxe uma boa e uma má notícia para ele. A boa: entre o final de março e o final de novembro, ele cresceu 13 pontos percentuais. Teve o maior salto entre todos os possíveis candidatos no período, passando de 4% para 17%.

A má notícia é a liderança de Serra em todos os cenários, com 41% de intenção de voto. Com esse desempenho, o paulista tenta transformar a candidatura em fato consumado. Mas Aécio dá sinais de que não vai deixar barato. E, se pegar embalo nas pesquisas, o PMDB está bem alia, disposto a filiá-lo e lançá-lo à presidência.

Em tempo

De acordo com o Datafolha, Dilma subiu cinco pontos percentuais entre o final de março e o final de novembro. Nesse período, o deputado federal Ciro Gomes (PSB) perdeu de cinco a seis pontos, a depender do cenário.

Um grande obstáculo para Dilma era a larga vantagem de Ciro entre os candidatos do campo lulista. No final de março, ele tinha 17 pontos percentuais. A ministra obtivera parcos 3%. E o deputado, 20%. De março a novembro, a vantagem caiu para 7 pontos –15% para Ciro contra 8% de Dilma.

O avanço de Dilma e o retrocesso de Ciro alimentaram no Palácio do Planalto a avaliação de que a ministra poderá crescer ao longo de 2009, empatando ou superando o deputado federal. Se esse cenário se confirmar, Dilma teria argumento para se apresentar como cabeça de chapa.

Agora, o PSB tenta reanimar a candidatura do deputado federal, que andou sumido e perdeu pontos. Mas, em entrevista à Folha em fevereiro, Ciro admitiu a possibilidade ser vice numa chapa do campo lulista.

Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos. Também é comentarista do telejornal “RedeTVNews”, no ar de segunda a sábado às 21h10.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br

03/11/2008 - 08:27h ”Campanha do meu adversário teve apoio forte vindo de São Paulo”

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Márcio Lacerda: prefeito eleito de Belo Horizonte;

segundo ele, ajuda financeira para Quintão veio de correntes que não queriam o sucesso de Aécio na eleição

 

 

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE – O Estado SP

O prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), afirma que a campanha de Leonardo Quintão (PMDB), seu adversário no segundo turno, recebeu forte apoio financeiro “vindo de São Paulo”. Em entrevista ao Estado, o prefeito disse que esse apoio veio de correntes “que não queriam o sucesso do governador (Aécio Neves)”, em alusão velada ao governador José Serra (PSDB).

Lacerda disse que seus padrinhos Aécio e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) trabalham por um projeto de centro-esquerda, em contraponto à aliança de centro-direita de PSDB e DEM, simbolizada pela eleição de Gilberto Kassab (DEM) em São Paulo. Aécio e Ciro, diz, não demonstram “aquela fome de ser presidente que Serra tem”.

Não ganhar no primeiro turno comprometeu a aliança que o elegeu?

A vitória no primeiro turno aconteceu por falhas da nossa estratégia, não por falhas de concepção da aliança. Mas no Sudeste eu tive a maior votação (no primeiro turno) entre os candidatos mais bem colocados. Dizer que houve vitórias do Serra e do Sérgio Cabral (governador do Rio), porque os seus candidatos foram para o segundo turno, e uma derrota porque eu não fui (eleito no primeiro turno), é forçar um pouco a barra. Não houve derrota da aliança.

Que influência a eleição de Belo Horizonte teve sobre 2010?

Ela sinalizou que é possível tendências social-democratas dentro do PT e dentro do PSDB se unirem. E se uniram num projeto eleitoral para uma cidade. Não significa que isso aconteceria em outras eleições. Pode acontecer. O mínimo que deveria acontecer é os social-democratas dos grandes partidos se unirem para ter um projeto para o País. Qualquer que seja o novo presidente, o ideal seria que ele tivesse uma ampla coalizão de forças de centro-esquerda o apoiando, tanto na eleição quanto no governo.

O sr. classificou a vitória de Gilberto Kassab em São Paulo como uma aliança de centro-direita…

E é.

Ela não ajudou a desgastar a aliança do governador Aécio e do prefeito Pimentel, de PSDB com PT?

Não estou dizendo que (a aliança) tenha essa importância toda. Estou dizendo que ela sinaliza algo novo na política nacional, pelo ineditismo. O papel do Kassab será municipal, embora a máquina de uma prefeitura como a de São Paulo – Belo Horizonte muito menos – seja importante no apoio para eleição de governador e presidente. Mas eu digo que é de centro-direita na medida em que reflete uma aliança que o PSDB de São Paulo já tinha com o PFL (atual DEM) há mais tempo. O governador (Aécio) falou isso para ele. Ele disse: “Já falei para o meu amigo Serra que se ele quiser ser presidente tem de criar uma ampla coalizão, um movimento de opinião.”

Como assim, um movimento de opinião?

Para que ele possa governar com a base social-política necessária capaz de gerar as transformações de que o País precisa. Ele precisa ganhar essa base ampla de opinião. Mostrar que é capaz de aglutinar. Ninguém pode ser candidato de si mesmo ou de um partido. Se você pensar bem, o Lula não foi eleito pelo PT. A votação dele foi o dobro da capacidade do PT de gerar votos. Acho que o centro do debate é este: que projeto o novo presidente terá para o País e qual a ampla coligação de forças e movimento de opinião que vai ajudá-lo a governar depois.

O sr. disse que a sua aliança enfrentou resistências vindas de fora, de São Paulo. De onde partiram essas resistências?

A cúpula do PT foi amplamente contrária, isso é conhecido. O PSDB nacional apoiou. Mas a gente tem notícias de que a campanha do meu adversário teve um apoio muito forte vindo de São Paulo.

Que tipo de apoio? Dado por quem?

Prefiro não dizer, porque eu tenho notícias de que o apoio financeiro vindo de São Paulo foi muito forte. Apoios ao candidato do PMDB e de correntes que não queriam o sucesso do governador (Aécio) nessa empreitada.

Qual a participação de Ciro na escolha do seu nome? Que tal a dobradinha Aécio-Ciro para 2010?

Ele participou da articulação aqui. Eu soube da participação dele nas articulações em outubro de 2007. Eu não vejo nem Ciro nem Aécio com aquela fome de ser presidente. Eles são até desapegados da idéia. Não têm aquela gana de ser presidente que parece que o governador José Serra tem. Eles querem um projeto para o País. Os dois querem um projeto de centro-esquerda.

30/09/2008 - 11:12h “Popularidade de Lula não é capaz de eleger postes”, diz governador da Bahia

Ruy Baron/Valor – 9/12/2005

Jaques: governador baiano mantém discurso conciliador em relação ao ministro Geddel Vieira Lima

Raymundo Costa, VALOR

Na reta final da campanha, a eleição embolou em Salvador, Bahia. Talvez mais que em qualquer outra cidade, o clima entre os aliados é tenso.

Os três dos dois candidatos cotados para passar para o segundo turno são da base de apoio do governo Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jacques Wagner: João Henrique, do PMDB, atual prefeito, e Walter Pinheiro, do PT. O terceiro é Antonio Carlos Magalhães Neto, ACM Neto, do DEM e herdeiro do carlismo.

Em poucos Estados a disputa pelo uso da imagem do presidente foi tão intensa, a ponto de levar o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), um dos fiadores da aliança PT-PMDB, ao ponto de ameaçar um rompimento com o governo. Jaques diz que não é de “esquentar” briga. Acredita na recomposição, apesar da “tensão” entre os aliados.

O governador da Bahia acha que não basta a popularidade para eleger “um poste”. É preciso haver sinergia com o eleitorado. “Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%!”, disse ao Valor, em conversa na sexta-feira. O petista também não vê o governador de Minas Aécio Neves como candidato pelo PMDB com o apoio de Lula. “Só se for na oposição”, diz.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O apoio do presidente e do governador desequilibra a eleição?

Jaques Wagner: Quando alguém diz ‘eu sou Lula desde criancinha’, quando é Lula só a partir do ano passado, as pessoas se dão conta. Até porque eu acho que as pessoas lêem errado as pesquisas. Quando ela diz assim: 60% dos eleitores dizem que o apoio do presidente Lula é benéfico, o que eles estão dizendo é que, para 66% do eleitorado, saber que o candidato que ele escolheu é aliado do presidente Lula, aumenta a vantagem dele em 60%. Mas é o que eu digo aqui é que 60% de 1% é 0,6%. Então o cara sairá de 1% para 1,6%. É que as pessoas querem ler assim: se o presidente Lula botar a mão eu saio de zero para 60%. O que não é verdade.

Valor: Não é automático.

Wagner: Não existe isso. É óbvio que quando você cria uma sinergia, quando há uma consciência coletiva, as pessoas raciocinam assim: eu vou votar nesse cara que ele é amigo do governador, é amigo do presidente e não é um babaca, para falar um termo bem objetivo. Agora, se o cara for um babaca, diz assim ‘pô Lula, você vai me perdoar mas nesse aí eu não voto não’. Então não funciona aquela idéia de eu ‘elejo um poste’. Não existe isso.

Valor: No entanto, o senhor acha que o PT vai crescer mais que os outros.

Wagner: Com essa identificação do 13, eu acho que os candidatos do PT ganham mais que os outros. Não é em detrimento dos outros.

Valor: O fato é que há reclamação. Como é que a base vai chegar em Brasília para as votações?

Wagner: Óbvio que a volta é uma volta com pontos de tensão. Não tem como. Toda eleição, evidente que mais na eleição municipal, não é um mar de rosas. A lógica municipal é mais intensa que a estadual e que a nacional. O que está em jogo agora? Os deputados estaduais e federais lutam fortemente para a eleição do seu prefeito, e isso na contabilidade dele significará uma posição melhor para a eleição dele em 2010. É essa a briga. E o governador? O prefeito pesa X para deputado estadual e federal e pesa um pouco menos para governo do estado e presidente da República. Evidente. Isso porque ele consegue muito mais coordenar o voto para deputado estadual e federal.

Valor: Mas a eleição de prefeitos agora não dará uma base melhor para a eleição do presidente e de governador de 2010?

Wagner: A população está estabelecendo uma lin ha direta entre ela e os cargos majoritários, principalmente governador e presidente da República. Vou dar o meu exemplo: eu tinha 50 prefeitos em 417. E ganhei na faixa de 230 cidades. Significa que nem os prefeitos que trabalharam contra convenceram a população. Eu não estou menosprezando, evidentemente que ele é um elemento da política, e da base de apoio, mas ele pesará muito mais na eleição de deputado estadual e federal, eventualmente na de senador, do que na de governador e presidente da República.

Valor: Por quê?

Wagner: Eu me convenço cada vez mais que as pessoas não querem intermediário para escolher governador e presidente. Por que dá tensão? Dá uma tensão maior aqui e vai dar uma tensão menor em nível nacional. É uma coisa até curiosa: onde você vai e ganha, em geral o cara vai dizer que foi ele que ganhou. Onde você não vai e o cara perde, ele vai dizer que você é que foi o culpado pela derrota dele.

Valor: A base fica unida?

Wagner: Está todo mundo mais maduro e todo mundo dá importância a estar participando de um projeto, até agora, exitoso, que é o do presidente Lula, em nível nacional, e na Bahia. até agora, a gente está bem. Então eu não acho que vá haver alguma sangria desatada.; Agora é fato que haverá uma tensão pós eleitoral normal. Eu, por exemplo, estou tentando ser o mais equilibrado possível. Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%. Quando está pau a pau, digamos um está com 40% e outro está com 38%, aí eu concordo que pode fazer a diferença.

Valor: O senhor e o ministro Geddel saem como entraram nessa eleição?

Wagner: Temos um ponto de conflito que foi produzido por alguém que não era meu nem dele, que é o prefeito atual, que foi eleito pelo PDT, com vice do PSDB, e baixíssima participação do PMDB, que não tinha nem interesse em ficar no governo. Tinha lá uma secretaria marginal. De repente, quando o cidadão viu que estava com problemas de sobrevivência política, ele teve de sair de um partido pequeno e procurar um partido maior para se abrigar. Ele é muito midiático. Eu até gosto dele, não é um mau caráter, não é um larápio, mas é um cara confuso. Confuso na política e confuso na gestão. Ele precisava de tempo de televisão. Quis vir para o meu partido, coisa que eu recomendei.

Valor: Mas o PT não quis?

Wagner: O vício do cachimbo deixa a boca torta. A gente vai amadurecendo mas alguns vícios vez por outra aparecem. Então apesar de o governador dizer: ‘rapaz, põe o cara pra dentro. A gente já está no governo, põe logo o cara no PT’, o meu partido não acolheu a minha sugestão, o pedido de seu governador. E ele acabou indo para o PMDB. Ao ir para o PMDB gerou então um pólo de tensão. Não por culpa dele, por culpa da conjuntura. Geddel e o PMDB receberam esse presente – tinham pouquíssima coisa em Salvador e ganharam um prefeito e uma prefeitura, como máquina política para fazer a operação da política, no bom sentido. É óbvio que gostariam de ter todo mundo em torno deles. Então lutaram por isso. Eu defendi a tese da minha base de sustentação (um candidato só), pelo menos na capital. As pessoas não se convenceram. Até porque diziam que ele é ruim de compromisso. O pessoal de pesquisa dizia que ele tinha dificuldade de ir até para o segundo turno. O argumento é que era melhor não jogarmos com uma hipótese só e perdermos para o PFL. A outra hipótese era o Imbassahy, com quem eu tenho relação. Mas isso não animava muita gente exatamente porque era um alinhamento com o PSDB nacional e as pessoas aqui não tinham interesse óbvio nessa aproximação. Quando acabar a eleição tem um rescaldo a ser tratado. E eu tenho que ficar administrando esse conjunto todo.

Valor: A base se mantém até 2010?

Wagner: Político é um animal objetivo, que eu dividiria em dois tipos: uns um pouco mais programáticos e outros, vamos dizer assim, mais conjunturais. Quem é mais programático, tende a continuar, apesar de ter havido um estremecimento com o chamado bloquinho (a união congressual de PSB, PCdoB e PDT). Mas eu acho que diminuiu essa tensão. Já vinha diminuindo antes, com a solução de São Paulo (a indicação de Aldo Rebelo para vice de Marta Suplicy). A relação do Eduardo Campos (governador de Pernambuco e presidente do PSB) com o presidente é excepcional. O episódio de Minas, por mais que localmente tenha ha reflexos no PT – e há um rescaldo a ser cuidado internamente – , do ponto de vista externo da relação dos aliados o PT acabou marcando um tento positivo, porque bem ou mal apoiou um candidato do PSB com interligação do PSDB, o que mostra que, aos trancos e barrancos, o PT também consegue apoiar os outros.

Como senhor vê a questão de Minas?

Wagner: Internamente ainda tem muita coisa a ser trabalhada. Ficou a tensão com o Fernando Pimentel, vem a eleição para governador e ele evidentemente é um nome. Há insatisfações que terão de ser aparadas. Eu não sou de Minas e não quero me meter, mas o problema parece sido mais de método mesmo.

Como encaixar esse grupo no plano da sucessão federal.?

Wagner: Eu acho que a administração que foi feita em Minas, é óbvio que ela sempre terá contornos nacionais, mas na minha opinião ela terá muita influência na questão estadual. Eu acho que o Fernando e o Eduardo não têm peso para influir na questão interna do PSDB. Portanto não têm peso para ajudar o Aécio a ser o candidato do PSDB. Também não vejo nenhuma hipótese de o Aécio ser candidato em composição, vamos dizer, como Eduardo Campos, o PSB. A relação do PSB com o presidente é excepcional. O Ciro Gomes, o Eduardo. Então, sinceramente, eu não consigo ver a tal história de o Aécio vir ao PMDB para virar candidato, só se for para ser candidato contra o candidato do presidente Lula.

A eleição de São Paulo prova que não há como ter dois candidatos da situação?

Wagner: Se o presidente Lula desembarca em 2010 extremamente bem avaliado, e coloca uma candidatura à sucessão que mostre fôlego, não acho que os aliados atuais queiram sair fora. Tendo uma candidatura boa,. a tendência é manter isso tudo junto.

Valor: O PT vai para o segundo turno em Salvador?

Wagner: De há muito esta é a primeira eleição de Salvado equilibrada. Está dando o que eu imaginava: Neto tem o público deles (carlismo, que está na casa entre 23% e 25%, não cai mas também não sobe, que foi o índice do último candidato deles (César Borges); Imbassahy perde fôlego…

Valor: E foi abandonado pelos tucanos?

Wagner: Pelos daqui não, pelo Serra (José, governador de São Paulo) não, mas pelos outros talvez sim, porque ele está numa posição meio autônoma em relação ao comando nacional. Pinheiro está crescendo, e aí vamos ver. Qualquer dois dos quatro pode ir.

Valor: Para o governador seria mais fácil administrar uma disputa Neto-Pinheiro, não é?

Wagner: Politicamente, se forem dois aliados para o segundo turno a mensagem política é positiva, e a administração é difícil.

22/09/2008 - 11:23h Asas cortadas

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FERNANDO DE BARROS E SILVA

Folha SP


SÃO PAULO - Com contornos de novela mexicana e ingredientes de briga de rua, a disputa entre Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab deu sinais de que saiu de controle e desandou de vez nos últimos dias, a menos de duas semanas do primeiro turno, quando um dos dois será excluído do jogo por obra do rival.

Crônica anunciada, se dirá, com razão. Mas cujo enredo, deve-se acrescentar, vai se revelando mais envenenado -degradante e degradado- do que previam no início da campanha mesmo os que já contabilizavam o desgaste de um enfrentamento que se mostrou inevitável.

Fica a sensação de que a feição raivosa assumida pelo racha demo-tucano (ou tucano-tucano, para ser exato) está a ponto de inviabilizar (ou já o fez) qualquer possibilidade de envolvimento real do perdedor contra o PT no segundo turno.

Alckmin deve ter alguma noção de que, derrotado agora por Kassab, não lhe sobrará muita opção além de abrir uma clínica de acupuntura em Pindamonhangaba.

E Serra sabe que um eventual fiasco de seu afilhado em prol do tucano representará um obstáculo a mais, entre tantos outros, a seu projeto de suceder Lula em 2010. O governador se vê entre a alternativa de esmagar Alckmin ou, na prática, ficar fora da disputa pela maior capital do país no seu próprio Estado.

Enquanto isso, Aécio amarrou o PT a si na capital mineira e deve eleger já no primeiro turno um candidato de consenso, Marcio Lacerda, coelho tirado da cartola do PSB que tem como padrinho e avalista ninguém menos que Ciro Gomes.

É ainda uma incógnita se essa “concertação” à mineira terá condições de voar além das montanhas das Gerais, apresentando-se como opção viável de poder para o pós-Lula, mas é certo que Aécio sabe alimentar sua ave de rapina na relação de ambígua cordialidade que mantém com o presidente.

E nem se falou aqui de Dilma, a cada dia que passa mais articulada com o grande capital, pronta para roubar para si a bandeira de candidata “da produção”. Pois é.

23/08/2008 - 13:05h Pesquisa Datafolha

 

Eleições2008 – 23/08/2008 – Texto do Datafolha

Marta abre 17 pontos de vantagem sobre Alckmin
Diferença de Alckmin para Kassab diminui de 21 para 10 pontos percentuais


A candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, atinge 41% das intenções de voto, e abre uma vantagem de 17 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Geraldo Alckmin, do PSDB, que obtém 24% das preferências, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 21 e 22 de agosto, a 44 dias do primeiro turno da eleição. No levantamento anterior, realizado nos dias 23 e 24 de julho, Marta e Alckmin empatavam, em razão da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais: a petista atingia 36% e o tucano obtinha 32% das intenções de voto. Em um mês, a ex-prefeita ganhou cinco pontos percentuais, enquanto o candidato do PSDB perdeu oito.

A pesquisa, a primeira após o início da exibição do horário gratuito dos candidatos a prefeito na TV, no dia 20, também mostra que Marta empata com Alckmin em simulação de segundo turno, além de crescimento na taxa de intenção de voto espontânea e ligeira variação na taxa de rejeição à petista.

O atual prefeito, Gilberto Kassab, oscilou três pontos para cima: o candidato à reeleição pelo DEM passou de 11% para 14% das preferências. Paulo Maluf oscilou de 8% para 9% das preferências. Assim, se mantém o empate entre os dois candidatos. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, Kassab pode ter entre 11% e 17% das intenções de voto. Maluf, por sua vez, pode ter entre 6% e 12% das preferências.

Soninha (PPS) se manteve com 2% das intenções de voto. Ciro (PTC) e Ivan Valente (PSOL), que na pesquisa anterior obtinham 1% das menções, cada, embora citados, não atingiram esse percentual no atual levantamento. Edmilson Costa (PCB) e Levy Fidelix (PRTB) foram citados, mas não atingem 1%, como ocorria na pesquisa de julho. Anaí Caproni (PCO) e Renato Reichmann (PMN), cujos nomes constavam do cartão circular apresentado aos entrevistados, não receberam nenhuma menção.

Se a eleição fosse hoje, 5% votariam em branco ou anulariam o voto. Não saberiam em quem votar 4%.
Foram ouvidos 1093 eleitores da cidade de São Paulo, a partir dos 16 anos de idade.

Outro dado da pesquisa demonstra a consolidação da liderança de Marta: a intenção de voto espontânea. O percentual dos que dizem, antes da apresentação dos cartões circulares com os nomes dos candidatos, que gostariam de votar na petista para prefeita, subiu oito pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, passando de 22% para 30%. Citam Geraldo Alckmin de maneira espontânea 14%; eram 13% na pesquisa anterior. A taxa de menções espontâneas a Gilberto Kassab oscilou de 7% para 10%. Paulo Maluf é citado espontaneamente como seu candidato a prefeito por 5%.

O percentual dos que não sabem dizer espontaneamente em quem gostaria de votar para prefeito caiu 11 pontos percentuais, de 43% para 32%. A taxa dos que afirmam de maneira espontânea que pretendem votar em branco ou anular oscilou de 7% para 5%.

São Paulo, 22 de agosto de 2008

13/08/2008 - 11:26h Os fatos e a cena

VALOR

Pode ser já o esperado vale-tudo para prospectar agora a campanha de 2010; ou, que seja, então, uma pré-aliança, uma espécie de desenho formal do que ficou apenas subentendido em encontros anteriores que vêm ocorrendo há pelo menos dois anos; talvez, ainda, uma maneira de criar fato que provoque e exaspere o candidato a presidente melhor situado no PSDB, que aparenta não se abalar com nada. Pode ser qualquer coisa. Mas o que a cena dos braços dados de Aécio Neves (PSDB), Ciro Gomes (PSB), Fernando Pimentel (PT) e Márcio Lacerda, em foto dos jornais de ontem, menos parece, é uma competente investida de campanha para levantar este último, o candidato do PSB à prefeitura de Belo Horizonte.

Márcio Lacerda não se move nas pesquisas de intenção de voto feitas em maio, em junho, em julho e neste início de agosto. A transferencia de votos, no caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para seu candidato a presidente, hoje a ministra Dilma Rousseff, seria automática, mas não no caso do governador de Minas, Aécio Neves, e do prefeito da capital, Fernando Pimentel, que ainda não conseguem movimentar a candidatura Lacerda .

Pesquisa do Instituto Vox Populi, feita para o PT, mostra que a transferência esperada para a sucessão de Lula não é aquela prevista para qualquer um que detenha a caneta de nomeação e concessão de verbas. O cientista político Marcos Coimbra, presidente do Instituto, diz que, no caso do presidente Lula o eleitorado concede-lhe quase um “cheque em branco”. À pergunta se o entrevistado votaria em qualquer um que fosse candidato do presidente, independentemente de saber o nome, 20% respondem que sim. Ou seja, um em cada cinco eleitores está disposto a seguir Lula, de olhos fechados. No Nordeste, então, passa de 30% o percentual dos que votariam em qualquer um que fosse escolhido por Lula. Aqui, não é mais um em cada cinco, mas um em cada três eleitores informando que votariam em que seu mestre mandasse.

Além deles, passam dos 30% os dizem que poderiam votar no candidato do presidente dependendo de quem fosse. Assim, somando-se os dois tipos de seguidores, o presidente teria o potencial de influenciar a opinião de mais da metade dos eleitores.

O tipo de popularidade do presidente, que leva emoção ao eleitor e cria a adesão espontânea, não se repete nos estados, mesmo onde governadores ou prefeitos obtêm adesões maiores que as de Lula. As disputas nas cidades, porém, não estão definidas. Marcos Coimbra acredita ser impossível dizer, no momento, se Aécio Neves e Fernando Pimentel, com popularidade mais alta que a do presidente Lula, conseguirão ou não transferir votos para Márcio Lacerda, que amarga o terceiro lugar nas pesquisas em que pontua abaixo dos 10%. Menos ainda se sabe sobre em que Ciro Gomes poderá ajudar seu candidato neste momento.

Marcha dos mosqueteiros nada diz ao eleitorado

O quadro de informações do eleitor, no país inteiro, ainda é insuficiente, afirma Coimbra. Por esta razão as pesquisas feitas no fim de julho não foram em quase nada diferentes das pesquisas do final de junho, e essas quase nada diferentes do final de maio. ” O quadro de informação do eleitor só vai mudar mesmo a partir do começo da propaganda eleitoral, seja dos programas gratuitos, seja dos comerciais, das inserções. Só quando tivermos uma mudança nesse quadro de informação é que faz sentido imaginar mudança na intenção de voto do eleitorado”.

O caso de Belo Horizonte é completamente diferente do caso de uma eleição como a de São Paulo, compara o presidente do Vox Populi. Em SP, os quatro principais adversários são conhecidos por 100% dos eleitores, afirma. “O atual prefeito (Kassab), dois ex-governadores (Alckmin e Maluf), e dois ex-prefeitos (Marta e Maluf) estão disputando. Num quadro como esse, as pesquisas seriam capazes de dar, hoje, uma boa sinalização do cenário de setembro, quando já terá começado a propaganda pela televisão e, com ele, divulgação de mais informações sobre os candidatos.

Sobre Márcio Lacerda, candidato a receber a incontestável popularidade do governador de Minas e do prefeito de BH, apenas 5% dizem hoje que o conhecem bem. E apenas 10% informam que sabem alguma coisa sobre ele. “Inversamente, isso quer dizer que 85% dos eleitores da cidade sequer podem considerá-lo como opção, pois não sabem quem é”, afirma Coimbra. Não será a marcha-passeio dos quatro mosqueteiros o canal eficiente desta informação ao eleitorado.

Leia a integra da coluna de Rosângela Bittar no jornal VALOR
Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras