28/03/2009 - 14:25h A mística do mercado

ARTIGO

PAUL KRUGMAN DO “NEW YORK TIMES” - FOLHA SP

NA SEGUNDA-FEIRA, Lawrence Summers, o chefe do Conselho Econômico Nacional, respondeu às críticas ao plano do governo Obama para subsidiar a compra privada de ativos tóxicos. “Não conheço nenhum economista que não acredite que mercados de capitais funcionando melhor, nos quais os ativos possam ser negociados, não sejam uma boa ideia.”
Deixe de lado por um momento a questão de se um mercado em que os compradores têm de ser subornados para participar pode realmente ser descrito como “funcionando melhor”. Mesmo assim, Summers precisa sair mais. Alguns economistas reconsideraram sua opinião favorável sobre os mercados de capitais e a negociação de ativos à luz da crise atual.
Mas ficou cada vez mais claro nos últimos dias que autoridades graduadas do governo Obama ainda estão presas à mística do mercado. Elas ainda acreditam na magia do mercado financeiro e na proeza dos magos que a executam.
A mística do mercado nem sempre dirigiu a política financeira. A América saiu da Grande Depressão com um sistema bancário rigidamente regulamentado, que fez das finanças um negócio sóbrio e até aborrecido. Os bancos atraíam os depositantes fornecendo localizações convenientes de agências e talvez uma ou duas torradeiras de brinde; usavam o dinheiro assim captado para fazer empréstimos, e era isso.
E o sistema financeiro não era apenas aborrecido. Também era, pelos padrões de hoje, pequeno. Mesmo durante os “anos go-go”, o mercado altista da década de 1960, finanças e seguros juntos representavam menos de 4% do PIB. A relativa desimportância das finanças se refletia na lista de ações que formavam a Média Industrial Dow Jones, que até 1982 não continha uma única companhia financeira.
Tudo parece primitivo pelos padrões de hoje. Mas aquele sistema financeiro aborrecido e primitivo serviu a uma economia que duplicou os índices de padrão de vida no período de uma geração.
Depois de 1980, é claro, surgiu um sistema financeiro muito diferente. Na era Reagan, de mentalidade desregulamentadora, a banca à moda antiga foi cada vez mais substituída pela especulação em grande escala.
O novo sistema era muito maior que o antigo regime: à véspera da crise atual, finanças e seguros representavam 8% do PIB, mais que o dobro de sua participação nos anos 60. No início do ano passado, o Dow Jones incluía cinco companhias financeiras -entre elas gigantes como AIG, Citigroup e Bank of America.
E as finanças tornaram-se nada aborrecidas. Atraíram muitas de nossas mentes mais agudas e fizeram algumas pessoas imensamente ricas. Sob o novo mundo glamouroso das finanças estava o processo de securitização. Os empréstimos não ficavam mais com o credor. Em vez disso, eram vendidos para outros, que cortavam em fatias, picavam e faziam purê das dívidas individuais para sintetizar novos ativos. Hipotecas “subprime”, dívidas de cartão de crédito, empréstimos para carros -tudo entrava na processadora do sistema financeiro.
Do outro lado, supostamente, saíam doces investimentos AAA. E os magos financeiros foram generosamente recompensados pela condução desse processo.

Eram fraudes
Mas os magos eram fraudes, quer eles soubessem disso quer não, e sua magia veio a ser nada mais que uma coleção de truques baratos. Acima de tudo, a promessa chave da securitização -que tornaria o sistema financeiro mais robusto ao espalhar mais os riscos- veio a ser uma mentira. Os bancos usaram a securitização para aumentar seu risco, e não para reduzi-lo. Nesse processo tornaram a economia mais, e não menos, vulnerável aos distúrbios financeiros.
Mais cedo ou mais tarde as coisas tinham de dar errado, e acabaram dando. O Bear Stearns faliu; o Lehman faliu; mas principalmente a securitização faliu. O que nos traz de volta à abordagem do governo Obama para a crise financeira.
Grande parte da discussão sobre o plano de ativos tóxicos se concentrou nos detalhes e na aritmética, e com razão. Além disso, no entanto, o que é marcante é a visão manifestada tanto no conteúdo do plano financeiro como em declarações de autoridades do governo. Na essência, o governo parece acreditar que quando os investidores se acalmarem a securitização e os negócios financeiros poderão retomar de onde pararam um ou dois anos atrás.
Para ser justo, as autoridades estão pedindo mais regulamentação. Na verdade, na quinta-feira Tim Geithner, o secretário do Tesouro, explicou planos para aumentar a regulamentação que teriam sido considerados radicais pouco tempo atrás. Mas a visão subjacente permanece a de um sistema financeiro mais ou menos igual ao que havia dois anos atrás, embora um pouco mais controlado por novas regras. Como você pode adivinhar, eu não compartilho essa visão.
Não acho que isso seja apenas um pânico financeiro; eu acredito que representa o fracasso de todo um modelo de banca, de um setor financeiro que cresceu demais e causou mais dano que bem. Não acho que o governo Obama seja capaz de trazer a securitização de volta à vida, e não acredito que deva tentar isso.

PAUL KRUGMAN , economista, é colunista do jornal “The New York Times” e professor na Universidade Princeton (EUA).

Tradução de LUIZ ROBERTO MENDES GONÇALVES

15/03/2009 - 10:58h “Obama es demasiado prudente”

ENTREVISTA: Paul Krugman Premio Nobel de Economía 2008

Krugman

A. GONZÁLEZ / M. Á. NOCEDA – Sevilla – El País

Máximo exponente de los neokeynesianos, Krugman cree que el nuevo Gobierno de EE UU rema en la buena dirección pero está siendo más que cauto. El fin de la crisis no aparece en sus pronósticos como algo cercano.

Pese a la generosa dotación del premio Nobel, Paul Krugman (Nueva York, 1953) no abandona su aspecto de profesor universitario, enfundado en un traje con deportivas negras y una mochila al hombro. Ha venido a Sevilla invitado por la Confederación de Empresarios de Andalucía (CEA). Hace acto de presencia en el minuto exacto de la cita, tímido y abrumado por los elogios. Todo eso desaparece en cuanto se enreda en temas económicos.

Pregunta. ¿Cuándo se dio cuenta de que habíamos vuelto a la economía de la depresión, como usted la denomina?

Respuesta. A principios de 2008 estaba bastante claro que nos habíamos topado con los límites de la política convencional. Después de la caída de Lehman, en septiembre, ya resultó obvio.

P. ¿Cuándo terminará?

R. Los precedentes no son buenos. La depresión japonesa terminó con un boom de sus exportaciones a China pero esta vez la crisis afecta a todo el mundo a la vez así que ésa no es una opción. Y la Gran Depresión terminó con la II Guerra Mundial. Hay un final natural a largo plazo, pero llevará mucho, mucho tiempo.

P. ¿Son realmente eficaces las medidas adoptadas?

R. Hasta cierto punto estamos cambiando deuda privada por deuda pública y tratamos de compensar el conservadurismo de los consumidores con un aumento del gasto público. Así salimos de la Gran Depresión. Es cierto que China pretende salir de la crisis con un aumento de las exportaciones y que eso puede ser la base de otra crisis. Pero creo que es tremendamente importante sostener la demanda, aunque no sea la solución definitiva. De lo contrario, corremos un riesgo serio de quedar atrapados en una trampa muy profunda.

P. ¿Debería coordinarse esa respuesta en el G-20 o en otros foros?

R. Lo ideal es que el G-20 saliera de las reuniones de este fin de semana con un acuerdo para coordinar las políticas fiscales aunque desgraciadamente eso no va a pasar. Lo más crucial es que los europeos pacten entre ellos las bases de la expansión fiscal porque la dependencia es mucho mayor entre los socios de la UE que respecto a EE UU. En todo caso, necesitamos un acuerdo del G-20 para coordinar las políticas fiscales y también un plan de rescate para los países emergentes con problemas. Aquí probablemente tendría un papel decisivo el FMI, que debería proporcionar recursos suficientes a Hungría y al resto de los países bálticos.

P. ¿Habría que reforzar la cooperación entre EE UU y la UE?

R. Sin duda, hay mucha dependencia entre ambos. Todos estamos preocupados por el déficit pero un esfuerzo coordinado puede reducir la aportación extra que debe hacer cada uno y aumentar los beneficios. El plan de estímulo fiscal de EE UU ayuda a la economía europea, en buena medida. Por ejemplo, muchas de las ayudas destinadas a AIG acabaron en manos de bancos europeos que eran los que les habían comprado los seguros contra impagos de deuda (credit default swaps). Ahora muchos se preguntan por qué el contribuyente de EE UU tiene que rescatar bancos europeos.

P. ¿Y los bancos centrales?

R. Ahí los efectos no están tan claros. Hasta cierto punto, la resistencia del BCE a utilizar todo el margen en los tipos de interés está beneficiando a EE UU, con un dólar más barato que impulsa las exportaciones, así que a nosotros claramente nos interesa la política de Trichet.

P. ¿Conoce al presidente Zapatero o va a reunirse con él?

R. No le conozco. Sé que interviene en el acto en el que tengo que participar

en Madrid, pero no sé si habrá oportunidad de encontrarnos. Lo que sí he hecho ha sido repasar a fondo la situación de España.

P. ¿Y sus conclusiones?

R. Que España es como California o Florida. Las dos han vivido un boom de la construcción, han recibido grandes flujos de capital extranjero y, cuando ha estallado la burbuja inmobiliaria, la situación se ha vuelto muy difícil. Ahora tienen problemas de ajuste similares: el déficit es preocupante y la rebaja del rating ha sido inevitable, aunque peor para California.

P. ¿Y qué se debería hacer?

R. Va a ser duro. Lo que realmente asusta de la situación española es que no está nada claro cuál es la estrategia de ajuste por su pertenencia a la UE. Todo lo que puede hacer es mitigar los efectos de la crisis. Si España no fuera parte del euro, la devaluación ayudaría, pero esa opción ya no existe; la política fiscal es muy limitada para los países de la UE; también es limitada la capacidad de actuar sobre el sistema financiero aunque los bancos españoles han demostrado estar relativamente en buena forma; se pueden adoptar medidas para limitar el impacto de la crisis sobre los parados. Pero en buena medida a España sólo le queda esperar a que se produzca una recuperación europea.

P. ¿No debería jugar China un papel más destacado?

R. Sí, siempre que China también dé señales de cooperación. De momento sólo pretenden salir de la recesión con una moneda devaluada que impulse sus exportaciones y la política de la Reserva Federal no tiene como objetivo que los chinos estén contentos. Además, hay una cierta amenaza de que se puedan llevar el dinero que tienen en dólares, pero lo cierto es que si debes 100 dólares a alguien tienes un problema pero si lo que debes es un billón, como a los chinos, el problema lo tiene China, no tú.

P. ¿Puede el mismo sistema financiero que nos ha llevado al caos ser el que marque las directrices de futuro?

R. Nos enfrentamos a un gran test que debemos resolver y es la reconstrucción del sistema financiero. Solíamos tener un sistema más sencillo, con los bancos actuando como intermediarios y luego todo derivó en un sistema de enormes instituciones financieras, complejas y poco reguladas. Claramente eso ha fracasado. Probablemente debamos mirar hacia un modelo más simple y más al viejo estilo. Muchos cambios se producirán de forma natural. Dudo que la gente vuelva a confiar en estos planes financieros complejos y complicados, que en buena medida ya han quebrado: unos 400.000 millones de dólares del sistema financiero han desaparecido. Pero también se necesita más regulación de la que tenemos y eso va a ser duro.

P. La crisis se ha llevado por delante a muchos banqueros pero a ningún regulador.

R. En EE UU, muchos supervisores han sido forzados a dimitir de una forma u otra. Tampoco está claro que incluso haciendo su trabajo bien esto no hubiera pasado. Pero es cierto que ni siquiera intentaron hacerlo.

P. ¿Se refiere a Greenspan?

R. No, aunque es un poco triste ver cómo intenta defender su legado. Pero no hablaba de él.

P. ¿Podemos enfrentarnos, como en los años treinta, a una serie de devaluaciones competitivas?

R. Esas devaluaciones ayudaron, no fueron dañinas para la economía mundial, pero era un mundo distinto que se regía por el patrón oro. Lo que me preocupa es si ahora las devaluaciones sustituyen a otro tipo de medidas. Si China, por ejemplo, lo hace para salir de la crisis, eso sí es un problema.

P. ¿Cómo valora los primeros meses del gobierno de Obama?

R. El cambio a mejor es enorme, son políticas inteligentes y honestas y sólo eso ya dibuja un mundo completamente diferente al que había. El problema es que el gobierno Obama está siendo demasiado cauto, incluso siendo más audaz de lo habitual, está siendo demasiado prudente

dada la dimensión de la crisis. El plan de estímulo tenía que haber sido, al menos, un 30% mayor y no quieren adoptar ninguna medida dramática sobre los bancos. Las prioridades fijadas en el presupuesto son excelentes, pero aunque reman en la dirección correcta no están remando lo suficiente.

P. Pero sí hay ámbitos, como la sanidad y las políticas de gasto, en los que Obama está aplicando reformas profundas…

R. Hay una frase que se atribuye a su jefe de gabinete, Rahm Emmanuel, que dice: “Nunca se debe desaprovechar una crisis”. Eso define muy bien su espíritu -yo he hecho mía la frase [risas]-. Reagan aprovechó la crisis del 87 para cambiar todo, ¿por qué no vamos a poder dar la vuelta a algunas cosas?

P. ¿Incluyen esos cambios la nacionalización de la banca?

R. En eso, ni siquiera parece que tengan un plan , hablan de la cooperación pública y privada pero de forma difusa y a veces suena más como un regalo al sector. Lo que creo que va a pasar, aunque llevará tiempo, es una solución a la sueca . Eso llevará a garantizar los depósitos bancarios y a nacionalizar temporalmente Citigroup y posiblemente también Bank of America.

P. ¿A eso se refería el secretario del Tesoro cuando dijo que el capitalismo ya será diferente?

R. Éste es uno de esos momentos en los que toda una filosofía ha sido desacreditada. Los que defendían que la avaricia era buena y que los mercados debían autoregularse sufren ahora la catástrofe. Son los mismos que decían que si se subían los impuestos a los ricos pasarían cosas terribles. Pues Clinton subió los impuestos a las rentas más altas y la economía funcionó muy bien durante ocho años, mientras que Bush los bajó y mira lo que ha pasado. Creo que ese cambio se va a imponer.

P. ¿Amenaza la crisis la reelección de Obama?

R. Obama se parece a Roosevelt, que no resolvió la Depresión pero al que se veía que tomaba medidas para intentar salir de la crisis y eso le dio la victoria electoral. Muchos expertos en política de mi Universidad aseguran que los electores tienen una memoria muy frágil, que sólo se preocupan por lo que pasa en los últimos seis meses así que Obama tiene margen para mejorar cosas antes de la reelección.

13/03/2009 - 10:45h Comitê rejeita corte de subsídios nos EUA

Em mais um sinal de protecionismo do Congresso, foi recusada proposta de Obama de cortar ajuda a fazendeiros com renda anual acima de US$ 500 mil

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WASHINGTON – O Estado SP

O Comitê de Agricultura da Câmara dos Representantes dos EUA rejeitou por unanimidade o projeto do governo Barack Obama que previa um corte no subsídio dado aos produtores agrícolas. A proposta de eliminar os pagamentos diretos aos fazendeiros com faturamento anual superior a US$ 500 mil reduziria quase pela metade o programa de assistência aprovado no ano passado dentro da Farm Bill, a lei agrícola.

O Comitê argumentou que o programa só pode ser mudado na próxima Farm Bill, em 2012. “A legislação de 2012 estará aqui antes do que muitos imaginam. Quaisquer mudanças no programa de benefícios podem – e devem – esperar até lá”, disse o órgão.

O representante republicano no Comitê, Frank Lucas, apoiou o presidente, o democrata Collin Peterson. Para ele, a proposta que poderia economizar US$ 10 bilhões no programa de subsídios é “mal concebida” e “ridícula”. Pela Farm Bill 2008, o governo americano deve desembolsar, em cinco anos, US$ 26 bilhões com “pagamentos diretos” aos fazendeiros.

PROTECIONISMO

Congressistas americanos pediram ao Tesouro que impeça bancos resgatados pelo pacote financeiro de investirem em outros países, em mais um sinal do protecionismo crescente do Congresso. O deputado democrata Dennis Kucinich afirmou que os investimentos devem ficar nos EUA. “Enquanto é difícil conseguir um empréstimo neste país, está certo que um banco que recebeu dinheiro do Tesouro arrume um empréstimo de US$ 8 bilhões para o governo de Dubai?”, perguntou a Neel Kashkari, encarregado do plano de resgate do sistema financeiro (Tarp) no Tesouro.

Kucinich se referia ao empréstimo do Citigroup para o governo de Dubai e ao investimento de US$ 7 bilhões do Bank of America no China Construction Bank Company. Os dois bancos receberam recursos do pacote de resgate.

Kashkari rebateu que restringir empréstimos a outros países poderia gerar retaliação. “Se impedirmos nossas instituições de fazer negócios no exterior, outros países podem dizer: “OK, a recíproca é verdadeira, nós não vamos deixar bancos estrangeiros fazerem empréstimos na América.”

PATRÍCIA CAMPOS MELLO COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

FRASES

Dennis Kucinich
Deputado democrata

“Enquanto é difícil conseguir empréstimo, está certo um banco que recebeu dinheiro do Tesouro emprestar US$ 8 bilhões para o governo de Dubai?”

Neel Kashkari
Encarregado do Tarf

“Se impedirmos nossos bancos de fazer negócios fora, outros países podem dizer: ?OK, a recíproca é verdadeira”

11/03/2009 - 10:47h Perto do alívio do Citi, o PIB vira fichinha

Daniele Camba – VALOR

O desempenho da economia brasileira ladeira abaixo no último trimestre do ano passado surpreendeu até os mais pessimistas. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 3,6% no quarto trimestre de 2008 na série com ajuste sazonal ante o terceiro trimestre do ano passado. Essa é a maior retração desde 1996, quando o levantamento começou a ser feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Era uma notícia mais do que suficiente para que a bolsa fosse ladeira abaixo. Mas para a felicidade dos investidores, a divulgação ocorreu exatamente no mesmo dia que, em carta enviada a funcionários, o presidente mundial do Citigroup, Vikram Pandit, informou que a instituição teve lucro no primeiro bimestre deste ano. Com uma informação tão alvissareira, de um dos bancos com as piores sequelas da crise de crédito internacional, o PIB brasileiro horrendo virou fichinha.

A Bovespa ignorou terminantemente a notícia local e, junto com as principais bolsas do mundo, subiu de forma acentuada. O Índice Bovespa passou o dia com alta significativa e fechou com valorização 5,59%, aos 38.794 pontos. Para se ter ideia de como o bom humor foi generalizado, dos 66 papéis que fazem parte do índice, apenas três caíram: as preferenciais (PN, sem direito a voto) da Gol, TAM e Votorantim Celulose e Papel (VCP). Faz todo sentido o mercado ignorar o desempenho ruim do PIB brasileiro num dia em que o cenário externo parece um pouco melhor. Essa crise é internacional e, à medida que ela se dissipar, aumentam as chances do mundo voltar aos trilhos com cada país refletindo seus próprios fundamentos. E nesse quesito, o Brasil vai bem, obrigada. Até o quadro internacional ficar feio, o PIB vinha crescendo de forma consistente e a estabilidade econômica se mostrava cada vez mais consolidada.

Em vez de o mercado olhar a retração do PIB como um copo meio vazio, resolveu olhá-lo como meio cheio. Com uma queda da economia nesta magnitude, cresceram as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode cortar em até dois pontos percentuais a taxa básica Selic na reunião de hoje

.

“Até o começo da semana, os mais otimistas acreditavam numa redução de um ponto e meio de uma vez só, hoje (ontem) esses mesmos profissionais já defendem que o Copom pode, e deve, cortar dois pontos nesta reunião”, diz o gerente para pessoa física da Corretora Gradual, Evandro Soeiro Campos. Ele acredita que, com a alta de ontem, uma boa parte dessa expectativa de um corte mais generoso da Selic já está embutida nos preços das ações. No entanto, se isso de fato se consumar hoje, é possível que a Bovespa continue surfando na onda de valorização, pelo menos pelos próximos dias. Vale lembrar que todas essas possibilidades dependem do cenário externo, que continua sendo a variável mais importante. E o pregão de ontem é a maior prova disso. “Se as notícias internacionais voltarem a ser negativas, todas essas hipóteses vão por água abaixo e a bolsa retoma a toada de queda”, alerta o gerente da Gradual.

Em condições normais de temperatura e pressão, quedas de juros sempre favorecem a bolsa, tanto pelo lado da economia quanto pelo fluxo de investidores. Pelo lado da economia porque, entre outros motivos, as empresas passam a ter crédito mais barato e a roda da economia volta a funcionar melhor. Já pelo aspecto financeiro, ganhando menos na renda fixa, os investidores levam seus recursos para a renda variável. O volume financeiro da bolsa ontem, de R$ 4,5 bilhões, pode ser um sinal interessante de uma queda gradual de aversão ao risco. Nos últimos meses, com a deterioração da crise, o giro diário da bolsa tem oscilado entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões.

Leia a integra da coluna no jornal VALOR

24/02/2009 - 11:07h O sistema bancário no limiar do colapso

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Paul Krugman* – O Estado SP

http://img.wonkette.com/wp-content/uploads/2008/06/krugman1.jpgO camarada Greenspan deseja que nos apoderemos do alto comando econômico. Tudo bem, não é exatamente isso o que está acontecendo. O que Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve (o BC americano) – e aguerrido defensor do livre mercado – disse foi: “Pode ser necessária a estatização temporária de alguns bancos para facilitar uma rápida e ordenada reestruturação do sistema”. Eu concordo.

Os defensores da estatização levam em consideração três observações. Em primeiro lugar, alguns grandes bancos estão perigosamente perto do abismo – na verdade, já teriam falido se os investidores não esperassem um resgate governamental caso surgisse a necessidade. Em segundo, os bancos precisam de resgate. O colapso do Lehman Brothers quase destruiu o sistema financeiro mundial, e não podemos correr o risco de deixar que instituições muito maiores, como o Citigroup, implodam. Em terceiro lugar, embora os bancos precisem de resgate, o governo dos EUA não pode bancar, tanto fiscal quanto politicamente, a distribuição de imensos presentes entre os acionistas.

Sejamos concretos. Há uma chance considerável – não é uma certeza – de que o Citi e o Bank of America (BofA), juntos, percam centenas de bilhões de dólares nos próximos anos. E o capital deles, o excedente dos seus ativos em relação aos passivos, está muito aquém de poder cobrir essas perdas em potencial.

O único motivo pelo qual essas instituições ainda não faliram é a atuação do governo, que age como anteparo, garantindo implicitamente suas obrigações. Mas se trata de bancos zumbis, incapazes de proporcionar o crédito do qual a economia necessita.

Para pôr um fim a esse estado de morte em vida, os bancos precisam de mais capital. Mas esse não pode ser obtido com os investidores privados. Assim, o governo precisa fornecer os fundos necessários.

Mas é aí que está o problema: os fundos necessários para devolver esses bancos à vida excedem em muito o valor dos mesmos. Citi e BofA têm juntos um valor de mercado inferior a US$ 30 bilhões, e mesmo esse valor tem por base a esperança de que os acionistas recebam parte da oferta do governo. Se o governo vai entrar com todo o dinheiro, deveria ficar com a propriedade dos bancos. Ainda assim, a estatização é antiamericana? Não, é tão americana quanto a torta de maçã.

Ultimamente, a Sociedade Federal de Seguro de Depósito (FDIC, em inglês) assumiu o controle de bancos considerados insolventes num ritmo de dois por semana, aproximadamente. Quando a FDIC assume o controle de um banco, incorpora os ativos ruins, paga parte da sua dívida e revende a instituição limpa para investidores particulares. É exatamente isso que os defensores da estatização temporária querem que ocorra, não apenas com os pequenos bancos, mas também com os grandes.

A verdadeira pergunta é: por que a administração Obama insiste em fazer propostas que soam como alternativas à estatização, mas envolvem imensas distribuições de dinheiro para os acionistas dos bancos? Por exemplo, inicialmente, a administração surgiu com a ideia de oferecer aos bancos garantias contra as perdas relacionadas aos ativos problemáticos. Seria ótimo negócio para os acionistas, mas nem tanto para o resto de nós.

Agora a administração fala em “parceria público-privada” para comprar os ativos problemáticos, com o governo emprestando dinheiro aos investidores privados para tal propósito. Para os investidores, seria uma aposta vencedora. Novamente, eles ganham e nós perdemos.

Por que não simplesmente ir adiante e estatizar? Lembrem-se, quanto mais tempo convivermos com bancos zumbis, mais difícil será a recuperação da economia. Como se daria essa estatização? Tudo que a administração precisa fazer é levar a sério o seu próprio “teste de stress” projetado para os bancos, sem ocultar os resultados negativos quando um banco for reprovado no teste. É verdade que o processo teria certo aspecto teatral, evidenciado quando um governo que esteve sustentando bancos durante meses se declarasse chocado, absolutamente chocado com o estado miserável dos balanços patrimoniais. Mas tudo bem.

Vale repetir que o objetivo não é a propriedade do governo sobre os bancos a longo prazo: como no caso dos pequenos bancos adquiridos pela FDIC, os grandes seriam devolvidos ao controle particular assim que possível. O blog de finanças Calculated Risk sugere que, em vez de chamar o processo de estatização, deveríamos chamá-lo de “pré-privatização”.

Segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, a gestão Obama crê “que um sistema bancário nas mãos de investidores particulares seja a alternativa correta”. Todos acreditamos no mesmo. Mas o que temos agora não é o empreendedorismo particular, e sim o socialismo limonada: os bancos ficam com os benefícios, mas os contribuintes assumem os riscos.

O que queremos é um sistema dentro do qual os bancos fiquem tanto com a parte boa quanto com a ruim. O caminho para chegar a esse sistema passa pela estatização.

*Paul Krugman é articulista

23/02/2009 - 10:13h EUA liquidam bancos e avaliam estatização

No mês, extinção de instituições é a maior desde 1993; ações de grandes grupos despencam com risco de serem tomadas pelo Estado

Ganha força no país a opção de o governo assumir controle de grandes bancos, como Citi e Bank of America, para serem saneados e depois vendidos

http://www.whereistheoutrage.net/wordpress/wp-content/uploads/2009/02/bank-of-america.jpghttp://images.publicradio.org/content/2008/04/17/20080417_citibank_3.jpg

FERNANDO CANZIAN – FOLHA SP

DE NOVA YORK

Os EUA liquidaram nos primeiros 40 dias deste ano o equivalente a mais da metade dos bancos fechados em 2008 inteiro, quando foram extintas 25 instituições, um recorde recente. Sete bancos foram fechados só na primeira semana de fevereiro, o maior número em um mês desde 1993.
Aos acionistas desses bancos, 13 médios e pequenos, foram impostas perdas totais, e suas agências, distribuídas entre os concorrentes, assim como as contas dos clientes. A expectativa é que até 1.000 dos 8.348 bancos dos EUA sejam liquidados nos próximos três anos pela FDIC, a agência federal que supervisiona o sistema.
Na semana passada, as ações dos quatro principais bancos dos EUA (Citigroup, Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo) derreteram na Bolsa de Valores de Nova York.
O Citi vale hoje 10% do que valia há um ano, e suas ações despencaram 44% na semana. Por trás da fuga dos investidores está o temor crescente de que algumas dessas instituições, especialmente Citi e Bank of America (BofA), sejam estatizadas. Se isso ocorrer, os acionistas perdem tudo.
O próprio presidente do Fed (o banco central dos EUA), Ben Bernanke, e o ex-presidente da instituição, Alan Greenspan, já consideraram abertamente a opção, pois o governo vai ficando sem alternativa para lidar com a virtual falência desses bancos, vistos como “grandes demais para cair”. “Qualquer que seja a decisão, há um forte compromisso dessa administração de manter os bancos privados e de devolvê-los ao setor privado o mais rapidamente possível”, declarou Bernanke.
Na sexta-feira, o presidente do Comitê de Bancos do Senado, o democrata Cristopher Dodd, disse que a estatização “não seria bem vinda”. “Mas minha preocupação é que talvez sejamos obrigados a isso [estatizar], pelo menos por um período curto”, afirmou.
Entre os republicanos, o senador Lindsey Graham afirmou que a opção de estatizar “deve estar sobre a mesa”.
Na sexta, enquanto as ações dos bancos despencavam em Nova York, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, procurou acalmar os ânimos dizendo que o governo de Barack Obama “acredita fortemente que o modo de irmos adiante é com um sistema bancário privado e suficientemente regulado”.
Mesmo assim, as ações do conjunto de bancos listados na Bolsa de Nova York caíram 7%. As do Citigroup e Bank of America (BofA), cerca de 10%.
Citi, BofA, JPMorganChase e Wells Fargo já receberam US$ 140 bilhões em injeções de dinheiro público desde outubro (o maior acionista do BofA já é o governo dos EUA, com 6%). Apesar desses aportes, o valor de mercado dos quatro bancos encolheu em US$ 402 bilhões (um terço do PIB do Brasil) desde então.
Esses bancos concentram o grosso dos chamados ativos “tóxicos”, que travaram o sistema financeiro americano e que são a causa da atual crise, considerada a maior desde os anos 1930. Os títulos “tóxicos” são resultado de empréstimos feitos pelos bancos sem garantias reais suficientes e largamente lastreados pelo setor imobiliário, onde os preços das casas estão em queda livre há dois anos. Em alguns casos, um único dólar em garantia real dada ao banco chegou a financiar outros US$ 35 em empréstimos.
Para voltarem à atividade normal, esses bancos precisam ser limpos desses ativos. O principal problema é que o governo não chegou ainda à conclusão de quanto pagar pelos títulos “tóxicos” e como proteger o contribuinte das perdas. Por isso, a opção pela estatização ganha força no país.
Se adotada, o governo não precisa “precificar” os ativos “tóxicos”. Além disso, imporia perdas totais aos acionistas que fizeram apostas arriscadas, afastaria os dirigentes e poderia mais à frente, depois de limpo, revender o banco.
O maior temor dos EUA é que o país mergulhe em uma espiral recessiva parecida com a do Japão nos anos 1990. No país asiático, isso ocorreu justamente porque o governo demorou anos para atacar uma crise bancária de proporções mais modestas, mas parecida com a atual nos EUA. Outro exemplo mais ou menos da mesma época foi a Suécia, que resolveu estatizar bancos com problemas rapidamente, o que acelerou a saída da crise.

02/02/2009 - 10:13h Nacionalização pode virar realidade

ANÁLISE

Um “banco podre” poderia absorver os títulos tóxicos

http://www.bloomberg.com/apps/data?pid=avimage&iid=inAOZ2ZIZKuY

Por DAVID E. SANGER – The New York Times – Folha SP

WASHINGTON
Dias após o início do governo de Barack Obama nos EUA, membros da nova administração e líderes democratas no Congresso já estão às voltas com uma das questões mais politicamente delicadas sobre o socorro financeiro: o presidente está preparado para nacionalizar uma enorme parcela do sistema bancário do país?

Em conversas privadas, a maioria dos membros da equipe econômica de Obama admite que a rápida deterioração dos maiores bancos dos EUA, o Bank of America e o Citigroup, poderá exigir muito mais dinheiro dos contribuintes, além dos mais de US$ 300 milhões já despejados nessas duas instituições financeiras e em centenas de outras.

Mas se tantos bilhões de dólares em novos investimentos são necessários para aprumar esses bancos, e talvez seus concorrentes, o que os contribuintes receberão em troca? E como crescem os riscos na medida em que o papel do governo se expande de apenas alguns salvamentos ao controle de uma vasta porção do setor financeiro da maior economia do mundo? O governo Obama só está fazendo referências oblíquas a essas questões. Em uma recente entrevista em um programa político, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, se referiu a um debate interno quando foi perguntada se a nacionalização, ainda que parcial, dos maiores bancos era uma boa ideia.

“Podem dar o nome que quiserem”, disse Pelosi, democrata da Califórnia. “Se nós os reforçarmos, então a população americana deverá receber parte das vantagens desse reforço. Alguns chamam isso de nacionalização. Não estou falando em propriedade total”, ela logo advertiu —e se conteve fazendo uma pergunta: “Algum dia pensamos que poderíamos usar esse termo? ‘Nacionalizar bancos’?”

Até agora, os principais assessores de Obama evitaram completamente essa palavra e ainda discutem ativamente outras alternativas, incluindo a criação de um “banco podre”, que nacionalizaria os empréstimos em moratória, tirando-os das mãos das instituições financeiras, sem realmente assumir a propriedade dos bancos. Outros falam em uma nacionalização de fato, em que o governo tem uma participação considerável nos bancos, mas não majoritária, com tudo o que isso conota.

Isso já aconteceu; os contribuintes hoje são os maiores acionistas do Bank of America, com cerca de 6% das ações, e do Citigroup, com 7,8%. Mas a influência do governo é muito maior do que sugerem esses números, porque ele garantiu que vai absorver os prejuízos de alguns dos ativos mais tóxicos dos bancos, cifra que poderá chegar a centenas de bilhões de dólares. Muitos acreditam que essa forma de propriedade híbrida —parte governo, parte privada— não será factível. “A tese da nacionalização total está muito mais forte hoje do que alguns meses atrás”, disse Adam Posen, vice-diretor do Instituto Peterson de Economia Internacional, instituição de pesquisa independente. “Se você não tiver a maioria, não pode demitir a direção, derrotar acionistas, declarar que vai apenas assumir os prejuízos e recomeçar.”

Membros da equipe econômica de Obama —entre eles Timothy Geithner, secretário do Tesouro, e Lawrence Summers, principal assessor econômico do presidente— argumentaram, durante a crise financeira asiática dos anos 1990, que os governos são péssimos administradores de bancos.

Os riscos da nacionalização sobre os quais eles advertiram então se aplicam igualmente aos EUA hoje. O primeiro é que a nacionalização pode ser contagiante. Se o governo encampasse o Bank of America e o Citigroup, investidores privados poderiam decidir sair de instituições como JP Morgan Chase e Wells Fargo, ou outros grandes bancos, temendo que elas sejam as próximas.

Além disso, assessores de Obama dizem ter consciência de que, frente à percepção de que está dirigindo bancos, o governo poderá sofrer forte pressão política para impedir falências ou para emprestar dinheiro a projetos em dificuldades nos redutos com eleitorados poderosos.

Mas a nacionalização talvez seja a única maneira de tirar as grandes instituições financeiras da espiral descendente. Neste momento, muitos bancos relutam em cancelar suas dívidas ruins e absorver enormes prejuízos, a menos que possam primeiro levantar capital suficiente para amortecer o golpe. Só que eles não podem atrair esse capital sem antes purgar os ativos tóxicos de seus balanços.

A nacionalização poderia tirar os bancos do abismo, ao menos temporariamente. Mas alguns republicanos acusariam Obama de estar levando os EUA ao socialismo. Segundo Charles Geisst, historiador financeiro do Manhattan College em Nova York, nacionalização “simplesmente não é um termo do vocabulário americano”. “Pensamos nisso como algo que os estrangeiros fazem contra nós, e não que nós fazemos”, continuou.

Outra opção é o governo comprar os ativos mais tóxicos dos bancos por meio de um fundo gigante ou, mais provavelmente, um “banco podre”, com apoio federal, destinado a comprar investimentos problemáticos. O problema é que daí os contribuintes deteriam todos os piores ativos dos bancos.

Limpar os ativos ruins sem impor um alto preço para diretores, acionistas e credores é sobre o que Summers e Geithner advertiram durante a crise asiática.

“Dissemos aos asiáticos que precisavam se dispor a deixar bancos e empresas falirem”, disse Jeffrey Garten, professor na Escola de Administração de Yale e integrante do governo de Bill Clinton (1993-2001). “Avisamos-lhes de que havia um grande risco moral se os governos os socorressem. E hoje estamos fazendo exatamente o contrário do que aconselhamos.”

Colaborou Eric Dash, em Nova York

25/11/2008 - 14:47h Anatomia do pânico com o Morgan Stanley

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Susan Pulliam, Liz Rappaport, Aaron Lucchetti, Jenny Strasburg e Tom McGinty, The Wall Street Journal – VALOR

Dois dias depois que a Lehman Brothers Holdings pediu concordata, espalhou-se um boato explosivo: outra grande firma de Wall Street, o Morgan Stanley, estava prestes a quebrar. O que se dizia no mercado naquele 17 de setembro é que o Deutsche Bank AG tinha cancelado uma linha de crédito de US$ 25 bilhões para o banco de investimento.

Não era verdade, mas o boato ajudou a desencadear uma cascata de apostas contra o Morgan Stanley. O diretor-presidente John Mack queixou-se amargamente de que operadores desejosos de lucros estavam semeando o pânico. Mas faltava uma informação essencial: quem, exatamente, estava por trás dessas transações?

Registros de transações examinados pelo Wall Street Journal oferecem agora uma resposta parcial. Esses documentos revelam que algumas das maiores firmas de Wall Street – Merrill Lynch & Co., Citigroup Inc., Deutsche Bank e UBS AG – estavam apostando pesado contra o Morgan. A estratégia dessas firmas era usar complicados instrumentos financeiros chamados swaps de crédito, uma forma de seguro contra perdas com crédito.

Um exame dessas transações feito pelo WSJ também revela que os swaps tiveram papel importante ao amplificar a avaliação pessimista do mercado sobre o Morgan Stanley, o que, por sua vez, levou os operadores a investir contra as ações da firma, vendendo-as a descoberto. A inter-relação entre as transações com swaps e a venda a descoberto acelerou a espiral descendente da firma.

Este relato foi elaborado a partir dos registros das transações e de mais de 70 entrevistas com executivos de Wall Street, operadores, corretores, administradores de fundos de hedge, investigadores e autoridade reguladoras.

Durante anos, a venda de swaps de crédito foi uma mina de ouro para Wall Street. Mas, por ironia, naqueles dias tumultuados de setembro, o mercado de swaps virou-se contra o Morgan Stanley como um Frankenstein financeiro. Esse mercado se tornou um termômetro bem visível do Pânico de 2008, insuflando a crise que acabou exigindo a intervenção do governo.

Outras firmas também estavam negociando com swaps do Morgan em 17 de setembro: Royal Bank of Canada, Swiss Re e vários fundos de hedge, como King Street Capital Management LLC e Owl Creek Asset Management LP.

A pressão também se intensificou em outra frente: houve um aumento nas vendas a descoberto – apostas contra as ações da Morgan – por parte de grandes fundos de hedge. No fim do dia, a ação do Morgan tinha caído 24%, e as autoridades temiam que investidores com práticas predatórias estavam mirando os bancos de investimento.

Esse tipo de transação, que já havia derrubado Bear Stearns Cos. e Lehman, fez com que as ações do Citigroup desabassem 60% na semana passada, o que forçou novo socorro do governo.

Os investigadores estão tentando identificar o que causou o caos do mercado em meados de setembro e saber se os swaps de crédito ou as ações do Morgan Stanley foram negociados de forma imprópria. O procurador-geral de Nova York, Andrew Cuomo, o escritório em Manhattan da Procuradoria-Geral dos Estados Unidos e a comissão de valores mobiliários americana (SEC) estão investigando se houve manipulação do mercado por parte de corretores que teriam divulgado intencionalmente falsos boatos para lucrar com suas apostas. As investigações também querem verificar se os operadores compraram swaps por altos preços para provocar o medo quanto à estabilidade do Morgan e assim lucrar em outras aplicações, e se as transações envolveram cotações falsas e fechamento de negócios inexistentes, segundo pessoas a par do assunto.

Ainda não surgiu publicamente nenhuma prova de que qualquer firma tenha feito algo de errado em relação às ações ou swaps do Morgan Stanley. A maior parte das firmas afirma que comprou os swaps simplesmente para se proteger contra eventuais prejuízos com vários tipos de negócios que estavam fazendo com o Morgan. Algumas garantem que suas aplicações em swaps foram pequenas em relação a todas as transações desse tipo ocorridas naquele dia.

Provar que o preço de qualquer papel foi manipulado é extraordinariamente difícil. O mercado de swaps não é nada transparente: as transações são feitas por telefone e email entre os corretores, sem cotações públicas.

Erik Sirri, um diretor de mercados da SEC, afirma que o mercado de swaps é vulnerável à manipulação. “Transações de baixo volume em um mercado relativamente pequeno podem ser usadas para (…) sugerir que um crédito é considerado fraco pelo mercado”, disse ele em depoimento ao Congresso americano no mês passado. Sirri disse que a SEC temia que as transações com swaps estivessem causando investimentos prejudiciais às ações.

O Morgan tinha começado setembro em boa forma. Teve lucro nos dois primeiros trimestres fiscais, até 31 de maio. Ao contrário da Lehman, não tinha muita exposição aos créditos imobiliários residenciais de alto risco, embora estivesse exposto ao mercado de imóveis comerciais e de empréstimos alavancados. Mack sabia que os lucros do terceiro trimestre seriam maiores do que o esperado.

Em 14 de setembro, enquanto a Lehman se preparava para pedir concordata, Mack disse aos funcionários, em memorando interno, que o Morgan estava “em uma posição única para ter sucesso neste ambiente tão cheio de desafios”. No dia seguinte, a firma conseguiu alguns novos clientes de fundos de hedge que estavam fugindo da Lehman.

Mas os rumores corriam soltos, com operadores preocupados com qual firma de Wall Street seria a próxima a cair. A conversa nos fundos de hedge, segundo alguns operadores, é que o Morgan Stanley tinha US$ 200 bilhões em risco devido às suas transações com a seguradora American International Group Inc., então prestes a pedir concordata. Isso não era verdade. O Morgan informou à SEC que sua exposição à AIG era “irrelevante”.

Alguns corretores do J.P. Morgan Chase & Co. estavam sugerindo a clientes do Morgan Stanley que era arriscado manter contas nessa firma, segundo pessoas a par do assunto. Mack queixou-se a James Dimon, diretor-presidente do J.P. Morgan, que pôs fim às conversas, segundo essas pessoas. Deutsche Bank, UBS e Credit Suisse também ofereceram seus serviços a fundos de hedge atendidos pelo Morgan, segundo pessoas a par do assunto.

No dia 16, a ação do Morgan desabou durante o dia, mas com uma recuperação no final do pregão. Alguns fundos de hedge retiraram seus recursos da firma, temendo que o Morgan seguisse os passos da Lehman no tribunal de falências, com risco de imobilizar os ativos dos clientes. Em um esforço para amainar as preocupações, o Morgan divulgou seus resultados naquela tarde, às 16h10, um dia antes do previsto.

“É muito importante devolver um pouco de sanidade ao mercado”, disse Colm Kelleher, diretor financeiro do Morgan, em teleconferência com investidores. “As coisas estão realmente saindo de controle, e boatos ridículos estão sendo repetidos.”

Glenn Schorr, analista do UBS, perguntou a Kelleher sobre o alto custo de proteção da dívida do Morgan Stanley no mercado de swaps. A proteção para US$ 10 milhões em dívidas do Morgan tinha subido para US$727.900 por ano, ante US$221.000 em 10 de setembro, segundo a CMA DataVision.

“Certas pessoas estão se concentrando nos swaps de crédito como desculpa para olhar para as ações”, respondeu Kelleher, sugerindo que os operadores que investiam nos swaps também estavam vendendo a descoberto ações do Morgan Stanley, apostando que elas cairiam.

É impossível saber com certeza qual era a motivação dos que compravam swaps do Morgan. Eles receberiam pagamentos caso o Morgan não pagasse títulos e empréstimos. Alguns desses compradores, sem dúvida, possuíam créditos do banco e estavam simplesmente tentando proteger-se contra uma eventual insolvência.

Mas os swaps também eram uma boa maneira de especular, para operadores que não detiam esses créditos. O valor do swap aumenta com o medo da inadimplência. Os operadores que apostavam no aumento dos temores sobre o Morgan Stanley podiam usar os swaps para obter um lucro rápido.

Em meio às incertezas daquele 16 de setembro, a Millennium Partners LP, fundo de hedge com US$ 13,5 bilhões, pediu para retirar US$ 800 milhões dos mais de US$ 1 bilhão que mantinha no Morgan, segundo pessoas a par dessas retiradas. Em separado, a Millennium também tinha vendido a descoberto ações do Morgan Stanley – parte de uma série de apostas na queda das ações de firmas financeiras, disse uma dessas pessoas. Além disso, a fundo de hedge comprou opções de venda, que lhe davam o direito de vender ações do Morgan no futuro a um preço determinado.

“Escute, nós precisamos proteger nossos ativos”, disse Israel Englander, presidente da Millennium, a um executivo do Morgan Stanley, segundo uma pessoa a par da conversa. “Não é nada pessoal.” Essas apostas na queda das ações, pequenas em comparação com o volume total de transações da Millennium, subiam de valor à medida que caíam as ações do Morgan.

Na manhã do dia 17, David “Tiger” Williams, presidente da Williams Trading LLC, que presta serviços de transações para fundos de hedge, ouviu um de seus operadores dizer que certo fundo havia transferido uma conta de US$ 800 milhões do Morgan Stanley para uma firma rival. O operador, que estava ao telefone com o gestor do fundo que retirou o dinheiro, perguntou por quê. O Morgan estava quebrando, respondeu o cliente.

Pressionado a dar detalhes, o administrador do fundo repetiu o rumor sobre o cancelamento da linha de crédito de US$ 25 bilhões por parte do Deutsche Bank. Williams passou a dar vários telefonemas, mas suas fontes no mercado opinaram que se tratava de um boato falso.

Mas o estrago já estava feito. Às 7h10, um operador do Deutsche Bank cotou em US$ 750.000 a compra de proteção para US$ 10 milhões em dívida do Morgan. Às 10h, o Citigroup e outros operadores já cotavam preços de US$ 890.000. E à medida que se alastrava o boato sobre o Deutsche, as ações do Morgan despencaram, de cerca de US$ 26 às 10h para perto de US$ 16 às 11h30.

Antes do meio-dia, operadores de swap começaram a cotar o custo de seguro para o Morgan em “pontos adiantados” – jargão de Wall Street para transações em que os compradores têm de pagar pelo menos US$ 1 milhão adiantado, mais um prêmio anual, para segurar US$ 10 milhões em dívida. No caso do Morgan Stanley, alguns operadores estavam exigindo mais de US$ 2 milhões adiantados.

Durante o dia, a Merrill comprou swaps para cobrir US$ 106,2 milhões em dívida do Morgan Stanley, segundo os documentos das transações. A King Street comprou swaps que cobriam US$ 79,3 milhões; o Deutsche Bank, US$ 50,6 milhões; a Swiss Re, US$ 40 milhões; a Owl Creek, US$ 35,5 milhões; UBS e Citigroup; US$ 35 milhões cada; Royal Bank of Canada, US$ 33 milhões; e ACM Global Credit, um fundo de investimento operado pela AllianceBernstein Holding, US$ 28 milhões, segundo os documentos.

No dia seguinte, 18 de setembro, algumas dessas mesmas firmas estavam de volta ao mercado. A Merrill comprou proteção para outros US$ 43 milhões em dívida do Morgan; o Royal Bank of Canada, US$ 36 milhões; a King Street, US$ 30,7 milhões; e o Citigroup, US$ 20,7 milhões, indicam os registros.

Nenhuma das firmas comenta quanto pagou pelos swaps, ou se lucraram com as operações.

“A proteção que compramos foi um simples hedge, não baseado em nenhuma visão negativa do Morgan Stanley”, diz John Meyers, um porta-voz da AllianceBernstein. Um porta-voz do Royal Bank of Canada diz que o banco comprou os swaps para administrar seu “risco de crédito” com o Morgan Stanley e que não estava “apostando contra o Morgan Stanley nem realizou apostas na baixa de sua ação”.

A King Street, um fundo de hedge com US$ 16,5 bilhões, comprou os swaps para cobrir sua exposição ao Morgan Stanley, que incluía títulos de renda fixa, segundo uma pessoa ligada ao fundo. O fundo não tinha uma posição vendida na ação, diz essa pessoa.

Porta-vozes de Deutsche Bank e Citigroup dizem que as transações deles foram relativamente pequenas e com o propósito de proteger contra perdas em outros investimentos relacionados ao Morgan, e para atender a ordens dos clientes. Um porta-voz da Owl Creek diz que ela comprou os swaps “para segurar o colateral que tínhamos no Morgan Stanley na época”, e que continua a fazer negócios com a firma.

Merrill, UBS e Swiss Re negaram-se a prestar comentários.

Durante o frenesi de transações em 17 de setembro, Mack havia começado a discutir uma fusão com o Wachovia Corp. Quatro dias depois, o Morgan Stanley alterou o curso, tornando-se uma holding bancária e ganhando maior acesso a recursos do governo. No mês passado, depois de captar US$ 9 bilhões do japonês Mitsubishi UFJ Financial Group, o Morgan recebeu US$ 10 bilhões do governo americano.

O Morgan Stanley precisa agora revisar sua estratégia para lidar com um ambiente avesso a risco e com a supervisão mais rígida do governo que acompanha a condição de holding bancária. Este mês, o banco anunciou que demitiria 2.300 empregados, ou 5% do total.

O custo de segurar sua dívida caiu. Ontem sua ação subiu 33,13% e fechou a US$ 13,38.

20/11/2008 - 20:31h The end of the affair

Nov 20th 2008 | WASHINGTON, DC
From The Economist print edition

America’s return to thrift presages a long and deep recession

Getty Images

DEBBIE JEFFRIES could see it coming. When she manned the cash register at Linens ’n Things, the household-goods chain where she has worked for 14 years, a customer would sometimes open her wallet and display 15 credit cards. “That people can pull out that many credit cards—that’s insane. You say, whoa, maybe that’s why we’re here. We have so much debt.”

Ms Jeffries cut up her own credit card several years ago when the balance became unmanageable, but still became an indirect victim of the credit crunch that is now dragging America into recession. Linens ’n Things filed for bankruptcy protection in May; in October, unable to find a buyer for its stores, it began to liquidate itself. A sign in the window of Ms Jeffries’ store in suburban Maryland invites anyone interested in buying the fixtures to see the manager. Ms Jeffries expects to be out of a job by the end of December.

An important reason why the American economy has been so resilient and recessions so mild since 1982 is the energy of consumers. Their spending has been remarkably stable, not only because drops in employment and income have been less severe than of old, but also because they have been willing and able to borrow. The long rise in asset prices—first of stocks, then of houses—raised consumers’ net worth and made saving seem less necessary. And borrowing became easier, thanks to financial innovation and lenders’ relaxed underwriting, which was itself based on the supposedly reliable collateral of ever-more-valuable houses. On average, consumers from 1950 to 1985 saved 9% of their disposable income. That saving rate then steadily declined, to around zero earlier this year (see chart). At the same time, consumer and mortgage debts rose to 127% of disposable income, from 77% in 1990.

Those forces have now reversed. The stockmarket has fallen to the levels of a decade ago. House values have fallen 18% since their peak in 2006. Banks and other lenders have tightened lending standards on all types of consumer loans.

As a consequence, consumer spending fell at a 3.1% annual rate in the third quarter (in part because tax rebates boosted spending in the second), the steepest since the second quarter of 1980 when Jimmy Carter briefly imposed credit controls. More such declines are likely to follow. Richard Berner of Morgan Stanley projects that in the 12 months up to the second quarter of next year real consumer spending will fall by 1.6%—a post-war record. “The golden age of spending for the American consumer has ended and a new age of thrift likely has begun,” he says.

 Even before this crisis hit, saving was bound to rise. Baby-boomer Americans have saved far less than their parents, according to McKinsey Global Institute, the consultancy’s affiliated think-tank, and are unprepared for retirement. Drawn out over many years, a rise in saving would be a good thing. But compressed into a matter of months, it would be downright dangerous. But the possibility cannot be dismissed. Bruce Kasman and Joseph Lupton of JPMorgan predict that the saving rate will jump to around 4.5% by the end of next year, the sharpest jump in so short a time in the post-war period.

Patricia Baker, a part-time hostess at a Maryland country club, is spending $1,000 on Christmas this year compared with $3,000 last year. She worries about the economy. People at the club still play golf, but instead of ordering lunch and a beer, many just buy crackers and a soda. She also has less to spend. Illness kept her husband off work for a bit, and they fell behind on payments on their two credit cards. The credit-card company docked his wages to pay off the first, and she is still battling over the second. She expects her monthly mortgage payment to reset next year from $1,700 to $2,000 or more, and doubts she can find anything better: “Banks aren’t going to touch anyone that doesn’t have perfect credit.” She now pays cash—as she did for two pillows in the Linens ’n Things closing sale.

This compulsory return to thrift will be deeply painful; consumer spending and housing are almost three-quarters of GDP. Of the 1.2 million, or 0.9%, decline in jobs since December, about 700,000 are directly related to consumers: retail trade, transportation manufacturing and home-building. The rise in unemployment, from 4.4% in 2006 to 6.5% in October, is nearing that of 2001-03 and is not over. On November 19th Federal Reserve policymakers disclosed they expect the recession to last until mid-2009. Their inflation worries have evaporated; indeed, consumer prices plunged a record 1% in October from September, and by 0.1% excluding fuel and food, the first such decline since 1982. The Fed’s vice-chairman, Donald Kohn, said outright deflation “is a risk out there but it’s still small”.

The risk is that the recession will be longer and the recovery weaker than expected as consumers retrench. Until 1982 recessions were often induced by the Fed to weaken demand and reduce inflation. Declines in GDP were dominated by business inventories and interest-sensitive spending such as cars and houses. Once the Fed eased money, spending sprang back.

Since then inventories have become less important to the business cycle and deregulation and financial innovation mean higher interest rates take longer to affect spending. Expansions are marked by sizeable growth in assets and debt. When the cycle turns, falling asset values and debt reduction weaken the kick of lower rates, producing anaemic recoveries with rising unemployment. The Fed has already lowered its interest-rate target to 1%, but it is fighting gale-force headwinds as lenders reduce their loan portfolios. Citigroup recently told many of its credit-card holders that it was raising their interest rates by up to three percentage points.

Lenders once routinely pooled credit-card, student and car loans into securities and sold them to capital-markets investors. Joseph Astorina of Barclays Capital says no one wants to buy such securities now for fear that some overextended investor will dump its own holdings a week later, driving their values down sharply. The issuance of credit-card-backed securities, which averaged $8 billion a month in 2007, was zero in October, he says.

Alan Greenspan, the former Fed Chairman, told The Economist this week that banks were satisfied with capital equal to 10% of their assets in the past. Now, to soothe depositors and investors, they will need a much higher ratio—perhaps around 15%. Until they get there, through a combination of raising new capital, reducing dividends and share buybacks, and shedding assets, lending will be constrained.

This makes a strong case for more government stimulus. Lawrence Summers, the former treasury secretary and a candidate for the same post under Barack Obama, said on November 17th that it should be “speedy, substantial and sustained over a several-year interval”. Fiscal stimulus at this stage would replace some of the demand which has been wiped out by the credit crunch. It won’t prevent a recession; but without it, the recession is guaranteed to be far worse.

04/11/2008 - 13:27h Aumenta pressão sobre o minério de ferro

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Robert Guy Matthews, The Wall Street Journal – VALOR

As grandes mineradoras, numa súbita reviravolta, estão se preparando discretamente para cortes significativos nas próximas negociações de preço com as siderúrgicas mundiais, devido ao enfraquecimento da demanda do setor automotivo, de construção civil, infra-estrutura e eletrodomésticos.

Embora os contratos só devam ser assinados ano que vem, há indícios de que as siderúrgicas vão barganhar por um corte de 20% a 40% em relação ao preço fechado este ano com a BHP Billiton, a Rio Tinto e a Companhia Vale do Rio Doce, que juntas têm 75% do minério de ferro do mundo. Isso representaria uma virada dramática em comparação a este ano, em que as mineradoras conquistaram reajuste de 85% e os preços à vista mais do que triplicaram, para US$ 200 a tonelada.

Numa tentativa de evitar que os preços desabem, as mineradoras estão cortando rapidamente a produção. No fim de semana, a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, começou a cortar 30 milhões de toneladas anuais, o que resultará em demissões e fechamento de minas. Diante da incerteza sobre quanto durará o esfriamento, a Vale não quis informar quando ou se pretende reiniciar a extração nessas minas.

“Acreditamos que esta decisão, neste momento, contribuirá para minimizar riscos de maiores danos no futuro, sobretudo no que diz respeito aos nossos empregados e às comunidades onde possuímos operações”, informou a Vale em comunicado.

Por enquanto, a BHP e a Rio Tinto já informaram que pretendem continuar com a produção atual, mas não está claro se continuarão resistindo caso as vendas e os preços das siderúrgicas continuem caindo.

“Não temos planos de cortar”, disse Alberto Calderon, diretor comercial da BHP. “Até o momento estamos entregando todos os nossos contratos.”

O diretor-presidente da Rio Tinto, Tom Albanese, disse mês passado que a empresa estava reavaliando as despesas de capital diante da desaceleração econômica mundial. A produção de ferro, entre outras coisas, pode ser reajustada.

O enfraquecimento da demanda por ferro pode colaborar com a oferta da BHP para comprar a Rio Tinto, que tem resistido. As autoridades da União Européia devem divulgar esta semana as condições para aprovarem a fusão, entre as quais a de que a BHP venda produção equivalente a cerca de 50 milhões de toneladas de ferro. As autoridades do mercado em todo o mundo estão preocupadas com um possível controle excessivo da BHP-Rio Tinto sobre a oferta mundial de minério de ferro e a insistência por preços mais altos. Diante do declínio na demanda e na cotação do ferro, não está claro se a BHP conseguirá se desfazer de tanta capacidade de produção.

O preço do ferro à vista ficou recentemente abaixo do preço dos contratos, revertendo uma tendência dos últimos anos. O ferro era vendido ontem a cerca de US$ 70 a tonelada no mercado à vista. Os preços de longo prazo estão na faixa dos US$ 80 a US$ 90 a tonelada. Um fator crucial nesse declínio é o enfraquecimento da demanda por aço, cujo preço do produto de referência, o laminado a quente, caiu cerca de um terço.

A associação de siderúrgicas da China informou que a produção será cortada em 20%. A ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo em produção, já começou a reduzir em 15% a produção de algumas de suas unidades. Amanhã, durante a divulgação de seus resultados, ela também deve anunciar novos cortes de produção diante do contínuo enfraquecimento mundial de setores como o automotivo e o de construção, entre outros.

Antes da crise de crédito, as siderúrgicas pressionavam por negociações antecipadas com as produtoras de minério de ferro, na esperança de fechar um preço menor e garantir o suprimento. Os contratos geralmente são assinados em abril. Agora os produtores querem esperar para o caso de a demanda se recuperar. Os analistas do setor, entretanto, não prevêem que os preços ou a demanda se recuperem antes de meados de 2009, o que fornece às siderúrgicas mais poder de negociação e melhores chances de obter preços menores.

“Nossa visão é que o preço do minério vai cair 20% no ano que vem”, disse Alex Hacking, analista do Citigroup Investment Research.

02/11/2008 - 22:03h La crisis pone a prueba a Latinoamérica

La región tiene ahora un reto: demostrar si su modelo es viable en condiciones adversas

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Cumbre Iberoamericana

ALICIA GONZÁLEZ – El País

Hace aproximadamente una semana, una queja casi unánime emergía en un encuentro informal de empresarios y responsables políticos en Guanajuato, al norte de la capital de México. “En contra de lo que dictaría la lógica económica, el país que ha provocado la crisis financiera internacional [Estados Unidos] es el que se ha convertido en el refugio de los inversores, y somos nosotros los que sufrimos el castigo y no el dólar. No tiene sentido”. “Es más sencillo que todo eso”, respondió uno de los invitados, “hay tanta gente demandando dólares que eso hace que el valor de la divisa se dispare. Así de simple. El tipo de cambio ahora no tiene nada que ver con los fundamentos económicos”.

Esta explicación más o menos simplificada de lo que ha sucedido con el peso mexicano desde el verano puede extrapolarse al impacto de la crisis financiera en la región. Latinoamérica se ha visto arrastrada a una espiral de caída generalizada de sus divisas, huida de capitales y aumento de la prima de riesgo que poco o nada tiene que ver con el desempeño económico de la región en los últimos años.

Han sido seis ejercicios de crecimiento económico y corrección de los desequilibrios como pocas veces ha vivido la zona. “Desde 2003, el crecimiento económico se ha situado de media en el 5%, frente al 3,5% registrado entre 1970 y el año 2000. Mientras tanto, la inflación llegó a caer hasta el 5% a finales de 2006, su mínimo en 37 años”, recuerda el Fondo Monetario Internacional (FMI) en su último informe regional.

Un escenario que se ha visto ensombrecido, sobre todo desde el pasado mes de septiembre, ante el deterioro de las condiciones financieras a nivel global y regional y la caída de los precios de las materias primas. Los principales organismos y analistas internacionales han rebajado sus previsiones de crecimiento para la región hasta el entorno del 4,5% este año y alrededor del 3% en 2009. Algunos países, como en el caso de México, apenas crecerán el 1% el próximo año.

El cambio en las perspectivas económicas ha arrojado nuevas dudas sobre uno de los debates de este último año. Si Internet y las tecnologías de la información crearon la ilusión de que los ciclos económicos habían llegado a su fin, el impresionante avance económico logrado por muchos países emergentes en los últimos años había hecho creer a los expertos que el decoupling -el desacoplamiento de estos mercados del ciclo económico de los países desarrollados- era posible.

Pero, como explica Don Hanna, de Citigroup, “la mayor caída en la actividad económica de Estados Unidos, Unión Europea y Japón [conocidos como el G3] desde los años ochenta y el peor comportamiento de los mercados desde los años treinta ha provocado que la metástasis haya llegado también a los mercados emergentes”.

Aunque esos mercados ya no son uniformes, como sí se constató en la crisis asiática de 1997 y 1998 y la crisis suramericana de 2001 y 2002, ni tienen respuestas casi miméticas. Tampoco dentro de la región.

“Latinoamérica es una realidad heterogénea”, asegura Gerardo della Paolera, presidente emérito y profesor de Económicas de la Universidad Americana de París. “México ya está en otra liga desde hace tiempo, y ahora también lo está Brasil”.

Lo cierto es que el mercado ya ha empezado a marcar esas diferencias. El acuerdo alcanzado esta semana entre la Reserva Federal de Estados Unidos y los bancos centrales de Brasil y México -junto a los de Corea y Singapur- para dotar de liquidez en dólares a esos mercados es un reconocimiento a la solidez macroeconómica que han alcanzado en los últimos años, así como a su importancia en el sistema financiero global. Es el mismo reconocimiento que quiere demostrar el FMI con los 250.000 millones de dólares que ha puesto a disposición de “los países que atraviesan dificultades temporales de liquidez”, pero que tienen “fundamentos económicos saneados”. Entre ellos, claramente, México y Brasil, aunque también otros países de la zona, como Colombia.

Esos acuerdos han sido necesarios por el castigo que los mercados venían infligiendo a las divisas de la región. Desde su nivel más alto frente al dólar, en agosto pasado, el peso mexicano ha perdido un 22%; el real de Brasil, un 25%; el peso chileno, otro 36% desde marzo, y desde julio, el peso argentino, un 11%. Detrás de esos bruscos movimientos “está pasando algo más que sólo el miedo”, dice Citigroup.

Muchas oscilaciones tienen que ver con operaciones de carry trade, en las que se toman préstamos en monedas con bajos tipos de interés (por ejemplo, el yen, ahora al 0,3%) para invertir en otras divisas con mayor rentabilidad. Una de las prácticas de ingeniería financiera que también ha llegado a estos mercados. A mediados de octubre, Comercial Mexicana, la tercera empresa de comercio minorista del país, presentó la suspensión de pagos de sus obligaciones al verse atrapada en operaciones de derivados en divisas por más de 1.000 millones de dólares.

Los movimientos en los tipos de cambio también están relacionados con la elevada presencia de entidades financieras extranjeras en estos mercados (de más del 80% en el caso mexicano) que, ante las dificultades del mercado crediticio, repatrían capitales a su país de origen. Es parte del proceso de desapalancamiento (vender determinados activos para obtener liquidez y reducir otras deudas) que se está produciendo a nivel global y que es una de las claves de esta crisis.

Esta combinación “trasladará las restricciones de crédito que sufren la mayoría de los países desarrollados a los países emergentes”, asegura BNP Paribas. De hecho, el Instituto de Finanzas Internacionales (IIF, por sus siglas en inglés) prevé que los préstamos netos de la banca a los países emergentes (salvo los del Golfo) pase de 401.000 millones de dólares en 2007 a 245.000 millones este año y 135.000 el que viene.

Una noticia preocupante para una región como América Latina, muy dependiente del capital exterior para financiarse, y que se refleja en el aumento de los costes para asegurar su deuda (credit default swaps) y el índice de riesgo-país de JPMorgan. De nuevo aquí, el mercado discrimina: las tensiones financieras han aumentado para todos, pero el coste para países como Argentina y Ecuador es muy superior al de Chile, Brasil o México [ver gráfico].

En el caso de Argentina, la decisión del Gobierno de nacionalizar los fondos de pensiones privados ha disparado la prima de riesgo hasta exigir un rendimiento superior al 23%. Es decir, “que nadie quiere prestarle dinero a Argentina, ni siquiera Venezuela”, aclara Nicholas Morse, de Schroders, que sostiene que ni con esa decisión se elimina el riesgo de una nueva suspensión de pagos del país suramericano por las tensiones presupuestarias que tendrá que afrontar ante las caídas del precio del petróleo y de la soja.

Por si fuera poco, los países emergentes afrontarán una dificultad añadida en 2009. La mayoría de los planes de rescate de los países desarrollados se va a financiar con emisiones de deuda, por lo que los países con riesgos añadidos van a tener que pagar una prima sustanciosa para conseguir colocar sus bonos. Es el efecto crowding out, en el que las emisiones de deuda de los países ricos expulsan del mercado a los países emergentes o incluso a inversores privados menos cualificados.

Las dificultades de este escenario quedan reflejadas en la marcha de las bolsas a lo largo del último mes, con caídas que van desde el 39% de los índices de Argentina o Perú al 5,6% de Venezuela o el 9,5% de Chile. “Las recientes caídas de las bolsas pueden reflejar no sólo la huida del riesgo, sino también la desaceleración del crecimiento en los países emergentes”, advierte Citigroup. Ahí es donde el comportamiento de China cobra gran relevancia para el futuro de la región.

Estados Unidos y, en mucha mayor medida, Europa han perdido peso como socio comercial del conjunto de América Latina y el Caribe en detrimento de la región Asia-Pacífico. Casi el 36% de las exportaciones de Chile se dirige a esa región; el 24%, en el caso de Perú; el 18%, de Brasil, y el 16%, de Argentina, según datos de la Comisión Económica para América Latina (CEPAL) de Naciones Unidas.

“Si el crecimiento de China se desacelera hasta niveles del 7%, los países más dependientes de las ventas a ese país sufrirán, aunque no será un drama. Pero si China entrara en recesión, entonces sí que se produciría una auténtica catástrofe”, asegura Della Paolera.

No parece que sea eso lo que le espera al gigante asiático. El FMI pronostica un crecimiento de poco más del 9% el año que viene, después del 11,9% registrado en 2007. Pese al ritmo todavía elevado del crecimiento, el frenazo ya se deja notar, especialmente en la demanda de materias primas, y no sólo el petróleo.

Una buena muestra de ello es la evolución del índice del Báltico, que recoge el coste de los fletes de transporte de materias primas y que ha demostrado ser un indicador fiable de la evolución de la demanda de estos productos. Desde el pasado mes de mayo, el índice ha pasado de rozar los 12.000 puntos a menos de 900 puntos esta semana. Es decir, una caída de más del 90% en apenas cinco meses y que los analistas de Barclays atribuyen al deterioro de las perspectivas macroeconómicas globales y, más en concreto, al descenso de la demanda china de acero. De hecho, el consumo chino de este metal ha pasado de crecer el 22% a apenas el 4,8% en septiembre. Brasil, el principal productor mundial de acero, ha tenido que cancelar varios envíos al país asiático, y sus productores, dar marcha atrás en sus pretensiones de aumentar el precio un 11% este año.

Tanto Barclays como los técnicos del FMI también advierten de otra preocupante tendencia que afecta a las materias primas: la congelación del crédito tanto para las pequeñas y medianas empresas exportadoras de China, Brasil y Rusia (”lo que contribuirá a reducir el comercio mundial”, dicen desde el banco británico), como a los productores agrícolas, que no pueden acceder así a las semillas, fertilizantes y maquinaria necesarias para la próxima cosecha. De confirmarse estas tendencias, cabría esperar un cierto alza en los precios de los productos agrícolas para la próxima primavera y así lo apunta el mercado de Chicago (donde cotizan los granos), que ha registrado notables subidas este mes.

El Fondo calcula que una caída en el precio de las materias primas del 10% reduce el crecimiento del PIB de la región en 0,8 puntos porcentuales.

Citigroup advierte que si el descenso va más allá, hasta el 15%, “el impacto sobre Latinoamérica empeorará” y el consiguiente deterioro del déficit por cuenta corriente añadirá presión sobre las divisas de la zona, aumentará las probabilidades de subida de los tipos de interés y afectará seriamente al crecimiento.

Hay otras fuentes de ingresos que empiezan a hacer mella en la región. La desaceleración económica de Europa y Estados Unidos ha empezado a frenar la llegada de turistas, sobre todo en la zona del Caribe.

A ello cabe añadir las caídas en las remesas, segunda fuente de ingresos en el caso de México y Ecuador. Aunque las autoridades mexicanas advierten de que puede tratarse de un fenómeno temporal, que los trabajadores mexicanos en Estados Unidos difícilmente volverán a su país, donde el empleo tampoco está garantizado; que muchos pueden haber perdido su trabajo en la construcción, pero que lo buscarán en otro sector, y que en el último mes han empezado a notar que, aunque hay menos envíos, los inmigrantes mandan cada vez más cantidad de dinero.

Este nuevo escenario se convierte, así, en el test a la solidez macroeconómica de Latinoamérica. Si, a diferencia de otras crisis, el modelo de crecimiento de la región resulta viable cuando las condiciones no son las óptimas y si los avances registrados en los últimos años (reducción de la deuda externa, mejora de la balanza por cuenta corriente, credibilidad macroeconómica…) han llegado para quedarse o no.

El Banco de España se hace eco de ese temor. En su último informe semestral sobre la economía latinoamericana, la entidad admite que el deterioro de la situación puede intensificar los síntomas de cambio de ciclo “y condicionar de forma importante las respuestas de política económica en América Latina en los próximos meses”.

Es uno de los riesgos que más temen los analistas. Los mercados emergentes tienen en general tasas de inflación muy superiores a los objetivos fijados por sus bancos centrales. Pese al deterioro de la situación económica, los analistas de Citigroup dudan que los bancos emisores vayan a proceder a una rebaja de los tipos de interés “para no arriesgarse a perder parte de su credibilidad”.

Según se recrudezca el endurecimiento de las condiciones crediticias, “el recurso a las medidas menos ortodoxas -como la nacionalización de los fondos de pensiones llevada a cabo por las autoridades argentinas- corre el riesgo de incrementarse”, dice Don Hanna. Aunque los analistas no prevén que este tipo de medidas se generalicen, sí apuntan la posibilidad de que las autoridades impongan controles de capital si la caída de las divisas se acentúa.

La política fiscal, la respuesta que a la mayoría de los países desarrollados ha recurrido en esta segunda etapa de la crisis financiera, no es una opción para muchas economías emergentes. Algunos países, como India o Brasil en la región, cuentan de partida con niveles de déficit y deuda públicos demasiado elevados para utilizar el presupuesto público como estímulo al crecimiento. Otros todavía están centrados en reducir sus déficit fiscales, como Colombia, en un intento de mantener bajo control sus costes de deuda a largo plazo. De momento, sólo México ha anunciado un paquete de estímulo para intentar compensar el frenazo económico.

Lo que no ha mejorado en este tiempo es la distribución de la riqueza en el continente, y Latinoamérica sigue siendo el que mayores diferencias sociales registra. Un informe del FMI sugiere que la subida de los precios de los alimentos desde finales de 2006 ha reducido el poder de compra de los hogares urbanos más pobres un 16% en Nicaragua y un 3% en México en este tiempo. Con esos incrementos en los precios de productos básicos, advierte el organismo, los avances en la reducción de la pobreza registrados en la última década se han visto anulados.

Estas circunstancias introducen fuertes tensiones sociales en la región y, con ello, el sistema democrático también se pone a prueba. “Hay una fuerte relación directa entre la situación económica y el auge del populismo”, reconoce el profesor Della Paolera. De hecho, los partidos de Gobierno de Brasil y Chile, dos de los más estables de toda la región, ya han sufrido sendas derrotas electorales a nivel local en las últimas semanas. Y ése podría ser sólo el principio de una nueva etapa de inestabilidad. -
Elecciones en EE UU

“Salga quien salga elegido en los comicios presidenciales de Estados Unidos , no va a cambiar la mirada de Estados Unidos hacia Latinoamérica”. Así de rotundo se muestra Gerardo della Paolera, profesor de Económicas y presidente emérito de la Universidad Americana de París. Lo cierto es que en estas elecciones Latinoamérica ha estado más ausente que nunca de las propuestas electorales de los dos candidatos. El ‘vecino del patio trasero’ no ha concitado el mínimo debate durante la campaña ni siquiera para atraer el apoyo del importante electorado hispano que participará en estos comicios.

El nuevo presidente estará tan acuciado por los problemas derivados de la situación económica de su propio país que poca atención dedicará al resto del continente. El distanciamiento que se ha producido con la región bajo el mandato de George Bush tampoco ayudará a reconstruir puentes. -

14/10/2008 - 09:49h ‘Acho que Deus é realmente brasileiro’

Presidente do Citigroup diz que país pode dar lições aos países ricos

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William Rhodes, presidente do Citigroup: Brasil é exemplo

José Meirelles Passos – O Globo

Correspondente

WASHINGTON. Houve unanimidade entre banqueiros internacionais e brasileiros, ontem, sobre a capacidade de o Brasil suportar o impacto da atual crise financeira, sem perder o rumo do crescimento sustentável.

Ao fim de uma ampla análise da situação do país, o presidente e executivo-chefe do Citigroup, Bill Rhodes, utilizou um velho ditado brasileiro para resumir a situação privilegiada do país em meio à turbulência do momento.

— Começo a acreditar que Deus é realmente brasileiro.
Pelo jeito ele tinha tirado umas férias anos atrás — disse o banqueiro, provocando risos na platéia de investidores que lotou ontem a Conferência Econômica Brasileira, em Washington.

Para Mantega, crise foi uma “orgia financeira”

Rhodes, que nos anos 80 e 90 comandou o grupo de credores do país, numa longa e complicada negociação da dívida externa, disse que “o Brasil mudou completamente”, aprendendo muito com as crises que enfrentou. E acrescentou que os brasileiros hoje têm condições de ensinar os países ricos: — Se algum país é capaz hoje de domar essa tempestade que enfrentamos é o Brasil.
O que me incomoda é os Estados Unidos não terem aprendido com as lições da América Latina. Os EUA passaram décadas ditando regras.
Acontece que os estudantes cresceram e se tornaram professores — disse ele.
Em seu discurso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, definiu a crise deflagrada nos Estados Unidos como “uma orgia financeira”. E admitiu que, a princípio, não imaginava que ela seria tão grave: — Não sabíamos o tamanho da encrenca.
Banqueiros brasileiros que participaram do evento, traçaram um retrato positivo do país.
Eles exibiram estudos mostrando que, mesmo com o dólar a R$ 2,20 e com o preço das commodities caindo, o país terá condições de continuar crescendo de forma sustentada.
Sergio Werlang, chefe do setor de riscos da Itaú Holding Financeira, chegou a dizer que isso será possível mesmo com grandes gastos federais: — Mesmo que o governo queira continuar gastando como está fazendo, o que eu não aprovo, o resultado continuará sendo positivo no ano que vem — disse ele.
Mantega respondeu: — Vamos cortar gastos, mas manter investimentos que são importantes. Eles representam nada mais que 1% do PIB.
Caio Megale, da Mauá Investimentos, disse que a crise tem um lado benéfico para o Brasil, uma vez que o país estava precisando desacelerar um pouco: — Estamos crescendo acima do potencial, acima do limite de velocidade. É como um carro numa estrada: você pode ir a 180 quilômetros por hora. Só que, em algum momento, vai dar uma trombada — comparou ele, acrescentando que “o risco seria haver uma redução do ritmo maior do que estamos precisando”.
Beny Parnes, diretor-gerente do Banco BBM, foi taxativo ao falar da capacidade de resistência do Brasil.

— Alguns anos atrás o Brasil sofreria um nocaute em dez segundos. Já temos grande experiência em enfrentar crises: é uma especialidade nossa.

14/10/2008 - 09:31h ‘É como dar transfusão durante hemorragia’

ENTREVISTA Joseph Stiglitz

Joseph Stiglitz

A crise é cada vez mais emaranhada, mas ficaram pelo caminho do investidor comum dúvidas básicas sobre o que, afinal, está acontecendo. Semana passada, O GLOBO pediu que um ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz — agraciado em 2001 —, respondesse a algumas dessas questões. No sábado, antes de o fim de semana fervilhar de novidades, Stiglitz enviou, por e-mail, suas idéias sobre crédito, juros e eleições.

Maria Fernanda Delmas – O GLOBO


Esta é uma crise de curto, médio ou longo prazo? Já há recessão?

JOSEPH STIGLITZ: Os EUA não estão tecnicamente em recessão.
Mas isso é menos importante que o fato de que a economia vai operar bem abaixo de seu potencial, e o desemprego vai crescer. A economia americana está se encaminhando para uma grande desaceleração, Quando a economia americana entra em declínio, você ouve especialistas discutindo se ele será em V (curta e acentuada) ou em U (mais longa, porém mais branda).
Os EUA podem estar entrando em um declínio melhor descrito como em L: está num ponto muito baixo e deve permanecer lá por algum tempo.

Houve sinais de que a crise vinha. Por exemplo: com os juros a 1% nos EUA, após a recessão de 2001, a população financiou a compra de imóveis, e, quando o Fed (o banco central americano) começou a elevar as taxas, veio a crise de não pagamento das hipotecas subprime (de risco maior). Também se gastou na guerra do Iraque. Ninguém viu isso?
STIGLITZ: Uma das razões da crise é que o Fed inundou a economia com liquidez e deixou a regulação frouxa. Parte pela ideologia de que regulação era ruim, mas parte porque a economia estava fraca. E uma das razões para a economia fraca era o preço do petróleo subindo. Antes de entrarmos em guerra com o Iraque, em 2003, o barril custava US$ 23.
Os mercados futuros anteciparam o aumento na demanda, mas pensaram que haveria um aumento no fornecimento. A guerra mudou a equação. Isso é importante porque os americanos estavam gastando centenas de bilhões de dólares para comprar petróleo. Normalmente, isso teria tido um efeito muito negativo em nossa economia. Mas o Fed construiu uma bolha imobiliária para substituir a bolha de tecnologia que construíra nos anos 90. A bolha imobiliária tornou mais fácil as pessoas tirarem dinheiro de suas hipotecas e de seus imóveis; em um ano, as retiradas com a diferença entre o valor do imóvel e o da hipoteca (graças à valorização do preço da casa) passaram de US$ 900 bilhões. Assim, tivemos uma explosão de consumo tão forte que, mesmo gastando tanto dinheiro fora do país, pudemos manter a economia crescendo.
Era muita miopia. Estava claro que estávamos vivendo com recursos que não eram nossos e fora do tempo regulamentar.
Outra razão é que não tínhamos um cumprimento efetivo das políticas antitruste. Acabamos com instituições que eram grandes demais para quebrar, e há um perigo real de elas tomarem risco excessivo, porque sabem que podem lucrar quando as coisas vão bem, mas, quando as perdas aparecem, também sabem que vamos socorrê-las. Como resolvemos esse problema com três bancos — JPMorgan Chase, Bank of America e Citigroup — detendo 30% dos depósitos dos americanos, estamos exacerbando o potencial de futuros problemas.

O pacote de US$ 700 bilhões será suficiente? O governo está socorrendo bancos em vez de ajudar contribuintes? E o pacote britânico?
STIGLITZ: O plano britânico é muito melhor que o americano.
Nos EUA, o que é preciso é uma injeção de capital nos bancos, com uma participação acionária concedida ao governo (o governo americano deve anunciar hoje, efetivamente, a compra de fatias de bancos). O plano de Paulson (Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA) é um socorro não transparente a Wall Street, em que tiramos deles os ativos ruins e os deixamos com os bons. É uma decepção, mas não uma surpresa, que o governo tenha apresentado um projeto de lei, mais uma vez, baseado em uma política econômica de inflar o ganho dos ricos, com a crença de que, jogando bastante dinheiro em Wall Street, este chegará à Main Street (a economia real), beneficiando trabalhadores e mutuários. É como um paciente que recebe uma transfusão de sangue maciça enquanto há hemorragia interna.
Não resolve a fonte básica da hemorragia, que é a execução de hipotecas. Tomara que depois das eleições possamos reparar os erros. Os mercados responderam com a mesma falta de entusiasmo que eu senti.

A ação coordenada dos bancos centrais ao cortar juros foi uma decisão certa? Pode causar uma nova bolha?


STIGLITZ:
Agora, não resolverá muito de fato, mas também não causará muitos danos.
Para a maioria das pessoas, não importa se pode tomar empréstimos a 4% ou 3%.

O crédito está secando nos EUA, na Europa, no Brasil…Onde está esse dinheiro?
STIGLITZ: Essencialmente, com tantas dívidas ruins e tanta incerteza sobre sua magnitude, há uma crise de crédito.
Os bancos nem sabem a extensão de seus próprios problemas.
Então, como podem ter muita confiança em emprestar para os outros? Não é apenas um problema de falta de liquidez. É mais profundo que isso — balanços foram duramente afetados, e terão de ser consertados. Não importa que plano coloquemos em marcha, haverá uma contração de crédito.

Há alguma racionalidade nas bolsas ou é só especulação? Na hora em que a Câmara americana aprovou o socorro, por exemplo, o índice Dow Jones, que estava subindo, começou a despencar.
STIGLITZ: O real problema com a lei (de socorro), mesmo tendo passado pelo Senado e pela Câmara, é que não tenta resolver os verdadeiros problemas que afligem nossa economia.
Paulson vendeu o problema como uma restauração da confiança. A questão não é apenas uma crise de confiança em nosso sistema bancário (e em nossa liderança econômica).
Há uma razão para as pessoas terem perdido a confiança.
A economia estava se enfraquecendo. Os bancos fizeram muitos empréstimos ruins. Para muitos, enquanto o governo (Bush) falava sobre seu programa para restabelecer a confiança, tratava-se na verdade de um truque com a confiança na economia americana — um presente para Wall Street às custas dos contribuintes comuns. No fim das contas, o truque não funcionou — um dia depois do anúncio (do plano), as bolsas de todo o mundo tiveram o pior pregão de sua história, com os papéis dos bancos tendo as maiores perdas. Paulson e sua equipe trabalharam duramente para conquistar a falta de confiança, à medida que pulavam de uma estratégia para outra. Apesar de o Congresso ter melhorado muito o pacote, também não conseguiu fazer o que era preciso, e quando isso se tornou visível, a confiança ficou ainda mais corroída. Se US$ 700 bilhões não bastaram, o que funcionaria?

A queda recente dos mercados pode ser, de alguma forma, efeito das eleições presidenciais americanas?

STIGLITZ: Enquanto pode não ser um efeito direto das eleições, terá um grande efeito em quem as pessoas votarão, à medida que muitas das razões para a crise surgiram durante o governo Bush. É difícil acreditar que os americanos vão reconduzir à Casa Branca o partido do presidente.

“Estávamos vivendo com recursos que não eram nossos e fora do tempo regulamentar Joseph Stiglitz, ganhador do Prêmio Nobel de Economia

17/09/2008 - 20:16h Crise se agrava e bancos nos EUA correm para fechar acordos

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JACK REERINK – REUTERS – AGENCIA ESTADO

NOVA YORK – Uma onda de desesperadas negociações entre instituições financeiras invadiu Wall Street nesta quarta-feira, dia em que as ações atingiram mínimas em três anos em meio a novos sinais sobre a fragilidade do setor.

O Morgan Stanley estava discutindo uma fusão com a potência bancária Wachovia, segundo noticiou o New York Times. O presidente-executivo John Mack recebeu um telefonema do Wachovia nesta quarta-feira, mas também está em busca de outras opções, segundo o jornal.

“Neste mercado, qualquer coisa é possível. Parece que o mercado quer que o modelo de banco de investimento desapareça”, disse Danielle Schembri, analista de corretoras do BNP Paribas em Nova York.

O Washington Mutual, maior banco de poupança do país, colocou-se à venda, segundo fontes, confirmando uma notícia do New York Times. Potenciais interessados incluem Citigroup, JPMorgan, Wells Fargo e HSBC, de acordo com as fontes.

Mais tarde o chairman do Wells Fargo disse que não iria revelar no que “nós estamos ou não interessados”.

Já a concessora de hipotecas britânica HBOS chegou a um acordo em ações com o Lloyds TSB para criar uma gigante hipotecária de 28 bilhões de libras (50 bilhões de dólares).

A onda de acordos em potencial segue o resgate surpresa, no valor de 85 bilhões de dólares, da seguradora AIG pelo Federal Reserve na véspera, um movimento que não conseguiu acalmar os mercados.

“Parem a insanidade”, pediu um relatório do UBS quando as ações financeiras estavam em queda livre.

O resgate da AIG segue o colapso do Lehman Brothers Holdings e a venda da Merrill Lynch para o Bank of America Corp, além de movimentos de bancos centrais em todo o mundo para inundar o sistema financeiro com recursos.

“O medo agora é sobre quem será o próximo”, afirmou John O’Brien, vice-presidente sênior do MKM Partners. “Quase parece que as pessoas pegam um livro e dizem qual será o próximo alvo. E isso espalha um temor contínuo.”

As ações do Morgan Stanley caíram 43 por cento e as do Goldman recuaram 27 por cento, mesmo após ambos divulgarem resultados trimestrais acima do esperado na terça-feira.

Isso levantou comentários de que os dois principais bancos de investimentos dos Estados Unidos que ainda restam podem ter que se juntar a um banco comercial para sobreviver à turbulência.

“Acho que o Goldman Sachs e o Morgan Stanley se tornarão parceiros de dança. Eles não querem ser… a vítima desta semana”, disse William Larkin, gestor de renda fixa do Cabot Money Management.

O custo de proteção da dívida do Morgan Stanley e do Goldman saltou, refletindo os temores dos investidores de que seus títulos não sejam mais seguros que aquelas considerados como “junk”. O porta-voz do Goldman Lucas van Praag disse que a queda dos papéis da empresa é “resultado de um temor completamente irracional e não é baseado em fundamentos”. O Morgan Stanley culpou os investidores de curto prazo.

Enquanto isso, a Casa Branca disse estar “preocupada sobre mais empresas”.

E em um sinal de uma ação regulatória com pouco efeito aparente, a SEC, o órgão regulador do mercado de capitais dos EUA, restringiu as vendas a descoberto.

“Parece que a SEC está um dia atrasada… O Morgan Stanley claramente está na mira dos vendedores a descoberto”, disse Andrew Brenner, vice-presidente sênior do MF Global.

As autoridades norte-americanas já gastaram 900 bilhões de dólares para aliviar os problemas dos setores financeiro e imobiliário. Grande parte desse dinheiro pode ser recuperado, se os ativos não caírem ainda mais.

Neste ano, o governo já socorreu as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac e o Fed estruturou a venda do falido banco de investimento Bear Stearns ao JPMorgan Chase .

(Colaboraram Svea Herbst-Bayliss, Jon Stempel, Jennifer Ablan, Joseph Giannone, Jeffrey Hodgson e Kevin Plumberg)

23/08/2008 - 09:51h USA: a cratera da crise das hipotecas


O ônus das hipotecas

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Jenny Anderson* – O Estado de São Paulo

Quando as ações da Fannie Mae e da Freddie Mac despencaram, as ações de companhias financeiras padeceram. Mas poucas sofreram tanto quanto as do Lehman Brothers, o encrencado banco de investimento cuja ação perdeu mais de 10% em 11 dias do último trimestre.

Nos últimos 12 meses, o preço das ações da Freddie recuou 95%. Nesse período, o Lehman caiu 76%. O índice financeiro Standard & Poor’s diminuiu 42%. A título de comparação, o Merrill Lynch caiu 68% e o Citigroup, 64%.

A conexão entre Lehman, Fannie e Freddie é clara, diz Richard X. Bove, analista da Ladenburg Thalman. “Os negócios do Lehman são mais amplos que os da Fannie e da Freddie, mas o vínculo é que eles estavam fazendo a mesma coisa – montando pacotes hipotecários e os vendendo”, diz ele.

Ademais, o banco de investimento e as agências patrocinadas pelo governo retinham as hipotecas, que agora estão gerando prejuízos e obrigando as empresas a levantar capital num mercado que não se mostra muito disposto a fornecê-lo.

Os infortúnios do setor imobiliário se espalharam por Wall Street. O Merril Lynch deu baixa de US$ 45 bilhões e o Citigroup de US$ 49 bilhões nos ativos. Eles também embarcaram na farra das hipotecas, e seus acionistas e empregados agora estão pagando o preço.

Mas o Lehman ficou no centro do furacão por causa de seu tamanho menor, sua exposição significativa em hipotecas – cerca de US$ 61 bilhões em hipotecas e ações lastreadas em ativos – e sua aparente relutância em adotar medidas drásticas.

O Citigroup vendeu sua grande franquia alemã de banco de consumo, enquanto o Merrill Lynch se conformou e vendeu um portfólio de US$ 31 bilhões de obrigações de dívida colateralizada relacionada a hipotecas por 22 centavos por dólar, além de sua participação na Bloomberg LP. O Lehman não quis comentar seus planos.

Depois de um trimestre desastroso, analistas rebaixaram suas estimativas para o terceiro trimestre do Lehman. Onde haviam previsto um pequeno lucro, eles agora esperam uma baixa contábil de até US$ 4 bilhões e um prejuízo de US$ 3,30 por ação no trimestre.

Na quinta-feira, Bove elevou a classificação do Lehman para compra, mas isso não confortará os funcionários do Lehman. Ele diz que a companhia está madura para um take over (compra de controle acionário) hostil por causa do desencontro entre o que os investidores pensam que a companhia vale e o que a administração pensa que ela vale – bem mais.

“Os investidores não estão dispostos a aceitar nenhuma visão positiva da companhia; a administração não está disposta a vender por um valor profundamente deprimido”, escreveu Bove. “O palco está pronto para uma oferta hostil pelo controle da companhia inteira.” Com a incerteza reinante nos mercados, não está claro que compradores poderiam se apresentar.

O Lehman vem tentando sair da encrenca. Depois de perder US$ 2,8 bilhões no segundo trimestre, sobretudo por conta de baixas em investimentos em imóveis residenciais, ele levantou US$ 6 bilhões.

Depois de explorar os mercados e diluir a participação de acionistas, está ficando sem opções. Ele colocou à venda seus negócios lastreados em hipotecas comerciais e aproximadamente US$ 40 bilhões de investimentos em imóveis comerciais, segundo pessoas envolvidas nas negociações.

Ele também está buscando ofertas para sua divisão de administração de investimentos, incluindo o muito valorizado complexo de fundos Neuberger Berman, segundo fontes envolvidas nas discussões. Também está tentando vender uma participação a fundos de riqueza coreanos, segundo uma pessoa informada das discussões.

O banco de investimento está tentando agressivamente reduzir o risco em seu balanço com a venda de alguns ativos (no segundo trimestre, o Lehman vendeu US$ 22 bilhões em ativos ilíquidos de um total de US$ 147 bilhões em ativos).

Patrick Pinschmidt, um analistas do setor financeiro para o Morgan Stanley, disse num relatório de pesquisa no fim de julho que não esperava que as vendas de ativos e baixas contábeis seriam tão grandes como no segundo trimestre. Mas “vemos o Lehman continuando a reduzir exposições em imóveis comerciais de olho na redução de seus ativos ilíquidos totais em outros US$ 20 bilhões até o fim do ano”, ele escreveu.

Os investidores estão ficando cada vez mais nervosos com a falta de um plano declarado da administração, enquanto outras condições econômicas enfraquecem. O crescimento global está se desacelerando e o panorama para a Fannie e a Freddie continua nebuloso. Some-se a isso a contínua deterioração do mercado de hipotecas comerciais e residenciais, e o Lehman tem encontrado pouca margem de manobra.

Segundos dados que a Standard & Poor?s divulgou na quinta-feira, mais de 41% das hipotecas subprime contraídas em 2006 estão inadimplentes – uma proporção menor que as do Merrill Lynch e do Morgan Stanley, mas maior que as do Credit Suisse e do JP Morgan (O Lehman não precisa necessariamente reter os papéis hipotecários em pacotes para vender, embora seja mais provável que ele retenha mais pedaços desses que de outros.) Hipotecas para pessoas com o crédito um grau acima do subprime (alto risco), chamado Alt-A, estão sendo leiloadas. A Standard & Poor’s estima que mais de 21% dessas hipotecas feitas em 2006 estejam inadimplentes.

Para agravar ainda mais o panorama já tétrico do setor hipotecário, o desempenho geral dos mercados de capitais está ruim no terceiro trimestre – uma questão para todas as empresas, mas de novo, que parece atingir mais duramente o Lehman.

Os spreads de crédito aumentaram em algumas classes de ativos e grandes empresas continuaram mostrando fraqueza.

Segundo pesquisa do Goldman Sachs, a subscrição de dívida – um grande negócio do Lehman – despencou. Para o setor, a subscrição de dívida garantida por ativos caiu 47% em relação ao trimestre anterior, e a emissão garantida por hipotecas caiu 28%. No total, as emissões garantidas por ativos caíram 80% em relação ao terceiro trimestre de um ano atrás, e as ofertas garantidas por hipotecas caíram 87%.

Para o Lehman, a subscrição de dívidas garantidas por ativos caiu 89% desde o segundo trimestre, e 94% de um ano atrás; a subscrição de dívidas hipotecárias recuou 44% ante o trimestre anterior e 94% ante um ano atrás.

Bove vê todo esse clima ruim como uma oportunidade para um investidor hostil abocanhar o Lehman Brothers, cuja capitalização de mercado recuou para US$ 9,5 bilhões.

“Se vai acontecer, eu não sei”, disse ele. “Poderia acontecer? Seguramente. Oportunidades como essa raramente aparecem nos mercados.”

*O autor escreve para o “The New York Times”

23/05/2008 - 09:44h Analistas estrangeiros vêem risco de BB pagar caro pela Nossa Caixa

Mercado Aberto

GUILHERME BARROS – guilherme.barros@uol.com.br

http://contasabertas.uol.com.br/noticias/imagens/Nossa%20Caixa%20dentro%20credito.JPG

Os analistas de bancos estrangeiros avaliam que a incorporação da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil será um passo estratégico importante para o banco federal, mas apontam alguns riscos. O maior deles é o de o BB pagar caro demais.

Os bancos estrangeiros trabalharam normalmente ontem, e, por isso, foram feitos os relatórios comentando a notícia da incorporação da Nossa Caixa pelo BB.

O banco de investimento Morgan Stanley, por exemplo, espera que a conclusão da operação demore no mínimo seis meses porque o processo de “due dilligence” -durante o qual será feita uma avaliação pormenorizada da Nossa Caixa- deverá ser longo.

Mas a instituição vê muitas vantagens para o BB na aquisição, como o crescimento da sua rede de agências e as sinergias operacionais, que resultarão em redução de custos.

O Morgan Stanley, no entanto, vê o risco de o BB pagar caro demais pela Nossa Caixa, em parte devido à sua inexperiência em fusões e aquisições.

“As ações da Nossa Caixa são negociadas no mercado, atualmente, a um preço próximo do seu valor patrimonial e não gostaríamos de ver o BB desembolsar mais do que 15% a 20% de prêmio sobre o valor patrimonial.”

Por isso, o Morgan Stanley prevê que o mercado reagirá negativamente à notícia, movimento que só será revertido quando as condições concretas do negócio forem conhecidas.

Já o Deutsche Bank afirma que a incorporação é positiva para o Banco do Brasil, mas negativa para o Bradesco, o Itaú e o Unibanco, já que a competição bancária deve aumentar, principalmente em São Paulo.
O banco alemão afirma que o fracasso recente da privatização da Cesp pode ter acelerado o processo de negociação.

“Os fatores políticos devem impedir que a transação seja concluída a médio prazo. Como o Banco do Brasil tem 65% de participação do governo federal, do PT, e a Nossa Caixa tem 71% do governo estadual, do PSDB, nós acreditamos que o fracasso recente da privatização da Cesp pode acelerar a negociação”, diz o banco alemão.

O Deutsche Bank afirma também que a Nossa Caixa é um alvo atraente para uma instituição pública federal, mas não necessariamente para os bancos privados, já que a quantidade de depósitos judiciais- cerca de R$ 16 bilhões- no banco paulista é muito grande.

Para o UBS Pactual, a incorporação da Nossa Caixa é um passo importante para a estratégia de crescimento do BB por meio de aquisições. O UBS prevê, porém, que o anúncio do BB poderá motivar uma reação dos bancos privados, interessados na realização de um leilão.

A instituição diz que, como a Nossa Caixa está atrás de outros bancos em termos de eficiência, a integração com o banco federal será desafiadora.

O Citigroup lamentou que o anúncio tenha sido feito no início da noite, em uma véspera de feriado, e que o mercado tenha que esperar até a próxima semana para ter mais informações sobre o negócio.

PLANO DE AÇÃO

O presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto, irá se reunir hoje, em São Paulo, com os administradores do banco da região para explicar a estratégia da instituição ao iniciar as negociações para incorporar a Nossa Caixa. Lima Neto vai dizer que o banco pretende reforçar suas operações em São Paulo, com a incorporação da Nossa Caixa, para atingir a liderança no Estado. Hoje, o Santander/ABN Amro, o Bradesco e o Itaú estão à frente do Banco do Brasil em São Paulo.

Outra ênfase será no mercado imobiliário. Para Lima Neto, o BB ficou muito tempo sem poder crescer por não ter participado dos processos de privatização dos bancos.

24/10/2007 - 11:05h Arranjo esquisito

Celso Ming, celso.ming@grupoestado.com.br

Há uma semana, três grandes bancos americanos, o Citigroup, o Bank of America e o JP Morgan, anunciaram a criação de um superfundo de US$ 75 bilhões destinado a resgatar os títulos micados no estouro da bolha das hipotecas de alto risco (subprime).

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos (ministro das Finanças), Henry Paulson, encorajou o lançamento desse bote salva-vidas.

De lá para cá, uma cortina suspeita envolveu o projeto. Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), colocou em dúvida a seriedade do fundo: ‘Gostaria de saber quanto valem essas drogas (damn things).’ O presidente anterior do Fed, Alan Greenspan, que mantém o prestígio capitalizado ao longo dos seus 19 anos de mandato, ao se referir ao superfundo e a seu provável conteúdo, usou expressões que se referem a tratamento natural dado a carniça: ‘Se você intervém no sistema, os abutres são mantidos à distância; e os abutres são às vezes muito úteis.’

Ficaram duas impressões: (1) que a iniciativa dos bancos se destina a fazer o resto do mundo de trouxa, com patrocínio do Departamento do Tesouro americano; e (2) que os três bancões americanos, enredados até o pescoço com hipotecas podres, estão fazendo uma jogada cujo objetivo é evitar prejuízo em seus balanços.

O plano parece ser o de convencer os clientes a comprar as cotas do superfundo. E a dinheirama amealhada agasalharia os ativos encalhados em carteira.

O problema técnico mais relevante é o de que a principal razão do estouro da bolha das hipotecas subprime já havia sido a impossibilidade de definir o valor correto desses ativos. A proposta é reempacotar esses produtos financeiros, a preços arbitrados sabe-se lá por quem, e oferecê-los a supostos caçadores de pechinchas. E, para dar uma aura de respeitabilidade ao negócio, convenceram o secretário do Tesouro a recomendar a mercadoria.

Diante das restrições públicas externadas por Bernanke, Greenspan e dezenas de financistas, parece difícil que esse superfundo decole. Se não decolar, estaremos diante de pelo menos cinco conseqüências.

A primeira é que a crise continuará sem solução até que os detentores dos títulos micados se convençam de que devem liquidar seus créditos a preços de fim de feira ou esperar que os abutres lembrados por Greenspan façam o serviço.

Segunda, parece inevitável que grandes instituições financeiras acusem perdas. Há alguma probabilidade de que os bancos centrais sejam obrigados a acionar seus mecanismos de cobertura (financiamento de última instância) para evitar o alastramento sistêmico da crise.

Terceira, nesse ambiente, parece inevitável que o Fed seja obrigado a voltar a baixar os juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Fomc, na sigla em inglês) do dia 31.

Quarta, a crise deverá ter novos desdobramentos cuja intensidade é difícil prever. E, quinta, como os bancos centrais dos países ricos mantêm a disposição de apagar todo princípio de incêndio, os investidores continuarão aceitando riscos cuja natureza e dimensão possam entender. Isso sugere que o mercado subprime seguirá largado e que o mercado de ações, de moedas e de commodities continuará tirando proveito disso.

Confira

Na rabeira – Neste ano, os juros básicos (Selic) caíram de 13,25% para 11,25% ao ano – um recuo de 15,1%. No entanto, os juros no crédito dos bancos não acompanham essa queda. Pelo levantamento do Banco Central, no desconto de duplicatas, os juros só caíram 12,5%; no financiamento de capital de giro, 10,3%; no cheque especial, 1,4%; e no crédito pessoal, 13,6%.

Em parte, a queda menor dos juros compensa o alargamento do prazo dos financiamentos, o que é também uma vantagem dos bancos. Num ambiente de redução dos custos financeiros, trataram de garantir juros ainda altos por mais tempo.